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Fanny!

Mãe!

Siri!

Maj!

Avó!

Alexander, o que está a fazer?

Queres jogar antes do jantar?

FANNY E ALEXANDER

- É meu 43° Natal aqui. - Tem certeza?

Sim, 43. Contei e recontei.

- Passa depressa nesta idade. - É, bem depressa.

Minha boa Esther.

- Boa noite, senhora. - Boa noite, meninas.

- Alida, junte-se às outras. - Sim, senhora.

- Porque está com essa cara, Vega? - Que cara?

- Todas as vésperas de Natal, é assim. - Não estou entendendo.

Sabes bem o que estou a dizer.

Bruxa velha!

Bom José, nada temas.

Sou teu anjo e velo por ti.

Teu Criador envia-me e a ti fala, através de mim.

Desperta tua mulher, Maria, e teu filho, Jesus, e foge.

Herodes, assassino, ameaça tirar a vida dos inocentes.

Anjo, tu falaste e eu ouvi. Sigo teu conselho, obedecerei.

Glória a Deus nas alturas que a meu filho protege.

Assim, termina nossa história. Ao mal a derrota, ao bem a

vitória.

O filho de Deus está salvo. O reino de Jesus, garantido.

Que jamais o Senhor afaste-se de nós.

Ele vela por nossas vidas, e almas.

Vela pelas crianças, pelos homens e mulheres.

Espantemos nosso medo e nosso temor...

e abramos à alegria os nossos corações.

Separemo-nos, amigos, num voto fraternal...

e desejamos a todos um feliz Natal!

Já é tradição nossa festa de Natal aqui no teatro.

Os convidados não são como os visitantes habituais.

Mas, não quero ver ares de superioridade ou desprezo!

Quero ver bondade e calor humano!

- Entenderam? - Sim, Senhor.

Alma e Petra, os presentes. Eu cuido do ponche.

Prontos?

Em frente!

Vamos, Carlchen. Chegaremos à festá atrasados de novo!

Vamos, rápido!

Venha rápido!

Vamos, mexa-se!

Venha, vamos logo.

Feliz Natal!

Feliz Natal, Óscar!

Aproximem-se! Sirvam-se! Nada de timidez!

Aproximem-se! Vamos!

Meus caros amigos.

Após 22 anos...

Após 22 anos, como director deste teatro...

vou fazer um pequeno discurso...

sem ter o menor talento para isto.

Improvisar não é meu forte.

Diferente de meu pai, que era um brilhante orador...

meu único talento, se é que se pode chamar assim...

é o afecto que tenho ao nosso pequeno mundo...

àqueles que trabalham no teatro, entre estás paredes.

Sim, são caros a mim todos eles, como eu a eles.

Lá fora, está o grande mundo e sua realidade...

que o nosso pequeno mundo reflecte fugidiamente...

e nos revela um pouco do seu mistério.

Proporcionamos às pessoas que aqui vêm...

por um breve instante, uma hipótese de esquecer...

por alguns segundos, o rosto severo...

O rosto da realidade.

E a dureza do mundo exterior.

O nosso teatro é um refúgio...

do triunfo, do fazer bem, da consciência profissional...

e do amor.

Não sei por que me sinto tão comicamente solene...

logo nesta noite.

Após dar comida a Ismael, apague e feche tudo.

Estou com a minha chave.

- Boa noite, Aron. - Boa noite, Tio Isak.

Feliz Natal!

Não sei onde estão todos. Já deveriam estar aqui.

Óscar deve estar a fazer um de seus longos discursos.

- Acho que estão a chegar. - Esther, o meu casaco de pele.

Aí vem a minha família.

Mãe! Como está bonita!

Tia Ema! Que prazer em vê-la!

Ema, seja bem-vinda!

- Agora, só faltam Carl e Lydia. - Terão confundido a hora?

A ceia de Natal sempre foi às 16:30h. É estranho!

Alexander, vá ver se seus tios estão em casa.

- Carlchen, anda depressa! - Cala a boca!

Estamos tão atrasados! Todos os anos é a mesma coisa.

Não beba mais, Carlchen.

- Mãe! - Boa tarde, Carl.

Finalmente, podemos comer.

Maj, o que diria de uma visitá ao quarto?

- O Senhor sente-se bem? - Estou bem.

Vou ajudar as meninas com a árvore.

Viu o meu velho a atirar-se a Maj?

- Não fica zangada? - Acho bonito.

Crianças, venham!

Chegou a hora dos fogos de Natal do Tio Carl.

Fiquem aqui.

Atenção!

O primeiro!

Agora o segundo!

Agora...

vão ver o terceiro!

Vem cá.

E, naquele tempo, houve um decreto...

de Augusto, determinando que todos fossem recenseados.

Foi no tempo em que Quirino era o governador da Síria.

Todos deviam voltar às suas cidades para isto.

José também foi, desde a cidade de Nazaré, na Galiléia...

para chegar à Judéia, à cidade de David...

chamada Belém, pois ele era da casa de David...

a fim de se registrar, com Maria...

sua mulher e sua esposa, que estava grávida.

Desculpe. Isto está um pouco desarrumado aqui.

- Suba depois e pegue sua prenda. - Sim, obrigada, Sra. Ekdahl.

Crianças, para a cama!

Vamos, Alexander! Para a cama, crianças!

Agora, vamos rezar.

Bom Deus, fazei de mim um bom menino e protegei-me.

Abençoai pai, mãe, avó, meus irmãos, primos, tios...

Vega, Esther, Maj, Siri, Bertá e Tio Isak. Amém.

Boa noite, Alexander.

Ele beija como um homem!

Alexander, vê o que eu recebi!

A Sra. Ekdahl, deu-me. Não é lindo?

Não estou estonteante? Pareço uma dama, não?

Hoje não podes dormir comigo, porque terei uma visita.

Maj não pode ter dois homens na cama.

Mas sempre serás o meu queridinho.

Meus caros, boa noite. Temos que levantar-nos cedo.

Carlchen, acorde! Vamos para casa.

- Boa noite, Gustáv. - Boa noite, mãe.

Carl está cansado. Vou ajudá-lo.

- Boa noite. - Boa noite.

Boa noite, mãe.

- Não está cansado, Isak? - Não, foi tudo muito bom.

- Então... - Acho que vou ficar um pouco.

Eu sabia que não iria.

Lá está ela, em seu leito. É jovem, bela. Pobre Arabela!

Ignora seu destino.

Está só, em sua grande casa vazia.

Sua mãe morreu e seu pai está em má companhia.

Que vulto é este que surge no meio da noite?

Eu tremo de medo!

O que é está forma branca e silenciosa...

que flutua sob a lua e se aproxima do leito.

É o fantasma de minha mãe.

Chega! Não quero mais brincadeiras.

Agora durmam. Boa noite!

Sentes o cheiro de querosene?

- Querosene? - É, querosene.

- Não há lanterna lá. - Mas senti o cheiro!

Veja, Isak, preparei um café preto e bem forte.

Não aquela água suja da Vega. Prove!

Que horas são? 3:10h? Ainda temos duas horas.

Depois devo vestir-me para a missa.

Que bom estares aqui!

És o meu melhor amigo. O que faria sem ti?

Gostei do Natal passado. Neste ano, só quero chorar.

Acho que estou a ficar velha.

- O que achas? - Estás a ficar com mais idade.

