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Em 1589, Michael de Monaigne perguntou-se como uma gota de s�men podia transportar
dentro de si qualquer semelhan�a entre pai e filho. Achou isso incr�vel.
- A que horas vamos fazer as chaves? - Quando quiseres.
Est� tudo pronto.
- Vamos agora? - N�o.
- Vamos ao cemit�rio primeiro. - Est� bem.
Quero cumprimentar a Marta.
L� porque est� morta n�o quer dizer que ela tenha tempo de sobra.
Quando partimos para Nova Iorque, eu tinha dez anos, certo? Ou nove?
Dez, sim.
E j� se passaram dez anos.
Tenho de passar um ano aqui ou por l�
para ver onde me sinto uma estrangeira.
Desde que partiste, a m�e n�o falou espanhol.
Nem uma palavra.
Nem comigo, nada.
Nem sequer para me insultar?
N�o sei.
Suponho que s� possamos falar sobre ti em espanhol.
Portanto, ela n�o disse nada.
E dele?
Dele, n�o se pode falar em nenhum idioma.
Sabes algo sobre ele.
N�o, Delfi.
Nem eu, nem ningu�m.
Guille, aquela casa est� abandonada?
Estou cada vez mais parecida, n�o estou?
Est�s igual.
Not�rio, como est�?
Delfi!
Bom dia.
Ol�.
Bom dia.
Vamos, temos de ir.
Vamos ao teatro?
N�o, agora vais � escola.
O teatro � mais tarde.
Vou ter de deixar o carro no aeroporto outra vez.
Mas acho que chego a casa a tempo.
- Esperam por mim para comer? - Sim.
Obrigada.
Tenho os bilhetes.
- Para qu�? - Ela est� entusiasmada, n�o est�s?
Sim.
Com qu�?
A Flauta M�gica.
Est� obcecada com essa hist�ria.
Pediu-me que a contasse mil vezes.
N�o � verdade? A hist�ria.
Mas n�o me recordo.
Porque n�o a contas tu?
J� lhe contei um monte de vezes, n�o foi?
Qual � a personagem de que mais gostas?
A rainha da noite?
Sim, e tamb�m gosto de Pamina.
Sim? Tamb�m gosto da Pamina.
Tens de te lembrar de ir buscar a Delfi � escola.
Est� bem.
- De certeza? - De certeza!
N�o te vais esquecer?
Delfi, essa galinha vai ficar no carro, est� bem?
A professora n�o quer que leves brinquedos para a escola,
j� o disse imensas vezes.
� um p�ssaro, m�e.
E � um p�ssaro menina. N�o lhe chames uma galinha.
Eu disse que era um p�ssaro, n�o foi?
Ou disse galinha? O que � que eu disse?
N�o sei. Foi uma, ou outra.
- N�o, eu disse p�ssaro! - Disseste galinha.
O cora��o de todos os grandes filmes � um erro.
Quando escreves estas coisas, Juan?
E tu?
Onde arranjas essa genialidade sobre portas e fechaduras?
Juan, deita fora este caderno.
N�o sei, estamos a andar em c�rculos.
N�o entendo porque este tipo tem de fazer semelhante esfor�o para mudar a identidade
se pode continuar a fazer a mesma coisa
com um cart�o de s�cio de Atlanta, por exemplo?
Porque os filmes s�o assim.
N�o entendo porque temos de fazer um filme baseado numa hip�tese inventada.
O �ltimo filme foi id�ntico, foi igual.
Trabalh�mos na mesma linha e as ideias eram nossas.
Ou vais-me dizer que as ideias eram dela?
Est� bem, n�o somos cientistas.
Mas ela tamb�m n�o era...
- Quem? - A rapariga das hist�rias � noite.
- Scheherazade? - Essa.
Vais atender?
Atende, tamb�m n�o est�s a pensar em nada.
Estou?
O que est�s a fazer?
O que aconteceu?
Calma.
Sim, calma. Espera.
Sim. Ele est� aqui, adeus.
- � a tua mulher. - O que quer ela?
Parece que houve um...
N�o sei, parece que houve um pequeno acidente com...
- Qual acidente? - ... a Delfina.
Com a Delfina?
Parece que n�o aconteceu nada. Espera!
Espera, eu levo-te. Anda.
Est� bem. Vamos!
Ceci, o que aconteceu?
Onde est� a Delfina?
Entre na sala de forma apropriada e poderemos falar.
Cecilia, onde est� a Delfina? Por favor.
O que aconteceu? Pode contar-me?
Por favor, Juan!
N�o acredito nisto.
Entre.
O que aconteceu?
- Sente-se, por favor. - N�o � necess�rio.
Sim, queria falar consigo.
A professora estava a contar-lhes que a m�e de uma das meninas
caiu no po�o do elevador e que, por isso, a menina n�o vem � escola.
Lamento muito a morte dessa mulher.
O que aconteceu � minha filha?
Eu nunca disse que ela morreu. Ela morreu?
Sem dizer nada, a Delfina foi sentar-se no lugar da outra menina.
