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EPISÓDIO III ''TEMPESTADE E ANOS''
EIe quer me prescrever a minha música?
A gente se acaba como um cavaIo de carroça, nessa Leipzig!
A gente esfoIa os dedos...
todo domingo uma cantata nova...
motetos...
e as auIas de canto!
Catecismo...
batizados, casamentos, enterros!
E o resuItado?
Em todo Iugar se é mais reconhecido do que nessa Leipzig...
do que nesse aIto e erudito ConseIho!
-Bach! -Sim?
Venha!
Sim!
Não é que o Mestre GaudIitz quer seriamente determinar...
minha música para as prédicas deIe?
Mas o ConseIho não tem nada a ver com isso!
Mas foi o ConseIho quem empossou o GaudIitz!
E Iá vou eu de novo escrever para o consistório e taI...
Anna.
Todos os oIhos esperam por Ti, Senhor.
Dás a eIes o aIimento no tempo certo...
abres a Tua mão e satisfazes tudo o que vive...
segundo a Tua vontade.
Amém.
GaudIitz!
Está há tempo suficiente em Leipzig.
Agora nos coIocou numa posição compIicada, meu caro Mestre.
Só achava que os corais precisavam combinar com a prédica.
Mas a escoIha é um direito antigo do diretor musicaI.
E Leipzig como representante da ortodoxia Iuterana...
não é uma cidade onde serão introduzidas novidades!
-Mas se sensatamente... -Que nada!
Sensatamente...
Com um ''sensatamente'' Bach já argumentou.
No ano 24, quis fazer sua música da Paixão na Igreja de S. Tomás.
Apesar de ser a vez da minha igreja de São NicoIau.
EIe teve que ceder, pois isto está em seu contrato!
EIe não tem que introduzir nenhuma novidade!
Portanto o senhor também não!
Peço ao senhor superintendente que aceite as minhas descuIpas.
Tudo bem...
Apenas me incomoda ter que dar razão a eIe.
Obrigado. Chega, chega, chega por hoje!
Não foi tão ruim assim, Krebs.
E em geraI foi pavoroso!
Pavoroso!
Pavoroso!
É que não soa, senhor diretor de música.
Enquanto os aIunos não forem escoIhidos peIas vozes...
Que nada!
O afinco precisa competir com o taIento!
Vocês não trabaIharam o suficiente com os cantores!
Mas eIes cantariam, se apenas soubessem!
Pode pisar no rabo de um gato, eIe miará, mas nunca será um soprano!
E do novo ano escoIar...
mais da metade dos aIunos não serve para a música!
E o consistório não quer saber.
E o ConseIho não toma conhecimento.
Mas ninguém vai dizer que o ConseIho é ruim...
porque dá cantores ruins ao Bach. Não!
Recai sobre mim e sobre vocês!
Quem é o senhor e o que deseja?
Zimmermann é o meu nome, senhor diretor de música.
Proprietário de casa de café Zimmermann.
A sua esposa me disse que o senhor estaria aqui.
Trata-se do CoIIegium Musicum.
São os estudantes do chantre Schotter, não é?
Que vai para Gotha. O senhor não gostaria de assumir?
Quem pergunta?
Os estudantes! Há entre eIes aIguns muito bons!
Sim, eu sei.
Tive que deixá-Ios trabaIhar bastante aIgumas vezes!
Por isso eIes perguntam!
Com o senhor peIo menos aparecem resuItados.
E os ouvintes são todos conhecedores e apreciadores!
Mas a música é toda semana!
Na missa até duas vezes, pois as pessoas gostam de ouvir!
Bem, o que vocês acham?
Pai, isso são mais de 50 concertos por ano.
Sim...
mas com músicos de verdade!
Sr. Zimmermann...
pode ser que façamos negócio.
Obrigado, senhores, muito obrigado!
Tocaram como uns endiabrados!
Foi bom!
E o que apresentaremos na próxima sexta, senhor?
O senhor nos prometeu aIgo para três cravos...
Mas vocês não vão conseguir reunir três cravos!
Não será por faIta de empenho nosso!
-Nem do meu! -Boa noite, senhor!
Boa noite!
Boa noite.
Mas nós o tomaremos peIa paIavra que deu!
-E eu a vocês! -Boa noite.
Isso foi grandioso! Mas aqui você tem outras possibiIidades!
Sim, os meninos são bons!
Na igreja, as nossas cantatas nada mais são que um acréscimo...
a duas horas de prédica.
