All language subtitles for Platinum.Blonde_Frank.Capra.1931_Dvdrip.Xvid_Eng.Esp.Pt-br_MakingOff.Org (1)

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Original subtitles

Isso é tudo que eu ganhei de você, um monte de histórias de azar.

Volte aqui, vou te dar uma tarefa.

Esse será seu último encontro com o caixa!

Stew! Stew Smith!

Sr. Conroy. Me dê um tempo com essa história do Schuyler, sim?

Se você entrar em uma sala de visitas, deve limpar os pés no tapete.

Stew é o único homem com cérebro o bastante para isso.

- Scram! Achou Stew? - Ainda não.

- Você checou em...? - Primeiro lugar em que fui.

Não estava lá?

Meu deus, onde está aquele cara? Vá desenterrá-lo.

Stew. Stew Smith!

Aqui está...

Reze por mim, Gallagher, reze por mim.

- Segure tudo. - Stew, suas mãos estão tremendo.

- Andou bebendo novamente. - Venha, venha. Aí vem eles.

- Aí vem eles. - O chefe está ficando nervoso.

Esse é o terceiro.

Se eu não conseguir aquele último, eu sei que uma vai...

Quase consegui.

Stew! Stew Smith!

O quê? O biombo?

Gallagher! Consegui!

Venha cá!

Veja bem, eu desisto.

- Sim? - Sim.

Você está sempre implicando comigo.

Eu levei três horas para colocar essas coisinhas nos buracos...

...e você estragou tudo em um minuto. Veja.

Não é tão fácil quanto parece, não é?

Não me surpreende que você seja louco.

Seria pedir muito que você trabalhasse um pouco?

Só para quebrar a monotonia?

Comigo, você sempre pode negociar.

Você sabe o que fazer numa sala de estar?

Não se trata de saber o que fazer, mas de como entrar em uma que importa.

Sim, sim. Ok.

Agora escute, nós temos uma dica.

Os Schuylers finalmente fizeram um acordo com aquela corista.

- Gloria Golden? - Sim, a pequena Gloria.

A caixa registradora humana. Ela está de olho no jovem Schuyler.

- Certo, pela primeira vez no ano! - Ainda estamos em abril.

- Oh, vamos, continue. - Continue o quê?

Eu posso escrever essa estória sem sair do escritório.

E nos colocar em um processo milionário por calúnia. Não seria a primeira vez.

Vá lá e tire uma declaração da velha, da irmã, ou do jovem.

- Qualquer um, mas consiga. - Certo.

- Me dê um vale para as despesas. - Que despesas?

Tudo que você precisa é de uma passagem para Long Island.

E é melhor você se barbear e engraxar os sapatos.

Você vai ter trabalho para entrar lá assim.

Eu conheço esses puritanos.

Seus ancestrais se recusaram a vir no Mayflower...

...porque não queriam se acotovelar com turistas.

Então vieram a nado!

Dexter Grayson, se você é algum tipo de advogado, vai recuperar aquelas cartas.

Mas eu já disse à senhora como é difícil, Sra. Schuyler.

A última vez que as pedi, ela falou coisas muito rudes.

Não sei porque tanto estardalhaço. Eu mandei apenas seis.

Se você tinha que fazer isso, por que não disse a ela, ao invés de escrever?

- Eu não a achava pelo telefone. - Imbecil!

Você devia conhecê-la melhor antes de escrever, Romeu.

- Eu já descobri isso há tempos atrás. - Eu deveria dizer que sim.

Do jeito que vocês dois vão...

...nós teremos que sair do país para salvar nossa dignidade.

Esplêndido, mãe! Vamos para Monte Carlo.

- É um ótimo lugar para salvar a dignidade. - Oh, cale-se.

- O que é, Smythe? - Perdão, madame...

...mas o que eu digo ao repórter?

Dexter, vá e diga a esses rufiões que eu não tenho nada a dizer.

Você não pode fazer isso. Deixe comigo, eu sei como lidar com repórteres.

Muito bem, acabe com isso.

Nós decidimos ver os repórteres. Mande o homem do 'Tribune' primeiro.

- Muito bem. - Smythe.

Um pouco de bicarbonato de soda. Dose dupla.

Eu sei que esses fofoqueiros vão me irritar.

Eu antecipei isso, madame. O bicarbonato está pronto.

Ei, Bingy, você vai achar a prataria na sala de jantar.

Obrigado.

Sr. Grayson decidiu vê-lo.

O cavalheiro do Tribune primeiro.

Não há cavalheiros no Tribune.

Entendo, senhor.

Ei, espere aí, espere aí.

Escute, garoto, não tem porque ficar por aqui.

Compre um Tribune, leia, reescreva, e use em sua próxima edição.

Nunca faça a última edição.

Eu levaria horas pra traduzir sua história para o inglês.

- É mesmo? - Temo que sim.

Tire seu chapéu, pra causar boa impressão.

Impossível. Coloque-o de novo.

Ei, decida-se, ok?

Olá, amigos.

Nenhum "saúde" na multidão?

-Você é o homem do Tribune? - Sim. Olá, como vai?

Bem. Sente-se.

Obrigado.

Por aqui.

Oh, Deus.

- Bom jornal, o Tribune. - Eu diria que sim.

- Eu conheci bem seu editor. - É mesmo?

Yale, 1921, creio eu.

Éramos colegas de classe.

Ela pegou um resfriado?

Eu consegui trabalho pra ele no jornal. Sou um dos acionistas, sabe?

Ah, é mesmo?

- De um homem do Tribune para outro. - Sim.

Agora estou agindo a favor do advogado da Sra. Schuyler.

Comigo está tudo certo. Não vou me posicionar contra você.

- Mas eu vim para saber sobre... - Eu sei, eu sei.

Mas essa estória não é verdadeira.

É mesmo?

No entanto me dei ao trabalho de fazer uma pequena declaração.

Aqui está. Aqui.

Agora veja quão tolo é esse rumor.

Sim, claro. É tudo um monte de besteiras.

É isso que eu quis dizer, mas não pensei nisso.

- Muito obrigado. - Tudo bem, de nada.

Minhas lembranças ao seu editor.

Eu mandarei.

Adeus, pessoal.

Saúde!

- Saúde! - Obrigado.

- Adeus. - Smythe, traga o outro repórter.

Sim, senhor.

Schuyler é seu nome, eu presumo?

Sim, obrigado, obrigado. Meu nome é Smith, Stewart Smith.

Sem relação com John, Joe, negócio ou marca.

Claro, você não pode ter tudo.

Bela coleção de Conrads a senhora tem aqui, Sra. Schuyler.

Eu estava dando uma olhada.

Por que Michael rasgou o jornal?

Só um hábito.

Sr. Schuyler está um pouco nervoso com esses rumores.

Rumores? Rumores?

Desde quando um caso de quebra de promessa é rumor?

Nenhum caso de quebra de promessa foi registrado.

- Foi tudo acertado fora dos tribunais. - Entendo.

Gloria não está satisfeita com os $20,000.

Dexter Grayson, você disse que eram apenas $10,000!

E você nem mesmo retirou as cartas dessa 'Jezebel'.

Então você deu a ela $ 10,000?

E há cartas. Bem, isso tira a estória da categoria de rumor, não é?

Não admitimos nada.

No entanto, eu preparei uma pequena declaração.

- Uma declaração? Ótimo. - Está aqui mesmo.

Cinquenta pratas, hein?

Você não sabe que não deve oferecer a um repórtar mais que $2?

Se você o fizer, ele vai pensar que a nota é falsa.

Eu não preciso de $ 50. Na verdade, eu tenho $ 50.

O homem do Tribune pareceu satisfeito.

Bingy? Sim, ele ficaria. Nunca viu $ 50 antes.

Você poderia tê-lo comprado por 6 pratas.

O engraçado sobre Bingy, é que quanto mais ele ganha, mais ele escreve.

Ele parece idiota, não?

Mas como é esperto quando se debruça sobre uma máquina de escrever!

Então dez mil foi o montante que você deu à garota?

Alguma outra declaração que gostariam de dar?

- Não tenho mais nada a dizer. - Espere. Não fique nervosa.

Não há com o que se preocupar.

Um pouco de publicidade não faz mal a ninguém.

- Dexter, leve-o embora imediatamente. - Acho que você deve ir. - Ir, é?

Espere um minuto.

