All language subtitles for Alice.e.Martin.1998.DVDRip.XVid.MCL-MKO

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Original subtitles

ALICE & MARTIN

Só alguns minutos.

Se esquentar demais, chame. Vou trazer uma revista.

- Vi uma jaqueta em promoção. - Quanto?

- 690 francos. Acha muito? - Logo estaria um trapo.

- Eu paro de brigar. - Claro.

Um instante. Said! Para você.

Um cliente.

Tudo bem. A que horas é o seu trem?

- Está em cima, mas dá. - Também vou.

Não, Martin, fique.

- Não quero que durma tarde. - Amanhã é domingo.

- Não me envolva. - Façam o que quiserem.

Não conseguem conservar um bom jogador.

É sempre questão de dinheiro.

Said, vamos! Ela vai dar uma bronca.

- Dá para dirigir? - Fique calmo, estou bem.

Estou cheirando a cerveja?

- Não, tudo bem. - Diremos que o pneu furou.

- Gostaria de visitar seu pai? - Não conheço meu pai.

Talvez seja hora de conhecer.

- Não tenho pressa. - Diz isso há dez anos.

- Quanto mais esperar, pior. - Não quero ir. Pronto.

Não quer! Não quer! Ele é seu pai.

Pare de fingir que ele não existe.

Seu pai não está bem de saúde.

Um dia, será tarde demais.

Eu já disse que não. Não insista. Boa noite.

Martin, goste ou não, você vai. Está decidido.

- Não pode me forçar. - Se precisar, posso.

- Por quê? - Penso no seu futuro.

Reclame quanto quiser, não vai adiantar.

Estas fotos são suas.

Sua mãe me deu. Ainda não sei onde colocar.

Estes são seus irmãos. Tive três filhos. Veja.

François é o mais velho. Trabalha na fábrica.

Este é Frédéric. Está na faculdade, em Toulouse.

E Benjamin, o caçula. É o mais levado.

Está avermelhada. Dói quando engole?

- Sempre tem dor de cabeça? - Às vezes.

- 38 é muito alta. - É, sim. Seu marido está?

- Acabou de chegar. - Vou falar com ele.

- Fecho a veneziana? - Se quiser...

Na sua idade, eu detestava que fechassem a veneziana.

Eu dizia: "Mas ainda está claro!"

Mais tarde, vou ligar para a sua mãe.

Sabe, Martin...

não é obrigado a ficar.

Mas Victor está feliz com você aqui.

- Por que está tão escuro? - Ele tem febre.

Vamos ver. Pode nos deixar?

- Tire o pijama. - Por quê?

Faça o que mandei.

Vou ver você tirar a temperatura.

- Já fiz isso. - Faça de novo.

- Não está doente, Martin. - Estou, sim.

Não, está mentindo.

Como fez para subir a temperatura? Conte.

Estou ouvindo.

Foi fácil.

Esfreguei o termômetro nos lençóis.

Ele esquentou.

Certo. Bem engenhoso. Mostra que é esperto.

E por que fez isso?

Não sou obrigado a responder.

Deve dizer-me a verdade.

Por quê? Não pode me fazer falar.

Meu amigo que apanhou do pai. Descobriram na escola.

Não vou bater em você. Quero conhecê-lo.

Para isso, conversamos. Se mentir, o que farei?

Também vou mentir.

Sua mãe o manteve durante dez anos. É tudo que ela tem.

Ela o ama. Que posso fazer? Está na hora de crescer.

É meu dever cuidar de você.

Não quero morar aqui.

Seria uma boa oportunidade. Ampliaria seus horizontes.

Para quê?

Para ajudá-lo a ter sucesso na vida. Entende?

Não. Não pedi nada.

Estou cansado. Posso ir me deitar?

Não, vai descer para jantar.

- A farsa da doença acabou. - Não. Estou doente.

Já chega. Entendeu?

DEZ ANOS DEPOIS

Desta vez, nós o pegamos.

Tudo bem?

De acordo com sua ficha, você sumiu de casa...

desde 27 de agosto, após a morte de seu pai. Certo?

Pode ir. Sua madrasta vai pagar o fazendeiro.

Ele retirou a queixa. Está livre.

Vai voltar em péssimo estado.

Seu documento estragou. Precisa tirar outro.

- Estou livre? - A Sra. Sauvagnac está vindo.

- Prefiro não vê-la. Posso? - É adulto. Faça como quiser.

- Quem é? - Martin. E você, quem é?

Sou Alice.

Posso entrar?

Não sei. Benjamin não disse nada. Foi a Paris, sabia?

- Não sei o que fazer. - Devo voltar mais tarde?

Não, tudo bem. Entre.

- É amiga de Benjamin? - Não é sexual. É isso?

Ele falou de mim?

Depois que sumiu, um pouco. Três semanas é muito tempo.

O que ele disse?

Estava preocupado. E agora, você aparece.

Quando ele vai voltar?

Depois do trabalho. Em geral, já é tarde.

Posso dormir aqui? Não estou bem.

Tenho um teste amanhã. Preciso ensaiar.

- Talvez vare a noite. - Por mim, tudo bem.

Mas isso me incomoda.

Se começar a roncar, perco a concentração.

Banheiro, porão, garagem... Durmo em qualquer lugar.

- Tem carro? - Não. Nem Benjamin.

Espere! Aonde vai? O que vai fazer?

- Achar um lugar para dormir. - Espere. Daremos um jeito.

Use o quarto de Benjamin.

Ele dormirá comigo.

Ele me deixou maluca. É um pesadelo.

Gosto muito dele. Não seja má.

Não sou má.

Ele é como alguém de outro planeta.

Ele pirou depois que papai morreu. Vai se recuperar.

Ele me deixou estressada.

Fui espiá-lo, para ver se não era sonho.

Estava vestido, olhos fechados...

Falava no sonho com uma voz...

Muita gente fala dormindo.

- Ainda bem que você voltou. - Na hora certa, como sempre.

Importa-se que eu leia?