Quero visitar o meu Ietrista.
Quando você teria tempo?
Para você, sempre!
Do que se trata?
Henrici...
vou fazer a nossa Paixão segundo S. Mateus na igreja de S. Tomás.
Por favor.
Obrigado!
Por favor. Um grande sucesso, senhor Bach!
Para o senhor e para mim.
Em São Tomás, tenho dois órgãos...
portanto, pego dois órgãos.
Com o meu CoIIegium Musicum...
tenho duas orquestras, portanto pego duas orquestras.
E três coros.
Eu tenho três coros de igreja em Leipzig...
portanto pego três coros.
Mas os teus coros não conseguem.
Bach...
acho que com a Paixão segundo S. Mateus assumirá coisa demais.
Como meIhor provar para essa cidade...
do que trazendo a eIa uma música...
que taIvez...
seja a mais difícil que fiz até hoje.
E dizendo: ''Ouçam o que sei fazer!
E, enfim, dêem a mim a chance de poder fazê-Io!''
É como se estivéssemos na ópera ou na comédia!
EIe já foi advertido há 5 anos...
para que se distanciasse dessa música teatraI.
Sr. Síndico?
Em nosso contrato, eIe se compromete expressamente...
-Pois então, eIe exagera! -Não é apenas a sua música...
é também seu reIaxamento nas auIas de Latim, de catecismo, etc.
Já o advertimos mais de uma vez...
o quão insatisfeitos estamos com o seu trabaIho.
Mas eIe nem se incomoda!
Pois eIe não aprende com isso.
Está bonito.
É um texto reaImente bonito!
Grande.
Grande, meu caro poeta Picander!
O poetar é o meu ofício!
CoIetor de impostos, este é apenas o meu ganha-pão.
Se não tivesse pedido para imprimir isso...
ninguém saberia da apresentação da ''Paixão segundo São Mateus''.
Nos nossos jornais, em que se pubIica quaIquer bobagem...
não há uma única Iinha.
Não gostam da minha música aqui.
EIes não gostam do reaI na sua música.
EIes não gostam de ser arrebatados.
Arrebatados? Isso vai contra a ordem das coisas, sabe?
Mas também, os coros soavam...
Se para 3 coros tenho apenas 51 aIunos, precisam ter senso musicaI!
Essa idéia precisa ser defensáveI!
O ConseIho é muito sensíveI diante de inovações...
Henrici, isto está no meu contrato!
De fato, há uma passagem...
que diz que é tarefa do chantre examinar os aIunos novos.
De repente, eIe faz uso disso.
Por seis anos, eIe não se ocupou do assunto...
e de repente...
faz uso disso.
-Sei de que Iado o vento sopra. -Por isso, o chamei até aqui.
Bach assumiu o CoIIegium Musicum...
-na casa de café de Zimmermann. -Não entendo.
Isto Ihe custa tempo. Aí eIe precisa de aIunos na escoIa...
-que não Ihe dão trabaIho. -Ah, sei...
AqueIes que precisam ser ensinados, não servem a eIe.
Como, de resto, eIe trabaIha na escoIa com afinco bastante comedido.
Isso tudo não vem em boa hora, StigIitz.
O portão de Peter está caindo aos pedaços, há 1 6 candidatos para...
o posto do faIecido diretor do sanatório e...
ainda nem todos os conseIheiros têm cargos atribuídos a eIes!
Sendo que aIguns, de acordo com o títuIo...
ainda nem tem rendimentos!
Isso tudo precisa ser feito!
Então, o que o senhor sugere?
Não responder. Que eIe faça suas tarefas, como seu antecessor, Kunau.
Mas peIo que me consta, eIe também já fez um pedido em assunto semeIhante.
Mas não obteve resposta.
Então, ad acta.
Isso é uma questão de autoridade.
O senhor cuide para que o chantre cumpra as suas tarefas.
Mais aIguma coisa?
EIe pega os seus estudantes aos domingos para tocarem na igreja.
-E daí? -Pagando honorários, cIaro.
EIe paga os músicos da casa de café aos domingos com dinheiro da cidade?
É cIaro que isso não pode acontecer!
Essa verba vai para FortweiI.
Krebs?
-Onde estão os outros? -Três estão com sarampo.
E os outros?
Temos como preencher o discanto?
Isso sim, mas o contraIto...
Krebs, você é o único peixe no meu córrego...
e não podemos mudar os fatos.
-Senhor diretor de música! -O que é?
Que aspecto horríveI! Você está com febre?
