All language subtitles for TRENT LAST CASE(El enigma de Manderson)subtitulos portugues by bette

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Original subtitles

O �LTIMO CASO DE TRENT

Isto acaba de chegar.

FaIa Tim O'ReiIy, o seu disco-j�quei preferido.

V�o ter de aguardar enquanto Ihes dou as �Itimas not�cias.

Sigsbee Manderson, o grande financeiro americano

nascido e criado em Chicago

foi encontrado morto no parque de sua casa em IngIaterra.

Suspeita-se actividade criminosa.

� a v�da... Mas o espect�cuIo continua.

FaIa Tim O'ReiIy, o seu disco-j�quei preferido com...

Sigsbee Manderson morreu

Sim, isso h�-de aban�-Ios.

- Onde and�vamos? - ''Ao aprender a morte...''

Ao aprender a morte deIe,

os mercados accionistas mundiais entraram em p�nico.

Os vaIores atingiram recordes negativos.

WaII Street tornou-se num inferno de cIamor e desespero.

Na Europa,

v�rios homens decidiram acabar com vidas que estavam Iigadas

ao destino de um financeiro que maior parte desconheciam.

Tudo isso porque numa viIa remota do Hampshire,

a vida abandonou um homem totaImente dedicado � gan�ncia.

Assim est� bem.

O Record orguIha-se de anunciar

que o caso Manderson e todos os factos

ser�o reIatados excIusivamente peIo PhiIip Trent,

cujos despachos...

cujos despachos admir�veis no caso Bournemouth

Ievaram � deten��o de...

Lamento, entrada proibida. Somente os famiIiares.

- Procuro a Sra. Manderson. - Ningu�m pode entrar.

Nem os famiIiares?

- Quem � o senhor? - O irm�o deIa.

Nesse caso, fa�a favor.

Incr�veI... At� parece imposs�veI.

Burton CuppIes! Regressou � cena do crime?

Trent, caro amigo... Voc� aqui?

Vem por conta do seu jornaI para escrever um artigo?

Como conseguiu entrar? A poI�cia tem ordens.

Tamb�m me disseram. Foi aqui que encontraram o corpo?

Eu mesmo vi-o aqui estendido. Custou-me acreditar.

- Por que raz�o veio c� ter? - Eu?

A esposa do defunto, ou seja a vi�va Manderson...

Sou seu famiIiar.

- � mesmo fam�I�ar deIa? - Sim, � minha sobrinha.

Nunca contei a ningu�m.

Custa-me comentar o casamento deIa.

N�o me dava com eIe.

Gostava conhec�-Ia.

EIa tem horror dos jornaIistas.

Preciso faIar com eIa.

Pode contar com o meu tacto e a minha discri��o.

Duvido que seja poss�veI.

Est� agora mesmo a ser interrogada peIo detective Murch.

Pois imaginava. EIe chegou h� muito?

Apenas uma hora ap�s termos encontrado o corpo.

Posso dar uma vista de oIhos � casa?

J� que veio at� c�...

Eu digo-Ihes que c� est�. O detective est� na bibIioteca.

Obrigado, CuppIes. Hei-de Ihe agradecer.

O Trent cobre este caso. Estranho...

� mesmo �ncr�veI.

Desejo faIar com o detective Murch.

Pois cIaro.

- QuaI � o seu nome? - PhiIip Trent.

- Com que ent�o... Det. Murch. - Estava � sua espera.

Parecia-me t�-Io ouvido dizer que ia deixar estes casos.

Devia sentir-me aborrecido.

Porque ser� que acabo sempre com os seus casos?

� ass�m.

- Importa-se que desenhe? - A vontade. Estou a tirar notas.

Mas creio que seja uma perda de tempo.

Tenho muito tempo a perder.

Que taI v�o a Sra. Murch... e os mi�dos?

Sabe muito bem que n�o tenho mi�dos nenhuns.

Deixe-se de tretas. Est� a tentar Ier as minhas notas.

- Estava a ver se aprendeu a escrever. - Aprendi.

O que � isso tudo?

Nada de especiaI. Cartas de neg�cios e documentos.

O secret�rio insistiu para revistarmos tudo.

Est� convencido de que o Manderson suicidou-se por causa de amea�as.

- Encontrou aIgo anormaI? - Pouca coisa.

A n�o ser um monte de notas e aIguns diamantes em bruto.

Parece que o Manderson andava a especuIar sobre o diamante.

EIe especuIava sobre tudo.

Pois.

Parecia-me que tinha oIho para os detaIhes.

Esqueceu-se do teIefone.

O Manderson foi visto a us�-Io antes de ser morto.

Quando foi isso?

Depois de ter conduzido o MarIowe at� Dover.

O mordomo trouxe-Ihe uma bebida para dormir.

Ningu�m mais o viu?

Se quiser saber aIgo mais, sugiro-Ihe que assista ao inqu�rito.

Temia que dissesse isso.

O que acha deste caso?

No in�cio, pensei que fosse um simpIes assaIto.

Obrigado. Mas os factos n�o concordam.

N�o h� rastos de assaIto dentro da casa ou sobre o corpo.

Encontr�mo-Io vestido.

Mas os dentes faIsos estavam em cima da mesa-de-cabeceira.

Parece que andava esquisito uItimamente.

Obrigado.

Andava mud�veI, abatido e sombrio.

Parece-me ser �bvio, trata-se de um suic�dio.

TaIvez demasiado �bvio.

Mas n�o sou t�o especiaIista em suic�dio como em homic�dio.

Viu isto?

- Essa � a baIa? - Sim.

O m�dico extraiu-a ap�s a descoberta do corpo.

Estas marcas s�o as dos instrumentos deIe.

As outras foram causadas peIo tiro.

Esta � a arma?

Bem poderia ser, mas n�o �.

Reparou nisto?

JM?

John MarIowe. A arma pertence-Ihe.

Com Iicen�a.

Sr. Trent? O Sr. CuppIes avisou-nos da sua chegada.

� o Sr. John MarIowe?

A Sra. Manderson manda-me assisti-Io.

- Importa-se que o interrogue? - Como quiser.

Agora n�o, tenho muito trabaIho.

Est� ciente de que a morte do Sr. Manderson foi um choque.

Tenho muito para fazer apesar do cansa�o.

Cheguei ainda h� pouco de Dover.

- O regresso deve ter sido sinistro. - Pois foi.

Antes de ir, diga-me s� uma coisa.

Esta arma � sua?

� m�nha.

Tem absoIuta certeza?

As minhas iniciais est�o gravadas.

Pois est�o. Obrigado.

Se n�o se importar, tenho de ir cuidar da Sra. Manderson.

EIe manejou a arma com habiIidade.

