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A MONTANHA DO LOBO SANGUIN�RIO
UMA F�BULA DO VELHO OESTE
CONTADA EM VERSO E PROSA
POR REX ALEN E OS FILHOS DOS PIONEIROS
Em torno dos acampamentos solit�rios
Quando os lobos come�am a uivar
Os cavaleiros contam a hist�ria
Do mais corajoso dos lobos
O rei dos ca�adores
Nascido para liderar
Seu nome tornou-se uma lenda
Por todo o Grande Sudoeste
Lobo
Lobo
Seu nome sobreviver�
Pois homem algum conseguiu
Peg�-lo vivo ou morto
RECOMPENSA DE 100 D�LARES PELO LOBO
Lobo
Lobo
Seu nome sobreviver�
Pois homem algum conseguiu peg�-lo
Vivo ou morto
Como tudo mais, uma boa lenda...
precisa de um bom come�o.
Da linhagem certa, pode-se dizer.
Esta come�ou, antes da �poca de Lobo...
com um lobo de fama pr�pria.
Um lobo grande, de pernas compridas...
que rondava um vasto territ�rio...
ainda vazio e bonito de ver.
Nas redondezas, ele era conhecido como O Feroz...
ou El Feroz, em espanhol.
Os vaqueiros tamb�m o respeitavam muito.
Isso gerou um tipo de supersti��o...
que afirmava que ele era um esp�rito.
El Feroz era o pai de Lobo...
ent�o, ele vinha de uma boa linhagem...
de ra�a e sangue.
Ele nasceu na primavera de 1889...
numa ninhada de cinco filhotes...
com dois irm�os e umas irm�s.
Esta � a fam�lia comum dos lobos.
Esses filhotes tiveram um bom...
come�o, por v�rios motivos.
Primeiro, tiveram a sorte...
de serem filhos de El Feroz.
� comum, na natureza...
o macho matar seus filhotes, se puder...
mas � diferente com os lobos.
Ele � o melhor pai que h�...
por ser gentil com os filhotes.
O lobo tamb�m � leal.
Algo que muita gente n�o percebe...
� que eles se acasalam para a vida toda.
� para sempre.
O macho e a f�mea s�o devotados um ao outro e � fam�lia.
Para um bom arranjo dom�stico...
provavelmente, n�o h� outro igual, na natureza.
Com seis semanas, Lobo n�o era uma lenda.
Pelo menos, ainda n�o.
Ele tinha olhos brilhantes e era travesso...
mas ele era igual a seus irm�os e irm�s.
A esta altura, ningu�m apostaria...
que ele seria o futuro rei da matilha.
Talvez, a �nica diferen�a fosse...
ele ser mais curioso do que os outros.
Ele gostava de farejar...
e descobrir o que acontecia na redondeza.
Mas sendo novato nisso...
�s vezes, ele ia muito longe.
Se voc� deixa o ju�zo, em casa, quando passeia...
vai acabar se metendo em encrencas.
Mas a escola da vida n�o � ruim...
para se come�ar a aprender...
e Lobo aprendia depressa.
Na verdade, ele iria aprender...
com a experi�ncia, a vida toda...
e mais importante...
ele iria lembrar o aprendido.
Agora, era certo que os filhotes cresciam depressa...
e estavam quase prontos para comer carne...
ent�o, El Feroz foi verificar...
o que restava em seu cemit�rio.
O que ele escava, no fim, � o �ltimo osso...
muito pouco para uma fam�lia faminta...
praticamente, s� servindo como cabo de guerra.
N�o restava o bastante nele...
para alimentar um can�rio.
El Feroz sabia que era hora de ca�ar de novo.
Para alimentar os filhotes famintos
El Feroz foi � procura de ca�a
Mas n�o havia sinal de presas
Em seus dom�nios selvagens
Pela vastid�o sem fim
O rastro solit�rio o guiou
At� que, enfim
Ele os viu
O antilocapra, sua presa favorita.
Sua fam�lia seria alimentada
O ant�lope � mais r�pido...
do que uma lebre na largada...
mas n�o consegue manter o ritmo.
Por outro lado, o lobo � resistente...
e pode manter o ritmo durante horas, quando quer.
