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Zulu
- Art Subs - 8 anos fazendo Arte para você!
O foguete Titan II sai da base de lançamento
e escreve sua história.
Esse foguete carrega a capsula Gemini
da nova fase do programa espacial tripulado.
Este teste é um marco
por causa da câmera no segundo estágio.
Ela foi concebida para tirar fotos espetaculares.
Chegando ao espaço, o primeiro estágio desliga.
É agora, veja!
O motor do segundo estágio liga e repele o primeiro estágio.
É a imagem que os astronautas irão ver.
A 27.000 km/h o primeiro estágio é deixado para trás
muito rapidamente pelo segundo estágio.
Com essa vista pela câmera mágica
os terráqueos saem
para sua primeira viagem ao espaço.
- Myriam? - Te acordei?
Trouxe as coisas do Grégoire e da Sarah.
Preciso ir a Bruxelas esta noite.
Há uma reunião de urgência da Zona do Euro.
Não é problema, mas não faz nem 3 dias
que eles estão com você.
Eu sei, mas não há outro jeito, Philipe.
Você pode descer?
Aí está.
Está tudo aí. Este saco é de roupa suja.
Lamento, mas não tive tempo de lavar.
Pare de me olhar assim, me deixa estressada.
Olhar assim como?
- Me julgando. - Eu não disse nada.
- É, mas o olhar é pior. - Eu só gostaria que cumprisse
o combinado, principalmente com as crianças.
Eles precisam de regularidade, assim não dá.
Eles não tem mais 5 anos
e sabem que isso faz parte do meu trabalho, me desculpe.
- E quando volta? - Não sei.
Sabe, as coisas estão indo mal, bem mal.
Não viu as notícias, as declarações da Merkel?
- Não. - Veja e vai entender.
Vai tudo por água abaixo.
E faça Grégoire estudar história.
Ontem ele me perguntou
se o Egito foi antes ou depois do Renascimento. Vê o nível?
Vamos lá. Tchau.
- Hoje não é seu aniversário? - Sim.
Feliz aniversário, então.
Muito obrigado.
Amigo, por favor.
Não vai largar isso bem aí no meio.
Vai... Não incomoda.
Há crianças passando aqui todas as manhãs.
Podia recolher isso, não é?
Sabe? Vá trepar com sua mulher ao invés de me encher o saco.
Isso não será possível. Sou divorciado.
- Então, vá bater punheta. - Francamente,
qual a necessidade de ser grosseiro?
Não tem mais nada a fazer
ao invés de me encher o saco por uma bosta de cachorro?
Me deixa em paz, já falou que chega.
É, mas se cada um fizesse o que deve
para não perturbar os outros, seria melhor para todos.
Inclusive para o senhor.
- Acredita mesmo nisso? - Acredito.
Vamos!
MÁS NOTÍCIAS PARA O SR. MARS
- Quer uma? - Obrigado.
Avançando bem?
É uma correria, mas tudo bem.
Correria é bom, distrai.
Aliás, temos problemas com Antigone, pode ajudá-los?
Antigone?
- Conhece Jérôme, não? - Na verdade, não.
Peço que veja o que ele faz. Tenho dúvidas sobre o trabalho.
Vai ser complicado, vou me atrasar com Eurydice.
- Você consegue tocar os dois. - Não, não acho possível.
- Não tem outra pessoa? - Sim, mas prefiro você.
Jérôme é um gênio, adoro, mas nos algoritmos ele chuta.
Você é mais diplomático, eu te entendo.
Aliás, hoje não é seu aniversário?
- Quantos anos? - 49.
SALA ANTIGONE
Olá, sou Philippe Mars, Gordon te avisou?
Bem, um aviso. Não gosto muito de conversas,
não me incomode.
Certo.
- Posso começar pela RTB? - Não me interessa.
Muito bem.
- Boa noite, Sr. Mars. - Boa noite.
Eu já chamei.
Querem revogar minha carteira de motorista
porque minha vista está ruim.
No entanto, dirijo muito bem. Meu CX é bem conservado.
- Era de Giscard D'Estaing. - É, o senhor já me contou.
Comprei-o em 78, pouco antes das eleições.
Sabia que fui motorista dele por 6 meses?
- Alô? - Papai?
Mamãe disse que viríamos para cá?
Sim, estou chegando. Fui fazer compras.
- E vão me tirar a carteira. - Não estou escutando.
- Já chego. Estou no elevador. - Alô?
- Boa noite, Sr. Mars. - Boa noite.
- Ah, já chegou! - Oi, Grégoire.
Oi, devia trocar o celular, não dá para escutar nada.
- Sua irmã chegou? - Está no quarto dela.
- Me ajude a arrumar as compras. - Quero ver a mamãe na TV.
- Não tem lições de casa? - Não.
- Eu a desafiei. - Desafiou quem?
Mamãe. A dizer 'pepino' na reportagem.
- Como assim? - Dizer 'pepino', oras.
- Pepino? - É.
Não tem provas das matérias em que vai mal?
Não. Tenho um trabalho, mas é para a semana que vem.
Sobre o quê?
Sei lá, acho que sobre o progresso.
Interessante.
Tudo bem, Sarah?
- Tudo bem? - Tudo.
- Estudando? - Tenho prova amanhã.
Muito bem.
A mamãe!
... reunião de emergência. Myriam, você está aí.
Em que ponto está isso?
A depreciação do euro causou pânico aqui em Bruxelas.
Desde ontem à noite
os chefes de governo da zona do euro vieram
em missão ao 4º andar do prédio da Comissão Europeia.
O que eles discutem? Há alguma margem de manobra?
Nada vazou dessas paredes que parece um fortaleza fechada.
- Obrigado, Myriam... - É impossível falar "pepino".
Aqui conosco está Claude Massard
que é autor de Crepúsculo Europeu.
