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E se tivesse havido um tempo em que n�o havia nenhuma estrela no c�u?
E se as estrelas n�o fossem o que julgamos?
E se a luz que vem de longe n�o vier dos raios de s�is distantes,
mas das nossas asas, quando nos tornamos anjos?
Nova Iorque
O destino chama cada um de n�s.
E h� um mundo por detr�s do mundo, onde estamos todos ligados.
Todos parte de um grande plano em movimento.
A magia rodeia-nos por completo.
S� � preciso olhar.
Olhem.
Olhem com aten��o.
Pois nem o tempo nem a dist�ncia s�o aquilo que parecem ser.
Nova Iorque
A seguir.
Senhor, � a seguir.
Lamento.
V�o ter de regressar.
O que?
N�o. N�o. Por que? N�s...
T�m tuberculose.
E o beb? H� lugar para ele?
Se temos de regressar, deixamos ele aqui.
Lamento.
N�o. N�o est� entendendo.
CIDADE DE JUSTI�A
CIDADE DE JUSTI�A
Estamos todos ligados.
Cada beb� que nasce traz consigo um milagre.
Um objetivo �nico.
E esse milagre � prometido a uma pessoa e s� a ela.
N�s somos viajantes, lan�ados num percurso rumo ao nosso destino,
para encontrar a pessoa a quem se destina o nosso milagre.
Mas cuidado,
enquanto procuramos a luz,
acumulam-se as trevas.
E a eterna confronta��o entre o Bem e o Mal n�o se disputa com ex�rcitos...
...mas com uma vida de cada vez.
WINTER'S TALE: UM CONTO DO DESTINO
Nova Iorque
P�ra j� a�!
Volta aqui, Pete!
Vem aqui!
Pete, eram s� ordens!
N�o. Assim, n�o.
Agora, apanhamos-o.
Vamos faz�-lo devagar...
...com as facas.
Apanhem-no!
Cavalo. Cavalinho.
Cavalinho.
Vai, vai! Vai! Vai!
Vamos l�, rapaz!
Cavalo! Vamos! Para o outro lado!
Para o outro lado!
Cavalinho!
Que criatura � voc�?
Ele tem o maldito cavalo.
EDITOR-CHEFE
Boa tarde.
O mordomo disse-me para manter o sobretudo vestido.
Temos febre em casa.
� a sua mulher que precisa de �culos, Mr. Penn?
Morreu.
Lamento.
J� passaram oito anos.
Mas nunca deixamos de lhes sentir falta.
� para a minha filha.
Ela n�o tardar� a acabar.
� bonito, n�o �? Brahms.
Beverly...
...este homem veio aqui fazer-lhe novos �culos.
N�o tenha medo, n�o � contagioso.
N�o, n�o.
A minha irm�...
...teve-a.
Lamento.
� melhor assim...
...ou assim?
Que idade tinha ela?
A sua irm�.
Vinte...
...quando morreu.
Nunca pensamos que temos idade para morrer.
N�o.
Calculo que n�o.
Assim...
...ou assim?
A primeira.
A febre pode tornar as coisas maravilhosas.
Mesmo agora...
...vejo o Inverno quando percorre a sala com a sua luz...
...faiscando de lan�as brancas...
...para raios...
...para cruzes de prata,
para o vidro �ptico...
...para as chamas, para as janelas refletoras.
E iluminando cada um de n�s.
Quanto mais doente fico...
...mais claramente vejo que tudo est� ligado pela luz.
Tem �culos para isso?
ALIMENTA��O CUIDADOS & EST�BULO
Ol�, Cecil.
Jesus, Maria e Jos�!
Ele � o m�ximo, n�o �?
E caramba, se ele salta!
Quero uma sela, aveia
e uma boa manta para ele. De caxemira.
Ele � de longe o seu melhor pirata, Pete.
Ele n�o � um pirata, Cecil.
� o meu novo s�cio.
N�o �, cavalinho?
-N�o pode esconder-se mais no s�t�o. -Por que?
O Pearly triplicou a recompensa. Os homens dele vasculham tudo.
Grande sacana. Ele encontrou-me esta manh�.
O cavalo salvou-me a vida.
Acho melhor sair da cidade at� ao Ver�o. Eu e o cavalo.
Roubo o suficiente para comermos. Vendo se tudo isto acalma.
N�o vejo o Pearly como sendo do g�nero de acalmar.
Ent�o.
Voc� preocupas-se demais, Cecil.
Trata dele por mim, sim?
Obrigado.
Pete!
Esqueceu do seu...
...troco.
Perguntava-me quando chegaria aqui.
A vossa aten��o, por favor.
O comboio n�mero 43...
...est� agora recebendo passageiros na linha n�mero quatro.
CIDADE DE JUSTI�A
FRAQUEZAS DO ABASTECIMENTO DE �GUA
PAGAMENTOS � CARIDADE EXPEDI��O DE OURO
Entra!
O fogo em St. Paddy est� marcado para a missa de domingo.
Isso n�o me interessa.
Disse a todos, 500 pela cabe�a dele.
-E o cavalo? -O mesmo. Parece imenso para um cavalo.
Isso � porque n�o � um cavalo.
-� um c�o. -Mas acabou de dizer...
Tanto quanto sabemos, ele n�o saiu da cidade.
Os rapazes vigiam as pontes. Nova Iorque n�o � assim t�o grande. Vamos encontr�-lo.
-� melhor que sim. -Eu sei, chefe.
A gente anda assustada e infeliz na cidade toda.
Os milagres reduziram-se a metade. Mais, se contarmos Brooklyn.
