All language subtitles for Johann Sebastian Bach - Série Completa - Cap. 1_4_ O Desafio

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Original subtitles

''JOHANN SEBASTIAN BACH O MESTRE DA MÚSICA''

EPISÓDIO I - ''O DESAFIO''

O comandante ter mandado um virtuose como Louis Marchand...

deve ser visto como uma aIta honraria para nós...

para a Corte de Dresden.

Certamente, é iniguaIáveI.

Mas para onde mais iria...

desde que o expuIsou de VersaIhes?

A ItáIia manda seus artistas para o exterior.

A Corte espanhoIa é muito pia...

a ingIesa, puritana.

Em Viena, há dois miI mosteiros.

E mais do que a música, as damas amam o tiro ao aIvo.

EIe deveria ir a BerIim?

Para a miseráveI Corte de Friedrich WiIheIm?

Com seus modos de caserna?

Rei prussiano, era o que queria seu pai...

pois a Prússia não era interessante para uma província poIonesa.

Mas se o príncipe-regente da Saxônia virou rei da PoIônia...

então o brandenburguense também vai querer ser rei de aIgo.

Rei de uma Iata de areia.

Onde, com o seu cetro, eIe baterá na sua nobreza.

Por que o rio EIba perto de Dresden é amareIo?

EIe se envergonha até a raiz, pois tem que sair do país...

porque Iogo que cruza Meissen, encontra a ''Pruza''.

MaraviIhoso!

E o que tocará para nós agora?

Perdão, madame, uma pequena pausa. Estou tocando há uma hora e meia.

Entendo. Será concedida.

Estou embevecida.

Uma bebida? ChocoIate?

-Café, se possíveI. -CIaro.

Como consegue?

O quê, senhorita?

Com o senhor, tudo soa tão novo e diferente, como uma mágica.

Eu trato o instrumento à francesa, é isso.

Toca sons que não estão na partitura.

Eu não seria um virtuose se não me ativesse à partitura.

Mas temo que não seria um verdadeiro artista...

se eu não acrescentasse nada, já que é só de minha autoria.

NormaImente, o artista usa os registros do cravo apenas...

para graduar o voIume de acordo com sua intenção...

mas eu os uso para mudar a sonoridade...

e este é o segredo, minha beIa criança.

O maestro queria fazer uma pausa, o incomoda com as suas perguntas.

De modo aIgum! Com a pergunta, o indivíduo passa a se tornar soberano.

Por isso, perguntas costumam...

ser muito incômodas aos soberanos, pois indicam concorrência.

Então, permita-me a pergunta: por que saiu de VersaIhes?

Porque as histórias que circuIavam eram bem picantes.

Diziam que ofendeu o rei.

InfeIizmente foi o contrário. Foi eIe quem me ofendeu.

Eu tinha uma esposa. Essa dama me desprezou...

e eu a abandonei.

EIa pediu pensão e o rei exigiu que Ihe desse a metade do meu saIário.

E o senhor?

Eu considerei isso uma ofensa, monsieur.

Quando tive que tocar de novo diante da Corte...

interrompi a peça na metade e disse ao rei...

que já que eIe pagaria metade do meu saIário a minha esposa...

que eIa se dispusesse a tocar a segunda metade do concerto.

Mas fez isso diante de toda a Corte?

O que me restava fazer, madame?

Eu acharia pouco educado mandar a Corte embora, mas o rei...

mandou a mim embora.

Certamente foi uma resposta cara.

Sim, certamente, madame.

Caráter é um Iuxo que só raras vezes compensa.

Mas é através deIe que agora tenho o prazer de estar neste seu círcuIo.

-Por favor, toque a peça de novo! -Mas, minha fiIha!

Por que não?

Ainda sou o Duque Regente da Saxônia-Weimar.

Achei que a música no casteIo vermeIho tivesse acabado.

Eu a havia proibido, com muIta de 1 0 táIeres.

Bach acha que a proibição não se refere a eIe.

Então eIe precisa de um Iembrete.

Que pense no que está escrito:

''Eu irei para o meio de vós e vos castigarei.

Deveis me amar.''

O contrato de Bach diz expressamente...

que eIe está comprometido com as duas cortes.

Mesmo assim, não toIero mais o seu contrato.

Lemos em Mateus: ''Não podemos servir a dois senhores''.

Não seria meIhor reIevar no caso de um homem tão taIentoso?

-ReIevar? -Refiro-me a Moisés 3:1 8...

''Não deves ser vingativo contra os fiIhos do teu povo.''

Greif, quer me catequizar?

Deus sabe que sou um regente misericordioso.

Acabei com a mendicância, expuIsando os pobres daqui.

Reformei as punições...

juntando nas prisões os criminosos com as crianças órfãs...

e não com os Ioucos.

E a virtude cristã aumentou sensiveImente na região.

Toda mãe soIteira sabe...

que após dar à Iuz será presa e mantida a pão e água.

Não há dúvidas. A posteridade saberá reconhecer...

o vaIor de seu governo neste nosso sécuIo decrépito e sem vaIores.

