All language subtitles for Mission Control The Unsung Heroes of Apollo (2017)

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Original subtitles

Entendido, estamos a ver, Jack.

E temos uma leitura de

menos dois graus no indicador da acoplagem.

Gostar�amos de saber se � mesmo 2,0 ou se � 2,1 ou 1,9.

N�o, � precisamente menos 2,0.

CAPCOM, a �ltima coisa que precisamos de ouvir

� o H2 e o O2 a agitarem-se quando lhes convier.

Certo.

Treze, temos mais uma coisa,

quando puderem, agitem o vosso tanque criog�nico.

Al�m disso, tenho um eixo e um munh�o...

Certo.

...para o cometa Bennett, se precisarem.

Certo, aguardem.

Houston, tivemos um problema aqui.

- Temos mais que um problema. - Ou�am, rapazes,

perdemos a c�lula de combust�vel um e est� com dois de press�o.

Houston, tivemos um problema.

Aguardem. T�m um problema.

Perda de energia no painel B.

Entendido. Perda de energia no painel B.

Aguardem, 13. Estamos a verificar.

Ouvimos um grande estrondo relacionado com a luz de aviso.

Aquilo em que pens�vamos era: "Estamos mesmo longe de casa."

Fomos atingidos por algo que n�o esper�vamos,

por algo que nem nos nossos piores sonhos imagin�mos. Ningu�m esperava aquilo.

A sala estava numa enorme confus�o.

Demorei algum tempo a chegar a essa conclus�o, mas era verdade.

E n�o sei se o Controlo da Miss�o sabia o que fazer.

Eu disse: "Chris, estamos num grande sarilho."

Ainda est�vamos a tentar perceber a extens�o total do problema.

Uma das c�lulas de combust�vel morrera, a segunda estava a morrer.

E, com a situa��o que t�nhamos, aquilo n�o era uma possibilidade.

N�o era uma situa��o de sobreviv�ncia, mas a tripula��o estava a sobreviver.

Mas a chave, para mim, foi o tempo.

Precis�mos de tempo para pensar.

Precis�mos de unir a equipa

para fazermos algo nunca antes feito.

CENTRO ESPACIAL DA NASA

CENTRO DO CONTROLO DA MISS�O CHRISTOPHER C. KRAFT, JR.

Tim Peake, enquanto resolves as coisas com a antena a�,

v� a trajet�ria de carga para perceberes a situa��o...

Quando tento descrever a algu�m

o meu trabalho, pergunto sempre:

"J� viu o filme Apollo 13?

Sabe aquela sala onde est�o todos?

DIRETORA DE VOOS

� isso que fa�o."

Quando dizemos o que fazemos, perguntam: "O que faz na NASA?"

Eu digo: "Diretora de Voos."

Olham para mim com perplexidade.

DIRETORA DE VOOS

E eu digo: "Sou o tipo de colete e cabelo curtinho."

J� tive a oportunidade de conhecer alguns deles.

Admiro mesmo aquilo que defendem

e o que conseguiram atingir.

Acho que � incr�vel,

do nada, terem constru�do esta grande institui��o.

Percebam isto. � o tubo de ventila��o do meio...

N�o estar�amos aqui hoje, sem as proezas que eles realizaram

e os grandes passos que deram

para nos colocar no caminho dos voos espaciais tripulados.

Certo, deixamos-vos a�.

Certo. Entendido.

As pessoas que trabalharam na NASA, sobretudo, as da altura do Projeto Apollo,

fazem quest�o de falar connosco,

para se certificarem de que compreendemos o trabalho

que estamos prestes a assumir,

e para partilharem as suas experi�ncias.

Todos n�s nos sentimos muito gratos aos nossos antepassados fundadores.

Cresci no Oklahoma e no Texas...

...e costumava sentar-me, � noite, a contemplar a Lua.

Nunca pensei...

EECOM - GESTOR DE ELETRICIDADE, AMBIENTE E ITENS DE CONSUMO

...que pessoas aterrariam l�.

Ainda saio e gosto de contemplar a Lua,

mas n�o olho para ela da mesma forma que olhava em pequeno.

� uma Lua diferente para mim, agora.

A minha inf�ncia foi dirigida por um pai b�bado,

mulherengo e que jogava.

Deixei Filad�lfia, onde viv�amos.

GESTOR DE ELETRICIDADE, AMBIENTE E ITENS DE CONSUMO

Aos 18, disse: "Chega. Vou sair deste inferno e vou para o Ex�rcito."

Tornaram-me meteorologista.

V� l� saber-se porqu�.

Na escola secund�ria, fiz um teste psicot�cnico,

cujo resultado disse que devia ser agente funer�rio ou engenheiro.

Fui � biblioteca ver um livro chamado O Que Faz Um Engenheiro?

Fiquei mesmo intrigado e disse: "Quero ser um engenheiro."

FIDO (OFICIAL DE DIN�MICA DE VOO)

Nasci numa pequena cidade de mineiros na Pensilv�nia.

O meu pai trabalhou nas minas de carv�o algum tempo.

FORJA ANTIGA

Mas, enquanto crescia, os avi�es fascinavam-me.

Constru�a muitos modelos de avi�es e pendurava-os nos tetos.

Pequenos modelos de madeira.

Punha papel � volta e reduzia-os.

DIRETOR DE VOO

E ficavam com muito bom aspeto.

As f�bricas de avi�es precisam de pessoas que concebam os avi�es do futuro.

Fui para a Virginia Tech durante a Segunda Guerra Mundial.

Estava a estudar engenharia mec�nica...

...mas queria ser jogador de basebol, n�o engenheiro.

DIRETOR DE OPERA��ES DE VOO

S� que n�o era suficientemente bom.

Achava que ia ser um grande jogador, mas n�o ia.

N�o ia a lado nenhum.

Acabei por ir para a faculdade, estudar marketing.

Nos dois anos que passei l�,

n�o aprendi grande coisa, nem sequer sobre marketing.

Aprendi a fumar cigarros, charutos, a beber u�sque e a ir atr�s de mi�das.

INCO (OFICIAL DE INSTRUMENTOS E COMUNICA��O)

E sa�-me bem a aprender isso.

Depois, tudo mudou.

OUTUBRO DE 1957

H� algo novo nos c�us...

...algo que nunca l� esteve.

D� a volta � Terra, uma vez a cada 96 minutos.

Chama-se Sputnik.

AVISTADA LUA BEB� VERMELHA SOBRE OS EUA

Lembro-me do Sputnik.

Estava numa aula de ingl�s,

ligaram as colunas e o diretor anunciou o que acontecera...

GESTOR DE ELETRICIDADE, AMBIENTE E ITENS DE CONSUMO

...os russos tinham posto uma nave ou objeto espacial no espa�o.

Lembro-me de estar a conduzir,

quando ouvi isso nas not�cias. Pensei:

CONTROLO DO M�DULO LUNAR

"O que � isto?"

E n�s dissemos: "Caramba! Aqueles tipos est�o � nossa frente.

T�m um sat�lite feito por homens."

DIRETOR DE VOO

E, pouco depois disso, puseram o Gagarin no espa�o.

Foi o golpe propagandista do ano.

Claro que todos sab�amos que est�vamos numa corrida.

Ap�s o voo da R�ssia, os planos americanos aceleraram.

Enviaram o comandante Alan B. Shepard num voo suborbital...

E quando Kennedy lan�ou o desafio

de irmos � Lua e voltarmos dentro de uma d�cada,

lembro-me de que nem estava no projeto espacial,

mas lembro-me de pensar: "Ser� poss�vel?"

Nenhum projeto espacial neste per�odo ser� mais impressionante para a humanidade

ou mais importante para a explora��o do espa�o a longo prazo,

e nenhum ser� t�o dif�cil ou caro.

O presidente Kennedy delineou o nosso trajeto.

A chegada do homem � Lua...

...antes do fim da d�cada.

PROJETO APOLLO:

VOO TRIPULADO AT� � LUA

N�o sab�amos nada sobre ir � Lua...

...sobre a atmosfera que encontrar�amos

ou os aspetos mec�nicos do que nos seria pedido.

S�o coisas muito complicadas.

Podem n�o parecer complicadas hoje,

mas eram bem complicadas na altura.

Na altura, o contexto do controlo de voo era

o que inicialmente faz�amos nos testes de voo, ou seja, test�vamos os avi�es.

Na Base A�rea Edwards, a NACA, onde eu trabalhava,

foi respons�vel por testar a X-1.

Assim, foi quase natural ter algu�m em terra

a monitorizar os sistemas da X-1...

...a certificar-se de que estava pronta para voar, desde a parte de baixo do B-29.

E conseguiam monitorizar o desempenho do ve�culo,

mas tamb�m o desempenho do piloto de testes.

Era esse o meu conceito de teste de voo

e isso tornou-se o meu conceito de controlo de voo.

O que significa isso para n�s, no �mbito do voo espacial?

Como pod�amos engendrar um tipo de sistema assim,

que nos permitisse conseguir essa informa��o e falar com a tripula��o?

Era um trabalho muito importante.

N�o t�nhamos edif�cios, radares,

telemetria,

qualquer tipo de comunica��o de voz.

E acab�mos por dizer: "Estas s�o as nossas exig�ncias."