Essa é uma ótima estória:

"Repórter de jornal foi expulso à força da mansão Schuyler..."

Espere um minuto.

Não se incomode, mãe.

- Eu não me incomodo, se você também não. - Anne...

Estou certa de que você deseja ser decente a respeito disso.

Decente? Por que, Miss Schuyler? Eu quero ser nobre.

Você não vai publicar essa besteira, vai?

Não? Por que não?

Porque meu nome também é Schuyler, e eu não fiz nada.

Mas eu terei que sofrer com Michael, assim como mamãe.

Mamãe já está sofrendo.

Como um favor para mim, você não vai publicar essa estória, vai?

Por favor?

Eu sei de uma coisa, senhorita, se você vendesse seguro de vida...

...eu compraria uma apólice em 60 segundos. - Obrigada.

Eu sabia que você entenderia.

- Posso usar seu telefone? - Claro. Logo ali.

Você está muito bem!

Alô? Beekman 1300.

Beekman 1300.

Isso é um número de azar. Você sabe disso, não é?

Alô? Alô, querido. Conroy está? Chame Conroy.

Ele não está? Olhe no banheiro, por favor.

Sabem, eu entrevistei um ótimo cara esses dias: Einstein.

Ótimo cara. Um pouco excêntrico, mas ótimo... não usa ligas nas meias.

Nem eu uso, na verdade. Qual a vantagem das ligas?

Alô, Conroy. Smith falando. Estou nos Schuylers.

Não, não estou tomando chá.

Isso, ainda não.

Se ela é linda?

Chefe, suas fotos não fazem jus a ela.

Se eu fosse aquele cara, Ziegfield, eu... Sim?

Sim, você pode ver de onde vem sua beleza.

De sua mãe.

Espere um minuto. Não tire a camisa. Vou chegar lá num instante.

Os Schuylers admitem que a história é verdadeira. Certo.

Eles deram à garota 10,000 pratas.

Mas ela tem algumas cartas, então, quer mais grana.

E me parece que ela vai conseguir.

Certo, chefe, estarei aí. Certo.

Não, não acho que eu posso tirar fotos agora. Certo.

Eu conheci alguns canalhas na vida.

Mas você é a pior imitação de um homem...

...que eu já tive o desprazer de encontrar.

Bem, se você se sente assim...

...aqui está seu níquel pela ligação.

Olá, como vai? Entre.

- Como está? - Bem.

Então ela andou em minha direção, colocou a mão em meu ombro e disse:

"Sr. Smith, você não publicaria essa estória, não é?"

Não, eu não publicaria. Leia.

Você vai ser veneno para aquela membro da liga junior, agora.

Espero que não. Preciso ligar pra ela essa manhã.

- Você, o quê? - Claro.

Preciso passar e ver a garota. Suas feridas precisam de consolo.

Pelo amor de Deus, Stew, você está completamente louco!

Eu pensei que essa estória fosse fria. Você não pode voltar atrás.

Sim, a estória é fria, mas eu não. Eu estou fervendo. Veja.

Veio o amanhecer, veio o amanhecer...

E com ele o amor.

Gallagher, você tem que conhecê-la. Ela é isso.

- E aquilo. - E aqueles, e eles.

Bem, eu vi suas fotos. Não acho que seja tão quente.

Você não a viu. Fotos não fazem jus. Ela é como uma rainha.

Ela é como uma rainha, e eu conheço rainhas.

E ela tem um nariz! E eu também conheço narizes.

Aquele narizinho dela é uma beleza, eu te digo.

E é uma graça quando ela empina aquele narizinho para o céu!

É claro, eu não tenho um nariz.

Claro que você tem, Gallagher, mas é diferente.

Mulheres são diferentes, Gallagher. Você sabe...

Como cavalos mestiços e puro sangues.

Stew, eu não seria tão duro com ela. Não devia chamá-la de cavalo mestiço.

Gallagher, ela é o verdadeiro 'McCoy'.

E o resto de nós somos puxadores de carroças.

Lá vem você, falando como uma mulher.

- Bem.. - Bem, você é meu camarada, não?

Então não seja mulher comigo.

Pague a conta, sim, Gallagher? Eu reembolso qualquer dia.

Talvez.

Eu vou. Vou com Conrad atrás de minha juventude.

Frite esses tomates, sim, Gallagher?

Agora, Jeeves. Agora, Jeeves, isso foi bom?

Aquilo foi ser um cavalheiro, Jeeves?

- Seu nome é Jeeves, não é? - O nome é Smythe.

Smythe? Bem, bem.

Com um Y, hein? Parabéns.

Que mundo pequeno. Irmãos de nome.

- Agora, de Smith a Smythe... - Sra. Schuyler não se encontra.

Eu sei, esperei lá fora até que ela saísse.

Ela é uma boa dama. Ela é legal, mas nós não nos damos bem.

Não há ninguém em casa, Senhor.

Nossa, Jeeves, poderia chamar essa de ninguém?

Qual o problema?

Sra. Schuyler deixou ordens, senhorita, de que se essa pessoa retornasse...

...eu devia chamar a polícia. - Isso é uma boa ideia.

Ligue para a polícia. O número é Spring 3100.

Chame dois tiras, e jogamos uma partida de bridge.

- Você pode ir, Smythe. - Mas eu...

Veja, a senhora mandou que você vá.

- O que quer? - Bem, vou dizer.

Quando estive aqui, peguei um de seus livros em minhas mãos.

Quando fui embora, me dei conta de que ele ainda estava em minhas mãos.

Como eu estava com ele, pensei em levar pra casa e lê-lo.

Essa manhã, coloquei seu livro em minhas mãos...

...e aqui está seu livro em suas mãos.

- Muito gentil da sua parte. - Sim. Eu recomendo que o leia.

Não me interessam suas recomendações literárias.

Talvez seja pesado demais para você.

Se quer algo mais leve, com um toque de romance,

escute isso:

"Adorável Babykins, ela sente falta de seu bebê?

Ele manda para sua pequena boneca um bilhão de oceanos cheios de beijos.

- Bobo está tão só." - Um instante.

Não vejo como esse lixo pode me dizer respeito.

Mas você não sabe quem é Bobo. Nem quem é Babykins.

Não me importo. Smythe abrirá a porta.

Smythe abrirá... Mas Bobo é seu irmão Michael.

E claro que ninguém adivinharia quem é Babykins.

Onde conseguiu essas cartas?

Eu roubei quando entrevistava Babykins a respeito de Bobo.

Suponho que vá publicá-las?

Não... Tente novamente.

Não preciso tentar novamente.

- É óbvio. - Óbvio, é?

Quer ir até a biblioteca?

Claro. Vou tentar.

Sabe, as índias andavam assim.

Exceto as casadas, que sempre andavam de costas.

Sabe por que?

Para o caso de ataque pela frente.

Se o ataque fosse pela retaguarda, ela tinha como defender sua bolsa.

Sim, suas bolsas sempre tinham arcos e flechas.

Se ela não fosse casada, então tinha que proteger sua própria...

Em que país é essa biblioteca?

Srta. Schuyler, que tal uma carona até a porta da frente?

Quais as iniciais, Sr...?

Smith, Stewart Smith. Meus amigos me chamam de Stew.

O que é uma injustiça, porque eu não bebo muito.

5000 são o bastante?

- Pelo quê? - Pelas cartas, claro.

Você não faria isso, srta. Schuyler.

Tudo bem para seu amigo advogado...

...mas você não devia andar por aí pensando que pode comprar pessoas.

Aqui estão as cartas.

Eu não sei como lhe agradecer.

Mamãe ficará tão satisfeita, que irá querer dar-lhe um beijo.

Sua mãe vai querer me beijar? Me devolva as cartas.

É isso que eu ganho. São as mães que ficam gratas a mim.

Você é uma pessoa peculiar.

Outro dia, eu implorei para que não escrevesse aquela estória...

Eu sei, mas aquilo era um furo.

Isso é chantagem, e eu não gosto de chantagem.

Eu não vou fingir que você não me fez um grande favor.

Gostaria que houvesse algo que eu pudesse fazer por você.

Bem, você pode tornar essa mesa um pouco... um pouco menos ampla.

Isso é algo que você pode fazer por mim, srta. Schuyler.

Eu ainda não almocei. Você tem algo no congelador?

Seu idiota!

Após anos em pesquisas...

eu finalmente descubro que eu era o único cara no mundo...

que não havia escrito uma peça.

