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- Daniel ! Daniel !
- Patrick! Como vai?
- Tudo bem.
- Que faz aqui? - Compras.
- Ah, você...
- Que prazer em te ver. Como vai?
- Bem e você. - Tenho que te contar.
- Estou com pressa, mas vamos jantar juntos.
- Com prazer.
Vou te apresentar Emma.
- Emma?
Você quer dizer, sua...
- Sim. Isabelle vai querer conhecê-la? Considerando sua ligação com Laurence.
- Ela vai ficar feliz. O que vão fazer sábado?
- Ele vem jantar aqui com sua nova namorada?
O que me diz, Daniel?
Esse sacana largou minha melhor amiga.
- Ou então outro dia.
Sábado, vai ser no final do dia. Você está muito ocupado.
- Não, está bem.
- Vamos marcar outro dia. Eu te chamo, se você quiser.
- Sábado está ótimo.
- Maravilha, eu te ligo em dez dias e nós marcamos uma data.
Nos vemos antes do verão.
- Daniel, nós estamos livres.
- Tem certeza? Podemos mudar.
- Nossa noite foi por água abaixo.
- Ainda bem, então Venham a nossa casa.
Isabelle vai ficar contente.
Isabelle vai ficar contente em conhecer sua..
Em conhecer Emma.
- Querida, sou eu. - Você já chegou?
Você não cuida mais de sua forma?
- Cuido sim.
A prova.
Mas estou com vontade de um drinque. Aceita um?
- Não, obrigado. Vou terminar de corrigir estes trabalhos.
- O quê?
- Nada. Eu estava pensando...
tomando um drinque.
Muito bom este uísque.
Um escritor me deu de presente pela publicação de seu livro.
Te incomodo?
- Não. Estou trabalhando, mas você não me incomoda.
- Ainda bem.
Bem... Como digo...
Qual é o tema desses trabalhos?
- Guerra da Crimeia. - Não é brincadeira.
- Eu tenho de entregar amanhã cedo.
Se você estiver com fome, não me espere.
- Tá bom, obrigado.
- Você tem algo para me dizer?
- Não, não
A propósito, encontrei o Patrick agora mesmo.
Você não quer mesmo uma dose?
- E aí?
- Ele queria vir jantar um dia desses.
- Ah, entendi.
- Você está perdendo, está ótimo.
À base de malte. - Um jantar, você dizia?
- Hein?
- Você falava de um jantar
- Sim.
- Onde?
- Não sei.
- Aqui?
Por que não?
- Espere.
Quando é mesmo que ele vem jantar aqui
com sua nova namorada?
- É... Bem...
- O que você disse a ele?
- Sobre quê? - Sobre esse jantar.
O que acha, Isabelle?
- Me diga você.
- Bem... Eu falei para ele...
- Sim?
- Eu disse para ele que nem pensar.
- Ah, você disse isso?
- Claro.
Eu não iria convidá-lo sábado que vem com essa moça!
Jamais faria isso com você.
- Isso ia te aborrecer?
- Hein?
- Ia te aborrecer convidar essa moça?
Estou perguntando. - Evidentemente que sim.
A separação deles me chocou.
Para mim, eles eram inseparáveis.
É a porcaria desta vida.
Mas eu não vou parar de vê-lo.
- Eu não quero recebê-lo aqui com essa moça.
- Você tem razão. - Se você quer vê-lo,
saia para jantar com ele, mas nunca aqui.
- Tá bom.
- Entendeu?
- Oh, sim. Eu entendo.
- Ainda bem.
Preciso terminar
esses trabalhos. - Muito bem.
Eu te deixo trabalhar.
- Até mais.
- Como vai, grande? - Bem, e você?
- Ah, eu?
Ótimo. - Excelente.
Sente-se.
- Bom dia, senhores. - Nada mal aqui.
- O cardápio.
Um aperitivo? - Você toma o quê?
- O mesmo que você.
- Duas taças de champanhe. Brindamos ao amor.
- Estou chateado por causa do jantar.
Eu me enganei quanto à data.
Neste sábado, não estaremos em casa.
Estaremos no exterior.
Mas para marcar uma data, melhor que seja só entre nós.
- Está bem
- Conte-me então.
- Eu te digo, eu voltei a viver.
- Você fala como se tivesse sido infeliz todos esses anos.
- Eu era.
Não percebia.
Quando relembro...
A vida com Laurence era de mesmo séria, aborrecida.
Eu me pergunto como pude hesitar em mandar tudo èmbora.
A vida é uma só, é preciso aproveitá-la. - Certo.
- Tenho vontade de rir, viajar, beijar.
Quando vejo essas pessoas que se recusam a viver,
tenho pena delas. Você não tem?
- Sim, sim, claro.
- E você, tudo vai bem com Isabelle?
Tudo normal, depois de 20 anos.
Justamente, você nunca disse que...
Cá entre enós, você ainda é charmoso.
Parece que eu não sou o único que acha.
Um conselho de amigo: aproveite antes que...
- Daniel.
Daniel. - O quê?
- Eu estava pensando, acho que eu...
Eu reagi de modo muito impulsivo.
- Sobre?
- Sobre aquele jantar.
- Ah bom!
- Afinal, nãom temos nada com isso, é problema deles.
Não somos crianças. - Sim.
- Não vamos deixar de ver o Patrick porque ele ama outra mulher.
Então vamos convidá-los se isso te dá prazer.
- Escute, é você quem decide.
- Eu prefiro assim...
Acho que é melhor.
- Você é um gênio, meu pequeno Daniel.
O rei da negociação.
- Você viu meu anel?
- Não. Você trocou de roupa?
- Sim. Esta é melhor, não?
- Nada de pressão.
É só um jantar com Patrick, nada sofisticado.
Está bom, meu terno? Talvez um pouco...
- Você está lindo.