Estamos vivendo agora
o crepúsculo da Europa esta noite?
- Não quero o frango. - Espere. Isso, isso.
- Posso comer no meu quarto? - Por quê?
Estou concentrada. Não quero perder tempo.
- É perda de tempo comer comigo? - É.
Hoje é meu aniversário. Comprei um bolo de chocolate.
- Quantos anos? - 49.
- Comprou no Tholoniat? O macio? - Sim.
Podemos comer vendo um filme.
É muito tempo!
Você tem médias 9 e meu aniversário não é sempre.
- O frango não está bom? - Não estou com muita fome.
Mamãe não falou? Ele virou vegetariano, detesta carne.
- Verdade? - Sim.
Ele viu uma reportagem sobre o Iraque e decidiu isso.
Espere. Explique isso. Qual é a relação?
Enquanto comermos carne haverá guerras.
- Não entendi. - A violência gratuita.
- Gandhi era vegetariano. - Respeito muito Gandhi,
mas não acho que ele tinha boa saúde.
É verdade que ele ficou doente.
Sabe, é preciso comer carne, principalmente para crescer.
- Não. - Não, o quê?
Precisamos de proteínas, mas não de comer os animais.
Bill Clinton também é vegetariano.
O ser humano é onívoro. Sempre comeu carne.
- Sabe o que é "onívoro"? - Sim.
E Einstein, Steve Jobs, Mike Tyson...
Pare com isso. Estou falando com seu irmão.
Não quero mais comer cadáveres.
Não é cadáver, é frango.
É um cadáver de frango.
Cadáver não é só de carne humana.
Chega. Pare de falar besteira.
- Hitler também. - Hitler, o quê?
Também era vegetariano.
Que bela referência!
Pai, tenho o que fazer, preciso estudar.
- Então vá. - Posso ir para o quarto?
- Não. - Mas Sarah...
Assista o filme.
Então vá, pode ir.
- Incomoda, meus sapatos? - Não.
Se meus pés ficam presos sinto uma pressão no peito.
Fico sufocado.
Você não é do projeto Eurydice?
- Sim. - Pois é.
Gordon tem medo que eu não termine. Está aqui por isso?
- Não sei, ele não falou nada. - Mas é isso. Que babaca!
Esse cara pensa que é um gênio da informática,
mas ele é um nada! Um nada!
Não é um babaca? Um babaca?
Não gosto dos julgamentos apressados.
Estou dizendo que ele é um babaca!
Ele conhece o algoritmo de Euclides ou Lamé? Não!
Ele já ouviu falar do coeficiente Bézout? Não!
Não! Não!
- O que está fazendo? - Me acalmando.
Quando quero me acalmar pego isso na mão, me acalma.
Não deve ter direito de ter isso aqui,
é uma arma.
Por isso guardo no saco plástico
para pensarem que acabei de comprar.
- Você tem filhos? - Tenho.
Quantos?
- Dois. - Que legal, isso!
Esse é o meu sonho.
Não é fácil de realizar, mas...
- Conhece Carole Gaessler? - Quem?
Carole Gaessler, 19 anos, olhos azuis, transparentes.
Sabe, eu faria uns bons filhos nela.
Uso na tela do celular.
O que acha?
Bonita.
É mais que isso. Pense um pouco.
É muito bonita.
Se ela fosse a mãe dos meus filhos...
Eu diria a ela: Carole...
Você é sublime.
Você é sublime.
- Sim, Fabienne? - Xanaé.
Desculpe. Preciso acostumar. Diga, Xanaé.
- Pode vir hoje à noite? - Não sei se posso.
Estou com as crianças. Myriam voltou para Bruxelas.
Ah, pare. Fui inspirada por papai e mamãe.
Você precisa ver a exposição.
Vinte minutos, certo? Você cuida.
E tem alface na geladeira.
- Quando é a prova de história? - Terça.
Tem bacon, isso não é vegetariano.
Um pouco de bacon, faça um esforço.
Se eu levar em conta o problema de cada um...
Não é um "problema".
Não vai morrer por comer 3 bacons.
Droga, Grégoire! Mijou fora do vaso de novo.
Não fui eu.
Até prova em contrário,
sua irmã senta e eu não erro.
- Eu não disse que foi você. - Então, quem foi? O gato?
Sei lá.
Vamos analisar o DNA para ter provas?
- Ele tem má formação do pinto. - Sarah, agora chega.
O que foi?
Saco cheio dessa sociedade opressora.
É opressor mijar corretamente?
Não, sei lá. Não me adapto.
Vamos, vá lá limpar o banheiro.
E lave as mãos depois.
E não vá dormir muito tarde.
AUTORRETRATO COM BILL E JOHN
Nos falamos depois.
O que achou?
- Bom, mas "Papai e Mamãe"? - O que foi?
Francamente, era indispensável mostrá-los assim?
Indispensável?
O que é indispensável, além de beber e comer?
Não entendi. Dormir, talvez?
É por causa das genitálias?
Papai e mamãe também tinham pinto e xana.
Eu sei bem, mas daí a esfregar na cara...
Você é um conformista incompreensível.
- O cão é seu? - É. Feio, mas eu o amo.
Pode cuidar dele semana que vem? Preciso ir à Dinamarca.
- Não, impossível. - Por quê?
- Começando pelo gato. - Ele é muito sociável.
E o Gregory pode cuidar dele.
Grégoire fica o dia todo na escola.
É complicado demais.
Complicado...
Não faz mal.
Lamento, preciso receber alguém.
- Tchau. - Tchau.
Estude direitinho.
Não entendi o que fez aqui, desculpe.
Qual a idade dos seus filhos?
- Meus filhos? - Sim.
13 e 17.
Você tem sorte. Eu gostaria de ter um filho.
Eu poderia ensiná-lo a jogar pingue-pongue.
