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"Eu, que vivo no abrigo do Alt�ssimo,"
"que habito � sombra do Todo-Poderoso,"
"direi ao Senhor..."
Annie.
Est�s a� dentro?
Annie, querida, posso entrar?
Querida?
Annie, abre a porta, por favor?
Annie, deixa-me entrar.
Abre a porta, Annie.
Annie.
Deixa-me entrar, Annie!
Annie!
Deixa-me entrar! Deixa-me entrar!
Annie, deixa-me entrar, Annie!
Deixa-me entrar!
A sua m�e era esquizofr�nica?
Estas sess�es s�o obrigat�rias para todo o pessoal, Irm� Ann.
A minha m�e lutou contra a depress�o.
E, sim,
acabou por lhe ser diagnosticada esquizofrenia.
Mas mesmo em crian�a, eu sabia que era...
mais.
Mais?
N�o tinha um nome para isso.
Todas as noites, ela entrava no meu quarto...
�s vezes era a minha m�e.
Linda.
Amorosa.
E �s vezes n�o era.
Ela penteava-me o cabelo.
Ela cantarolava aquela can��o.
Ela magoava-me.
E depois abra�ava-me, chorava e dizia
que a voz dentro da cabe�a dela a obrigava a faz�-lo.
Lamento muito, Ann.
O abuso nas m�os de algu�m em quem se confia �...
A minha m�e era incapaz de me magoar,
ela amava-me.
Era a coisa dentro dela.
Ela estava possu�da.
1835 DC O VATICANO FUNDA UMA ESCOLA EM ROMA,
PARA FORMAR SACERDOTES NO RITO DO EXORCISMO.
2018 DC RELATOS DE POSSESS�ES DEMON�ACAS...
ATINGEM N�MEROS SEM PRECEDENTES A N�VEL MUNDIAL.
O VATICANO RESPONDE ABRINDO ESCOLAS PARA EXORCISTAS...
FORA DE ROMA, PELA PRIMEIRA VEZ.
AS FREIRAS SERVEM COMO ENFERMEIRAS.
S�O FORMADAS EM CUIDADOS AO DOENTE,
MAS EST�O PROIBIDAS DE SE FORMAREM COMO EXORCISTAS,
QUE � O DOM�NIO DOS PADRES E APENAS DOS PADRES.
SANTO MIGUEL ARCANJO ESCOLA DE EXORCISMO
Olhem quem �.
- Bom dia, Steve. - Bom dia. Obrigado.
� um bom ponto de vista.
Mas n�o, n�o somos mais pecadores hoje do que �ramos no passado.
O cora��o humano nunca mudou.
Irm� Ann.
O que mudou
� que h� mais possess�es relatadas hoje
do que em qualquer outro momento da hist�ria.
Estamos a perder uma guerra que se arrasta h� s�culos.
Temos de manter o rumo,
lutar por cada alma.
Durante a Inquisi��o Espanhola,
a Igreja Cat�lica foi respons�vel pela tortura e morte
de milhares dos chamados hereges.
Muitos eram simplesmente aqueles que sofriam
de perturba��es psic�ticas, de humor, neur�ticas e de personalidade.
A pr�pria estrutura em que est�o sentados
foi constru�da no final do s�culo XVIII,
em resposta a um aumento do ocultismo.
O clero arrastaria as mulheres suspeitas de praticarem artes negras
para o po�o baptismal para as libertar de esp�ritos malignos.
In�meras foram afogadas em �gua benta
at� que, eventualmente, a pr�tica foi interrompida.
Desculpe, Doutora.
Est� a negar que existem casos leg�timos de possess�o?
J� estou aqui h� tempo suficiente para ter visto coisas
que n�o consigo explicar.
Mas uma coisa que eu sei � que a mente � incrivelmente poderosa.
E adora pregar-nos partidas.
Para distorcer a nossa realidade.
Agora, felizmente, a abordagem da Igreja tem evolu�do ao longo dos s�culos.
E � a� que entram psiquiatras como eu.