- Sim, ele me rejuvenesce, acho.
- Você vai ofuscar o Patrick. - Você acha?
- Eu conto com sua simpatia. - Claro.
- Vamos esquecer Laurence por duas horas, combinado?
Ah, Patrick!
- Você vai bem? - E você? Entre!
- Obrigado. - Mas... Você está sozinho?
- Não. Emma já chega.
Ela está no telefone, já tem dez minutos.
Isabelle, como vai? - E você?
- Deixo a porta aberta?
- Sim. O celular dela tocou no elevador.
Era importante.
Eu subi para não deixar vocês esperando.
Estou contente em apresentar Emma a vocês.
- Nós também. Hein?
Não é verdade?
- A situação é um pouco delicada para vocês.
Mas, de verdade, muito obrigado por terem convidado para o jantar.
Fico feliz.
- Em nosso lugar, você teria feito o mesmo.
- Isto é?
Seu paletó.
- Sim, obrigado. Olha, eu trouxe uma garrafa.
- Muito gentil. - Muito obrigado.
- Oh! Patrick! Château...
- É só uma garrafa!
- Não precisava!
É perfeito. Vamos ter cordeiro.
De aperitivo, um pouco de champane?
- Não perguntem a ela como nós nos conhecemos.
- Como?
- Isso a deixaria desconfortável. É uma precaução
- Sem problema.
Mas por que ela ficaria desconfortável? Como você a conheceu?
- Hein?
- Você a conheceu como?
Batem na porta.
- Com licença.
- Entre, querida. É aqui.
- Boa noite.
- Deixe-me apresentá-la.
- Bem, apresento-lhes a Emma.
Emma, esta é a Isabelle. - Boa noite.
- Prazer.
- E Daniel
- Prazer.
- Desculpem-me pelo atraso. Eu tinha que atender essa ligação.
- Não se preocupe. Entre.
- Entre, por favor.
Entre.
- Quer tirar o casaco?
- Claro!
- Obrigada.
- Você aceita...
Quer dizer... Você aceita...
- O quê?
- Você aceita...
Você aceita... - Sim?
- Algo para beber?
- Com prazer. - Champanhe?
- Perfeito. - Vou buscar a garrafa.
- Pode deixar, eu vou. - Eu vou.
- Volto já. Cuide de nossos amigos.
- Ela já vem, foi pegar o champanhe.
Por favor, sentem-se. - Obrigada.
- Sente-se ali.
- Ele não para.
- Como?
- Ele não para de falar em você.
- Ah! Fala bem, eu espero.
- Claro.
- Isso te surpreende? Você é um dos meus amigos mais velhos.
- Um dos mais antigos.
Eu não sou velho. Sou mais novo que ele.
- Pra mim, esse negócio de idade não tem muita importância.
Eu te digo que
Patrick é muito resistente.
- Neste verão, alugamos uma casa em Ibiza.
Com muitos quartos. Venham conosco.
Em julho. - É muita gentileza.
- Eu confirmo
É maravilhosa.
Depois que eu vi as fotos, só penso nisso.
Ficar de maiô na beira daquela piscina.
- É mesmo!
- Volto logo, vou ver se Emma...
Se Isabelle precisa de mim para o champanhe.
Que você está fazendo?
- Você viu essa garota?
Viu sua roupa? É lamentável.
E Laurence era uma mulher tão refinada.
- Isabelle, eles estão esperando.
- Como é que ele pôde trocar Laurence que é maravilhosa
por essa menina de 30 anos?
- É fácil de entender.
- O que você disse? - Eu?
Nada! - Sim.
- Falei que eles estão nos esperando.
Pedi para você esquecer de Laurence por duas horas.
- Que nojo. - Estou chegando.
- Posso ajudar?
- Não, muito gentil da sua parte. Isabelle já vem.
- Daniel é um ótimo cozinheiro. Ele não ninguém ajudá-lo.
- Excelente, excelente.
- Tenho o sentimento da cozinha, é isso.
- É sexy, um bom cozinheiro.
- Ah, bom! - Sim!
Isso prova que ele aprecia as coisas boas,
que ele gosta de dar prazer aos outros.
Estou errada?
- Aqui está.
Perdão, eu não achava...
- Champanhe. Ela não encontrava o champanhe!
- Que deu em você?
- Nada, querida.
Vou abrir esta garrafa.
Aqui vamos.
Tome, Patrick.
Isabelle é uma mulher notável e brilhante.
Temos uma bela cumplicidade, ela e eu.
Uma cumplicidade intelectual muito grande.
- O que você quer dizer? - Nada.
Digo que sou um homem completo.
Tome, meu amor.
Bem, meus amigos...
Saúde!
- À sua, minha querida!
- À sua, meu amor!
Emma, estamos muito contentes em encontrá-los.
- É recíproco.
Tim-tim!
- Tim-tim!
- Saúde, Isabelle! - Tim-tim!
- Bem, como vocês se...
Quero dizer...
Vocês moram juntos?
- Sim. - Sim.
- Aluguei um apartamento na correria.
Vocês sabem como é.
Mas vamos procurar um mais agradável, maior.
- Visitamos um apartamento esta tarde.
Realmente excepcional.
O mais belo terraço de Paris.
- Fantástico.
- É caro, mas espetacular.
- Não tão caro
pelo que é.
Uau! É maravilhoso!
Meu amor, é incrível!
- Sim, é bonito.
- É inacreditável!
Vê-se toda Paris! - Te agrada?
- É tão romântico. - Bem, ficamos com ele.
- Daniel?
Daniel?
Daniel, você está aqui?
- Sim, sim, perdão.
Estava pensando. Patrick não nos contou nada.
O que você faz na vida?
- Eu?
- Emma é comediante. - Não.
Não, pare.
Não sou comediante.
Gostaria de ser.
Digamos que estou à procura de papeis.
