All language subtitles for Mrs. Soffel - 1984

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Original subtitles

Senhor Jesus, oramos-te mais uma vez pelo Ed e pelo Jack Biddle.

Ouve a minha prece pelos Teus cordeiros perdidos, Pai...

...que sofrem de injustiça às mãos do mal, homens injustos.

Dá força àqueles rapazes, Senhor.

Sê misericordioso com eles.

Enche-lhes o coração com a esperança que só Tu lhes podes dar, querido Jesus.

Conheces a sua inocência.

Se houver uma hipótese, se for a Tua vontade...

...não os deixes morrer.

Não merecem morrer, Senhor Jesus.

Querido Pai, ouve a minha prece pelos Teus cordeiros perdidos.

Voltam já para a cama. Todos!

Vão.

Volta para a cama, Clarence.

Vai lá.

Peter?

Sonhei que estava perdido numa tempestade de neve.

Não conseguia respirar.

Alguém puxou-me para um lugar seguro.

Céus, Kate.

Pobre Peter.

Estou a desgastar-te.

Não.

Peter?

- Toma, bebe isto. Ajuda-te a dormir. - Peter?

Sei o que o sonho significa.

Vou ficar melhor.

Deus estava a dizer-me que não vai deixar-me morrer.

Sim.

Agora bebe isto, vá.

Bebe isto. Ajuda-te a dormir. Vá lá, agora.

Expresso! Os Biddles recorrem hoje! Expresso da Manhã!

Obrigado, rapaz.

Vamos lá, senhoras. Vão andando, por favor.

Está bem, Sra. Fitzgerald, por favor.

Miúdos, saiam da rua.

Libertem os Biddles! Libertem os Biddles! Libertem os Biddles!

Lamento, Jessie. Perguntei e eles disseram que não.

Só quero vê-lo.

Sei que quer. Lamento.

Vamos até ali.

Senhor?

Com licença, senhor. Fiz isto para o Ed.

Não, não posso. Vai contra as regras.

- Diga-lhe que é da Leota Yoeders. - Por favor, dê isto ao Jack.

- Só para nós, por favor! - Lamento, não posso.

Por favor, senhor?

Bom dia, cabeça de alho chocho!

- Obrigado! - Malditos miúdos!

Não, eu não mato mais nenhum!

Clarence Soffel, tens-te portado tão mal!

- Por favor, não me mates! - Vou levar-te para a Ala dos Assassinos...

...e prender-te para todo o sempre.

Não volto a matar ninguém! Por favor!

Esperemos que o Governador entenda o nosso ponto de vista.

Clarence! Desaparece!

Depressa! Depressa!

Lamento, rapazes. Lamento mesmo. Fizemos o melhor que pudemos.

Enforcam-nos aos dois por um único assassínio. É um truque simpático.

- Obrigado. - Vamos lá, rapazes.

Amigos, não se esqueçam de nos enviar a conta.

Margaret, Eddie, Clarence.

Ouvi dizer que andaram a brincar numa zona que lhes é proibida.

E agora, estão atrasados para a escola. Não é assim?

Três pequenos criminosos.

Percebem o quanto a vossa irmã trabalha para cudar de vocês

e de mim e da vossa pobre mamã?

E quando fazem alguma coisa errada que perturba,

têm de ser castigados, não têm?

- Sim, senhor. - Sim, senhor.

Responde ao Papá, Margaret.

Estou a pensar.

Creio que a sentença pode ser suspensa desta vez. Está encerrada a sessão.

Mamã!

- Mamã, está a pé! Está melhor? - Sim, estou melhor. Já estou bem.

- O que faz fora da cama? - Já estou bem.

- O papá suspendeu o nosso castigo. - Ai suspendeu?

Irene, diz à Maggie para chamar o médico.

Não, Peter, ele nunca soube o que é que eu tenho.

- Não vejo o que possa fazer. - Como pode alguém estar doente por 3 meses

e de repente levantar-se uma manhã e estar bem? Não faz sentido.

Por favor, Peter.

Não preciso de ir ao médico.

É melhor irem todos para a escola, então. Vamos.

Já estão atrasados...

Anda lá, cabeça oca.

Quem te nomeou director da prisão?

Cala-te tu.

Boa tarde.

Boa tarde.

Harold.

- É bom tê-la de volta, Sra. Soffel. - Gostaria de uma bíblia?

Tenho andado a fartar-me destes rapazes mais as suas caras feias.

Isto nunca muda, pois não, George?

Não, minha senhora, acho que não.

Porque não vens até aqui fazer-me uma visita, giraça?

Tu cala-te!

Boa tarde.

Então, Lenny, pensei que nos tinha deixado em Setembro.

Eles encontram sempre alguma coisa para acusar um tipo honesto como eu.

Vai ficar satisfeita por saber que fui à igreja 4 vezes quando estive lá fora.

Não parece ter-lhe feito muito bem.

Preciso de uma moeda, George, para o saco das apostas.

Continua com o teu trabalho.

Ele dá-me arrepios. A apostar quando alguém vai ser enforcado.

Sra. Soffel.

- Olá. - Obrigado.

- Obrigado. - Obrigado.

Deixe-os ficar. Não estão a estragar nada.

O Director Soffel crê que a cela de um homem reflecte a moral do seu carácter.

Nós não temos carácter moral. Somos assassinos.

Não é, Jackie?

O teu irmão luta sempre por ti, Jackie?

Entra para ali! Vá lá!

Estás morto.

Ouvi dizer que é ao contrário, Eddie.

Afasta-te da porta para a inspecção.

- Ed! - Sra. Soffel! Céus!

Não!

Parem!

Parem!

Levanta-te!

- Sra. Soffel, Está a sangrar! Está ferida. - Não, não!

O sangue é dele.

Calma!

Calma!

Deixem-no estar, sacanas!

É melhor dar-me o braço. Está um bocado pálida.