- A que horas é o teste? - Às 9:00.

Vá dormir, ou se sairá mal.

Não pagamos a conta da luz, 1.800 francos.

- Falaremos amanhã. - Como sempre.

Boa noite.

Boa noite, Zorro.

Por que apagou? Pode ler.

Tudo bem. Uma boa noite de sono me fará bem.

"Tango Nuevo" não basta. Anote. Tem caneta?

Ouça...

"Algumas músicas existem para curar feridas.

O tango as deixa abertas. Assim, não as esquecemos".

Eu ligo mais tarde.

Como vai? Dormiu bem?

Alô? Alguém em casa?

- E Benjamin? - Chegou, dormiu e saiu.

- Não entendo. - Hoje é quinta à tarde.

Você dormiu 19 horas. Quer café?

Por que não me acordaram?

Nós tentamos, acredite. Sinto por ontem. Foi tensão.

Por causa do teste. Sempre desconto em alguém.

Tenho um péssimo humor.

Benjamin disse que pode usar as roupas dele.

O banheiro é ali...

para o caso de costumar usar o chuveiro.

Se quiser ver Benjamin, está na FNAC, em Les Halles.

Trabalha até as 20:00.

- É setembro, não é? - Dia 21.

Faz sempre tanto calor em Paris?

Varia, como em qualquer outro lugar.

- Como chego a Les Halles? - De metrô. É fácil.

Exagerou na colônia dele.

Nós nos separamos aqui.

Mude na estação Odeon e saia na Les Halles.

Sua pasta, por favor.

Bem-vindo a Paris.

- As roupas estão pequenas? - Não, serviram.

- Por que não me acordou? - A bolsa, por favor.

É difícil falar aqui. Vamos nos ver mais tarde?

- Logo farei um intervalo. - Certo. Onde?

No Quick. Desça três andares.

Pegue a escada rolante ali. Entendeu?

Martin, pegue isto.

Até mais tarde.

Sua sacola, por favor.

Vai gostar. O que faz?

- Nada. - É uma oportunidade.

- Claro, por que não? - Conto com você.

Bem, não vou demorar. Seja gentil e me ligue.

Muito obrigada. Até logo.

- Quem era ela? - Já ouviu falar?

Tânia de I'Etang, diretora artística. O que queria?

Disse que posso ganhar dinheiro como modelo.

Fotos pornô, talvez? Gostaria de ser modelo?

Não sei. Nada me interessa, mas preciso de dinheiro.

Por que você sumiu?

Deixe isso para lá.

- O que sua mãe disse? - Como assim?

Você o viu cair da escada. A cabeça rachou.

Você ficou apavorado e correu. E sumiu.

Não tem sede?

Dê-me as fotos.

Martin, espere 5 minutos. Alguém virá atendê-lo.

- Você a conhece bem? - Não muito.

É boa gente. Estava em outra agência, antes.

Ela lhe pediu para vir?

- Faz isso sempre? - Não, é a primeira vez.

Ainda não tive sorte.

Mas quase. Na última vez, com a France Telecom.

Escolheram outro.

Venha comigo.

Jocelyn, este é Martin. Comece com a Polaroid.

Use fotógrafos diferentes. Experimente o italiano.

Veja o que pode fazer com o cabelo dele.

Talvez esteja bem assim.

Venha comigo.

Aqui.

- Devo sorrir? - Você é quem sabe.

Sabemos que existe público.

Dois concertos por mês não cobrem as despesas.

Vamos correr o risco.

Se oferecermos boa música, vamos encontrar experts.

Não vão pagar nosso aluguel.

Tocar em casamentos cansa. Não é, Alice?

- Bem, chega. Vou beber algo. - Temos aqui.

Cerveja é boa quando está gelada.

Sei que está aí!

Estou velha para brincar de esconder.

Não vou sair daqui.

Por que está aqui? Está zangada?

Estamos todos cansados. É normal brigar.

- É o banheiro masculino. - Eu sei.

Há dez dias não falei nada. Nem na semana passada.

Mas hoje estou dizendo: Estou farta.

Estive seguindo você.

Estraguei tudo uma vez. E ficou prevenida.

Se quiser, posso parar.

Não compreendo.

Moramos juntos. Se tem algo a dizer, diga.

Não tenho nada a dizer.

Só quero ver como você passa o dia.

Trabalho, como todo mundo. Não é diversão.

- Gosta de violino? - Não especificamente.

Tenho muito tempo e nenhum amigo.

Pensei que estivesse posando.

Não todo dia. E as pessoas não me interessam.

Foi tolice me esconder mas me senti ridículo.

Se quer saber, é só imaturo.

Quantos anos você tem?

Certo, vou embora.

Um chope, por favor.

- Tudo bem? - Tudo.

Pode andar?

Eles costuraram e me deram antibióticos. Estou bem.

Certo, como sempre.

Ele era um canalha. Mas tão excitante!

- Mas eu insisti num motel. - O que houve?

Eu me virei...

e ele me acertou com um cinzeiro.

Vamos sair daqui.

- Assassinos o excitam. - Pare!

É um caso em cem. Vale a pena, acredite.

- Você está exagerando. - Sei. Está feliz. Realizado.

Exatamente. Feliz e realizado.

- A orelha está me matando. - Quando é o teste?

Daqui a três dias. Não vou aprender.

Só temos problema numa parte.

E amanhã? Tem tempo?

Estarei na igreja de dia e tocando tango à noite.

Alugamos um lugar. Já conseguimos pagar.

Vou pedir a Martin para tomar minhas falas.

Até prefiro velas a eletricidade.

Velas são bonitas, mas sem aquecimento...

geladeira, telefone, água quente! Estou farta.

É como o sexo! Você paquera o desastre!

- Não dá para comparar. - E parece um teste para mim.

- Se eu resistir, sou puritana. - Desculpe, esqueci de pagar.

Gastou o dinheiro em outra coisa.

A cada um, o seu. Nunca lhe passei sermão.

Não é sermão. Estou falando de coisas concretas.

