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É O ANO DE 2003
COMO SABEMOS ISSO?
Bem, então…
BONÉ DE CAMIONISTA
- Obrigada por nos receberes, Debbie. - Adeus.
CABELO ALISADO COM PRANCHA
- És tão mau a jogar póquer. - Pois sou.
Mas tenho jeito para outras coisas.
CORRENTE PARA A CARTEIRA
Espera, já percebi.
BRINCO SEM SENTIDO
Não acredito. É tão fixe! És dona da tua própria casa.
Sim. Bem, poupei para a entrada durante algum tempo.
TANTOS TOPS EM CAMADAS
Fui poupando através de cálculos cuidadosos.
Espantoso!
Quando destruir a minha vida, posso vir viver contigo?
- Combinado! - Espantoso!
- Ena, tantos livros! - Sim, sou uma grande leitora.
És? Que bom! Um dia, serei um grande escritor.
- O quê? - Bem, quero ser.
Está bem, aposto que serás.
Como é possível seres tão espetacular?
Não tens de dizer nada disso.
- Vou dormir contigo na mesma. - Incrível!
Vou enviar-te os meus contos de manhã.
Ótimo.
Acho que vais gostar.
- Para de falar agora, está bem? - Desculpa.
Na verdade, escrevi 23 contos…
Meu Deus, para!
20 ANOS DEPOIS
Bom dia.
Bom dia.
Feliz aniversário, pessoa muito mais jovem.
- O quê? Temos a mesma idade. - Não em anos de mulher.
Em anos de mulher, sou uma velhota,
e tu ainda serás considerado sexy aos 70,
por mais enrugado e careca que fiques.
- Por isso, parabéns. - Admito, é um bom negócio.
Comprei-te o melhor presente de sempre.
Compraste-me um Porsche? Um 356?
Não, um 911 em roxo, certo?
Queres café?
Sim, obrigado.
LOS ANGELES, NOVA IORQUE
Eu ligo-te daqui a pouco.
NA TUA CASA OU NA MINHA?
Sei que me disseste para não te levar nada,
mas tens plantas aromáticas?
O quê?
Plantas aromáticas. Deixa estar. Eu compro algumas.
Pomo-las à janela e, depois, temos manjericão e hortelã frescos,
para cozinhar, comer ou cheirar.
Debbie, por favor, não tragas terra para o meu apartamento. Imploro-te.
- Que surpresa! Ouves os Cars de manhã. - O dia todo.
Já agora, quando eu estiver em tua casa,
se quiseres receber alguém e me quiseres despachar, faz isso.
Agora, sinto-me constrangido.
Por favor, já te vi nu.
- Nunca deixa de ser estranho. - Tão estranho!
Obrigado, mas acho que consigo controlar-me durante uma semana.
Nunca se sabe. Talvez tu conheças alguém por cá.
E fazemos uma grande festa de sexo aqui.
- Que nojo? - Sim, desculpa. Foi nojento.
Seja como for, não há hipóteses de eu conhecer alguém.
Como sabes, o meu coração é uma pedra fria e dura.
Ainda bem que não estás a ser dramática.
A propósito, estou orgulhoso de ti
por não teres medo de deixar o Jack por uma semana.
Estou em pânico. Ele é o meu bebé. Nunca o deixei por tanto tempo.
A criatura acorda!
- Bom dia. Posso comer isto? - Bom dia.
- Sim, não tem glúten. Diz olá ao Peter. - Olá, Peter.
- Tudo fixe, Jack-O'-Lantern? - O quê?
Ando a pensar em alcunhas. Não?
Não, ele não gostou.
- Tens de trabalhar mais nisso. - Olha para ele. Não é um bebé.
Não vais deixá-lo com uma tigela de cão e um brinquedo para roer.
A Scarlet vai estar aí. Queres a minha opinião?
Só por dizeres isso, já sei qual é a tua opinião.
Ele não é meu filho,
mas acho que ter algum espaço faria bem ao Jack.
Conselhos de parentalidade de alguém cujo único animal foi um peixe
que morreu num fogo de cachimbo.
Só digo que há "mães helicóptero", há "mães limpa-neves".
O que tu fazes é ser uma "mãe múmia".
Estás tão enfaixada à volta do miúdo que o sufocas!
Sei identificar uma metáfora. Obrigada.
Estás animado por passarmos uma semana na mesma cidade?
Sim. Quando foi a última vez?
Não sei. Em 2008? Quando deixaste LA porque tinhas medo de terramotos.
Ouve, o Terramoto de Chino Hills não foi caso para rir.
Sei que tens de ir trabalhar e quero dar-te o presente.
Estava a arrumar uma gaveta a fundo…
- Arrumas as coisas a fundo? Ocasionalmente, sim.
E olha o que encontrei!
Sei que odeias recordações.
Sim, detesto recordações acima de todas as "ações".
Espera. Aqui está o teu presente. Olha.
Pus isto na mesinha quando dormiste em minha casa.
Quis guardá-la para quando nos casássemos ou assim.
- Eu era mesmo burra aos 20 anos. - Não eras burra.
Um bocadinho.
A melhor parte da noite foi quando fiquei com o teu dinheiro todo!
Essa foi a melhor parte?
Bem, ofuscou a parte do sexo, porque fugiste no dia seguinte.
Mas eu liguei-te depois.
Sim, ligaste depois, quando disseste
que não podias namorar comigo nem com ninguém porque eras…
… um merdas incognoscível?
Ora aí está o escritor em mim. É uma bela formulação.
E eu é que sou dramática?
Adiante. Vinte anos de amizade.
Vinte anos! Não é incrível?
Tiveste mesmo a melhor amiga do mundo.
Igualmente.
Tem um bom aniversário, Peter.
Assim farei. És fantástica.
Vemo-nos daqui a uns dias.
Olá.
Pensei que tu e a Debbie não fossem parar de falar.
- Pois é. Desculpa por isto. - Do que estavam a falar?
- De coisas. - "Coisas"?
Está certo. Então, a tua melhor amiga, que é uma rapariga e que nunca conheci,
liga-te nos teus anos e vocês falam imenso?
Não é "uma rapariga", é a Debbie.
Obviamente, não tenho ciúmes. Quer dizer, olha para mim.
- Mas é estranho. - Becca?
Se gostam tanto um do outro, porque não estão juntos?
Eu e a Debbie? Porque é assim.
- Porque é assim… - Ela é…
… ela.
E eu sou… eu.
Vamos trabalhar? O Uber chegou.
Estás linda hoje.
Esta noite, no Brownstone Club, não lhes digas que é o meu aniversário.
Vão fazer um grande alarido, e quero que sejamos só tu e eu.
Peter…
Sim?
O que acontece a seguir?
Depois do jantar? Eu gosto do pudim deles.
Não, quero dizer connosco.
Estamos juntos há seis meses e…
… acho que não estamos a aproximar-nos mais.
- Eu não sei muito sobre ti. - Sabes, sim.
Digo-te o que quiseres. Sou um livro aberto.
Se isto é um desperdício do meu tempo, eu só quero saber, está bem?
Define "desperdício".
Acabaste de o fazer.
Ena! Feliz aniversário.
Não! Vá lá.
Acabou, Peter.
É…
E… ela levou o carro.
- Tomaste o anti-histamínico? - Confirmado.
- Spray nasal? - Confirmado.
Boa! Estás pronto.
Bom dia, equipa!
Ouçam, as joaninhas estão a fazer um trabalho do caraças no jardim.
- Vocês façam o mesmo. Divirtam-se. - Tu também, Zen.
Eu vou estar aqui!
Ou talvez… ali.
Falei com a mãe do Alexander sobre oferecer uma sobremesa alternativa
na festa de anos, por causa das tuas alergias.
Não te esqueças.
Deves estar a gozar. Que vergonha!
Ainda te dás com o Wade? Olá, Wade!
- Mãe! Não! - O que foi?
- Ele é um dos meus alunos. - Céus! Não és professora.
Eu trabalho aqui. Deixa-me tirar o teu almoço.
Vocês passavam muito tempo juntos. Ele costumava dormir lá em casa.
Deixa-me pôr isto aqui. Ele não fez chichi no nosso sofá uma vez?
Mãe!
O quê? Fez mesmo.
- Olá, miúda. - Meu Deus! Olá.
Vai um péssimo café de escritório?
- Tenho isto. - Está bem.
- Mas, sim, claro. - Vamos a isso.
Já fizeste as malas?
Sim, já fiz as malas.
Devo dizer que estou muito feliz por teres finalmente tirado umas férias.
O quê? Não, não vou de férias. Já te expliquei isto!
Tenho de terminar este curso até ao fim do ano,
para me poder candidatar àquele cargo de contabilista na administração escolar.
Adoro quando dizes um monte de palavras sensuais assim.
Eu preciso do dinheiro.
A medicação para o eczema do Jack só será comparticipada pelo seguro
durante mais seis meses. E depois, é…
- Mil dólares. - Sim!
Mil dólares por mês! Portanto, não. Não são umas férias.
Está bem. Bem, só espero que, quando estiveres em Nova Iorque,
reserves tempo para fazer algo bom por ti.
Talvez tomar um banho. Descontrair.
É o que adoro fazer quando viajo.
Tomar um banho e não ouvir nenhuma das minhas filhas a gritar: "Tenho fome!"
Estão sempre com fome?
- Bem, eu nunca lhes dou de comer. - Nunca?
