All language subtitles for Elvira, te daría mi vida pero la estoy usando (2014).por

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Original subtitles

Vai dormir.

Ele vai ficar bem. � normal.

- Est� assim h� tr�s dias. - Tem de se habituar.

Mam�!

Cara�as. Acordou o irm�o.

Avisei-te para n�o o habituares a dormir connosco.

N�o o teria feito se n�o chegasses t�o tarde.

Ol�, querido.

Eu sei...

A mam� est� aqui.

Pronto.

Pronto. Est� tudo bem.

Pronto. Anda, querido.

Eu sei. A mam� est� aqui.

- Onde vais? - Comprar tabaco.

- � t�o tarde. - Preciso de um cigarro.

Queres alguma coisa?

Vou comprar cigarros e j� volto.

- Quem fala? - Bom dia.

Somos as Irm�s da Luz Eterna...

N�o, lamento. Estou ocupada.

- Luisa? - A Luisa vive no 4D.

- A campainha dela est� estragada. - S� um momento.

Luisa, tens visitas!

N�o te fa�as de desentendido.

Come o p�o. Entre!

Come, filho.

- Sim? - Elvira?

- Est� tudo bem? - Sim.

- Tens a certeza? - Sim.

Est� bem. Adeus.

N�o. Vizinha.

Podes fazer-me um favor?

O Gustavo esqueceu-se de uns documentos, e eu tenho de lhos ir levar.

A um domingo?

Sim. Ele anda a trabalhar muito. S�o tempos dif�ceis.

Podes ficar com os mi�dos durante meia hora?

Cobras r�pido.

- Sabes mudar fraldas? - Sim.

- Toma. - Segura isto.

- Cuidado com a cabe�a dele. - Sim.

A Luisa vai tomar conta de ti. Porta-te bem.

- Os biber�es est�o ali. Aquece-os. - Vais de pijama?

Meu Deus.

� s� meia hora.

Sr. Ruti?

Sr. Ruti!

Minha querida Elvira.

- Por que vieste t�o cedo? - O Gustavo esteve aqui?

N�o o vejo h� dias.

- Ele deve-me... - Veio comprar cigarros ontem � noite,

� uma ou duas da manh�.

Vou perguntar ao Carlos. N�o trabalhei at� t�o tarde.

Costumava trabalhar, mas agora...

Sr. Ruti, desculpe, mas pode ir perguntar-lhe, por favor?

- Estou com pressa. - Sim. Espere um bocadinho.

O n�mero para o qual ligou...

- Raios. - Sim.

O idiota veio �s duas da manh� comprar cigarros a cr�dito.

- N�o foi dormir a casa? - N�o. Estou preocupada.

- Procura-o no bar. Talvez... - Ele n�o bebe.

- A s�rio. - Vai l�. Eu sei o que estou a dizer.

Uma mulher nunca conhece verdadeiramente o marido.

Ele n�o bebe.

Obrigada.

Ol�.

- Sabe se o Gustavo D�az esteve c�? - Ele s� vem �s ter�as jogar domin�.

Estou � procura dele.

Espero que o encontre.

Obrigada por aguardar, Sra. Mart�nez.

Verific�mos no nosso sistema,

e n�o encontr�mos ningu�m que encaixasse na descri��o do seu marido.

Posso ajudar em mais alguma coisa?

Obrigada.

Anjo da guarda, minha companhia,

guardai a minha alma, de noite e de dia.

N�o me deixai sozinho para n�o me perder.

Em nome do Pai, do Filho...

Isso.

- Que est�s a fazer? - Estou a rezar.

- �men. - �men.

- Muito bem, querido. - Vai para o quarto.

Demoraste mais de meia hora, por isso t�nhamos de fazer alguma coisa.

Elvira, n�o acredito que n�o tens um altar ou uma B�blia.

- Eu ofere�o-te uma. - N�o somos religiosos.

Deviam ser.

Ajuda. Elvira, a f� � muito importante.

- F�, claro. - Sim.

As crian�as t�m de acreditar em algo. E tu tamb�m.

Luisa, obrigada pela paci�ncia, mas tenho de me arranjar.

- Vais sair? - O Gustavo quer ir dar uma volta.

Eu ia pedir-te para me ajudares

a fazer o bolo de anan�s que tanto gosto.

- S�o favores atr�s de favores. - Sabes que mais?

Fazemos isso amanh�, quando o Gustavo for trabalhar.

- Est� bem. - Prometes?

- Manda um beijo ao Gustavo. - Est� bem.

Pronto, querido.

Adeus.

N�o chores, filho. A mam� est� aqui.

J� cheguei.

- Estou? - Querida.

M�e. Tudo bem?

Liguei para te dizer que vou a� logo.

Precisas que leve alguma coisa?

N�o, m�e, mas n�o vou estar.

Onde vais?

O Gustavo quer ir almo�ar fora e...

Ent�o, vou com voc�s.

M�e, acho que n�o � boa ideia.

Pergunta-lhe.

Talvez n�o se importe.

Gustavo!

Gustavo!

J� est� na casa de banho.

Ligo-te quando der para combinar alguma coisa, pode ser?

N�o te esque�as que, no dia que o teu pai faleceu, n�s...

Isso, outra vez, n�o.

Tenho muito para fazer. Adeus.

N�o desligues a chamada.

Enviou os Seus anjos Para nos protegerem

Ele � a luz do mundo

Ele � a luz do mundo

O Senhor � o meu pastor

Sr. Sol Sr. Sol Dourado

Aquece-me um bocadinho

O Senhor � meu pastor

Segunda-feira.

Ter�a-feira.

Elvira?

Elvira?

O Senhor � meu pastor

� o meu guia e salvador

Ele ama-me

Por favor, que n�o lhe aconte�a nada.

Cruz.

Por favor, que n�o lhe aconte�a nada.

F�RIAS

QUATRO DIAS E TR�S NOITES GRATUITOS

N�o.

N�o!

N�o!

N�o.

Nossa Senhora, rogai por ela.

Torre de David, rogai por ela.

Torre de marfim, rogai por ela.

Seguradora DEXA. Onde nos preocupamos consigo e com a sua fam�lia.

- Em que posso ajudar? - Bom dia.

