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TREZENTAS PESSOAS DESPEDIDAS RECONTRATEM-NAS
UM FILME ORIGINAL NETFLIX
DIRETOR DE RECURSOS HUMANOS
C'um cara�as! O que foi aquilo?
Filho da puta!
Cabr�o!
Sr. Fidel?
Est� bem? Precisa de ajuda?
Est� tudo bem, n�o se preocupe.
Filho da puta!
Partimos-te as pernas, cabr�o!
Ficamos por aqui, sim?
- Sim, � melhor. - Espera.
N�o consigo.
Como assim?
Espera.
Raios.
Est�s a brincar?
- N�o consigo. - Espera.
N�o.
- Raios. - N�o acredito.
Vejamos.
Calma.
Mantemos a calma e descontra�mos. � s� uma quest�o de tempo. Est� bem?
- Claro. - N�o h� problema.
- N�o h� problema. - Nenhum.
Est�o a sair!
Parem de filmar!
Vou vingar-me disto!
� o Homem Lapa!
CHEFE LITERALMENTE COLADO A ESTAGI�RIA!
N�o resistas
C� vamos n�s!
Lapa
Lapa
DESPEDIMENTO FULMINANTE DE DIRETOR DE RH DA OMNICRON
FAM�LIA DO "HOMEM LAPA" EMBARA�ADA
�XITO MUNDIAL: CAN��O REGGAETON DEDICADA AO "HOMEM LAPA"
Amo-te tanto N�o consegui largar-te
Presos para sempre, estamos com azar
N�o podemos ser separados Estamos colados
Lapa
Lapa
Os corpos unidos, para sempre juntos
Chamem um padre, vamos dar o n�
�s t�o linda, n�o te consigo largar
Sou o Homem Lapa da cabe�a aos p�s
Lapa
Lapa
Querida, vamos colar-nos
Vamos colar-nos
Querida
C� vem o Lapa Que tal uma rapidinha?
Perigo
Perigo
Perigo
Lapa
O que deseja?
Caf� com est�via e um pouco de natas.
E uma �gua com g�s. Sem gelo, com uma rodela de lim�o.
Santo Deus. Desaparecida durante 35 anos e vou atrasar-me.
N�o te preocupes, eu termino o quarto.
- N�o me serve! - Sim, serve.
Estou a suar. Traz-me papel higi�nico.
O nome dele � Fidel.
Ter-lhe-ia chamado Bruce, como o Bruce Springsteen, mas...
O que se diz a um filho que n�o vemos h� 35 anos?
- N�o sei. Ol�? - Ol�?
E se eu n�o gostar dele?
Virginia, esse rapaz vai mudar-te a vida.
- Sim? - Sim.
- Deseja-me sorte. - Boa sorte.
Acalma-te!
Est� bem.
Vou andado.
Este � o momento mais dif�cil da minha vida.
D�-me um abra�o.
- Adeus, Inma. - Adeus.
Aonde vais assim? O teu turno ainda n�o acabou.
� um problema familiar. A Eli faz a minha parte.
H� gente a fazer fila para este emprego.
Mas eu sou a melhor. Limpo um piso em meio turno.
N�o se vai arriscar a perder-me, pois n�o?
N�o penses que �s assim t�o boa.
Caf� com est�via e um pouco de natas.
E �gua com g�s.
Sou uma das 300 pessoas que mandou para a rua.
Qual � a sensa��o de destruir uma vida?
A minha fam�lia teve de voltar para a aldeia.
Agora, moro numa pens�o manhosa.
Pode disfar�ar-se, mas sei quem �.
Servi-lhe caf� todas as manh�s! Com est�via e um pouco de natas!
Desculpa.
- �s o Fidel. - Sim.
Desculpa, sou a Virginia. A tua m�e.
- M�e biol�gica, claro. - Certo.
- Est�s ensopado. - Eu sei.
Vamos sentar-nos?
- N�o. - Porqu�?
Lamento, mas vir c� n�o foi boa ideia.
Podemos ir a outro s�tio. Propus ser aqui porque trabalho c�.
N�s n�o temos nada que ver um com o outro.
- Est� bem? - Deves querer saber porqu�.
Na verdade, n�o quero.
P�e-te no meu lugar.
Tinha 16 anos, era uma crian�a. Sabes como � a vida.
Pensei em ti todos os dias.
Sempre lamentei ter-te dado para ado��o, mas...
Sa�ste-te bem na vida?
Quando descobriste que eras adotado?
Os teus pais adotivos s�o simp�ticos?
- Morreram num acidente. - C�us.
Foste para a universidade?
Sim, tenho duas licenciaturas.
Ena, duas.
- E um mestrado. - E um mestrado!
Isso � algo que n�o sei se te poderia ter dado.
Ouve, por favor... Fidel! Ouve!
Eu sei e compreendo, a s�rio.
Tamb�m � dif�cil para mim. Temos de conversar.
Lamento. Tenho um compromisso importante.
N�o podemos deixar as coisas assim.
Sempre foram assim.
Ent�o, porque quiseste conhecer-me?
Porque o meu terapeuta me pressiona para isso h� meses.
Diz que tenho de enfrentar a rejei��o.
Eu n�o te rejeitei!
N�o?
Fidel!
Fidel, est�s bem?
Chamem uma ambul�ncia!
Ele meteu-se � minha frente!
Meu Deus! O que fizeste?
Est�s bem? Fidel!
Est�s bem?
Chamem uma ambul�ncia!
Fidel!
Est�s bem?
Sem gelo, com uma rodela de lim�o.
O que est� ele a dizer?
- N�o te mexas. - Eu estou bem.
- Est�s? - Sim, estou bem.
Estou bem. Muito melhor.
Estou muito, muito...
Chamem uma ambul�ncia! Fidel!
Fidel.
Fidel!
Meu Deus! Ele n�o respira!
Fidel.
Bom dia.
- Ele acordou. - �timo.
Ol�!
Como est�s?
Fidel, querido, como est�s?
Dormiste bem? Deixa-me ver.
Est�s cansado? Tens dores?
Eu sou a tua enfermeira.
Eu e a tua m�e temos aulas de dan�a juntas.
Chamo-me Bel�n.
- Est� bem? - E tu, como te chamas?
Bel�n.
N�o.
Eu sou a Bel�n. Tu chamas-te Fidel.
Fidel qu�?
N�o sei.
N�o...
Est� tudo bem. Ouve.
Ouve-me.
Lembras-te de seres atropelado por um autocarro ontem?
- Tenho �gua. Muita �gua. - Tens sede?
- Espera. - Bebe alguma �gua.
- Tenho �gua. - Toma.
- Isso. - Muito bem.
Tinha mesmo sede!
Est�s melhor?
Orinoco.
- Orinoco? - Sim. Orinoco onde?
- No meu pa�s, a Venezuela. - Orinoco.
Ele quer urinar.
N�o sei o que se passa comigo.
- Est� tudo bem, calma. - Sim.
Falar dif�cil.
- Est� a ficar assustado. Chama a m�dica. - Est� tudo bem, Fidel.
Deita-te. Isso.
Isso, muito bem. Pronto.
Tem calma.
