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A vítima chama-se Lynn Dewhurst.
Estamos à procura de um assassino em série.
Clare?
Lembras-te do Neil Ackroyd? Andámos juntos na escola.
Não nos víamos desde o 5º.
A Lynn Dewhurst... Quem a matou,
violou-a com uma garrafa partida e mutilou-a.
Acusam-me de lhe enfiar uma garrafa.
Como sabes que não te vou dificultar a vida?
- O que queres? - 1000 libras
por mês. - Não posso!
Ela deu cabo da minha vida. É intocável.
Pronto, tira o cinto. Já chegámos.
É aqui.
Por aqui.
Contaste-lhe? Podias ter ficado calado.
- Ele estava a insistir. - E contaste o resto?
"E costumava injetar umas coisas."
Não, claro que não.
Sabes que vai repetir isso tudo na escola?
Esta é a Ilinka. Ilinka, aquele é o Daniel.
- Cumprimenta. - Olá.
- Aquela é a Clare. - Olá.
Senta-te aqui. Senta-te.
Ela não fala Inglês, por isso...
Chá. Queres chá?
- Acabei de ferver uma chaleira. - Ótimo.
- Chá? - É muito simpática.
Está bem, então...
A Ilinka apareceu na nossa esquadra de manhã... Tentem sorrir.
Escapou de uma casa de Peveril Lane,
onde era mantida prisioneira
com mais 21 mulheres todas elas traficadas da Croácia.
- Estás a gozar? - Tem andado de casa em casa há 4 anos.
Ficavam oito por quarto nesta última casa.
Fazia um turno de 10h, seis dias por semana por 10 libras por semana
na fábrica Bowen de Rastrick.
- Isso é... - Escravatura, pois.
Mas bem, arranjei um intérprete pelo telefone que me levou 3 semanas,
depois falei com a OSU e com a unidade anti-tráfico
e libertámos as mulheres.
O único problema é o alojamento.
Consegui lugar para 10 num abrigo de mulheres em Huddersfield,
seis foram para um albergue de Leeds, cinco para um Centro de Apoio
e estamos à espera que lhes arranjem voos para voltarem
e a Ilinka vai ficar com...
- Estou. - Winnie? Olá, é a Catherine.
- Importas-te de cá vir? - Está aí?
Sim, está aqui.
É a Winnie.
Já tenho chá a fazer, Winnie. Adeusinho.
A Winnie não é Polaca?
É Jugoslava. Era.
Que se passa?
Ele foi dizer ao Ryan que eu... sou alcoólica.
Não fui assim tão curto e grosso. Tentei explicar-lhe.
Nove anos e ele diz-lhe coisas que ele não precisa de saber.
Ele perguntou! Ele usou o termo "alcoólico".
- Usou? - Eu não...
Que podia dizer?
- Quando foi isso? - Na semana passada.
Tinhas ido ao hospital. Foi quando a Helen morreu.
Pronto. Diz-lhe que percebeste mal
e que ela não é nada disso.
Mas... isso é mentir.
Ele vai pensar que ando a inventar coisas.
Não, ele só vai pensar que percebeste mal as coisas.
Ele não é parvo. Aliás, é precisamente o oposto.
É muito inteligente, muito perspicaz.
Vai perceber logo que estou a dizer merda... Desculpa.
E isso vai reforçar o facto de que ela é...
Era alcoólica.
Sou só eu!
Entra, Winnie.
Onde está ela?
Minha pobrezinha! Que te aconteceu?
Tenho de falar com a minha família, preciso de um telefone.
Podes vir lá a minha casa
e usas o meu telefone.
Esta polícia tem sido muito simpática.
Só tem de cá ficar duas ou três noites
até a unidade anti-tráfico resolver as coisas. Ela sabe.
Ela diz que és muito bondosa.
Nós vamos tratar de ti, minha querida.
E eu digo-te que és maravilhosa
desde que não te pisemos os calos,
porque caso contrário, és uma chata do caraças.
Deixaram as luzes ligadas outra vez.
A luz do quarto dele e a do quarto dela.
- Mas ainda vou lá. - Mas não estás lá agora!
- Quem deixou aquilo tudo? - Ele.
E então? Não sei da minha calculadora.
Não ponhas tantos cereais se não os vais comer.
Custam dinheiro, não crescem nas árvores!
Precisas de ter calma.
Não preciso de ter calma!
Preciso é de gente que não me fo...
Não goze com a minha cara!
- Até logo. - Está bem.
- Que tem ele? - Sei lá.