As novas directrizes do Vaticano exigem que qualquer pessoa suspeita de possess�o
seja submetida a avalia��es f�sicas e psicol�gicas profundas
antes de ser aprovado o Rito do Exorcismo.
Como estamos hoje, Clark?
Alguma coisa que lhe possamos arranjar para comer?
Vamos dar uma oportunidade a este pur� de ma��.
Ora aqui vai.
Gosta de pur� de ma��.
Terei de me lembrar disto.
Solicitei uma an�lise ao sangue completo,
tal como fa�o com todos os nossos novos doentes.
Foi trazida para avalia��o ap�s ter tido convuls�es,
espasmos musculares, incontin�ncia e hipersaliva��o.
A m�e da Natalie acredita
que ela est� a ser possu�da por algum tipo de entidade maligna.
E acredito que os resultados da an�lise provar�o o contr�rio.
Ela n�o � t�o assustadora como parece.
"Ela" consegue ouvi-la.
Senhores, vamos?
- Obrigada. - Obrigado, Irm�.
N�o comeste muito.
Gosto do teu...
c�o?
� um comboio.
Que tem uma cauda.
� abstracto.
Bem, ent�o,
�s oficialmente uma artista esfomeada.
N�o sei porque n�o te d�o a sobremesa.
Obrigada.
O que � isto?
Algum tipo de nougaty goodness.
O que � nougat?
N�o sei.
� mesmo bom.
�s a minha pessoa favorita aqui.
Bem...
N�s raparigas, temos de nos manter unidas neste lugar.
Sim.
Annie.
Annie, deixa ir.
Ol�, Natalie.
Est�s a sentir-te bem?
N�o gosto daquele quarto.
Como � que sa�ste daquele quarto?
Queria vir ter contigo.
Nougat � uma fam�lia de confec��es
feitas com a��car e mel,
nozes torradas e claras de ovo batidas.
Pesquisei.
Sabias que os doces t�m fam�lia?
Agora sei.
Vamos voltar para o teu quarto?
Est� bem.
Annie.
Estou aqui contigo.
A Elena tinha entrado aqui na fase terminal da possess�o.
Ela rasgava a pr�pria roupa,
lambia a pr�pria urina, comia carv�o.
Na fase terminal,
o possu�do atinge o extremo da corrup��o f�sica e espiritual.
A liberta��o ainda � poss�vel, mas...
a morte � iminente.
Infelizmente para a Elena,
a morte veio primeiro.
Os dem�nios s�o os soldados de L�cifer.
N�o conhecem cansa�o, nem medo, nem d�vida.
Ao entrarem na sala dos possu�dos,
est�o a caminhar para um campo de batalha.
O Dem�nio vai tentar distra�-los.
Semear a d�vida na palavra de Deus.
Lembrem-se sempre,
a palavra de Deus
� a vossa arma mais poderosa.
Mas o Rito n�o � apenas uma s�rie de ora��es.
� uma dan�a.
Temos de sentir a cad�ncia da batalha.
Trabalhar com os nossos parceiros.
Compreender os pontos de entrada correctos para o ataque.
Lamentavelmente, os padres cometeram erros fatais no exorcismo da Elena.
O que teriam feito de diferente?
A minha m�e falou sobre ouvir aquela voz no interior.
Ela disse que a voz n�o a queria realmente.
Queria-me.
Porque eu era um dos soldados escolhidos de Deus.
Irm�.
Estou a rever alguns casos
e parece haver algumas lacunas no direct�rio.
Os registos s�o introduzidos directamente no ficheiro principal.
N�o h� lacunas.
E quanto aos casos terminais?
Esses s�o confidenciais.
Invocou-me, Irm�?
Soube que a Irm� Ann se encarregou
de assistir a outra das suas aulas.
Eu n�o diria "assistir".
Mais como "infiltrar".
Ela � muito graciosa.
As regras da Igreja s�o bastante claras, Padre.
S� os cl�rigos masculinos podem ser inscritos no treino do exorcismo.
Por agora.
Devia estar grata, crian�a.