Ele pode at� vencer um cavalo forte.
E assim foi.
El Feroz contava com que um deles...
ficasse para tr�s.
No fim, um macho antilocapra parou, sem f�lego...
e muito cansado para continuar.
Com o fim da ca�ada, o resto seria f�cil...
mas El Feroz n�o tinha pressa de matar.
Ele come�ou a conduzir o ant�lope...
como um cavalo de rebanho...
levando-o na dire��o de onde tinha vindo.
Este era um velho truque.
Se o lobo ca�a a presa...
longe de onde a deseja...
digamos, a meio dia de viagem de sua fam�lia...
ele n�o acaba tudo logo.
Em vez disso, ele a conduz...
sobre as pr�prias pernas.
Em sua toca, os filhotes est�o sendo...
o mais pacientes poss�vel.
Mas n�o � normal filhotes...
com fome, serem pacientes.
Eles rosnaram um pouco, reclamaram um pouco...
mastigaram coisas...
e sentiram pena de si mesmos.
Mas eles sabiam que, realmente...
tinham do que se queixar.
Havia um puma rondando as redondezas...
e se ele os achasse...
eles estariam mesmo encrencados.
Quando um desses grandes felinos circula...
nada est� a salvo.
Furtivo, esperto, ele se esgueira...
devagar e em sil�ncio...
nunca traindo sua presen�a...
ou dando algum sinal.
Parecia que os lobos estavam perdidos...
mas, no �ltimo minuto, surge algu�m inesperado.
Os pumas, naturalmente, geram �dio nos vaqueiros.
Eles significam a morte...
de cavalos e outros animais...
mas o ressentimento parecia...
sem motivo, meio cego...
e em geral, tomava a forma de uma bala de rifle.
Isso tamb�m valia para os lobos...
e neste momento, o pequeno Lobo n�o sabia...
qu�o perto ele tamb�m estava de ser baleado.
Quase na mesma hora, El Feroz voltou com parte da ca�a.
Ele soube de imediato que havia algo errado.
Ele n�o demorou para desvendar o mist�rio.
S� pelo faro, ele teria entendido...
e avistar os vaqueiros, apenas...
confirmou suas conclus�es.
Humanos tinham estado l�...
e provavelmente, iriam voltar.
Era hora de levantar...
acampamento e se mudar.
Quando o local da toca de um lobo � descoberto...
ele procura outro...
porque se h� algo...
de que o lobo precisa, � privacidade.
Claro que, quando chega a hora, o pai atua como guia.
� a m�e que carrega e transporta tudo.
Certo, meu bem, apresse-se. Vamos andando.
Como s� h� espa�o para um passageiro de cada vez...
os filhotes precisam esperar a sua vez...
mas Lobo n�o estava a fim de esperar.
Como um bezerro atr�s do rebanho...
ele seguia, logo atr�s...
fazendo o poss�vel para acompanhar.
A cada minuto, ficava mais claro...
que ele n�o era um cabrito mont�s.
Mas era assim que ele queria...
sua m�e preferia deix�-lo fazer o que quisesse.
Ele n�o era de desistir e insistiu...
e no fim, ele conseguiu chegar ao topo.
Uma vez na trilha, os pais seguiam a passos largos...
e era dif�cil acompanhar, para os filhotes...
com seus passos e pernas curtos.
Agora, n�o havia tempo para olhar a paisagem...
nem para brincar com estranhos.
Como era curioso. Lobo parou para cumprimentar.
A tartaruga n�o era muito amistosa...
ela s� queria cuidar da sua vida...
mas ela estava recebendo muita ajuda indesejada.
Por fim, tentando se desviar da companhia...
o velho animal saiu da trilha.
A viagem tinha acabado...
mas o filhote estava demorando para entender.
Agora, Lobo havia esquecido de seus pais.
Isso era m�tuo.
Preocupados em achar um lar...
eles tinham outras coisas em mente.
Enquanto isso, o filhote achara um novo companheiro...
outra criatura engra�ada...
com uma esp�cie de armadura.
Parecia que todos a usavam, por aqui.
Talvez, fosse isso...
que os tornava t�o reservados.
