All language subtitles for Race.to.Perfection.S01E05

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian Download
cs Czech
da Danish
nl Dutch
en English Download
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil)
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish Download
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

Há 70 anos, algo especial começava.

Fórmula 1.

Homem e máquina em perfeita sincronia.

Forçando um ao outro até o limite.

Apoiados por equipes, visando o degrau mais alto.

- O jogo se chama vencer. - Buscando a perfeição.

O caminho nem sempre foi tranquilo.

Nos maravilhamos com grandes momentos.

Fizeram-nos sorrir.

Chorar com nossos heróis.

Testemunhar incrível bravura

e grandes tristezas.

Momentos que nunca mais serão esquecidos.

Por 70 anos, este foi o Everest deles.

Isso é o que os torna especiais.

Esta é a história da Fórmula 1.

MOMENTOS CONTROVERSOS

Vamos nos divertir muito a partir de agora.

Talvez nós lutemos. Fora do carro.

Acho que o campeonato vai ficar cada vez mais emocionante.

É possível ser igual? O Campeonato.

Não, só pode haver um vencedor.

Enfim...

O psicológico do piloto de corrida

é uma grande parte de seu desempenho,

diria que 70 a 80 por cento é muito subjetivo,

mas é uma grande parte.

Você sente que tem uma espécie de vantagem

ou preferência.

Lembro-me muito bem,

uma vez que vi os motores chegando,

e estava escrito no motor: "Especialmente para o Ayrton."

Como assim?

O motor é melhor ou, talvez, seja exatamente o mesmo?

Eu não sei, mas você não quer ver aquilo,

você quer ter um tratamento igual,

e, dentro da equipe, começou a ficar aparente,

era só psicológico, mas eu não me senti muito bem,

senti uma grande diferença entre 89 e 88

e ainda não entendo por quê.

Foi um época muito emocionante,

porque quando você tem Prost e Senna

lado a lado na mesma equipe em um carro muito bom,

você sempre vai ter essas emoções e pensamentos,

e tudo vai estar ao máximo o tempo todo,

então haverá pouquíssimo pensamento equilibrado

sobre qualquer coisa.

Se você se encontra em uma posição privilegiada

por ter dois pilotos altamente competitivos,

eles darão trabalho, sem dúvida.

Especialmente se eles vierem de culturas muito diferentes.

Eles vão falar muitas coisas na imprensa nacional

que inevitavelmente irá repercutir,

porque os franceses pegariam todos os jornais brasileiros

e vice-versa, viriam a um Grande Prêmio

e diriam que Prost disse isso na França,

ou Senna disse aquilo no Brasil,

então a coisa toda explodiria novamente,

sem conversa e sem cooperação, etc.

Mas que problema maravilhoso de se ter.

No Japão, Prost estava

confortavelmente à frente em pontos,

mas temos que lembrar que Senna

havia vencido mais corridas naquele ano,

então, conhecendo Ayrton, isso sempre o irritava,

ele não tinha conseguido os resultados

que Prost teve nos pontos.

No meio de tudo isso, acho que se deve dar crédito a Prost

por ser o mais equilibrado dos dois naquela época.

As pessoas iam assistir a uma corrida

sabendo que a McLaren iria vencer

e que eles assistiriam aos melhores pilotos do mundo

disputando entre si em carros idênticos.

Certamente foi uma rivalidade como eu nunca vi.

E esse foi o dia em que atingiu o ápice.

Ron foi o primeiro a insistir que os deixássemos pilotar.

"Por favor, não façam nada estúpido,

não esbarrem um no outro."

"Pensem em todo o trabalho que temos

ajudando vocês a estarem lá."

Ego e ambição são companheiros muito próximos.

E, muitas vezes, as pessoas interpretarão mal

a intensidade que você traz à sua ambição,

e muitas vezes parecerá que você tem um ego gigantesco

e as pessoas nunca lhe darão o benefício da dúvida.

E qualquer pessoa que tenha sucesso na vida, para mim,

tem essa linha tênue.

Há casos em que está

no limite ou ultrapassa, aceitabilidade,

então você tem que tomar as decisões difíceis.

Prost liderou desde a largada contra todas as expectativas,

nas primeiras dez, 15 voltas, ele desapareceu no horizonte.

E tenho certeza de que, nesse estágio,

Senna deve ter ficado em choque.

Eu realmente tinha um carro perfeito.

Eu estava fazendo o que queria.

Estava me afastando dele um pouco,

e eu fui muito mais rápido, não há dúvida disso.

Prost havia retirado a aba de Gurney.

Ele calculou que seu carro seria mais rápido em linha reta

e isso iria funcionar para ele e funcionou.

Ayrton ficou muito chateado e disse:

"O que quer que tenha acontecido,

se vamos ficar juntos, não vou desacelerar."

Ele estava convencido de que algo ia acontecer.

Falei a eles na última corrida que não ia mais facilitar.

Não quero perder o campeonato,

mas não vou mais facilitar.

Vai ser um ataque constante, ataque, ataque

porque o Senna tem tudo a ganhar e nada a perder.

Alain Prost pode ver a McLaren Honda

de Senna grande em seus retrovisores.

Senna ficou na cola dele o tempo todo,

obviamente ia acabar em confronto,

obviamente seria na chicane

porque é o único lugar que só passa

um carro por vez em Suzuka.

Meu Deus! Isso é fantástico!

Eles se esbarraram. É o que temíamos

que pudesse acontecer durante a corrida.

