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Samson, a for�a contra o mal
Estrelando:
Roteiro:
M�sica:
Gerente de produ�ao:
Fotografia:
Dire�ao:
Um dia de primavera.
Mais tarde, ele considerou aquilo...
como a primeira mudan�a no destino...
para o qual ele estava sendo...
inexoravelmente compelido.
Pena que seu pai nao tenha vivido pra ver este dia.
Sua primeira aula.
Adeus, mae.
Adeus.
Senhor, nao � da minha conta, mas voce bem que poderia ter...
ficado em casa.
De que se trata aquela procissao?
Quero ir com eles.
Logo haver� uma reuniao, mas nao pra gente como voce.
Melhor voltar.
Est� bem, est� bem.
Ele nao sabia que o �dio crescia violentamente naqueles dias.
Nao sentia seu toque obscuro.
Haviam lhe ensinado na escola sobre a fraternidade humana.
Ele nao se achava diferente dos outros.
At� ali, nao tinha nenhum amigo...
mas talvez viesse a ter um algum dia.
Tudo aquilo os unia, ou deveria uni-los:
Os livros que liam...
os nomes de seus her�is...
a terra onde nasceram.
Esperava para ouvir as palavras que lhe seriam dirigidas.
Morte aos judeus!
Nao sabe qual � o seu lugar?
V� para o lado esquerdo da sala. Agora!
Est� esperando voce? V�!
Ande logo!
O professor!
Nao v� por aqui. De a volta.
Voce a�! Judeu!
O que voce quer aqui?
Um espiao judeu!
Para o chao!
Morte ao judeu!
Ele profanou a bandeira!
Nao sejam idiotas. Parem.
Ele o matou! Ele o matou!
Nao � verdade!
Foi sem querer!
Cela 25, est� me ouvindo?
Sim, quem �?
Prisioneiro pol�tico. Condenado a 12 anos.
Diga-me quanto tempo e por que.
Assassinato. 10 anos.
Ci�me? Vingan�a?
Nao.
Roubo?
Nao.
Onde e quando?
Aqui, em Vars�via.
No campus da Polit�cnica.
Matei um estudante com uma pedra.
Ouvi falar de voce.
Voce precisa apelar, entende?
Por que? Eu o matei.
Foi leg�tima defesa. Havia testemunhas.
Mas foram impedidos de testemunhar.
Como aquilo foi acontecer?
Nao consigo ver como pode ter sido minha culpa.
Nao � isso.
A mesma pedra poderia ter matado voce.
E o assassino nao teria sido considerado culpado.
Eles precisavam de um bode expiat�rio.
Um assassino judeu.
Use a cabe�a!
Se tivesse um punhado de areia no lugar daquela pedra...
O que? Nao consegui ouvi-lo.
Chegue mais perto da grade.
Voce nao pode desistir.
Escute...
Voce tem que se defender.
Contra o que?
Cuidado. O guarda!
Bom dia.
Meu nome � Jozef Malina...
e este � meu apartamento.
Senti falta dele no hospital.
H� lugares piores no mundo.
� a sua primeira vez, nao �?
Voce sabe fazer cestos?
� o melhor trabalho por aqui.
Pouco ambicioso, mas nenhuma decep�ao.
� aquele comunista, Pankrat.
Ele sabe que eu voltei do hospital.
Querem acabar com ele...
mas ele � um homem de ferro.
Embora eu nao tenha certeza se...
as pessoas deveriam ser feitas de ferro.
Aqui � Pankrat. Est� me ouvindo?
Estou.
Amanha a noite, o mundo vai ficar de pernas para o ar.
Como assim?
Voce vai ver.
O que farei?
Seguir� os outros.
Como saberei?
Voce os ouvir�.
Estamos contando com voce.
Estarei esperando.
Cuidado, o refletor!
Tem algum parente al�m da sua mae?
Nao.
Eu tenho um filho.
Ele tinha tuberculose dos ossos.
S� na Su��a tratam disso.
Roubei o suficiente para pagar pelo tratamento...
e eles o curaram.
Acho que isso faz de mim um bom pai...
mas nao um bom caixa.
Da �ltima vez, minha mae me pediu pra ser forte...
e para que eu me cuidasse.
Meu filho tamb�m � filho �nico.