Estava afIito por dizer-nos que tinha viajado na hora da morte.

O que quer dizer com isso? Est� a acus�-Io?

Como soube que eIe estava em Dover?

Foi ter com a poI�cia de I�.

Ent�o n�o h� d�vida.

Os amadores t�m todos a mania de ser desconfiados.

Pois at� suspeito a Sra. Manderson. Como � eIa?

Tem muito mau feitio. � I�nda, secreta e senhora de s�.

Pe�o-Ihes para prestarem toda a vossa aten��o.

O veredicto deve ser apoiado apenas peIas provas.

A primeira testemunha � a Sra. Manderson.

Pe�o � senhora para se apresentar.

Pegue o Iivro na m�o direita. Tire a Iuva.

Leia o que est� escrito.

Juro dizer a verdade, toda a verdade e nada mais do que a verdade.

Identificou o defunto?

Sim. Era o meu esposo.

Como quaIificaria o estado deIe antes da morte?

Estava bom de sa�de, mas parecia deprimido.

- Por aIgum motivo em particuIar? - N�o.

Assunto de neg�cios?

N�o sei. Nunca comentava os neg�cios comigo.

Em que aItura o viu vivo peIa �Itima vez?

No s�bado � noite, ap�s o jantar.

Estava vestido para sair de carro com o Sr. MarIowe.

- MarIowe? - O secret�rio do meu esposo.

A que horas � que saiu de carro?

- Que horas eram? - Cerca das 1 0.

- Parecia estar tudo normaI? - Sim.

VoItou a v�-Io nessa noite?

N�o, mas ouvi-o fechar a porta do quarto deIe.

- Onde fica o quarto? - Junto ao meu.

Que horas eram?

Pouco depois das 1 0 e meia.

N�o ouviu mais nada?

Ouvi um baruIho que parecia vir da entrada.

Desci ver, mas n�o havia nada.

VoItei para a cama at� a minha criada me acordar com o ch� �s 7.

Por voIta das 9 e meia, disseram-me que tinham encontrado o corpo.

Lembra-se de aIgo que o possa ter Ievado a suicidar-se?

N�o. Mas andava muito preocupada com o seu mau humor.

Obrigado. Pode sentar-se.

Testemunha seguinte: Horace Evans.

� empregado como jardineiro da casa?

N�o, como ajudante do jardineiro.

- Trato apenas dos... - Pois, pois.

Quando o viu peIa �Itima vez?

Fui eu que dei com eIe aIi esticadinho...

Pois, pois. Onde encontrou o corpo?

Atr�s do barrac�o.

- O que fez? - Fui buscar o Martin.

- Quem � esse Martin? - O mordomo...

Pois, j� chega. Obrigado.

Chamo o Sr. Martin.

Confirma que eIe chamou por si �s 1 0 e meia?

Sim. Quando ouvi chamar, soube Iogo para o que era.

Trouxe-Ihe o u�sque e o p� para a digest�o.

- O que fazia eIe? - Estava a teIefonar.

Foi I� que o viu vivo peIa �Itima vez?

Ouviu aIgo fora do normaI?

Nada... a n�o ser um tiro.

- Um tiro? - Mas n�o prestei aten��o.

Andam sempre ca�adores furtivos na herdade.

- Que horas eram? - As 1 1 ou 1 1 e meia.

Ter� sido o tiro que matou o Sr. Manderson?

- Duvido muito. - Por que raz�o?

Porque tinha ouvido o senhor pouco tempo antes.

- Ouviu-o? Onde? - Quando foi para a cama.

Obrigado. Chamo o Sr. Bunner.

� o Sr. Bunner?

Sou. CaIvin C. Bunner.

� o secret�r�o pr�vado do Sr. Manderson?

Somente um deIes. John MarIowe era o outro.

Mostre a prova A ao Sr. Bunner.

AIguma vez j� viu essa arma?

Sim, pertence ao MarIowe. O Sr. Manderson comprou-Iha.

Quando soube que o Sr. MarIowe possu�a essa arma?

H� um m�s, quando me pediu para trein�-Io.

- Trein�-Io a qu�? - A usar a arma.

- Deu-Ihe Ii��es? - Dei sim.

No fim, tinha muito boa pontaria.

Como sabe que essa � a arma deIe?

O Manderson mandou gravar as iniciais deIe aqui...

Parece que me enganei...

Enganou-se em grande. Mas essa � uma arma vuIgar.

Pois deve ser.

Diria que a reIa��o entre os dois homens era amig�veI?

Sim, at� o Sr. Manderson decidir despedi-Io.

- Quando foi isso? - H� um m�s.

Por que motivo � que o queria despedir?

Bem fa�o ideia.

Mas creio que a Sra. Manderson poder� expIicar-Ihe.

Obrigado, pode sentar-se. Chamo o Sr. MarIowe.

A Sra. Manderson disse-nos que tinham ido juntos de carro.

Percorremos uma miIha.

Depois mandou-me parar para regressar a p�.

- Onde? - Junto ao buraco 9 do campo de goIfe.

Depois disso, para onde seguiu?

Fui para Dover, encontrar-me com um cIiente do Sr. Manderson.

Encontrou-se com eIe?

N�o. Quando I� cheguei, n�o estava nem tinha deixado recado.

Portanto regressei a casa, como me tinham mandado.

A que horas I� chegou?

Por voIta da meia-noite e meia.

- QuaI � o nome do cIiente? - George Harrison.

Esse senhor est� c�?

N�o o conseguimos encontrar.

Sr. MarIowe... Esta arma � a sua?

� m�nha.

Acha que tem boa pontaria? Ouviu o Sr. Bunner.

Creio que eIe ande iIudido. N�o sou perito nenhum.

N�o costumo usar armas nem me agrada ter uma.

Quando viu essa arma peIa �Itima vez?

H� bastante tempo.

N�o a trazia sempre comigo como me tinham mandado.

AIguma vez ouviu o Sr. Manderson faIar em suic�dio?

Por infer�ncia, sim. Em v�rias aIturas.

Como assim?

Por vezes, parecia muito deprimido.

Sentia-se incomodado por aIgo, o que o tornava taciturno.

Ouviu o Sr. Bunner dizer que estava para ser despedido.

Sabia disso?

Soube-o hoje.

Dava-se bem com o Sr. Bunner?

Em geraI, sim. Mas n�o �ramos grandes amigos.

Bem. Pode sentar-se.

Sra. Manderson, fa�a o favor de se aproximar.

Desejo fazer-Ihe mais aIgumas perguntas.

- Ouviu a testemunha do Sr. Bunner? - Ouvi.

Diga-me por que motivo � que o seu esposo

queria despedir o Sr. MarIowe.

N�o fa�o ideia.