E isso quer dizer que Prost venceu o Campeonato Mundial.

Não havia dúvida, Alain se virou contra Senna.

Mas o que ele fez não foi o suficiente

para tirar Senna da corrida.

Prost fez a coisa certa ao fechar, na minha opinião,

porque "A": a posição de campeão em que ele estava,

pois o pior que vai acontecer é ambos serem eliminados.

"B": não era um lugar onde ele iria ultrapassá-lo,

a menos que Prost estivesse facilitando as coisas para ele.

Foi uma corrida muito ruim para nós porque chegamos até lá,

fomos os mais rápidos nos treinos,

os mais rápidos na qualificação.

Fizemos nosso trabalho,

colocamos os carros em primeiro e segundo lugar no grid.

Estávamos liderando a corrida

e depois acabamos sem nada nas mãos,

foi muito decepcionante para dizer o mínimo.

Eu voltei para os boxes com Prost,

então fui a primeira pessoa

a falar com ele após o incidente.

Lembro que tudo o que Alain conseguiu dizer foi:

"Não acredito que ele fez aquilo naquela volta."

Houve voltas que ele realmente esteve mais perto do que aquilo,

e ele não tinha tentado.

Ele disse: "Olhei para meus retrovisores

subindo para a chicane,

vi onde ele estava

e pensei: 'Bem, ele não vai tentar desta vez.'"

Mas ele tentou, desceu rápido por dentro

e, é claro, eles se tocaram.

O problema com os pilotos

é que quando você está sentado naquele carro, abaixa o visor,

não pensa em nada além de vencer a corrida,

ou fazer o melhor que pode.

E nesses momentos, Alain fez para Ayrton

como Schumacher fez muitas vezes em sua carreira.

Eles vêm instintivamente, fazem isso porque é o que eles fazem,

se não fizer isso, você não é um piloto de corrida.

Então, mesmo agora, não importa o quanto você diga aos pilotos,

aconteceu e acontecerá novamente.

Eu não poderia culpar muito o Prost.

Pensei, se eu fosse um gerente de equipe

e visse Prost facilitando,

ficaria um pouco decepcionado com ele.

Achei que foi um movimento defensivo compreensível

e provavelmente eficaz.

Senna deveria ter previsto, e não se posto naquela posição.

Tínhamos visto várias vezes durante aquele ano

quando Prost dava a Ayrton

um pouco de espaço para evitar uma manobra,

talvez Ayrton tivesse feito o mesmo,

mas naquela ocasião, uma decisão do campeonato,

não havia como Prost fazer aquilo.

E não acho que Ayrton levou isso em consideração.

Eu me lembro de Keke Rosberg respondendo

quando perguntei se Prost fez aquilo de propósito.

Ele disse: "Acho que sim, porque ele fez isso muito mal."

Ele disse: "Alain Prost nunca se entregou a ninguém na vida."

E, quando o fez,

ele disse: "Todo mundo pensou

que não foi sutil, foi óbvio."

Seja como for, Mario Andretti tinha razão,

se Prost não estivesse lá,

Senna nunca teria feito aquela curva naquela velocidade,

teria ido direto para a pista de escape.

Todo mundo pensaria o que quisesse, até o Ron,

mas ele estava tão rápido atrás,

eu não o vi,

estava olhando no retrovisor, estava bem longe.

E então, quando eu virei, eu olhei para ele, ele estava...

Não acreditei que ele estava lá. Mas obviamente eu não mudei,

não fiz outra virada, não mudei.

Fiz exatamente o que disse a eles que faria.

Mas, honestamente, estou muito desapontado com esta corrida.

Sabe por quê? Porque eu não ganhei.

Ele pegou a pista de escape de volta à pista,

em vez do que Jean-Marie Balestre

e a FIA disseram na época,

ele deveria ter se virado

e retomado de onde havia deixado a pista.

Senna voltou à pista.

E Senna continua na liderança!

Senna com seu nariz do carro torto.

O que me fez explodir foi o fato

de a coisa toda ter sido manipulada

por Jean-Marie Balestre.

Então, Senna voltou ao circuito e, basicamente,

abre aspas, "não entrou no circuito no ponto de saída".

Acharam que ele deveria ter dado a volta, dirigido na contramão

e entrado no ponto por onde ele saiu.

Eu estava naquela corrida.

Mas quando você está de capacete dirigindo seu próprio carro,

não percebe muito o que está acontecendo ao seu redor,

a menos que tenha ganhado posições.

Ayrton teve seu cérebro totalmente ocupado

em Suzuka, em 1989.

Em vez de pensar: "Estou fora da corrida",

foi como: "Como faço para voltar,

peça aos fiscais para me empurrarem.

Façam-me voltar de alguma forma."

Ele deu uma volta com o nariz pendurado,

entrou nos boxes, trocamos o nariz do carro,

ele saiu em busca de todo mundo e ganhou a corrida.

Ayrton Senna vence no Japão!

Haverá um inquérito? Alain Prost terá um, se puder.

Apesar de todas as provas que apresentamos,

em Suzuka, e após o pedido de Suzuka,

Balestre apenas disse: "De jeito nenhum, Alain,

de jeito nenhum vou deixar Senna vencer essa corrida."

Essa foi a parte com a qual eu fiquei chateado.

O acidente, eles são competitivos,

um senso de injustiça

simplesmente tomou conta de mim.

Foi tão injusto.

Não é incomum na Fórmula 1, coisas assim acontecem.