Acredite ou não, em meu tempo livre, agora escrevo uma peça.

- Mesmo? - Sim.

Ainda não sei qual o enredo.

Mas se passa em uma vila na Sibéria.

Você é um pouco excêntrico, não?

Eu?

Sou o cara mais comum do mundo.

Apenas uma coisa de errado comigo.

Você não usa ligas nas meias.

Não. Isso é um símbolo da minha independência.

Eu sei o que há de errado. Eu sou daltônico.

Isso que há de errado, sou daltônico.

Eu estou sentado há meia hora olhando para você...

E não sei se seus olhos são azuis ou violetas.

Eu começo a acreditar que algo poderia ser feito com você.

Sabe, você poderia fazer o que quisesse comigo.

Massa. Apenas massa. Esse sou eu.

Mas voltando aos seus olhos...

Você se importa que eu...

...me aproxime para olhá-los?

Não, se você for perder o sono.

Agora, como você gosta deles? Abertos assim?

Feche ambos.

Algo me diz que devo ir embora.

Uma excelente ideia!

- Olá, mãe. - Olá, Sra. Schuyler.

Entre. Aceita uma xícara de chá?

- O que essa pessoa faz aqui? - Por que...

Na verdade, eu estava tentando descobrir a cor dos olhos de Anne.

Eu não concluí se são azuis ou violetas.

- O que você me diz? - Não diga, mãe. Por favor.

Sr. Smith veio aqui nos fazer um grande favor.

É mesmo? Talvez ele me faça um grande favor.

- Com prazer, madame. - Saia daqui!

- Mãe. - Tudo bem! Tudo bem, Anne.

Eu posso aceitar uma sugestão. É sutil, mas eu entendi. Tudo bem.

Por favor, vá. Eu explico para mamãe.

O caviar estava ótimo, madame.

Você precisa vir nos ver, algum dia.

- Onde você estava ontem? - Stew e eu saímos para uma volta.

Dexter, existe alguma escola particular onde eu possa mandá-lo?

Sim, Sing Sing.

Bem, ele será uma pessoa diferente quando eu terminar com ele.

- Quando você terminar com ele? - Será uma experiência interessante.

Transformar um vagabundo em um cavalheiro?

Exatamente.

Você se lembra quanto custou para se livrar daquele jogador de beisebol?

Você parece não entender. Esse é diferente. Ele é inteligente.

- Mas e eu, Anne? - Você?

Não venha com isso para mim, Dexter.

- Olá, Natalie. - Olá!

Srta. Montgomery, Sr. Stewart Smith.

- Sr. Eames, Sra. e Sr. Radcliff. - Como vai?

Ei! Quem é o novo namorado de Anne?

Se meus ouvidos não se enganam, seu nome é Smith.

Smith?! Ele não pode ser um dos irmãos, ele não tem barba.

Ele deve ter algo, ou Anne não teria suas garras sobre ele.

Anne, me belisque, sim?

Me tire daqui. Me dê ar. Me tire dessa espelunca.

Por que eu deveria? Não somos felizes?

Eu sei, mas você devia me retirar daqui.

Porque eu começo a ter ideias tolas...

...e elas envolvem você, Anne.

Nenhuma de suas ideias pode ser tola, Stewart, se elas me envolvem.

Meu nome é Smith.

Parece que você foi capaz de suportar o último mês.

Eu sou branco, macho e maior de 21.

Eu nunca estive preso... ou melhor, quase nunca.

E eu prefiro scotch a bourbon.

Eu odeio cenouras, odeio ervilhas.

Gosto de café preto, e odeio ligas de meia.

Eu ganho 75 pratas por semana, e tenho 847 pratas no banco.

E ainda não sei se seus olhos são azuis ou violetas.

É porque você está longe demais, Stew.

Sim... Certo, certo.

Ato 1 - Cena 1: Uma rua na Arábia

Sim, claro. Eu tenho um vestido novo. Um chapéu novo, também.

Bem, vou tentar levar Stew comigo. Sim.

Sim, ele é legal.

Bem, sabe, ele acha que está apaixonado por uma garota da sociedade.

Não, não vai durar. Melhor que não dure.

O que? Eu ficaria surpreso, hein?

Bem, ouça, se há algo de novo naquela história,

...que eu ainda não joguei no cesto de lixo, eu como.

Anne Schuyler se casa com repórter!

Ei, Stew. Stew Smith!

- Eu? - Seu cão traidor!

Venha aqui!

saco

Se você vai reclamar de alguns gastos...

- Você se diz um repórter? - É o que dizem, sim.

Você não reconheceria uma pilha de notícias nem que caísse de cara nelas.

Você é o jovem brilhante que nunca teve um furo.

- Não, sozinho, não. - Não?

Bem, onde você estava quando isso aconteceu?

Eu já ouvi falar de pessoas sendo bisbilhotadas em seus próprios funerais, mas isso?!

Santo Deus!

Por que é novidade quando Anne Schuyler vai à manicure.

Mas, isso...

Casa-se com um de nossos repórteres, e o Tribune nos vence nessa.

O que vocês querem? Voltem para suas mesas! Voltem ao trabalho!

Não me diga que estava bêbado e não se lembra.

Ou essa é uma das tempestades de Bingy?

Não, não. É verdade, mas...

...não queríamos isso publicado. - Por que não?

Bem, eu adquiri uma daquelas sogras.

Ela não entenderia, então esperaríamos até que ela fosse para a Europa.

O que me importa? Você ainda trabalha para esse jornal!

- Não é? - Sim, senhor.

É seu trabalho ter as notícias. Se uma pousa no seu colo...

...e você deixa o Tribune nos furar,

faz de mim um macaco de 1ª classe.

Se isso acontecer de novo, nem apareça mais aqui. Isso é tudo.

Obrigado pelos parabéns.

- Quanto ela vale? - Ela é bonita?

Um cara pode se casar sem tudo isso?

- Gallagher! Alguém viu Gallagher? - Não.

Olá, Stew.

Enganei você. Você pensou que era eu.

- Oi, Stew. - Oi, Joe.

Olá, Stew. Parabéns!

- Um drinque por conta da casa. - Por que um? Eu vou tomar muitos drinques.

Um minuto. Com licença, eu já volto.

Bem, bem, Gallagher, velha camarada. Aí está você.

Por que fugiu?

- Eu não fugi. - Claro que fugiu.

- Não vai me dar os parabéns? - Claro.

- Te desejo toda sorte do mundo. - Obrigado.

- Espero que seja feliz. - Seremos felizes.

- O que há com seus olhos? - É... a fumaça.

Joe, uma pequena dose.

Diga, eu sou um sortudo por cair por uma garota daquelas?

O que você tem?

Eu não sei como chamo isso, Gallagher.

Deus, é uma garota bacana. Eu quero que você a conheça.

Eu? Ela não vai querer me conhecer. Sou apenas um monte de forragem velha.

Obrigado, Joe.

Vamos fazer uma daquelas festas de spaghetti na sua casa.

Não fazemos uma há tempos, não é?

Não desde que você entrou para a sociedade.

Lembra da vez que você deu uma festa...

...e eu derrubei spaghetti no chão e servi assim mesmo?

Lembra-se?

Sim, Anne adoraria isso.

Acha que sua mulher subiria 3 lances de escada pra comer em pratos de papel?

Anne? Ah, claro. Anne adoraria.

Lembre-se, ela é uma Schuyler.

Agora entenda, Gallagher. Smith, esse é o nome.

Engano meu.

Olá, chefe.

Não há razão para isso, apenas porque estou casado.

Lx, chefe no pedaço.

Bem, o que o noivo procura no jornal, sua liberdade perdida?

Ora, se não é o velho Fagin.

Gallagher e eu começamos a trabalhar em uma história.

Baloney.

Joe, me traga um especial.

- Não é legal o casamento de Stew? - É?

Bem, quando você se demite?

Demitir? Não penso em pedir demissão.

Eu imagino que você não tenha mais que trabalhar para viver, Sr. Schuyler.

Entenda uma coisa, Conroy. Meu nome é Smith.

Sempre foi Smith. Sempre será Smith.

- É mesmo? - É mesmo.

Anne Schuyler está no livro azul. Você não está nem na lista telefônica.

Pense nisso, otário.

Isso não faz diferença se eles se amam.

É como uma girafa casar com um macaco.

