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Original subtitles

H� 70 anos, algo especial come�ava.

F�rmula 1, homem e m�quina em perfeita sincronia.

For�ando um ao outro at� o limite.

Apoiados por equipes, visando o degrau mais alto.

- O jogo se chama vencer. - Buscando a perfei��o.

O caminho nem sempre foi tranquilo.

Nos maravilhamos com grandes momentos.

Nos fizeram sorrir.

Chorar com nossos her�is.

Testemunhar incr�vel bravura.

E grandes tristezas.

Momentos que nunca mais ser�o esquecidos.

Por 70 anos, este foi o Everest deles.

Isso � o que os torna especiais.

Esta � a hist�ria da F�rmula 1.

OS QUE DECIDEM CAMPEONATOS

O novo circuito no Monte Fuji, cen�rio do �ltimo

Grande Pr�mio de F�rmula 1 de 1976,

aquele que decidiria o Campeonato Mundial.

Os organizadores o constru�ram para uma batalha de gigantes

entre o austr�aco Niki Lauda

e o brit�nico James Hunt, de 29 anos.

Eu era o l�der dos pilotos

brigando pela seguran�a o tempo todo.

Hav�amos discutido a corrida de N�rburgring

naquela temporada em Long Beach.

Eu disse aos meus colegas:

"Pessoal, os carros est�o t�o velozes

que n�o temos mais condi��es de ir para N�rburgring.

Devido � seguran�a, todo ano perdemos um ou dois homens.

Precisamos garantir que n�o aconte�a mais."

A maioria dos cinco pilotos concordou,

pois eles investiram muito dinheiro.

Ent�o eu concordei, 100 por cento, fui junto com a maioria.

Sem mais discuss�es.

NIKKI LAUDA SOFREU GRAVES QUEIMADURAS AP�S UM ACIDENTE

NO GP DA ALEMANHA EM 1976, EM N�RBURGRING.

APESAR DE TER QUASE MORRIDO, ELE SE RECUPEROU MILAGROSAMENTE

E RETORNOU AO GP DA IT�LIA SEIS SEMANAS DEPOIS.

GP DO JAP�O, 1976 AUT�DROMO DE FUJI

Resumindo o campeonato, Niki foi bem no primeiro semestre

e quase morreu no GP da Alemanha

se recuperando milagrosamente.

James Hunt tendo perdido o GP da Inglaterra,

venceu as corridas que antecederam a do Jap�o

e teve entusiasmo para essa corrida.

E em Fuji, foi algo parecido.

Ficamos parados por horas, pois o circuito estava inundado.

N�o ach�vamos que a corrida aconteceria ou podia acontecer.

James e Niki eram do comit� de seguran�a

da Associa��o de Pilotos de Grandes Pr�mios.

Aqueles dois na torre de controle, a manh� toda,

discutindo com afinco que n�o deveria haver corrida,

James e Niki.

N�o acho que os pilotos devam correr

e n�o cabe a eles a decis�o final,

mas se os pilotos dizem que as condi��es s�o perigosas

e n�o querem correr, isso deve ser respeitado,

e eles, com certeza, n�o podem ser obrigados a correr,

e a pista n�o deveria ser liberada.

Eu disse: "James, isso � loucura, se n�o corrermos,

voc� n�o ganha o campeonato." Ele disse:

"N�o, n�o posso correr, a pista est� molhad�ssima."

James n�o queria correr no Jap�o,

e foi Alastair Caldwell quem lhe disse: "Sente-se no carro,

fique quieto e dirija."

Bernie tentava fazer a corrida para a TV,

e eu tentava fazer a corrida por uma raz�o �bvia:

n�o ganhar�amos o campeonato sem esta corrida.

E, de repente, s�o quatro da tarde,

e o diretor da corrida disse que ela aconteceria.

Mas nada mudou. Televis�o.

N�o era sobre a corrida,

t�nhamos um contrato com a televis�o.

Simples.

Dissemos que a corrida ia come�ar naquela hora e come�ou.

Embora tenha acontecido duas ou tr�s vezes

antes e desde ent�o.

Quando dizem que n�o dev�amos correr e n�o dev�amos fazer isso

ou aquilo,

eu digo: "Se concordamos em correr, vamos correr."

Ent�o come�amos a corrida.

� dif�cil imaginar agora, mas em 1976,

os organizadores pagaram �s emissoras

para filmarem a corrida,

e ela estava se tornando cada vez mais emocionante,

principalmente chegando ao final do ano,

quando havia um ponto nela.

De repente, as emissoras disseram:

"Na verdade, n�o temos a corrida",

e um certo homem deu um pulo e disse:

"T�m raz�o, voc�s n�o t�m."

"Mas eu vou deixar voc�s terem,

desde que transmitam todas as corridas do pr�ximo ano."

E esse foi o acordo, e foi isso que colocou a F�rmula 1 na TV.

No mundo de hoje, n�o teria sido permitido come�ar a corrida.

Nunca teria sido considerado, as condi��es eram p�ssimas.

Ent�o Lauda, do jeito dele, foi muito corajoso.

Pela primeira vez na televis�o mundial, Bernie garantiu

que a corrida come�asse

porque era um grande evento para a televis�o,

a press�o veio e eles disseram: "Come�amos �s 16h."

Ent�o falei: "Voc� est� maluco, o circuito ainda est� inundado."

Por causa da minha responsabilidade pela seguran�a,

era inaceit�vel come�ar a corrida naquelas condi��es.

O GP come�ou.

Al�m dos milhares de torcedores japoneses,

outros espectadores

com interesses pessoais assistem � largada.

Os pais de James Hunt

e sua namorada, Jane Birbeck, assistiram � corrida,

transmitida via sat�lite, em um est�dio de TV em Londres.

