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CONTOS DA WELLS FARGO JESSE JAMES
Na primavera de 1882, o especial de Kansas City
foi assalto num lugar chamado Knob Point, no Missouri.
Tentando salvar o dinheiro no vagão do Expresso,
meu bom amigo, Pat McNeal,
um dos melhores mensageiros da Wells Fargo, foi morto.
Eu teria que encontrar Jesse James e o dinheiro.
Jesse James, o maior fora da lei de todos os tempos.
O homem mais desesperado no país.
Havia rumores de que Jesse estava no fim da linha.
Foi dito que ele estava fazendo de tudo.
Usando homens que não hesitariam em lhe matar pelos $10.000
que o governador do Missouri havia colocado na sua cabeça.
Mesmo assim, um animal sitiado é o mais perigoso de todos.
Quando desci do trem em Independence,
sabia que procurar pelo Jesse James nas colinas,
era uma tarefa e tanto, para qualquer homem.
Inclusive para o homem chamado Jim Hardie.
Você é o Sr. Jones?
Qual é o problema? Ninguém fala por aqui?
Isso é uma câmera, não?
Pode apostar.
Um tanto pesada para carregar por aí.
Sim, é.
Por isso que quero alugar um cavalo e uma charrete, se tiver.
- Mas o cavalo tem que ser manso. - Vejo que podemos cuidar disso.
Por quanto tempo precisará dele?
Não sei ao certo. Viajarei 20 milhas ao norte.
Norte. Esse é o condado de Clay.
- Já esteve lá? - Não.
Sou estranho por aqui. Talvez possa me ajudar.
Procuro pela fazenda James.
Soube que ele cresceu por aqui e que sempre volta.
Está querendo morrer ou algo assim?
Não. Não, eu não planejo isso.
Não te alugarei nenhum cavalo. Se quiser, terá que comprar.
Se for pesquisar a fazenda James nunca mais verei meu cavalo
e nem você.
Está tentando me assustar.
Não está?
Alguns tolos não se assustam.
Certo, eu comprarei. Mas ele tem que ser gentil.
Tinha informações claras sobre como chegar a fazenda
onde Jesse James havia nascido.
Os homens da Pinkerton estavam de olho no lugar há anos.
Mas ir sozinho era um negócio arriscado.
Pare aí mesmo.
Olá.
Nossa. É bom encontrar alguém
que fale comigo nesta parte do país.
Estou falando contigo.
Agora, vire essa charrete e volte para onde estava.
Não. Não, eu não farei isso.
Vim lá de Nova Iorque para ver um homem
e não desistirei.
Siga nessa direção e nunca mais verá ninguém.
Agora, vire e suma.
Tudo bem.
Mas eu queria muito ver o Jesse James.
Vá em frente! Pode ir!
Deixe o Jesse colocar a mão em você.
Você foi esperto demais para o seu gosto desta vez.
Ei, senhor.
- Pode me dizer... - Não incomode os empregados.
Me desculpe, senhora.
Me chamo Henshaw. Jim Henshaw.
- Prazer em conhecê-la. - Nós não nos conhecemos.
O que você quer? Me chamo Zerelda Samuel.
Samuel?
Me desculpe. Devo ter vindo ao lugar errado.
Estava procurando pela fazenda James.
Meu primeiro marido se chamava James.
Então, você deve ser mãe do Frank e do Jesse.
Eu daria tudo para conhecer o Jesse, senhora.
Continue falando.
É estranho falar de uma charrete.
Posso pegar minha câmera e descer?
Consigo ouvi-lo bem.
O que quer com meu Jesse? Tirar a foto dele?
Talvez.
Mas o motivo principal é escrever um livro sobre ele.
Um livro.
Já escreveram livros. Um bando de mentiras.
- Tipo esse aqui? - Sim, esse aí.
Não há uma verdade sequer em nenhum deles.
Tudo que dizem não aconteceu.
Mas a minha ideia é dizer a verdade, senhora.