Temos de lhes dizer que tem de ter um computador.

Que raio � um computador?

Quase nem isso sab�amos.

N�o foi algo que decidimos subitamente...

"Temos um centro de controlo, esta��es,

e, por isso, vamos voar."

N�o foi como aconteceu.

Desenvolveu-se com o tempo.

Foi uma esp�cie de coisa evolutiva.

O Chris foi quem criou o Controlo da Miss�o.

Foi a primeira voz que ouvimos

e a base do que se tornou o Controlo da Miss�o...

ASTRONAUTA

...e da sua rela��o com a tripula��o e os pr�prios voos.

Nunca se questionou quem mandava.

DIRETOR DE VOO

Porque ele tinha a presen�a, o comportamento,

a perspic�cia e a capacidade mental

necess�rias para unir a equipa.

Ele tinha algo que lhe permitia perceber

o que estava a acontecer, o que era necess�rio,

e depois pensava no que t�nhamos de fazer para satisfazer essa necessidade.

...dois, um, descolagem.

PROJETO MERCURY COLOCA OS PRIMEIROS AMERICANOS NO ESPA�O

Que vista tremenda.

AS MISS�ES FORAM LAN�ADAS E CONTROLADAS DESDE O CABO CANAVERAL, NA FL�RIDA

No Cabo Canaveral, parecia que t�nhamos m�quinas a vapor.

T�nhamos v�rios pequenos medidores.

Que liam a press�o, as temperaturas,

a quantidade de combust�vel e isso.

Quando nos deram o objetivo de ir � Lua,

esse passo era muito maior do que o Mercury.

O caminho para construir o Centro de Controlo em Houston,

equip�-lo para a era digital e faz�-lo funcionar em conformidade

foi um grande passo, a partir do que fiz�ramos

no Centro de Controlo no Cabo.

Dois mil e quatrocentos quil�metros a oeste do Cabo Kennedy,

o cora��o de todo o projeto,

o Centro de Naves Espaciais Tripuladas, em Houston, no Texas.

O edif�cio atr�s de mim,

onde as grandes decis�es durante o voo s�o tomadas,

� o Controlo da Miss�o.

Desde o lan�amento � aterragem,

nesta sala, 17 homens fulcrais, cuja m�dia de idades � de apenas 30 anos,

ir�o observar e controlar a Miss�o Apollo.

Ser�o ajudados nessa tarefa por um fluxo cont�nuo de informa��o

a chegar durante 24 horas por dia, do espa�o

e de esta��es de localiza��o no mundo inteiro.

A partir destes monitores atr�s de mim,

poder�o fazer aparecer tudo,

desde uma imagem em direto do Cabo Kennedy, a uma nave de resgate,

a mapas da Lua, como aquele,

ao esquema de circuitos do trans�stor mais pequeno a bordo da nave.

Todos os controladores aqui ser�o ajudados por seis salas cheias de funcion�rios.

Precis�vamos de muita gente.

Por isso, est�vamos � procura de pessoas com determinadas capacidades,

no campo da matem�tica, de sistemas,

comunica��es, etc.

Eu era controlador a�reo.

Um dia, o telefone tocou

e era um senhor daqui, de Houston,

que me disse que estavam a contratar todos os engenheiros que encontravam.

Quando dei por mim,

estava a conduzir para Houston no meu carro desportivo Austin Healey,

com a minha TV a preto e branco e a minha roupa.

BEM-VINDOS A HOUSTON ACESSO A�REO � AM�RICA LATINA E � EUROPA

CENTRO DE NAVES ESPACIAIS TRIPULADAS VIRE NA PR�XIMA, � DIREITA

Trabalhava na McDonnell Aircraft, nas conce��es el�tricas,

marcaram-me uma reuni�o

e preenchi uma candidatura para ir trabalhar para a NASA.

Uns tr�s meses depois, cheguei a casa e tinha um telegrama...

GESTOR DE ELETRICIDADE, AMBIENTE E ITENS DE CONSUMO

...com uma oferta de trabalho.

Quando me candidatei, achei que talvez s� me entrevistassem.

Foi o que disse � minha mulher.

Mas, quando o telegrama chegou, era uma oferta de trabalho,

com o maior sal�rio que um rapaz do campo j� tinha visto.

Seis mil, setecentos e setenta d�lares por ano.

O meu primeiro trabalho foi fazer as visitas ao Controlo da Miss�o,

e o Centro de Controlo estava a ser equipado com pain�is de controlo.

Como guia das visitas,

pude conhecer as pessoas que iam controlar esses pain�is.

GUIDO (OFICIAL DE ORIENTA��O)

E fiquei admirado por serem todos homens.

Eles iam gerir aqueles pain�is e tomar todas as decis�es.

N�o tinham muito tempo,

mas disseram-me o que iam fazer

e quais as tarefas b�sicas de cada posto.

Nestes pain�is da frente, conhecidos como a Trincheira,

talvez por estarem � frente,

� onde ficam os "Homens-Foguete".

O seu trabalho � observar e verificar se todos os mecanismos da nave

est�o a funcionar corretamente e a levar a Apollo na dire��o certa.

Mesmo atr�s deles, aqui, fica o "Cirurgi�o de Voo".

O seu painel tem dois ecr�s normais, como todos os outros,

mas aqui, no meio, neste ecr�,

ele monitoriza a condi��o f�sica dos astronautas,

a cada segundo, durante o voo.

Ao seu lado, senta-se o "Comunicador da C�psula", ou CAPCOM.

Tamb�m astronauta,

treinou com a tripula��o e conhece a g�ria astronauta,

atuando como int�rprete,

quando uma indica��o dif�cil � transmitida do Controlo de Voo para a tripula��o.

Ao seu lado, ao longo destes pain�is,

est�o os homens que verificam todos os sistemas da nave.

E, por tr�s deles todos, o chefe, o Diretor de Voo.

Ele coordena o esfor�o de todos

e usa isso para assumir a responsabilidade pelas decis�es constantes

em rela��o � miss�o durante o voo.

EM JUNHO DE 1965, O CENTRO DE CONTROLO DE HOUSTON

ESTAVA PRONTO PARA A SUA PRIMEIRA MISS�O.

E t�nhamos um novo projeto chamado Gemini.

Porque t�nhamos o Gemini?

Com tudo o que precis�vamos de fazer e de perceber para ir � Lua,

t�nhamos de realizar testes.

T�nhamos de fazer coisas que provassem que conseguir�amos.

Cinco, quatro, tr�s...

CENTRO DE LAN�AMENTO, CABO CANAVERAL

...dois, um, descolagem.

E havia um benef�cio adicional...

...que tamb�m era muito importante,

o pessoal em terra tinha de saber como operar.

O Gemini tornou-se o campo de testes

para a abordagem do Chris Kraft ao Controlo da Miss�o.

Para a equipa no Centro de Controlo, o Gemini foi um grande passo.

Cada miss�o tinha um conjunto bem definido de objetivos.

Primeiro, n�s conseguimos sobreviver no espa�o.

Segundo, podemos ficar l� muito tempo.

E, por fim, o rendez-vous, nas atividades extraveiculares.

Caminhar no espa�o e essas coisas.

Quando o Gemini acabou,

t�nhamos um grupo de pessoas muito bem treinado.

E aquando do projeto Apollo, tivemos de expandir tudo.

Tinha de ser maior em todos os aspetos.

Est�vamos preparados para enfrentar os rigores e as dificuldades

que o projeto Apollo nos apresentava.

TR�S HOMENS - APOLLO - A SEGUIR

A Lua � o primeiro passo necess�rio � explora��o dos planetas.

Levar l� pessoas e faz�-las regressar em seguran�a nesta d�cada

� o objetivo do projeto Apollo da NASA.

As primeiras miss�es do Mercury

e a experi�ncia do Gemini

trouxeram este pa�s ao pr�ximo grande marco:

o primeiro voo espacial Apollo, com tr�s homens.

Apresentamos-vos os tr�s homens:

o comandante e piloto Virgil Grissom.

Conhecia o Gus Grissom muito bem.

Conhecia o Ed White bastante bem.

N�o conhecia o Roger Chaffee.

Conhecia as suas fam�lias...

...conhecia as suas capacidades...

Conhecia a motiva��o dos astronautas.

O foguet�o Saturno, a nave espacial Apollo,

e todas as partes constituintes foram testadas repetidamente.

Est� quase tudo pronto, incluindo a tripula��o,

para o primeiro voo espacial americano com tr�s homens.

27 DE JANEIRO DE 1967

Com a Apollo 1, est�vamos a tentar fazer descolar o primeiro voo tripulado,

e havia muita press�o, obviamente.

� o que costuma acontecer no in�cio de um projeto,

e est�vamos a ter problemas com a nave.

Sab�amos que os acabamentos eram maus.

Sab�amos que os fios estavam expostos.

A minha entrada no Projeto Apollo, ap�s ter sa�do do Gemini,

foi quando estavam a conduzir um teste na plataforma,

com a tripula��o em condi��es de voo...

...na plataforma do s�tio de lan�amento no Cabo Kennedy.

A maioria das atividades eram dirigidas pelo pessoal no Cabo.

Eles � que mandavam. N�s s� monitoriz�vamos.

N�o sei se os respons�veis no Cabo...