No final da longa reta do pit,

James foi o primeiro na curva, eu estava atr�s dele

descendo no final da primeira volta voadora

indo para a segunda, cheguei nesse lago.

Poderia ter pegado uma vara de pescar

e fisgado uma truta de t�o grande.

O carro girou, entrou em aquaplanagem,

ent�o juntou tudo e continuei.

Mas as condi��es,

a visibilidade na fase inicial da corrida,

duvido que uma corrida fosse iniciada

nesse tipo de condi��o hoje.

Acho que comigo, outros dois ou tr�s pararam,

Fittipaldi parou, Pace parou.

Ent�o, n�o fui s�, mas na condi��o de decis�o,

foi um desastre come�ar a corrida, por isso desisti.

Ent�o Forghieri foi at� ele:

"Niki, podemos dizer que teve um problema com o carro,

j� fez tanto por n�s, dizemos infelizmente...",

Niki disse: "N�o, n�o conte mentiras.

Diga que resolvi parar porque, nesta condi��o,

� um absurdo correr na F�rmula 1."

Ent�o, ele foi muito honesto e muito direto como o Niki.

Na verdade, o que ele disse ap�s a corrida foi: "Lamento,

minha vida vale mais do que o Campeonato Mundial."

Ganhei muito mais respeito por Niki por fazer isso,

porque mostrou que a vida dele

era mais importante do que o campeonato.

E olhando para as queimaduras faciais que ele tinha,

ele lacrimejava tanto

por causa disso.

Sua visibilidade caiu para 20%,

e com o que ele estava lidando provavelmente caiu para 5%.

Se algu�m girasse em linha reta, voc� acertaria o cara.

Tanta �gua, sem visibilidade, aquaplanagem.

Deviam ter atrasado a largada, mas, infelizmente,

coisas assim nunca aconteceram.

E agora eles t�m o carro de seguran�a, eles tomam conta.

Gra�as a Deus agora as coisas ocorrem em favor dos pilotos.

Mas foi irreal come�ar aquela corrida.

T�nhamos um sinal permanente que dizia pneus frios,

e James se recusou firmemente a entrar nas po�as.

Ele n�o reagiu. Agora temos todo o resto da pista

com Andretti e Mass dirigindo nas po�as,

e James dirigindo firmemente na pista seca.

Ele nunca esteve muito � frente de Andretti ou Mass, ou outros.

N�o havia como traz�-lo taticamente para trocar os pneus

e ganhar o campeonato.

Torcemos para que os pneus durassem a corrida.

Eventualmente, ele dirigiu pela esquerda

vazando ar na frente e atr�s.

Ent�o, ele entrou com dois furos.

Ele voou muito mais r�pido agora com pneus novos,

se aproximando de Regazzoni que devia ter bloqueado a pista

e n�o bloqueia, Rega sai da pista e diz:

"V�, garoto, v�",

pois ele foi dispensado da Ferrari.

Ele ultrapassou Rega e terminou em terceiro.

Na primeira volta, ele era o oitavo,

escrevemos "P8" no quadro.

Quando estava em quinto, escrevemos "P5",

na pr�xima volta, ele foi o terceiro, escrevemos "P3".

Na �ltima, escrevemos "P1", porque ele foi Campe�o Mundial.

Ele n�o prestou aten��o a nenhuma dessas informa��es.

A �nica coisa que me vem � mente,

est� fixo na minha mem�ria,

� que James n�o sabia

se havia vencido ou n�o o Campeonato Mundial

ap�s a corrida, at� que ele entrou nos boxes

e disseram que ele era o campe�o.

Me d� uma bebida.

N�s realmente ganhamos?

Foi Frank Williams que disse a James no pit lane:

"Acalme-se, James. Voc� acabou de se tornar campe�o mundial"

e James estava bebendo Coca no momento e acabou cuspindo.

Ele lutou para vencer, teve uma corrida muito dif�cil

porque quase n�o ganhou, terminando na posi��o certa,

mas ele conseguiu. E � isso.

Ent�o, para mim estava tudo bem, porque tenho que ser objetivo.

N�o perdi a corrida, como todo mundo pensa no Jap�o.

Perdi a corrida porque sofri um grande acidente

e n�o corri tr�s ou quatro corridas.

Este � o principal motivo,

mas, mesmo assim, fiquei feliz por ele ter vencido.

Fiquei triste por Lauda, mas n�o acho que ele

ficou triste.

Acho que Lauda ficou feliz com sua decis�o,

e porque ele e James se gostavam demais,

ele disse imediatamente que se algu�m mais fosse ganhar,

ele gostaria que fosse James.

Festejamos muito, sim, havia muita bebida

e aprontamos bastante.

T�nhamos outras equipes no hotel,

com as quais nos d�vamos bem,

Tyrrells, Lotus e Brabhams.

Tivemos uma grande festa,

James demorou muito para se recuperar.

Foi um euf�rico James Hunt

que voou para o aeroporto de Londres

onde mostrou um de seus pr�mios aos rep�rteres.

Esse � o seu pr�mio?

Sim, � isso que voc� ganha por vencer o Campeonato Mundial.

NIKI LAUDA GANHARIA O T�TULO DE 1977 PELA FERRARI

ANTES DE DEIXAR A EQUIPE PARA ASSINAR COM BRABHAM.

ELE SE APOSENTOU NA TEMPORADA DE 1979

COMO BICAMPE�O MUNDIAL DE F1

Eu precisava escolher algu�m que trouxesse

mais do que apenas ser um piloto para a F�rmula 1.

Ser um l�der, ter um papel ic�nico,

n�o apenas ser um piloto de corrida.

Considerei Niki e liguei para ele dizendo:

"Niki, por que voc� n�o volta?"

