Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Há muito tempo,
em uma terra misteriosa e distante,
daquelas que hoje só existem nos contos de fadas,
viviam três irmãs.
Eram trigêmeas,
o que chamava a atenção de todos
sempre que iam com a mãe ao povoado.
Mas quando todos os olhares estão focados em você,
às vezes,
o mal também olha.
- Não. - Quanto tempo?
A injeção!
Segure-a.
O que aconteceu, mamãe?
Nada, meu amor.
É o terceiro ataque esta semana.
Os órgãos dela começaram a falhar
e estão resistindo ao tratamento.
É melhor interná-la e
nos preparar.
Não…
- Ah, não. - Eu não consigo…
Obrigado, doutor.
Ah, não.
Não ouviu o médico?
Ela precisa estar num hospital, não numa casa no meio do nada.
A Luna não vai para um hospital!
Por que está ignorando os especialistas? Eles sabem o que fazem!
Pois seus especialistas desistiram dela!
Consultamos aqui, em Houston e em toda parte.
Sua ciência não funciona.
Tá maluca?
- Não vamos pôr a vida dela nas mãos… - Nas mãos de quem?
São minhas mãos.
Vai dar certo.
Confie em mim.
Partiremos amanhã.
Meu amor.
Na maleta ou com você?
Comigo.
Nala, arrume suas coisas rápido, filha.
Pode arrumar suas coisas, por favor?
- Prontas? - Não dá, ela está impossível.
Alguém levantou do lado errado da cama.
Você ia gostar de ser obrigado a ir para o meio do nada?
Meu amor… é pela Luna.
Sua mãe acha que lá pode ter uma solução.
Tudo é por ela.
Não esqueça o biquíni.
Sua mãe disse que tinha uma piscina.
Nada, pode vir mais rápido?
Até logo.
Becca!
- Estão indo para o tratamento? - Não.
Vamos viajar para visitar a família.
Eu acho ótimo. Não dá para viver de hospital,
Miguel, não chegue perto da Luna.
Ela é muito frágil.
É melhor prevenir. Pegou gripe de novo e não quero que passe para ela.
Além de tudo o que ela já…
É.
Não sei a causa, mas tem muitas crianças gripadas.
Pegue o elevador. Eu esqueci algo em casa.
Pegue, já que está aqui.
CUIDE DO SEU FILHO
NÃO QUEREMOS MAIS CRIANÇAS DOENTES NO PRÉDIO
Ouça.
Você já é uma mocinha.
Preciso contar com você.
A viagem não vai ser fácil.
Vou precisar de todo o seu apoio.
A Luna precisa de você.
Eu também.
Eu já vou na maldita viagem, o que mais você quer?
Não sei onde errei com você.
Posso fazer uma lista.
Cuidado, cuzão!
Papai falou um palavrão.
Está bravo, papai?
Não, amor.
Papai está nervoso, porque vai conhecer a sogra.
O que é sogra?
Uma dor de cabeça, amor.
Guillermo!
O que é isso?
- O enterro de um menino. - Nala!
É uma festa de despedida, amor.
De um menino que foi para o céu.
Com os anjinhos?
É, meu amor. Com os anjinhos.
Chegamos.
- Todas bem? - Sim.
Certo.
Venham conhecer a vovó Josefa, meninas.
Finalmente vou conhecê-las.
Que meninas tão lindas.
Oi, vovó.
A pequena Luna.
Docinho.
Deve ser a Nala.
Prazer.
Parece muito com a sua mãe.
Espero que só por fora.
Ah, por favor. Não comece, está bem?
Como você está?
Certamente não tão bem quanto você, Rebecca.
Dona Josefa. É um grande prazer.
Por favor, não me diga "dona", porque me faz sentir mais velha.
Me desculpe. Josefa.
Muito prazer.
O prazer é todo meu.
Querido, pode trazer as malas?
Não, deixe.
Vou pedir para o Pedro levá-las.
Vamos conhecer a casa da vovó, meninas.
Estava faltando um homem tão bonito na família.
A casa não tinha três andares, mamãe?
Sim, meu anjo. Tem três andares.
Mas o terceiro é o sótão,
onde ficava o quarto da vovó Teresa.
Para o Instagram?
É claro.
Qual é o wi-fi?
O que é wi-fi?
Amor, aqui nem tem sinal.
