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- Equipe Art Subs - 6 anos fazendo Arte para voc�!
- Legenda - Hirschen + belShama
- Legenda - Lettts + Tito
- Revis�o - Hirschen
BISTR� ROMANTIQUE
- Coloque o salm�o na geladeira. Sim, Chef.
O tempo est� ruim. Mas ningu�m cancelou.
Isso � �timo. Restaurante cheio.
Kevin?
Querida...
- Aqui. Pelo Dia dos Namorados. - Obrigada, Angelo.
Ainda n�o entendo por que temos menos um homem hoje.
N�o comece! S� temos a metade das entradas, dar� tudo certo.
Mas � um menu de quatro pratos al�m do aperitivo.
- Ter�amos feito diferente. - N�o se pode ter quatro � mesa.
N�o, verdade, mas voc� poderia ter cobrado mais.
- Ol�. - Oi, Emma. Como foi na escola?
Chato.
- E estou com fome. - Mais 10 euros por menu?
J� ouvi quando voc� falou antes. D� um beijo no seu pai.
- Pai. - Tamb�m ganho beijo.
Mas amor custa dinheiro, Pascaline!
Aumentaremos os pre�os quando recebermos outra estrela.
Outra estrela...
Preciso de uma cozinha maior, mais funcion�rios...
Um restaurante maior, na verdade.
Onde est� o Lesley? Ele j� deveria ter chegado.
Pai, pode fazer um fil� para mim?
Com batatas fritas e um pouco de vegetais.
Certo...
Emma.
Desculpe.
N�o dever�amos procurar um apartamento maior?
Talvez um com dois quartos?
Olhei na internet e achei um perto daqui.
Emma, voc� vai voltar para a casa da sua m�e em breve.
- Ligou para ela hoje? - Liguei.
Mas ela estava sem tempo, amamentando os g�meos.
Coloque isso ali.
Acho que ela � feliz quando n�o estou l�.
Voc� � que acha isso, Emma.
Agora ela pode se concentrar nos beb�s chor�es e no namorado.
Mas seria brilhante, tia.
Voc� e eu em um apartamento.
N�o sei.
- Estou te atrapalhando? - N�o, claro que n�o, querida.
Venha, vamos subir.
Lesley?
Emma, n�o fa�a isso.
Aqui.
Oi, Chef.
Ora, ora, � a nossa aluna de Ghent.
Nossa, voc� est� linda.
- Fant�stica. - Obrigada. � Dia dos Namorados.
- Emma. Oi, Kev. - Oi, Ingrid.
- Ol�, Pascaline. - Chef.
Como quer o seu fil�, senhorita? Ao ponto, mal passado?
Bem passado, pai.
Ingrid.
Nosso gar�om est� 15 minutos atrasado de novo.
- Eu sempre permito isso. - Acontece quase todos os dias.
- Estou farta disso. - Acalme-se.
- Ele nunca chega na hora. - Voc� sabe como ele �.
Ele chegar� logo.
Hoje, ap�s a sobremesa, chega, ele ser� demitido.
Voc� vai ter esquecido tudo isso em um minuto.
Ol�, Pascaline.
Ol�, Frank.
- Tenho uma reserva. - Tem?
- Em qual nome? - Janssens.
- Com "S" no final. - Janssens.
Duas pessoas?
N�o, s� eu. Queria te fazer uma surpresa.
Se eu puder entrar.
Esta noite � s� para casais, Frank.
Que tal voc� jantar comigo? O que acha?
Este restaurante � meu, tenho que trabalhar.
Ele est� bem diferente.
Parece um pouco menor, mas mais interessante.
- Um restaurante de verdade. - Obrigada.
Mantivemos o nome de "Brasserie".
Aquele � o seu irm�o? Como ele se chama mesmo?
O que est� fazendo aqui?
Eu queria te ver.
E comer uma �tima comida tamb�m.
Vejo que voc�s t�m uma estrela no Guia Gault Millau. Parab�ns.
- Eu n�o mordo, Pascaline. - N�o...
Acompanhe-me.
Obrigado.
S� temos um menu fixo, com vinho de acompanhamento,
n�o h� nada � la carte e... o aperitivo est� inclu�do.
Aperitivo "V�rus do Amor"...
APERTIVO V�RUS DO AMOR
CHAMPAGNE COM LICOR DE GRAPPA ROSE
Aqui est�.
- Podemos tomar juntos? - Desculpe, tenho clientes.
- Boa noite. Ol�, Roos. - Ol�, Pascaline.
- Voc� est� �tima. Que bom. - Obrigada.
N�o sou muito f� do Dia dos Namorados.
Desculpe, o que estou dizendo?
- N�o quero estragar sua noite. - N�o ir�.
Eu n�o gostaria de ter um carro diferente.
Ou de dirigir qualquer outra coisa.
N�o. A cor n�o � o problema.
Sim. E voc� tem a op��o nele at� amanh�, fique � vontade.
- Temos a melhor mesa. - Sim.
Sim, sim. �, pois �.
Sim.
Pode me ligar quando quiser. Certo. Sim.
Voc� tamb�m. Tchau.
- Desculpe. - Tudo bem.
Querida...
Tenho uma coisa para voc�...
Aqui est�.
- Posso adivinhar? - Claro.
Chanel n�5.
- Como voc� sabia? - Voc� me deu ano passado.
- Eu n�o... - Sim.
Sabia que isto era a �nica coisa que Marilyn Monroe usava na cama?
Voc� tamb�m me disse isso ano passado.
- Eu n�o... - Voc� disse.
- Obrigada. - De nada.
Aqui est�.
Mesas 3 e 7, tr�s couvert.
� para o molho, irm�, n�o se preocupe.
Nada do Lesley?
- Quem � aquele? Est� sozinho? - Sim.
- Janssens. Droga. - Seja educada com ele.
- Ele pode ser da Gault Millau. - Ele n�o � da Gault Millau.
Voc� n�o sabe.
Cuidado ou ser� culpa sua se n�o conseguirmos outra estrela.
Estou te dizendo, Angelo, ele n�o � da Gault Millau!
- Irm�, desculpe. - Concentre-se no seu tartare.
Chef.
- Tudo certo, colegas? - Lesley.
Estou aqui agora, podemos come�ar, Chef?
Pessoal, hoje � Dia dos Namorados.
Um fil� para a senhorita.
18h45, Lesley, trinta minutos. Onde voc� esteve?
- Desculpe. A moto n�o ligava. - Era uma pergunta ret�rica.
- N�o precisava responder. - Certo, mas...
- Minha moto n�o ligava. - Vista-se, sirva os aperitivos.
H� duas mesas. Conversaremos depois.
Certo. Vai ser igual esta noite?
Pai. Este fil� n�o est� mal passado.
� assim que eu sirvo, Emma.
- Pronto. - Obrigado.
- Aqui est�. - Obrigada.