Enquanto isso, trabalho em um bar.
- Num bar? - Sim.
Boa noite. - Boa noite.
- Você me oferece algo para beber?
- O que você aceita?
- Não sei.
Champanhe?
- Você faz o quê?
- É uma prostituta! - Quê?
- Eu te digo. - O que você diz?
- E aquele bandido, que trocou sua mulher, sua vida,
minha amiga, professora de literatura, por essa puta!
Por isso que não devíamos tocar no assunto de como se conheceram.
É por isso. Se conheceram nesse bar.
- Ela diz que é atriz.
- Você não enxerga nada! Nem mesmo que eu mudei de roupa.
Vocês são os mesmos.
Param de raciocinar quando vêem uma garota seminua.
- Com licença.
Queria lavar as mãos.
- É por aqui. - Não deixe. Eu mostro.
Venha comigo.
- Eu acredito, meu tio.
Acredito com fogo!
Com paixão.
Nós compreenderemos os anjos.
Nós veremos todo o mal terrestre,
todos os nossos sofrimentos, afogados na misericórdia
que vai encher o universo inteiro.
E a vida...
se tornará doce,
terna,
boa
como uma carícia.
Eu acredito.
Eu acredito.
Você não teve alegrias na sua vida,
mas tenha um pouco de paciência.
Paciência
Nós vamos descansar.
Nós vamos descansar.
Nós vamos descansar.
- Bravo!
Bravo!
Bravo!
Bravo!
Bravo!
- Daniel!
Você veio!
É tão gentil
- Foi comovente.
- Foi?
De verdade, você gostou?
- Sim, muito.
- Isabelle não está com você?
- Ela não pôde vir, pede mil desculpas.
Ela teve um impedimento de última hora.
Estou só.
- Tomamos um drinque?
- Com prazer, mas eu não queria te aborrecer.
- Pelo contrário.
Dê-me um minuto para me trocar e vamos!
- Sim, tudo bem.
Ótimo.
Desculpe.
- Desculpe, te deixei esperando.
- Não, que isso.
- Eu conheço um lugar legal. - De acordo.
- Vamos?
- Patrick tinha razão, você é muito talentosa.
Fiquei emocionado com esse espetáculo.
Essa peça é arrebatadora, e você é tão...
- Adoro esse bairro, e você?
Principalmente à noite, é tão bonito.
- Sim, é muito bonito.
- Essa é a Paris que eu amo. - Eu também.
E Patrick?
Ele está lá?
- Não. - Mas vocês se vêem sempre?
- Venha. É aqui.
- Por favor. - Obrigado.
- Senhores, senhoras, que desejam?
- Você toma o quê? - Uma taça de vinho tinto.
- O mesmo, por favor.
- A gente vem muito aqui. - Com Patrick?
Não sabia. Estou chateado.
- Ele era adorável,
mas de fato muito...
Como dizer? - Superficial, seguramente.
Ele sempre gostou de rir de suas próprias piadas.
Fiquei admirado quando os vi juntos.
- No seu jantar? - Sim.
- Por quê, por causa da diferença de idade?
- Não, ao contrário.
Você tinha um ar tão mais...
É algo de... como digo?
Ele não tem nenhuma profundidade de alma.
É um amigo e eu o adoro,
mas você é tão...
intensa.
Isso a torna quase intimidante.
Posso te falar francamente?
Posso?
- Adoro os aspargos.
É fácil de fazer, mas o segredo é a mousseline.
Isso não existe
na Espanha? - Não.
- Eu me perguntava sobre o seu sotaque. De onde você é?
- Meus pais moram em Barcelona.
Foi lá que fui criada.
Aliás, eu espero que você vá lá.
Eu adoraria apresentá-lo para meus pais, mas ele não quer.
- Só que não tenho tempo.
- Venha, Daniel!
- Prazer. É a mamãe?
Muito prazer, senhora.
- Oh, minha tia!
- Prazer. É a titia? - Sim!
Oh, minha prima!
Daniel, é minha prima.
- Que bonito!
Eu te amo muito
Eu te amo tanto
Minha vida, minha alma
Minha estrela
Os bombons, as papoulas, os "meu amor"
Os beijos loucos, os raios do amanhecer
Minha vida
Meu coração
Minha juventude
Eu gostaria muito de ir lá.
Digo, a Barcelona, não à casa de seus pais.
- Você não conhece? - Não, no entanto, não é longe.
É tão perto de Paris.
- Há cidades assim, que a gente gostaria de conhecer.
No meu caso, é Veneza.
- Você não conhece Veneza? Precisa consertar isso.
É uma cidade tão...
tão poética.
- É bela, você diz.
- Mais champanhe?
- Sim, ótimo. Obrigado.
- Tome, Patrick.
Esses aspagos são bons, hein.
- Excelentes, Isabelle.
- Emma, un pouquinho mais...
- Sua mousseline está perfeita.
- E vocês dois, então? - Nós?
- Não, eles.
Patrick não nos contou.
- Sobre o quê?
- Como vocês se conheceram?
- Ora, Isabelle!
- Foi nesse bar, tenho certeza.
- É...
- Oh, que desastre. Perdão.
- Tudo bem, querida? - Sim, nada grave.
- Sou trapalhão.
- Quer um guardanapo? - Não, não.
Não se preocupe, isso não mancha.
- Sim, tivemos sorte. Champanhe não mancha.
- Sou desastrado.
- Felizmente não é vinho.
- Devo dizer que isso cheira bem, de fato.
- Sou realmente trapalhão. - Não foi nada.
Isso me acontece sempre. Derramar champanhe em um cliente.
- Num cliente? - Sim, muitas vezes.
Além do mais, adoro champanhe.
- Bem, então, tim-tim!
- Tim-tim!
- Tim-tim, meus amigos. - Tim-tim, meu amor.