Se permite, que tem o Peter de especial?
O senhor gostava dele. Nunca conheci melhor ladr�o.
-Por que temos que o matar, de repente? -Romeo, Romeo...
Gasta tempo...
...interrogando voc� sobre o mundo?
Sobre o funcionamento das coisas?
-N�o, senhor. -Certo. Bem...
� melhor n�o come�ar agora.
Julga que roubo ouro e pedras preciosas pela riqueza?
N�o.
O que as torna muito preciosas...
...� o modo como refletem a luz.
Peter Lake � humano.
Mas aquele cavalo...
Aquele cavalo pode deixar um rasto.
E Yahtzee!
Grand Central Station. Vamos l� mat�-lo.
E no caminho, tentamos apanhar o cavalo.
Acabou de dizer que era um c�o.
Vai buscar os rapazes.
Ol�.
Todos t�m as malas feitas para ir para o lago amanh�.
Eu irei no dia seguinte, querida.
O papai tem que preparar a minha tenda.
Para se manter fria?
Para me manter fria.
-N�o pode morrer, Bev. -Querida menina...
...n�o depende de mim.
Diz-me outra vez.
H� uma grande dan�a...
...e todos n�s desempenhamos um papel.
E quando acabarmos aqui...
...seja depois de uma vida, ou de mil...
...erguemos para o c�u e tornamos estrelas.
Diz-me outra vez os seus nomes.
Castor...
...P�lux...
...Capella...
Excelente trabalho esta noite, amigo.
Vamos para sul, para a Florida.
Ou para Maryland, talvez.
Acho que h� gostar desse lugar.
Vamos l� embora.
Cavalo.
Cavalo.
Vamos.
Cavalo, n�o tarda a ser dia. Temos de sair da cidade.
O Pearly tem cem olhos � nossa procura.
Vamos.
Anda.
Est� ficando ganancioso.
Est� bem.
Mas � o nosso �ltimo trabalho.
N�o sei quem � mais tolo,
um cavalo que n�o d� ouvidos ao dono, ou um dono que d� ouvidos ao cavalo.
Deus, acalme-me.
Ol�, beleza.
Tiago,
Tiago Menor,
Bartolomeu...
Range.
O que?
Isto range.
Idade.
Voc� tem uma arma.
Ent�o.
O que faz aqui?
Vim roubar a casa.
Ou era essa a ideia, pelo menos.
Ainda � essa a sua inten��o?
N�o.
N�o, n�o �.
Bem, ent�o...
...calculo que seria educado oferecer-lhe uma x�cara de ch�.
Compreendeu o que lhe disse...
...sobre vir aqui para a roubar?
Ao meu pai, na verdade.
Entrei ilegalmente.
Por onde?
Ele faz um esfor�o herc�leo para impedir a entrada.
Voc� deixou a porta para o telhado aberta. Eu s�...
-Deixei? -Sim.
Tenho de deixar de fazer isso.
Sim.
Voc� devia estar assustada.
Mas n�o estou.
N�o, bem vejo.
O ch� � encantador.
Chama-se Lapsang Souchong.
� preto e vem da China.
N�o posso beb�-lo t�o quente...
...mas o cheiro recorda-me sempre Londres.
Nunca estive... em Londres.
Tamb�m me pareceu que n�o.
Eu nasci l�.
O que acontece com voc�, se posso perguntar?
T�sica.
Tenho 21 anos e nunca fui beijada na boca.
Desculpe, n�o queria dizer isto assim.
N�o conhe�o ningu�m.
N�o posso sair, n�o posso dan�ar.
Durmo numa tenda no telhado para manter uma temperatura razo�vel.
Tenho talvez...
...segundo um m�dico que veio de Baltimore, um ano e meio de vida.
Em Boston, deram-me seis meses.
Mas isso j� foi h� oito,
por isso, na verdade, j� morri h� dois meses.
Sou o Peter Lake.
E de onde veio voc�, Peter Lake?
De um barco.
-Um barco? -Sim.
N�o conheci os meus pais. O barco deu � costa em Brooklyn.
Disseram-me.
E rouba coisas.
Roubo coisas. Sim, de vez em quando.
Mas nem sempre foi assim.
Sempre quis ser mec�nico. Sempre tive jeito...
...para arranjar coisas, para chegar ao interior das coisas.
Como cofres.
Foi nisso que deu, realmente.
Recentemente, tive uma briga com o meu antigo patr�o.
As disputas na sua �rea de trabalho devem ser dif�ceis de resolver.
Um desafio, sim.
Qual foi a melhor coisa que j� roubou?
Come�o a pensar que ainda n�o a roubei.
Que galanteador...
Foi um prazer.
Foi um prazer conhec�-lo, Peter Lake.
Ou�a, tenho que sair de Nova Iorque.
Uns meses no m�ximo.
Para deixar que a briga esmore�a.
Mas talvez quando eu voltar, talvez pudesse...
Eu pr�pria vou para o campo.
E quando voc� voltar...
...eu j� estarei morta.
Por favor, n�o roube nada quando sair.
Cavalo.
Em que � que me colocou, cavalo?
Mesa! Aquela.
Mr. Soames. Quantos vai querer?
Vai mandando vir.
Digo-vos o que eles est�o tentando fazer.
Est�o tentando encher o c�u todo com estrelas.
T�m pequenos pontos j� todos escolhidos l� em cima, para cada alma virtuosa.
Mas n�o h� espa�o no c�u para gente como n�s, rapazes.
N�o h� lugar para Pearly Soames. Nenhum lugar.