O problema do Ayrton é que ele não consegue aceitar isso,

não consegue aceitar não vencer

e não consegue aceitar que alguém resista

a uma manobra de ultrapassagem.

Muitas vezes, se lembrar do ano passado

e deste ano, eu facilito.

Se não facilitasse, teríamos batido.

Disse antes da corrida, se isso acontecesse, não facilitaria.

O jeito que ele pilota é muito bom,

devo dizer que ele é incrivelmente rápido,

mas, para mim, ele está pilotando muito difícil...

Se você tiver dois pilotos como esses na Fórmula 1,

terá acidentes em todas as corridas.

- Boletim... - Alain.

Ayrton era muito forte em sua cabeça.

Muito forte, inacreditável,

mas então começamos algo que não podíamos controlar.

Até o ponto que, se você for para 1990, um ano depois,

pode ver que ele não esqueceu, ele teve a ideia forte,

e isso não era absolutamente objetivo.

JAPÃO 1990

O Japão é um lugar onde tenho

o maior número de fãs depois do Brasil.

A atmosfera aqui é tão especial.

E os campeonatos foram decididos aqui nos últimos anos.

E esperançosamente outro será decidido aqui.

Em nosso negócio, a pressão, o estresse é alto.

A demanda é alta.

E suas condições mentais são fundamentais

para você manter o equilíbrio,

principalmente nos momentos críticos.

Doze meses depois,

Prost estava na Ferrari e Ayrton o tinha como alvo.

É meio irônico que um ano depois do que houve em Suzuka, em 1989,

tenha sido em Suzuka de novo,

com Senna e Prost como candidatos ao campeonato.

Pode não ser necessário eu vencer a corrida

para vencer o campeonato,

então, se eu não conseguir vencer,

espero que Gerhard possa vencer pela equipe.

E espero conseguir o resultado que preciso para o campeonato.

Se continuar no ano seguinte,

Senna ficou magoado

porque o carro largou do lado sujo da pista.

Ele se classificou na pole position,

mas se sentia em desvantagem

com a forma como o grid estava organizado

e ele queria que isso fosse mudado.

Antes mesmo de começarmos o treino, eu fui aos fiscais,

eu disse a eles que a pole position

estava do lado errado do circuito

e a pole position tem muito menos tração,

e, não importa quem estiver na pole,

não alcançará a primeira curva primeiro.

E, por favor, mudem antes do treino.

Ayrton foi veemente em sua convicção

de que a pole deveria ficar no lado limpo do grid.

E obviamente isso significaria que o piloto francês

ficaria do lado sujo do grid.

Senna sentiu como se estivessem mirando nele ou algo assim,

Balestre da França, Prost da França,

esse tipo de coisa.

Os fiscais concordaram que deveriam trocá-lo.

Balestre realmente rejeitou isso,

e Ayrton tomou isso como algo pessoal,

e isso meio que acendeu toda a dinâmica

Prost-Senna em sua mente.

Isso significava que Ayrton

não chegaria primeiro à primeira curva.

Ele percebeu isso

e disse: "Bem, se eu não sair da primeira curva primeiro,

não sairei da primeira curva." Foi o que ele me disse.

Vão! E Senna arranca...

mas Alain Prost sai na frente, aconteceu!

Alain Prost aproveitou a vantagem.

Senna está tentando ultrapassar por dentro!

E aconteceu imediatamente!

Isso é incrível! Senna sai na primeira curva!

Mas o que aconteceu com Prost? Ele também saiu!

Bem, isso é incrível, mas absolutamente previsível.

Em Suzuka, eles tinham os monitores bem no alto,

e todos nós olhamos para os monitores.

E eu tinha meus dedos cruzados.

Vamos parar essa corrida,

pegar um carro sobressalente e começar de novo.

Ayrton veio e disse, ele me disse:

"Eles não vão parar a corrida, vão?"

E eu disse: "Não, acho que não."

Mas eu queria que parassem a corrida.

Fiquei muito decepcionado com Ayrton.

Porque compartilhávamos valores e princípios

em nosso relacionamento e tempo de trabalho juntos.

E isso não foi... Isso não foi aceitável para mim.

E no fim, ele não estava feliz com isso, o resultado,

mas para mim, predeterminado.

Infelizmente deu errado na primeira curva.

Era um grande risco. Não tinha nada a perder na primeira curva.

Quero vencer, busquei uma brecha dentro da primeira curva.

Alain não viu e não facilitou

e acabamos nos tocando. Isso é muito ruim para o campeonato

porque a corrida teria sido emocionante, mas...

No ano passado, perdi de forma semelhante,

no final da corrida, em vez de no início.

Este ano, deu errado para ele.

Eu o vi na esquerda e com muito espaço,

pensei: "Certo, eu pego a linha normal só para sair melhor",

mas então ele me ultrapassou.

Pensar agora é incrível.

Se um piloto fizesse isso hoje,

provavelmente perderia sua licença.

Ayrton na primeira curva simplesmente o eliminou.

E então, posteriormente, admitiu um pouco mais tarde

que, sim, ele tinha feito de propósito...

Isso é o que ele considerou ser uma retribuição.

Não, não a melhor.

Depois do que aconteceu, você tem que manter o controle.

E manter o controle

é algo que não se passa na cabeça

de um piloto de corrida.

Fui ver seu engenheiro de corrida,

engenheiro de corrida da Honda, para ver a telemetria.

Todo mundo sabia.

Todo mundo sabia. Todos eles viram o que aconteceu.

Na verdade, algumas pessoas da McLaren me disseram

que ele nunca desacelerou até que eles estivessem

parados na caixa de cascalho.