Ou então, uma filha.
Eu perguntaria tudo
e ela me explicaria o segredo das mulheres.
Jérôme, precisamos avançar nisso.
Mas eu nunca vou ter.
Jérôme, tudo bem?
Tudo bem?
Melhorou.
Droga!
Droga! O que ele está fazendo?
Droga!
Pare com isso! Pare, Jérôme!
E você, eu vou cortar em dois.
- Sentimos medo por você. - Ah, sim.
Eu hesitei em desviar a trajetória,
mas não temos direito de intervir
no curso dos eventos terrestres.
É proibido. Proibido.
- Felizmente foi só a orelha. - Passou perto, foi por um fio.
- Tivemos muita sorte. - Sim, muita mesmo.
Está doendo?
Não se mexa. Está sentindo dor?
- Não, estou apagado. - Ótimo.
Mais um dia, volto amanhã.
Estão se virando bem?
- Sim, sossegue. - Certo, beijo.
Deram comida ao gato?
- Sim, tranquilo. Beijo. - Certo, beijo.
- É uma reunião tipo maratona? - De fato.
Há 72 horas que os chefes de governo europeus
não saem do 4º andar.
Em torno de 20h30 houve entrega de refeições
na parte de trás do edifício.
- Pareceu ser comida leve. - Sem chucrute, nem cassoulet?
- Vai diga... - É, pois é...
Parece que é sem exageros porque a noite será longa.
Obrigado, Myriam.
Longa também para os moradores de São Petersburgo...
- Olá. - Olá, Clément.
- Tudo bem com sua orelha? - Sim.
Conseguiram costurar de volta?
- Sim, foi um corte só. - Vai abrir um processo?
Como assim?
Contra a empresa, por perdas e danos.
Não foi culpa deles.
Eles são obrigados a garantir a segurança dos empregados.
Um bom advogado pode conseguir.
Não sou de fazer esse tipo de chantagem.
Não querem dar uma parada?
Poderiam ir dar uma volta, mudar de ares, não?
É sério?
Não vê que estamos atolados? Passear como?
Prefiro me arrebentar agora
para depois ganhar o suficiente e fazer o que eu quiser.
E não igual a você, passando aspirador em casa.
Aspirador? Não sou obrigado... Que história é essa?
Papai, acorde! Em que planeta você vive?
Está na mesma firma há muito tempo,
trabalhando com velhos softwares europeus.
Ainda vive no século 20.
Está completamente acabado.
Você é um "loser".
- Um o quê? - Um loser.
- O contrário de um "winner". - Eu sei o que é um loser.
- E daí... - Foi em 1572.
Isso. E o que aconteceu?
O massacre da noite de São Bartolomeu.
Certo, mas quem foi massacrado?
- As pessoas. - Quais pessoas?
- Os católicos? - Não, não os católicos.
- Os outros, então. - Mas quais outros?
E pare com isso, agora. Deixe aqui.
- Os... - Os...
Pro...
- Os profissionais! - Não os profissionais.
- Os protestantes, Grégoire! - Ah, é!
- Profissionais... - Pai, uma pergunta.
Vamos dissecar rãs na semana que vem.
Acho revoltante sacrificar animais na aula.
- Mas é instrutivo. - Acho inútil, revoltante.
Não mude de assunto. Por que eles foram massacrados?
Quem?
Não! Por que eles foram massacrados?
- O que são os protestantes? - Os que protestam.
- E protestam contra o quê? - Contra o sistema.
Qual é a diferença entre católicos e protestantes?
- Já ouviu falar do Papa? - Sim, é óbvio.
Não parece.
Espera!
NÃO QUER ME VER? QUERO QUE COMA MEU RABO.
Grégoire, o que significa isso?
- Não sabe? - Sim, claro que sei, mas...
Quem enviou isso a você?
- A Roxane. - Quem é essa Roxane?
- Uma menina da minha turma. - Da sua turma?
Que idade ela tem?
12.
Mensagens assim com 12 anos?
Ela é meio diferente.
Grégoire, qual a natureza do seu relacionamento com ela?
O que quer dizer com isso?
Tem relações sexuais com ela?
Não.
Que "não" fraquinho.
Ela me chupou.
Onde? Na escola, no banheiro.
Mas não se preocupe, não é nada sério.
Como assim?
Não estamos ficando, nem nada.
Então, tudo bem.
Philippe, você fuma?
Desde quando? Nunca vimos você fumar.
Eu evitei fumar na frente de vocês.
Vocês eram contra e não queria desapontá-los.
Por que só apareceram agora? Já morreram há dois anos.
Demoramos para descobrir como fazer.
Há uma falha no sistema.
Em princípio, não temos direito, mas também não é proibido.
É meio tolerado.
Onde ficam o resto do tempo? Existe vida após a morte?
- Isso não podemos falar. - É completamente proibido.
Assim como intervenções nas coisas terrestres.
- Tudo bem? Parece preocupado. - Não, não. Tudo bem.
- Só me sinto ultrapassado. - Pelo quê?
Um pouco em tudo. Pelo trabalho, pelas crianças...
- Não os entende mais, não é? - É, um pouco isso.
- Alô? - Philippe? É o Jérôme.
Jérôme?
Preciso de um favor seu.
- Um favor? - Estou aqui embaixo, na rua.
Na rua?
Estou te vendo.
Está me vendo?
- O que faz aqui? - Eu fugi.
- Fugiu? - É, do hospital psiquiátrico.
Posso subir aí? Está frio aqui.
Obrigado pela gentileza.
- Faz muito frio lá fora. - Fala baixo.
- As crianças estão dormindo. - Desculpe.
Tem um cobertor? Para me esquentar.
Obrigado.
- Está com raiva pela orelha? - Estou.
- Sinto muito. - O que você quer, Jérôme?