O Sr. Bunner sugeriu que podia escIarecer o assunto.

Tamb�m o ouvi dizer isso.

O meu esposo sempre pareceu satisfeito com o Sr. MarIowe.

AIi�s, confiava mais neIe do que no Sr. Bunner,

o quaI era considerado como indiscreto.

Pois entendo. Pode ir sentar-se.

Membros do j�ri, ouviram as testemunhas.

Ser� que o defunto foi aIvejado por um ou v�rios desconhecidos,

ou ent�o como foi sugerido, ser� que se suicidou?

Todas as testemunhas apontam para a segunda hip�tese.

As provas m�dicas indicam que a morte ocorreu

6 ou 8 horas antes da descoberta do corpo.

A morte foi devida a uma baIa que causou extensos danos cerebrais

e disparada de muito perto.

Est�o aqui duas armas id�nticas.

Uma deIas com as iniciais JM, ou seja a arma do Sr. MarIowe.

As impress�es digitais provam que o defunto

foi morto com a pr�pria arma deIe

e n�o com a do Sr. MarIowe.

O aspecto exterior da ferida apoia a hip�tese

do suic�dio.

No que diz respeito ao estado mentaI do defunto,

contam muito as testemunhas da Sra. Manderson e do Sr. MarIowe.

Ser� que houve homic�dio

por parte de desconhecidos

ou ser� que houve suic�dio?

Nesse caso, em que estado de esp�rito estava o defunto?

S�o essas as perguntas �s quais t�m de responder.

Fa�am o favor de decidir do veredicto.

- Deixe ver se aprendeu a desenhar. - Aprendi.

Tem muita imagina��o.

� para tentar an�mar o processo. O que acha?

V�o confirmar o suic�dio, � cIaro.

Pois �.

SiI�ncio.

Decidiram do veredicto?

Decidimos.

Pensamos que o defunto se suicidou numa aItura

em que estava perturbado.

Obrigado, concordo totaImente com esse veredicto.

A simpatia do j�ri e do tribunaI

vai para a vi�va enIutada

que teve de passar por esta prova��o

durante o processo.

Vou buscar o carro.

O Trent n�o acredita no suic�dio.

EIe quer continuar a investigar certos factos.

� meIhor mand�mo-Io regressar aos desenhos deIe.

- Tamb�m acho. � tudo? - Sim, obrigado.

Escreva.

Esque�a o Manderson, voIte � pintura.

CaIvin C. Bunner, secret�rio do Sr. Manderson.

Sim, aqui faIa o director.

CIaro que n�o. Tem a certeza do que afirma?

Esteja � vontade, nunca reveIamos as nossas fontes.

Pois ouvi dizer.

Agrade�o imenso, Sr. Bunner.

Obrigado.

Risque tudo e escreva o seguinte.

Continue a investigar. Tamb�m n�o acredito no suic�dio.

Arranje aIgo sobre... a ''Dama vestida de preto''.

- Posso ajud�-Io? - Desejo faIar com a Sra. Manderson.

- A respeito do processo? - Exactamente.

Lamento, mas eIa n�o d� mais entrevista nenhuma,

nem quer ver ningu�m.

- N�o posso entrar? - Pois n�o.

OI�.

Chamo-me PhiIip Trent.

Eu sei.

Costuma sempre entrar peIas portas-janeIas?

N�o fui muito bem acoIhido � porta.

Queria saber quem tocava Mozart. Pode continuar.

Estava a tocar para mim, n�o sabia que me ouviam.

Antes de deix�-Io ir, quero agradec�-Io peIa sua ajuda.

Foi com muito prazer. A muItid�o n�o era perigosa.

Mesmo assim, fico agradecida.

- Reparei em si no tribunaI. - Estava a desenh�-Ia.

Pois reparei.

- Espero n�o a ter incomodado. - Faria aIguma diferen�a?

Trata-se de uma mania minha. TaI como voc� e o piano.

- � para o seu jornaI? - N�o, s� para mim.

Agora que a vejo, acho-o compIetamente inadequado.

Mas n�o � assim t�o mau.

Muito giro.

Se gostar, posso dar-Iho.

Porqu�?

N�o quero que me considere como um intruso,

mas sim como aIgu�m que a quer ajudar.

Porque acredita que preciso de ajuda?

Sra. Manderson, o seu esposo n�o se suicidou.

- O tribunaI confirmou. - Enganaram-se.

Diga-me aIgo...

Acha que n�o disse tudo ao juiz?

Francamente, acho sim.

Respondi a todas as perguntas sinceramente.

As perguntas estavam erradas.

Disse a verdade, mas n�o toda.

N�o fa�o ideia do que est� a faIar.

� bastante s�mpIes.

ExpIicou ao juiz que o seu esposo tinha mudado de comportamento,

mas n�o disse que tinha tornado a sua vida num inferno.

Parece saber muito...

Mas n�o sei o suficiente.

Sra. Manderson, d�-me autoriza��o para revistar a casa?

N�o vejo necessidade para investigar. O caso foi encerrado.

TaIvez seja reaberto. Por interesse do p�bIico.

Muito bem.

Vou pedir ao Martin para acompanh�-Io.

A prop�sito, aqueIe juiz simp�tico esqueceu-se

de fazer-Ihe uma pergunta.

Que pergunta?

A mudan�a no comportamento do seu esposo

teve aIgo a ver com o John MarIowe?

OI�.

Lamento, mas tinha dito ao Sr. Trent para n�o a incomodar.

Espero n�o a ter incomodado.

Dei autoriza��o ao Sr. Trent para revistar a casa.

Se precisar de mais aIgo, pe�a ao Sr. MarIowe.

- Vou fazer-Ihe a visita. - N�o se preocupe.

A Sra. Manderson mandou o Martin tratar disso.

O que veio eIe fazer?

N�o acredita no suic�dio.

Esteve sempre de oIho em n�s.

Diz querer escIarecer aIguns factos.

EIe n�o acredita que j� disse tudo?

Tudo?

N�o... Fico agradecido consigo. Sempre ficarei.

FaIou em reabrir o caso.

- Havia de t�-Io mandado embora. - Para confirmar as suspeitas deIe?

- Quero ver o quarto do Sr. Manderson. - Entendido. Por aqui.

Foi o �Itimo a v�-Io vivo?

Correcto. Estava na bibIioteca quando chamou por mim.

- Que horas eram? - 1 0 e meia.

- Em ponto? - Sim.

Martin... EIe costumava cham�-Io a essa hora?

PeIo contr�rio.

Desde que c� trabaIho, eIe nunca pediu a bebida antes das 1 1 .

Aceita que Ihe d� aIgo peIo inc�modo?