Depois, quando eles se acalmaram,

falei para o Ayrton que foi errado

que ele poderia ter vencido sem ter feito aquilo.

Um dos pontos baixos na carreira de Ayrton na Fórmula 1.

Colocou pilotos, fiscais e torcedores

em risco com aquela manobra

totalmente fora de controle.

Foi um grande paradoxo com Ayrton.

Ele era o piloto mais atencioso.

Se outro piloto batesse,

ele seria o primeiro a chegar ao Centro Médico,

ou a sair do carro e correr de volta

para ajudar Érik Comas em um Ligier,

ao mesmo tempo que estava pronto para tirar você da pista.

Eu vi isso na Fórmula 3, quando éramos grandes rivais.

Também vi isso na Fórmula 1.

Ele é uma pessoa fantástica,

um piloto de corrida fantástico, é um amigo,

e, às vezes, amigos fazem coisas que o decepcionam,

mas ainda são seus amigos.

Então, apenas passar uma borracha nisso.

AUSTRÁLIA 1994

Foi um ano muito difícil e emocionante.

Perdemos Ayrton. Perdemos Roland Ratzenberger.

E todos nós queríamos que essa temporada acabasse.

Adelaide novamente,

essa foi a corrida decisiva no campeonato.

Tínhamos a Williams na recuperação.

Tínhamos fãs de Damon Hill, fãs de Michael Schumacher.

E a polarização na Fórmula 1 era algo relativamente novo.

Meio que começou com Senna e Prost,

mas agora tínhamos de novo.

E acho que os britânicos sabiam em que campo estavam seguindo,

e certamente havia os apoiadores de Michael também.

Muitos deles acabaram com Michael,

essa nova estrela, essa megaestrela.

O campeonato estava em jogo em Adelaide

e sentimos muitas queixas por causa das coisas

que aconteceram naquele ano.

Quer dizer, sentimos que houve...

ocasiões em que os resultados

foram retirados de nós injustamente.

Michael, que foi o melhor profissional de sua época,

era uma pessoa bastante incompreendida.

Não sei se na cabeça dele,

ele gostou bastante desse tipo de impressão que ele criou.

Porque ele era uma pessoa

bastante intimidante em muitos aspectos.

Mas se o conhecesse pessoalmente,

ele era exatamente o oposto,

muito envolvente, muito privado.

Eu o apresentei tantas vezes a pessoas

que, antes de conhecê-lo,

achavam que ele era uma pessoa desprezível, horrível,

você os apresenta, assim que o conheceram

eles mudaram completamente. Isso aconteceu tantas vezes.

Sente muita pressão sobre você?

Acho que não tanto quanto Damon.

Ansioso para brigar pelo campeonato.

E se eu conseguir vencer a corrida, vou tentar vencê-la.

Se eu ficar em segundo lugar, ainda vou ser campeão.

Não me importo com isso e...

O importante é vencer o campeonato.

Só espero que amanhã seja bom para todos,

seja bom para o esporte, para a Fórmula 1,

para esses dois grandes pilotos se colocarem em posição

de disputar o Campeonato Mundial

e isso se resume à última rodada.

Só espero que o melhor piloto, o melhor carro

e a melhor corrida do dia, a pessoa vença.

O fato é que Michael e eu estamos bem próximos no grid,

ele tem a vantagem,

tenho que me antecipar a Michael amanhã,

essa é minha única preocupação,

e não há orgulho

em fazer truques sujos na Fórmula 1,

não há necessidade disso. Eu penso que isso...

seria uma pena

e não satisfaria a todos

se isso acontecesse, não espero que aconteça.

Acho que ele me olhou com um leve grau de desdém.

Acho que ele preferia competir com Ayrton Senna,

ou Mika Hakkinen, ou outra pessoa.

Se Michael Schumacher

foi o maior piloto de corridas que já existiu,

eu não me saí muito mal contra ele.

Mas não sabíamos no início de sua carreira.

Ayrton não sabia, ninguém sabia

exatamente onde esse cara iria chegar.

Na largada, é claro, Michael decolou.

Mas Damon foi ótimo, ele ficou na cola,

ele provou que era o cara no dia

que iria ganhar aquele campeonato,

ele parecia estar em cima de Michael.

A única maneira de tudo dar errado seria

se terminasse em lágrimas e eles batessem.

E foi exatamente isso o que aconteceu.

Schumacher está fora!

Foi o clássico Michael.

Ele saiu da estrada, fora da vista de Damon.

E seu computador entrou em ação,

e ele imediatamente percebeu que estava fora da corrida.

Damon não tinha notado o contato com a parede,

acho que Michael apenas deu a Damon

a oportunidade de bater em uma cunha

que iria desaparecer. Campeonato concluído.

Se você olhar para o incidente, em uma curva para esquerda,

que logo foi seguida por uma curva para direita,

Michael bateu na parede e estava dirigindo para a esquerda,

subindo a pista de escape, e não estava na pista de escape,

mas estava se dirigindo à pista de escape

quando viu Damon passando,

e Damon tinha todos os motivos para pensar

que havia uma brecha, mais do que uma brecha,

Michael estava literalmente saindo da pista,

e ele virou para a direita

e literalmente dirigiu em linha reta.

Foi a condução mais imprudente

que você poderia imaginar.

E, infelizmente, uma das hastes da suspensão da frente falhou,

então não havia como Damon continuar.

Michael saiu e voltou para a pista,

não sabíamos quão danificado seu carro estava.