Poderia me deixar ficar aqui um ou dois dias?
Não posso voltar para casa, tenho medo que me peguem.
Vamos ligar para o hospital. É melhor que volte para lá.
Melhor?
Melhor?
Acontecem coisas estranhas no hospital.
- Encontrei uma garota. - Jérôme, por favor.
- Ela é incrível, mais que isso. - Fale baixo!
- Eles estão dormindo. - Claro, desculpe.
O nome dela é Chloé. É realmente linda.
Não tanto quanto Carole Gaessler.
É mais comum, sabe?
Até um pouquinho feia.
Mas há outras coisas além de aparência.
O principal é a inteligência dela.
Foi ela quem me aconselhou a fugir.
Tem uma visão super clara dos problemas e é rápida.
Você fala em algo e ela acha a solução.
Acho que ela foi feita 100% para mim.
Já sentiu isso por alguém?
Acha que estou me apaixonando por ela?
Papai?
Papai, são quinze para as oito.
Merda! Grégoire já está pronto?
Sim. Há um cara dormindo no sofá, é normal?
- Sim, não tenha medo. - Por que eu teria?
Esqueça.
É um colega de trabalho. É meio complicado.
Não me diga que é o cara que cortou sua orelha.
- Não foi de propósito. - Simples, não?
Não consegui me livrar dele. Mas sossegue, ele vai embora.
- Alô? - Alô.
- É o responsável pelos alunos? - Sim.
Sou Philippe Mars, pai de Grégoire do 8º F.
Sim.
É um assunto meio delicado.
Eu interceptei uma mensagem
no celular do meu filho que ainda está no 8º...
Uma mensagem de texto de uma menina da sala dele,
de natureza um pouco rude, muito rude.
Quero dizer, anormalmente rude para crianças dessa idade.
E interrogando meu filho, ele me confidenciou que...
que essa garota o...
Fez felácio no banheiro da escola.
Sim?
Sim.
Felácio.
Eu sei o que é felácio.
Quais são os alunos envolvidos?
Não sei o sobrenome dela...
E como eu disse,
não estou querendo criar problemas a ninguém.
O que dizia o SMS?
Justamente, é um pouco delicado...
Não fique embaraçado, mas preciso
de todas as informações.
É claro. Dizia...
"Quero ser sodomizada", mas de maneira vulgar.
Desculpe, não consegui escutar.
"Quero que coma meu rabo."
Não dá para escutar.
"Quero que coma meu rabo."
Alô?
Alô?
Eu falava com o responsável do meu filho na escola.
Faça como quiser.
Posso ver sua orelha?
Que gozado, parece Van Gogh.
Quer um crocodilo?
Obrigado.
Que susto com aquele idiota.
Detesto esse tipo de incidente.
É horrível.
Pelo menos ele saiu sozinho. Para mim, resolveu.
E você? Como está?
- Tudo indo. - De um a dez?
Sete, oito.
Não subestime o choque que sofreu, certo?
Foi a um psicólogo?
Tenho uma. Muito competente, muito profissional.
Vá consultá-la.
E faremos algo, financeiramente.
Em relação aos prejuízos físicos.
Assim, podemos dar esse caso por encerrado.
Enviei o endereço dela.
É legal trabalhar aqui, não? É legal ou não?
- É legal. - É, mais para legal.
- Ainda estou aqui. - Estou vendo.
Cruzei com Grégoire vindo da escola,
conversamos e...
É, eu já deveria ter ido embora.
Andei um pouco no apartamento, estava me sentindo bem.
Escutei um pouco de música.
Ouvi "O Holandês Voador" no rádio. Você conhece?
Gosto muito dessa ópera.
Seus alto-falantes são bons.
Não tem muita potência, mas tem bom balanço...
- Jérôme? - Sim.
Pedi que fosse embora.
Eu sei, mas estou cuidando da TV para Grégoire
porque a mãe dele vai falar "pepino" e...
Eu sei.
E o ajudei em matemática.
Expliquei frações e agora ele sabe.
Dei uma ajuda no trabalho sobre o progresso.
Não sabia que ele era vegetariano.
Chloé também é.
A moça que encontrei no hospital.
Agradeço por ajudar Grégoire, mas pedi que fosse embora.
É, eu sei.
Não quero voltar para lá.
Vão me chapar.
Estamos vendo movimento na Comissão Europeia.
Grégoire! Venha rápido, venha!
Sua mãe está no ar, venha!
Sabe quantos animais são comidos por ano?
- 100 bilhões. - Por ano, imagina?
200 mil por minuto, 3.300 por segundo.
Imagine, se contarmos por segundo...
Olhe, tac...
3.300 animais abatidos.
- Tac... - 6.600...
- Tac... - 9.900.
- Tac. - 13.200.
- Tac. - 16.500.
- Oi, Sarah. - Oi.
- Jérôme, minha filha Sarah. - Prazer.
- Você já comeu? - Sim, no Clément.
- Você também é vegetariana? - Não.
- Papai... - Sim?
Posso conversar com você?
- Agora? - Sim.
- Falou que ele ia embora. - É, eu sei.
- Ele vai dormir de novo aqui? - Vai.
- Tem noção do que está fazendo? - O quê?
Já se perguntou o porquê de deixá-lo dormir aqui?
Estou fazendo o bem.
E ele fez o bem?
Papai, está acolhendo em casa o cara que quase te matou.
Deixa-o dormir aqui, com as facas na cozinha?
E me diz que está fazendo o bem?
Sabe o que acho?
Acho que está procurando machucar a si próprio.
Inconscientemente, lá no fundo, está buscado a morte.
Que maluquice é essa?
O que é isso?
Jérôme?
Jérôme?
- O que é isso? - São rãs, não?
E o que faz isso no banheiro?
Não sei. Acredite, não fui eu.