N�o houve forma de a convencer a regressar ao seu lugar.
Agora, est� a dizer que � ela.
Veja estes desenhos.
Come�ou a faz�-los na aula de artes
quando descobriu que tinha mudado o seu �ltimo nome.
Mas � estranho porque h� um tema com a m�e.
Veja, duas m�es diferentes...
Como se estivesse a processar o seu assunto num mundo de mulheres, entende?
Recorda-se que eu e a psic�loga infantil o aconselh�mos
a esperar algum tempo antes de lhe falar da mudan�a de apelido?
Sim.
Ali est� o teu pap�, vamos.
Ol�, querida. Ol�!
- Est�s bem? - Ol�, como est�?
Essa camisola � da outra menina.
A da m�e do elevador.
N�o a quis tirar.
Lucia?
Porque est�s a usar isto?
Est� mal?
N�o.
O �nico que levou essa treta a s�rio foi o Martin.
O Federico teria ficado maluco de qualquer forma. Com, ou sem o livro.
- � assim, � heredit�rio. - Como aceitou o Federico?
Juan.
Obrigado.
�s vezes, � importante.
Eu sei. Tens raz�o.
Por favor, tens de atender quando te ligo.
Pe�o-te, Juan.
Desculpa.
Est� bem.
Mas algu�m atende sempre, n�o �?
�s vezes, n�o te reconhe�o.
� normal, mudei de nome.
N�o sei se lid�mos bem
com esta quest�o do apelido.
Podes contar-me o que aconteceu na escola?
N�o aconteceu nada, n�o foi assim t�o grave.
Como � que n�o foi assim t�o grave?
Disse que tinha outro nome.
Vestiu a roupa de outra menina. Achas que � normal?
N�o, normal n�o �.
Olha, pai!
� a av�!
N�o, Delfi. Essa n�o � a tua av�.
Anda v�!
� uma amiga do pap�.
Juan, podes ajudar-me, por favor?
Ela j� n�o sabe como se chama.
- N�o sabe quem � quem. - Vou lev�-la para a cama.
Ela adormeceu, Lidia.
Que pena.
Que bela foto!
Divina.
� bonita.
� ador�vel, adoro-a.
Tirei-a na semana passada.
Divina.
Liguei-te o dia todo.
Mas tinhas o telefone desligado.
Saiu a senten�a.
Sim, n�o gostas, eu sei.
Os advogados v�o encarregar-se de tudo.
Obrigado.
N�o me agrade�as.
Os advogados da tua av� tamb�m s�o teus advogados.
N�o sei. O que devo fazer?
Tomar posse, o que mais?
A casa � tua.
Se n�o � tua, n�o � de ningu�m.
E tens de pensar na Delfi.
Est� t�o bonita naquela foto!
Linda, adoro-a.
Leva-a.
- A s�rio? - Claro.
- Com moldura e tudo? - Claro.
Obrigada.
Estive a pensar no futuro.
Vou criar um novo quiosque, um novo conceito de quiosque.
E como � esse novo conceito de quiosque?
Ser� o quiosque mais quiosque poss�vel.
Vai chamar-se "maxi-quiosque".
- Aqui, n�o h� quiosques. - Como assim?
Sim, hoje algu�m ficou sem cigarros e...
Sim, se precisas de cigarros, vais ao quiosque.
Vais ao quiosque.
Mas agora j� n�o te atendem por uma janela.
Quando era mi�do, tinha de pedir por uma janela.
Tinha de olhar para cima e dizer ao senhor o que queria.
Ele punha tudo o que eu gostava em baixo
e em cima tudo o que o meu pai gostava.
Bem, n�o sei, o que era como o meu pai.
Considerando que ainda n�o me fizeste uma homenagem em nenhum dos teus filmes,
no "maxi-quiosque" poderia ser boa ideia, certo?
Por exemplo, estou a pensar neste nome:
"Quiosque Absolutamente Berenice."
� bom. � bastante original.
Estou exausta.
- Foi lindo hoje, n�o foi? - Muito lindo.
- Divertimo-nos. - Sim.
J� somos grandes e podemos lidar com isso, mas ela � uma crian�a.
E n�o sei se entende.
Julgo que a Delfi vai ficar bem.
Achas?
A Lidia diz que tenho de tomar conta da est�ncia.
Os advogados dizem que � o melhor
e que tenho de o fazer.
Tem raz�o.
Talvez.
Claro.
J� ganhaste o julgamento. Tens de ir.
A propriedade � tua.
N�o � de mais ningu�m.
A Lidia tem raz�o.
- Tens de ir � tua propriedade... - N�o tenho l� nada.
Ao menos pensa em mim, ou pensa na Delfi.
N�o sei... Para al�m disso, quero que estejas bem.
Sinto que isto te anda a perturbar.
Tens de avan�ar.
E n�o seria assim t�o mau ter uma quinta.
At� ma podes dar, como prenda.
- Eu vou dar-ta. - Podes dar-ma.
- Ou um quiosque. - N�o, uma quinta.