Como ser� que eles escolhem a cor das asas?
Eu sempre quis ter asas.
Tamb�m gostava de ter um par de asas...
Mais alguma coisa, senhor?
Sim, por favor.
Quero um bufo-malhado sul-africano.
Se fosse poss�vel escald�-lo, agradecia,
e frito na frigideira com umas batatinhas era um encanto.
Um pouco de salsa em cima. Retire o bico e as patas, por favor.
Pe�o desculpa, senhor, n�o temos bancos.
Encontrem-a.
Encontrem-a, e encontrem-o.
-Encontrar quem? -A garota.
-Que garota? -A garota ruiva.
Que garota ruiva?
Esta. Est� vendo, Romeo? Esta garota ruiva.
A que � o destino dele.
� tudo, menina?
Tudo?
N�o, nem de perto.
O que foi?
Lembrei-me do dia em que tiramos voc� da �gua, daquele barquinho rid�culo.
Preciso de um conselho de amigo. Conheci uma garota.
-Estou vendo. -N�o temos nada em comum.
-Ela est� morrendo. -N�o estamos todos?
Ela n�o est� apenas morrendo. Est� com tuberculose.
Quase morrendo.
Acabamos de nos conhecer.
Sinto que a conhe�o h� mais de mil anos.
O Pearly est� atr�s de mim. Se eu n�o sair da cidade, morrerei tamb�m.
Peter, tem alguma pergunta?
O que devo fazer?
Quando penso nela...
Nunca me senti assim antes.
Por que agora?
Peter, a nossa gente tem 10 can��es.
As can��es dizem-nos que dentro de cada um de n�s est� um milagre.
E que esse milagre se destina apenas a uma �nica pessoa.
E quando estamos perto dela, o universo desce at� n�s
e ajuda-nos a cumprir o nosso destino.
E o universo ajuda-nos? Como, exatamente?
Bem, o universo envia-nos esp�ritos guias.
Por vezes, eles falam-nos atrav�s de crian�as pequenas.
Muitas vezes aparecem como animais.
Um � Athansor. � o C�o do Oriente.
Por vezes, aparece como um cavalo branco.
Talvez essa garota seja a pessoa a quem se destina o seu milagre.
Mas se for, aviso a voc�:
-O Caos tamb�m tem agentes. -O que quer dizer?
Deus e o diabo?
Anjos e dem�nios?
Esses s�o alguns dos nomes mais novos.
S� sei...
...que sou atra�do para ela...
...como para o ar, quando estou debaixo de �gua.
Ent�o, por que est� aqui conversando comigo?
Motorista?
Lamento, mas ele ficou indisposto.
De repente, ganhou uma pequena fortuna, segundo o seu padr�o, calculo.
Pearly Soames.
E voc� �?
Beverly Penn.
Beverly Penn!
Bem...
...o Peter gosta de aspirar acima da sua condi��o, n�o gosta?
E voc� j� foi tocada pela febre, n�o foi, meu bot�ozinho?
J� s� est� metade aqui.
Interessante.
Conhece o Peter?
O Peter Lake?
Conhe�o-o? Se conhe�o.
Podia dizer-se que somos colegas.
Bem...
...�ramos, para ser preciso.
O rapaz tinha um enorme potencial.
E se sabia roubar!
Com arte. E per�cia.
Eduquei-o como meu filho.
Contava que ele herdasse as chaves do reino.
Mas o pequeno Peter...
...come�ou a ter ideias.
H� forma de roubar um alfinete de diamantes sem derramar sangue.
E assim leva-se o anel e deixa-se o dedo.
Mas sabe, Beverly Penn...
...na minha �rea...
...s�o as repercuss�es que d�o sentido ao trabalho.
As ideias...
...podem fazer mais bem, que mal.
E isso seria o oposto do plano, percebe.
A ideia � mesmo fazer mal.
Sabe, eu poderei viajar apenas amanh�.
N�o me incomoda nada. Pagarei de boa vontade.
Linda.
Doente.
-Jovem demais para morrer. -N�o tenho medo de voc�.
-Aposto que � para voc� o milagre dele. -O meu pai � rigoroso com raptores.
Ele tem de a salvar. E se voc� n�o puder ser salva por ele...
...o trabalho est� feito.
A miss�o foi cumprida.
Adoro sangue na neve, Beverly Penn.
Especialmente sangue virgem.
Puro.
Imaculado.
Beverly!
N�o!
-Agarre-se. -Peter Lake.
-Vai mais depressa! -Sim, claramente.
N�o vamos conseguir fugir-lhes eternamente.
Eu sei! Temos de ir para o norte da cidade.
Vai para norte ao longo do rio.
-Peter! Isso � muito alto! -Agarre-se!
-Agarre-me? -Agarre-se!
Peter. Peter, espera!
Como � isto poss�vel, sequer?
N�o sei. Este cavalo...
N�o podemos seguir-os ali.
-Por que n�o? -Regras.
Uma disputa menor h� uns 200 anos. Uma falta de vis�o.
Bem, quase o apanhamos.
Quase n�o � suficiente, Romeo.
Quer o emprego, ou n�o, Dingy?
Tenho de ir falar com o Juiz.
Est� bem?
Toda a excita��o...
E a sua doen�a.
Estou perfeitamente bem.
�timo.
Sobe o rio.
Beverly!
Obrigada.
-Est� bem? -Sim.
Ol�, pequenina.
Nunca vi sen�o a cidade.
Chama-se Lago dos Coheeries.
Desde pequena que venho aqui.
O meu pai diz que nada acontece aqui que n�o deva acontecer.
