All language subtitles for Tokyo-Ga.1985.720p.BluRay.DD2.0.x264-pirata00

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic Download
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
nl Dutch
en English
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French Download
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil) Download
pt Portuguese (Portugal) Download
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish Download
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

Se, em nosso s�culo, ainda houvesse coisas sagradas...

se houvesse algo como um tesouro sagrado do cinema...

ent�o, para mim, ele seria o trabalho do diretor japon�s Yasujiro Ozu.

"VIAGEM A T�QUIO"

Ele fez 54 filmes.

Filmes mudos, na d�cada de 1920...

filmes em preto-e-branco, nas d�cadas de 30 e 40...

e, por fim, filmes coloridos, at� a sua morte...

em 12 de dezembro de 1963, no seu 60� anivers�rio.

Com recursos extremamente parcos e reduzidos ao mais essencial...

os filmes de Ozu repetidamente contam a mesma e simples hist�ria...

sobre as mesmas pessoas, vivendo na mesma cidade: T�quio.

Esta narrativa, cobrindo um per�odo de quase 40 anos...

retrata a transforma��o da vida no Jap�o.

Os filmes de Ozu lidam com a lenta deteriora��o da fam�lia japonesa...

e, assim, com a deteriora��o da identidade japonesa.

Mas eles o fazem n�o apontando com desalento...

ao que � novo, ocidental ou americano...

mas lamentando, com um sentimento verdadeiro de nostalgia...

o que perdem, ao mesmo tempo.

Embora sejam absolutamente japoneses...

esses filmes s�o, ao mesmo tempo, universais.

Neles, eu pude reconhecer todas as fam�lias...

de todos os pa�ses do mundo...

assim como os meus pais, o meu irm�o e eu mesmo.

Para mim, nunca antes e nunca desde ent�o...

o cinema esteve t�o perto de sua ess�ncia e seu prop�sito:

Apresentar uma imagem do Homem no nosso s�culo...

uma imagem conveniente, verdadeira e v�lida...

na qual ele n�o s� se reconhe�a, mas na qual, acima de tudo...

ele possa aprender sobre si mesmo.

Bom dia!

Voc�s v�o embora hoje?

Sim, hoje � tarde.

Finalmente veremos todos os nossos filhos reunidos.

Ora vejam! Devem estar esperando ansiosamente em T�quio.

Sim. Cuide da casa durante a nossa aus�ncia.

N�o se preocupem.

Eu os invejo por terem filhos t�o bem-sucedidos!

- Voc�s t�m sorte. - Nem tanta.

O clima est� realmente incr�vel!

� uma b�n��o.

Boa viagem! Divirtam-se bastante!

Obrigada.

N�o consigo encontrar a almofada infl�vel.

Deve estar a�. Procure direito.

Veja s�! Aqui est�!

Encontrou?

Encontrei.

De qualquer forma, o trabalho de Ozu n�o precisa dos meus elogios...

e tal tesouro sagrado do cinema s� poderia existir...

no dom�nio da imagina��o.

Assim, a minha viagem a T�quio n�o foi uma peregrina��o.

Eu tinha a curiosidade de saber se ainda encontraria...

algo daquela �poca, se havia restado algo de seu trabalho...

imagens, talvez. Ou at� mesmo pessoas.

Ou se tantas coisas haviam mudado em T�quio...

nos 20 anos desde a morte de Ozu, que n�o haveria nada a encontrar.

Eu n�o tenho mem�ria de nada. Simplesmente n�o lembro mais.

Eu sei que estive em T�quio, sei que foi na primavera de 1983...

eu sei.

Eu estava com a c�mera, e fiz imagens.

Essas imagens agora existem e tornaram-se a minha mem�ria.

Mas eu n�o consigo n�o pensar...

que, se eu tivesse ido l� sem a c�mera...

eu conseguiria lembrar melhor agora.

No avi�o, eles passaram um filme...

e, como sempre, eu tentei n�o assistir...

e, como sempre, acabei assistindo.

Sem o som, as imagens na pequena tela � frente...

pareciam ainda mais vazias.

Uma forma oca, indistinta e imitando emo��es.

Senti prazer em apenas olhar pela janela.

Se fosse poss�vel filmar assim, pensei...

como quando voc� abre os olhos, �s vezes...