Em anos passados, mesmo os cuidados aos doentes na escola de exorcismo
eram restritos aos padres.
Agora aqui est� voc�.
Mas o que importa se nunca serei capaz de fazer um exorcismo?
Uma enfermeira n�o beneficia os seus doentes
porque n�o pode realizar uma cirurgia?
As mulheres cirurgi�s foram outrora impens�veis.
Algu�m tinha de ser a primeira.
Sim. Bem,
curar a carne � uma tarefa muito diferente
de curar o esp�rito.
Como membros da comunidade cat�lica de mulheres,
n�o nos compete libertar estas almas dos seus tormentos.
Estamos aqui para confortar,
para rezar, e mostrar miseric�rdia.
Isto � tudo.
Pode voltar �s suas fun��es agora.
Sim, Irm�.
Padre.
Ela quer aprender.
E eu quero proteg�-la.
Clark, como � que conhece essa can��o?
Temos estado � tua espera.
A tua m�e tem uma voz bonita.
Ol�, algu�m me ouve?
Deixa-me entrar.
N�o!
N�o!
J� vi o suficiente.
Este dem�nio parecia ir atr�s da Irm� Ann sem raz�o.
Provocado pela presen�a dela.
Para sua pr�pria protec��o,
e de outros aqui em St. Miguel,
dev�amos mand�-la de volta para o convento.
O mal n�o est� confinado �s paredes desta institui��o.
Sentir-me-ia melhor t�-la aqui.
Posso trabalhar com ela.
Ficar de olho nela.
Trabalhar com ela? Em que sentido?
Gostava de a ensinar, Vossa Emin�ncia.
Isso � contra todos os precedentes,
todas as doutrinas.
Nada de formal.
Apenas o suficiente para se proteger a si pr�pria
e aos outros.
N�o tenho a certeza da natureza exacta disso.
Mas esta rela��o que ela tem...
� pessoal.
Mas, Padre,
todos n�s temos uma rela��o pessoal com Deus.
N�o com Deus, Irm�.
Com o Diabo.
A cidadela caiu.
As paredes desmoronaram-se.
O fumo negro sopra do sol.
Porque, como alguns de v�s j� devem saber,
temos uma aluna na turma
como observadora.
A Irm� Ann ir� acompanhar-nos
nas nossas sess�es durante o resto da temporada.
Prestem agora muita aten��o.
As nuances do nosso of�cio exigem uma aprendizagem para compreender.
Ent�o, grupo um,
vamos descer � boca do inferno, pode ser?
Limpem as vossas mentes de todos os pensamentos, excepto a ora��o.
Devem permanecer resolutos
apesar das distrac��es.
Pode ser a diferen�a entre a vida e a morte
para ambos...
e para os aflitos.
O doente � uma admiss�o recente.
O diagn�stico preliminar do Dr. Peter foi epilepsia idiop�tica.
O doente foi transferido para aqui para observa��o
quando come�ou a exibir um comportamento
que o Dr. Peter n�o conseguia explicar.
A Natalie tem dez anos.
Temos de agir rapidamente para travar qualquer nova escalada.
Preciso de dois volunt�rios.
Eu vou, Padre.
Muito bem.
Assumir� a lideran�a.
Quem gostaria de assistir o Padre Dante?
Eu gostaria.
Padre Raymond.
A armadura de Deus.
Cada um de v�s fez um simples exorcismo
sempre que baptizou uma crian�a.
Limpando-as do seu pecado original.
Isso foi baptismo por �gua benta.
Isto � baptismo pelo fogo.
Lembrem-se, o nome "Lucifer"
deriva do termo latino "lucem ferre".
"Portador da Luz".
O Dem�nio brilhar� a sua luz
nos recantos mais escuros e profundos da vossa mente,
expondo os vossos segredos mais �ntimos.
A vossa dor mais profunda.
Ele usar� esta dor para invadir a vossa alma.
� preciso olhar para al�m da rapariga.
Ela � tanto demon�aca como v�tima.
In Nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti.
- �men. - �men.
Cristo, tende piedade.