Walter, que surpresa! N�o sabia que comemora esta data!
Treze.
Temos tartare de salm�o com ma�� e couve-r�bano.
Pronto.
O tigre est� autorizado a sair de novo, amigo?
J� estarei com voc�.
Diga-me, Walter, quem � a sortuda esta noite?
O nome dela � Sylvia. Marcamos �s 18h45.
Ela est� um pouco atrasada, n�o?
- Ela vem de transporte p�blico. - Isso n�o � arriscado, Walter?
- Onde a conheceu? - Internet. Primeiro encontro.
- Nossa. Walter! - Ainda n�o nos encontramos.
- Ela sempre assina com um "S". - Pode ser "S" de "sensual".
- Voc� acha? - Ou de "sopa".
- Boa noite. - De Keyner.
Fiz uma reserva para dois, mas estou sozinha.
Sem problemas. Acompanhe-me.
- Reservou esta mesa? - Sim.
Posso pegar o seu casaco?
Obrigada.
Boa noite, senhora.
Sentarei do outro lado.
Est� bem.
- Um aperitivo enquanto espera? - Ele cancelou.
Ele n�o deveria.
Deixe-me em paz.
- Vervaeke. - Acompanhe-me.
Meu Deus, olha quem chegou.
- Boa noite, Sr. Vervaeke. - N�o se levante.
Boa noite, senhora.
Vervaeke. Da empresa com o mesmo nome.
Ele trocou toda a frota comigo.
Nossa, ele � muito esperto!
- Satisfeita? - Sim.
- Boa noite... Van Groothuizen. - Mesa 6.
- Cinco mesas, oito couvert. - Entendido!
- Ingrid? - Sim?
� Dia dos Namorados, n�o �?
- Sim, e da�? - Eu...
Eu s� queria saber se voc� gostou...
- Kevin, e o molho? Anda. - Sim, Chef.
Bem, Emma? Como est� o fil�?
Aqui est�.
- Boa noite. - Boa noite. Claessens.
- Mesa 9. - Acompanhem-me, por favor.
Por aqui.
O que est� fazendo aqui, Sr. Janssens?
Eu sei, eu deveria ter vindo antes.
Mas n�o consegui decidir se vinha ou n�o e...
Estou na B�lgica por alguns dias. Para o enterro do meu pai.
Irei embora em breve. O t�xi me pega �s 21h30.
21h30?
Sem problemas. Dar� tempo para a sobremesa.
Trarei a sobremesa e o caf� juntos.
Voc� est� casada?
E voc�?
- Em separa��o tempor�ria. - Separa��o tempor�ria?
Mas ser� permanente.
- E o t�xi? - O t�xi?
- Para onde ele vai te levar? - Para Zaventem, o aeroporto.
- Vou hoje para Buenos Aires. - Buenos Aires?
- Era aonde n�s... - Aonde quer�amos ir juntos.
Sim...
Trabalho na Embaixada da B�lgica l�.
- Motorista de diplomata. - O trabalho perfeito para voc�.
Fico feliz que se encontrou, Frank.
S�rio, de verdade.
� bom ver voc� de novo.
Vou me certificar que pegue seu voo,
o menu � bem planejado.
V� para Buenos Aires comigo.
Pascaline? Vandevelde, qual mesa?
- Mesa 1. - Certo. Esta mesa, cavalheiros.
Sei que estou jogando em voc�. Voc� construiu a sua vida aqui.
Transformou a brasserie do seu pai no seu restaurante.
Entenderei se voc� disser que n�o pode ou n�o quer ir.
Cercada por tudo que te faz feliz.
Mas eu tinha que perguntar. Nunca se sabe...
Talvez voc� n�o esteja... t�o feliz.
Talvez voc� queira uma vida diferente.
Muitas pessoas querem.
Pascaline?
- Mesa 6. - A mesa 6 j� est� ocupada.
Mesa 11, nos fundos.
Querida, preciso atender.
- Mesa 11, por favor. - Podemos sentar aqui?
Sr. Cl�ment. J� se decidiu sobre o carro?
- A mesa 2 est� reservada. - N�o tem ningu�m aqui.
Vou lev�-los para uma mesa, mostrar-lhes o card�pio,
trazer a comida, e voc�s pagam a conta.
Mesa 11.
Aqui, por favor.
- � uma ideia rid�cula, Frank. - Eu sei.
Mas pense nela.
OSTRA GRATINADA COM ESPINAFRE
AO MOLHO DE CHAMPANHE
Mesa 7, casal de idosos. Legumes bem cozidos,
e o homem � al�rgico a ostras e nozes.
Jesus! O que ele vai querer no lugar?
Mesa 6 quer a entrada sem espinafre.
A Mesa 11 quer duas por��es de robalo como segundo prato.
Card�pio fixo para o Dia dos Namorados,
n�o � � la carte. Cuidado, Ingrid, est� quente.
- Isso atrapalha meu ritmo. - O Chef n�o trabalha assim.
Kevin, a bandeja.
- Sim, Chef. - Mesa 2.
- Voc� fez a reserva? - Sim.
- N�mero de telefone? - Desculpe, mana.
Quantas vezes preciso dizer para voc� pedir?
Est� bem.
- Ingrid? - Sim?
- Eu s� queria perguntar... - Kevin.
- Sim, Chef? - A comida
n�o vai gratinar sozinha.
Frank...
Buenos Aires. Droga!
Metade das uvas utilizadas para fazer o C�t� Pontoise 2006
s�o de vinhas que possuem de 25 a 30 anos.
A outra metade � de vinhas mais recentes,
situadas, sobretudo, perto do Estu�rio da Gironda.
Fundo adocicado. Um vinho muito agrad�vel.
- Foi arrolhado. - Arrolhado?
Desculpe, senhor. N�o acho...
Tenho certeza. Traga outra garrafa.
Certo.
- O que significa "arrolhado"? - Est� com gosto de corti�a.
Posso sentir o cheiro?
Tenho o olfato apurado.
Claro.
- Est� �timo. - Foi o que pensei tamb�m.
Pronto, senhor. Um novo C�t� Pontoise 2006.
Olhe, querido.
Ostras, vieiras, pombo e champanhe!
Tudo afrodis�aco...
- Vou ficar excitada. - Espere. Tenho algo para voc�.
- Aqui est�. - Obrigada, amor.
- Amanh�, vou vestir para voc�. - Promete?
Com licen�a. Podem ser mais discretos?
- Arruma uma vida, mulher! - Fale baixo, docinho.
Isso! Vendido.
O mais caro.
Ele ainda estava hesitando. Consegui persuadi-lo.
Muito bem, querido.
Ganhei meu dia, n�o foi?
Suponho que voc� vai querer fazer sexo mais tarde?
Mesa 11 rejeitou duas garrafas.
- Merda. Qual deles? - O Haut-M�doc.
Ele disse que estava arrolhado.
