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Original subtitles

Vamos, Julia!

- Para onde? - Contigo, até ao fim do mundo.

Quero muito ver-te. A contar os minutos...

Menina, leve alecrim. Vai dar-lhe sorte.

Ai, gajo. Vais apanhar diarreia e vais-te embora da feira.

Estou aqui, não demores.

Que fazes aqui?

Socorro!

Socorro!

A RAPARIGA INVISÍVEL

Bom dia.

- Juani! - Já vou.

- Não é hora de abrir a loja? - Sim.

- Só porque és tu. - Obrigado.

Estás cada vez mais magro. O que queres, amor?

Queria pão...

- Carcaças? - Carcaças, sim.

Dá-me uma fogaça também.

Que calor!

- Dizem que vai chegar aos 44. - Está pegajoso.

Não é só o calor, há um mau ambiente.

Miguel Ángel, tu és religioso, tu vais perceber.

Passa para aqui.

- Entro? - Olha.

A virgem está a chorar.

Não, Juani, é só a humidade.

Esperemos que sim.

Julia?

Julia, já viste como está o quarto?

Anda, são quase 10:00. Vamos.

- Papá, não comeces. - Não começo?

Ontem deste-lhe bem.

Que pocilga.

Olá, Vera.

Não, comigo não está.

Não faço ideia. Só nos vimos a correr, na feira.

Se souber alguma coisa, digo-te.

Era a Vera.

A Aurora não foi dormir a casa.

Deve estar em casa de uma amiga.

Vai tomar o pequeno almoço e depois arrumas isto. Vá.

Não custa nada avisar se não vais dormir a casa.

Se calhar ficou sem bateria.

Se ficas sem bateria pedes um telemóvel emprestado, não?

Tu não faças isso.

Julia, já te disse carradas de vezes,

Garfos com garfos, colheres com colheres, isto é um caos.

Come.

Vou-me embora.

Vais-te embora?

Estou sem fome. Vou ter com o Emi

Não andes na mota de ninguém.

O Iván Pardo, da tua escola, teve um acidente. Não foi grave, mas...

é preciso ter cuidado.

Olá, Iván,

Soube do teu acidente.

Era para saber se estás bem.

Olá, quer tentar a sua sorte?

- O que achas? - É muito estranho.

- Adoro. - Boa.

É um loop do som do cosmos.

Mas no espaço só há silêncio, não?

Não. Há pontos específicos onde há som.

Isso já foi estudado.

Não é um som transcendente?

- És um cromo. - É verdade.

Aqui tens.

Trazes-me um, por favor?

Quase mo atirava à cara.

É a ressaca, está maldisposta.

Sem ressaca é igual.

Não tens calor?

Sabias que no deserto se tapam para combater o calor?

Isso é por causa das tempestades.

Meu Deus, o que se passa?

Há um corpo aqui.

Menina, leve alecrim. Vai dar-lhe sorte.

Algumas manchas de sangue.

Aqui e aqui.

É a Aurora.

Passe.

Filhos da puta!

Filhos da puta!

Assassinos!

Calma.

Não aguento.

Sabes porque te chamei?

Estou preocupado contigo, Aurora.

Os teus colegas também estão preocupados contigo.

Estou a falar a sério.

Estás sempre sozinha, isolas-te.

Quando se guarda tudo dentro, um dia rebenta-se.

Posso ir?

Sabes o que é a Baleia Azul?

O que sabes?

São desafios que se fazem na Internet.

Começam a fazer cortes no braço...

e acabam por suicidar-se.

- E que tem isso a ver comigo? - Espero que nada.

Por vezes, quando estamos vulneráveis, recorremos a coisas...

Nunca fiz nada disso, está bem?

Não sei que caralho me está a perguntar!

Mostra-me os braços.

Espera, Aurora.

Podes confiar em mim.

Está bem?

Leva-a para o Teu seio e dá a Vera a força para seguir em frente.

Toma.

Vou-me embora.