Era o que eu pensava.

Só queria chorar. Mas gosto de ver os netos.

Achei o Óscar cansado. O teatro o esgota.

Porque insiste em fazer o fantasma? Devia poupar-se.

E o teatro não perderia nada, ele é um péssimo actor!

Emilie não vê que ele tem que descansar?

Seria bom que eu Ihes dissesse.

Mas o Óscar tem consciência. E é um bom director.

O teatro vai a ir bem e tiveram até lucro!

Até à pouco tempo, eu tinha que ajudar com o meu dinheiro.

Óscar detesta recorrer a mim.

Carl, não.

Pediu dinheiro de novo, mas eu neguei.

Se pedir a ti, negue. Prometa-me!

Não entendo. Ano após ano, eu o tiro de dificuldades...

mas ele torna a cair.

Diz que não vai a agiotas. Mas não tenho certeza.

- Sabes algo? - Nada.

E a infeliz esposa alemã! O que Carl viu nela?

Deve ser algo erótico. O que achas?

Erótico? Acho que sim.

- Nem estás a ouvir-me. - Estou, sim!

Não faz mal. O importante é sua companhia.

Carl e Gustav são insaciáveis. Sairam ao pai.

Às vezes, ele abusava, mas nunca recusei.

Gustáv Adolf é o pior. Já falei com Alma...

mas ela diz que é o melhor marido e pai do mundo.

Sorte que Alma seja tão paciente!

Talvez eu fale com aquela menina, Maj.

Ela é bonita. Boa com as crianças.

Tem boa saúde e é limpa. Pena que seja manca!

Ficas triste por ter envelhecido, Isak?

Não mesmo. Tudo vai de mal a pior...

os homens, as máquinas, as guerras...

até o tempo. Será bom morrer!

És um velho pessimista. Discordo totalmente.

Eu sei.

Mesmo assim, quero chorar.

Posso chorar um pouco?

Não adianta. Não vem nada.

Vou ter que beber mais.

Porque estás a rir?

Lembras-te do dia em que nos beijamos no sofá?

Tinhas desabotoado a minha blusa. E algo mais.

E o pior é que, de repente, o meu marido apareceu.

Como numa peça de Feydeau!

Eu comecei a gritar, Tu corrias...

ele dizia que ia buscar a pistola!

Ele metia medo a todos!

- E vocês tornaram-se amigos. - Ele era excepcional!

Agora estamos a chorar!

Acabou a vida bela e feliz.

Restam apenas dias tristes.

Só isso nos espera!

Não, não abuses, meu senhor. Agora vou arrumar-me...

pentear-me, por o corpete e um vestido de seda.

Uma mulher sedenta de amor voltá a ser a avó digna.

interpretamos nossos papéis. Uns sem amor...

outros, com muito afinco. Eu sou dessa categoria.

Boa noite, bela Helena.

Tu eras um doce amante. Tinhas sabor a morango.

A senhora queria ajuda com a toalete. São 4:50h.

Uma confeitaria, na rua do castelo.

Com bolos e doces finos. Tortas e bolos de mil folhas.

Que me diz, Maj?

Será gerente, claro. Toda gente falará contigo!

Ontem mesmo disse a Alma. Maj parece uma princesa.

Que lindos seios tens! Deixa-me vê-los melhor!

Não tenhas medo!

Dizem que sou o amante ideal.

Quando me deitar, esquecerá a confeitaria.

Não, juro! Espere!

Venha! Um lápis...

O que vou escrever?

Maj Kling...

gerente de minha confeitaria

Assinado, Gustáv Adolf Ekdahl.

Natal de 1907.

Isto é um contrato. Mostre ao advogado se eu não cumprir.

Cuidado para não me engravidar.

Tio Gusten não é bonzinho?

Já tinha visto um pé de mesa assim?

Opa, disparou!

Isso acontece. Mas não foi bom?

- É mesmo um garanhão. - E Maj, minha potrinha.

Preciso deitar-me Comi e bebi demais.

- Sente-se mal? - Não, sinto-me faminto.

Comeria toda a confeitaria, especialmente a ti.

- Sente-se aqui em cima. - O senhor tem cada ideia!

Cavalgue, minha amazona!

Isto é o paraíso!

- Vai estourar o coração. - Meu coração está óptimo.

Preciso de outra cama.

Terás um salão de chá, um apartamento..

móveis e uma grande cama.

E vestidos de seda!

Ninguém será mais bela que a amante de Gustáv Adolf.

Vou visitá-la aos sábados e quartas às 15h.

O senhor é tolo!

- O quê? - Disse que é um tolo!

- Tolo? - Acho que sim.

Não sou nenhum tolo.

- Pensar que quero algo. - E não quer?

Não vê que estou a brincar?

Como assim?

Não se vá zangar.

Não. Mas não quero ser o idiota.

- Não ria. - O senhor é engraçado.

Acho que vou ficar constipado. Não me sinto bem.

A garganta doi.

Que frio! Porque não aquece?

Não temos mais crédito para comprar lenha.

Devemos 125 coroas. "Das weisst du doch. "

Em 23 anos, nem aprendeste sueco. Fale sueco!

"Já, mein Carl. " Eu tento.

Terça, pedi 10 mil coroas à mãe para os negócios.

E ela mostrou-me o papel, que diz que devo 37 mil.

Vai ao judeu.

Obrigado pelo conselho mas eu já fui!

Ele cobra juros ao dia e, se me atraso, conta à mãe.

Tenho jóias. Podes penhorar elas.

Idiota! Muito bonito! Professor Ekdahl no penhor!

Não queres deitar-te?

Vem, Carlchen. Senta-te aqui.

Tu cheiras mal. Paraste de te lavar, ou estas podre?

Não estou cheirando mal.

É o teu nariz que te prega partidas.

Está sangrando.

Queres um curativo?

Não queres tentar dormir? Estás precisando.

Queria fazer algo por ti!

Diz, como um homem torna-se medíocre?

Não podes saber. Quando se começa a perder?

Primeiro, é se um príncipe herdeiro.

Depois, deposto...

sem qualquer aviso.

A morte chega perto...

gela o quarto...

e não temos dinheiro para a lenha!

Sou estúpido e cruel...

principalmente cruel...

com a única pessoa que me tem afeição.

Jamais poderás perdoar-me. Sou um nada, um ordinario.

- Vou preparar um vinho quente. - Não sejas tão servil!

Limpa a boca. É nojento!

Sou cruel sem querer.

Não, tu és "mein Liebling".

Oh, vida!

Que pesadelo! A pobreza e sua humilhação.

Como um cego no escuro.

Porque sou tão cobarde?

- Boa noite. - Boa noite.

- Bom dia, pai. - Bom dia, Petra.

Nem me beija?

- Bom dia, Gustáv Adolf. - Bom dia, Alma.

Petra, vai à cozinha e traga a refeição do pai...

com presunto e duas tortinhas de queijo.

- O que queres beber? - Cerveja.

Petra, sabes onde está a cerveja?

Acho que há cerveja preta no gelo. Preferes preta?

Mexe-te! Temos que ir à casa da avó.

- Como estás? - Conhaque.

As tuas roupas estão prontas

- E a água está quente. - Obrigado, pensas em tudo.

- Mexa-se. - "Yes, sir!"

- Continuas tentadora - E tu, um grande bosta.