Vai contra os princ�pios do Sr. Manderson

o pessoaI aceitar regaIias.

Quer dizer que era o �nico a poder ganhar a vida.

N�o posso dizer.

Agora que eIe faIeceu, mudemos de tradi��o.

Obrigado. Agrade�o imenso.

Sabe que sapatos � que eIe trazia caI�ados?

Aqui est�o.

Eram os seus sapatos favoritos que eIe trazia nos p�s.

Sabe se Ihe eram apertados?

PeIo contr�rio, usava-os Iargos por causa da artrite.

Parece que foram aIargados. At� a Iingueta est� rasgada.

Apertava sempre os atacadores desta maneira?

� engra�ado, nunca repare�. Deve t�-Ios atado � pressa.

Com certeza.

Sabe se eIe caminhava r�pido?

Afim de ser muito exacto,

diria que caminhava com agiIidade, tendo em conta a artrite.

Martin, a que dist�ncia fica o campo de goIfe?

O campo de goIfe? Deixe-me pensar...

Diria que fica a miIha e meia.

- At� chegar ao buraco 9? - Creio que sim.

EIe usava sempre Iuvas?

Sempre. Era uma fobia deIe.

Como se n�o quisesse que Ihe vissem as m�os.

FaIta-Ihe uma Iuva quando o encontraram.

Deve t�-Ia tirado para puxar o gatiIho.

EIe era ambidestro?

Diga I� outra vez?

Era h�biI das duas m�os?

PeIo contr�rio, era canhoto.

- Canhoto? - Era.

Martin, sabe se eIe ficava quietinho na cama?

Quer saber se eIe se mexia muito?

Mexia-se t�o pouco que nem sequer o ouv�amos deitar-se.

Mas os Ien��is atestavam da Iuta que devia ser

antes deIe adormecer.

H� quanto tempo � que o Sr. MarIowe era secret�rio deIe?

Deixe-me pensar.

Espero que n�o tenha tido quaIquer dificuIdade.

Nenhuma, obrigado.

Com Iicen�a.

Agrade�a a Sra. Manderson e diga-Ihe que o Martin ajudou muito.

- Conte comigo. - Obrigado.

Obrigado, Martin.

EIe acaba de sair.

PeIos vistos.

Vou embora amanh� e jamais voItarei.

O que quer que fa�a?

Fique aqui e trate da propriedade.

Se for o que deseja.

Quando vai precisar de mim?

N�o vou precisar. VaIe mais n�o voItarmos a ver-nos.

Suponho que sim.

Lamento.

A senhora chamou por mim?

Pe�a � CeIestine para fazer as minhas maIas.

Com certeza.

Em nome do pessoaI e de mim pr�prio,

apresento-Ihes os p�sames.

Obrigada,Martin. � muito am�vel.

Adeus.

Est� � procura disto?

Pois procurava.

Enganou-se de taco ou anda preocupado com aIgo?

Ando preocupado.

Venha comigo ao buraco 1 9, que eu j� Ihe conto.

Interessa-me estar a par do caso.

- Eu conto-Ihe tudo. - Obrigado.

- O costume? - Por favor.

- E o senhor? - Pode ser a mesma coisa.

CuppIes... Sabe de aIgo do caso que n�o me queira dizer?

- ExpIique-se. - H� aIgo que me intriga desde o in�cio.

Sei que o Manderson era um homem desagrad�veI.

De repente, � vioIentamente morto...

Est� a faIar da atitude da minha sobrinha.

Pouco antes da morte deIe, recebi uma carta deIa.

EIa parecia afIita.

Decidi ir faIar com eIa.

Convidei-a para aImo�ar, mas eIa nunca apareceu.

Foi o Manderson quem veio.

ResoIvi dizer-Ihe o que tinha na mente.

O que Ihe disse?

Brig�mos.

Ao meu ver, eIe fez muito maI com o seu joguinho financeiro.

E decidi dizer-Ihe.

Mas os homens iguais a eIe n�o est�o dispostos a ouvir.

FaIei bem aIto, na frente de todos os cIientes.

Sa�de.

N�o o voItou a ver vivo?

VoItei sim. Muito mais tarde.

Mas n�o Ihe faIei. Andava a passear peIo campo.

Perto do buraco 9?

Agora que faIa nisso, parece que era.

Por voIta das 1 0 e um quarto?

Devia ser.

Obrigado peIa sua ajuda.

Ajudei?

Apenas me faIta soIucionar a enigma.

Vou escrever o meu reIat�rio. Obrigado peIo copo.

Ajudei?

Caro Molloy

Tal como suspeitava o Sigsbee Manderson n�o se suicidou.

A n�o ser que um cad�ver possa caminhar milha e meia.

Reparei em aIgo desde a tua inf�ncia.

Quando inquieta, tocas m�sica.

Quando muito inquieta, tocas Mozart.

O que foi?

- Conheces bem o PhiIip Trent? - Desde sempre.

Enquanto cr�tico de arte, ajudei-o bastante.

Fiquei desiIudido quando eIe abandonou a pintura.

Podes pedir-Ihe que deixe de investigar?

- Tu disseste-Ihe... - Pois, mas mudei de ideia.

Eu sei o que fa�o. Tenho motivos para te pedir isto.

- Podes ir ter com eIe? - Se desejares.

Desejo sim.

ResoIvi ir embora. Regressas Iogo que o tenhas visto?

Est� bem. VoIto j�.

Quem me dera entender...

- D�-me Iicen�a? - Fa�a favor.

Caro amigo, n�o deixa de trabaIhar.

Pois �.

A Margaret faz-Ihe um pedido.

- Que pedido? - Para deixar isso tudo.

EIa anda preocupada.

� demas�ado tarde, o meu reIat�r�o est� prestes a ser despachado.

Penso ter provado que o Manderson n�o se suicidou.

O tribunaI discorda.

Consegui provar que houve engano. Est� tudo aqui escrito.

- Sou curioso, mas muito discreto. - N�o � nada.

Prometeu.

Prometi contar-Ihe tudo, mas pode haver consequ�ncias.

Podemos aImo�ar juntos?

Preciso ir para Londres.

Esse caso para mim � um mist�rio.

Pois deve ficar.

Deve ser o Sr. CuppIes. Estou na bibIioteca.

O Sr. Trent.

Sra. Manderson, vou apanhar o comboio do meio-dia para Londres,

mas antes, tenho aIgo importante para Ihe contar.

- Sente-se. - N�o, obrigado.

Desde o nosso �Itimo encontro, descobri aIgo sobre a morte do seu esposo.

Pedi ao meu tio para o impedir.

Foi demasiado tarde. J� tinha concIu�do o meu inqu�rito.

Est� tudo aqui escrito.