Apenas observar, sem querer provar nada.

T�quio foi como um sonho.

E, hoje, minhas pr�prias imagens parecem ter sido inventadas...

como quando, ap�s muito tempo, voc� encontra um peda�o de papel...

no qual voc� transcreveu um sonho na primeira hora da manh�.

Voc� l� com assombro, e n�o reconhece nada...

como se tivesse sido o sonho de outra pessoa.

E, assim, eu hoje acho dif�cil de acreditar...

que eu passei por este cemit�rio, onde...

por baixo das cerejeiras floridas...

homens faziam piquenique, bebiam e gargalhavam.

C�meras clicavam por toda parte...

e o grasnido dos corvos ecoou nos meus ouvidos...

durante um bom tempo.

Foi s� ao ver um garotinho no metr�...

um menino que simplesmente n�o queria andar mais...

que percebi por que as minhas imagens de T�quio me pareciam...

as de um son�mbulo:

Nenhuma outra cidade, junto com o seu povo...

me parecia t�o familiar e t�o �ntima...

muito antes de eu conseguir visit�-la...

gra�as aos filmes de Ozu.

Eu queria redescobrir essa familiaridade...

e era essa intimidade que minhas imagens de T�quio buscavam.

Nesse garotinho do metr�...

eu reconheci muito das crian�as rebeldes dos filmes de Ozu.

Ou talvez eu apenas quisesse reconhecer.

Talvez eu estivesse procurando algo que n�o existia mais.

Tarde daquela noite...

e, depois, tarde de todas as noites seguintes...

eu me perdi em uma das in�meras casas de "pachinko"...

naquele barulho ensurdecedor...

onde voc� se senta diante de uma m�quina...

um jogador entre muitos e, por isso mesmo, ainda mais solit�rio...

enquanto observa as in�meras bolinhas met�licas...

dan�ando entre os pinos, enquanto se perdem...

ou, de vez em quando, lhe d�o um pr�mio.

Esse jogo induz a uma esp�cie de hipnose...

uma estranha sensa��o de felicidade.

Ganhar n�o � importante...

mas o tempo passa...

voc� perde contato consigo pr�prio durante um tempo...

e se entrega � m�quina...

e talvez voc� esque�a o que sempre quis esquecer.

Esse jogo surgiu ap�s a guerra perdida...

quando o povo japon�s tinha um trauma nacional a esquecer.

Apenas os habilidosos e os sortudos...

e, claro, os jogadores profissionais...

conseguem aumentar o n�mero de bolinhas...

e troc�-las depois por cigarros, comida, aparelhos eletr�nicos...

ou por vales que, embora sejam ilegais...

podem ser trocados por dinheiro nos becos vizinhos.

Eu tomei um t�xi de volta para o hotel.

Quanto mais a realidade de T�quio me parecesse uma torrente...

de imagens impessoais, cru�is, amea�adoras...

e, sim, quase desumanas...

mais poderosas se tornavam, em minha mente...

as imagens do mundo amoroso e ordenado...

da cidade m�tica de T�quio...

que eu conhecia dos filmes de Yasujiro Ozu.

Talvez isso fosse o que n�o existia mais:

Uma vis�o que ainda alcan�ava a ordem num mundo sem ordem.

Uma vis�o que ainda mostrava o mundo transparente.

Talvez tal vis�o n�o seja mais poss�vel hoje.

Nem mesmo se Ozu ainda estivesse vivo.

Talvez a freneticamente crescente infla��o de imagens...

j� tenha destru�do demais.

Talvez imagens em harmonia com o mundo...

j� estejam perdidas para sempre.

Quando John Wayne se foi...

n�o foi a bandeira americana que apareceu...

mas sim a bola vermelha da bandeira japonesa.

E, enquanto eu ca�a no sono, tive um pensamento curioso:

Onde eu estou agora � o centro do mundo.

Todo aparelho de TV vagabundo, n�o importa onde esteja...

� o centro do mundo.

O centro tornou-se uma ideia rid�cula...

o mundo como um s�...

e a imagem do mundo, uma ideia rid�cula...

quanto mais aparelhos de TV houver no globo.

E aqui estou eu, no pa�s que fabrica todos eles...

para o mundo inteiro...

para que o mundo inteiro veja as imagens americanas.