- Vamos para a cama. - Acabei de me pentear.

Ficas debruçada. Também é bom.

- A petra vai voltar já. - Fecha a porta.

Está bem, mas tem que ser rápido!

- Não adianta, não consigo. - Não consegues?

Não, há algo errado.

- Estás doente. - Não, estou bem.

- Deita-te. - Está bem.

- Queres o pequeno almoço? - Seria bom.

Já devia ter-te matado.

E agora, o que dizes?

Amigos, está na hora.

Eu dormia no pomar, como todos os dias, à tarde

Teu tio meu sossego invadiu, aproveitando-se disso.

Tinha na mão um frasco com um sumo estranho...

e, em minhas orelhas, ele despejou esse líquido...

cujo efeito não é a tal ponto o pior inimigo do homem...

e, no entanto, como se diz, se precipita...

pelos meios naturais do corpo...

com firmeza e rigor, congela-se e apodrece...

como gotas Iançadas ao leite...

o sangue fluído, puro e santo.

E isso aconteceu-me...

e uma grande rainha repugnante nascida no...

instante, roeu-me com dentes cruéis.

E uma estreita e carismática teia...

recobriu meu corpo até ficar intacto

Horror, tremendo horror!

Se sentimento tiveres, e coragem, não consintas..

que o leito real da Dinamarca se torne casa de incesto!

- Esqueci o que devo fazer. - Sair pelos fundos.

- Onde estou? - No teatro.

Vamos, precisas descansar.

- O que aconteceu? - Só estás cansado.

Chamo uma ambulância?

- O que faço aqui? - Estavas representando

Representando?

Representando.. eu?

- Porquê? - Vamos para casa.

- Vou morrer. - Ajudem-me a levá-lo.

Peguem no casaco dele.

Alexander, venha.

Vem!

Pare!

Pare!

Esperem por mim.

Não há nada novo.

Sem dúvida. Obrigada.

- Como está o Óscar? - Só podemos esperar.

- Ele sofre? - Dorme o tempo quase todo.

Vão até a cozinha beber chocolate e comer.

Imaginem.

Está cartá cruzará o mundo até chegar à China!

A cadela do Sr. Alberchtson teve filhotes.

Uma amiga vive lá há 50 anos.

Ele ofereceu um filhote a Alexander.

- Mamã não quer animais. - Mas ficaria aqui.

- Verdade? Seria tão bom. - Nem precisará saber.

Na China, com essa amiga que falei, na missão...

tínhamos um cão e três gatos.

- Outra partida? - Quero, mas com o vermelho.

Ele ganha muito dinheiro com seus cães de raça...

- mas ofereceu este. - Ele tem fortuna.

É a mulher que é rica.

Fanny e Alexander, não querem um pedaço de torta?

Terminei a carta. Fanny, podes lamber o envelope?

- Alexander, quer a flautá? - Não, obrigado.

- E lamber o selo? - Não, obrigado.

Então, você lambe o selo.

Obrigada, é muito gentil.

Deixa-me.

Entre.

Sua mãe mandou chamar.

Venha, deixe a torta

Entre, Alexander. Não tenhas medo.

Venha cá, Alexander.

Venha, querido.

Espero lá fora.

Venha, Fanny.

Diz ao Alexander para não ter medo.

Vou dizer, papa.

Agora, representaria o fantasma do rei...

muito bem.

Nada me separa de vocês.

Nem agora, nem depois.

Tenho certeza...

sinto...

nunca vi com tanta clareza.

Estarei mais perto de vocês...

do que jamais estive em vida.

Agora quero ver o Alexander.

O Pai disse para não ter medo.

- Alexander, não sejas infantil! - Porta-te como um homem.

Fanny, acorda! Ouviste?

Merda! Bosta! Diabos!

Puta! Merda! Bosta!

Diga às crianças que podem sair da mesa.

Sim, senhora.

Ouviste algo?

Alexander, acorda! Há algo lá fora.

Bom dia!

Recomendações à sua mãe!

O que tens?

Alexander, querem falar-te. Deixa o chocolate.

- Que fiz? - Vais saber já.

Já nos conhecemos em tristes circunstâncias. No funeral.

A sua mãe procurou-me, como guia espiritual.

Sou amigo de sua avó e pastor do meu rebanho.

O bispo tem sido muito bom para mim.

Temos falado sobre ti.

Disse-Ihe como me orgulho de vocês.

Soube que são aplicados na escola, e comportam-se bem.

Não tenha medo. Sou seu amigo, acredite.

Mas aplicação e notas não são tudo.

Assoe o nariz, Alexander.

Por que seu lenço está assim? Maj não Ihe deu um limpo?

Merda!

Como disse, boas notas não são tudo.

- Ouça o bispo, Alexander. - Estás a ouvir, não?

E creio que quer saber o que quero dizer-Ihe.

Você é um homenzinho. Vamos falar como adultos.

Pode definir... Pode dizer-me...

o que é mentira e verdade?

Uma perguntá tola, concordo. É uma questão inofensiva.

Não é difícil distinguir entre mentira e verdade. Certo?

Muito bem, meu rapaz.

Claro que sabe também porque se mente.

Porque se mente?

Por que se mente? Espero que me expliques.

Para não dizer a verdade.

Muito astuto, meu jovem. Mas não vai escapar assim.

Assim, volto a perguntar Porque não se diz a verdade?

Não sei.

Temos tempo.

O que vai dizer-me interessa tanto que posso esperar.

É verdade, pode ter certeza.

Mentimos para ter uma vantagem

É uma resposta muito boa. Uma respostá muito concisa.

Agora, vou fazer-te outra pergunta, pessoal.

Pode dizer-nos porque mentiu na escola?

Como?

Recebi uma carta do director que diz que meu filho...

conta a seus colegas mentiras incríveis.

- Quais? - Que foi vendido a um circo.

Nega que disse aos colegas que foi vendido a estranhos...

ao pessoal do circo?

E que ao fim do trimestre, é melhor não procurá-lo.

Que será levado para aprender o trapézio...

com uma cigana chamada Tamara?

Agora, peça perdão à sua mãe pela dor que Ihe causou.

Vamos, Alexander, peça-Ihe perdão.

Você ouviu-me, não foi?

Peço perdão e prometo nunca mais mentir.

Muito bem. Então, o caso está encerrado.

A imaginação é extraordinária. Uma força ilimitada, um dom.

Quem a possui são poetas, artistas e músicos.

Vou buscar a Fanny.

Vem, Alexander.

Tenho algo importante a dizer.

Eduard pediu-me em casamento, e eu aceitei.

Estou só há muito tempo, e vocês precisam de um pai.

Muita coisa mudará.

Deus abençoe nossa pequena família.

Agora, vamos ajoelhar-nos e rezar para agradecer.

Que o Senhor proteja e vele por nossa família.

Estenda sobre nós Sua benção e nos proteja a todo instante

Suplico que dê-me forças...

para ser o guia e guardião destás ovelhas sem pai.

Suplico ainda que dê-me forças para ser o apoio...

e a protecção destá mulher na sua fraqueza e solidão.

No século XV, ao se construir esta casa...

não se ligava muito para conforto.

Meus antecessores e eu temos mantido isto assim.

Destás peças, emana uma beleza inalterável.

É uma bênção viver aqui, com austeridade e pureza.