Contar o lado dele com suas próprias palavras.
Corrigir o que foi dito, pode-se dizer.
Eu chamaria de: "Uma Conversa com Jesse James".
- Ninguém acreditaria em você. - Acreditariam depois de lerem.
Acha mesmo que pode escrever um livro assim?
- E vender? - Sei que posso escrever.
E não teria problema para vender.
Pessoas nesse país adorariam.
Há muito dinheiro envolvido nisso e você teria direito a metade.
Eu teria, hein?
Parece que imagina me conhecer.
Digamos que você parece com o que imaginei do Jesse James.
Desça.
Agora, vamos falar direto e reto.
Quem te enviou? Allan Pinkerton?
- Eu pareço um detetive? - Como eu saberia?
Eles vem aqui com todo tipo de história.
Essa sua é a melhor de todas.
Ei, rapazes. Venham aqui.
Como se chama mesmo?
Henshaw?
Talvez queira conhecer a gangue, colocar os rapazes no seu livro.
Estes são Dick Little...
Bob e Charlie Ford...
E Tom Rankins.
Sim, nos encontramos na estrada.
Isso mesmo. Você usou um truque comigo.
- Alguém vigiando a estrada? - Sim.
Algum de vocês já viu esse homem antes?
- Se você é escritor, eu sou... - Só um instante.
Pense no que um artigo de revista fez pelo Wild Bill Hickok.
O transformou num herói.
Pense no que pode fazer pelo maior fora da lei que já viveu.
Prossiga.
Estava no México, no ano passado,
planejando escrever algo sobre o Billy the Kid.
Pat Garrett o matou antes disso.
- E ouvi que estava no Missouri. - Você conheceu o Bill Booney?
Conheci ele e seu bando.
Tirou uma foto do Billy the Kid?
Não, eu não tive a chance.
Queria ter tirado. Soube que só existe uma.
Pelo que soube, ele era canhoto.
Não, ele não era. Ele era destro.
A foto foi revelada ao contrário.
Talvez tenha mesmo conhecido ele.
Certo, rapazes.
Eu...
Sobre aquela foto...
Estava querendo tirar uma foto sentado no general Stonewall.
- Em quem? - Meu cavalo.
O pegarei no celeiro.
E ficarei com a placa e revelarei eu mesmo.
Não quero meu rosto em cartazes de recompensa.
Meu jovem, estou começando a torcer,
que tenha dito a verdade sobre o livro.
E quando escrever,
diga a verdade sobre Jesse James, para variar.
E conte sobre a guerra,
quando ianques vinham roubar e incendiar.
E como atiraram no meu filho enquanto se rendia após da luta.
E conte todas as mentiras sobre as quais os culparam.
- Essa é a ideia, Sra. Samuel. - Ele está cercado por safados.
Aquela podridão dos Fords.
Eles o matariam na hora.
Eles querem aquela recompensa, posso ver nos rostos deles.
Eles querem pegá-lo desarmado e virado de costas.
- Irá a algum lugar? - Não.
Eu e o General tiraremos uma foto.
O que faremos sobre o Henshaw?
Não faremos nada sobre ele. Não decidi ainda o que farei.
É um homem da Pinkerton, Jesse. Isso está claro como o dia.
Não tenho tanta certeza disso. Talvez ele seja quem diz ser.
Ele só está te enganando.
Tudo aquilo sobre escrever um livro.
Não me diga que cairá nessa.
Nós conversamos e decidimos que você não tem o direito
de nos colocar em perigo. Agora, livre-se dele.
- Está me dando ordens? - Não, Jesse.
Ele não teve a intenção.
Não estou ganhando nada com esse bando.
Estou cansado de olhar para vocês.
Assim que recebermos a notícia que esperamos,
quero que saiam daqui.
Não me importarei se nunca mais os vir.
Entenderam?
Jesse, cuidado com as costas.
Foi qual deles, Henshaw?
Talvez eu não tenha visto nada no fim das contas.