Escute, você nunca será nada além de um repórter...

que casou com os milhões dos Schuylers.

Stew Smith está morto e enterrado.

De agora em diante, você é apenas o marido de Anne Schuyler.

O 'magnólia' de uma esposa rica.

Se você pode encarar isso sem se enojar, seja bem-vindo.

- Isso é simplesmente ridículo... - Deixe que eu falo.

Agora escute, Conroy.

Anne Schuyler tem muita grana, certo.

Eu casei com ela, certo.

Mas a grana dela e eu? Nenhuma relação.

- Apenas um pássaro numa gaiola dourada. - Um o quê?

Você me ouviu. Um pássaro em uma gaiola dourada.

Você tem lido muita literatura barata.

Anne e eu vamos nos mudar para um pequeno flat no centro.

Vamos esquecer toda essa coisa social...

...e nos tornarmos conhecidos como Sr. e Sra. Stew Smith. O que acha disso?

- E viver do seu salário, presumo? - Sim, do meu salário.

Até que eu termine de escrever minha peça.

- Que peça? - Minha peça.

Aquela sobre o sanguinário siberiano?

Sanguinário siberiano? Não, foi toda reescrita.

- Se passa na Arábia agora. - Arábia?

- Isso. - Arábia, Deus...

Bem, eu lamento ver um bom repórter pirar.

- Me avise quando desistir. - Não vou.

- Não? - Não.

Ele é apenas um pássaro em uma gaiola dourada

Um belo passarinho pra se ver.

Ah, ria, sua hiena.

Não dê atenção a ele.

Não estou dando atenção a ele. Acha que aquele cara pode me irritar?

Não esse idiota. Ele é um idiota durão. Rude, cínico...

Ele não conhece nada de bom na vida, aquele cara.

Um cara não pode dar mancada sem ser chamado de magnólia.

Stew Smith, um magnólia!

Stew Smith não vai ficar por aqui e se tornar um rato de boteco. Não eu.

Eu vou sair fora e ser alguém no mundo. Espere e verá.

Eu sou tão sortudo que posso estar perto de Anne Schuyler.

Eu fui atropelado por um carregamento de ferraduras e sei disso.

Sortudo. Posso dizer que sou sortudo.

Você acha que eu sou sortudo, Gallagher?

- Claro. - Claro que você acha, camarada.

Um pássaro em uma gaiola dourada?

Como a família dela vai encarar isso?

A família dela? Ah, eles ficarão bem. Eu os trarei para perto.

Gaiola dourada...

Além disso, não estou casando com sua família.

Stew Smith, ha! Gaiola dourada. Aquele idiota. O que sabe ele?

- Eu não sei pra quê precisa de mim. - Fique aqui mesmo, Michael.

Um dia você será o chefe da família, mas graças aos céus eu não estarei aqui.

Espero que você nunca tenha uma filha que lhe dê gastrite como Anne me dá.

Agora, mãe, não há porque ficar nervosa.

Ah, não há? Sente-se.

- Smythe, bicarbonato, rápido. - Dose dupla.

Mãe, se continuar com isso, terei um colapso nervoso antes que você vá para a Europa.

É bom que seu pai tenha falecido...

antes de ver a insanidade varrer a família.

Não consigo imaginar o quê a levou a fazer isso.

Um repórter. Entre todos, um repórter!

Um bárbaro, que deixa suas meias descerem.

Eu prometo a você que ele não será repórter por muito tempo.

Assim que eu o tirar daquela atmosfera...

...e de um companheiro chamado Gallagher... - Sente-se.

Beba devagar, mamãe.

Anne. Anne.

Sr. Grayson.

E você. Sra. Schuyler.

Bem, o que se há de fazer? Ele está aqui.

Ninguém parece querer fazer nada, não?

Por que nao me pergunta? Posso dar uma sugestão.

Fazer o que a respeito do que?

Do que? Seu casamento com Anne.

Ah, meu casamento com Anne.

Não queremos que você se meta em um problema desses.

Nós só querems suas bênçãos, é tudo.

Meu jovem, quero que saiba que eu me oponho a esse casamento.

Mãe, sua atitude é simplesmente ridícula.

Está feito. Eu e Stewart casados.

Temo que ela esteja certa, Sra. Schuyler.

Eu sinto muito, Sra. Schuyler, que a senhora pense assim.

Eu tinha esperança de que gostasse de mim.

Eu não sou o ladrão que você pensa.

Estamos casados. Acho que a única coisa que resta é fazermos as pazes, mãe.

- Pare de me chamar de mãe! - Certo, vovó.

Esse homem é impossível. Não posso falar com ele.

Grayson, vamos para onde possamos pensar.

Você vê o que fez comigo?

Ah, você também, é?

Bem, quem ganhou aquele round?

Sua mãe ganhou aquele round. É isso, ela deu a última bofetada.

Eu não penso como eles. Você não é tão mal quanto eles pensam.

Bem, começa a me apreciar, hein?

- Suba. Vou te dar um pouco... - Claro. Já estou indo.

- Ele é legal. Eu gosto dele. - Fico feliz.

Ele pode se curvar!

Venha aqui, querido.

Eu não o vejo há três horas. Você já está me negligenciando.

Qual o problema?

Algo que eu comi, sem dúvida. O ovo marca o lugar.

Você precisa de gravatas novas, Stewart.

Eu não preciso de gravatas novas, eu tenho mais.

Eu tenho outra além dessa. É de bolinhas também.

Só há uma coisa errada com ela. Sabe o que é?

Uma pequena fraqueza por molhos...

De vez em quando, ela se debruça sobre ketchup.

Claro, apenas nos seus momentos de fraqueza.

Quando você se mudar para minha casa, eu te mostro.

- Sua casa? - Sim.

Ah, é ótima.

Claro que não se compara com esse seu Coliseu.

Mas servirá, minha cara, servirá.

A arquitetura tem um toque gótico do Missouri...

...e o mobiliário se inclina à renascença de Oklahoma,

...com um pequeno toque de Grand Rapids, Michigan.

Você não acha tolice pensar em viver lá...

quando temos essa grande casa?

Quando temos...

Você quer dizer que quer que eu more aqui na sua casa?

Claro. Podemos ter toda a ala esquerda para nós e ficarmos sós.

Podemos ter toda a ala esquerda? Isso seria espaço suficiente para nós?

Oh, querido. claro. São seis cômodos e dois banheiros.

Se não for suficiente, mamãe nos daria o quarto azul, eu creio.

Mamãe nos daria o quarto azul? você não tem um quarto vermelho, tem?

Bem, abençoada seja, isso não seria bom?

Seis cômodos, dois banheiros e um quarto azul.

Imagino que ela nos deixaria ficar com a asa direita se precisássemos.

- Bem, não precisaremos, estou certa. - Entendo, não precisaremos.

Anne, você não fala sério, fala?

Claro que sim, Stewart.

Agora, vamos resolver isso.

- Você tem o narizinho mais lindo que... - Esqueça, esqueça.

Que espécie de idiota pensa que eu sou?

Pensa que vou viver aqui na sua casa, com seu dinheiro?

O que acha que meus amigos diriam? Oh, não seja tola!

Eu estaria ridicularizando minha vida.

Um pássaro numa gaiola dourada, é o que eu seria. Eu não! Ah, eu não!

O que você acha que os meus amigos diriam se eu fosse para um flat barato?

- Não é nada barato. É interessante. - Escute, não vamos falar sobre isso agora.

- Faço tudo o que me pedir, mas... - Eu amo esse nariz.

- Ah, esse doce nariz. - Se o nariz é ou não doce...

...eu não vou viver na sua casa. É melhor que isso fique claro.

Você quer que eu seja feliz, não quer?

Então eu não vou viver em sua casa.

Sr. Smith...

Sr. Smith!

Sr. Smith! Como gosta do seu banho, senhor?

Gosto de um banho bom. Como gosta do seu banho?

- Quem é você? - Sou seu criado, senhor.

Eu me chamo Dawson, senhor.

- Que é o meu... o quê? - Seu criado.

Obrigado, obrigado. Farei o mesmo pra você algum dia.

Isso é muito bom.

Escute, como é mesmo seu nome?

- Dawson, senhor. - Dawson.

- Eu bebi muito ontem? - Se bebeu, senhor?

Devia estar muito bêbado, se contratei um criado.

Mas o senhor não me contratou, senhor.