É aquele assassino. O tipo que anda a assassinar prostitutas.
É um trabalho complicado. Não sei.
Não precisa de descarregar em nós.
Em Calderdale, West Yorkshire,
Chefes da Polícia pedem cuidados redobrados à comunidade
depois de terem ligado os homicídios de três mulheres da área
nos últimos cinco mes...
Bom dia.
Bom dia.
Catherine, vais andar outra vez porta a porta?
Não. Isso não seria ético,
sendo eu suspeita principal e etc. - Só para saber.
Eles é que vão, por isso, a não ser que arranjes pessoal,
vou deter um puto de 15 à Salter Hebble High
por vender droga atrás do bloco de ciências.
- Bom dia. - Bom dia.
Bom dia.
Sabes como isto se cultiva?
Não sabes nem queres saber.
Vou dizer-te, porque quem sabe ganhas juízo nessa cabeça.
Arranjam uma casa e rebentam com tudo,
casa de banho inclusive, levam os móveis todos
e enchem tudo de canábis.
Depois empregam uma carrada de imigrantes ilegais -
quando digo "empregar" estou a exagerar -
para encherem as plantas de químicos ilegais
para que cresçam depressa.
E não é só isso. Como não há casas de banho,
eles não têm onde fazer as necessidades,
então cagam nas plantas.
A sério que sim.
É isso que tens aqui. É isso que tens andado a vender.
Fezes humanas.
Entra. Idiota.
- Catherine? - Chefe.
Estás ocupada?
- Não. - Está bem.
Acabei de saber e achei que ias gostar de saber.
O Ministério do Interior autorizou o Tommy Lee Royce
a ir ao funeral da mãe amanhã
no crematório de Elland.
Acabei de saber.
E achei que merecias saber de antemão,
ao invés de o saberes pela televisão ou jornais.
Está bem...
Cenouras alaranjadas E nabos brancos
Tomates avermelhados Outrora verdes
Batatas castanhas Em pequenos montes
A um canto escuro Onde dorme o aipo
As maçãs estão maduras As ameixas vermelhas
E as favas dormem Numa cama fofinha
Sentem-se lá todos.
Bem, é com enorme prazer que vos anuncio
que temos outra pessoa na nossa equipa.
A Sra. Wealand veio de Linlithgow, na Escócia,
para substituir a Sra. Etherington e vai ser a nossa Professora Assistente
e sei que vocês, tal como eu,
lhe vão querer dar umas boas-vindas bem calorosas.
Um, dois, três.
Bem-vinda à nossa escola, Sra. Wealand!
Obrigada, é um prazer estar aqui.
- Essa técnica é autorizada? - Para acordar as pessoas, é.
Gostas do que fazes?
- Não andamos sempre porta a porta. - Não pareces feliz.
Se precisasses de arranjar 1000 libras, de uma hora para a outra,
o que farias? - Pedia ao meu pai.
E ele dava-tos assim?
Ele é milionário... Bem, talvez não desse.
É milionário?
É tão rico que até chateia.
E que acha ele de seres agente?
O esperado.
"Tanto dinheiro investido na educação
e ela quer ser polícia."
Mas não é tão educado.
Precisas de 1000 libras?
É complicado.
Anda.
Também não és um poço de felicidade.
Bem, o funeral da minha mãe é amanhã.
É mesmo?
- Meu Deus, os meus pêsames. Não sabia. - Não faço publicidade.
- Não devias estar a trabalhar, Ann. - Enlouqueço em casa.
- Foi repentino? - Cancro.
Lamento, a sério que lamento.
Podes jogar na lotaria.
- Estás a gozar. A Sargento? - Não. A sério.
O Gorkem viu a informação antes de a tornarem confidencial.
Interrogaram-na por ter ameaçado
a Lynn Dewhurst dias antes de morrer.
Por isso, não tem andado porta a porta.
Não pode fazer nada ligado ao homicídio.
Que estúpido.
Mas será? É a Lynn Dewhurst.
Estrangulou-a e enfiou-lhe uma garrafa partida... estilo "fandango".
Não digo que foi ela.
Só estou a dizer que a interrogaram há uma semana
e ela não tem mexido no caso.
Por isso ontem saiu numa rusga com a unidade de combate ao tráfico.
- Que rusga? - Ontem. E usou o taser num gajo.
- A sério? - Vocês nunca sabem de nada.
- Usou o taser, Sargento? - Comida!
- Usei. Quanto te devo? - 2,.25.
- E que tal lhe soube? - Soube bem.