O qu�?
Gugudad�.
- V� esta �rea escura? - Sim.
O impacto causou uma concuss�o na massa cerebral.
� grave? Ele vai ficar bem, certo?
N�o se preocupe. Basta esperarmos que as fun��es dele voltem ao normal.
Quanto tempo demora?
Normalmente, uns dias.
E a mem�ria?
� um caso t�pico de amn�sia global transit�ria.
Ir� recuper�-la em flashes.
Leve-o para casa. Deixe-o reconhecer a roupa,
mostre-lhe fotos e conte-lhe coisas.
Que coisas?
Da inf�ncia dele. Momentos felizes da vida dele.
Momentos da vida dele, certo.
� a m�e. Sabe tudo sobre ele, certo?
Ele tinha algo com ele quando foi atropelado? A carteira,
o telem�vel... - Uma mochila.
- Uma mochila. - Mas desapareceu.
N�o sabemos onde est�.
Pode estar no hotel.
Perguntei e ningu�m sabe de nada.
O mundo est� cheio de filhos da puta.
Filho da puta!
Mas tens o n�mero de telem�vel dele?
- Claro. - Temos o n�mero de telem�vel dele.
Mas liguei muitas vezes e ningu�m atende.
Mas ningu�m atende.
- V� por onde vais, idiota! - Baixinho.
- O que foi? - Sim, adeus.
A Cati diz que verifica nos Desaparecidos e para lhe mandarmos o n�mero.
Se descobrir algo, avisa-nos.
- �timo. - E tu, rapaz?
Est�s a perceber isto?
Somos as Mam�s, amigas da tua m�e.
Temos aulas de dan�a juntas. Gostas de m�sica?
Vais-te passar.
Cheg�mos.
Muito bem, saiam.
Vemo-nos nas aulas.
- Obrigada, Uge. At� logo. - De nada.
N�o queres mesmo que suba?
N�o. Vou s� instal�-lo.
- Est� bem. - Adeus.
- Liga-me se precisares de algo. - Sim. Vamos.
Por aqui.
Quanto mais cedo souberes, melhor.
Chamas-te Fidel. Tens 35 anos e �s adotado.
Sou a tua m�e biol�gica,
mas n�o te lembras de nada porque tens amn�sia transit�ria.
De agora em diante, improvisamos.
Um momento, senhora.
- � a minha m�e? - Sim.
Sou a tua m�e, mas n�o te conhe�o.
Engravidei aos 16 anos.
N�o tinha dinheiro nem emprego e dei-te.
Nunca mais tive not�cias tuas,
at� me teres ligado a dizer que me querias conhecer.
Porqu�?
N�o sei.
Todos querem saber de onde vieram.
E eu venho... daqui?
Sim.
- N�o gosto. - � uma pena.
Tem um cheiro intenso.
Entra.
V�, entra.
For�a.
- Que feio. - Certo.
Salte, dance, mexa o corpo. Queremos que nos surpreenda.
Rapazes, este � o vosso irm�o, o Fidel.
Estes s�o o Maikel e o Elton.
GALA DE TALENTOS
Que tal, meu?
Foste tu que te atiraste para a frente do autocarro?
Sinceramente!
- Porque desligaste? - J� chega.
- Isto est� uma pocilga. - Houve uma reuni�o esta manh�.
E tivemos de ir ao centro de emprego.
Nem sequer lhe d�o um abra�o?
V�!
N�o, eu n�o quero.
O que se passa com ele?
Tenho um peido.
O que est� ele a dizer?
Ele est� a cagar-se.
Aqui n�o. A casa de banho � ali.
Rabo...
- Ele � atrasado? - N�o.
Mas n�o se lembra de nada. � como um rapazinho.
Ele vai ficar muito tempo?
Uns dias, at� a fam�lia o vir buscar.
Vou para a aula. Preparem o sof� para ele dormir.
- E deem-lhe roupa. - Roupa nossa?
Sim. E toalhas.
Cuidem dele at� eu voltar. Por favor.
Vamos ca�ar Pok�mon.
Podem ir depois.
Precisamos de comida. O frigor�fico est� vazio.
N�o temos nachos, nuggets de frango e massa instant�nea.
Est� bem, mas levem-no. N�o o podem deixar sozinho.
E quero o troco.
Fidel, querido. At� logo.
Ficas aqui com os teus irm�os. Adeus.
N�o se vai embora.
N�o se vai embora.
Est� a fazer isto.
N�o se vai embora.
Ele refere-se...
N�o.
Cruzem.
Abram.
Com confian�a.
Abram.
Muito bem. Para cima, cima, lado, lado.
Mais uma vez.
Seis, sete.
- Eli. - Eu sei, a porra do passo.
Entras tarde. Falhas e entras tarde.
� simples. Tentemos de novo.
Est�s bloqueada. Descontrai, v�.
Maribel, desculpa. Posso sair um instante?
- Um segundo. - Obrigada, querida.
- Sigam-me, sim? - Certo.
Levantem o joelho.
- E ent�o? - Fizemos uma rusga aos vendedores de rua.
- O que se passa? - Tenho informa��o sobre o teu filho.
Encontraste a fam�lia dele?
N�o, mas tenho um n�mero de telefone.
Dou-to depois. Vou trocar de roupa.
Localizei o n�mero de telem�vel e obtive o nome dele.
Fidel Garc�a Ruiz.
Deve haver milhares.
Sim, mas tenho o n�mero de identidade e o telefone de casa.
Vejamos. Aqui.
Est�s a ligar?
P�e em alta-voz.
- Sim? - Claro.
- Esta coisa... - Aqui.
Resid�ncia da Sra. Senillosa.
- "Resid�ncia". Parece ser abastado. - Sil�ncio!
Ol�. Posso falar com a dona da casa?
Da parte de quem?
Do Fidel.
Um momento, por favor.
A Sra. Senillosa deve ser a mulher dele.
N�o sei.
Fidel? Basta, ouviste?
J� te disse que n�o quero voltar a falar contigo.
Est�s morto para mim, n�o existes.
Odeio-te, enojas-me.
Tens uma provid�ncia cautelar.
Se voltares a contactar-me, chamo a Pol�cia.
O que...
Conheces este?
N�o?
N�o os conheces?
N�o.
Deves reconhec�-la. � uma cantora famosa.
N�o. E ele?
� daqui do bairro?
N�o, n�o � daqui.
Ol�! Cheguei!
- E ent�o? - � in�til, m�e. � doido.
O disco r�gido dele foi apagado.
S� diz disparates.
Ele jantou?
Demos-lhe um d�nute de chocolate.
Raios!
- Ent�o, querido, era bom? - Nojento.
- N�o lhe fizeram a cama. - Ele que a fa�a.
Antes que me esque�a, o troco dos 50 euros?
Adeus, m�e.
N�o te preocupes, chegamos cedo.
- Devia despedi-los. - O qu�?
S�o mal-educados, ignorantes e est�o sempre a tocar nos genitais.
Despe�a-os.
V�, ajuda-me. Vamos fazer-te a cama.
V�.
Agarra desse lado.
- Isto � horr�vel. - O qu�?
N�o saber quem sou.