Alguns dias sem o TikTok não vão te fazer mal.
Que droga de lugar.
Nala.
Leve a Luna para conhecer o jardim.
- Sim! - Sim?
Vão. Vão explorar.
Quer caçar insetos?
No.
Tá. E pega-pega?
Luna, é brincadeira de criança.
Nossa, lá está a piscina.
Que bom que trouxe o biquíni.
Ficou tão surpresa de eu ligar?
Sim, fiquei.
Nunca pensei que voltar estivesse nos seus planos.
Às vezes, os planos mudam.
Acha que viria se tivesse outra opção?
Mas… Não está com medo?
E se acontecer alguma coisa?
Não aprendeu nada?
Claro que tenho medo,
mas eu vou fazer qualquer coisa pela minha filha.
Vou pedir para a Abigail dar mas frutas para elas.
Abigail? Quem é Abigail?
A namorada do Pedro. Ela também me ajuda.
Eles moram numa cabana aqui perto.
Caramba! Como o campo está moderno.
Abigail.
Elas são minhas netas.
Olá, meninas!
Dê frutas para elas e lhes faça companhia.
Sim, Dona Josefa.
Entrem, sejam bem-vindas. Podem sentar.
Já conheciam Las Ánimas?
Nunca tinham vindo?
Querem um pouco de canjica?
Escutem.
Até entendo que não conheçam Las Ánimas,
mas nunca comeram canjica?
Eu faço uma deliciosa.
- Um para você. - Obrigada.
- E outro para você. - Obrigada.
De nada.
Está gostosa, não?
Que bom que gostaram.
Acho que também está delicioso.
Mamãe, há quanto tempo não vinha para Las Ánimas?
Meu amor.
Você sabe que sou péssima com números.
Não só com números.
Guillermo,
você concordou com essa viagem?
Sim, claro.
É um prazer finalmente conhecê-la, e acho legal as meninas…
Não foi o que perguntei, querido.
Perguntei se você concordou
com o motivo da viagem…
Podemos falar de outra coisa na mesa?
Foi só uma pergunta.
Acho que fazemos qualquer coisa por nossos filhos.
Vejo isso nos pais do nosso prédio
com o problema da epidemia.
Tem uma epidemia no seu prédio?
As crianças ficam doentes,
mas mamãe diz que não estão tão doentes quanto eu.
Felizmente, Nala e Luna não pegaram.
Amor.
Podemos falar de outra coisa? Sim?
Guillermo!
Você gosta da comida de Veracruz?
Sim, adoro,
mas devo admitir que aqui é mais gostosa.
É só que a Rebecca é
um pouco insípida.
Como vão, meninas? Tudo bem?
Entediadas.
O campo deve ser calmo demais para vocês.
Nala, sua avó te mandou um presente.
Que horror.
Não é tão feio.
É horrível.
Bem, vou deixar aqui para o caso de resolver usar.
O que as crianças fazem aqui para se divertir?
Quando era pequena, o que eu mais gostava era de ouvir histórias.
- Lendas do campo. - Conta uma?
Não.
A maioria é assustadora. Não quero te assustar.
Eu não tenho medo.
- Tem certeza? - Por favor, conta!
- E se não conseguir dormir? - Vou conseguir, sim.
- Conta. - Nala?
Sim, por favor.
Certo, mas só uma.
- Sim. - A lenda das trigêmeas.
Há muito tempo,
havia umas trigêmeas,
e enquanto dormiam à noite,
começaram a ser visitadas por um ser maligno.
Era uma bruxa.
- Uma bruxa? - Sim.
Uma bruxa muito má.
As bruxas sugam o sangue das crianças para roubar sua juventude
e assim permanecerem jovens para sempre.
O que aconteceu com a menina?
A bruxa a drenou todas as noites durante muitos anos.
Então a menina adoeceu.
Começou a enfraquecer
e ter muitos problemas de saúde.
Suas irmãs colocavam uma tesoura debaixo do seu colchão todas as noites,
pois acredita-se que isso afugenta as bruxas,
mas já era tarde.
A bruxa já a havia drenado muito.
Então, para ajudá-la,
suas irmãs caminharam até uma cabana bem afastada,
onde morava uma feiticeira que tinha vindo do Caribe.
Uma das meninas estava muito assustada,
mas a outra estava decidida
e a convenceu.