Atacai o terror, Senhor,
na besta que agora est� a profanar esta crian�a inocente.
Esticai a vossa m�o poderosa, Senhor.
E expulsai este dem�nio da tua serva, Natalie Hope.
N�s expulsamos-te daqui.
N�o vos consigo ouvir...
N�o!
Afasta-te desta criatura de Deus.
Pois � Ele quem te ordena.
Aquele que te atirou de cabe�a...
- N�o. - Merda.
Padre...
Rezem. Rezem juntos.
Pois � Ele quem te ordena.
Aquele que te atirou de cabe�a das alturas do C�u
para as profundezas do Inferno!
Una chica.
N�o parem. Empenhem-se nas palavras.
Pois � Ele quem te ordena.
Aquele que te atirou de cabe�a das alturas do C�u
para as profundezas do Inferno.
Para as profundezas do Inferno.
� Ele quem te ordena...
Deixa-me entrar!
Senhor, repele os poderes deste Dem�nio.
Pela encarna��o, paix�o, ressurrei��o,
e ascens�o do Nosso Senhor Jesus Cristo,
ordeno-te que deixes esta crian�a de Deus.
Padre.
Diga alguma coisa. Diga alguma coisa, Padre.
Natalie.
Natalie, consegues ouvir-me?
Irm� Ann, n�o se desvie da Escritura.
Natalie.
Natalie, estou aqui.
Estou aqui contigo.
Tenho medo.
Natalie, estou aqui.
Vamos!
Padre.
D� lugar, criatura abomin�vel.
D� lugar a Cristo.
�s um escudo sobre mim,
a minha gl�ria,
o levantar da minha cabe�a.
Irm�, comigo agora.
Lan�o-te para as trevas exteriores
onde a ru�na eterna te espera.
Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, eu expulso-te.
Ol�, querida. Est� tudo bem.
Ela est� bem.
Tenho de come�ar a usar fraldas de adulto para as aulas.
Voc� e eu, ambos.
A si.
Quem sabe o que teria acontecido se n�o interviesse.
N�o � pecado dar uma pequena volta de vit�ria, certo?
N�o, pensei ter conseguido chegar a ela.
Por...
um momento.
Mas... conseguiu.
E enfraqueceu o dem�nio
porque a Natalie ainda l� estava algures.
N�o sei.
Se o Padre Quinn n�o interviesse...
Sente-se bem?
Sim.
Penso que isto se destinava a mim.
Porqu�?
A minha irm� mais nova, Emilia.
Ela...
Ela foi violada.
Ela ficou gr�vida.
Lamento imenso.
Ela perdeu o beb�.
Tem sido afligida desde ent�o.
Ol�.
Como te est�s a sentir?
Um pouco sonolenta.
Este n�o � o meu quarto.
N�o.
Este � um quarto especial.
Tive um pesadelo.
Lamento.
Podes dizer-me do que te lembras?
Eu estava num quarto.
Era mais ou menos como este quarto.
E...
havia pessoas.
Estavam todas a gritar.
Estavam a gritar contigo?
N�o conseguia compreender a maioria delas.
Penso que estavam a falar com outra pessoa.
Quem?
A voz.
A voz de quem?
Ele diz-me coisas.
Promete-me coisas.
�s vezes...
ele mostra-me coisas.
S�o m�s.
Est� tudo bem.
Podes dizer-me.
Estavas l�.
Mas...
n�o estavas a gritar.
Natalie?
A Natalie n�o foi purificada, pois n�o?
N�o temos a certeza.
O dem�nio pode ter-se refugiado temporariamente.
O Rito ser� administrado novamente?
A rapariga permanecer� em observa��o.
Se ela se intensificar ainda mais,
poder� estar para al�m da nossa capacidade de lidar.
Ela ser� transferida para o Vaticano.
Quer dizer que ela pode ser um caso terminal?
Eu quero ficar com ela, Padre.
Fiz uma liga��o.
Esse � exactamente o problema.
O exorcista � um confessor e um intercessor,
n�o um amigo.
Mas e se eu a puder ajudar?