- Eis minha mãe e minha irmã. - Já chegaram!

Bem-vinda, Sra. Ekdahl.

Minha irmã, Henriettá.

- Bem-vinda à prelatura! - Obrigada.

Venham cumprimentar, crianças!

Sra. Tander, que está connosco há 30 anos.

Minha futura esposa, Emilie Ekdahl.

- Sra. Ekdahl. Bem-vinda. - Obrigada, Sra. Tander.

As outras empregadas, Karna, Selma e Justina.

Vamos ver a minha tia, que está doente.

Bom dia, Tia Elsa. Como está?

- Temos visita hoje. - Venham, crianças.

Minha futura esposa, Emilie Ekdahl, a actriz.

Muito prazer.

As crianças foram dormir. É tárde, já vamos.

- Não, ainda não. - O que se passa?

Tenho só uma exigência. Apenas uma, mas importante.

E a direi logo para que possa mudar de ideias.

O que é?

Quero que venha para mim, com as crianças, sem posses.

Como assim?

Quero que venha para mim vazia...

Deixe para trás a sua casa, vestidos, jóias, bens...

esqueça seus amigos, família, ideias e hábitos.

Renuncie à sua vida passada.

Devo vir nua?

Falo sério, querida.

Quero que venha para cá como um recém-nascido.

- E as crianças? - Também.

Sem livros, nem brinquedos?

Nada.

- Preciso ouvi-los. - Decida.

Não posso decidir por eles. Tenho que consultá-los.

- Devem sacrificar algo. - Está zangado?

Beije-me.

Não estou zangado.

- Eles concordarão. - Pense bem antes.

Já pensei. Não é difícil concordar contigo.

Nunca levei nada a sério.

Eu perguntava-me se não era estranho o que sentia.

Nunca compreendi porque nada me tocava.

E porque nunca fui totalmente feliz.

Sei que é o momento.

Sei que nos magoaremos. Mas não tenho medo.

Depois de tanto tempo, sei que seremos felizes.

Tenho tanto medo, o tempo é tão curto!

Os dias passam tão depressa e nada dura uma vida.

Beija-me e segura-me como só tu sabes fazer.

"Eu, Olof Henrik Eduard Vergerus... "

Eu, Olof Henrik Eduard Vergerus...

"eu a recebo Elizabeth Emilie Josefin Ekdahl... "

eu a recebo, Elizabeth Emilie Josefin Ekdahl...

- "como minha legítima esposa. " - como minha legítima esposa.

"Na riqueza e na pobreza... "

Na riqueza e na pobreza...

"e para selar este voto, eu Ihe dou este anel... "

e para selar este voto, eu dou-Ihe este anel.

"Eu, Elizabeth Emilie Josefin Ekdahl... "

Eu, Elizabeth Emilie Josefin Ekdahl...

"eu o recebo, Olof Henrik Eduard Vergerus... "

eu o recebo, Olof Henrik Eduard Vergerus...

- "como meu legítimo esposo... " - Como meu legítimo esposo.

"na riqueza e na pobreza... "

na riqueza e na pobreza...

"Como penhor de fidelidade, eu Ihe dou este anel. "

Como penhor de fidelidade, eu Ihe dou este anel.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Já que ambos consentistes nesta sagrada união...

perante Deus e os presentes...

No que dará isto?

Viu como Emilie estáva feliz?

- Penso nas crianças. - Elas vão adaptar-se.

- O bispo é um conquistador. - São intrigas, Carl.

Não sei porque choro.

Deviam fazer uma viagem.

Ofereci a casa na Provença, mas Emilie recusou.

Não me admira. Ela tem muito respeito ao novo marido.

Ele é alinhado! Mesmo sem ser perfeito.

- Deve usar dentadura. - Que ideia tola!

- A mãe dele é um amor. - Mas a irmã é de má indole.

Sinto que Emilie voltará em breve.

Muito em breve.

As crianças parecem estar sem apetite.

É tudo novo e estranho. Precisa compreender.

O que compreendo é que desprezam nosso pão.

Henriettá, que seja alegre à primeira refeição!

Não quero estragá-la, mas...

no futuro... É bom aproveitar o momento para deixar claro...

ninguém aqui pode deixar a mesa sem comer tudo.

Isto decido eu. Acho que...

Temos uma regra que nem você pode infringir, Emilie.

O respeito ao que nos é dado.

Acho que não entende bem, querida Henriettá.

Mas sugiro adiar isto até um momento mais oportuno.

Eu excedi-me. Perdão, Emilie.

Da casa, entende mais. Sempre a consultarei.

Eduard sempre repreende-me, mas não é fácil...

admitir que nos tornamos dispensáveis.

Chega, Henriettá.

Talvez possa dizer que madrugamos todos os dias.

Durante a semana e aos domingos.

Às 6h, rezamos no gabinete de Eduard.

Arrumamos os próprios quartos.

Aqui reina a limpeza e ordem.

Não se assustem, crianças. Não é tão mau.

Tudo virá aos poucos.

Não entendo, Blenda. Se quer mudar a educação...

Nada disso, cara Emilie.

Sei que as crianças entenderão sozinhas...

como é bom cumprir seus deveres. Será um tipo de jogo.

Os meus filhos não gostarão disto. Nem eu.

Isto o tempo dirá.

Ai vêm eles. Para cama, já.

Agora, vamos rezar.

Agradeço, bom Deus, mais um dia. Fazei-nos educados e

velai...

por pai, mãe, avó...

- Tio Eduard. - Tio Eduard...

nossos primos, tios e tias...

Vega, Esther, Maj, Tio Isak. Amém.

Boa noite, Alexander.

Justina, quero falar-Ihe de outras coisas.

Que livro está a ler, Alexander?

Responda, Alexander. Que livro está a ler?

Boa noite, meu rapaz.

- Boa noite. Deus a abençoe. - Boa noite, Tio Eduard.

Desejo que vivamos bem.

Afecto não se impõe. Mas podemos respeitar-nos.

Pode ir, meu querido. Já vou.

De quem é está casinha?

Moravam aqui duas meninas. Elas afogaram-se, com a mãe.

- Talvez haja fantasmas. - Não sejas tola.

- Dormiam aqui? - Acho que sim. Boa noite.

- O nosso padrasto é um chato. - E a irmã não regula bem.

- E aquele monte de banha? - Não quero morar aqui.

Dêem-me tempo. Muita coisa tem que ser mudada.

Algumas mudarão logo, outras custarão um pouco mais.

O importante é ter coragem.

- Por que se casou com ele? - Porque o amo.

Agora vamos dormir. Amanhã, tudo parecerá melhor.

Não sejas como Hamlet comigo. Não sou a Rainha Gertrude.

O seu padrasto não é rei, e aqui não é um castelo...

Apesar de ser tão triste.

Merda!

Fanny, vem ver.

Há grades. E não se pode abrir.

Vê, Óscar? É assim.

O tempo passa. Somos crianças, depois, velhos.

E não sabemos aonde foram os anos entre um e outro.

E não é importante.

Dê-me a mão.

Lembro bem dela, quando eras pequeno.

Tão pequena e seca...

com pulsos pequenos. E frágeis.

Fui tão feliz como mãe.

Gostava de ser actriz, mas mais de ser mãe.

Adorava estar grávida.

Tão feliz, que deixei o teatro com prazer.

