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ESCOLA PARA MENINAS CARNE HOUSE
Muito bem, meninas. Boas f�rias e at� ano que vem.
Podem sair.
Srta. Ives. Sim?
Ser� nossa professora ano que vem?
Espero que sim. Boas f�rias, professora. Adeus.
Anda, Marion, vamos sair logo desse buraco.
Carne House n�o � um buraco.
Pelo menos para os bons professores. Gra�as a Deus que eu n�o sou.
J� basta cuidar dos jogos como recreadora.
�s vezes me pergunto qual seria seu jogo favorito.
Se quer mesmo saber, � um que eu n�o poderia ensinar �s crian�as.
Srta. Drake... O nome � Gobbles.
Voc�s devem estar saindo para se esbaldar, n�o?
Se ela seguisse minha sugest�o, at� que sim.
Ganhamos hospedagem em Bridge Pool. O lugar est� cheio de oficiais da For�a A�rea.
Mas n�o, Marion insiste em ir para Yorkshire Moors.
Para Moors? O mesmo lugar onde a pobre da Evelyn se perdeu?
Vamos, sim.
N�o sei como t�m coragem.
Quando penso em Evelyn perdida naquela charneca
sendo sugada naqueles p�ntanos horr�veis.
Bobagem. Deve � ter conhecido algum homem.
E acabou fugindo com ele.
Isso � mentira. Srta. Ives!
N�o � a primeira vez que faz essas insinua��es a respeito de Evelyn.
Sei que a odiava por ser jovem e bonita.
Como Diretora Adjunta desta escola, n�o permito...
Diretora uma ova, agora estamos de f�rias.
Vamos, Marion, n�o podemos perder o trem.
Bem, adeus. Adeus, querida.
Adeus, coleguinhas. Sejam obedientes e comportem-se.
N�o deve ser t�o r�gidas com a menina. Lembre-se, ela n�o � inglesa.
N�o � uma mo�a fina.
EXCLUSIVO PARA MULHERES
Ai! O que eu n�o fa�o pela beleza.
Imagina algum homen fazendo isso por n�s?
Estamos num vag�o s� para mulheres. Eu sei.
E me deixou entrar sem ao menos avisar?
Os outros vag�es estavam lotados.
Marion Ives, pode muito bem fazer com que desista de minhas f�rias maravilhosas em Bridge Pool
e te acompanhe pra esse seu lugar horrendo.
Mas se acha que vou viajar neste vag�o num trem abarrotado de homens...
Voc� viu?
Se n�o fosse pelo aviso rid�culo, ele teria entrado.
Algum amigo? Bem... eu reparei nele.
Ouvi seus amigos chamando-o de doutor.
Ent�o � s� ficar doente para arrumar um encontro.
N�o seja rid�cula...
Oh...
Oh... oh...
Ohhh... Doris, o que foi?
Pare com isso.
Sou m�dico, posso ajudar?
Na verdade n�o � necess�rio...
Parece grave. �?
S� dando uma inje��o de estricnina.
Estricnina?
N�o � perigoso? Bastante.
Ou mata ou cura.
Deixe ver... n�o lembro se � 0.3 gramas ou 0.03.
Sempre me confundo com fra��es.
Teremos que confiar na sorte.
Na verdade, acho que eram tr�s gramas.
Onde estou? Quem � voc�?
Nome, Randall, profiss�o, m�dico.
Inten��o, tir�-la daqui e servir-lhe caf� o mais r�pido poss�vel.
Estamos perto do vag�o-restaurante, fica logo � sua esquerda.
� muito gentil da sua parte, doutor.
N�o quero tomar seu tempo. N�o se preocupe.
N�o tomar�. Ora, doutor...
Vamos.
N�o vem comigo?
Posso desmaiar de novo.
Esse tipo de desmaio nunca sucede duas vezes...
com o mesmo m�dico.
Sou grato � sua amiga. Estava pensando como havia de me apresentar.
Parece que ainda n�o aproveitou a ocasi�o.
Estou fazendo o poss�vel.
Talvez n�o tenha percebido, mas este vag�o � s� para mulheres.
Essa � uma das vantagens de ser m�dico.
Tem-se acesso praticamente a qualquer lugar.
Se querem meu conselho, deviam evitar andar pela charneca.
O tempo est� virando e pode chover.
Ent�o est� decidido.
Mo�as finas n�o devem passear em tempo chuvoso.
Obrigada.
Ol�!
Ol�.
Que surpresa agrad�vel.
O que voc� est� fazendo por aqui?
S� estava de passagem.
Parece que voc� est� sempre de passagem, n�o?
� um dom que tenho. E voc�s, o que est�o fazendo no "xilindr�"?
Pegando informa��es.
Sobre o desaparecimento de Evelyn depois de seu �ltimo passeio pela charneca?
Hm-hmm. Gostaria que desistissem da ideia.
� meio m�rbido.
Sinto muito, Barry, mas j� falamos o suficiente a respeito disso esses tr�s dias.
Muito bem, mas pelo menos aceitem uma carona.
S� at� a metade do caminho. Voc� tem seu trabalho.
S� sou chamado para partos e �bitos e o pessoal daqui vive at� os cem.
E quanto aos partos? Raramente acontecem.
Maridos e mulheres n�o parecem dar-se muito bem.
Subam.
� minha esquerda fica Yorkshire Moors, � direita Yorkshire Moors.
E logo ap�s aquela subida, ter� uma bel�ssima vista...
de Yorkshire Moors.
Voc� deve ser vidente.
Acho melhor descermos aqui.
N�o brinquem com isso. Esses p�ntanos n�o s�o lugar para mo�as.
Al�m do qu�, o guarda tinha raz�o.
O tempo vai fechar mesmo.
N�o adianta, Barry, n�s vamos.
Diga isso de novo.
N�s vamos? N�o, a parte em que diz "Barry".
Sempre me excita.
Bobo.
Desculpe interromper a cena de amor do s�culo, mas quando come�aremos a andar?
Agora. Pode para aqui, Barry?
At� logo, Barry, e n�o se preocupe com o tempo. Estaremos de volta bem antes do anoitecer.
At� logo.
Est� ficando denso.
N�o dev�amos ter-nos afastado da estrada.