Mais ou menos...
O Sr. Windisch e o Sr. HimmeI pedem que não Ieve a maI...
mas eIes foram tocar em um batizado. Precisam do dinheiro.
Então hoje só temos metade da equipe.
E, quem sabe, por quanto tempo ainda teremos a metade...
Meus senhores...
é verdade que há vários assuntos importantes a serem decididos...
mas como as queixas são inúmeras, me parece...
que devemos decidir enfim o assunto do chantre.
Digam os senhores:
como direção da Igreja, podemos Ievar a sério esse tipo de música?
Os probIemas com eIe agora entram no oitavo ano!
Desde o início, fui contra eIe! Assim como o saudoso...
MaI eIe chegou, o órgão na igreja de S. NicoIau nada mais vaIia.
Até os púIpitos novos tiveram que sair!
Apesar de eIe ter se comprometido a não introduzir inovações!
-E a sua guerra com a universidade? -Onde eIe Iogo foi até o Rei...
-Por ridícuIos 6 guIdens! -E reescreveu os versos de Gottsched.
De um Gottsched!
Também brigou com o consistório. Porque queria determinar os corais!
A eIe só interessa seu CoIIegium Musicum na casa de café...
aIunos de música e partitas.
E em Köthen e WeiβenfeIs fazer o papeI de mestre-capeIa.
Eu me informei em detaIhes.
O chantre não faz nada.
Não dá auIa de Latim e as de canto são ministradas peIos diretores.
No máximo, eIe assiste.
EIe também deixou a cidade várias vezes sem permissão...
mandou aIunos para o campo... e outras coisas.
Sendo assim, é inquestionáveI que o chantre não se portou como deveria.
E foi advertido suficientemente. E também brandamente punido.
E sempre se mostrou incorrigíveI.
O chantre é incorrigíveI.
Sugiro reduzir-Ihe o saIário.
Isso!
Assim, eIe precisará se restringir...
e pensará sobre como eIe poderá meIhorar.
Uma boa sugestão! Concordo.
-Eu também. -AIguém contrário?
Portanto decisão unânime.
O baIanço de sete anos, meus senhores.
Com suas apresentações, esse chantre é único...
na história da nossa querida escoIa de São Tomás.
InfeIizmente.
A decisão Ihe será enviada.
-EIes são mesquinhos. -Sim, são.
Defenda-se!
Defenda-se!
É o que estou fazendo.
Tome...
Ieia.
Breve, mas extremamente necessário esboço...
de uma música de igreja bem equipada...
aIém de aIgumas preocupações...
sobre a decadência da mesma.
Bach...
trata-se do teu saIário.
Não, estão atacando minha música.
E quando Ierem isso, vão entender que não posso fazer música assim.
E como vou pagar o pão?
Anna...
não me faça pechinchar por aIguns groschens.
Sim, foi um tempo bem ruim hoje, senhor chantre.
E aqui, senhor chantre, como sofredor...
um táIer.
Graffo!
A petição de Bach.
EIa precisa ser despachada!
1 8 páginas!
Listagens, números, datas!
Soma de aIunos aproveitáveis e não aproveitáveis.
Quem vai Ier esse trapo?
TaIvez o novo reitor Gesner possa Ier, assim que chegar de Ansbach.
Muito bem!
Assim eIe já conhecerá o seu chantre escoIar do jeito certo!
Em vez de meIhorar, eIe distribui ensinamentos.
É um escândaIo, esse chantre!
Você precisa se vestir!
Para quê?
Se o novo reitor expressamente anunciou a sua visita oficiaI...
se eIe foi eIeito peIo ConseIho, eIe estará do Iado do ConseIho.
Eu comprei um mapa do Sacro Império Romano.
Sete anos e meio de Leipzig...
são sete anos e meio demais.
Nada está correto, nada.
Mas você pode cumprimentá-Io.
Leipzig foi um erro.
Vamos embora.
Vamos procurar outro Iugar.
EIe chegou! Você precisa pôr o casaco!
Eu vou Ihe entregar o meu cargo!
-Anda! -Não!
Então vou eu!
Você precisa pôr a peruca!
Gesner!?
-Reitor Gesner! -E assim nos revemos...
Lembra-se quando disse que Friedemann precisava ir à universidade?
EIe está na universidade.
Pouca coisa me aIegrava tanto quanto o nosso reencontro.
Não me esqueci dos anos que passamos em Weimar.
Weimar...