Não, obrigada Sr. Reynolds.

Tome, limpe o rosto. Vá, vá.

- Vá lá. - Obrigado.

Sra. Soffel. Esposa do Director Soffel.

- Vai dizer ao Director que temos... - Vocês começaram!

- Temos mais 4 celas ali ao fundo! - Não se preocupe, Jack.

Dois dias à fome farão bem à alma do Eddie.

Onde arranjou essa cicatriz no rosto, Sr. Biddle?

Quando nos prenderam.

Atingiram-no a tiro?

Não, minha senhora. Disparei em mim mesmo.

Queria matar-me. Não lê os jornais?

Bem, lamento muito.

- Lamenta pelo quê? - Gostaria de uma bíblia, Sr. Biddle?

Lamenta pelo quê? Porque vamos ser enforcados?

Sim.

Não acha que os assassinos devam ser enforcados?

Não acredito na forca. Aceite-a.

Queres uma bíblia, Jack?

Não. Quero um cigarro.

Não, obrigado, minha senhora.

Vamos morrer mas não estamos assim tão desesperados.

Sra. Soffel, o Director diz para o metermos lá dentro.

Bem, Jack, pelo menos não tenho de te ouvir a ressonar, esta noite.

Pois é.

Sra. Soffel?

Que tipo de flor diria que essa é, aí mesmo?

Não sei.

Diria que é uma violeta?

Acho que é uma violeta, não acha?

Sim.

Eu também acho.

O George disse que conheceu os Biddles hoje. Não acha o Ed bonito?

Não especialmente.

Aí está o toque para o jantar, finalmente.

Margaret.

Para que é isto tudo?

Este é o Ed. Este é o Jack.

E esta é a miúda do Ed, a Jessie. Ela é actriz.

Este é o livro bonito que a avó te deu. Era para espalmares flores nele.

Estou a fazer um registo de toda a injustiça que os Biddles sofreram.

- A prisão não é o lugar deles. - É sim, se mataram alguém.

Mamã, o Ed e o Jack estão inocentes.

Foi o parceiro deles quem atingiu o merceeiro na cabeça.

Um júri achou-os culpados, querida.

Depois de considerarem e perguntarem... Estás a ouvir?

Estás a ouvir?

E pedirem orientação ao Senhor...

...o juiz deu-lhes a sua sentença.

Mas, Mamã, os Biddles cometeram 90 roubos em 90 dias

e nunca magoaram um cidadão.

- O Doman é um drogado. - Já chega!

Anda, Margaret. Vai para a cama.

É de admirar que não tenhas pesadelos. Sabias?

Eu tenho. Sonho com os rapazes.

Tenho medo que o Papá sofra uma maldição por enforcá-los.

Vá la, anda, vá.

- Deixe-me contar-lhe mais uma coisa. - Não.

Não, quero que fiques calada e vás dormir.

Tiveram de tirar o cérebro do merceeiro da parede.

Tens uma imaginação enorme, isso vai trazer-te muitos problemas.

Sim, receio que o diabo esteja a vencer a batalha pela minha alma.

Então acho que é melhor fazeres as tuas orações.

“Pelo rio e para o fogo, Vão as meninas quando expiram”

“Pai que estás no céu”

“à medida que a noite se aproxima”

“suplico-Te que ouças a minha humilde oração.”

“Livra-me sempre de fazer o mal.”

“Mantém-me segura, mantém-me forte.”

“E mantém-me cristã para toda a minha vida.”

“Ámen.”

- Boa noite. - Boa noite.

Vais dormir?

Está bem.

- Gosto muito de ti. - Também gosto muito de si.

Boa noite.

Boa noite, Peter.

Kate.

Estava só...

...a pensar, agora que estás a sentir-te melhor...

...se vais continuar a usar o teu próprio quarto.

Acho que é melhor, por agora.

Foi só uma pergunta.

Esquerda, esquerda...

...esquerda. Mais afastado, Johnny.

Duas de seguida? É isso que queres ver?

Dou-te um cigarro.

Olha agora, mano.

Vá lá, rapazes. Força.

Stevens!

Seis.

Tira só duas do carrinho, Agnes. Acho que não vamos precisar de mais.

Que tal um cobertor, Sr. Biddle? O frio está a ficar agreste, agora.

Obrigado, minha senhora.

Sr. Biddle?

Deixo-o aqui. Pronta, Agnes?

Porque não vende isso a alguém suficientemente estúpido para acreditar?

Para que é que mo deu?

Pensei que a palavra de Deus pudesse ser um conforto para si.

“...e eis um cavalo amarelo,”

“e o que estava sentado sobre ele tinha por nome Morte;”

“e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra,”

“com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra.”

Isso soou mesmo bem, Ed. Talvez devesses ter sido um pregador.

Tinha intenção de incutir o temor a Deus em mim?

Não, e não teria sugerido começar pelo Apocalipse.

Costumo sugerir algo mais adequado para prisioneiros.

Costuma?

Sim, costumo.

Há uma parte muito agradável em S. Lucas.

Quer lê-la para mim?

Sim.

“Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos.”

“Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.”

Esta é uma das minhas partes favoritas.

“Bem-aventurados sereis”

“quando os homens vos aborrecerem”

“e quando vos separarem,”

“e vos injuriarem,”

“e rejeitarem o vosso nome como mau...”

As pessoas não o tratam a si e ao seu irmão assim, Sr. Biddle?

- Deixe-me de fora. - Sra. Soffel.

São quase horas do meu jantar.

Porque não vais andando, Agnes? Fico bem aqui.

“Folgai nesse dia, exultai;”

“porque, eis que é grande o vosso galardão no céu...”

Qual é o meu galardão?

O seu galardão celestial.

Deus faz-nos miseráveis nesta vida para que nos faça felizes na próxima?

- É isso? - Não.

Creio que significa que quando sofremos, não devemos perder a esperança.

- Esperança de ir para o céu? - Sim.