Porque é que o Jimmy não pode ficar com o Jack?
É a época alta da escalada. Ele tem de aproveitar.
És tão simpática com ele.
Se o meu ex fosse um alpinista e passasse dez meses por ano
a viajar pelo mundo com uma mulher sensual de 33 anos, coberta de tatuagens…
Estiveste a ver o Instagram dela?
Achas que não vou ver a conta da namorada do Jimmy no Instagram?
O que estamos a fazer? Quem seria eu?
Não faz mal. Resulta para ele e para mim.
E o Jack adora estar com a Scarlet.
Espero que consigas o que queres com esta viagem.
- Sim. - E o que precisas, entendes?
Formar-te, encontrar um homem, voltar para casa
e remodelar aquela tua cozinha antiquada.
Também está na hora de escadeares o cabelo.
Escadear, mas sem franja.
As franjas são para emergências.
Tens todas as respostas para a minha vida.
Somos amigas.
Obviamente, tenho críticas bem pensadas de todas as escolhas que já fizeste.
E todas as soluções.
Portanto, se partires nesta aventura de Manhattan e encontrares um jeitoso,
eu posso sugerir uma manicura.
Talvez uma depilação a cera. Enfeitares-te um bocadinho.
Depilação a cera?
Depilação a cera!
- Depilação a cera. - Isso não vai acontecer.
Imploro-lhe, senhor! Por favor, não me faça mal!
Espera, não avalies isto. Eu vou repetir.
Ora bem…
Imploro-lhe, senhor!
Não me faça mal!
Foi bom?
- Incrível! - Olá, Scarlet.
- Olá, Deb! - O que se passa?
- Bem, tenho uma audição! - O quê?
Sim! É para uma série de TV
passada nos anos 20, sobre um assassino em série.
O meu papel seria o de uma criada estrangulada… pelo protagonista.
Posso experimentar isto? Ora bem…
Imploro-lhe, senhor! Por favor, não me faça mal!
Estava a ser estrangulada. Percebeu-se?
Sinceramente?
Arrasaste!
- Não devo conseguir. Nunca me dão nada. - Nunca se sabe.
Recebeste os e-mails sobre o que fazer com o Jack na minha ausência?
- Sim, estamos a par. Não é, Jack? - Sim!
Deb, estou muito feliz por ti.
É muito fixe e inspiradora,
esta coisa de… contabilidade ou assim.
É curioso que gostes de números. Pensei que gostavas de livros.
Porque não estás a fazer algo com… cenas de livros?
O curso é prático, que é o que se tem de ser quando se é mãe solteira.
Certo.
Trágico.
Mas é um desperdício enorme.
"Um desperdício."
Sabemos que o nosso período de consultoria contigo acabou.
Sim, esperávamos ter mais algum tempo para te conhecer melhor.
Malta, vocês conhecem-me tão bem.
Passámos imenso tempo juntos nos últimos seis meses.
Sim, e tem sido…
- Tem sido espetacular. - Espetacular!
Sabes, estamos a pensar… O que acontece a seguir?
A seguir, eu sigo em frente.
Lamento muito.
Vem connosco.
Precisamos de um novo diretor de marketing e devias ser tu.
- Sim! - Malta, lamento.
Não é uma opção para mim.
- Não fiquem tristes. - Não.
Não faz mal. Nós…
É assim que tem de ser.
Já não sei se gosto de ti.
Isto está a ficar feio.
Eu sabia que ia ficar feio.
Podes pegar no meu contacto e apagá-lo do teu telemóvel.
Não o tenho no telemóvel.
Então, põe-no no telemóvel e apaga-o.
- Pedimos desculpa. Ele não… - Não faz mal.
Ouve, Peter, se isto está a acontecer,
e claramente está, quero dizer-te: espero que encontres o que procuras.
FELIZ ANIVERSÁRIO, PETER! A ADMINISTRAÇÃO DE CONDÓMINOS.
Parabéns, amigo.
- Estás a olhar fixamente. - Eu sei.
Estou só… Vou ter muitas saudades tuas.
Mãe, há imenso tempo que queres fazer isto.
Prometo que ficarei bem.
Imploro-lhe, senhor, não me faça mal!
- Consegui o papel! - O quê?
Sim! Dá para acreditar?
- Isso é incrível! - Pois é! Vou para Vancouver esta noite!
Fico lá durante duas semanas porque, apesar de só ter uma fala,
a minha personagem aparece em cenas importantes… Meu Deus!
Meu Deus! Sou mesmo parva.
Corri para cá para vos dar a notícia porque vos adoro muito.
E esqueci-me que devia ficar com o Jack porque sou uma idiota egoísta.
Não!
O que vou fazer?
O que vamos fazer?
NÃO VOU PARA NOVA IORQUE. A SCARLET FOI-SE EMBORA.
Está tudo bem. A sério.
Não me parece bem. Parece barulhento.
Eu termino o curso para o ano. Também só volta a haver nessa altura.
Bem, pareces chateada.
Não faz mal. Sou adulta.
Uma parte considerável de ser adulto consiste em ficar chateado.
Muitas vezes, na verdade.
Aí está algo pelo qual ansiar.
Sim, e é por isso que temos de ser sempre cuidadosos e cautelosos.
VIDEOCHAMADA
- Não atendes? - Não. Vai tentar emprestar-me dinheiro.
- Não sabes isso. - Sei, sim.
Olá, Peter.
Diz-lhe que não quero emprestar-lhe dinheiro.
- Eu disse isso. - Eu reservei um voo, Jackety Jack.
- Estás pronto para curtir? - Por favor, as alcunhas.
- O quê? - Tens razão.
Não acerto nas alcunhas. Vamos trabalhar nisso.
- Olá, Debbie! - O quê?
E aluguei um carro para mim, porque sabe Deus que banheira
andas a conduzir por aí. - O quê?
Estás a dizer "o quê?" muitas vezes. Faz-te parecer burra.
Não percebo.
Vou passar uma semana em LA e fico a cuidar do Jack.
- E tu podes ficar aqui, sozinha. - Peter, vá lá.
Não podes largar tudo para fazer de ama-seca.
Tens um emprego e uma vida.
Não sei se tens uma vida, mas tens um emprego.
Tenho algum tempo livre entre clientes, por isso, está tudo em ordem.
Não é tão divertido como estarmos todos juntos, mas…
… é disso que precisas.
Peter, cuidar do Jack dá muito trabalho.
Ele é alérgico a um milhão de coisas, toma um monte de medicação
e, sinceramente, não tem muitos amigos agora.
- Deixa-me ajudar. Devo-te uma. - Deves-me?
Sim! Onde estava eu quando o Jack nasceu?
Eu estava em Londres, a ajudar um banco espanhol
a lançar uma sucursal na Europa de Leste.
Mas quando a minha mãe morreu,
conduziste de Los Angeles até ao Ohio, para ires ao velório.
E foste buscar-me à reabilitação não uma, mas duas vezes.
Sim, eu sei que sou muito boa amiga,
mas não fiz nenhuma dessas coisas à espera de algo em troca.
Claro que não fizeste,
porque não és um monstro.
Tu precisas de ajuda.
E eu estou a caminho. E mais nada.
Certo.
Ela vai ficar bem, não vai?
Sim, é só uma semana.
É só uma semana.
Estou a abraçar um par de calças.
Mãe, anda! Vamos chegar atrasados!
- Precisas de ajuda? - Não.
Tenho um método.
- É assim que eu faço. - Está bem.
Agora, fazem umas malas de quatro rodas.
Mal temos de empurrá-las. Chamam-lhes spinners.
- Sim? - Sim. Ouve…
- O quê? - Trato das begónias na tua ausência?
- Estás à vontade, Zen. - Fixe. Faz boa viagem.
Obrigada!
Faz boa viagem
Espero que lá chegues
Sem… paragens súbitas nos campos de milho
Vou ter saudades tuas. Vou ligar-te todos os dias.
Está bem.
Faz boa viagem Espero que lá chegues
- Adoro-te! - Adeus, mamã!
Espero que estejas bem
PORTAS DE EMBARQUE
Leesh!
Aqui está ele!
Olha só para ti. Estás ótima!
Estás… igual.
Pois é. É assustador, não é?
- Sim! - Sim.
Queres isto? Achei que podias precisar.
- Estás muito bem. - Obrigado.
Vejo que continuas alto, com a linha do maxilar definido e pestanas longas.
Há quem goste.
- Nunca foi a minha cena, mas… - Sim.
Seja como for, foi muito simpático da tua parte vires para cuidar do Jack.
Não me custa nada.
Sinceramente, estava entre clientes e é um projeto de curto prazo, certo?
É o que eu faço. Apareço e trato das coisas. Sem confusão.
Tenho más notícias. Os miúdos são todos uma confusão.
- Será que são? - Sim, muito.
Logo se vê.
Aquelas duas são as minhas filhas.
Estou a ver.
Divertido. Parecem divertidas.
Ali está o Jack.
Pronto. Acho que dou conta disto.
Como vai isso, Jackie Gleason?
Quem ou o que é isso?
Não? Está bem. Vamos bazar desta banca de granizados.
O que é uma banca de granizados?
Não tenho a certeza, para ser sincero.
- Queres conduzir? - Não.
- Podes conduzir o Porsche. - Não quero.
Era este ou o Lamborghini. Preferias conduzir o Lótus?