E conversamos por 15 minutos, meia hora por telefone,

e eu disse: "Por que n�o pensa sobre isso?"

Ent�o � claro que incomodei,

incomodei e incomodei.

Ron me ligava sempre:

"O que est� fazendo? Como vai a vida?"

Era o momento certo?

E ent�o ele me ligou mais uma vez,

eu disse: "Talvez, vamos fazer um teste."

Fui para Donington e fiz outro teste.

Depois de limpar meus sentimentos negativos

em rela��o � F�rmula 1.

E quando voltei para o carro, come�ou de novo.

E ent�o eu voltei em 1982.

Senti que meu cora��o,

depois de dar mais tempo para outras coisas,

ainda est� batendo muito forte pelo automobilismo.

E como n�o dirijo h� dois anos, meu desafio pessoal � ver

onde terminaria voltando ao automobilismo

e � isso que vou fazer.

Niki era um piloto incr�vel,

e eu fiquei preocupado quando ele veio at� n�s pensando

que iria nos causar problemas,

nos deixar menos soltos, por assim dizer.

Mas, na verdade,

ele nunca fez exig�ncias estranhas � equipe.

Realmente atribuo isso ao fato de que era uma grande equipe.

T�nhamos recursos fant�sticos,

direto de Ron Dennis, na verdade,

e nunca quisemos nada.

E, assim, Niki sempre teve o melhor de tudo,

n�o havia nada do que reclamar.

Ent�o Ron aproveitou a oportunidade para pegar Prost,

porque Prost era o melhor cara da �poca.

E ent�o, de repente,

eu tinha Prost em meu carro que desenvolvi no ano anterior.

Desenvolvi este fant�stico carro turboalimentado da McLaren.

Ele estava preocupado que Prost

fosse o novo garoto, ele era o futuro.

O menino de olhos azuis de Ron e iria receber toda a aten��o.

Eu era um grande f� do Niki, eu o via pilotando,

ele era um dos meus �dolos quando eu era mais jovem.

Ent�o, comecei bem, sabe.

E ent�o pensei no come�o que tudo bem,

se Prost vier, o francesinho,

eu vou ignor�-lo, � a atitude normal.

Eu dizia para Niki: "Olha, voc� tem a mim, vou cuidar de voc�

e nunca vou deixar que voc� tenha nada menos do que o melhor

que a McLaren pode oferecer.

Voc� tem a mim, tem seus tr�s mec�nicos,

n�o precisa de mais nada, n�o se preocupe,

vamos garantir que seu carro seja perfeito.

Vamos garantir que tenha absolutamente o melhor

que a McLaren pode fornecer. E voc� ter� o mesmo que Prost,

ent�o nem se preocupe com isso, concentre-se apenas em pilotar.

Deixe o resto conosco."

Quando fui para a McLaren em 1984,

assinei um contrato n�mero dois.

Eu era o n�mero dois com Niki,

e meu sal�rio tamb�m era muito baixo em compara��o ao dele,

mas tinha b�nus pelas vit�rias e pontos.

Prost sempre ficava � minha frente.

No come�o, cinco d�cimos, depois dois,

mas ele sempre foi mais r�pido.

Ent�o mudei minha estrat�gia e disse:

"Tudo bem, n�o vou alcan��-lo na qualifica��o.

Vamos trabalhar no setup da corrida."

Ele era um dos pilotos,

talvez o piloto onde poder�amos ter pilotado o mesmo carro.

Mesmo com Ayrton. Ele estava perto,

mas t�nhamos algumas diferen�as.

E eu s� tinha que ser mais r�pido do que ele.

Ele dizia: "Esse francesinho � t�o r�pido."

Ele pode se beneficiar da minha experi�ncia ajustando o carro,

mas n�o h� como eu me beneficiar com sua rapidez.

Ent�o, durante aquele ano, chegamos a Dijon.

Era quase na metade da temporada, GP da Fran�a,

Prost liderava por 17 pontos.

Ent�o Niki me disse:

"Venha correr comigo no circuito."

Na sa�da, ele disse:

"Estou tentando o m�ximo que posso,

estou fazendo todo o poss�vel para vencer esse francesinho,

mas ele � t�o bom e t�o r�pido."

E ele disse: "Mas n�o vou desistir,

vou me esfor�ar ainda mais.

Vou vencer essa corrida e vou vencer o Mundial."

E eu pensei que era uma tarefa dif�cil.

Voc� vai ganhar esta corrida e o Campeonato Mundial?

Bem, ele ganhou aquela corrida fortuitamente

porque Prost teve um pequeno problema mec�nico.

A determina��o implac�vel era absolutamente incr�vel.

Me esforcei porque queria vencer essa corrida,

pois estava com poucos pontos. Ent�o, parece que nosso carro,

principalmente no in�cio da corrida, foi muito bem.

E eu pude avan�ar e finalmente vencer.

GP DE PORTUGAL, 1984 ESTORIL

O GP de Portugal de 1984 foi memor�vel, para dizer o m�nimo.

Fomos para o GP sabendo

que hav�amos vencido o campeonato de pilotos

e de construtores, mas o que n�o estava decidido

era qual dos nossos pilotos

ganharia o campeonato de pilotos.

Aquela corrida foi t�o intensa,

todos estavam nervosos,

tentando fazer tudo perfeitamente.

Hoje � bom para mim e n�o t�o bom para o Niki

porque ele come�a muito longe de mim,

e � muito dif�cil tentar ultrapassar,

ent�o vai ser trabalhoso para ele,

mas preciso ter um pouco mais de sorte.

Voc� vai buscar os pontos para vit�ria?

Vou para o campeonato e verei o que vai acontecer,

mas se eu conseguir vencer, vou tentar, seria fant�stico.