Consegue ver-me lá em cima, a flutuar numa nuvem, a tocar harpa para os santos?

- Queres ir para o céu, Jack? - Não sei. Conheces lá alguém?

Eu imagino o céu... Imagino o céu como um lugar de paz.

- A morte seria paz. - Não. A morte não é nada.

Porque nos daria Deus esta vida curta cheia de problemas e não uma melhor depois?

- Porque Ele não quer saber. - Deus quer saber.

Deus quer saber até de si.

Até de um assassino imundo como eu?

Não foi isso que eu quis dizer.

Acha que sou um assassino, Sra. Soffel?

É, Sr. Biddle?

Ed.

É um assassino?

No meu coração...

...sou.

Não quero mais nada do que enviar o porco mentiroso

que nos pôs aqui para o céu dele.

Por isso, acho que sou um assassino...

...no meu coração.

Não sou, Kate?

Se realmente quer cometer um assassínio, então sim...

...acho que é um assassino no seu coração.

Então acho que não sou digno da salvação.

Sra. Soffel?

Não sou.

Não sou um assassino.

Silêncio!

Então eles vêm cá acima apagar o fogo.

Depois agarramo-los e tiramos-lhes as chaves.

E se eles não vierem?

Isto é, e se eles nos deixarem arder?

O quê?

O que estás a escrever agora, os nossos testamentos?

Sei.

Jack?

O que é?

Onde estarias agora...

...se não te tivesses encontrado comigo e com o Walter?

Vai dormir.

Eu disse-lhes que estavas inocente.

E eles acreditaram no Walter.

Não tentei?

Sim, sei que tentaste.

Não posso morrer antes de te compensar.

Pára de falar sobre morrer!

Estás sempre a falar como se...

Vai mas é dormir.

Não vou deixá-los enforcarem-te.

Acreditas em mim?

Maninho?

Ed.

Bom, acreditas em mim, Jack?

Claro.

Claro, acredito em ti.

Mamã?

O que foi, Irene?

Deixou o aquecedor acesso no salão. Eu desliguei-o.

Obrigada.

Chegaste agora a casa?

O Billy acompanhou-me desde o encontro da casa de comunhão.

- Boa noite. - O Billy já teve notícias da escola?

Bom, não, ainda não. Mas ele está comprometido para entrar.

Está a formar-se um belo romance, entre vocês os dois.

Não é um “romance”, Mamã.

Faço tenção de casar com o Billy.

Bom, teremos muito tempo para pensar nisso.

Ele vai dar-me um anel de noivado pelo Natal.

O Papá sabe.

Mal fizeste 16.

E a Mamã tinha 17 quando casou com o Papá.

Boa noite, Mamã.

Não devia estar sentada ao pé da janela, vai constipar-se.

Céus, está quase teso por causa do gelo.

- Eu sei, mas cheira a mofo. - Vamos levá-lo para dentro.

- Espero não a ter assustado. - Não.

Traz um vestido bonito.

Para trás, Sr. Biddle!

Vai voltar e ler para mim outra vez, não vai?

Eu vou à prisão todas as Terças e Quintas.

Maggie, o batedor de tapetes.

Maggie.

“Podem perguntar porque, além de toda a esperança, mantemos a nossa inocência?”

“Qualquer mãe inteligente em Pittsburgh sabe a razão.”

“Porque é verdade.”

Os amigos de Jó estão a argumentar que, se Deus fez Jó sofrer tanto,

ele deve ser culpado de um grande pecado pois Deus não castiga os inocentes.

Deus castiga sempre os inocentes. Porque será, Kate?

- Deus quer testar o nosso amor por ele. - Torturando-nos?

Sei que as pessoas inocentes sofrem.

Tenho andado por esta prisão há anos...

- Então sabe tudo sobre isso. - Sei o suficiente.

Não sabe o que significa estar aqui.

Por isso não finja que sabe.

De qualquer modo, ninguém é completamente inocente.

Todos pecamos.

Deus castiga-a pelos seus pecados, não é, Kate?

Acho que sofre.

Não venho aqui para discutir os meus pecados consigo.

Costumo ter uma visão...

...deles...

...a levarem-nos para a forca.

E levam o Jack para cima primeiro...

...por isso eu tenho de assistir.

Escreveu uma carta muito boa.

Ed?

Talvez tenha notícias do Governador em breve.

Fará uma oração?

- Fazemos isto outra vez? - Gostas?

Um, dois, três...

- Um, dois, e... - Três!

O que aconteceu, Mamã?

Não sei.

Venham, todos, vamos dar a volta. Clarence, pára com isso.

Por favor, venham. Margaret, vem. Vamos depressa. Vá lá.

Boas notícias, rapazes.

“Os Biddles Vão Ser Enforcados.”

Escreveu isto?

É verdade.

Quer ler-mo?

Claro.

Não se ria.

“Apenas uma pequena violeta do outro lado da via”

“Veio animar um prisioneiro na sua cela um dia”

“Apenas uma pequena flor enviada por uma amável mão”

“Tem um significado bondoso que só entende um verdadeiro coração”

“Apenas uma pequena violeta colhida com ternura”

“Deus sorriu-lhe e à sua formusura”

“E logo aquela pequena oferta

embrulhada em tão pura mão” “Repousa sossegada num túmulo

sobre o qual bate um verdadeiro coração.”

- Porque haveria de escrevê-lo para mim? - O que a leva a pensar que o fiz?

Leve-o. Em troca daquilo que me deu.

Um homem na Gazette ganha 50 cêntimos por um desses.

O que farão agora os vossos advogados, Ed?

Eles já nos deixaram.

- Acho que devo ir, agora. - Deus não respondeu à sua prece, pois não?

- A minha prece? - Não orou por nós?

Sim.

Então diga-me, porque quer Deus que morramos?

- Diga-me porquê. - Não posso fazer isso.

Porque eu e o Jack estamos tão inocentes como neve.