Os casos terminais s�o os mais complexos e delicados que enfrentamos.
S� podem ser tratados pelos exorcistas mais capacitados.
Se a quiser ajudar,
reze.
O seu poder est� no esp�rito. N�o na carne.
Ela ainda pode fazer uma recupera��o completa.
A NATALIE LEMBRA-SE DE ME VER...
CASO TERMINAL
...A V�TIMA
Irm�, o Cardeal Matthews est� a pedir isto com urg�ncia.
CASO TERMINAL
TRANSFERIDO PARA O VATICANO
CHOQUES EL�CTRICOS
DOENTE FALECIDO.
AUTO-MUTILA��O
FALECIDO
DOENTE COM ALTA
Ent�o, o que aconteceu quando os soldados
vieram � sua casa nesse dia?
Era eu e as minhas duas irm�s mais novas.
Disseram que uma de n�s podia ir. Eu fugi.
N�o esperei por mais nada. Apenas fugi.
Fugiu e...
e os soldados alvejaram as suas irm�s?
Sim.
Mila, fale-me sobre a voz que ouviu.
Continuei a ouvir esses tiros.
O dem�nio falou-me ao som daqueles tiros.
Ele assumiu o controlo.
Est� bem.
Mas depois foi purificada, certo?
Recebeu o Rito do Exorcismo.
E foi curada.
"Curada"?
Continuei a cortar,
mas o corpo ainda est� aqui.
Fez isso a si pr�pria?
Rezei pelo perd�o de Deus.
Eu rezava e rezava, mas no fundo sabia.
Eu n�o merecia perd�o.
A minha m�e sentia-se culpada pelo que tinha feito.
Eu estava sozinha com ela.
Annie?
Onde est�s?
Annie?
Annie!
O que est� a descrever � aterrador.
� traum�tico.
Mem�rias como essas s�o muito dif�ceis de enfrentar.
A sua m�e, ela eventualmente...
Ela suicidou-se.
E sentiu-se respons�vel pela sua morte.
Essa � uma resposta traum�tica comum, Ann.
Para que a v�tima sinta vergonha.
E a �nica forma de desarmar essas mem�rias
� arrast�-las para a luz.
Confrontar o trauma.
O que est� a fazer aqui em baixo?
O que se passa com a Natalie?
Restringiram o acesso.
Porqu�?
N�o fa�o ideia.
Talvez a estejam a transferir.
Padre Dante.
Ol�.
Certo.
Padre.
N�o pode deixar a Natalie ser transferida.
J� vi os registos.
A taxa de mortalidade para casos terminais � superior a 90%.
A nossa f� n�o reside nas estat�sticas, Irm�.
N�o. N�o, n�o reside.
Mas tamb�m n�o me parece que resida estritamente
na palavra do Rito.
N�o?
O Rito tem sido durante mil�nios
a palavra recebida de Deus.
E tem notas?
Onde � que leu esses registos afinal?
Eu sei, eu violei as regras.
Mas h� uma menina solit�ria e assustada no centro disto.
Pisa em terreno prec�rio
quando torna esta luta pessoal.
Mas � pessoal, Padre. A quest�o � essa.
Voc� mesmo disse que o exorcismo � uma quest�o de nuance.
E, no entanto, nunca sequer o consider�mos
da perspectiva da v�tima.
Ent�o o que � que o dem�nio quer?
Quer desumanizar os possu�dos
e faz�-los sentirem-se indignos do amor de Deus.
O nosso objectivo deve ser o de nos ligarmos aos possu�dos
e ajud�-los a lutar pela sua pr�pria humanidade.
Deixe-os saber que os vemos, n�o apenas o dem�nio.
N�o ser� poss�vel que existam casos, casos �nicos,
que o Rito n�o possa justificar?
O que torna estes casos �nicos?
Casos em que a vergonha e a culpa da v�tima s�o t�o profundas
que convidam o dem�nio a entrar.
E querem sofrer.
Entregam o controlo.
Ent�o de onde vem a vergonha da Natalie?
Ela � uma crian�a inocente.