Falei para ela que cuidariam de n�s aqui!
Ponha isso no chao!
Eu nao queria matar aquele cara.
Seu covarde!
Pankrat!
Tenho que lhe dizer algo.
Fale alguma coisa.
Sei o porque do seu silencio.
Escute, deixe- me explicar.
Eu nao consegui.
Tem que acreditar em mim.
Nao sou um covarde, Pankrat!
Sr. Malina, est� na hora.
Nao foi tao ruim aqui, foi?
Voce acaba se acostumando.
Ande logo, se nao eu o deixarei aqui por mais tres anos.
Como disse? Ah sim, a gente se acostuma.
Sr. Malina, nao tenho tempo. J� passaram das doze.
Sr. Malina, acabei de ver minha mae.
Estou indo embora. Estava esperando para me despedir.
Sr. Malina!
Estou indo, estou indo.
Nao esque�a o meu endere�o.
Rua Mokotowska, 65, apartamento 34.
Ir� me visitar?
Ir�?
Sim.
A liberdade nao era como ele havia imaginado...
durante seus dias na prisao...
quando pensava nela constantemente.
Ela o cumprimentou com o calor �rido da guerra...
e multidoes de refugiados em fuga.
Ele reconheceu rostos familiares...
de algumas das outras celas...
mas o homem com quem ele falava, havia...
sido levado a noite, supostamente.
Seu amigo invis�vel foi transferido para...
uma cela escura, mas conseguiu...
enviar furtivamente uma mensagem que...
livrou Jakub da fama de covarde.
A resistencia logo emudecer�...
e as armas irao ao chao.
As recorda�oes de seus anos de prisao...
incluirao rostos e vozes...
o endere�o de algu�m, o frio �mido...
vindo das paredes e as surras.
Tudo isso voltar� a sua mente...
e haver� um tempo quando estas lembran�as...
serao sua �nica esperan�a.
Ainda � dia. O ar est� cheio de fuma�a.
A derrota aconteceu em plena luz do dia...
mas a escuridao est� caindo lentamente sobre a terra.
Todos seguirao seu pr�prio caminho...
para encontrar um familiar e lhe dizer:
Aqui estou eu! Eu voltei!
No centro da cidade, h� um novo...
bairro fechado, criado para abrigar as pessoas...
sentenciadas a morte pelo crime de existirem.
L�, vigorarao leis especiais...
e pedidos de clemencia nao serao ouvidos.
Estrelas nas costas desta multidao pressagiam o futuro de todos.
Ele mudou um pouco desde aquele tempo...
mas se vasculharmos fundo em sua mente...
encontraremos ainda algumas das li�oes...
que sua mae lhe ensinou h� muito tempo.
Uma delas era enterrar os mortos.
Tal responsabilidade recai sobre os sobreviventes...
e � levada a cabo por questao de consciencia.
Mamae.
Mamae?
O que aconteceu, mamae?
Mamae!
Ela desmaiou. Eu corri para lhe trazer �gua...
mas ela deve ter morrido. Sou o primo dele.
Fiz tudo que pude. De que outra forma poderia ajudar?
Voce! Venha aqui.
Ajude-me a subir no muro.
Voce j� a enterrou. Nao h� mais nada que possa fazer.
Vamos.
Venha comigo! Voce nao tem mais ningu�m!
Isto aqui � vida, homem. Venha.
Eu te ajudarei aqui.
Gienio! Meu Deus!
Meu Deus, voce veio!
Wieska, � hora de fechar.
Quem � ele?
- Quem? - Aquele judeu.
Ele est� comigo.
Algu�m os viu juntos?
Nao, nao.
Como p�de traze-lo aqui?
Bem, ele me ajudou a subir no muro.
Deixe- o passar a noite aqui.
Imposs�vel! Nao h� ningu�m como ele aqui.
Nao vou conseguir suportar a presen�a dele aqui!
Deixe-o ficar at� amanha.
Depois ele volta para o lugar de onde veio.
Ou ele vai embora agora, ou voce tamb�m vai com ele!
Nao � id�ia minha, � dela!
Ela nao te conhece!
Olhe s� para a sua cara!
Ela disse que todo o seu pessoal j� foi isolado!
O que ele tem?
Encoste nele.
Voce nao pode ficar aqui.