A feiticeira propôs uma coisa a elas.
Ela as ensinaria a fazer um Bacá.
Com ele, poderiam salvar a irmã.
Uma vaca?
Não, um Bacá. Com B.
O Bacá é um ser mitológico
que vem do lugar mais sombrio do Caribe.
É um ser que concede desejos.
O que você pedir.
Mas, em troca,
traz coisas ruins para quem o faz.
Ou seja, ele dá,
mas pede algo em troca.
Em troca de ensiná-las a fazer o Bacá e assim salvar a irmãzinha,
elas teriam que pedir riquezas e entregá-las à feiticeira.
Assim, teria as recompensas do Bacá sem os males que ele traria.
Diz a lenda
que tem que enterrar um ovo de avestruz,
com o sangue de uma cabra,
uma serpente e uma criança.
Enterrá-los sob a Lua Cheia,
em um local especial
que só as bruxas conhecem.
As meninas o fizeram.
E após seis noites fazendo o feitiço…
uma coisa nasceu do ovo.
O quê?
Ao fazer um Bacá,
pode nascer um cachorro ou um gato.
Às vezes, um rato.
Um frango.
Ou até um bebê.
Mas é um Bacá.
Com o Bacá, a trigêmea melhorou,
embora não completamente.
As meninas cumpriram o acordo, dando as riquezas para a feiticeira.
Mas ela as seduziu para mantê-las a seu serviço.
Prometeu ensinar-lhes os segredos da magia negra.
E uma das meninas,
a mais corajosa,
foi atraída pela magia negra.
E a outra decidiu se afastar de tudo aquilo.
Até que um dia,
a menina corajosa
que já havia se tornado aprendiz das artes sombrias,
encontrou a fita de sua irmã,
e descobriu que a feiticeira
era a mesma bruxa que havia deixado sua irmã doente,
e que havia se mantido jovem sugando seu sangue.
Ela percebeu que precisava matá-la.
As bruxas não existem, ou existem?
Sim, existem.
E virão te pegar.
Virão te devorar
durante a noite.
Claro que não, boba!
São só histórias para assustar as crianças.
Bem, Nala,
ouvimos muitas coisas no campo.
O que estão fazendo?
Estava nos contando uma história de terror.
Está proibida de contar histórias e fofocas da aldeia para minhas filhas.
São muito novas para ouvir besteiras. Ficou claro?
Fique com a Luna.
Nala, preciso falar com você. Venha comigo.
E agora?
Seu pai e eu sairemos cedo.
Ficaremos fora uns dias. Terá que cuidar da Luna.
O quê?
- Por que têm que ir? - Pela Luna.
Sabe que viemos ajudar a sua irmã.
Então, não basta ter nos arrastado até aqui?
Agora vai me deixar aqui sozinha com uma velha amarga?
Vamos procurar um tratamento alternativo para sua irmã.
Mas é longe.
- E não é seguro para vocês. - Rebecca, não quero ficar aqui!
Esta maldita casa é horripilante. E a vovó também.
Você está insuportável.
E desde quando me chama pelo nome? Eu sou sua mãe!
Você chama assim a sua mãe.
Meu amor…
Eu entendo.
Mas preciso que fique e cuide da Luna.
Tudo é sempre pela Luna!
Não entende que a sua irmã está muito doente?
Para isso me trouxe, né?
Quer saber?
Pense o que quiser.
Não está certo, Becca.
Temos que levá-las conosco.
Não dá, amor. Não sabemos como ela vai reagir.
Vamos deixá-la com a sua mãe?
Você não a vê há anos.
Está tranquila com isso?
Sim, você a viu.
É uma velha amarga e seca,
mas inofensiva.
O pior que pode fazer é dar um beijo com bafo nelas.
Meu amor, confie em mim.
Nala, você já é crescida.
Preciso poder confiar em você.
Na volta,
vamos ter uma conversa muito importante.
Já está na idade de…
Serão só alguns dias.
Tentem não incendiar a casa, OK?
Um abraço no papai.
Nala lembra muito você na idade dela.
Espero que não seja tão teimosa.
Vovó,
não sei se minha mãe falou, mas sou vegetariana.
Essas são modinhas da cidade grande.
Não tem outra coisa?
Aqui não é um restaurante, docinho.
Luna.
Coma bem
para ficar melhor.
Você também, docinho.