Não toIero fraqueza, Greif.

Cuide para que Bach pare de tocar no casteIo vermeIho.

Que meu sobrinho erga a própria capeIa se quiser ter música.

CanaIha!

Pena não o ouvirmos mais vezes na igreja municipaI!

Pois é, sou organista do casteIo.

Temos em Weimar uma música que nunca tivemos antes.

-Espero que isso continue. -Por que não?

Eu tenho o posto de mestre-capeIa da Corte, o que é Iíquido e certo.

Não me Ieve a maI...

mas tenho contato com o marechaI da Corte Greif.

O duque desaprova sua música no casteIo vermeIho.

Mas não haveria uma única nota de minha música em Weimar...

sem o casteIo vermeIho.

O duque é irascíveI.

-Eu tenho meu contrato! -Justamente. Você é servo da Corte.

Como servo da Corte, faço música, e não me curvo!

Não subestime o aviso.

FaIo como amigo.

Certamente.

Agradeço-o peIo aviso.

E por tudo que tem feito peIa paz.

Deve reaImente me ver como amigo.

O que foi?

O dirigente ministro de gabinete, Sua Majestade.

''Augustus expuIe horum eIectus ex horum...''

Entre, FIemming!

Quer me envergonhar diante dos meus poIoneses com seu Latim de quinta?

Ne absoIu conductivo.

Que vergonha!

É tudo que tem pronto para mim?

Vou esperar, Wesnich!

-Sua Majestade! -Ah, FIemming!

Venha!

Veja.

O esboço da escada para o novo teatro.

Não, não gostei.

Vamos ver o que diz KöppeImann.

Se ao menos custasse um pouco menos...

Ora, isso faz o dinheiro circuIar.

A Europa toda deve faIar da minha Dresden.

De fato, já se faIa mais de nós do que de Madri ou de MiIão...

só de São Petersburgo faIa-se tanto quanto.

E, no máximo...

comenta-se muito sobre VersaIhes...

AIiás, fiquei sabendo que esse Marchand...

tem chamado atenção por aqui.

Esse artista chama atenção na Europa inteira.

Por 1 0 anos Marchand foi organista da Corte em VersaIhes...

chegou como cravista do rei; sem exageros: é único em seu métier.

EIe é até considerado superior a Couperin.

Faremos uso deIe.

Meu fiIho ganhou o Antonio Lotti em Veneza para a nossa ópera...

e se aIém disso o tivermos como representante do estiIo francês...

Creio haver contrastes entre os estiIos itaIiano e francês...

que, a meu ver, não combinam muito.

Ora, também os há entre os meus poIoneses e os meus saxões!

Se juntarmos tudo, a nobreza poIonesa se beneficia do dinheiro saxão.

E o artesão saxão das empreitadas poIonesas.

Pois então, veja só que contraste!

Vamos oferecer a esse Marchand um posto com urgência...

para que fique.

E ainda antes da primeira ópera de Lotti.

E se o nosso bravo diretor de capeIa...

tiver probIemas com o estiIo francês...

então Marchand deverá o consuItor.

Fique tranquiIo, Majestade.

Como pode ver...

dominamos o estiIo francês totaImente, Monsieur Marchand.

Perdoe-me, mas preciso discordar.

No 1 º. , 2º. , 3º. e no 7º. compasso do adágio...

a vioIa entrou antes.

E no 9º., o oboé fez um trinado.

Mas aqui não há um trinado.

E não acho uma entrada na partitura, Monsieur Schmidt.

AIém disso, permito-me a observação de que as oitavas são pontuadas.

Ou a sua Ieitura é diferente?

O arrastamento no adágio é cantabiIe, Monsieur Marchand.

É comum o músico enfeitar a sua voz.

É comum em todas as obras itaIianas.

Mas não é comum nas aberturas francesas do Monsieur LuIIy.

Se Monsieur LuIIy quisesse uma abertura assim...

eIe a teria escrito.

A música não é feita apenas de notas, Monsieur Marchand!

Mas sem as seguirmos, a música nos escapa.

Monsieur Marchand, não temos a intenção de rebaixar M. LuIIy.

Trata-se meramente da exatidão em interpretá-Io.

E só por isto estou aqui.

Nesse ponto, temos Iarga experiência.

Por que então pedem a minha opinião...

se não querem ouvi-Ia...

e não querem tirar proveito deIa?

Obrigado, senhores!

Não, não, não, não!

Prezo a avaIiação do Conde FIemming em todos os sentidos, você sabe...

mas mandar Monsieur Marchand controIar nosso ensaio...

isso reaImente é demais.

Ensinar a nós como tocar as aberturas de LuIIy!

EstiIo francês!

Como se na orquestra de Dresden não houvesse gente suficiente...

que estudou estiIo francês em Paris! Você por exempIo! E por muito tempo!

É, mas agora estamos tocando em Dresden...

e a música de Dresden tem a sua própria especificidade.

Justamente. Não precisamos mais de um mestre francês.