RETRO (OFICIAL DE RETROFOGUET�ES)

...se sentiam pressionados a fazer o teste.

A escotilha foi concebida para ser selada desde o interior.

Ficavam presos numa nave espacial,

com 110 316 pascais de puro oxig�nio.

Acho que nenhum de n�s percebeu a gravidade do perigo

em que coloc�ramos a tripula��o.

Se algo inflam�vel pegasse fogo,

seria um holocausto.

Estava sentado l�, a observar os dados a chegarem...

...a ouvir os di�logos, a absorver tudo, a aprender.

Fui para o meu escrit�rio para tratar da papelada,

mas, depois, voltei para ser o direto de voo...

...e o Gus disse: "Estou pronto para ir."

Finalmente. Depois de tanto se queixar

de que n�o conseguia ouvir ou falar com ningu�m.

Como iremos � Lua, se n�o conseguimos comunicar entre dois ou tr�s edif�cios?

Assim, fizemos uma pausa.

Queriam ver se resolviam o problema de comunica��o.

Alguns levantaram-se e sa�ram da sala,

mas eu fiquei mais um segundo.

Tinha algo para fazer e continuava com os auscultadores.

E, de repente...

...ouvi: "Fogo."

Fez-se sil�ncio e, a seguir, montes de barulho.

Apenas barulho. N�o percebia o que era.

Aconteceu tudo t�o depressa.

L� sentados, ouvimos a tripula��o.

Ouvimos os gritos da tripula��o.

"Sa�da."

Eu disse: "Voltem aqui. Passa-se alguma coisa."

E, a partir dali...

...foi imposs�vel fazer alguma coisa.

Claro...

...que fic�mos em choque.

Por j� fazer testes de voo

h� bastante tempo,

j� vi a morte de v�rias formas, mas n�o daquela.

T�nhamos um sentimento de culpa...

...de remorso,

uma esp�cie de: "Meu Deus, porque deix�mos isto acontecer?"

Acho que mat�mos os tr�s homens.

� quase assass�nio.

Pouco depois de tudo isto acontecer,

chamaram-nos para uma reuni�o geral no audit�rio...

...convocada pelo Gene Kranz.

Eis um grupo de engenheiros muito novos,

a maioria, sa�dos da universidade,

que nunca tinham passado por uma experi�ncia assim.

A primeira coisa a fazer

� perceber qual foi a tua parte no fracasso.

E o Gene come�ou por nos dizer...

...que todos �ramos respons�veis por matar a tripula��o...

...que n�o t�nhamos feito o nosso trabalho.

Pod�amos ter dito ao diretor do projeto:

"Olhe, n�o estamos prontos." Mas n�o.

O que aprendemos foi que nunca mais voltaremos a fazer isso.

As nossas equipas no Controlo da Miss�o ser�o conhecidas por duas palavras.

Disse-nos: "Quero que voltem aos vossos gabinetes...

...e nos quadros que l� t�m,

quero que escrevam "firme" e "competente"...

...e que nunca apaguem essas palavras."

Firme, ou seja, nunca fugiremos �s responsabilidades,

porque seremos sempre respons�veis pelo que fazemos,

ou, no caso da Apollo 1, pelo que n�o fizemos.

Competente, ou seja, nunca aceitaremos nada como garantido.

Estaremos sempre a aprender.

A partir de agora, como equipa, seremos perfeitos.

Acho que mudou toda a postura

de quem �ramos, do que faz�amos

e de como progredimos at� ao futuro dos voos espaciais.

NOS 20 MESES AP�S O INC�NDIO, N�O HOUVE VOOS TRIPULADOS.

A minha opini�o, e a opini�o de muitos outros,

� que, se aquilo n�o tivesse acontecido,

nunca ter�amos chegado � Lua.

Aquele per�odo transit�rio ap�s o inc�ndio foi a �nica coisa que nos salvou,

porque pudemos recuar e dizer: "Qual � o problema desta coisa?

O que temos de fazer para o resolver?"

E aproximou toda o organismo

da NASA, de cima a baixo.

Sem tudo aquilo, nunca ter�amos chegado l�.

T�nhamos chefes, desde os cargos mais altos,

que nos diziam: "Fa�am o vosso trabalho."

E n�o tentavam faz�-lo por n�s.

Trabalh�mos para pessoas que eram grandes l�deres.

Come�ou com os Krafts, os Gilruths e assim,

que souberam orientar os funcion�rios.

E aprendemos a orientar � medida que nos tornamos chefes.

Para sermos l�deres,

temos de estar dispostos a aceitar a responsabilidade

que requer que o fa�as.

� isso que as pessoas n�o compreendem sobre gest�o.

N�o compreendem que � necess�rio um compromisso...

...que estamos dispostos a aceitar.

Tornei-me famoso por dizer tudo o que pensava.

Quero ouvir o que tens a dizer,

e posso desancar-te, se n�o gostar,

azar!

Vai embora e vem com outra ideia que me possa agradar.

E eu dizia esse tipo de coisas �s pessoas.

Foi assim que a minha capacidade de lideran�a se tornou um ponto forte.

As pessoas gostavam.

EM 1968, RECOME�ARAM OS VOOS TRIPULADOS

EM OUTUBRO, A MISS�O APOLLO 7 TESTOU O M�DULO DE COMANDO REDESENHADO

A APOLLO 8 P�S O M�DULO LUNAR A VOAR NA �RBITA DA TERRA

A miss�o Apollo 8 ia consistir num voo orbital da Terra.

ASTRONAUTA

�amos fazer voar o M�dulo Lunar pela primeira vez.

E �amos fazer v�rias manobras na �rbita da Terra.

Entregaram o M�dulo Lunar no Cabo,

que n�o passava de uma pe�a de quinquilharia horr�vel.

N�o conseguiam verificar aquela porcaria.

O que resultou num grande atraso,

n�o �amos cumprir com os prazos do M�dulo de Comando e Servi�o,

que at� estava a correr bastante bem.

A dire��o da NASA pensou numa ideia:

"Muito bem, vamos agarrar na oportunidade de voo que temos...

...suponhamos que conseguimos incorporar as corre��es no foguet�o Saturno V

e pensemos em circundar a Lua.

Eu disse: "Meu Deus, � uma proposta bem diferente."

Os riscos envolvidos eram muito variados.

A primeira coisa que fiz foi chamar as pessoas

que considerava necess�rias para decidir se o consegu�amos fazer ou n�o.

Assim, reunimo-nos todos, �ramos uns oito ou dez,

discutimos e eu comuniquei-lhes o que est�vamos a pensar.

Pensei: "A s�rio? Ele deve ser louco.

Estamos muito longe de conseguir fazer isso.

E eu disse: "Quero que saiam e...

Estes s�o os problemas que vejo.

Agora, v�o, pensem nisto

e digam-me que problemas h�, e se conseguem, ou n�o, fazer isto."

Foi um fim de semana intenso,

volt�mos na segunda-feira e dissemos:

"Sim, conseguimos, mas com as seguintes limita��es."

T�nhamos acabado e conclu�do tudo em rela��o � miss�o da Apollo 7,

e eles anunciam aquilo. Foi tipo:

"V�o fazer o qu�?"

Vamos enviar uma nave espacial com uma trajet�ria

que vai passar a 100 quil�metros da Lua?

Foi incr�vel.

Se tudo correr bem,

�s dez para as duas, da tarde de s�bado, ou seja, dez para as oito da manh�, aqui,

Borman, Lovell e Anders estar�o a um minuto de descolarem,

na miss�o mais arriscada

alguma vez permitida pelos americanos.

E num foguet�o que apenas voou duas vezes.

Apollo 8, tudo a correr bem.

Est� tudo bem.

Apollo 8, aqui Houston. Podem largar segundo andar, terminado.

Entendido.

Havia uma verdadeira no��o da magnitude do que faz�amos no Centro de Controlo.

Verific�vamos quatro vezes cada n�mero enviado � tripula��o.

Ningu�m dizia nada a ningu�m, mas dava para sentir,

ao olharmos � nossa volta,

que todos est�vamos a pensar no mesmo:

"Isto n�o � uma simula��o, � a s�rio."

Apollo 8, aqui Houston.

Comunique, Houston.

Apollo 8. Permiss�o para ITL, terminado.

Entendido. Permiss�o para ITL.

A Inje��o Trans Lunar, ou ITL,

mostrava que est�vamos no bom caminho.

J� n�o dava para regressarem logo,

s� depois de circundarem a Lua.

Ele est� a contar, dois...

...um.

Igni��o.

Colocou-nos a caminho da Lua,

a 40 000 quil�metros por hora, a todo o g�s.

Se quis�ssemos, at� pod�amos

ir descansados at� � Lua.

A trajet�ria, a orienta��o, a din�mica de voo...

Todas as pessoas na Trincheira da Frente deste centro de controlo

est�o contentes, incluindo o engenheiro de propuls�o.

Apollo 8, aqui Houston. Tudo parece bem,

incluindo o eixo central.

Entendido, Apollo 8.

Durante a miss�o Apollo 8,

n�o estive diretamente envolvido...

...assim, tive o luxo, e era um luxo,

de poder sentir as emo��es

que as pessoas na sala de observa��o estavam a come�ar a sentir...