- O quê? - Para a próxima, trago o Lótus
e podes conduzi-lo.
O que é um Lótus?
A minha mãe odeia descapotáveis. Diz que capotam com facilidade.
Também são espetaculares, o que nega a parte da capotagem.
Deixa-me fazer-te uma pergunta.
Aqueles miúdos lá atrás ignoraram-te. O que foi aquilo?
Ouve, meu, eu também já fui um rapaz de 13 anos, está bem?
E sei que pareço muito porreiro agora.
Mas, aos 13 anos, eu era uma maçã de Adão ambulante,
com um corte à tigela e um exemplar de À Espera no Centeio debaixo do braço.
Além disso, não tive pai.
Deixou-me quando eu tinha 13 anos
e morreu três anos depois, bêbado numa vala.
Estava a caminhar à beira da estrada e…
Meu Deus!
O que quer que seja, devo ter visto pior. Portanto, podes dizer-me.
- Conta-me, Jack Be Nimble. - Nem sequer percebo essa.
Ainda estou a trabalhar nisso.
É por causa do hóquei.
Certo.
Eu e o Wade éramos amigos e andávamos de skate juntos.
Mas agora, ele joga na equipa, e eu não posso.
Então, ele anda com o Evan, que joga. Por isso, deixámos de estar juntos.
Espera, jogas hóquei? A Debbie nunca me disse isso.
Sim. Não posso jogar basquete porque sou alérgico ao ginásio.
Não posso jogar basebol porque sou alérgico à relva.
Porque não podes jogar com o Wade e o amigo com cara de fuinha?
Desculpa. Ele não deve ser fuinha, mas tem cara de fuinha.
Sabes?
Porque não podes jogar na equipa?
Sou demasiado pequeno. A mãe diz que é muito perigoso.
Não acredito que a tua mãe não me contou isto.
Ele conta-me tudo.
E tu? Contas-lhe tudo?
É claro.
Nunca percebi porque é que a Debbie
decidiu comprar uma casa na encosta de uma colina inteira.
Pois é.
Suponho que acabas por te habituar.
Não. Continua a ser péssimo.
Quem vivia aqui antes? Uma alpaca?
- Olá! - Olá!
Pois é! Tudo fixe, Jack?
És o gajo… és o tipo que vai ficar com o Jack.
- Muito prazer. - Sou o Zen.
Sim, como o budismo. Vivo atrás daquele portão
e sou rico por ter vendido uma tecnológica.
- Claro. - Faço surf de manhã
e passo o resto do dia no jardim da Debbie.
- E o teu jardim? - O meu?
Não trato do meu jardim. Tenho um tipo para isso. Ali está ele.
- Sim? - Sim!
Meu, ele é tão engraçado.
Ele é de Spokane.
Muito bem. Bem, foi um prazer conhecer-te.
Igualmente.
- Está bem. - Adeus, Zen.
Muito bem, de volta ao trabalho!
- Não sabias do Zen? - Não.
Então, aquilo em que tu e a mãe contam tudo um ao outro…
Não, não vamos… Isso é conversa de adultos.
Muito bem!
NÍVEL 4 PARA PÃO
Ela fica acordada a noite toda a fazer isto?
MAIS POST-ITS
A tua mãe é louca.
Estou bem ciente disso.
Muito bem, vamos…
Olá! Cheguei. Estou em Brooklyn.
Já estás em casa? Viste os meus Post-It?
Sim, é difícil passarem despercebidos.
O mais importante é dar-lhe o pequeno-almoço,
embalar o almoço e levantar as receitas dele a caminho da escola.
Sim.
Outra coisa importante é a lista de coisas às quais ele é alérgico.
Está ao lado da máquina de café. Desculpe.
Laminada. Boa! Isto diz "urgente".
Sim, e esqueci-me de rotular a pasta sem frutos secos, mas está aí.
Não sei o que isso é.
E, Jack, já começaste o trabalho de História?
- Comecei. - Isso significa que não fez nada.
Tens de lhe lembrar. Ele tem de escolher uma tese.
O tema é a Guerra Hispano-Americana, que é contra Espanha, acho eu.
Deb, o Jack está bem.
Meu Deus! Há tanta gente aqui. É de loucos.
Nós vamos tratar do jantar.
Não tens de te preocupar, porque eu deixei-vos o jantar.
Abre o congelador.
URGENTE!
Espera. Também diz "urgente".
O Jack adora esses guisados.
Eu posso comprar o jantar.
Peter, sei que tens muito dinheiro,
mas não quero que lhe dês comida rápida, nem coisas requintadas.
Está bem. Fazer os TPC e qualquer coisa congelada para o jantar.
Há outra coisa que me esqueci de te dizer. Bolas, esqueci-me…
Debbie, para.
Respira fundo.
Olha à tua volta.
Sim.
Desfruta disso.
- Liga-nos depois. - Está bem.
- És alérgico a comida mexicana? - Não.
Vá lá.
Com licença. Desculpe.
Vou subir para a casa do Peter Coleman.
Sabe, agora fazem malas com quatro rodas.
Chamam-se spinners.
Certo. Então…
Entendido.
Meu Deus!
Isto é lindo.
Meu Deus!
O quê?
Por cor? A sério?
Meu Deus, Peter!
Onde estão os puxadores? Como é que se abre isto?
O que é isto?
Isto é triste.
Peter!
Ainda têm autocolantes.
Vinte e cinco dólares por um copo? Meu Deus!
Peter, só porque podes, não significa que devas.
Muito bem. O que vamos fazer?
Bem, tenho trabalhos de casa para fazer.
Eu acabei de chegar!
Esta é a nossa noite! É a nossa ocasião!
Estamos a "ocasionar-nos".
- Isso não é uma palavra. - Agora é.
Vamos… Podemos… ver um filme.
Pois. Não.
Temos três comandos. Posso ver esse?
Este controla a TV e garante que o leitor de DVD não está ligado.
- Este controla o som. - Eu ia fazer isso.
É só volume.
Este controla a ligação por cabo, para garantir que o WiFi funciona.
E este também é recetor.
Mas não devo ver televisão enquanto como.
E nunca antes dos trabalhos de casa.
Pobre criança!
Se eu soubesse o que se passava nesta casa,
teria vindo muito mais cedo.
Obrigado.
A minha mãe diz sempre que és meio irresponsável.
Ela chama-te uma "pedra que rola e não cria musgo",
seja lá o que isso for.
Ela chama-me isso?
Sim, ela também diz que és péssimo com as mulheres.
A tua mãe!
Mas estou feliz por estares aqui, porque és porreiro.
Porreiro.
Para. Para tudo!
Aquele é o filme que vamos ver.
- Alien? - Sim. Já o viste?
Não. É assustador?
É aterrador!
Fixe!
Não, assim não…
Porque está tanto frio aqui?
Calor…
Calor!
- Olá! - Desculpe, não a consigo ouvir.
Só tens de apontar para o sensor.
Meu Deus! Obrigada.
Olá, sou a Debbie.
Espera. Tu é que és a Debbie? O Peter está sempre a falar de ti!
Sim, suponho que seja eu. Quem és tu?
Sou a Minka.
E estou um nadinha envergonhada.
Eu pensava que o Peter estava aqui e não tenho nada vestido por baixo disto.
- Já tinha percebido. - Sim, sinto-me uma idiota.
Não te preocupes.
Todos já fizemos aquilo em que batemos à porta meio nus…
Então, tu e o Peter são…
Éramos, costumávamos. Acabámos ao fim de seis meses.
Depois, ele começou a namorar com uma tal Becca.
Mas, pelas redes sociais, pareceu-me que tinham acabado.
Então, pensei em vir cá e…
- Então, é assim que nos sentamos aí. - Já agora, onde está o Peter?
Ele está em minha casa, em LA, e eu estou aqui por uns dias.
Que giro! Posso oferecer-te uma bebida?
Sem segundas intenções.
Não te vou perguntar porque é que o Peter é tão emocionalmente… problemático.
Adoraria, mas tenho aulas amanhã.
Tenho de me levantar cedo. Estou a fazer um curso.
- Talvez noutra altura. - Sim, claro!
Vou levar-te ao Brownstone Club. Foi onde conheci o Peter.
Sabes, és ótima.
Eu gosto de ti.
Gosto dessa tua onda de mãe ambientalista e sensual da Geração X.
Obrigada.
Vais sair com a Minka?
Ela convidou-me para beber um copo um dia destes.
- Que chique! - O que estão a fazer esta noite?
O que estamos a fazer? Nada de especial.
Ele está aí? Quer falar comigo?
Ele está a fazer os trabalhos de casa agora.
- Portanto… - Isso é bom.
Já agora, sabias que anda um cavalheiro e o rego do seu traseiro
no teu jardim, o dia inteiro?
Sim, é o Zen.
Ele anda muito por aí porque faz um ótimo trabalho com o jardim,
e eu deixo-o fazer a cena dele.
Eu não mencionei o Zen?
Não, não me disseste que havia um homem a viver no teu jardim.
Peter, quero agradecer-te. Esta casa é fantástica.
É confortável e…
A sério?
Nem por isso. Está muito vazia. Parece que alguém roubou as tuas coisas.
Se roubaram, trouxeram-nas para aqui, porque tu tens de tudo.
Todas as coisas que são, foram e para sempre serão, estão aqui.
A sério? Tu não tens sequer uma foto ou um bibelô.