Uma maxi-quinta.
Uma maxi-quinta ou uma quinta com um maxi-quiosque.
Como, "Juan"?
O que � isto, Ezequiel?
N�o sei, � o que dizem.
Mas desde quando � que eles...
Que � tudo isto? O que est� a acontecer?
Vou embora por uns tempos.
Onde vais?
A uma cidade, perto de um rio.
E as tuas irm�s, ou...?
Toma conta delas.
Elas s� t�m uma m�e.
Tamb�m cuidei de ti, n�o foi?
Sou tua m�e.
Nessa cidade, vive a fam�lia do meu pai.
Parece que foi l� que nasci, e foi l� que vivi,
at� me levarem com tr�s anos, sabias?
N�o, n�o sabia.
N�o sabia nada.
Isso n�o importa, sou tua m�e.
N�o te lembras que tinha medo do rio?
Que costumava sonhar com isso.
Tinhas um pesadelo com o mar.
Vai haver uma exuma��o.
- � assim que se diz? - N�o sei.
� o corpo de um homem.
Parece que se chamava Juan, como eu.
Porque te dir�amos? O que dir�amos?
De que iria servir isso?
Estavas aqui. N�o estavas bem?
A tua carreira no cinema, tudo o que tu...
O que vais fazer agora?
J� pag�mos tr�s anos.
O mesmo que aconteceu com o piano, m�e.
N�o sei.
N�o sei.
N�o sei.
Apresento-vos o Juan.
Juan.
Juan?
Sim, perd�o. Ainda n�o estou habituado a esse nome.
Sou o teu primo, o Gillermo.
Sou a ovelha negra da fam�lia.
At� agora, que regressaste.
Arranjaste uma bela confus�o, n�o foi?
Estes s�o os primeiros mortos da cidade.
Ingleses.
Foram eles que constru�ram os caminhos de ferro.
Nem sequer o padre apareceu.
Podia ter havido, ao menos, algum tipo de cerim�nia.
O teu pai tinha uma est�ncia.
Foi tudo dividido.
E depois, um dia,
aparece o verdadeiro dono.
J� reparaste que, quando tens sempre o mesmo sonho,
� como se n�o estivesses a sonhar com nada?
Por vezes, sonho em cap�tulos.
Parece que tinha mais ou menos dois anos quando me levaram.
A minha data de nascimento no meu documento de identifica��o
� esse dia, o dia em que me levaram.
Isso significa que tenho mais dois anos
do que pensava.
Soprei tantas velas a celebrar o dia do meu sequestro.
Isso � de loucos!
Olha.
Parece que � a minha m�e.
Era linda.
Dolores.
N�o me recordava.
Quando escrevia gui�es na faculdade...
Pensava sempre numa mulher.
Pensava sempre na mesma cara, da mesma mulher.
Quando me mostraram a foto, dei-me conta que era ela.
- Gui�es de cinema? - Sim.
Gosto disso.
Eu tamb�m estudei, em Buenos Aires.
Disseram que ias ficar durante uns dias.
N�o sei, talvez.
Queres ir sair esta noite?
Anda!
Estava presa.
Um homem prendeu-a num pal�cio.
Mas n�o era um homem mau.
Ele prendeu-a porque n�o queria que estivesse com a m�e.
E porque n�o queria que estivesse com a m�e?
Porque ele pensava que ela n�o era a melhor m�e.
E o que pensas tu?
O que se est� a passar?
Nada.
�s linda.
M�sica de Wolfgang Amadeus...
Mozart.
A Flauta M�gica.
Um pequeno conto de fadas, no qual o jovem pr�ncipe Tamino
ter� de...
Jovem pr�ncipe?
Ter� de resgatar Pamina,
filha da rainha da noite,
que foi sequestrada pelo malvado Sarastro.
- Sarastro? - Sarastro.
- Sarastro! - Sarastro!
- Sarastro! - Sarastro!
No in�cio,
veremos o jovem pr�ncipe Tamino
a ser perseguido por uma terr�vel serpente.
Onde est� a serpente?
Serpente!
O Tamino est� em perigo! Temos de o salvar!
Morre, monstro! Pelo nosso poder!
Libert�mo-lo!
Um lindo adolescente.
� jovem e belo!
Nunca haver� outro igual!
Se o amor tocasse no meu cora��o,
este jovem seria a minha elei��o.
N�o, este jovem � meu. E n�o se fala mais nisso.
Ele � meu! Vi-o primeiro.
N�o me importa, cara de torta!
Tamino, a nossa rainha pede-te
que realizes uma miss�o muito importante.
Abre a caixa.
Cont�m o retrato da sua filha, Pamina.
� bela!
Bel�ssima!
Se a conseguisse encontrar!
N�o consigo definir este sentimento.
Ser� amor!
Sim, Tamino, � amor.
Desperta! Deves partir de imediato.
Sim, � amor!
Raptaram a minha filha Pamina.
Pamina?
- �s um guerreiro? - Sim.
Valente?
Sim, sou valente.