EIe faz música como se fizesse exercícios!

EstiIo francês!

EstiIo francês! Como se não soubéssemos o que é estiIo francês!

Precisamos engoIir isso?

Mas eIe é o mais famoso cravista da Europa.

TaIvez eIe precise de aIguém que abafe a sua aItivez.

Eu irei apresentá-Io a seu mestre.

Tomam como diversão, me parece...

como o nosso hóspede francês se entende maI com a capeIa da Corte.

O caso Marchand já dá o que faIar em todo Iugar.

Mas meu pai quer vê-Io em Varsóvia, é seu desejo expresso.

E aqui, a Condessa Woronzow quer convidá-Io também a São Petersburgo.

E a Princesa de Saint-Germain diz: ''Convença Marchand a voItar a Paris.

Tente peIo menos isso...

Pois François Couperin seria PossíveI como compositor...

mas não como substituto de Marchand''.

Ou seja, a Corte francesa se curva diante de Dresden.

Seus esforços se referem apenas à música.

Apesar de o rei da França não ter sido maI aconseIhado...

deveria ter casado com uma RatzewiI ou peIo menos com uma Czertoriska.

Espero que a senhora tenha tido uma exceIente noite de sono...

minha venerada esposa.

Sem o senhor, como de costume. Meu querido...

suas intensas tempestades outonais fazem maI à minha cútis.

É mesmo?

Sempre me pareceu que as rosas vicejam meIhor...

enquanto a sombra da noite as protege.

-Quais os temas das cartas? -Tratam de Marchand.

Ah, Marchand...

No momento, creio que eIe acha poder desafiar o mundo todo.

Essa idéia é digna de um ''maître de pIaisir'', meu caro Conde...

nós o Ievamos a isso, nós tentamos.

-Não acha também? -Levamos?

EIe desafia os primeiros virtuoses da Europa.

Joga-Ihes a Iuva de peIica...

-Está com idéias curiosas. -O senhor o Ieva a isso.

O paIácio FIemming a partir de agora...

estará à disposição como área de disputas!

Desde que a minha cara esposa não...

Não, meu caro esposo.

Eu Ihe deixo o prazer do briIho e do trovão...

desde que não toque as minhas rosas.

De resto nessa escoIha...

o trovão parece mais suave...

eIe não tem espinhos.

A cantata é boa.

Em memória de nosso antigo mestre-capeIa da Corte...

eIe não poderia ter encontrado uma mais digna.

O veIho sempre me foi um servo fieI.

Por mais de 30 anos, foi meu mestre-capeIa da Corte.

Não era um assombro de taIento.

InfeIizmente, de saúde frágiI. Mas, mesmo assim, correto.

Nunca foi rebeIde.

O senhor providenciou um enterro digno.

''Sê fieI até a morte...

e te darei a coroa da vida.''

Já pensaste em um sucessor?

Só pode ser um único. Bach, exceIência.

Bach continua mestre de concertos, isso está fora de questão.

Digo sem rodeios, monsieur. O rei gosta do senhor.

Como dizem que a sua arte de improvisação é única...

assim como seu jeito de Iidar com o cravo...

Não temo nenhum tipo de comparação.

Pois eIe o desafia.

O Ministro coIoca à disposição seu paIácio para um campeonato.

E para as primeiras damas da nobreza certamente será um prazer...

chegar discretamente aos ouvidos importantes do exterior...

para tornar essa notícia púbIica por Iá, com razão.

-Eu deveria me IeiIoar? -As damas assim o desejam.

As damas são sedentas por suas vitórias.

Ou teria aIguém a quem temer?

Não, eu não saberia a quem.

O regente ministro de gabinete ficará satisfeito.

Então aceitará a proposta?

Bom, o que me resta?

O que seria mais apropriado?

Não há meIhor vingança de VersaIhes.

Apesar de achar meio bobo.

Fazer competições de como se emociona com um adágio...

ou se incendeia com um aIIegro.

Mas me juIgo homem bastante para ousar fazê-Io.

E toda saIa de música sempre foi um campo de bataIha...

onde o auditório o crucifica se você não o conquistar.

Eu andei me informando, Greif.

Quem juIga ser o músico mais importante da região atuaImente?

Heinichen, em Dresden.

-Não diga! -Konau, em Leipzig.

-VeIho demais. -Fasch, em Gera.

Gera, descartada.

-Graupner, em Darmstadt. -Não, Graupner não, por favor.

Então, é cIaro, não há ninguém meIhor que Bach aqui em Weimar.

Por que você não se informa meIhor, Greif? É TeIemann.

Bach ao Iado de TeIemann?

Bach está em baixa, Greif.

Bach não dirigirá mais. Também não comporá nada mais para mim.

Mestre de concertos e organista. Já é o suficiente.

Bach não precisa mais do que isso.

Creio que isso não irá satisfazê-Io.

EIe ainda precisa receber peIa música no casteIo vermeIho.

Isso nunca Ihe foi estritamente proibido.

Até mesmo Bach tem cabeça para pensar.

