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Quer uma?
Desculpe?
Uma pastilha.
Trago sempre para o Sami.
- As descidas rápidas fazem-no vomitar. - Mãe!
Não, obrigado.
Bebeu demasiado?
Teve de ser.
É bom?
O livro.
A maioria gosta.
E o senhor?
Quer ler?
Não. Já o li.
Mas está atrasado.
Eu já o li. Duas vezes.
Para o trabalho e para mim.
Eu quero entrevistar o Mark Svensson, o escritor.
O senhor quer.
Significa que ele não?
Ele cancelou todas as reuniões.
Ainda assim, vai lá.
Para ver o que acontece.
O que vai perguntar?
A editora anunciou um segundo volume há uns tempos.
Mas ainda não saiu nada.
Um livro novo...
Não sabia.
Olá. Desejam beber alguma coisa?
Uma cola.
O que se diz?
Por favor.
COLÔMBIA, 1998
Era algures por aqui.
Olá.
Jorge.
Olá.
Queremos comprar erva.
Quem procuram?
O Jorge.
Um amigo disse-nos que está com o Jorge.
Têm armas?
Armas? Não.
Tens visitas.
Deixa-me tratar disto.
Olá.
Em que posso ajudar?
Disseram-nos que vende erva da boa, aqui em Barranquilla.
De onde és, branquela?
Alemanha.
Alemanha.
Claro.
Klinsmann.
Loiro.
Klinsmann.
Estás na Colômbia, branquela.
Só queremos um pouco de erva, não é possível?
Que pergunta é essa?
Ele quer dizer...
Não.
- Não consumo coca. - Vá lá.
Só queremos comprar erva. Só isso.
Pagamos. Vamos embora. Está bem?
Eu diria que ficamos com o dinheiro todo e vocês desaparecem.
E eu diria para fazerem um bom preço.
Por favor, rapazes. Tenham calma.
Calma. Só queremos erva.
Dá-me o dinheiro.
Diz-lhe que não seria inteligente matar dois diplomatas alemães.
Sabem que estamos aqui.
Diplomatas?
Luci!
Merda! Mexe-te!
- Luci! - Merda!
Vamos!
Foi péssima ideia!
"Diplomatas"! Onde foste buscar isso?
És um idiota.
Para de sorrir!
Apontaram-me uma arma à cara.
Enganaram-nos bem, meu.
Na verdade, não tenho a certeza...
Raios me partem.
- Não podes fumar tudo! - Não.
Mas nós os dois podemos.
Nós os dois, Svensson.
Sem mim, estarias morto, meu.
Sim. Tu também.
Nós os dois.
Olá, David.
Onde é que andaram?
Esperei por vocês o dia todo.
Pimba! Saudações do Jorge.
Estão doidos?
Sobrevivemos.
Só os gringos é que têm essa sorte.
Ele não acha piada.
Caraças!
Não, David. Por favor, muda de frequência.
- Vá lá. - Sim, por favor.
Gosto dessa música.
Olha ali.
É ela, não é?
És do Corpo da Paz Europeu?
Não, sou o Felix.
- Deves ser a Tuuli. - Sim.
Bem-vinda à Colômbia.
Vamos.
Este é o Svensson.
- Olá. - Olá.
Da Suécia?
Não, da Alemanha. Sou o Mark Svensson.
Olá, Mark.
É um prazer.
Este é o David, o nosso motorista, guarda, guia e amigo.
Bem-vinda à Colômbia.
- Obrigada. - Deixa-me ajudar-te.
- Obrigada pela boleia. - De nada.
- Ele não queria vir, mas... - Tu não querias.
Está bem. Eu não queria. Mas agora estou muito feliz. Vamos.
Eu ajudo-te.
Então? Obrigada.
Sim, senta-te, por favor.
Posso?
Desculpe, posso passar?
- Muito obrigada. - Obrigada, adeus!
- Tem bagagem? - Não, não tenho.