Diga-me o que fazer.
Voce sabia o que fazer do outro lado do muro!
L�, ningu�m tinha medo de mim.
Que volte entao para o outro lado do muro!
Nao posso fazer isso sozinho.
Deve haver alguma passagem!
Encontrar� um jeito.
Olhe-se no espelho e voce entender�...
por que ele pode ficar e voce nao.
Eu entendo.
Nao olhe assim pra mim!
Nao olhe pra mim!
Deixe- me esperar at� anoitecer.
Minha cara nao � como a sua.
Diga-lhe...
V� agora! Nao ve como ela est�?
Espere, garoto, um momento!
Depressa, ou nos atrasaremos.
Com voce � sempre assim.
Voce me aborrece.
Sempre no �ltimo minuto.
Pare!
Tem algu�m no telhado.
Estava tomando um ar fresco, nao?
Isso � para voce!
�timo, mais uma pessoa para a outra mesa.
Quer jogar?
Como �? Ainda nao bebeu?
Isso nao � bom, voce est� ficando pra tr�s.
Desculpe-me, mas como chegou aqui?
Entrei, subi as escadas...
e o porteiro fechou o portao.
Ah, sim!
Devia estar morrendo de frio!
Onde pensa que vai? J� soou o toque de recolher!
Tem que esperar at� amanha de manha.
Eles o pegariam se sa�sse na rua.
Ter� que ficar aqui conosco.
Sabe de uma coisa? H� muito tempo...
que eu queria conhece-lo.
� claro que ele deveria ficar conosco.
Entao joguemos!
Est� um vento perto da janela...
Deixe- me arranjar um espa�o pra voce aqui.
Posso tirar isso, nao?
Muito bem, eu distribuo as cartas.
E voce vai recuperar a cor no rosto.
Nesta situa�ao, s� ar fresco pode ajudar.
Zygmunt! Zygmunt!
H� alguns anos, um doente veio me ver. Mas o destino...
Est� bem, est� bem. Deixe- o em paz.
Se me permite, � a minha vez.
- Primeiro saboreamos a vida ...e depois o resto.
Se voce tocar desafinado, eu nao cantarei.
Adeus, voce vai pegar um resfriado.
Levante-se, levante-se. Vamos pra casa.
Voce nao vai dormir aqui.
Muito obrigada.
Desculpe-me.
Despe�a-se.
Quem o mandou para c�?
Nao entendi.
Bem, algu�m deve te-lo enviado.
J� disse que entrei por acaso.
Acha que vim aqui atr�s de ajuda?
Nao pode sair.
� dia. Tem que esperar at� anoitecer.
Nao tenha medo.
Estar� seguro aqui.
S� tenho visitas a noite.
Estava se escondendo deste lado do muro?
Nao, estive l� dentro o tempo todo.
Voce tem fam�lia?
Nao.
� mesmo tao horr�vel l� dentro?
Nao sei. Tudo aqui fora � branco e l� � negro.
As casas, as ruas... e n�s, judeus.
Eu queria ficar l� e deveria ter ficado.
Nao entendo.
S� um judeu entenderia.
H� exce�oes.
As pessoas sao as mesmas, tanto aqui quanto l�.
Acha que tudo aqui � branco...
porque nao nos conhece.
O homem que te encheu de vodca...
por sorte escapou da Gestapo.
O outro � professor universit�rio...
e agora trabalha para a companhia da estrada de ferro.
O que voce fazia l�?
Recolhia corpos das ruas.
E quer voltar para l�?
Sim.
Deixou algu�m te esperando?
Nao, ningu�m.
Entao, por que?
Olhe para mim.
Sou um deles. Tenho que compartilhar o mesmo destino.
Recolhedor de corpos!
Incr�vel.
Por que voce se engana?
Ningu�m � condenado ao inferno durante a vida.
Ningu�m deveria voltar pra l�.
Para come�ar, ningu�m deveria ter entrado naquele lugar!
Ningu�m entrou l� porque quis!
Nao tivemos escolha!
Mas agora voce tem.
Se tivesse escapado de Auschwitz...
pensaria em voltar?
Milhares de pessoas vivem l� confinadas.
Nao tenho o direito de ser o �nico a se salvar!
Todos ali estao condenados, e devo ficar com eles at� o fim!