Tudo é teatro. Uns papéis bons, outros, não.

Representei mães, Julieta, Margarida...

depois a viúva, a avó.

Um após o outro.

Não se recusa um papel.

Mas o que restou?

Podes dizer-me, filho?

É gentil. Ouve-me monologar, como diz Isak.

Era um bom menino, Óscar.

Sofri muito com a sua morte.

Foi um papel difícil. O corpo ditava o sentimento.

Pude controlá-lo, até o fim.

Mas a realidade estilhaçou-se.

Entendes o que digo?

E a realidade ficou.

E, estranhamente, parece melhor assim.

Não tento refazê-la.

Não ligo que nada faça sentido.

Meu querido, estás triste?

- Preocupo-me. - Com a mulher?

- Não, mãe. - Com as crianças?

O jantar.

Depois, para a cama. A bandeja pode ficar aqui.

A Sra. Tander fez biscoitos. Não digam nada. Tomem.

- A mamã não voltou? - Não, ainda não.

- Ela ficou de vir à noite. - Não sei o que dizer.

Porque suspira sempre?

Não estou aqui há muito tempo, graças a Deus.

A Sra. Tander poderia contar muita coisa.

Quer um, Justina?

Que diz a Sra. Tander?

Que era até pior, no tempo da primeira esposa.

Bem pior!

- Pobres crianças! - Quem? Nós?

Não, não são vocês.

Falo das coitadas que morreram no rio gelado.

A mãe tentou salvá-las, e morreram todas.

Os cadáveres foram achados depois.

Estavam agarrados, uns aos outros, como um só corpo.

Serraram os braços para as separar e enterrá-las.

E, então, coisas estranhas começaram a acontecer.

- Não existem fantasmas. - Não quero assustar.

Mas está casa é estranha. Vejam a minha mão.

A ferida está aí, a pele rasgada. Veja, não está?

Fui levar um café ao Sr. Bispo.

Quando abri uma porta, a maçaneta arrancou a pele.

Ouvi alguém rir.

Sabia que era alguém e virei-me rapidamente.

Mas não havia ninguém.

Tenho pena destas almas.

Conversem vocês. Vou fechar a portá.

Não se preocupem. Amanhã, verão a sua mãe...

e o próprio reverendíssimo virá libertá-los.

- Eu as vi. - Quem?

- A mulher e as crianças. - Estás a dizer a verdade?

Estas a inventar ou é a verdade?

É verdade, juro pela minha honra de sueco.

O que você viu?

Tinha estado com o homem casado com mãe.

Tinha levado uma bronca, não lembro-me porque.

Atravessei a sala de jantar e havia uma luz estranha.

Então, vi uma menina ao lado da portá que...

correu sem fazer barulho.

Depois, veio a mais velha...

morena, de cabelos longos, olhos grandes.

Ela parou e olhou-me. Fez sinal para que me virasse.

Eu virei-me...

e lá, iluminada por raios de sol...

toda serena, estava a mãe, em seu vestido preto.

Ela falou com uma voz que vinha de longe...

e disse que não devia temer, que tinha um segredo.

O que ela disse?

Não quero assustar ninguém, mas ela disse...

"Alexander, quero que conheças o nosso segredo.

Seu padrasto, meu marido, nos trancou no quarto...

e ficamos cinco dias e cinco noites, lá...

sem pão nem água.

Desesperadas, decidimos fugir, amarrando lençóis...

e a descer pela janela até a faixa de terra, junto ao rio.

As meninas foram primeiro...

mas caíram na água e foram puxadas pelo redemoinho.

Tentei salvá-las, mas também fui arrastada.

Só no fundo consegui agarrá-las. E as abracei. "

Maj! Que prazer! Entre.

- Espero não incomodar. - Não mesmo! Dê-me um beijo.

- Muito bonito. Fizeste-o? - Sim.

Lindo tecido. Lindo padrão.

- Não foi no barco? - Com está barriga?

Não diga disparate.

- Há algo errado? - Talvez preocupe-me à toa.

Vamos nos sentar.

É com as crianças?

Alexander e eu prometemos escrever-nos sempre.

- Já escrevi sete cartas. - Ele não respondeu?

Um postal, há três semanas.

"Querida Maj. Estamos bem. Tio Eduard nos levou...

ao jardim botânico, onde vimos aves e árvores...

e aprendemos muita coisa.

Agradeço as cartas e escreverei quando puder.

Afetuosamente, Alexander. Lembranças de Fanny. "

Temos que confiar na Emilie. Ela sabe cuidar dos filhos.

Não temos com que nos preocupar.

Vi Fanny nascer. São meus filhos também.

Já vai?

Sabia que madame estaria só. Queria apenas falar-Ihe.

- Mas não fica mais um pouco? - Agradeço, é gentil.

Prometi aprontar o jantar, e nem comecei.

Minha querida! Está tão difícil assim?

- É a confeitaria? - Também.

Gustáv Adolf não tem jeito.

Não quero magoá-lo.

Mas as crianças preocupam-me.

Perdoe-me por vir chorar aqui.

Desculpe!

Desculpe incomodar.

Sra. Tander quer saber se vai jantar.

Não. Quero apenas um copo de leite e pão, no quarto.

Sim, reverendíssimo.

Mais alguma coisa?

- Não sei como dizer. - Pode falar.

Não sei como dizer. É tão desagradável.

- Não posso contar aqui. - Entre e feche a portá.

Mandou-me atender às crianças.

Que prestasse atenção e que relatasse algo incomum.

Alexander inventou algo horrível.

Disse que...

É tão horrível que nem sei como contar.

Disse que o senhor trancou esposa e filhas...

que morreram, a tentar escapar pela janela.

E o que mais?

- Isto é tudo. - Pode retirar-se.

Quem é?

- Sou só eu. - Emilie!

Emilie!

Levante-se, depressa! O seu padrasto quer Ihe falar.

Vista-se! Seu padrasto quer Ihe falar.

Mexam-se.

Alexander.

Acusou-me de matar minha mulher e filhas.

- O quê? - Justina, repita o que contou.

Alexander disse que viu a finada, que Ihe disse...

que o senhor as trancou no quarto, a ela e às filhas...

durante cinco dias, sem comida ou água.

No quinto dia, tentaram fugir, mas elas afogaram-se.

Confirma isto?

Não.

- Então Justina mentiu? - Talvez tenha sonhado.

- Justina, pode jurar? - Sim, reverendíssimo.

- Fanny, ouviu-o contar isto? - Não.

Insiste que Justina...

mentiu ou mesmo sonhou? - Sim.

Pode aproximar-se? Está disposto a jurar?

- Claro! - É pecado jurar em falso.

E a punição é severa. É mesmo!

Eu sei.

Ponha a mão sobre a Bíblia e repita...

- "Eu Alexander Ekdahl... " - Eu, Alexander Ekdahl...

- "juro pelo Deus vivo... " - juro pelo Deus vivo...

"que tudo o que disse e vier a dizer... "

que tudo o que disse e vier a dizer...

- "é a pura verdade. " - é a pura verdade.

Alexander, lembras-te que, há algum tempo, tivemos uma

conversa...

muito importante, sobre mentira e verdade?

- Não foi uma conversa. - Como assim?

O bispo falou e Alexander calou-se.

Calou-se por vergonha de suas mentiras.

Hoje penso diferente.