Num dos dias seguintes, eu visitei o ator Chishu Ryu.

Ele atuou em quase todos os filmes de Ozu...

desde a �poca do filme mudo...

geralmente no papel de homens muito mais velhos do que ele.

Em muitos dos filmes de Ozu, ele era o pai...

embora ele pr�prio fosse pouco mais velho...

do que os atores e atrizes que interpretavam seus filhos e filhas.

Certa vez, eu o vi em dois filmes de Ozu num mesmo dia.

No primeiro filme, do in�cio da d�cada de 1930...

ele interpretava a vida de um homem da juventude � velhice...

e, no segundo filme, do final da d�cada de 50...

ele tinha a mesma idade do personagem que interpretava.

Os personagens e os enredos nos dois filmes eram quase id�nticos.

Eu nunca havia sentido tamanho respeito por um ator...

quanto nesse dia, por Chishu Ryu.

Tentei explicar isso a ele, mas o meu elogio s� o deixou constrangido.

Ele se esquivou, com mod�stia.

Naquela �poca, ele disse, sua idade verdadeira era 30...

e o papel sobre o qual perguntei era o de um homem de 60 anos.

O objetivo n�o era atuar como um velho, mas apenas parecer velho.

Ele n�o se preocupava com nada al�m de parecer velho.

Ozu sempre lhe dizia como fazer as coisas...

e ele obedecia �s ordens dele sem hesitar.

De qualquer forma, atuar sob a dire��o de Ozu...

era menos uma quest�o de trazer descobertas e experi�ncias ao papel...

do que obedecer com precis�o �s instru��es de Ozu.

Eu perguntei a ele se Ozu ensaiava muito.

Dependia do grau de dificuldade da cena.

Muitas vezes, dois ou tr�s ensaios eram o suficiente...

e a� a cena era filmada.

Mas, no caso dele, ele tinha que admitir...

Ozu raramente ficava satisfeito com a primeira ou a segunda tomada.

Com ele, Ryu, as coisas demoravam um pouco.

Ele se lembrava de certa vez ensaiar uma cena mais de 20 vezes...

e depois filmar mais de 20 vezes tamb�m.

Ele pr�prio n�o fazia ideia do que estava fazendo errado...

e simplesmente pensou...

que mesmo um atirador med�ocre acerta o alvo...

se praticar bastante.

Depois, Ozu simplesmente lhe disse, amigavelmente...

"Ryu, hoje n�o � um dos seus melhores dias, n�o �?

Ou voc� est� tentando testar a minha paci�ncia?"

De qualquer forma, com outros atores, atores melhores do que ele...

Ozu ficava satisfeito com uma ou duas tomadas.

Mas trabalhar com ele, Ryu, deve ter sido dif�cil.

Ent�o ele se considerava um dos menos talentosos.

Para Ryu, o relacionamento com Ozu foi sempre...

o de aluno com professor, ou de filho com pai.

Embora Ozu fosse apenas um ano mais velho do que ele...

havia uma grande dist�ncia entre os dois em termos de intelecto.

E Ozu sempre foi o professor, o mestre...

com quem ele, Ryu, s� poderia aprender...

do come�o ao fim.

Ozu, o mestre, possu�a uma imensa for�a de car�ter...

e deixava a sua marca em tudo ao seu redor.

Assim, tudo se tornava uma extens�o de Ozu.

No est�dio, por exemplo...

ele n�o se preocupava apenas com os cen�rios e a decora��o em geral...

mas com cada m�nimo detalhe.

Ele posicionava cada almofada e cada objeto em seu lugar.

Nada era deixado ao acaso.

Ele at� arrumava a roupa dos atores, antes das tomadas.

E n�o h� nada de errado nisso, Ryu conclui...

quando algu�m tem tanta certeza do que quer.

Ryu disse que, sob a dire��o de Ozu...

ele aprendeu a esquecer de si mesmo, a tornar-se uma p�gina em branco.

Ele n�o pensava em nada al�m de seu trabalho...

e isso significava, acima de tudo...

a jamais ter uma ideia fixa sobre esse trabalho...

pelo contr�rio.

Como se aproximar ao m�ximo da ideia de Ozu...

como se mover de acordo com as instru��es do mestre.

Seus pensamentos giravam constantemente em torno disso...

e era essa a sua prepara��o.