Isso nao � solidariedade!
Nao h� nada neste mundo que valha por uma vida humana!
Errado! Os judeus nao pensam assim!
Judeus, judeus, judeus...
Eu tamb�m sou judia.
Nem voce consegue perceber.
Adeus.
O que far� se nao conseguir atravessar o muro?
Nao se preocupe. Pensarei em algo.
Conhece algu�m deste lado?
Sim.
Precisa ter cuidado. � longe?
Terceira casa na Pra�a Zbawiciel...
Rua Mokotowska.
Quem mora l�?
Um caixa de banco.
Est�vamos na prisao antes da guerra.
Com licen�a.
� melhor voce ir.
Por que est� chorando?
Por que est� chorando?
Nao ag�ento mais esta casa, estas pessoas.
Eles vem quase todo dia.
S� os convido porque tenho medo de ficar sozinha.
Eles nao sabem, e nao devem saber, mas algum dia saberao.
Olho no rosto deles e penso: "Ser� que esse dia chegou?"
E fico esperando o julgamento deles.
Voce sabe o que � escapar do gueto...
mas eu fa�o isso todos os dias!
Estou com medo. Nao v�, por favor.
Nao tenho que ter medo de voce.
Eles marcam todo mundo assim?
S� quem tem trabalho.
As vezes, precisamos deixar o gueto sob escolta.
Se algu�m tenta escapar...
� mais f�cil atirar nele pelas costas.
Que horas sao?
Nao sei. Nao importa.
Agora teremos bastante tempo um para o outro.
Isso nao depende de n�s.
Depende sim.
Na hora em que te vi, percebi que...
algo importante havia acontecido.
Considero-me uma mulher de sorte.
Voce me apareceu do nada.
Nao posso perde-lo.
Sinto-me bem com voce...
e isso � o mais dif�cil para mim.
Quando eu partir...
Isso nao vai acontecer.
Estar� seguro comigo.
Ver� o que eu farei.
Aquelas pessoas que estavam aqui me viram...
e isso j� � razao suficiente para eu ir.
Sao pessoas honestas.
Pessoas honestas conversam sobre a vida de outras pessoas.
J� � dif�cil pra mim partir hoje.
Amanha ser� ainda mais.
Entao, voce come�ar� a me odiar, compreende?
Nao, nao compreendo.
Meu lugar � l� embaixo.
Se voce tivesse estado l� uma �nica vez...
Nao � apenas um muro que nos separa.
Nao � verdade. Nao pode acreditar nisso.
Nada nos separa. E eu te amo.
Voce nao pode me amar. Eu preciso voltar.
Nunca voltar� para l�. Tem medo.
Nao sei se voce percebeu, mas ontem...
quando voce queria ir embora...
vi isso nos seus olhos.
O que est� fazendo?
Acha que ficou bom?
Do que se trata isso?
Seu anjo da guarda tem que ter cabelo claro.
E quanto as malas?
Estamos de partida.
Para onde?
Para o campo.
Nao discuta, ser� maravilhoso.
Por que fica a� parado? Voce � engra�ado.
Diga alguma coisa...
Nao vamos a lugar nenhum.
Entao, voce ainda nao me conhece.
Sempre fiz coisas imposs�veis, em que ningu�m acreditava.
� por isso que eu sempre venci.
Ficaremos juntos, nao entende isso?
� claro que ficaremos juntos.
Enquanto isso, os judeus morrerao. Ficar s� � �nico...
jeito de sobreviver.
Nao dever�amos falar sobre isso.
Ser� melhor pra n�s dois.
Nao posso.
Sim, voce pode.
Se quiser ter sua vida de volta...
tem que esquecer tudo isso.
Eu nao fiquei longe do gueto...
com a inten�ao de ir l� depois passar um tempo com voce.
Eu nao vou.
� claro.
A partir de hoje, seu destino est� em minhas maos.
Nao ve que quero salv�-lo?
De que?
Dos alemaes, dos judeus, de voce, da guerra!
Nao pense que isso � um sacrif�cio. Eu s� o quero pra mim.
Tenho que ir a cidade agora.
Estarei de volta a noite.
Nao abra a porta pra ningu�m.
Aonde voce quer ir?
Para o gueto.
Nao v� por aqui. N�s te levaremos pra l�.