A pubIica��o deste reIat�rio vai ficar por decis�o sua.

Leia-o.

N�o o quero Ier.

Pe�o-Ihe que mude de ideia.

Estou disposto a faz�-Io desaparecer se me disser que � o que deseja.

N�o o quero Ier.

Sra. Manderson, preciso fazer-Ihe uma pergunta.

A mesma pergunta � quaI n�o respondeu por estar inquieta.

Pode garantir-me que a mudan�a no comportamento do seu esposo,

taI como expIicou ao juiz,

n�o teve nada a ver com o John MarIowe?

O senhor entrou em minha casa sem quaIquer autoriza��o.

Havia de t�-Io posto fora. N�o vou cometer o mesmo erro.

V�-se embora, por favor.

Vou, se Ier isto.

A senhora chamou?

O Sr. Trent vai embora. EscoIte-o at� � porta.

Com certeza.

Vou deixar isto aqui.

Se resoIver guard�-Io para si, perceberei.

E n�o investigarei mais.

Ele foi assassinado e creio saber por quem.

Esta carta h�-de incriminar algu�m definitivamente.

lnforme a pol�cia e veja o que acham.

� tudo.

- Not�cias do Trent? - N�o.

- E no correio? - Nada.

Encontre-o. EIe prometeu-me o reIat�rio h� seis semanas.

Ligue para o ateIier deIe.

- O seu pequeno-aImo�o. - Obrigado, Jimmy.

O que foi? N�o consegue finaIizar?

N�o sei. O que acha?

Tem suficientemente ar de estar Iigada ao homic�dio do esposo?

Deixe I� ver...

� verdade que a acho parec�da com a Lady Macbeth.

A Lady Macbeth n�o matou o esposo.

Ora essa... Aprendi uma.

Atenda. Se for do jornaI, diga que fui � pesca na Jamaica.

Resid�ncia do Sr. Trent.

N�o. Est� para fora.

Foi � pesca na Jamaica.

O director diz que o viu ontem � noite em Londres.

Pois bem viu. Estava a pescar no Tamisa.

Pois viu...

Pergunte se recebeu aIguma carta.

O Sr. Trent pergunta se recebeu aIguma carta sobre o caso Manderson.

Diz que n�o. O director quer v�-Io imediatamente.

DesIigue r�pido.

- N�o estou para ningu�m. - Muito bem.

Este senhor n�o me quis ouvir.

- Quem �? - CaIvin C. Bunner.

Desejo faIar-Ihe em particuIar.

- Posso tomar o meu ch�? - For�a.

- Sente-se. - N�o, obrigado.

Por que raz�o se retirou do caso Manderson?

O seu director est� a par de tudo. N�o sabia?

N�o nos faI�mos. Saiba que o caso est� encerrado.

Para mim, n�o est�.

Vim v�-Io porque sei quem matou Sigsbee Manderson.

ConcIu�ram ao suic�dio.

Foi homic�dio. Sei quem foi e porqu�.

O senhor faIa muito.

S� faIo para quem entende.

Vou dizer-Ihe por que motivo MarIowe matou o Manderson.

O veredicto foi proferido. Essa acusa��o � difamat�ria.

Quando um gajo taI como eIe se v� entaIado...

Porque n�o disse nada no tribunaI?

Teve medo que eIe dissesse que foi despedido?

- Mentira! - Sabe bem que � verdade.

Voc� errou em v�rias transac��es.

Se n�o fosse o MarIowe, teriam perdido tudo.

- Vim c� para... - Voc� faIa muito.

Deixe-me aImo�ar. O senhor conhece o caminho.

A Sra. Manderson assistir� ao concerto de caridade

Concerto de caridade com Eileen Joyce e a Orquestra Sinf�nica de Londres

Est� aIi o PhiIip Trent.

Pois est�, sim.

Meu caro PhiIip... Como est�?

O dois conhecem-se?

Conhecemos.

Importa-se ir buscar um copo � Sra. Manderson?

Com certeza, sim. Um xerez, como de costume?

Sim, obrigada.

- E para voc�? - Um u�sque dupIo.

Pe�a tamb�m um para si.

�pt�ma �de�a. Havia de ter pensado antes.

Leu o meu reIat�rio?

Li, sim. Trata-se de uma f�buIa fascinante.

- N�o seja c�nica. - N�o sou.

Agrade�o-Ihe por n�o o ter pubIicado.

Foi um peso na consci�ncia.

Pois deve ter sido.

Acredita que o MarIowe matou o meu esposo.

Os factos s�o esses.

Desde a sua partida, convenci-me que a sua opini�o n�o importava.

Mas apercebi-me que importava muito.

Vou contar-Ihe a verdade. Acredite em mim.

Obrigado.

Com Iicen�a.

Outra ronda, por favor.

Na semana anterior � morte do meu esposo,

era para irmos ao teatro.

Mas por causa dos seus neg�cios, pediu ao John para me acompanhar.

Eu estimava muito o John. �ramos bons am�gos.

NaqueIa noite, percebi que estava apaixonado por mim.

Quando regress�mos a casa...

Sirva-se.

Com pavor vi algu�m fechar a porta.

Soube que o meu esposo nos tinha visto.

Depois disso, a vida tornou-se num pesadeIo.

Tentei expIicar-Ihe, mas n�o me queria ouvir.

Na noite da morte deIe, desconfiei que ia acontecer aIgo.

Creio que se suicidou por causa dos ci�mes.

Porque n�o faIou antes?

Teria sido pior para o John.

FaItava eu acreditar.

Fiz o que pude para o proteger. At� ocuItei parte da verdade.

A senhora � uma amiga sincera. Mas acredito que eIe o matou.

N�o matou, tenho a certeza disso.

Prefiro certificar-me disso.

Posso v�-Io?

Pois cIaro. EIe mora em White GabIes.

Aceita que a venha visitar para Ihe dizer se estava certa?

- Estarei � sua espera. - Obrigado. Fico feIiz.

H� I� tanta gente, n�o conseguia aproximar-me do baIc�o.

Que feIicidade � essa?

O Sr. Trent vai ter com o MarIowe em White GabIes.

Ainda tem aIgumas d�vidas para escIarecer.

O assunto n�o estava encerrado?

Posso ir consigo? Gostava de p�r � prova umas teorias.

Com muito prazer.

� sua, am�go.

Margaret...

PhiIip.

Sr. MarIowe, v�rios ind�cios provam

que Sigsbee Manderson n�o se suicidou.

Em primeiro Iugar, eIe n�o costumava vestir a roupa que trazia

quando o encontraram.

Sobretudo que nem tinha os sapatos apertados.

Tamb�m � muito estranho eIe ter deixado os dentes faIsos no quarto.

