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Original subtitles

O TRAIDOR

Londres, 1949

- N�o � engra�ado? - Sim, imaginar que estou aqui!

- � maravilhoso. - Quantas vezes eles fazem isso?

Uma vez por ano. Eu sempre quis vir aqui.

- E agora estou aqui. - Sim, estamos as duas aqui.

- N�o � horr�vel? - Assustador!

Ser� que ningu�m dan�ar� com a gente?

Primeiro, os oficiais devem dan�ar com pessoas importantes.

Como as esposas dos coroneis.

Pena que em seu primeiro festival em Londres n�o esteja sendo divertido.

Eu n�o me importo. Voc� est� aqui.

E � divertido de assistir, de uma maneira horr�vel.

N�s andamos tanto que perdi voc�.

- Est�o se divertindo? - Sim, obrigado, senhora.

Voc� parece entender a m�sica, Melinda? Todos os americanos adoram m�sica.

Voc� tem que dan�ar com Melinda.

Mas, primeiro, a Sra. Hammer Brook.

- Claro que sim. - Posso?

Espero n�o voltar tarde para voc�, n�o �?

- Somos r�plicas de fezes! - Eu tento esquecer essas coisas.

Desculpe-me por ser t�o tarde, Joyce.

- Eu vi voc� chegando. - Este � o capit�o Ladholme.

Esta � Melinda Greyton, sos EUA. Eu te falei dela.

Joyce nunca disse que voc� era t�o...

- Mas � ela. - Lady Pembury terminou de dan�ar comigo.

- Voc� dan�a? - N�o sem m�sica.

N�o, suponho que n�o.

Se Joyce n�o tem nada contra isso, ficarei feliz em dan�ar.

A� est� voc�, � claro. A esposa do General quer voc�.

Ela n�o dan�ou ainda e... Estou certo que entender�.

- Volto em breve. - Vamos, meu rapaz.

- Bem... - Eu sei, � m� sorte!

Voc� teria gostado de Hugh. Ele dan�a como um sonho.

Major Michael Curragh!

Boa noite.

O que h� com voc�?

Sr. e Sra. Bradley.!

Veja, Joyce! Eu nunca vi ningu�m como ele.

- Voc� acha que ele � bonito? - Muito!

Ele est� vindo para c�. Fale de algo, qualquer coisa!

N�o h� necessidade de ficar t�o entusiasmada.

- Boa noite. - Major Curragh.

Posso?

- Melinda, gostaria de ... - Sim, por favor.

Major Curragh . - Esta � a Miss Greyton.

Senhorita Melinda Greyton, da Am�rica.

Voc� � muito jovem para estar t�o longe de casa.

- N�o sou n�o. Eu tenho 18 anos. - Oh sim, � velha.

- Mais do que as de 17 anos. - E voc�?

- Muito velho: 31. - � novo para um Major.

- Gosta de ser soldado? - Eu sou a muito tempo.

Confort�vel em tempo de paz, Mas na guerra...

- Certamente tem muita coragem. - Sim, totalmente sem medo.

Voc� ri, mas aposto que � a verdade.

Tenho um pressentimento sobre voc�. Voc� � bonita, isso � �bvio.

Mas em todas as ocasi��es ou circunst�ncias, sei que � ador�vel.

Sim, eu sou!Pelo menos todo mundo em casa sempre achou.

Mas por essa noite eu pensei que as pessoas aqui n�o achavam.

Eu n�o me preocuparia com isso se eu fosse voc�.

E eu tenho outro pressentimento. Qual?

O de que terei que te levar para casa depois da dan�a.

Claro que sim. At� eu sabia disso.

Sabe, eu nunca estive t�o feliz.

Imagine s�. Se sua m�e n�o tivesse escrito para a minha m�e...

para lhe agradecer pelo presunto que minha m�e mandou...

Ent�o minha m�e nunca teria escrito para a sua.

Ela comprou o presunto por impulso. Se ela n�o tivesse feito isso ...

... Eu n�o estaria aqui agora.

E ent�o eu n�o teria conhecido o Major ... Michael ... Curragh.

Sabe Joyce, eu acho que estou quase apaixonada por ele.

Major Michael Curragh...

Joyce?

Esta trovejando. Eu n�o tenho nem um pouco com medo de trov�es.

Nem um pouco.

Se importa se eu dormir com voc�?

Eu n�o estou medo!

Lin, quer se apressar. Mam�e ligou para um t�xi.

Por que eu comprei isso? Isso � muito jovem!

- Sua m�e tem algo que possa me emprestar? - Eu vou ver.

- Obrigado Joyce. - O que voc� quer?

Algo preto, com um v�u.

� perfeito! Exceto pela rosa...

- � muito leve. - Voc� n�o est� pensando...

Eu s� vou tirar a rosa. Melhorou! Eu ajeitarei depois novamente.

Lin, voc� cortou o caule.

Eu n�o entendo porque voc� quer parecer sua pr�pria m�e?

Se ao menos ele tivesse um complexo de m�e... Mas ele n�o tem.

Se lesse tanto quanto eu saberia que praticamente

todos os homens no mundo t�m complexos de m�e.

�! Agora estou bem mais interessante, n�o estou?

O t�xi est� esperando.

Voc� est� linda, Joyce. Voc� tamb�m, Melinda. Seu chap�u...

Eu tenho um igual ao seu, Mas o meu tem uma rosa.

Isso n�o � de verdade. � s� um ensaio para a guarda de honra...

que vamos prestar para o Maraj� de P�ndaro.

- O Coronel tomar� o lugar do Maraj� por hoje.

- Acho que n�o. N�o me sinto um Maraj� no momento.

Tome o meu lugar, ai ela poder� ver como voc� pode ser impressionante.

A Srta. Greyton poderia ser a Maharanee, para ficar mais realista?

- Uma boa id�ia. Voc� quer isso? - Eu adoraria ser uma Maharanee!

Quantas medalhas, Michael. O que s�o o vermelho e o amarelo?

- Estrelas Africanas. - Deve ser maravilhoso t�-las.

Significa apenas que estive na �frica.

Espero que tenha percebido que eles saudavam voc� e n�o a mim.

Eu n�o os culpo.

Quer dizer que gosta de mim hoje tanto quanto gostava ontem?

Sim, e mais, tive a noite toda para pensar.

- Voc� gosta de mulheres de preto? - Sim, mas n�o gosto de voc� de preto.

N�o?

- Ficou melhor? - Muito!

- N�o adianta fingir com voc�. - N�o, n�o adianta.

Ent�o n�o vamos. Nenhum de n�s. Jamais. Voc� promete?

- S� se voc� me prometer uma coisa. - Claro, qualquer coisa.

Posso v�-la todas as noites at� voc� voltar para casa?

O que o faz pensar que eu vou voltar pra casa?

Est� certo, por que deveria? Por que deveria?

- N�o sabia que era irland�s.

- N�o sou. Minha m�e era e meu pai era ingl�s.

- Morou na Irlanda? - Por um tempo.

- Era bonita? - N�o, n�o era bonita.

Era frio, sujo e pobre.