- Sabe disso. - Como posso sabê-lo?

Porque me conhece e eu estou a dizer-lho.

- Não! Eu tenho de ir. - Quase me salvou.

- Largue-me, Ed! - O que está a fazer?

O que quer de mim? Vem aqui à procura de quê?

- Chamo o guarda se não me largar! - Dê-me a sua mão!

Carregue aqui!

Sente como o meu pescoço é forte?

- Nós tencionamos sair daqui. - Maldito sejas, Ed, és louco.

- Vai denunciar-nos? - Oh, Deus!

Deus? Deus não a vai ouvir. Não está na igreja, agora.

Desculpe.

Não.

É a nossa única amiga e eu magoei-a.

Guarda?

Querido Pai, por favor, perdoa-me.

Perdoa-me por ser uma pecadora tão má.

Estou tão envergonhada, querido Pai. Por favor, ajuda-me e guia-me.

Dá-me força para superar estes pensamentos.

Sei que sou fraca. Perdoa-me por...

Maggie.

- Sr. Kelly. - Bom dia, minha senhora.

Bom dia.

Ela não te vem ver há 5 dias, pois não?

Não nos vai denunciar, prometo.

O que achas que estás a fazer?

O que achas que estás a fazer?

“O meu marido e eu dedicamo-nos à reforma dos criminosos.”

“Mas a pena capital não permite reforma ou misericórdia”

“e não há hipótese de corrigir o insucesso da justiça.”

Meu Deus, Kate! O Governador?

“Junto-me a outros homens e mulheres cristãos nesta grande cidade”

“incitando-o a conceder ao caso dos Biddles uma revisão oficial.”

- Perdeste o juízo? - Não foste tu quem o escreveu.

Fui eu. Eu assinei-o.

Várias pessoas o fizeram.

Não estão casados com o Director da Prisão do Condado de Allegheny!

- Precisas de ir ao médico? - Não!

Pelo modo que estás a comportar-te, parece!

Queres que perca o emprego?

- Queres? - Não.

Talvez precises de descanso.

Talvez a Mãe pudesse fazer-nos suma visita.

Ou tu podias ir para casa dela, ou podias ir para casa da tua irmã.

Peter.

Achas que estou desequilibrada?

Achas?

Kate?

Se não fores, proíbo-te de visitares os prisioneiros!

Agora não!

Não estás capaz de separar os teus deveres das tuas simpatias.

Não é simpatia! Acho que está errado!

Não te cabe essa decisão.

Está bem. Está bem.

Escreve à Elsie ou à tua mãe. Para onde quiseres mandar-me.

Vamos entrar para jantar.

Clarence.

“Deus é grande, Deus é bom. Dêmos-Lhe graças pela nossa comida. Ámen.”

Ámen.

Boa noite, Director. Vai sair esta noite?

Sim.

George!

O que...?

- Espere, só um segundo. - Temos de ir ao corredor!

- Despache-se! - Sra. Soffel, por favor! Posso perder o emprego!

Por favor, George, por favor, despache-se, há fogo!

- O quê? - Há fogo!

Depressa!

McGarey! Há fogo!

Socorro! Fogo! Fogo!

Santo Cristo!

Tirem-no daí!

Ajudem-no!

Tirem-no daí!

Ajudem-no!

Pare! Ajude-o, George!

Ajude-o!

- George, não consigo abrir! - Está bem, tenha calma.

Tirem-no daí!

Abra a porta!

Ed!

- Devia ter-me deixado morrer. - Chiu, não fale.

Pensei que nos tinha abandonado.

Devia ter-me deixado morrer.

Não deixo.

Confias nela?

Confias em mim?

Como é que ela vai ajudar-nos?

Deus encontrará uma maneira.

Deus? Agora acreditas em Deus?

Ela acredita.

Eis o meu relatório dos prejuízos. Verifique-o e eu assino-o.

E se alguém perguntar, eu estava fora. É tudo.

Pensei que ias para casa da Elsie, esta manhã.

Parece-me que, se vamos enforcar pessoas,

podemos pelo menos dar uma oportunidade a Deus para lhes salvar as almas.

Concordo contigo. É por isso que temos um capelão na prisão.

Vai para casa, Kate.

Sr. McNeil.

Tudo o que fiz foi ler para alguns homens desesperados e salvar a tua prisão do fogo.

É assim tão irracional?

Está bem.

Mas o Sr. Biddle vai ter de permanecer na solitária por enquanto.

Se tu e Deus não se opuserem.

“...crêem para a conservação da alma.” Agora vou ler...

...Capítulo 11. Hebreus, capítulo 11.

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam,”

“e a prova das coisas que não se vêem.”

Alguém gostaria de ler o próximo versículo?

Alice, leia o próximo versículo.

“Porque por ela, os antigos...”

“Alcançaram.”

“...alcançaram testemunho.”

“Pela fé...”

- “Entendemos,” - “...entendemos...”

“...que os mundos, pela palavra de Deus foram criados;”

“de maneira que, aquilo que se vê...”

“...não foi feito do que é aparente.”

Minha querida Kate,

Quando o Sol nasceu, hoje de manhã,

senti-me muito bem, como um homem renascido.

És uma flor viva, cheia de luz,

e eu sou uma que morre.

Mas estás disposta a partilhar a tua luz comigo.

Por agora puseram-me no buraco.

Mas não venhas. Temos de ter cuidado.

Conheci um homem no Ohio que serrou as barras da cela.

Manteve-as no lugar com cera de vela,

pelo que nunca ninguém soube

até ter fugido.

O Jack e eu podíamos fazer o mesmo,

se tivéssemos serras.

Se concordares com isto,

põe a mão sobre o peito, onde quer que estejas, e compromete-te.

Onde quer que eu esteja, ouvirei o teu compromisso.

O céu brilha sobre ti, minha Katie.

O teu Ed.

Trouxeram-no para fora?