Acho que Niki nunca esteve � minha frente na corrida

quando est�vamos competindo, digamos em condi��o normal.

Mas parei,

tive uma falha mec�nica um pouco mais frequente.

Eu estava lutando, muito mais, por causa desses caras,

ent�o ele ficou um pouco atr�s.

Prost fora da qualifica��o

e Lauda n�o teve um come�o brilhante,

caiu um pouco na posi��o.

Eu estava ficando um pouco desesperado.

Uma pedra quebrou o turbocompressor esquerdo.

Ent�o, eu via o impulso, mas n�o a for�a.

N�o consegui ultrapassar ningu�m na reta,

o que normalmente

teria sido f�cil de fazer.

E ent�o fiquei frustrado por n�o conseguir ultrapassar.

E havia carros me segurando

porque eu n�o tinha a for�a de que precisava.

Eu estava naquela corrida, Niki n�o era o mais r�pido,

ele era um jogador percentual.

Foi extraordin�rio, jamais esquecerei uma corrida em Monza

que eu o alcancei na primeira chicane em minha Tyrrell.

E eu estava t�o satisfeito comigo, est�vamos

brigando pelo 10� lugar ou algo assim,

tivemos uma sess�o de qualifica��o dif�cil.

Ent�o ele passou por mim saindo da parab�lica.

E olhou para mim.

Est�vamos a cerca de 320 km/h...

e ele fez isso com a m�o, tipo, o que voc� est� fazendo?

T�nhamos um longo caminho a percorrer,

t�nhamos que cuidar dos pneus,

cuidar dos freios, cuidar do carro.

E pensei: "Ultrapassarei voc� depois".

E meu carro quebrou, voltei para os boxes,

olhei para o monitor e quem estava liderando a corrida?

Niki Lauda, porque ele estava jogando

um jogo longo de que precisava

com os carros naquela �poca.

Niki ficou longe de problemas,

alcan�ando as pessoas, uma de cada vez,

gradualmente abrindo caminho de volta para a frente.

Ele teve muita ast�cia, experi�ncia

e maturidade para continuar.

Acho que ele subiu para o terceiro lugar,

o que n�o era bom o suficiente.

E depois acho que foi Nigel Mansell

que caiu nas �ltimas voltas

que o elevou para segundo.

E ent�o, no final, eu era terceiro

e ent�o Mansell parou com seu problema de freio.

E gra�as a Deus, terminei em segundo.

Niki conseguiu o seu terceiro Campeonato Mundial

por meio ponto

em Estoril naquele dia.

Ele fez uma boa temporada,

mais consistente, conseguiu vencer,

mas tamb�m porque t�nhamos um relacionamento t�o bom

e era um bom ambiente dentro da equipe,

que nunca tivemos nem um problema sequer em 1984.

O que tem a dizer ao Alain Prost neste momento,

seu companheiro e compatriota ao longo do ano?

Foi o cara mais dif�cil de vencer. Pelo que sei,

o cara mais dif�cil, ent�o este campeonato

� o mais importante para mim.

O que vai fazer para comemorar esta noite?

- Primeiro, preciso descansar. - Parab�ns.

Perdi o campeonato por meio ponto, mas...

depois de todas as entrevistas e tudo mais,

vamos beber junto com Niki, vamos pensar no ano que vem.

Perdi este ano, mas fiz uma temporada fant�stica.

Ganhei sete corridas, n�o tive muita sorte,

mas estou mais feliz

do que os outros pilotos da F�rmula 1 no momento,

exceto o Niki hoje.

Prost foi incrivelmente positivo na derrota.

Tivemos uma festa inacredit�vel naquela noite,

e os dois pilotos estavam bastante alegres.

Sempre me senti um pouco decepcionado por Alan Jenkins,

que era o engenheiro de corrida de Prost,

todos estavam euf�ricos,

mas, inevitavelmente, Alan Jenkins,

Alain Prost e seus tr�s mec�nicos

foram as �nicas pessoas na equipe

que ficaram um pouco decepcionadas.

Lembro-me de quando voltei ao hotel e disse:

"Ser� que um dia vou ganhar um campeonato?"

Porque foram tr�s derrotas consecutivas

por motivos diferentes, mas foi por pouco.

Alain era brilhante, sem animosidade alguma.

� assim que funciona.

Fiz o que tinha que fazer na �ltima corrida,

tenho que ganhar a corrida.

Fomos a Estoril, fomos � discoteca.

Demos uma grande festa. Eu fiquei completamente b�bado.

Isso � bom, porque faz parte do lado humano da hist�ria,

a gente se divertiu muito.

AUSTR�LIA, 1986

Quando chegamos a Adelaide, em 1986,

est�vamos prontos para um feriado de cinco anos

porque tinha sido muito pol�tico,

t�o dif�cil, um ano t�o dif�cil

com o acidente de Frank em mar�o.

Acidente muito, muito grave, do qual ele saiu,

mas houve um momento em que pensamos

que poder�amos perd�-lo tamb�m.

Nigel razoavelmente confort�vel na lideran�a de pontos,

com Nelson a alguns pontos de dist�ncia,

e Prost logo atr�s dele.

Mas quando pensa no padr�o que Nelson era,

isso mostra qu�o bom Nigel era tamb�m.

Em qualquer corrida,

h� seis ou sete pilotos que ainda podem vencer.

Mas eu sabia que era um dos seis ou sete,

tudo o que voc� pode pedir

quando est� competindo, se puder ser um dos seis ou sete

em um pacote competitivo que tem a chance.

E eu acho que � isso que era t�o empolgante

naquela era na F�rmula 1.

Minha melhor temporada foi em 1986.

Essa � a que eu sempre gosto como refer�ncia.