- Michael, voc� era pobre? - N�o muito.

Por que tanto interesse? Eu n�o pergunto da sua inf�ncia.

Simplesmente porque tenho ci�mes dos anos em que n�o te conhecia.

Oh, foi isso o que quis dizer.

Sinto isso tamb�m, como se ca�sse de cama com uma febre alta.

Me pergunto se algum dia eu vou ficar bem de novo.

- Michael, vamos nadar. - De que jeito.

Poder�amos tomar banho de sol, n�o �? Isso n�s poder�amos.

- Um momento, senhor. - Obrigado.

Boa noite, Major. Achei que era o senhor.

Eu estava esperando. Voc� esqueceu de me avisar sobre o jantar.

Pensei comigo:"se ele n�o vier, eu vou Nao foi ao cinema".

"E se vier eu abro uma lata de conserva".

Ent�o pode ir ao cinema. N�o vou comer em casa.

Boa noite, senhor. Boa noite.

- V� em frente e sente-se, Major.

- Basta dizer "Sente-se". O "v� em frente" � redundante.

H� tanta coisa em sua l�ngua que � redundante. � muito dif�cil.

Voc� est� indo muito bem.

Chamamos voc� porque o camarada diretor Radek chegou de Moscou.

Ele quer saber se voc� teve sucesso.

Consegui o que ele queria.

Este � um resumo codificado das conversas do Estado Maior...

sobre o assunto na semana passada.

O partido n�o me deixa muito tempo para a vida particular.

- Vida particular, Major? - � t�o absurdo assim?

Voc� sabe que sim, Major.

Excelente... Parab�ns mais uma vez, Major.

Ol�, Hugh. N�s pensamos que era o Michael. Por favor, sim?

Eu vim na esperan�a de levar ... voc� e a Melinda para passear.

Quer dizer, voc� e a Srta. Greyton. Chame-a de Melinda, ela n�o o ouviria mesmo.

- Ele vai sair com ela? - Sim. Ela est� se vestindo h� duas horas.

- Sabe, eu sei quando estou derrotado. - Ele � muito atraente.

- Voc� gosta dele, Joyce.

- Acho que deve ser muito dif�cil gostar dele.

Mais muito f�cil se apaixonar por ele. E � o que ela est� fazendo.

- Com todas as for�as. - Estou aqui, Michael, estou aqui!

Hugh? Eu pensei que era o Michael.

Infelizmente n�o, Melinda.

Broaders!

- Achei que ia sair para jantar fora? - Foi o que pensei.

- Mas acho que n�o vou.

- A fila estava enorme no cinema, mas tudo bem.

- Economizei meu dinheiro. - A Srta. Greyton ligou?

Ningu�m ligou, senhor.

Eu vou sair da cidade neste fim de semana.

Vou a casa da Tia Jessica, no Pa�s de Gales.

- Est� se sentindo bem, senhor? - Sim, claro. Obrigado.

- Que bom. Vou arrumar a mala. - N�o, eu mesmo fa�o.

V� at� a esquina e envie esse telegrama para mim.

Mande entregar por um mensageiro especial.

- Voc� consegue ler isso? - "Senhorita Melinda Greyton..."

"Partindo da cidade inesperadamente. Me desculpe por esta noite. "

"Espero que possa me perdoar. Michael."

Mas voc� poderia telefonar, senhor? � mais r�pido e mais barato.

Eu sei Broaders, mas prefiro escrever.

Eu n�o tinha id�ia de que era t�o tarde.

Talvez tenha acontecido algo. Talvez eu deva ligar para Michael.

- Eu posso ligar. - O rel�gio tamb�m pode estar errado.

Este rel�gio n�o erra h� cinco anos. Eu mesmo verifico.

Ol�, Hugh. O que voc� est� fazendo aqui?

Se n�o tem o que fazer que tal um jogo de xadrez?

Joyce, por favor prepare o tabuleiro.

Ol�, mo�inha. Pensei que o jovem Curragh ia sair com voc�.

- O que houve com ele? - Ele...

� um bom rapaz, eu gosto dele Um pouco conservador, mas...

Mesmo assim eu gosto dele. Por que ele n�o est� aqui?

- Eu n�o sei. - N�o se preocupe ele vai chegar.

Espero n�o ter acontecido nada. Papai.

Acidentes acontecem. Noite escura. Muitos carros.

Leva horas para se achar uma pessoa.

Eu atendo. � o Michael!

- Telegrama para Senhorita Greyton. - Obrigada, est� tudo certo.

Aqui est�, senhorita. Obrigada.

- Um telegrama para mim. - O que foi que houve?

- Eu n�o sei. - Qual � o hospital em que ele est�?

O que aconteceu, Melinda?

- Ele foi embora. - Ele foi embora?

- Para onde? - Ele n�o disse.

- Ol�, Davis. - Prazer em v�-lo, senhor.

Do que voc� est� fugindo desta vez, Michael?

Voc� n�o roubou o dinheiro dos mantimentos, roubou?

Estou certa de que n�o veio correndo porque precisava me ver.

- Eu queria te ver sim. - N�o importa. Desembucha.

Voc� vem sempre aqui para resolver seus problemas.

Desde que, vejamos... Desde que tinha quinze anos.

- E voc� sempre me ajudou.

- Eu nunca tive id�ia do que passava pela sua cabe�a.

- Coma um sandu�che. - N�o, obrigado.

Voc� vem aqui, passeia pelo campo e vai embora.

Acho que a �nica ajuda que j� achou aqui � o nosso clima gal�s.

- Voc� � um garoto estranho, Michael. - Garoto?

Eu sou sua �nica parente no mundo. E aos meus olhos voc� � um garoto.

- Um garoto desconcertante, de quem estou muito orgulhosa.

- Mesmo que eu tenha roubado dinheiro?

Eu costumava me preocupar tanto com voc�.

Eu sei que voc� adorava sua m�e, mas...

Aqueles dias terr�veis! Que inf�ncia.

Armas debaixo do assoalho, sussurros, pris�es. E voc� passou por tudo isso.

N�o foi tanto assim.

Mas construiu uma vida boa e �til para voc�, apesar de tudo.

Exceto por uma coisa. Talvez n�o saiba, mas voc� � muito solit�rio.

E sempre foi. Eu sei que vai me dizer que tem tudo o que quer.

Poderia dizer que tem, de certo modo. Mas voc� n�o tem tudo o que quer.

Quer voc� admita ou n�o.

Uma coisa eu posso admitir, tia J�ssica. Eu gosto muito de voc�.

Estou certa que sim, querido Michael. Mas n�o foi o que eu quis dizer.

sei que sempre foi muito solit�rio. Voc� deveria amar algu�m, Michael.

Amar algu�m mais do que a voc� mesmo.

� melhor acreditar em mim, Joyce...

quando digo que nunca mais falarei com ele!

Eu sei, Lin.

- Mesmo que ele se ajoelhe e me implore!

- Oh, Lin, voc� est� dizendo isso h� duas noites.

- Eu n�o quero v�-lo novamente! - Por que voc� n�o sai com o Hugh.