Grégoire, explique. Onde pegou essas rãs?
- Na escola. - Roubou isso da escola?
Sim, para não serem dissecadas.
Se eu achar uma no meu quarto vou explodi-la.
É você quem vai explodir, babaca!
Parem!
- Por enquanto ponham na sacada. - Não, está frio.
Na natureza também faz frio. Vai por isso na sacada.
Jérôme, tudo bem?
Não muito.
- O que houve? - Nada.
Tudo isso que está acontecendo...
Me deixa meio confuso.
Vem do fato de ver vocês três juntos.
Sarah, Grégoire e você.
Eu percebo que...
É que...
Eu sou sozinho...
e nunca fiz algo de bom.
- Não diga isso. - É a verdade.
É ele quem tem razão.
- Quem? - Grégoire.
Ele quer agir.
Ele tem um ideal.
Eu não faço nada. Há anos não faço nada.
Exceto por uns programinhas de computador ridículos.
É como se eu tivesse dormido
e acordado de repente.
Acho muito bom que você se preocupe com os animais,
mas não que seja expulso do colégio por causa de rãs.
E preferiria que me contasse antes.
- Eu contei. - Ah, é? Não me lembro.
E tem mais uma coisa.
A resposta que deu a Roxane. As mensagens e o resto.
Você é jovem demais para essas coisas.
Seu comportamento é totalmente inapropriado.
Agora, posso entender o que aconteceu,
de estar a fim...
Mas mas é importante controlar o que faz.
Não pode fazer tudo o que te dá na cabeça.
Sarah disse que sou um maníaco sexual.
Não acho que você é um maníaco sexual.
Ela é sua irmã, diz isso só para te atormentar.
É preciso não ser impaciente. Sexo é algo muito belo.
Mas espere o momento certo, com a pessoa que você ama.
Sexo sem sentimento não é interessante.
- Ah, é? - Sim.
Sarah falou que você transou com mulheres só por diversão.
Isso já me aconteceu, mas... é diferente.
Por quê?
Porque sou adulto. Eis o porquê.
Vou limpar tudo depois.
Esta noite, sou eu que cozinho.
Estou fazendo moussaka vegetariana.
- Temos uma convidada. - Uma convidada?
Chloé. Ela conseguiu sair mais cedo.
Então a convidei para jantar.
Se quiser ajudar, já estamos atrasados.
Peguei a sua camisa. Tudo bem?
Grégoire, ponha o sal e se mexa, vai, vai.
- Não tem dever de casa? - Não, já fiz.
Ele já fez tudo, você verá.
A apresentação dele está muito boa, não é?
- Apresentarei depois do jantar. - Ponha sal logo, rápido!
Mas, diga...
Bem, as beringelas. Um pouco de sal...
Pegue.
- Está bem salgado. - Onde está o meu assado?
Havia um assado aqui. Onde está?
- Onde está o meu assado? - Joguei fora.
Jogou fora?
Por causa da Chloé. Ela é vegetariana.
Não gosta de ver pedaços de animais mortos.
Só peço um coisa, diga-lhe que é verdade
que você e seus filhos são vegetarianos.
Só isso.
- Sarah e Grégoire concordaram. - Sarah concordou?
- Sim, dei 100 euros a ela. - Cem euros?
Eu queria dar 50. Mas ela queria 150.
Fechamos em 100.
É ela.
Não estou pronto.
- Grégoire, abra a porta. - Não, não, não!
- Eu vou. - Grégoire, não, não!
Diga a ela que minha mãe morreu
e que tive que partir e que...
Não é Chloé. É Xanaé. Está subindo.
- Xanaé? - Minha irmã.
Oi.
- O que aconteceu com você? - É complicado explicar.
É engraçado, parece Van Gogh.
- Tem um copo d'água? - Sim.
Que cheiro estranho! Parece... vômito?
- Oi. Tudo bem? - Sim. E com você?
Jérôme, um colega de trabalho. Xanaé, minha irmã.
- Olá. - Olá.
É isso que cheira mal. O que é?
Coalhada?
Não, é moussaka.
Não vai mais para a Dinamarca?
Sim. Estou indo para o aeroporto e o táxi está me esperando.
Phillipe, desculpe pedir mas estou encrencada.
Iam cuidar do meu cachorro, mas me deram cano.
Não, Xanaé.
Philippe, é só uma semana.
A comida dele está na mochila.
Grégoire é gentil, toma conta dele.
Ele é muito gentil, mas tem
mais a fazer que cuidar do seu cão.
É só um tempinho e estou pagando.
Não! Um grande "não"! Você é incrível, Fabienne!
- Xanaé! - Desculpe!
Não consigo, não em família. Para mim é Fabienne.
Por que está tão agressivo? Não vê que estou ferrada?
- Vou perder o voo? - Não estou agressivo.
Não quero seu cão na minha casa.
Bom, ouçam...
Obrigada, eu me viro. Adeus.
Tchau.
Você teve razão em não ceder.
Agora, o molho. Grégoire.
Vá, despeje o molho.
Droga, não acredito!
Fabienne! Xanaé!
Xanaé!
- Sou eu. Abra. - Alcançou?
Não. Abra.
- Posso ajudar? - Procuro a família Mars.
Você é a Chloé?
Ainda não me apresentei. Philippe Mars.
Melhor não.
Tenho uma fobia. Não suporto contato físico.
- Meu filho Grégoire. - Bom dia.
- Ponha-o na varanda. - E as minhas rãs?
Então ponha-o no seu quarto.
- Jérôme? - O que é?
Olá, você!
Olá!
Tudo bem?
Sim, tudo bem.
E você?
Muito bem.
- Em forma? - Sim.
Eu, não...
- Já se apresentaram? - Sim.
Muito bem.
- Posso tomar um banho? - Sim, sim.