- Isabelle.
Bem, é...
Esqueci sobre que falávamos.
- Falávamos de seu encontro.
- Ah, eu ia...
Ah bom, você sabe?
- Sim. Estamos ansiosos para saber.
- Ora, Isabelle!
- Quê? - Não sei...
Isso não se pergunta, é muito íntimo.
- Você acha? Não, Patrick?
- Realmente não, mas... Como diria?
- Quê?
- Vamos, conte.
Naquele bar, não? Era um bar de quê?
- Como? - Que tipo de bar?
- De petiscos, de vinho?
- Lamento, minha querida.
Isabelle sempre foi muito curiosa.
- Eu, qual é?
É você que incomoda as pessoas.
- Nós nos encontramos numa sala de espera.
- Ah, foi?
- Tínhamos o mesmo gastroenterologista.
Cada um tinha um pequeno problema.
- Eu lembro dele dobrado em dois
correndo para o banheiro de três em três minutos.
Completamente...
- Não entre em detalhes. - Mas por quê?
- Por que você não queria nos contar?
- Não é muito charmosa
a sala de espera de um gastroenterologista.
- Pelo contrário, eu acho isso muito romântico.
- Mas o que você tinha? - Não se sabe.
Sofri durante meses.
Tinha medo que fosse grave. Fiz ultrassom, radiografia.
Não se encontrou nada.
Depois, um dia...
eu encontrei Emma e pus minha vida em ordem.
- Você quer dizer... resolvendo deixar a Laurence?
- Resolvendo viver a vida
que eu queria viver.
Simplesmente.
Agora, não tenho mais dor nenhuma.
- Louco!
- Muito romântico.
Vou tirar a entrada.
- Quer ajuda?
- Não precisa.
- Vou te ajudar.
- Estava ótimo.
- Vá ajudar, coração.
- Eu também tenho às vezes uma dorzinha no estômago.
Talvez deva olhar isso.
Você me dá o endereço de seu médico?
Bom dia, senhora.
Tenho uma consulta urgente com o Dr. Baudoin às 16h.
- Qual seu nome?
- Eu liguei esta manhã por indicação de Patrick Colluci.
- Aguarde na sala de espera, o doutor está chegando.
Obrigado, senhora.
- De quem é a vez?
- Creio que minha.
- Tire sua roupa, o doutor está vindo.
- Tirar a roupa, quer dizer...
- Sim, claro.
- Não seja tímido, não vamos comê-lo.
Bem...
- Então...
- Que foi, Daniel?
- Oh, me desculpem.
Será que o cordeiro não está muito cozido?
- Está perfeito.
- Tem certeza?
- Está delicioso. - Outro pedaço?
- Não, obrigada. - Não mesmo?
Patrick? - Não obrigado.
Estou me cuidando.
Como menos, bebo menos.
- Ele voltou a praticar esporte. - Faço ciclismo.
- Ah, bom.
- Dá para notar, não?
- Isso mudou minha vida.
Ainda tenho que perder dois quilinhos até o verão.
A praia não nos perdoa.
A propósito, com relação a Ibiza...
Eu disse a Daniel que alugamos uma casa.
Venham uns dias,
será um prazer.
- Muita gentileza. - Falo sério, venham.
- É uma casa maravilhosa, não é mentira.
É a casa mais bonita de Ibiza.
- Vamos ver as datas, muito obrigado pelo convite.
- Vai fazer bem a vocês.
Vou te levar para andar de bicileta. Não vai te fzer mal.
- Não me diga!
- Não, é brincadeira!
Diga-me da ponta dos lábios
Me fale da ponta dos lábios
Vou te ouvir na ponta do coração
Seu grito me perturba, eu sonho
Eu sonho
Fale de novo docemente
Murmure para mim simplesmente
Vou te escutar melhor
Sem dúvida
Se você falar da ponta dos lábios
Te escuto muito bem da ponta do coração
E posso continuar meu sonho
Meu sonho
- Então, o que você está fazendo?
- Não consigo te acompanhar.
- Não vá ter um ataque cardíaco!
Vamos!
Depressa!
As meninas fizeram lagosta.
E Emma preparou o aperitivo.
Ela adora fazer.
Você não vai montar na bicicleta?
- Foi só uma tontura devido ao sol, nada grave.
Normalmente, sou resistente.
- Mais um pouco de lagosta? Não, obrigada.
- Quando fazemos nossas corridas...
- Ninguém, vocês tê certeza?
- Quando eu e Patrick fazemos nossas corridas,
eu sempre chego ao topo antes dele.
- Ah, é?
- Verdade, sempre.
Eu sou mais resistente, de costume. Não é, querida?
- Está tão bom aqui. É o paraíso.
- Eu vou nadar. Vocês não se importam? - Não, não.
- Está ótimo aqui.
- Eu te falei!
- Estranho, suas sobrancelhas não são da cor de seus cabelos.
Sim, suas sobrancelhas são ligeiramente mais escuras.
Queria saber de que cor é a sua...
Por intuição, acho que é loura.
Louro veneziano.
- Como?
- Hein?
- O que você disse?
- Eu? Nada.
- O que é louro?
- Ah, não, desculpem. Eu pensava na...
- Em que? - Em nada.
Em um amigo que chega de Veneza.
Roberto.
Roberto, um veneziano.
Pensava na estação do metrô
onde devo buscá-lo amanhã.
Les Sablons. Venezianos.
Me desculpem, meu pensamento..
se misturou todo.
Herdei isso de minha mãe.
Com licença.
Vou cuidar da sobremesa.
Volto já.
- Que há com ele?
- Não sei.
Estou chateada.
Eu não sei.
- Que há comigo afinal? Calma.
Respire.
Por que sonhos com creme? Eu tinha de fazer coisa mais simples.
- Onde ponho? - Hein?