Tu a salvar�s.
Diz que sim!
Minha pequena filha Pamina,
n�o te posso proteger.
O Sarastro levou-me o poder.
O Tamino tamb�m foi enganado por ele
e, com a luz do sol, ser� um deles.
Amo esse pr�ncipe.
Amo-o, com todo o cora��o.
Minha filhinha, est�s confundida.
Ou�am isto, deuses da vingan�a, um juramento de m�e.
Podes ir mais depressa, para que...?
N�o, com a cabe�a.
Vem mais vento.
Juan?
Diz ol�!
Ol�.
- Por favor. - Ol�.
Ol�, Juan.
Como fazes ambas as coisas ao mesmo tempo?
Sou um g�nio.
�s muito inteligente?
Sou muito lindo?
Muito inteligente.
E tamb�m muito lindo.
�s muito lindo.
O qu�?
�s muito lindo.
Anda.
Este � o meu primo.
Anda, Juan.
Apanhaste?
- N�o importa. - N�o � para mim.
- Sa�de. - Sa�de.
Como te chamas?
- Martina. - Martina?
E tu?
Tenho muitos nomes.
Podes chamar-me Juan.
- Est� bem, Juan. - Sim.
- Como "um momento"? Anda c�. - Um momento.
Anda c�.
Para.
Est� bem.
Est�s bem?
- O que queres dizer? - Fui eu quem deixou cair o copo.
- O qu�? - Deixei cair o copo.
Sim, estou bem.
E tu? Est�s bem?
- Sim. - Est� feito.
- Perdoa-me. - Est� bem.
Eu fi-lo de prop�sito.
De que planeta vieste?
De l� de cima. Vivo l� em cima.
- Sim? - Sim.
- � bonito? - � fixe. Sim.
- E posso? - O qu�?
- Viver. - Comigo?
Talvez.
- Mas primeiro, tens de dan�ar comigo. - Est� bem.
- Onde? - Ali.
Queres ir embora comigo?
Est� bem.
Queres ir para o meu hotel?
N�o.
Ent�o, para onde?
- Vamos para minha casa. - Est� bem.
Vamos.
- Est� aqui algu�m? - Est� aqui a minha m�e.
...e os est�dios realizados sugerem
que as experi�ncias de vida tamb�m produzem efeitos qu�micos no ADN.
N�s temos plena consci�ncia
de que as provas ainda n�o s�o suficientemente fortes
para mostrar hip�tese. Sabemos disso, mas
existe o que se chama um c�mbio epigen�tico.
Isso quer dizer que o gene foi marcado geneticamente como resposta
a um evento traum�tico, e esse c�mbio transmite-se aos nossos descendentes.
Recordemos que um trauma n�o tem de ser, necessariamente, uma experi�ncia negativa.
Pode tratar-se de uma experi�ncia �nica, como um v�nculo amoroso muito forte.
Qualquer acontecimento ou qualquer pessoa podem deixar marcas em n�s.
H� estudos que demonstram que as experi�ncias de vida dos pais
podem modificar a qu�mica do corpo e transmitir-se para os filhos.
A pesquisa que est� a ser feita na Alemanha
nos �ltimos anos est� relacionada com isto.
Est� relacionada com os netos das v�timas do Holocausto.
Com os seus testemunhos que d�o conta de uma mem�ria emocional, hist�rica,
de algo que n�o viveram mas que, no entanto, aparece nos seus corpos,
nas suas vozes, na sua mem�ria.
Para outras pessoas que escutam em outro lugar,
ficam com cara de surpreendidos, por ter de explicar a prova e as hip�teses.
N�o importam as caras. Precisam de ajuda, certo?
- Precisamos sempre de ajuda. - Bem...
Aqui estou eu.
Vamos ver.
O que � isto?
Vejam.
Primeiro dado:
Entre os dois, h� mais de 20 anos de diferen�a.
Mas qual � a rela��o entre um e outro?
Nenhuma.
At� que voc�s descubram o contr�rio.
Onde arranjaste isto, Lidia?
Segundo dado:
A Delfina nasceu v�rios anos ap�s a morte de Julia.
Pensem nisso.
Est�s bem? D�-me a tua m�o.
N�o mora ningu�m aqui, pois n�o?
Delfi, cuidado.
Cuidado, Del.
Este lugar � maravilhoso.
Olha para esta casa.
N�o de d� vontade de ser o dono?
E quem a administraria?
Tu, claro.
Boa tarde.
Como est�s, Juan?
- Como est�? - Bem.
- Como est�, doutor? - Boa tarde.
Sentem-se, por favor.
- Como se estivessem em vossa casa. - Sim, claro.
E est� prestes a s�-lo, certo?
Mas, bem...
N�o estamos nos nossos melhores dias.
O que vos queria pedir...
Juan, podes largar o livro, por favor?
Obrigada.
Estava a dizer que vos queria pedir
que, por favor, nos deixem falar a n�s, os advogados.
Se dissessem algo de errado, poder�amos perder o controlo da situa��o novamente.