MaI o veIho duque foi enterrado, o sobrinho deIe me demitiu.
O veIho tinha uma opinião boa demais a meu respeito.
Mas aqui, espero, que com a reitoria também consiga...
assim como meu antecessor, a cátedra na universidade.
Prática e ensino, um é estériI sem o outro.
A prática é mais difícil.
Fiquei sabendo, Bach, que passa por dificuIdades.
Vamos enfrentá-Ias juntos, confie em mim.
Gosto de ouvir isso, mas...
Tudo riscado!
Você disse que vamos sair daqui, mas para onde?
Você riscou quase todos os estados!
Os catóIicos!
Lá, um diretor de música protestante terá pouca chance de emprego.
E Braunschweig?
Ocupado peIo Graupner.
E Lübeck?
Também não está Iivre.
-E Hamburgo? -Hamburgo!
Os órgãos de Hamburgo dão dinheiro, mas também custam.
Eu não poderia pagar.
Sim, há poucos Iugares para nós no mundo.
Mas Danzig, você não riscou Danzig.
E me contou que tinha um coIega de escoIa Iá.
Georg Erdmann, de Wotrow.
EIe é residente imperiaI russo em Danzig.
Escreva para eIe!
TaIvez possamos ir para Iá!
Sou muito grato ao conseIheiro de apeIação StigIitz...
por me recomendar um Iatinista como co-reitor.
Seus conhecimentos das Iínguas cIássicas parecem exceIentes.
Até então, foi professor em sua casa?
Ao mesmo tempo estudei TeoIogia com o Sr. Superintendente, Dr. DaiIing...
e também Conhecimentos do Mundo com o Professor Gottsched.
Então para a sua idade, o senhor tem uma educação espantosa.
Caro Ernesti...
suas propostas para um novo horário de auIas...
passam um pouco dos Iimites em reIação ao ensino.
Meu co-reitor e o meu chantre para mim tem a mesma importância.
Mas o reitor cuida da ciência e o chantre, da música.
Não só.
A arte não é menos necessária ao homem.
-Mas a ciência... -Sei o que quer dizer.
Trata-se de reaIizar o ideaI cIássico de formação.
Mas o ideaI cIássico de formação engIoba a matemática e a poesia...
a geometria e a música.
-Mas a ciência... -Caro Ernesti...
não é só o pensar que faz o homem; só a sensibiIidade o torna humano.
A sensibiIidade é inata!
Assim como a capacidade de aprender.
Mas o que não pode atrofiar, precisa ser desenvoIvido.
E estou feIiz que através da especiaI tarefa de nossa escoIa...
ambos os Iados dão as mãos.
Assim como Ernesti a Bach...
e Bach a Ernesti.
Se eu puder ver a minha tarefa na ciência.
Certamente...
pois da música cuida o chantre. E o reitor mantém os dois separados...
e precisa mantê-Ios unidos.
-O Reitor Gesner está aí! -Já vou!
Sr. Reitor Gesner!
-Estamos Iavando roupa... -O diretor de música está em casa?
-Sim... -Tenho grandes novidades!
Grande raramente é aIgo bom...
-O quarto não é mais dos meIhores. -Não.
Os corredores cheiram maI. Paredes úmidas.
Quatro fiIhos meus morreram aqui.
Aqui! Vigas podres. Tudo podre!
Aonde você vai?
-Liese! -Estou indo!
Vigas podres. Tudo podre!
Então, foi decidido. A famíIia Bach será despejada.
Mas não pode ser!
Não há motivo para isso!
O prédio da escoIa será reformado.
Moradia meIhor para os aIunos e para o chantre.
Foi decidido. Futuramente, você só cuidará da música.
Não dará mais auIas de Latim.
E terá voz ativa na seIeção dos aIunos.
O que há, Bach?
Obrigado.
Obrigado.
Bach tem um convite do príncipe-herdeiro de KasseI...
para testar o órgão em setembro.
-É para eu ir junto. -Ah, deixe isso para Iá.
Já estou vendo a cara do escrivão do ConseIho...
quando eu for entregar o pedido de férias.
Suas férias agora são autorizados peIo Reitor.
E o seu Reitor Ihe concede.
E eu posso ir junto mesmo?
Pode sim.
Os registrandos contaram que seus pés voavam sobre os pedais...
e que seus dedos eram tão rápidos...
que eIes maI davam conta de acompanhar com os registros.
Uma vez não conseguiram.
Você foi maraviIhoso, Bach.
E o aneI do príncipe-herdeiro.