E seguido as instru��es daquele guarda divino que disse que isso era um atalho.
Nunca confie em guardas divinos.
Vai chover daqui a pouco.
Onde acha que estamos?
N�o sei. Vou pegar o mapa.
Aqui deve ser Kingsley. Estamos perto de Paddock Hag.
O que significa "hag"? � o mesmo que p�ntano.
Droga!
Doris, volte.
N�o!
N�o!
Marion! Marion!
Socorro!
Marion! Marion, estou afundando.
N�o d� para se arrastar?
Como foi parar a�?
Tentei sair, mas n�o consigo puxar meus p�s pra fora.
Segura isto.
Est� derrapando. Vamos, for�a.
Segure firme.
Por um momento achei que j� era. E ainda perdi meu sapato.
Uma casa!
Tem um homem.
Vamos.
Estamos perdidas e encharcadas.
Estamos mortas de fome. Quase afundamos no p�ntano.
Pode nos dar abrigo?
Quer se certificar de quem somos, n�o �?
Melhor entrarem. N�o h� para onde irem.
Melhor se secarem.
Me d�em suas coisas. N�o temos como lhe agradecer.
O que estava fazendo l� fora?
Andando. Na tempestade?
Gosto de tempestades.
Tem gosto pra tudo.
Conheci um cara que gostava de engolir espadas.
Eu consigo entender. � a sensa��o de isolamento.
Sozinho cercado de vento e chuva.
Sozinho, sim, concordo com voc�.
Isso � alguma indireta?
Disseram estar com fome. Vou preparar alguma coisa.
Falou Boris Karloff.
Meus p�s est�o em frangalhos.
Ele tem cara de quem enterrou a mulher debaixo da lareira.
Oh... estava falando de um livro que estou lendo.
Pensando melhor, � melhor virem me ajudar.
Tamb�m est� quente na cozinha.
Acho que teremos que dar duro para comer.
Traga os ovos e a faca de p�o.
Tem p�o dentro do arm�rio.
Que maravilha. Estou t�o faminta que meu est�mago est� nas costas.
Posso apresent�-los? Srta Marion Ives, Sr. Stephen Deremid.
Como sabe meu nome? Estava escrito nos embrulhos na dispensa.
Nem precisei me esfor�ar. Dando uma de detetive, hein?
Disc�pula de Nick Carter, n�o sabia?
Stephen Deremid, me parece familiar.
Que tal falarmos de voc�s?
N�o tem muito o que falar. Somos apenas professoras de f�rias.
Professoras? Calma, n�o vamos te dar um pito.
Onde trabalham? Na Escola Carne House, em Oxford.
Onde? Onde foi que disse?
Carne House, conhece?
J� ouvi falar.
O que as traz aqui para essas bandas?
� mais uma viagem sentimental.
Uma amiga minha morreu aqui ano passado.
Perdeu-se durante uma tempestade, como n�s hoje.
Nunca encontraram o corpo.
A charneca mais parece areia movedi�a, nunca devolve os mortos.
E eu n�o sei? Nem meus sapatos escaparam.
Senti que devia vir.
Em parte para me despedir dela aqui
e tamb�m para ver se por milagre descobria onde ela morreu.
Deve ter lido a respeito na �poca.
N�o recebemos jornais aqui. A casa � isolada do mundo.
Claro! Claro?
Agora sei de onde lembro seu nome.
� Stephen Deremid o compositor.
Stephen Deremid, que costumava comp�r.
Sim, faz anos que n�o comp�e nada.
Desisti da m�sica por causa da guerra.
Tinha uma ideia idiota de que valia a pena lutar pela civiliza��o.
De que nada, nem a m�sica, podia sobreviver em regime de escravid�o.
Mas voc� tinha raz�o. Tinha?
O mundo n�o achava.
Lutei com os republicanos na Espanha. �ramos chamados de Vermelhos.
Naquela �poca vermelho n�o era uma cor muito honrosa.
Mas tivemos a honra de combater as bombas alem�s e italianas.
A civiliza��o s� serviu para assistir a tudo e garantir que n�o se jogasse limpo.
Sei que foi horr�vel.
Bestial e criminoso.
Sofri de tudo. Fiquei enterrado sob escombros ap�s um bombardeio
e passei meses num campo de deten��o. Milhares de pessoas amontoadas e abandonadas.
Mas voc� voltou. Por que n�o continuou a comp�r?
Eu tentei.
Mas tinha desaparecido.
N�o havia prop�sito.
Por que essa amargura? Afinal, o mundo aprendeu sua li��o.
Ser�?
Talvez tenha raz�o.
Aquilo pelo que sofremos e morremos de forma t�o ingl�ria parece ter virado moda hoje em dia.
Voc� est� sendo amargo.
Sim, estou.
A Guerra Espanhola foi apenas uma preliminar. Esta � a atra��o principal.
E eu n�o fa�o parte dela, estou acabado.
Engra�ado, n�o?
Ningu�m dorme nesta casa?
Mostrarei seu quarto.
Podem ligar.
Ter�o que fazer as pr�prias camas.
A criada n�o veio, deve ser a tempestade.
Pegarei os len��is.
Aposto que est�o mofados.
Est� enganada.
N�o s�o usados h� 50 anos, mas o arm�rio � bem ventilado.
Cinquenta anos? N�o seria melhor uma mortalha?
Talvez estejam meio fora de moda.
Mas est�o secas e aquecem bem.
Eu, hein? Prefiro dormir de combina��o.
Como preferir.
Acredite se quiser, isto � um despertador. Porei para as oito, assim podem sair cedo.
Nada melhor que se sentir bem-vinda.
Quero que tranquem a porta.
Era s� o que faltava.
Muito bem.
� que minha criada pode chegar cedo.
Se encontrar a porta trancada saber� que tenho visitas.
Fariam o favor?
Se for do seu agrado.
�.
Onde j� se viu?
N�o confia em si mesmo.
Deve ser meu jeito de ser.
Trate-os mal que ficam aos seus p�s.
Lembra um filme que eu vi de Diana de Poitiers. Quem fazia par com ela?
Uma cortes� medieval.
E dormia com uma coisa dessas? Essas mulheres tinham muito que aprender.