Eu não sou de bibelôs. Não os compro. Eu boicotei os bibelôs.
Já agora, os teus livros estão todos organizados por cores.
Eu sabia que tinhas mudado, mas essa chocou-me.
Foi o decorador.
Isso é nojento, e não acredito que o disseste em voz alta.
Não tens nenhuma recordação de LA?
Não! Conheces a minha política em relação às recordações.
Deixa-me fazer-te uma pergunta.
Não me quero intrometer, mas o que aconteceu com a Minka?
Ela parece ser o teu tipo. É tão sedosa e esbelta.
Ela não é uma lontra.
- Que aconteceu? - Não sei.
Já me conheces. Devo ter feito algo para estragar tudo.
Para com isso!
Os registos fósseis demonstram que sou péssimo com as mulheres.
Alguns até diriam que sou "uma pedra que rola e não cria musgo".
O quê?
Só para que saibas, o teu filho é um saco-roto.
Tudo o que disseste sobre mim, estou prestes a saber.
Eu não o disse assim.
- Está bem, sim. Eu disse isso. - Sim.
- Mas acho que me entendeu mal. - Está a ficar tarde aí.
Devias ir dormir.
Porque tenho uma lista de coisas, que é enorme,
que uma pessoa louca deixou aqui para eu fazer.
Boa noite, diz a pessoa louca. Diz adeus ao Jack.
Vemo-nos mais tarde na Internet.
- Encontro-te mais tarde! - Boa noite.
Adeus.
Então? Traumatizei-te para a vida?
Que importa? Foi muito fixe! A minha mãe nunca me deixaria ver aquilo.
Pareço-me com a tua mãe?
Pelo amor de Deus! Não podes…
"Peter…
… muito…
… mesmo muito…
… obrigada.
Não estragues o meu filho."
Pois.
DEBBIE, COMPREI-TE ALGUMAS BEBIDAS. ABRE QUANDO ACABARES O CURSO!
Isto é tão querido!
"Ele é alérgico a todas os frutos secos e à maioria das leguminosas.
Amêndoas, pistácios, cajus, nozes-pecãs,
macadâmias, avelãs, castanhas do Brasil e coco!"
Manteiga de girassol.
Não é um fruto seco. Muito bem.
Ora bem, laranjas…
Não estão na lista.
Preciso de uma faca.
Caramba!
Olá, meu!
Olá!
- Sim. - O que estamos a fazer?
Estou só… Tenho de…
Cum caraças!
Jack?
Pronto, vamos a isto.
O que faz esta coisa, além de libertar um génio?
Limpa-me as vias nasais.
Que nojo!
Fizeste o almoço?
- Estou a tratar disso. - E o pequeno-almoço?
Não fizeste o pequeno-almoço, pois não? Está bem.
- Panquecas sem glúten para ti. - Obrigado.
Obrigado.
Obrigado.
- Posso beber um? - Não.
- Vê o cartão laminado. - Não.
Não sou alérgico a café.
Não vais beber café. Concentremo-nos.
Os bules de lavagem nasal, almoços embalados,
pequeno-almoço, filmes adequados à idade, não são a minha cena.
Não é o meu ponto forte.
Mas não faz mal. Estou aqui para me focar em ti.
E o meu trabalho aqui é muito simples.
É ensinar-te a contares uma história a outras pessoas sobre ti
que seja melhor do que aquela que contas a ti mesmo.
Porque essas são muito limitadoras.
- Não percebo. Como assim? - Um exemplo.
Alguém que ambos conhecemos, a tua mãe.
- Está bem. - É a pessoa mais inteligente que conheço.
Quando nos conhecemos, ela era muito ambiciosa.
Ela queria ser editora ou algo assim, mas, com o tempo,
ela começou a acreditar que tinha de ser prática e sensata,
e foi essa a história que contou a si mesma.
"Sê responsável."
Então, essa não é a tua história?
- Estamos a falar de mim? - Respondes sempre com uma pergunta?
Respondes a uma segunda pergunta com uma terceira?
Foste para Nova Iorque por causa dos terramotos?
- A minha mãe não acredita nisso. - Podemos manter o foco?
Quando faço a renovação de uma marca,
eu gosto de fazer um realinhamento global, certo?
E isso é um gesto para o mundo,
no teu caso, o Wade e o Cara de Fuinha…
… o Evan, do que tens para oferecer.
Hoje, tens isto… para oferecer.
- Bilhetes para o jogo dos Kings? - São mais do que isso.
São bilhetes para um camarote de luxo.
Isso não é suborná-los para serem meus amigos?
É aqui que entra a renovação da marca.
Vamos renovar a marca da palavra "suborno" com "incentivação".
Isso não é uma palavra.
No meu ramo, inventamos as palavras de que precisamos.
Isso é… um bocado manhoso.
Agora começas a entender. Isso mesmo. Manha.
- Olha para o meu café manhoso. - Apetecia-me mesmo um.
Não te esqueças, venho buscar-te depois da escola.
- Vamos ao jogo dos Kings. - Está bem.
E temos o camarote privado. Podes convidar quem quiseres.
- Porque é de luxo. - Vemo-nos depois da escola.
Sim, quando formos ao jogo dos Kings!
Sim, grande jogo! Vamos!
Sim, com todos aqueles doces e gelados!
Olá! Café?
Ofereces?
Sim, podemos beber um daqueles cafés com manteiga?
Com manteiga.
Ele está a fazer mímica.
Pois está.
- Isso foi muito bom. - Eu tenho praticado.
Olá! Bom dia.
Olá!
Adoro material escolar novo.
O cheiro… a lápis novos! Não é ótimo?
Não tem de tirar apontamentos. Está tudo online.
Eu sei, mas se eu o escrever,
vai para o meu… - Olá a todos.
Bem-vindos a Estatística em Modelação de Risco.
Temos muito para percorrer. Vamos começar.
Vamos começar por analisar os tipos de problemas e métodos da modelação,
incluindo a aprendizagem supervisionada contra a não supervisionada.
Era muita informação.
Achas que podíamos partilhar apontamentos?
Credo, aquela aula foi tão aborrecida!
NOVA AMIGA MINKA
Olá!
- Como foi a tua primeira aula? - Correu bem.
A bebida de que falámos, apetece-te?
- Sim, claro. - Ótimo!
Estou muito perto de ti. Vou buscar-te. Até já. Adeus!
Nesta aula de literatura, preparem-se para ler muito.
Vamos falar de alguns romances grandes. Falo dos mais volumosos,
falo de uns verdadeiros calhamaços.
Nesta aula, o Anna Karenina é um panfleto.
Cresci a ler Uris, Clavell e… Michener.
Haley! Não se esqueçam de Alex Haley.
Nunca superei a emoção de ler um livro enorme com letras minúsculas.
Sim!
Não. Desculpe.
Quantos de vocês leram A Autobiografia de Malcolm X, de Alex Haley?
Mãos? Está bem.
Olá, Menina Mochila! Estás pronta?
- Foste rápida. - Que universidade gira.
É, não é?
Pessoalmente, sou alérgica aos estudos.
Depois do mestrado em Cálculo Diferencial, pensei: "Já chega!"
Vem comigo.
Disseste Cálculo Diferencial?
Teve piada. Foste direto à estação de treino.
Não tenho culpa se a faixa do skate se partiu!
Olha para isto!
- Meu! Gomas! - Adoro! São as minhas preferidas.
- Este é o de canela, muito picante. - A sério?
Já comeste o Jolly Rancher de canela?
- Sim. - Adoro aqueles picantes de canela!
Que bom! É mesmo picante.
Não gosto muito dessas.
Nada disto está na lista de alergias, por isso, estás à vontade.
Portanto, podes comer até partir o coco. Mas sem comer coco.
- Acho que é alcaçuz. - Porque não falam comigo?
- São Dots! - Hão de falar!
Não te preocupes. Vamos lá.
Pega numa camisola ou assim. Vamos pôr o kit. Força, Kings!
Preciso de uma bebida.
Sim! Vamos beber um copo!
- Para começar, tenho muita sede. - Pois é.
Ora bem.
Estas pessoas parecem muito chiques.
Tens de ser alguém ou conhecer alguém, e eu sou ambos.
E também nenhum. É isso que é ótimo em mim.
Acho que não me encaixo aqui.
Obviamente. Mas estás comigo. Vamos.
Obrigada, Petra!
Já agora, não temos de falar do Peter.
Está bem. Entendido.
- Ele tinha-a, no início. - Meu!
- Ele tinha-a… - Malta, viram aquele último rally?
Foi uma loucura, não foi? Foi uma grande manha!
Ou, como diriam os canadianos, foi cá uma manha!
O que diz ele?
- Lembra-te só de que… - Muito bem.
O Donzela de Manhattan para si.
E o Glória da Horta para si.
- Bom proveito! - Obrigada.
- Devo bebê-lo ou regá-lo? - Então, como conheceste o Peter?
É aqui que não falamos do Peter? Está bem.
É agora.
Resumindo, dormimos juntos uma vez. Depois, ele fugiu e ficámos amigos.
E casaste com outra pessoa.
Jimmy, o Montanhista.
O que é curioso, porque, na altura, ele pareceu-me uma escolha segura.
Ele tinha muita certeza sobre mim.
Mas ele queria partir em grandes aventuras,
e as minhas aventuras eram ler livros e ser mãe.