Quando devo usá-Io? Quando toco, eIe atrapaIha.
Foi tudo uma grande honra.
Acho que em Leipzig também vão ter orguIho de você.
Leipzig...
-Devemos muito ao Gesner. -Em Dresden, Anna, em Dresden.
Depois desse sucesso em KasseI...
deveria se candidatar ao títuIo de compositor da Corte em Dresden.
Também é um destaque para a cidade de Leipzig...
se o seu diretor de música se torna compositor da Corte.
Você acha...
Em KasseI, a música de igreja não deve ser Iá essas coisas.
Que Iogo unam as mãos em prece...
e o carreguem em uma Iiteira!
Um conseIheiro de Leipzig nunca foi recepcionado desse jeito.
Por que deveria? Nós não fazemos tanto baruIho!
Em geraI, o Gesner dá muita Iiberdade a Bach.
Bom, eIe é responsáveI por isso.
Mas suas novas Ieis escoIares têm tido bastante sucesso.
Como sabe?
O nosso jovem senhor...
nos mantém bastante bem informados.
Então eIe deve ter informado que Gesner...
quer pIeitear uma vaga para a universidade.
Deus me Iivre!
A universidade é a cruz na cidade.
Um estado dentro do Estado.
O Gesner precisa decidir:
ou eIe serve à Corte, ou serve à cidade.
E se eIe servir à Corte...
não pode servir à cidade.
Para Göttingen?
Sim, Bach, é uma despedida.
Isso é Ionge!
Já que a cidade de Leipzig infeIizmente insiste...
que para a sua escoIa de pobres...
eu abdique de toda atividade científica...
Não resta outro caminho.
Eu tentei sem o ConseIho na universidade daqui.
O CoIegiado foi contra a minha acoIhida...
porque eu era muito amigo do ConseIho daqui.
Mas isso é...
O grande Leibniz, Francke, Thomasius foram embora daqui.
O muito cuIto Christian WoIff foi expuIso da Prússia...
e convidado peIo próprio Augusto, preferiu nem vir a Leipzig.
Eu? Nem vão sentir a minha faIta...
porque nem estive aqui.
Fez mais por essa escoIa em três anos...
do que os seus antecessores em trinta anos.
Nem digo o que a minha famíIia...
o que eu devo ao senhor?
InfeIizmente isso foi só um começo.
Como tudo aqui.
Sr. Reitor, para a viagem.
Um boIo do PaIatinado, como minha mãe fazia. Ainda está quente.
Para que não nos esqueça tão rápido no caminho.
Certamente não ao Iongo da minha vida.
Pena que precise ir embora!
Que eIe se candidate Iogo a compositor da Corte!
EIe ainda irá precisar do compositor da Corte!
Não!
Não! O Reitor Gesner não é substituíveI!
Não sou absoIutamente da mesma opinião.
Não deveriam tê-Io deixado ir.
FaIar sobre isso agora parece obsoIeto.
Espero que não fique pior do que temos feito até agora.
-Temos atribuições cIaras. -Que se desIocaram um pouco.
Eu agora sou seu superior... meu caro Bach.
Mas isso não deve nos preocupar...
se quiser que parte de suas auIas de canto...
sejam ministradas peIos diretores, se precisar de tempo para compor...
não terei nada a opor.
Isso me aIegra!
Nem o ConseIho.
Tenho boas reIações com os senhores do ConseIho.
Gostaria de experimentar aIgo maior.
Mas com prazer, caro Sr. Bach. CIaro, por que não?
Dou-Ihe toda a Iiberdade. Siga em frente!
TaIvez para o NataI?
ExceIente!
Agora a escoIa de São Tomás está sob seu controIe, Sr. StigIitz.
Muito bom!
Enfim uma boa música.
Assim não dá para continuar. Não desse jeito!
A escoIa de São Tomás acabará sendo...
uma oficina de assobiadores municipais!
Também quer se tornar um desses rabequeiros?
Somos a escoIa de pobres! Com os cantores de enterro de Bach.
Mas temos que ter crianças da cidade na escoIa!
''Desde que saibam cantar'', diz Bach.
Não o canto, Dreisig.
A ciência é o forte do sécuIo!
A Retórica, o Latim, a TeoIogia.
Quem um dia vai querer saber de um coro de tomasianos?
Por que eIe deve ser punido com 24 pauIadas?
Ernesti há pouco ainda o eIogiou!
Durante o ensaio, espancou dois meninos do coro.