Acreditavam no charme da discri��o.
Queria ver se fosse com os homens de hoje.
O que foi?
� a Evelyn.
De repente me sinto perto dela, mais do que jamais me senti desde que ela morreu.
� como se tivesse aberto os olhos de repente
e a visse sentada ao p� da cama,
sorrindo atrav�s das sombras...
Acha que ela pode estar aqui?
Neste quarto?
N�o, � s� uma sensa��o.
Talvez porque tocaram no assunto l� embaixo..
Onde vai?
Trancar a porta.
Acha que � mesmo necess�rio?
Afinal, quem n�o arrisca n�o petisca.
Se � que me entende.
Sei exatamente o que quer dizer.
Escute!
Desliga essa coisa infernal.
Desliga essa luz, quer que fique cega?
Vamos, Doris, hora de acordar.
Estou resfriad�ssima.
Depois do que ele disse ontem, n�o podemos ficar.
Tudo bem, sempre quis ver como era uma pneumonia.
Isto � um crime, um verdadeiro crime.
Est� vendo o que vejo ou � uma miragem?
Bonito, n�o?
As margens do rio devem ter erodido e, com a enchente, formou-se isto.
Bem, eu n�o vou nadar, vou � pra cama.
Estamos completamente isolados?
Se n�o chover mais, a �gua escoar� rapidamente.
Caso contr�rio, ficar� aqui at� que baixe o n�vel.
O que vamos fazer? N�o pedi que viessem.
Desculpe, procuraremos atrapalhar o m�nimo poss�vel.
N�o quero que fiquem bisbilhotando pela casa.
Ora essa!
� natural que se sintam tentadas a procurar quartos secretos
e esconderijos numa casa velha como esta.
N�o seria t�o boba assim.
Na verdade, h� um quarto secreto mas nunca me dei ao trabalho de procurar.
Quarto secreto? N�o o encontraria mesmo, portanto nem tente.
Tamb�m n�o conseguir� entrar no meu quarto e no meu escrit�rio.
Mantenho-os trancados.
Qual deles � o quarto do Barba Azul?
O �nico problema dessa hist�ria � que v�tima foi salva.
Marion, suba aqui. O que foi?
Temos que encontrar esse quarto secreto. Adoro quartos secretos.
Precisa voltar para a cama. Nunca vai encontr�-lo.
Vou tentar mais uma vez.
Ouviu? Est� oco. Vamos.
Olha.
Acha que pode ter um corpo a� dentro?
N�o seja tola.
Vamos abrir para ver. N�o, acho melhor n�o.
Vamos embora. Espere, o quarto secreto.
Tamb�m � oco.
Ser� que encontramos?
Se me debru�ar pela janela poderei ver se tem um quarto entre este e o pr�ximo.
Me ajuda. Deixa que eu olho.
Procura algo?
Ele est� subindo. Eu sei.
A essas alturas j� devem ter visto tudo que queriam.
Preciso de algu�m que me ajude. Alguma obje��o?
Claro que n�o. Emprestarei meu macac�o.
Pode usar as galochas da minha criada.
Ele n�o se incomodar�? � uma fil�sofa, n�o se incomoda com nada.
A tempestade acabou com o telhado.
Guardo cereais a� dentro.
Eis sua chance de se mostrar �til.
R�pido. J� estou indo.
Vamos, vamos...
Se pudesse se ver.
Deixe-me ajud�-la. Posso sair sozinha.
Bela hora que escolher para dar um mergulho!
Melhor vestir umas roupas secas.
Estou �tima assim.
N�o seja tola.
Que foi que ele aprontou?
Eu escorreguei. Eu tamb�m, mas n�o fiquei nesse estado.
Tire essa roupa. Vou pegar algo para se vestir.
Tudo meio fora de moda.
Ent�o? Linda!
Isto �, o vestido.
Pertenceu a minha av�.
Prefere cogumelos ou maligatoni?
N�o sei, faz diferen�a?
Decida-se.
Cogumelos.
Eu tamb�m. Ent�o o maligatoni vai para Doris.
Mas est� resfriada. N�o � temperado demais?
Ser�?
Que cozinheiro. Sei fazer 57 sopas diferentes.
Por falar nisso, e sua criada?
A Sra. Ranger? Ela � um tesouro.
Fez muito por mim.
Foi minha enfermeira no hospital para onde fui mandado ap�s o campo de deten��o.
Estava em tal estado que n�o me permitiam usar navalhas nem tesouras.
Quando recebi alta ela veio para c� comigo.
Est� comigo desde ent�o.
Al�m de voc�, s� tem ela aqui?
N�o, tem Sturrick, o quebra-galhos.
Ele a levou para fazer compras em Pensley.
Onde pegou isso?
Da Evelyn. Ela tinha um igual.
Por que pergunta?
Nenhuma raz�o em especial. Devo ter visto um parecido em outro lugar.
Evelyn tinha um carinho especial por ele.
Ela o via como um s�mbolo.
Ia dar para o homem por quem se apaixonasse.
E deu?
N�o chegou a conhec�-lo.
E voc�?
Conheci homens cujo car�ter me agradava,
outros que eu admirava pela intelig�ncia...
mas que nunca significaram nada para mim.
Conheci outros...
ignorantes e grosseiros.
Voc� entende...
Entendo...
A crueldade exerce uma estranha fascina��o.
O n�vel das �guas desceu bastante.
Amanh� j� poder� partir.
Eu sei.
Vi pela janela antes de descer.
H� quase um ano que n�o consigo tocar assim.
� como se voltasse a viver.
Amanh� voc� ter� partido.
Queria mand�-la embora, e ainda quero...
Mas por qu�? Porque � melhor para n�s dois.
Mas isto n�o significa nada para voc�?
Significa, sim, mas � algo fora do meu alcance. N�o deveria ter dado margem para que acontecesse.
Ent�o por qu�... Chega de perguntas. Pense o que quiser,
s� n�o fa�a mais perguntas.
Sei que emo��es s�o ef�meras, podem parecer reais e morrer de uma hora para outra.
N�o � isso.
� que n�o adianta, � tarde demais.
Voc� se conhece melhor que ningu�m. A vida � sua.
Est� linda agora.