- Quer uma toalha? - Não, eu tenho.
Acho que não entendi.
Você a convidou para dormir aqui?
Bem...
Ia perguntar, mas temia que você dissesse não.
Sim. Se tivesse perguntado, eu teria dito que não.
Então você me apresenta um fato consumado.
Posso dizer algo?
Não quero apresentar um fato consumado, mas...
seria bom, se fosse possível e não incomodasse...
Possível o quê?
Ela dormir no seu quarto.
Como é?
Por cavalheirismo.
É melhor ela dormir no quarto e não na sala.
É mais íntimo para uma mulher.
E eu, durmo aonde?
Na sala de estar... comigo.
Se quiser o sofá só para você, eu durmo no chão.
Não me incomodo.
O que é isso?
Uma moussaka que deu errado.
- Um pouco. - Não totalmente...
Ficou muito rala.
Batemos demais.
Falta tofu para dar consistência.
Eu adoro tofu!
Por que esteve hospitalizada?
Porque mordi uma senhora.
Na Champs-Élysées.
Ela usava um casaco de pele de raposa.
Surtei. Eu a mordi.
O marido dela me bateu, e eu o mordi também.
Me revolta, matarem animais
para os imbecis ostentarem.
O PROGRESSO
No começo da industrialização,
parecia óbvio que o progresso técnico
traria consigo um grande progresso moral.
Pensava-se que os homens, mais bem tratados,
seriam felizes e, talvez, melhores.
Mas o progresso traz felicidade? Difícil dizer.
Vou dar um exemplo importante: os ovos.
Para uma grande produção de ovos
galinhas poedeiras foram criadas geneticamente.
Os criadores de poedeiras identificam o sexo dos pintinhos
para selecionar apenas as fêmeas.
Os machos das poedeiras não servem para nada.
Não botam ovos e a carne não é rentável.
Eles são triturados ou mortos na câmara de gás.
Na França, 47 milhões de machos são mortos a cada ano.
O progresso técnico aumentou a produção de ovos.
Mas seria progresso eliminar milhares de seres vivos?
Isaac Bashevis Singer, prêmio Nobel, disse que não.
Vegetariano como eu, ele escreveu:
"Para os animais, todo humano é nazista."
"Para os animais a vida é um eterno Treblinka."
É isso. Acabou.
Muito bom, Grégoire.
- Sabe o que é Treblinka? - Sim.
O que é?
Um campo de concentração.
Sarah acha que essa comparação é um pouco chocante.
Não pode deixar assim.
Por que não?
Singer era judeu. Ele fugiu do nazismo.
Sim, talvez, mas...
Não tem talvez. É um fato.
Ele sabia o que estava dizendo.
Mas Grégoire não é judeu e nem fugiu do nazismo.
Grégoire, seu argumento é muito provocante.
"A provocação é uma forma de mostrar a realidade."
Brecht disse isso.
Não falo com você, mas com ele.
Você quer embaralhar suas ideias
Quero que ele se comunique com moderação.
Não o ouça. O trabalho está ótimo.
A citação de Singer é essencial.
Está muito bom, mas quero que retire essa citação.
- Você a encontrou na internet? - Sim.
Encontre outra, então.
- Não, não mude nada! - Dá para calar a boca?
- Quer me calar? - Quero que não se meta nisso.
Não vou me meter na educação do seu filho, se tiver um.
Quero falar com meu filho sem interferência.
Não, tudo bem. Vou ficar quieta.
Mas tudo que ele disse é verdade.
Venha.
Não quis te assustar.
Podemos falar dois minutos? É importante.
Eu te pago, se quiser. 20 euros está bom?
20 euros por dois minutos?
É.
Tudo bem.
Pode tirar seus fones?
É sobre a Chloé. Quero sua opinião.
Eu gosto dela, mas não sei se é recíproco.
O problema é a fobia dela.
Ela não pode ter nenhum contato físico.
Ela renuncioou ao sexo.
Ela disse que não pode ter prazer
enquanto homens maltratam os animais.
E como os homens não vão parar de maltratar os animais,
não vai rolar, não é?
Queria saber se você,
você, como mulher,
acha que ela pode mudar ou é definitivo?
Porque eu quero fazer muitas coisas com ela.
Mas não sei como vai ser
se eu não puder tocá-la.
- Ela sabe que gosta dela? - Não.
Não consegui dizer. Não quero assustá-la.
Se não disser, nunca vai saber.
- Olá. - Olá. Já acabou?
- Grégoire, vamos levantar? - Minha aula é mais tarde.
Merda.
Meu príncipe.
Meu príncipe encantado.
O que ela disse?
Não entendi direito. Falou de um príncipe.
É a sua namorada?
Não. Só a estou ajudando.
- Você ajuda muita gente. - Ele é gentil.
Estranho. Parece que vocês encolheram.
Sim, não sabemos o porquê. Mistérios do além.
- Posso perguntar uma coisa? - Claro! Estamos aqui para isso.
Por que vocês parecem sempre felizes?
- Porque somos felizes. - É. Não temos ideia.
- Nós sempre fomos. - Um pequeno milagre.
Por que está perguntando? Você não é feliz?
Sim, não se preocupem comigo.
Pais sempre vão se preocupar com os filhos.
E transmitir um ideal e a confiança no futuro.
Não é fácil confiar no futuro.
Quando você nasceu, todo mundo tinha medo.
- Medo de quê? - Da terceira guerra mundial.
Russos e americanos, guerra fria, escalada nuclear...
Medo de explodir tudo!
- Queriam explodir tudo. - Crise do petróleo, a inflação
Desemprego, a crise...
Ele está um pouco deprimido, não?
Philippe, querido...
Está deprimido?
Philippe?
Você comprou um cachorro?
Comprei.
- Ligou para a psicóloga? - Não tive vontade.