N�o sei.
L�cifer foi outrora o anjo mais belo e poderoso do C�u.
Mas tornou-se orgulhoso e Deus expulsou-o.
- �... - � isto, Irm�.
Acredito em si, mais do que possa imaginar.
Mas tem de compreender o perigo aqui.
Se evita a Igreja para seguir a sua pr�pria vontade,
ver-se-� a vaguear na escurid�o.
Sozinha.
Padre.
Ouvi o que disse.
N�o podem deixar que a Natalie seja transferida
- Ela n�o voltar�. - Concordo.
E n�o temos muito tempo.
O que quer dizer?
E se houvesse uma maneira de lhes provar que tem raz�o?
A sua irm�.
Ela est� possu�da, Ann. Eu sei que est�.
E os epis�dios dela continuam a piorar.
Tentei que fosse admitida aqui, mas...
� complicado para a Igreja.
Por causa do beb�.
Ela � devota. Ann, fala de culpa.
Ela teve de tomar uma decis�o imposs�vel.
E est� a corroer-lhe o cora��o.
Ela deixou o dem�nio entrar.
Quer tentar um exorcismo n�o autorizado?
N�o sozinha.
Por favor, Ann.
A minha irm� j� n�o tem muito tempo.
E eu vi-a com a Natalie.
Tem um dom.
Liga-se com os possu�dos.
V� para al�m do dem�nio e para dentro da pessoa.
Se acredita mesmo no que est� a dizer...
A Natalie ainda est� possu�da.
E ainda est� viva.
Ol�, m�e.
Mi hijo.
A minha m�e diz que est� a dormir h� tr�s dias.
Est� preparado?
Voc� est�?
Chiquita, esta �...
Esta � a Ann. Est� aqui para te ajudar, est� bem?
Emilia.
Consegues ouvir-me?
N�o vai parar.
A voz?
N�o tem poder sobre ti que n�o d�s.
Est� bem.
"Aben�oado � aquele cujas transgress�es s�o perdoadas,"
"cujos pecados s�o cobertos."
"Aben�oado � aquele cujo pecado o Senhor n�o conta contra eles,"
"e em cujo esp�rito n�o h� engano."
Sabes o que � ter algo a crescer dentro de ti.
N�o sabes, Irm�?
Sim.
Ao menos esta cabra sabia
quem era o pai do beb�.
Ajudem-me!
Por favor! Por favor!
Emilia, ouve-me.
Concentra-te no som da minha voz.
Ela n�o te consegue ouvir.
Emilia, o dem�nio ataca os mais devotos
porque a nossa culpa, � a mais profunda.
Ann...
Abre os olhos.
Esta carne � tua. N�o � dele.
J� n�o tens de te esconder dele.
Eu sei que querias que o beb� desaparecesse.
Querias que tudo acabasse.
Tal como tu querias?
Sim.
- Ann... - Conhe�o o desespero.
Como a vergonha entra e rasga-te.
Est� sempre l� e apenas cresce.
Ann.
Salmo 86:5.
"Pois tu, Senhor, �s bom e clemente,"
"abundante em amor inabal�vel a todos os que chamam..."
Ele nunca conseguir� afastar o amor de Deus por ti.
N�o te escondas.
Toda a dor.
Segue-me at� � dor. Vamos l� juntas.
"Pois Tu, Senhor, �s bom e clemente..."
Confessa-te e ser�s perdoada.
Como � que fez...
Acabou.
Emilia, est�s livre.
Libertaste-te.
A tatuagem por cima do pulso...
foi uma coisa de gangue?
Foi, sim.
Engravidei quando tinha 15 anos.
Estava demasiado perdida para lembrar quem era o pai.
Expulsaram-me da minha casa de acolhimento.
E, pela gra�a de Deus, encontrei o caminho
para o abrigo dirigido pelas Irm�s de Santa Maria.
E acolheram-me.
Cuidaram de mim.
E o beb�?
As irm�s providenciaram a adop��o.
S� a segurei por um momento.
Mas eu...