Ele te pediu. Ele provavelmente est� apaixonado por voc�.

Esta bem. Eu sairei com ele!

Eu gosto muito dele. Gosto muito mais dele do que daquele "homem".

Gra�as a Deus! Acho Michael atraente, mas ele � um pouco estranho.

Ele n�o � estranho! Ainda que n�o goste de uma pessoa, n�o precisa...

dizer coisas sobre ela que n�o sejam verdadeiras.

S� estou sendo justa. Eu acho que ele � horr�vel.

- S� estou dizendo que n�o me importaria se ele morresse!

- Voc� tem uma liga��o do Pa�s de Gales, Srta.

Tentaram falar com voc� a tarde toda.

Obrigado, Lucy.

- O que estou tentando dizer �... � interurbano?

Estou horrorosa! Horrorosa! Al�?

Sim? Sim... Sim!

- � o Michael!

- Diga-lhe tudo o que voc� vem me dizendo h� dois dias.

Eu direi. Al�?

Sim? Quem?

Oh, Michael?

Voc� est�? Disse?

Foi visitar a tia e disse para ela que conheceu a garota...

mais bonita que j� viu. Quer dizer eu!

Desculpe, Michael. O que estava dizendo?

Ele quer que eu v� este fim de semana. Oh, eu n�o posso.

A lavanderia s� entrega na segunda. Eu n�o tenho nenhuma roupa.

Ele est� furioso!

Tudo bem. Eu vou.

Sim, Michael. Eu entendi.

Vai me encontrar na esta��o Landry, amanh� de manh�.

Adeus.

Adeus, Michael.

O que h� com voc�?

- Esta � Melinda, tia J�ssica. - Voc� n�o disse que ela era t�o bonita.

Que bom que voc� veio! estou feliz por ter me convidado.

Estes s�o os meus netos.

Parem de olhar e digam ol� para a Melinda.

N�o quero que a chamem de Srta. Greyton.

- Este � John. - Ol�, John.

- Coupie. - Ol�, Coupie.

Este � o pequeno Nicko. Como est�, Nicko?

- Estou com fome.

- O caf� est� pronto. V� se trocar Melinda.

Eu te mostro onde.

A� est� voc�, querida. Sirva-se do que quiser.

Obrigada, eu vou sim. Estou morrendo de fome.

- Chame o Michael de novo. - Sim, senhora. Estou indo

Coma, Nicko.

Se voc� dividir como eu n�o vai ser t�o dif�cil de comer.

- Como vou dividir se vem tudo junto. - Isso porque Voc� comeu toda a nata.

� bom para a sa�de gostar de mingau.

Vejo que voc� pintou suas unhas.

Diga-me, mo�as que pintam as unhas das m�os tamb�m pintam as dos p�s?

Bom, eu pinto. Embora n�o saiba o porqu�. Ningu�m as v�.

Eu gostaria de ver.

� sincera. Se h� uma coosa que eu gosto em uma mulher � sinceridade.

Mas � claro, voc� � muito nova. Quantos anos tem?

Dezoito.

- Nicko, coma seu mingau. - Eu n�o gosto disso.

- Ningu�m gosta, apenas come. - Eu ja terminei o meu.

- Acho que vou pegar uma truta. - Mingau e truta. Voc� tem um bom apetite.

Vou gostar muito de voc�.

Desculpem o atraso. N�o faz mal.

Quando termina seu caf�, deve mostrar a regi�o para Melinda.

- Truta? - Sim, por favor.

� muito bela mesmo, e h� lugares bem selvagens e interessantes.

Eu quero ver tudo!

Hoje n�o haver� passeios. as mochilas j� est�o prontas para a grade ca�a ao coelho.

O grupo vai partir sob as minhas ordens.

- Ca�a ao coelho? - Ele prometeu.

- Onde vai ser, tio Michael? - Voc� ver�.

Nesse caso, � melhor ter uma conversa secreta com Melinda antes come�ar.

Para acertar o plano da campanha.

- Os planos j� est�o feitos. - Peguem as mochilas, deixei no corredor.

- Voc� n�o vem, tia J�ssica? - Nada me obrigaria a sair de casa.

Pode chover de novo e n�o quero molhar minha peruca. Eu sou careca, sabe.

- Eu tive tifo na Mal�sia. - Eu n�o sabia.

- N�o saberia mesmo, � uma bela peruca. - Acabe de comer, Melinda.

N�o devemos deixar as crian�as esperando.

Quantos coelhos ser� que vamos pegar?

N�o muitos espero. Ou talvez peguemos milhares.

- Coupie...

- Ainda bem que n�o � uma ca�ada onde usamos armas.

- N�o vamos atirar neles, vamos peg�-los. - Mas eles correm t�o r�pido.

Eu darei um jeito. Voc� ver�.

Vamos pegar os coelhos e lev�-los para casa.

Muito bem, � vontade. Eu vou primeiro, por ali.

Vou pegar meu coelho e te darei um sinal, Melinda.

Voc� pula o muro aqui, faz um sinal para a Coupie, que vai por ali.

John, voc� vai por ali.

E em seguida nos reunimos aqui para maiores instru��es.

Ser� que todos entenderam? Ok, ent�o vamos p�r em pr�tica.

Agora temos que esperar o sinal.

Pobre Michael. Ele n�o pegou um.

Venha, Nicko. vamos tentar n�s dois. Vou construir uma casa para o meu coelho.

Michael! As pernas dele est�o quebradas.

Vamos, Nicko. Est� tudo bem...N�o chore.

- O que aconteceu, Linda?

- Michael, ela est� muito ferido. � uma armadilha de a�o.

� apenas um coelho, Linda.

Linda?

Voc� n�o vai falar comigo? N�o.

Eu n�o quis te assustar.

Por que eu te assustaria se eu te amo tanto?

Estou louco e desesperadamente apaixonado por voc�.

Voc� n�o me ama, Linda?

Estou tentando decidir se realmente te amo...

Ou se estou s� obcecada por voc�.

Eu n�o sei, Michael.

Eu n�o sei.

N�o, Linda, n�o chore desse jeito. Voc� n�o nasceu para chorar.

Eu n�o magoaria voc�. Nada jamais vai te magoar.

- Oh, Michael. As vezes voc� � t�o gentil. - E, as vezes...

As vezes sou rude.

Mas n�o sou pior do que isso, Linda. N�o sou.

- N�o �? - Claro que n�o sou.

E quando nos casarmos, vai come�ar a me entender.

O que sou e o porqu�. E a� vai acreditar em mim, Linda.

Acredite em mim. Voc� precisa.

Voc� precisa!

Minha nossa!

Ela teve sorte.

Entre.

Um telegrama dos E.U.A.

- � da minha m�e, Broaders. - Que bom, senhora.

- As not�cias de casa s�o sempre as melhores.

- Eu sei, e eu adoro escrever.

Minha m�e tamb�m. Ela adora enviar telegramas.

- Quando tiver um tempo, podemos planejar o jantar.

- Voc� � muito melhor do que eu nisso, Broaders.

- Isso quando eu tenho algo para planejar...