Pensou sobre o nosso acordo?
Não muito.
O que está fazendo? Acha que eu sou besta?
Foi no advogado? Está traumatizado?
Estou te avisando.
Se fizer cagada, vai se ver comigo.
Ah, não... Fala sério...
- Podemos conversar? - Sim.
- O que foi? - Então...
Temos um projeto... meio maluco.
- Sabe o trabalho do Grégoire? - Claro.
- Decidimos agir. - Quer dizer?
Vão abrir uma nova granja de poedeiras
uma coisa super moderna.
A mais moderna da França.
Vão matar ainda mais pintinhos. 13.000 por dia?
- Mais. - E fica a 3 horas daqui.
- Perto da Bélgica. - E daí?
- Vamos sabotá-la. - Impedir que funcione.
Já pensamos em tudo,
até achamos um lugar para soltar as rãs do Grégoire.
- Só temos um probleminha. - Um problema?
Não temos carro.
E não dirigimos. Você pode ir com a gente?
Não só pelo carro. Queríamos que participasse.
Que seja nosso parceiro.
- Como vão sabotar? - Explodindo.
- Com o quê? - Com explosivos.
- Vocês têm explosivos? - Temos os irmãos Ayou.
- Eles vieram aqui para isso. - Os caras do elevador?
Você os viu?
E onde estão os explosivos?
Embaixo da sua cama.
- Embaixo da minha cama? - Não se preocupe. É seguro.
São os irmãos Ayou...
Faz dois anos que produzem fogos de artifício.
E aí, topa?
- Vocês estão loucos. - Disse para não falar...
Você vai participar? Vai acender os fogos?
Não tem nada para acender. É detonação pelo celular.
- Quer ver? - Não.
- Prefere não fazer nada? - Não quero acabar na cadeia.
- Você já está na cadeia. - Como?
Conhece a história do gorila de Antuérpia?
- Que se foda o gorila. - Engano seu.
Ele grande, forte e inteligente como você.
Para esquecer da prisão, decidiu não se aproximar das grades.
Ele achava que estava livre e feliz como na floresta.
Era só ficar quieto e não se mexer muito.
Mas a jaula continuava lá.
E parecia que ficava cada vez menor.
Então para não bater a cabeça nas barras,
ele decidiu não se mexer mais.
Ficou assim, imóvel,
por anos e anos.
E um dia...
Um dia, ele morreu.
E você é como ele.
Não é livre, nem sensato, apenas imóvel.
Imóvel e triste de morrer.
E você é o quê? Uma sociopata que não suporta relações humanas
- Que se dane o gorila. - Calma, Philippe. Seja sensato.
Você não vai nos deixar na mão numa hora dessas.
Que se danem! Que se fodam seus pintinhos.
Não sou vegetariano. Nem a Sarah. E nem você!
Por que disse isso? Achei que fossemos amigos.
Não somos amigos. Nem colegas!
Não é difícil ser louco. Eu posso ser louco.
É complicado isso?
É complicado? Eu posso ser louco!
É complicado?
Não é nada complicado.
Isso é complicado?
É complicado. Super complicado!
- Onde você vai? - No Clément. Até mamãe voltar.
Vai lá no seu campeão. Deus te guie.
Vou sair com o cachorro. Não quero ninguém aqui.
Está claro ou chamo a polícia?
- Grégoire, você vem comigo. - Não.
Grégoire, você vem comigo.
Anda logo.
Cansei. Você é um péssimo pai.
Parece se preocupar, mas só grita com a gente.
Do que está falando? Não gritei com você.
Nunca grito com vocês.
Não grita, mas é a mesma coisa.
- Tudo que eu digo está errado. - De forma nenhuma.
- Tudo que eu falo está errado. - Não.
Você nem ouve e fala que não. Eu nem consigo falar.
Então fale. O que você quer dizer?
Você disse que Jérôme não é seu amigo.
Mas ele é meu amigo.
E você o expulsou. Eu te odeio!
Grégoire!
Sr. Mars?
Sou eu.
Estou esperando faz tempo.
Foi o senhor quem disse a todos que minha filha queria dar o cu?
Não, espere...
Filho da puta!
Tudo bem?
- Quer que eu chame a polícia? - Não, tudo bem.
Esse lenço foi do Giscard.
As iniciais estão bordadas.
Pode ficar. É um presente.
- Obrigado! - É um prazer.
Precisa segurar o nariz assim.
Grégoire.
Grégoire.
Eles foram embora?
Grégoire, você os viu ir embora?
Vamos ver tempo e esportes, mas antes vamos para Bruxelas.
Myriam, parece que o tempo esquentou na Comissão Europeia?
Sim, podemos falar de um golpe teatral.
Após 10 dias de uma tensa discussão,
Merkel causou um alvoroço
ao chamar seus pares masculinos de "Schlappschwänze".
Que pode ser traduzido por "frouxos".
Parece pouco provável que cheguem a um senso comum.
- Pepino. - Um fracasso pode ser fatal...
Pepino!
- Esse equilíbrio frágil... - Pepino!
- que parece cada vez mais... - Pepino.
Pepino.
... com um pepino.
Myriam?
- Parece que perdemos a conexão. - Pai?
Você a ouviu? Ela disse pepino!
O que foi?
- Jérôme e Chloé. - O que tem eles?
- Fale! - Eles não foram embora.
Foram para a casa do velho.
- O velho nosso vizinho? - Foi ele quem convidou.
- E vão explodir a granja. - O quê? Com o velho dirigindo?
Sim. Passaram para pegar as rãs.
Não quiseram que eu fosse. Sou jovem demais.
Estou com medo que acabe mal.
Não quero que eles morram.
- Acha que o Philippe nos viu? - Não, você se esconderam bem.
Sabe onde fica esse lugar? Disseram o nome?