Como se uma luz a iluminasse por dentro.
Devo agradecer-lhe por isso.
Acho que vou para a cama, Stephen.
Partirei antes que acorde de manh�.
Adeus Marion.
Adeus
Se n�o me engano, alguma voc�s andaram fazendo.
Ele te beijou?
Sim. Continua!
S�. Bem, pelo menos te beijou, j� � algum progresso.
Doris, olha isto.
O que � isso? N�o v�? � um boletim da Carne House. Como veio parar aqui?
Ora, Pode ser Osbourne House, Melbourne House, qualquer uma que termine em "e".
Mas estou reconhecendo, � a mesma que usamos em Carne.
Assim como metade das escolas na Inglaterra. E mesmo que fosse?
N�o entende?
Se for de Carne
s� uma pessoa poderia ter trazido.
Evelyn.
Evelyn?
Ontem eu senti que ela tinha estado neste quarto.
Bobagem. Stephen nem tinha ouvido falar nela.
Ent�o como isso veio parara aqui?
O vento trouxe da charneca e Stephen pegou.
Ele tem cara de quem n�o joga nada fora.
Sim, e se leu o que est� escrito
isso explicaria sua rea��o ao dizermos que trabalh�vamos l�.
Vamos dormir. Gra�as a Deus que as �guas baixaram e poderemos partir pela manh�.
Sim, e nunca mais voltaremos a ver Stephen.
Vamos, Jim, ao trabalho.
Deve ser a Sra. Ranger.
Sim, e voc� deve ter sido pega pela tempestade e o Sr. Deremid a abrigou.
Ele levou minha roupa para secar. Vim peg�-las.
Com certeza est�o no arm�rio na cozinha.
Vamos, Jim, v� cuidar das lareiras.
S� estava olhando.
Vamos, vou lhe mostrar.
Est�o secas. Sr. Stephen � at� bem esperto para um solteiro.
Oh... terei que emprestar-lhe minhas meias. Isto �, se n�o se importar.
Claro que n�o.
O Sr. Stephen falou de mim? Sim. Disse que o ajudou quando mais precisava.
Fiz o que pude.
Preciso ir mudar de roupa. Estou com uma amiga.
Ela deve estar preocupada com minha demora.
Pegarei as meias.
Nossa, a casa est� cheia de mulheres.
Desculpe se o assustei.
N�o foi isso, � que n�o estou acostumado a vis�es t�o bonitas a essa hora da manh�.
Vis�es? Ora, n�o exagera.
Existem garotas muito mais bonitas que eu. N�o nesta casa.
Essa casa n�o v� uma jovem h�...
bem, h� muito tempo.
Quando foi a �ltima vez?
Tenho que acabar meu servi�o.
N�o se assuste, ele n�o machuca.
Fa�a um carinho. � um mico?
N�o, � um macaco prego.
Um para�so para pulgas.
Como se chama? Cain.
Bom nome b�blico, n�o?
Ele dorme comigo, sabia?
At� me cutuca se ocupo o lado dele.
E as pulgas? Elas n�o gostam do meu sangue.
Mas ele gosta de cutucar mocinhas.
Doris, esta � a Sra. Ranger, a criada do Sr. Deremid.
Como vai? Eu sou Jim Sturrick, e este � Cain, o macaco prego.
Sua amiga me contou de suas aventuras. Deve estar feliz de ir embora desta charneca.
Feliz? Vou me mandar pra civiliza��o nem que seja a nado.
Acho que n�o ser� necess�rio.
N�o fique parado a�. Pegue o carro e leve as mo�as onde desejarem.
� muita gentileza, mas... N�o quero saber.
J� andaram demais. E a charneca fica ainda mais perigosa depois dessa chuvarada.
Vamos. Acompanharei voc�s at� o carro.
Vamos!
E voc� se comporte.
Dia desses ele mordeu meu traseiro e quase bati com o carro.
Vamos, Jim, elas n�o t�m o dia todo.
O campo est� bonito depois de tanta chuva, n�o?
Sempre digo que terra � como gente.
Uma boa pancada n�o faz mal a ningu�m.
A �nica diferen�a � que sem �gua, a terra fica seca e racha.
Se fosse gente, s� ficava fedorenta.
N�o me importo de tomar banho de vez em quando...
quando percebo as pessoas come�ando a me evitar.
A� eu digo: "Jim Sturrick, voc� est� come�ando a feder."
Daqui voc�s t�m uma bela vista de Paddock Hag.
V� aqueles tr�s caminhos que cruzam o local?
N�o tentem andar por ali.
Acabar�o com a cabe�a debaixo da lama.
Dizem que um deles � seguro.
Mas todos que tentaram descobrir sumiram.
Devem ter acabado alimentando a charneca.
Ningu�m conhece o caminho certo para atravessar?
O Sr. Stephen acha que conhece.
Passa muito tempo olhando para a charneca.
Parece que o atrai de alguma maneira.
Detesto ter que partir assim, sem ter descoberto nada sobre Evelyn.
Ora essa, est� preocupada � com o resmung�o.
Tamb�m detesto ter que deix�-lo.
N�o entende, Doris? O boletim, a sensa��o de que ela tinha estado no quarto...
Chega. Quanto mais cedo esquecer, melhor.
Pare, por favor.
Vou voltar. N�o seja louca, Marion.
Mas eu preciso saber sobre Evelyn.
N�o pense que vou com voc�, pois n�o vou.
Vou voltar pra Bridge Pool pra me divertir com gente normal.
Adeus, Doris.
Ol�.
Esqueceu alguma coisa?
Sra. Ranger, eu tinha que voltar.
� o Sr. Stephen?
Me pegou num dos meus hobbies. Eles n�o s�o ador�veis?
Veja, com isso eu produzo a l�...
para fazer su�teres para minhas sobrinhas. Elas adoram.
N�o � uma criatura linda?
Ele ainda est� dormindo.
Sra. Ranger...
suponho que eu n�o seja a primeira pessoa que recebe aqui...
Fala de turistas? Batem com a cara na porta.
Mas sempre pode aparecer algu�m que n�o d� para se mandar embora...
Algu�m que se perdeu na charneca, ou ficou presa na tempestade...
e procura abrigo, como aconteceu comigo.