- Gostaria de fazer alguma coisa com aqueles vasos. S�o horr�veis.

- Eu gostaria de me livrar deles. - Ele n�o vai sentir falta.

Sabe como s�o os homens: "Fora da vista, fora da mente".

Michael!

- O que �? - Um telegrama da mam�e!

Ela escreveu: "Estou ansiosa para saber se s�o felizes. Deus aben�oe voc�s. Mam�e."

"Ansiosa para saber se estamos felizes" N�o � uma coisa boba?

- Agora que voltamos, temos que escrever para ela.

- Assim que tivermos tempo.

Michael, posso fazer o que eu quiser com esta casa?

- Qualquer coisa. � a sua casa agora. - Que bom! Existem algumas coisas...

- N�s temos muito dinheiro? - Sim, uma boa quantia.

� bom saber disso. Como o ganhamos?

Meu pai me deixou algum, ganhei um pouco e Tia Jessica me mandou um pouco.

Voc� nunca me contou isso. Da pr�xima vez que lhe escrever eu agrade�o.

Melhor n�o, ela ficar� constrangida. O que faremos hoje � noite?

O que quer dizer, querido? Ap�s o jantar poder�amos sair para dan�ar.

Que maravilha!

Olha! � um cart�o postal sem nada escrito.

- De quem acha que �? - Eu n�o sei.

Talvez algum conhecido em visita a Londres.

Por que Broaders trouxe as cartas para cima. Ela sabe que deve deix�-las l� embaixo.

Ela trouxe junto com meu telegrama, ent�o n�o seja rude.

Francamente. Pessoas que n�o assinam o nome...

e esperam ser identificadas s�o uma praga.

- O que foi querido? - Eu fiz uma grande bobagem agora.

Estou fazendos planos para hoje � noite e esque�o que tenho um encontro.

- Oh, n�o, Michael! N�o pode se livrar disso?

- N�o sei como eu poderia fazer isso.

- Quem � ele? - Quer dizer o nome dele?

N�o saberia se eu disesse, querida.

- Bem, eu saberia se me dissesse.

- Est� vendo, � esperta demais para mim. Me pegou nessa, n�o foi?

Ainda bem que me acha esperta, pois eu tive uma professora...

de matem�tica que me achava a garota mais burra que ela j� viu.

Ela � que era a burra. Aqui... Isso � pra voc� gastar do jeito que quiser.

Detesto ter que deixar voc� ap�s o jantar hoje, Linda.

Odeio te desapontar. Eu mesmo estou terrrivelmente desapontado.

Adeus, querida.

Lembre-se que eu te acho maravilhosa e linda.

Pensei em aproveitar essa oportunidade para limpar a bagun�a.

� um prazer fazer a casa brilhar com uma jovem t�o linda.

Boa noite, Major. Boa noite.

Pois bem senhores, tenho algo para voc�s e � uma coisa interessante.

Perdoe-me, Major, mas primeiro um pequeno assunto da organiza��o.

Soubemos, por essa revista e por outras fontes, que voc� decidiu se casar.

Se casou sem saber a decis�o do Partido sobre o assunto.

Por "outras fontes", voc� que dizer o The Times. Eu n�o escondi meu casamento.

- Essa n�o � a quest�o. - Eu n�o gosto do seu tom.

Meu casamento n�o tem nada a ver com meu trabalho para o Partido.

- Voc� quer dizer que espera que n�o tenha. - O que voc� quer dizer?

Voc� nunca se casou antes, n�o �? N�o.

O Partido j�, Major. Foi casado milhares de vezes.

Em todos os pa�ses do mundo.

Se voc� tivesse nos consultado antes de tomar este passo...

ter�amos dito que era proibido para aqueles � servi�o da causa.

Esposas fazem perguntas.

"Onde voc� estava?", "Onde voc� vai?", "Por que faz isso?", etc.

Onde ela acha que voc� est� esta noite?

Este casamento ajuda a confirmar minha posi��o oficial e social.

Eu n�o me desculparei por isso.

- Entendeu, eu n�o me desculpo. - Eu j� anotei.

Major, me perdoe, eu s� cumpro minhas ordens.

Fui instru�do a lhe dizer que o camarada Radek est� muito contrariado.

Voc� cometeu uma s�ria infra��o de disciplina.

Me sinto perfeitamente justificado pelo que fiz.

Minha vida inteira foi devotada � causa!

Considerando o valor do trabalho que fiz ao Partido...

N�o vejo raz�o para aceitar uma repreens�o.

Contudo, a repreens�o permanece, Major.

- Pode providenciar um encontro para mim com o diretor? - � imposs�vel.

Ele pode vir aqui! Eu venho!

Voc� sabe muito bem que os nossos v�rios n�veis nunca se encontram.

Ningu�m v� o diretor Radek. Ningu�m.

- Vai entregar minha mensagem a ele, ent�o?

- Vou entregar, sim. Obrigado!

E agora em troca da repreens�o, eu trouxe um presentinho para ele.

Os principais detalhes do plano de coopera��o militar anglo-americano.

Muito inteligente, Major!

Com rela��o ao meu casamento, tenho certeza que

ele ser� de grande valia para o meu trabalho.

Espero que os eventos provem isso, Major.

Michael, olha o que eu achei no fundo do arm�rio!

Vai ficar bonito em nossa mesa de jantar amanh� � noite.

- � claro que... � bem grande.

- Broaders j� deve ter visto isso h� muito tempo...

e por isso estava escondido no fundo do arm�rio.

Vai ter que me ajudar a decidir. Lembre-se, ser�o oito pessoas � mesa.

N�o podemos coloc�-las todas juntas.

� claro que eu gosto mais com menos gente.

Deve ter sido emocionante ter uma casa grande aquela da esquina.

- Deviam receber umas 50 pessoas para jantar. - E voc� mal d� conta de oito.

N�o ria de mim.

Querida, observe que ningu�m � dono daquela casa agora, e h� uma raz�o para isso.

O dinheiro que lhe mantia acabou para sempre.

E a sociedade que tornou isso poss�vel est� desaparecendo.

N�o importa o quanto o morador daquela casa se sentia seguro.

N�o importa o quanto ele se julgava importante. Ele n�o existe mais.

Oh, Michael, n�o fa�a discurso. O homem que possuia a casa morreu. Foi simplesmente isso

N�o foi t�o simple assim, Linda. As id�ias que ele Representava morreram e o bem que fizeram tamb�m.

Eu n�o sei do que voc� est� falando. Voc� se esquece que tamb�m vivemos bem.

O jeito como vivemos n�o tem nada a ver com o que estamos falando.

Eu gostaria de saber por que n�o? Todos querem viver da melhor forma poss�vel.

At� mesmo voc�.

Voc� � mesmo um esnobe. Veja est� bela mesa e o pequeno Renoir.

Bem, n�o � nenhum crime gostar de coisas bonitas.

Sen�o eu seria enforcado por amar voc�.

Est� bem, Major Curragh. Me chame para ajud�-lo quando tiver que decidir algo.

Linda!

- Sim? - Linda, tenho que sair hoje � noite.