Então, quem o contratou, se não fui eu?

Pegou alguma coisa do bolso da minha calça?

Não, senhor! Não!

- O que está fazendo aqui? - A senhorita Schuyler...

...quer dizer, a senhora Smith, ela me contratou essa manhã.

Então a sra. Smith contratou um criado pra mim?

Muito gentil a sra. Smith ter contratado alguém pra me servir.

Escute, você é muito gentil. Está muito bem!

- Seria uma ótima esposa. - Obrigado, senhor.

Não para mim!

Para alguém que gostasse de você.

Você é uma boa companhia, mas, sinto muito, não preciso de um criado hoje.

Claro que precisa, senhor, se permite que eu diga.

Um camareiro, por assim dizer.

Alguém que prepare seu banho, arrume suas roupas...

...que o ajude a se vestir. É realmente necessário, senhor.

Está querendo me dizer...

...que preciso de alguém para me ajudar a vestir minhas calças e abotoá-las?

- Certamente, senhor. - Sinto muito. Eu admiro seu esforço...

...mas não preciso de alguém que me ajude a abotoar minhas calças.

Eu abotoei minhas calças por 30 anos. Consigo abotoá-las com uma mão só.

- Mas, sr. Smith, por favor. - Escute.

Você tem uma cara boa.

Não gostaria que algo acontecesse à sua cara, não?

- Não, senhor. - Muito bem. Fora.

- Se me permite... - Fora!

Acho que entendi, senhor. Está querendo que eu saia.

Você entendeu, não é? É bonito e inteligente.

Fora! Vamos, fora! E não volte!

- Não, senhor, não. - Espere um minuto.

- O que é isso? - Oh, é um canário, senhor.

Ah, é um canário... Quem o trouxe pra cá?

Ah... um canário... Fora daqui, já! Tire isso daqui! Tire isso daqui!

Sim, senhor. Muito bem, senhor.

Um pássaro! Um pássaro numa gaiola dourada. Tire essa coisa daqui!

Bom dia, querido.

Dawson, leve as roupas do sr. Smith para a lavanderia hoje cedo, por favor.

Sim, senhora.

Quem é esse idiota?

Trouxe um presente. Feche os olhos.

Mantenha-os fechados.

Eu acho que vai adorar.

É pequeno. Não deve ser um automóvel, não?

Ora, veja... Que bonitas!

Gostou?

Têm minhas iniciais. São bonitas. Pequenas...

- O que farei com elas? - Vai usá-las, é claro, seu bobo.

Não, não, não. Eu, não.

- Fiquei anos sem usar. - Eu sei disso.

Não poderia olhar pra cara de Gallagher.

Olhando ou não olhando pra cara de Gallagher,

...será um bom menino e usará as ligas.

- Sim! - Eu te amo, querida. Eu comerei espinafre por você,

...irei ao dentista duas vezes por ano, lavarei atrás das orelhas por você...

Mas nunca usarei ligas

Ah, sim, você usará, meu querido, sim, você usará, meu querido,

Irá vestir ligas e irá gostar delas também

Oh, não, eu não usarei, querida, não, eu não usarei, querida.

Vou lavar atrás das orelhas, mas isso eu não usarei, querida.

Oh, sim, você usará, meu querido, sim, você usará, meu querido,

Vai comer espinafres e também usar ligas

Oh, você não pode continuar a música, não pode continuar a música,

A única coisa que pode cantar são besteiras, besteiras, besteiras

- Oh, não, não usarei ligas! - Oh, sim, você usará...

Isso é de verdade?

- Claro que é de verdade. - Tem diamantes?

Devem ter pelo menos seis!

Não se pode usar isso e ficar decente.

- Pode, se pertence aos 400. - Eu me pergunto que número ele é.

Dêem o fora daqui! Vamos! Fora!

Nunca viu ninguém usando ligas antes?

Pra que acha que ele usa?

- Isso mantém as meias levantadas? - Sim, isso mesmo.

Você sabe, é extremamente deselegante usar meias caídas.

Oh, querida... ficam horríveis! Ficam horríveis!

Vamos, saiam daqui!

- Ei, Stew, a polícia. - Ah, é?

Olá, querida. Só um minuto.

Vamos, saiam! É minha mulher.

- Saiam. - Desculpe.

E metam seus respectivos chapéus sobre suas orelhas de couve-flor.

Alô, querida.

Já são quase 6h, e sabe o quanto demora pra se vestir.

Mas o embaixador chega às 8h...

...e você tem que estar pronto antes que ele chegue.

Gostaria de ver a srta. Wilson, por favor.

- E quem devo anunciar, senhorita? - Srta. Gallagher, do Post.

- Srta. Gallagher, do Post. - Oh, sim.

- Srta. Gallagher? - Sim.

Sou a srta. Wilson, secretária da srta. Schuyler.

- Vim representar nosso editor. - Sim, a srta. Ramsey me telefonou.

Bem, e o que deseja?

A lista de convidados. É de praxe, não?

Sim, é claro. Vou providenciá-la. Gostaria de dar uma volta?

Sim, obrigada.

- Belo vestido! - Obrigada.

- Onde está o sr. Smith? - O sr. Smith?

Ah, o marido de Anne Schuyler?

Deve estar muito cansado. Ele teve que receber todos esta noite.

No seu jornal devem se divertir muito com ele, não?

Como o chamam? De 'Cinderella Man'?

- Ali está o embaixador da Espanha. - Tem jeito de embaixador, mesmo.

Srta. Wilson, a sra. Smith deseja vê-la.

Você me dá licença? Sinta-se em casa, é só um instante.

Sr. Smith, já li muitos artigos seus, gostaria muito de um autógrafo.

Ora, ora, ora! Minha velha camarada!

- Dê uma volta, deixe-me vê-la. - Aqui estou.

E então, filha do subúrbio, como saiu do gueto?

Bem, estou substituindo o editor da coluna social.

- Quero ver a crua realidade. - Quer ver a crua realidade?

Bem, garota, lamento dizer que não temos nada cru por aqui.

- Terei que ir a outro lugar. - Não, não.

Talvez queira algumas borboletas.

Ou então algumas violetas fatiadas ou, melhor ainda, recheadas.

E todas elas te darão torcicolo.

Ei, quem tem feito o nó na sua gravata ultimamente? Está horrível.

Gallagher, você está muito bem! O que anda fazendo? - Nada!

O que fez no cabelo? Onde arrumou este vestido?

- Eu tingi um e lavei o outro. - Tingiu um e lavou o outro?

Bem, realmente está muito bem.

Não se vire agora, mas há uma bela garota ali em cima...

- ...nos olhando. - Está nos olhando?

- Eu me enganei. Ela nos lança raios. - Lança raios... deve ser minha esposa.

É minha esposa. Olá, Anne!

Não saia daí, levarei uma amiga para você conhecer.

Anne, prepare-se para uma surpresa.

- Esta é Gallagher. - Gallagher?

Isso, minha amiga do jornal. Está substituindo o colunista social.

Oh, sim, claro. Como vai você?

- Gallagher, srta. Smith. - Como vai?

Você não me disse que Gallagher é tão jovem e bonita.

Gallagher?

Sim, na verdade nem me disse que era uma garota.

Não disse? Que engraçado.

- Não é engraçado? - Sim, não é?

Bem, nunca vemos a Gallagher como uma garota.

Não? E o que vê quando olha pra ela?

Bem, no escritório, nós só... é Gallagher, só.

Veja, eles me consideram como um dos rapazes.

- Ah, sim? Muito interessante. - É mesmo, não?

Bem, a srta. Wilson lhe dará a lista de convidados e o que mais precisar.

Muito bem, obrigada. Vou procurá-la.

- Boa noite, sra. Smith. - Boa noite, srta. Gallagher.

Boa noite, Stew.

Isso foi péssimo, Anne.

Afinal, Gallagher é minha amiga.

Poderia ter sido no mínimo delicada com ela.

- Acho que fui muito amável. - Ah, sim? Que besteira.

- Irei me desculpar. - Oh, Stewart, por favor.

Eu sinto muito, Gallagher. Realmente, sinto muito.

Está tudo bem, Stew. Esqueça.

Ela me considera parte do pessoal contratado.

Oh, não! Não, não.

É estranho. Nunca vi Anne agir dessa forma antes.

É engraçado eu nunca ter lhe contado que é uma garota, não?