Arrolhado? Arrolhado o meu traseiro.
Outro bode velho com uma novinha.
- Est� tudo bem com o vinho. - Exato.
- Ingrid. - Sim, Chef?
Voc� abriu um Pauillac ontem?
- Quantos anos tem a novinha? - Uns 25.
- E a�? � bonita? - Bem dotada.
- Chef. - Obrigado, Ingrid.
Emma, me d� aquele funil que est� ali embaixo.
- Aqui, Chef. - Obrigado.
Pronto. Aqui vamos n�s.
- O que est� fazendo. - Vou postar no Facebook.
N�o � para postar l�! Pascaline...
- Mas � muito engra�ado, pai. - N�o � nada engra�ado.
O senhor estava certo. Minhas desculpas.
O Chef quer oferecer-lhes este Paulliac 2008
pelo mesmo valor. Ele j� provou
e disse que est� excelente.
- De fato. Excelente. - Obrigado.
Walter?
- Sim? - Eu sou Sylvia.
- Voc� � a Sylvia? - Sou.
- Posso sentar? - Sim, sim. Claro.
Obrigada.
- Perd�o, eu... - Aqui � agrad�vel.
Est�?
- Costumo vir aqui. - � mesmo?
- Com outras mulheres? - N�o. Para almo�ar.
O almo�o custa 19 euros. Sopa, prato principal e caf�.
Sem caf�. O caf�... Caf� � por fora.
- Interessante. - Pois �.
S� um momento.
Est� servido.
Pronto.
O prato principal de hoje
� ostra gratinada com espinafre ao molho de champanhe.
Bom apetite.
Posso perguntar uma coisa? Eu...
N�o quero ser rude ou algo do tipo, mas...
Voc� perdeu algu�m recentemente? Porque...
Voc� est� toda de preto, e eu pensei...
Sim, meu marido.
- C�ncer? - N�o.
Tanya.
- Tanya? - Minha melhor amiga.
Ou era, pelo menos.
Quantas vezes eu salvei a pele dela...
O que ganho em troca? Ela rouba o meu homem.
Vadia desgra�ada.
Tem acontecido muito ultimamente.
Um grande amigo que age pelas costas...
Merda!
Muito bom. Mas estava gorduroso.
Voc� comeu todo o molho?
Qual � o problema dela?
Talvez ela n�o tenha tido um bom dia hoje.
Acho que ela precisa de um "servi�o completo".
Voc� consegue perceber, � claro.
- Voc� tem um oitavo sentido. - Claro que sim.
Por que n�o diz a ela? Que tal essa ideia?
"Voc� precisa de um servi�o completo. E sou mec�nico."
- Foi brincadeira, Roos. - V� dizer a ela.
- Pascaline! - O que est� fazendo, Roos?
N�o seja modesto. Esse corpo, seus m�sculos.
Voc� n�o ter� gastado horas na academia por nada.
- Sim? - V� em frente.
- Bem, era que... - Parece que voc� precisa...
- O verde era espinafre? - Sim.
Eu disse � minha esposa que era espinafre.
Muito bom. Estava realmente bom.
�timo. Meus cumprimentos ao Chef.
Vou avisar para ele.
Por que voc� fez isso?
- Qual � o problema, Roos? - Nada.
- Me diga. - N�o � nada.
Temos tempo para conversar agora.
- Como est�o as crian�as? - Fico com eles o tempo todo.
Se tem algo que n�o quero falar hoje,
� sobre as crian�as.
Ontem...
Nem sobre o seu trabalho.
- Cumprimentos ao Chef. - De quem?
- Paul, marido da Roos. - Sr. Volvo? Isso � in�dito!
Kevin, pode me dar seis rolinhos, por favor?
Me diga uma coisa, tia. Quem � o seu f� da mesa 7?
- O cara do Gault Millau? - N�o. � o Frank.
- Frank? - Voc� sabe. Frank. Frank!
Quem � Frank?
Droga, agora eu o reconhe�o.
Frank, o estudante? O sobrenome dele � Janssens?
N�o sei. Ele queria me surpreender.
Frankie. Nossa, ele envelheceu!
- Quem � Frank? - Ele era o Casanova do peda�o.
E sua tia era louca por ele.
- Embriagada de amor. Admita. - J� chega, Angelo.
Eles saiam pela cidade toda noite. Toda noite.
Eu lembro. Voc� ficava de p�, em frente ao fog�o,
- e Frank fazia... - Pare com isso, Angelo.
Ora, ora, ora, ora!
Que mulher!
- E agora? - Agora o qu�?
O que fa�o? O que digo? Eu sou entediante.
Sou o homem mais ma�ante da Europa.
Da Europa Ocidental, pelo menos.
Eu sei. Deixe-me pensar...
Vou falar do meu trabalho.
N�o fale do seu trabalho. N�o vai funcionar.
Mulheres n�o se interessam por essas coisas.
Nunca mencione o trabalho!
Nunca mencione o trabalho.
O que devo falar ent�o?
Voc� come�a...
Voc� come�a com
uma piada.
Piada sempre funciona. Boa maneira de relaxar a mulher.
Elas relaxam, sorriem, e as coisas come�am a andar.
A flutuar ao redor.
Comece contando uma piada. Certo.
Tem essa enorme ejacula��o, e dois espermatozoides
deixam o resto para tr�s.
De repente, um deles diz, "Espere um pouco.
� diferente do treino. Como assim?"
"Vamos checar onde estamos."
"Voc� pode estar certo. Ainda estamos na garganta."
Acabei de lembrar. Voc� cuidava de uma lojinha,
na Confeitaria. Mia.
- N�o �? Faz muito tempo. -Sim, faz muito tempo.
- Era da minha m�e. - Sabia que eu estava certo.
Aprendi a fazer bombons antes mesmo de andar.
Nos fundos da loja, tinha um barril grande
cheio de chocolate morno.
E quando minha m�e n�o estava olhando,
eu colocava a boca na torneira e bebia por uns 30 segundos.
Coitada da minha m�e. Se ela soubesse...
Ela morreu muito jovem.
- Meu pai tamb�m. - S�rio? C�ncer?
N�o, assassinado. Meu pai batia nela.
Geralmente, no come�o do ver�o. Estranho, n�o?
O clima bom chegava junto com os espancamentos.
Ela fez estoque de comprimidos durante um ano inteiro,
e um dia, colocou-os no chocolate.
- Verdade? - Sim.
Meu pai morreu em dez segundos.
Ela foi presa, � claro. Mas me disse,
"Preste aten��o, querida.
Amor, amor verdadeiro, � como a pr�pria vida.
Voc� s� tem um."
Meu casamento foi o dia mais feliz da minha vida.
Minha vida era uma merda. S� esbarrei com canalhas.
Mas Yves era o cara certo.
� o que ele era.
O ciclo est� completo.
Deixe-me lhe dar bons conselhos, Mia.