Não, obrigada. Não estou com fome.
Não sei como sua mãe acostumou você,
mas, nesta casa,
não se desperdiça comida.
Entendeu, docinho?
Nala, você está linda. Fica muito bonito em você.
Obrigada.
Mas não acho que vá poder usar.
Ei! Cuidado!
Obrigada.
Tenha cuidado com a piscina.
Está coberta desde sempre.
Que desperdício.
Se quiser, posso limpar.
Mesmo?
Deve ficar pronta antes de irem.
Nala, o que está fazendo?
E você, Pedro,
vá para a cozinha.
Abigail precisa de ajuda.
Sim, senhora.
Cubra-se!
O povo daqui vai pensar que é uma prostituta.
Cubra-se agora!
Trinta, trinta e um, trinta e dois,
trinta e três, trinta e sete, trinta e oito, trinta e nove…
Quanto?
Luna, o que foi?
E se nossos pais não voltarem para nos pegar?
Não pense assim.
Eles vão voltar, só saíram por uns dias.
Luna, está tudo bem.
Certo? Eu estou aqui.
E vou cuidar de você, eu prometo.
Que nojo, o outro!
ESTÃO AÍ? PRECISO FALAR COM VOCÊS.
Luna?
Luna?
Luna!
Quer morango?
Quero, obrigada.
- Abigail? - Diga.
Como termina a história das trigêmeas?
Não posso contar. Lembre-se do que sua mãe falou.
Ela não está aqui.
Não. Nala, essa história é muito pesada para vocês.
Pode assustar a Luna.
Luna, você teve medo?
Viu só? Conte.
Não pode parar assim.
Bom, está bem.
Lembram que paramos
quando descobriram que a feiticeira
era a mesma bruxa que tinha deixado sua irmã doente?
Bom, aí uma das trigêmeas
convenceu a outra de matar a bruxa
para se vingar do que ela tinha feito com sua irmã.
Certa noite, elas entraram na cabana
e, dentro de um casulo,
encontraram a pele da bruxa.
- A pele? - É.
As bruxas tiram a pele para poder voar.
E já sabiam como matá-la.
- Sal? - Sim.
O sal mata as bruxas.
Naquela noite,
quando a bruxa voltou,
as meninas a estavam esperando para ver se o plano funcionaria.
Naquela noite, a bruxa morreu.
Queimada de dentro para fora.
Mas, com seu último suspiro, lançou um mau-olhado sobre elas.
Jurou que seriam consumidas pela inveja,
que seria a ruína delas.
E o que aconteceu com elas?
Sofreram uma última desgraça.
Lembrem-se, meninas:
o Bacá te dá algo,
mas pede algo em troca.
O Bacá
pegou a vida da mãe delas.
O que pode ser pior
que matar a própria mãe
sem nem perceber?
Diante dessa desgraça,
a irmã que nunca quis criar o Bacá
e nem mexer com magia,
decidiu remediar o seu erro.
A essa altura, o Bacá já havia crescido.
Dizem que não é fácil matar um Bacá,
mas estava decidida.
A morte do Bacá
fez com que a irmã voltasse a ficar doente até seus últimos dias,
enquanto que a morte da mãe
provocou uma inimizade forte entre as duas irmãs
e as separou para sempre.
Uma delas
continuou praticando a magia negra,
enquanto a outra jurou nunca mais fazer aquilo.
E quando o povoado soube
que as trigêmeas tinham praticado bruxaria,
elas tiveram que fugir, se esconder.
Nunca mais foram vistas.
- E funciona mesmo? - O quê?
O sal.
Ele mata bruxas?
Nala… É só uma história.
Nala! Por que pediu para o Pedro limpar a piscina?
Ele se ofereceu.
Não sei como você foi criada,
mas, nesta casa, se você quer algo,
você mesma faz.
Como?
Vamos, vá limpar a piscina. Agora!
Eu?
- Vovó… - Nada de "vovó".
Enquanto estiver na minha casa,
vai fazer exatamente o que eu disser, docinho.
Não vou deixar a Luna sozinha.
Dona Josefa, eu posso ajudar…
Fique tranquila, Nala. Eu cuido da Luna.
Vá.
O que está esperando?
E que fique bem limpa!
Terminou?
Amanhã você continua.
Você sabe que tudo isso é para o seu bem, não sabe?
Você sabe, não é, docinho?