Deram-me banho.

Está bem?

Agora estou.

Tenho o que querias.

Espero que possamos continuar as nossas lições da bíblia.

Sim, minha senhora.

Gostava de começar com uma selecção de “I Aos Coríntios”,

Capítulo 13, versículos 1 ao 4.

Está nas minhas botas.

Aproxima-te.

Vigia a porta, Jack.

Lê a tua Bíblia.

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos,”

“e não tivesse caridade, seria como o metal que soa”

“...ou...”

“...como o sino que toca.”

“E ainda que tivesse o dom de profecia,”

“e conhecesse todos os mistérios”

“e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé,”

“de maneira tal que transportasse os montes,”

“e não tivesse caridade,”

“nada seria.”

Clarence, espera.

Muito bem. Um.

Não.

Sim.

O que estás a fazer?

Faltam duas laranjas da despensa. Eddie?

Clarence?

Clarence. Muito obrigada.

Obrigada, Clarence.

Vamos recomeçar do início, Margaret. Está bem?

Um e dois.

Desculpa. Um e Dois. Muito bem.

Muito bem.

“A caridade nunca falha, mas, havendo profecias,”

“serão aniquiladas.”

“Agora, pois, permaneçam a fé, a esperança...”

“Agora, pois, permaneçam a fé, a esperança e a caridade, estas três;”

“mas a maior destas é a caridade.”

A caridade?

O amor.

Um, dois, três. Luzes!

Desçam!

- Podemos brincar com o combóio, Papá? - Sim, está bem, mas tenham cuidado.

Está bem. Agora, vamos abrandar. Empurra para o outro lado. É isso.

Posso tentar, Papá?

Eu sei, assustou-te. É um combóio rápido, não é?

- Posso tentar? - Sim, está bem, daqui a pouco.

Agora, não muito depressa no freio.

Um pouco de velocidade. Ah rapaz!

- Quero brincar. - Vão ter de partilhar o combóio.

- É a minha vez. - Deixa o Eddie experimentar.

- Pára. Os controlos são meus! - O Papá disse que eu podia ter os controlos.

Minha querida?

Porque não nos sentamos aqui?

Irene, posso ver o teu anel?

Mostra o anel à tua prima, querida.

Aqui está. Não é lindo?

- Não é uma pedra adorável? - O Billy escolheu-a para mim.

Olha para o piano.

“Paz na terra, boa vontade para com os homens”

“Do Rei gracioso dos céus!”

“O mundo em silêncio solene permanece”

“Para ouvir os anjos cantar”

“Ainda por...”

Número três.

Eu disse ao Director que vocês os dois têm sido tão bons,

que devemos mudá-los de volta para as vossas celas assim que estiverem prontas.

Vês?

O velho Jimmy tem cuidado de vocês.

Nós agradecemos.

- Minha senhora. - Sr. McGarey.

“O bom Rei Venceslau olhou para o festim de Estêvão...”

- Esconda essas assim que puder. - Eu escondo.

Adeus, Jack.

Obrigado.

Verifiquei o horário. Só há dois guardas de serviço, esta noite.

É melhor ires.

Vai lá, vai.

Adeus.

Não, espera.

- Não lhe vais perguntar? Pergunta-lhe! - Perguntar-me o quê?

Ontem à noite decidimos que precisamos de uma arma.

Não, nada de armas.

- Fala com ela! - Não te vou trazer uma arma, Ed.

Está bem.

Estou a pedir-te. Se sentes alguma coisa...

Não achas que sei porque namoriscas comigo e me pegas na mão?

Achas que me consegues convencer para tudo?

Consegui, não consegui?

Quero que saibas, não sou uma dessas meninas de escola

que ficam lá fora a chorar por ti!

Então porque não nos denuncias? Porque não chamas o guarda?

Guarda!

Raios partam, chama um guarda!

Cala-te!

“Querido Pai...”

“...como eles estão prestes a deixar este mundo, Pai,”

“concede-lhes a coragem para enfrentarem o teu julgamento.”

“Ajuda-os a aceitar o Teu amor e perdão.”

- “Condu-los para o reino...” - És louca.

Age como se ninguém fosse morrer, aqui.

Amanhã podemos estar mortos. Tu não.

Nós.

Vá lá, Jack.

- Larga-a! - Podem ir os dois para o inferno!

Achas que me conheces, não achas?

- Dá-me a barra! - Achas que me conheces?

- Não. - Cala-te!

Aqui está o vosso jantar, rapazes.

Venham, despachem-se. Vai ser bom visitarem a tia Elsie.

Vão brincar com a Jeannie e eu vejo-os daqui a alguns dias. Eddie,

quero que deixes o Clarence sentar-se ao teu lado no táxi. Agora dá-me um beijo.

Clarence, põe o teu chapéu. Dá-me um beijo de despedida.

- Adeus. Margaret, Vou sentir saudades. - Adeus, Mamã.

Irene, despacha-te! A tia Elsie está à espera!

Vou ao baile de Ano Novo amanhã com o Billy.

Não estou a pedir. Estou a dizer-te para te despachares.

Quero perguntar ao Papá.

Leiam aqui! Os Biddles são enforcados amanhã.

Os Biddles são enforcados amanhã.

Fico contente por teres mandado as crianças embora, por causa de amanhã.

A Elsie vai ficar com a casa cheia.

- Como está? - Bom.

Muito bom.

- Quando volta a Maggie? - De manhã.

Sabes,

no outro dia uma mulher parou-me na rua para me dizer que eu era

tal e qual como um assassino?

Como se eu fosse o juiz, o júri e o carrasco, tudo em um.

“Apenas cumpro o meu dever, minha senhora”, respondi-lhe.

“O que quer que os tribunais”

“e o painel da prisão”

“e o Governador decidem, como vê, tenho de cumprir.”

Tudo o que sei é que aqueles rapazes são culpados e merecem morrer.