� uma dessa coisas que n�o se pode evitar.

Voc� trabalha mais do que os outros. Vou falar com o Coronel sobre isso.

Coronel? N�o, isso n�o tem nada a ver com o Ex�rcito. Preciso ver algu�m chamado Taplo.

Taplo? Por que teria que ver algu�m chamado Taplo?

Foi meu criado na �frica. Foi ferido e ficou aleijado. Ficou anos comigo.

Acho que tenho que ajud�-lo sempre que fica deprimido.

Ele se sente melhor quando jogamos cartas e falamos dos velhos tempos.

� muita bondade sua, Michael.

- Voc� devia ter me dito. - Eu sei que devia, Linda.

Mas � uma coisa t�o simples.

Depressa, Hugh. � a vez de Joyce.

- Eu tenho copas. - Sete n�o � trunfo.

Linda, se vai quer que joguemos bridge de tr�s parceiros com voc�...

...o m�nimo que pode fazer � jogar com intelig�ncia.

N�o pode dizer que sete n�o � trunfo. Mas eu disse.

Al�m do mais, acho que o morto deve estar muito melhor. Eu n�o tenho nada.

- Eu dobro. - Pra mim est� bom.

Adeus.

Mas � muito azar o meu!

Apenas dois ases. Os outros dois est�o comigo. Ent�o, voc� j� perdeu.

Tudo por causa do Taplo. E quem � Taple?

O homem que eu disse que o Michael tinha que ver.

Seu antigo ordenan�a.

Mas o ordena�a do Michael se chama Huskinson.

- Taplo. - Huskinson.

Esteve com ele a guerra toda e est� com ele agora.

� uma boa pessoa, mas � muito burro.

Vamos, Linda, jogue.

Lin ... Ora, Lin.

- O que foi, Lin? - Nada.

N�o se preocupem comigo. Apenas me deixem em paz.

Apenas me deixem em paz!

Oi, querida. Eu desejavava que voc� estivesse me esperando.

- O que voc� est� fazendo? - Escrevendo para minha m�e.

J� era hora.

Estou com muita sede. Foram o peixe e as batatas fritas da Sra. Taplos.

- Oh, ent�o o Taplo tem uma esposa? - Sim, uma mulher boa e tranquila.

- H� quanto tempo disse que conhece Taplo? - N�o lembro o que disse, mas h� muitos anos.

Deve ter sido bom ter um criado de que gostava por tanto tempo.

Foi sim.

Acho que seria bom se eu escrevesse uma carta para a Sra. Taplo?

- Por que pensa isso? - N�o acha que ela gostaria?

Sim, eu acho que ela adoraria. Acho que � ujma �tima id�ia.

- Voc� acha? - Seria muita gentileza sua.

Oh, Michael, existe um Taplo! Existe!

- Oh, querido, me perdoe! - Voc� achou que eu o tinha inventado?

Joyce e Hugh estiveram aqui. E ele disse que seu ordena�a se chamava Huskinson.

Sim, Taplo era meu criado pessoal.

Eu nunca entenderei isso. Ordenan�a, criado, servente...

Eu ...Eu pensei que... Pensei que voc� tinha outra garota.

Que tinha se cansado de mim. Oh, Michael!

- O que � um "ordenan�a"?

- Vou lhe dar um Dicionario Militar, mas vai te confundir ainda mais.

Ent�o voc� acha que eu me cansei de voc�?

Agora que estamos com pressa, o rapaz da lavanderia toca a campanhinha.

Ficamos dias esperando por ele e ele vem agora.

� melhor n�o deix�-lo ir embora agora que ele est� aqui.

Se puder pegar as coisas que separei. Pus em uma pilha em algum lugar l� em cima.

Est� bem, senhora.

Vou ver se tem mais alguma coisa para mandar.

- Pode esperar? Tem mais algumas coisas. - Sim, senhorita.

Senhora.

Eu vou tomar meu banho agora, Broaders.

- Michael, ainda est� no banho? - N�o, estou me vestindo.

Voc� j� est� quase pronto, querido.

Me lembre de colocar uma luz mais clara aqui qualquer dia!

Lembro sim.

- Te trouxe gardenias. Est�o geladeira. - Eu n�o consigo te ouvir!

Eu disse que trouxe...

Linda, o que est� fazendo com esses �culos? Onde os conseguiu?

Do que voc� est� falando? Oh, isso!

Encontrei no bolso do seu casaco.

Voc� o qu�? Eu o mandei para lavanderia. Qual o problema?

Esses �culos n�o s�o de verdade. Colocaram vidros de janela neles.

Eu quero aquele casaco de volta agora, ouviu. Pegue aquel casaco de volta!

N�o me d� ordens!

- N�o mecha nas minhas coisas, entendeu? - Me solta!

- Voc� est� me machucando, Michael! - Voc� entendeu?

- Me solta! - Eu perguntei se Voc� entendeu?

Certo, eu entendi.

Eu n�o devia ter jogado a esponja.

Mesmo voc� tendo sido grosso.

- Voc� que mais vinho, Raglan? - N�o, obrigado.

Para mim, o debate tem apenas um lado.

Voc� argumentar at� � o Dia do Ju�zo Final e n�o vai mudar minha opini�o.

Para mim tanto faz. Sob qualquer ponto de vista, � trai��o. Pura trai��o.

Nesoli Mistred, Lord Holrow e aquele sujeito na Torre e muitos outros. � �bvio porque fizeram isso.

- � o mesmo com todos eles. - Eu n�o poderia estar mais de acordo.

- Eu n�o estou t�o certo sobre isso.

- Do que est� falando? � claro que ele est� certo.

- O que quero dizer � que me pergunto sobre o que faz um homem se tornar um traidor?

Considere os homens que mencionaram, todos t�m o mesmo comportamento.

- Em algum momento de suas vida se desvirtuaram. - Se desvirtuaram? O que quer dizer?

Ora, frustraram-se. Em algum momento de suas vidas pensaram que o mundo lhes devia algo.

Se voltaram para o l�der de qualquer movimento que se aproveitou de seu pensamento desvirtuado.

Onde foi arrumar a palavra "desvirtuado"?

Pois eu te digo que esses homens n�o passam de grandes traidores...

e que a forca � boa demais para eles.

- Eu n�o poderia concordar mais. - Absolutamente.

Na minha opini�o n�o importa o porqu� ou por quem fizeram isso. N�o importa mesmo.

Um traidor � um traidor. Sra. Curragh...

Que bom que fomos colegas de escola.

Assim, podemos nos garantir. Sempre, meu amigo.

- Resolveu nos acompanhar, Coronel? - � claro, Lady Witheringham.

- Achei que gostariam de tomar caf� conosco?

- Espero n�o ter interrompido o debate? - Sim, mas voc� o fez no momento certo.

- Puro? - Sem a��car.

Meu caro Raglan, um j�ri julga um homem culpado e um juiz sentencia � morte.

- O homem � um criminoso. - Coronel?

Obrigado. N�o importa se h� um motivo para o crime, pois ele continua sendo um criminoso.