Ol�.
Viva. Sou a Willa.
Willa. Como est�, Willa?
� o namorado da Beverly?
Vamos para dentro.
Com certeza o pai ter� algo a dizer sobre isso.
Bebe vinho �s refei��es?
�s vezes.
Ainda bem.
Esta noite, bebemos vinho.
Est� bem.
-Pode ser clarete? -Qualquer coisa.
Mas n�o se pronuncia...
... "clar�"?
N�o. Clarete.
Temos de pronunciar o "T". Tal como em filete.
Filete?
Sempre pensei que fosse "fil�".
N�o, � filete.
Tal como em valete. N�o se diz "val�", pois n�o? Diz-se valete.
Entendo.
-Sabe uma coisa? -Sim, senhor?
Voc� tem ar de bandido.
Quem � voc�? O que faz?
Qual � a sua rela��o com a Beverly? Conhece o estado dela?
Quais as suas motiva��es, inten��es e desejos?
Diga-me toda a verdade. N�o explique.
Pare se um vizinho, crian�a ou criado entrar. E seja breve.
Breve? Essas perguntas s�o complicadas.
Voc� pode ser breve. Um dos meus jornalistas j� teria terminado.
Deus criou o mundo em seis dias. Imite-o.
-Tentarei. -Desnecess�rio.
-Est� bem. -Desnecess�rio.
Chamo-me Peter Lake.
Tem raz�o, sou ladr�o e um ladr�o excelente.
Amo a Beverly.
A nossa rela��o n�o tem nome. N�o tenho inten��es.
Desejo-a e � o amor o meu motivo.
Compreende?
Como sei que o seu motivo n�o � a vaidade, ou a curiosidade?
Como sei que n�o est� aqui pelo dinheiro da fam�lia?
Sou �rf�o. Os �rf�os n�o t�m vaidade.
N�o sei por que, mas s�o precisos pais para ser vaidoso.
E o dinheiro?
Para j�, n�o aceitaria um tost�o de voc�.
N�o aceitaria favores, nem uma palavra boa dita em meu benef�cio.
E sobre a doen�a dela?
Antes disto nunca amei muito.
Por isso, a morte...
...n�o tem sido algo a ser evitado.
Mas agora, quando penso em perd�-la...
Ser� poss�vel amar algu�m t�o completamente, que a impe�a de morrer?
N�o.
Mas eu sou um ladr�o...
...como t�o perspicazmente observou.
N�o posso roubar s� uma vida?
Bem, veremos quanto a voc�.
Quer dizer que j� posso provar esse clarete?
Provamos os dois, sim?
Mais uma coisa.
Ela dorme na tenda dela no telhado.
E voc� n�o.
Umas pessoas encontraram-me quando procuravam am�ijoas.
Passei uns anos sendo transferido de orfanato em orfanato.
Acabei por me sentir melhor nas ruas, calculo.
O que fez?
Para viver, quero eu dizer.
Dan�ava e cantava nas ruas, a troco de moedas.
Roubava carteiras. Vivi com duas pequenas um tempo.
-Duas? -Duas.
Mas que grande playboy.
N�o era nada assim.
Quase nunca.
Eu era novo. E depois o Pearly apanhou-me.
Disse que eu tinha talento.
Presumo que n�o foi pelas suas cantorias.
Isto n�o funcionou, n�o �? N�o est� mais fria.
N�o.
Deixa-me experimentar uma coisa.
Vem aqui.
Na verdade, isto n�o est� ajudando.
Consegue ouvir o seu cora��o?
Quando a febre vem, � quase a �nica coisa que consigo ouvir.
Quando se vai roubar o nosso primeiro cofre,
o cora��o bate tanto que mal se ouvem os cliques.
Temos de aprender a cal�-lo e acalm�-lo, para trabalhar entre as batidas.
O truque s�o listas.
Palavras sem sentido...
...que diz ao expirar, para abrandar a respira��o.
Inspira-se calmamente,
expira-se e diz-se as palavras at� n�o ter mais ar.
-Entendeu? -Acho que sim.
Precisa de uma lista? Animais s�o bons. Cores. Santos.
Castor.
P�lux.
Capella.
Ursa Maior.
Ursa Menor.
Polaris.
Peter...
...est� funcionando.
Continua.
Pl�iades.
Perseu.
Cassiopeia.
Ol�.
Esses s�o meus.
-O papel tamb�m. -Sim, calculei.
N�o conseguia dormir.
Gosto de desenhar ao luar.
N�o sou muito bom, e a luz ajuda a escond�-lo.
� a Beverly?
N�o conhe�o mais ningu�m de cabelo ruivo.
Ama-a?
Com todo o cora��o.
Jura?
Juro.
Est� bem.
Vem comigo.
� um leito de princesa.
Obriguei os rapazes da vizinhan�a a fazerem-o para ela.
Eles fazem o que eu pe�o.
O papai contou-me uma hist�ria sobre uma princesa que morreu
e um beijo que a fez n�o ficar mais morta.
Se voc� a beijar aqui,
ela n�o morrer�.
Eu sei.
Est� bem?
Diz "est� bem".
Est� bem.
Est� bem.
Agora pode ir p�r-me na cama.
Pearly Soames.
Tenho uma entrevista.
Ol�, Pearly.
Ol�, Merit�ssimo. Senhor.
Sim, claro.
Vim aqui pedir uma dispensa especial das fronteiras da jurisdi��o.
Continua.
Queria autoriza��o para viajar para o norte da cidade, Merit�ssimo.