No tocante a ser amistoso...
Lobo resolveu que cabia a ele dar o primeiro passo.
O tatu tem orelhas macias...
praticamente, a �nica coisa desprotegida neles.
Machuque suas orelhas...
e ir� ferir seus sentimentos.
Esse tempo todo, a fam�lia...
cobria cada vez mais terreno...
distanciando-se, cada vez mais.
Eles ainda n�o tinham dado pela falta de Lobo.
Em t�o tenra idade, ele fora deixado...
brincando de lobo solit�rio...
j� estava achando isso, mon�tono.
Ele estava com calor, cansado e com sede.
Para piorar, seus p�s do�am.
Ele se deu conta, ent�o...
de que andava em c�rculos.
Ele estava perdido, o m�ximo que se pode estar.
Por acidente, ele encontrou...
uma po�a de �gua da chuva.
Apenas, o bastante para beber...
e banhar e refrescar os p�s doloridos.
Os rastros molhados seriam f�ceis...
de seguir, se algu�m viesse...
mas isso era improv�vel.
A fam�lia j� estava a uns canyons de dist�ncia...
quando pararam para uma contagem.
Os lobos n�o se alteram, facilmente.
O fato de faltar um filhote...
n�o significa muita coisa.
Eles acharam que ele vinha atr�s, como sempre...
e apareceria na hora certa.
Em suas rondas...
El Feroz avistara uma toca de texugo abandonada.
Com algumas altera��es, ela serviria como covil.
Ent�o, ele se apossou dela.
Parece que o lugar n�o estava vago, afinal.
Algu�m morava aqui...
e n�o estava disposto a se mudar.
� dif�cil lidar com um texugo, at� para um lobo...
e este n�o iria se mudar por ningu�m.
Ele podia ser pequeno, mas era r�pido e mortal.
Na verdade...
parecia uma dan�a...
com eles dois girando pelo sal�o.
Por fim, El Feroz resolveu desistir.
Ele n�o estava chegando a parte alguma.
Al�m disso, tinha um filhote...
perdido para se preocupar.
Estava na hora de ir procur�-lo.
A primeira coisa era tentar achar seu rastro.
Ainda seria poss�vel segui-lo...
se seus pais o achassem...
mas isso era uma inc�gnita.
Eles tentaram cham�-lo...
com o velho uivo da matilha...
esperando que ele os ouvisse...
e soubesse responder.
Mas n�o havia nem um eco...
nada al�m de sil�ncio.
Uma coisa era certa...
eles tinham de ach�-lo logo...
pois Lobo estava brincando com o perigo.
A cascavel tem um sistema de aviso...
para aqueles que o conhecem.
Mas por ser iniciante...
Lobo n�o entendeu o recado.
Sentindo estar em perigo...
ele come�ou a pedir ajuda.
Por sorte, seus pais conseguiram ouvi-lo.
N�o demorou para eles avaliarem a situa��o.
Eles sabiam o que fazer...
atrair a aten��o da cobra.
Se eles mantivessem a cascavel ocupada...
o filhote poderia sair da zona de perigo.
O problema era que a sa�da era estreita.
Al�m disso, o filhote saberia quando vir?
De longe, El Feroz via que era um impasse...
e resolveu que precisava de um fim r�pido.
Sem a cascavel, a brincadeira acabara.
Lobo, agora, podia juntar-se � fam�lia.
Talvez, com os p�s doloridos e exausto...
mas feliz de voltar para o seu lugar.
Com o passar das semanas...
Lobo afastava-se cada vez mais...
vagando e explorando a �rea.
Uma bela manh�, ele passeavam sem fazer nadar...
e se deparou com uma vis�o que o fez parar.
Um jovem ant�lope sentindo-se importante.
Ele n�o parecia ligar para onde ia...
desde que pudesse continuar a correr.
Ele era meio maluco...
ruidoso e cheio de energia.
A v�-lo trombando com o filhote...
imagina-se que ele n�o saiba...
que lobos comem ant�lopes.
Nessa idade, ele n�o deve mesmo saber.
Eles n�o tinham idade para saber...
que deviam ser inimigos...
e ent�o, uma amizade incomum se desenvolveu.