Achas que podíamos ir para qualquer lado?

Para longe da prisão? Preciso de me afastar por um mês.

Tu e eu?

Podíamos deixar as crianças com a Elsie e partir para o nosso próprio algures.

- Eu não tenho tempo nenhum... - Leva-me a algum lado. Só por um mês.

Ou talvez algumas semanas e eu prometo, quando voltarmos,

vou ser uma boa mãe e uma boa esposa

e nunca mais adoeço. Peter, por favor?

- Sei que a vida é dura aqui... - Não, não é por isso.

Mas é uma boa posição.

Não ficaremos aqui para sempre.

Se puderes ser paciente.

Sim.

Socorro!

Guarda!

Espera!

O que estão a fazer?

Pára de lutar e dá-me a tua perna!

Noite sossegada?

- É um desenho bonito. - Todos os homens deviam ter um passatempo.

Levanta-te!

Tira-o de cima de mim!

É pesado.

Anda, ajuda-me. Empurra.

- Agora é a tua hipótese. Tens de ir, Ed! - Contigo.

Ed, temos de ir.

- Vem. Vem comigo. - Não, não posso.

Ed, anda lá!

Vai.

Não.

Vem comigo.

Jessie? Não vens trabalhar hoje?

Não, hoje não vou. Vão andando sem mim.

Está bem. Vemo-nos amanhã.

Dava-me jeito um mapa ou algo assim para planear para onde vamos.

Estamos em boa forma. Não te preocupes.

Como é que ela vai viajar convosco?

Olha para ela. Olha para os sapatos dela.

- Ela só vai atrasar-vos. - Ela tem razão.

Será que fugimos da prisão só para sermos apanhados?

Perdeste a fé em mim, Jack?

- Não. - Porque é o que parece.

Jack, devias sair sozinho e salvares a ti próprio.

- De que serve ser morto por causa dela? - Cala-te, Jessie!

Obrigado, senhor. Havemos de pagar-lhe, se pudermos.

E tenho orgulho em fazê-lo. Gostava de poder ajudar mais os senhores.

Tentei ver-te na prisão e eles não me deixaram.

Teria feito qualquer coisa.

Lamento, Jess.

Calça isto.

Talvez me devesses abandonar.

O quê?

Talvez me devesses abandonar.

O objectivo era libertar-vos. A ti e ao Jack.

- Queres voltar? - Não sei.

Por esta altura os meus filhos já vão saber que desapareci.

Se queres voltar, eu levo-te de volta.

A Jessie tem razão. Como podes viajar comigo?

Porque vieste connosco se não sabes?

Olha para ela! Vais-te embora com ela? Olha o que ela fez!

- Não! Eu quero os meus bebés. - Ed, larga-a.

- Deixa-me sair! - Os bebés? Queres os teus bebés?

Mas tu não te calas?

Desculpe.

Lamento muito.

Vamos ou não?

Ouvi dizer que se libertaram e mataram um guarda, depois saltaram o muro.

Com licença, por favor.

O Ed era perverso.

Agrediu-me, quantas vezes foram? Talvez umas 15, 20 vezes?

- E eu não compreendo. - Não, senhor, eu não...

Buck! Os Biddles não conseguem ficar presos. Parece que vai atrás deles outra vez.

Vai ser a última vez, acredite.

“Edward e John Biddle,”

“prisioneiros na ala B da Prisão do Condado Allegheny,”

“fugiram esta manhã aproximadamente pelas 5h00.”

“Aparentemente serraram as barras das suas celas”

“e subjugaram dois guardas que não foram gravemente feridos.”

“De momento, não há pistas sobre o paradeiro dos assassinos.”

“O Detective Buck McGovern que,”

“como todos sabem, prendeu os Biddles na Primavera passada, vai liderar as buscas.”

“Oferece-se uma recompensa de $5.000.”

A sua mulher já foi localizada, Director?

O que é que ela tem a ver com o caso?

A minha mulher, a Srs. Soffel, está desaparecida de momento.

Mas estamos à espera de notícias da parte da irmã, em Mount Washington,

onde, suspeito, ela se tenha juntado aos nossos filhos.

Ela está a começar a abrandar.

Devemos estar a chegar a Perrysville.

Se nos separarmos, Temos de nos encontrar lá.

- Agora, lembra-te do que te disse. - Sim.

- E que foi? - Atirar-me para longe do combóio.

Estarei lá para te apanhar.

Anda.

Muito bem, Kate. Vamos lá.

- Está bem, só um minuto. - Está bem, minha senhora. Só tens de saltar.

Vá lá.

Está bem, Jack. Vai andando. Vai tu primeiro.

Agora, Kate! Agora!

Agora, minha senhora.

Mãe de Cristo! Vá, salta. vá lá.

Salta!

Vai em frente. Pronta?

Muito bem!

Menina?

Desculpe, pensei que fosse o meu marido.

Sou eu.

Assustei-a sem querer.

A minha mulher. A minha mulher. Casámo-nos hoje.

Não é bom perder o seu homem no dia que casa com ele.

As noivas recentes têm tendência a ser assustadiças. Cuide dela.

- Sim, senhor. Pode apostar. - Boa sorte e bom ano novo para vós.

- Bom ano novo. - Bom ano novo.

Bom ano novo!

Jack, queres beijar a noiva?

Pelo amor de Deus, porque não vão contar a toda a gente que estamos aqui?

Lê isto.

Estão a pagar $5.000 a quem nos matar.

Não vamos deixar ninguém receber a recompensa, pois não, Ed?

É melhor tirar essas botas.

Achas que podíamos acender uma fogueira? Está tanto frio.

Só nos fizemos à estrada há duas horas.

Vi um balde de carvão nas traseiras. Achas que podes ir buscar um bocado?

Estás a ouvir-me?

Talvez devesses tentar ouvir-me para variar.

Não achas que é melhor tirares isso?

Usei-a 18 anos.

Anda!