Sr. MarIowe... O Manderson n�o chegou a regressar a White GabIes.

Pois j� estava morto quando um impostor entrou nesta casa.

Deixe-me expIicar-Ihe.

Entre as 1 0 horas, quando saiu de carro, e as 1 1 ...

o Manderson foi morto.

ProvaveImente Ionge de casa.

Digamos... junto ao buraco 9 do campo de goIfe.

Depois trouxeram o corpo at� c� e trocaram-Ihe a roupa.

AIgu�m a fazer-se passar peIo Manderson

entrou peIa porta-janeIa da bibIioteca.

Trazia junto com eIe a arma que tinha sido usada

e os faIsos dentes.

Tinha caI�ado os sapatos, vestido o casaco e posto o chap�u deIe.

Sentou-se para teIefonar, de costas para a porta

e chamou o Martin.

Quando Martin chegou, eIe estava ao teIefone.

Foi feita uma chamada para Dover. Verifiquei.

Quando o Martin se foi,

eIe foi ter ao quarto do Manderson,

desfez os Ien��is da cama

e p�s os dentes em cima da mesa-de-cabeceira.

Era quase o �Iibi perfeito.

Pois o Manderson tinha-os posto quando saiu consigo.

At� faIou com a Sra. Manderson.

Tamb�m os tinha quando teIefonou, segundo o Martin.

Nessa aItura, voc� estava a caminho de Dover.

Mas j� n�o os tinha quando o encontraram morto.

Devo admitir que isso me intrigou muito.

Tamb�m fiquei intrigado peIas impress�es digitais deIe estarem na arma.

Mas ao meu ver,

s� apareceram depois da morte.

Quem fez isso cometeu um erro.

As impress�es na arma eram as da m�o direita.

Mas como sabe, o Manderson era canhoto.

Depois disso, o impostor desceu as escadas e desapareceu.

Estou a ver que entendeu tudo.

MarIowe...

Quem era o impostor?

Precisava ter a mesma aItura.

Digamos... 1 metro e 85.

Precisava ter os p�s maiores, para rasgar a Iingueta dos sapatos.

Os atacadores estavam atados � maneira dos seus.

Tamb�m precisava ter aIgum taIento de representa��o e imita��o.

Mandei um teIegrama ao meu amigo director de teatro em Oxford.

O famoso OUDS.

Na resposta deIe, dizia:

''O actor que meIhor representou Merc�cio e HamIet...

chamava-se John MarIowe.''

AI�m disso, acrescentou

que era um exceIente imitador.

O que responde a isto?

Quer beber aIgo?

Obrigado.

Nunca pensei que se pudesse aproximar tanto da verdade.

VaIe mais contar-Ihe tudo.

- Preferi avis�-Io antes... - Pois entendo.

Devem entender a minha reIa��o com o Manderson.

Sempre acreditei que eIe estava satisfeito comigo,

que me estimava.

Na noite da morte deIe, percebi que me odiava.

N�o suspeitava de que a vossa reIa��o n�o era assim t�o amig�veI?

Suponho que sim.

- Como assim? - N�o sei dizer.

N�o sabia que eIe era muito ciumento?

A Sra. Manderson disse-me que estava apaixonado por eIa.

Ainda estou.

Sempre estarei.

O Manderson sabia de tudo.

Isso enIouqueceu-o.

EIe era Iouco.

N�o me tinha apercebido antes daqueIa noite.

Aproveitou todas as oportunidades para ser desagrad�veI com a esposa.

Recusei jantar com eIes por n�o toIerar v�-Io humiIh�-Ia.

ResoIvi ir passear. Ao sair da casa,

disseram-me para ir ter � bibIioteca.

DescuIpe, o senhor est� � sua espera na bibIioteca.

Obrigado, Martin.

Entre.

Entre, Sr. MarIowe.

Sente-se.

Sente-se aIi.

Deixa-te estar, Margaret.

Vamos todos p�r-nos � vontade.

Querem saber o que me faz rir?

- Queres que te diga, Margaret? - Por favor.

Estava a pensar no engenho do Sr. MarIowe.

Ouvi o taIento de imitador deIe no outro dia.

Repetiu aIgo que tinha dito, ao imitar a minha voz.

Vou pedir-Ihe que atenda uma chamada de Paris por mim.

Vais gostar.

O Sr. MarIowe � muito engenhoso.

TaIvez tenhas reparado.

Diga-me uma coisa...

Diga-me, MarIowe.

Sim, Sr. Manderson?

Voc� � muito habiIidoso em banaIidades matem�ticas...

Quantas horas do meu trabaIho s�o necess�rias

para poder estragar tantos charutos sem fum�-Ios?

Bem...

AIguma vez j� pensou no motivo que me Ievou a contrat�-Io?

Bem...

De todos os indiv�duos ambiciosos que se candidataram,

foi o �nico a responder �s minhas perguntas sem resposta

sem come�ar peIa paIavra ''Bem...''

- Fume um charuto. - N�o, obrigado.

Tamb�m � muito sensato.

N�o cede aos v�cios que n�o pode sustentar.

N�o �, querida?

Fa�a o favor de atender.

� a chamada de Par�s.

Aguarde.

Imite a minha voz.

A Sra. Manderson vai achar muito divertido.

Estou? Aqui faIa Sigsbee Manderson.

Aguarde.

- � a prop�s�to do mercado afeg�o. - Diga-Ihe que venda tudo.

Estou? Venda.

Venda tudo.

Ouviu? Tudo.

O que foi, querida? N�o achaste divertido?

N�o fiques assim, est�vamos apenas a brincar.

Tinha a certeza de que n�o eras capaz de diferenciar-nos.

Ou �s?

Ou�a, MarIowe...

J� que a minha esposa resoIveu sair, tratemos de neg�cios.

Tenho aqui uns pap�is para entregar ao Sr. Harrison.

Sente-se.

Lembra-se de me ter ouvido faIar neIe?

Fez uma reserva nesse nome para um barco com destino a CaIais.

- Lembra-se do dia? - � para a sa�da de amanh�.

Tenho muito respeito peIa sua aptid�o a recordar tantos pormenores.

Tome.

Apetece-Ihe experimentar o seu taIento para aIgo que necessite mais...

iniciativa pr�pria?

Estou �s suas ordens.

N�o � ordem nenhuma, mas sim um favor.

Na reaIidade, trata-se da maior aposta da minha carreira.

Pois �, Sr. MarIowe... A maior aposta. Pode ajudar-me se quiser.

- Farei o poss�veI. - Agrade�o.

Agrade�o-Ihe muito.

O verdadeiro Harrison taIvez n�o possa ir,

mas quem entregar os pap�is deve apresentar-se com esse nome.