Tenho-a carregado comigo desde ent�o.
Eu abandonei-a.
E rezo para...
que Deus me possa perdoar.
"Pois tu, Senhor, �s bom...
"e clemente."
Ele j� o fez.
O Cardeal Matthews est� a chamar por si.
Sim, Irm�.
Vossa Emin�ncia.
Receio ter algumas not�cias tr�gicas.
A irm� do Padre Dante, Emilia, suicidou-se ontem � noite.
O qu�?
A m�e da Emilia informou a par�quia
que tentou fazer-lhe um exorcismo.
Isto � verdade?
Lamento imenso.
Ent�o � verdade.
Sim, pensei que eu...
Pensou saber melhor do que uma Igreja
que se mant�m h� milhares de anos.
Claro que n�o.
Sobrestimou a sua compet�ncia
e entrou directamente na armadilha do Dem�nio.
Por favor. A culpa n�o foi da Irm� Ann.
Eu estava desesperado.
N�o estava minimamente preparada para enfrentar um exorcismo como este.
Os dem�nios recuam
para evitar novos ataques.
Foi um engano.
N�o uma derrota.
Ambos tra�ram a confian�a que a Igreja depositou em v�s.
Que eu defendi.
Eu penso...
Penso que � melhor voltar ao meu lugar com as Irm�s de Santa Maria.
Entre.
Obrigada por me receber.
Bem,
isto � sombrio.
Embora, aparentemente, a abadessa, Benedetta Carlini,
tenha passado os �ltimos 35 anos de vida num buraco de 6 por 6 no ch�o.
No dia da sua morte, ela disse que nunca teve um momento de arrependimento.
N�o me tinha apercebido que conhecia t�o bem
o l�xico dos m�sticos cat�licos.
Sou uma acad�mica.
Gosto de ouvir os dois lados.
Ouvi falar do que aconteceu.
A irm� do Padre Dante.
Pensei mesmo que j� tinha chegado a ela.
Eu vim...
para lhe dar isto.
"C�rebro, mente, e corpo na cura do..."
"trauma."
Sei que � uma rapariga de um s� livro,
mas pensei que pudesse gostar de uma leitura leve de ex�lio.
Ann.
Tive doentes que...
por muito que tentasse,
n�o conseguia salv�-los.
Pode ficar aliviada por saber que a Natalie teve alta.
O qu�?
Foi autorizada ap�s observa��o,
e foi para casa com a m�e esta manh�.
Encontra-se num novo caminho.
� natural que se sinta perdida.
Continue.
Padre Dante!
Irm� Ann.
O que est� a fazer aqui?
Aconteceu uma coisa na escola.
Natalie.
Caminhe comigo.
Ela sofreu uma reca�da s�bita
e eles apressaram-na a voltar.
Um padre e dois ordenados foram mortos.
Rezarei pelas suas almas e pela salva��o da Natalie.
Ela � um caso terminal. Vai ser transferida para Roma.
N�o, n�o temos tempo para isso.
Ela tem horas, n�o dias.
Mudaram-na para as catacumbas por baixo do edif�cio principal.
Ainda t�m l� celas de reten��o.
Celas de reten��o?
Parte da estrutura original.
T�m-na totalmente selada longe do resto da academia.
N�o acho que estejam dispostos a arriscar mais vidas
para tentar outro exorcismo.
Porqu�?
Porqu� vir e dizer-me isto?
Porque ela me deu isto.
Recebi isto quando cheguei aqui a St. Maria pela primeira vez.
E enrolei-a � volta do pulso da minha filha
no dia em que a entreguei.
Padre.
A Natalie � minha filha.
O dem�nio est� a us�-la
para chegar a mim.
N�o posso deix�-la sofrer por mim.
N�o posso.
O pr�ncipe mais glorioso dos ex�rcitos celestiais, Miguel, o Arcanjo.
Defende-nos na batalha
contra os principados e poderes.
Contra os governantes das trevas neste mundo...
contra os esp�ritos da maldade...
nestes lugares altos.
Que a Tua miseric�rdia des�a sobre n�s, Senhor.