Errado?
N�o entendo.
Sou vosso advogado. � um conselho.
Sim, mas n�o podemos falar?
N�o posso falar?
Olha, pai!
N�o, n�o estou a dizer isso.
O que estou a dizer � que...
Sou apenas o assessor. Tomem as decis�es que quiserem.
Poderia dizer-lhes para entrar, por favor?
A verdade � que tivemos uma viagem de quatro horas
e agora temos outra viagem de quatro horas para regressar.
Portanto, vamos avan�ar.
Claro.
Com licen�a.
A personagem deste livro chama-se Juan, como eu.
� um menino.
Chamam-lhe "se�orito".
N�o � divertido? "Se�orito"?
Queres experimentar?
- Est�s a torturar-me. - Chamei-me Ezequiel, agora Juan.
Posso ser se�orito. Experimenta, se�orito.
Delfi, queres ir brincar l� para fora?
- Sim. - Sim?
Vai.
Podemos come�ar a conversar.
Boa tarde.
O Sr. Isidoro Carrasco.
O seu representante, o Sr. Juan Carrasco.
- Berenice. - Como podem imaginar...
- Quero deixar registado... - Deixe-me falar.
Estou aqui contra a minha vontade.
Como devem compreender, � uma situa��o...
Desculpe, n�o � necess�rio.
Eu tamb�m estou aqui contra a minha vontade.
Ou�a, Juan...
Queria deixar claro.
Doutor, deu-se conta do que acabou de dizer?
Eu e o meu av� estamos aqui contra a nossa vontade.
N�o nos deviam convidar a ir embora?
Ele n�o vai embora.
Ele � curioso. Pergunta por curiosidade.
� muito sens�vel.
� realizador, um artista.
N�o �, Juan?
Pode ir embora quando quiser.
Doutor...
Come�amos?
Podemos come�ar a conversar?
N�o.
J� que tenho essa liberdade, vou fazer uso dela.
Vou embora.
S� um minuto.
- Juan... - S� um minuto.
Podemos come�ar.
Que o meu cliente n�o queira tomar posse � irrelevante.
- � uma quest�o de lei. - Mas...
- Deve cumprir a lei. - A obriga��o � com o cliente.
- O que vai acontecer? - Demos-lhe demasiado tempo.
O que vai acontecer? O qu�?
Est� a ser inflex�vel, Nacho!
Tem de convencer o seu cliente...
A av� vai ter de lidar com isso?
- O que tem isso a ver? - Como assim?
Eu trato disso.
- Estou aqui para explicar a situa��o... - Filho da... a s�rio?
- Bem... - Espere.
Entendo que s�o advogados.
Que vos conv�m estar aqui muitas horas, n�o �?
Que cobram � hora. N�o se preocupem, vamos pagar.
Todos conhecemos o final deste filme, n�o �?
� coisa julgada.
Assim, considerando a quantidade de horas que temos estado aqui,
vou retirar-me e regressarei quando a hist�ria estiver encerrada.
Est� bem.
Querem continuar?
Apanha-me se puderes, m�e.
Delfi!
Magoei-me!
Delfi!
O teu dedo, Delfi!
Est� laranja.
Sim, tens o dedo todo laranja!
Doeu?
- N�o. - N�o?
E a injec��o?
- N�o. - Que sorte.
- Como fizeste isto, Delfi? - N�o sei.
Que queres dizer com n�o sabes?
- Como te chamas? Delfina? - Delfina.
Doeu? A s�rio?
Que tal se for tratar da papelada enquanto curo a sua filha?
Espera aqui um pouco, por favor. Vou tratar de tudo e j� volto, est� bem?
- Est� a doer? - Mais ou menos.
- Um pouco, sim... - Repito, Dr. Locket para a cirurgia.
Est�o sempre a chamar-me.
- Doutor, por favor, � urgente. - Eu sei que �, � sempre urgente.
Est�o � sua espera na Sala de Opera��es.
Encontraste-me.
Encontro-te sempre.
Mostra-me o dedo.
Que pena! Um dedo t�o lindo.
Vai curar-se rapidamente.
Que lindas m�os!
S�o parecidas com as minhas.
Sabes o que � um segredo?
Gostas?
� para ti.
Vai ser um segredo entre n�s.
N�o podes dizer a ningu�m.
A ningu�m, nem � tua m�e.
Vais guard�-lo para sempre?
Tens de o ter sempre perto de ti.
SA�DA
O que est�s aqui a fazer, Delfi?
N�o sei, m�e. Estava � tua procura.
O doutor teve de ir.
Que hist�ria � essa, teve de ir? Para onde foi?
N�o sei.
Vamos para casa.
N�o sei o que se passa aqui. N�o entendo mais nada.
N�o � demasiado perto do rio?
� perto.
N�o sei se gosto deste local.
Olha, n�o h� luz el�ctrica.
Posso viver com velas.
�s linda.
Gosto mais desta do que da �ltima.
- Vais entrar? - Na casinha.
� a casinha.
Quando vais buscar as tuas coisas?
