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LEGENDAS POR BIANCA E FRED
Realidade.
Ela nos prende a um ciclo mon�tono e mortal.
Toma conta de nossos sonhos e desejos
com in�meros obst�culos que se ligam entre si, com cruel ironia.
Tentamos nos esconder dessas inescap�veis verdades
com mentiras, como o cinema,
us�-las como um escudo para fugir.
Um abrigo para nos proteger
das dificuldades incessantes jogadas em nossos caminhos.
Certos filmes podem tentar absorver nossa energia negativa,
em uma esperan�a de que talvez
eles possam manter nossas mais obscuras emo��es sob controle.
Mas, infelizmente, somente a luz tr�mula
consegue pacificar nossos dem�nios por tanto tempo.
E ser� imposs�vel ignorar a realidade humana.
Muito mais terr�vel do que qualquer filme possa ter tentado retratar.
O C�REBRO HUMANDO DIVIDE-SE EM DOIS HEMISF�RIOS: DIREITO E ESQUERDO
O LADO DIREITO CONTROLA OS PENSAMENTOS INTUITIVOS, PASSIONAIS E CRIATIVOS,
ENQUANTO O ESQUERDO DOMINA OS PENSAMENTOS L�GICOS E RACIONAIS.
O LADO DIREITO � A MAIS PURA DROGA QUE LIBERA SENTIMENTOS DESINIBIDOS...
SONHOS QUE PODEM SER VISTOS...
DESTRUA O LADO ESQUERDO DO C�REBRO...
DESTRUA SUAS MENTIRAS...
Posso v�-la.
Ela dorme t�o tranquilamente.
Seu tronco inchado, lentamente subindo e descendo.
A cada respira��o dela, uma certa fa�anha realizada.
Sei o que ela est� pensando:
Pensando em seu futuro, no que ela �, o que est� dentro dela.
Seus sonhos, provavelmente, s�o muito entediantes.
N�o como os meus...
O rosto dela � lindo, suave. Mas ela nunca me deixa toc�-lo.
Sempre mantemos dist�ncia, e isso � �timo.
Ela ri de mim. Eu sei disso. Acha que sou impotente.
Acha que eu nunca conseguiria fazer o que seus parceiros faziam.
Mas sei fazer melhor.
Posso fazer coisas, ver coisas e experimentar coisas...
que essas criaturas desalmadas jamais poderiam sequer sonhar.
Sei o que fazer quando chegar a hora.
Minha vida, lentamente se tornou o que pode-se considerar pesadelo.
Uma vis�o cruel e violenta atr�s da outra.
Imagens que foram constru�das sobre uma �tica de deprava��o
e horror.
Isso se descortina com f�ria e paix�o.
Mas eu adoro isso. Adoro a crueldade e a tortura.
Me ajudam a aprender...
me ajudam a aprender sobre os enigmas que cercam a vida e a morte.
Aprendo a verdadeira natureza do ser humano.
Isso me fascina e me assusta, ao mesmo tempo.
Mas acho que todos os tipos de ilumina��o
podem ser consideradas assustadoras.
Aprendo com estas vis�es, que o monstro mais forte de todos...
o que causa mais dor, destrui��o e sofrimento...
nada mais � que o pr�prio ser humano.
Me entusiasmo com isto, e o vivo em sua plenitude.
E agora, enquanto a mulher gr�vida dorme sozinha no quarto decr�pito...
Parece que as paredes descascadas est�o olhando para ela, assim como eu.
Observando-a, enquanto o pequeno ser...
que est� crescendo na barriga, fica mais e mais completo.
Olhando com paix�o...
o pequeno fen�meno que est� ocorrendo de forma passiva.
Eu sei o que o feto sente.
Se sente irrelevante, se sente um nada.
� meu trabalho fazer com que esse ser sinta.
Para experimentar a humanidade em sua plenitude.
�s vezes, eu observava tranquilamente a mulher...
fazendo amor com um parceiro an�nimo...
pela porta entreaberta do �nico quarto da casa.
Os movimentos estranhos e os desejos fren�ticos
me parecem t�o estranhos...
e t�o familiares, ao mesmo tempo.
Fiquei completamente obcecado, � dist�ncia...
com a arquitetura do �rg�o sexual humano.
A forma como foram constru�dos, com suas curvas e l�bios imperfeitos.