Est� tudo bem, n�o te inquietes.
N�o sei o que significa isso.
Amanh�, acordas e lembras-te de tudo.
- Seria bom. - Claro.
Deve haver algu�m � minha procura, certo?
Claro, filho.
Vamos l�.
Estica bem. Isso.
Santo Deus.
Vejamos.
Fidel...
... Garc�a Ruiz.
Imagens...
C� est� ele.
FAM�LIA DO "HOMEM LAPA" EMBARA�ADA
DESPEDIMENTO FULMINANTE DE DIRETOR DE RH DA OMNICRON
O que � isto?
Raios!
Raios!
� o meu filho.
O que fa�o contigo agora?
Ol�, m�e.
Chegamos cedo, certo? S�o sete horas da manh�.
O que far�o quando acabar o subs�dio de desemprego?
Arranjamos trabalho. N�o te preocupes.
- Primeiro, t�m de procurar. - N�o estejas sempre a chatear.
Mostrem ao vosso irm�o como funciona o esquentador
e fa�am-lhe o pequeno-almo�o. Espero que n�o passe fome.
- Ouviram? - Sim.
M�e. Uma coisa.
Ele esgueirou-se para o meu quarto.
N�o, fui eu que o pus l� e � para ficar.
- Quem lhe deu autoriza��o? - A idiota que paga as contas!
E agora, dormimos juntos?
Entendam-se! � uma cama extens�vel.
Vou mostrar-lhe...
Acorda, Belo Adormecido.
- Fora da minha cama! - O que se passa?
- Vais passear, amigo. - O que...
Esperem.
- Tenho orinoco! - Acho que quer mijar.
Mijar l� fora � do melhor.
A senhora disse para eu ir l� fora?
Claro, para conheceres o bairro.
- E um duche? - Fica para outro dia.
Esperem...
- E a minha roupa? - O que tem?
- Est�s muito elegante. - Sim.
Mas n�o tenho... dedos.
Ele foi buscar-te dedos.
Aqui tens, um par de dedos. Vai buscar. Adeus.
Tu a�! A bola!
A bola.
Sabem aonde...
... a senhora foi? - Que senhora?
� desta altura. E...
Dan�as na Tribo?
N�o sei.
Tenho in�sia. In�sia transit�ria.
O que...
Acho que ele � da Tribo.
- Deve estar � procura da Tribo. - � para aquele lado.
Por ali?
Sim, por ali.
Certo, obrigado.
A bola.
A bola. Obrigado.
ESCOLA DE DAN�A TRIBO URBANA
Ol�, o que queres?
Eu? Nada.
Onde arranjaste essa camisola?
A senhora deu-ma.
N�o te vieste inscrever?
N�o sei o que significa "inscrever".
A maioria dos homens tem vergonha, mas � um disparate.
- Deixa-me ajudar. - Obrigada. Deixa isso...
Conheces-me?
N�o.
Eu tamb�m n�o.
O qu�?
Eu tamb�m n�o me conhe�o.
Est�s pedrado, certo?
N�o. Quem me dera.
Tenho �gua.
- Tenho �gua. - Queres �gua.
Sim.
- Adoraria. - Vou buscar.
Olha.
Espera, eu conhe�o-as.
- As Mam�s? - Sim.
Esta com cara de louca � a senhora.
- A Virginia? - Virginia, a senhora.
Sim, a senhora Virginia.
Tens de te soltar. Assim.
Que p� avan�a primeiro?
Cruzas o direito sobre o esquerdo.
E...
- Sim, mas aqui... - N�o.
Quando chegas aqui, abres e...
Espera, est� a tocar.
Mari? � a Maribel. O que se passa?
Ol�, Virgi. Tens um segundo?
- Sim, diz l�. - Certo.
Est� aqui um tipo que diz ser teu filho, mas n�o o conhe�o.
Chama-se Fidel?
Chamas-te Fidel?
Tens um v�rus malicioso.
Ele est� a agir de forma estranha.
Passa-lhe o telem�vel.
- � a tua m�e. - Posso?
O que est�s a fazer?
A firewall.
- Ele � t�cnico de inform�tica? - Vou j� para a�.
Por favor, n�o o deixes fugir.
� muito importante.
- O que se passa? - O qu�?
Aqueles dois est�o em apuros, � isso!
Adeus, Maria.
O tipo que foi atropelado h� dias
n�o se lembra mesmo de nada? - Porqu�?
Podes n�o saber, mas ele � um filho da puta.
� meu filho.
Teu filho?
Andam � procura dele, cheios de f�ria.
Est�s a confundi-lo com outra pessoa.
Ele assinou 300 despedimentos como se estivesse a dar aut�grafos.
Ele n�o fez nada.
Ele que tenha cuidado. Os que ele despediu querem linch�-lo.
Tu � que devias ter cuidado.
J� te apanhei v�rias vezes a atacar o minibar.
Com licen�a.
- Aonde vais? - O meu filho.
S�o sempre os filhos. Tem filhos?
Eu tenho tr�s e estou sozinha.
- O hotel n�o tem culpa. - Ningu�m tem culpa, � a vida.
A s�rio, � a �ltima vez.
Prometo. Tenho tudo sob controlo.
Virginia.
Se procuras o tot�, est� ali.
A Maribel disse que o vinhas buscar.
Ele pediu-me uma cola. N�o lha dei.
Achei que podia estar a tomar medica��o.
- Obrigada. - De nada.
Agrada-te?
A morena de cabelo ondulado. Muito.
E a dan�a?
Combina��es de quatro e oito.
� matem�tica, sim.
Porque sa�ste de casa?
O an�o e o gorducho expulsaram-me.
Os teus irm�os?
Sim, e n�o quero voltar.
� feia, escura e cheira a p�s.
� a �nica casa que temos.
Compre outra.
Sim, vou comprar duas. Vamos l�.
- Ainda n�o sabe quem sou? - N�o.
Ouve, Fidel, n�o posso cuidar de ti.
Tenho de trabalhar. Tens de compreender.
N�o posso passar o dia contigo,
mas tamb�m n�o te posso deixar sozinho.
- Pois n�o. - N�o.
Teremos de arranjar uma solu��o.
Espera aqui.
Ol�.
Virginia, como est�s?
Est�s a ver aquele rapaz?
Quem �?
Tivemos um filho, lembras-te?
E deste-o sem a minha permiss�o.
N�o precisava da tua permiss�o.
Eu era o pai.
Foste o esperma e eras um ano mais novo do que eu.
� ele?
- Mas n�o lhe falei de ti. - Porque n�o?
Porque n�o importa.
Ele foi atropelado por um autocarro e est�...
- Perdeu a mem�ria. - Raios.
N�o lhe devemos dar muita informa��o
at� ele recuperar. - Sim.
� parecido comigo, n�o achas?
N�o � nada parecido,
mas vais cuidar dele.
Eu? Como?
Dando-lhe um emprego.
- N�o lhe posso pagar. - S� uma gorjeta ou isso.
Ele n�o se lembrar�.
- O que sabe fazer? - Muitas coisas,
mas n�o se lembra.
- Fidel. - Ele fala?
Claro que sim.