Agora vá dormir.
Não é hora de ficar perambulando por aí.
Luna?
Não!
Luna, não!
O que foi? Luna, Luna!
Bom dia, dorminhoca.
A dorminhoca é você.
Escute, quer ir caçar libélulas?
Eu vi muitas na área da piscina.
- É sério? - Sim.
- Vamos? - Sim.
Luna! Você está bem?
Espere um pouquinho. Já volto.
Abigail!
É o que acontece
quando você só ouve a si mesma.
- Avó! Luna está doente! - As meninas estão bem.
- Avise meus pais! - Sim, as duas.
É minha mãe?
Um segundo, por favor.
Estão lá fora.
É, no jardim.
- Pedro limpou a piscina. - O quê?
Elas estão muito bem, não se preocupe. Tchau.
Queria falar com ela!
- Desligou porque estava com pressa. - Mentira!
Cuidado com o que fala, menina.
Ou quer ficar o dia todo limpando a piscina?
Que bom que nos entendemos…
docinho.
Está ardendo em febre, minha pequena.
Tem que avisar meus pais.
Para quê? Não tem nada que possam fazer.
- Temos que avisá-los. - Avisar o quê?
Que você fez isso com ela?
Não fiz nada com ela.
Luna estava muito bem ontem.
Você dormiu com ela.
O que fez a ela, docinho?
Relaxe.
Luna está bem.
E você precisa comer. Não queremos que adoeça também.
Não entendo por que não quer avisar meus pais.
Certamente não quer preocupá-los.
Abigail.
Acha que minha vó poderia ser…
uma bruxa, como a da história?
Ai, Nala!
Ai, Nala, por favor. Não fale bobagem.
Olha, Dona Josefa pode ser dura,
mas, por dentro, é só amor, incapaz de fazer mal a ninguém.
No povoado, todos a querem bem e respeitam há muitos anos.
Não me coloque em problemas por ter te contado a história.
Sua chamada está sendo encaminhada…
Nala! O que está fazendo aqui?
Entrando no sótão sem minha permissão?
Então é assim.
Como Rebecca pôde criar uma menina como você?
A cada dia me decepciono mais.
Você respeita alguma coisa, docinho?
Esta noite, vai dormir sem jantar.
Queria sinal para falar com meus pais.
Essa é a sua desculpa?
Me dê o celular.
- Agora! - Não.
Eu mandei me dar.
Solta. Solta!
Solta!
¡No!
Velha maluca!
Olha a casa, que bonita.
O que aconteceu?
Foi o tempo.
A avó.
Olha, a piscina funcionava.
Por que nadavam de roupa?
Olha a mamãe. Que linda.
É.
E a avó Josefa.
E essa aqui
é a mãe da nossa avó.
Ou seja, nossa bisavó.
Lembra que a mamãe nos falou da bisavó Teresa?
Nunca tinha visto uma foto dela.
Luna, pequena.
Parece estar melhor.
E você, docinho,
teve uma lição muito importante hoje.
Boa noite, meninas.
Domi.
Luna!
Luna, levante. Temos que ir embora agora!
Nala, é muito cedo.
Luna, por favor, depressa.
Nala, quero dormir mais, me sinto mal.
- Temos que sair daqui! - Eu me sinto mal. Por favor, não.
Luna, por favor. Eu te carrego, está bem?
Venha, eu te ajudo.
Venha.
Luna.
Vovó mandou não se afastar da casa. O que está fazendo?
Não importa o que ela disse!
O que é isso?
Venha. Venha comigo.
Nala, estamos muito longe. Quero voltar, estou com medo.
A casinha da Abigail!
Ela nos convidou para comer canjica. Vamos?
- Luna! - Nala, me sinto muito mal.
Estamos quase lá, preciso que fique de pé.
Quero a minha cama.
Faça um último esforço, por favor.
Não posso te carregar até lá, me ajude, por favor.
Com cuidado. Fique aqui, está bem?
Vou chamar a Abigail.
Ajuda!
Abigail, ajuda!
Abigail?
Abigail?
Luna!
Luna, eu estou aqui!
Ai, docinho.
Agora o que foi que você fez com a sua irmã?
Traga a seringa que está na prateleira da cozinha. Rápido!
Calma, pequena, calma.
Calma.
Vamos virá-la.
Pronto, pequena. Já passou.