UMA BREVE HIST�RIA DO TEMPO
Isso � um pedido e p�ras, Pearly, dado o que aconteceu da �ltima vez.
Isso, sabe, foi um mal entendido.
Ent�o.
Bem, dem�nio, vamos l� resolver isto.
Pearly Soames, Guarda de Manhattan e dos Cinco Bairros,
com que base me faz esse pedido?
Estou convencido que um humano est� prestes a usar o seu milagre,
o que seria um formid�vel avan�o para o outro lado.
Provas?
A presen�a de anjos da guarda, Merit�ssimo.
Tanto o C�o Branco do Oriente como Cecil Mature.
-O que mais? -E tive uma vis�o.
Uma garota ruiva que desenhei numa loucura com o sangue de uma virgem.
Pearly, isso pode ser qualquer pessoa.
Est� bem, Lu, ele j� foi visto com uma pequena com a mesma descri��o.
Ela est� morrendo.
E ele ama-a?
Inteiramente, com toda a pureza e for�a do seu cora��o.
E voc� acredita que salv�-la � o milagre dele.
Acredito, senhor. Acredito, Merit�ssimo.
O destino de um homem nem sempre � o que parece.
Compreendo isso, compreendo, sim, senhor.
Mas tenho um palpite sobre este.
Voc� treinou-o.
Tirou-o das ruas.
Foi o filho que nunca teve.
Embara�oso, n�o �?
S�o merdas que acontecem.
Merit�ssimo...
...s� quero autoriza��o para ir para norte.
Negada.
Isso � muito pessoal.
A sua proibi��o de ir �s terras do norte mant�m-se.
L�cifer!
Preciso de impedir este, agora!
Agora?
Voc� n�o faz ideia do que � "agora".
Agora, eu iria voando.
Agora, lancei fogo pela boca e comi-os enquanto fugiam.
Agora, balancei a cauda e os ventos tremeram.
Agora, estou escondido nesta p�lida sombra de carne e osso.
Agora, assisto � eterna salva��o do homem.
Agora, assisto � sua destrui��o.
N�o me fale de tempo, dem�nio.
As suas mais simples flutua��es escapam � sua escassa compreens�o!
Encontra outra maneira! Agora!
Deixe-me levar voc� para dan�ar.
Que tal na v�spera de Ano Novo?
Sabe? Dan�ar, quero eu dizer.
J� dancei. Um pouco.
Um pouquinho.
Eu conhe�o as dan�as todas.
Pelo menos, dos livros.
Parece maravilhoso.
Ent�o, est� resolvido.
N�o posso, Peter.
� por mim? Por eu n�o ser um cavalheiro com condutor e roupa fina?
Sabe que n�o � por isso.
Ent�o, por qu�?
O meu pai diz que dan�ar me matar�.
Os pais s�o muito protetores.
O casaco fica.
Vamos para casa do vizinho, beber um ch� de hortel�.
Por que? O que est� acontecendo?
Tem estado nisto toda a tarde.
Tem algo a ver com a fornalha.
O seu pai est� l� h� uma hora com o mec�nico.
Mandou todo mundo para os Gamely e pediu que fossem para l� tamb�m.
Vamos, Willa, por favor.
Vai para o vizinho, Bev. Vou ver se posso ajudar l� embaixo.
Menina. A pequenina.
Menina!
Est� entupida.
Deixe-me vigiar.
J� estamos em alerta vermelho, ser� melhor ir para o lado.
E o senhor? Isto parece que vai explodir a qualquer momento.
Vou ao fundo com o navio, por assim dizer.
Isto � uma casa, n�o um navio.
A minha mulher fez esta casa.
Escolheu cada pe�a de mob�lia.
As almofadas, os candeeiros, as molduras da janela...
N�o podia deix�-la assim.
Voc� devia ir-se embora agora.
Winston, v�-se embora, v�.
E agora, voc�.
O vapor n�o consegue sair.
-Voc� est� doido? -Espere.
Tenho um fraquinho por m�quinas complexas.
Por montar e desmontar coisas.
Como fechaduras.
Preciso de encontrar a liga��o.
O cano est� quente demais, evite-o...
Este est� bloqueado.
Ent�o, o problema � mais acima.
Est� encravado.
Sou leve ou pesada?
Leve como uma pena.
Boa noite, Peter Lake.
Boa noite, pequena Willa.
O meu pai diz que salvou todas as nossas vidas.
Est� exagerando. Foi s� a dele e a do homem da fornalha.
E a sua.
Sim, a minha tamb�m, calculo.
Quinta-feira � v�spera de Ano Novo.
Gostava de ir dan�ar.
Corre um grande risco em vir falar comigo sobre isto.
Deve-me uma, anjo.
E venho cobrar o meu favor.
Sabe que n�o posso interferir diretamente.
Acalme-se, rapaz voador.
S� faz o cora��o bater um pouco mais depressa.
Algu�m teria de estar muito excitado para sentir efeitos fatais.
Conhece as regras.
As d�vidas t�m de ser pagas.
E depois, a nossa fica saldada.
Ficamos quites. Seguramente.
Fico-lhe reconhecido. Bom trabalho.
Tenho andado curioso...
Com tantos tentando subir...
...e voc� descendo...
Valeu a pena, tornar-se humano?
Ou foi uma compra impulsiva?
Deve sentir falta das asas, n�o?
Claro. Deve, sim.
Fica bem nesse fato.
Voc�...
...� inacreditavelmente bonita.
Voc� tamb�m.
P�ra.
Ou derreto a neve que piso.
Se me permitir, h� de derreter toda a neve do mundo.