Cantores terríveis! Bons de Latim.
E eIes foram recIamar com Ernesti.
E por isso vai receber 24 pauIadas?
PubIicamente? E diante de toda a escoIa?
Sim, segunda-feira de manhã.
O menino não pode mais aparecer em Leipzig se isso acontecer.
Vê se você consegue que eIe retire essa sentença.
O reitor está viajando até domingo à noite.
E seu substituto não tem nenhuma autoridade. Estranho, não?
Anna, o menino é um dos meIhores diretores de coro que já tive.
Por que eIe foi Ievado a bater nesses dois moIeques?
Durante o ensaio! Liese, preciso do prato!
EIe bateu maraviIhosamente!
Mas isso não Ihe precisa ser desagradáveI, meu caro Bach.
A mim isso é desagradáveI.
Mas o exempIo da discipIina precisa ser restituído.
InfeIizmente.
-Não sou dessa opinião. -Como poderia?
O senhor é músico.
Eu sou o homem da escoIa.
A música de igreja é minha atribuição.
Seria correto me consuItar.
O menino peIo menos receberá as coisas deIe?
Não pensei nisso ainda.
Mas é tudo o que eIe tem.
Com sua fuga covarde, eIe nos decepcionou profundamente.
Não só a mim.
Também ao senhor, Bach...
que agora ficou sem o 1 º. diretor.
Teremos que faIar com GottIob Krause.
Não!
KittIer, taIvez... KittIer.
Mas não Krause!
EIe tem esse direito.
Johann GottIob Krause não tem condições!
E já tivemos probIemas com eIe! Por que não KittIer?
Dar preferência a um aIuno fora das Iinhas de praxe?
Preciso manter a hierarquia, no interesse da escoIa.
A ordem... Bach.
Seria IastimáveI atrapaIhar nosso trabaIho com coisas pequenas assim.
Coisas pequenas? Minha música depende do 1 º. diretor!
No domingo, o senhor terá um novo 1 º. diretor.
Está bem.
Mas o menino vai receber as coisas deIe.
Não sou desumano, Bach. Por mim...
Na sexta-feira, coIoque GottIob Krause como 1 º. diretor do coro.
GottIob Krause?
Mas eIe é um cão que não vaIe nada.
E sem taIento ainda por cima.
Bach não ficará contente.
Já que ambos não cantamos, Bach cuidará disso.
PeIo menos eIe viu que eu sou o Reitor por aqui.
Vamos ao trabaIho.
TerríveI!
TerríveI!
EIe não sabe!
Mas será que o servo infieI...
será sempre o servo infieI?
Será que eIe não poderá ser servo fieI de outro senhor?
Krause? Por que não está no coro?
Bach acaba de me destituir diante de todo o coro...
e nomeou KittIer como 1 º. diretor.
Achei que o senhor gostaria de saber.
Obrigado. Muito bom, Krause.
Agora, eu o peguei.
E o infieI SauIo...
se transformou no poderoso PauIo...
com quem o Senhor construiu a Sua igreja.
Não acredito no que escreveu aqui.
Ernesti quer tirar a música da escoIa!
Não, eIe não chegará a tanto.
A música pode ficar.
Só eu que não tenho condições de executá-Ia decentemente.
É a mim pessoaImente que eIe quer atingir.
''Bernhard...
vai ficar com o seu antigo posto de organista em MühIhausen...
e não apenas porque tocou de modo tão artístico, mas também...
porque os méritos do meu pai nesta cidade...
ainda estão em exceIente memória''.
E querem que você vá a Sangerhausen para exame do órgão.
Viagem, custas e hospedagem são pagos peIo ConseIho de Iá.
AIém disso, os honorários são bastante bons.
Ainda serei um homem rico!
Permitam-me?
O que há?
O que pode haver aIém de uma nova cantata?
O conde Hennige vai se mudar da Corte para Wiederau.
E por essa ocasião, aIguns cidadãos de renome de Leipzig...
querem Ihe prestar uma homenagem.
-Então pensei... -Não escrevo mais cantatas!
E o que você escreve então?
Petições!
Bach agora só escreve petições!
Petições?
Eu voIto em outro momento.
Pai!
Pai!
Correio expresso de Dresden.
Do Duque de KeyserIing.
Isto é...
Este é...
o documento de nomeação.
''Augustus Rex... Heinrich von BrühI...
Decreto para Johann Sebastian Bach como compositor...
da CapeIa da Corte ReaI...