Olá, onde estás, Daniel? Tu...
Há quanto tempo estão aqui?
Eu estou cá há meio ano.
Faz parte do meu mestrado de desenvolvimento internacional.
O meu melhor amigo juntou-se a mim.
Há cinco semanas.
Acho que faz algo com livros.
Estou a estudar literatura.
Literatura inglesa e alemã.
E tu? Ainda andas na universidade?
Sim, estou em medicina.
No meu quarto ano. Em Turku.
Como surgiu a ideia fantástica de entrares no Corpo da Paz
e matares-te a trabalhar por zero dinheiro?
Pareceu-me boa ideia até vos ver.
Mas agora estou aqui. É demasiado tarde.
- O que estás a ouvir? - Coisas diferentes.
Agora, estou a ouvir tango finlandês.
Parece-me bom. Vamos pô-lo.
David!
Bem-vinda a Santa Marta.
- Obrigada. - Pronto. Chegámos.
ELEIÇÃO MUNICIPAIS
Quem é o Santos?
É um filho da mãe.
É chefe da polícia e candidato a presidente da Câmara.
- Bem-vindos à Fundação! - Olá, padre.
Como correu a viagem?
E tu deves ser a Tuuli, certo?
Sim.
Tuuli, desculpa, a banca está entupida.
Sou o padre Valdarama.
Olá.
Não sou só o contínuo.
Vem, vou mostrar-te o espaço.
Não, vens cá a casa às seis, entendido?
Pega nas tuas coisas e desanda!
Nunca mais te quero ver.
Percebeste? Não quero saber de ti...
Não, às seis em ponto!
Sim, tens razão, como sempre.
São todos iguais.
Sim?
Uma aguardente dupla, por favor.
Sente-se, já levo.
Aqui tem.
- Ali. - Obrigado.
Desculpe, procuro esta morada. "Villa Cadere"...
- "Cadere", sim. - É do Mark Svensson.
Sim, a Casa do Blaumeiser.
É difícil chegar lá agora, devido à tempestade.
É melhor pedir a alguém com barco.
Barco?
Desculpe? Dois cafés, obrigado.
Saem dois cafés.
- Olá. - Muito obrigado.
Desfrutem!
Olá, miúda. Aqui tens. Não! Sim, não...
Sim.
Desfruta!
Olá.
Olha, vamos cavar uma boa vala aqui para estas pessoas.
Certo, perfeito.
Aqui?
- Padre... - Sente-se, por favor.
Como está a correr a Betty Feia? Ainda vê isso, certo?
Claro, o padre não vê?
- Que novela boa. - Diga-me, como está a sua ferida?
Vamos dar uma vista de olhos.
Vejamos.
Senhora Agatha, tem uma infeção bacteriana.
O quê?
Tuuli, vamos continuar com a pomada antibiótica.
Então, e agora?
Ela vai passar uma pomada.
Antibiótico.
Senhora Agatha.
Vou receitar-lhe uns comprimidos.
E vai ser muito certinha a tomá-los, está bem?
- Claro. - Um a cada seis horas.
- A cada seis horas. - Não se esqueça.
- Padre... - Tenha fé e o Senhor ajudará.
Muito obrigada, padre. Que Deus o abençoe.
Muito bem.
- Tome os comprimidos. - Eu faço o que me disser.
- Muito bem. - Padre...
Deus o abençoe, padre. Que o Senhor o abençoe.
Ela não devia estar num hospital? Pode perder o braço.
Sim, eu sei.
Mas quem pagaria por isso?
Mas não podemos deixá-la...
Não podemos ajudar toda a gente.
Só podemos aliviar a dor.
É a realidade da situação.
Diz lá, o que achas dela?
De quem?
Da Tuuli.
Acho que é gira.
Mas...
... um pouco reservada.
Pelo menos, comigo.
Porquê?
Abre.
Está bem.
- Prontos? - Sim.