Outros filmes e atores n�o o influenciaram, explica Ryu.

Ele tentou tornar-se apenas uma cor na paleta de Ozu.

O dia mais feliz de sua vida foi quando Ozu o escolheu...

Logo ele, entre tantas pessoas.

Sen�o a sua vida certamente teria sido diferente.

Ozu lhe havia dado um papel e lhe ensinado coisas...

aqui e ali, com uma suave press�o...

que ele n�o teria aprendido de outra forma.

Ele havia come�ado como um ningu�m...

e, gra�as a Ozu, ele tornou-se uma pessoa chamada Ryu.

Ozu fez dele quem ele �.

Simplesmente n�o havia para ele outra forma de pensar.

As mulheres reconheceram Chishu Ryu...

porque ele apareceu recentemente numa s�rie televisiva de sucesso.

Hoje em dia, ningu�m o reconhece pelos seus pap�is nos filmes de Ozu...

ele me contou depois, como se pedisse desculpas.

N�s pegamos o trem para o cemit�rio onde Ozu est� enterrado...

Kita-Kamakura.

A esta��o de trem aparece em um de seus filmes.

A l�pide de Ozu n�o tem nome...

apenas um antigo ideograma japon�s, MU...

que significa "vazio", "nada".

Eu pensei sobre o s�mbolo ao voltar no trem. O nada.

Quando crian�a, eu sempre tentava imaginar o nada.

A ideia me enchia de medo.

"Nada" simplesmente n�o pode existir, eu pensava...

apenas o que � de verdade pode existir. A realidade.

Pouqu�ssimas ideias s�o mais vazias e in�teis...

quando aplicadas ao cinema.

Cada um sabe, sozinho, o que significa a percep��o da realidade.

Cada pessoa v� a sua realidade com seus pr�prios olhos.

Ela v� os outros e, acima de tudo, as pessoas que ama...

ela v� os objetos que a cercam...

v� as cidades e os campos onde mora...

mas tamb�m v� a morte...

a mortalidade do Homem e a transitoriedade dos objetos.

Ela v� e experimenta o amor, a solid�o, a felicidade, a tristeza...

o medo. Em resumo, cada pessoa v�, sozinha, a vida.

E cada pessoa sabe, por si s�...

o grande abismo que existe entre as experi�ncias pessoais...

e a representa��o dessas experi�ncias na tela.

N�s aprendemos a aceitar que a grande dist�ncia...

separando o cinema da vida � t�o perfeitamente natural...

que ficamos assombrados quando subitamente descobrimos...

algo verdadeiro ou real num filme.

N�o precisa mais do que um gesto de uma crian�a no fundo do trem...

ou um p�ssaro que passa voando...

ou uma nuvem jogando sua sombra sobre a cena durante um instante.

� uma raridade no cinema de hoje encontrar tais momentos de verdade...

onde pessoas ou objetos se mostram como realmente s�o.

Isso era o que havia de �nico nos filmes de Ozu...

principalmente nos �ltimos.

Eles eram grandes momentos de verdade.

N�o, n�o apenas momentos; Eram verdades duradouras...

que se estendiam da primeira imagem � �ltima.

Filmes que, verdadeira e continuamente...

lidavam com a vida em si...

e nos quais as pessoas, os objetos, as cidades e os campos...

revelavam-se.

Tal representa��o da realidade, tal arte...

n�o se encontra mais no cinema. Um dia, se encontrou.

MU, nada. O que resta hoje.

De volta a T�quio, as casas de pachinko j� estavam fechadas.

Apenas o "kugishi", o "homem do prego", ainda trabalha.

Amanh�, todas as bolinhas tomar�o um curso diferente...

e a m�quina que fez de voc� um ganhador hoje...

far� de voc� um perdedor desesperado amanh�.

Shinjuku, um bairro de T�quio com um bar atr�s do outro.

Nos filmes de Ozu, muitos desses becos apareceram...

em que pais abandonados ou solit�rios afogavam suas m�goas.

Eu montei a minha c�mera, e filmei como sempre fa�o.

Depois, uma segunda vez.

O mesmo beco, a mesma posi��o de c�mera...

mas usando uma outra lente, a de 50 mm...

uma lente de pouco efeito telefotogr�fico...

a que Ozu usava em todas as tomadas.