� estranho que fale nisso...
Acho que n�o deveria falar, mas...
pelo jeito voc� sabe guardar segredo...
Acho que aborreceria o Sr. Stephens se toc�ssemos no assunto de novo.
Por favor, conte-me.
Muito bem, contarei.
Vamos l�, Emily.
H� cerca de um ano apareceu aqui uma mo�a. Havia-se perdido na charneca.
Como ela era?
Morena, muito bonita, era uma professora.
Depois que partiu, puseram-se a dizer que tinha afundado num daqueles p�ntanos.
At� a pol�cia de Pensley foi chamada. Uns est�pidos.
Vasculhando tudo para ver que dire��o ela tinha tomado.
Como se fosse poss�vel perder-se em plena luz do dia voltando pelo mesmo caminho que veio.
Para Brickfall? Isso mesmo.
N�o a vi partir. Eu e Jim est�vamos em Pensley naquele dia.
O Sr. Stephens � que a viu por �ltimo.
Est� apaixonada por ele, n�o est�?
Igual � mo�a do ano passado.
Deve achar que com o tempo ele tamb�m se apaixone por voc�.
Sim.
Sinto muito.
N�o estou fazendo serm�o nem quero criar problema. Gostei de voc�.
N�o quero v�-la magoada, nem ele.
Como ele poderia magoar-se? Seria f�cil.
Acho que ainda n�o entendeu seu problema.
� a melhor pessoa que conhe�o. Gosto dele como se fosse meu filho.
Mas n�o h� mais lugar para ele no mundo l� fora.
N�o posso acreditar nisso.
Depois que se feriu na Espanha, eu acompanhei sua convalescen�a.
Ele odiava o mundo e tudo que fazia parte.
Criou ent�o uma parede em torno de si para isolar-se desse mundo.
Cada ano que passa, mais ele se afasta.
Mas e se eu quiser compartilhar de sua vida e tamb�m me isolar do mundo?
Talvez conseguisse por algum tempo.
Em alguns meses ele estaria com os nervos � flor da pele.
Mesmo assim, tenho que v�-lo.
Muito bem, mas agora que j� sabe, espero que seja mais f�cil.
Mais f�cil?
Quando ele lhe pedir que v� embora.
Ol�, Jim.
Deixou a mo�a na esta��o?
Estava bem assanhadinha para partir.
Isso n�o s�o modos de se falar de uma mo�a.
Andou bebendo?
Essa hora da manh�? Est� tudo fechado.
Venha c�, deixe cheirar seu bafo.
Tem raz�o, n�o podem ter aberto ainda.
A enchente causou algum dano? Ainda n�o tive tempo de olhar.
O muro desmoronou do outro lado do port�o. Est� tudo enlameado.
Ent�o � melhor que conserte.
Deixarei que o patr�o se encarregue. Sabe como ele gosta de argamassa.
Sempre achei que ele leva jeito.
Vamos, v� andando.
Devia estar trabalhando e n�o tagarelando como uma velha.
Com licen�a.
E voc� parece estar precisando de um bom sono.
Por que n�o vai para seu quarto? Chamarei quando ele acordar.
Vamos.
Cain.
Cain.
Desce aqui.
Desce, seu safado.
O que est� fazendo aqui?
Desculpe, senhora, n�o foi para ofender.
Vim pegar meu macaco.
Achei que ele poderia assust�-la.
N�o foi ele que me assustou.
Venha c�, seu safado.
N�o tem vergonha de se comportar desse jeito no quarto da mo�a?
Parece gente, senhorita.
Nunca me esque�o da primeira vez que o levei a Pensley.
Ele entrou no banheiro das mulheres.
Abra a porta! Abra a porta!
Est� tudo bem, querida?
Quando ouvi aquele grito achei que ele a tinha pegado.
O que voc� est� fazendo aqui?
Tudo bem, ele s� veio atr�s do macaco.
Isso, vim atr�s do macaco. Seu tonto, deve t�-la dado um baita susto.
Anda, rua! Leve seu mico, vamos.
N�o � mico, � um macaco prego.
E ponha-se a trabalhar!
Jim tem um cora��o de ouro mas menos miolo que meus coelhos.
Faz uma hora que o Sr. Stephen acordou.
Quando o vi encaminhava-se para os est�bulos.
Bom dia. Por que ainda est� aqui?
Stephen, eu sei por que n�o quer que eu fique.
Nem eu nem qualquer outra mulher.
Sei que Evelyn esteve aqui.
E da�? Por que n�o me disse?
Afinal era minha amiga.
E esta morta.
Quero saber dela. Tudo bem, ela esteve aqui e eu a mandei embora.
Foi porque ela se apaixonou por voc�?
Sim. E voc� n�o a amava.
Se a tivesse amado, ela poderia t�-lo ajudado.
Eu poderia ajud�-lo, Stephen.
Nunca me perdoaria se tivesse ido embora sem ao menos tentar.
� muita pretens�o da sua parte.
Me v� como uma vers�o masculina da bela adormecida esperando ser acordado com seu beijo.
N�o, voc� � mais como a v�tima de um acidente de avi�o ou queda de cavalo.
A �nica maneira de se reerguer seria voltando a montar um cavalo ou voar de avi�o.
Continue. A guerra espanhola foi seu acidente.
Sua ferida foi ficar enterrado ap�s o bombardeio.
E ainda por cima, sua amargura e sua frustra��o.
Voc� nunca tentou se recuperar. Continua enterrado aqui, isolado do mundo.
Escute, Stephen, procure se curar comigo.
N�o sei se devia agir assim.
S� o fa�o porque te amo.
E antes de partir, pelo menos tenho que tentar ajud�-lo.
Ent�o acha que um pequeno interl�dio com voc� me devolveria curado para a vida.
Se quiser entender assim.
Farei o que voc� quiser enquanto estiver aqui.
Contanto que se recupere e seja feliz de novo.
Depois...
se n�o quiser que eu fique, irei embora para sempre.
V� embora agora. Acha que vai resplandecer gloriosa s� por me salvar?
Sua tola.
J� rechacei mulheres lindas, mulheres de verdade.
Acha que mudaria tudo por uma professorinha sentimental�ide como voc�?