- Alguma coisa com "dan". - Com "dan"?
Sarah? Estamos super apressados.
- Papai... - O que foi? Onde você está?
Clément terminou comigo. Não quer mais me ver.
- Mas onde você está? - No apartamento dele.
Estamos indo te buscar. Um minuto!
Venha. Venha comigo, Sarah.
Ele disse que prefere trabalhar sozinho,
que eu o atrapalho.
Que ele sempre fez mais por mim do que eu por ele.
Que ele estava perdendo nessa história.
E não é verdade.
Nós estudamos muito.
E eu o ajudei.
Ele não precisa mais de mim e me dispensou...
como uma meia velha.
- Qual é o sobrenome dele? - Por quê?
- Qual é? - Ledoux.
Meia velha...
- Sr. Ledoux? - Sim.
É o pai da Sarah. A ex do seu filho.
Fale para o seu filho que minha filha não é descartável.
Minha filha não é uma meia velha.
Ela vale muito mais que ele.
Fale que ele é um arrogante de merda.
E se eu cruzar com ele, vou matá-lo.
- Você está louco. - Sim, muito louco!
Vamos. Que imbecil!
Uma cidade perto da fronteira belga com "dan".
- Por que quer saber? - Eu te explico depois.
- Sedan? - É essa. Sedan.
- Para onde vamos? - Para Sedan.
Olha só...
Você põe a senha no telefone A
que está ligado por um fio a esta caixa.
e a contagem começa.
O celular B fica comigo e mostra a contagem.
O que nos permite controlar o tempo.
Quando chega no zero, o telefone avisa a caixa
e a caixa estará com os explosivos.
E bum!
Badabum!
Olha aqui, um artigo no jornal.
Construção de uma granja moderna perto de Sedan, etc...
Empregos para a região em Matton le Chesnois.
Coloque no GPS.
Matton le Chesnois.
Vocês estão certos. É horrível o que eles fazem.
Nós comemos muita carne.
Giscard comia também. E caçava na África.
Nunca achei isso legal.
Mitterrand comia bigodinhos.
E contava a todos. E era proibido.
Um presidente da república deveria dar exemplo, não?
Cuidado, radar.
- Pai? - O quê?
Foi o pai da Roxane que quebrou seu nariz?
Foi.
Sinto muito.
A fama da Roxanne não é boa, mas não é bem assim.
Ela é legal.
Eu acredito.
Pronto. Já passamos pelo radar.
Sabiam que Giscard teve um caso com Brigitte Bardot?
Todos falam da história com a Marlène Jobert, mas...
ele pegou várias vezes a Bardot. Era eu quem dirigia.
Eles ficavam aí, no mesmo banco que vocês,
depois iam passear no bosque.
Tenho até uma foto.
Tirei escondido, claro.
Vejam.
Incrível, não é?
Vou mudar de emprego.
- Achou outra coisa? - Não.
- E o que vai fazer? - Não sei.
- Isso não te assusta? - Sim.
Mas as coisas precisam mudar.
- Temos que sair aqui? - Sim.
- Pode por isso? - Claro.
Pode abrir?
- Toma. - Obrigado.
Não uso muito, mas ainda funciona bem.
Não dá para ver nada.
Você gosta de ópera, Chloé?
Não sei. Não conheço.
É só se deixar levar.
Eu te amo.
O que disse?
Disse que te amo.
- Bobagem. - Não é bobagem.
- Eu te amo. - Pare com isso.
- Mas é verdade. - Não, não é verdade.
- Não pode me amar. - Por quê?
- Não sou amável. - Sim, você é!
Não ouviu o Philippe? Sou incapaz de me relacionar.
Claro que é. Temos uma relação, não?
E não vamos parar.
Quero ter outras relações com você.
Quero ter filhos com você.
- Filhos? - Sim. Muitos.
Pare.
- Pare. - O que foi?
Pare! Pare! Vocês têm que parar!
Calma. Chloé, pare com isso. Pare!
Lá estão eles!
Para onde foram?
Eles estão lá! Pare!
Me esperem aqui. Fiquem aí!
Tudo bem?
Tudo bem? Não se machucou?
Me ajudem! A Chloé desmaiou.
Tudo bem?
O que aconteceu?
Nós nos beijamos.
Ah, é...
- Eu me lembro. - Está tudo bem.
- As rãs. - O que disse?
- As rãs estão no carro. - Ah, não...
- Eu vou. - Não, pai!
Tem algo piscando no seu bolso.
No seu bolso.
Merda!
- A contagem começou. - Não. Pai, volte aqui!
Aqui estão as safadas...
- Philippe! - Volte para cá, pai!
Pare isso!
Philippe.
O que foi? Ficou louco? Você que era tão certinho.
Se arriscando por umas rãs. Seu pai parou a contagem.
Mas ultrapassamos o limite.
É uma coisa que não podemos fazer.
Não vamos mais poder te ver.
Saia já daí. Rápido.
Dê um beijo na Sarah e no Grégoire e se cuide.
Nós te amamos.
O negócio parou.
Estou vendo o papai.
Aqui estão.
- Obrigado, pai. - De nada.
A contagem recomeçou!
Mas olha só... Se o Giscard visse isso!
Philippe?
Não vamos voltar com você. Vamos para a Bélgica.
Sério?
Chloé tem amigos por lá
e eles vão nos receber.
Tem certeza?
Até mais, Philippe.
Até mais, Chloé.
Desculpa por te chamar de gorila imóvel.
Não precisa pedir. Eu mereci.
Boa sorte e até mais!
Bom...
Até mais! Obrigado.
Até!
- Bom... - Até mais.
Continue assim.
Então, Philippe...
É isso aí.
Obrigado por tudo.
Até logo.
Quer ir para algum lugar?
Não, melhor assim. Pegamos carona.
Chloé, me espera!
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