O gajo ora estava a ameaçar-me de taco de basebol na mão
ora estava estendido no chão aos tremeliques.
Viemos cá para ajudar!
Sargento!
Afaste-se! Largue o taco! Taser!
Oh merda...
É claro que lhe estava a tentar acertar no peito,
não nas joias da família, mas pronto...
Mas quem abana um taco à frente de uma mulher
que acabou de receber formação de tasers está a pedir ação.
Cuidado, Ann. A Sargento tem uma garrafa na mão. Fecha bem as pernas.
Sr. Tekeli, talvez queira ir até lá fora
verificar o óleo dos veículos de patrulha.
Desculpe, estava a jantar? Azar.
Aproveite para lavar essa boca.
Ann, vens ao meu gabinete? Quero falar contigo.
Toca a mexer!
Era só uma piada.
Toda a gente sabe que não foste tu.
O Ministério do Interior autorizou o Tommy Lee a ir ao funeral da mãe.
Que... é amanhã.
O teu FLO vai entrar em contacto para te informar,
mas achei que devias saber.
Será vigiado por uma escolta armada e estará sempre algemado.
Farão uma avaliação geral dos riscos e haverá uma ordem operacional.
Vai e volta
direitinho para a mesma cela nojenta de Gravesend
que vai ocupar durante os próximos 500 anos.
Onde? Onde é o funeral da mãe?
Em Elland.
Antes do...?
Não, é depois. É ao final da tarde.
Não o vais ver.
Disse que não precisava de ajuda.
Claro que precisas de ajuda, amor.
Precisas de ajuda para ler.
Não preciso, porque vou jogar no Manchester City.
Já lhe disse, eu disse... Até soletrei.
A sério?
- Olá. - Olá.
Fala de uma maneira esquisita.
- Esquisita como? - É escocesa.
- Quem? - A nova Professora Assistente.
A Sra. Wealand.
Parece-me que só te quer ajudar,
por isso sê bonzinho com ela.
Odeio ler.
Antes do chá, vai ter com a Winnie que queria falar contigo.
Não faças isso, amor.
- Sou eu, Winnie. - Cá está ela.
- Então a Catherine... - Obrigada.
Obrigada, Catherine.
- Como tem andado ela? - Muito bem.
Ainda bem. Querias falar comigo?
Olha, olha para isto.
Estas roupas são da Aurelia. a minha amiga Aurelia.
Ela tinha uma amiga chamada Aurelia.
Aurelija Petrovic.
E elas eram obrigadas a trocar de casa várias vezes
por umas pessoas, uns homens,
mas elas sempre se conseguiram manter juntas,
ela e a Aurelia e tornaram-se muito próximas.
A Aurelia, para além de trabalhar na fábrica de bolachas, ela...
Eles...
- Obrigaram-na a... - Prostituir-se.
E então um dia,
ela acha que foi há umas 12 ou 13 semanas,
ela nunca mais voltou
e ela nunca mais a voltou a ver.
E isto... Ela parece ter certeza disso, é a roupa dela.
A rapariga que nunca identificaram.
Ela disse que nenhuma delas tinha muita roupa.
Aurelia...?
- Petrovic. - Petrovic.
Está bem. Diz-lhe...
Que vamos ter de ir à esquadra
para falarmos com a equipa responsável.
- Polícia? - Da.
Ne, ne, ne.
Ela não quer falar com a polícia.
Porquê?
Ela diz que os Knezevics a matam.
Ela já falou desses Knezevics mais do que uma vez.
Como? Que disse ela sobre eles?
Bem... Falou deles como se fossem uma ameaça.
Ela viu algum desses Knezevics? Pergunta-lhe.
- O quê? - Um deles costumava ir lá a casa
fazer... umas coisas com a Aurelia.
Mas ela nunca o viu.
- Quem são eles? - A máfia de Halifax.
Claro que são esses Knezevics que traficam mulheres.
Tem tudo a ver com eles.
Diz-lhe que isto é homicídio,
com Knezevics ou sem Knezevics.
Temos de denunciar tudo que soubermos sobre esses Knezevics.
Temos de o fazer pela Aurelia.
E tem de ser agora.
Não entendo porque não me deixaram entrar com ela para traduzir.
É protocolo, Winnie.
Descartaram-me como se fosse senil.
Queres que te leve para casa?
Não, não, não.
Eu espero por ela.
Pobre rapariga.
Como é que elas se enfiam nestas trapalhadas?
Queres mesmo saber?
Agora és tu que pensas que estou a ficar senil.