Ele precisava de alguém que quisesse estar sempre ao lado dele,
e essa não seria eu.
E a tua vida amorosa agora?
Como uma espécie de…
… vento numa pradaria aberta ou…
… passos num sótão vazio.
Ou… O que são aqueles…
… arbustos secos, a rebolar por uma antiga cidade fantasma.
Algo assim.
Certo. Temos de tratar disso.
Boa sorte. Já lá vai algum tempo.
Eu conheço o tipo com lacinho. É professor na minha escola.
- O tipo com quem ele está é… - Meu Deus!
Pois é. Ele é fuego.
Sim! É o Theo Martin.
Ele é o editor da Duncan Press.
Eles publicam a melhor ficção contemporânea.
Eu só ouço biografias de celebridades.
A do Rob Lowe é a minha preferida. A primeira, é claro.
O Theo Martin é tão famoso.
Além disso, é delicioso e está com alguém que conheces.
Ele é muito atraente, é verdade. Aonde vais?
Está bem. Talvez deva levar a minha planta.
- É verdade. Ambicioso. - Olá! Desculpem interromper,
mas vimo-los dali e…
Espere. Você apareceu na minha aula.
- Aproximou-se e eu disse… - Sim! Fui eu.
Nunca esqueço uma saia de ganga.
Que giro! É uma história fixe.
Sou a Minka. Esta é a Debbie. Vocês são…
- Theo Martin, da Duncan Press. - Sim.
Eu reconheci-o. Li todos os livros da Duncan Press.
- Nem todos. Isso é impossível. - Sim, é possível!
Está bem. Livro de 870 páginas sobre um navio pirata no Pacífico Sul?
O Horizonte de Hobart. Li-o em dois dias.
Romance de espionagem passado em Creta.
Oceano de Mentiras, um dos melhores!
Durante uma semana, eu só dizia: "Eímai katáskopos."
Desculpem.
- Isso é grego para "sou um espião". - Claro.
Pronto, já sei.
Não leu o livro sobre o Dust Bowl, porque ninguém o leu.
Onde a Cascavel Canta? Comprei-o assim que saiu.
Foi você? Tenho a certeza de que só vendemos um exemplar.
Fui eu! Eu comprei-o!
- Adiante, sim. - Ena… tantos legumes.
Pois é. Não é uma loucura?
Eu até disse: "Devo pedir molho vinagrete com a minha salada?"
- Foi um prazer conhecer-vos! - Sim, igualmente.
Dás-me o teu número?
Às vezes, tenho exemplares para dar, até autografados.
Eu adoraria!
Meu Deus!
Toma. Insere o teu número.
- Já está. - Muito bem. Adeus, rapazes!
- Adeus! - Nós vamos por aqui.
Ele gosta de ti!
- Não, não gosta. - Pois, está bem.
- Ele está a ser simpático. - Não.
Isto é o que gostar de alguém parece.
Por favor!
É giro como gostas das pessoas dos livros,
e como tu e o Peter leem livros. É muito giro.
Sim, sempre tivemos isso em comum.
Éramos dois amantes de livros à moda antiga.
Sim, claro.
E há o livro que ele escreveu.
- Que livro? - Um romance, uma coisa enorme.
O quê? Não.
"O quê?" Sim.
- Não acredito. - A sério, ele escreveu um livro enorme.
Guarda-o num envelope, no forno.
Encontrei-o quando estava a tentar fazer brownies keto, que não recomendo.
Dois em dez. A receita inclui curgete.
Ele queria ser escritor, mas desistiu quando veio para cá.
Ele já não escreve.
Exceto quando…
… ele escreve.
Abre-o.
O Rapaz, de P. Coleman. Peter!
Ena! Tens jeito para coisas de detetive.
Espera.
O Peter escreveu um romance inteiro, e nunca me falou nisso?
Devias lê-lo. Eu não o li, porque é… um livro.
Não o posso ler.
Se ele quisesse isso, ter-me-ia dito. Contamos tudo um ao outro.
Bem, obviamente, não contam.
Mas contamos.
Está bem.
A questão é essa. Nós contamos tudo um ao outro.
"Tudo."
Isto é só um pequeno contratempo, está bem?
Acontece sempre, no início de um projeto.
Temos de criar um ponto de articulação.
- Mantemos a abordagem… - Não quero falar.
Olá.
Desculpa.
Foi péssimo.
As minhas capacidades de resolver problemas
adequam-se mais ao mundo dos negócios, acho eu.
Obrigado pelos bilhetes. Gostei de ver o jogo.
Estás a ser educado.
Isto é mau.
Boa noite.
O RAPAZ
Olá!
Olá! Como estás?
Estou bem.
- Que bom. - Espera, o que se passa?
- É tarde onde estás. - Não.
Parece-me ouvir um eco. Estás na banheira?
Não! Eu não tomo banhos de banheira.
Nem sequer percebo isso.
Certo. Nós contámos tudo um ao outro, certo?
- Não. - O quê?
Levei o Jack ao jogo de hóquei sem te dizer.
E ele levou o Wade e o Evan.
- Puseste-os a conviver com o Jack? - Sim, eu…
Sim.
E ele comeu piza.
Era piza sem glúten, mas era piza na mesma.
- Peter, eu… - Ainda não acabei.
Não vamos comer os teus guisados, Debbie. Nunca. São nojentos.
Obrigada. É uma quantidade animadora de sinceridade.
Desabafei tudo. Pronto.
Não tens de me informar de tudo. Eu confio em ti.
- Confias? - Quase sempre.
- E tu confias em mim, certo? - Claro.
Portanto, se me quisesses contar algo, estarias à vontade, certo?
Contar-te o quê?
Quero dizer… não sei.
- Se tivesses um projeto especial. - Queres saber dos meus projetos?
- Quero dizer que podes contar-me tudo. - É o que eu faço, sempre.
Eu também. Sinceridade total.
- Sempre. - Sempre.
Há seis elementos cruciais que devemos considerar
ao decidir que modelo de risco usar…
Tens a certeza de que o Peter concordaria?
Estou a fazer isto pelo Peter!
Lá vem ele.
Ele está tão feliz por te ver. É tão fofo que até mete nojo!
- Olá! - Olá, Minka.
Muito obrigada por teres vindo.
De nada. Eu já estava a caminho.
Está bem. Queria dar-te este manuscrito.
Queria dar-to o mais depressa possível, porque vou partir em breve.
- Este livro é teu? Escreveste-o? - Não, não o escrevi.
Certo.
A questão é que sempre que alguém me entrega um manuscrito,
na grande maioria das vezes, é basicamente uma loucura.
E não posso aceitar candidaturas a menos que venha de um agente ou editor.
Isso é perfeito, porque ela é a editora.
Ela… "ediditou-o".
É verdade?
Sim.
Sou uma… "ediditora", mas freelancer.
E já li muitos manuscritos, e este é muito especial.
Chama-se O Rapaz.
É sobre um rapaz de 13 anos cujo pai morre de um AVC.
E, devido a um golpe do destino, ele torna-se alérgico a si mesmo…
Se ele tocar na própria pele, faz bolhas. Eu sei, parece trágico.
Mas é mágico e…
Fico emocionada com isto porque tenho um filho de 13 anos
e ele também…
- A sério, tens? - Sim.
Eu também.
- O Max. - O meu filho chama-se Jack.
Ena! Isso é…
- Sim. Agora estou divorciado, mas… - Eu também.
Bem, valorizo a tua paixão, Debbie.
Farei o meu melhor para o ler o mais depressa possível.
Além disso, se puderes lê-lo mais cedo…
- Vou-me embora este fim de semana. - Há um prazo?
- Não, eu não quis… - Não faz mal.
- Sem problema. - É muito especial e importante.
Expressei-me mal, mas prometo que vale a pena.
- Estou ansioso por lê-lo. - Obrigada.
- Não tens de quê. - Tu és…
Tu sabes o que és.
Eu gostava de pensar que sim.
- Está bem. - Está bem.
- Acabei de dar o livro ao Theo? - Pois deste.
Quando vais contar ao Peter?
O Peter! É verdade.
Sabes muito sobre os Cars?
Conheces a banda? Os Cars?
- É o que ouves sempre. - Sim.
Queres saber porquê?
Para começar, eram os preferidos do meu pai.
Depois, o meu pai foi-se embora.
Como mencionei e tu já sabes, ele acabou por morrer.
Portanto, durante algum tempo, eu não conseguia ouvir os Cars.
Era muito doloroso e fazia-me lembrar de merdas… coisas que eu tinha perdido.
Então, um dia, ouvi-os na rádio.
E as canções deles ainda estavam comigo, mesmo que ele não estivesse.
E estarão sempre!
Tu tens uns pais ótimos e vives numa bela casinha
no meio de uma montanha, como um chalé de esqui.
Mas percebo. Tens as tuas merdas. Toda a gente tem. A vida é difícil.
Às vezes, dá-nos um murro no estômago.
Eu não tenho tudo como queria.
Eu ia ser um grande romancista e encontrar alguém com quem passar a vida.
E agora, sou apenas um tipo solitário com um cabelo espetacular,
que diz aos outros o que devem ser, apesar de não saber quem sou.
Tenho uma ideia.
- Chega de marcas. Imploro-te. - Não. Que se lixe isso.
Vamos avançar para a ação.
Tu…
… tens de jogar hóquei com a equipa.
- A equipa do Evan e do Wade. Sim. - O quê?