Uma outra imagem se apresentou.

Uma que n�o mais pertencia a mim.

No cemit�rio, na manh� seguinte...

os mesmos corvos invis�veis grasnavam...

e as crian�as jogavam beisebol.

E, no topo de arranha-c�us no centro da cidade, adultos jogavam golfe...

um esporte no qual os japoneses ficaram viciados...

embora pouqu�ssimos tenham a chance de jogar em campos de verdade.

Em alguns dos filmes de Ozu...

o entusiasmo por este esporte � mostrado com ironia.

No entanto, fiquei impressionado com o grau...

em que ele � praticado aqui, como pura forma...

como beleza e perfei��o de movimentos.

O verdadeiro objetivo do jogo, enfiar a bola em um buraco...

parece totalmente esquecido.

Eu s� encontrei um �nico e solit�rio defensor dessa ideia.

Eu s� deixei o ruidoso est�dio de golfe para comer algo r�pido.

Como sempre, voc� pode ver todos os pratos na vitrine do restaurante.

Depois, voltei ao est�dio, agora iluminado por holofotes.

Na sede do clube, no fim daquela noite...

o dia fechava um c�rculo, terminando com imagens de beisebol.

E, como as mesmas imita��es de comida...

estavam expostas aqui tamb�m...

decidi fazer uma visita, no dia seguinte...

a um lugar onde essas obras realistas eram produzidas.

Tudo come�a com comida de verdade...

sobre a qual uma massa gelatinosa � jogada e resfriada.

Os moldes que resultam da� s�o preenchidos com cera...

e essas formas em cera s�o cortadas, pintadas e finalizadas.

A cera precisa ser mantida quente o tempo todo.

Fora isso, a prepara��o de um sandu�che de cera...

n�o difere muito da prepara��o de um sandu�che de verdade.

Eu passei o dia inteiro l�.

A �nica coisa que eu n�o pude filmar foi a pausa para o almo�o...

o que foi uma pena.

Todos os empregados sentaram-se entre suas cria��es de cera...

e comeram a comida que haviam trazido...

que era id�ntica �s imita��es ao redor.

Dava at� pra imaginar um deles mordendo um p�o de cera por engano.

No topo da Torre de T�quio...

encontrei um amigo meu, Werner Herzog...

que estava passando uns dias no Jap�o, a caminho da Austr�lia.

N�s conversamos.

Isso � t�o simplesmente...

polui��o visual.

Olhando daqui de cima...

� um amontoado de constru��es.

Quase n�o existem mais imagens poss�veis.

Ter�amos de fazer uma escava��o arqueol�gica.

� preciso...

� preciso vasculhar essa paisagem violada...

para encontrar alguma coisa.

Muitas vezes, isso est� associado � grandeza...

e n�o a detalhes.

Hoje em dia, existem muito poucas pessoas no mundo...

que se arriscam a algo...

em prol da necessidade que temos de imagens adequadas.

Precisamos urgentemente de imagens...

que reflitam a nossa civiliza��o...

ou que correspondam...

ao que temos de mais �ntimo.

E temos de...

encarar essa guerra, a fim de solucionar tal necessidade.

Eu lamento...

que, por exemplo, �s vezes...

eu tenha de subir 8 mil metros montanha acima...

para obter imagens claras, puras e verdadeiras.

Aqui quase n�o tem isso.

� preciso procurar muito.

Eu viajaria para Marte ou Saturno no pr�ximo foguete.

Por exemplo, existe um programa da NASA...

o Skylab, uma esta��o espacial...

que vai levar bi�logos e outras pessoas...

para testar novos procedimentos tecnol�gicos no espa�o.

Eu teria prazer em participar.

Pra mim, seria mais f�cil do que aqui na Terra...

descobrir...

o que constitui as imagens verdadeiras.

Seria uma experi�ncia e tanto...

eu gostaria de ir.

N�o importava o quanto eu entendia a busca de Werner...

por imagens transparentes e puras...

as imagens que eu buscava s� podiam ser encontradas...

aqui embaixo, no caos da cidade.

Apesar de tudo, eu n�o conseguia n�o me impressionar com T�quio.

Naquela tarde, eu fui � rec�m-aberta Disneyl�ndia...

perto dos port�es da cidade.