Prometem-lhes uma vida melhor e trabalho.
Quando chegam ficam-lhes com o passaporte, documentos, confiscam-lhe os salários,
dizem-lhes que enviam tudo para as famílias
juntamente com cartas que elas escrevem, mas não mandam
e elas sabem lá.
Só percebem tudo meses depois
quando não recebem correspondência da família,
mas quando isso acontece
há pouco a fazer,
porque as únicas pessoas com quem têm contacto
são as que as traficaram.
- É tanta maldade. - Pois é.
Se vocês sabem que são esses Knezevics,
porque e que não os prendem?
Oh Winnie, Winnie...
São uns trastes... Mas são muito espertos.
Uma coisa é saber que alguém fez alguma coisa,
mas ter provas para os deter
é outra história.
Como...?
Como é que ela conseguiu fugir?
Estava na pausa do cigarro lá na fábrica de biscoitos.
Põe-me o intérprete ao telefone.
Não costumam fugir,
porque não sabem onde estão
e não falam Inglês e estão cheias de medo.
Portanto, estão encurraladas.
Só sabem onde vivem e onde trabalham.
Levam-nos para o trabalho e vão buscá-las.
É só isso que conhecem. É a vida delas.
Ela trepou o muro e fugiu.
Não fazia ideia para onde ia.
E se a apanhassem davam-lhe uma tareia.
- Sargento Cawood. Esta é a Sra. Babic? - Winnie.
Andy Shepherd Det Superintendente.
Obrigado por tudo, Winnie.
Isto deu origem a uma nova linha de investigação.
- Só lhe queria agradecer. - O prazer é todo meu.
Posso falar consigo?
A Ilinka teme ter sido seguida.
Até à esquadra.
- Como? - Não sei,
mas deixou-a sair ontem à tarde? - Deixei.
Ela acha que viu um carro
que desapareceu assim que o condutor se apercebeu da presença da polícia.
- A sério? - Sim.
O problema é que se ela tiver razão
podem-na tê-la seguido
quando a levou para sua casa.
- Merda... - Pois.
Mas eu ia reparar, ia perceber se me estivessem a seguir.
Como pode ter certeza?
Não suspeitava de nada.
O que fez, mesmo que inadvertidamente,
e com as melhores das intenções...
Não. Não tinha para onde a levar.
Não arranjamos vaga.
O que fez foi colocar aquela senhora de idade
numa situação potencialmente perigosa e vulnerável.
Se for quem pensamos que seja, esta gente não brinca.
Se desconfiam que a Ilinka lhe contou algo, matam-na.
Mandam-lhe um cocktail molotov pela porta.
Já contactei seguranças.
Vão instalar um alarme em casa da Winnie.
Vão para lá agora. Ainda os apanhas.
Não a quero assustar com um alerta de perigo,
mas talvez lhe possa explicar o que se passa
sem provocar pânico excessivo. - Está bem.
E faça um favor a si mesma, Sargento.
Despache-se a arranjar álibi para os primeiros homicídios para a ilibarmos.
Ninguém a quer humilhar, Catherine.
É o procedimento. Sabemos que é ridículo,
que recebeu a medalha
e é uma mais-valia à polícia.
Sabemos que não é assassina.
- Por favor, trate disso. - Sim, senhor.
Que merda...
Estás bem?
- Pai? - Sim?
- Vais descer? - Já vou.
Estão sempre a perguntar por ti.
- Quem dera não ter a casa cheia. - Pois.
Bem...
Eles acabarão por ir embora.
E depois ficamos cá só eu e tu.
Sei que nem sempre nos entendemos, mas sabes que te adoro, não sabes?
E tenho orgulho de ti.
E eu de ti.
Despedi um tipo do trabalho no outro dia.
Tem-me incomodado.
- Que fez ele? - Cometeu um erro
e quando não soube lidar com ele tive de tratar eu de tudo
e por isso mandei-o embora.
- E então? - Então...
Eu sei que a tua mãe iria convencer-me a dar-lhe outra oportunidade
apesar de já lhe ter dado várias.
Sabes... Ela nunca desistia de ninguém... A tua mãe.
Via sempre o lado bom das pessoas.
Amanhã é o funeral da mãe do Tommy Lee Royce.
Autorizaram-no a ir.
É em Elland.
Eu sei. O Alec ligou.
O Oficial de Ligação.
Andei porta a porta na Bateman Street.
- Em King Cross. - Não te deviam ter mandado para lá.
Não tenho medo dessa rua.
E não tenho medo dele.