Ol�, senhor.
Ol�, rapaz.
Chamo-me Luciano.
- Ele gagueja? - Fala com ele normalmente.
- Gostas disto aqui? - Sim, mas est� uma confus�o.
- Uma confus�o? - Est� tudo mal.
- O que est� mal? - Tudo.
� melhor ter tr�s prateleiras. Olhos, m�os e p�s.
Artigos mais caros ao n�vel dos olhos para incentivar a compra.
Os de primeira necessidade em baixo. O cliente n�o se importa de se dobrar.
As promo��es ao n�vel das m�os.
Quero um gelado.
Esta fica-te muito bem. Muito moderna.
Sim, mas eu pago-lhe tudo.
Claro. Vais ganhar o teu dinheirito.
- Voc�s os dois! - Agora, n�o podemos.
Temos uma reuni�o, m�e.
- Expulsaram-no de casa. - Tu expulsaste-me do meu quarto.
T�nhamos de dormir juntos como quando �ramos pequenos.
Pedi-vos um favor. S� um.
Chegas a casa com um maluco que afinal � teu filho...
- Nem sequer sab�amos dele. - Fizeste-nos ser amas-secas.
- E dar-lhe a nossa roupa. - E o melhor quarto.
Isso � normal?
� normal explorarem a vossa m�e?
- N�s exploramos-te? - Sim!
N�o procuram trabalho.
- Inscrevemo-nos no InfoJobs. - Sim.
Mas o nosso perfil n�o tem sa�da.
- Que perfil? - N�o t�m perfil!
Cala-te, idiota.
A senhora n�o � vossa escrava. Ela merece respeito.
- Tu tamb�m n�o trabalhas. - Sim, trabalha.
- Come�a na segunda-feira. - A vender gelados!
N�o eras assim, m�e.
O que est� este idiota a fazer-te?
N�o fique triste, senhora. Eles n�o prestam.
Vais comigo � aula de dan�a, logo.
- N�o. - Sim.
N�o quero dan�ar.
Vais comigo. Precisas mesmo disso.
- Sim? Como sabe? - Sim.
Como sei?
Filho, eu andava deprimida e a dan�a curou-me.
A Uge, a taxista, cortou os pulsos e quase morreu.
A dan�a salvou-a.
A Eli, a minha colega, vivia cheia de medo do marido
e a dan�a deu-lhe coragem para chamar a Pol�cia.
Mas eu n�o cortei o meu marido e n�o tenho pulsos.
- Querias matar-te, Fidel. - Quando?
Quando sabias quem eras.
Mas a dan�a cura tudo, ver�s.
A morena de cabelo ondulado estar� l�?
Sim.
Ent�o, est� bem.
- Ol�! - Ol�!
Ol�!
Finalmente, um homem na aula! J� n�o era sem tempo!
E que homem! Valha-nos Deus!
Como te sentes, Fidel?
Ele parece-me bem. Melhor do que bem.
Vais divertir-te muito, ver�s. Segue o que n�s fizermos.
Exceto a Eli. Ela faz o que lhe apetece.
Tenho seis dedos dos p�s. Isso prejudica-me.
Fica de olho em mim.
N�o, afasta-te o mais poss�vel desta.
O mais importante � a consist�ncia. S� sempre consistente.
E sobretudo, nunca desistas.
Muito bem, Eli.
- Meninas, vamos come�ar. - Ol�.
Um novo aluno. Bem-vindo.
- Treinaram? - Sim.
- E alongaram? - Claro.
Muito bem.
Recome�amos onde fic�mos da �ltima vez.
Uma vez.
Cinco, seis, sete. Devagar. Abrir, fechar.
Abrir e parar, tr�s passos atr�s.
Eli.
V�. Lembra-te, est� tudo bem.
Vamos repetir. Quando cruzaste...
Cruzaste...
- Meninas, estou a explicar. - Desculpa.
Vamos concentrar-nos. Esque�am-no.
Quero ver algum orgulho.
Orgulho!
- Quem somos? - As Mam�s!
O que somos?
Muito sensuais!
O que faremos?
Conquistaremos o mundo!
Vamos l�! M�sica!
Cinco, seis, sete, v�!
Duplo! Abrir!
Um, dois, duplo.
Muito bem!
Vamos, andar! E parar!
Cinco, seis!
Olhem...
Muito bem, Fidel. Viram?
- Sim! - Foi �timo!
Faz isso outra vez.
A �ltima parte.
Comigo. Sete...
Abrir, fechar. Abrir e bater.
Viram como ele tem jeito?
Que sacana. J� dan�aste antes.
N�o sei.
Os teus passos s�o perfeitos.
Foste �timo, Fidel.
Trouxeram a roupa?
Vamos diretamente para a discoteca.
- Eli, vamos rever aquele passo. - Est� bem.
At� logo, meninas.
Arrasa-as.
Fidel, talvez fosses bailarino antes.
- Ou maricas. - Porqu� maricas?
Porque eles s�o �timos bailarinos.
Ou tem ritmo no sangue, como eu.
Como os negros.
Aonde vais?
Tu vais para ali. V�.
Desculpa, pensava que n�o estava c� ningu�m.
- Normalmente, est� vazio a esta hora. - O que � isto?
- O qu�? - Olha!
Raios, tapa-te, seu porco!
O que se passa?
Tens uma ere��o.
Isso � mau?
N�o. � normal.
- Porque � que fica assim? - Bem...
Porque os homens...
Esquece. Significa que gostas de mulheres.
N�o � de mulheres, � de ti.
Obrigada. Acho eu.
E o que acontece agora?
Nada. Eu saio daqui e tu veste-te. S� isso.
E isto fica assim?
Voltar� ao normal.
- N�o me importo que fique assim. - N�o � confort�vel para dan�ar.
READMISS�O DOS DESPEDIDOS DA OMNICRON
Vamos.
Porque usam aquelas t-shirts?
Porque foram despedidos dos empregos.
Como os teus irm�os.
Porqu�?
Ter�s de perguntar a quem os despediu.
Onde est� ele?
Ouve l�.
O meu marido diz que conhece o teu filho.
Sim. Trabalhaste na embalagem?
N�o, ele n�o � de c�.
V�s? Eu disse.
Ele n�o te parece familiar?
N�o, est�s a confundi-lo com outra pessoa.
Maribel, vamos l�!
Vamos, filho.
Espera.
Solidariedade.
� muito feia, n�o �?
Fidel, o que fazes aqui?
- Anda, guard�mos-te um lugar. - O qu�?
Vem sentar-te connosco.
- L� vem ele. - Senta-te ali.
Que tal vai isso?
- Ol�. - Ol�.
Onde est� a t-shirt que te dei?
A senhora tem-na.
- Pelos vistos, � minha m�e. - E que m�e.
Ela � fant�stica e est� sempre bem-disposta.
Lembras-te daquilo do g�s?
A m�e dela deixou o g�s ligado e incendiou a casa,
mas ela seguiu em frente.
E a opera��o ao cancro da mama.
Ou quando o teu irm�o foi apanhado a vender haxixe.
- Igual. - A vender haxixe!
- Ela � forte. - �tima hist�ria.