Tudo aqui está passando do ponto!

Falou!

Não estou brincando. Estamos quase afundando.

Minha orelha está doendo e odeio histeria.

- Vou parar de aborrecê-lo. - Sem beijo de boa noite?

Hoje, não.

- Quer ver minhas fotos? - Estou cansada.

Um outro dia, então.

- Não está com frio? - Não, tudo bem.

- A confusão não o aborrece? - Acho demais.

É como um filme.

- Como vai o trabalho? - Estou começando a ganhar.

Aliás, como moro aqui devo contribuir.

Isto é para a eletricidade.

O que é, o que é? Cai do céu e termina em "il"?

- "Chuvil"? - Não é.

- "Serenil"? - Não. Pense melhor.

- Desisto. Diga. - A neve, imbecil!

- Legal, não é? - Que tonto!

Quando você desfila faz algum ensaio?

Não, só corro para mudar a roupa. Tem de ser rápido.

- Nunca fica apavorado? - Nem um pouco.

Nem olho para as pessoas. Viro um robô. É divertido.

Perfeito para afásicos.

Se quiser, há um desfile do Armani amanhã.

Apresentaremos a coleção do próximo outono.

Amanhã, não posso. Tenho ensaio de tango.

Quando tinha a sua idade estava no conservatório.

Tinha pavor de me apresentar. O público me assusta.

- Pare com isso. É fácil. - Mas não para mim.

Vi você se apresentar e saiu-se bem.

Com o grupo sim, mas não sozinha.

Uma vez sonhei que estava na praça de uma vila.

Comecei a tocar. Estava concentrada, mas desafinada.

Acabaram jogando pedras em mim.

- O que fez? - Nada.

Acordei. A vida continua.

Na época, eu era durona. Contra tudo.

Contra música, contra homens.

Contra o mundo todo. Felizmente, encontrei Zorro.

- Quem é Zorro? - Sou eu. Mas não todo dia.

Um dia é Zorro no outro, é zero.

Alice e eu encontramos um certo equilíbrio.

Nós nos revezamos. Um banca o filho do outro.

E só precisam um do outro? Não há ninguém mais?

É claro que existem outros. Mas eles vêm e vão.

Isso nos mantém juntos sem nos destruir.

Diferente de outros casais.

Interessante.

Falando nisso, encontrei um lugar para mim.

É um hotel barato. Não quero abusar de vocês.

Não entendo. Está maluco? É um prazer tê-lo aqui.

Não é, Alice?

O quê? Claro.

- A que vamos beber? - Não tenho idéia.

A Alice!

Eu avisei.

Esta noite foi ruim, as outras não.

As pessoas não saem durante a semana.

Você é que diz isso. Não vêm porque não gostam.

Não vamos nos enganar.

Com licença, onde é o camarim de Alice?

Todos nos vestimos juntos, todos morremos juntos.

Dê um tempo! Você curte nossos fracassos.

Que gentil ter vindo!

- Vamos tomar algo? - Sim.

Então, está gostando de sua nova vida?

Por que diz isso? Não tenho uma vida nova.

- Quis dizer o hotel. - Não fico muito lá.

Ando muito. Estou conhecendo Paris.

As ruas, não as pessoas.

Sempre penso em como você fugiu.

Por que não procurou ninguém?

Podemos mudar de assunto?

Quando nos levou para jantar começou a se abrir.

Detesto falar de mim.

Mas podemos falar de você.

Está bem. Mas não posso falar à toa.

Pergunte algo.

O que mais a afetou em sua vida?

Odile.

Odile é minha irmã.

Fomos criadas por minha avó.

Ela tinha uma loja de sapatos, em Amiens.

Minha irmã era um gênio.

Ficava na loja com minha avó depois da aula.

Havia muitas prateleiras com caixas de sapatos.

Vovó dizia um número, Odile achava a caixa certa.

Ninguém entendia como. A mesma coisa na escola.

A primeira da classe.

Numa quarta-feira...

Quarta-feira...

era o dia mais agitado. Ela era a atração.

Minha avó fez como sempre. Disse um número e...

Odile se enganou.

Pegou a caixa errada.

Foi o primeiro erro que cometeu na vida.

Estava com meningite. Durou três dias e então...

ela morreu.

Quantos anos ela tinha?

Onze.

Todos a tratavam como adulto. Não teve infância.

- Acabou o grupo, então? - Sim. O que podemos fazer?

Frank nos deixou. Eu já estava imaginando.

Voltou a pintar apartamentos, ganha mais.

Vocês são quatro! Tornem-se um quarteto!

Não sem Frank no baixo.

Ele era o coração do grupo. Um chato mas...

ele achava trabalho para nós. Fazia de tudo.

E o que vai fazer agora?

Não vai ser fácil. Vou dar aulas.

Três alunos, duas vezes por semana.

- Quanto pediu? - 200 por hora.

Deu tudo certo. Nem piscaram.

E você? Como vai a dublagem?

Legal. Não é Shakespeare. É repetitivo. Pena.

- O que foi? - Viu ali? É Martin!

Desculpe o atraso. Um dos alunos...

odeia o violino e a mim. Tudo bem. Mudou de hotel?

Armani nos instalou aqui. Para desfiles particulares.

Quer champanhe?

Por favor! Mais um.

Estou feliz em ver você.

Gostaria de vê-la todo dia. Assim, para um drinque.

Para mim, uma vez por semana não basta.

Se não tivesse conhecido você, acho que...

não existiria mais.

Por que diz isso? Você existe sem mim.

Está indo muito bem. Construiu uma carreira.

Tive sorte. Achei um trabalho fácil.

Sempre diz que tenho dificuldade para falar.

Por isso, serei direto.

É a primeira vez que quero algo realmente.

Não entendo. O que quer?

Você.

Martin, graças a Deus. Quero falar com você.

Estão ligando por causa dos pôsteres. Muitas ofertas.

- Deixe-me apresentar Alice. - Oi, muito prazer.

Você vem conosco?