Como? - Onde ponho isso?
- Ponha ali.
Na... Na pia.
- Sim, OK.
Pronto. - Obrigado.
- Eu... Eu volto já.
- Bela cozinha. É grande.
- Obrigado.
- Posso te ajudar?
O que você fez de sobremesa?
Ah. Sonhos.
Sonhos
Sonhos com creme.
Você gosta? - Sim, sim.
Eu sou gulosa, então os sonhos, imagine...
- Você é gulosa? - Terrivelmente.
- Bem. Eu... Eu vou fazer... fazer o...
Aquecimento... Derreter o chocolate.
- Você põe chocolate por baixo?
- Claro.
- São esses pratos?
Posso levar?
- Sim, não, pode deixar. Vou servir os sonhos nos...
Como é mesmo... Nos pratos.
- Eu os coloco ao lado, então.
- Se quiser. - Sim.
- Eu... Eu vou colocar meu...
Vou vestir meu avental por causa do chocolate.
Prefiro fazer as coisas...
nas regras da arte.
Quê?
- Nada. - Diga-me por que está rindo?
- Você me faz rir.
Mas por quê?
- Você sabe bem por que.
- Bem, agora, o chocolate.
- Sim.
- Muito suave.
- Quê? - É... Quero dizer, o fogo.
O fogo.
O fogo, muito suave
Cheira bem.
Ah, aí está.
Aií está. Começa a ...
Começa a derreter.
Digo, o...
o chocolate.
O chocolate começa a...
Começa a derreter.
- Peço desculpas.
- Não. Não, não, fui eu.
- Só penso nisso. - Eu também.
É horrível. Eles estão... Eles estão aqui do lado.
- Eu sei.
O que fazemos? - Como? O que fazemos?
- Você pensa em retornar?
- Não tem jeito de não retornar.
- Onde dá esta porta/
- É horrível É horrível, horrível.
Táxi!
Oh, lá, lá. Você compreende o que estamos para fazer?
- É monstruoso. Eles ainda estão na mesa.
- Não pense neles. - É difícil.
- Onde você me leva?
Leve-me para qualquer lugar.
Temos só uma vida.
- Motorista, para Orly.
- Me parece que está pronto. - Hein?
Como?
- Não, é que...
me parece que está pronto.
- Ah, sim, sim. Você tem razão.
- Como você faz depois?
Você o coloca diretamente por baixo.
- Sim, mas olhe, eu não sei se está bastante líquido.
- Deixe eu provar. - O quê?
- O chocolate. Eu fazia isso quando era pequena.
- À vontade.
Cuidado, está um pouco quente.
Abra a...
Abra a boca.
Então?
- É chocolate com quê?
- Ah, você não adivinha?
- Espere, espere.
Me dê outra. Vou te dizer.
- À vontade
Abra a...
a boca.
- Que você está fazendo?
- Feche os olhos.
- O que que... Cris
- Minha roupa! - Oh, merda!
- Que é isso? - Chocolate.
- O que houve?
- A panela escapuliu.
- Vamos achar uma solução
- Meu vestido tá fodido! - Queima?
- Água quente. - Não, não.
- Não deve esfregar com o pano.
- Isso não vai adiantar.
- Estou muito envergonhado.
- Se esfregar, vai manchar.
Vamos tirá-lo.
Venha.
- Merda.
- Lamento muito.
- Já voltamos.
- Oh lá, lá... Oh, Patrick...
Patrick, é lamentável.
- Não. - Estou muito constrangido.
- Não fique chateado. É só um vestido.
- Mas ela vai ficar zangada comigo.
- Não é do feitio dela.
Ela não liga para roupas. O que interessa a ela são as pessoas, a vida.
Ela ama a vida. - Sim, é gulosa.
- Como? - Não, eu...
Você tem razão, vê-se que ela ama...
que ela ama a...
Ela ama a vida. Ela é viva. Isso é o que eu queria dizer.
- Você não imagina.
- Ah, sim.
Sim, exatamente. Eu posso bem imaginar.
- Eu não te vi.
- Boas notícias? - Sim
Era meu agente. Fui chamada para uma peça
na volta. - Formidável.
- Sim!
É um diretor que eu adoro.
É Tio Vania de Tchekhov, então...
Estou tão feliz.
- Eu te amo.
- Como? - Você é minha felicidade, minha juventude.
Não te peço nada.
Eu sei que não tenho chance de ser correspondido. Deixe só
eu te escutar. Eu te olhar.
É uma citação.
É a peça. O texto da peça, Tio Vania.
- Desculpe, me desculpe. Achei que...
- Não, não.
- Pensei... - Sim?
- É formidável. Estamos felizes por você.
Você já havia falado desse projeto quando nos encontramos.
- Sim, sim.
Achei que não tinha ido bem no teste. É uma loucura.
- Alguém aceita uma dose?
Não, obrigada.
- Vocês vão me ver em setembro? - Claro.
- Com certeza, adoro teatro.
- Vou mandar os convites.
- Que tal deixar seu tio Vania de lado um pouco?
Vamos dançar? Você adora.
- Patrick.
- Quê? Podemos todos ir dançar.
- Sim. - Patrick.
- O que foi que falei? - Perdão,
mas estou um pouco cansada.
- Você? Cansada?
Espere. Venha, vamos dançar.
- Eu não estou com vontade.
- Ah, bom...
Vou aprender a sair com uma garota mais velha.
Quê? Que foi que eu disse?
Hein? Querida...
Com licença.
Meu bebê, o que te aborrece?
- A meu ver, isso não vai durar. - Por que você diz isso?
- Intuição. Ela não o ama mais.
- Você acha? - Óbvio que ela não o ama mais.
Eu vou me deitar. Você não está cansado? - Não.
- Você se incomoda se eu for dormir? Estou caindo de sono.
- Querida, eu vou... Vou fazer um passeio.