- Entende? - Creio que sim.

Ainda bem. Eis no que preciso da sua aptid�o.

Pegue no carro e v� ter com eIe em Dover. Entende?

Sim.

Se eIe n�o estiver, viaje para Paris no Iugar deIe.

- O que farei do carro? - Deixe-o em Dover sob outro nome.

- E isto? - Entregue-o na Rua St Honor� em Paris.

- Aqui tem o seu biIhete. - Quando quer que v�?

Tenha cauteIa, o conte�do do enveIope tem muita vaIia.

Quando? Hoje � noite.

Sa�mos daqui �s 1 0 horas, tem 1 5 minutos para fazer a maIa.

- Tire o carro da garagem. - Muito bem.

Espero que tenha entendido.

Creio que sim.

Posso contar consigo?

Sr. MarIowe...

� meIhor Ievar a sua arma.

TaIvez possa servir.

Tal como disse o Sr. Trent

pode parecer estranho eu ter obedecido sem fazer qualquer pergunta

e ter aceite fazer algo fora das minhas obriga��es.

Mas conhecia os m�todos do Manderson.

Ele contava com que cada um obedecesse �s ordens.

Em 1 0 minutos estava pronto a ir para Dover.

J� est� pronto, muito bem.

Vou consigo de carro at� ao campo de goIfe

e depois regresso a p�.

AIgo errado?

N�o Ievo dinheiro suficiente para as despesas.

N�o trago nenhum. Pe�a dinheiro em Paris.

Levantou 1 ,000 Libras ainda hoje.

- Est� a pedir que Ihe d� contas? - CIaro que n�o.

N�o Ieva dinheiro suficiente... N�o recebe um bom ordenado?

Pois taIvez j� n�o seja que chegue, considerando os seus gostos custosos.

Margaret...

Vamos dar um passeio de carro.

O Sr. MarIowe acha que taIvez possa acaImar os meus nervos.

Traga o carro � porta. Vou j� ter consigo.

Adeus, Margaret.

Espera!

Por favor, pe�o-te para n�o ires com eIe.

N�o te ponhas assim, vamos s� dar um passeio.

Deixa-me ir convosco, por favor.

Est�s com medo de perd�-Io de vista?

N�o digas isso.

O que queres que diga?

Apenas queria ir contigo. S� n�s os dois...

E o Sr. MarIowe?

Queres saber a verdade?

Que mais poderia querer?

EIe ama-me. Ama-me muito.

Mas eu n�o sinto nada por eIe.

Porque n�o acreditas em mim?

Ouve... N�o v�s com eIe.

E amanh� de manh�, despede-o. Livra-te deIe.

N�o chega pedir-te que te Iivres deIe?

Porque n�o faIas?

Queres que te diga, querida?

Os IngIeses n�o t�m fama de perder o controIo.

Deve haver aIgo.

Acho-te demasiada nervosa para quem pretende ser inocente.

Margaret, vai-te deitar e trata de te recompor.

Se te pode servir de consoIo... vou Iivrar-me do Sr. MarIowe.

N�o esperes por mim.

TaIvez regresse tarde.

Diga I�... Aposto que praticou teatro quando jovem.

Apenas como amador em Oxford.

- Em pe�as do Shakespeare? - AIgumas.

- Gosta do Shakespeare? - Gosto.

� ma�s um ponto que temos em comum.

- Ouviu o que disse? - Diga I�?

� ma�s um ponto que temos em comum.

N�o entendo.

''MaIdi��o do casamento.

Ser-nos facuItado nossas chamar a essas criaturas fr�geis

e n�o seus apetites...''

- Conhece a refer�ncia? - Sim, � de Otelo.

''Se a escrava tivesse quarenta miI vidas.

Uma s� ser� pouco, muito pouco, para minha vingan�a.''

Otelo...

Assisti a uma nova encena��o no teatro St James.

N�o gostei nada do actor principaI, mas adorei a pe�a.

Ao chegar a casa, voItei a I�-Ia v�rias vezes.

''N�o quero ter com eIa nenhuma expIica��o...''

Lembra-se?

''De medo que seu corpo e seus encantos me desarmem a inten��o.''

''Preferira ser um sapo...'' Lembra-se do resto do texto?

''E viver s� dos vapores de um c�rcere a ceder uma part�cuIa da coisa amada...

para que outrem a use.''

Esse Shakespeare sabia muito da natureza humana, n�o acha?

Pois sabia.

''Mas agora... Adeus, tranquiIidade de esp�rito.

Adeus, contentamento.''

Sim, senhor.

Quando se faz parvo de um homem, n�o pode haver tranquiIidade.

J� nem vaIe a pena viver. O Shakespeare sabia disso.

Acha que vaIe a pena viver a sua vida?

Acho que vaIe a pena, sim.

Tem gra�a...

J� estamos bem Ionge. Vou descer aqui.

- Traz a arma consigo? - Trago.

- D�-ma. - O senhor disse para Iev�-Ia.

O caminho n�o � seguro, � meIhor eu estar armado.

Obrigado, Sr. MarIowe. Boa noite.

Algo me levou a olhar para tr�s.

O Manderson observava-me com ar de �dio e triunfo.

Se n�o soubesse que era bem ele n�o o teria reconhecido.

A situa��o revelou-se logo a mim.

O Manderson era louco.

Ele regozijava-se ao ver-me ir ao encontro do meu destino.

Que destino era o meu?

Tentei acalmar-me e ponderar os factos.

Porque ter� dito � Sra. Manderson que o passeio era ideia minha?

Porque me ter� dito n�o ter dinheiro?

Onde estavam as 1000 Libras que tinha levantado para ele?

Repeti para mim a mesma pergunta v�rias vezes.

Onde est�o as 1 ,000 Libras?

Resolvi parar o carro para pensar.

Onde estava o dinheiro?

Ali estavam as 1000 Libras.

Junto com uns diamantes em bruto.

Percebi logo porque me tinha dito para ter muita cautela.

A hist�ria da viagem a Paris sob o nome George Harrison

era uma burla.

N�o havia Harrison nenhum.

Gra�as ao dinheiro e aos diamantes

o Manderson ia acusar-me de roubo.

Bastava ele fazer queixa na pol�cia para eu ser detido em Paris.

Resolvi logo o que fazer.

Precisava regressar � casa e confrontar o Manderson.

Nessa altura ouvi um tiro.

Posso jurar-Ihes, Srs. Trent e CuppIes,

que n�o estava perto deIe quando atiraram.

Dei meia-voIta para ver o que tinha acontecido.

Ele estava estendido na valeta.

Soube logo que estava morto.

Estava a minha arma perto dele com as minhas iniciais.

Junto com as minhas impress�es digitais.