�men.
Aquilo � �gua benta?
Sim.
� o po�o baptismal.
Esp�ritos, for�as demon�acas,
poderes sat�nicos, principados, juntamente com...
ar, �gua, fogo...
D� a volta.
Agora mesmo.
Raymond, saia.
Est� louco?
- Ela matou a sua irm�. - Ela n�o o fez.
Saia.
N�o ajas como uma estranha.
Tens o meu convite.
Natalie.
Deixa-os ir.
Natalie.
Ann.
Natalie.
Natalie!
N�o vos consigo ouvir...
Raymond.
Raymond!
Raymond.
N�o.
Porque me abandonaste, mam�?
Estava t�o assustada e sozinha sem ti.
N�o �s a Natalie.
Eu sei com quem estou a falar.
Ent�o s� honesta por uma vez.
Porque � que a entregaste?
- Eu tinha 15 anos. - N�o.
N�o � isso.
O que aconteceu � tua m�e?
Ela sacrificou-se para te salvar.
� por isso que n�o podias ser m�e.
N�o podias ser respons�vel por outra vida.
Mas agora posso.
Ann. Ann!
Ganhaste.
Eu amo-te tanto, mam�.
Natalie.
Ann!
Fujam.
O que se passa?
Natalie. Eu sou o Padre Dante.
Vamos jogar �s escondidas, est� bem? Preciso que passes por aqui.
V� l�.
Ouve-me.
Preciso que encontres o melhor esconderijo que conseguires. Vai.
Vai.
V� l�.
V� l�.
Ann.
Ann, sei que est�s a� dentro.
Preciso que me ou�as.
Deixa a Natalie ir, por favor.
Deixa-a ir.
N�o tenhas medo.
Annie.
Annie.
Deixa ir, Annie.
Deixa ir, Annie.
Annie, deixa ir.
Annie, deixa ir.
Estou aqui contigo.
A minha m�e nunca deixou de combater o dem�nio por dentro.
At� ao fim.
Deixa ir.
Estou aqui contigo.
Ann!
Aben�oado Miguel o Arcanjo.
Defende-nos nesta hora de conflito.
S� a nossa protec��o.
Empurra Satan�s para o inferno.
O seu poder est� no esp�rito.
N�o na carne.
Est� num novo caminho.
Continue.
J� n�o tens de te esconder dele.
Toda a dor.
Deixa ir, Annie.
Ann.
Ann.
Ann.
Se me acompanhar, podemos terminar a papelada.
Claro.
Ol�.
Sei que agora n�o parece,
mas quando estiveres em casa
com a tua fam�lia e os teus amigos,
esquecer�s tudo sobre este s�tio.
Mas n�o quero esquecer-me de ti.
Ent�o n�o esque�as.
O teu comboio.
Vou guardar isto como um tesouro.
Obrigada.
Sem a sua interven��o, o inimigo teria ganho esta batalha.
Tem claramente um papel importante a desempenhar na Igreja, Irm� Ann.
J� discutimos onde os seus talentos poderiam estar melhor colocados.
Por isso, estamos a recompens�-la com uma bolsa de investiga��o acad�mica no Vaticano.
Uma bolsa em exorcismo.
Obrigada.
� uma honra sem precedentes.
Pensamos que a� poderia fazer a diferen�a, Irm�.
Obrigada... por tudo.
Sabe, tecnicamente falando,
n�o � a primeira exorcista.
Santa Catarina de Siena?
De facto.
Ela morreu em 1380.
Certo.
Portanto, a primeira em sete s�culos.
Aceito isso.
Se me permite dar-lhe um �ltimo conselho?
Claro, Padre.
Tenha cuidado.
Agora que conhece o Dem�nio,
o Dem�nio conhece-a.
A m�nima de noite perto dos oito graus.
Chuva a cair amanh� � tarde, seguida de...
Quanto ao tempo hoje,
com ventos sudeste a 20 quil�metros hora,
est�o actualmente 14 graus.
Annie.
Annie.
A LUZ DO DIABO
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