Posso te chamar de Mia, certo?
D� descarga nessa alian�a, esque�a o Yves e siga em frente.
- Meu barril est� vazio. - Como pode dizer isso?
Uma mulher atraente como voc�...
S� um instante. Tenho que...
- Sim, senhor? - N�o. Pascaline.
Pascaline.
Mesa 7.
- Posso ajudar? - N�o, est� tudo bom.
A garota l� na cozinha.
Ela � sua filha?
N�o. � minha sobrinha. Mora comigo. Por enquanto.
O que voc� achou da minha sugest�o?
Voc� est� atrasado, Frank.
Deveria ter me perguntado 23 anos atr�s.
Mas voc� tinha outros planos.
- Foi se encontrar na �ndia. - Eu fui. Quantos anos eu tinha?
Eu tamb�m era nova. Apaixonada.
E estava gr�vida.
Foi um decis�o m�tua. Voc� tamb�m queria assim.
Sim, ent�o voc� partiu. O aluno promissor
nunca casaria com uma gar�onete
sem nenhuma qualifica��o. Sim, Frank.
Voc� nunca me apresentou aos seus pais.
Agora seu pai morreu, e voc� est� aqui.
- Tarde demais. - Eu te amei, Pascaline.
- E ainda amo. - Tamb�m te amei.
- �timo. Agora estou dizendo... - Pensa que vou correr
com um idiota que me deixou no altar h� 23 anos?
Por que n�o? Est� sozinha.
- N�o grite. - � voc� quem est� gritando.
N�o h� ningu�m lhe prendendo aqui, Pascaline.
E posso dar-lhe outra vida, uma nova vida.
De prefer�ncia, comigo.
Alguma outra pergunta sobre o menu, Sr. Janssens?
Reflita.
- Cuidado! - Desculpe. Perd�o.
PRESUNTO IB�RICO COM VIEIRAS, AB�BORA,
BISCOITO DE GENGIBRE E PINH�O
Seu ex volta ao nosso restaurante
no Dia dos Namorados. Que coincid�ncia!
- Kevin, e os meus p�es? - Droga!
Voc� tem minhoca na cabe�a? Qual o seu problema?
Este tal de Frank... foi h� quanto tempo?
- Uns 21, 22 ou 23 anos. - Quase uma vida inteira.
- � uma vida inteira. - Voc� j� trabalhava aqui?
Sim. Eu era um pouco mais velha que voc� quando comecei.
Sua tia nunca se formou, Emma.
Pois vivia festejando com o Frank.
Festejando com o Frank... Bebi com ele algumas vezes.
Eu tinha que cuidar de voc� e da brasserie. Festejando...
Voc� voltava toda manh� com os olhos inchados.
Mas ningu�m lhe impedia.
- Eu tinha 19 anos. - Mas o que ele faz aqui?
Ele veio me ver. E volta hoje para Buenos Aires.
- Buenos Aires, Espanha? - Por favor, Emma!
Buenos Aires n�o fica na Espanha...
� ver�o agora l�.
Dois ovos estavam correndo muito r�pido...
e de repente, um diz, "J� dever�amos ter chegado."
E o outro diz, "Sim, disseram no treino.."
que alcan�ar�amos r�pido o espermatozoide e..."
- Essa n�o � sua profiss�o, �? - Como assim profiss�o?
Contar piadas.
N�o, eu trabalho no Minist�rio da Comunidade Flamenga.
N�o, n�o, n�o...
Eu n�o ia falar sobre meu trabalho.
Voc� trabalha no Departamento Fiscal?
N�o. Eu trabalho no Departamento de Energia e Recursos Naturais.
Envolve, basicamente, estudos, pesquisas
e arquivos sobre a condi��o do solo.
- Condi��o do solo? - Sim, solo Flamengo.
Pedras, tipos de areia, cascalho...
- Argila. - Ent�o, voc� estuda pedras?
Sim, eu sou ge�logo.
A origem do mundo...
Pode ser encontrada nas rochas.
Nela, voc� pode descobrir tudo sobre os per�odos glaciais,
a migra��o de continentes,
e os per�odos de aquecimento global.
Todos mist�rios do universo
podem ser desvendados com as rochas.
Nossa!
Walter, voc� � t�o apaixonado.
Ou�o voc� falar e s� consigo pensar em, "Nossa!"
Eu preciso...
- Aceita outro p�o? - Sim, por favor.
Quem �?
Ningu�m.
- Diga-me qual � o problema. - N�o h� problema algum, Paul.
Que problema haveria?
Tenho tudo que uma mulher de 44 anos precisa.
Marido, dois filhos saud�veis, meu carro,
metade de uma casa de campo, que vamos no calor e no frio.
Tenho 81 pares de sapato, e amante. O que mais me falta?
- Aceita mais vinho, senhora? - Sim.
- Prontinho. - Obrigada.
- O senhor tamb�m aceita? - N�o, n�o, n�o.
- Fala s�rio? - Sim, contei-os semana passada.
- 81 pares. � muito. - N�o, sobre o amante.
Voc� me deixou preocupado por um segundo.
Eu quase acreditei.
- Ficou com medo? - N�o, voc� n�o tem um amante.
Mas uma mulher t�o atraente como voc� poderia ter.
Desculpe.
N�o, n�o.
- Deixe-me ver. - At� parece.
Por que n�o posso ver?
� o meu amante.
Roos, diga que � mentira.
Roos?
Olhe para mim. Olhe para mim. Quem �?
- Eu o conhe�o? Roos, conhe�o? - N�o estamos a s�s.
- Quem �? - N�o interessa, Paul.
- Se o conhe�o, saberei quem �. - Voc� n�o o conhece.
- Tem certeza? - Tenho.
Voc� n�o dormiu com ele, dormiu?
Pare de comer!
- Quando e onde voc�s... - Transamos?
� isso o que voc� quer saber?
Em casa?
Na nossa cama?
O que ele tem que eu n�o tenho?
Deve ser algu�m com que voc� possa conversar.
Na verdade, n�o. N�o conversamos muito.
Nossa rela��o � mais f�sica. Ele tem um bem grande.
Um grand�o.
O que eu fiz a voc�?
Estou cansada de voc�, Paul. Muito cansada.
Voc� tem isqueiro?
Obrigado.
- Obrigada. - Por nada.
Prontinho.
Posso dizer mais uma coisa?
N�o � o fim. Voc� s� precisa de outro.
Vamos l�. Voc� tem uma vida inteira ainda.
Estou lhe falando, s� precisa olhar para o futuro.
Meu Deus! Voc� n�o l� os jornais? Os oceanos est�o acabando.
Tigre-de-java foram extintos. As abelhas est�o quase extintas.
Buscam petr�leo no Polo Norte. Metade do mundo n�o tem banheiro.
- O que falou sobre o futuro? - Eu n�o olharia t�o a fundo.
O mundo est� cheio de problemas.