Bom dia. Em que posso ajudar?

Estou?

- Ol�. - Em que posso ajudar?

Gostava de falar com o Sr. Gustavo D�az, por favor.

O Sr. D�az n�o est� no escrit�rio.

Onde � que ele est�?

Est� de f�rias.

Posso passar a outro agente. � urgente?

Estou? � urgente?

Sim.

Tenho de falar com ele.

Isso n�o ser� poss�vel. O Sr. D�az n�o vai estar.

Mas temos os melhores agentes.

Porque preocupamo-nos com... Estou?

Elvira?

- Vizinha. - Luisa. Chamo-me Luisa.

N�o gosto quando me tratas por vizinha.

Eu sei. Que foi?

Adivinha.

Comprei os ingredientes para fazermos o bolo.

Desculpa. Estou a limpar e esqueci-me completamente.

- Pois... - N�o imaginas como est� o arm�rio.

Fazemos isso mais tarde.

N�o � boa altura.

Est�s a mentir-me?

Luisa, est�s bem?

D�-me as coisas. Fica para amanh�.

- A s�rio? - Sim. Amanh�.

Mam�.

Vou para a escola?

- Hoje n�o h� escola, filho. - Boa!

Seguradora DEXA. Onde nos preocupamos consigo e com a sua fam�lia.

Em que posso ajudar?

- Ol�. Sou eu outra vez. - A que disse que era urgente.

Quer que passe a outro agente?

N�o desligue. Deixa-me preocupada.

Ningu�m se preocupa comigo.

Nesta seguradora, preocupamo-nos consigo

e com a sua fam�lia.

Quer que transfira?

Estou � procura de um rapaz.

Ele trabalha a�,

mas n�o me lembro do nome dele.

Que intrigante. O que se passa?

Tenho uma fotografia

de um jovem que trabalha a� e preciso de saber o nome dele.

Pode dizer-me, por favor?

Venha c�, mostre-me a fotografia

- e pronto. - N�o posso. Tenho dois filhos.

- Ai tem filhos? - Dois.

- Que idade t�m? - Ou�a. Pode ajudar-me?

Meu Deus, mulher.

J� percebi. Desde a primeira vez que ligaste

eu percebi que � urgente.

E vou ser solid�ria contigo.

Pronto, diz l�.

Como � que ele �?

Ele �...

Caucasiano, tem cabelo preto ondulado e um bigode pequeno.

N�o sei.

Pode ser o Luis, o Paco ou o Adri�n.

E � jovem.

Parece ter uns 22 anos.

Podias ter dito logo.

Temos poucos jovens.

Tem olhos claros e parece um modelo?

- N�o. - Ent�o, � o Adri�n.

O Adri�n � o estafeta.

Posso falar com ele?

Ele n�o est�.

Quando � que vai estar?

Ele meteu alguns dias porque o irm�o est� doente.

Foi o que me disseram.

Mas volta na pr�xima semana.

Pode dar-me o n�mero dele?

Desculpa, mas n�o podemos fornecer esse tipo de informa��es.

� urgente.

� urgente.

D�-me o n�mero, por favor. Imploro-lhe.

� urgente. Por favor.

O que se passa?

N�o posso dizer. � uma longa hist�ria. Pode dar-mo?

Por favor, imploro-lhe.

- Imploro-lhe. - N�o posso.

Se n�o me disseres o que se passa, mais dif�cil � de te ajudar.

Sou uma mulher desesperada

� procura do amor da sua vida.

Aponte, por favor.

Sim.

Diga.

55-10-42-02-35.

N�o pode dizer a ningu�m que lhe dei o n�mero.

Est� bem. Obrigada.

Mas espera.

Como � que ele pode ser o amor da tua vida

se h� dois minutos n�o te lembravas do nome dele?

- N�o percebo. - � melhor n�o perceber.

Estou?

O n�mero para o qual ligou n�o est�...

Meu Deus.

- Estou? - Elvira, tudo bem?

- Quem fala? - � a Eloy.

Eloy.

- Nem acredito. - Nunca me ligas. Tudo bem?

Sim. E contigo?

Tamb�m. A casa funer�ria � um sucesso.

Morre muita gente. � fant�stico.

Imagino.

- Tens planos para o jantar? - O qu�?

- N�o sei. - Queres ir jantar comigo?

Acho que n�o, Eloy. As crian�as...

Diz ao Gustavo para ficar com eles.

Anda l�.

Tenho uma coisa importante para te dizer.

- Acho que n�o... - Nunca estamos juntas.

N�o tens dinheiro?

Eloy, nem imaginas.

Eu pago. Temo de conversar.

Vai fazer-te bem.

Est� bem.

Anda c� ter �s 19h30.

Est� bem.

Gosto muito de ti.

Eu tamb�m.

Querido, tira o uniforme.

�, filho.

Vizinha! Anda c�!

Estou a rezar! Vou daqui a meia hora!

Elvira?

Entra. Estou na casa de banho.

- Por que est�s a olhar assim para mim? - O teu cabelo.

- Sim. - Cortaste-o.

E n�o foi pouco.

- Vais sair? - Sim, e preciso que me fa�as um favor.

- Queres que varra? - N�o.

Podes tomar conta dos mi�dos?

Elvira, eu acho que n�o...

Luisa, o meu casamento est� em ru�nas.

Esqueci-me que fazemos anos de casados.

Ele est� � minha espera no restaurante. N�o posso ligar � minha m�e.

- Mas s�o cinco da tarde... - Mas tenho de lhe comprar um presente.

- Tenho de ir de autocarro. - Eu empresto-te dinheiro para o t�xi.

Meu Deus, Luisa.

Obrigada. Ent�o?

Fa�o qualquer coisa por amor.

Luisa. Muito obrigada.

Obrigada.

Meninos, v�o ficar com a tia Luisa.

Elvira, o Gustavo � um bom homem.

Tem f�.

Estou a tentar.

Obrigada.

Tia Luisa.

NOME DO CONTACTO:

ADRI�N

CASA FUNER�RIA "A CAMINHO DO C�U" BOA VIAGEM

Obrigada por ter vindo.

Posso ajudar?

- Vim ter com a Eloy. - Quem �?

A Elvira.