Não tenho medo de nada.
Adeus. Boa noite.
Boa viagem.
Muito bem, sabes onde estou.
Vou dormir na estufa. Estou aqui à mão.
Não sejas tonta, vais congelar.
Diz-lhe para ela dormir.
- Catherine... - Não te preocupes...
...com nada.
Eu digo-lhe, eu digo!
- Desculpa lá isto tudo. - Não, agora vê se dormes, menina.
- Boa noite. - Boa noite.
Fecha a porta à chave.
Estava a pensar em deixá-la escancarada
e pendurar uma tabuleta: "Traficantes, por aqui."
E uma seta.
- Está bem, então. Boa noite, Ilinka. - Boa noite.
Boa noite.
- Bom dia. - Bom dia, patrão.
Vim avisá-lo que o Ministério do Interior autorizou
que fosse ao funeral.
- Quando? - Hoje.
Sai daqui a meia hora.
Será levado por uma escolta armada.
E estará sempre algemado.
Veio para cá depois do julgamento,
por isso deve ter algum fato.
Sim...
- Tiraram-no... - Já percebi.
Deixo-o contigo.
Tudo bem, rapaz?
Chá?
Recebi o teu bilhete. Porquê?
- Não te queria incomodar... - Não.
Não é isso,
queria saber para que foste dormir na estufa.
Por causa da Winnie. Pusemos-lhe um alarme em casa
no caso de alguém ter seguido a Ilinka...
Queria ficar de olho.
- Nunca desligas! - Não a devia ter trazido para cá.
Devia, porque ela não tinha para onde ir
e nem pensei que a seguissem...
Fui estúpida por não pensar nessa hipótese.
Ele foi-se embora. O Neil.
Começa o turno na loja às 6:30.
Ontem tivemos uma conversa boa.
Foi isso que fizeram?
Eu contei-lhe que tinha um passado complicado...
Mas pelos vistos ele também tem.
- Eu sei. - Sabes?
Foi apanhado bêbedo algumas vezes. Pesquisei-o no sistema.
Pensei que não podias fazer isso.
- Não por razões pessoais... - É um pequeno delito.
Porque não me contaste que sabias?
Não sabia se querias saber ou não.
- E quando foi isso? - Há cinco ou seis anos atrás.
Foi nessa altura que o casamento dele deu para o torto.
Deve ter sido horrível.
Ele tinha um bom...
Um emprego muito bom numa instituição financeira.
Mas depois meteu-se com uma mulher...
E tu és uma santinha, queres ver?
- Porque o foste pesquisar? - Não sei, instinto.
Encolheu-se todo quando tirei o casaco e me viu a farda.
De qualquer forma, as coisas descarrilaram e ela começou a ameaçá-lo.
Matou-lhe o coelhinho?
Não sei, mas veio a saber-se tudo.
Ela contou à mulher e aos filhos e ele entrou em depressão.
Uma depressão nervosa muito grave.
Ele nem conseguia falar.
Perdeu a família, a casa, o trabalho, a autoestima. Tudo.
Por isso começou a beber...
E deve ter sido nessa altura, quando bateu no fundo.
- E ele agora bebe? - Não.
- Como sabes? - Ele disse-me!
Ele é boa pessoa, Catherine.
Sempre foi.
Na altura da morte,
a Aurelia Petrovic vivia na 58 Hibernia Street em Boothtown.
Segundo a Ilinka, tinha 34 anos.
A Ilinka também nos disse que ela veio de Ivanec uma aldeia na Croácia do norte
e que tem lá mãe e uma irmã.
Portanto, vamos contactar a Europol.
Os agentes do terreno ajudar-nos-ão a localizar a família.
Quero saber tudo da família,
Quando falaram com ela pela última vez? Quero detalhes.
A casa da Hibernia St. foi isolada como potencial cena de crime
e os CSI estão a caminho. Veremos o que aparece.
Falemos com a equipa de Peveril Lane
pois já devem ter recolhido os perfis das mulheres
e isso pode ser crucial à investigação.
Se a Aurelia foi traficada, quero saber quando, por quem
e o que fez desde que entrou no Reino Unido.
Quem vivia na 58 Hibernia Street? Quem lá ia? De quem é?
"Não te vou
voltar a pedir,
George, disse a avó."
A minha avó não é nada assim. Não é nenhuma velhota.
Ela ia saber pôr este George na linha.
- Como é a tua avó? - É polícia.
Ai é?
Ela apanha bandidos, drogados e malucos.