Mas ele bloqueou Damon.

Da perspectiva de Damon,

se ele tivesse se segurado,

teria ultrapassado com facilidade,

mas ele foi para uma brecha que Michael poderia defender.

E foi o que houve.

A forma como os pilotos de kart abordam seus campeonatos

e corridas foi uma surpresa para mim,

e foi por isso que fiz a jogada, não sabia o que iria acontecer.

Se eu tivesse praticado mais no kart,

talvez tivesse visto a situação de forma diferente.

Damon se culpa

porque ele disse: "Eu sei como ele é cruel,

não deveria ter dado a ele a oportunidade."

E Michael, cruel do jeito que ele é,

nunca admitiria, Michael sabe que,

se você é culpado, você nunca diz.

Ele nunca iria admitir que fez aquilo de propósito.

Michael venceu muitas vezes

e nem sempre porque era o piloto mais rápido.

Lá estava Michael, o piloto de corrida, na pista,

e lá estava Michael, um ser humano longe da pista.

Acho que uma das coisas que você vai descobrir

é que não conheço ninguém que tenha trabalhado com Michael

que tenha algo ruim a dizer sobre ele.

Muitas pessoas que correram contra ele

tinham uma opinião diferente,

mas ninguém que eu conheço que já trabalhou com Michael

teve uma opinião ruim sobre ele

por causa de sua integridade, seu compromisso, o lado humano.

Ele sempre foi um membro muito forte

de qualquer equipe da qual fazia parte.

- Isso aí! - Isso!

Tenho que ver as imagens

para ver o que realmente aconteceu,

porque é difícil de...

Aconteceu tudo em um segundo, de repente, eu estava no ar.

E eu o vi quando estava no ar.

Nós nos tocamos, e neste momento, eu o vi ao meu lado

e já tínhamos nos tocado.

Michael apresentou uma defesa bastante robusta de sua posição.

Digamos assim.

E eu não queria ganhar o campeonato daquela forma,

mas tendo vivido tudo o que aconteceu naquele ano,

achei que foi justiça poética.

Devo dizer que fiz alguns comentários este ano sobre Damon

em que eu não tive esse tipo de respeito

que talvez tivesse por outra pessoa.

Mas tenho que admitir que me enganei,

porque o que ele fez nas duas últimas corridas em particular,

e deve ter feito mesmo antes,

foi correto, um trabalho fantástico.

E tem sido um grande rival.

Sempre ficou claro para mim que não vou ganhar o campeonato

e é o Ayrton quem vai ganhar.

Ele não esteve lá nas últimas corridas.

E eu gostaria de pegar esse campeonato e dar para ele

porque ele é o piloto que merecia,

no melhor carro, ele era o melhor piloto,

e isso é o que eu sinto por ele.

Na hora, foi difícil mostrar os meus sentimentos

porque não sou uma pessoa que gosta de mostrá-los,

mas sempre pensei nisso.

E agora é o momento certo de dar algo que eu conquistei,

que ele deveria ter conquistado, e dar a ele.

Não me importo com o que digam, ele elevou o nível.

Ele era uma pessoa naturalmente atlética,

mas ele levou esse lado das coisas a um novo nível.

E a devoção por fazer parte de uma equipe

estava em um nível diferente

de tudo que eu já tinha visto antes.

Ele seria o último a sair do paddock à noite,

ele sempre gostava de ser o único testando o carro.

Lembro-me dos dias em Maranello, ligava para ele

e dizia: "Michael, temos que checar amanhã."

"Que horas você me quer lá?" Nunca houve dúvida.

Ele se dedicou totalmente a isso

e é uma tragédia o que aconteceu,

é um ser humano adorável,

o trabalho que ele fez longe do automobilismo

e que nunca falou sobre,

ele é um cara adorável.

GP DA EUROPA, 1997

Em 1997, circuito de Jerez.

Um local muito bom, foi uma época ótima do ano.

Foi um grande evento.

Havia muitas pessoas da mídia ao redor,

entrevistas aqui, entrevistas ali,

tudo era muito encenado

em termos do que podia falar com as pessoas.

Então estava tudo tenso, lembro daquela sensação de agitação.

Cheguei com uma abordagem muito diferente

da que eles estavam acostumados,

setup inteligente com tudo,

e houve um teste em que meu engenheiro

fez o oposto do que eu pedi

apenas para verificar se o que eu estava dizendo

era verdade ou não,

e depois, em duas voltas, voltei aos boxes

e disse: "O que você fez no carro?"

E a partir de então, tudo correu perfeitamente.

Houve alguns momentos mais difíceis com Patrick Head

porque ele é cabeça-dura e sabe o que quer,

mas sempre houve muito respeito, que podíamos trabalhar juntos.

O carro era super-rápido,

realmente era um ótimo carro para se dirigir.

Não melhoramos tanto o carro até a metade do campeonato,

a Ferrari realmente deu alguns saltos gigantescos,

naquele ponto nós também demos.

E então continuamos trabalhando, tanto eles quanto nós.

Foi divertido, mas nunca tivemos um confronto na pista,

até aquela última corrida, até Jerez,

o que foi muito estranho,

nunca estivemos no pódio ao mesmo tempo,

foi muito estranho.

Naquele ano foi extremo, dos dois lados,

e foi muito divertido.

Foi incrível o que aconteceu na qualificação

com Frentzen, Jacques e Michael.

Ter três pilotos registrando o mesmo tempo da volta.