Entre por aquele portao e voce achar� o caminho.
Agora est� por sua conta.
Obrigado.
Quieto.
Nao chore.
O que voce quer?
Estou procurando um jeito de entrar. Pode ver quem eu sou.
Pegue a crian�a.
Eu lhe darei minha jaqueta.
Muita gente j� pulou aquele muro. Nunca vi ningu�m querer voltar.
Eles dizem que sobreviveremos se...
eles forem misericordiosos.
O que voce acha? Ser� que todos morrerao?
Se algu�m consegue escapar, nunca mais...
vai querer voltar.
Eu nao tenho ningu�m.
Sempre se tem algu�m no mundo...
acontece que nem sempre sabemos.
Muita gente cruza nosso caminho, mas as vezes nao...
nos damos conta.
� verdade.
Deixe- me sair.
Nao posso. J� soou o toque de recolher.
Qual � o problema? Nao � longe daqui.
- � s� at� a Rua Mokotowska. - Cuidado! Alemaes!
O Sr. Malina mora aqui?
Sim, ele foi para o porao.
Sr. Malina.
Quem �?
Visita para o senhor, tio.
Ah, � voce! Entre.
O nome do cachorro � Athos.
Meu filho o trouxe da Su��a...
pouco antes a guerra. Sente-se.
Tire sua jaqueta, est� quente aqui.
Kasia!
Esta � minha sobrinha. Pegue a jaqueta dele.
N�s dois moramos sozinhos aqui.
Ve como a vida d� voltas?
Prometemos nos encontrar novamente como homens livres.
E agora voce se senta a minha mesa, e somos livres.
Mas meus melhores dias foram naquela cela.
Paz completa.
Nunca fiz nada que me desse tanto prazer quanto fazer cestas.
Nao pergunte nada sobre o filho dele.
Eu lhe explicarei tudo depois.
Mataram o meu filho. Ele morreu num campo.
Acha que fiz certo em roubar dinheiro...
para deix�-lo viver um pouco mais...
considerando a forma horr�vel como ele morreu?
- � uma grande desgra�a. - Sim, uma desgra�a.
Desculpe-me. Nao perguntei sobre os seus problemas.
Meus problemas sao os problemas dos judeus.
Fico contente por ter vindo.
O que devo fazer? Nao tenho pra onde ir.
Fique aqui. J� soou o toque de recolher.
Voce chegou bem a tempo para o jantar de Natal.
Pode ficar quanto tempo quiser...
ou quanto tempo puder.
Meu tio me pro�be de abrir quando ele nao est� aqui.
Abra.
Est� esperando algu�m?
Abra!
Bom dia.
Este � o apartamento da sra. Jablonowska, nao �?
Nao.
Voce sabe qual �?
Nao, nao tenho certeza.
Entao, ningu�m poder� me ajudar...
Ela � costureira. Preciso encontr�-la.
Nao, nao sei onde.
Que pena. Com licen�a.
Adeus.
Era esta a mulher que voce estava esperando?
Entre, caozinho, chegamos em casa.
O que houve?
Ela me viu. Preciso ir.
Espere. Quem te viu?
Nao sei, tenho que ir.
Ela acabou de sair.
E da� se ela o viu?
Ela te viu, e pronto.
Nao tiremos conclusoes precipitadas.
Ningu�m � totalmente bom ou totalmente mau.
E ela pode ser muito melhor do que imaginamos.
Voce nao vai a lugar nenhum.
Encontrar� estes mesmos problemas aonde quer que v�.
Estou preocupado com o senhor.
� tudo culpa minha! Culpa minha!
Kasia! Sem histerismo! Acalme-se.
Vamos raciocinar...
Certo, voce ficar� no porao por alguns dias.
Kasia, me de as chaves.
R�pido, as chaves e uma vela!
Voce vai ver. Estar� aqui de volta em poucos dias.
Pare de chorar, Kasia.
Venha.
- Quando ele estar� de volta? - Eu nao sei.
- Talvez voce possa me ajudar... - Com o que?
Nada. Prefiro esperar.
Meu tio nao voltar� hoje.
Est� procurando algu�m?
Onde ele est�?
Meu tio?
Nao, voce nao confia em mim. Eu sei que ele est� aqui.
Nao sei de quem voce est� falando.