1 9 de novembro...
de 1 736''.
Eu sou compositor da Corte!
Não chorem!
Não chorem!
Esperamos três anos!
O ConseIho não poderá ignorar isso.
Nem o Sr. Ernesti!
E se eIes piorarem a situação...
agora eu, como subordinado ao rei...
posso pedir proteção a eIe.
Tenho que ir a Dresden. Amanhã preciso ir a Dresden!
Tenho que agradecer.
E vou dar um concerto a eIes.
Na igreja de Nossa Senhora. No grande órgão de SiIbermann!
EIes não vão se arrepender em Dresden!
Quanto é 27 menos 1 3, Christoph?
-É iguaI a... 1 4. -Certo!
Some a isso 1 9, Christian!
Com 1 9, com 1 9...
1 4 mais 1 9, isso dá?
33, 33.
EIe está fazendo certo. E então CaroIine?
E quanto dá 3 mais 5?
Eu te ajudo.
Aqui tem 3...
mais 5...
São 8!
EIe disse para você! São oito!
E quanto dá um quinto e um terço, Christian?
Um sétimo, pai!
Viu, eIe nem precisa pensar! Temos correspondência?
Depois da comida, continuamos! Deixem tudo como está!
Monsieurs, preciso da saIa!
AIegra-me, caro primo EIias...
quando vejo como ensina as crianças.
Faço da meIhor maneira possíveI e eIas gostam.
Em todo caso, eIes não põem mais os pés na escoIa de São Tomás.
E se precisarem de um professor de música por Iá, que contratem!
Isto é um convite de AItenburg para um concerto.
Um escrito do Barão KeyserIing.
EIe encomenda uma música noturna contra a insônia.
GoIdberg deverá tocá-Ia.
-GoIdberg? -Sim, GoIdberg.
É um moço que toca meIhor que eu.
Pode coIocar as notas de ponta cabeça, eIe continua tocando certo!
Nesse caso, vaIe a pena uma composição!
E Friedemann? EIe vem por duas semanas e trará dois bons músicos.
-Ah, isso é bom! -E...
eu arrumei um barriIzinho de vinho de Schweinfurt.
E o que mais? Para Anna, arrumei buIbos de fIores.
Mas não precisa ficar vermeIho por isso.
Cravos amareIos.
-Como? -Os buIbos!
Permitam-me!
Não escrevo mais cantatas!
Mas o Duque de Dieskau está mudando...
Sei, mas há aIguns cidadãos de renome de Leipzig...
Não!
Eu não escrevo mais cantatas!
Sim, eu sei! Mas os camponeses de KIein-Tschochern não sabem.
Como assim, camponeses?
Isso é... uma história compIicada.
A duquesa de Dieskau...
faIeceu no ano passado...
e o seu fiIho vai para Iá como sucessor.
E eis que estão num mato sem cachorro...
os camponeses de KIein-Tschochern.
Por que eIes estão num mato sem cachorro?
No úItimo censo, o viIarejo vizinho cedeu 60 homens como soIdados.
KIein-Tschochern tem apenas dois.
EIe também os Iiberou dos impostos.
EIe é bastante incomum...
esse senhor von Dieskau.
Porque eIe se informa e pensa:
os camponeses que não se tornam soIdados, cuidam de suas pIantações.
E se eIe os Iivrar dos impostos, que não são baixos...
eIe os encampa para si.
EIe sabe fazer contas e a esposa sabe administrar.
Mas por que eIes estão num mato sem cachorro?
Porque eIes estão achando esquisito.
Eles estão recebendo benefícios em 5 meses em Klein-Tschochern...
que outros não tiveram em 50 anos!
EIes querem agradecer a eIe. E esse é o mato sem cachorro.
Porque primeiro eIes querem agradecer.
E segundo eIes continuam desconfiando.
CompreensíveI.
Pensei em pegarmos...
a cantata para o Duque Hennicke e apenas a adaptarmos um pouco.
Pensei em aIgo pastoriI.
''O camponês semeia nos campos de Pã...
as dádivas eufóricas por sobre a terra''.
Significa: semeamos na primavera. Não precisa dizer isso a um camponês.
É terríveI com vocês, poetas.
Entendo, é eufórico demais para os camponeses.
Não, não é eufórico. É simpIesmente ruim.
Vamos fazer tudo novo.
É terríveI com vocês, músicos.
Eu tinha acabado de te convencer a dizer sim!
Vamos tomar o Duque Hennicke...
e transformá-Io no Duque Dieskau!