- Agora? - Preciso caminhar.
Não se incomoda? - Não
- Boa noite.
- O que você está fazendo?
- Estou olhando as estrelas. É bonito.
- Sim, é bonito.
- Viu aquela lá? Sim.
- Tudo bem com Emma?
- Sim, você sabe, ela é passional. É seu temperamento russo.
- Ela não é espanhola?
- De nacionalidade, sim.
Mas de temperamento é russa.
Ama muito. - Ah, bom.
Posso te perguntar uma coisa?
Por que você se separou de Laurence?
Vocês pareciam se entender tão bem.
- Sempre nos entendemos bem. Então, por quê?
- É difícil de explicar, você sabe. Imagino...
que havia pequenas incompatibilidade de gênio.
- Incompatibilidades depois de 20 anos?
- São pequenas coisas que adquirem importância com o tempo.
Como, por exemplo?
- Por exemplo, ela é alérgica ao sol.
Pode parecer sem importância, mas vamos sempre de férias à Bretanha.
E eu adoro o sol.
Tenho necessidade
para me sentir bem.
E você, com Isabelle, isso funciona bem?
- Sim, bem.
- Tem certeza? Ah, sim.
- Melhor assim.
O que você acha que elas fazem?
- Não sei.
- Vamos deixá-lo de molho. É o melhor a fazer.
- Patrick me deu de presente.
- É muito alegre, fica bem para você. - Custou uma fortuna.
Ficaria muito feliz em recuperá-lo, mas bem...
não é tão importante. Adoro a cor.
Tudo bem?
- Sim, sim, tudo bem. Desculpe.
Vou te emprestar uma roupa para terminar o jantar.
- Não me importo. Não tenho vergonha.
Mas acho que o Patrick não se sentiria à vontade.
- Vamos ver se este serve.
- Tudo me serve. Não se preocupe.
- Ela é uma stripper.
- Ela só tirou a roupa para limpá-la.
- Você não entende. Você não entende nada.
- Quê? - Você não vê que tipo de garota ela é.
Ela se interessa por um homem
que pode alugar uma casa maravilhosa em Ibiza.
Ela vai limpá-lo e se mandar.
- Você acha? - Isso já aconteceu antes.
E ele se exibe com tanta felicidade.
"Trago uma garrafa do seu vinho preferido."
"O terraço mais bonito de Paris."
"Aluguei a mais bela casa de Ibiza."
O que ele está querendo nos dizer?
Que tem a mulher mais bonita do mundo? É isso?
- Você está falando bobagens, minha velha.
- O jeito dele te olhar
com sorrisos de felicidade...
Ele se diverte em te ver fazer.
- O que eu faço?
- Fica bobo admirando a moça.
- O quê?
- Admirando. - Admirando?
Você está delirando. Ele veio nos apresentar a moça que eu amo.
A moça que ele ama! Nada a ver com exibição.
- Esqueça. - Onde você vai?
- Vou ver se meu vestido serviu na Emma.
Você prefere que ela coma a sobremesa nua?
- Ela me deixa nervoso.
É... É terrível como ela me deixa nervoso.
Eu parto. Me perdoe. Não posso continuar assim. Temos uma incompatibilidade de gênio. Não me ligue.
- Aperte o cinto.
- Você se dá conta do que me fez fazer?
Nos conhecemos faz poucas horas.
- Eu também tenho medo.
Mas digo uma coisa. - O quê?
- Tinha que ser assim.
- Ela era uma promessa
de uma vida louca.
Talvez irresponsável, talvez fútil,
mas intensa e impetuosa.
- Pela primeira vez em sua vida,
ele se sentia vivo.
Tinha dormido longos anos
no leito das convenções e dos costumes.
Ele tinha afinal despertado.
- Quanto custa?
- 130. - Com licença.
- À vontade. - Isabelle
- Tome. Obrigado.
- Muito bom este uísque.
- Como?
- Muito bom.
- Um dos meus escritores me deu. Outra dose?
- Não, me levanto muito cedo amanhã.
Me diga uma coisa.
Você parece meio ausente. - Eu?
- Sim, toda hora você está alheio.
Tenho impressão de que você está pensando noutra coisa.
- De jeito nenhum.
- Você está zangado comigo?
- Que isso, o que você está pensando?
- Bom.. É verdade.
Vou chamar um táxi.
Tenho um aplicativo.
Normalmente em dois cliques, chegam.
- Que bom.
- Sim.
Veja: uma Mercedes preta em 3 minutos.
Você devia instalá-lo. É muito prático.
Preciso te mostrar umas fotos. - Quais?
- A casa que aluguei para o verão.
Vai te interessar.
- É a casa, o terraço. O mar logo ali.
Nada mal, né?
- Deve custar caro.
- Sim.
- Quanto? - Dez mil.
- Por mês?
- Não, por semana.
Ah, sim!
Por que você sorri?
- Eu?
- Você tem um sorrisinho de felicidade.
- Quê?
Eu te falei que, se quiserem, podem ir em julho.
- Acho que me falou pelo menos umas três vezes.
- Querida, acabei de chamar o carro.
- Eu dizia para Isabelle que amanhã temos de levantar cedo.
Foi ótimo.
- Obrigado, velho. Temos de repetir isso logo. - Sim
- Emma, seu vestido.
- Obrigada. - Amanhã te devolvo o seu.
- Quando quiser.
- Chegou.
- Você não sabe. Patrick tem um aplicativo prático.
Você aperta um botão e o táxi responde em três minutos. Incrível.
Patrick sempre teve uns truques que os outros não têm.
- Por que você diz isso?
- Quê? É a verdade. É uma constatação. Não é uma crítica.
Você sempre tem os melhores.
Sabe tudo, fico impressionado!
De fato, fico babando.
Babando.
Eu babo, eu babo!