...as emo��es das pessoas a assistir, no mundo l� fora.

Estavam a ver uma tripula��o a ir � Lua e a descrev�-lo.

ASTRONAUTAS CORREM PARA A �RBITA DA LUA

A APOLLO TIRA-NOS UMA FOTOGRAFIA

E, em vez de ter de me concentrar no pr�ximo evento,

na pr�xima tarefa para que seria chamado,

podia dizer: "Meu Deus, isto � lindo."

N�o consigo pensar num �nico s�tio

onde preferisse estar, em toda a minha vida,

a estar aqui, no Controlo da Miss�o.

24 DE DEZEMBRO DE 1968

Daqui, Controlo da Apollo em Houston,

o voo da Apollo 8 vai em 68 horas e 52 minutos.

Nesta altura, o Glynn Lunney j� correu a sala,

verificando as coisas com a sua equipa de controlo do voo.

Tudo parece estar bem, continuamos a aguardar.

Daqui, Controlo da Apollo em Houston.

L� �amos n�s.

Estava de servi�o na Inser��o da �rbita Lunar,

e come��mos a cair em dire��o � Lua,

que ficava cada vez maior.

Leva duas horas, a �rbita da Lua, e, quando est�o atr�s da Lua,

durante 50 minutos, n�o d� para ver a nave.

Criava uma sensa��o arrepiante.

Est�vamos a ir � Lua,

t�nhamos estado a falar o tempo todo com a tripula��o.

E, depois, perd�amos o sinal

e n�o consegu�amos falar com eles.

Apollo 8, aqui Houston,

um minuto para perda de sinal, todos os sistemas operacionais.

Boa viagem, rapazes.

Muito obrigado, malta.

Vemo-nos do outro lado.

O Controlo da Miss�o disse: "Vamos ficar incomunic�veis

nesta e nesta altura."

E acertaram, ao segundo, nas alturas em que perdemos sinal.

Dava para ouvir um alfinete a cair no ch�o no Centro de Controlo.

Era a primeira vez que t�nhamos ido atr�s da Lua.

N�o v�amos nada e n�o t�nhamos quaisquer dados.

Tudo se resumia a que a nave funcionasse bem atr�s da Lua,

porque, ao sair de tr�s dela, podia ir para qualquer s�tio.

Podia ir em dire��o � superf�cie lunar.

Podia ir parar ao espa�o sideral,

se o motor ou o computador fizesse porcaria.

Por isso, estava bastante tenso.

Tinham de fazer uma manobra na parte de tr�s,

para abrandarem e manterem-se em �rbita � volta da Lua.

Se n�o fizessem essa manobra,

voltariam a ficar vis�veis a uma determinada hora.

Se fizessem a manobra, ficariam vis�veis a uma hora diferente.

T�nhamos dois rel�gios a cronometrar,

para fazermos a contagem decrescente de cada hip�tese.

Controlo da Apollo em Houston,

marquem um minuto do tempo previsto de aquisi��o.

Apollo 8, aqui Houston, terminado.

Controlo da Apollo em Houston,

o Jerry Carr fez uma chamada, aguardamos.

Ainda n�o ouvimos nada, mas estamos a aguardar.

Apollo 8, aqui Houston, terminado.

J� a vemos.

A Apollo 8 est� agora em �rbita lunar.

Por fim, apareceram.

A manobra tinha corrido bem, estavam em �rbita.

H� uma sensa��o de al�vio na sala.

Daqui, Controlo da Apollo, em Houston, vamos ouvir agora Jim Lovell.

Manobra completa.

A nossa �rbita � 116,9 por 60,5.

Apollo 8, aqui Houston, entendido. � bom ouvir a sua voz.

Sentimos um grande al�vio,

porque sab�amos que, pelo menos, estavam est�veis.

Saber se os consegu�amos tirar da �rbita era outra quest�o.

Diria que todos pass�mos esse dia,

com a nave na �rbita da Lua, no Centro de Controlo.

Est�vamos todos t�o excitados.

Depois, mais para o fim do dia,

o Frank Borman diz que eles t�m algo a dizer.

Estamos a aproximar-nos do p�r do sol lunar,

e, a todas as pessoas da Terra,

a tripula��o da Apollo 8

gostaria de deixar uma mensagem.

Eu estava a verificar o que se passava na nave,

estava tudo nominal.

Foi ent�o que o Frank Borman...

...come�ou a dizer: "No in�cio...

...Deus criou o c�u e a terra."

E a Terra era vazia e sem forma

e as trevas cobriam o abismo.

Bateu-me mesmo a s�rio...

...e, depois, bateu a todos no Centro de Controlo da Miss�o,

quer fossem ou n�o religiosos.

Senti os pelos do meu pesco�o a arrepiarem-se.

O esp�rito de Deus pairou sobre as �guas

e Deus disse: "Que se fa�a luz."

Foi c� um momento.

Ningu�m estava � espera aquilo.

GESTOR DE ELETRICIDADE, AMBIENTE E ITENS DE CONSUMO

E n�o tenho vergonha de admitir que estava a chorar.

E Deus disse: "Que as �guas sob os c�us

se juntem num �nico lugar."

Fez sentido para todos.

Se pens�ssemos nisso durante 40 anos

e nos pergunt�ssemos: "O que pod�amos ter dito que fosse melhor?"

N�o haveria uma resposta melhor.

"E Deus viu que era bom."

N�s, engenheiros, n�o somos poetas.

N�o somos bons nisso, mas...

Teve um impacto profundo em todos os que estavam no Centro de Controlo.

E � equipa da Apollo 8

resta desejar uma boa noite,

boa sorte,

feliz Natal

e que Deus vos aben�oe a todos,

na nossa bela Terra.

Um guionista n�o teria feito melhor.

O ano de 1968, nos EUA, foi um ano desastroso,

com a Guerra do Vietname, as elei��es,

as manifesta��es e a morte de duas pessoas importantes.

Acabar o ano a circundar a Lua, na v�spera de Natal...

...parecia que tudo entrava nos eixos.

Spider Gumdrop, vejo claramente os jatos a dispararem.

A MISS�O APOLLO 9 TESTOU FINALMENTE O M�DULO LUNAR

A MISS�O APOLLO 10 FEZ O M�DULO LUNAR CIRCUNDAR A LUA

OS TREINOS TORNARAM-SE CADA VEZ MAIS EXIGENTES

Costum�vamos ter hor�rios loucos.

Faz�amos dez a 12 simula��es de lan�amentos por dia.

E era muito exigente.

Fic�vamos t�o consumidos por esses voos,

por os p�r em pr�tica e por tudo o que envolviam,

que nunca t�nhamos tempo suficiente para os saborear.

Foi muito duro para as fam�lias.

N�o est�vamos muito presentes.

As nossas esposas assumiram a lideran�a. Faziam tudo.

Tratavam das contas,

tratavam de tudo.

Se pudesse voltar atr�s e fazer tudo de novo,

n�o o faria.

Prejudicou demasiado a minha fam�lia.

A NASA ocupava todo o meu tempo.

A equipa das simula��es tinha uma sala � frente do Centro de Controlo,

com uma janela, por onde nos viam.

Quando faz�amos uma simula��o, que era um exerc�cio de treino,

isso inclu�a o Centro de Controlo,

a tripula��o real no simulador,

e est�vamos todos interligados, ao n�vel dos dados e das comunica��es de voz.

SIMULADOR IIB MAPA LUNAR ALTA E BAIXA ALTITUDE

Era uma forma de verificar todos os sistemas em terra,

e desenvolver procedimentos.

Se n�o funcionassem nas simula��es, n�o funcionariam a s�rio.

Chamava aos tipos da simula��o: "Os tipos que nos querem apanhar."

Estavam sempre a arranjar-nos problemas.

Queriam levar-nos ao limite e ver at� onde �amos.

Est�vamos a meio da simula��o da aterragem...

...e recebemos um aviso no computador.

"1201, 1202."

E todos nos pergunt�mos: "Mas que raio � um erro 1201, 1202?"

Os avisos eram a forma do computador nos dizer:

"Est�s a pedir-me demasiado."

Aquilo n�o era muito comum, pelo menos, para mim.

Liguei para a sala de apoio,

mas o Jack Garman, que era perito em programas inform�ticos n�o sabia.

Por isso, eu disse: "Voo, passa-se alguma coisa.

N�o sei o qu�. Cancelar."

Quando defin�amos as regras das miss�es, era necess�rio duas coisas para cancelar.

Quando come��mos a reuni�o...

...o supervisor da simula��o disse: "Bem, tinham uma coisa, e a segunda?

E fez-se um sil�ncio total na sala.

Ap�s a reuni�o acabar,

o Gene disse: "Quero que re�nam a equipa

e definam que avisos nos permitem continuar

e quais levam ao cancelamento da miss�o.

Eu disse: "Jack, liga ao MIT,

�s pessoas que constru�ram este computador e a quem quiseres,

faz a lista, informa-me,

e faremos disso a regra."

E o Jack fez exatamente isso.

ALVO - LUA

As torres de sonho do Cabo Kennedy,

plataformas de lan�amento de grandes ideais.

Collins, Armstrong e Aldrin

foram os tr�s escolhidos para a miss�o mais hist�rica de sempre,

chegar a um novo mundo e regressar com um punhado de terra.