Pessoal!
Logo à noite, vamos celebrar!
Vamos fazer uma festa esta noite!
Temos de comemorar isto!
- Pela mulher que conhecemos. - Sim.
- Vou engordar tanto aqui. - Sim.
Senhores!
Senhoras e senhores!
Aos voluntários...
Aos voluntários!
Não, David. Tudo mal!
A ti.
À Colômbia.
À Colômbia!
E à Fundação Maria, a Ajudante.
Saúde!
- Saúde. - Saúde.
Sabes que sou fluente em finlandês?
- A sério? Não. - Sim.
Não têm todos os vossos crentes no vale.
Tens um parafuso a menos.
Olá. Uma dança?
Não, é melhor não.
Vá lá.
O Felix é um bom dançarino.
- A sério? - Bruna, querida, como estás?
Porque não foste?
Queres outra?
Sim, claro.
Olá. Duas cervejas, por favor.
Estás com eles?
Estás com eles?
Obviamente.
O que fazem aqui? Quero que vão embora.
- Não percebes espanhol? - Desculpe...
Nada de desculpas, não percebes nada.
Olá. Belo bigode.
Anda, vamos dançar.
Vamos lá!
Vão lá!
Não foi muito longe.
Eu... não.
A senhora do bar disse para ir de barco.
Não há ninguém aqui.
Como se chama?
Daniel.
Daniel Mandelkern.
"Amêndoa".
É um nome engraçado.
"Karvasmanteli" assenta melhor.
- O quê? - "Amêndoa amarga", como a sua cara.
Eu sou a Tuuli.
Tuuli?
Como a Tuuli do livro?
Mamã, aí vem o Conti!
Ótimo.
Podemos dar-lhe boleia.
Uma boleia...
Até ao Svensson.
Vai ter com o Svensson?
Então?
Sim, ótimo, porque não?
Está bem.
Olá, Conti.
Olá, Tuuli.
Como estás?
Bem, obrigada.
É bom ver-te.
Este é o Daniel. Ele vem connosco.
Está bem, ótimo.
- Olá, Conti! - Olá, Gabriele.
Uns convidados para San Felice.
Passa-se alguma coisa?
Desapareceu um turista.
Ele saiu com uma prancha de surf.
Podes ficar atento?
Claro.
Então, adeus.
Boa viagem.
Vamos.
O que queriam?
Andam à procura de uma pessoa.
Um turista.
Minha senhora.
- Adeus. - Adeus.
- Adeus. - Adeus.
Vamos?
Claro!
O que querem estes idiotas?
Porra!
Estás a gozar, porra?
O que estás a fazer?
Não vão revistar-te.
Os meus amigos gringos.
Saiam e ponham as mãos no carro.
Agora. Mexam-se.
Despachem-se.
Mãos no carro.
Documentos. Vamos, documentos!
Vá lá.
Santos, o que se passa?
Mãos no carro.
Vá lá.
Santos...
- Svensson? - Sim.
Blaumeiser...
Sim.
Kovero?
Sim. Sou da Finlândia.
Busca, Lula!
Busca!
Têm aí algo?
Não, nada.
A sério? Não?
E se verificarmos?
E se encontrarmos algo
onde não há nada, querida? - Deixe-a!
O que se passa, maricas?
Estás a dar-me ordens?
Queres que te parta a cara?
Tem calma.
Não queremos problemas com os gringos.
O que se passa?
Veja só.
Parece que a Lula merece um bónus.
Claro.
- Svensson, dá-me o teu dinheiro. - O quê?
Está bem.
Muito bem.
Muito bem.
Vamos.
Maricas.
Porra!
David?
Estás bem?
Um saco de erva. O raio de uma arma.
Que merda, que idiotas estúpidos.
Qual é o problema deste parvalhão? Vai.
Olha, é a Kiki. Lembras-te dela?
- Olá, Samuli! É bom voltar a ver-te. - Olá.