E não foi como na década de 50,

quando era reduzido a um décimo de segundo, ou um segundo,

isso era real.

Também em Jerez havia curvas suficientes

para diferenciar carros e pilotos nesse nível,

mas aconteceu.

Quando entrei e olhei no computador,

não acreditei, era exatamente o mesmo tempo.

Isso prova que a competição está em um nível muito alto

e não pode ficar mais acirrado que isso, obviamente.

Ia ser um daqueles domingos,

você não sabia o que ia acontecer.

Você não poderia ter uma paleta melhor

para pintar esta rodada final do campeonato.

Se Schumacher terminar na frente de Villeneuve, ele será campeão.

Se Villeneuve estiver na frente de Schumacher, ele será campeão.

- Schumacher ou Villeneuve? - Schumacher, com certeza.

Schumacher.

Villeneuve.

Todo mundo queria ver você e Villeneuve na primeira fila.

Sim, correto. Agora estamos.

- Está feliz? - Claro.

Quão alto você avaliaria o percentual de um acidente?

Boa pergunta.

Todos querem ver uma disputa direta entre mim e Jacques.

É isso que quero ver. Quero vencer a corrida,

quero vencer assim o campeonato

e não por qualquer tipo de acidente.

Esse não é meu alvo.

Qual será a chave para a vitória aqui?

Em primeiro lugar, não ser retirado.

Isso será muito importante.

E então ser rápido, mais rápido do que Michael, só isso.

Ele está em uma forma bastante vigorosa, ele está confiante.

E Michael estava um ponto à frente de Jacques.

Michael era um piloto fantástico,

teve uma carreira fantástica,

mas havia aquele lado dele,

que não era exatamente o esportista.

GP DA AUSTRÁLIA 1994 ADELAIDE

GP DA EUROPA 1997 JEREZ

Estamos correndo.

Não dá para saber o que vai acontecer,

mas nós queremos disputar no circuito

o melhor possível, o mais justo possível. Essa é a intenção.

Para vencer um campeonato,

é preciso mais do que apenas pilotar rápido.

Houve alguma jogabilidade acontecendo durante a corrida

entre nós e Williams.

E lembro que o segundo piloto da Williams

estava nos bloqueando,

não estou reclamando, porque éramos mestres nisso,

então não me interpretem mal.

Jacques Villeneuve e Michael, no último GP de Jerez,

eles lutaram muito, Michael tem que vencer.

A última coisa que Michael queria ver

era uma brecha fechada.

A brecha está ficando cada vez menor

porque Jacques o alcançou,

Jacques em posição de alcançá-lo no freio.

Acho que tínhamos um carro melhor,

mas, no final, Michael foi pra cima de Jacques

e tentou derrubá-lo.

Ele está colocando o carro onde deveria estar.

E Michael não facilitou para ele.

E Jacques ultrapassou.

E foi um erro de Michael, ele não devia ter feito aquilo.

Michael saiu. Jacques conseguiu continuar.

Mas acho que Jacques entendeu assim: não adianta forçar mais.

Ele não tinha mais certeza se o carro estava bom,

porque eles se tocaram.

Isso foi um pouco cínico,

olhando para isso como se tivesse sido

o fim do campeonato em 94

com Damon em Adelaide.

E, claramente, Michael,

quando Jacques o desafiou em Jerez,

Michael decidiu eliminá-lo.

Quando ele voltou para os boxes,

ele tinha uma visão mental muito diferente

do que havia acontecido.

Até que ele viu na TV e percebeu o que realmente tinha ocorrido.

E eu acho, de novo, você está no cockpit, está de capacete,

as coisas ocorrendo à sua volta, você age instintivamente.

E a falha final de Michael

foi agir instintivamente para defender uma posição.

Ele era tão competitivo, era o que fazia.

Ele voltou aos boxes dizendo:

"Precisamos desqualificar Villeneuve".

Eu disse: "Michael, você precisa olhar

para a TV porque não pareceu assim.

E ele olhou e ficou quieto.

E percebeu que as coisas não tinham sido

exatamente como ele pensou no cockpit.

Jacques teve, na verdade, muita sorte

porque aquele impacto no carro quebrou o suporte da bateria

de que dependia o carro, uma bateria muito pequena.

E quando o carro finalizou, descobrimos

que ela estava pendurada pelos fios elétricos,

o suporte da bateria estava totalmente quebrado.

Logo atrás de Jacques estavam Hakkinen e Coulthard.

Eu chego rápido com David.

Foi a última volta, a terceira última curva.

Ultrapassei o Jacques,

e foi uma sensação horrível,

porque eu sabia que se algo desse errado

e eu batesse nele,

de uma forma ou de outra, seria uma catástrofe.

Mas acho que Jacques me deixou ir,

não queria brigar de jeito nenhum.

E consegui a primeira vitória.

Foi brilhante.

Fiquei muito zangado depois daquela corrida porque...

Ron Dennis disse ao Frank:

"Olha, se Jacques está em posição

de ganhar o campeonato,

você nos deixará vencer a corrida?"

Para Mika Hakkinen e a McLaren, aquele foi um dia fantástico.

Muito bom mesmo. Acho que foi uma corrida limpa.

Por que Ron sentiu que precisava pedir um favor a Frank,

ou por que Frank sentiu

que precisava fazer um favor à McLaren?

Porque depois daquele acidente, Jacques ficou na liderança.

E Frank me chamou, ele estava

em sua cadeira de rodas na garagem e disse:

"Devíamos diminuir a velocidade de Jacques

e deixar as duas McLarens nos ultrapassarem."