- Isto é, mente melhor. - Se prefere assim.

Não o compreendo.

Acha que pode macular a honra de um homem?

Acho que o bispo odeia Alexander.

É o que pensa? Pois digo-Ihe uma coisa.

Algo que vai fazer-te mudar de ideia, eu sei.

Não o odeio. Amo-te.

É um amor que tenho no coração...

que sinto por você, por sua mãe e por sua irmã.

Mas este amor não é cego, nem complacente.

É forte e severo.

- Entendeu o que falei? - Não.

Recusas-me no teu coração. Avalias mal a situação.

- Sou mais forte que tu. - Não duvido.

Falo de força espiritual.

Sou mais forte porque tenho a verdade.

Alexander...

Sei que logo confessará...

e compreenderá que sua punição o aliviará.

Tu és razoável. Sabes que perdeste.

Mas és orgulhoso, teimoso...

- e tens vergonha. - Não sei o que quer.

Deves confessar.

Que devo confessar?

- Sabes que tenho meios. - Não sabia. Agora sei.

Na minha infância, os pais não eram fracos.

Usava-se chicote, vara, palmatória.

Isto não foi feito só para bater os tapetes, mas para educar.

Se não funcionar, há meios mais radicais: óleo de rícino.

Após uma boa dose disto, sempre pensa-se melhor.

E falhando, há uma cela ainda pior, sinistra...

com muitos ratos e animais rastejantes.

Porque devo ser punido?

É evidente!

Tens um defeito de carácter. Confundes mentira e verdade.

Suas mentiras são coisa de criança...

mentiras vis e odiosas, mas crescerás...

serás um homem, e a vida pune a mentira.

A sua punição ensinar-te à o amor à verdade.

Confesso que menti dizendo que o bispo matou a sua esposa.

E reconhece que cometeu perjúrio?

Reconheço.

Acaba de alcançar uma grande vitória!

Uma vitória sobre si mesmo.

Que punição escolhe? A vara, o rícino ou a cela?

- Quantos golpes... - Dez, nem mais, nem menos.

A vara.

Abaixe as calças e curve-se sobre a mesa.

Abaixe as calças, Alexander.

Agora, incline-se.

Levante-se. Tem algo a dizer-me?

- Vais pedir-me perdão. - Eu recuso-me.

Devo bater até mudares de ideia? Poupe-nos disto.

Nunca pedirei perdão!

Nunca? Vais mudar de ideia.

Abaixe-se, Alexander.

Não batá mais!

- Pedes perdão? - Sim.

Levante as calças. Justina, dê-Ihe um lenço.

O que tem a dizer?

- Alexander pede perdão... - Mais alto!

Quero que todos ouçam.

Alexander pede perdão ao bispo.

- Pelas mentiras e perjúrio. - Pelas mentiras e perjúrio.

- Entende que o puni por amor? - Não.

Beije minha mão.

- Posso ir dormir? - Sim.

Mas para que tire proveito da lição...

dormirá no sótão. Justina vai dar-te cobertas...

e às 6 horas serás solto. Entendeste bem?

Sim, reverendíssimo.

Preciso ir. Temo que na minha ausência...

Alexander faça algo que irrite aquele homem.

Não pude convencê-lo que o bispo quer destruí-lo.

- Deve deixá-lo. - Vou ter um filho.

Mesmo assim.

Pedi divórcio. Ele negou.

Disse que sairia assim mesmo.

Emilie...

ele respondeu-me: vais perder os teus filhos...

por abandono de lar.

Meus filhos seriam-me tirados e entregues a ele.

Contei a situação a um advogado.

Ele confirmou.

O meu lar é minha prisão. Tenho as mãos atadas.

Quero morrer!

Odeio tanto aquele homem!

Ele não sabe que vim. Não diga a ninguém.

- Dê-me a chave! - Eduard proibiu-me!

Já disse para dar-me a chave!

Está a magoar-me!

Emilie, não pode!

- Alma! - Já vou!

Não temos conhaque e não temos ponche!

- Onde está nossa querida? - Talvez na sala de jantár.

- Mamã, viemos ver como está. - Estou muito bem.

- Sentiu-se só? - Adoro ficar só.

- Uma vespa mordeu a Vega. - Vespas picam! Como eu!

E Petra caiu à água.

- Devo servir o jantar? - Estou sem fome.

- A picada doeu, Vega? - Nada, até já esqueci.

Quantos milhares de fotos já separou até hoje?

Eis uma sua, com os irmãos. Devia ter uns 5 anos.

- Já se via qual seria... - E quem é essa moça bonita?

- Choveu o tempo todo? - Lá fora, o tempo estava bom.

Mas vimos a chuva cair.

Não era bem assim.

Sei quem é essa. É uma das amiguinhas do pai.

Engana-se. Éramos colegas. Casou e teve 12 filhos.

Mas quero falar de Maj.

Sempre admirei a classe da mãe.

Precisamos ir! Não queremos que nos esperem.

Vou à vila amanhã, mãe. Precisa de algo?

Não, Gustáv, obrigada.

Mas quero falar de Maj.

Que diabos! Ela está bem. Sou eu que fico zangado.

Sossegue!

É só falar na Maj que começas a berrar.

- Pode deixar-me falar? - Maj não é um brinquedo seu.

Graças a Alma, hoje ela é da família.

E espera o meu neto.

Impuseste tudo a ela!

- Quero que vocês... - Não admitirei grosserias!

Frente a mãe e frente a mim, entendeu?

Gosto dela. Quero o seu bem.

Ela aceitou a minha proposta.

Não precisa de protectoras. Não contra mim!

Impôs? Ela decidiu tudo!

Eu gosto da rapariga.

Eu sou gentil com ela. Estou muito magoado.

Não há o menor motivo para protege-la de mim.

Tenho afeição por ela. Nós nos amamos...

Ela é como uma filha. Está bem, não exactamente.

É gentil. Não acha-me um velho ou um feio.

Gustáv Adolf é mulherengo! Que posso fazer?

Vou assegurar o futuro da Maj.

Agora basta! Vamos embora!

Adeus, mãe, beije-me.

Não fique a falar para ai sobre Maj e seu futuro!

- Mas nós temos o direito... - Quero dizer, cuidarei de Maj.

- Vamos logo. - Voltarei em duas horas.

- Pode vir quando quiser. - Acalme-se, Gustáv!

Assim, vais ter um ataque!

Estou muito calmo. Tu é que estás nervosa!

- Bom dia, Sr. Jacobi. - Bom dia.

- Do que se tratá? - Queria ver o bispo.

- Ele está a trabalhar. - E sua esposa?

Está repousando, a mãe saiu e estou sem tempo.

- O bispo pode querer ver-me. - Sobre?

Ele propos-me um negócio.

Não lembro-me disto.

Ele não queria preocupá-la.

E o senhor pode preocupá-lo?

- Não me force a ser vulgar. - Acho-o desagradável.

Não tenho tempo nem vontade de discutir com o senhor.

- Dificuldades financeiras. - O quê?

O negócio de que me falou é de dificuldades financeiras.

- Posso me sentar? - Ali não. Lá.

De certá forma, não sei porque, admiro sua franqueza.

Pois não admiro elogios.

- Que negócio tem com ele? - Nenhum.

Diga o que quer e vá embora.

Antes devo falar com o bispo. É sobre dinheiro.