Voce tem medo de mim. Eu lhe imploro, confie em mim.
Ontem, um rapaz, quase um menino, veio visit�-los.
Ele estava na prisao com seu tio antes da guerra.
Ele tem cabelo escuro e...
um deles era bastante jovem.
- O que houve com ele? - Partiu imediatamente.
Voce o viu?
Sim. Altura mediana, magro, olhos escuros.
Judeu?
Judeu? Nao, senhora.
Afinal, ningu�m deve deixar um judeu entrar em sua casa.
Por que nao acredita em mim? Como ele teria chegado aqui?
Nao acredita? Olhe voce mesma!
Ele partiu ontem da minha casa.
- Sozinho? - Sozinho.
E voce simplesmente o deixou ir?
O �nico lugar onde ele poderia estar � na prisao da Gestapo.
Nao quer esperar pelo meu tio?
Voce pode mover as t�buas. Pode move-las mais tarde.
- Voltarei amanha. - Obrigado.
At� mais.
Eu sou judia.
Como disse?
Eu sou judia.
Seus pirralhos! Fora daqui!
E entao?
Ele nao est� l�.
Procurei por todo o apartamento. Nem sinal do judeu.
Eles te enganaram.
Procurei embaixo da cama, e na cama.
A cama... A cama � a sua especialidade!
Procurei dentro do arm�rio!
Ningu�m esconde judeus de gra�a! Pode-se fazer dinheiro com isso!
Crian�as, qual destes � o porao do Sr. Malina?
Aquele.
� aquele. Vamos.
- Olhar l� dentro. - Nao, ele nao est� aqui.
Ol�? Tem algu�m a�?
Est� escuro demais.
Nao tem ningu�m ali. Vamos.
Idiota. N�s vamos voltar.
Nao desista. Ele tem que estar em algum lugar.
A senhora olhou no porao errado. � o outro!
Eles apareceram de novo aqui?
De quem est� falando? Ah, o chantagista!
Sim, ele apareceu aqui. Mas nao voltar�.
Eu o afugentei.
Escorreguei na escada.
Sr. Malina, eu nao deveria ficar mais tempo aqui.
Nao posso...
Espere, acalme-se. Qual � o problema?
Por favor, deixe- me partir.
Para onde?
Nao posso continuar vivendo num porao.
Al�m do mais, s� estou pondo-os em perigo.
Eu deveria voltar para o gueto.
Deveria ficar l�...
com eles...
at� o fim.
Voce nao entende? Sou um deles!
Escute. Voce tem que ficar aqui!
Nao deixarei que um canalha decida se voce deve morrer ou nao!
Nao falemos mais sobre isto.
Andei pensando no assunto.
Voce deveria me dizer pra ir.
Sei que, as vezes, salvar sua vida custa muito caro.
De que custo voce est� falando?
A guerra acabar�, e n�s dois...
provaremos estar certos!
Deixe a porta destrancada!
Voce quer ir? Entao, v�! V�!
Eles logo o pegarao.
O que acontecer� a mim e a Kasia?
Fiquei muito contente quando voce apareceu.
Eu tamb�m nao saio para lugar algum.
Meu tio nem mesmo queria me deixar descer aqui.
Roubei as chaves.
Nada acontece no p�tio, tamb�m.
Uma vez, uma engolidora de fogo...
veio com uma turma de acrobatas.
Foi muito divertido.
Logo, voce poder� voltar l� pra cima.
Ningu�m mais vai aparecer perguntando por voce.
Nao est� bravo comigo?
Bravo com voce? Por que estaria?
Sabe...
queria poder andar pelas ruas...
sem que ningu�m se detivesse ao me ver...
sem que ningu�m ficasse me olhando ao passar...
S� quero poder sair na rua.
E ir para onde?
Eu nao sei.
Nao importa.
Queria que voce sempre me dissesse a verdade.
Voce � ingenua.
Acha mesmo?
Tenho que limpar este lugar.
Nao precisa. Nao mudar� nada aqui, afinal.
Agora que estou encarregada do seu destino...
tenho deveres para com voce.
Voce tamb�m?
Estranho.
Todos estao encarregados do meu destino.
Todos...
menos eu.
Nao fa�a isso. Pare.
� insensatez.
Deixarei uma vela com voce. Poder� ler a noite.