Por favor, sente-se.

Eu aviso-a.

A Elvira j� chegou.

Tive de lhe implorar para vir, e chegou uma hora mais cedo.

- Ningu�m a percebe. - O que lhe digo?

Que espere. Quinze ou vinte minutos.

- N�o vou demorar. - Est� bem.

- Onde �amos? - Com licen�a.

Ela pensou que ia chegar mais tarde.

Mas n�o vai demorar. Espere uns 15 minutinhos.

- Est� bem. - N�o se quer sentar?

Eu espero l� em baixo. Obrigada.

Nossa Senhora, M�e de Deus, rogai por n�s pecadores...

Est� bem?

Coitada.

Deve ser a amante.

Elvira.

Onde estavas? Andei � tua procura.

Fui apanhar ar.

- N�o te encontrava. - J� c� estou. Estou pronta.

- Onde vamos? - Decide tu.

- A casa funer�ria est� sempre cheia? - Sim. Gra�as a Deus.

�timo.

N�o sonhas com pessoas mortas?

- Nunca as vejo. - A s�rio?

- O que vais querer? - Pagas tu?

- Claro. - Ent�o, j� sei.

- Queremos pedir. - Podem dizer.

Quero um crepe de ovo,

um teppanyaki de camar�o e gohan.

N�o ponha noodles no teppanyaki.

Est� bem. E a senhora?

Eu quero o mesmo.

- Sem...? - O mesmo.

J� volto.

Est�s estranha.

A s�rio?

- Deve ser do cabelo. - Eu adoro.

Obrigada.

Tenho uma coisa para te contar.

Mas come�a tu.

N�o, a minha hist�ria � longa. Prefiro esperar at� a comida chegar.

- Mas o que se passa contigo? - Meu Deus, Eloy,

tenho de arranjar emprego.

Sabes de alguma coisa?

Precisas de emprego? E o Gustavo?

Precisamos de dinheiro. A nossa fam�lia est� arruinada.

- E os mi�dos? - Contrato uma ama.

Sabes de alguma coisa?

Agora n�o, mas deixa-me pensar.

- Nunca foste de trabalhar. - N�o digas isso.

Nunca � tarde para aprender.

Eras a mais bonita. Ach�vamos que ias arranjar um bom partido.

Eloy, o Gustavo � um bom partido.

A culpa n�o � dele, � deste pa�s. N�o nos deixa respirar.

Reprime-nos. N�o fazes ideia como �.

- Ele ainda trabalha na DEXA, certo? - Sim.

Podia convenc�-lo a vir trabalhar comigo.

Trabalhar com os mortos n�o � para ele.

� um �timo neg�cio, e eu preciso de pessoas de confian�a.

Ele �, mas trabalhar com mortos...

Vou lavar as m�os. J� venho.

- O que aconteceu? - Como assim?

O teu cabelo, Elvira.

- O que tem? - Est� diferente.

Sim, n�o me sentia bem.

Mas est� bem assim.

Sim.

Encaixa melhor no ambiente.

Gustavo? Querido?

Estou a falar com a Sra. Elvira Mart�nez Cacho?

Sim.

Estou a ligar da DIU, onde os juros s�o mais baratos.

Queria relembr�-la da d�vida que tem connosco.

Tem de pagar o mais rapidamente poss�vel.

S�o oito da noite.

Mas � importante para manter os benef�cios.

Est�s doente?

N�o estamos a falar disso.

O nosso sistema indicou-me que ainda n�o pagou.

Est� bem. J� vou para a�.

N�o estou a perceber, senhora.

N�o h� nada para perceber, querido.

As doen�as aparecem do nada. J� vou ter contigo.

Senhora, esta chamada est� a ser gravada como prova de que foi notificada.

Eu sei, fofo. J� vou. Vai ficar tudo bem.

Desculpa, Eloy. Tenho de ir.

N�o.

- O que aconteceu? - O beb� ficou doente,

e o Gustavo n�o sabe o que fazer e fica nervoso.

- Os homens n�o servem para nada. - Pois n�o.

- Queres boleia? - N�o, eu chamo um t�xi.

Pelo menos, sabes lidar com a solid�o.

O que me querias contar?

Quero ser m�e.

Mil.

Dois mil.

Oitocentos.

E mais 200 faz 3000.

- Elvira? - Por que fizeste isso?

- Tudo bem? - �s t�o misteriosa.

N�o sou nada. O meu marido est� a dormir.

Como? O beb� est� a chorar.

Sim, mas � filho dele.

Podes devolver-me o dinheiro que te emprestei?

Sim.

Desculpa. Espera.

Por que est�s a chorar, beb�?

Toma, Luisa. Obrigada.

- Onde est� o Gustavo? - A tomar banho.

Mas eu digo-lhe para te ligar quando se despachar.

N�o vou estar em casa o dia todo.

- A s�rio? Porqu�? - Olha.

�s m�.

Queria aprender a fazer.

Eu sei, Luisa, mas � segredo. E podes comer na mesma.

- O que vais fazer? - Com�-lo.

- N�o. Com isso. - Nem imaginas.

Sou vendedora da Cal�ado Estrela.

� fant�stico, Elvira. Uma �tima oportunidade de ganhar dinheiro.

- O que tens de fazer? - Vender sapatos.

De porta a porta ou em empresas.

E vais subindo de n�vel.

A Mar�a est� no n�vel Ouro e tem benef�cios incr�veis.

- Boa, Luisa. Vais conseguir. - Obrigada.

- Vou deixar-te um cat�logo. - Est� bem.

- Obrigada. Luisa? - Sim?

Podes avisar-me quando voltares?

- � importante. - Est� bem.

- Boa sorte. - Que querida.

Agrade�o a Deus pelos teus votos de sucesso.

Vou comer o bolo sozinha. Queres?

- N�o, obrigada. Eu fa�o outro. - Est� bem.

Adeus.

SEGURADORA DEXA

Seguradora DEXA, onde nos preocupamos...

- Bom dia. - N�o me digas quem �.

- J� te reconheci pela voz. - Sim, sou eu.

O que queres?

� �bvio que queres alguma coisa.

Ontem � noite, n�o dormi a pensar em ti.