Nunca.
O que � esta cama?
N�o posso acreditar que o velho tem esta cama.
O que est�s a fazer?
Olha, n�o sei porque me recordo deste livro.
J� o leste?
- L�-o. - Nem pensar.
V� l�, l�.
Sim, toma.
N�o quero.
Tens trabalho de casa: Primeiro, l�s,
e depois contas-me.
- Nem pensar. - Sim.
Dizes-me se gostaste ou n�o, e porqu�.
Est�s a chatear-me, sabias?
� o que tens.
N�o o vou fazer!
Estou a avisar-te.
"A hist�ria passa-se em Jun�n ou Tapalqu�."
Vais faz�-lo.
- N�o. - Sim.
"Um rapaz desapareceu ap�s um ataque �ndio.
Disseram que os �ndios o tinham roubado.
Os seus pais procuraram-no, inutilmente.
Ap�s alguns anos,
um soldado que veio do interior
falou-lhes de um �ndio de olhos azuis que podia ser seu filho.
Finalmente, deram com ele.
A cr�nica perdeu-se nas circunst�ncias e n�o quero inventar o que n�o sei.
Pensaram t�-lo reconhecido.
O homem...
trabalhado pelo deserto e pela vida b�rbara,
j� n�o sabia ouvir as palavras da l�ngua natal.
Mas deixou-se conduzir, indiferente e d�cil, at� sua casa.
A� se deteve.
Talvez porque os outros tamb�m se detiveram.
Olhou para a porta, como se n�o a entendesse.
De repente, olhou para baixo...
Gritou, atravessou a correr o corredor,
os dois largos p�tios e meteu-se na cozinha.
Sem hesitar, meteu o bra�o no sino escurecido
e sacou a faca que a� tinha escondido quando era crian�a.
Os seus olhos brilharam de alegria
e os pais choraram, porque tinham encontrado o filho."
Queres que continue?
"Outras mem�rias se seguiram a esta.
Mas o �ndio n�o podia viver entre paredes
e, um dia, foi procurar o seu deserto.
Queria saber o que sentiu nesse instante de vertigem,
no qual o passado e o presente se confundiram.
Queria saber se o filho perdido
renasceu e morreu naquele �xtase
ou se conseguiu reconhecer, pelo menos como uma criatura ou um c�o,
os pais e a casa." - ... os pais e a casa.
- O que podemos levar daqui? - Nada.
N�o foi para isso que viemos?
- Nada. - Como assim, nada?
Isto � horr�vel.
Temos aqui algo. Espera.
- Achas que funciona? - Sim.
Podemos coloc�-lo ali. Junto � janela.
Parece-te bem?
Aqui?
Perfeito.
Precisamos de um cabo.
H� aqui uma tomada. Mas n�o vai chegar.
Vamos l� ver.
- Juan? - Que foi?
Vens?
Quero dar-te algo.
O qu�?
Um beijo?
Feliz anivers�rio.
O que � isto?
- Hoje � o teu anivers�rio. - Sim?
A s�rio?
Feliz anivers�rio.
Olha, sou eu.
E isto foi escrito pela minha m�e.
Tenho um presente para ti.
- Sim? - Sim.
O qu�?
Olha.
- O que est�s a fazer com isso? - Trouxe-o.
� da minha m�e.
Eu trouxe-o para ti.
- Ela emprestou-mo. - Emprestou?
Sim, olha...
Era da minha bisav�,
e da minha av�. De todas elas.
E agora?
Agora, � meu.
Adoro!
Para.
P�ra! N�o me olhes assim.
- N�o me olhes assim! - Para.
Amo-te.
- Outra vez. - O qu�?
Amo-te.
Amo-te outra vez.
A� est�.
Estava a pensar em ficar morena.
Mas gostas de loiras, n�o �?
N�o, ia ficar-te bem.
Como te ocorreu...?
No outro dia, vi uns v�deos da Julia.
H� muito tempo que n�o os via,
quase dez anos.
Fiquei com vontade.
Sei que parece est�pido, mas...
Senti que ela me estava a ver.
Olha, olha em frente.
Porque n�o est�s a usar o cinto, Juan?
Porque s� quero sair daqui.
Diz ol�.
Vamos.
N�o, com a cabe�a.
Assim?
Podes ir mais r�pido, para que...
- Conheces esta rapariga? - O qu�?
Estou a ver fotos.
- O qu�? - Conheces esta rapariga?
Porqu�?
Tens aqui outra.
Onde foste buscar isto?
Conhece-la ou n�o?
Estiveram muito tempo juntos?
Parece-me uma rapariga da cidade.
- Parece-me, n�o sei. - Parece-te?
- Tens mais fotos? - Parece-te?
Parece-te que � da cidade?
Sim, agora recordo-me!
- Ali est� o Juan... - Sim, mas se n�o o tivesse visto...
E quem � essa mulher a�?
Qual mulher?
A do vestido negro.
Esta.
Claro.
Claro.
Agora est� a cair-te a ficha?