Só pretendia limpá-la.
Eu não sacaria contra você, Jesse.
Eu e o general estamos te esperando, Henshaw.
O que está tentando fazer?
Eu disse que cometi um erro.
Mais um erro desse e pode ser seu último.
Estou falando com você.
- Te ouvi. - Quero que lembre de quem ouviu.
- Como se chama mesmo? - Bob Ford.
Eu lembrarei.
Depois daquela quadro no celeiro, sabia que estava com problema.
Jesse James ainda não tinha certeza sobre mim.
E os outros estavam prontos para me matar sem me dar uma chance.
Mas agora, as coisas chegavam, estranhamente, a um impasse.
Sentia que eles estavam esperando.
Esperando que acontecesse algo.
Só esperava que não acontecesse comigo.
Jesse James se sentia como um animal enjaulado.
Você age como se esperasse alguém.
Henshaw, estive pensando sobre aquele livro.
Se fala sério sobre escrevê-lo, acho justo te dizer algo.
Estou de saída.
Do negócio?
Já tentei uma vez, mas não consegui.
Foi depois de Northfield.
Após o velho bando ser baleado e prenderem os Youngers.
Fui para o Tennessee e tentei o cultivo.
Sabe, não há nada além
de um fazendeiro do Missouri em mim, Henshaw.
Eu não queria ser um fora da lei.
Era só um rapaz quando comecei a cavalgar com o Quantrill.
E durante a guerra levei um tiro no pulmão.
- Acho que não sabia disso? - Não, eu não sabia.
De qualquer forma,
é difícil trabalhar numa fazenda com apenas um pulmão.
Mas durei um ano e acabei desistindo
por que não tinha dinheiro o suficiente.
Mas desta vez eu tenho o dinheiro.
Sei que lugar quero comprar.
Fica em Nebraska.
Boa terra para pastar e plantar.
- Com madeira. - Entendo.
Também tenho uma esposa e dois filhos.
Aposto que também não sabia disso.
Estão me esperando em St. Joe.
Assim que me livrar desse bando, me juntarei a eles.
Então, será o fim de Jesse James.
Isso arruinaria o fim do seu livro, hein?
Não arruinaria, não.
Não arruinaria nada.
Talvez possa ajudar a fazer com que pegue leve comigo.
Talvez possa fazê-los ver...
Que eu pararia há muito tempo se tivesse tido a chance.
É uma pena que Knob Point teve que ser seu último trabalho.
Mataram um homem da Wells Fargo. O povo não esquecerá logo.
- Nem a Wells Fargo. - Não falaremos de Knob Point.
Fique à vontade.
Não tente ir embora, Henshaw. Você não chegaria longe.
Bem, encontrou algo, bisbilhoteiro?
Não.
Só vim checar meu cavalo e equipamento...
- E ouvi vozes. - Pode entrar.
O encontrei lá fora.
Nossa. Esse é um ótimo lugar.
Vocês podem ficar aqui por um bom tempo,
sem serem pegos...
Se não falarem tão alto.
Agora que descobriu, acho que colocará isso no seu livro.
- Dependerá do Jesse. - Talvez.
Talvez não.
Não tenho tanta certeza de que viverá para escrevê-lo.
Está planejando mesmo um livro, Henshaw?
Ou um relatório para o escritório de Chicago?
Não entende que não trabalho para a Pinkerton, entende?
Mesmo que não trabalhe, isso não faz diferença.
Não esquecerei que disse ao Jesse que saquei contra ele, Henshaw...
Quando eu tinha 3 testemunhas que disseram o contrário.
Te disse que cometi um erro.
Te farei desejar nunca ter pisado nessas colinas.
Nada de tiro.
- De onde veio esse disparo? - Do celeiro.
Fique aqui.
Certo, Henshaw. Você pediu por isso.
Separem-se!
O que está tentando fazer com ele?
Esse homem da Pinkerton estava bisbilhotando, Jesse,
e lhe daremos uma lição.