Apesar de n�o seres muito simp�tica comigo,

reparei que n�o est�s bem,

que precisas de ajuda, e eu vou ajudar-te.

O que precisas?

Est�s a facilitar-me a vida.

Preciso da morada do Adri�n.

- Do Adri�n? O estafeta? - Sim.

N�o posso. Iria p�r o meu emprego em risco.

Eu sei que prometi que te ajudava, mas iria arranjar problemas.

N�o me vou prejudicar.

- Por favor. - N�o posso.

Disseste que me ias ajudar.

Por favor.

Que se passa?

Por que n�o me contas? Estou mortinha por saber.

- Lembras-te que tenho dois filhos? - Sim.

Eles s�o pequeninos.

Mas tamb�m tenho uma filha.

Com 15 anos. Chama-se Luly.

Ela...

apaixonou-se pelo Adri�n,

e eu acho que ele tamb�m gosta dela.

A Luly desapareceu quando o Adri�n foi de f�rias.

Percebes?

Sou m�e dela.

Estou desesperada. N�o sei o que fazer.

Tenho de a encontrar.

Tenho tanto medo.

Rua Adolfo Prieto, 225, 8B.

N�o desligues.

Ouve-me. Quando os encontrares, fala com a Luly.

Diz-lhe que o Adri�n n�o � bom para ela.

Ele � bom rapaz, mas tem outros...

interesses.

- Se � que me entendes. - Sim, obrigada.

Boa noite.

Boa noite.

Venho ao 8B.

- Quem � a senhora? - Luisa, da Cal�ado Estrela.

Um momento. N�o consigo ver.

� um cat�logo. Vim entregar sapatos.

- N�o est� l� ningu�m, - N�o me diga isso.

- Sabe de onde vim? - N�o. N�o conhe�o a cidade.

De muito longe.

Desculpe, mas n�o os posso receber por ele.

Eu entendo, mas n�o quero voltar.

� muito longe.

- Pode deix�-los pela janela. - Posso?

Claro.

- Entre. - Obrigada.

J� vou abrir.

- Entre. - Obrigada.

N�o.

- O que foi isto? - Nada.

Quem est� a�?

Chama a pol�cia.

- Quem est� a�? - Sou eu.

- Estamos armados. - N�o vou fazer nada.

Sai da�.

Entrou pela cozinha. Est� tudo desarrumado.

Estou � procura do Adri�n.

Do Adri�n?

Era s� o que me faltava.

- Quem �s tu? - Elvira.

- Tenho de encontrar o Adri�n. - Por que entraste sem autoriza��o?

- Estou � procura de pistas. - O que lhe �s a ele?

- Nada. - Ent�o?

- Ent�o? - Ele fugiu com o meu marido.

Filho da m�e.

Filho da m�e.

N�o tenho not�cias dele h� dias.

Tr�s dias.

Tr�s dias.

Ele disse-me que ia passar f�rias com a fam�lia.

- Pepe, acho que... - Vai-te embora.

- O qu�? - Vai-te embora, idiota.

Baza, maricas!

Quanto dinheiro tens contigo?

- O qu�? - Quanto dinheiro tens?

S� isto?

Quero 2000 pesos.

- N�o tenho... - Quero 2000 pesos.

- N�o tenho dinheiro. - Ent�o, arranja.

- N�o roubei nada... - D�s-me 2000 pesos ou chamo a pol�cia.

Liga-lhes.

Eu conto ao Adri�n o que vi.

Mil, dois mil.

Mil, dois mil.

J� est�.

N�o sei por que a Elvira veio c�.

A que vende sapatos?

Mil.

Dois mil.

Vais ajudar-me?

- Ele n�o vai atender. - A ti vai.

Quando o fizer, vou ter de falar com ele.

Malditos maricas.

Eles.

N�o sabia como o acalmar.

N�o imaginas como ele estava.

Muito mal, parecia maluco.

Nem sequer senti a chapada.

Quando o Pepe ligou, s� ouvia a amea�as deste.

Vim o mais r�pido que pude. Estava muito assustada.

� para isso que servem os amigos.

Quem � o Pepe? Nunca falaste nele.

- Claro que falei. - N�o.

Falei, sim.

Trabalhar com o Gustavo.

Vejo-o em eventos da empresa. �s vezes vai la a casa.

� simp�tico.

Dev�amos ir busc�-lo.

N�o, Eloy. Estou cansada. Ele vai ficar bem.

- E se o outro voltar? - N�o vai voltar.

O Pepe deixou-o, e eu vi. Ele n�o vai voltar.

Dois homens juntos � demais.

Vou buscar o teu dinheiro.

Acreditas que o Gustavo n�o me atendeu?

N�o posso contar com ele.

Vai ouvir das boas.

- Muito obrigada. - N�o tens de agradecer.

Estavas preocupada.

- Elvira, �s boa pessoa. - N�o sou nada.

- J� viste um amigo em dificuldades? - Assim, n�o.

Talvez vejas.

N�o demoro.

Elvira.

- Luisa, assustaste-me. - Porqu� tanta pressa?

- Est�o � minha espera l� em baixo. - O qu�?

J� � um abuso. N�o posso ficar mais tempo com os mi�dos.

E n�o vais ficar, Luisa. S� tenho de pagar a uma pessoa.

N�o vou demorar.

- Onde est�o os sapatos? - Os sapatos?

- Vendi-os. - A s�rio?

Os dois pares.

- Gra�as a Deus. - Cinco minutos.

- Eu disse que n�o demorava. - Sim.

- Senta-te e conta-me. - Os mi�dos est�o a dormir?

Sim, j� h� muito tempo.

- O Gustavo ligou? - Ningu�m ligou.

- Elvira. - Que foi?

Vendeste os sapatos?

Sim.

- Sim, Luisa. Os dois pares. - Que b�n��o.

Quando Deus d�, � generoso.

Eu sabia que ias ser �tima vendedora.

N�o sei.

Como assim? O primeiro dia correu bem. Devia ter-te dado mais.

N�o, obrigada. Estou estourada.

- Desculpa. Tenho de ir dormir. - Est� bem.

Desculpa, mas...

Podes ficar com o cat�logo, se quiseres,

mas tens de me dar o dinheiro.

Pois.