Sim.

- Olá, Meadows. - Quem deseja ver, senhor?

Quero ver Stew Smith. Oh, desculpe, o 'senhor' Smith.

Sinto muito, o sr. Smith está ocupado.

- Temos uma recepção aqui. - Ah, uma festa! Ótimo!

Festa e diversão são pra mim. Sou aquele que adora festas.

Sabe... Que belo ombros!

Escute, por favor... agradeceria muito que tivesse a petulância...

...de dizer a Stew Smith que preciso vê-lo, porque se você não o fizer,

...minha família inteira vai morrer.

Eu direi agora mesmo ao sr. Smith, senhor. Queira se sentar.

Bem, eu gostaria de me sentar, mas não sei onde.

Desculpe, senhor, mas já ouvi isso antes.

Com licença, quero garantir que ele não leve um dos vasos.

Ora, ora, ora. Então minha camarada Gallagher é uma garota, hein?

Isso é só para que saiba que eu sei como tratar uma garota.

Solte fofocas minhas que soco esse narizinho.

Desculpe-me, eu volto logo.

Qual é o problema? Grande demais pra colocar no bolso?

Só estava olhando. É bonito, não?

Estava procurando a etiqueta com o preço.

- O que quer? - Oh, nada, nada.

Queria ver como um repórter fica como um cavalheiro.

Quer que eu dê uma voltinha, Bingy?

Adoraria!

- Que tal? - Nada mal.

Não está bem, mas não ficou mal.

Poderia enganar qualquer um.

Bem, já viu o suficiente ou quer uma fotografia?

Uma fotografia?

Como assim? Mamãe ainda não encomendou um quadro?

Agora, preste atenção!

Você tem o tipo de queixo que eu adoro acertar.

E se não der o fora daqui, eu te acerto com a direita, certo?

Fique calmo, fique calmo, Dempsey. Relaxe. Relaxe e abra os poros.

- Trouxe um recado de Garcia. - Ah, é?

Sim, o chefe me mandou te oferecer um trabalho.

- Ele quer que faça uma coluna diária. - Continue.

Bem, pode escrever sobre o que quiser. São 150 dólares por semana.

- Muito bem, pesquei. Qual é o truque? - Não tem truque. Isso é tudo.

Claro, tudo o que precisa fazer é apenas assinar o artigo:

Por "...marido de Anne Schuyler".

Bem, o que acha o velho 'Cinderella Man'?

Boa direta, senhor. Muito direta.

Isso é o que eu acho, Bingy.

- Smythe, o cavalheiro está de partida. - Sim, senhor.

Bom dia, mãe.

Não disse que seria maravilhoso?

Todos o acharam encantador ontem à noite.

Fiquei preocupada que se excedesse.

Agi como uma idiota.

O que dizem sobre a recepção de ontem?

O de sempre. Blá, blá, blá compareceu, blá, blá na recepção...

- ...usavam a mesma blá, blá, coisas. - Pare, Anne.

Está agindo como aquele com quem é casada.

Não tem do que se queixar, mãe.

Ele se comportou muito bem ontem, não? Eu te disse que não se preocupasse.

Foi um milagre. Estava doente ou algo assim.

- Mãe! - Olhe! Olhe! Na primeira página!

'Cinderella Man' perde a esportiva; ataca repórter na casa dos Schuylers

"Eu uso calças", disse o marido de Anne Schuyler. "Tudo bem pra mim", disse Anne

Eu sabia! Eu sabia! No fundo eu sentia.

Vocês leram o jornal? "'Cinderella Man' perde a esportiva".

Esse é o pior tipo de publicidade...

Acha que não sei disso, Grayson? Smith, chame o sr. Smythe.

- Smythe, chame o sr. Smith. - Dose dupla.

"'Cinderella Man' perde a esportiva"

"Eu uso calças", disse o marido de Anne Schuyler.

Bom dia a todos.

Talvez não seja um bom dia, não?

Anne, nunca teve a sensação de que tinha mais alguém com você?

- Você viu isso? - Sim, o verme!

- Como? - É um verme, e eu acabo com ele.

Começar uma luta, uma luta de rua...

...em minha própria casa. "Eu uso calças"!

Calças? Nem mesmo calção?!

Tentei parar os jornais, mas foi inútil.

- Pare de tentar impedir os outros. - Bem, então, pelo menos, negue.

Por que negar? Quanto mais você nega, mais notas saem. Deixe-os, deixe-os.

- Sente-se e feche o bico. - Fechar o bico?

Isso mesmo. Eu cuido desse Bingy sozinho, pessoalmente.

Está chorando por que?

É verdade, Stewart? Você disse aquilo mesmo?

Sim, falei. Falei mesmo.

- Mas não era pra ser publicado. - Você bateu nele em minha casa?

Sim, me desculpe. Eu bati nele na sua casa.

E bato em qualquer lugar em qualquer um que me chame de 'Cinderella Man'.

E do que espera que te chamem?

- Dexter. - É o 14º golpe...

...que me dá. Eu estou contando.

Quando chegar ao vigésimo, te dou um soco no nariz. Aliás, deveria te dar já.

Anne, você vai ficar aí sentada vendo esse homem nos insultar?

Não te sobrou nada de decência?

Bem, por que Dexter não nos mostra algo de decência?

A senhora poderia mostrar também, mãe.

O que espera que um homem faça quando o chamam por um nome desses?

Eu fiquei satisfeita por você ter batido no repórter. Ele mereceu.

Tudo bem?

Tudo bem. É o seu funeral, Anne Schuyler.

Cai fora, sombra!

'Cinderella Man'.

Esse é o 15º.

Com licença, madame. Telefonaram da recepção do prefeito...

...para lhe avisar que já está na hora da recepção.

- Os carros estão prontos? - Sim, há meia hora.

Espero não ter que fazer nenhum discurso esta noite.

Você não pode desapontar todas aquelas mulheres.

Não é todo dia que podem ver o famoso piloto que deu a volta ao mundo.

Sim, eu sei, mas elas me assustam.

Esse é o quarto jantar que comparecemos nesta semana.

- Estou ficando sem assunto. - Está reclamando?

Sim, sempre há gente demais ao nosso redor.

Anne, está ficando tarde. O que estamos esperando?

Esperamos meu marido.

Com licença, vou ver o que aquele lerdo está fazendo.

- Eu volto logo. - Claro.

Stewart, estamos todos te esperando.

- Onde está o criado? - Eu o envenenei.

Pare de gracinha e se apronte, pode ser?

- Eu não vou. - O que está dizendo?

Estou dizendo que não vou.

- O que vou dizer às pessoas? - Diga que... diga qualquer coisa.

Diga que não vou. Diga que não estou em casa.

Poderia me dizer por que não vai?

Eu nunca quis me envolver com aqueles parasitas sociais...

...aqueles manequins perfumados.

Eu não gosto deles. Eles me enfadam. Me deixam nervoso.

Está falando dos meus amigos.

Sim, estou falando dos seus amigos e ainda assim me deixam nervoso.

Bem, você vai ou não vai?

- Anne, venha cá. - Cuidado com meu batom.

Vou lhe dizer o que devemos fazer. Vamos sair daqui escondidos.

- Está louco? - Pense em quanto será divertido.

Nós saímos pela escada de trás, e pegamos o Ford.

- Poderia deixar de ser idiota? - Não, vou dizer o que farei.

Vou te apresentar à minha turma. Que tal?

Mas eu não quero conhecer sua turma.

Não são os meus colegas do jornal. É outra turma.

Você vai adorá-los. São escritores, músicos e artistas.

É um monte de gente. Fazem um monte de coisas. É gente que vale a pena.

Está insinuando que meus amigos não valem nada?

- Oh, não, está bem. - É isso o que quer dizer.

Você já insinuou isso muitas vezes, e já estou cansada disso!

- Temos ido a uma festa atrás da outra. - Eu não...

Tenho te levado às melhores casas...

...te apresentado a gente importante. Não fica agradecido?

Não. Você me insulta e se comporta como um ignorante.

Estou cansada de me desculpar por você e pelas coisas que faz.

É até melhor que não vá. Assim eu posso aproveitar pelo menos uma vez...

...sem ter que me preocupar com você e com o que vai fazer.

Isso, meu amigo, é o que se conhece como:

"A alta sociedade chama a ex-estrela do jornalismo para sair..."