Uma das coisas que, �s vezes...
ocorrem na natureza.
Nas semanas seguintes, eles cresceram juntos...
e aos tr�s meses, eles ainda eram amigos.
Frequentemente, sua trilha...
levava a seu lugar favorito...
um riacho que corria ali perto.
Era um local convidativo...
para os jovens sedentos...
e n�o era preciso lhes dizer...
para que servia a piscina.
Naturalmente, o lobinho nadava melhor.
O estilo de seu amigo n�o era t�o bom...
mas o levava aonde ele queria, mesmo assim.
Enquanto isso, eles eram observados...
por uma f�mea de guaxinim, nada amistosa.
Ela parecia achar que a �gua...
era das criaturas aqu�ticas...
e n�o de criaturas terrestres como essas.
Ela tamb�m tinha uma fam�lia com que se preocupar...
o que a fazia desconfiar de estranhos.
Embora os adultos sejam assim...
os filhotes n�o viam nada de errado, nos visitantes.
Se esta era uma festa de nata��o, eles participariam dela.
Ao menos, tr�s deles.
O quarto demorou um pouco mais para mergulhar.
Quando um grupo de crian�as se junta...
� quase o mesmo com animais e humanos.
Ap�s algum tempo, sua energia animal...
explode numa briga.
Ent�o, a festa acabou...
e o ant�lope e o lobo se foram.
Algo mais tamb�m acabara.
Sua amizade incomum.
N�o � natural que inimigos...
prolonguem um relacionamento...
e como tal, os dois chegaram ao ponto de separa��o.
Ao completar seis meses...
Lobo estava pronto para vagar com a fam�lia.
Ele, agora, era maior, mais pesado...
e mais como seu pai em tudo...
menos em uma coisa.
Ele n�o ajudava muito na ca�ada.
Mas para El Feroz, parecia...
que quanto mais fome a fam�lia tinha...
mais a ca�a era escassa.
Cada vez mais, os humanos avan�avam na regi�o...
matando a ca�a ou tirando seu territ�rio.
Para El Feroz, parecia
Que os rastros do rebanho que ele vira
Eram de uma nova ra�a de b�falos
Correndo pela savana
Haveria abund�ncia de novo
E os lobos teriam seu quinh�o
Ent�o, ele chamou a fam�lia
Para juntar-se a ele, na ca�a
Mas ca�ar n�o era algo f�cil.
Era algo complicado e at� perigoso.
Um lobo precisava ficar atento...
pata n�o ser atingido por um coice.
E se para El Feroz, o velho mestre...
o cen�rio era desafiador...
isso piorava para seus filhotes.
Quando Lobo achava que havia conseguido...
ele se viu segurando um macho...
pelo rabo, com medo de solt�-lo.
O que fazer, agora?
O novilho teve a esperteza de juntar-se ao bando.
Ele, agora, tinha uma prote��o que seria dif�cil vencer.
El Feroz continuava rodeando, de olho no novilho...
pois ele tinha quase o seu tamanho...
e ele imaginava que haveria um jeito...
de afastar seus guardas.
Claro que ele n�o enganava ningu�m.
Os touros eram espertos...
e r�pidos em igualar seus movimentos.
Haveria outra oportunidade.
Junte lobos e gado...
e cedo ou tarde, haver� uma morte.
Quando os b�falos foram dizimados...
para os lobos, restou o gado...
como �nica esperan�a de sobreviv�ncia...
ent�o, El Feroz pegou...
o que parecia ser a sua parte.
Mas os vaqueiros n�o dividiam com ningu�m...
e desde o come�o, foi uma guerra declarada.
Ent�o, os vaqueiros deram sorte.
A m�e foi derrubada.
Ela foi atingida e continuou...
mas n�o estava apta...
para uma persegui��o longa e opressiva.
El Feroz sempre voltava para encoraj�-la...
esperando que ela os alcan�asse.
Mas ele tamb�m tinha de pensar...
nos filhotes e devia continuar.
A f�mea chegava no fim de suas for�as.
Um animal ferido sabe quando chegou ao limite...
e tipicamente, ela foi procurar...
um local para descansar.