Sim. Se quiseres, eu apoio-te.
Mas não porque precisas de ser amigo daqueles miúdos idiotas.
E repito, eles devem ser ótimos.
Vais deixar-me juntar-me à equipa e treinar?
Sim.
Vais contar à mãe?
Estava a pensar em contar-lhe quando ela voltar.
Obrigado.
- De nada. Vai lá aprender qualquer coisa. - Está bem.
Até logo, Jumping Jack Flash.
- Não. - Não? Está bem.
Como vai isso? Pareces exausto.
Sim, fiz asneira ontem.
E não dormi ontem à noite, mas fiz uma coisa boa hoje.
Acho eu.
Isto de ser um bom exemplo de um homem adulto para um miúdo…
… é mais complicado do que esperava.
Acho que só tens de mantê-lo vivo.
Para passar neste exame,
terão de ser capazes de descrever certos modelos de séries temporais,
incluindo a suavização exponencial,
modelos autorregressivos e…
- Importa-se de atender lá fora? - Sim, desculpe.
Espera. Não entendo. O que disse a assistente?
Ela disse-me para subir e ver o Theo.
E obrigada por vires comigo. Não sei o que lhe dizer.
Quem consegue falar, quando ele nos olha com aquele sorriso?
Pois é. Aquele sorriso!
Ora bem, a Duncan Press é aqui.
- Tu consegues! É muito emocionante. - Está bem!
Meu Deus!
Bom dia.
Olá. Procuro o Theo Martin.
Com licença.
Que giro.
Olha para as capas dos livros!
Aí estás tu. Bem-vinda. Olá, Minka.
Theo.
- Debbie. - Olá!
Desculpa por te ter feito vir cá tão em cima da hora,
mas este livro é… muito promissor.
Meu Deus! Já leste tudo? Aquilo é um montão de páginas!
A minha assistente leu-o, achou que tinha potencial e passou-mo,
e eu concordo.
Ena!
E vejo porque choraste. Também me comoveu.
- O pai, certo? - Especialmente.
Sim. Ouve, estou muito interessado.
E gostaria de falar com o autor o mais depressa possível.
O autor.
Será que posso… Bebi um café enorme antes de vir.
- Só preciso de fazer um chichi. - Claro.
- Os chichis são ao fundo do corredor. - Certo.
- Isto é de loucos! - Pois é! Este sítio é tão antiquado.
Cheira-me a mortos.
Não! O que estou a fazer? Estou a agir como uma louca.
Eu gosto de ajudar,
mas, geralmente, isso significa dar boleia às gémeas da Alicia.
Tenho de ligar ao Peter e pôr isto em pausa.
Não?
Tu acreditas no livro do Peter, por isso, porque não ir até ao fim?
Então, devo…
Sim! Tu consegues, miúda!
Está bem.
Além disso, tenho mesmo de fazer chichi.
Theo, gostaria de falar sobre os próximos passos.
Claro. Estás livre para jantar?
Sim.
Sim, claro.
Perfeito.
Perfeito.
Perfeito!
- Aquele é o treinador? - Sim.
Fica aqui. Deixa-me fazer a minha cena.
- Diz olá ao teu treinador. - Olá.
- Algum deles é seu filho? - Sim, aquele ali.
O Cara de Fuinh… O Evan!
- Sim. - Sim, ele é… Sim.
- Isso mesmo, Jack! Vais bem! - Estão prontos?
Isso mesmo! Boa!
Sim, é o meu rapaz!
É aquele. É o meu rapaz.
Achei que o preto era melhor, já que és como um inverno brilhante.
Não preciso de roupa nova.
Sinto-me péssima. Estou prestes a dizer ao editor literário mais famoso do país
que lhe dei um manuscrito que ele pode querer publicar,
mas talvez não possa. E porque é que o Peter não liga?
Se não falares com ele antes do encontro…
- Não é um encontro. - Deixa-me tratar disto.
E não posso deitar-me muito tarde. Tenho um exame amanhã.
Experimenta um vestido.
Estou preocupada com o Peter e o Jack.
Experimenta um!
Por favor.
És de longe o tipo mais rápido ali.
Nova alcunha: Jack Frost, porque dominas o gelo!
- Tudo bem, malta? Ótimo dia? - Tudo bem?
Um ótimo dia, mano.
Boa! Adoro isso!
Então, alguma vez vais ter filhos?
O quê? Não sei.
Devia ter?
Quer dizer, não és péssimo nisso.
Um pouco estranho, mas não és mau.
Não?
Não.
Bem, devia começar os trabalhos de casa.
Até já.
Para mim?
Sim. Vá lá, faz uma pausa.
Não preciso de uma pausa. Não trabalho aqui, portanto…
Sim, eu sei.
- Está bem. - Está bem.
Muito bem…
Sabes, pensei que não gostavas de mim.
Porquê? Porque fui um idiota contigo?
Sim, por isso.
Ouve, desculpa.
Acho que ando stressado por ser responsável por um ser humano.
Eu nunca tinha tratado… de uma planta aromática sequer.
As ervas aromáticas podem ser tão difíceis como crianças.
Sim. Tenho ali uma salva.
Manteve-me acordado até às 3 da manhã na semana passada.
Chamo-lhe "cólica das plantas".
Portanto… eu entendo.
Sim, tu percebes.
- É a mesma coisa. - Sim.
Na verdade, acho que não estou a fazer um mau trabalho.
Isso é fixe, mano!
E peço desculpa se não fui tão amigável como podia ter sido.
Porque acho que a Debbie tem muita sorte em ter-te aqui a ajudar.
Não. Eu é que sou o sortudo.
Quer dizer, ela é…
… fantástica, sabes?
Sim, é mesmo.
Nós somos amigos há muito tempo.
Mas não há tanto tempo como ela e eu.
- Não. Claro que não. - Em anos…
Certo. Ouve…
Tu e a Debbie têm a vossa cena, que é diferente da nossa.
- A vossa cena. - Exato.
Tu és o amigo dela.
Eu sou o vizinho dela
e, tipo, amante a tempo parcial.
- O quê? - Sabes que mais?
Provavelmente não reparaste nisto, porque são só amigos,
mas, meu caro amigo, ela…
… é muito sensual.
Sim.
Eu sei que ela está fora do meu alcance, mas eu tenho um plano.
Está bem? A minha cena é…
… continuar a aparecer na vida dela, sabes?
E depois, talvez… talvez… ela mude de ideias sobre mim.
Entendes?
Entretanto, aceito ser um amigo colorido.
Adoro como o livro começa.
Não é fantástico?
Fez-me lembrar o Na Minha Morte.
Faulkner. A sério?
Sim, estava a pensar mais em Franzen.
- Estou a ver. A dinâmica familiar? - Sim.
Sim. Encontraste mesmo uma joia.
Acho que sim.
O livro que mais li foi A Casa da Felicidade.
Edith Wharton, uma crítica social muito subestimada, devo dizer.
- Gostas do trabalho dela? - Claro!
Quem não gosta da Edie W. não leu realmente a Edie W.
E choro baba e ranho sempre que a Lily Bart morre.
Sim, e depois, o pobre Lawrence aparece para pedi-la em casamento.
"É um pouco tarde.
Tomei uma poção para dormir ontem à noite e estou súper morta!"
"Desculpa, mas faleci, mon ami."
Mas estava linda a fazê-lo.
Sabes o que disse Walt Whitman sobre a Ponte de Brooklyn?
Não, diz-me.
Ele disse:
"Foi o melhor e mais eficaz remédio que a minha alma já tomou."
Excelente citação.
Infelizmente, aquela é a Ponte de Manhattan.
Mas é uma ótima citação.
- E eu… sabia disso. - Eu percebi. Pensei que sim.
- Só queria ver se sabias disso. - Certo.
Vejo que és muito inteligente.
- Isto está a correr bem. - Era um teste.
Passei?
Sim.
Vou falar com o escritor sobre o manuscrito.
Perfeito!
Ótimo. Eu ia…
Então…
Esqueci-me se chegaste a…
Bebeste um cappuccino no restaurante?
Sim. Pediste-o para mim.
Está bem.
Sim.
Esta é a parte em que…
- É agora, certo? - Acho que sim.
- Está bem. - Vamos… Sim.
Está bem. Ótimo.
Ena, bela casa! Airbnb?
Sim.
É curioso como são desprovidos de personalidade.
- Sim! - Por favor! Quem ordena livros por cor?
Foi o que eu disse!
Ora bem, não tenho muita comida,
mas tenho champanhe.
E, como uma pessoa sábia disse uma vez, tudo em demasia é mau,
mas champanhe em demasia é precisamente certo.
Mark Twain, certo?
Sim! Esse tipo devia beber muito.
Foi o que ouvi dizer.
Devo fazer as honras?
Faz favor.
Com a tua licença.
Quem lutou na Guerra Hispano-Americana?
Os espanhóis e os americanos.
Estás bem?
Sim.
- Esta vista é simplesmente… - Sim. É horrível, não é?
Não serve. É terrível!
- Será que posso… - Sim.
- As janelas. - Janelas?
- Sim. - As cortinas. Certo.
- Deve ser algo digital… - Sim, eu não…
- Sim. - Isto é muito complicado.
Deve ser muito simples.
- Isto é… - Não.
Isso aconteceu antes. Tens de apontar para o sensor.
- Não faço ideia. - Será que há mesmo um sensor?