Quando lhe tinha dado a arma ele trazia as luvas.

Manderson tinha perfeitamente encenado o seu suic�dio em homic�dio.

Tentei logo inventar um �libi. O que fazer para salvar-me?

Mas em todos os casos o Manderson tinha sa�do comigo

e n�o tinha regressado vivo.

Foi ent�o que imaginei o �nico plano que me pudesse salvar.

O Manderson iria regressar a casa.

Biblioteca

- N�o costuma chamar t�o cedo. - S�o apenas as 1 0 e meia.

EIe anda desinquieto.

H�-de passar-Ihe.

Quero faIar com o Sr. George Harrison.

Harrison... H-A-R-R-I-S-O-N.

Era para ter chegado a Dover esta tarde

e registar-se no hoteI �s 5 e meia.

Deseja outra coisa?

Boa noite.

N�o d� para entender.

Tem a certeza de que n�o est� no hoteI?

VoIto a Iigar mais tarde.

Ligo mais tarde.

O eIefante tem o passo Ieve!

Vou apagar as Iuzes.

Tinha deixado o corpo no parque.

Fui l� ter e calcei-lhe os sapatos e a luva.

Limpei a arma para apagar as minhas impress�es

e pu-la na m�o dele para aparecerem as suas impress�es.

O Sr. Trent tinha raz�o. No momento esqueci que ele era canhoto.

Depois disso tinha de tratar do meu �libi.

A arma do Manderson precisava ter servido.

Esperei por qualquer ru�do capaz de cobrir a detona��o

mas o sil�ncio era total. Ent�o atirei.

- Raio dos ca�adores. - Ai deIes se o Manderson os apanhar.

A sorte estava comigo. Pus a arma no ch�o e fugi.

Para garantir o meu �libi tinha de chegar r�pido a Dover.

Parecia ter passado uma eternidade.

Na reaIidade, fora preciso menos de meia hora para dispor do corpo

e fazer a imita��o.

�s 1 1 , estava a cam�nho de Dover.

Conhecem o resto.

Acredito em si. Bem preciso de outro copo.

- Tamb�m acredito. - N�o passa da verdade.

Acredito porque faIou demasiado tempo para poder mentir-me.

Agi como parvo.

Pois agiu como um idiota. Mas concordo consigo.

Se tivesse agido diferentemente, teria sido condenado peIo j�ri.

Nunca acreditei que fosse cuIpado, mas quero fazer-Ihe uma pergunta.

Imagine que outra pessoa tivesse sido acusada?

O que teria feito?

Teria contado a minha vers�o e esperado peIo juIgamento.

Teria feito o mesmo.

PeIa segunda vez, o caso Manderson foi encerrado.

A Margaret vai ficar contente. EIa est� � nossa espera.

O Sr. Trent.

- Margaret, voc� tinha raz�o. - Eu sabia.

O PhiIip vai regressar � pintura. Acabaram-se os casos.

Deus queira que sim.

O �Itimo caso do Trent. � para festejar, Margaret.

CIaro.

- E voc�? - Um grande.

Eu sabia que o MarIowe era inocente.

- Como pode ter tanta certeza? - Ningu�m pode ter.

A Margaret pensava que era um suic�dio,

voc� acusava o MarIowe enquanto eIe acreditava no suic�dio.

Tanta confus�o.

Mas em reaIidade, o MarIowe n�o matou o Manderson,

o quaI n�o se suicidou.

Isso � absurdo.

O que Ihes quero dizer � que...

matei eu o Manderson.

Parece-me t�-Ios assustado. Deixem-me repetir.

Matei o Manderson.

CuppIes, deve estar b�bedo.

Confesso que estou, mas tamb�m matei o Manderson.

- Est�s a faIar a s�rio? - Perfeitamente.

E estou ciente das consequ�ncias.

- Porque n�o disse antes? - PeIo mesmo motivo que o MarIowe.

Se tivesse faIado,

ter-me-iam suspeitado, condenado e certamente executado.

N�o foi homic�dio nenhum, mas sim um acidente.

Lembra-se que quando nos encontr�mos no campo de goIfe,

disse-Ihe que tinha brigado com o Manderson em p�bIico?

Lembro.

Acontece que naqueIa noite,

antes de ir para a cama, fui passear.

Onde me agrada mais, peIo campo de goIfe.

Tinha acabado de chegar ao buraco 9

quando vi um carro parado na estrada.

Vi logo que era o carro do Manderson. O Marlowe ia a guiar.

Ele arrancou deixando o Manderson ali sozinho.

Havia algo esquisito.

O Manderson estava ali parado a enxergar as trevas.

Estava prestes a falar-lhe quando reparei na arma.

Quando o vi levant�-la bati-lhe com a minha vara.

A arma caiu ao ch�o e eu apanhei-a. Mas feito um animal

o Manderson tentou tirar-ma das m�os.

Tentei segur�-la. Lut�mos os dois...

E eIe ficou estendido no ch�o. Acabou tudo em aIguns instantes.

Fiquei aIi parado, a oIhar para eIe... Espantado.

Depois inclinei-me.

O cora��o dele tinha deixado de bater.

Toda a gente nos tinha visto brigar durante o almo�o.

Deu-me logo para imaginar as piores das hip�teses.

Precisava regressar rapidamente ao hotel

entrar sem ser visto e inventar qualquer hist�ria.

Presumi que todos pensassem que tivesse sido um suic�dio.

De repente ouvi um carro. O Marlowe tinha voltado para tr�s.

Esperei at� eIe encontrar o corpo

e regressei ao hoteI.

Quando ouvi dizer que o tinham encontrado a miIha e meia daIi,

pensei ter sonhado.

Mas fui I� ter e viu-o com os meus pr�prios oIhos.

- Foi quando cheguei. - Pois.

O amigo sabia que eu suspeitava o John MarIowe

e que podia t�-Io mandado deter.

Pois sabia.

- N�o se deixa um inocente... - Pois n�o, querida.

Lembra-se do que disse o MarIowe se tivessem acusado outro?

Lembro. Teria contado tudo e esperado peIo juIgamento.

Lembra-se ouvir-me dizer que teria feito o mesmo.

� por �sso mesmo que andava ag�tado por causa do seu inqu�rito.

N�o quer tomar nada?

�pt�ma �de�a. Havia de ter pensado antes.

Aqui n�o, no caf� da esquina.

Pois entendo... No caf� da esquina.

Ou�a, PhiIip...

Se aceitasse apagar o nome Manderson da nossa fam�Iia,

far-nos-ia um grande favor.

Trent � um apeIido mais bonito. N�o achas, Margaret?

Tradu��o: Crist�v�o PinhaI Ferreira

Legendas: C.M.C.

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