Você quase a matou!
A culpa é sua!
Eu sei o que faz com ela de noite. Eu te vi!
Enlouqueceu com as histórias da Abigail, docinho?
Eu sei de tudo! Sei que é uma bruxa!
Sei que suga o sangue da Luna. Por isso, vamos embora.
Acha que é você quem decide quando vai embora?
Ela está sob meus cuidados!
Luna é meu sangue!
Não vou deixar que a machuque mais.
Me tire daqui, maldita bruxa!
Nala?
Pedro?
Pedro, me tire daqui, por favor!
Mandaram ver como você estava.
- Minha avó? - Não, a Abi.
Queria saber como estava.
Não, não. Vocês são bruxos.
- Eu os vi. - O quê? Do que está falando?
Sim!
Eu vi! Vi você e a Abigail…
hoje de manhã, com a faca.
Vocês estão ajudando minha avó a matar a Luna!
Ouça o que está dizendo.
- Quem meteu essas ideias na sua cabeça? - Mas, então…
Se não é verdade, então me ajude. Por favor, me tire daqui.
Por favor!
Não, não posso fazer isso. Vou ter problemas com a dona.
Preciso cuidar da Luna.
O que posso fazer é cuidar da Luna para você.
Não deixe nada acontecer com ela!
- Tenho que ir. - Pedro, fique!
Pedro?
Nala!
Preciso que saia, docinho.
Aconteceu um acidente horrível.
Luna?
Na piscina.
Pedro.
Que tragédia.
Morreu tão jovem.
E a culpa é sua!
Como minha culpa?
Você pediu para limpar a piscina.
Então, por isso, ele tropeçou, bateu a cabeça
e se afogou.
Cadê a Luna?
Está dormindo no quarto.
- Tenho que vê-la! - Sim.
Mas antes vamos esperar a polícia, que não deve demorar.
Pedrinho era um filho para mim.
E morrer desse jeito.
- Alguém falou com a viúva? - Fala da Abigail?
O casamento foi recém anteontem.
Não foi um acidente!
Ela o matou! Ela é uma bruxa!
Suga o sangue da minha irmã de noite.
Pedro tentou nos ajudar, e ela o matou.
Por favor, perdoem a minha neta.
Está muito nervosa.
Como foi ela que fez o Pedrinho limpar a piscina…
Bem, senhora, vamos deixá-la com seus assuntos familiares.
Agradecemos. Vamos.
Não, por favor, não vão embora!
Não, por favor!
Não! Por favor, não vão embora! Por favor!
Têm que nos ajudar, minha irmã pode morrer.
Docinho,
acho que você tem um sério problema de aprendizagem.
Quer ver a sua irmã?
Veja.
Veja como sua irmã ficou depois do que você fez com ela.
Luna… Luna?
O que está fazendo?
- O que é isso? - Uma amostra de sangue.
Sua mãe pediu para tirar.
Isso não é uma amostra de sangue!
Céus, quando vai deixar de me culpar por tudo?
Nala?
É…
Sou eu.
Calma.
Nala!
Alô?
Nala.
Amor, o sinal está muito ruim.
Mamãe!
Mamãe, a vovó é uma bruxa!
Meu amor, está me ouvindo?
Nada. É a mamãe.
Tudo bem, filha? Como a sua irmã está?
Mamãe?
Ai, docinho.
Vai matar a sua mãe de susto
agora que está fazendo algo muito importante pela saúde da Luna.
Sei o que está fazendo.
Parece que só tem um jeito de fazer você entender!
- Ande. - Me solte!
Vai usar isso?
Nala!
Você bateu na vovó!
Temos que ir, depressa!
- Aonde? - Rápido!
Vamos deixar a vovó aqui?
- Venha. - Não posso ir com você!
Venha!
Corra, Luna. Vamos.
O que é isso?
Espere aqui.
Precisamos de ajuda.
Abigail?
Abigail!
Abigail!
Abigail?
Pedro!
Luna!
Não!
Luna!
Não!
Não, não…
Luna, por favor.
Por favor, Luna.
Fique comigo.
Por favor.
Luna!
Luna?
Como você está? Como se sente?
Estranha.
Como se tivesse acabado de acordar.
Nala! Luna!
Luna.
- Luna. - Nala!
Nala, tudo bem?
- Luna. - Luna.
Abra os olhos.