Os cientistas n�o ficaram muito contentes

por n�o termos feito tudo o que queriam,

ao que lhes disse:

"N�o vou ouvir mais nada sobre o que querem fazer."

Eu disse: "Vamos � Lua.

Vamos aterrar na Lua,

sair de l� o mais depressa poss�vel

e, mesmo assim, trazer algumas amostras.

Temos de garantir que a nave est� pronta e que vamos voltar,

porque queremos provar a n�s mesmos

que tudo aquilo em que pens�mos sobre ir at� l� e voltar

est� certo e foi bem feito."

20 DE JULHO DE 1969

Estava na hora da miss�o Apollo 11.

Havia muitas emo��es no Centro de Controlo.

A equipa sentia-se confort�vel.

A equipa sentia-se satisfeita por termos feito tudo o que sab�amos,

por termos dado o nosso melhor para ser o mais seguro poss�vel.

T�nhamos um seguran�a.

Um tipo bem exuberante.

Ele chega e diz: "Vai aterrar hoje, Sr. Kranz."

E, de repente, era diferente.

A sala j� estava a encher,

n�o apenas no Controlo da Miss�o,

os controladores do turno estavam a apresentar-se ao servi�o,

mas tamb�m havia uma sala de observa��o para visitas,

que se estava a encher com todos os gestores da NASA

que tinham tido alguma coisa a ver com o projeto Apollo.

Estava ansioso. Era algo muito importante.

Estava muito concentrado e empolgado.

CAPCOM - RESPONS�VEL PELAS COMUNICA��ES COM A APOLLO 11

Era o dia em que �amos fazer aquilo.

Entendido, a Eagle desacoplou.

Entendido, que achas?

A Eagle tem asas.

Entendido.

Acho que tens a� uma bela m�quina voadora, Eagle,

apesar de estares de cabe�a para baixo.

Algu�m est� de cabe�a para baixo.

Estava tudo a correr bem.

O Plano de Voo estava a correr ainda melhor que o esperado.

Fizemos uma reuni�o privada,

apenas acess�vel a pessoas da sala de controlo.

O mundo l� fora n�o conseguia ouvir, os gestores n�o conseguiam ouvir.

Ele falou s� connosco.

Eu disse, basicamente,

que acreditava que t�nhamos nascido para aquele dia,

que o nosso destino era estar ali.

Fiz�ramos um �timo trabalho na prepara��o para aquela miss�o.

E, depois, disse: "Apoiarei todas as decis�es que tomarem.

Entr�mos nesta sala como equipa e sairemos como equipa."

Consigo lembrar-me disso t�o bem como se tivesse sido h� um segundo.

Lembro-me das palavras. Lembro-me do que ele disse.

Fez toda a diferen�a do mundo.

Depois, eu disse: "GC, vamos entrar em modo de conten��o."

E ele foi fechar as portas da sala de controlo,

que n�o seriam reabertas

at� aterrarmos, nos despenharmos ou cancelarmos a miss�o.

Daqui, Controlo da Apollo,

a Apollo 11 est� a voar h� 102 horas e 12 minutos.

Estamos a dois minutos e 53 segundos da reaquisi��o da nave.

A 21 minutos e 23 segundos

de come�ar a descida at� � superf�cie lunar.

Cuidado com a combust�o.

Entendido.

Houston, aqui Eagle. Ouvem bem?

Perfeitamente, Eagle. Aguardamos o relat�rio de combust�o, terminado.

Aqui, est� a Lua. E, aqui, est� a �rbita em que estamos.

E aqui come�amos a fazer a descida para a Lua.

E o Kranz pergunta a cada um: "Est�o prontos ou n�o?"

T�m de estar prontos ou n�o come�amos a combust�o.

- Pronto, RETRO? - Sim.

- FIDO? - Sim.

- Orienta��o? - Sim!

- Controlo? - Sim.

- Telcom? - Sim.

- GNC? - Sim.

- EECOM? Cirurgi�o? - Sim.

CAPCOM, podemos continuar a descida.

O principal desafio era:

"Tenho informa��o suficiente quando come�armos a descer?"

E temos de atualizar o conhecimento do computador

da altitude acima da superf�cie lunar.

Recebemos os dados.

- Voo, o radar parece estar bem. - Entendido.

Boas not�cias.

O radar de descida surge aos 12 000 metros.

Achei que o maior problema do dia tinha terminado.

Infelizmente, tinha apenas come�ado.

Aviso!

Aguardem.

� um 1202.

1202. Meu Deus,

um dos c�digos que t�nhamos tido durante a simula��o.

A simula��o n�o tinha sido exatamente assim, mas quase.

Estava a tentar, freneticamente, lembrar-me de que c�digo se tratava.

Quando aquilo apareceu, achei que est�vamos fritos.

Aviso 1202.

Sim, o mesmo que t�nhamos tido.

Fa�am-nos uma leitura sobre o aviso 1202.

Recebemos a informa��o, e diz: "1202."

Eu tentava lembrar-me

e o Jack Garman estava aos berros: "Steve, � a nossa listazinha!"

Na altura em que vejo a minha lista,

ele j� estava uns bons segundos � minha frente, e eu disse...

Podemos continuar, Voo.

Podemos continuar com esse aviso?

Entendido, podemos continuar.

Se n�o voltar a acontecer, continuamos.

Tudo isso demorou uns 20 segundos, talvez,

o que � um s�culo, quando se est� a meio de uma descida.

O Bales sabia que ainda estava a pilotar a m�quina,

e que �amos continuar.

- O Delta H est� bem. - Entendido, o Delta H est� bem.

Controladores de voo, aguardem.

Est� quase a diminuir o g�s.

Diminui��o do g�s a horas.

Controladores, sim ou n�o para a aterragem?

- RETRO? - Sim.

- FIDO? Orienta��o? - Sim.

- Controlo? Telcom? - Sim.

- GNC? EECOM? - Sim.

CAPCOM, podemos aterrar.

Eagle, aqui Houston. Podem aterrar, terminado.

Entendido. Permiss�o para aterrar. 900 metros.

E aparece-nos um aviso.

1201...

Entendido, aviso 1201.

- Mesmo tipo. Continuamos, Voo. - Certo.

Continuamos. � do mesmo tipo. Continuamos.

E ent�o, aquando da descida,

v� uma zona de pedregulhos e n�o pode aterrar.

Seiscentos metros.

Sistema de cancelamento, 47 graus.

Aquilo tinha crateras e grandes pedregulhos.

Zona muito rochosa.

Algu�m disse que o Armstrong achou que s� tinha 50 por cento de hip�teses

de aterrar, ou teria de cancelar a miss�o.

E acho que ele era a pessoa com a cabe�a mais fria naquele dia,

ele tinha pensado naquilo umas cem ou mais vezes,

no que diz respeito � aterragem.

Duzentos metros. Baixamos a 19.

Ele tinha de nivelar a nave

e depois faz�-la voar horizontalmente, para ultrapassar o campo de pedregulhos.

Isso exigiu muito mais combust�vel.

Enquanto continu�vamos a descer, o sensor de baixo n�vel disparou,

a avisar que o combust�vel era pouco.

- N�vel baixo. - N�vel baixo.

Est�vamos quase sem combust�vel.

Estado cr�tico.

Comecei a cronometrar.

Est�vamos a pairar a um G lunar.

Sabia que isso gastava muito combust�vel

e quantos segundos nos restavam.

Eagle parece bem. Continuem.

Eu estava a relatar o que se passava ao Controlo da Miss�o

e tinha o Deke Slayton sentado � minha direita,

que era o diretor de opera��es da tripula��o do voo.

Ele deu-me um encontr�o

e disse: "Cala-te, Charlie, deixa-os aterrar."

� melhor ficarmos calados agora.

120 metros. 9 graus.

S� vos quero ouvir se for sobre o combust�vel.

0,58 para a frente.

Certo, Bob. Ficarei a aguardar as tuas liga��es.

No meu cron�metro,

pus um pouco de fita-cola e disse:

"Neste momento, restam-nos 60 segundos."

E, pouco depois, restavam-nos 30 segundos.

E, um pouquinho depois, zero.

Estava tudo preparado para o astronauta saber

que, chegando a dado ponto,

ele teria de aterrar ou de cancelar.

Estou convencido de que, a 30 metros da Lua,

se eu tivesse dito para cancelarmos, ele teria continuado a descer.

Certo. 23 metros. Baixou para metade.

- Sessenta. - Sessenta segundos.

Sessenta segundos.

E a sala de controlo ficou em sil�ncio.

Pareciam estar todos colados aos pain�is, a suster a respira��o.

Os �ltimos dez ou 12 segundos da aterragem foram muito tensos.

Ser� que vamos conseguir ou n�o?

Baix�mos dois e meio.

Olhava para a altitude e pensava que n�o �amos conseguir.

N�o era poss�vel. Havia demasiada altitude para descermos,

mas n�o sabia que est�vamos numa cratera.

Ao passarem por cima da cratera, assim,

era-me mostrada esta altitude.

Mas, quando chegaram a um planalto,

deu um salto enorme.

Para a frente...

E, pouco depois, o Buzz disse: "Vejo poeira."

Houve um suspiro de al�vio.