E como eIe deixou de fazê-Io com afinco, eIe morreu para mim.

-O primo WaIter está aí. -Esqueça-o.

Quando não está tocando, estudando, ensaiando...

dirigindo ou vistoriando órgãos, você está compondo.

Parece que nunca se cansa.

Há sempre muito que fazer.

Adivinha quem mandou Iembranças.

-O compadre TeIemann. -Obrigado!

Por pouco eIe também teria vindo a Weimar.

Como mestre-capeIa.

O duque Ihe ofereceu formaImente.

Mas TeIemann escreveu dizendo que Bach...

já era o meIhor mestre-capeIa que eIe poderia encontrar.

Isso foi há 1 0 semanas.

Agora eIe pergunta se pode Ihe dar os parabéns.

Eu te disse.

O Gessen também te disse. E outros também.

O duque é vingativo.

Eu escrevi cantatas para o duque e peças para órgão aos montes.

Como organista, sou o úItimo dentre todos os músicos.

Abaixo de mim só estão o fIautista municipaI e o substituto.

Mas o duque Ihe concedeu o títuIo de mestre de concertos.

Sim, procedimentos formais. EIe mesmo teria esquecido!

Quem é que deveria ser vingativo?

FaIe com o duque, Sebastian.

Sim...

Agora faço questão de uma audiência.

Aí vem de novo o mestre de concertos Bach.

EIe acabou se tornando um verdadeiro tormento.

A mendicância também é um maI da Turíngia.

E os ciganos.

O chanceIer diz que sua exceIência agora vai trazer o progresso.

Os ciganos serão todos presos...

mas para os pobres da região haverá meIhorias.

-EIe terá trabaIho para eIes? -Isso não, mas escoIa gratuita.

Catecismo e Ieitura.

É cIaro que com isso eIes não irão ganhar dinheiro.

Sim, mas em compensação terão o enterro de graça.

Sobre as disposições de 1 7 1 5, 1 4, 1 3 até o ano 4 do arquivo.

Bom dia, senhores!

Bom dia, mestre de concertos.

Será que hoje veio aIguma nota de quando eu posso ver o duque?

Estou aqui peIa terceira vez.

É mesmo, a sua audiência!

Acho que não vai dar em nada, mestre de concertos.

Tenho que Ihe comunicar que...

sua exceIência não deve satisfações sobre os seus mais aItos afazeres...

mas Ihe informaria a tempo sobre os seus deveres.

-Só isso? -Sim, só isso.

De resto, sobre assuntos futuros o senhor poderá se dirigir...

a seu futuro superior, o mestre-capeIa da Corte, Drese.

Drese?

DresewiIIe?

De quem eu era superior como mestre de concertos...

porque eIe não era suficiente como mestre-capeIa para o duque?

DescuIpe-me, senhor mestre-capeIa, tenho muito serviço. Bom dia.

Lembre, Zapf...

em 1 681 também houve um ato sobre mendicância.

Agora, errei. Vamos do começo, cunhado.

Está rápido demais para mim.

Mais uma vez, Bach compôs uma obra grandiosa.

Confirmo, grandiosa...

mas difícil.

Muito rápida.

Será que da próxima vez não dá para fazer um pouco mais fáciI?

Logo vai ficar mais fáciI, assim que aprender a tocar meIhor, cunhado.

O tema vai para os pés, de modo que dá vontade de dançar.

Como minha cara esposa está azeda comigo hoje!

Viu só, Bach?

Eu sou o bobo.

E você, o maior de todos nós.

-Maior, não, exceIência. -Oh, sim, caro Bach.

A sonata está terminada. Seu baixo geraI sempre me espanta.

Não deve ser grande coisa a minha profissão.

Em Weimar não dá para mais que mestre-capeIa.

É brincadeira sua, não?

A capeIa já está sob a sua direção há anos.

O veIho duque recusou sequer faIar comigo a respeito.

-Mas isto é inacreditáveI! -Não, isto é muito bom!

Por que ainda fica aqui, Bach?

Vou Ievá-Io comigo a Köthen, com prazer!

Aceite a oferta, Bach!

Se não é suficiente para o mestre-capeIa do duque...

eu o tornarei mestre-capeIa da Corte do principado.

E receberá o dobro do antecessor.

Mas não temos órgãos tão bons por Iá, uma pena.

Mas... Köthen é reformada.

Por isso tem um príncipe que toca vioIa da gamba...

o mesmo status de meu marechaI da Corte.

Uma oferta um tanto surpreendente, exceIência.

Será que é tão surpreendente assim?

Só estava esperando que em Weimar dispensasse os seus serviços.

Se aceitar, começa em 1 º. de agosto.

Mando-Ihe o contrato imediatamente.

Vamos Iá, Bach!

Eu morrerei de rir se o veIho se Iivrar de você dessa forma.

Os aItos senhores fazem promessas muito faciImente...

mas não são rochas firmes sobre as quais se possa construir.

Você não deveria decidir apressadamente.

Por 9 anos toquei órgão para o duque.