- E a tua outra avó? - Só tenho uma avó.
A mãe do teu pai.
Nunca falamos do meu pai.
E como sabia que não era a mãe do meu pai? Não lhe disse qual era.
Acertei por acaso, Ryan.
- Vá, lê. - Por que está toda arranjada?
És bom a inventar táticas de diversão.
Sou?
Estou arranjada, porque de tarde vou a um funeral.
A minha avó e a minha tia Clare também vão.
Ai sim? Vão?
Também queria ir para não ter de vir à escola,
mas elas não me deixam.
- Também conhecia a Helen? - A Helen?
Não. Não...
Vou ao funeral de outra pessoa.
De quem?
Não a conhecias.
Disse-lhe: "Deixa de ser parvo, seu idiota.
Tens de agir.
Fazem de ti o que querem.
És polícia, por amor de Deus."
E dos bons ainda por cima.
Sei que estou a brincar com o fogo,
sendo tu polícia.
- Estou? - Olá, sou eu.
Eu tenho...
Tens razão.
Já a devia ter deixado há muitos anos.
Por isso, quando chegar a casa de tarde...
Bem, à noite, depois do trabalho...
E... vou buscar as minhas coisas e...
É isso, vou contar-lhe.
E depois vou para tua casa, pode ser?
Bem... sim. Claro, claro que sim.
- Ótimo. - Deves sentir-te aliviado
- agora que tomaste essa decisão. - Pois sinto.
A que horas nos vemos? Por volta das 19:30?
Sim, sim, sim...
- Eu faço o jantar. - Ótimo, isso seria ótimo.
- Ótimo. - Está bem.
Adeus.
Vai ser posteriormente realizada uma missa de homenagem.
Já está marcada. E é só isso, acho eu.
Sr. Gallagher. Desculpe, Nev, interromper,
mas queria dar-lhe os meus pêsames...
Vi-o no crematório mas tinha mais em que pensar
e sei que não me queria cá mas queria desculpar-me...
...outra vez, por causa da outra situação.
Sean...
Que faço contigo, rapaz?
- Quem é aquele? - É o Sean.
É alguém que trabalha para o Nev.
Já esteve dentro.
Costumava aparecer no Centro de Apoio depois de ser libertado.
A Helen endireitou-o e trabalha para o Nev desde então.
Balmforth, Sean Balmforth.
Que foi?
Há uns dias estava eu na Stoneyroyd Lane
para avisar as meninas do traste que anda por aí
quando passou uma carrinha por nós...
Quando o condutor me viu, acelerou dali para fora.
Pesquisei o veículo e
foi o nome que apareceu, Sean Balmforth.
Por isso a Helen era especial.
De vez em quando aparece alguém que nos faz pensar:
"Não lhe tocava nem com um pau."
Mas ela nunca pensou assim, sobre ninguém. Nunca.
Ouve, tenho de ir.
Tenho coisas para fazer. Estas pessoas são tuas amigas. Fica.
Depois venho buscar-te.
Posso levar o carro?
Não conheço assim tantas pessoas.
Está ali a Liz.
Mas se me aborrecer, quero que me venhas buscar mais cedo.
- Eu volto. - Pensei que ficávamos por cá.
Vou indo.
Eu sou a ressurreição e a vida, disse o Senhor.
Aquele que em Mim crê, ainda que morra, viverá.
Cada pequena flor que desabrocha
Cada pequeno pássaro que canta
Ele fez as suas cores brilhantes
Ele fez as suas pequenas asas
Todas as coisas coloridas e belas
Todas as criaturas grandes e pequenas
Todas as coisas sábias e maravilhosas
Deus Nosso Senhor Criou-as a todas
...que morreu e foi sepultado e ressuscitou por nós.
Àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar
e apresentar-vos irrepreensíveis perante a Sua glória,
em júbilo,
ao único Deus sábio, nosso Salvador,
seja glória e majestade, domínio e poder,
agora e para sempre.
Ámen.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ámen.
Que diabo está aquela cabra aqui a fazer?
Quem deixou aquela cabra entrar?
Ela matou a minha mãe.
Mataste a minha mãe sua cabra nojenta!
Sei o que fizeste!
Vais pagá-las, sua vaca nojenta!
Larguem-me, bestas!
Vais pagá-las...!
Vais ter o que mereces!
Sua vaca nojenta!
Larguem-me, suas bestas! Larguem-me!
Ela matou a minha mãe! Larguem-me!
Sua vaca nojenta! Larguem-me, bestas!
- Olá. - Onde estás?