- S�o muitos anos! � a m�e... - Qual m�e?
A m�e de uma rapariga... Nem me recordo do nome.
- Quem � esta rapariga? - � uma rapariga da cidade.
Estiveram muito tempo juntos, ou n�o?
Porque n�o lhe perguntas a ele?
Era linda?
N�o sei, � como nas fotos.
Era linda, ou n�o era linda?
- Est�s a encobri-lo. - N�o, n�o estou. Pergunta-lhe a ele.
- N�o. Quero perguntar-te a ti! - Pergunta-lhe a ele!
Ol�!
- Que se passa, Julia? - Chegaste mesmo a tempo.
- Para qu�? - Para nos emprestares dinheiro.
Com que iam pagar?
N�o, n�s temos.
Com a c�mara do Juan?
- Como vais, primo? - Estou bem.
- H� duas semanas que n�o te via. - Sim...
- Como est�s? - Bem.
- Toma. - Obrigada.
Est�s com bom aspecto.
O que se passa?
Gostas desta, meu amor?
- Sim. E a outra tamb�m, n�o? - As duas?
Sim.
Meu amor, vais ficar, ou vais voltar para Buenos Aires?
N�o sei. N�o...
Estou a ver.
Posso regressar para continuar o filme.
E a fam�lia?
Vai bem, e a tua?
Uns meses depois, a rapariga est� num bar e...
- Sim. - Uma menina num bar?
E a rapariga de oito anos encontra-se com outras da mesma idade na esquina.
E observa-as por um momento:
como falam, como essa menina se move.
Observa-a a mover-se, a rir-se,
como fala com as amigas, at� que de repente aparece uma camioneta,
como um autocarro escolar.
- V�o todas ao bar? - Ela entra na camioneta e vai embora.
- N�o, Juan! � muito simples. - Ela vai para a escola.
- � normal. - Um tipo de 20 anos, de pais divorciados.
A m�e vive na capital, o pai vive aqui.
- Ele vem a cada cinco, seis meses... - Guillermo, ouve...
...para visitar o pai.
- Tem um amigo, encontram-se ao meio-dia. - Julia.
A rapariga de 17 anos, que j� tens mais alguns anos,
est� num bar e encontra-se com a mesma rapariga, que tinha oito ou nove anos.
Um tipo vai a um bar, conhece uma rapariga,
acha que � linda, mostra-a ao amigo, e foi assim.
- Entendes? - Est� bem?
No dia seguinte, est� com o amigo e v�em a rapariga.
- Sim. - Mas est� com a m�e.
Espera, � a rapariga de quem gostaste ontem.
N�o entendo nada do que est�s a dizer.
Se fizeres esse tipo de filmes, eu n�o os vou ver.
S�o terr�veis.
Tenho uma de que gosto mais.
Querem que a conte?
- Sim. - Claro.
Era uma hist�ria que a minha m�e me contava.
Ela dizia que era real.
Mas penso que era a hist�ria dela.
De facto, h� coisas das quais me recordo,
mas penso que n�o as vivi, que foi ela que as inventou.
Sim, � boa.
� uma boa hist�ria.
O que n�o entendo � o que est�s aqui a fazer.
E tu?
Temos de ordenar um pouco a hist�ria e o gui�o.
Mas... � poss�vel, mas n�o aqui.
Acho que o que estamos a escrever com o Guillermo � muito bom.
Sim?
Ele quer passar umas semanas em Buenos Aires, talvez duas ou tr�s.
Talvez possamos fazer algo para que nos emprestem equipamento da faculdade.
- Qual faculdade? - A minha faculdade.
Estava a pensar que pod�amos filmar uma esp�cie de amostra do filme, ou...
Est�s com vontade?
- De qu�? - De vir connosco.
N�o, porque haveria de ir? N�o tenho nada que ver com isso.
- Tamb�m � teu. - N�o � meu.
N�o tenho nada que ver com a tua vida l�,
nem com esse filme.
Tens muito que ver. E eu amo-te
e preciso de o fazer contigo.
Tamb�m deixei um monte de coisas l�.
- Deixaste? - Sim.
E aqui n�o deixas?
Sabes que mais? N�o posso ser duas pessoas.
N�o � poss�vel ter duas vidas.
Tamb�m n�o podes ser ningu�m todo o tempo.
- O que queres ser? Famoso? - O qu�?
� isso que queres?
Pensava que �ramos iguais.
Cuidado!
De que est� � procura?
Da minha filha.
Quem � a sua filha?
A Delfina Carrasco.
Sim! Ela foi com a av�.
Qual av�?
Marta.
- Guille! - Marta!
P�ra!
� ele.
Juan.
Marta!
Julia.
Nesse dia, apanhou um escald�o.
Tinha tr�s anos.
Foi no jardim, no anivers�rio dela.
Deram-lhe esse c�o.
Dormiu com o c�o um m�s, era nojento!
Onde est� esse c�o agora? Onde o deix�mos?
Ol�.
Ol�.
Chegaste mesmo a tempo.
Ol�, amor.