- Não posso, estou com ela. - Venha também, Aline.

Não é Aline, é Alice.

Hoje não posso. Tenho de estudar violino.

Telefone!

É pena. Irá a Marrakesh na semana que vem.

Esqueceu isto.

Peguei um táxi. E aqui estou.

- Por que está chorando? - É conjuntivite.

Sempre tenho isso no início do inverno. Não é nada.

- Pode tocar violino? - Claro.

- Por que está aqui? - Para ficar com você.

Esqueci que tinha a chave.

Quer que eu vá embora? Não quero incomodar.

Não é isso. Agora vive no luxo.

Veio visitar os parentes pobres. É engraçado.

Serei bem direta para evitar mal-entendidos.

- Não aceito ser usada. - O luxo não me interessa.

Faz parte da minha vida. Só isso.

É degradante?

Para vocês, é diferente. Os dois são artistas.

Há um tom de despeito aí. Benjamin tem talento.

Eu o admiro. Você não entenderia.

É mais inteligente que eu, mais refinada. Você ganha.

Mas é teimosa e cega.

Agora já sei. Agradeço a sinceridade.

Não há de quê.

Não estou à altura?

O que isso quer dizer?

À altura de ser seu amigo.

Amigo ou amante? Você é muito ingênuo.

Há rapazes com quem transo e outros de quem gosto.

São coisas diferentes.

Benjamin também é assim. Por isso nos damos bem.

Está claro?

Benjamin lhe fez uma lavagem cerebral.

- Em que categoria estou? - Não sei.

Não o amo como a Benjamin nem como a minha irmã.

Sexualmente, não é meu tipo. Não curto mocinho bonito.

Sabe, Alice? Tento não demonstrar...

mas estou lutando por você.

Também estou com fome.

Sinto muito, não há ovos. Pode olhar.

Vamos parar de nos ver.

Ficou ótima.

- Esperava por você. - Estou vendo.

Parece cansada.

Tenho dormido mal.

Há bebida no mini-bar se quiser.

- Tem tempo? - Bastante. Já terminei.

Por quê?

Porque, se ainda me quiser, tudo bem.

Sinto muito ter sido aqui. Ainda estou maquiado.

Tive medo que mudasse de idéia.

- Ainda estou excitado. - Eu sinto.

Por que não vem para Granada?

Larguei tudo por você.

Preciso trabalhar. Não posso passar o tempo...

- só esperando você. - Por que se matar por nada?

- Isso é masoquismo. - Sem trabalhar, sinto-me mal.

Vai responder aos anúncios?

Não, estou substituindo em Virgin, por uma semana.

Pena, então, por Granada. Vou recusar.

- Está louco? - Nunca ficamos separados.

- Uma semana não é muito. - Fala sério?

Será difícil para mim mas vou me esforçar.

Esforçar-se para sofrer?

A ausência ajuda a saber se o amor é verdadeiro.

Eu prefiro a presença.

- Gosta de viajar assim? - É uma boa mudança.

Eu gostaria de ir a Granada.

Ali tem uma mesa.

Isto está sempre lotado.

Quanto tempo vai ficar lá?

Uma semana. O projeto é fantástico.

Vão fazer mais uma das porcarias de sempre.

Pensam que são filósofos com seus conceitos.

Vai posar na frente do Alhambra.

Lá está Yvan.

- Ele me insulta e foge. - Ele viu alguém.

Ele não presta. Viu como falou?

Está amargo, agora.

Ele está bêbado. Detesta comerciais.

E você o defende. Estou farto do ciúme dele.

Ele tem ciúme do seu sucesso.

Tem ciúme de estarmos juntos, sabe disso.

Houve algo entre vocês?

Transamos com outros, mas Benjamin é 100% gay.

Isso é um problema para você?

O que quer dizer? Não ligo.

Mas você teve tantos casos e eu não tenho experiência.

Não quer dizer nada. Vamos dançar.

Quero fazer outra coisa. Vamos?

- Os livros não? - Só as roupas de verão.

Podia ter vindo assistir à peça.

Foram duas noites. Teatro lotado.

Martin estava exausto depois do trabalho.

Tente fazer algo sem ele. Virou eremita. Isso é amor?

O aluguel do mês passado.

Você não mora aqui. Por que vamos dividir?

Só até você achar outra pessoa.

Não pode pagar 5.000 francos sozinho.

Por quê? Trabalho o dia todo.

Não pode desistir do teatro.

- Talvez não seja para mim. - Pare! Acredite em você.

Desde que você se foi tenho dúvidas. Sobre tudo.

Veja Martin, fará um filme. Um lixo, mas é um filme.

E isso depois de um ano aqui.

Estou nisso há seis anos.

- Você é diferente. - Talvez.

É por isso que nos evitamos.

De todo modo, você já escolheu.

Você também escolheu.

Pode ser fiel e monogâmico?

Tem razão. Prefiro morrer.

Não quero o dinheiro de Martin.

Se for seu, tudo bem. Senão, pegue.

Que saco!

Quanto tempo vai ficar lá?

Uma semana.

Posso cuidar do gato.

Esqueci completamente dele.

Este lugar foi inspirado pelo templo de Salomão...

- do qual nada sabemos. - Os livros explicam.

Explicam a época, o contexto, não o essencial.

- E o que é o essencial? - A ciência do arquiteto.

Você está bem?

Martin...

não quero criar problema, mas...

Não sei como dizer.

Fui ao médico e está confirmado: Estou grávida.

Não quero criar problema.

Estou exausto.

Quer ser pai?

Ouviu o que eu disse?

Martin, o que foi? O que você tem?

Seu amigo foi internado em coma aparente.

Mas após uma série de testes concluímos...

que o quadro não se deve a uma lesão orgânica.

- Nenhum problema físico. - Nenhum.

Talvez isso resulte de um trauma psicológico.

- Remédios ajudam? - Vai precisar, depois.

Mas devem ser prescritos por um psiquiatra.

Trouxe seu aparelho de barbear.

Não consigo lembrar de nada. É um buraco negro.