Pois.

- Tenho de comprar produtos... - N�o te preocupes. Quanto �?

O qu�? Por quanto os vendeste?

Apontei num papel e perdi-o.

- � barato. Duzentos cada par. - Pois �.

Muito baratos.

Toma, Luisa.

Toma.

- Mas... - Faltam 35 pesos.

Posso dar-tos amanh�?

- Est� bem. - Desculpa.

�s boa vendedora e m� cobradora. � normal.

- Obrigada. - Dorme bem.

Tu tamb�m, Luisa. Obrigada.

Boa noite.

- Estou? - Eloy?

Elvira, tudo bem?

Lembras-te que disseste para ligar se precisasse de alguma coisa?

Est�s bem?

Tenho de falar contigo amanh� �s dez da manh�.

Est� bem. Mas o que se passa?

O Gustavo e eu, estamos com problemas. Ontem n�o dormiu em casa.

Liguei-lhe, e estava b�bado. De certeza que tem uma amante.

N�o sei.

Fui ver as nossas poupan�as...

e o filho da m�e gastou-o, roubou-o...

N�o sei.

Tens de falar com ele. N�o pode ser.

Eu sei.

Eloy, tenho 1000 pesos.

Est�s a imaginar?

Dois filhos e 1000 pesos.

N�o sei o que dizer.

Quero ajudar-te, mas isto � entre voc�s.

N�o quero que fales com ele.

Lembras-te que te disse que precisava de emprego?

Pois. Preciso que me d�s trabalho.

Bem...

N�o sei. A funer�ria est� a ir bem...

Pensa em alguma coisa.

H� sempre algo que possa fazer.

- Eu posso aprender. - N�o � isso. � que...

Eu sei que nunca trabalhei, mas...

N�o tenho outra op��o, Eloy.

Percebes?

Mas sabes que mais?

Sou boa a chorar.

E o teu neg�cio � baseado nisso. Funerais, chorar.

Sou a melhor.

Obrigada, Eloy.

Quando morrer, se n�o chorarem por mim, tudo bem.

- Mas quero honestidade. - �s t�o chata.

Se eu morrer, contrata-a, por favor.

Desculpe, senhora. Tenho de levar o corpo.

Adri�n?

Adri�n, estou a falar contigo.

Responde-me. Temos de falar.

- Desculpe, senhora? - Elvira.

Elvira?

- Senhora, quer que eu chame...? - N�o me toque.

Voc� est� bem?

- Senhora, est� bem? - Adri�n...

O qu�?

- Adri�n. - Senhora, est� bem?

Precisa de alguma coisa?

- Adri�n. - Quer que a leve � sua fam�lia?

- Quer que a leve � sua fam�lia? - Como te chamas?

Ricardo.

- Ricardo? - Ricardo Ortiz, minha senhora.

- Quer que...? - �s parente do Adri�n?

- Quem? - O Adri�n P�rez � teu parente?

- N�o o conhe�o, senhora. - Claro que conheces. �s parecido com ele.

- Senhora... - Conhece-lo?

N�o sei quem ele �, senhora.

Quer que a leve � sua fam�lia?

Ele era seu amigo?

- O Adri�n? - O morto.

Minha senhora, est� bem?

Senhora, quer que...?

Desculpa.

Estou t�o cansada.

Desculpa, mas estou muito cansada.

N�o faz mal.

- Ela � fant�stica. - Retiro o que disse.

Cem, 200 e 300.

Obrigada, Eloy.

- � desta semana. - Obrigada.

Cem, 200 e 300.

- Ele acabou de comer. - Est� bem.

Se o Gustavo ligar, sabes o que fazer. Beijo.

Adeus, querido.

Lamento.

Obrigada.

- Lamento. - Obrigada.

- As nossas condol�ncias. - Obrigada por terem vindo.

Isto � o teu emprego.

A Carla e a Ch�o contaram-me.

Posso sentar-me?

Tenho de o levar para a igreja, mas posso dar-te mais cinco minutos.

Est�s a chorar por quem?

Morreu algu�m?

Tens saudades de algu�m?

Est�s com dores?

Perdeste alguma coisa?

Algu�m te deixou?

H� quanto tempo?

Quase h� uma semana.

O homem com quem me confundiste?

- Estava muito cansada. Desculpa. - Estavas cansada de chorar.

� a �nica coisa que sei fazer.

- Ricardo. O que est�s a fazer? - Nada.

- Est�s aqui para chorar? - N�o.

- O qu�? - N�o grite.

- Despacha-te. - J� vou.

Adri�n?

� Ricardo, n�o Adri�n.

Ricardo.

Ortiz Ayala.

J� acabou?

Por hoje.

Como funciona?

Tens um hor�rio ou choras at� as l�grimas secarem?

Nunca secam.

Foi complicado.

- Queres que chame um t�xi? - N�o. Vou de autocarro.

Est� a chover muito. Vais ficar encharcada.

Eu sei, mas tenho de poupar.

Posso dar-te boleia.

Vira aqui � direita

e entra naquela faixa.

Por favor.

- Naquela? - Sim.

Sim, atr�s desta carrinha.

Est�s a ver?

Poupaste dinheiro.

Sorri. Fica-te bem.

Achas que sou bonita?

Claro.

�s uma mulher atraente.

Qu�o atraente?

Ele � um ot�rio.

O Adri�n, o teu marido.

- O Adri�n? - Sim.

Tu �s mais bonito.

Se o meu marido te conhecesse, tamb�m o deixava por ti.

Obrigada por me trazeres a casa.

Boa noite.

Luisa.

- N�o, eu... - N�o te preocupes. Toma o dinheiro.

- Obrigada. - Boa noite.

Meu Deus, Luisa, estou atrasada.

Vou tomar um banho.

Olha o avi�o cheio de...

- Bananas. - Luisa.

Aqui vai...

- Vou embora. - Deus te aben�oe.

Aqui vai o avi�o cheio de...

- Papaia. - Sim, papaia.

Luisa. Obrigada.

Aqui vai o avi�o cheio de...

- De melancia. - Melancia.

Convido-os a deixarem a sala.

O funeral ir� prosseguir na igreja de S. Tom�s.

Obrigada.

Elvira, temos de ir.