Ol�!
Boa noite a todos
e obrigada por terem vindo e contribu�rem para a causa.
Quero apresentar-vos as Mam�s mais gingonas do mundo:
Mari Ascen, Carol, Malole, Cristina,
M�nica, Bel�n, Eli,
Cati, Uge e Virginia!
Lindas!
Elas t�m uma mensagem para todos.
Ol� a todos. N�s somos dez.
A vida tem sido dura para n�s,
mas nunca desistimos porque temos de continuar a lutar.
Tal como voc�s.
Pronto, vamos demonstr�-lo.
Isto � para voc�s.
Lindas!
- Lindas! - Linda, m�e!
Como foi o teu fim de semana?
- Bom. A senhora fez paella. - �timo.
Estava horr�vel.
E fomos ao cinema ver um filme sobre homens que voam.
Super-her�is.
N�o sei. Era tudo mentira.
A camisola � muito pequena para mim.
- Igual a mim. - O qu�?
A minha tamb�m. Temos as costas largas.
Sim.
Sempre quis um filho.
- Percebes o que estou a dizer? - Certo.
- Quanto me vai pagar? - Quinhentos euros.
- Por semana? - N�o, por m�s.
Isso � uma merda.
- Sai-me do bolso. - Continua a ser uma merda.
Quando acabares, podes p�r isto nas prateleiras.
Bem organizados ou mal, como est�o agora?
Como quiseres, filho.
N�o te importas que te chame filho, pois n�o?
Se me chama filho, pague-me o dobro.
Que obcecado por dinheiro.
N�o me venhas com essa. Tive um dia de merda.
Vi um ventr�loquo albino
e um grupo de mariachis. Aqui tem.
Um tipo que toca o hino nacional com as axilas.
Podes usar isso?
Tenho uma chamada. Espera, por favor.
Quem � agora?
Ol�, Juanfran, querido. O que se passa?
N�o te preocupes. Mando-te hoje a mais recente aberra��o.
Tenho de desligar. Vou atrasar-me para a estreia do Asier.
Certo, amanh� � outro dia.
Sim, beijinho. Adeus.
Bingo. Ouve, n�o era uma piada.
Estou a v�-las agora. Quem? As donas de casa do hip-hop.
Sim, mesmo � minha frente. Que atrocidade!
Parecem sa�das de Gorilas na Bruma.
Vou desligar antes que me suicide.
Est� bem, beijinho. Adeus.
Desculpe, mas n�o pode filmar.
A aula de donas de casa do hip-hop?
Aqui n�o h� donas de casa, s� alunas.
- J� disse que n�o pode filmar. - Claro que posso. Sou da TV.
- Que TV? - Do concurso de talentos.
- Ningu�m disse nada. - O meu programa est� na berra.
N�o viu a publicidade? Em que planeta vive?
Tem de sair.
Veja, l� est�o elas!
Veja a gorda a mexer o rabo! Parece um peixe-bal�o!
Cale-se ou parto-lhe a cara. � a minha m�e.
- Est� bem. - � direita, esquerda,
virar, parar, juntar.
Vamos l�, acabar.
Oito, nove...
Meninas, isto � um desastre.
� demasiado dif�cil.
Est� bem. Um segundo. Continuem a treinar.
- Vejamos. - S�o muitos passos.
N�o est�o a conseguir porque saltam um.
A s�rio.
Daqui, s�o 16 passos e est�o a fazer 15.
Depois do quarto, o quinto � duplo.
Onde arranjou isso?
Algu�m o enviou para n�s.
- S�o elas, certo? - Sim.
� um, dois, tr�s, quatro.
E cinco, seis, sete, oito, nove, dez.
Onze, doze, treze, catorze, quinze, dezasseis.
�timo!
Muito bem!
- Aquele � um professor? - N�o, � um novato.
Parece-me familiar.
- Matem�tica! - Esperem!
Sei quem �s.
- Sim? Quem �? - Como pude ser t�o cega?
- Vejam quem ele �. - Quem?
O Billy Elliot de Badalona.
Meninas, por favor. N�o podemos ser vencidas
por um maldito passo. - Certo.
- Um pouco de orgulho! - Orgulho!
- Quem somos? - As Mam�s!
- O que somos? - Muito sensuais!
- O que faremos? - Conquistaremos o mundo!
S�o maravilhosas. Faremos o v�deo para a semana.
- Como assim? - Para os meus chefes verem. V�o adorar.
Tenho um grupo mais jovem a preparar-se para o campeonato.
- S�o �timos, vai ador�-los. - Ou�a.
H� pessoas boas em todo o lado.
Procuramos hist�rias com cora��o.
Como esta.
Uma semana? Imposs�vel. N�o chega.
Foi o que eu disse, mas depende de voc�s.
Ainda n�o dominamos isto e aquele passo d� cabo de mim.
- Exato. - N�o querem aparecer na TV?
- Na verdade... - Eu quero.
Adoro exibir-me diante de todos.
- Ol�! Que tal vai isso? - Isso.
� a taxista sensual!
� bom para a Maribel, para o neg�cio
e para o vosso orgulho.
Mas temos de arrasar. O tivo � esse.
- Objetivo, querido. - Isso.
Precisamos de quatro coisas. Primeira, esfor�o.
Segunda, dedica��o. Terceira, sacrif�cio. E quarta, n�o me lembro.
Mas temos de trabalhar muito.
E depois a coisa feia.
O qu�?
Que coisa feia?
- Todas v�s. - N�s, feias?
Sim.
� verdade.
Tu n�o, mas elas s�o.
S�o feias. T�m de ficar bonitas.
J� s�o lindas.
- Certo, meninas? - Claro.
- Por dentro. - O qu�? Por dentro e por fora.
Feia? A minha pachacha � um mimo!
Queres ver mulheres lindas?
Vais cagar-te todo.
Meninas, nada de nervos. Quero-vos soltas.
E concentradas.
Concentra��o. E sobretudo, atitude. T�m de convencer.
- Muita atitude. E contem. - Um momento, por favor.
Vais vestir-te assim?
Sim, porqu�?
Porque elas est�o t�o espetaculares.
- Ele n�o dan�a. - N�o.
Elas s�o as Mam�s.
Sem ele, perde a gra�a.
Est� a chamar-nos aborrecidas?
A originalidade est� no conjunto.
Vou filmar, mas talvez n�o queiram isto.
H� 40 grupos como voc�s.
Se tiver de dan�ar, dan�o.
N�o, Fidel, n�o pertences ao grupo.
Talvez seja bom ele aparecer na TV.
Algu�m o pode reconhecer e descobriremos quem ele �.
Muito boa ideia.
- Mas... - Virginia, a Cati tem raz�o.
- Afinal, ela � pol�cia. - � muito melhor.
- N�o me parece. - N�o te importas?
- N�o, vamos a isso. - Est� bem.
- Preparados? - Sim.
Aos vossos lugares!
Apertem-se a� atr�s. V�.
Um momento. Rapaz.
- P�e-te no meio. - No meio?
Sim, por favor.
Obrigado.
V�.
O que est� a fazer, senhora?
Estava...
M�sica.