Você está bem. É normal. Ouviu os médicos.

Não parece normal para mim.

Está sobrecarregado. Não parou.

- Eu me sinto fraco. - Precisa descansar.

O que Tânia disse quanto ao filme?

Acharam outra pessoa.

Ninguém é insubstituível.

Seja como for, vou desistir da profissão.

Vamos ver. É cedo para decidir.

Agora, levante-se e ande.

Está bem?

Está tudo girando.

A terra está girando, não você. E não comeu.

- Você ajuda muito. - Faço o que posso.

- Que horas são? - Não sei. Meio-dia.

Em ponto.

- Pela primeira vez. - O quê?

Exatamente 12:00. Os ponteiros juntos.

"Querido Benjamin, Martin e eu tiramos férias.

Alugamos uma casa na Espanha no meio do nada.

Não há eletricidade nem água, mas é barato.

Martin não quer ver ninguém. Ele nada o dia todo.

O coma o abalou, ele precisa reconquistar a confiança.

Aluguei uma scooter e hoje irei à cidade.

Assim, poderei despachar esta carta. Um beijo, Alice."

O dono da casa perguntou até quando ficaremos.

Não quero ir embora.

Para onde iria?

Que tal para casa? Saímos há duas semanas.

Duas semanas não são nada.

Liguei para o banco. Não tem mais nada.

- Não podemos ficar. - Com tudo que ganhei?

Nem imagina. Só a conta do hospital foi 12.000 F.

Tenho crédito.

Como? Quer parar de ser modelo!

Quer que eu continue? Seja franca, por uma vez.

Quer me ver enfeitado como uma mulher?

Odiava o que eu fazia, mas mentia.

Mentiu desde o início.

Escreveu a Benjamin em segredo.

- Por que está comigo? - Porque te amo.

Ama? Sem essa!

Não sabe quem sou, de onde venho, o que fiz. Nada!

Por que está aí?

Venha dormir. Está exausto.

O calor é sufocante. Só me sinto bem na água.

Devia tentar.

É inútil que me agrida. Não me fará odiá-lo.

Não posso mais voltar atrás.

Uma vez me disse que lutava por mim.

Agora, eu luto por você.

Não adianta discutir.

O que eu disse ontem é muito simples.

Não sei por que me ama.

Tive um pesadelo. Ia nadar até as rochas atrás da casa.

São poucos quilômetros.

Comecei a me afogar.

É ruim dormir. Tenho sempre os mesmos sonhos.

- É melhor não dormir. - Devemos voltar a Paris.

Não posso, não estou pronto.

- O que vou fazer em Paris? - Não sei. Recomeçar a viver.

Alice, preciso ficar aqui sozinho, sem ninguém.

- Não posso deixar. - Por que não?

Você não está bem. Por isso.

É melhor nos separarmos.

- Estou começando a odiá-la. - Não importa, não ligo.

Desculpe. Pensei que estivesse nadando.

Vai ficar maior que meu pênis.

Será um imbecil com um pai como eu.

Foi por isso que você mudou.

Desde Granada.

Eu não devia ter contado.

Mostre.

- Benjamin vai me apoiar. - Depois desse balanço?

Um déficit de 300.000F!

- Desculpe, mas... - Não mando aqui.

Ele bloqueia minhas ações, não quer investir!

Erro em cima de erro!

Confie em mim, uma vez. Dê-me mais três meses.

Aí estaremos falidos! Qual foi a oferta?

Querem só o terreno. Vão demolir tudo.

- Deixem-me salvar a fábrica. - Um monte de lixo.

Dane-se! Tem seu emprego na prefeitura.

Sou o único que trabalha aqui.

É verdade, mas o que conta são os resultados.

Não me culpe se é um fracassado!

Acabou. Estou pronto para o seguro-desemprego.

Ele é forte!

- Você começou isso. - Não comecei nada.

Se o deixo agir, sou fraco. Se dou ordens, sou tirano.

Você fez faculdade. Diga-me o que fazer.

Assuma suas responsabilidades.

É você o pai, não eu.

Por que não diz nada? Parece não ter opinião!

- 20 anos! Já pensou? - Não. Qual a diferença?

Odeio aniversários. São idiotices.

Você jamais gostou de comemorar nada.

Por que comemorar? Ano-Novo, Natal. Besteira.

Os grandes momentos da vida devem ser comemorados.

Só sabemos quais foram anos depois.

Com licença. Estou cansado.

Abra a garrafa. Vamos fazer um brinde.

Ao seu futuro.

Meu futuro? Esqueça a faculdade.

Tenho medo de dizer a ele, mas não fui feito para isso.

Não se preocupe, ele sabe.

Diga...

não há nada de que goste?

Não sei, alguma profissão?

Honestamente, não. Já pensei, não descobri.

Por dez anos tentei fazer Victor feliz, sem conseguir.

Eu o decepcionei.

Tenho de me encontrar agora.

Quem pode ser?

- Oi, mamãe. - Devia ter ligado!

Prometi a Martin. Feliz aniversário, garoto!

Tenho um presente. Lembrará de mim todo dia.

- Já jantou? - Já, um sanduíche, no trem.

Qual é o programa? Parto amanhã cedo.

Programa?

Venha cantar!

Podem fazer menos barulho? Estou tentando dormir.

Vai desligar tudo?

Você só vem aqui para me provocar.

É sistemático e aborrecido.

Da próxima vez, economize a passagem.

Ele é um muro.

- Um muro. - Não diga isso. Ele sofre.

Ele nos faz sofrer. É o que todos fazemos.

Sofremos.

Estou feliz e realizado.

Ele me irrita.

Vamos dar uma volta de motocicleta.

Agora? Não é boa idéia, bebi demais.

Que noite divertida!

- Por que não fica amanhã? - Viu como ele me recebe.

De todo modo, estou feliz que tenha vindo.

Vamos beber!

"Eu, truncado desta justa proporção...

traído pelos traços de uma natureza enganosa...

deformado, inconcluído...

despachado antes do tempo ao mundo que respira...

tão aleijado e feio que os cães latem ao me ver.