O �nico jeito de sobreviver nele � com amor.
Quem n�o tem amor est� vazio.
Yves e eu, Peixes e C�ncer. � o ideal.
Houve conex�o. Entendeu?
E ent�o, ele se irritou. Fiquei semanas sem sair de casa.
Quando amigos iam me ajudar, eu os expulsava.
Mas...
Esta noite � diferente.
Esta noite eu precisava vir aqui.
Faz 7 anos.
Ainda posso v�-lo onde voc� est�, de joelhos.
Segurando a alian�a na m�o.
Eu usava este vestido aqui. Ele me achava linda nele.
Voc� est� mesmo linda nesse vestido.
Uma pessoa por dia, na B�lgica, se suicida por ser rejeitada.
Que isso, n�o � uma por dia.
Obrigada.
Est� bem...
- Como voc� ir� persuadi-la? - Como assim "persuadi-la"?
� igual xadrez, Walter.
Sempre pense cinco movimentos a frente.
- Queremos fazer sexo com ela. - Espere. Espere.
Ent�o, vamos mostr�-la que somos homem.
- Certo. - H� um animal dentro de todos.
Um tigre, dentro de n�s. Sem miseric�rdia.
Repita comigo, Walter.
Sylvia, eu sou um tigre.
- Vamos, diga. - N�o. N�o.
- Walter. - Sylvia... eu sou um tigre.
- Com convic��o, vamos l�! - Sylvia, eu sou um tigre.!
Grite, vai. Com coragem, vamos l�!
- Sylvia, eu sou um tigre! - Agora sim. Assim � que se faz!
- Ingrid? - Sim?
Voc� gostaria de sair para beber comigo esta noite?
Depois que acabarmos aqui.
- Com voc�? - Sim.
Porque � Dia dos Namorados e...
- Sim, beleza. - Certo?
Certo.
A da mesa 5 est� completamente pirada.
Nada mal. Nem muito atraente.
Muito atraentes d�o trabalho.
- Essa acredita em hor�scopo. - Qual � o signo dela?
Peixes.
- Piscianos s�o muito passionais. - S�o?
Pascaline.
- Vou sair por tr�s minutos. - O qu�?
Tr�s minutos.
Temos tr�s minutos. Fale.
Certo. Por onde come�o? Pelo come�o...
No come�o, fui de embaixada a embaixada...
Casei, mas n�o deu certo.
Penso na gente em todo restaurante que vou.
O cara que decepcionou voc� h� 23 anos...
n�o existe mais.
Vai experimentar a vieira logo mais, Emma.
- N�o vou, n�o. - Vai, sim.
Sinto muito.
- Pratos quebrados d�o sorte. - Voc� sabe o que � sorte?
Porque eu n�o sei.
Eu estava brincando.
N�o tem li��o de casa para fazer? Geografia, talvez?
- Qual � o problema? - N�o v� que est� atrapalhando?
Desculpe.
Pega leva, mana. O que houve?
Frank me chamou para ir com ele para Buenos Aires.
- O que voc� respondeu? - Que n�o, claro.
Ele est� passando por uma crise de meia idade.
Angelo, por que acha que ainda estou aqui?
Estou ocupado. Est� bem?
- Por que acha que nunca sa�? - N�o, n�o. N�o comece.
N�o venha com isso de novo. N�o agora.
Vai, experimente uma vieira.
Isso de novo?
Porque sua m�e falou para mim naquela porta
para cuidar do anjinho dela. Cuidar do Angelo.
Menos biscoito de gengibre!
Coloc�-lo na cama �s 21h30 toda noite.
Fiquei aqui concordando como uma idiota.
Menos! Voc� est� estragando!
Perguntei o que eu deveria falar ao papai quando ele acordasse.
- Porque nosso pai, seu av�... - Pare.
- estava deitado b�bado no sof�. - Pascaline, pare!
"Diga ao pai que voltarei assim que eu me descobrir."
"Certo. Tchau, Plinny."
"N�o me chame de Plinny, j� tenho 15 anos."
- "Sim", disse ela. - "Eu sei, voc� j� est� grande."
E ela saiu pela porta.
"Leve-me com voc�. N�o quero ficar. Leve-me junto."
Certo. Est� tudo em ordem. Vamos prosseguir.
- Estou entendendo a mam�e. - Eu n�o tenho uma m�e.
- Nem sei a cor dos olhos dela. - Azuis.
Vou dizer: se quer mesmo ir para Buenos Aires, ent�o v�.
V� para l�. N�o me irrite, v�!
- Voc� n�o entende, Angelo. - E eu?
Eu podia ser Chef de um restaurante de verdade.
Com 20 pessoas na cozinha.
Mas n�o, eu fiquei aqui com voc� nesta brasserie.
Se quer ser Chef com 20 pessoas na cozinha, pare de beber.
- Precisa de empatia tamb�m. - O qu�? Empatia?
- O que � isso? - Entender sentimentos alheios.
Valorizar as pessoas a sua volta.
A �nica pessoa sem empatia aqui � voc�.
Eu fiquei aqui por voc�. S� por voc�.
N�o, Angelo. N�o. Eu fiquei aqui por voc�.
Sylvia...
Eu sou um tigre.
Era o que eu esperava.
- Era? - Devemos ir?
- A conta, por favor? - N�o. Espere, espere.
Walter, quero que voc� me corte em peda�os,
arranque a carne dos meus ossos,
e roa meus ossos at� que sobre mais nada.
- Est� bem... - Eu farei o mesmo com voc�.
- Estou te desconcertando? - N�o, n�o.
�s vezes os homes sentem-se inseguros quando est�o comigo.
- Espero que n�o fique. - N�o, n�o ficarei.
Desculpe, mas conheci uma enorme quantidade de homens.
N�o que eu sinta orgulho disso.
N�o fa�o isso por divers�o, n�o �?
Encontrar-me com um novo cara toda semana, conhec�-lo,
come�ar um novo relacionamento do in�cio, mais decep��o...
Em particular, sexualmente.
Sexualmente? Sei o que quer dizer.
Pode nos trazer a conta, por favor?
Sabe de uma coisa, Walter?
Eles olham para mim, e v�o enfraquecendo.
Enxergam-me como o 'Tour de France'.
Com todas aquelas montanhas que precisam subir e descer,
sem saber se chegar�o aos Champs-Elys�es.
Os Champs-Elys�es?
Um ex-namorado at� tomou �leo de Pr�mula para me conter.
- Isto � ilegal. - Fique quieto, Walter.
N�o quero 70%.
Quero 110%.
Walter, se soubesse quanto tempo estive esperando por voc�.
- Est� tudo bem, senhor? - Desculpe. Desculpe.
- Continua vivo? - Sim.
Que sorte. Imagine s� o que teria perdido.
- Podemos partir agora, Walter? - S� preciso lavar as m�os.
O que ele disse?
Desculpe.