Stephen! Voc� n�o tem nada, nem beleza nem intelig�ncia.
Apenas algumas no��es incipientes de vida tiradas de papos em salas de professores.
V� embora agora.
Marion!
Comece tudo de novo. Como pode pensar nisso agora?
S� posso pensar nesses poucos dias que temos � frente...
nas horas...
Trouxe suas p�lulas. N�o quero p�lula nenhuma.
Mas � lua cheia.
Desligue a luz.
Stephen, o que foi?
Suas p�lulas, senhor.
Tomar� as duas antes de dormir?
Duas bastar�o? Sim. Da �ltima vez n�o bastaram.
Hoje bastar�o. Muito bem.
Pare de me olhar desse jeito.
N�o pode se atrasar.
N�o se preocupe. A Srta. Ives j� vai subir.
Boa noite.
Boa noite.
Vamos. Tome-as.
Tem que ir embora imediatamente. Ora, Sra. Ranger, j� falamos tanto disso.
Sei que n�o fala por mal, mas estou segura e pretendo ficar.
Mas n�o sabe o risco que est� correndo.
A senhora j� me preveniu o suficiente.
Posso magoar Stephen e a mim mesma.
N�o � s� isso.
N�o sente que h� algo de errado nesta casa?
Tentarei dizer de outra forma.
Nada te intriga neste lugar, em n�s?
Esta casa � maligna.
Uma pessoa instru�da como voc� tem que ter percebido.
Por que acha que n�s tr�s moramos aqui, isolados do mundo?
Voc� j� me disse... ele me disse. Isso n�o � nem metade da hist�ria, querida.
Eu...
n�o posso contar tudo...
Sinto-me como um c�o indeciso entre que comandos obedecer.
N�o posso dizer por qu�, mas voc� tem que ir.
Pelo menos me d� uma pista.
J� falei at� demais. V� embora, por favor.
Parta amanh� cedo antes que ele acorde.
N�o. N�o importa o que seja, vou ficar.
Muito bem, fiz o que pude... disse tudo o que ousei.
Me prometa uma coisa. O qu�?
Se sentir ou ouvir algo estranho, que a assuste,
me procure imediatamente.
Sim, prometo.
Mantenha a porta sempre trancada.
Foi o que Stephen falou.
Tranque-a agora. Assim que eu sair.
Boa noite, querida.
Tente dormir.
Stephen! Stephen!
Ele o matou.
Ele matou Cain.
Quebrou o pesco�o, pobrezinho.
Coitadinho do Cain.
Se estivesse preso, teria salvado o mico e poupado a ela.
N�o � um mico, � um macaco prego.
Leve-o daqui, leve-o.
Acha seguro...? Deixar-me sozinho?
Sim, Sturrick, j� fiz minha v�tima de hoje.
Depois da guerra, ao sair do campo de deten��o...
mandaram-me para um hospital aqui na Inglaterra.
A Sra. Ranger foi minha enfermeira.
L� um neurologista disse que um choque como o meu
poderia resultar em algo permanente e recorrente em intervalos regulares.
A lua cheia?
Sim, a lua cheia.
Quando me julgaram curado, tive alta e fui mandado embora sob os cuidados Sra. Ranger
que ficou encarregada de me dar as p�lulas para dormir.
Minha senhoria tinha um cachorrinho pequin�s que me adorava.
Eu era muito feliz l�.
A�, de repente, tudo parou.
Uma noite acordei ca�do no ch�o...
com o pequin�s na m�o...
morto.
Minha m�o direita apertando seu pesco�o.
Aquele foi o primeiro apag�o de que os m�dicos me haviam alertado.
Eu tinha matado um c�o. Da pr�xima vez poderia ser um homem.
A� a Sra. Ranger entrou no quarto.
Ela percebeu logo o que tinha acontecido.
Acho que sabia que iria acontecer.
Pegou o c�o e me colocou na cama.
No dia seguinte nos mudamos para uma casinha em Dorset.
Passaram-se alguns meses, eu at� j� me sentindo mais seguro, mas aconteceu de novo.
Decidi ent�o me refugiar aqui.
Sei o que eles fariam comigo se descobrissem.
Me trancafiariam num asilo cercado de m�dicos com sedativos,
me estudando como cobaia.
J� imaginou um lugar como aqueles?
Todos fingindo fazer parte de uma grande fam�lia feliz...
ao mesmo tempo todos se entreolhando desconfiados e com meios sorrisos.
Um verdadeiro pesadelo.
N�o teria suportado. Em menos de um m�s teria acabado numa camisa de for�a.
Decidi ent�o vir para c� e ignorar o mundo.
�s vezes, ap�s intervalos maiores de lucidez,
chegava a acreditar que algum dia j� fora s�o.
A� a crise se repetia e voltava tudo atr�s.
N�o tenha pena de mim, de alguma maneira eu consegui vencer.
Devia estar trancafiado, internado, mas estou livre
na minha propriedade, minha casa...
assino cheques que s�o aceitos...
Consegui passar a perna no mundo.
Todo dia durante estes cinco anos eu me vanglorio disso.
Mas isso n�o � incur�vel, n�o imagina os progressos feitos nessa �rea.
Acha que me arriscaria?
Mas � um desperd�cio.
N�o quero que fale nada quando se for.
Mas n�o est� certo... Isso eu decido.
Devia t�-la mandado embora de sa�da.
Agora sabe por que tenho que mand�-la embora, por que tinha que trancar sua porta.
Eu te amo, voc� conseguiu arrancar isso de mim.
N�o se prevale�a disso para me trair.
Prometa-me isso.
Mas, Stephen... V� para a cama.
Quero ficar sozinho.
Bom dia.
Bom dia. Teria feito de tudo para que n�o acontecesse dessa maneira.
Tantas vezes eu tentei contar, mas n�o conseguia.
Sturrick n�o podia ter-se descuidado permitindo que voc� presenciasse a cena.
Com o tempo eu acabaria sabendo de tudo mesmo.
Antes tivesse partido quando pedi.
Pelo menos agora sei que n�o � porque n�o me ama.
Al�m do mais, eu vou voltar. N�o pode, s�o � seguro.
J� pensei nisso tudo. Pense nele.