Mas o pensamento de ver uma c�pia exata do parque da Calif�rnia...

me fez reconsiderar, e eu dei meia-volta.

Al�m disso, n�o parava de chover.

Mas eu n�o me arrependi de minha decis�o...

porque, num dos parques da cidade, encontrei algumas pessoas...

que se recusavam a deixar uma chuvinha impedi-los de estar nos EUA.

Naquela noite...

encontrei o cineasta e amante de gatos franc�s Chris Marker...

num bar em Shinjuku.

Um bar que leva o nome de um de seus filmes, "La Jet�e".

S� dias depois, eu vi o seu filme novo, o belo "Sem Sol"...

em que h� imagens de T�quio...

inacess�veis a um estrangeiro como eu.

Como muitos fot�grafos, Chris Marker n�o gosta de ser fotografado.

Mas, hoje, ele acabou se arriscando a mostrar um olho.

Os trens.

Os trens. Todos os trens nos filmes de Ozu.

N�o h� um �nico filme em que n�o apare�a ao menos um trem.

Yuuharu Atsuta foi o segundo assistente de c�mera...

nos primeiros filmes mudos de Ozu...

depois seu primeiro assistente durante muito tempo...

e, por fim, durante quase 20 anos, o operador de c�mera de Ozu.

Ele me mostrou como Ozu trabalhava num cen�rio interior.

N�s conseguimos uma velha c�mera Mitchell...

a mesma que Atsuta e Ozu usaram para filmar seus �ltimos trabalhos.

Com o passar dos anos...

Yasujiro Ozu simplificou mais e mais seu meio visual de express�o.

Enquanto nos primeiros filmes ainda h� tomadas em movimento...

ele gradualmente eliminou at� mesmo isso...

at� que finalmente s� filmava com a c�mera fixa...

sempre no n�vel do olho de algu�m sentado no ch�o...

e sempre com a mesma lente, a de 50 mm.

Esta era a posi��o-padr�o para tomadas de longa e m�dia dist�ncia...

explica Atsuta.

Para tomadas em close, a c�mera era sempre levantada.

A raz�o era que Ozu queria evitar distor��es na imagem...

que teriam ocorrido se a c�mera estivesse mais baixa...

e fosse inclinada para o close.

Por isso, a c�mera sempre era elevada para os closes...

mesmo que apenas levemente.

Este � um apoio para c�mera desenhado pelo pr�prio Ozu...

contou-me Atsuta...

para conseguir uma boa posi��o em tomadas externas...

ainda mais baixas do que as permitidas pelos trip�s comuns.

O trip� mais baixo dispon�vel vinha at� aqui...

mas Ozu queria a c�mera ainda mais baixa...

o que significava que eu tinha que deitar no ch�o para olhar pelo visor.

Ent�o era conveniente quase nunca fazermos panor�micas.

Quando Ozu queria preparar uma tomada...

e o assistente havia posicionado a c�mera...

de acordo com suas instru��es, Ozu olhava pelo visor...

e, com muito cuidado, escolhia um enquadramento.

A� ele dizia: "� isso".

E o assistente fixava a c�mera nessa posi��o.

Depois que ela era fixada, ningu�m podia mexer na c�mera.

Essa era uma regra r�gida.

A�, durante os primeiros ensaios, Ozu novamente olhava pelo visor...

dirigia os atores e lhes indicava suas posi��es.

Ap�s fazer os ajustes finais, a c�mera era finalmente presa.

E agora era a hora em que todos precisavam ter muito cuidado...

para n�o bater nela e tir�-la da posi��o da tomada.

N�s fic�vamos muito tensos ao redor da c�mera.

Atsuta continua.

Ozu n�o gostava de fazer externas em loca��es...

principalmente quando juntavam curiosos.

Por isso, eles faziam as externas o mais r�pido poss�vel...

tentando evit�-los.

Ozu me deu o seu cron�metro, de recorda��o.

Eu queria mostr�-lo a voc� depois.

� a �nica lembran�a que eu tenho dele.

A garota do roteiro sempre acertava seu cron�metro com o de Ozu.

E, como grav�vamos com som, dava pra ouvir os dois cliques.

E, toda vez, o engenheiro de som ouvia e dizia:

"Que diabos � esse barulho?"