Neste tempo de paz meu único prazer...

é observar minha sombra ao sol...

e deplorar minha própria deformidade.

Como não posso ser o amante que gostaria...

estou decidido a ser vilão...

e a odiar os prazeres frívolos desta época".

Foi horrível? Diga! Não gostou?

Não, fiquei surpreso que escolhesse esse papel.

Não me parece um monstro.

O principal é sentir o que ele sente.

Fui levado a me sentir a ovelha negra, e me sinto.

Por isso somos amigos. O canalha e o homossexual.

Venha para Paris. O que o prende aqui?

- O que vou fazer em Paris? - Viver. Está paralisado aqui.

Espera um sinal de Victor que nunca virá. Vá embora!

Droga! Deve ser para você.

Vai acordar todos.

Não é Martin. Não reconhece minha voz?

Por que está na fábrica?

Por que devo dizer a Victor?

Era François. Desligou.

François?

- O que ele disse? - Para Victor ir à fábrica.

Agora?

Por que as luzes acesas? Ele está louco?

"Evangelho de Jesus Cristo segundo São João.

Seis dias antes da Páscoa disse Jesus aos discípulos:

Se um grão de trigo cai e não morre...

ele fica só. Mas, se morre, traz muitos frutos.

Aquele que ama sua vida deve perdê-la".

- Por que está aqui? - Sinto-me da família.

Saia daqui, ou será engolido vivo.

Você me leva até a estação?

Não vai ficar?

- Dirigi muito rápido? - Não foi isso.

- Você aceitou tudo bem. - François não era meu irmão.

Tem um lenço?

Odeio todos eles. Se ficasse aqui, também morreria.

- Preciso de um café. - Não dá tempo.

E não é boa idéia. Precisa relaxar.

Por que os odeia?

Quando disse a Victor que queria ser ator...

perguntou se teria um nome artístico, ou usaria o dele.

Pode imaginar? Foi tudo que disse.

Eu lhe disse que seu nome era o meu, e que ia usá-lo.

Durante dez anos, não quis ver você. Nos dez seguintes...

você foi seu prisioneiro.

- Por que diz isso? - Porque é verdade.

- Tão lindo! Ainda é virgem? - Pare!

- Use minha colônia. - Da próxima vez.

- Em Paris. - Seu trem já vai sair.

Meu capacete!

- Um chope, por favor! - Atenda o Sr. Sauvagnac!

- Como vai? Quanto tempo!

O que anda fazendo?

Dou duro. Puseram-me na escola de administração.

Nós nos divertimos tanto.

- Não estava em Paris? - Não deu, sem trabalho.

Com o time de rúgbi aqui precisam de táxis.

- Tem visto sua mãe? - Toda semana. E nos falamos.

Soube que ela está bem.

Fazem muita fofoca aqui. Foi bom mudar.

Nunca mais a viu?

Tentei, mas não deu certo.

Ela nunca vai ter ninguém. Seu pai a destruiu.

Por que diz isso?

Ele prometeu casar com ela. Engravidou outras.

Ela o forçou a registrá-lo. Ele resistiu.

Legítimo. Grande coisa! Mas ela estava obcecada.

Nunca entendi por que ela quis que eu viesse.

Pensava em seu futuro. Boas escolas, bom emprego...

Ela sofreu. E nunca o deixou perceber.

As mães são assim. Você compreende.

E por que ele me aceitou? Nunca entendi isso também.

Pensei que se interessasse por mim, mas não.

Foi sempre frio, fechado.

- Como um juiz. - Como dizia sua mãe.

Ele julga a todos e ninguém presta.

Você está lá só para irritar os outros filhos.

É estranho. Não sei explicar.

Ele me força a falar quando sabe que não posso.

Tenta me pegar.

Não, tenta me humilhar.

Compreende?

Já se levantou?

O que está fazendo?

Vou embora. Estou cheio de vocês.

Victor!

O que houve?

Aonde vai?

- Responda! - Faço o que quero.

Fique aqui! Largue esta mala.

Por que vai embora?

Fale, idiota!

Isso não é crime. Foi acidente.

Não foi acidente.

Eu queria matá-lo.

Realmente.

E matei.

O que é triste é que não sei por quê.

Realmente não sei.

Às vezes, penso que não aconteceu.

Depois, percebo que o matei. Eu o matei.

No início, eu era feliz com você. Parei de pensar.

Mas agora só penso nisso.

Não consigo mais transar. Você viu...

Bem, vamos cuidar das coisas idiotas, concretas.

O resto espera.

Certo? Vamos voltar a Paris.

Não temos dinheiro. E rasguei o bilhete de volta.

Daremos um jeito.

Martin!

Martin!

Martin! Volte!

É na periferia de Paris. É tranqüilo e bonito.

O que diz o médico?

Que Martin está doente. Esgotamento nervoso.

- Nem posso telefonar. - Trancar as pessoas assim!

- Martin pediu. - Por quê?

Queria se matar. Dizem que é bom sinal ter pedido ajuda.

É tudo? Está escondendo algo?

Não sei muito. Está sedado e sempre calado.

Vão transformá-lo num vegetal.

- São especialistas. - Não desespere. Leva tempo.

Obrigada por ter vindo.

Estou feliz em conhecê-la. Ele me escreveu contando.

- Ele escrevia sempre? - Mandava cartões postais.

Aconteceram coisas que o estão consumindo.

- Vou ver Lucie Sauvagnac. - Essa! Ligou para ela?

Tentei. Não atende.

Há um trem para lá?

Não, só ônibus.

Não pode ir ainda. Preparei um belo jantar.

Pode dormir em casa e visitar a velha amanhã.

Gostou da tesoura? É original, não?

Sente-se.

Tenho muitas clientes idosas. Tintura. É fácil.

As raízes estão oleosas.

Não é bom sinal. A seborréia pode ser sinal de calvície.

- Quer um xampu? - Não, uma outra vez.