Elvira, temos de ir.

Eu sei.

Gosto de te ver chorar.

Fiquei sem l�grimas.

Desculpa o atraso. Havia muito tr�fico.

Pelo contr�rio.

Quero pedir desculpa por o que te disse ontem.

O qu�?

A pergunta a que n�o respondeste.

Est�s borratada.

Beija-me.

Aqui?

Nem o conhecemos.

Beija-me.

Ol�, Eloy.

Cem, 200, 300, 400.

- Obrigada. - Deixaste o Gustavo?

Temos algumas diverg�ncias.

E s�o irremedi�veis?

N�o sei, Eloy.

Vi-te a beijar o Ricardo, o das coroas.

Elvira, n�o te estou a julgar.

Mas tens filhos.

E estou a cri�-los. Sozinha.

- Ele foi embora? - N�o.

Ent�o?

Sim.

Ele foi embora. Deixou-me.

Sem dizer nada. Doze anos, Elo�sa.

Doze anos.

Sabes quanto tempo demorei a engravidar?

Oito anos.

Agora, tenho dois filhos, e ele deixou-me sem dizer nada.

- O que fa�o? - Por que n�o me contaste?

Ele podia voltar.

Boa noite.

Vou sair.

- Adeus. - Adeus, m�e.

Que Deus te aben�oe.

Est� bem.

- Estou? - Adri�n?

� a dona deste telem�vel?

O qu�? N�o � o n�mero do Adri�n?

Algu�m deixou este telem�vel na rece��o do hotel.

Disse que o dono se chama Adri�n?

- Adri�n P�rez. - J� sei quem �.

Pode dizer-me o nome do hotel?

Hotel Boca Chica.

Boca Chica? Onde fica?

Segue a estrada costeira Miguel Alem�n...

- � em Acapulco? - Onde est�?

Estou em Acapulco.

- Estou? - J�...

J� sei como ir para a�. Obrigada.

Ricardo.

- Ol�. - Andava � tua procura.

- Para qu�? - Est�s ocupado amanh�?

- � o meu dia de folga. Porqu�? - Vamos fazer uma viagem.

- Claro. - Estou a falar a s�rio.

Elvira...

- O que aconteceu ontem... - Diz-me uma coisa.

Ficas com a carrinha no dia de folga?

- Elvira... - Sim ou n�o?

- O Sr. Chuy empresta-ma, mas... - Vamos a Acapulco.

Eu pago as despesas de viagem.

A gasolina, as portagens e o hotel.

Preciso de ir.

- S� um dia? - Os que forem necess�rios.

Tenho de pedir ao Sr. Chuy para...

- Devias ter dito mais cedo. - Vamos hoje.

Talvez durante a tarde. N�o posso ir j�.

- A Sra. Eloy vai ficar chateada. - Ela est� aqui?

- Acho que sim. - Eu falo com ela. Quando � que podes?

Eu saio por volta das tr�s.

Tenho de esperar.

N�o digas a ningu�m.

Claro que n�o.

Olha.

- Vais pagar tudo? - Sim.

Em minha casa �s tr�s. Eu falo com a Eloy. N�o te demores.

Est�s estranha.

Estou empolgada.

- Bom dia. - Eloy.

- Devias estar l� em baixo. - Preciso de falar contigo.

- Est� bem. - Em privado.

- Entra. - O que � que ela disse?

N�o cabe.

- Ent�o, onde vais...? - Tem um buraco.

Elvira. Chegaste cedo.

Luisa, tenho de falar contigo.

- J� venho. - Est� bem.

- Est�s bem? - Sim. � o Gustavo.

- Aconteceu-lhe alguma coisa? - N�o, mas n�o estamos bem.

Como podes ver, est� a piorar.

N�o admira que n�o o tenha visto, ultimamente.

Isso � parte do problema. Mal nos vemos.

- V�o divorciar-se? - N�o fal�mos sobre isso.

Mas preciso de um favor teu.

Desculpa. N�o tenho experi�ncia nestas coisas.

Al�m de rezar, n�o sei...

Podes tomar conta dos mi�dos por duas noites?

Eu pago-te os dias e as noites.

Levo-os para minha casa?

Podes ficar aqui. Preferia que ficasses, mas � como quiseres.

- Queremos fazer uma viagem. - Nem penses, Elvira.

- � uma responsabilidade enorme. - Se n�o conseguisses, n�o te pedia.

Olha para eles.

Est�o melhores do que nunca.

- � verdade. - Claro.

O Gustavo vem buscar-me �s tr�s. Por favor, diz que sim.

- Luisa, anda brincar. - J� vou, Gustavo.

V�s?

Luisa, quero salvar o meu casamento.

- Obrigada por confiares em mim. - Deixa-te disso, Luisa.

- Vai fazer as malas. - N�o sei o que faria sem ti.

A s�rio.

Isto.

- Estou? - Querida.

Ficaste de me ligar h� uma semana.

- M�e... - Onde � que andaste?

A trabalhar e a tomar contar dos mi�dos.

Querida, � para isso que serve o teu marido.

N�o � boa altura, m�e. Estou ocupada.

- N�o desligues. - M�e, por favor.

J� te disse que n�o � boa altura.

Os mi�dos est�o bem. Obrigada. Adeus.

O avi�o est� partido. � bonito. Quem to deu?

- A mam�. - A s�rio?

Vais sair?

Sim, querido. Mas sabes que volto sempre.

N�o sabes?

Sabes onde ela vai? Ver o mar.

Vai procurar conchas para trazer para n�s.

Tenho de ir. D�-me um beijo, querido.

Quem � que te ama?

Toma.

- Se precisares de algo, liga � Eloy. - Elvira, est�s a assustar-me.

Coisa linda, est� tudo bem.

Porta-te bem.

Obrigada, Luisa.

- Muito obrigada. - Que Deus te aben�oe.

- Toma conta deles. - N�o te preocupes.

Est�s bem?

Est�s a pensar em qu�?

Em coisas.

Quantos anos tens?

E tu?

Trinta e nove.

Tenho dois filhos e sou casada.

E tu?

�s solteiro?

Claro.

Por que quiseste vir comigo?

Porque �s uma mulher bonita.

Por favor.