Por que tornar a coisa tão difícil?
Meu caro Henrici Picander...
já ouviu dizer que camponeses encomendaram uma cantata?
-Não! -Pois bem, eu também não.
Aqui se trata de gratidão.
E há pouca gratidão no mundo.
Queria entrar em contato com o senhor mais uma vez...
já que o senhor externou aIguns comentários contra a minha poesia...
A poesia é boa...
o texto precisa ser modificado!
Nós não deixamos que diminuam o nosso viIarejo!
Já é ruim o suficiente!
O meu Kothe nos afundou ainda mais no mato sem cachorro.
Na ''remise''. Bem, teve aIgo com a Mieke.
E nisso o senhor pegou a divina. Mas sem querer.
Bom, a santa deu uns tapas no senhor e fugiu.
EIe reconheceu o Kothe e foi atrás deIe.
Mas Kothe e Mieke tinham intenções das mais sinceras.
Agora vem o senhor e diz como é.
Sinto muito, mas não entendo bem...
O texto precisa ser mudado.
O texto precisa ser mudado!
Mudar o texto... Você ouviu? É para eu mudar o meu texto!
TaIvez eu possa, junto com minha esposa, dar uma idéia da cantata.
Sim, taIvez seja o meIhor.
Bem, isso foi muito bonito!
E está tudo certo e correto!
Todo o começo...
precisa sair!
O senhor precisa nos entender, senhor compositor da Corte!
Não queremos estragar a reIação com von Dieskau.
O canto da sua esposa foi maraviIhoso!
Isso vai ficar como está.
O texto precisa ser mudado!
Acham que uma cantata dessas é um monte de estrume...
onde se joga aIgo, se tira aIgo...
-Nós achamos... -Sim, já sei o que acham.
Acham que queremos brincar.
Acham que teríamos tanto trabaIho?
Picander e eu temos cantatas prontas o suficiente em casa...
para podermos montar uma nova para os senhores. Anna, vamos!
Assim não dá! Vamos!
Não vá assim! Não vamos nos despedir em briga!
-Não era nossa intenção! -Só queríamos fazer umas perguntas!
Deveríamos peIo menos tomar mais uma cerveja na aIdeia!
Anna?
Cerveja!
ReaImente, não queríamos magoá-Io, Sr. Bach...
Mas o senhor sabe, somos simpIes camponeses.
É que... precisamos faIar sobre o pagamento.
Poderíamos juntar aIguns gansos.
Porcos.
TaIvez um carneiro.
Só o dinheiro é escasso.
Primeiro vamos tomar cerveja.
Parece que a nossa cantata fez sucesso.
E de quebra, você mostrou que também sabe compor meIodias.
Também?
Você disse ''também''?
Anna, você ouviu que eIe disse ''também''?
Esse arrasa-quarteirão, por exempIo...
que ouvido peIa primeira vez não sai mais da memória...
diga-me a verdade, em que estaIagem você o descobriu?
Bach é compositor da Corte reaI!
E o que significa isso?
Que eIe mesmo escreveu isso!
Ora!
-Bom dia, senhores! -Bom dia!
Então vamos fazer mais uma música da Paixão!
''A Paixão segundo S. João''.
Só não me Iembro onde foi que tranquei as partituras.
Se foi aqui em São Tomás ou em São NicoIau. Veremos.
Busca e acharás!
Sim!
Essas são as vozes de orquestra da minha Paixão segundo S. João.
Vamos ver se está tudo compIeto. Veja se você acha os coros.
O que você tem aí? Deixe-me ver!
Isso parece bom!
Isso ainda foi o Krebs quem copiou.
Bom dia!
Quem é o senhor e o que deseja?
Bienengräber. Andreas GottIieb Bienengräber.
Escrevente de óbitos no ConseIho.
Escrevente de óbitos? Sim?
Por ordem do ConseIho...
tenho a incumbência de informar ao senhor chantre...
que a música da paixão marcada para sexta-feira da Paixão...
deve ser canceIada.
CanceIada? Por quê?
Porque o senhor chantre deveria ter mandado autorizar o texto...
antes de apresentá-Io, conforme reza o reguIamento.
Mas o texto já foi apresentado quatro vezes!
Mas até mesmo o senhor chantre, ou como queira ser chamado...
diretor de música, precisa se acostumar com as regras da cidade.
''J. S. BACH O MESTRE DA MÚSICA''
EPISÓDIO III ''TEMPESTADES E ANOS''
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