Fique com a mamãe.
Olá, docinho.
Jele.
Como ela está?
- Falou alguma coisa? - Não.
Está exausta, desidratada.
Mas vai ficar bem.
- Confie em mim. - Rebecca, chega.
Luna melhorou, mas vamos embora agora.
Se não acordar até ter carregado o carro,
iremos para um hospital.
Desculpe, Josefa. Obrigado por tudo, mas é hora de ir.
Entendo, Guillermo.
Quase matou a Luna!
Em que estava pensando saindo com ela no meio da noite?
Não a culpe.
Está em plena adolescência.
Ou já esqueceu o que fazíamos na idade dela?
Não concordo com o que você fez pela Luna,
mas que bom que funcionou.
Veja.
Veja como ela está bem.
Nem sei como agradecer, Josefa.
Ver a minha família saudável já me deixa satisfeita.
Não acredito que ela te atacou. Sinto muito.
É uma mocinha.
Está numa fase complicada.
Tem ciúmes.
Está confusa.
Josefa…
Obrigada.
Eu que agradeço.
Por me dar de novo uma família.
Ai, docinho.
Escute bem.
Nunca vou deixar a Luna.
Está tudo pronto.
Vou pegar a Nala e me despedir da sua mãe.
Meu amor…
Querida, o que foi?
Se não voltar em cinco minutos, pegue a Nala e vá embora.
E cuide da Luna.
Josefa!
Josefa!
O que você fez?
Às vezes, os planos mudam.
Você tirou a minha mãe de mim, agora ficarei com suas filhas!
Tem uma epidemia no seu prédio?
As crianças ficam doentes.
Mas mamãe diz que não estão tão doentes quanto eu.
As bruxas sugam o sangue das crianças
para roubar sua juventude.
Quando o povoado soube
que as trigêmeas tinham praticado bruxaria,
elas desapareceram
e nunca mais foram vistas.
Acredita-se que a trigêmea doente envelheceu e morreu
e uma das irmãs,
a que decidiu se afastar da bruxaria,
começou a envelhecer também.
Enquanto isso, a outra fugiu
e se manteve jovem para sempre,
sugando o sangue das crianças todas as noites.
Meu amor.
Sente-se melhor?
Não faça essa cara.
Sei que foi difícil para você, mas você foi muito bem.
Daqui a algumas semanas,
a vovó vai morar com a gente.
A pobrezinha está tão sozinha aqui. Você não acha?
Vamos embora.
Vamos esperar no carro, está bem?
Você me deixou assustado.
O que houve?
E a Nala?
Já acordou.
Está muito bem.
Insuportável como sempre.
Foi se despedir da avó.
Amor, como se sente?
Colocou o vestido.
Sei que as despedidas podem ser muito dolorosas.
Mas vai ficar tudo bem.
Tem algo no seu cabelo.
Pronto. Agora ficou perfeita.
Vamos.
Está olhando o quê?
É!
Meu amor.
Quis monitorá-la nesses dias para ter certeza,
mas não há vestígios de sintomas.
Superamos essa fase.
Não acredito em milagres,
mas não há outro jeito de explicar isso.
O importante é que ela está bem.
Doutor, e… a Nala?
Eu a examinei várias vezes nos últimos dias
e não encontrei nada físico ou neurológico que me preocupasse.
Não fala há quatro dias. Isso é normal?
Posso indicar vários psicólogos…
Chega, amor.
Ela vai ficar bem.
Vai passar.
Confie em mim.
Quanto à Luna, nunca tinha visto tal recuperação.
Não entendo como mudou tanto.
É um milagre, doutor.
O mundo adulto
é complicado e fantástico.
Eu sei que você acha que sabe muito.
Mas hoje,
que você começa a ser mulher,
é o dia em que vai começar a aprender realmente…
docinho.
O que pode ser pior que matar a própria mãe sem saber?
Esse foi o preço que o Bacá cobrou por ter salvado a vida da Luna.
Diz a lenda que a maldição da bruxa se cumpriu,
e as duas irmãs que a tinham matado
receberam seu castigo.
Viveriam com o sangue de outros
apenas para terminar caindo pelas mãos do seu próprio,
uma após a outra,
ensinando suas tradições às novas gerações
desde que estas
estivessem prontas para aprender.
Legendas: P3 Tradução: Bruno Borges
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.