- Tuuli. - Kiki.
Bem-vinda de volta.
Obrigada.
Sim. Trouxe uma pessoa comigo.
Kiki, este é o Daniel. Daniel, Kiki.
- Muito prazer. - Muito prazer.
Onde ponho isto?
- Eu levo. - Está bem.
Obrigada, Conti.
- Como correu a viagem? - Bem.
O Samuli não vomitou?
Ótimo.
Até ao segundo voo.
Fantástico.
Tentei cuidar do jardim.
Ótimo.
Aquele quarto está pronto.
Quero ficar no quarto de hóspedes com o Samuli,
se puder ser.
Claro.
Talvez o Daniel possa ficar lá.
Claro.
Onde está a Lua?
Ela e o Mark foram dar uma volta. Já voltam.
Mostras o quarto ao Daniel
enquanto levo isto à cozinha?
Sami, tens sede?
Uma cola.
Por favor.
Espero que não haja problema.
Não.
De todo.
É um lugar muito especial.
Sempre gostei de estar aqui.
Agora, é a casa do Svensson.
Passa!
Aqui!
Chuta!
Aqui, passa-a para aqui!
O meu nome é...
Sim!
Golo!
Uma salva de palmas!
- Para as crianças... - E o professor!
Ótimo.
SANTOS PARA PRESIDENTE UMA ÉPOCA DE AÇÃO
Chega de Santos!
PAZ E PROSPERIDADE
Chega de Santos!
Vote no Herber!
Chega de Santos!
Olá, duas dessas e três águas.
Viva ao Santos!
- Chega de Santos! - Viva ao Santos!
Viva ao Santos!
- Olá. - Olá.
Saíste hoje?
Sim.
Não é para ter medo do ambiente,
deixa-me dizer-te.
Pois.
O Santos vai ganhar, vai ser um inferno.
Não importa quem ganha.
Seja como for, haverá problemas.
Vermelho, azul, problemas.
Sabes do que sinto falta?
O quê?
Karjalan piirakoita.
O quê?
Pastéis de Karelia.
Comem-se com manteiga e ovos por cima, e...
O que se passa? Estás pedrada?
Sim, talvez.
Não sentes falta de nada?
Não me parece. Não.
Vá lá.
Não, a sério. Não sinto falta de nada.
Então, se não sentes, não és humano.
O que mais poderia ser?
Uma pessoa tem de sentir falta de algo.
De ti.
Sinto falta de ti.
O que foi isto?
- O que se passa? - Não faço ideia!
Nossa Senhora...
É o Santos.
Gringos!
Temos de o levar para o hospital. Rápido.
Precisamos de um carro.
Ele não vai sobreviver.
Vá lá! Ele vai esvair-se em sangue.
Vamos levantá-lo.
Porra!
Calma.
David.
Vou matá-lo.
Vou matá-lo.
Filho da mãe.
Estás louco?
Precisamos do carro!
Meu Deus!
O que aconteceu?
- Encontrámo-lo aqui. - Por amor de Deus, é o Santos!
Ele está vivo. Taddeo!
- Traz a carrinha! - Sim.
Depressa.
Temos de o levar já para o hospital.
Eu sei.
Quem foi?
Quem fez isto?
Não. Fiquem aqui.
Ninguém pode ver-vos. Fechem a porta, tranquem o portão.
E fiquem em silêncio. Taddeo!
Desculpe, preciso de ir ao armário.
Claro.
Desde quando conhece a Tuuli?
Conhecemo-nos no avião.
Por acaso.
- Espero não estar a incomodar. - Precisávamos de uma brisa de ar fresco.
Não traz malas?
- Não tive tempo de fazer as malas. - Então, está a fugir?
A casa de banho é ali, se quiser tomar banho.
E tem ali algumas roupas.
Obrigado.
O Felix também vem?
Não, ele está morto.
Legendas: Daniela Senra Gomes
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