Meu Deus!

“John e Edward Biddle, sob sentença de morte,”

“fugiram da prisão do condado esta manhã em circunstâncias muito sensacionais.”

“Crê-se terem tido ajuda da mulher do Director Peter Soffel..."

Oh, meu Deus!

É tão excitante!

“...com quem escaparam durante a noite.”

“Crê-se que a Sra. Soffel esteja agora sozinha”

“pois, criminosos tão desesperados como os Biddles, não se vão sobrecarregar com ela.”

Espero que a mamã não esteja sozinha. Espero que esteja com os Biddles.

Não, não esperas, Margaret.

Não percebes o que isto significa se ela estiver com eles?

Nunca mais pode voltar para casa. O Papá não permitirá.

Não, se ela estiver agora com esse Ed Biddle.

Isso não é verdade!

Espero que tenham matado a mamã.

Espero que ela esteja morta.

Kate?

Não tinha a certeza se serias tu ou a polícia.

Achas que te abandonava?

Não tinha a certeza.

Passei a maior parte da minha vida na prisão, Kate...

...e às vezes...

...esqueço-me de como comportar-me com as pessoas.

Bom, não estás na prisão agora, Ed.

Vens connosco?

Oh, Ed!

Todos a bordo!

- Vamos depressa. - Depressa para onde?

- Sim, para onde? - Norte, para o Canadá.

Eia!

Bilhetes.

Bilhetes, por favor.

Calma!

Ele apareceu do nada!

Jack, vai atrelar os cavalos.

Ed, vê se ele se magoou. Mas, tem cuidado!

Sente-se, calma.

Como é que ele está?

Eu conheço-o.

Ele está bem! Espera no trenó com o Jack!

Já lá vou ter, Kate. Vai!

Segui-nos desde Perrysville?

Sim, senhor. Pedi um cavalo emprestado.

Sabe quem sou?

O Biddle.

Disse a alguém que nos viu?

- Ninguém. - Certeza?

Sim, senhor. A polícia de Pittsburgh, eles...

Nunca se consegue vencer, pois não?

O quê?

Nada. Desculpe.

- Não faz mal. - Tem um cigarro?

- Importa-se que tire um para o meu irmão? - Não.

Obrigado.

Queria apanhar-nos? Pelo dinheiro?

Bom, dinheiro e ser o homem que apanhou os Biddles.

Olhe...

...vou deixá-lo inconsciente...

...mas não faça barulho como se estivesse ferido ou assim.

- Não faça um som, entende? - Sim, senhor.

Agora, não se preocupe. Sei o que estou a fazer.

- Já desligou? - Quase.

Aguente, vou tentar outra vez.

Estamos seguros. Ele não disse a ninguém que nos viu.

Vamos embora.

Eia, por ali!

Abençoa e guarda estes homens, Pai, na rectidão

da sua missão para caçarem os assassinos de homens inocentes.

Ámen, Reverendo! Já chega. Peguem nas vossas armas e munições, homens!

- Xerife Hoon! - O que querem estas mulheres?

Querem vir com o grupo para terem a certeza que ninguém magoa os Biddles.

Saiam daqui! Voltem para casa, que é onde pertencem!

Perdão, senhor.

Olá. Está perdido?

Não, senhor. Estou a viajar com a minha mulher e o meu irmão.

Se pudesse dispensar uns cobertores ou alguma comida, eu comprava-lhos.

É melhor trazer essa mulher para dentro de casa imediatamente.

Sim, senhor.

Não devia tirar a sua mulher de casa num dia como este.

Temos familiares à nossa espera, no Norte.

Tenho um tio em Erie. Está muito doente.

- Erie? - Sim, senhor.

Ainda tem muito de andar até chegar a Erie.

Quanto falta ainda, senhor?

Bom, estamos a Oeste de Butler.

Eu diria uns 160km de Butler até Erie.

Aí vem ela, agora!

- Com te sentes? - Melhor.

É lindo aqui, não é?

- Mas talvez nos devêssemos despachar, Ed. - Não há pressa.

Esse vestido serve, não serve?

- É melhor ficar com ele. - Não posso, mesmo.

Pertencia à minha mais velha, a Charlotte,

quando era nova. Agora teve cinco bebés

e está grande como um celeiro.

Fique com ele.

E podem ficar o tempo que puderem.

Eu acendo a lareira no quarto das traseiras, lá em cima.

Podem ir lá para cima e deitarem-se.

Descansarem.

O meu irmão é que decide.

Bom, acho que estamos todos a precisar de descanso.

Óptimo!

- Muito obrigada. - De nada, querida.

Obrigada. Obrigada, John.

Gostaria de ler o jornal?

O Sr. Stevenson já não parece conseguir ler.

O nosso sobrinho-neto, o Harry, às vezes lê para ele.

Então não leram as notícias dos últimos dois dias?

Não. O Harry ainda não passou por cá.

- Eu leio-lhas. - Faz isso?

- Sim. - Obrigado!

É muito tarde?

Não sei que horas são.

Passa do meio-dia?

Possivelmente.

Sabes uma coisa que nunca fiz?

- Fumar um cachimbo. - Eu também não.

Talvez que tivesse algum tipo de vida normal, já teria fumado um.

- Que tal? - Fica bem.

Talvez fuma um, quando tivermos a nossa quinta.

Vem aquecer-me, Ed. É como se tivesse neve dentro da pele.

Sabes uma coisa que diria aos meus filhos se alguma vez tivessem medo?

- Eu não tenho medo. - Eu sei, é claro que não tens.

- O que dirias aos teus filhos? - Qualquer coisa querida, aposto.

Diria...

Queres ouvir?

Diria: “Olhem para o céu...”

“...seja de dia ou de noite, porque no céu podem ver o Sol.”

“E à noite, podem ver a Lua e as estrelas.”

“E estas são os olhos de Deus...”

“a prova de que Ele está sempre acima de vós...”