- Ele deve-Ihe dinheiro? - Pelo contrário.

Pediu-me um empréstimo. Não empresto ao clero.

Então, ele quis vender-me aquela arca. E recusei.

Então, recusou?

Mas hoje a quero. Por qualquer preço. Quase.

Vou chamar o meu irmão.

- Sr. Jacobi está aí. Aquela sanguessuga!

Fiquem aí! Tirem o sapato! Desculpem. Necessidades.

- Quer comprar a arca? - Exactamente.

- Quanto paga? - Está escrito aí.

- Claro! Arrependeu-se mesmo. - Talvez tenha comprador.

- Estou desconfiado. - Pode recusar, se quiser.

- Trouxe o dinheiro? - Se tenho?

O dinheiro, claro. O mestre do mundo. Está aqui...

Espere. Onde está?

Dê-me o dinheiro.

Naturalmente. Só peço sua assinatura neste recibo.

- Permite que me retire? - Sentirei a sua falta.

Espero que só leve o que comprou.

A desconfiança recai sobre os desconfiados.

Não quer ver se só levo o que me pertence?

Só queria dar-Ihe o recibo. Sente-se.

- Que acha daquele quadro? - Bonito e valioso.

- Interessado? - Meus recursos são poucos.

- Como vai a sua senhora? - Agradeço o seu interesse.

Ela repousa, devido ao calor.

- Poderia vê-la? - Sinto muito.

- Tenho uma carta para ela. - Será entregue.

Judeu sujo! Maldito!

Queria enganar-me! Seu sujo.

Este nojento quer roubar meus filhos!

Ele não pode. Estou com a chave do quarto.

Não toques neles!

Primeiro, vamos comer.

Este é meu sobrinho, Aron.

Vamos, à mesa.

Quero ir dormir.

Aron, nossas visitas estão cansadas. Arrumaste o quarto?

Fiz tudo o que mandou.

Este é o teatro de marionetes de Aron.

Se forem bonzinhos, Aron fará um espectáculo.

Aqui vive outro sobrinho, Ismael. Ele é doente.

Nunca abram está portá. Obedeça, Alexander. E Fanny.

Às vezes, ele canta. Não liguem.

Vão acostumar-se.

Aqui será o seu quarto. Espero que gostem daqui.

Boa-noite, Fanny. Boa noite, Alexander.

À noite, fechem tudo e não abram a porta a ninguém.

- Não deixem de rezar. - Não vá!

- Querem que eu fique? - Quero.

Então, eu me sento aqui.

Vou ver o Ismael.

Sou Aron. Meu irmão é Ismael. Somos órfãos.

Preciso de fazer xixi.

Merda! Não tem penico.

Como vou encontrar o gabinete no escuro?

Espero que não haja fantasmas.

Merda! Perdi-me!

Talvez seja por aqui.

Não é por minha culpa que tudo se tornou mau.

Não posso mudar nada.

Seria melhor ir para o céu. Não pode ajudar-nos mesmo.

Sempre vivi com vocês, meus filhos, e Emilie.

A morte nada alterou.

O que se passa, Alexander?

Porque não diz a Deus para matar o bispo?

Porque Ele não liga?

Além disso, já o viu?

Ninguém pensa em nada!

Todos idiotas!

Deve amar as pessoas. Alexander

Não vem deitar-se?

- São quatro horas. - Não consigo dormir.

Fui ver sua tia. Convém chamar o Dr. Furstenberg.

- O que está a beber? - Caldo quente.

Posso?

Por favor.

- Não pode perdoar-me? - Não estou aqui?

- Não entendo a sua mudança. - Beba, enquanto está quente.

Ainda exige as crianças? Então, não há esperança.

Só quero o que é justo.

Acho que Elsa o chamou.

Fique. Verei o que ela quer.

- Posso ajudar? - Está escuro.

Que horas são?

- Bateu as quatro e meia. - Que noite longa!

- Devia tentar dormir. - Minhas pernas doem.

Um dia disse-me que trocava de máscara sempre.

Tanto que já não sabia quem era.

Eu só tenho uma, marcada a ferro na minha carne.

E essa carne é o meu rosto.

Sempre achei que me amavam.

Julgava-me justo e sábio.

Nunca pensei que pudesse inspirar o ódio.

Não o odeio.

Seu filho odeia-me.

Tenho medo dele.

- Quem está aí? - É Deus.

- Mostre-se! - Ninguém pode ver Deus.

- O que quer? - Só provar que existo.

- Então, é o meu fim? - Quer ver o meu rosto?

Atenção, vou mostrar-me. Atenção, Alexander!

- Admita que teve medo! - Medo nada!

"Então, é o meu fim?"

Isso dói!

Eu não queria assustar-te tanto assim!

Passei a noite a fazer está marioneta.

É para um inglês, director de circo, que tem uma colecção.

Pretendo entregar...

Ouviste? Ismael está cantando.

Ele não suporta pessoas. Às vezes, fica perigoso.

Disse que não dormiu, mas eu o vi deitado.

Há muitas coisas que não se pode explicar.

Viu a nossa múmia?

Venha!

Veja bem, Alexander.

Está coisa está morta há 4 mil anos, e ainda respira.

Agora, vou apagar a vela.

- O que vê? - Ela brilha.

Sim, e não se sabe o porque. É um mistério.

O mistério enraivece o homem.

Então, ele acalma-se, a dizer que são truques.

Mas tudo é um ponto de vista economico.

Agora, olhe bem.

O Tio Isak diz que há várias realidades.

Que há espectros e demónios por toda a parte.

Diz que cada meio tem vida. Quer um café?

Tudo tem vida. Tudo é Deus. O bem e também o mal.

O que achas?

Se há Deus, ele é um merda e queria bater-Ihe no rabo.

Teoria interessante, bem fundamentada.

Vamos ver Ismael.

Ismael, pequeno almoço.

Eu não conseguia dormir e preparei o caldo.

Pus três soníferos para mim. Não pensei que fosse querer.

Quando foi ver a Elsa, coloquei mais três.

Vai dormir profundamente.

Quando acordar, terei ido.

Vou encontrar os meus filhos. Volto para o meu lar.

E minha verdadeira família.

Emilie... Emilie.

- Eu mudarei. Volta para mim. - Jamais! Juro, jamais!

Tornarei a tua vida num inferno. Não te darei paz.

Já não sabes o que dizes!

Eu vou acordar! Vou acordar...

Emilie!

Ajuda-me, preciso deitar-me. Minha cabeça rodopia...

Não consigo ver! Não consigo ver!

Estás aí? Não vejo nada!

Não vejo! Emilie!

Ismael, o teu pequeno almoço.

Bom dia, Ismael.

Este é Alexander, um amigo.

Deixe-nos a sós, Aron.

Sossegue, não o devorarei. Mesmo sendo tão apetitoso.

- Volta em meia hora. - Mas o Tio Isak...

Tio Isak é um bode velho. Não precisa de ficar a saber.

O meu nome é Ismael, como já sabes.

"E ele será como um asno.

Sua mão irá contra os homens. E os homens irão contra ele. "

- Sou considerado perigoso. - De que forma?

Escreve o teu nome aí. Aqui tem lápis. E Velho, mas serve.

Alexander Ekdahl.

- Agora, leia o que escreveu. - Ismael Retzinsky.