'Como tem passado, Sr. Smith?'

Chamou, senhor?

- Smythe? - Sim.

Smythe. Venha cá. Quero falar contigo.

Smythe, venha.

Venha, Smythe, fale comigo, sim?

Smythe, estou ficando louco! Estou enlouquecendo nesta casa!

Esta enorme... Venha.

Venha. Não vou te fazer nada. Vamos, venha.

Venha, qual é o problema? Venha.

- Ouviu alguma coisa? - Sim, senhor.

- Tente você. - Eu, senhor?

Não, não, não. Mais alto.

Não, chega.

Era só pra dar uma ideia.

Agora já sabe. Esta casa está assombrada.

- Não, senhor. - Sim.

- Tem aberto os armários? - Sim, senhor.

- Não encontrou esqueletos? - Não, senhor.

- Mesmo assim, está assombrada. - Sim, senhor.

Ouça.

O que você faz quando não está levando...

...dose dupla?

Bem, senhor, passo o tempo.

Smythe...

Quando está só e quer se entreter, o que faz?

Eu só passo o tempo.

Passa o tempo. Você tem um passatempo pra passar o tempo?

Não, senhor. Passo o tempo com minhas mãos.

Ah, que interessante... Simplemente vai e...

Muito bem. Como faz isso?

Bem, senhor... Vou lhe mostrar.

Isso é passar o tempo, senhor.

Não, isso...

Bem, bem, bem... Tudo bem, já que você gosta, eu suponho.

Qualquer um pode? Qualquer um pode fazer isso?

Ah, não, senhor. Alguns passam o tempo naturalmente...

...outros não conseguirão nunca.

Quer dizer que algumas pessoas nunca saberão como passar o tempo?

- Sim. - Meu Deus. Que tragédia.

Saber que nunca será capaz de passar o tempo.

E eu? Você acha que se eu me concentrar...

...e puser toda minha alma nisso...

- ... poderia conseguir passar o tempo? - O senhor?

Nunca saberia passar o tempo. Não da melhor maneira.

Não quero passar o tempo. Se eu não sei passar o tempo da melhor maneira...

O que te faz achar que eu nunca saberei fazer isso?

Bem senhor, para saber passar o tempo, tem que liberar a mente.

Uma pessoa com problemas nunca poderá passar o tempo.

Por exemplo, um peixe pode passar o tempo na água...

...mas não na terra, porque estaria fora de lugar.

Uma águia pode passar o tempo sobrevoando as montanhas...

...mas não numa jaula, porque estaria inquieta e infeliz.

Agora, senhor, se me permite, com todo o respeito...

...de Smythe para Smith: o senhor é um pássaro enjaulado.

- Um pássaro numa gaiola dourada? - Sim, senhor.

Era tudo o que eu queria saber.

Alô.

Alô? Gallagher? Olá, Gallagher, velha camarada.

Como vai você?

Oh, olá, Stew.

Estou muito bem. Não posso reclamar. Como está o nosso 'aposentado'?

Estou na costa da Noruega, e não consigo sair.

Viria me tirar da costa da Noruega?

Ah, a sua peça!

"Ato 1, Cena 1: Costa da Noruega",

e muitas folhas em branco, não é isso?

Venha. Não seja boba.

Tudo bem, tudo bem. Se acha que precisa de um acompanhante...

...fale com Hank. Vai encontrá-lo no Joe's, sem dúvida.

Claro, Hank seria o perfeito guarda-costas.

Claro que gostaria. Sabia que podia contar contigo.

Pegue-o, sim, Gallagher?

Ok.

Smythe, eu mesmo atendo. Estou esperando uns amigos.

Muito bem, senhor.

Oi, Gallagher! Entre! Que prazer em vê-la.

- Hank, como vai? - Bem, mas morrendo de sede!

Entre, vou pegar um drink.

- Lembra-se de Joe? - Claro.

Eu o chamei pra tomar umas conosco.

- Tudo bem, tudo bem, traga-o. - Entre, Joe.

- Oi, Joe. - Oi, garoto! Como vai?

- Prazer em vê-lo. - Só um momento. Johnson está aí fora.

Você se incomoda que ele venha molhar o bico?

- Traga-o. Quanto mais gente, melhor. - Entre. Vamos.

- Olá, Johnson. - Oi, Stew, como vai?

- Prazer em vê-lo. Entre. - Espere um momento.

Eu trouxe dois rapazes comigo. Não se importa...?

Trouxe outros dois? Tudo bem, traga-os.

- Qual a diferença? - Entrem.

Olá, rapazes. Entrem. Como vai? Vamos, entre.

- Olá, Stew. - Bem, mas...?

Olá, meu garoto!

Lamento que ninguém pôde vir.

Por que não trouxe toda a família?

O resto teve que ficar para a edição da manhã. Virão depois.

Certeza que virão? Vamos nos sentir solitários sem eles.

Smythe, acomode-os e sirva drinks para todos.

E veja o que querem os caras da sala dos fundos.

Escute, Smythe, não se esconda da gente. Queremos ajudar você.

Nada feito, cavalheiros! Nada feito! Nada feito!

Bem, Gallagher, certamente não se arriscou, não?

Sinto muito, Stew. Só chamei Hank e... bem, Hank chamou o resto.

Hank os trouxe, né? Tudo bem.

Vamos lhes dar uma bebida e os botamos pra fora. Que tal?

Oh, Deus!

Aquilo é um elefante verde ao lado dele?

- Não, é só o pequeno Bingy Baker. - Bingy...

Grande Chefe Bingy vem ao homem branco oferecer cachimbo da paz.

Grande Chefe sente muito.

Pra se desculpar...

...Grande Chefe vai se agachar e deixar homem branco dar pontapé...

...onde o sol nunca bate.

Com licença, Gallagher. Não posso perder essa...

Água-de-Fogo, muito bem.

Bem, Stew, está tudo resolvido.

Puxa, fico feliz por você não estar magoado.

Sabe como é, notícia é notícia.

Claro, tudo bem. Grande história. Queria ter escrito isso.

Bom, eu melhorei, não? Aquela história do destempero.

Vejo que vai até o queixo.

Vá para a sala e pegue uma bebida.

Smythe! Smythe, dê a eles um drink, e tire-os daqui.

- Sim, senhor. - Nós daremos só um.

Sabe o que eu devia fazer? Dar um soco nesse nariz.

- Sim, eu adoraria. - Certamente adoraria.

Até onde foi?

Até agora só consegui chegar à costa da Noruega.

"Ato 1, Cena 1: Uma Rua na Velha Madri".

Não está conseguindo avançar, só está cobrindo uma região.

Cobrindo uma região? Mais parece um tour gastronômico.

Stew, você já esteve na velha Madri?

- Onde? - Na velha Madri.

Não. Nunca fui nem à nova Madri.

Então, como poderá escrever sobre ela?

Usarei minha imaginação, suponho.

Conrad usava de imaginação?

- Quem? - Conrad.

- O que sabe sobre Conrad? - Absolutamente nada.

Mas não é o cara que você vive citando?

Uau, que espertinha!

- Não é ele quem escreve sempre sobre as coisas que conhece? - Certo.

- Não esteve no mar antes de escrever sobre ele? - Certo.

Então escreva sobre algo que conheça.

Escreva sobre você e Anne. O pobre rapaz que se casa com uma moça rica.

É um ótimo tema.

Uau... é uma boa ideia, Gallagher.

É uma ideia, me instigou.

Com certeza. Ela daria uma bela heroína.

E tem a mãe.

Que personagem daria uma velha dama com suas doses duplas!

E o advogado amigo deles. Daria um grande vilão.

- E tem você. - O que eu seria?

Não sei. Poderia ser alguém.

Vamos, já! Temos uma ideia. Vamos começar.

É uma grande ideia. Grande ideia para uma peça.

Me dê um cigarro?

Não vamos perder. Apenas...

- Aqui. - Certo, obrigado.

Agora, vejamos.

Como começo?

Ei, camarada, como começaria?

Smythe, você é um escravo.

Qual é a diferença entre um rei e um mordomo?

Escutem, não podem entrar. É uma festa privada!

Meu velho colega de classe de Harvard. Que alegria!

Harvard, 1898. Oi, mamãe!

- Eu sei quem causou tudo isso. - Oh, Dexter.

Smythe!

Smythe!

- Quem são essas pessoas? - Meus amigos.

Muitos inteli... inteli...