Aonde vais?

A polícia quer falar com os professores da Aurora.

Suspeitam de nós?

Estamos aqui porque temos acesso às instalações.

Estão com o funcionário, foi ele que a encontrou.

- Estamos aqui há uma hora, caralho! - Calma!

Só querem fazer-nos mais perguntas.

Alguns pais já falam de tirar os filhos da escola.

- Desculpem a demora. - Há novidades?

Ainda não.

Estes são todos professores da Aurora.

Faltam alguns, que estão fora da vila.

Muito bem.

É o Jonathan Vila, de Filosofia.

Alicia Porta, Inglês. Alberto Montero, Educação Física.

A Virginia e o Ferrer já conhece.

Pode dizer-nos onde estava ontem à noite?

- Na feira. - Como toda a gente.

Estavam todos juntos?

Sim.

Vou precisar dos vossos dados para vos chamar a depor.

Nome completo...

Cortázar dizia que a poesia é o que fica de fora

quando tentamos definir a poesia.

é uma ideia poderosa.

Por isso não me interessa que estudemos as definições.

O que eu gostava é que se atrevessem a experimentar,

que arriscassem e escrevessem no formato em que se sentem mais confortáveis.

Pode ser narrativa, poesia,

teatro, banda desenhada...

A única coisa que não quero é que plagiem.

Alguma dúvida?

E, se o fizerem, chamem-lhe homenagem.

Tu sabes alguma coisa?

Eu? Que havia de saber?

Anda lá, miúda.

És a filha do polícia, ninguém acredita nisso.

Conta-nos alguma coisa.

Anda lá, miúda, o que for.

Achas que somos estúpidas?

Alguma coisa te devem ter contado.

Fala-se do diabo...

Deixem-na em paz, caralho.

Não vai ser hoje.

O que estás a dizer?

Vamos embora. Anda.

Idiota.

Julia.

Quando estão assim são insuportáveis.

Como estás?

Bem, não foi nada.

A brincar com a mota, não é?

Julia...

Se descobrires alguma coisa, conta-me.

Cuidado com esse tipo.

Os primeiros dias são decisivos.

Se for preciso não dormimos até o apanhar.

Os pais da Aurora estão divorciados, não é?

Sim.

Sabemos que em 90 % dos casos o culpado é alguém próximo.

Vamos começar por aí.

Já estava à espera, nem uma câmara na entrada da escola.

Pedi o registo das mais próximas para ver se temos sorte.

O ginásio é um anexo, não está ligado ao edifício principal.

E o cadeado estava aberto, todos podiam entrar

O telemóvel da vítima ainda não apareceu?

Ainda não.

- Certamente o assassino levou-o. - Ou a assassina.

Digo isso porque havia um elástico junto ao corpo.

Um elástico e uma bússola.

Uma mensagem, ou quê?

Sabe-se lá.

A feira fica a cinco minutos da escola.

Pode ser qualquer um que estivesse na feira.

- Então temos de falar com todos. - Merda...

- Alguma novidade do pai da Aurora? - Não...

- Há que encontrá-lo. Agora! - Sim, senhor.

- Liga ao médico legista. - Vou ligar.

Já sei que estou atrasado.

Miúda, tive saudades tuas, queria muito ver-te.

Trouxe-te uma coisa.

- O que é isto, papá? - Abre.

Vamos beber um copo, eu ofereço.

Não, prefiro ficar aqui.

Vamos beber algo, caraças. Anda lá.

- É a mamã, vou atender. - Não atendas.

Mamã? Já te disse, estou a estudar com uma amiga.

Sim.

Vou mais logo, está bem?

Sim, adeus.

Tu e as chamadas para a puta da tua mãe.

Disse para não atenderes. És estúpida ou quê?

O que é que ela quer?

Cheirou-me, a puta, cheirou-me!

Ela sabe que estás comigo? Sabe ou não?

Ela não me vai foder a vida.

Tenho o direito de ver a minha filha, entendes?