Eu disse: "Frank, não vamos desistir de uma vitória."

Porque pude ver que a McLaren estava indo bem.

E Frank disse: "Não, eu prometi ao Ron, faremos isso."

Ele me instruiu a deixá-los dizer a Jacques

para deixar a McLaren ultrapassar,

e tenho certeza de que ele deve ter conversado

com Jacques antes da corrida.

Eu fiquei muito furioso, fervendo de raiva.

Não fiquei muito surpreso

quando ele decidiu se virar contra mim,

o jeito como ele me bateu foi muito forte.

Estou surpreso por ter conseguido terminar a corrida.

Bem inacreditável.

A corrida toda foi interessante do início ao fim.

Do ponto de vista da equipe, estou feliz pela dobradinha.

Tivemos a ajuda de Jacques no final,

e Jacques o deixou ultrapassar na chicane.

Eu freei ao máximo,

e ele freou ainda mais tarde, o que,

como disse, naquele ponto de frenagem

eu e ele não teríamos feito a curva.

Eu não poderia ir mais por dentro, já estava na grama.

Então, ou Michael estava com os olhos fechados,

ou de algum modo sua mão deslizou na direção ou algo.

Sinceramente, talvez eu tivesse feito o mesmo.

Isso é automobilismo.

Foi interessante que Michael passou muito tempo com Jacques

no trailer, e eles saíram juntos.

E Michael estava muito relaxado e com total controle de sua vida

e do que acontecera naquele dia.

E eu acho que, nesse sentido,

se tornou um incidente esportivo de corrida

diferente de algo maior do que aquilo,

que afetaria a Fórmula 1,

ou seria maior do que os participantes da Fórmula 1.

Digo que no contexto de Ayrton, Alain,

onde chegou a esse ponto, eu não...

Acho que foi contido

porque Michael fez um trabalho muito bom depois da corrida.

BÉLGICA, 1998

Chegamos em Spa e fomos recebidos

com o clima habitual de Spa.

Foram condições atrozes, foi realmente chocante.

Quanto a oferecer uma batalha desafiadora por causa do tempo,

podia chover na metade da pista e não na outra metade, eu adoro.

E Michael adorava Spa,

foi onde começou sua carreira na Fórmula 1.

Sim, sim, começou!

Hakkinen se afasta bem.

Vejam Eddie Irvine chegando do lado de dentro.

Villeneuve sobe para a segunda posição.

Schumacher caiu para sexta posição,

mau começo da Ferrari.

- E quem é esse na parede? - Coulthard.

David Coulthard na parede! Eles terão que parar a corrida.

- Deram bandeirada vermelha. - Isso é terrível! Vejam...

Isso é terrível. Esta é a pior largada de Grande Prêmio

que eu já vi em toda a minha vida.

É como se você estivesse dirigindo

com os olhos fechados no nevoeiro,

não conseguíamos ver nada.

Não conseguia ver dois metros à frente do meu carro.

Quando eu vi carros batendo em todo lugar,

tentei parar, mas não consegui porque estava muito molhado.

E comecei a bater neles.

Coulthard saiu da parte larga da pista.

Há como uma grade de metal lá e não tem aderência,

ele perdeu e foi para a parede,

então eu diminuí para evitar bater nele

e as pessoas continuavam me batendo.

Eu estava atrás de David Coulthard,

e ele atingiu uma vala ou uma alteração, um calombo na pista,

isso o jogou contra a parede,

e eu tive que decidir se tentaria a recuperação,

tentaria passar por ele

ou tentaria passar pela brecha de onde ele vai sair.

Não me lembro o que fiz, mas foi uma carnificina.

Foi uma carnificina total.

Eu fui tão cuidadoso, tão concentrado

em escapar dos outros carros

e tive sorte.

Não tinha feito uma boa largada, é bom que tenham reiniciado,

mas foi uma hora depois de eu ficar sentado no carro.

Estava morrendo de vontade de fazer xixi,

mas não queria sair.

Fiquei sentado no carro por uma hora inteira, estava congelando.

Começar uma corrida na liderança no molhado,

pelo retrovisor, você só vê esse efeito spray,

então os carros atrás não veem você,

e você também não os vê.

Então, só sabia que tinha que dar o fora dali,

tentar me distanciar ao máximo nas voltas iniciais,

e não tinha ideia do que estava acontecendo atrás de mim.

Mas é claro, pilotar nessas condições perigosas

é uma estranha mistura de estar apavorado

e, ao mesmo tempo, empolgado.

Essas duas coisas combinadas te fazem focar e se concentrar

de uma maneira que você normalmente não faria.

É o que os pilotos amam fazer.

Eu gosto de pilotar. Gosto do carro em movimento,

de poder senti-lo deslizando e procurando a tração.

Michael era excelente na chuva,

ele estava em um planeta diferente para todos.

Ele estava dominando a corrida completamente.

Meu Deus!

Michael Schumacher bate em David Coulthard

e está fora do Grande Prêmio da Bélgica.

Talvez ele devesse ter sido

um pouco mais cauteloso ao tentar ultrapassá-lo,

mas ele está fora!

Infelizmente, ele terminou em uma batida com Coulthard.

Acho que a frustração não foi tanto o acidente acontecendo,

mas, em nossa opinião,

houve chances para a McLaren instruir Coulthard

a deixar Michael ultrapassar em outras partes da pista,

que seria lógico, seguro e fácil de fazer.