Eu poderia aproveitar o lado criminoso de Hugh. Preciso de um c�mplice.

Major Curragh, falei com a Sra. Hammerbrook sobre meu pequeno problema.

- Eu quero a sua ajuda. - Ser� um prazer, madame.

- O que acha da id�ia?

- Caf�, senhor? - N�o, obrigado.

N�o, isso n�o serviria. Ele n�o gostaria disso.

� muito dif�cil escolher um presente para uma pessoa como Michael.

Certamente �. Ele tem tudo.

Ele tem, de fato.

- O Major chegou? - Sim, est� l� em cima tomando banho.

Coloque aqui, r�pido! Eu acho um lugar melhor para esconder mais tarde.

Se ele achar depois de todo o trabalho que tive eu vou morrer.

- Espere a� que Vou pegar seu dinheiro. - N�o, Linda, esquece isso.

- S� fataram 2 libras e se pedir-lhe agora ele vai suspeitar de alguma coisa.

- Eu n�o vou pedir. Vou pegar enquanto ele est� no chuveiro. N�o vai sentir falta.

E eu devolverei quando meu dinheiro chegar de casa.

O que voc� est� fazendo? N�o vai me d� um beijo?

Dinheiro, dinheiro, dinheiro!

Linda!

Aqui Hugh. Eles est�o grudados...

Oh, querido!

- Aqui est�... - Obrigada.

Oi, Michael. Parece que viu um fantasma.

Eu n�o esperava ver voc�. O que est� havendo entre voc�s, um compl�?

- � um segredo, n�o deve perguntar. - � o meu dinheiro.

� meu agora. Estou pegando um adiantamento da minha mesada.

Eu lhe ofereceria uma bebida, mas tenho que ir ao quart�l.

Ok, talvez em outra ocasi�o.

- Voc� foi um amor, Hugh. - N�o foi nada. Vejo voc�s em breve.

Tchau.

- Me d� meu dinheiro de volta, Melinda. - Claro.

- E a minha carta. - Que carta?

Ent�o � por isso que est� t�o chateado? D� aqui para mim.

- E se eu n�o der. - Linda!

- Melinda, abra essa porta.

Eu disse para abrir! - Pe�a por favor.

Linda!

- Eu estou lendo.

- Para o Camarada Diretor L. I. Radek, Servi�o Especial.

Entre, Michael.

"Em vista dos meus frequentes sucessos na obten��o de informa��es do Estado Maior para os sovi�ticos

Solicito o favor de um encontro pessoal com o Camarada Diretor."

Linda, eu posso te explicar isso. Posso explicar.

Tem que me escutar. Nosso casamento, o nosso amor dependem da sua compreens�o.

Eu sei que foi um choque, mas eu me alegro que tenha descoberto.

Eu tenho estado t�o sozinho, voc� n�o sabe o quanto.

N�o sabe o que � manter vigil�ncia constante sobre si mesmo por causa de uma cren�a.

- Voc� � um traidor!

- � um traidor e um espi�o! - Estas s�o apenas palavras desagrad�veis.

Sou um partid�rio leal da maior experi�ncia Social do mundo.

E tenho sido desde que eu era um menino. Fingindo ser uma coisa quando na verdade...

Meu trabalho � valioso e perigoso e um dia eu serei chefe do Estado Maior.

Eles me prometeram isso.

Eu n�o entendo...

Eu n�o entendo!

Voc� vai compreender. � claro que n�o espero mudar suas convic��es pol�ticas.

Eu n�o tenho nenhuma convic��o pol�tica!

Bom, n�o precisamos decidir nada agora. Podemos conversar sobre isso.

- Eu posso te convencer. - Um traidor...

- Como... - Lembre-se de que � minha esposa.

Apenas acredite em mim. Nunca comente sobre isso com ningu�m!

Deve me prometer isso.

Bom, na verdade n�o importa se vai prometer ou n�o.

Ningu�m acreditar� em voc�.

Ningu�m.

Voc� tem que tentar comer alguma coisa. S� uma torradinha.

- Eu n�o consigo, Broaders. - Ent�o deixe-me ligar para o Major.

N�o, n�o...

Se ao menos eu pudesse sair desta casa. Ou pudesse caminhar por algumas horas.

- Bom, ent�o deixe-me ir com voc�. - N�o, obrigada, Broaders.

Eu acho que ser� melhor ir sozinha.

- Ora, senhorita ... Sra. Curragh - Boa noite, Lucy.

- A Srta. Joyce est� l� em cima? - N�o, ela vai passar a noite fora.

Estar� fora esta noite...

- Claro... - Posso ajud�-la?

N�o, obrigada, Lucy. Est� tudo ben.

Boa noite.

Linda!

- Onde voc� estave? - Andando. Apens andando, Michael.

Estava esperando por voc�. Pensei que pod�amos conversar.

Estive pensanso que se voc� estiver mais calma agora, eu devo tentar explicar.

E voc� deve tentar entender.

Voc� vai fazer isso, Linda? Escutar e tentar entender?

Vou tentar, Michael.

Eu vou tentar.

Se ao menos soubesse como era em Dublin naqueles dias, bem no meio de tudo.

Reuni�es secretas, persianas fechadas, luzes baixas.

Aqueles grandes homens todos falando ao memso tempo.

O partido perdeu a batalha na Irlanda, Mas eu aprendi.

Sentava no banquinho perto da lareira e escutava.

Nem sequer me notavam.

Mas me notaram quando me viram treinando na chuva nas colinas de Wicklow.

Imagine, Linda, eu tinha apenas quinze anos, e treinava com os melhores.

Era ver�o. No final, eu tive que voltar para o meu pai, que sequer gostava de mim.

Mas aprendi a guardar segredos. Segredos importantes.

E ria sozinho porque ele n�o sabia o que eu estava pensando.

Fiz voc� entender, Linda? Ser� que fiz voc� entender alguma coisa?

N�o, Michael. N�o consigo entender voc�.

N�o consigo entender nada. S� sei que isso � errado e que detesto isso!

E a mim? Voc� me odeia?

Voc� tem que desistir. Sen�o, eu juro que encontrarei um meio de par�-lo.

- Vou deix�-lo, mas encontrarei um meio e det�-lo tamb�m.

- Me entregando? - � o que est� pensando?

Desista, Michael! Desista!

N�o falaremos mais nisso de novo. Vamos esquecer o que aconteceu.

- Nunca mais pensaremos nisso. - Ent�o, tenho que escolher.

Minha vida inteira at� agora, ou voc�?

Minha vida inteira ou voc�.

Voc� n�o pode duvidar, Linda, quanto ao que vou escolher.

Eu te amo, querida.

- Voc� desiste? - Eu desisto.

Oh, Michael!

Acabou, querido. Acabou.

Meu dever com o Partido exige que eu registre uma situa��o nova.

Minha esposa descobriu a natureza do meu trabalho.

Meus coment�rios sobre a situa��o s�o:

Um: A discri��o de minha esposa est� garantida por sua lealdade a mim.

Dois: Ela acredita que me desliguei do Partido.