Tudo come�ou mal quando Nelson

deu uma entrevista para a Playboy Brasil,

na qual foi questionado

sobre as diferen�as entre ele e Nigel.

Ele disse: "A diferen�a � que tenho namoradas lindas,

ele tem uma esposa feia"

e, claro, isso foi rapidamente traduzido para Nigel

e voc� pode imaginar o que aconteceu depois.

Quais ser�o suas t�ticas nessa largada?

Garantir engatar a primeira marcha.

N�o poderia ter algu�m melhor ao seu lado do que sua equipe,

e ele tem que vencer a corrida, ent�o ele estar�

se arriscando na primeira curva.

Nigel foi um piloto de corrida muito forte

que foi muito dif�cil para Nelson Piquet vencer.

Agora vou tentar tirar Mansell para ganhar a corrida.

O que far� com Prost, como voc� vai tir�-lo?

N�o vou, ele vai terminar atr�s de mim.

Nelson Piquet e Mansell juntos,

e � uma largada excelente de Nigel Mansell,

Senna passa para a segunda coloca��o, e depois Piquet.

A Williams Honda estava dominando,

era muito, muito mais r�pida do que n�s.

N�o sei por que sempre confio que poderia ser campe�o.

Al�m disso, eles estavam disputando.

E �ramos muito, muito bons.

A �nica fase daquela corrida foi toda sobre Nigel dirigindo,

ele conseguiu a pole. Ent�o, ele sabia o qu�o r�pido ele era

e o qu�o r�pido ele poderia ser,

mas era tudo sobre terminar em terceiro.

E Nigel n�o � muito bom em terminar em terceiro,

ele n�o tinha feito muitas corridas como aquela,

ele corria para vencer.

Isso n�o � uma coisa f�cil, mas ele fez muito bem

e sempre que havia press�o atr�s dele,

ele simplesmente deixava o cara ir,

fosse Nelson e Keke Rosberg, foram muito r�pidos

na largada e n�o terminaram.

Rosberg fora! Keke Rosberg est� fora.

Sab�amos que ter�amos problemas com os pneus,

e tive um pouco de sorte por um motivo.

Fizemos um treino fant�stico na sexta-feira e no s�bado.

Sab�amos que n�o poder�amos fazer

toda a corrida com os pneus.

E hav�amos planejado uma parada.

Ningu�m sabia, exceto a equipe

e o pessoal da Goodyear na �poca.

Houve uma d�vida sobre se deveria

traz�-los para os pneus ou n�o,

e eu me lembro do engenheiro da Goodyear vindo at� Patrick,

e eu estava parado ao lado de Patrick,

eu vi os pneus na Arrows,

eles est�o perfeitos.

N�o traga Nigel, ele pode fazer a corrida.

Porque o pit stop sempre foi um risco.

Eu precisava parar e disse: "Estou indo para buscar pneus",

eles disseram: "N�o pare."

Eu estava confort�vel com o ritmo,

e me garantiram que os pneus estavam bons.

Tamb�m n�o tive nenhuma vibra��o nos pneus porque se eu tivesse,

eu teria entrado direto.

Acho que faltavam 17 ou 18 voltas para o final.

Lembro-me de descer a reta principal,

n�o estava muito atr�s de Prost

e acho que est�vamos a 350 km/h

quando houve uma explos�o

na parte de tr�s do carro com um pneu solto.

E olha s�! � o Nigel Mansell.

N�o tinha dado nenhum aviso, s� estourou.

Mansell est� fora da corrida.

Agora, isso pode mudar, e mudar� o Campeonato Mundial.

Arrancou fora a suspens�o e a linha de freio,

e, obviamente, fizemos de tudo para manter o carro

virado para a dire��o certa

para que eu n�o fosse direto para o muro.

E aquele campeonato acabou,

perdemos o campeonato por um ponto.

Ent�o, sim, foi um dia muito dif�cil.

O que dizer?

Acho que Nigel dirigiu exatamente como deveria,

ele n�o poderia ter dirigido mais devagar,

n�o poderia ter dado mais espa�o ao carro.

E seguimos todos os conselhos

que nos foram dados em rela��o ao pneu.

N�o foi m� sorte. Foi uma m� decis�o.

Eles n�o pararam por causa dos pneus,

e a falha do pneu n�o foi

resultado de um furo, estava muito gasto

e simplesmente tomaram a decis�o errada.

T�nhamos o pneu estourado do Nigel.

Nelson estava liderando, seus pneus no final da corrida

estavam t�o velhos

quanto os de Nigel quando falharam.

E antes hav�amos tido algumas falhas de pneus.

A Goodyear alegava que o problema era do carro,

eu disse: "Bem, provavelmente temos

mais pot�ncia do que qualquer outra pessoa,

ent�o estamos trocando e usando um pouco mais de downforce,

acho que tudo o que est� vendo � que for�amos os pneus",

e eles n�o responderam.

Ent�o, eu tive que chamar Nelson e trocar os pneus,

porque era uma falha de fadiga nos pneus,

ele estava se aproximando de Alain Prost

e estava a alguns segundos dele quando deram a bandeirada.

E para ser justo com o Nelson,

ele sabia que eu o chamei de uma posi��o

em que ele ia ser campe�o mundial.

Ele nunca me culpou por isso,

porque sabia que havia o perigo potencial

de tamb�m uma falha de pneu, ent�o, ele foi muito justo.

Perdeu a corrida, perdeu o campeonato, perdeu tudo.

Alain Prost leva a bandeira quadriculada,

vence o Grande Pr�mio da Austr�lia,

ele vence o Campeonato Mundial!

�s vezes, voc� sabe que algo vai acontecer.

Eu sabia que essa corrida n�o seria outra corrida,

mas eu n�o sabia na �poca.