Mas nao se esque�a de cobrir a janela primeiro.
Para que? Eu nao quero ler.
Voce tem estado muito tempo sozinho.
� o �nico jeito. Agora eu percebo.
Pensei muito sobre isso.
Escute, eu logo te levarei l� para cima.
Nao.
Voce nao me levar� daqui.
Estiveram aqui novamente.
Quem? Quando?
Ontem.
Eu acho.
Estou perdendo a no�ao do tempo.
J� � primavera.
� verdade.
Ou�o gatos rondando a noite...
miando.
Solte a cadeira.
Nao. Li not�cias sobre a guerra.
Boas not�cias!
Sabe, eu ando tendo sonhos.
Ningu�m quer nada de mim.
Nada. � quase inacredit�vel.
Nunca me senti tao bem.
Nem na prisao, nem no gueto.
Nao precisa mais fechar a porta.
Nao vou sair mesmo...
Nem quando a guerra acabar...
Nem quando a guerra acabar!
Todos carregavam flores...
porque aquela era a "Festa das Rosas".
Mamae usava brincos grandes...
e um broche dourado.
E entao? Conte mais.
Havia velas sobre a mesa.
Quando papai voltou, nos sentamos ao redor da mesa.
�ramos bons uns para os outros.
Mamae sempre dizia: Leben und leben lassen.
O que significa?
Nao matar. "Viva e deixe viver".
O profeta judeu disse isso.
O poeta era judeu, mas escreveu em alemao.
Recite outra vez.
Eu nao havia pensado nisto antes.
S� quando eles come�aram a aparecer.
Eles aparecem pra voce? Voce os ve?
Sim.
Todos eles.
Deve ser lindo.
Sempre soube que voce era diferente.
Eles aparecem muitas vezes para voce?
Sempre que estou sozinho.
Voce fala com eles?
A terra j� est� verde l� fora?
Estamos em plena primavera. Nao sente?
Eu tamb�m vejo algu�m nos meus sonhos.
Sabe quem?
Vejo voce nitidamente. Voce fala comigo.
Ontem a noite, voce me falou...
Ser� que posso acreditar nisso?
Nao est� curioso para saber o que voce me perguntou?
Tive que esperar at� ela sair.
Nao queria falar com ela por perto, mamae.
Eu nao lhe ensinei a odiar.
Lembre-se, nosso sofrimento j� dura...
mais de cinco mil anos.
Voce precisa ser forte como Sansao.
Mamae!
H� ainda alguma for�a em mim?
Sansao matou um leao com as pr�prias maos.
Diga-me...
Eu nao tenho ningu�m. Estou s�.
Seria esta a minha for�a?
O medo � sua for�a. Voce quer viver. Eu entendo.
Voce � igual a mim, embora me despreze.
O medo � sua fraqueza, porque voce tem medo de morrer!
Nao! Nao quero morrer s� por causa do meu rosto!
V� embora!
Voce � um daqueles que escolhi na rua.
Eu o encontrei na cal�ada.
Eu o abandonei.
A vida tem um pre�o. A morte tem um pre�o.
Lembra-se disso?
Ele foi levado acorrentado...
e o trancaram numa cela escura.
Seus cabelos come�aram a crescer novamente.
Ele invocou Deus e disse:
Meu Deus, lembre-se de mim, e restabele�a minha antiga for�a.
Escute...
eles j� me cegaram?
Cuidado, cuidado.
Um caminhao alemao estava atr�s de...
um bonde e acabaram atingindo-o.
Ele era um bom homem, mas teve uma vida miser�vel.
Morreu sem sequer um padre para confort�-lo.
Durma. Est� tudo bem.
O que est� havendo?
Voce nao sabe? O gueto est� pegando fogo!
Estao atirando desde a manha.
O que est� acontecendo?
Onde?
Estas explosoes...
Nao sao aqui na cidade.
Olhe, eu trouxe um peda�o de bolo pra voce.
Acabei de comer um igual a este.
Voce nao gosta?
Deve ser a linha de frente se aproximando.
Temos que ter muito cuidado agora. Vou cobrir as janelas.
Por que o Sr. Malina nao vem mais me ver?
Meu tio saiu por alguns dias.
Vou lev�-lo l� para cima hoje.