- Isto � alguma piada? - Uma piada?
Quem � aquele?
Algu�m famoso?
Tem 23 200 000 visualiza��es. N�o acreditas em mim?
- O Homem Lapa! - Bingo!
Vi-o e pensei: "Conhe�o-o, mas de onde?"
Ele parece diferente, mas o olhar � o mesmo.
Ouve, Sofia.
O tipo estava desaparecido. As pessoas v�o passar-se.
Chacho!
Monumental.
N�o estou com disposi��o para elogios.
Para mim, nunca est�s.
N�o sei o que fazer com ele.
Com o Fidel?
Se fosses o pai de Judas e Judas n�o soubesse que � Judas,
dir-lhe-ias que � Judas?
Que Judas?
O do Evangelho, do beijo,
o que traiu Jesus por 30 moedas de prata.
Est�s a comparar o meu filho a esse sacana?
Ele era o diretor de Recursos Humanos da Omnicron.
Despediu 20 % do pessoal de uma s� vez.
- O executor? - Sim.
Se aparecer na televis�o, ser� visto por meia Badalona.
Ir�o reconhec�-lo.
Mas n�o nos querer�o
porque dan��mos mal, sobretudo eu.
Est� aqui.
Vou trocar de roupa e vamos.
Fidel.
Tira isso.
Tira os auscultadores.
Antes de entrarmos, quero...
Quero que saibas algo. Devia ter-te dito antes,
mas queria proteger-te e calei-me.
- Vai chorar? - N�o.
N�o sei.
N�o quero que chore, m�e.
O que disseste?
- N�o quero que chore. - N�o, a outra parte.
- M�e. - Virgi, despacha-te!
- Virgi, depressa! - O que se passa?
Conseguimos, Virginia.
- A Maribel disse-nos agora. - Aparecemos na TV daqui a oito dias.
- Santo Deus! - Isso � �timo!
- Vamos aparecer na TV! - Eu tamb�m?
Sim, todos! Tu tamb�m!
Como n�o, com este rabiosque jeitoso?
Virginia, n�o est�s contente?
Bem...
Eu estou, m�e! Estou entusiasmado!
Agora, chama-me m�e.
O que querias que te chamasse? Puta?
Champanhe.
Que entusiasmo.
A m� not�cia � que temos de fazer uma coreografia nova.
- Outra? - Porqu�?
Querem algo mais moderno.
Imposs�vel. N�o podemos fazer algo novo.
- Imposs�vel porqu�? - N�o temos tempo.
S� temos de ensaiar muito.
Mais do que muito.
Todos trabalhamos. Quando teremos tempo?
Em qualquer altura. De manh� cedo, � noite, ao domingo.
- E a lida da casa? - Certo.
Os maridos e os filhos que a fa�am.
E se eles recusarem?
Ent�o, despe�am-nos. Adeus.
Vamos desistir?
N�o querem viver esta experi�ncia?
Maribel, achas que conseguimos?
Claro. Se nos esfor�armos.
- Claro que sim! Orgulho! - Orgulho!
- Quem somos? - As Mam�s!
- O que somos? - Muito sensuais!
- Vamos, a minha pachacha � um mimo! - Exato!
Irm�os, acabou-se a testa.
A festa, Fidel.
De agora em diante, limpam, cozinham e lavam a vossa roupa.
- Porqu�? - Porque a m�e tem de ensaiar.
E eu tamb�m. Vamos aparecer na TV.
- V�o aparecer na TV? - Na Gala dos Talentos!
Eu disse-te, meu.
O qu�?
Fizemos o v�deo na discoteca e envi�mo-lo.
Quem vos deu permiss�o para enviarem algo seja aonde for?
- Orgulhamo-nos da nossa m�e. - O orgulho de Espanha.
O orgulho de Espanha est� farto de voc�s os dois.
O que diz o idiota?
Orgulho.
Estou farta de serem uns pregui�osos,
todo o dia a comer como porcos.
Um ano sem trabalhar, sentados a co�ar os tomates!
N�o vos dou nem mais um euro at� atinarem.
M�e!
- S�o uns micr�bios! - Parasitas, querido.
Despe�a-os. Que se fa�am � vida.
Merece melhor.
Mere�o melhor.
H� quanto tempo trabalho neste hotel?
H� 15 anos? N�o est� na altura de ser promovida?
Em breve, abre uma vaga para supervisora
porque a Reme se vai reformar. Sabe que eu mere�o.
N�o me olhe assim. Sabe que tenho raz�o.
Portanto, vai pensar nisso
e concluir que o que estou a dizer devia ser lei.
Pronto, j� disse. N�o foi f�cil, mas disse.
N�o te posso dar esse lugar, Virginia.
Claro que pode!
Mere�o ser supervisora e sabe-o.
Quero esse posto e vai dar-mo.
E mais uma coisa.
Nos pr�ximos dias, eu e ela s� podemos trabalhar a meio tempo
e nada de fins de semana, temos de ensaiar.
Vamos dan�ar na televis�o.
Virginia, d�s-me tes�o.
Onde est� o Luciano? Que chatice.
Acho que vou ficar.
N�o, n�s os dois queremos falar contigo.
- Vou ser aumentado? - N�o.
Ent�o, falamos noutro dia. Vou tomar duche aqui.
Temos de meter o guarda-roupa no autocarro.
N�o posso deixar a Maribel sozinha.
- Claro, filho. - At� logo.
Raios, Luciano. Fazes-me sempre isto.
Desculpa!
Desculpa tu. Pensava que j� tinhas sa�do.
Sa�, mas voltei.
Achei que precisavas de ajuda com...
Com?
Com...
Aquilo est� a acontecer de novo.
N�o acontece �s raparigas?
Sim, acontece.
Sim? E como sabes?
A s�rio?
Filho da puta!
- N�o posso. - O qu�?
- N�o posso. - O qu�?
N�o posso. Aconteceu algo.
Quando?
- Antes. - O que aconteceu?
- Tenho medo. - Medo de qu�?
De n�o conseguir sair.
- Sair de qu�? - De ti, raios! De ti!
De ti.
Raios.
Raios!
Est�s bem?
De repente, lembrei-me de tudo.
Recuperaste a mem�ria.
Sim.
J� sei quem sou.
Isso � bom.
N�o. N�o � nada bom, raios.
Cuidado!
- O que... - Luciano.
- Est�s bem? - Sim, tire-me daqui.
O que se passa?
Por favor, tire-me daqui.
Diz-me o que se passa.
Por favor, leve-me para casa.
- Da tua m�e? - N�o, para Barcelona.
Para a alta. � onde vivo.
Recuperaste a mem�ria.
Sim, est� tudo aqui.
Foi como abrir uma torneira.
Parab�ns. Isso � �timo, n�o �?
N�o.
Sou um monstro, Luciano.
Um monstro.
- N�o �s nada. - Sou.
Era um filho da puta e todos me odiar�o.
A tua m�e n�o te odiar�, nem eu.
Prejudiquei muita gente.
Os maridos das raparigas, os meus irm�os...
Chega, Fidel. N�o h� problema.
Como assim? N�o sou o Fidel.
Sou o maldito Homem Lapa!