Ozu achava importante cronometrar tudo com a maior precis�o poss�vel.

Todas as tomadas eram cronometradas...

e, quando v�amos o copi�o, o tempo era tirado de novo.

Eu sempre usava essas coisas infantis.

N�o � meio constrangedor?

Eu sempre andava com uma esteira destas embaixo do bra�o.

Era um trabalho e tanto.

Este � o cron�metro que Ozu usava.

Ele o usou durante anos.

Com este cron�metro, ele marcava o tempo de todas as cenas...

inclusive inser��es.

A linha vermelha mostrava quanto filme havia sido usado...

no formato-padr�o de 35 mm.

A linha do meio mostrava os segundos...

e a terceira, aqui, indicava as imagens do formato 60 mm.

Este cron�metro era importante para Ozu...

para medir o tempo com precis�o, em segundos e quadros.

Eu queria que voc� visse.

Atsuta me emprestou um roteiro original de Ozu por alguns dias.

Eu o folheei, reverente e impotente.

N�o pude decifrar uma palavra sequer, nem mesmo o t�tulo.

Durante quanto tempo voc� foi assistente de Ozu?

Do in�cio ao fim.

Eu fui assistente de c�mera durante 15 anos.

E depois voc� se tornou o operador de c�mera de Ozu?

Sim.

Como isso aconteceu?

De forma simples.

Ele disse: "De hoje em diante, este � o seu trabalho, certo?"

Ele era um homem de poucas palavras.

Eu apenas disse: "Obrigado".

E a minha gratid�o a Ozu continua at� hoje.

Eu cuidava da c�mera.

E falo sem mod�stia:

Eu tinha orgulho de cuidar da c�mera de Ozu.

Ainda mais porque, ainda assistente...

eu comecei a conhec�-lo e admir�-lo.

Naquela �poca, todos os assistentes j� haviam se tornado c�meras...

e eu n�o era nada al�m de um assistente na equipe dele.

Um dia, ele me disse: "Como cedo ou tarde voc� se tornar� um c�mera..."

por que n�o tem paci�ncia e se torna o guardi�o de uma mans�o?"

Eu gostei das palavras dele.

Muitos de meus colegas estavam ganhando mais dinheiro...

principalmente os c�meras dos cinejornais eram muito bem pagos.

Mas eu fiquei onde estava.

Eu queria permanecer ao lado de Ozu. Era a minha vis�o.

Voc� discutia muito com Ozu antes de come�ar a filmar?

N�o, eu n�o diria que t�nhamos "discuss�es".

N�s simplesmente convers�vamos, como sempre...

mas nunca demais.

De qualquer forma, eu tinha pouco a dizer a ele...

e nada quanto � dire��o.

No m�ximo, eu perguntava coisas do tipo...

"Que per�odo de tempo o filme cobre?

Algumas semanas? Alguns meses? Um ano?"

E isso s� por causa da ilumina��o.

Para dar uma ideia das esta��es.

Desde a �poca em que Ogawa era o seu c�mera...

ele jamais usou outra lente que n�o a de 50 mm.

Eu lembro que ele sempre dizia:

"Ogawa, por que voc� vive sugerindo a de 40 mm?

Voc� sabe muito bem que eu prefiro a de 50".

Depois, eu mesmo...

certa vez, pedi a ele que visse uma tomada com outra lente.

S� uma vez.

Ele olhou pelo visor e disse:

"Como eu pensava: N�o � t�o boa quanto a de 50".

Ent�o, eu coloquei a velha 50 de volta na c�mera...

rangendo um pouco os dentes. E, depois daquele dia...

eu tamb�m nunca mais questionei a 50 mm.

Usar uma lente de �ngulo maior aumenta o campo do filme...

em ambos os lados, e tamb�m na altura.

Mas isso n�o era do gosto de Ozu.

Na �poca dos filmes mudos, quando houve a mudan�a para os sonoros...

a largura do quadro ficou um pouco menor...

por causa da trilha sonora que foi adicionada.

Antes, voc� podia usar toda a extens�o do negativo...

mas isso acabou.

Acho que isso afetou o seu sentido de composi��o de imagem.

Ele me deixou encarregado da ilumina��o.

No filme, havia um pai...

e uma cena, perto do fim, na qual o pai morre. Lembra?