Vem.
A minha m�e sempre disse que isto era maior l� dentro, do que aqui fora.
-Vamos? -Sim.
Vem tarde.
Desculpa.
Se n�o fizer amor comigo agora, nunca ningu�m far�.
Ent�o, � isso mesmo que vou fazer.
Lugares.
O que, amor?
Lugares onde estivemos.
O que quer dizer?
Beverly?
Beverly?
Beverly?
Beverly.
N�o, n�o, n�o.
N�o. Beverly.
Querida.
Isto n�o est� certo.
N�o est� certo.
Beverly. Beverly. Beverly!
N�o me deixe.
Por favor, n�o parta.
Lamento.
Eles avistaram-o. O Otter.
O Peter Lake, quero dizer. Voltou.
Onde?
Num cemit�rio em Queens, enterrando uma garota,
e voltou a Grand Central para buscar o cavalo.
-Ainda est�o vendo-o? -� estranho. N�o o podem perder.
-Eles est�o s� caminhando. -S� caminhando?
Vamos l� ent�o caminhar tamb�m.
Com o pequeno Peter Lake.
Deixa l�, cavalinho.
Eu sei que eles v�m � nossa procura.
Uma luta far� nos bem.
Falhou.
N�o conseguiu salv�-la. � sua amada ruiva.
Ela iria ser algu�m importante?
Presidente? Papa?
A bisav� do primeiro homem em Marte?
Ou era algo mais simples?
Ela seria capaz de grande amor?
O tipo de amor que transforma o mundo em calor e luz.
E que d� esperan�a aos outros.
O tipo de amor que faz pender a balan�a.
Mas n�o interessa.
Ela est� morta.
Fria. Morta.
E j� enterrada.
Deixou-me?
Voc� n�o me deixe, rapaz.
Tenho enegrecido almas
e esmagado milagres h� mais tempo do que consigo recordar.
J� te perguntou por que se esfor�a o universo tanto...
...para te ajudar a cumprir o seu destino, e me p�e no seu caminho?
Talvez seja por Deus ser t�o sanguin�rio como todos n�s.
Talvez n�o goste da benevol�ncia e da luz eternas.
Talvez goste simplesmente de uma boa luta.
Pearly Soames, n�o sei do que fala, mas digo a voc� uma coisa.
� pena o seu pai n�o ter cortado melhor o seu pesco�o com essa tal garrafa.
S�rio, pequeno Peter Lake? Ora vejamos o que faremos com voc�.
Vamos, vamos. Mexam-se!
P�ra a�!
-Vai l�, Pete! -Como v�o, rapazes?
-Esfolem esse c�o branco vivo! -N�o!
Tragam a rede!
-Apanhem-no! -Quero que voc� v� embora.
Vai, cavalinho!
Aguentem, rapazes.
Cavalinho!
Cavalo.
Vai.
Vai.
Esperem, esperem...
Ora, ora...
Viva...
Procura algu�m em particular?
Eu...
N�o sei.
N�o me lembro.
N�o me lembro de nada.
Quando o amor verdadeiro se perde...
...a vida pode esvair-se at� perder todo o sentido.
Ficamos vazios.
Mas a possibilidade do destino permanece.
Aquilo para que estamos destinados pode ainda ser descoberto.
E por vezes, muito de quando em quando,
essa viagem em busca do nosso destino pode vencer at� o tempo.
Nova Iorque
Quem � voc�?
Pete, aqui tem o seu troco.
Fui contra voc�.
Ent�o foi. Est� bem?
Sou leve ou pesada?
Leve como uma pena.
Sou a Abby. Como se chama?
N�o sei.
Todo mundo sabe como se chama.
Eu n�o.
� tonto.
Olha. Ali, uma estrela.
At� as estrelas t�m nomes.
-O que? -As estrelas.
Mas n�o me lembro deles.
Castor.
Abby.
Prazer em conhecer-te.
Desculpe.
Coheeries FELIZ ANO NOVO!
CIDADE DE JUSTI�A
Filho da m�e.
N�o pode estar ainda vivo.
Coheeries FELIZ ANO NOVO!
TEATRO DE COHEERIES
TEATRO DE COHEERIES
DOADO � CIDADE DE NOVA IORQUE POR ISAAC PENN
-Romeo, encontra este homem. -Cesar.
Romeo era o meu av�.
Cesar...
...larga todo o resto.
Encontra este homem.
PROCURADO - PETER LAKE VISTO PELA �LTIMA VEZ A 16 DE AGOSTO DE 1915
Patr�o, isto foi h� cem anos.
Pare�o homem para n�o saber isso?
N�o, senhor, n�o quis...
Desculpe, senhor, n�o quis...
Lembra de te ter dito que matei o seu av�?
-Desculpe, senhor. -Encontra esse homem.
Encontra-o.
Se coincidir, matamos a ruiva errada.
SALA DE LEITURA ISAAC PENN
Isaac Penn, por favor.
A recepcionista disse que ele estava aqui.
Aqui � a Sala de Leitura Isaac Penn.
Sim, eu queria falar com ele, se puder.
Era uma bela fa�anha.
Penn morreu h� 90 anos.
H� um teatro na Rua Hudson chamado Teatro de Coheeries.
Pode dizer-me se tem informa��es sobre ele, por favor?
Foi doado por Isaac Penn.
N�o. Vejo-o aqui,
mas a informa��o n�o foi catalogada da microficha.
Bem, posso v�-la, por favor? Essa tal "microfixe"?
Claro. Duas identifica��es, preencha isto, duas semanas para aprova��o
e pode l� procurar as vezes que quiser.