Porra!
H� algo...
Por favor, n�o me apetece falar. Deixe-me em paz. N�o � meu pai.
Eu saio aqui.
- N�o, eu levo-te a casa. - Ou�a.
N�o nos devemos voltar a ver. Obrigado por tudo, chefe.
- Diga l�. - N�o, tu.
Nunca pensei que trabalhar num supermercado podia ser t�o...
... divertido.
Cuidado para n�o engelharem.
Olhem, l� vem a Virginia.
- J� n�o era sem tempo. - �s mesmo chata.
Estes dois...
Onde est� o Fidel?
- O Fidel? - Est� aqui, certo?
- N�o, ele foi-se embora. - Para onde?
N�o estavas com ele?
Ele recuperou a mem�ria.
N�o.
Isso n�o � bom?
- Porque est�s t�o pessimista? - Sim, porqu�?
Quando ele sabia quem era, queria suicidar-se.
- Pode ser ele. - Atende!
� o Luciano.
Luciano, n�o posso falar agora. O qu�?
Estou a segui-lo, espera.
Ele parou diante de um pr�dio. Vai entrar.
Vou estacionar.
Est�o a tirar m�veis de l�.
Sim, ele entrou.
Est� l� dentro. Rua Santalo, 150.
Rua Santalo, 150.
N�o sei qual � o andar.
- Aqui tem o 2A. - Obrigado, Mariano.
- Que tal o mestrado? - O qu�?
O seu primo disse-me que estava em Chicago a tirar um mestrado.
O meu primo?
Sim. Que o deixava ficar c� para regar as plantas.
N�o sei que plantas, mas como ele tinha chave...
Raios.
Quem �s tu? O que fazes aqui?
Assustaste-me, amigo.
N�o sou teu amigo. Vou chamar a Pol�cia.
- Ai sim? - Sim.
Tens ali o telem�vel. Chama.
- Chama. - Roubaste-me a mochila?
- Tu roubaste-me o emprego. - O qu�?
�s um dos 300.
C�us.
Servia-te caf� de manh�, lembras-te?
Com est�via e um pouco de natas.
�s o empregado que me deitou �gua pela cabe�a abaixo.
Raios!
Queres que te fa�a um caf�?
- Ou um ch�? - N�o.
Comeste?
- Vou aquecer-te alguma coisa. - N�o me toques.
N�o me toques.
Esses boxers s�o meus?
Sim. E a t-shirt tamb�m.
Vou arrumar as minhas coisas e vou-me embora.
Para que saibas, n�o me arrependo de nada.
Pode conduzir mais depressa?
N�o! � direita!
� direita!
Merda.
Pare perto daquele senhor.
O da camisola �s riscas.
Isso mesmo, aqui.
- � aqui? - Aquele pr�dio.
C�us, espero n�o ser tarde de mais.
N�o, por favor. Vou eu, sou a m�e dele.
E eu sou o pai.
Vamos.
Onde raio est�o?
O que procuras? Posso ajudar?
Estavam aqui.
- Procuras isto? - Sim.
Os meus antidepressivos.
S� resta um!
Tamb�m passei por um mau bocado.
Fui despedido, tive de arranjar outro emprego,
mandei a fam�lia para a aldeia... - Pronto, j� chega!
J� percebi!
Desculpa l�. Estou a sair.
Espere!
O que fazes aqui?
- Nada, estava de sa�da. - O meu filho?
L� dentro.
Fidel?
N�o!
N�o! Tomou todos!
O que fizeste? Cospe-os!
Cospe-os! Enfia-lhe os dedos na garganta! Obriga-o a vomitar!
� s� um.
Porque fizeram isso?
Porque sou tua m�e.
E eu sou teu pai.
O qu�? Ele disse "pai"?
Sim. O teu pai.
- A s�rio? - Sim.
O que fazem aqui?
Evitamos que fa�as um disparate.
V�... Esque�am-me. Por favor.
Esquecer-te?
Esqueci-te por muito tempo. Nunca mais.
Ele � mesmo meu pai?
Sim, �.
Voc�s n�o fazem ideia.
- Fui eu que despedi os 300 trabalhadores. - Eu sei.
- Os seus filhos. - Eu sei.
- Escondi-me durante um ano. - Eu sei tudo, Fidel.
Desde quando?
Desde o in�cio.
E n�o disse nada?
Pensei que te faria desesperar.
Pensou? N�o tem de pensar por mim.
Como assim? Vi-te saltar para diante de um autocarro!
Isso n�o lhe d� o direito!
- N�o me fales em direitos. - Porqu�?
Diga. Porque sou um cabr�o, certo?
N�o, n�o �s.
Eles obrigaram-te a fazer aquilo. Tenho a certeza.
Est� enganada. Eu � que decidi quantos despedir.
- Adorava despedir pessoas. - N�o!
Achas que sim porque te fizeram crer nisso.
Como sabe?
Como sei?
Porque sei.
Quando nasceste, nem te tive nos bra�os.
Fechei os olhos e despedi-te.
Tal como despediste aquelas pessoas.
N�o somos assim t�o diferentes.
Desculpem. Temos de ir. Estamos atrasados.
Sim. Vamos.
- Ele � mesmo meu... - Sim, �. O que posso fazer?
- Vamos. - N�o vou.
- Como assim? - N�o vou.
Se n�o fores, as Mam�s n�o dan�am.
N�o me pode pedir que me exiba na TV.
� mesmo disso que precisas.
Demorei a perceber, mas � isso.
O qu�?
N�o te escondas mais, Fidel. Aceita quem �s.
Todos se rir�o de mim. Sou o Homem Lapa.
Que importa? Deixa-os rir.
Ter�s de viver com isso.
N�o posso.
Ouve.
Olha para aquelas mulheres ali em baixo.
V� como est�o empolgadas. Sabes porqu�?
Est�o aqui por tua causa.
N�o as podes deixar mal, Fidel.
Orgulho!
Orgulho, Fidel.
Orgulho!
Orgulho, filho!
Orgulho.
Boa noite!
Bem-vindos � Gala dos Talentos!
Falei com ela h� meia hora. V�m a caminho!
Deixa-te de tretas, Chacho.
Entra o n�mero de sapateado.
N�o me importa o que fazes, mas faz agora. Depressa!
Todas para dentro, depressa! Estamos atrasados!
Vamos!
- Vou matar-vos! - Desculpe.
- Quase tive um ataque card�aco. - E n�s quase tivemos dois.
- � um milagre termos chegado. - Ia mudar o alinhamento!
- Onde est� ele? O tipo que dan�a. - L� vem ele.
Pronto. Preparadas?
Sim, mud�mos de roupa no autocarro.
Sigam-me, entram a seguir.
- A seguir? - Sim, depois dos cheerleaders.
- Esperem! - V�, depressa!
V�, as mais altas atr�s.
Todas l� em cima, por favor.
Esperem, n�o deixem que a c�mara vos veja j�.
- Quem � o senhor? - O pai dele.
- Sim. - Ele � o pai dele.
Ele n�o vai entrar?
Sim, mas primeiro vamos entrevistar as raparigas.
- Est� bem. - Perfeito, ali.