Eu iluminei o quarto de hospital para ficar bastante claro...

como se o sol estivesse entrando.

Num lugar assim, um hospital, voc� se enche de compaix�o...

quando o sol est� brilhando l� fora.

Ent�o, eu fiz com que o sol entrasse no quarto com intensidade.

Ozu virou e me disse: "O que voc� fez? Por qu�? N�o ficou nada mau".

E eu respondi: "Pra ser sincero..."

eu n�o queria deixar o velho morrer no escuro.

Eu queria que ele estivesse cercado de luz no momento de sua morte".

N�s filmamos exatamente assim. Foi um elogio que Ozu me fez.

No geral, ele n�o me dizia o que tinha achado das tomadas...

ou mesmo se tinha gostado.

Eu nunca ouvi Ozu dizer algo tipo: "Essa foi uma boa tomada".

No m�ximo, dias depois, ele dizia: "N�o foi nada mau naquele dia".

Sim, isso era t�pico dele.

Uma vez ele me perguntou: "Voc� tem namorada?"

E eu disse: "Sim, ela tem tr�s pernas. E eu sempre a carrego nas costas".

Eu estava falando do meu trip�.

Virou uma piada entre n�s.

"A sua namorada de tr�s pernas...", ele me provocava...

"...ela at� que n�o � feia. � uma belezinha".

Eu gostava muito dele.

Eu senti algo especial por ele at� a sua morte.

E Ozu sabia.

Eu sei que algo assim pode soar meio estranho...

mas eu sou provavelmente o �nico operador de c�mera no mundo...

que ficou com o mesmo diretor um per�odo t�o grande...

desde assistente at� o fim.

N�o, eu acho que ningu�m mais fez isso.

Ter servido Ozu � o meu orgulho e a minha alegria.

As tomadas internas eram sempre feitas em est�dio, nunca em loca��es.

As �nicas exce��es eram as tomadas em trens.

Sempre que t�nhamos que filmar dentro de um trem...

eu sempre dizia a Ozu: "Tudo, menos no est�dio".

E ele aceitava.

N�o importa o que voc� fa�a, um trem nunca fica bom no est�dio.

Tudo treme, mas da forma errada.

Por isso, eu sempre quis filmar em trens de verdade.

E pode ter certeza de que em todos os filmes de Ozu do p�s-guerra...

os trens s�o de verdade.

N�s pass�vamos muito tempo procurando loca��es...

mas nunca �amos de carro. N�s �amos a p�. Sempre a p�.

Havia at� uma piada sobre isso:

"A procura por loca��es s� acaba quando voc� desmaia".

Esta ser� a �ltima pergunta.

Sim?

Voc� trabalhou com outros diretores ap�s a morte de Ozu?

Sim, eu trabalhei.

Mas eu me senti muito infeliz fazendo o trabalho.

Durante muito tempo, talvez dias...

como eu poderia explicar?

Eu continuei a trabalhar durante um tempo...

mas sem gostar do trabalho ou do diretor com quem eu estava.

Algo havia morrido.

Ozu tirava o melhor de mim.

E eu dei a ele o meu melhor.

Para os outros, o meu melhor j� n�o existia.

Eu tenho uma d�vida com Ozu.

�s vezes, voc� se sente solit�rio.

Deixe-me agora.

Eu agrade�o.

Sim, voc� se sente solit�rio.

O que se chama de "esp�rito"...

jamais pode ser explicado a ningu�m.

Por isso, as pessoas com quem ele trabalhou...

ele gostava delas.

Ele era mais do que um diretor; Ele era como um rei.

Agora, neste momento, ele deve estar satisfeito.

Hoje eu n�o estou sendo eu mesmo.

Por favor, v� embora agora e me deixe aqui sozinho.

Eu pe�o desculpas.

Yasujiro Ozu foi um bom homem.

- Ol�! - Ol�!

Voc� deve estar triste. Eles se foram.

- Sim. - O tempo passou t�o depressa...

Sim, se eu soubesse...

teria sido mais gentil...

e o teria mimado antes que fosse tarde demais.

Entendo.

Assim, sozinho, o dia parece longo.

- � verdade. � triste. - Sim.

PARA MEU PAI, MINHA M�E E MEU IRM�O

LEGENDAS VIDEOLAR

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.