-Posso s�... Quero dizer... -Lamento, n�o posso ajud�-lo.
H� tantos regulamentos hoje em dia.
-Ol�, sou a Virginia Gamely. -Ol�. Peter Lake.
-Viva. -Viva.
Eu conhe�o-o de algum lado?
N�o me parece, n�o.
Embora n�o tenha certeza.
N�o tenho mem�ria desde que me lembro.
Talvez tenha levado uma pancada na cabe�a, mas n�o encontro a cicatriz.
O mundo tem parecido um grande nevoeiro, que s� agora come�a a dissipar-se.
Embora n�o com a rapidez que eu queria.
Convenci-me...
...que se soubesse o que � este Coheeries,
talvez conseguisse recuperar a mem�ria.
Mas agora dizem-me que tenho de esperar 15 dias
e tenho de ter duas identifica��es, que n�o tenho, s� para chegar l�.
Embora eu suspeite que podia chegar mais depressa ao que preciso,
logo que algu�m fosse para casa descansar.
Se soubesse o aspecto dessa "microfixe".
Sabe que este tipo de lugar t�m muitos sistemas de seguran�a.
Mesmo assim, continuo convencido.
Est� com sorte. Eu trabalho aqui e n�o preciso de aprova��es.
N�o � verdade, Jack?
Os rep�rteres v�o onde querem, Ms. Gamely.
-Ora a� tem. -Agrade�o a ajuda.
Tamb�m n�o estava tendo sorte nenhuma.
O que procurava?
A cura para o c�ncer, calculo eu.
Ent�o...
...isto deve ir...
...para aqui.
E...
Um momento.
Deixe-me ver.
Pensei que n�o sabia o que era uma microficha.
Tenho queda para as m�quinas.
Experimente agora.
Bem, isso n�o � um teatro.
Droga. Parece que est� mal catalogado.
Coheeries n�o � um teatro.
� uma cidade.
Este � o velho Penn.
Ela tocava Brahms.
Beverly.
Chamava-se...
Chamava-se Beverly.
�...
N�o pode ser.
O seu pai?
O que est� acontecendo aqui?
Ela morreu.
Morreu h� muito.
Morreram todos h� cem anos.
N�o todos.
Editora-chefe The New York Sun
-Sim? -Ol�.
Chamo-me Virginia Gamely. Trabalho aqui.
-Sim? -Escrevo a coluna alimentar.
-Sim? -Ela est�?
Tem uma entrevista que eu desconhe�a, Ms. Gamely?
Obrigada, Sr. Embaixador. Ainda bem que nos entendemos.
Acho que vou querer um batido para o almo�o, Marge.
Acha que o Dr. Levi me mata?
Chocolate com chantilly.
Ms. Penn?
Willa.
Pequena Willa.
Peter Lake.
� ali.
Onde o encontrou?
Foi mais ele que me encontrou.
Editora-chefe
Como � isto realmente poss�vel?
Numa vida t�o comprida, v�em-se coisas.
Coisas nem sempre adequadas com o mundo que pensamos conhecer.
Nunca consegui deitar fora aquela mesa.
Por nada de especial, n�o sei porqu�.
Ele adorava a minha irm� terrivelmente.
Ela era uma luz brilhante.
Como morreu ela?
Tuberculose.
Na noite em que ela morreu...
Na noite em que ela morreu...
...procurei-a no c�u.
E encontrei-a ali, na Cintura de Or�on, julgo eu.
Ela dizia que uma vez terminado o nosso trabalho na Terra,
voar�amos e nos tornar�amos estrelas.
Que trabalho?
Ela tinha 21 anos.
Como poderia ela ter o acabado?
Por que ainda estou vivo?
Olha para voc�, Peter, igualzinho depois destes anos todos.
Talvez haja alguma coisa que ainda tem que fazer.
O que?
N�o fa�o ideia.
Posso fazer-te um ch�?
Por favor.
Obrigado por me trazer de volta aqui.
Tenho a sensa��o que n�o voltaremos a ver-nos, pois n�o?
� m� educa��o contradizer os mais velhos.
Tecnicamente, ainda sou mais velho que voc�.
N�o, tenho a sensa��o que n�o.
Adeus, Peter Lake.
Adeus, pequena Willa.
Fico � espera da sua pr�xima receita, menina.
Gosto muito de nozes-pec�s.
Tenho de ir buscar a minha filha �s 15h30.
Por isso...
Vivo na 12.� Rua.
Tenho um frango.
Se voc� gostar de frango...
Gostava de ir, mas...
-Tenho umas coisas que preciso... -Est� bem.
-Est� bem. -Ou�a...
-Tome cuidado. -Obrigado.
Diz ao patr�o que o encontramos.
Como � poss�vel ele ainda estar vivo? De que falamos n�s, Lu?
Falamos do que falamos sempre, estrelas no c�u.
Milagres.
-Eu impedi-o de a salvar. -Pearly.
N�o foi o milagre dele.
Foi o dela.
O que?
Estava t�o fixado em det�-lo a ele,
que ela te escapou inteiramente.
Ela fez am�-la tanto, que ele n�o p�de morrer.
Ele foi o milagre dela.
Eu quero mat�-lo e quero que ele fique morto.
Quero que ele se transforme em neve e seja espalhado aos quatro ventos.
As velhas regras seriam aplicadas. Estaria lutando como mortal.
� bastante extremo, n�o acha?
Eu digo-te uma coisa que vai congelar o sangue.