T�o dif�cil para freios, consumo de combust�vel,

caixa de c�mbio, pneus.

Foi muito ruim e tem que ter muito cuidado.

E todo mundo achou que eu parei por causa do furo,

que era verdade, mas estava planejado parar.

Uma corrida muito, muito dif�cil.

Essa � a minha melhor temporada de todos os tempos.

Foi uma corrida muito acirrada, e Nigel com problema de pneu

infelizmente, e Prost, � claro, teve uma vit�ria inesperada

para a decep��o da Williams.

Depois voc� se sente horr�vel ao fazer as malas,

indo para casa,

olhando para a garagem da McLaren,

toda a torcida e eles est�o bebendo champanhe

e aquele momento � quando voc� pensa:

"Voc� quer mesmo disputar a F�rmula 1?"

Cara, era o come�o, n�o era pela tecnologia

e todo tipo de coisa naquela �poca.

E, obviamente, sendo 2020,

dever�amos ter feito aquele pit stop.

Apesar do risco, dever�amos ter cal�ado um novo par de chuteiras

e provavelmente ter�amos vencido o Campeonato Mundial.

Foi dif�cil de aceitar.

Obviamente, foi o mais perto que cheguei

de me tornar campe�o mundial.

Mentalmente � muito dif�cil.

Aquele inverno foi provavelmente o mais dif�cil que j� tive.

BRASIL, 2008

Finalmente chegamos em Interlagos,

e Lewis ou Felipe poderiam vencer.

O que ent�o aconteceu, como sabemos

passou para o folclore do automobilismo,

onde permanecer� para sempre

como uma das hist�rias mais extraordin�rias.

Eu fui pole em 2006, 2007, 2008.

Ent�o, era meu circuito, eu tenho meu povo, meu carro,

minha casa, quando voc� compete em casa, voc� compete melhor.

Isso � claro.

No Brasil, eu disputava com um piloto brasileiro.

Ent�o, eu n�o era a pessoa mais famosa l�.

E ent�o, bloquear tudo isso e permanecer focado

e fazer um bom trabalho

definitivamente n�o foi f�cil para mim na �poca.

� disso que se trata a corrida,

e eu vim aqui com a inten��o de vencer,

mas eu sei que n�o preciso,

que � um aspecto positivo ter isso em mente.

Aquela corrida foi decisiva para o Campeonato Mundial.

O Campeonato Mundial � ganho ao longo de toda a temporada,

tivemos corridas dif�ceis

e corridas boas ao longo da temporada

e aquela foi uma corrida onde come�amos,

o que n�o � caracter�stico da McLaren,

com base em ganhar o Campeonato Mundial.

N�o se preocupando em vencer a corrida.

Considerando que todo mundo queria vencer a corrida.

Ent�o, � uma coisa muito diferente,

� uma experi�ncia gato e rato.

Minha abordagem �, como sempre, n�o ter nada a perder,

estou em segundo, sete pontos atr�s,

no pior caso,

vamos terminar em segundo,

mas precisamos tentar e fazer o nosso melhor.

E tem uma pequena possibilidade, mas se isso acontecer...

N�o tenho ideia de como vou me sentir.

Sabe, muita coisa aconteceu no primeiro ano,

e depois chegar ao fim e perder um campeonato por um ponto.

Foi t�o dif�cil para mim me perdoar pelo GP da China.

Na China tem uma �ltima curva realmente estranha.

� uma curva dif�cil, a 90 graus para esquerda,

� muito mais r�pida do que parece

se estiver apenas dando uma volta.

E, al�m disso, voc� tem aquela entrada no pit lane muito f�cil

de ir direto para a primeira parte

e voc� freia com for�a para a esquerda no pit lane.

E ningu�m nunca pensou que,

na verdade, � uma corrida de curvas,

precisamos ter um pouco de cuidado com o que fazemos l�,

com os pneus de Lewis bem gastos,

sem muita ader�ncia.

E n�o h� nada que voc� possa fazer se correr um pouco longe

e foi o que aconteceu com Lewis l�.

Sab�amos que os pneus estavam gastos, t�nhamos a lideran�a.

Falhamos em aconselhar Lewis,

e poderia argumentar que ele

devia ter experi�ncia suficiente,

mas realmente falhamos em avis�-lo sobre os pneus

e qu�o pouca ader�ncia ele teria

no caso de pegar qualquer superf�cie molhada,

e ele entrou no pit lane r�pido demais.

Tomamos a dor, aprendemos com ela.

E continuamos a lutar outro dia, mas foi decepcionante,

� como eu diria.

Ele poderia dizer que foi um erro de iniciante.

Primeira vez em Xangai,

mas custou o campeonato naquela corrida

e ent�o tudo ficou para o Brasil.

GP DO BRASIL, 2007 S�O PAULO

Lewis estava � frente, mas estava bem perto.

Teve o Fernando, que teve um segundo semestre muito bom

quando venceu em Monza e levou o Fernando

de volta para onde ele pensava que deveria estar.

Era Kimi fazendo um trabalho

muito bom para a Ferrari ao dirigir bem,

e ent�o havia Lewis,

esse incr�vel novato chegando e ultrapassando Fernando

e chegando ao Brasil, com uma vantagem que, em teoria,

lhe daria o Campeonato Mundial.

Aquele sentimento dentro de voc�,

seu cora��o afundando no fundo do po�o,

foi horr�vel aquele ano.

Eu me senti horr�vel.

N�o dormi durante o fim de semana.

O Brasil � sempre complicado porque o tempo � inst�vel,

estava muito quente e a Ferrari � sempre a mais r�pida no calor,

e se est� chovendo, �s vezes � misturado,

�s vezes � intermedi�rio,

�s vezes � extremo,

ent�o � muito, muito dif�cil de julgar.