N�o entendo. N�o compreendo.
- Somos um casal, n�o somos? - N�o, n�o, n�o, Paul.
Somos uma entidade econ�mica.
Simplesmente n�o entendo. Estou chocado.
Estamos juntos h� 17 anos
e tenho sido t�o fiel quanto um cachorro.
Talvez eu tenha que te chamar de "Blackie", ent�o.
Tem no��o de que tive oportunidades de..., voc� sabe?
Recepcionistas em mostras automotivas
com decotes que mergulhavam at� a Austr�lia...
Algumas delas se insinuavam para mim.
Tamb�m tive oportunidades, mas fui capaz de dizer n�o.
Oportunidades? Teve as suas, mas eu n�o.
N�o tem direito nenhum de estar chocado.
Sempre fez o que queria. Voc� prosperou em suas mostras.
Mas eu n�o. Estava em casa fazendo sandu�ches,
organizando col�nias de f�rias, tutorando...
- Voc� nunca estava em casa. - N�o exagere.
Estava sempre em uma mostra vendendo um carro caro a algu�m.
- Quem sustentava a casa? - Pelo amor de Deus!
Eu costumava ter intelig�ncia. Tinha talento. Sabe que sim.
Por isso se apaixonou por mim. Agora, minha mente silenciou.
Isso n�o � verdade.
- Voc� ainda � inteligente. - Claro que sou!
- N�o quis dizer isto. - O que seria, ent�o?
Conhe�o voc� por dentro e por fora, sei o que pensa.
Voc� conhece tudo sobre juntas e carburadores,
mas desconhece totalmente o meu "motor".
- E quando aos Sheychelles? - O qu�?
- Os Sheychelles. - Os Sh... Os Seychelles, Paul.
Quer dizer 'a discuss�o'.
Isso foi h� tr�s anos, nada mudou.
N�o, Paul. Paul! Precisa haver mudan�as dr�sticas.
Nosso casamento � uma pris�o, colega.
� igual a porra da Alcatraz!
- Tudo bem, senhor e senhora? - �timo, �timo.
N�o. Qual � o seu vinho mais caro?
- Tinto ou branco, senhora? - Tinto.
- Roos. - Tinto.
- Temos um muito bom... - �timo. � o mais caro de voc�s?
Com certeza.
- Mas com o pr�ximo prato... - Vendido.
- Mana. - Pare, Angelo.
Venha aqui, venha aqui.
- Esta � a nossa vida, mana. - Est� interrompendo a produ��o.
A Brasserie Romantiek � sua e minha.
Nossa vida est� aqui. N�o est�? V� embora e n�o ter� nada.
Sua vida n�o � em Buenos qualquer coisa, � aqui. N�o �?
- Voc� tem no��o disso? - Sim, tenho.
Buenos Aires � um sonho.
Tudo ficar� bem, mana. Tudo ficar� bem.
Iniciemos os pratos principais, pessoal. Vamos l�!
- D�-me uma semana. - O qu�?
Ou um m�s. D�-me um m�s.
- Um m�s? - Sim.
- Depois voc� voltar�? - Sim, � claro.
- N�o podemos fechar por um m�s. - N�o precisa fechar.
Lesley pode assumir por agora, chame algu�m para servir...
Ligarei para o contador e organizarei tudo.
Sei que faz um tempo que teve um relacionamento s�rio, mas...
- Um m�s n�o, n�o. - Angelo...
Estou indo.
Esta noite.
Perdeu completamente a cabe�a?
Aquele cara surge do nada ap�s vinte anos,
olha nos seus olhos e j� est� convencida?
Por favor? N�o sou uma das suas amiguinhas!
Pascaline, n�o pode virar nossa vida de cabe�a para baixo assim!
Posso, Angelo. Amo o Frank. Ainda o amo.
Estou sufocando aqui no nosso restaurante.
Quero fugir deste lugar.
E quanto a Emma?
Por certo n�o a enviar� de volta � m�e dela.
Ela � sua filha, Angelo. Sua filha!
Estou partindo.
Est� partindo?
Ent�o vou parar de cozinhar.
- Coloque o avental de volta. - Voc� me ouviu.
- Coloque o avental de volta. - O restaurante est� cheio.
Angelo, por favor.
Primeiro, prometa-me que n�o partir�.
Prometa-me.
Prometa-me!
- Tudo bem. - Tudo bem o qu�?
- Sim, eu prometo. Sim, sim. - Estamos conversados?
Tudo bem, ent�o.
Continue, v� em frente.
Angelo?
Pode beijar meu traseiro!
Em cima, em baixo e em todo torno!
Merda! Droga!
Saia da frente!
Droga!
O que est� acontecendo?
- O Chef foi embora? - Sim.
- O que faremos? - N�o sei.
O Chef de voc�s acabou de ir embora?
Clientes n�o podem entrar aqui. - Tudo bem, Lesley.
V� ao sal�o e coloque alguma m�sica para tocar.
Emma, pode ajudar Lesley a servir? Mas vista outra coisa.
- N�o pode fazer isso. - Ingrid, largue a lou�a
e ajude o Kevin a montar os pratos.
- Sem um Chef n�o podemos... - Vamos!
Somos o Romantiek e temos uma estrela!
Continuem!
Muito bom.
- Posso ficar com o �ltimo? - N�o!
O que acontece? Jogando roleta russa com seus chocolates?
Voc� assiste muita televis�o.
- Ent�o posso comer. - N�o!
Gar�om. Gar�om.
- Voc� demorou. - Sim.
- Olhe, � um excelente... - Certo, sirva.
- Aconteceu algo com o Chef? - N�o, claro que n�o.
Sinceramente...
- � bom. - � mesmo?
- Onde est� o prato principal? - A caminho, senhor.
Bem, deixe isto aqui, tudo bem? Obrigada.
- Mia. - N�o.
- Ou�a. - V� embora.
Olhe. Tenho uma teoria.
- H� 11.007 milh�es de belgas. - E da�?
Metade s�o homens.
Tire as crian�as, os aposentados e gays.
Ainda restam 3,1 milh�es de homens.
Metade n�o s�o casados e aqueles que s�o,
metade est�o insatisfeitos.
- E o seu ponto �? - Meu ponto, Senhorita Mia,
� que existem 825.000 homens por a� para a sua escolha.
Se a B�lgica se dividir em duas, ser� apenas a metade disso.
Tudo bem. Mas ent�o, ainda existir�o...
412.500, eu sei.
Vamos l�, Mia. Encontrar� outro cara em um estalo de dedos.
- N�o seja est�pido. - Estou dizendo.
Sei que h� muitos homens que se apaixonariam por voc�.
Tudo bem, certo. Tomemos voc� como exemplo.
Se me visse sozinha em um bar, flertaria comigo?
Esta � uma pergunta ret�rica?
� noite de Dia dos Namorados. Estou l� sentada sozinha.