Não crie caso. Temos muito tempo.

- Só um xampu. - Relaxe. E uma massagem.

É bom para o estresse.

É bom jantar aqui fora.

É um belo fim de verão. Vamos aproveitar.

- Já estou tonta. - Eu também. É ótimo.

Se eu morasse em Paris dançaria toda noite.

Nunca nos arrependemos das farras.

Não concorda?

Pareço muito séria, mas não me conhece.

Estou começando a conhecer.

Sabe, Alice? Victor e eu fomos felizes.

Mas pagamos caro por isso.

Eu estava só quando Martin nasceu. Foi prematuro.

Os médicos se preocuparam. Cheguei ao fundo do poço.

Mas o simples fato de ele estar vivo foi um milagre.

Então, resolvi comemorar.

E agora, na minha idade, ainda sei aproveitar.

Quem se importa com o que dizem?

Trabalho a semana toda. No sábado, me divirto.

Como as moças que trabalham comigo.

- Saia. É sábado. - Não posso deixar você.

- Não vou deixar você. - Estou cansada.

Sério?

Talvez eu vá. Senão, vou me arrepender.

- Vai abafar! - Não caçoe!

Não caçoei. Mas o colar é um pouco demais.

Tem razão. Adoro jóias.

Desculpe perguntar, mas acha que sou ruim como mãe?

Não! Por que se trancar como uma freira?

- Penso muito em Martin. - Eu sei.

- Temia que me censurasse. - Não, eu a respeito muito.

Obrigada de novo por ter vindo.

Deixei você marcada!

Quanto a seu cabelo, ainda não decidi...

A senhora Sauvagnac não vai atendê-la.

Pare de ligar, por favor.

Mas preciso vê-la.

Pare de insistir.

Por que quer ver minha avó?

Onde você mora?

- Em Paris. - Está de passagem?

Sim, por pouco tempo.

Vá ver meu pai na prefeitura, é melhor.

- Sua avó nunca sai de casa? - Nunca.

Só para ver meu tio e meu avô, no cemitério.

Não fica muito tempo mas é um bom passeio.

Papai não quer mas ela vai a pé.

A que horas ela vai?

Às 18:00, mais ou menos. No verão não é tão quente.

- Christophe? - Esconda-se! É minha mãe!

Não fique aí.

Estou me distraindo.

- Fazendo o quê? - Contando os carros.

Papai vai gostar, para as estatísticas.

Chega, está me deixando zangada.

- Tenho "escargots" pra vovó. - Não se come isso todo dia!

Bom dia. Quero ver o Sr. Frédéric Sauvagnac.

- Qual é o assunto? - É pessoal.

Ele está em reunião. Ficará ocupado até as 12:00.

Não é um bom dia.

Pedi os números do desemprego na região.

Aqui estão.

- Bom dia, senhorita. - Bom dia.

Já ouvi falar de você. Não tenho tempo agora.

- Podemos ir a algum lugar? - Como vê, estou em reunião.

Fale, não tenho nada para esconder.

Preciso ver sua mãe. Sobre Martin.

A família não tem boa opinião sobre Martin.

Faltou ao enterro do pai. Não existe mais para nós.

Está muito mal.

Soube que está em uma clínica psiquiátrica.

- Que jeito de terminar. - Não é o fim. Vai ficar bom.

Espero sinceramente que sim.

Mudem a questão da livre empresa. Queremos exemplos.

O serviço postal?

Venha comigo.

Aqui não é Paris. Todos se conhecem.

E notam os estranhos. Serei candidato ao Congresso.

Estou ocupado. Não quero que assedie minha mãe.

Se está interessada no testamento, fique...

à vontade para ver nosso advogado em meu nome.

Ele pode explicar. Não é minha tarefa.

Quanto ao mais, respeite nossa privacidade.

A saúde mental de Martin não interessa a minha mãe.

Se voltar a violar sua privacidade, darei queixa.

Adeus.

Vai ficar esta noite?

Ainda não decidi.

Não há pressa. Nunca estamos lotados.

Então, conheceu o prefeito. Soube que esteve com ele.

Ele é muito ocupado.

É normal. Tem de correr. As eleições estão próximas.

Sra. Sauvagnac. Quer tomar alguma coisa?

Não, obrigada.

Vim só para ver esta jovem.

Nada tenho a dizer-lhe. Fale você.

Podemos andar?

Se quiser...

Martin lhe escreveu, a senhora não respondeu.

Isso mesmo. Rasguei a carta, sem ler.

Ele escreveu de novo. Resolvi trazer a carta.

Ele mesmo devia ter trazido.

- Ele não teve escolha. - Esforça-se demais por ele.

Valeu a pena. A senhora veio.

Incomodou meu filho no trabalho. Não repita isso.

Entregue logo a carta e vamos acabar com isso.

Não vai lê-la. Esqueça.

Você é que sabe.

- Preciso de meus óculos. - Eu a leio.

"Sra. Sauvagnac, o psiquiatra disse hoje que estou melhor.

Ele não sabe por que sofro.

Um assassino precisa de juiz, não de remédio.

Estou pedindo para ser julgado.

Sozinho, vou morrer. Alice me dá forças para lutar.

Resolvi me entregar. É o único jeito.

Preciso de sua ajuda. Foi a única testemunha.

O medo do escândalo a calou. Agora, deve dizer a verdade.

Espero sua resposta. Martin".

Vou pô-las na água. Com o calor, murcham.

Talvez seja melhor eu ler de novo.

Não precisa. Meus olhos estão mal, não meus ouvidos.

- Eu ouvi. - O que acha?

O que devo achar? Ele quer ser julgado.

Acredita na justiça? Eu, não.

Devemos respeitar os mortos. Victor não ia querer isso.

Se os mortos se calam, Martin deve viver em paz.

A memória do pai o atormenta. O que fazer?

É entre eles. Você e eu somos inúteis.

Que eles se entendam.

Victor adorava Martin, que percebeu tarde demais.