- Sim. - Muito bem, temos de…
Muito bem. Cá está.
És fantástico.
Obrigado.
CÂMARA DE CASA ATIVADA
Francamente!
Usa as tuas palavras!
Acabei de me lembrar.
Tenho uma coisa para fazer precisamente agora.
Não vai ser nada divertido,
mas vou fazer uma missão a solo.
Pensei em ligar à Alicia e ver se ela pode tomar conta de ti.
Claro. Como queiras.
És o melhor ser humano que existe. Fico a dever-te.
Não te preocupes. A Mimi está a cozinhar esta noite
e, ultimamente, ela só faz receitas estranhas do TikTok.
Há coisas que não precisam de ser fritas a ar quente.
Pois.
- Isso é água-de-colónia? - Não.
Comi uma vela.
Não comeste nada.
Pois não.
A sério, obrigado.
O que deseja?
Eu adoraria um Macallan.
Duplo.
Mas como já não bebo,
quero uma Pellegrino.
Com gelo e num copo, por favor.
Olá.
Olá.
Vanessa Morton.
Peter Coleman.
Não acreditei quando o telemóvel tocou.
Quem diria que tens o mesmo número?
- Não o mudei por este motivo. - A sério?
Sim. Quanto tempo passou?
Vinte anos.
E, no entanto, tenho 30 anos. Estranho.
Espantoso.
O que fazes por cá?
- Lembras-te da Debbie? - Claro.
Estou aqui a tomar conta do filho dela durante algum tempo.
Ena! Tu?
A pedra que rola?
Então…
Tens filhos?
- Não. - Não?
Não tenho filhos, nem marido.
DEBBIE: TENHO TENTADO LIGAR. TUDO BEM?
Sabes, está… um bocado barulhento aqui.
Na verdade, está sossegado.
Estava a pensar que, se quiseres, eu vivo muito perto daqui.
Quero dizer, eu queria…
Olha para mim. Vesti um fato e fui ao bar.
Eu… tive um momento com uma mulher.
E eu estava a tentar ser o tipo, certo?
Mas esse tipo está…
Onde está ele?
Não sei, mas ele cheira muito bem.
Obrigado.
- A salva. - Com um toque de carvalho.
- Não apanhei isso. - Mas está lá.
Posso dizer-te uma coisa?
É algo que eu nunca disse em voz alta.
Imediatamente. Faz favor.
A noite que a Debbie e eu passámos juntos…
Depois, eu disse-lhe para se afastar de mim, porque…
E depois, eu dei por mim…
… a pensar muito nela.
Então, eu ia ligar-lhe, para ver se ela…
Ena!
Mas, uns dias depois, vi-a com o Jimmy no Cinema BevCon.
Meu Deus, o BevCon! Vi todos os filmes que eles passaram.
Vi o Caça ao Outubro Vermelho oito vezes.
Seja como for, quando eu os vi,
eu consegui perceber.
Então, decidi esquecer.
E depois, ela veio buscar-me à reabilitação pela segunda vez.
E eu fiz terapia lá dentro, certo?
Pensei: "Quando ela vier buscar-me,
vou ser sincero e vou dizer-lhe…
… o que sinto por ela."
Mas ela ainda era casada.
Ainda não tinham o Jack e ele ausentava-se muito.
- Ele andava a escalar. - O que foi isso?
Eu estava a escalar.
Ele ia escalar montanhas.
Bem, parece que estás a pescar.
Adiante. Eu entrei no carro…
… e ela…
… diz-me que está grávida.
Foi por isso que saíste de LA?
Não!
Não, foi por causa dos terramotos. Tenho medo deles.
Certo, os terramotos assustadores.
Tens de lhe dizer.
Não! É demasiado tarde.
Meu, lembras-te? Eu estava no primeiro jogo de póquer.
Jogaste muito mal, mas correste riscos. O que aconteceu a esse tipo?
Esse tipo é…
Ele bebeu demasiado e deixou de escrever,
e tem uma amiga, que vive do outro lado do país.
E, mais importante, ele namorou com um milhão de mulheres,
e nunca dura mais de seis meses.
Porquê? Porque ele é um merdas incognoscível.
Não, é porque ele esteve com as pessoas erradas.
Para de contar essa história a ti mesmo.
Peter!
Toda a tua vida te levou a este ponto.
Não percas um segundo.
Meu Deus! Já bebi dez destes.
Estou a enlouquecer. Tenho de ir andar de Peloton ou assim.
O que vais fazer?
Trabalho aqui o dia todo
A fazer este feno
Passo algum tempo no telhado contigo
Sento-me aqui a pensar
Estou só a beber uma cerveja
A única coisa que falta és tu
Merda! Que horas são?
- Estou atrasada para a minha prova final. - A tua quê?
A revisão da prova final de um livro que estou a editar.
Consegues sair sozinho, certo? Ótimo.
Pequeno-almoço.
Uvas passas!
Isso é horrível.
Nada mau.
Olá!
Desculpa por não termos falado ontem, mas…
Ouve, eu só queria agradecer-te outra vez.
Sei que não gostas de gratidão e os agradecimentos incomodam-te,
mas foi graças a ti que pude viver esta semana fantástica.
E nem sequer sei como alguma vez poderei retribuir.
Vou tentar até ao meu último suspiro.
Mas, adiante. Liga-me quando quiseres, ou vemo-nos em breve.
Meu Deus! Até breve. Certo.
Não.
Está bem. Quanto custam três?
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Olá.
- Apanhei-te. - Sim, apanhaste-me.
Sei que é a tua última noite.
Não quero monopolizar o teu tempo antes de ires,
mas tenho algo importante para falar contigo.
Uma proposta, mais ou menos.
- Se quiseres ir tomar um copo? - Sim, claro.
No Brownstone Club?
Ótimo!
Uma proposta?
Sim.
O que foi? O que se passa?
Nada. É que…
Eu e o Jack trocámos mensagens, mas não tive notícias do Peter.
Não posso com este humor. Vê o que fizeste.
Em poucos dias, concluíste um curso súper aborrecido,
ainda que útil, acho eu.
Conseguiste que o livro do Peter fosse publicado
e conheceste uma millennial adorável, eu.
E depois, o Theo, a cereja sexy no topo!
Tens razão. Mas é um pouco estranho quando não tenho notícias dele.
Esquece o Peter!
O Theo! É com quem andas agora.
Não temos tempo para te comprar um vestido novo.
Não. Vou ser a Debbie esta noite, a Debbie normal.
A propósito, não sei do meu casaco de ganga. Viste-o?
É difícil dizer. Não consigo distingui-lo
de todas as tuas peças massificadas de ganga e cambraia.
Sabias que agora fazem umas malas chamadas spinners?
- Há algo aqui debaixo. - O que é?
Droga? Pornografia? O quê?
Meu Deus!
Ele escreveu outro livro?
Este tipo farta-se de escrevinhar.
Não é um livro.
Não devíamos mesmo abrir isso.
Sim, eu respeito a privacidade das pessoas.
Eu também. Como a minha mãe bêbeda costumava dizer: "Mete-te na tua vida."
Estacionamento excelente. Muito bem!
Não queres…
As provas começam daqui a 15 minutos.
Sim.
O que acontece a seguir?
Depois do treino? Podemos beber um slushie.
- Gosto dos slushies deles. - Eu também.
Não. Quero dizer contigo, comigo e com a mãe.
Bem, eu volto para Nova Iorque e…
Sim, digamos que isso não aconteceu.
É que parece que fazemos uma boa equipa, nós os três.
- Sim. - Aqui em Los Angeles, na nossa casa.
Não sei como decidem estas coisas, mas foi só uma ideia que tive.
Também não sei como decidimos estas coisas.
Que cara é essa?
Parece que sentiste um terramoto ou assim.
É melhor eu entrar. Provas de hóquei.
- Vemo-nos lá dentro. - Sim.
O Peter detesta recordações.
Tantas fotos de… ti.
E os postais que lhe enviei?
O jogo dos Dodgers!
Encontrei isto no Texas.
Que giro.
Espera.
Meu Deus. Ele também a guardou?
Meu Deus!
Agora faz tanto sentido porque ele não se apaixonou por mim.
Tinha de haver uma razão. Não podia ser por minha causa.
Eu sou a melhor.
Também o amas?
Acho que sinto que…
Está bem. Eu digo-te o que penso.
Está bem.
Acho que te apaixonaste pelo Peter na primeira noite em que dormiram juntos.
O quê? Não.
Isso seria imprudente e pouco prático, e eu não sou…
Humana? Já sabemos.
Foi por isso que promoveste o livro dele como uma lunática?
Eu não fiz isso.
Meu Deus, eu fiz isso.
Meu Deus! Sim, eu fiz isso.
Porque estás apaixonada.
Não me faças cantar "I Am A Woman In Love",
da Barbara Streisand. Cantei-a no lar da minha avó.
Não.
Mesmo que eu achasse que o Peter e eu…
Não, o Peter não está interessado em mim assim.
Ele demonstrou-o naquela noite e ao longo dos anos,
só por sair com mulheres que não são mesmo nada como eu.
A possibilidade de eu…
Não.
E eu nunca arriscaria a minha amizade com ele por um…
Não percebes? Tu só tens de arriscar.
Não. É isso que não percebes sobre mim. Eu não corro riscos.
O que eu tenho é ótimo e valorizo muito isso.
Tens o que tens e não te chateias.