Talvez, os vaqueiros n�o vissem o desvio...
e lhe dessem tempo de respirar.
Mas n�o era para ser assim.
Lembre-se desse dia
As balas dos homens mataram sua m�e
Voc� n�o deve olhar para tr�s
Voc� deve abandon�-la
E seguir com a matilha
Lobo jamais iria se esquecer...
do cheiro da p�lvora.
Ele viria a reconhecer os rifles de longe...
e ele n�o deixaria homens ou cavalos...
ficarem a menos de mil metros dele.
Ainda assim, ele e a matilha continuaram abatendo...
cada vez mais cabe�as de gado.
Em pouco tempo, a batalha dos vaqueiros parecia perdida.
O inimigo era muito esperto.
Talvez, esta fosse uma guerra...
que exigisse mais do que armas.
Na �poca para pegar um lobo...
os vaqueiros precisavam pensar como um deles.
O truque era faz�-lo enganar a si mesmo.
O lobo � um animal esperto.
Na verdade, poucos se equiparam a ele...
quando se trata de entender as coisas.
Para uma armadilha o enganar...
ela precisava ser mais atraente.
Uma novilha era o petisco mais convidativo...
havia algo nas vitelas que era irresist�vel.
Com a isca no local, faltava montar a armadilha...
onde o lobo teria de passar.
A armadilha poderia ser qualquer uma...
mas ela deveria...
ser forte e ser grande.
N�o t�o grande quanto para ursos...
mas grande o suficiente...
e funcionar r�pida e silenciosamente.
Os preparativos foram bem pensados...
pode-se dizer que tinham um toque de g�nio.
Na manh� seguinte, parecia...
que a natureza se intrometia...
e estava do lado dos vaqueiros.
El Feroz veio na frente.
Ele ainda chefiava a matilha familiar...
e rapidamente, avistou o novilho.
Ele ficou tentado, claro, e por que n�o?
Uma refei��o gr�tis como essa?
Mas antes de agir, ele farejou em torno, por precau��o.
Parecia bom demais para ser verdade.
Talvez, fosse isso que estava errado.
Talvez, fosse melhor ele recuar...
e avaliar tudo de novo.
Como um tiro inesperado...
a armadilha assustou os filhotes.
Eles se esconderam depressa, menos, Lobo...
que sentia que algo estava errado.
Ele n�o podia fazer muito por El Feroz...
al�m de lhe dar o conforto de sua companhia.
Mesmo assim, h� um tipo de nobreza no lobo.
� maneira inexplic�vel desses animais, ele ficou...
preparado para montar guarda at� o fim.
Os cavaleiros voltaram.
Lobo sabia que precisava partir.
Ele n�o tinha escolha.
Para os animais selvagens...
chega a hora em que devem seguir o pr�prio caminho...
e para Lobo, era, agora.
Chegara a hora de Lobo
Seguir sozinho seu caminho
E solid�o e fome
Eram coisas que ele desconhecia
Durante o longo inverno
Sob o c�u gelado
Lobo aprendeu que devia ser forte
Ele devia ser esperto ou morreria
Na primavera seguinte...
ele j� fora solit�rio tempo suficiente.
Era hora de come�ar a procurar uma companheira.
Suas andan�as o levaram para longe, at� novo territ�rio.
Uma bela manh�, ele encontrou lobos que nunca vira.
Ele resolveu juntar-se a eles.
Segundo as leis da matilha...
ele poderia ou n�o ser aceito...
isso dependia deles o quererem.
No fim, eles tamb�m desejavam um novo rosto.
Lobo foi bem recebido de cara.
Em meio � alegria, Lobo avistou uma bela � dist�ncia...
e ele soube que sua procura acabara.
A f�mea escura tamb�m parecia encantada com Lobo.
Em pouco tempo, uma corte � moda antiga come�ou.
Mas conseguir uma parceira, n�o seria t�o simples.
Havia um tipo de condi��o.
A decis�o cabia ao l�der da matilha...
um animal violento que desgostou...
do jovem do alto da colina.
O l�der da matilha viu que n�o estava vencendo...
e quando se est� perdendo...
� preciso faz�-lo da forma mais f�cil poss�vel.