- Aqui? - A�.
Meninas, deem tudo. Eu fico a ver da cabina.
V�, leva-as.
Quem vai entrar?
Elas sabem o que t�m a fazer.
- Chacho, estou sozinho. - Atitude positiva!
Meninas, vamos l�!
Sim? Est� bem.
Senhoras, a postos. O Manel vem a caminho.
C�us, o Manel...
Calma. N�o se enervem.
Boa sorte.
- Est�s melhor? - Sim.
Vamos.
N�o pode vir.
- Fique aqui. - Sou o pai dele.
N�o importa.
Parab�ns aos cheerleaders! Obrigado, malta.
Uma excelente atua��o, mas como sabem, voc�s decidem
e o veredicto est� nas vossas m�os.
De Navalcarnero, passamos para Badalona.
Falamos de mam�s, a melhor coisa na vida.
Mas as mam�s que temos c� hoje n�o s�o comuns.
Vieram para nos darem um exemplo de coragem...
Este programa � uma treta.
Temos de esperar aqui ordens l� de cima.
Apetece-me fugir.
A mim tamb�m, mas n�o posso.
Maribel, l� vem ele!
... apesar das adversidades e dos problemas.
Nada se intromete entre elas e o sonho.
C� est�o elas. Muito nervosas, imagino.
Sim, estamos. E agora ainda mais.
Dez mulheres de Badalona. Elas s�o: Mari Ascen,
Bel�n, Carol, Cati, Cris, Eli, Malole, M�nica, Uge e Virginia.
Um aplauso para todas.
Lindas!
Estas mulheres s�o um s�mbolo de coragem e supera��o.
Est�o c� para dizer que se pode dan�ar em qualquer idade, certo?
Em qualquer idade. Pergunte aos meus rins.
Porque se chamam Mam�s?
Lev�vamos os nossos filhos �s aulas de dan�a
e esper�vamos por eles no exterior. Um dia, dissemos:
"Porque esperamos c� fora, em vez de dan�armos tamb�m?"
Mas n�o dan�am qualquer coisa.
- N�o, dan�a urbana. - Dan�a urbana.
Mas estas mulheres maravilhosas n�o est�o s�s.
H� um jovem que dan�a com elas, o Fidel, que � um dos vossos filhos.
Sim, � meu filho.
Mas o que importa aqui � o grupo.
Claro que importa o grupo, mas tamb�m o l�der.
Falaremos de tudo ap�s este intervalo.
Depois do intervalo, o Manel apresenta um v�deo de 45 segundos
e tu entras. Est� bem?
- Sozinho? - Sim, foi o que me disseram.
Voltamos � Gala dos Talentos. J� conhecem as Mam�s
e estas mulheres maravilhosas vieram com um homem
que foi uma sensa��o na Internet h� um ano.
Muitos de v�s devem lembrar-se dele.
Ao longo da hist�ria da Humanidade,
houve muitos casos de antropomorfismo.
O Homem Elefante, o Homem Aranha,
o Lobisomem e o Abomin�vel Homem das Neves.
Todos encheram p�ginas e p�ginas
da hist�ria da literatura cient�fica,
mas nenhum deles causou tanto reboli�o o ano passado
como o incr�vel Homem Lapa.
O envolvimento dele com uma estagi�ria invadiu as redes sociais.
A can��o sobre ele foi um �xito global.
E os m�dicos ficaram intrigados com este caso incr�vel e singular.
- Quem � aquele? - O cabr�o dos Recursos Humanos!
Mas ele sumiu de repente. Desapareceu.
Esta noite, em exclusivo, reaparece neste programa.
Vamos receber Fidel Garc�a Ruiz, o Homem Lapa!
Boa noite, Fidel. Bem-vindo.
- Boa noite. - Que surpresa!
Pois, tamb�m foi uma surpresa para mim.
Esteve desaparecido durante um ano!
Sim, tive de me esconder
porque me envergonhava de ser conhecido por causa disto.
Podem imaginar, com a confus�o que causou.
Mas j� n�o me escondo mais.
Estou aqui esta noite para mostrar a cara.
Mesmo que me batam.
Diz ao Manel que continue. Est� tudo bem.
Muito bem, Fidel. E porque decidiu faz�-lo esta noite?
- Vim c� para dan�ar. - Sim.
Posso voltar a fazer figura de parvo, mas � para uma boa causa.
Diga-me, se pudesse voltar atr�s, nem que fosse s� uma vez,
apagaria totalmente aquele cap�tulo?
A parte que apagaria foi ter despedido aquelas 300 pessoas.
Apagaria isso.
E a outra parte?
- Isso pode acontecer a qualquer um. - A qualquer um...
Sim, a qualquer um...
- Posso dizer uma coisa, Manel? - Claro.
Estas mulheres mudaram-me a vida.
N�o s� porque me fizeram dan�ar,
mas tamb�m porque me fizeram perceber que eu...
Fui um merdas durante toda a vida.
Sim, um merdas, Manel.
Um merdas capaz de tudo por dinheiro.
� nojento o que fazemos por dinheiro.
Mas estas senhoras dan�am pelo prazer de dan�ar.
Porque gostam, s�o apaixonadas por isso.
N�o querem dinheiro nem fama. Dan�am porque lhes vem da...
- Da alma. - Sim.
Para n�o dizer outra coisa.
E essa � a maior vit�ria que se pode ter. A s�rio.
Eu queria ser algu�m e n�o era ningu�m.
E agora sei quem quero ser.
Eu quero ser e sentir-me como uma mam�.
Espero que elas sintam o mesmo e...
... que me possam aceitar na tribo.
E agora, sem mais delongas, Fidel e as Mam�s!
S� l� est�o quatro!
- Eram dez! - Onde est�o?
Que raio � isto?
Um espet�culo de talentos ou um encontro de av�s hippies?
- Queres que as trave? - Seja como for, est�s despedido!
Aquele � o meu filho! O meu filho.
Sim, tem os meus olhos.
Tenho tanto orgulho em ti, filho. Dan�as t�o bem!
Est�-me no sangue.
Vamos divertir-nos Sabes?
Como lapas
N�o resistas
Vamos l�!
Lapa
Lapa
Corres perigo Vais ficar presa
Menina bonita, isto � incr�vel
Est�vamos a fazer amor E fic�mos colados
Vamos ficar presos Eu e tu, sem d�vida
Amo-te tanto N�o consegui largar-te
Presos para sempre, estamos com azar
N�o podemos ser separados Estamos colados
Lapa
Lapa
Cola-te a mim
Como supercola Presa a mim
Preciso de uma bebida, est� calor
Muito calor
Vem a minha casa Vamos colar-nos
Barriga com barriga, combinamos bem
Acima
Abaixo
Estou colado!
Os corpos unidos, para sempre juntos
Chamem um padre Vamos dar o n�
�s t�o linda, n�o te consigo largar
Sou o Homem Lapa da cabe�a aos p�s
Lapa
Lapa
Querida Vamos colar-nos
Como lapas
Querida
C� vem a lapa Que tal uma rapidinha?
Perigo
Perigo
Lapa
Legendas: L�gia Teixeira
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