Seria insuport�vel para ele saber que voc� est� a par de tudo.
Sra. Ranger, acredito que seu mal seja cur�vel.
N�o � org�nico e n�o � heredit�rio.
Resulta de um choque.
Um surto ocasional.
Se encontr�ssemos um neurologista... Ele nunca haveria de consentir.
Eu conhe�o um. Um dos melhores do mundo.
Stephen n�o precisaria saber. Ele poderia vir aqui sob algum pretexto.
Entendo, mas me diga uma coisa.
N�o quero ser mesquinha, mas quanto um m�dico desses cobraria?
Nossa, eu n�o tinha pensado nisso.
Tenho algum dinheiro, tamb�m posso pedir adiantamento...
Mesmo assim, creio que n�o seria o suficiente.
Acho que posso encontrar esse dinheiro aqui.
Como? O bisav� do Sr. Stephen tinha muitos objetos de ouro.
A maioria foi encontrada ap�s sua morte.
Dizem que as coisas mais importantes ele escondeu nesta casa.
Se for verdade, sei onde est�o.
No quarto secreto? Como sabia disso?
Stephen me contou, mas disse que nunca encontrou.
Acho que sei onde fica. Eu tamb�m. Onde?
No andar de cima h� uma janelinha coberta de trepadeiras
S� se v� prestando muita aten��o.
Tamb�m acho. Se existe algo de valor � l� que deve estar.
N�o me sentiria bem entrando l�. Mas est� fazendo pelo seu bem.
Sim, � verdade.
Mas como, quando?
Sturrick vai nos levar a Pensley � tarde. O Sr. Stephen precisa ir ao banco.
Levar� pelo menos uma hora, tempo suficiente para voc� entrar.
Est� bem. Que bom que vamos ajud�-lo juntas.
Voc� aqui. Posso ir embora a hora que quiser.
Ainda n�o. Lembra-se o que lhe disse ontem sobre uma promessa?
N�o sei se foi claro... Sabe muito bem.
Descobriu meu... segredo... para usar uma palavra bem dram�tica.
Quero que me prometa que permanecer� segredo.
Sabe que nunca contaria a ningu�m. E se contasse s� seria para ajudar.
� disso que tenho medo.
Que procure um charlat�o que me use como cobaia
at� cansar-se da experi�ncia e entregar-me �s autoridades.
Mas Stephen, assim como os padres, todo m�dico tem compromisso com a confidencialidade.
Est� esquecendo uma coisa.
Loucos s�o considerados uma amea�a � sociedade.
Agora escute bem, n�o falar� com ningu�m a meu respeito, est� entendido?
E se eu me recusar? Afinal, eu te amo. Isso n�o me d� algum direito?
De jeito nenhum, a vida � minha.
Promete?
E se me recusar? Est� me for�ando a ser dram�tico de novo.
Enquanto n�o prometer, n�o posso permitir que saia desta casa.
Entendo.
Pode entrar.
Olhe, querida, trouxe-lhe seu almo�o.
Ele pediu-me que n�o a deixasse sair do quarto. O que significa isso?
Deve estar desconfiado de que v� fazer alguma coisa. Ent�o n�o deve faz�-lo.
� muito perigoso.
Perigoso?
Receio por voc�, Marion.
Tem alguma coisa mais que voc� n�o me contou.
Gra�as a Deus n�o sei.. e nem quero suspeitar.
Conte-me, por favor.
N�o pretendia contar, mas agora preciso.
A mo�a que esteve aqui ano passado soube do problema.
Assim como voc�, tamb�m queria trazer um m�dico.
Ele n�o conseguiu dissuadi-la, tal a sua determina��o.
Dizem que ela sumiu em Paddock Hag.
Seu corpo nunca foi encontrado.
Mas ningu�m a viu sair desta casa.
Sei o que est� pensando.
N�o � verdade.
� imposs�vel.
Entende agora por que n�o deve se arriscar mais ficando aqui?
Levarei adiante meu plano.
Realmente o ama, n�o �?
Ent�o muito bem.
Mandei Jim pegar a escada. Est� encostada l� fora.
Ele nunca passa por ali.
Sra. Ranger.
Muito bem.
Vou tranc�-la aqui. Quando voltar falaremos do futuro.
Sturrick.
O que fazia a� em cima?
O que significa isso, decora��o de exteriores?
Aconteceu alguma coisa?
Calma.
Estou bem...
� s� a claridade depois de toda aquela escurid�o.
O que �, um quarto secreto?
Como sabia? Elementar, cara Watson,
a escada e suas acrobacias indicam que a porta est� trancada.
O que est� fazendo aqui? Duas raz�es.
Uma � sua amiga voluptuosa. Doris?
Sim, encontrei-a em Brickfall.
Ela me contou uma hist�ria maluca sobre uma casa misteriosa,
peda�os de papel presos numa porta de arm�rio,
um medalh�o dado a uma mo�a que morreu,
e um tipo anti-social chamado Stephen.
Da� achei melhor dar um pulo aqui e investigar um pouco.
Disse que havia duas raz�es.
Ah, sim, n�o lhe contei? Estou apaixonado por voc�.
Barry, por favor. Eu sei, s� faz uma semana que te conheci...
passamos alguns dias juntos...
Mas n�o importa, meu cora��o deu um pulo quando a vi no trem.
E est� pulando desde ent�o.
Barry, por favor, n�o posso... Tudo bem, mas me diga uma coisa.
Ama mais algu�m?
N�o... n�o!
J� tinha escutado da primeira vez.
Enquanto ele est� em Pensley, leve-me daqui j�.
Foi para isso que vim.
O carro est� perto com a voluptuosa Doris esperando.
Ela n�o teve coragem de voltar aqui. Espere que vou pegar minhas coisas.
Coma outro bolinho. N�o, obrigada.
Ora, vamos, n�o vai te fazer mal.
Dizem que homens adoram de curvas.
Que mais?
N�o deu tempo para saber.
L� estava eu, numa cidade cheia de exemplares magn�ficos.
De repente minha consci�ncia vem e me lembra da Marion.
E sua consci�ncia venceu. Pela primeira e �ltima vez.
Tive sorte de encontr�-la assim que chegou a Brickfall.