A assentar os p�s. Dois e meio. A levantar poeira.

Dez metros. Dois e meio para baixo.

Uma leve sombra.

Quatro para a frente.

Desvio para a direita.

- Trinta segundos. - Meio de descida.

Trinta segundos.

Contacto leve.

O motor parou.

Unidade de Controlo de Altitude em autom�tico.

Preparar para desligar.

Aterr�mos com 18 segundos de sobra no cron�metro.

Entendido. Aterraram, Eagle.

Aguardem pelo T1.

Aqui, Base da Tranquilidade, Eagle, a �guia, aterrou.

Entendido, Tranquilidade. Registamos a vossa aterragem.

Puseram uma data de gente quase azul. J� volt�mos a respirar. Muito obrigado.

Obrigado.

Parece estar tudo bem aqui.

Vamos estar ocupados por um minuto.

Por fim, ca�mos em n�s,

t�nhamos acabado de aterrar na Lua.

E n�o se tratava de uma aterragem num aeroporto ou isso.

Tratava-se de aterrar na Lua.

Pouco barulho na sala.

Todos aplaudem, atr�s, na sala de controlo,

mas temos de manter a concentra��o.

"� seguro ficar aqui nos pr�ximos dois minutos, sim ou n�o?

A nave vai cair?

Estamos numa cratera? A deslizar?" Havia que responder a v�rias perguntas.

Muito bem, T1. Ficamos ou n�o? RETRO?

- Sim. - FIDO?

- Sim. - Orienta��o?

Lembro-me de o Kranz perguntar a toda a gente se ficavam.

J� n�o era "continuar ou n�o",

era "ficar ou n�o" e todos dissemos que era para ficar.

Ap�s o �ltimo "ficam ou n�o",

h� algu�m que me agarra pelos ombros.

Olhei para cima e disse: "Meu Deus."

O Chris Kraft tamb�m era respons�vel pelo software do computador,

desde antes dos primeiros voos do projeto Apollo.

Por isso, ele sabia o que podia ter acontecido.

Conhecia bastante bem as regras

e, sim, foi algo mesmo incr�vel.

Por fim, chegar l� e estar l�...

Era a primeira vez na hist�ria da ra�a humana

que algu�m tinha feito algo assim.

E tinha sido uma proeza de toda a equipa.

Foi impressionante.

Era mesmo o derradeiro

teste �s equipas do Controlo da Miss�o e ao ambiente e mentalidade existentes l�.

Acab�mos por fazer uma troca de turno...

...e eu fui comer o pequeno-almo�o.

Antes de entrar no caf�, comprei um jornal.

Tinha uns oito cent�metros de grossura. Ainda o tenho, por acaso.

ARMSTRONG E ALDRIN "D�O UM PEQUENO PASSO PELO HOMEM" NA LUA

Sentei-me ao balc�o e pedi ovos mexidos. Enquanto tomava o caf�,

olhava para tudo aquilo, "t�nhamos aterrado na Lua".

Dois tipos entraram e sentaram-se ao meu lado,

e um deles disse para o outro:

"Sabes, eu desembarquei na Normandia, no Dia D."

E eu estava a ouvir...

Depois, ele disse...

"Nunca senti mais orgulho por ser americano do que ontem.

Aterr�mos na Lua."

Foi a� que me apercebi do que fiz�ramos.

Aqui, homens do planeta Terra colocaram pela primeira vez o p� na Lua.

Viemos em paz, em nome de toda a humanidade.

Julho de 1969 AD.

CHICAGO ACOLHE OS HER�IS DA LUA

O homem selecionado esta noite para receber este pr�mio de equipa,

em nome dos 400 000 que, de alguma forma,

contribu�ram para o sucesso deste projeto � um jovem.

Steve Bales, quando os computadores pareciam estar confusos

e quando podia ter dito: "Parem",

ou quando podia ter dito: "Esperem", disse, por�m: "V�o."

Muito obrigado, senhor presidente.

14 DE NOVEMBRO DE 1969

A Apollo 12...

...come�ou como qualquer outra miss�o.

A contagem decrescente da Apollo 12 ainda decorre neste momento.

Os respons�veis continuam a vigiar atentamente o mau tempo

que se instalou na �rea, de manh�, bem mais cedo do que o previsto.

Recebi um pr�mio relativo a seguran�a durante o voo.

Por isso, pude ir ver o lan�amento.

Contagem decrescente em 20.

Estava sentado l�, � chuva, a cinco quil�metros de dist�ncia.

Temos orienta��es internas.

Dez, nove, oito... Iniciar sequ�ncia de descolagem.

Seis, cinco, quatro, tr�s, dois, um, zero.

Todos os sistemas a funcionar. Come�ar a descolagem.

Descolagem feita �s 11:22 da manh�, hora de Nova Iorque.

O Saturno V era um ve�culo potente,

e assim que um descolava, sent�amos a nossa roupa a pulsar.

Pass�mos a torre.

Sa�da vertical e inclina��o horizontal, este menino tem for�a.

Sentia-me mesmo arrojado.

Era a minha primeira vez como principal diretor de voo

e de lan�amento.

Pete Conrad confirma sa�da e rota��o

para colocar a Apollo 12 na trajet�ria certa.

Uns trinta segundos ap�s o lan�amento...

- Sa�da vertical terminada. - Entendido, Pete.

Vejo dois raios de rel�mpagos de cada lado do foguet�o.

A tripula��o ganhou vida.

Perdemos a plataforma, malta.

N�o sei o que aconteceu aqui. Parece que desapareceu tudo.

Todos os dados foram apagados.

As luzes do meu painel acenderam-se como uma �rvore de Natal.

E fiquei a observar o John, ali parado. N�o me lembro de ele falar com a sala.

Tr�s luzes das c�lulas de combust�vel, uma do painel de CA,

uma c�lula desligada e sobrecarga nos pain�is de CA 1 e 2.

Pain�is principais A e B desligados.

A primeira coisa em que pensei foi

que seria o primeiro tipo a ter de cancelar uma miss�o.

Tenho CA...

Vi os meus dados...

Ele n�o parava de ver os dados...

Talvez seja s� o indicador?

Perguntei-lhe: "John, falaste com a sala de apoio?"

E o John ignorou-me.

E o painel principal?

E, de repente,

havia padr�es e cenas assim no ecr�.

� primeira, n�o sabia bem o que eram,

mas, depois, pensei para mim: "J� vi isto."

"J� vi isto antes."

Afinal, ele j� tinha visto aqueles dados

num teste em terra do qual se lembrava.

E foi a� que fez sentido.

O Equipamento de Condicionamento do Sinal, ou ECS,

� o ECS?

N�o sei, John. Parece que sim.

Voo, aqui EECOM. Passem o ECS em auxiliar.

E o John Aaron disse: "Voo, passem o ECS para auxiliar."

ECS para auxiliar.

Auxiliar, Voo.

ECS para auxiliar, CAPCOM.

E o Jerry Carr disse: "O qu�?"

"Que � isso?"

O John inclinou-se sobre n�s os dois e disse:

"Equipamento de Condicionamento do Sinal para auxiliar."

Chegou � nave.

Apollo 12, aqui Houston. Passem o ECS para auxiliar. Terminado.

ICS para auxiliar?

Que raio � isso?

ECS para auxiliar.

O Al Bean sabia onde era o interruptor.

Estendeu a m�o, mexeu no interruptor e, assim que o fez, voil�,

voltou tudo.

- Temos os dados de volta, Voo. Tudo bem. - Certo.

N�o � que a passagem do ECS para auxiliar tenha resolvido o problema,

essa passagem foi o que me permitiu recuperar os dados.

Mas eu n�o conseguia parar de olhar

para a trajet�ria tra�ada, que t�nhamos num grande ecr� � nossa frente.

Estava mesmo certa.

A largar o segundo andar.

Vamos resolver os problemas aqui.

N�o sei o que aconteceu.

N�o sei se n�o fomos atingidos pelos rel�mpagos.

E foi a� que disse ao Gerry:

"Ouve, n�o te coloques sob tanta press�o.

N�o temos de ir � Lua hoje."

"Podemos fazer uns testes, e os tr�s regressar�o a casa,

e ir�o para a pr�xima."

Aquilo que ele estava a dizer era: "A decis�o � tua."

Eu disse: "Bem, � o teu trabalho.

Voc�s sabem melhor do que eu como � que isto se faz.

S� quero que percebam que n�o t�m a cabe�a no cepo,

n�o t�m de sentir a press�o de tomar uma m� decis�o,

por isso, tomem uma boa...

...que eu aceit�-la-ei."

Mas continu�mos a verificar as coisas at� termos a certeza

de que estava tudo bem. "Vamos para a ITL."

E foi o que fizemos.

E a miss�o, depois disso, foi das miss�es com menos complica��es.

A descer para a plataforma.

Meu, pode ter sido um passo pequeno para o Neil,

mas � um bem grande para mim!

E festej�mos em grande, lembro-me disso.

Ap�s as aterragens,

�amos ao The Singing Wheel, beber cerveja juntos.

Festej�vamos e divert�amo-nos.

As festas ap�s as aterragens consistiam

em brincadeiras inocentes e picardias entre os v�rios departamentos.

Tipo: "Meu, fizeste mesmo porcaria hoje."