Est�s bem?
O primeiro dia de infant�rio.
E aqui est� ela de tran�as,
de cabelo apanhado.
Com as tran�as, que te ficam t�o bem.
- Onde tir�mos essa foto? - No Mar Del Plata, lembras-te?
Quem � esta?
Quem podia ser?
Mas n�o lhe atires a foto, por favor.
Isto � o Mar del Plata.
- � a Julia. - Sim.
- � a Julia? �s parecida. - Esquece isso.
�s igual, n�o �s?
� parecida.
� igual.
- Igual a quem? - �s igual � Julia.
Quem � a Julia?
- Julia... - � igual, s�o parecidas.
Eu depois conto-te.
As tran�as ficam-lhe t�o bem.
Depois contas-lhe?
Onde est� o carro? Onde est�?
Acalma-te, Bere. Calma...
- Onde est� o carro? N�o. - Acalma-te.
Qual calma? Solta-me! Onde est� o carro?
- Onde est� o carro? - Acalma-te.
- Para. Anda c�. - N�o me acalmo! Quero o carro!
- O carro est� ali, espera. - Solta-me, quero o carro.
- Quero ir! - Espera um pouco.
Acalma-te, v� l�.
Onde est� o carro?
Onde est� o carro!
- Berenice, podes acalmar-te? - N�o!
- N�o quero. Deixa-me. - Vamos.
Deixa-me em paz.
- Sim, est�s a delirar. - A delirar?
A Julia morreu cinco anos antes da Delfina nascer.
N�o quero saber!
Tiveste-a a� dentro durante nove meses, deste � luz. Est� filmado.
Tu amaste-a.
E cada vez que estavas comigo,
pensavas nela.
- Basta! Para com isso, Bere. - Solta-me!
Quem pensas que �s para me tocar?
Solta-me!
Quero o carro, agora mesmo.
� verdade que sou linda?
Ou era tudo mentira?
�s linda.
Anda c�, Delfi.
N�o te zangues, mam�.
Eu sei que nunca estive no Mar del Plata.
Tu �s a m�e.
N�o v�s? Ela n�o tem d�vidas.
A Delfina � minha filha.
Minha filha...
...e da Julia.
A forma como essa mulher olha para ela!
Deste conta, Juan?
Os seus olhos brilham quando a v�!
Como se fosse av� dela.
Vamos, est� bem?
Est� a come�ar a ficar frio, vamos.
Vamos, Delfi.
Com o tempo,
vai ficar cada vez mais parecida com a Julia.
- Adoro-te. - Eu tamb�m.
Sempre pensaram que os nossos pais biol�gicos n�o s�o os nossos �nicos pais.
Mas n�o te podia dizer nada, Juan, at� que te desses conta.
Est� bem, Lidia, j� est�. E agora?
Tens de entender, Juan.
A Delfina tem duas m�es.
Isso � um disparate, Lidia.
Est�s a escutar o que est�s a dizer? N�o faz sentido.
Quando eles viram as fotos, ficaram muito impressionados.
Quais fotos?
As fotos da Delfi e da Julia com a mesma idade.
- A foto que eu te dei. - Sim, essa.
Incr�vel.
Juan!
Sou um rato de laborat�rio?
� o que fui, o que sou agora e o que sempre serei?
Quem achas que �s?
De nada. Manda-nos uma prenda, quando puderes.
Vais tomar conta dessa menina.
- Sim, muito obrigado. - Escuta-me, Juan!
Vais cuidar dela porque a Delfi n�o � a Julia.
A Julia morreu. E n�o volta mais.
Mas a Delfi � tua filha.
Vais cuidar dela.
Vais doar-lhe a tua heran�a.
Se a m�e quiser a cust�dia, tu vais dar-lha.
E vais cuidar dela. Se n�o puderes, vais afastar-te!
Vou encarregar-me disso.
Est�s a ouvir, Juan?
Sim.
No dia cinco de Fevereiro, na cidade de La Plata,
se assinam tr�s exemplares, do mesmo teor e com um �nico efeito.
E depois?
O Sr. Juan Carrasco doa, atrav�s deste acto, � sua filha Delfina,
a est�ncia cujos actos cadastrais j� foram mencionados.
Sem preju�zo disso, estabelece usufruto vital�cio
a favor da Sra. Marta Vidal.
Isso significa, perd�o, que pode usar a est�ncia como entender.
Sem que a Delfina, que a partir do dia de hoje passa a ser a dona,
possa vender a propriedade enquanto for viva.
Apenas no dia do seu falecimento,
que queira Deus, e todos n�s, que seja dentro de muito tempo,
� que ela poder� tomar posse.
Marta...
� a casa da fam�lia. N�o posso tomar conta dela.
Deste lado? Aqui?
Bem, Delfina, agora vais assinar estes tr�s exemplares.
- Podes faz�-lo aqui deste lado. - Est� bem.
Muito bem.
Agora estamos em condi��es de lhe entregar as chaves.
- S�o suas. - Obrigada.
Legendas: Lu�s Perat
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