Voc� pensaria... aquela pode ser a garota certa para mim?
Ela e eu, passeando de m�os dadas?
N�o, n�o. Espere a�. Olhe s�.
Sou um solteir�o. Analisei e fiz uma escolha consciente.
- S�rio? - Sim.
Todas as mulheres que conheci queriam ter filhos.
Nem transamos e j� balan�am o teste de gravidez para mim.
Em seguida, estamos na Tok&Stok olhando mobili�rio infantil.
N�o se preocupe, Lesley. N�o quero ter filhos.
E me recuso a ir na Tok&Stok por princ�pios morais.
- Certo... - Gar�om?
- Estou indo... - N�o respondeu minha pergunta.
- Sim, n�o, eu... - Viu, eu sabia.
Voc� pensaria, "quem � aquela mulher infeliz e solit�ria?"
- E teria raz�o. - N�o. N�o � verdade. N�o teria.
O que voc� pensaria, ent�o?
Gar�om?
Volto j�.
O que posso fazer por voc�, senhor?
Certo. Acho que dever�amos ser pragm�ticos quanto a isso.
Quais s�o seus planos? O que acontecer� �s crian�as? Comigo?
- Com voc�? - Sim. Quer ir morar com ele?
N�o quero conversar sobre isso agora.
Bem, voc� quem come�ou.
Acho melhor contar �s crian�as amanh�. Afinal, voc�... caramba!
Depois de amanh� � o anivers�rio do Sam.
Percebe o que est� fazendo?
Tudo o que constru�mos juntos ao longo de dezessete anos,
voc� est� descartando pela privada.
Lembra-se? H� muito tempo
voc� me levou ao litoral � noite.
Levou-me � praia. Eu nunca havia visto tantas estrelas.
- Setembro de 1996. - 1994.
Estamos discutindo outras coisas, Roos.
Voc� discursou sem parar, sobre as estrelas.
E sobre... a estrutura do espa�o e...
O fato de a luz das estrelas n�o existir.
Mantenha baixo o tom da voz, Roos.
Eu n�o estava prestando muita aten��o em voc�, Paul.
Estava simplesmente deitada em seus bra�os, ouvindo o mar.
Foi o momento mais rom�ntico da minha vida.
Depois fizemos amor no seu primeiro Volvo.
Sim, e policiais nos abordaram
e tomamos uma multa de 8.000 francos.
- Exatamente. Setembro de 1996. - 1994.
1996. Onde isso foi parar, Paul?
Vai dar uma de sentimental agora?
Voc� dormiu com outro cara. Esse pensamento me enoja.
PEITO DE POMBO
CHIC�RIA, REPOLHO ROXO, OSTRAS COGUMELOS E MOLHO DE CEREJA
- Eles querem o prato principal. - Quase pronto.
Posso fazer algo? - Fique a�.
Preciso de espa�o para pratos, panelas e tudo mais.
- Kevin, esquente. - Tudo bem.
Est� indo tudo bem? - Sim.
Est� se saindo bem.
Prove isto.
Poderia ser um pouco mais picante.
Por que n�o fica aqui?
Fique comigo? Venha morar comigo.
N�o posso.
Tenho um filho de oito anos l�.
Ele mora, metade do tempo, com a m�e dele e o resto comigo.
Prometi peg�-lo na escola amanh�.
- Qual � o nome dele? - Miguel.
Est� bom assim, Tia?
Sim, tudo certo. Pode ajudar a servir.
Mesa 3.
Estou orgulhoso de voc�, companheiro.
Acho que... n�o consigo.
Voc� � uma pessoa solit�ria, Walter.
Voc� � a sobra, a meia esquecida na lavadora de roupas.
- E ela � sua salva��o. - Ela s� quer...
Quero conhec�-la primeiro, sair para caminhar juntos.
N�o, n�o. Sem caminhada.
Quero dar um passo de cada vez.
Como quando examina uma pedra, voc� lapida, camada por camada.
Aquela mulher quer uma britadeira.
At� voc� descobrir alguma coisa...
- Alguma coisa linda... - N�o come�a. N�o come�a!
- Sim, mas... - Walter.
Veja, se voc� fizer isso...
Ent�o todos os seus esfor�os ter�o sido em v�o. De novo.
Eu acho... Eu s� acho que...
O qu�?
Pense em sexo, Walter. Pense em sexo.
Aqui est�, senhora.
Aqui est�. Bom apetite.
Diga-me, Mia...
J� volto.
Pascaline?
- Voc� queria dizer algo? - O qu�?
- Eu n�o ia ser demitido? - Demitido? N�o.
N�o? O que � isso ent�o?
PASCALINE VAI TE DEMITIR
- Sim, Lesley, isso � verdade. - � verdade?
Dei duro para voc� por tr�s anos!
- Voc� est� sempre atrasado. - Aqueles cinco minutos!
- N�o s�o cinco minutos. - � por isso que serei demitido?
Volte ao trabalho. Discutiremos isso depois.
- N�o tenho tempo. - Estou fora ap�s a sobremesa.
Considere-se com sorte de eu ficar at� o fim.
- Aqui est�. - Obrigado.
E para o senhor.
Bom apetite.
- Lesley? - Sim?
- A que horas voc� termina? - Pare, Mia.
- N�o � porque conversamos... - N�o, n�o, Lesley.
Eu realmente sinto que te conhe�o.
- Qual � o seu signo? - O meu signo?
- Voc� � de c�ncer, n�o �? - Sou um gar�om, entende?
E sou solteiro.
E tenho meus pr�prios problemas.
A conta, por favor. N�o queremos sobremesa.
Imediatamente, senhor.
Como chegamos aqui?
No Volvo.
- Quando voc� mudou? - Chega. Voc� j� bebeu muito.
- Nunca � culpa sua. - Eu n�o fiz nada!
N�o fez nada. Voc� nunca faz nada.
Voc� n�o reage mais. Voc� � uma parede.
- Voc� � como a parede de casa. - Roos.
A parede que eu bato a cada dia, isso � o que voc� �.
- A que eu bato a minha cabe�a. - Acalme-se.
Voc� me enoja.
- Amor, algo est� acontecendo. - O qu�?
Aquela loira...
Ela est� engasgada, ou algo assim.
Senhora. Senhora...
Cuidado, cuidado. Fa�a-a curvar-se.
Ela est� engasgada.
Vamos, Mia!
De novo.
- Bata de novo. - Vamos, vamos.
- Isso. Isso. - De novo.
- Vamos, Mia! - De novo.
- Voc� est� bem? - Sente-se.
Tudo bem? Pegue uma cadeira para ela.
Obrigado. Obrigado.
Tudo bem?
Quer �gua?
Ela engasgou com alguma coisa.
Nada da conta, gra�as aquela idiota e os chocolates dela.
Mas que inferno! O que est� fazendo?
Voc� enlouqueceu? Merda!
B�bada desgra�ada!