N�o havia sentido em ser morto...
s� para se exibir.
Ele enfiou o rabo entre as pernas e pronto.
Assim, a lenda de Lobo come�ou a crescer.
A partir de ent�o, Lobo seguiu como l�der da matilha...
com sua parceira a seu lado...
seguido dos maiores...
e mais fortes lobos das redondezas.
Na temporada de acasalamento...
a matilha se separou por algum tempo.
Cada par seguiu por sua conta.
Alguns tinham tocas do ano anterior...
mas como Lobo e sua parceira eram novos nisso...
eles precisavam procurar um lar.
Um dia, eles fizeram uma descoberta interessante.
Do outro lado do canyon...
havia uma antiga morada ind�gena, no penhasco.
Ela parecia preencher suas necessidades.
S� que parecia imposs�vel de chegar at� l�.
Bem, como querer, geralmente � poder...
acabou surgindo um tipo de passagem.
Era uma passagem suspensa...
e o lobo que a quisesse usar...
teria de estar com multa vontade...
de chegar ao outro lado.
Mas isso n�o parecia incomodar Lobo.
Ap�s olhar bem, ele resolveu tentar.
O lobo tem passos firmes, nervos de a�o e boa vis�o...
e Lobo tinha todo a confian�a da ra�a.
Enquanto isso, sua parceira esperava.
Ela n�o estava segura.
Sendo f�mea, ela n�o devia ser t�o imprudente.
Por fim, ap�s Lobo mostrar que era poss�vel...
ela reuniu coragem de segui-lo.
Ap�s come�ar n�o era t�o ruim.
Na verdade, com o tempo...
eles passariam a usar essa ponte...
praticamente, todo dia.
Ela veio a tornar-se parte da lenda de Lobo.
A morada no penhasco parecia convidativa.
O cheiro do homem h� muito sumira.
Al�m disso, para eles, ela n�o era uma casa...
mas uma caverna, com todas as vantagens.
Solo seco, paredes para prote��o...
e um bom teto contra a chuva.
Esta era sua nova toca.
Eles pareciam felizes com o achado...
e mais importante, um com o outro.
Eles tinham se acasalado para a vida toda...
e no momento, o futuro parecia bom.
As semanas seguintes foram agrad�veis...
e os dias passavam r�pido.
Ent�o, chegou a �poca...
em que a parceira de Lobo...
n�o ia mais ca�ar com ele.
Uma manh�, ap�s voltar das rondas, ele soube o motivo.
Era uma bela ninhada.
Lobo estava orgulhoso, como todo novo pai.
PROCURADO REI DOS LOBOS
RECOMPENSA US$200
E por muitas centenas de quil�metros
Havia um pre�o por sua cabe�a
Pelas leis da natureza
O gado era sua presa
RECOMPENSA DE US$500 POR LOBO
N�o funcionava assim
Desde que o homem surgiu
Ele o declarou fora-da-lei
Ca�ado e temido
Desde que o homem surgiu
Ele o declarou fora-da-lei
Ca�ado e temido
RECOMPENSA DE US$1.000 PELA MORTE DE LOBO
Mil d�lares, mais do que muitos foragidos humanos valiam.
Lobo era mesmo uma lenda.
O nome mais famoso de todo o Sudoeste.
Um dia, um ca�ador profissional do Texas chegou...
esperando ca�ar o lobo famoso que ningu�m pegava.
Ca�ar por recompensa era sua forma de vida...
e ele veio equipado para isso.
Ele trouxe um c�o assassino...
t�o feroz que precisava de morda�a.
Ele era o seu trunfo.
Mas antes, o lobo devia ser atra�do...
e para isso, ele tinha uma matilha de c�es farejadores...
os melhores j� reunidos.
Se existisse algu�m que poderia pegar Lobo...
esse parecia ser o homem.
N�o demorou para o ca�ador notar...
que foi enganado.
Este lobo era mais esperto...
do que ele imaginara.
Ele sentiu admira��o por um lobo...
que podia bolar tal estrat�gia.
Se os c�es n�o podiam atra�-lo...
havia outros truques a tentar.