- O que te deu?
- Por que ficou nervoso?
Bebemos um pouco demais, acho.
Mas se você quiser, eu instalo no seu celular.
É muito simples. - Não.
Obrigado, prefiro pegar o metrô.
- Sim, sabemos. A estação Sablons, com Roberto, seu veneziano.
- Os casacos.
- Eu te peço, sem ressentimento.
- É isso aí.
- Obrigada. - Meu casaco.
- Obrigada por tudo.
E parabéns pelos sonhos com creme. Estavam deliciosos.
Ah! Ia me esquecendo!
Avelã verde.
- Como?
- O chocolate.
Era com avelãs verdes.
- Bem, então, boa noite. - Emma.
- Sim. - Emma, venha, meu doce.
- Boa noite. - Boa noite.
- Boa noite.
- Como está, muito cansado? - Hein?
- Vamos arrumar as coisas amanhã. Recolho os copos.
- Sim, como queira.
- Tudo bem?
Por que você ficou nervoso com Patrick por causa do táxi?
- Não sei. Ele me irritou esta noite.
- Você me faz sentir culpada. Foi por causa do que eu falei?
- Não, claro que não.
- E ela, o que achou dela?
- Quem? - Emma.
- E você?
- Eu, eu bem que gostei.
É verdade que no começo, estava um pouco negativa,
mas no final me surpreendeu de forma positiva.
Ela é charmosa, não?
- Ah, você... Oh, não...
- Sim, ela tem algo. - Você acha?
Eu, não. Eu a achei muito vulgar.
Eu... Eu estava incomodado.
Patrick deixou tudo
por essa garota. É um mistério.
Mesmo fisicamente, ela não é essas coisas.
E ele fica se exibindo sem desconfiar que é ridículo.
- Patrick?
- A única coisa que ele quer é me impressionar.
- Ah, não.
- É patológico. Ele quer que eu o inveje.
- Você o conhece. Sempre foi assim.
O mais triste é que ele está destruindo sua vida.
Ele destruiu suas relações com a mulher, seus filhos, até seus amigos.
- Sim.
É como se eu, pela primeira vez, conhecesse seu verdadeiro caráter.
- Tanto assim? - Sim.
Eu te digo, é triste. Triste de dizer.
Tenho impressão de que não nos veremos mais, ele e eu.
Chegamos ao limite de nossa amizade.
- Bom, veja o que acontece.
Bem... Vou levar os copos para a cozinha.
- Eu sou um gênio
- Lamento, foi um horror.
- Por que você diz isso?
- Você não achou? Foi uma confusão de matar.
è minha culpa
Que ideia absura esse jantar... Não podia dar certo.
Eles não suportam nos ver juntos, nem um nem outro.
Isso os tira de seu pequeno equilíbrio burguês.
Como pude suportar isso tantos anos?
- Eu gostei bem dele.
- Daniel? - Sim.
Sim, achei-o até...
sedutor.
- Eu gostaria de um cigarro.
Você tem? - Você?
- Sim, não sei por quê. É este uísque.
Estou com vontade de fumar um cigarro para acabar minha dose.
- Você ainda sabe acender? - Sim.
- Você não quer ir deitar?
- Acabei de acender o cigarro.
- Posso te esperar. - Gentileza sua, não precisa.
Vá deitar.
- Bom, eu vou.
- Afinal...
Não te arranjarei outra noitada dessa.
- Quê?
- Não podemos esquecer de devolver sua roupa.
Como ela pode comprar roupas parecidas?
- Quê?
- Nada.
- Emma, eu falei algo que não devia?
- Me larga.
- Por que você reagiu desse jeito?
Emma, quero falar com você.
Abra a porta.
O que te aborrece?
O que você tem?
Querida, o que você tem?
- Eu acho que estou apaixonada.
- Quê?
Por quem?
- O que você acha?
- Está de brincadeira?
- Lamento muito, Patrick.
- Isabelle?
Emma
O que você faz aqui?
- Te incomodo? - Não, desculpe, eu estava indo...
trabalhar.
- Eu passei para devolver o vestido de Isabelle.
Eu estava no bairro.
- Gentileza sua, ela não está aqui.
- Você dá para ela?
- Sim.
- Mas... Como dizer...
Você quer tomar alguma coisa? Um café?
- Não quero incomodar.
Só estava passando pelo bairro. - Mas...
Você não me incomoda. Entre.
Entre.
- Foi realmente excelente o jantar.
- Ah, você achou? - Sim.
- Muito amável.
- Estou chateada com o modo como Patrick se comportou.
Às vezes, ele tem atitudes tão...
Enfim, você o conhece.
- Não se preocupe. Nós gostamos dele assim mesmo.
- Você pensa em ir a Ibiza?
- Não sei.
Lá é bonito. Vi as...
as fotos que Patrick me mostrou. Por quê?
- Posso falar francamente?
- Sim.
- Acho que seria melhor que você não fossem.
- Ah, de acordo.
Muito bem.
Mas por quê?
- Você sabe muito bem por quê.
Acho melhor ir andando.
- Já? Você nem tomou seu café.
- Acho melhor.
- Emma?
Emma.
Perdão...
Estou triste. Queria te dizer...
Isso vai te parecer totalmente inadequado, mas...
Como dizer...
Se você tiver um tempinho,
eu ficaria muito contente de te convidar para tomar um drinque.
Eu sei que isso não é apropriado.
- Sim.
- Lamento.
- Me chame.
- Bem, obrigada de todo modo.
- Foi uma bela noite.
- Sim.
- Como você vai embora? Te chamo um táxi?
- Não, agradeço, vou a pé. Não moro longe.
- Te acompanho?
Posso te confessar uma coisa?
- Sim?
- Detestei essas férias em Ibiza.
Ah! Por quê?
- Já que estamos nas confissões, queria te falar...