E… é assim que vivo a minha vida.
E é assim que jogo póquer. Nunca tiro à sorte com uma mão fechada.
Percebes?
Não percebes, porque não jogas póquer, mas explico-te mais tarde.
Mas isto é…
Eu sou assim.
Eu avalio as probabilidades, e isso manteve-me segura
e manteve o meu filho seguro, e eu só preciso de estar segura.
Sim.
Não!
Não percebo porque não tens em consideração a minha opinião.
Não quero falar sobre isto.
Tenho de tomar banho. Vou ver o Theo.
- E o Peter? - Esquece. Não quero lançar os dados.
Se começares com outra analogia do póquer, eu vou morrer.
A propósito, tu arriscas. Eu já vi.
Tu consegues fazer isto.
Tu consegues dizer ao Peter o que sentes. Consegues.
Vamos, malta! Vá lá!
Força, miúdo.
Céus! Está bem.
- Olá! - Olá!
Desculpa pelo atraso.
- Vieste a correr? - Não, é que…
Estou um pouco sem fôlego.
- Eu também. - Está bem.
- Olá. - Meu Deus!
Queria esperar pelas entradas, mas importas-te que comece?
Sim, claro.
Entra!
Boa, Jack!
A minha proposta para ti é que te arranjei uma entrevista na Macmillan.
Cargo de editor a tempo inteiro.
Eles precisam de um, tu és incrível e eles teriam sorte em te ter.
E a segunda parte é que não te arranjei uma entrevista na Duncan Press.
E isso é porque acho que devíamos ver o que tu e eu temos…
… somos, podemos ser…
É cedo, claro, mas não devias trabalhar comigo,
se estamos a pensar em explorar isso.
E sei que tinhas uma vida inteira em Los Angeles.
Não me quero precipitar.
Diz ele, precipitando-se imenso.
Eu…
Ena! Não sei o que dizer.
Sim, não é pouca coisa. É muito.
É muito.
Vamos lá!
Vamos, malta! Continuem! Vá lá!
Boa!
- Força! - Vamos!
Vá lá!
Theo, és maravilhoso.
Só esta semana foi…
… incrível.
Eu…
O facto de acreditares em mim significa tudo para mim.
Mas hoje, eu…
Estava à procura do meu casaco de ganga, andei a vasculhar
e encontrei um envelope e…
É a coisa mais estranha que eu já disse!
Acho que eu talvez esteja apaixonada por outra pessoa.
- Certo. - Sei que é uma loucura dizer isso.
O amor é uma loucura. O amor é do pior.
É um pesadelo.
Especialmente quando te apanha… do nada.
Para trás. Estás bem?
- Tens de atender? - Sim.
- Não te preocupes. - Eu volto já.
Olá!
Sei que nos vamos ver amanhã, mas queria…
Espera. O quê?
Meu Deus! Como assim, "provas de hóquei"?
Meu Deus!
Está bem.
Meu Deus!
A ambulância chegou muito depressa e ele está com a médica, portanto…
Aí vem a médica. Vou pôr-te em alta-voz.
Meu Deus! Ele está bem?
Boas notícias. Ele está ótimo.
Pronto.
Ele tem uma pequena dor de cabeça e algumas náuseas.
Está bem.
Vamos mantê-lo aqui durante a noite.
Para garantir que não sofreu um traumatismo
ou, improvavelmente, outro hematoma.
Meu Deus!
- Eu quero falar com ele. - Ele vai ficar bem.
Não quero falar contigo, Peter! Quero falar com o Jack!
Ele está no quarto.
Põe o Jack ao telefone, Peter,
antes que uma lesão cerebral se instale e ele não se lembre de quem é a mãe!
- Eu vou… - Sim, provavelmente devia…
Hematoma. É isso que se quer, certo?
- Não, não quer isso. É uma coisa má. - Não?
Sim, ele está aqui. É a tua mãe.
- Olá. - Olá, querido! Estás bem?
Estou fantástico.
Desculpa por não estar aí.
Eu vou já para casa.
Mãe, para!
- Estás ferido. - Esta foi a melhor semana da minha vida.
Eu e o Peter vimos o Alien, andámos num descapotável
e eu quase bebi café.
Espera, abranda. Volta atrás. O quê?
Esta semana, pude ser uma versão diferente de mim. Foi ótimo.
Não te zangues com o Peter, está bem?
Jack, eu trato do Peter em separado.
E adivinha? Entrei para a equipa de hóquei!
Vamos ter de falar disso quando eu chegar a casa.
Não. Quero falar sobre isso agora.
Quero fazer isso. Quero que me deixes.
Sei que tens medo de coisas.
Às vezes, também tenho, mas já não quero isso para nós.
Seja como for, adoro-te, mãe.
- Tenho de ir. Os meus amigos entraram. - Meu, arrasaste!
- Estávamos lá! - Foi épico!
Foi brutal! Lembro-me de ficar bloqueado e preso.
- Um tipo foi contra mim e, depois… - Vês? Ele está bem.
- As minhas sinceras desculpas por… - A Alicia está aí?
Sim, ela está aqui. E eu estarei aqui quando voltares.
Por favor, não estejas. Vou voltar para casa já. Por favor, vai.
- Mas… - Peter, vai-te embora!
O Jack teve uma emergência. Está ferido.
- Ele está bem? - Não sei. Tenho de ir.
Theo, tu és…
Tu sabes o que és.
Tu também.
A MALA ESTÁ FEITA! PRECISAVAS DE UMA MALA A SÉRIO!
COM AMOR, DA MINKA.
Desculpa.
Aterrei em Los Angeles e vou direto para o hospital.
- Ele não está lá. - O quê?
Está em casa com a Alicia e está bem.
Mas tentei ligar-te um milhão de vezes. Desculpa, está bem?
Fiz asneira. Devia ter-te dito antes de ele fazer as provas.
Achas mesmo?
Pensei que lhe estava a dar o que ele precisava!
- O quê? Um hematoma? - Olá, já agora.
- O quê? - Estou aqui.
- O que fazes aqui? - Estou a partir. Disseste-me para ir.
- Ainda bem. - Eu devia ter-te dito,
mas há coisas que me devias ter contado também.
Não, não podes dar a volta a isto.
- Eu falei com a Minka. - Sim?
Ela falou-me do livro. O que fizeste é de loucos!
- Eu ia contar-te. - E há outras coisas.
Então e o Zen? E o Theo? Tipo: "Ai, o Theo!"
- Espera, como sabes isso? - Há uma câmara no meu apartamento.
Viste-me a mim e ao Theo?
Só o suficiente para querer arrancar os olhos!
O que aconteceu a "Estou farta disso?"
Sou uma pessoa, não uma pedra.
Mas foi isso que disseste! "O meu coração é uma pedra fria e dura."
Tu, a falar da vida pessoal de alguém?
Pronto. Vai começar.
Eu confiei-te o meu filho.
Ele é toda a minha vida.
O que talvez seja um problema.
Caramba!
És inacreditável.
Sabes que mais?
Sempre disseste que eras um merdas. Bem, talvez tivesses razão.
- Isso foi mesmo cruel. - Está bem. Bem, tu…
O quê? Deixei a minha vida para te ajudar? Foi isso que fiz de errado?
És inacreditável!
Merda!
Espera. Não.
Espera um segundo.
- Estou tão zangado… - O que raio se passa contigo?
- Mexeste nas minhas coisas? - Porque não me disseste?
Porque não disseste nada?
Porque deixaste passar tanto tempo?
- Porque tinha medo! - Medo de quê?
Medo de não ser bom o suficiente para ti!
Tenho medo que me rejeites se te disser o que sinto.
Diz-me o que sentes!
Tu sabes o que eu sinto!
O quê? Que estás apaixonado por mim ou assim?
Não!
Debbie, eu estou loucamente, profundamente, avassaladoramente
apaixonado por ti.
E estou desde o momento em que te conheci.
Podias ter dito alguma coisa. Falamos todos os dias.
O que vamos fazer? Pensei que seríamos amigos para sempre.
- Não somos? - Não.
Vamos deixar de ser amigos, Debbie.
Vais ser um autor publicado!
Sim, e tu vais ser uma editora chique.
TIPO, 15 MINUTOS DEPOIS…
É tão estranho. Mal posso esperar para ver o Jack.
- Ele vai passar-se. - Espera lá.
Vamos ser… um casal que dá as mãos?
- Nunca te vi dar a mão. - Eu não dou a mão.
Pois é!
Mas até que sabe bem.
Que tal assim?
Sim. Acho que somos um casal que dá as mãos.
Acho que somos.
Olha para nós.
Ali está ele. É o nosso Uber. Muito bem!
O que acontece a seguir?
SEIS MESES MAIS TARDE, DEPOIS DE…
… UM LIVRO PUBLICADO (PETER)…
… UM DIA DE MUDANÇAS A SUBIR E DESCER UM MILHÃO DE DEGRAUS (TAMBÉM O PETER)…
… UM CARGO DE EDITORA NUMA EDITORA INDEPENDENTE (DEBBIE)…
… E MUITOS, MESMO MUITOS, TREINOS DE HÓQUEI (JACK)…
E FORAM FELIZES PARA SEMPRE.
ESTAMOS A BRINCAR. O CASAMENTO É DIFÍCIL.
MAS ELES TIVERAM UMA VIDA BOA.
Legendas: Joana Lima Martins
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