Perfeitamente projetado por um deus desconhecido
para uma total simetria na cria��o.
Como era fascinante...
Especialmente quando a dor se misturava ao prazer.
Mas o conceito completo da cria��o humana
foi algo que me deixou obcecado por anos e anos.
Me surpreende que o simples ato de penetrar e ejacular...
em um �rg�o sexual feminino...
poderia causar acontecimentos e contor��es corporais t�o incr�veis.
S� por causa de uma �nfima explos�o l�quida.
�s vezes, me masturbava assistindo diferentes atos sexuais...
participando � dist�ncia como um espelho humano
de seus movimentos repetitivos.
Admirava espantado a lenta coagula��o
das secre��es na palma da minha m�o.
Eu poderia ser o criador supremo. A chave estava dentro do meu corpo.
A semente de verdade, que � o g�nese de toda a cria��o.
Que ir�nico que, sem o poder que eu detinha...
nenhuma mulher jamais conseguiria dar � luz.
Sem esse catarro esquisito, o ser humano nunca existiria.
Desde o primeiro instante, percebi isso...
minhas observa��es e fasc�nios come�aram a fazer total sentido.
Como se tudo o que se passara na minha mente...
fosse parte de alguma esp�cie de ciclo estranho...
que o meu subconsciente lentamente me revelava.
Foi ent�o, que uma id�ia me veio � mente...
Como poderia causar horror extremo e dor para a cria��o do ser humano.
Como o mais inventivo engenheiro jamais pudesse imaginar:
Desfigurar o processo de cria��o.
Foi incr�vel.
A id�ia parecia t�o cruel e zombeteira. Mas eu tinha que fazer.
A id�ia era t�o cruelmente maligna...
que minhas tenta��es s�dicas assinaram um pacto com elas.
Eu seria o verdadeiro perversor da cria��o humana.
Eu s� tinha que esperar a situa��o adequada...
para as circunst�ncias certas acontecerem.
N�o esperava que acontecessem, mas aconteceram.
Eu n�o podia acreditar como o destino estava do meu lado.
A oportunidade chegou, e estou olhando para ela agora.
A mulher gr�vida, vou admitir agora, � na verdade, minha irm�.
N�s dois vivemos nessa casa em ru�nas.
Os �nicos vest�gios de nossa pobre, e longeva fam�lia.
As realidades, desde ent�o, tem sido de aceita��o m�tua.
N�s dois, presos nesta carca�a residencial...
como um peixe morrendo em um aqu�rio de mem�rias vazias.
Apesar de a minha irm� ter sido agraciada com o dom da beleza...
eu sempre estive escondido nas sombras...
e passava desapercebido, apesar de minha apar�ncia e modos...
Como eu a odiava.
Mas agora eu a amo, pelo dom que ela possui e o que ela pode fazer.
Gostaria de fazer amor com ela. Me deleitar em seu calor e beleza...
Para criar.
Mas meus pensamentos e vis�es sempre viram para o outro lado.
E n�o posso fazer nada, al�m de analis�-la com obscuras inten��es.
Nos primeiros meses ela engravidou de algum amante incerto...
Eu n�o podia acreditar nas coisas incr�veis que aconteciam no seu corpo.
A dor e o sacrif�cio que ela teve que passar...
a fim de ter o dom de criar a vida.
Se eu, como homem, carregava a semente e o segredo da cria��o,
ela, como mulher, carregava o sacrif�cio e o sofrimento.
A id�ia da menstrua��o parecia uma piada horr�vel e macabra.
Para ser capaz de perpetuar a esp�cie, ela tinha de sofrer a dor
e o desconforto de ter seus genitais sangrando periodicamente.
Parecia um po�tico...
e estranhamente s�dico elemento do processo.
E eu a amava e respeitava, pelo sacrif�cio...
que ela fazia para criar a vida.
Mas este elemento do processo de cria��o
tamb�m me causou muitos pesadelos e vis�es de insanidade.
Uma vez, enquanto eu dormia,
imaginei que acariciava lentamente a forma nua da minha irm� na cama.
O sangue nunca parava, nem sua dor.
Este sonho, este pesadelo, logo teve um grande efeito na minha vida.
Lentamente, comecei a ter uma estranha repulsa por minha irm� gr�vida.