Ele teve o que posteriormente determinamos ser

um problema hidr�ulico

com a mudan�a de marcha.

Na verdade, havia um pequeno fragmento met�lico

que entrou em uma das v�lvulas de controle,

onde eles t�m orif�cios muito, muito pequenos, e interrompeu

o funcionamento dessa v�lvula

impossibilitando mudar de marcha.

Ap�s 25 segundos, esse fragmento,

presumivelmente, passou pela v�lvula

e a v�lvula limpou e come�ou a funcionar normalmente.

Lewis s� perdeu o campeonato em 2007

porque foram 25 segundos, se fossem 20, ele estaria bem.

Ele teria buscado posi��es.

Acabou, Hamilton em s�timo,

ganhamos o campeonato por um ponto.

Voc� realmente sente que a mar� est� indo contra voc�,

� muito importante ficar em p�,

manter o peito para cima, continuar tentando.

Experimentar e usar as pessoas

ao seu redor, tentar ser positivo.

Eu tive muita sorte, tive meu pai,

minha fam�lia ao meu redor que me ajudou a fazer isso.

Lewis teve aquela decep��o,

sete da manh� de segunda-feira ao acordar,

tendo perdido o campeonato

em seu ano de estreia,

teria sido incr�vel e ele tivesse ganhado

e, em seguida, voltando em 2008 e foi uma esp�cie de d�j� vu.

Eu s� tinha que terminar em quinto com a experi�ncia

antes de poder me recuperar daquilo

e fazer um fim de semana melhor, mas coisas diferentes ocorreram

e eu estava correndo contra um brasileiro,

havia muita animosidade,

muita expectativa em torno do Felipe,

e eu era obviamente

um azar�o chegando.

GP DO BRASIL, 2008 S�O PAUL

Lewis estava liderando o campeonato,

mas Felipe Massa, claro,

n�o tinha nada a perder na frente de sua torcida.

Massa, voc� est� pronto

para fazer Hist�ria hoje pelo seu pa�s?

Pronto para dar o meu melhor e fazer uma boa corrida.

- Boa sorte. - Obrigado.

Havia um sentimento de reden��o potencial para n�s

contra o velho inimigo, a Ferrari.

Durante toda a corrida,

estivemos nos controlando e tentando garantir

que terminar�amos na frente em pontos.

Isso exigia um c�lculo diferente.

De acordo com quem estava no circuito, etc.

Voc� est� na frente, est� ganhando a corrida,

est� liderando por uma boa margem,

mas n�o sabe o que acontece por tr�s.

E no final, sempre se espera que, talvez,

algo possa acontecer.

J� a chance de Lewis de n�o chegar

entre os cinco primeiros

� bem complicada porque ele teve um �timo carro naquele ano.

Se voc� olhar o hist�rico do Brasil,

quando chove, normalmente chove

muito forte no final da corrida.

O mais prov�vel � que,

se houver chuva, ela ficar� mais intensa.

A� a chuva caiu tr�s ou quatro voltas para o fim,

e � uma daquelas decis�es terr�veis,

onde h� uma resposta certa,

mas est� perto e h� uma aposta a ser feita.

Acho que com uma decis�o do campeonato,

a pior coisa que pode acontecer

� se as condi��es clim�ticas mudarem e chover.

E a resposta certa foi colocar

os pneus de chuva, o que fizemos,

o que os principais pilotos fizeram, mas a aposta

era ficar com os pneus slicks,

o que os dois carros da Toyota ficaram.

Disseram que eu estava fazendo

um �timo trabalho, estava indo bem,

continue assim.

H� uma chance de Lewis ser o quinto,

talvez algo possa acontecer com ele,

algo vai acontecer com ele, ent�o mantenha sua concentra��o

e n�o pense para tr�s, pense para a frente.

Lewis, ele estava logo atr�s de Vettel na Toro Rosso.

Tinha que terminar em quinto para ganhar o campeonato

e fiquei em sexto tanto tempo,

que pude ver meu campeonato indo embora.

Na verdade, eu estava do lado oposto

da Ferrari neste momento,

quando tudo come�ou a se desenrolar.

E eu estava assistindo � TV,

grudado no Lewis tentando cobrir as posi��es necess�rias.

E ele estava desesperado

porque isso n�o estava acontecendo.

E ficou claro para n�s que, provavelmente,

Lewis n�o conseguiria

ultrapassar Vettel, portanto,

que ele n�o conseguiria ser quinto

e que, portanto, a Ferrari e Felipe Massa

seriam campe�es.

Naquele momento, eu queria parar com a F�rmula 1.

Ia desistir da F�rmula 1,

porque este seria o segundo ano consecutivo

perdendo um campeonato por uma fra��o.

O esfor�o total de uma temporada e o que voc� tem que fazer

para competir � indescrit�vel.

Mas imagine aquela montanha de esfor�o

quando voc� perde um campeonato.

Voc� sabe que tem que fazer tudo de novo.

� um momento muito, muito dif�cil, eu diria,

e l� est�vamos n�s enfrentando outro.

Ent�o, eu ia desistir. Chega. Eu n�o posso mais fazer isso.

Nunca vou esquecer isso enquanto eu viver.

Ent�o, de repente, quase ao mesmo tempo,

todos percebemos,

olhando para as telas de cronometragem

e os monitores de TV,

que havia um Toyota, n�o apenas indo devagar,

mas indo muito devagar � frente, o Timo Glock.

Timo Glock herdou a posi��o na pista porque n�o parou.

Foi em slicks que ele ficou estranho e desorganizado.

E h� uma chance razo�vel de que na �ltima volta,

ou talvez na pen�ltima volta, ou talvez na volta

ap�s a bandeira quadriculada, Lewis estar� com Timo Glock.