- Intelectuais. - Está bêbado.

Smythe, estava bebendo.

- Bebi. Doses duplas. - Muito bêbado.

Onde está o sr. Smith?

Por todos os demônios, eu não sei.

E não me importa.

Que alegria!

Então, Gallagher, se eu pudesse conseguir uma grande cena...

...uma cena extremamente emocionante.

Algo para tocar o coração do público...

...pra fechar a cortina no segundo ato.

Poderia tirar algo da sua cartola?

Não. Acho que já usei todos os meus truques esta noite.

Nós paramos onde o garoto de polainas brancas...

...está indo a festas metidas a besta, e a patroa entra. Que tal?

- Muito bom. - Se conseguirmos chegar até...

- Olá, Anne. - Bom dia.

- O que significa isso? - O que significa o quê?

Ah, o pessoal. Estava tão interessado na peça que me esqueci deles.

E conseguimos uma peça, Anne. Nós temos uma peça!

A maior parte quem fez foi Gallagher, foi ela.

Sua mente trabalha o tempo todo.

Não estou interessada na forma que sua mente trabalha.

- Acho melhor eu ir embora, Stew. - Acho que deveria, srta. Gallagher.

Um momento, Gallagher. O que é isso, Anne?

Eu quero que todos saiam imediatamente.

Espere. Não acha que está sendo exagerada?

Exagerada? Você tem ideia do lugar que lá embaixo está parecendo?

Espera que eu deixe que esta casa se transforme num bar?

Não fique nervosa. Não há razão para isso.

Talvez os caras tenham bebido demais.

Sinto muito. Vou descer e despachá-los.

Não tem porque agir assim.

E depois, tenho o direito de convidar...

...alguns amigos para vir à minha casa, não?

Sua casa?

Ah, peguei você. Tudo bem. Tudo bem. Eu não te culpo.

Por um momento eu esqueci disso.

Isso é o que eu chamo "falar bem a verdade", não, Anne?

Suponho que fui hóspede aqui durante todo o ano.

Muito bem, vou te dizer, não gosto de sua hospedagem, senhora.

E se lhe interessa, eu vou me mudar daqui.

Stewart.

É o que eu deveria ter feito há muito tempo...

...só não tinha tido motivo suficiente para fazer isso.

Não, eu fiquei pra tentar que desse certo...

...o que sabia ser um tremendo erro desde o início. Agora não é mais.

- Não é mais! É isso. - Não pode sair assim.

Não posso? Quem vai me impedir? Queria ver alguém me impedir.

Você acha que vou ficar aqui,

...apenas pra admirar esse mausoléu? Nem pense.

Você não vai me transformar num almofadinha.

O que acha?

O que está acontecendo aqui? Quem é essa mulher?

- Joana d'Arc. Quem acha que é? - Deus, esse homem está louco!

Claro que estou louco! Mas tenho uma grande notícia.

Esta magnólia está deixando seu perfumado jardim.

Este pássaro engaiolado vai abotoar suas próprias calças a partir de agora!

Isso é o que se chama de "dizer umas verdades à sogra".

Tudo o que faz é me vigiar desde que estou aqui.

Me tratando como um criminoso, vigiando como um falcão, suspeitando de mim.

Toda vez que eu saía da casa, ia contar a prataria.

- Isso é ridículo. - Muito bem! Eu não a culpo!

Sei que estou fora do meu ambiente.

Deveria ter tido mais sentido. Mas vou para o meu próprio ambiente agora.

- Está sendo infantil. - Certo, eu sou infantil. Sou mesmo!

Pense o que quiser. Mas eu vou voltar para o meu apartamento...

...onde eu deveria ter vivido. Mas não, te dei ouvidos e mudei pra cá!

Se quiser viver comigo, muito bem.

Mas a placa na porta será "Sr. Stew Smith"...

...e você terá que ser a Sra. Stew Smith. É assim, ou nada feito.

Não serei mais 'o marido de Anne Schuyler'.

E te digo mais.

Pode pegar o seu quarto vermelho, sua sala verde...

...sua ala esquerda e direita... Você sabe o que fazer com eles!

- Vamos, Gallagher. - Stewart!

Desculpe, você poderia me dar um trocado para um café?

Café? Você gostaria de ser um cavalheiro que usa ligas nas meias?

- Não, só... só um café. - Muito bem! Só um momento.

Atenda o cavalheiro, Gallagher.

Aqui está. Com isso, pode comer durante dois meses.

E as meias?

Eu não me preocuparia muito. Ela vai entender.

Não me preocupo com ela.

Só me preocupa o final do segundo ato, só isso.

Você é um idiota de primeira.

Acaba de representar uma cena que vale uma nota.

A declaração de independência para o final do segundo ato.

Boa ideia, Gallagher. É uma ótima ideia!

Ei, Gallagher.

- Sim? - E meu café da manhã?

Como posso terminar o ato de estômago vazio?

- Está quase pronto. - Ah, não.

Se não pode servir meu café da manhã na hora certa...

- ...trate de procurar outro trabalho. - Sinto muito, chefe.

Não se desculpe, apenas sirva, e pronto.

Olá, Smith.

- Por todos os santos! - Suponho que saiba porque vim.

Não faço idea, a não ser que tenha sumido alguma prataria.

Não. Não seja idiota, Smith.

Posso entrar?

- Claro, entre. - Obrigado.

Posso me sentar?

Claro. Se soubesse que viria, tinha preparado um bolo.

- Não como bolo. - Não?

Anne me pediu que viesse tratar do divórcio.

- Ela pediu? - Ela quer que...

...eu prepare o acordo financeiro.

Escute, Grayson. Tenho 106,75 dólares no banco.

Anne pode ficar com aquilo. Mas tem que se apressar, eu estou gastando bem rápido.

Você não entendeu. Anne não espera nada de você.

Nós queremos saber o quanto você quer...

Espere aí! Está dizendo que ela quer me dar uma pensão alimentícia?

Acho que fui grosseiro, mas...

- Lembra-se do golpe número 20? - Perfeitamente.

Acaba de me dar. Antes de caia inconsciente...

...quero deixar isso claro. - Como?

"Inconsciente". Quando não sabe de nada. Seu estado natural.

Existem pessoas cuja dignidade não se compra.

- Eu sou um desses. - Só pensamos...

Não pense. Deixe que eu penso.

Volte lá e diga-lhes que não me casei com aquela madame pela sua fortuna...

...e não vou querer nada dessa fortuna agora.

Eu era pobre demais para lhe dar um presente de casamento, então o divórcio é o seu presente.

Agora, de pé! Vamos para o vigésimo golpe.

Quem era?

O advogado dos Schuyler.

O que ele queria?

Ele só passou por aqui pra nos dar um grande começo para o terceiro ato.

Que ideia ele te deu?

Uma ótima ideia, Gallagher. O que acha?

O advogado veio ver o garoto pra falar sobre o divórcio, você sabe.

Ele insulta o pobre mas honesto garoto oferecendo-lhe pensão alimentícia.

O garoto se ofende, soca o advogado no nariz e o expulsa.

O que acha disso para começar o terceiro ato, hein?

Bem, daqui pra frente, a peça fica fácil.

Tudo o que precisa fazer é trazer a esposa de volta.

Fazer com que ela diga que sente muito, e então a peça acaba.

Como assim? Você acha que eu vou deixar ele voltar pra sua mulher?

Jamais. Ele tem que acabar com outra garota.

Que outra garota?

A garota O'Brien, lógico. Aquela que você sugeriu na história.

Mas isso é ridículo, Stew. Não pode fazer uma mudança súbita como essa.

O que quer? Dizer como devo escrever minha peça?

Não tem nada de repentino nisso.

Ele sempre amou a garota.

Mas era tão idiota que não teve senso pra dizer a ela.

Muito bem. Façamos assim. Ele vai até ela e,...

...espere, vou te mostrar.

Ele vai até a pequena O'Brien, e diz...

...usando palavras bonitas, ele diz...

Algo que você pode escrever.

Ele diz: "Querida, sinto muito. Fui um tolo a minha vida inteira.

Sempre te amei. Mas não tive senso para perceber.

E tão logo saia meu divórcio, quero me casar com você".

Ela olha pra ele e então diz: "Sim."

E então eles se abraçam, ou algo assim.

Então ele a beija ou algo assim.

Que foi, Gallagher? Que foi?

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