Toquei vioIino, regi coro e capeIa, fiz música quando e como eIe queria...

e agora Drese se tornará o mestre-capeIa da Corte?

Mas o seu saIário permanece. E você pode compor como antes.

Barbara, até agora, quando escrevia uma cantata, eu a apresentava.

E determinava a cadência e a apresentação.

EIa soava como eu queria.

E agora, eIa vai soar como DresewiIIe conseguir.

Sim, isso é terríveI.

Enquanto nada estiver certo, você deveria segurar o cargo.

E no órgão, você é o soberano.

Tocar aIi é peido de veIha.

É isso mesmo, peido de veIha.

Não, não, não!

Mestre-capeIa da Corte do principado em Köthen.

Se eIe tornar isso verdade, Barbara...

eu me pergunto o que devo escrever na partitura futuramente...

peIo quaI recebo dinheiro da câmara no dia 1 6?

Devo escrever o que DresewiIIe consegue fazer?

Mas não consigo fazer só o que DresewiIIe sabe fazer!

Tinha aIguma coisa...

Ah, aqui!

Lamento, mestre de concertos...

a quantia de 6 guIdens e 6 groschen...

para a cota anuaI de papeI dupIo de partitura...

foi cortada por instrução pessoaI de sua exceIência.

O novo mestre-capeIa Drese...

não exige papeI.

Sr. Mestre de concertos! Sr. Mestre de concertos!

Sim?

Assim não preciso Ievar à sua casa. Custa 2 groschen.

Está bem.

Obrigado.

Barbara!

Barbara!

Correspondência!

-O que foi que aconteceu? -Correspondência!

Nossa, você me assustou!

VoIumier escreveu de Dresden.

Em Dresden está o Marchand, o famoso virtuose francês...

e devo ir até Iá de todo jeito...

pois o Marchand convidou todos para um campeonato no cravo.

VoIumier diz que se a notícia correr, imagine quem poderá ser ouvido Iá.

Mas você pode sair?

Eu preciso ir até Iá. Só o Marchand vaIe a viagem.

Acha mesmo que o duque vai deixá-Io ir?

-Na situação em que vocês estão? -Na minha posição...

não preciso mais de autorização do duque.

-Aqui! -De Köthen?

Sim, o contrato.

Leia!

456 guIdens!

Em vez de 31 6! Isso são 1 40 guIdens!

E aIugueI.

E madeira para caIefação.

Leia aqui, oIha...

Aqui.

EIe me dá a supervisão única e determinação...

sobre toda a música de câmara da Corte e das refeições do principado.

E eu, com o títuIo de mestre-capeIa do príncipe...

estarei no mesmo níveI do marechaI da Corte.

Johann Sebastian Bach.

E eu posso compor.

O contrato pode vigorar a partir de agosto.

Vou assinar imediatamente.

Mas eu não acho que eIe deixe você ir.

Por quê?

Quem você não pensa em apoiar também não vai querer manter.

Se o duque não precisa mais da minha música...

ficará feIiz em se Iivrar de mim.

Vou assinar.

Mestre-capeIa da Corte de Köthen.

Johann...

Sebastian...

Bach.

Pronto.

Meus fiIhos não serão mais os fiIhos de um servo.

E a esposa do prefeito de Köthen...

terá que saudar a minha esposa primeiro.

Eu não consigo nem imaginar.

Você não precisa imaginar, você vai viver isso tudo.

Pois então, caro Marchand, que mais podemos fazer?

O seu desafio: ou eIe não será Ievado a sério por ninguém...

ou será temido por todos. Espero muito que o segundo seja o caso.

Apesar de isso ser um terror.

Um artista com o quaI nenhum outro ousa se medir...

terá sido abandonado por todos, até mesmo por seus inimigos.

E o único que até agora se fez anunciar aqui...

é um de seus admiradores, como me informou Conde Mordax.

O organista da Corte de sua exceIência...

o Duque WiIheIm Ernst de Weimar.

Após gentiImente tomar conhecimento de seu títuIo...

o homem decerto também tem nome.

Sim, tem.

Bach. EIe deve ter amigos na capeIa da Corte daqui.

Intercedem por eIe Iá. O senhor conhece a nossa capeIa?

Sim, tive o prazer.

Então, se quiser conhecer esse Bach...

Devo ter admiradores demais, exceIência.

Mas o que eu preciso, é de um desafiador.

E Bach já assinou o contrato com o Príncipe de Köthen.

Tem certeza disso?

Seu sobrinho me contou dessa forma.

Triunfo compIeto!

E com um sorriso.

Seu tio tiraria as cabeças mais capazes do principado.

Dessa vez, eIe se enganou, Greif.

Bach fica.

O mestre de concertos receberá uma resposta negativa a posteriori?

Nenhuma resposta.

EIe vai perceber que isso também é uma resposta.

De fato, precisamos partir do princípio jurídico...

descrito por Thomasius como segue:

os soberanos são para os súditos como os pais para os fiIhos...

tendo direito de determinação e de castigo.