Nao vai mais ficar aqui, ouviu?
Vai sair daqui. Vamos l� para cima, para o apartamento.
Eu preparei tudo. Rearranjei a mob�lia.
Ver� como ficou bonito agora.
Ficaremos juntos.
Por que nao est� contente?
Eu vou l� pra cima?
Ainda nao. Depois de escurecer.
L� para cima?
Sim.
Onde est� o Sr. Malina? Eu queria me despedir dele.
Eu vou te levar l� pra cima, para o apartamento!
E quanto a eles?
Eles nao virao mais aqui.
J� sabem que o meu tio...
Nao tenha medo.
Tenho que voltar para eles.
Devo estar com eles.
Eu tenho que voltar...
sim, para o gueto.
Para o gueto?
O gueto se foi.
Nao h� mais nada l�! A rebeliao acabou faz tempo!
Ficaram sem muni�ao.
Os alemaes queimaram tudo! Ningu�m sobreviveu!
Nao � verdade!
Voce est� mentindo!
Nao estou mentindo, eu vi tudo! Fui l� todos os dias.
Eles se defenderam, mas os alemaes eram mais fortes.
Nao tem mais ningu�m l�, entendeu?
Logo derrubarao os muros!
Nao! Nao!
Valente voce, hein?
Tem algum dinheiro? Passe pra c�!
Prefere os alemaes?
E entao, homem morto, como �? Prefere os alemaes?
O que ele quer daquele sujeito?
� um ca�ador de judeus.
Encontrou um e agora quer esfol�-lo vivo.
O sujeito nem grita.
Nao se fa�a de santo! Sei que voce tem algo aqui!
Acha que levo uma vida boa?
O que � isso? Solte-me!
Quem � este?
Est�vamos juntos na prisao antes da guerra.
Encontrei-o na rua, estava sendo assaltado.
Nao podia deix�-lo l� sozinho.
Avise a eles que estou descendo.
O que est� havendo?
O professor est� a� embaixo?
Est�.
Seu tolo, por que correu de mim?
Professor...
O que foi?
Eu trouxe um homem que estava sendo assaltado. Est� l� em cima.
Bom, bom.
Ele � judeu.
Certo, estou indo...
Onde voce estava antes?
Aqui nao h� perigo. Voce est� seguro, entendeu?
Responda-me.
Aqui nao h� nenhum perigo, entendeu?
Sede.
Sente-se. Sente-se, por favor.
Eu quero te ajudar.
Estava se escondendo deste lado?
Ningu�m sobreviveu.
Tudo foi destru�do.
Eu nao sabia. Estava cego.
Nao fa�a isso! Nao se entregue!
Raciocine.
S� um homem pode sofrer tamanha prova�ao...
e s� um homem � capaz de super�-la.
Precisa encontrar for�as pra isso!
Voce � um homem.
E voce? Quem �?
Obrigado. Deixe que eu fa�o isto.
Vai doer um pouco.
- Professor? - Sim?
- Est� na hora. - Est� tudo pronto?
Sim.
�timo, eu trarei o resto.
Quer cobrir meu rosto?
Qualquer um seria capaz de me reconhecer.
Nao quero cobrir seu rosto, quero enfaixar sua ferida.
Qualquer um � capaz de adivinhar o que sou.
Nao importa como � o seu rosto.
Se eles aparecerem aqui, matarao todos que encontrarem...
sem se importarem com o nosso rosto.
Est� dizendo a verdade?
Olhe a sua volta. Nenhum deles quer morrer...
mas nenhum de n�s morrer� em vao.
Ve isto?
O pre�o da nossa vida e o pre�o da nossa morte.
Acredita em mim agora?
Escute, voce ficar� com ele.
Estarei de volta antes de anoitecer.
Voce ficar� conosco.
Quem era ele?
Quem?
O que falou comigo.
Pankrat.
Pankrat?
Pankrat. Voce nao sabia?
Segure-os aqui. O garoto ir� avisar seus companheiros.
O homem que cuidou de suas feridas nao deveria voltar pra c�.
Segure-os aqui.
Este ser� o momento da sua for�a...
o momento da sua salva�ao.
Voce far� seus opressores se ajoelharem...
pelas mortes dos inocentes...
por todo o sofrimento que lhe causaram!
A hora � agora.
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