Em lado nenhum. Estou de folga. Porquê onde estás?
Fiz o melhor por ti, sabes disso, Catherine.
Para que raios lá foste?
Não sei, para ter certeza.
- De quê? - Não sei.
Bem. Acabei de levar na cabeça do Superintendente
por não te ter explicado de antemão
que se estivesses sequer a pensar em lá aparecer hoje
que seria altamente inadequado.
Está bem, está. Não me lixes.
Além disso... Estás a ouvir?
Além disso, ainda não arranjaste álibi
e aparecer no funeral da vítima
não ajuda em nada o teu caso.
Nada, nem um bocadinho!
Não tenho caso nenhum.
Isto é muito grave, Catherine. Tens de responder.
Encontraste o corpo e fizeste chamadas ameaçadoras.
Tinhas motivo e ainda apareces no funeral da vítima!
- Que motivo? - Vingança!
Por causa do Tommy Lee Royce.
Demonstraste ter pouca capacidade de discernimento ao apareceres.
- Catherine? - Sim, ainda estou aqui.
Bem, para de te chatear com isso e iliba-te de uma vez.
Não consigo, já verifiquei tudo.
O calendário, a carteira, o smartphone,
os meus turnos, já vi tudo.
Não tenho nada.
Não fiz nada com ninguém
que me possa dar álibi para esses dias...
Devo ter feito, mas não tenho nada que o prove, certo?
Chefe?
Mike?
Olá, pai!
Podes comer uma maçã, mas mais nada.
Já estás em casa?
Fui chamado para vigilância. Estamos a seguir um suspeito.
Está bem. Como estás?
Estou bem.
Vou estar fora uns dois dias.
Se demorar mais que isso, aviso.
- Apanha esse sacana. - Nós apanhamos.
- Certo, até logo. - Adeus.
Adeusinho.
- Onde vai ele? - Trabalhar. É sempre trabalho.
E como é que isto vai funcionar?
Tenho de ser sincero...
Não tenho muita vontade de entrar em intimidades contigo
sabendo que tens aquelas fotografias minhas sabe-se lá onde.
Que disse ela?
A Amanda, quando lhe contaste.
Disse que sabia.
Que sabia há algum tempo. Bem, suspeitava.
- Ela perguntou quem eu era? - Perguntou.
- Contaste-lhe? - Não.
Sei que estás preocupado com os teus filhos, mas há de correr bem.
Trá-los para cá.
- Não tens espaço suficiente. - Óbvio.
Precisamos de casa maior.
A dada altura, sim.
Vais ter de me dar o telemóvel e tudo onde guardaste as fotos.
Temos de recuperar a confiança que tínhamos, não é?
Bem, pelo menos eu.
Então ela não se passou?
- Não fez uma cena? - Não.
Pergunto-me porquê.
Talvez ainda não tenha digerido tudo... Não sei.
E não queria fazer cenas à frente dos nossos filhos.
- Ela não te seguiu, seguiu? - Duvido.
Fiz mussaca.
Aqui está ele.
- Tu escapuliste-te. - Tinha coisas para fazer.
- Onde está a Clare? - Acho que estão no jardim.
Ela e a Ann. Acho que foram fumar.
Ela acha... Que não sei que ela fuma.
A Ann, não estou a falar da Clare. A Clare eu sei que fuma.
Clare?
Oh merda, já chegou.
- À noitinha. - Finalmente!
Que estão a fazer?
Está tudo bem, tem calma.
Só precisava de alguma coisa para esquecer.
Para onde foste?
- Quanto é que ela já bebeu? - Não sei, não contei.
- Não comeces! - Não começo?
Pode beber, é um funeral.
Vai para o carro.
- Então, Catherine, ela não tem 15! - Então, Catherine!
- Não! - Pousa isso.
- Não preciso. - Ótimo, pousa.
Por que não descontrais?
Tinhas de deitar tudo a perder logo hoje?
A Helen ia ficar tão orgulhosa de ti.
Deixa-te disso, isso foi um golpe muito baixo.
Que te diria ela, então? Vá, pousa lá isso.
Andei muito nervosa hoje.
Eu sei, mas podes tomar a decisão certa. Agora.
Para que isto não piore. Quando começou?
Não fales comigo como se tivesse 6 anos ou como se não estivesse aqui.
- A Clare é alcoólica. - Não sabia disso.
Pronto, vá, envergonha-me.
- Quando é que começou a beber? - Ela não bebeu muito.
Ela quem? A mãe do gato?