Acha que um juiz pode decidir? Absurdo.

Não há lei para isso.

Então, Martin deve se reunir ao pai para se entenderem?

Seu filho Frédéric não sabe, não é?

Sou uma mulher que guarda segredos.

Maldito inseto!

Os cemitérios estão cheios de animais.

Gosto de cuidar dos túmulos. São como as casas.

Só ama os mortos.

Alguém tem de amá-los.

Uma vez bebi cinco cafés. É meu recorde.

Desci porque não conseguia dormir.

Por que não vem para a minha casa?

Fica no campo...

é tranqüilo.

Não estou atrás de sexo. Não ficaria acordada.

Não me importo de esperar, não tenho o que fazer.

Soube que é fã do nosso cemitério.

Adoro túmulos. Passo o dia olhando para eles.

Com licença. Desculpe qualquer coisa.

Desculpe, não acordei. Estou de ressaca.

Não sei mergulhar, mas adoro olhar.

- O dono me avisou. - Eu a esperava. Gosta daqui?

É projeto do meu irmão. Para alegrar os cidadãos.

- Estranho você vir. - Ah, é? Você, sim.

Está visitando a região?

Deixa Martin no hospital para amolar minha família!

- Eles lhe contaram? - Adivinhou!

Eu não podia contar.

Agora já sei. Mamãe contou a Frédéric, que me contou.

O que lhe disseram?

Falaram disto.

Tomei a liberdade de revistar seu quarto.

Já está tudo encaminhado.

Ganhou, parabéns! Mamãe vai testemunhar.

A verdade virá à tona, os jornais vão publicar.

Um processo, gente no tribunal...

Tudo pela transparência, Frédéric não tem escolha.

A lei é a lei.

- Aonde vai? - Vou mergulhar.

Não seja imbecil!

- Está melhor? - Não, realmente.

- Vou voltar para Paris. - Não mesmo.

Solta a bomba e sai correndo? É muito fácil.

- O que quer que eu faça? - Mamãe quer vê-la.

Em que está pensando?

Em meu pai.

- Mãos ao alto! - Caia fora.

Não fale alto. Vovó está dormindo.

Pare! Detesto crianças. São uns chatos.

- Vá se danar, "bicha"! - O quê?

Eu pego você! Vou arrancar sua cabeça!

Benjamin parece da idade de Christophe.

Ninguém pára os dois. Até quebrarem a louça.

Não fique aí, venha. Tenho algo para você.

Vamos! Ataque o maldito!

Martin deixou isto. Não toquei em nada, é dele.

Faça o que quiser com estas fotos.

Parem!

Minhas flores!

Legal! Agora, vou fazer xixi.

- Fique para jantar. - Não posso.

Tenho de voltar para os ensaios.

- Já perdi hoje! - Um papel de verdade!

Desta vez vou vê-lo. Ainda não almoçou.

- Não estou com fome. - Só um sanduíche.

- Vamos embora. - Presunto ou frango?

- Tem queijo? - Pode ser Gruyère?

Com manteiga.

Disse que ela lhe deu as fotos. Mostre-me.

Fico com elas. São minhas.

Por que me olha assim?

Não pude lhe contar antes. Não tive coragem.

Saia daqui.

Ouviu o que eu disse?

Sabia e não me disse.

Contou antes para eles. Eu sou a mãe dele.

Suma daqui!

Quer uma cerveja?

Assim é melhor.

Fiz o que devia.

Conheço melhor Martin. Sei o que carrego.

Vai ficar com ele?

Sr. Sauvagnac!

Não deve ficar na chuva.

Vamos, volte para o seu quarto.

Quando voltou?

Tenho ligado. Disseram que não queria atender.

Não é isso. Não sou bom ao telefone.

Está feito. Estive lá e...

fiz o que me pediu.

Que bom! Muito obrigado.

O que disseram? O que resolveram?

- Nada. Estão esperando. - O quê?

Que você se apresente.

Não vão denunciá-lo.

Ainda pode mudar de idéia.

Falei com um advogado. Vai defendê-lo se insistir...

em se entregar.

Não fique aqui. Diga ao médico que quer sair.

Ele não deixaria.

Você mesmo se internou. Não podem detê-lo.

Pode assinar um termo.

Achei um quarto.

Precisa ser pintado. Estará vago no próximo mês.

Enquanto isso podemos ficar num hotel.

Conheço um, barato.

Tenho certeza de que acharemos uma solução.

Não deve nada a ninguém.

Basta achar coragem para ser feliz.

Já refleti. Vou dizer o que resolvi.

Amo você, apesar do que fez.

A única coisa que quero é estar com você.

Sou Jean-Louis Peignot, juiz de instrução.

Compareceu perante mim para depor.

É acusado de matar Victor Sauvagnac...

com a agravante de a vítima ser um parente...

ou seja, seu pai.

De acordo com o art. 221.4 do Código Penal...

é um caso para o Tribunal do Júri.

Tem algo a dizer?

Não.

Eu quero ser julgado.

Se pudesse julgar-me eu mesmo, não estaria aqui.

Anote. Tomamos seu depoimento.

Conhece as conseqüências da confissão?

Entregar-se voluntariamente é uma atenuante.

Vou ouvir o promotor que solicitou sua detenção...

e, depois dele, seu advogado de defesa.

Gostaria de acrescentar algo?

Sou responsável pelo que fiz. Se não fosse, seria louco.

Não sou louco, Meritíssimo. Não sou louco.

"Querida Alice, estou feliz que me escreva todo dia.

Espero que esteja conseguindo manter-se.

Não peguei a gripe. A epidemia está no fim.

Preciso de roupas de baixo. Tenho meias e um casaco.

Soube que poderei ter visitas na semana que vem.

Verei sua barriga.

Parei com os calmantes. As coisas entram nos eixos.

O veredicto não me assusta, seja duro ou indulgente.

Tudo que tenho é você e isso basta em minha vida".

DvdRip: Angela B. B. Resende

Revisão: Giovana Zaltron

MCL/ MKO

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