Não é culpa tua, meu amor. Anda cá, meu amor

Anda, vamos beber um copo.

Anda.

- Gostas ou não? - Sim, é muito bonito.

Vai ficar bem no teu pescoço.

Sofreu um forte traumatismo craniano na parte superior esquerda.

Sabemos o que pode ter sido?

Tem de ser algo sólido, contundente.

golpearam-lhe a cabeça pela frente e por trás.

Foi num momento tenso.

Mas não foi um crime sexual.

Da marca que tem no joelho esquerdo,

esta ferida, e vários hematomas na perda direita,

parece ter caído durante a luta.

Então acha que houve luta.

Parece que sim.

Estamos a analisar o ADN de debaixo das unhas.

Nesse caso o agressor pode ter marcas.

Sabemos a hora exata?

Entre as 23:00 e as 24:00.

Há mais.

Não sei se viram que tem cortes no ventre.

É automutilação.

Mas estão cicatrizados.

Sim, parou de fazê-lo há dois ou três meses.

Também tem marcas no pescoço...

Devem ter-lhe arrancado um colar com violência.

Encontraste um colar ou um pendente?

Não.

O que é isto?

É uma tatuagem. É muito recente.

Isto são coordenadas, não?

Podes lê-las para mim?

Sim.

- Vou ler para ti. - Sim.

Trinta e sete, vinte e sete,

36, 5,Trinta e seis, cinco,

Trinta e oito, quarenta e dois.

É o olival.

A Aurora parecia invisível.

Era muito difícil chegar até ela.

Sim, mas quando cheguei a Cárdena ela ajudou-me muito.

Eu estava muito mal.

Emprestou-me um livro e nem o devolvi.

Esqueci-me.

Não paro de pensar que,

se a tivesse convidado para um copo na feira,

talvez estivesse viva.

Sabes que número é este?

É do meu pai.

Diz, papá.

Sim, estou com o Emi.

Fiquei sem bateria.

Não te quero na rua sem telemóvel.

Vai para casa agora, pede ao Emi que te acompanhe.

E carrega o telemóvel.

Vai para casa.

Que te disse ele?

- Sabem alguma coisa? - Não.

Estou preocupada com a Patri. Posso ligar-lhe?

Não sabia que tinhas o número da Aurora.

Sim, fizemos um trabalho juntos.

Vou ligar.

Odeio mesmo este jogo.

Ontem à noite perdi todos os jogos e fui para a cama super triste.

Pelo menos não tiveste de carregar bêbedos e depois perder à mesma.

Foi perder e ir para a cama.

Literalmente.

Achas que os surdos sonham com som?

Se alguma vez ouviram, acho que sim.

E se não ouviram?

Não sei.

Se calhar sonham com sons internos, silenciosos, como...

como o bater do coração.

- O que foi? - Nada.

Emi, não comeces, está bem? Já falámos sobre isso.

Gosto muito de estar contigo, mas se começas com isso...

É desconfortável.

O loiro.

O que se passa contigo?

O que foi aquilo? Estavas a ser estúpido.

Não admira, Vanesa.

Estamos na merda.

Se alguém te viu, estás fodido.

Estamos fodidos.

Estava preocupado.

Onde estavas?

Fui ver a Vera.

Como está?

Mal.

Devia ter ido contigo.

Já jantei. Faço alguma coisa para ti?

Mais tarde, depois como alguma coisa.

Achas que foi o pai dela?

Não sei.

Alguém sabe o que fazia na escola àquela hora?

Julia, eu sei que precisas de saber,

mas esquece que o caso é meu, é confidencial.

Papá, tu sabes que te posso ajudar.

Para.

Está bem?

Está bem.

É sempre como tu queres.

Vou tomar banho.

Cinco, seis, sete, oito,

nove, dez,

onze e doze.

Sargento Ortiz

Olá. Maite.

Diz.

Emi, acho que sei qual foi a arma do crime.

Legendas: Nuno Camarneiro

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