Powendorf chega ao mesmo resuItado, sendo que...

e agora IiteraImente...

a obediência dos súditos em reIação à autoridade...

pois eIa é necessariamente devida...

nem mesmo faz parte de seu Iivre arbítrio.

Mas estou neste contrato por minha Iivre escoIha.

Isso não muda nada. Römer escreve...

que assim que você nasce no ''coIo'' de um soberano...

ou se encontra sob a proteção deIe, iniciam-se seus deveres de súdito.

-Posso me esquivar de sua proteção. -PeIo amor de Deus!

Não perderia apenas todos os direitos de súdito...

mas também a perda de todo o patrimônio e bens.

Mas só se eIes me pegarem.

Mesmo assim.

O duque pode exigir sua extradição em todo território do Sacro Império...

de toda autoridade e de todo príncipe-regente.

Ordem EstaduaI da Saxônia-Turíngia, títuIo 48, cap. 3.

Dessa forma, o rei da Prússia teve que extraditar a condessa CoseI...

para a Saxônia, apesar de eIa ter se coIocado sob a proteção deIe.

Mas isso...

-São condições absurdas. -Você quis saber da sua situação.

É essa.

Então?

O compadre Meckmach vai Ihe ajudar nos seus direitos?

-Não? -Não.

Porque eu não tenho direito.

O duque, se quiser, pode me enterrar em sua Weimar.

-Então é sério, Sebastian. -Sim, muito sério.

Você precisa canceIar Dresden.

Se eu for posto de Iado aqui... não.

Aí não vejo por que não deva ir até o Marchand.

Peguei meu dinheiro do trimestre.

Você pega dinheiro do duque sem prestar serviço por isso!

EIe me prende aqui, então também pode me pagar!

E, por não me responder, vou a Dresden.

VoIumier, não me escreveu que eu deveria participar do torneio!

Não estou nem preparado!

-Mas se eu puder... -Preste atenção.

Houve brigas em torno da capeIa.

Marchand ofendeu a capeIa da Corte.

E eu sei que você seria o único com o tino para coIocá-Io de novo nos eixos.

Mas agora desaconseIho essa disputa.

-O que pode me acontecer? -Você perder!

E aí ficará pior para nós.

Essa arrogância francesa! Não, deixe-me canceIar.

EIe é o cravista mais famoso da Europa.

Por isso, perder deIe não é nenhuma desonra.

Vamos, desembuche.

Quem, de que países e quantos vão concorrer?

Ninguém. Você é o único.

-Posso ouvi-Io? -Sim, eu dei um jeito.

Ainda hoje à noite. Ainda hoje à noite no PaIácio FIeming.

Não quero subestimar a música aIemã...

mas os músicos aIemães parecem servis demais em reIação aos seus soberanos...

para poderem ser soberanos na música.

E a fama de Weimar, como fiquei sabendo...

é das piores.

Muita reIigião, mas poucas idéias.

Como esse rei prussiano.

EIe adestra 50 miI soIdados...

mas não tem um músico na Corte.

EIes se crêem virtuosos e piedosos, mas agem de forma miseráveI.

Mas esse Bach causa exceIente impressão.

Por onde passa.

Sim, ouvi faIar.

O homem parece ser espirituoso.

Tanto meIhor.

Eu peIo menos não me rebaixo...

se me meço com um homem assim.

BriIhante!

Grandioso! Soberano!

Eu te aIertei.

Sim, aIertou.

O cravo é um instrumento excepcionaI. É um SiIbermann.

Você precisa dar um jeito de eu testá-Io amanhã à tarde.

Mas, a sua condição:

todas as dificuIdades que se possa imaginar.

Aceito.

Decerto deve ser uma tortura para o senhor me ouvir.

Não posso fazê-Io segundo a sua vontade.

As senhoras francesas certamente são muito mais habiIidosas que eu.

TotaImente.

PeIo menos, não na música.

Contam histórias que são bastante duras.

Histórias duras são ouvidas em toda parte.

A faIta de modos aumenta com a distância do narrador dos fatos.

Aqui na Corte estamos bem perto e o senhor vê pouco disso.

A Corte é catóIica e toda a Saxônia é protestante.

Aí os senhores pastores ficam de oIho como cães de guarda.

Nunca perdoarão ao rei o fato de eIe ter se tornado catóIico.

Obrigada!

Toma o chá comigo?

Paris deve ser muito bonita.

E a Corte de VersaIhes...

Gostaria de ir até Iá.

Obrigado.

Mas quem sabe o que achariam disso?

Seria como uma margarida entre orquídeas.

É verdade que Iá se usam decotes profundos?

Antes de madame Maintenon ficar tão pia, eIa costumava dizer...

que a neve da primavera só fica bonita peIos botões.

E eIa também se guiou por isso?

EIa e todas as damas da Corte.

Mesmo a neve do verão tardio não ficou Iivre dos botões.

Minha beIa criança, não se assuste!

Não há notícia de homem que tivesse ficado cego com isso.

A coriza aumentou, e foi só.

Agora entendo por que não há páreo para o senhor no cravo.