Agora que a Sra. est� aqui, espero que as coisas sejam diferentes.

No ano passado, ele doou todos os patos que abateu.

E eu esperava que se lembrasse de mim, pois como sabe a ra��o de carne n�o dura muito.

Vou providenciar para que tragam tudo o que abaterem, Broaders.

Voc� vai adorar, madame. Todo ano o Major volta parecendo um novo homem.

Ele diz que o ar em Norfolk � um verdadeiro t�nico.

Eu gostaria... Gostaria de ir para um lugar mais longe.

Mais longe? Em lugar algum econtrar� um ar melhor do que o de l�.

� mesmo um t�nico. Acho que ajeitei tudo.

Obrigada por fazer isso por mim, Broaders. Eu odeio fazer as malas.

A maioria das pessoas odeia fazer as malas. Eu adoro.

Mas nunca vou a lugar nenhum.

- Agora est� tudo pronto. - Ol�, querida.

Est� tudo pronto. Apanharemos o Col. Hammerbrook pela amanh�.

Hugh e Ragland v�o sozinhos de carro.

Logo mais eu arrumo minhas coisas.

� melhor preparar suas coisas agora, Mihael. Esta noite voc� vai ter que sair.

Veja, isso chegou para voc�.

- E da�? - Eu sei o que significa.

Eu n�o posso confiar em voc�, Michael.

Eu resolvi que voc� deve se desligar do Ex�rcito.

� a �nica coisa decente que voc� pode fazer.

E a unica coisa decente que uma esposa devia fazer � se comporta como tal.

N�o se meta em coisas que n�o entende.

- Voc� vai se desigar? - Vou, mas essas coisas levam tempo.

- Voc� tem me dar tempo. - S� n�o demore tempo demais.

J� lhe disse que esses postais devem parar. Eles s�o estupidamente perigosos!

Os maiores respons�veis por esta situa��o.

Fico contente que compreenda a import�ncia de maior cuidado no trabalho que est� fazendo.

E por que n�o compreenderia? Por que? Antes da guerra, durante a guerra...

Talvez tenha se esquecido que ainda estamos em uma Guerra.

- Uma guerra fria. - Eu n�o me esqueci.

Ent�o n�o preciso lhe lembrar que as guerras devem ser lutadas sem compaix�o.

- E com auto-sacrif�cio. - Sempre estive pronto para sacrif�cios.

Ent�o deve saber que nenhum assunto pessoal ou inconveni�ncia dom�stica deve ficar no caminho.

Como soldado, Major, voc� sabe h� sempre "baixas" na guerra.

Baixas? O que voc� est� querendo dizer?

Aqui est�o as ordens de Radek, Major.

O Partido ordena que sua esposa deve ser eliminada.

Ent�o estou fora do Partido. J�! Me ouviram?

- Estou fora do Partido! - Voc� jurou dedicar sua vida ao partido e � luta.

Ningu�m se rtira, Major. Voc� sabe disso.

Jurou aceitar uma disciplina de ferro.

E a obedecer ordens, onde quer que elas levem.

Ningu�m questiona o Partido, Camarada.

Ningu�m questiona. Ningu�m questiona.

Sim, Major. Voc� � aquele que deve liquid�-la.

Voc� � o respons�vel por essa situa��o.

Radek acha essencial que voc� demonstre sua fidelidade.

Mas eu n�o tenho que demonstrar minha fidelidade.

Basta olhar para o trabalho que tenho feito.

Sugerir isso agora � entrar me p�nico diante de um perigo imagin�rio.

N�o h� nenhuma raz�o para entrarmos em p�nico.

N�o estamos em p�nico.

Digam a Radek que recebi suas ordens.

Ol�, Parish. Sra. Parish.

Esta � a Sra. Curragh. Prazer em rev�-la.

Nunca imaginei que a pr�xima vez que o visse traria uma esposa com voc�.

Bem-vinda � Fazenda Wick Fulton. Obrigada, Sra. Parish.

Fique a ovntade, madadem, enquanto eu preparo o jantar.

Eles fingem que vem pela ca�a, mas eu acho que � pela comida.

George, carregue as malas para cima e fique ai conversando.

Eu nunca vi o George dizer duas palavras.

Pois eu j�, e n�o valeu a pena.

Vou me trocar. Estou esperando uma liga��o do Minist�rio da Guerra.

� sobre voc�, Michael.

- Mesmo quarto? - O mesmo.

Eles chegaram!

Chegamos primeiro. Somos espertos.

Paramos depois do almo�o e jogamos dardos para ver quem pagaria a conta.

E eu ganhei.

Pobre Hugh. Est�o esperando que lhes mostre onde s�o seus quartos.

E eu n�o sei. Bom, eu sei.

Os quartos n�o importam. O importante � se tem muitos p�ssaros.

N�o se preocupe com os p�ssaros. � melhor se preocupar com sua pontaria.

- Voc� vai conosco Melinda? - Sim, mas fecharei meus olhos quando atirarem.

Quero o meu bem forte. Estimulante!

Recebi a liga��o. Tenho not�cias para voc�.

Boas not�cias, espero.

Vamos, fale logo.

Lamento dizer que nosso regimento vai perder um bom oficial.

Dever�amos brindar com champanhe, mas isto servir�.

Te fa�o um brinde, Michael.

Voc� foi nomeado para um importante cargo que representar� sua promo��o imediata.

Isso � que � sorte! Eu bebo ao seu impressionante sucesso!

Michael, � sua sa�de. Obrigado.

Seu marido tem um futuro brilhante.

Voc� viajar� para Washington e outros lugares, ser� divertido!

Michael vai se desligar do ex�rcito para entrar na pol�tica.

- Ele vai ser um comunista. - Isso n�o foi muito engra�ado.

Eu n�o sabia que sua esposa tinha senso de humor!

Senso d ehomor? Sim, ela tem. N�o tem Melinda?

Vamos indo pessoal.

Vou ficar aqui com a Melinda. George, leve o Col. para o outro lado daqueles juncos.

- Michael, voc� tem que me ouvir... - Voc� deve ficar em sil�ncio.

Coronel, fique aqui com o capit�o. O outro cavalheiro vem comigo.

Vamos indo.

Vamos, Sandie.

Traga aqui, Sandie.

Bom garoto.

Linda!

Ela est� bem! Ela est� bem!

Ela s� teve um desmaio.

Voc� est� bem. Voc� est� bem.

Fiquei na linha de tiro, n�o foi?

Fiquei na linha de tiro.

- Qual � o nome da fazenda? - Falconwick.

E o nome do fazendeiro, por favor. Por que todas essas perguntas?

Porque suspeitamos que haja fatos que pretenda esconder do Partido.

- Por que sou interrogado or voc�s dois? - Porque representamos o Partido.

Voc� foi instru�do a terminar esse assunto em uma semana e fracassou.

� a opini�o do Camarada Diretor que quanto mais voc� adia,

mais arrisca a seguran�a de toda a nossa opera��o secreta.

Bem como seu pr�prio trabalho. Meu trabalho?

- Que valor eu teria se fizer isso e for apanhado. - As instru��es s�o para completar a miss�o imediatamente.