E talvez por todas as mulheres, em geral.
Continuei tendo flashes no meu c�rebro do que tinha que fazer...
eu estava come�ando a ficar mais e mais determinado a faz�-lo.
Espero que sim. Eu te amo.
Voc� pode morrer em breve. N�o me deixe...
Pessoas como voc� sempre morrem sozinhas.
Ele olha para mim.
Ele � o �nico que me ama.
Ele � meu irm�o.
Voc� � uma maldita prostituta, uma puta de merda!
Machuca.
Olhe nos meus olhos.
Est� crescendo em uma mulher morta.
Nunca confie em mim.
Ele � virgem.
Por que voc�s est�o fazendo isso?
Durante as semanas que se passaram, estive observando seu progresso...
Meus olhos nunca abandonavam o ser, que eu sabia...
vinha devagar � exist�ncia, dentro do �tero.
Ela gostava de meus cuidados.
At� sorriu uma vez para mim, e me chamou de meigo.
Seu sorriso era um de brilho inacredit�vel.
Cheio de promessas sexuais e cuidado genu�no, tudo em um s� movimento.
Agora, me faz rir um pouco.
Se ela soubesse... Fico imaginando se sorriria...
se ela soubesse o que ia fazer com ela.
Mas, de qualquer maneira, estava pronto e o tempo estava correndo.
Tanto que estava quase na hora de fazer meu feito especial.
Ou devo dizer... "Est�" quase na hora?
Gram�tica nunca foi meu forte.
� medida que a hora da revela��o se aproximava...
Eu continuaria observando-a, e atendendo todas suas necessidades.
Minha irm� e seu filho quase tornando-se �cones para mim.
S�mbolos feito de carne quente.
Eu repassaria constantemente
as instru��es que li sobre o processo do parto.
Estudando a fundo livros antigos deixados nessa casa h� anos...
por algum desconhecido inquilino anterior.
S� aprendi coisas triviais e menores com eles.
Apenas o suficiente para faz�-la achar que est� tudo bem.
Que ela estava segura, na companhia de seu pr�prio sangue.
Me faz rir quando penso em toda a prepara��o que passei.
As toalhas, os antiss�pticos...
Todos os elementos necess�rios estavam no lugar,
para aplacar qualquer temor.
Certamente, eu sei o que estou fazendo,
e sei o que tenho que fazer.
� 1:00 da manh�... e minha irm� grita.
As contra��es come�am, como era de se esperar.
Ela chora quando apare�o em frente � cama.
Seus movimentos preliminares continuam por um per�odo de tempo.
Minha irm� confia completamente em mim...
se entregando totalmente �s minhas instru��es.
Sinto um pequeno formigamento na minha cabe�a...
E prevejo meu feito prestes a ser executado.
De fato, criarei a maior zombaria do processo do parto.
Destrua-o, e tudo que ele representa, com paix�o e intensidade.
Serei meu pr�prio deus.
Esse pensamento � calmante e reconfortante. Me deixa confiante.
Assim como come�o a me perder nos meus di�logos interiores,
a mulher come�a a empurrar com toda for�a.
Berrando enquanto sua vagina alarga-se a extremos hediondos.
A singularidade da situa��o � incr�vel.
Ela est� experimentando o sexo extremo...
O cl�max da cria��o.
A crian�a, menino ou menina, est� copulando com o corpo de sua m�e...
Penetraram no seu orif�cio e corpo mais do que qualquer p�nis penetrou.
Ela empurra mais uma vez, e o rosto come�a a aparecer.
Caracter�sticas de peixe gravados no seu cr�nio...
parecendo quase gen�rico, e produzidos em massa.
Nenhuma express�o ou emo��o emerge do rosto catarrento da crian�a.
Parece uma escultura de carne.
Outro empurr�o e o pesco�o da crian�a aparece.
Um tremor repentino de expectativa e adrenalina irrompe pelo meu corpo.
E eu percebo... Est� quase na hora.
Sim... a hora est� pr�xima.
Poderosamente, fisgo o pequeno corpo do beb�...
para fora do orif�cio impossivelmente esticado.
O sangue de mulher agora flui junto com os fluidos do beb�.
Era um menino.
Os olhos da mulher se abrem em choque...
parecem que est�o prestes a explodir.