A s�rio.

Acredita.

Nunca vi o mar.

J� imaginava.

Por que me convidaste?

Porque �s novo,

- bonito... - E tenho a carrinha.

- Exatamente. - N�o podia ser de outra maneira.

Tinhas de ir de autocarro.

- Onde vamos ficar? - No Hotel Boca Chica.

Meu Deus. Tenho de lhes ligar.

As portagens s�o 120 pesos.

Toma.

Que foi?

- Est�s bem? - N�o encontro o meu telem�vel.

- Talvez o tenha deixado no apartamento. - Queres voltar para tr�s?

- N�o. - De certeza?

N�o.

N�o.

Quero cantar esta can��o.

MEC�NICO

Ol�.

Posso ir � casa de banho?

Obrigada.

MARICAS

BEM-VINDO A ACAPULCO

Beija-me.

Obrigada.

Beija-me.

Anda.

Est�s bem?

Sim.

- Ol�. - Boa noite.

Queremos um quarto.

- S� para esta noite? - Duas noites.

- Quantas pessoas. - Eu e a senhora.

- Temos um quarto. - �timo.

T�m um quarto.

Elvira.

- T�m um quarto. - S�o 870 pesos por noite.

Ela � que vai pagar.

- A casa de banho? - No fundo do corredor, � direita.

- Ol�. - Boa noite.

- S�o 1600 pesos. - Est� bem.

Aqui tem.

Desculpe, o Sr. Adri�n P�rez ainda est� hospedado?

Sim. Quer deixar recado?

Ele n�o est� no quarto?

N�o. Foram para a praia.

Mas posso dizer-lhe que est� aqui.

N�o, por favor. Quero fazer-lhe uma surpresa.

Eu espero por ele. Qual � o n�mero do meu quarto?

- O 205. - Est� bem.

� o quarto 205.

- A sua chave, senhora. - Sim.

- Obrigado. - At� logo.

Duzentos e cinco...

� aqui.

O quarto � enorme.

Meu Deus.

Vais dormir?

N�o consigo. Estou t�o empolgado.

- Queres ir dar uma volta? - Sim. Deixa-me s� tomar um banho.

Est�s a olhar para onde?

Para nada.

Vou dar uma volta.

Preciso...

de apanhar ar.

Est�s mais ansiosa do que eu.

Pois estou.

Ei!

Espera. Que aconteceu?

O que aconteceu?

Nada. Est� tudo bem.

Est� tudo bem, ok?

- Para onde? - N�o sei.

- Quem estava contigo? - O que te interessa?

Quem estava contigo?

Quem estava contigo?

Era a Elvira?

- Era a Elvira, idiota? - Sim!

Assim n�o.

- Assim n�o, Adri�n. Por favor. - Acalma-te.

- Acalma-te. - Assim n�o, Adri�n.

O autocarro parte �s 23h30, mas est� cheio.

O pr�ximo � �s 6h30, se n�o se importar.

Mas importo-me.

- Quer um bilhete para a Cidade do M�xico? - Sim.

Ia nesse autocarro, mas algu�m decidiu que vou sozinha.

N�o tenho raz�es para ir l�.

- Ent�o... - Mas vou ficar bem.

Dizem que tudo acontece por alguma raz�o.

Se ele n�o veio hoje, foi melhor assim.

Depois, teria magoado mais.

Eu fico com ele.

S�o 850 pesos.

- Por que � t�o caro? - Porque � de ida e volta.

- Mas eu s� quero de ida. - Eu comprei ida e volta.

N�o quero perder dinheiro.

- J� perdi coisas suficientes. - Podemos mudar a data de regresso.

- Sem custos. - N�o � preciso.

� t�o caro.

Oitocentos e cinquenta.

Espero que ajude.

Aqui tem. Reparei que se esqueceu dos sapatos.

- Obrigada. - Fa�a boa viagem.

Gosto de te ver a chorar.

�s uma mulher atraente.

Est�s mais ansiosa do que eu.

Ela viu-nos Adri�n. A Elvira viu-nos.

Tinha de saber, mais cedo ou mais tarde.

- Como � que nos encontrou? - Procurou.

Faria o mesmo se desaparecesses.

Sou eu.

Meu Deus. Assustaste-me.

Desculpa, Luisa.

N�o queria acordar os mi�dos.

O que aconteceu? Por que voltaste t�o cedo?

Conto-te amanh�. Estou exausta. Quero ir dormir.

- Est�s bem? - Sim.

O telefone n�o parou de tocar.

Deixa tocar.

N�o atendi porque n�o me queria intrometer.

Obrigada.

Podes deslig�-lo para conseguirmos dormir.

E se for urgente?

Acho que n�o �, Luisa.

Est� bem.

Esqueceste-te do telem�vel.

Pois foi.

Dorme bem.

Meu Deus.

- Estou? - Bom dia.

Bom dia.

� a Luc�a Mart�nez dos Servi�os Forenses.

Desculpe?

O Sr. Gustavo teve um acidente � 1h30 da manh�.

- Onde � que ele est�? - Infelizmente, morreu.

Meu Deus.

Elvira.

- O Gustavo... - Ele vai chegar daqui a nada.

- N�o vieram juntos? - Ele trouxe-me a casa.

- Como assim? - Ele trouxe-me.

N�o fomos a Acapulco.

O nosso casamento acabou.

- Quando foi isso? - Quando cheguei a casa.

�s quatro ou cinco da manh�.

Onde � que ele est�?

N�o sei, Luisa.

N�o ia ficar c� depois da nossa conversa.

Vem buscar as coisas dele. Dev�amos ficar sozinhos.

Temos coisas para esclarecer.

A minha mente, por exemplo.

Meu Deus, Luisa.

Fiz uma loucura e n�o sei se me vou arrepender.

- Mas j� est� feito. - Meu Deus.

Ouve. Fica em casa e descansa.

N�o v�s embora, por favor.

Eu j� volto. Quero que saibas que...

podes sempre contar comigo.

Eu sei, Luisa.

- Ent�o, beb�? - N�o saias.

- Estou? - Bom dia. Eloy?

- Sim. Quem fala? - � a Luisa.

A vizinha da Elvira.

Como � que ela est�? Que se passa?