Em vez disso, eles pensaram em nos irritar um pouco,

em apenas nos cutucar um pouco.

E Michael estava vencendo Coulthard,

não era um evento, na verdade.

E então David recebeu instruções

e ele finalmente recuou no meio da curva, o que é desastroso.

E é por isso que Michael ficou tão chateado,

porque foi uma manobra na curva que ele não esperava.

Antes, Michael teve oportunidades

de passar por ele quando estava dando voltas no carro.

Ele deveria ter recuado e ultrapassado em outro lugar,

mas você não espera que um piloto recue no meio da curva.

Foi lamentável.

Eu pude ver por que Michael não estava feliz.

Eu sei que o raciocínio de David estava certo.

"Estou com problemas. Acho que estou

mais seguro ficando aqui na linha de corrida,

onde as pessoas esperaram me encontrar."

É fácil presumir que Michael ficou zangado

com David Coulthard

por fazer algo deliberado,

mas não acho que David estava fazendo algo deliberadamente.

Ele talvez pudesse estar um pouco fora da linha.

Tenho uma imagem dele correndo

com Stefano Domenicali perseguindo-o,

ele ficou tão irritado e querendo brigar com David.

As emoções estavam altas naquele dia.

- Você quer me matar? - Michael.

Eu te odeio!

Perguntei se ele queria me matar

porque essa é uma manobra muito perigosa.

Foi feito e...

Por mais experiente que seja David, ele deve saber

que correndo nesta condição, nunca se deve levantar na reta,

sem dar qualquer tipo de chance

para o piloto que está atrás perceber isso.

Em vez de três pontos na frente,

estamos sete pontos atrás, muito decepcionante.

Ele está correndo atrás de mim,

suas acusações de que estou tentando

sair do circuito são simplesmente ridículas.

Suas palavras foram: "Você estava tentando me matar?"

Acho que é um comportamento nojento

para alguém que tem um histórico tão bom

em termos de carreira na Fórmula 1,

cair em um tipo de agressão tão animalesco,

é incompreensível.

Se Michael quiser discutir comigo,

de homem para homem, o incidente,

será um prazer.

Me solidarizo com o fato de ele ter perdido os dez pontos,

não foi essa sua intenção, é claro,

e não foi minha intenção,

mas ter esse tipo de surto é muito preocupante para todos,

e ele cometeu o erro, não eu.

Eu era o empresário de David.

Quando estava comentando e vi Michael tentando socá-lo,

devo ter pensado: "Não machuque meu cliente!"

Quem teria vencido aquela briga se tivesse acontecido?

Teria sido uma briga boa de assistir.

Durante a corrida, tive uma grande batida

porque Nakano estava indo para o box.

Não havia visibilidade alguma,

e o ponto de frenagem para os boxes já havia passado.

Então, ele freou bastante,

eu ainda estava acelerando ao máximo e bati no carro dele.

Foi um acidente grave, sim.

Michael está fora. Michael está fora.

Você está liderando a corrida. Michael está fora.

Não fui capaz de comandar a equipe antes,

mas pensei que agora é a hora de tentar

perguntar a Eddie Jordan se ele não se importava

de apenas falar com o cara atrás de mim,

o meu companheiro de equipe,

para ter certeza de que ele não faria nada estúpido

e isso levaria a nenhum de nós terminar,

quando poderíamos fazer a dobradinha.

Vou falar algo para você.

Acho melhor você ouvir,

se competirmos, se nós dois competirmos,

podemos acabar sem nada, mas depende do Eddie.

Se não competirmos um com o outro,

teremos a oportunidade de obter

o primeiro e o segundo pontos extras.

Ralf, você não pode ultrapassar Damon, é uma ordem da equipe.

Me ouviu antes sobre ultrapassar Damon,

você ouviu, não é?

Ralf, confirme.

Confirmado.

Eddie voltou com:

"Ele vai ficar em segundo lugar."

Pensei: "Ele não vai obedecer às ordens da equipe, esqueça.

Então, eu esquivei e ele não conseguiu me pegar.

Ralf precisava ficar à frente de Jean Alesi,

então acho que estávamos todos perdendo o controle.

E Damon Hill vence na Bélgica, fantástico!

Fizemos a dobradinha.

Eddie e a equipe ficaram em êxtase.

O pessoal que veio da fábrica foi embora

depois de ver sua equipe vencer a corrida.

Ninguém esperava que a Jordan vencesse o Grande Prêmio.

Uma das minhas vitórias mais gratificantes,

se não a vitória mais gratificante, na verdade,

porque foi tão difícil.

Um dia fantástico e um grande esforço de equipe.

Terminar em primeiro e segundo lugar na corrida aqui em Spa.

É um grande dia.

Damon já venceu antes,

e esta foi uma corrida em que, possivelmente,

Ralf sentiu que tinha chance de vencer,

mas tinha que entender

que era melhor defender a posição

com Alesi ganhando sobre nós.

Desse ponto de vista,

os dois pilotos fizeram um trabalho incrível.

Damon sabe como vencer e ficou muito feliz pela equipe

porque ele sempre estará na História

por vencer 22 Grandes Prêmios,

e estará na História por ser o primeiro vencedor da Jordan.

Se adicionar o atraso de uma hora, a partir do momento

antes do primeiro reinício,

acho que fiquei no carro por quatro horas.

Então, quando saí,

subi no pódio,

estava tentando dar o salto da vitória,

e pensei comigo: "Deus, acho que não conseguiria

fazer isso de novo".

Sério, isso sugou muito de mim.

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.