Não disse para minha mulher que vinha aplaudi-la esta noite.
- Ela não gosta de Tchekhov?
- Eu não mostrei a ela os ingressos que você mandou.
Disse-lhe que eu ia jantar com um escritor.
- Por quê? - Eu não queria que ela viesse.
- Mas por quê?
- Acho que...
Acho que você sabe muito bem por quê.
O que houve?
- Moro aqui.
- Correu tudo bem? - Você não dormiu ainda?
- Te esperava. Você voltou tarde.
- Demorou mais que eu previa.
- Você deve estar cansado. - Sim.
Queria ter voltado mais cedo, mas os escritores...
- Vai tudo bem? - Sim, tudo vai bem, minha querida.
Volte a dormir.
- Fazia tempo. Gosto disso.
- Sim, eu também.
- Houve uma época em que a gente vinha muito aqui.
Esqueci de te contar, sabe quem eu vi?
- Não.
- Laurence. - Ah!
- Sabe o que ela me falou?
A moça largou o Patrick. - Ah, bom!
- Tinha te falado que o caso deles não duraria muito.
Ele voltou para ela com o rabo entre as pernas.
Ela recusou. Depois do mal que ele lhe fez, ela não quer vê-lo mais.
Te conto porque ele não está muito bem.
Você deveria ligar para ele ou ir vê-lo.
- É bonito, não?
- Uma primeira edição? - Parece.
Senhor, quanto custa? - 450.
- Vai comprá-lo? - Te dou de presente.
- Estou acabado. - Imagino, pobre velho.
- Você compreende? Deixei tudo por ela. Tudo.
Da noite pro dia, sem qualquer explicação...
Ela achou alguém. É o motivo.
- Você acha?
- Eu sei.
- Oh, merda.
- Eu sei que foi isso.
- É esse diretor.
O diretor de sua peça.
- Quem?
- Não, nada. Achei que você... Não.
- Após a estreia, ele deu em cima dela.
Um verdadeiro cafona.
Um terrível cafona.
Agora, perdi tudo.
Tudo.
Meu filho não fala mais comigo.
Laurence pediu o divórcio.
- Vamos, vamos, vamos.
- Eu fui tão burro...
Fui tão burro, meu Deus.
- Bravo!
Bravo!
- Não foi mal esta noite, mas...
- Eu achei que foi muito bem.
- O realismo de sua interpretação não deve apagar a realidade.
Ao contrário, a realidade é que deve parecer realista.
A realidade de Tchekhov deve se tornar o irreal para o espectador.
- Oh, Daniel você está aí?
- Oh, Bruno!
- Isabelle está com você? - Ela não pôde vir, infelizmente.
- Um abraço para ela.
Foi bonito... - Sim, foi muito bonito.
E de novo bravo! - Obrigada.
- Eu adorei! - Obrigada.
- Merda, é um colega da minha mulher.
- Vamos tomar um drinque para comemorar. Você nos acompanha?
- Infelizmente, não posso esta noite.
- Não tem problema. Até amanhã, então.
- Até amanhã.
- Que brega. esse aí.
- Tudo bem?
O que você tem?
- Nada.
Acho que devemos parar de nos ver.
- Por que você diz isso?
- Você é casado, Daniel.
O que posso esperar disso?
Eu quero mais, você entende?
E você não pode me dar.
Nos encontramos escondidos e depois o quê?
Um mês? Dois meses?
Isso me faz muito feliz.
Mas não é culpa sua.
Eu que sou muito sentimental.
- E se a gente saísse alguns dias?
- O quê?
- Se saíssemos semana que vem?
- O que você acha? - Me abrace.
Por favor, por favor.
Emma, me abrace.
Emma?
- Eu acordei esta manhã me sentindo muito mal.
De repente,
concluí que tudo isso nõa faz sentido.
Fizemos uma enorme bobagem, Daniel.
Perdão, por demorar tanto a descobrir.
Va para junto de sua mulher.
É o que você tem de melhor para fazer.
Adeus.
- Oh, perdão.
Estou tão envergonhado.
- Só pode.
- Não sei o que houve comigo. Posso entrar?
- É muito tarde, não quero mais te ver.
- Isabelle, precisamos conversar.
- Que você está fazendo aqui?
- Preciso te falar. - Eu não quero.
- Você não pode fazer isso comigo.
Não mereço. - E eu, sim?
- Fui imperdoável,
fui ridículo...
Não sabia o que estava fazendo, perdi o controle.
Entende? Eu perdi o controle de minha vida.
Eu pensei muito no que aconteceu conosco.
Foi um período horrível.
Aquela garota, não faz nenhum sentido.
Isabelle.
Isabelle, estou perdido.
Eu não posso abandonar nossa história.
Eu te suplico, me dê uma outra chance.
Você não pode me deixar assim.
- Foi você que me deixou, Daniel.
Os atos têm consequências, agora acabou.
Você me compreende?
Vou me deitar, você vem comigo?
- Meu amor!
Meu amor! Meu amor!
- Que acontece com você? - Nada, eu refleti.
Eu compreendi que sou feliz de viver com você.
- Vamos, vamos.
- E depois também eu entendi que tenho...
Tenho você.
Que estou bem com você.
E mais...
Quero muito viajar com você.
Que tal se formos de manhã?
- Você vai aceitar o convite deles para Ibiza?
- Claro que não.
Não sei. Quem sabe, Veneza?
Nós dois em Veneza.
- Você me faz rir. - Eu?
- Sim, você. - Por quê?
- Você sabe. Diga-me.
- Venha se deitar. - Por que te faço rir?
- Porque... - Porque o quê?
- Leia o meu pensamento.
- Exatamente, li seu pensamenteo.
- Ah, é. Se você é tão esperto, me diga.
- É isso aí! Não foi tão complicado assim.
Legendas =RP=
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