Preciso de ajuda. N�o posso fazer isso sozinnho. � desumano me pedir. Preciso da organiza��o.

Voc� se casou sem a nossa ajuda e ter� que sair dele sozinho da mesma maneira.

Eu posso convencer as autoridades competentes da necessidade de ajuda da organiza��o.

Me recuso a fazer qualquer coisa mais at� que tenham arranjado um encontro para mim com Radek.

Eu venho insistindo nisso h� muito tempo. J� pedi v�rias vezes.

- Eu exijo ver Radek. - Radek lhe daria as mesmas instru��es.

Eu n�o posso acreditar que lhe informem de todos os fatos.

- Ele conhece todos os fatos, Major. - Como sabe? Como eu saberei?

Por que, Major Curragh, eu sou Radek.

Est� vendo, eu concordo com voc�.

Voc� � valioso demais para ser confiado a meros subordinados.

Subordinados incompetentes.

Major, n�o lhe ser� tolerado falhar de novo.

N�o ser� tolerado. Voc� compreende?

Como sabe, s� alugamos essa casa para nos comunicarmos com voc�.

Se n�o nos encontar aqui, espero que compreenda o que isso significa...

Para voc�.

O significado est� bem claro, Diretor Radek.

Eu acho que Michael quis me matar. Inconscientemente.

Eu estou apavorada.

Tente se lembrar. Depois que Michael abateu os patos, voc� viu alguma coisa?

Ouviu alguma coisa?

- Eu ouvi um som de clique.

Como o clique de uma trava de seguran�a de uma arma sendo solto?

Sim.

Lin, me diga uma coisa. Est� apaixonada por Michael agora?

N�o.

S� estou com medo dele.

Ent�o vou te dizer o que eu penso. Acho que Michael quis te matar.

Seu subconsciente n�o permitiu porque ele est� apaixonado por voc�.

Mas ele pretendia matar voc�. O que eu devo fazer?

- Fuja! - Para onde eu devo ir? Ele me encontrar�.

V� direto para a minha casa. Ponha algumas coisas na mala. Broaders vai te ajudar.

Mas fuja imediatamente!

- Onde voc� vai? N�o me deixe, Joyce.

- N�o importa para onde vou. Te encontro na minha casa.

Se Michael aparecer, deixe sua mala, e saia depressa. Mas se apresse, Lin!

Broaders!

Broaders!

- Broaders? - Linda, onde voc� est�?

A� est� voc�, por que n�o respondeu?

N�o se aproxime de mim! Voc� tentou me matar!

Voc� n�o sabe o que est� dizendo.

Tome, beba isto. Voc� est� p�lida.

E agora est� tentando me envenenar.

Acha que estou tentando envenenar voc�?

Eu sei tudo sobre voc�. � por isso que quer me matar.

N�o fale assim, querida. Como posso matar algu�m que eu amo?

Fique longe!

Eu vim para casa lhe dizer que eu sai do Partido.

N�o h� mais nada a temer. Eu sou um homem livre.

Vou pedir licen�a do Regimento.

Vamos viajar para qualquer lugar que voc� queira.

De volta ao sul da Fran�a ou talvez da Su��a. Voc� gostaria?

Voc� j� esteve na Su��a?

Voc� est� me deixando?

Linda!

Est� sendo muito est�pida. Voc� n�o entende. Eu parei. Aquilo que nos separava acabou.

Tudo acabou, Michael. Mas eu deixei o Partido por voc�.

- E agora vai me abandonar? - Eu n�o acredito em voc�.

Voc� jamais o deixar�.

- Voc� amadureceu, n�o � Melinda? - Amadureci?

N�o pode mais mentir para mim, se � o que quer dizer.

E agora voc� vai �s autoridades. � isso o que tem em mente, n�o �?

Me deixe ir! Me deixe ir, Michael!

Voc� acha que eu vou deixar voc� sair daqui agora!

Senhor? Senhora?

Linda... Linda!

Al�? � da Embaixada Sovi�tica?

� uma emerg�ncia. Preciso falar com... Aqui � o Major Michael Curragh.

- Preciso falar com o Sr. Radek. - N�o h� ningu�m aqui com esse nome.

Te digo que isso � muito importante. Eu preciso falar com ele.

- Qual foi o nome que voc� disse? - Radek. R-A...

- Seu nome, por favor? - Curragh. Major Michael Curragh.

Preciso falar com com algu�m que tenha alguma autoridade.

Al�? Al�?

Um momento, por favor.

- Al�, Al�? - Qual � a natureza do assunto, por favor?

Preciso mandar um recado para o Sr. Radek. Precisa encontr�-lo imediatamente.

Diga-lhe que a situa��o est� fora de controle. Ele entender�.

- Diga-lhe que preciso de ajuda. - Qual � o seu nome, por favor?

Curragh! Major Michael Curragh! Eu trabalho com Radek.

Voc� entende o que estou dizendo? Major Michael Curragh.

Sabemos quem � o Major Curragh. Mas nossos arquivos mostram...

Nossos arquivos mostram que o Major Michael Curragh est� morto.

Al�? Voc� entendeu?

Nossos arquivos mostram que o Major Curragh est� morto.

Sim... Sim, eu entendi.

Perfeitamente.

Eu recebi minhas instru��es. Voc� n�o � necess�rio, de forma alguma.

Sinto muito senhor, Deve haver algum engano.

Inspetor Wrelt, da Scotland Yard. Ele est� na casa.

- �timo. Vim para coloc�-lo sob pris�o militar. - Est� bem, senhor.

Deixei que ele me visse. Pensou que eu fosse outra pessoa.

Tudo certo, Hugh.

- Melinda, voc� fica aqui. - Sou eu quem deve contar a ele.

Voc� n�o entende? Eu tenho que faz�-lo.

Um momento, madame... Me d� um minuto enquanto coloco meus homens em posi��o.

Est� bem.

Temos dois homens nos fundos. Ele n�o escapar�.

N�o...

Melinda, tem uma coisa que eu preciso dizer.

Eu sei o que deve estar passando, mas...

O legista, os rep�rteres, toda esp�cie de gente estar� aqui daqui a pouco.

- E tem uma coisa que preciso te dizer antes. - Tudo acabou.

Melinda, � exatamente isso. Ainda n�o acabou.

N�o para voc�.

- O que quer dizer? - Ningu�m do Regimento al�m do Coronel sabia.

Mas o servi�o de intelig�ncia militar j� estava atr�s de Michael h� algum tempo.

Permitiram que continuasse poque convinha aos seus interesses.

Ele ajudou em muitas coisas.

Hugh... Ele est� morto agora. N�o podemos...

H� muitas coisas valiosas que seriam perdidas...

se descobrissem que j� sabiamos deles h� mais tempo.

Melinda, o que estou lhe pedindo para fazer, e n�o a culpo se recusar...

� que deixe o mundo pensar que Michael se matou porque voc� o deixou.

Porque voc� o deixou e por nenhuma outra raz�o.

Voc� far� isso?

Sabe que farei, Hugh.

Sabe que farei.

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