Examinando a situa��o, ele notou algo importante...
uma pista para os h�bitos de Lobo...
que poderia ser sua queda.
Para quem soubesse ler os sinais...
a pista estava impressa ao lado do tronco.
Os rastros contavam sua hist�ria.
Estava claro que os lobos sempre sa�am...
deste lado do tronco.
Era o local para se montar a armadilha.
O ca�ador a montou com cuidado.
Ele escolheu uma armadilha...
extra-forte com a��o r�pida.
Ele usou um truque especial...
para impedir que a terra a obstru�sse.
Agora, era s� quest�o de tempo.
Mas Lobo n�o fez suas rondas aquele dia.
Ele ficou em casa com a fam�lia, descansando.
Seus filhotes tinham tr�s meses...
e ficavam cada vez mais ativos.
Um deles, em especial, era o orgulho de Lobo.
Uma f�mea escura que se parecia com a m�e.
Com uma fam�lia para criar...
Lobo tinha de tomar muito cuidado.
S� que desta vez, o homem que queria peg�-lo...
era o melhor nesta �rea.
Quando o ca�ador voltou, a armadilha sumira.
Como ele imaginara, Lobo passara por ali...
e pisara bem onde ele tinha imaginado.
O fato dele n�o estar � vista n�o o preocupava.
Ele n�o podia ter ido longe...
a armadilha estava acorrentada a um peso...
e deixava um rastro que seria f�cil de seguir.
Era um lobo, sim, mas o errado.
Era a parceira de Lobo, n�o o velho foragido.
Como o exterm�nio era o seu neg�cio...
ele tamb�m devia mat�-la, por princ�pio.
Ent�o, ele teve uma ideia melhor.
Se ele queria Lobo, esta poderia ser...
uma oportunidade de ouro.
Viva, a f�mea era uma maneira certa de atrair Lobo.
Quando a parceira n�o voltou...
Lobo come�ou a ficar impaciente.
Ele sentia que havia algo errado.
Ela n�o costumava ficar longe dos filhotes, assim.
Ele saiu para procur�-la, como o ca�ador tinha imaginado.
Do outro lado da ponte, Lobo achou o rastro.
Seu faro lhe disse que a f�mea tivera problemas.
Ele sentiu outro cheiro, odiado e cruel.
Um odor no ar que ele jamais esqueceria.
O cheiro do homem disse a Lobo
Que ele precisava achar sua parceira
Mas o ca�ador a usava
Para atra�-lo para seu destino
A trilha era f�cil de seguir
Ele viajava r�pido
Mas ele correria eternamente
Para encontrar sua parceira
H� perigo l� embaixo
Mas para seguir seu c�digo de lealdade
� para l� que voc� deve ir
H� perigo l� embaixo
Mas para seguir seu c�digo de lealdade
� para l� que voc� deve ir
Lobo sabia que se arriscava...
e que tudo estava contra ele.
Ele veio andando em sil�ncio...
seguindo a cerca para se proteger.
Seu nariz lhe dizia que a f�mea estava pr�xima.
Ent�o, ele a achou.
Ela estava viva.
O problema, agora, era como chegar at� ela.
Segundo diz a lenda
Ele emitiu um uivo de convoca��o
Ele ecoou no alto do penhasco
E foi levado para longe
Logo, formas fantasmag�ricas e sombras
Surgiram na noite
Em resposta ao chamado do l�der
Os lobos tinham vindo para lutar
Voc� reuniu sua matilha
E agora, voc� deve lider�-los
No ataque
Voc� reuniu sua matilha
E agora, voc� deve lider�-los
No ataque
Sua batalha est� vencida
Mas, agora, voc� deve prosseguir
Agora, voc� deve fugir
Ao seu reino ancestral
O homem veio para ficar
Ent�o, voc� deve levar a matilha
e sua fam�lia para longe
Para al�m das montanhas distantes
Voc� sabe que deve haver
Um lugar para onde o homem n�o ir�
Uma terra onde voc� ser� livre
Seu nome sobreviver�
Pois homem algum conseguiu peg�-lo
Vivo ou morto
Embora voc� se v�
Sua lenda de bravura
Para sempre continuar�
Legendas = tetrao Novembro - 2011
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