“...a olhar por vós, a proteger-vos.”

- E eles acreditariam nisso? - Eu acreditei.

Acho que Deus já não vai proteger-me mais, pois não, Ed?

Por minha causa?

Por minha causa.

- Protegemo-nos um ao outro, está bem? - Está bem.

Abraça-me. Tenho tanto frio.

Não vi ninguém que não conhecesse.

Repara quando as pessoas passam pela loja?

Com certeza.

Procuramos dois homens e uma mulher.

Os homens, pela casa dos 20, e a mulher, 35...

Espere aí, acho que os vi.

- Quando foi isso? - Hoje de manhã cedo.

- A conduzirem um trenó? - Sim, estavam.

Consegue dizer que idade tinham?

Os tipos estavam todos agasalhados. Difícil de dizer. Ela devia ter...

...30, 35 talvez.

- A conduzirem dois cavalos? - Sim. Leves.

Faz ideia da direcção que eles tomaram?

Kate?

- Todas as coisas que disseram que fiz... - O quê?

O assassínio...

Pelo que nos vão enforcar, a mim e ao Jack.

Não, Ed, não fales.

Kate?

Como provas que amas alguém?

Provar?

Se houvesse alguma maneira de poderem afastar-te de mim...

- Se nos apanharem? - Sim.

Conseguirão?

Há uma coisa que tens de saber.

O Jack nunca matou ninguém.

É por isso que eu tenho de morrer.

Deus abandonou-nos. Tu disseste-o.

Sim.

Então, se me perdoares...

...vai ficar tudo bem.

Sim. Eu perdoo-te, Ed.

Não os deixes apanharem-me viva, Ed.

Promete-me. Promete-me, Ed.

Não deixo, prometo. Não os deixo apanharem-te.

A polícia anda lá fora, Tia!

A polícia anda lá fora!

Harry, tivemos companhia ao jantar.

O Sr. Wright e o seu irmão...

...e a sua querida esposa.

Pobrezinha!

Tia! Eram os Biddles!

- Quais Biddles? - Os assassinos que a polícia anda à procura.

Aposto que deu jantar aos Biddles.

Eles ainda aqui estão, Harry!

Ainda!

És um Biddle? A polícia anda à tua procura.

Sr. Watson! Chame os agentes de volta.

Temos de ir.

Chame a polícia de Prospect! Sim, minha senhora, a polícia!

O meu pobre marido, está naquela casa com eles.

Vocês homens, levem alguma armas e vão atrás daqueles rapazes!

Vá a senhora, Sra. Stevenson. Não quero ser morto!

Aí vêm eles.

Para trás!

Viram isto? É melhor recuarem!

Somos dois fugitivos desesperados e ela é implacável e louca.

- Desculpe, senhor, e muito obrigado. - Adeus!

- E boa sorte para vocês, jovens! - Adeus.

Adeusinho!

Adeus!

Não ouvi nenhum tiro, Buck.

- Volta-os ao contrário, John. - O quê? De volta por onde viemos?

Agora.

- Ei, Ed? - Sim.

Há ursos no Canadá?

- Acho que sim. Há, Kate? - Imagino que sim.

- E então ursos polares? - Sim?

Dava tudo para ver um urso polar.

Ed! Olha para ali!

- Ed, o que faço? - Continua a conduzir, Jack.

Eia, por ali!

Jesus!

Ed?

Diz-me o que fazer, Kate.

Quero que cumpras a tua promessa, Ed.

Não posso voltar.

Ed, quero que o faças. Fá-lo, Ed.

Sabes que te amo, não sabes, Kate?

Diz que me amas. Diz que me amas também.

Amo. Eu amo-te.

Nunca quis magoar-te, Kate.

Sim! Sim!

Vêm direitos a nós.

Aguenta-os firme, John.

Ed! Anda. Levanta-te!

Apaga aqueles cavalos!

Não disparem!

Não disparem!

Esperem!

Esperem!

Desculpa.

Desculpa, Jack.

Deixem-me morrer. Deixem-me morrer.

Deixa-os estar, Buck. Já não podem fazer mal a ninguém.

Santo Deus no céu!

É a mulher! Foi atingida mas está viva!

Está alguém aqui para si, Sra. Soffel.

Não quero ver esse pregador. Não preciso das suas orações.

Não é o pregador.

O Papá não sabe que estou aqui. O Billy trouxe-me.

Estou tão horrível.

Irene, odeias-me?

Não tens uma escova?

Não me dão uma. Sou tão perigosa.

O Billy e eu casámo-nos, Mamã.

Queria dizer-lhe.

O seu troco.

Gelados!

Becky, posso comer um?

Sra. Soffel.

Bom dia, Sra. Soffel.

Deixe-me apresentar-lhe o Superintendente das Prisões,

o Sr. Coates,

e o Promotor Público, o Sr. Robinson.

Sabe, minha senhora? Uma vez arruinou um importante programa meu.

Tinha um passe para assistir ao enforcamento dos Biddles, no inverno.

Estava mesmo ansioso para assistir.

Estou pronta para entrar, agora.

Pelo menos não está tanto frio, agora.

A Primavera veio mais cedo, este ano.

No ano passado tivemos de esperar muito tempo pela Primavera, lembra-se?

Não.

Estive doente na última Primavera.

Espero que fique confortável, enquanto aqui estiver.

Agnes...

...obrigada.

“Apenas uma pequena violeta do outro lado da via”

“Veio animar um prisioneiro na sua cela um dia”

“Apenas uma pequena flor enviada por uma amável mão”

“Tem um significado bondoso que só entende um verdadeiro coração”

“Apenas uma pequena violeta colhida com ternura”

“Deus sorriu-lhe e à sua formusura”

“E logo aquela pequena oferta embrulhada em tão pura mão”

“Repousa sossegada num túmulo

sobre o qual bate um verdadeiro coração.”

Tradução: PMLegendas

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