Solte-o.
- O que você diz? - Faria diferença?
Há 3 deles e um de mim.
Vá para a casa.
Não quis ver nada que não devia.
Sério.
Por que vocês quatro estavam batendo em um homem?
- Arrumem essa bagunça. - Espere um pouco.
Quem é esse?
Está tudo bem. Eu o conheço.
Fiquem fora de vista.
Jesse, o que foi?
Nada, mãe. Está tudo bem.
Era o Martinson.
Ele trouxe a notícia que estavam esperando.
Veio falar do Beggar?
Bem, onde ele está? Por que não apareceu?
Não teria como, ele está morto.
Um dos guardas do trem deve ter acertado ele durante a fuga.
Tem certeza de que ele está morto, Jesse?
Encontraram o corpo dele.
O Bagger não era de muita ajuda mesmo.
Bem, ele está morto agora. Não precisam mais esperá-lo.
E não precisam ficar aqui.
Bom. É um a menos para dividir.
Vamos cuidar disso para sumirmos.
Está bom para mim.
Dick, pegue o dinheiro, você sabe onde está.
Largue essa arma...
Homem da Pinkerton.
Não, senhora.
Venho do Wells Fargo.
Estou atrás disso e do homem que matou o Pat McNeal.
Jesse!
Sinto muito, Sra. Samuel.
- Está bem, mãe? - Pare-o, Jesse.
Ele é um homem do Wells Fargo e pegou o dinheiro.
Wells Fargo. Nunca pensei nisso.
- Ele escapará. - Não a pé.
Atrás do feno.
Mantenha-o longe do celeiro, ele tentará pegar um cavalo.
Mãe, entre em casa e fique fora disso. Me ouviu?
Lá vai ele! Eu o vi!
Ele está na mata.
- Você viu alguma coisa? - Não sei.
Vamos para lá, ele não pode estar longe.
Henshaw.
Largue-a.
Jogue essa bolsa para cá.
Acho que decidiu não dividir com ninguém.
Então, é um homem do Wells Fargo, hein?
Amigo do homem que matei em Knob Point?
Você?
Achei que tivesse sido o líder que atirou no Pat McNeal.
Eu liderei aquele assalto.
Não sabia que o Jesse se aposentou?
Nós fizemos aquele roubo sem ele.
Parece que tirei um peso da sua consciência.
Tirou. Agora sei quem vim procurar.
Bem, você o encontrou.
Talvez devesse virar as costas
para deixar mais natural para você.
Isso nos deixa quites.
Acho que sim.
Sinto muito se machuquei sua mãe, Jesse.
Você só machucou o orgulho dela.
Por que tinha que ser um homem do Wells Fargo?
Estava começando a gostar de você.
Por que tinha que ser um fora da lei?
- Jesse! Você está bem? - Sim, estou, mãe.
Não achei que alguém poderia me enganar.
Você enganou até a mamãe.
Realmente achamos que pretendia escrever aquele livro.
Não há por que falar disso agora.
Não.
É melhor sair daqui. Os rapazes voltarão logo.
- Você me deixará ir? - Foi ele quem você veio pegar.
No que me diz respeito, está tudo acabado.
Nem tanto. Ainda há o dinheiro.
Se sair daqui, preciso levá-lo comigo, ou tentar.
- Ainda é meu trabalho. - Você sacaria contra mim?
Se for preciso.
Vamos. Saia daqui.
Os rapazes entraram sozinhos, que saiam dessa sozinhos.
Esse dinheiro não me pertence.
Se fosse você,
eu não viraria as costas para Charlie e Bob Ford.
Está pronto?
Pode abrir.
Nunca mais vi o Jesse James.
Duas semanas depois, numa casinha em St. Joe,
Bob e Charlie Ford o pegaram
com as costas viradas e desarmado.
A história do Jesse James chegava a um fim sangrento.
E nunca seria esquecida.
Legendas - Danilo Carvalho
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