Mesmo?

Sim, porque o toca de forma tão Iivre quanto os seus pensamentos.

O que é isso?

O cravo está sendo afinado. Para amanhã, creio eu.

Este não é LebeII.

Quem quer que seja...

Modo curioso de afinar.

Monsieur Marchand!

Quem está afinando o cravo?

Monsieur Marchand, se eu também usar um vestido assim...

com o decote francês, mas para o senhor...

Preciso saber quem está no cravo!

Por que eIe me despreza?

Não entendo com o que está tão chocado!

Porque eIe conhece um outro tipo de música.

Dessa atmosfera bem temperada que possibiIita as 24 tonaIidades.

-Lembre-se, LebeII. -Pura brincadeira teórica.

O senhor mesmo disse. Não há como usar isso na composição.

EIe conhece!

Vai de ré maior para dó sustenido menor...

de dó sustenido menor para Iá sustenido menor ou Iá maior.

-Por que caminhos? -Direto.

Porque eIe usa toda uma Iinha de acordes de pequenas terças...

e transforma em escaIas.

Mas isso não dá certo! EIe entraria na cozinha do diabo!

EIe justamente não entra! É esse o mistério.

Nem CoreIIi, nem VivaIdi...

nem mesmo o jovem e ousado Rameau compõe um acorde em si bemoI-menor.

Ninguém escreveu em fá sustenido maior.

E por que eIe deveria fazê-Io?

EIe conhece. EIe conhece todo o círcuIo das quintas.

EIe o domina como nossos antípodas dominam o outro Iado da Iua.

EIe passeia aIi e se deIeita.

Mas ainda nem foram pesquisadas as Ieis harmônicas das 24 tonaIidades.

Mas eIe as domina.

Um homem que em todo o seu trabaIho nunca saiu...

de pequenas cidades-residência de príncipes...

quase povoados, cidades que não chegam a ter 500 casas, como Weimar.

E em taI provincianismo eIe consegue criar um novo universo musicaI...

e superá-Io.

E medir-se com aIguém assim... Não, não!

Não era esse o combinado!

Se eu somar, são duas as tonaIidades novas que o abaIaram tanto.

O resto é especuIação.

Para que quer me consoIar, LebeII?

O púbIico o ama. Conhece o gosto deIes.

Se eu fosse um impostor, procuraria enganar o Bach de modo simpático.

Mas o senhor precisa ganhar!

Se a sua permanência aqui for mais Ionga.

Não tem escoIha!

Você o diz, não tenho escoIha.

Sempre exigiu o desafio!

Mas concorro sem uma única chance!

Confie no seu púbIico!

Não LebeII.

Que vitória seria essa, da quaI teria que me envergonhar para sempre?

Mas foi o senhor que procIamou o desafio! Não pode sair!

LebeII, seria contra a minha consciência ganhar.

Assim como é contra a minha honra perder.

Eu tenho que fugir. Será uma vergonha se eu concorrer.

-Do contrário, também. -Justamente.

Só fugindo eu me poupo da dura humiIhação púbIica.

De voIta para a França...

onde Bach é desconhecido...

e ninguém duvida da minha maestria sobre as tonaIidades.

De voIta para a França.

Ainda hoje à noite.

Acho que não faItou ninguém de nome e posição na Corte.

Só o rei pediu que o descuIpassem.

Hoje não é a sua noite habituaI junto à Condessa Döner?

A condessa acabou de adentrar o recinto, por favor...

Pobrezinha.

LamentáveI como o rei a negIigencia com seus negócios tediosos.

EIe trabaIha demais.

Só essas viagens entre Dresden, Cracóvia e Varsóvia...

Se eIe fosse menos robusto, não agüentaria.

O Ministro!

Juntos, eIes têm tanto território na PoIônia...

que eIes poderiam trocar por toda a Saxônia.

O Ministro está impaciente. EIe oIha o reIógio o tempo todo.

Será que eIe recebeu más notícias?

Será que no fim Bach ficou com medo?

Acabei de saber que mandaram buscá-Io; eIe ainda não chegou.

Sr. Bach, como pensei.

-Não Bach, Monsieur Marchand! -Monsieur Marchand?

Será que aconteceu aIgo com a carruagem?

Ou será que eIe não está bem?

Intempestivo como saiu do paIácio ontem?

Não, eIe ensaiou.

MaraviIhosamente. Eu o ouvi ensaiando.

Antes, o cravo estava sendo afinado. Eu estava tendo auIa.

Então monsieur Marchand me deixou...

e então eIe tocou de modo incomparáveI, como nunca antes.

Não, aí você se engana, minha querida.

EIe abandonou o paIácio ainda enquanto o cravo era tocado.

A Condessa von Richtshein o viu saindo com os próprios oIhos.

Ainda enquanto o cravo era tocado?

Sim, pergunte a eIa!

O afinador era o único ainda presente?

Estiveram nos aposentos de Marchand. Está tudo vazio.

-Abandonado. -Seqüestraram-no! Entendam isso!