Não te quero envergonhar,
só quero que não piores mais as coisas.
Pousa isso e espera por mim no carro.
Por favor.
Queres que te trate como irmã
ou como agente da polícia? Coisa que farei se for preciso.
- Não fiz nada ilegal. - Pois.
Mas se continuares o mais provável é que faças.
Bem...
Tenho de dar uma mija antes de ir.
Está bem.
Desculpa, Catherine. Não fazia ideia.
Vai revirar o frigorífico e os armários à procura de coisas para levar.
Oh raios, pois é... Segura aqui.
O problema é... Como é que sei que não as tens gravadas noutro sítio?
Porque te estou a dizer.
Mas isso já não importa, importa? Estás aqui.
Decidiste vir para cá. Só isso importa.
Mesmo que as tivesse noutro sítio, que não tenho,
desde que estejas cá, isso não importa.
E se me for embora? Vais lembrar-te que afinal ainda as tens noutro sítio?
- Vais embora? - Não.
Pronto, então...
- Mas tens? - Tenho o quê?
- Guardadas noutro sítio? - Não.
Claro que tens, não sou estúpido.
Só usei o telemóvel para te tirar as fotos e as mandar para ti por email.
Bem, na verdade...
Podia tê-las enviado para o meu email também
e a uma série de outras pessoas e tê-las guardado.
Mas não o fiz.
Vais ter de confiar em mim.
- Confiar em ti? - Sim.
Sabes que me podias ter matado com aquela droga?
Onde a arranjaste?
Pela Internet.
Veio do quintal de uma pessoa qualquer? Cheia de merda!
Podia ter morrido!
- Quem dera que me tivesses matado. - Podemos...
Fazes ideia de como tenho andado nos últimos 10 dias?
Podemos continuar a insistir no assunto ou seguir em frente.
Vou ter de destruir o teu computador.
Não vais destruir o meu computador.
- Enviaste-as a mais alguém? - Não.
- Enviaste? - Não.
Pudim?
Para! Não te atrevas a mexer nas minhas coisas!
Sua... Cabra!
Estavas a merecê-las!
Calma, para com isso.
- Para, acalma-te. Larga-me! - Larga-me tu!
Larga-me, filho da mãe!
Vicky!
Larga-me! Larga...
Larga-me, larga-me!
Eu grito, olha que grito, John!
Estás a magoar-me!
Não o devias ter feito!
Não o devias ter feito!
Eles não sabiam que ela não podia beber.
- Que está a fazer? - Não sei, mas pelo menos está aqui.
Só se fugir pela janela.
Vou lá fora fumar um cigarro.
Se a Gestapo deixar.
Para onde ia ela?
Já passa das 23h. Ninguém a serve.
Que está ela a fazer?
Está a acender o cigarro.
Pode ir ao Jockey's. Estão sempre abertos.
Isso não fechou?
Só está a fumar.
Mãe.
- Clare? - Que caraças!
- Clare! - Deixas-me em paz?
- Onde vais? - A lado nenhum!
- Vou contigo. - Está bem.
- Eu sei onde vais. - Não quero saber.
Não faças isso.
Preciso de espaço, preciso que pares de me chatear, Catherine.
- E o Neil? - Que tem ele?
É isso que te faz. Torna-te egoísta,
e tacanha e desagradável e tu não és assim.
- Nem gostas dele! - Nunca disse isso.
Investigaste-o!
As pessoas não precisam de falar para sabermos o que pensam!
Só um dia, só por um dia, importas-te de me deixar em paz?
Não, é precisamente hoje que não te posso deixar!
Por favor, não faças isto! Digo-te isto porque te adoro!
Estou-te a implorar, eu imploro! Faço qualquer coisa.
Eu fico bem. amanhã começo outra vez.
Amanhã vais querer beber mais
e se beberes agora, vais... - Sai-me da frente!
Estou farta de ti e das tuas conversas de merda de polícia!
Se fores ao Jockey's uma coisa vai levar a outra!
Sabes que tenho razão, não há nada que não possas comprar por lá!
Não mandas em mim, Catherine!
Sai da minha vida! Vai embora. Vai embora!
Está bem, então.
Vou fechar a porta
e podes bater à vontade porque não entras.
Está bem.
Vou pôr as tuas coisas todas fora da porta, na rua.
Faz o que quiseres.
E não te esqueças
que anda por aí um gajo a assassinar mulheres vulneráveis
que andem sozinhas de noite!
Merda.
Legendagem: Marlene Morais
Ripadas e sincronizadas por: PT-Subs Rips
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