Agora... De fato, como sempre acreditei...
Eu sei o que o � a verdadeira face do terror.
Conhe�o o extremo que se pode for�ar um ser humano...
na total pervers�o e insanidade.
Aquele rosto est� me encarando. Ent�o, banho-o no sangue.
Eu sangro o cad�ver do filho sobre o rosto dela.
Os fluidos de seu beb� encharcando completamente suas fei��es...
entrando em sua boca aberta e ardendo nos seus olhos.
O rastro de sangue desce por sua garganta para silenciar seus gritos.
Veja como suas cordas vocais congelam e paralisam.
Ela emite um estranho ru�do de asfixia...
e regurgita aquela borbulhante mat�ria avermelhada.
Eu continuo balan�ando o cad�ver do rec�m-nascidos sobre seu rosto...
como um trof�u obsceno.
Fascinado pela sensa��o de umidade e elasticidade
da pele acinzentada da crian�a.
Pela surpreendente quantidade de sangue que pode ser liberado...
de uma criatura t�o pequena.
O cord�o umbilical balan�a como uma cobra morta...
por sobre os seios encharcados de sangue da mulher...
e d� a impress�o que a mulher vai desmaiar.
Talvez de dor ou talvez de terror. N�o sei.
Minha mente torna-se mais e mais turva agora.
Mordo o cord�o umbilical e o enfio de volta...
em sua vagina, ainda com forte hemorragia.
O final do cord�o umbilical fica um pouco para fora.
Parece que um pequeno e sangrento p�nis cresceu nela...
com a espessura de dois canudos.
Faz-me rir, eu acho.
Calmamente, eu coloco a crian�a, j� sem sangue...
ao lado da cabe�a de sua m�e, no travesseiro...
deixando m�e e filho juntos na morte.
A mulher tamb�m j� n�o respira. Talvez seu cora��o tenha explodido.
Surto um pouco com o sangue respingado ao lado da cama...
e vejo o esc�rnio da cria��o do nascimento humano.
Sorrio em ver como estava certo.
O que eu tinha feito era realmente a coisa mais horr�vel
que se poderia fazer a um ser humano:
Matar durante o processo de cria��o.
Estou contente.
A crian�a est� l�, para que eu veja sempre.
Um lembrete do meu destino... do meu mal.
Constru� uma esp�cie de altar para ele sobre a pia da cozinha.
Enrolei seu corpo com muito papel e barbante.
Cheira mal e atrai insetos... peste.
Mas eu encontrei beleza nisso.
Quanto � minha irm�, estou com ela em cada instante da minha vida.
Cuidando de seu cad�ver, vestindo, banhando-o, dormindo com ele.
S� uma vez tentei fazer amor com ela.
E ent�o, deslizei dentro de sua fenda podre. Era t�o fria e desagrad�vel.
Percebi, ent�o, que tal ato n�o era para mim.
Eu sempre estaria ao redor da morte, n�o da vida.
Nunca iria funcionar, n�o importa com quem fosse.
Sempre iria morrer um dia.
Sempre estaria morto.
Bucetas, como ousam fazer isso comigo.
Tem sido dif�cil,
como foi no passado, e continuar� sendo no futuro.
N�o sei como o mundo chegou a isso...
mas sei de uma coisa:
Que nenhum grande ato foi realizado...
neste glorioso universo...
sem luta.
Quando nasce um m�rtir...
n�o lhe � dado apoio e amor, livre e abertamente.
Ele � surrado, arrebentado, a�oitado e crucificado.
O machucam porque ele sabe a verdade.
Irm�os e irm�s,
hoje, nosso reverendo quer que voc�s se d�em as m�os...
e rezem pela luta.
Rezem pela luta contra os que atiram pedras no nosso caminho.
Sei que voc�s amam, porque s�o os que mais tem amor.
Somos aqueles que Deus escuta.
Viemos de seu lado direito.
Somos voc� dentro de voc�, que apenas aguarda para reinar.
Estamos tomando de assalto...
para destruir o lado esquerdo.
Voc� usa este s�mbolo por medo.
Os ideais por tr�s dele n�o s�o o que Deus queria.
Voc� usa-o por respeitabilidade.
Voc� sempre sonhou em preto e branco.
Agora sua vida ser� apenas um longo sonho...
a cores!
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