�ramos muito diretos, apont�vamos o dedo e mostr�vamos os punhos.

N�o deix�vamos nada por dizer,

mas �ramos todos amigos. Disso, n�o havia d�vida.

Est�vamos juntos naquilo.

Beb�amos muita cerveja.

Pass�vamos mesmo bons momentos.

Penso que nos tornou uma equipa melhor.

13 DE ABRIL DE 1970

Cheguei ao Centro de Controlo

e o meu turno era da� a uma hora.

Parecia estar tudo a correr bem.

Daqui, fala a tripula��o da Apollo 13, que deseja uma boa noite a todos.

Estamos prestes a terminar

a inspe��o da Aquarius e vamos voltar

para uma noite agrad�vel na Odyssey. Boa noite.

REDE

Obrigado, 13.

Normalmente, na �ltima hora de um turno de oito,

prepar�vamos a tripula��o para o per�odo de sono.

E t�nhamos de verificar se certas coisas tinham sido feitas.

Uma das coisas era agitar os tanques criog�nico, de oxig�nio e de hidrog�nio.

Iniciar EECOM.

Prossiga, COM.

J� agitou o O2?

Agit�mos o tanque criog�nico.

E foi o caos.

Houston, tivemos um problema aqui.

O que se passa com os dados, EECOM?

- Temos mais que um problema. - Ou�am, rapazes,

perdemos a c�lula de combust�vel um e est� com dois de press�o.

Perdemos o tanque de O2 dois, tem dois de press�o.

GNC, queres dar uma vista de olhos?

Houston, tivemos um problema.

Aguardem, eles t�m um problema.

No fundo, relataram-me uma data de problemas.

Perguntava-me de qual falava ele.

Ouvimos um grande estrondo e acenderam-se luzes de aviso.

Aguardem, 13, estamos a verificar.

Regressei e voltei a lig�-lo.

Sentei-me ao p� do Gene.

A minha primeira rea��o foi pensar que era um problema el�trico

que afetava a telemetria e os aparelhos.

EECOM, v�m uma perda de energia no painel de CA?

Negativo, Voo.

Pode ter sido um problema de equipamento, Voo.

Entendido.

Disse: "Acho que foi um problema de equipamento, Voo."

Esse talvez tenha sido o maior eufemismo

na hist�ria das viagens espaciais tripuladas.

N�o podia estar mais enganado.

Dava-nos jeito uns conselhos, Sy,

se tiveres uma ideia melhor.

Naturalmente, senti um pouco de p�nico.

Quando come�amos a entrar em p�nico, surge um n� na garganta

at� chegamos ao ponto em que s� pensamos em lutar ou fugir.

E a vontade de fugir e ir para casa passou pela minha cabe�a,

o que, claro, n�o era uma op��o

e eu sabia isso.

Podemos avaliar a situa��o, Sy,

e ver o que temos?

O que achas que temos na nave que esteja bem?

Aguardem, Voo.

Depois, quando acalmei,

disse: "Parece que perdemos duas c�lulas de combust�vel,

e n�o fa�o ideia da raz�o."

N�o sab�amos o que acontecera.

S� quando olhei pela janela...

...� que percebi a gravidade da nossa situa��o.

Pela escotilha, parece-me

que estamos a libertar alguma coisa.

Estamos a libertar alguma coisa para o espa�o.

Quando vi o oxig�nio a ser expelido,

percebi que n�o era s� oxig�nio...

...mas energia el�trica e o sistema de propuls�o.

Entendido, recebemos a informa��o da fuga.

O Centro de Controlo come�ava a aperceber-se

de que talvez fosse um problema a s�rio que n�o iria desaparecer.

Voo, vamos chegar aos 100 psi, dentro de uma hora e 54 minutos.

Ser� o fim.

Foi a� que o meu estado de esp�rito mudou

para modo de sobreviv�ncia.

Chamei os meus controladores e disse:

"Acalmem-se e parem de adivinhar. Vamos come�ar a resolver o problema."

Vamos l�, todos, manter a calma.

Temos de garantir que n�o fazemos nada

que estoure a nossa energia el�trica com as baterias

ou que nos fa�a perder a c�lula de combust�vel n�mero dois.

Temos o sistema do M�dulo de Comando,

por isso, estamos bem se quisermos ir para casa.

Resolvamos o problema, mas n�o o pioremos a tentar adivinhar o que se passa.

Boletim de not�cias da ABC News.

A nave espacial Apollo 13 teve uma grave avaria no seu fornecimento de energia,

o que pode fazer a miss�o de aterragem na Lua acabar mais cedo.

Assim que ouvimos aquilo, volt�mos todos

para ajudar como pud�ssemos.

Vieram pessoas de todo o lado, do pa�s inteiro.

Quando cheguei l�, fui logo � sala de apoio, claro,

que estava um caos.

Ainda tentavam recuperar a sanidade depois de tudo o que acontecera,

e estavam a come�ar a recompor-se.

A princ�pio, nem coloquei auscultadores.

Andei por tr�s dos pain�is

a ouvir cada uma das pessoas, para perceber que problema estavam a resolver.

Aquela sala estava uma verdadeira confus�o.

E demorei algum tempo a chegar a essa conclus�o, mas era a verdade.

Naquela altura, e durante algum tempo, o fracasso podia n�o ter sido uma op��o,

mas estava l�, � espreita, no c�u escuro.

Era quase como se nos estivesse a desafiar para cometermos um erro.

Certo, 13. Daqui, Houston.

Parece-nos que estamos a perder oxig�nio

atrav�s da c�lula de combust�vel tr�s.

Estavam, lentamente, a perder energia el�trica,

e n�o iria demorar muito at� todas as c�lulas de combust�vel se desligarem,

ficando a depender da bateria de entrada.

Fui sentar-me ao p� do EECOM.

O Sy Liebergot estava l�. Disse-lhe: "Sy,

tu n�o vais conseguir resolver este problema."

E disse-lhe: "Tens de desligar o M�dulo de Comando."

Imaginem a relut�ncia em fazer isso.

Voo, aqui EECOM.

Comunique, EECOM.

A press�o no tanque de O2 um desceu aos 297.

Pensem em ir para o M�dulo Lunar, ou usar os seus sistemas.

Est�vamos mesmo em apuros,

e a �nica forma poss�vel de nos salvarmos

era usar o M�dulo Lunar.

Treze, aqui Houston.

Queremos que comecem a dirigir-se para o M�dulo Lunar.

O Fred e o Jim est�o no M�dulo Lunar.

Normalmente, quando nos dirigimos para a Lua,

podemos dar a volta e usar o motor grande para nos "disparar" de volta para a Terra.

Mas o motor grande tivera um grande problema, de que n�o sab�amos a gravidade.

Pod�amos fazer uma grande igni��o,

a partir do motor de descida do M�dulo Lunar.

Circundar a Lua n�o significava uma dist�ncia muito superior.

A minha opini�o era fazer um regresso livre de imediato.

A TRAJET�RIA DE REGRESSO LIVRE USARIA A GRAVIDADE DA LUA,

COMO FISGA PARA "ATIRAR" A NAVE DE VOLTA � TERRA

Daqui, Controlo da Apolo, em Houston, no Controlo da Miss�o,

estamos a ponderar uma miss�o alternativa.

Dar a volta � Lua e usar os sistemas de energia do M�dulo Lunar,

devido � situa��o ocorrida esta noite.

Tive de fazer uma manobra, para conseguir colocar-nos na posi��o

que o Controlo da Miss�o tinha definido.

Foi a� que aprendi algo muito importante,

porque o M�dulo Lunar n�o fora concebido

para ser manobrado com o M�dulo de Comando e Servi�o acoplado.

Tive, literalmente, de aprender, num curto espa�o de tempo,

a manobrar a nave espacial.

Mas consegui descobrir a t�cnica certa, liguei o motor do M�dulo Lunar

e isso colocou-nos na trajet�ria de regresso livre.

Estamos a cerca de 70 horas de casa,

e temos um plano para o resto da miss�o,

mas n�o haver� tempo para qualquer tipo de relaxamento,

a partir de agora at� � aterragem.

N�o gostei da quantidade de rea��es que est�vamos a receber

do mundo exterior.

S� mais tarde me apercebi do qu�o toda a gente se sentia ligada

�queles tr�s homens.

N�o sabiam quem eram, nem sequer os seus nomes,

mas o mundo todo parecia estar unido,

a torcer para que tudo corresse bem.

A situa��o � mesmo cr�tica e estamos a monitoriz�-la constantemente.

Voltaremos com nova atualiza��o �s 12:30

e ter�o uma an�lise completa sobre o que se passa �s 13:00.

Todos fum�vamos.

E fum�vamos a s�rio.

Ao entrar na Sala de Controlo, pela porta lateral,

quando abr�amos essa porta,

sa�a uma nuvem de fumo.

Imaginem o fumo que havia l�.

A miss�o Apollo 13 destacou v�rias coisas interessantes,

n�s n�o nos aperalt�vamos todos para ir trabalhar,

n�o vest�amos camisa e gravata,

lav�vamos os dentes e p�nhamos desodorizante.

Est�vamos sempre a correr.

Pass�vamos l� 35 horas... de seguida.