Por muito que fa�amos a balan�a pender para o nosso lado,
por muitos deles que corrompamos,
nada parece destruir a sua capacidade de ter esperan�a.
Passam-a de uns para os outros, como a gripe num infant�rio.
Estamos perdendo, L�cifer.
Uma estrela brilhante de cada vez. Estamos perdendo.
Ter� de dizer as palavras, Pearly.
Certo.
Eu, Pearly Soames,
Dem�nio Executor dos Cinco Bairros,
Cavaleiro Negro dos Ex�rcitos dos Ca�dos,
volunt�rio e fiel servo de L�cifer, voc� aqui presente,
pe�o desta forma que o vencido da luta
entre o humano, Peter Lake, e eu pr�prio...
...morra de morte verdadeira.
Reconsidera.
N�o.
�ltima hip�tese, Pearly.
Concedido.
Pearly.
Tenha cuidado com a luz das estrelas.
De que est� falando, Lu?
Tenha cuidado. Odiaria perder voc�.
Por que?
Habituamo nos �s pessoas.
J� provou as couves de Bruxelas?
N�o tenho fome, m�e.
Tenta comer qualquer coisa, querida.
Est� bem.
Aqui est�.
-Mam�e? -Sim, querida?
Para onde acha que vamos quando morremos?
Vem aqui.
Sim?
Voc� disse 12.� Rua e voc� � a �nica Gamely na 12.� Rua. E gosto de frango.
CIDADE DE JUSTI�A
-E boiou at� aqui? Num barco? -Foi o que me disseram.
Temos chocolate, morango
e pist�cio.
Pist�cio. Pist�cio?
-Ela odeia baunilha. -Odeio baunilha.
Mam�e.
Deita-a.
Querida. Pronto.
Descontrai-se. A mam�e est� aqui.
Pronto, queridinha. A mam�e est� aqui.
Ela tem ataques.
Agora vai dormir.
A Abby � ruiva.
Temos de ir. Agora.
N�o. N�o temos onde ir.
A garota nos desenhos...
...a garota dos meus desenhos...
-...era ela. -Ela tem cancer, Peter.
Os m�dicos dizem que est� morrendo.
Julgo que sei como salv�-la.
Eles dizem que s� um milagre.
Eu.
Por isso fiquei vivo.
Para a salvar.
Eu sou o milagre dela.
Isto � uma loucura.
Posso salv�-la. Eu sei que posso.
Virginia, temos de ir.
V�m a� uns homens que querem me fazer mal, e julgo que � Abby tamb�m.
Confia em mim, por favor.
H� um cavalo no telhado.
Sim h�.
Ol�, meu velho amigo.
J� passou muito tempo.
D�-me aqui.
Vamos.
-Sabe onde ir, cavalo. -O que?
Deixa-o concentrar-se.
Muito bem.
-Como est� ela? -Ainda dormindo.
Ol�...
Coheeries!
Parece abandonado.
Vamos, por aqui.
E aqueles... Quem quer que fossem. Deus!
N�o penso que possam seguir-nos at� aqui.
N�o pensa. Que reconfortante.
N�o, estou bastante certo.
As regras mudaram.
O pequeno Peter quer salvar algu�m.
Mas eu quero lutar.
Prazer em ver-lhe, Peter.
Sinceramente, n�o posso dizer o mesmo de voc�, Pearly.
Bem... Parece que confundi as ruivas.
Um erro compreens�vel.
Vou j� remediar isso.
N�s somos 20.
E voc� � s� um.
Esta noite, n�o haver� milagres.
E o destino dela ser� eliminado.
Cavalo.
Calculo que saiba o que fazer, cavalo.
Sempre covarde, aquele C�o Branco!
Rapazes.
Porque faz isto, Pearly?
Sabe, sequer?
Sei qual � o meu destino.
E � mais que tempo de voc� encontrar o seu.
Saiam do gelo!
Ora ent�o...
CIDADE DE JUSTI�A
Abby?
Abby.
Meu Deus! N�o!
Um leito de votos feito h� 100 anos por uma menina que � agora uma velhota,
para salvar uma garota ruiva flamejante de morrer jovem demais.
Um lugar pr�prio para um milagre.
Eu sou apenas um mec�nico, mas o que somos n�s, sen�o m�quinas?
M�quinas que precisam de uma ajudinha do universo para trabalhar.
Abby.
Ser� por isso que amamos?
Para salvar?
Foi sempre voc�, n�o foi?
Por favor, foi sempre a voc� que eu devia salvar.
Volta.
Por favor, volta.
N�o.
Mam�e?
Porque est�o todos chorando?
Fiquei doente e desmaiei outra vez?
Sim, Abby.
Mas agora est� melhor.
Porque se conjurariam tantas coisas para salvar a vida de uma menina?
E se n�o fosse s� a Abby?
E se ela n�o fosse nem mais nem menos especial do que qualquer um de n�s?
E se todos f�ssemos �nicos
e o universo nos amasse a todos por igual?
Tanto, que recorreria a imposs�veis, atrav�s dos s�culos,
por cada um de n�s.
E, de vez em quando, ter�amos a sorte de o compreender.
Nenhuma vida � mais importante do que outra.
E nada existe sem um sentido.
Nada.
E se todos f�ssemos parte de um grande padr�o que um dia entender�amos?
E quando um dia tiv�ssemos feito o que s� n�s somos capazes de fazer...
...nos elev�ssemos e nos reun�ssemos com aqueles a quem mais amamos...
...abra�ados para sempre?
E se afinal nos transform�ssemos em estrelas?
WINTER'S TALE: UM CONTO DO DESTINO
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