Nem fala. N�o estava nem um pouco a fim de me encontrar sozinha com Dr�cula.
Anda, Marion, acorda. Esque�a esse rabugento.
N�o implique, Doris. Sei como se sente.
N�o me admiro que tenha se assustado com o que viu naquele quarto.
Que quarto? O que voc� encontrou?
Voc� entrou l�? Sim, subi pela escada enquanto voc� pegava suas coisas.
Voc� viu? O esqueleto? Sim.
Um esqueleto? Sabia que ele tinha um escondido em algum canto.
Como futuro m�dico legista, fiquei curioso.
Isto �, de saber h� quanto tempo ele estava l�. Ele?
Imagino que se trate de algum padre. O local era um esconderijo na �poca.
� de um homem? Certamente, e de mais de 300 anos.
Sabe o que est� dizendo? Se h� alguma coisa que conhe�o s�o ossos.
Quando era estudante de medicina, lembro que me trouxeram um esqueleto que...
Me leve de volta, Barry.
Achei que ia pedir mesmo. Bem, � a� que eu entro.
Eu, hein? Prefiro manter meu esqueleto vestido.
Ela era um colosso de mulher.
Da�, falando na l�ngua dela como nativo, eu disse:
"Mademoiselle, voulez-vous..."
Voc� o ama muito, n�o?
Sim.
Aqui est� bom. Vou descer aqui, Barry.
N�o posso lev�-la at� a casa?
N�o, prefiro andar.
Quer que espere?
N�o. Eu n�o voltarei.
Pegue-a, Jim.
Devia saber que voltaria.
T�o quietinha a� enquanto eu dava um jeito no coelhinho.
Bem espertinha, n�o? Agora Jim ter� que dar um jeito em voc�.
Como faremos? Podemos lev�-la para cima e fazer tudo l�.
Depois a colocamos ao p� da cama dele.
Quando acordar, diremos que foi ele.
Ficar� mais nervoso que nunca.
Acho que se engana. Pode se desesperar e decidir entregar-se.
Ent�o parece que o p�ntano � a melhor solu��o.
Tem raz�o, Jim.
Tem toda a raz�o.
R�pido.
Est� voltando a si, Jim. N�o bateu com for�a suficiente.
Dessa vez ser�.
N�o grite, ningu�m vai te ouvir.
Por que fez isso com Stephen?
Pela mesma raz�o de sempre, dinheiro.
At� que nos pagou muito bem para cuidarmos dele, n�s que sab�amos de suas inclina��es assassinas.
Ele n�o matou. Agora eu sei.
Os animais j� estavam mortos. At� Cain.
Voc� os matou. Nada mal, voc� � esperta.
As p�lulas eram s� para que ficasse inconsciente enquanto voc� colocava os cad�veres em suas m�os.
Era at� engra�ado como ele as tomava achando que fariam bem.
Planejou tudo desde o in�cio quando era sua enfermeira no hospital.
Tem raz�o, planejei, sim. Voc� � p�rfida.
Fez com que ele dependesse de voc�
E por isso mesmo continuasse sofrendo.
Foi at� divertido.
V�-lo tentando se recuperar s� para faz�-lo voltar � estaca zero assim que se achava curado.
Como nos divert�amos...
Achou que podia escapar, hein?
Igual � sua amiga Evelyn, s� que vai acabar no p�ntano como ela.
Voc� matou Evelyn? Sim, ela encasquetou a mesma ideia que voc�.
N�o pod�amos arriscar que um especialista atestasse sua sanidade.
T�nhamos que det�-la.
E foi o que fizemos.
Jim, estamos perdendo tempo. Quem vai fazer, eu ou voc�?
Deixe comigo, nunca fiz antes.
N�o se mexam.
Desculpe t�-la feito passar por isso.
Tinha que ouvir tudo que tinham a dizer. Estava seguindo-os desde o in�cio.
Est� surpresa, hein, Sra. Ranger?
� meu �nico segredo que n�o conhecia.
Trouxe comigo da Espanha e tem sido um grande consolo.
Toda noite ao v�-lo eu pensava:
quando se tornar insuport�vel, antes que me acorrentem,
sempre haver� esta sa�da.
Mas agora parece que ter� outra serventia.
Mataram Evelyn. Iam me matar tamb�m, mas eu custei mais a morrer.
Pensem nisso, ser s�o e ao mesmo tempo achar-se demente.
Ent�o, o que pretende fazer?
Vou lev�-los para a pol�cia em Pensley.
Vai acusar-nos da morte de Evelyn, uma solteirona Deus sabe l� de onde?
Parece piada. Onde est�o as provas?
Uma hist�ria contada por uma mulher hist�rica e voc�,
um homem que h� anos age como um idiota.
Al�m do mais, n�o h� assassinato sem corpo.
Acha mesmo que v�o dragar um p�ntano s� para isso?
Muito bem, Sra. Ranger. Eu mesmo a condeno e passo sua senten�a.
N�o, Stephen, n�o.
Gostaria de atirar e v�-los morrer.
Mas n�o serei seu a execut�-los. Aquilo � que decidir�.
V� aqueles tr�s caminhos?
Conhece a hist�ria. Um deles leva at� o outro lado.
Os outros dois terminam num atoleiro.
Podem escolher. E, se escolherem mal, pensem em Evelyn enquanto estiverem afundando.
Ele est� falando s�rio.
Melhor come�arem. Posso mudar de ideia.
Agrade�o por todos os momentos que sofreu durante esses cinco anos.
Vamos, vamos.
Tomaremos o da esquerda. N�o, o do meio, do meio.
O da esquerda. Confie em mim, eu sei.
Fique andando, sen�o ele atira.
Controle-se, j� disse que est� tudo bem.
Eles v�o conseguir atravessar.
Estou-lhe dizendo, este � o caminho errado.
Cale-se.
Vou voltar. E deixar que ele atire em voc�?
N�o me importa, n�o quero morrer nesse p�ntano.
Vou voltar, vou...
Stephen.
Que horr�vel.
Por que n�o escolheram o caminho certo?
Mas eles escolheram. Por isso eu os deixei ir.
Este � o caminho que leva ao outro lado.
Legendas: Lu�s Filipe Bernardes
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