Roos.
Roos!
Gar�om. A conta!
- Sim, estou indo. - Agora!
Sylvia.
Percebi que voc� me acha muito atraente.
Em particular, sexualmente.
Mas eu... Estou � procura de outra coisa.
Estou � procura de... amor.
Amor como nas can��es dos Beatles.
Amor que dura uma vida inteira.
At� eu ter 64 anos.
Ou 94.
Amor que cuida para que uma meia
n�o seja esquecida na m�quina de lavar.
- Aonde a Sylvia foi? - Eu sou a Sylvia.
- N�o, n�o. - Desculpe, eu me atrasei,
mas peguei o trem de Bruxelas e houve problemas com o motor.
N�o, n�o, n�o, tem uma outra Sylvia.
Com licen�a, tinha uma mulher na minha mesa, n�o?
- N�o, n�o tinha ningu�m l�. - Voc� estava falando sozinho.
N�o, isso n�o � verdade. Eu estava falando com algu�m.
Com licen�a, tinha uma mulher na minha mesa a noite toda.
- Passei a noite toda... - Acalme-se, Walter. Acalme-se.
- Qual � o problema? - Lesley, tinha uma...
Tinha uma mulher na minha mesa comigo a noite toda, n�o tinha?
Esqueceu de tomar o seu rem�dio, Walter?
Aqui, est� pago.
Vai ficar tudo bem. Vamos.
Roos. Pare!
Roos. Pare! Droga!
Maluco!
Roos.
Desculpe. Talvez eu...
Talvez voc� esteja certa.
N�o sou uma parede, Roos.
N�o sou uma parede.
Pascaline.
Qual � a sua resposta?
- Pascaline... - Como pode fazer isso agora?
Como pode esperar 23 anos para voltar aqui?
E a� me pedir para mudar a minha vida em uma noite?
Deixar tudo isso para tr�s!
N�o pode me pedir isso, Frank! � rid�culo. Isso � rid�culo!
O que pensou? "Meu voo ainda n�o decolou, vou cham�-la."
Eu n�o tive um �nico segundo para pensar sobre isso, Frank.
- Eu deveria ter vindo antes. - Talvez.
De qualquer forma, eu n�o tinha a passagem...
Eu... � classe econ�mica, mas...
N�o tem problema.
S�rio?
Sim.
Pascaline.
Pascaline.
Primeiro, a sobremesa.
SOBREMESA "FRAMBOESA FR�VOLA"
O �ltimo sorbet quenelles, ent�o terminamos.
Parecem �timos.
�timo. Bom trabalho. Obrigada.
Vejam quem chegou.
O qu�? Ainda n�o acabamos? Frank?
Foi bom? Gostou da sua comida? Foi de luxo o suficiente?
Porque temos uma estrela. 14l20 Gault Millau.
E teremos uma segunda em breve.
N�o posso falar com o seu amante?
Angelo!
- Est� satisfeita, senhora? - Estava delicioso. Obrigada.
Walter, diga algo, amigo.
Desculpe.
Est� tudo bem.
Eu pensei...
Sua cabe�a estava em outras coisas porque...
eu estava atrasada, acho.
Sim, foi isso.
Eu trabalho como costureira. E voc�?
Voc� esperava outra pessoa, � melhor eu...
Voc� trabalha como costureira?
Sim, bainha de cal�as, saias, esse tipo de coisa.
A cal�a que voc� est� usando,
por exemplo, est� um pouco curta.
Sabe como chamam cal�as que est�o muito curtas?
Chamam de "pescando siri"!
O qu�?
� uma piada.
Certo.
N�o ria se voc� n�o achou engra�ado.
Mas eu achei. Acho que � engra�ado, sim.
N�o! Paul, n�o.
Inferno!
Todas esses SMSs s�o do Sam. Afinal, voc� n�o tem um amante.
Inferno, voc� me deixou pensar isso!
Roos.
Eu n�o esperaria isso de voc�!
Voc� deveria fazer algo com a sua criatividade.
Roos.
Roos?
N�o, Paul.
N�o.
Roos?
Roos!
Acho que voc� deveria jogar
a alian�a na privada e dar a descarga.
- � tudo que sobrou dele. - V� em frente, Mia.
- N�o consigo. - Consegue, sim.
N�o, n�o consigo mesmo.
Mia...
Eu sou de c�ncer.
O qu�?
Eu sou de c�ncer.
Primeiro de julho.
Eu quero que voc� fique, Pascaline.
Kevin e Ingrid, podem arrumar a cozinha em um minuto?
- Inferno, mana. - Voc�, acalme-se!
N�o vai me deixar ap�s 20 anos por aquele cara, droga!
A mesa 11 saiu sem pagar, mas os demais acertaram a conta.
Paguei todos, exceto o Lesley, mas n�o sei onde ele est�,
e peguei um dinheiro para mim.
- Voc� me ouviu? - Pare com isso, droga!
Estar apaixonado � uma descarga de 100.000 volts
no seu cora��o de uma vez.
Mas, em seguida, ela termina.
Depois, ela acaba.
Acaba.
Acho que terminei aqui.
Por que acha que seus relacionamentos
acabam em desastre?
Por qu�?
Porque voc� s� pensa em voc�. Em si pr�pria!
Porque nunca consegui tirar o Frank da cabe�a, Angelo.
- Voc� n�o vai embora. N�o vai. - Deixe-me em paz!
Chef!
Chef, voc� est� bem? Vamos.
- Desculpe, mana. - Voc� est� machucada?
Desculpe, mana. Desculpe. Pascaline!
Chef.
Vamos. Venha. Vamos lev�-lo para casa.
Vamos. Um, dois, tr�s. Isso.
Muito bem. Isso mesmo. Venha.
Voc� poder� dormir um pouco. Sente-se.
Vou cuidar do Chef.
Ingrid, n�s �amos sair...
- Lesley, voc� fecha, por favor? - Estamos indo, Pascaline.
Desculpe, estava delicioso. Tchau.
Voc� � de verdade, n�o �?
Acho que sim.
Pronta?
Aqui.
Segure-se bem.
Estamos um pouco atrasados.
Darei a voc� 50 a mais
se chegarmos ao aeroporto em 30 minutos.
- A multa � muito mais que isso. - 150, ent�o.
- Eu sinto muito. - Pascaline?
V� em frente. Ou perder� o seu voo.
- Foi extraordin�rio, obrigada. - Boa noite.
Tia?
Estranho essas pessoas n�o voltarem...
Nem mesmo telefonam para cancelar...
Isso � falta de educa��o.
Tudo estava pronto e � espera delas.
Elas poderiam ter telefonado.
Desculpe.
Vamos, Emma, vamos terminar aqui.
O apartamento que voc� viu, onde ele fica?
Bem na esquina.
Vou dar uma olhada amanh�.
- Art Subs - 6 anos fazendo Arte para voc�!
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