E, de repente, percebemos

que n�o apenas Vettel, mas Vettel e Lewis,

ambos iriam ultrapassar.

Imposs�vel falar sobre isso sem me emocionar.

Eu tinha decidido antes do momento do Glock,

que voltaria aos boxes,

n�o queria ficar com o pessoal da Ferrari.

E era tudo uma grande multid�o

atr�s do pit wall naquele momento

e eu tive que atravessar aquela multid�o

para voltar � �rea da McLaren.

E quando sa� da multid�o da imprensa, vi no monitor

e vi o momento Glock e pensei: Conseguimos!

Um pandem�nio, n�s simplesmente

passamos um pelo outro, corremos

para o pit lane pelo pit wall

a tempo de v�-lo terminar daquela forma.

Este � o momento que define o Campeonato Mundial,

que define os pilotos de corrida.

Ele conseguiu!

Felipe Massa j� havia ultrapassado

a linha de chegada.

Estamos comemorando a conquista do Mundial,

assim como seu pai, como toda a sua equipe,

sem perceber o que estava acontecendo

algumas centenas de metros atr�s dele.

E quando ele percebeu a decep��o no campo da Ferrari,

quase n�o consigo compreender.

A famosa imagem na TV, voc� n�o poderia capturar

nenhum outro exemplo melhor

do que � ir da euforia ao desespero.

N�o sei se algum dia serei capaz de explicar completamente,

mas foi aterrorizante e,

em seguida, excitante e emocionante.

Foi um caos depois que eu sa� do carro, e, de novo,

estava t�o esgotado mentalmente e fisicamente durante o ano

e o pensamento de perder, e ganhar, e perder,

foi horr�vel.

Mas voltar e ver minha equipe

e a experi�ncia com essas pessoas,

todas felizes em compartilhar este Campeonato.

E tudo acontece t�o r�pido,

eu nunca tive tempo de sentar e realmente me divertir.

Eu estava parando no pit lane, a equipe me dizendo

que Lewis Hamilton havia vencido o Campeonato Mundial,

entrei e parei logo atr�s dele.

Sai do carro e, ao me afastar para dar os parab�ns a Lewis,

me virei, e o carro estava em chamas!

Pegou fogo, o que foi uma �tima despedida

para aquele carro, realmente foi!

Aproximei-me de Lewis e, sim, disse: "Parab�ns, companheiro."

As l�grimas desses sentimentos.

A sensa��o de ter vencido a corrida em casa.

E eu fiz um trabalho incr�vel naquele fim de semana.

Ent�o, foi a minha corrida.

E a� a sensa��o de ter perdido o campeonato na �ltima curva,

como isso pode acontecer?

Ent�o voc� tem ambos sentimentos,

mas, com certeza,

a sensa��o da vit�ria me ajudou muito

a me comportar da forma mais profissional de novo,

porque fiz meu trabalho,

e para mim isso era o mais importante.

Ganhei a corrida e isso foi a melhor coisa que aconteceu,

porque ganhei a corrida

e n�o poderia fazer melhor do que isso.

Claro, todos n�s choramos por Felipe Massa,

tudo que Felipe fez naquele dia,

ele fez com perfei��o, venceu a corrida por direito,

vit�ria perfeita, dia perfeito

nas corridas, exceto por uma coisa,

Lewis tamb�m pilotou perfeitamente sob press�o,

sob press�o incr�vel para ganhar aquele campeonato.

Nessa situa��o, na �ltima curva da corrida,

na �ltima corrida do campeonato,

foi uma loucura.

Estou muito orgulhoso com minha vit�ria em casa,

quase o campeonato, mas isso � automobilismo.

Se as pessoas acreditam que houve sorte naquela corrida,

est�o completamente enganadas.

Foi um risco calculado, sab�amos que t�nhamos que estar

bem posicionados com os pneus no final da corrida,

quase deu errado, mas n�o deu.

A� quando eu chego na garagem,

o Rob Smedley entra na sala,

ele come�a a me abra�ar e come�a a chorar,

ent�o comecei a chorar muito, n�o conseguia parar de chorar.

Demorou muito para esses sentimentos passarem.

Mas tamb�m era bom porque era algo

que eu queria botar para fora.

Sabe, como algo que eu estava sentindo, que n�o era t�o bom,

mas foi um bom momento que eu nunca vou esquecer.

Anthony, � o momento

com que voc� sonhou por tantos anos,

coloque em palavras suas emo��es agora.

O que posso dizer? N�o consigo dizer nada.

Conte-nos sobre a tens�o dessas voltas finais, Anthony?

Eu n�o consigo encontrar nenhuma palavra.

Ganhar aquele GP junto da minha fam�lia foi emocionante

sabendo o que hav�amos passado.

N�o t�nhamos nada para come�ar,

ir at� l� e ficar na frente de pessoas

que t�m muito mais do que n�s, especialmente para come�ar,

talvez eles n�o tenham passado pelo que n�s passamos.

Foi uma sensa��o �tima.

Quando algu�m coloca tanta f�, confian�a,

esfor�o e tempo em voc� por anos,

e finalmente compensa.

� uma sensa��o linda.

Acho que se olharmos para o final

de uma corrida como a do Brasil em 2008,

o campeonato foi definido no final daquela corrida.

Acho que s�o esses momentos que nos fazem sentir.

� por isso que amamos esse esporte

que se chama F�rmula 1.

� por isso que amamos essa corrida rumo � perfei��o.

Alguma vez alcan�amos a perfei��o?

Talvez n�o, acho que nenhum piloto

realizou a volta perfeita,

mas ele certamente alcan�ou momentos perfeitos,

e um deles foi no Brasil em 2008 para Lewis Hamilton.

Porque somos os campe�es do mundo

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