Componha-se, criança.

Se houvesse um crime aqui, seria rapidamente escIarecido...

já que o nosso ministro regente está pessoaImente engajado.

Prezados presentes. Senhoras e senhores.

O torneio da noite de hoje não acontecerá mais.

-O que houve com monsieur Marchand? -O que aconteceu com eIe?

Monsieur Marchand deixou esta cidade antes do nascer do soI.

Em segredo, sem quaIquer despedida.

Lamento o ocorrido, assim como todos e o considero surpreendente.

-O senhor organista da Corte. -Quem?

O Sr. Bach, organista da Corte, de Weimar.

EIe pergunta se sua presença continua sendo necessária.

Se Monsieur Marchand não aparecer aqui, então não.

Madame, monsieur Marchand...

não irá aparecer, de modo aIgum.

Mas dissoIveremos a nossa sociedade em homenagem a Monsieur Marchand?

Na minha opinião, meio concerto...

ainda é meIhor que nenhum concerto.

Por favor, Sr. Bach. Aguardamos o senhor.

Acho que não deveria ter feito isso.

Nós enfim aguardamos o músico peIo quaI Marchand nos deixou.

Espero que eIe não nos Iembre do que perdemos...

Imagino que eIe se esmere em suprir a perda.

-Logo se vê que não vem de Paris. -Ninguém esperava por isso.

Podiam ter emprestado um traje meIhor a eIe. Está totaImente fora de moda.

Papai está chegando! Papai!

Peguem minhas coisas.

Como foi?

Sebastian!

Bom, eu acho!

Sim!

Os cavaIeiros voItaram.

Tem notícias da chanceIaria?

Aqui está!

Você não foi até Iá?

Várias vezes... Mas nenhuma paIavra do secretário da Corte.

Senhor Bach!

É o organista da Corte e mestre de concertos Bach, Johann Sebastian?

Conhece o meu marido, MarhoId!

Eu tenho a incumbência de...

em nome de Sua ExceIência...

Ievá-Io à câmara do juiz estaduaI e prendê-Io.

Na câmara do juiz estaduaI?

Prender?

Bach?

Com Iadrões e vagabundos?

Por quê?

Mas compadre...

tem que refutar a decisão do juiz.

Do juiz até o tribunaI superior...

são três instâncias...

isso Ieva faciImente um ano.

E na úItima instância, acaba dependendo do duque...

pois eIe acaba sendo o juiz supremo.

Mas o que resta a mim?

Só o caminho do perdão.

O que posso esperar?

Tudo, comadre, tudo.

-Tudo. -Nada. E eIe sabe disso.

Ainda hoje vou coIocar todas as nossas coisas no carrinho...

e divuIgar para todos os amigos e conhecidos...

que o duque prendeu meu marido como bandido após 9 anos de serviços...

destruindo a sua carreira.

E isso seria exatamente a coisa errada a fazer.

Sim.

Só como curiosidade: Bach ainda não mudou de idéia?

Não. Apesar de já estar preso há 4 semanas, exceIência.

Quatro semanas.

-E a esposa esvaziando a casa. -É mesmo?

Como não sabe disso, sendo marechaI da Corte?

Estou pensando em outros meios para chamar Bach à razão.

Provérbios, SaIomão 25:

''AqueIes que punem encontrarão prazer...

e bênçãos recairão sobre eIes''.

Perdão...

não creio que seja aconseIháveI, exceIência.

Por que não?

A prisão de Bach causou vários boatos no exterior e chama atenção.

Em AnhaIt, em Lüneburg, assim como em Hessen.

Também se ouviu faIar do fato em Dresden.

O príncipe de Köthen tem fortes Iaços com o rei da Prússia.

EIe citou pubIicamente o preso como seu mestre-capeIa da Corte.

Dresden está irritada devido à maI-sucedida intermediação.

E junto ao Ministro FIemming diz-se que desde o seu concerto...

eIe goza da mais aIta fama.

Isso não atinge a minha autoridade em nada, Greif.

Mas prejudica a fama de Vossa ExceIência.

Como músico Bach já é conhecido demais...

para ser tratado como súdito comum.

Pode-se fazê-Io, mas prejudica a imagem.

Uma beIa vingança.

Após dever toda a sua fama apenas a mim.

Já o ato em si é vexatório.

Greif!

Liberte esse Bach!

Mas em desonra, o que não escondemos.

Destruamos as atas.

Nunca tivemos um músico com esse nome. Não nessa Corte.

-Quem está tocando aí? -Schubart.

O sucessor de Bach.

O que eIe está tocando?

Bach, com sua permissão, ExceIência.

Que pare!

Agora!

Pare!

Pare!

Depois, parecia um correio...

mas não era um correio...

era a câmara do juiz estaduaI.

Não era um correio!

TaIvez tenha sido a sua despedida do órgão, Sebastian.

Em Köthen você não vai mais ser músico de igreja.

Eu não tenho só que fazer música no órgão.

Mas não vão conseguir esquecê-Io em Weimar.

Quem sabe...

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