Ela voltou sozinha.

O Gustavo...

Meu Deus.

...morreu.

O qu�?

Acho que ela o matou.

- Minha senhora. - Tenho de sair.

- � urgente. - Est� tudo bem?

Sim.

- O Ricardo est�? - N�o. Est� de folga.

- O qu�? - Mas o Sr. Chuy pode lev�-la.

Idiota.

Desculpe, senhora.

Gustavo?

- Eloy? - Assustei-te?

N�o. Pensei que era o Gustavo.

Est�s � espera dele?

- Sim. - Ela est� a mentir.

Luisa, o que est�s aqui a fazer?

Elvira, temos de falar.

Porqu�? Que se passa?

Est�o a deixar-me nervosa. Que se passa?

Entrem.

- Tu � que me est�s a deixar nervosa. - A mim tamb�m.

Vou buscar os meninos.

O que se passa? Parece uma rusga. Nem sequer estou vestida.

- O que aconteceu ao Gustavo? - Ele j� te ligou.

- O que aconteceu em Acapulco? - N�o, Eloy.

N�o te metas.

Vou meter-me, Elvira.

Porque quero saber a verdade.

- N�o quero pensar mal de ti. - Vai pensar mal de mim?

Depois do que ele me fez? � um ot�rio.

- Tamb�m te disse isso? - N�o falei com ele.

Ent�o, foste tu.

�s uma fofoqueira, Luisa.

Quantas vezes te pedi para n�o atenderes o telefone?

Arranjem uma vida

- e deixem-me em paz. - Espera, Elvira.

O Gustavo voltou contigo de Acapulco?

N�o.

N�o voltou.

Eloy, o Gustavo deixou-me.

� isso que querem saber, n�o �? Foi por isso que vieram.

O Gustavo abandonou-me, Luisa.

Percebem?

Segui-o at� Acapulco e sabem o que vi?

Foi horr�vel!

Horr�vel.

E tive de ver com os meus pr�prios olhos para me aperceber.

Tive de o ver com os meus pr�prios olhos.

Que Deus te perdoe, sua assassina.

O qu�, Luisa? Cala-te.

Vim de autocarro,

a pensar que ele ia estar aqui para pedir desculpa

e explicar-me o que eu vi, Eloy.

O Gustavo veio atr�s de ti.

Ent�o, aquele maricas foi falar contigo.

Para vires c� e tentares convencer-me.

Eloy, �s minha amiga. N�o te confundas.

Elvira, o Gustavo teve um acidente.

N�o...

N�o!

N�o.

Isso n�o, Eloy. N�o.

N�o!

N�o.

N�o.

N�o!

Ricardo.

A Sra. Eloy quer que v�s ao funeral. O Sr. Chuy leva isto.

DA TUA ESPOSA E FILHOS

- Adri�n? - Sim.

Anda c�.

Anda para aqui.

Quero que me contes tudo.

Anda.

Senta-te.

Quando � que o conheceste?

H� pouco mais de dois anos.

- Seduziste-o? - N�o.

Posso v�-lo?

Acho que n�o queres.

- Ele seduziu-te? - N�o.

N�o foi assim.

- N�o sei como aconteceu. - Sabes, sim.

N�o me queres contar?

Gostei dele desde que entrei para a empresa.

Mas sabia que era casado.

Sempre o vi como "o homem casado" do escrit�rio.

Um dia, houve um almo�o da empresa

e fic�mos na mesma mesa.

Fizemos tudo o que pudemos para isso acontecer.

Est�vamos a jantar.

Fiquei muito b�bado.

E ele tamb�m.

Disse-lhe que tinha uma festa em casa de um amigo meu.

Ele foi comigo.

E foi o centro das aten��es.

Toda a gente se ria com ele.

Toda a gente falava com ele.

S� falava de mim. E eu...

Fui � varanda para fumar...

e ele viu-me.

Foi ter comigo

e convidou-me para dan�ar.

� frente de toda a gente.

Deu-me um abra�o e...

disse para irmos embora. Eu concordei.

Foram para tua casa?

Fomos para um hotel.

Eu paguei.

N�o tinha muito dinheiro,

mas n�o hesitei.

Ele nem p�de ficar.

Claro que n�o.

- Tinha de ir para casa. - Foi o que ele disse.

Eu sabia que ia magoar outras pessoas, mas n�o consegui evitar.

Apaixonei-me.

Tentei deix�-lo muitas vezes, mas n�o conseguia porque...

estava sempre presente.

E eu tamb�m.

� espera dele.

Desculpem...

Temos de levar o corpo para o cremat�rio.

Queres despedir-te?

J� podem.

- Eu ia a conduzir. - N�o tens de me contar.

A culpa foi minha. Eu matei-o.

N�o tens de mo contar, Adri�n.

- Ele pensava nos filhos? - Sim.

Sempre.

E em ti tamb�m.

Tenho de ir embora.

Ele escreveu isto para ti.

Por favor, l� s� quando eu for embora.

Elvira:

Se est�s a ler isto, n�o tive coragem para to dizer pessoalmente.

N�o tenho muito jeito com as palavras nem com as a��es.

J� te deves ter questionado sobre tanta coisa.

Talvez tenhas encontrado algumas respostas.

Adoraria pensar que n�o te magoei.

Mas sei que n�o � verdade.

Quando era crian�a, o que sentia ia contra a raz�o e o que era tradicional.

Mas sabia que, um dia, ia manifestar-se porque � isto que me corre nas veias.

Isto destru�a-me por dentro.

Chorei e pedi por uma oportunidade para ser feliz contigo.

Com os meninos e com a vida que constru�mos.

Vou ficar sempre agradecido � vida

por me ter dado uma pessoa t�o maravilhosa como tu.

Obrigado pela homem que me ensinaste a ser.

Pela pessoa em que me tornei.

Desculpa por ter fugido assim,

por te magoar,

e pelo que podes ter pensado durante estes dias.

Vou amar-te para sempre.

Quero que penses em mim e saibas que tamb�m penso em ti.

Perdoa-me.

Quero que saibas que te daria a minha vida,

mas estou a aproveit�-la.

A aproveit�-la.

Tradu��o: Joana Filipa Miranda Frag�o

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