Somos a mesma pessoa?

Confluindo, um através do outro, sem limites.

Carregando pensamentos horríveis.

É doloroso estar contigo.

Mas também é tentador.

- Sabes porquê? - Não sei se quero saber.

Deve saber da efígie na qual se espetam agulhas.

Método grosseiro, ante a rapidez do pensamento.

Tu és estranho.

Não queres falar sobre isto.

Pensa na morte de alguém.

Já sei em quem tu pensas.

É alto, grisalho... Corrija-me, se estiver errado.

Olhos azuis, rosto frio e jovem. Corrija, se eu errar.

Ele dorme e sonha que ajoelha-se diante do altar.

Sob o altar, na cruz, está o profeta.

Ele levanta-se e grita: "Deus, por que me abandonaste?"

Ninguém responde.

- Não quero que fale assim. - Não sou eu. És tu. És tu.

Agora, cale-se.

Ele dorme. Tem pesadelos.

Dê-me sua mão. É uma verdade, mas agradável.

Portas abrem-se. E algo acontece na casa.

- Não quero. - Agora não podes parar.

Só há um caminho. E seguirei-te.

Eu fundo-me em ti. Não temas, estou contigo.

Sou o teu anjo, protejo-te.

Surge o sol, são 5h e uma porta abre-se.

Não, ainda não.

Primeiro, um grito. Um grito horrível.

Um corpo em chamas debate-se...

Não quero! Solta-me!

Emilie!

A polícia está aí. insiste em falar contigo.

O seu marido, o bispo, faleceu hoje de manhã...

em circunstâncias atrozes.

Posso sentar-me?

Cremos ter esclarecido os factos.

A enferma, Srta. Bergius, estava sozinha, dormindo...

e teria derrubado um lampião na mesa, que atingiu a cama.

O fogo espalhou-se pela cama e pelas roupas dela.

Em chamas, a doente correu ao quarto do bispo.

Segundo a Srta. Vergerus...

ele estava sob sedativos que a senhora Ihe dera.

Srta. Bergius Iançou-se sobre o bispo, que incendiou-se.

Ele acordou e conseguiu soltar-se da mulher em chamas...

mas não conseguiu apagar o fogo, que o consumiu.

A mãe, Sra. Vergerus, achou o filho, carbonizado...

e desfigurado.

Dava sinal de vida e dizia que a dor era atroz.

Embora o sonífero tenha sido dado pela senhora...

definiremos o caso como uma infeliz combinação...

de circunstâncias acidentais.

Meus caríssimos amigos!

Estou muito emocionado.

Sei que muitos condenam a minha simples filosofia.

Que se danem! Desculpe, mãe, serei breve.

Os Ekdahl não nasceram para decifrar segredos.

Não estamos habilitados para isto.

Esqueçam isto.

Vivemos no pequeno mundo...

e façamos o melhor dele.

Tiremos o melhor partido.

De repente, vem a morte, o abismo sob nossos pés...

somos vítimas de tempestades e catástrofes.

Sabemos disto, mas evitamos pensar nisso.

Nós, Ekdahl, amamos as nossas ilusões.

Tire a ilusão de um homem e ele é um tolo, morto de tédio.

Precisamos compreender as pessoas...

ou não as poderemos amar, e as criticaremos.

É preciso compreender a realidade, o mundo.

E, em plena consciência, poderemos criticar...

e deplorar a sua absurda monotonia.

Nada de tristeza, caros artistas e actrizes!

Precisamos de vocês! Uma necessidade sagrada.

São vocês que acordam a nossa imaginação!

Dão-nos os nossos arrepios e distrações!

O mundo é um covil e, logo, a noite nos engolirá.

As hordas do mal cercam-nos.

O veneno penetra em nós, os Ekdahl, e em todos...

não poupa ninguém.

Nem Helena Viktoria, nem a pequena Aurora.

Mas tudo passará.

Portanto, aproveitemos quando estamos felizes.

Sejamos bons, gentis, generosos!

Devemos alegrar-nos sem remorso.

Não é vergonha alegrar-se pelo pequeno mundo.

A boa comida, um sorriso...

árvores, frutas, valsas...

Agora, terminei.

Entendam como quiserem.

Divagações ou caduquices. Pouco me importa!

Tenho aqui uma pequena Imperatriz.

É concebível e também incomensurável.

Um dia, provará que estou errado...

e reinará, não só sobre o pequeno mundo...

mas sobre tudo.

Seja boazinha.. Deixe a mãe dormir.

Já não papou?

- Vou pegá-la. - Obrigada.

- Estás a gostar de estar aqui? - São todos gentis!

Seu cunhado, principalmente! Sr. Gustáv é muito gentil.

É muito gentil com moças bonitas. Fique de olho nele!

- Vou ter cuidado!

Mas quero champanhe!

Se for bonzinho, ganhará uma sanduíche e uma cerveja.

Quero champanhe.

Emilie quer champanhe! Brindaremos às nossas filhas!

Vamos dormir, Gustáv!

Mas estou tão feliz!

É, mas amanhã, vem a ressaca.

Estamos juntos de novo!

Amanhã, vou ao campo.

- Queres algo? Volto quinta. - Passarei na terça.

Não tenho a melhor mulher do mundo?

Bem melhor do que merece.

E a melhor amante do mundo. Um doce!

- Vais sair cedo? - Não antes das dez.

Quando a vejo, quero chorar de alegria!

Que bom que voltou!

Boa noite!

Seja bonzinho. Alma precisa de dormir.

Sei do que Alma precisa!

- Tia Emilie! - O que as traz, tão tarde?

Mariane quer a nossa ajuda na sua loja, em Estocolmo.

- Queremos tanto ir para lá! - Muito mesmo.

Mas o pai insiste na confeitaria de Maj.

Ele é tão gentil!

Ele quer decidir tudo, por ela e pelo bebé.

Ela quer decidir a sua própria vida.

A mãe opõe-se. Diz que o pai não merece isto.

Depois, admitiu que não se pode impor aos filhos.

Mas estava triste por o pai.

Deve pensar em si. O Papa é um velho. Não é?

Vão deitar-se. Falarei com a avó.

- Helena! - Emilie! Bem-vinda!

- Preciso falar-Ihe. - Um conhaque?

É grave? Já sei. Maj e Petra querem ir para Estocolmo.

O que acha?

De mim, tu não escapas.

- Mais uma coisa. - Sei. Está certa.

Óscar pediu que cuidasse do teatro. Eu estava lá.

- Gustáv Adolf ficara recentido. - Para quê tanto escrúpulo?

Gustáv não entende nada de teatro.

O teatro é seu!

Napoleão deve ver que chegou o seu Waterloo.

Gostaria que lesse está peça de Strindberg.

Aquele homem que odeia mulheres? De maneira alguma!

- Chama-se "O Sonho". - E daí?

Achei que nós duas poderíamos representá-la.

- Mas não entro em cena há... - Mais um motivo.

- Chega de incomodá-la. - Nunca incomoda.

Do que ri?

Agora estamos no comando.

Será?

- Boa noite, querida. - Boa noite, minha menina.

"Mentira e realidade são uma. Tudo pode acontecer.

Tudo é sonho e verdade. Tempo e espaço não existem.

Sobre a frágil base da realidade a imaginação...

tece sua teia e desenha novas formas, novos destinos. "

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