Penso que terei usado a mesma roupa pelo menos tr�s ou quatro, cinco dias.

Eu dormia no ch�o da sala dos funcion�rios.

Na altura, debaixo de uma mesa.

Era muito conveniente.

Dormir n�o era importante, a troca de turnos n�o era importante,

os problemas pessoais n�o eram importantes.

Durante 48 horas, s� existiu uma coisa...

Para toda a equipa do Controlo da Miss�o

que n�o conseguia resolver aquele problema no espa�o...

...s� havia uma coisa na sua mente...

...trazer os rapazes para casa.

T�nhamos sido treinados para pensar

em nunca desistir, enquanto houvesse alternativas.

E nunca fic�mos sem elas.

A equipa nunca parou.

Na viagem de volta, ningu�m parava de inventar coisas novas

e novas formas de fazer as coisas.

Tratava-se da incr�vel capacidade

de, basicamente, dar sentido a coisas

que estavam quase para al�m da nossa compreens�o

e de encontrar as pe�as certas para que encaixassem umas nas outras

e come�assem a completar o puzzle.

Conseguia ver a Terra a come�ar a ficar cada vez maior

e percebi que precis�vamos de instru��es

sobre a melhor forma de ativar o M�dulo de Comando.

E eu n�o parava de perguntar, muito educadamente nessa altura:

"T�m as instru��es?"

Ao que disseram: "Estamos a trabalhar nisso."

O documento original para a ativa��o

come�ou comigo e com o John Aaron, � frente de um quadro.

Tra��mos umas coisas no quadro, umas ideias em bruto,

isso foi o in�cio do documento.

Eu sabia, basicamente, que equipamento era necess�rio para uma dada fun��o.

Isso deu in�cio ao processo

de como construir todos os interruptores e disjuntores pormenorizados,

a sequ�ncia em que tinha de ser feito,

e tudo muito condensado.

A partir da�, come�ou a crescer.

E todos come�aram a dar as suas ideias, de acordo com a sua especialidade.

E se uma organiza��o queria algo,

isso tinha de ir para o documento

e eu e o John pergunt�vamos:

"Conseguimos fazer isso, com a energia que temos?"

Resolvemos todos os problemas, definimos os procedimentos,

e o documento final foi depois aprovado e lido � tripula��o, claro.

Amanh� de manh�, hora de Nova Iorque,

a nave ir� aproximar-se da Terra assim.

Neste momento, a nave est� assim.

Cerca de cinco horas antes de atingir a atmosfera terrestre,

os homens no M�dulo de Comando ir�o libertar esta parte aqui,

chamada M�dulo de Servi�o,

que ficar� a flutuar pelo espa�o.

Isso deixar� estas duas partes da nave,

o M�dulo Lunar aqui e o M�dulo de Comando aqui.

Falta toda uma parte da nave.

Junto � antena de alto ganho,

explodiu um painel inteiro,

quase da base at� ao motor.

Entendido.

� mesmo uma confus�o.

N�o me lembro de ter dito: "Conseguimos."

Porque ainda n�o t�nhamos conseguido.

Ainda havia tantas vari�veis

que eu s� esperava que tiv�ssemos acertado no que fiz�ramos.

N�o sab�amos o impacto total que a explos�o que, agora...

...sab�amos ter ocorrido, teria no M�dulo de Comando.

N�o sab�amos se o escudo t�rmico tinha ficado danificado,

e se tudo o que t�nhamos feito para salvar a tripula��o funcionaria.

Sei que n�s aqui

queremos agradecer a todos, a� em baixo,

pelo excelente trabalho que fizeram.

Afirmativo, Joe.

Vou dizer-vos... Divertimo-nos bastante a faz�-lo.

Bem, em todos os voos de regresso,

h� uma perda de sinal.

Um per�odo em que h� um corte de energia...

...devido � ioniza��o, ao calor.

E em que n�o conseguimos comunicar.

N�o dava para falarmos.

Naquela fase do projeto espacial,

pod�amos calcular o in�cio e fim da perda de sinal, com uma margem de um segundo,

e nunca falh�vamos.

Bem, neste caso, come�ou mesmo a horas,

e, quando foi hora de a perda de sinal acabar,

n�o acabou.

Eles devem...

Devem estar quase a recuperar o sinal.

Conseguem v�-los?

Negativo.

Comecei a pensar: "Meu Deus."

T�nhamos feito tanta coisa para os trazer de volta para casa,

e acontecera alguma coisa ao escudo t�rmico...

Os pensamentos na minha cabe�a, naquele momento, eram: "Perdemo-los."

Pairou uma preocupa��o relativamente � cadeia de gest�o,

pod�amos ter danificado o escudo t�rmico ou qualquer coisa do g�nero,

at� chegar ao ponto em que...

E isto passa-se com todos os controladores.

Esquecemos tudo aquilo que n�o controlamos.

N�o nos preocupamos com isso, s�o as regras do jogo.

Se assim for, paci�ncia.

Rede. Ainda n�o h� sinal da ARIA?

Ainda n�o, Voo.

E comunica��es com a ARIA?

Afirmativo.

Certo.

Fic�mos l� sentados, � espera,

nem sei quanto tempo... Era bem tarde.

CAPCOM, porque n�o tenta ligar-lhes?

E, de repente, recebemos a not�cia de uma nave fora de alcance

que a ARIA tinha readquirido o sinal.

Quase todos ca�mos das cadeiras.

De repente, ganhou vida.

Avisa-os, a aguardar.

Odyssey, aqui Houston, a aguardar. Terminado.

E ent�o, o porta-avi�es relatou um contacto por radar,

seguido de uma explos�o sonora, ao que dissemos:

"Fizemos o sacana reentrar."

Certo, Joe.

Ouv�amos a tripula��o.

O al�vio por estarem bem...

E, assim que estabelecemos contacto e os ouvimos,

foi um momento de puro j�bilo.

Estabelecemos contacto visual, Voo.

Odyssey, aqui Houston. Temo-vos nos ecr�s.

Voc�s est�o �timos.

Uma c�mara de televis�o transmitiu uma perspetiva

de baixo para cima da nave...

...desde o conv�s do porta-avi�es...

...e l� estavam aqueles tr�s, grandes e velhos para-quedas.

A melhor coisa que alguma vez vira.

S� depois de a tripula��o estar no conv�s do porta-avi�es,

e de passarmos a responsabilidade do Controlo da Miss�o

para o comandante do porta-avi�es,

s� depois de isso feito,

� que podemos come�ar a celebrar.

C� est�o eles.

James Lovell, John Swigert e Fred Haise.

E a celebra��o ocorre sempre em tr�s fases.

Acendemos o charuto cerimonial,

passamo-lo, aceso, por todos.

E abrimos as portas da Sala de Controlo

para os controladores da sala de apoio se juntarem a n�s.

Foram os verdadeiros her�is da miss�o 13, porque foram quem arranjou as solu��es.

E a terceira fase � passar uma bandeira americana por todos os controladores.

Conta a tradi��o, que foi o Jerry Bostick que come�ou,

aquando dos nossos primeiros voos espaciais americanos

e dos primeiros encontros entre naves.

No fim da miss�o, � a exaust�o total,

a exuber�ncia total, foi uma fa�anha not�vel...

"Sim, a nossa tripula��o est� em casa.

Est�o a salvo e atingimos o nosso objetivo."

Ap�s o voo, em conversas com pessoas do Centro de Controlo,

disse: "Pens�mos que pod�amos, deliberadamente, n�o falar convosco...

...isso podia dar um bom filme, um dia destes."

Tr�s, dois, um, descolagem.

Estamos a caminho, Houston.

AP�S A APOLLO 13, HOUVE QUATRO ATERRAGENS COM �XITO NA LUA,

SENDO A �LTIMA, A DA APOLLO 17

DEPOIS, VEIO O PROJETO SKYLAB

A APOLLO-SOYUZ

O VAIV�M-ESPACIAL

A ESTA��O ESPACIAL INTERNACIONAL

HOJE, O CONTROLO DA MISS�O AINDA OPERA SEGUNDO OS PRINC�PIOS DA ERA APOLLO

Ap�s o inc�ndio da Apollo 1,

"firme e competente" tornou-se o lema da equipa de controlo de voo.

Continuam a ser os princ�pios e a base sob os quais nos regemos.

Acho que nada disso perdeu import�ncia.

Podem abrir as vossas listas de verifica��o na p�gina sete.

� um exemplo de cancelamento.

As prioridades s�o sempre a seguran�a da tripula��o e do ve�culo

e o sucesso da miss�o.

Essas prioridades n�o mudam,

mas o significado de "sucesso da miss�o" muda com o tempo.

O pessoal das primeiras miss�es

estabeleceu o padr�o.

Passaram pelo fogo por n�s,

e n�s tentamos viver � altura da excel�ncia

que demonstraram todos os dias.

� incr�vel.

Acho incr�vel, n�o s� t�rmo-lo conseguido tecnicamente,

como o pa�s nos ter deixado faz�-lo,

o p�blico, o congresso, os governantes, a Casa Branca.

Tudo aconteceu e se alinhou na perfei��o.

Percebi o que significava,

est�vamos a fazer hist�ria.

Acho que todos n�s percebemos.

E, ao percebermos isso, havia uma sensa��o de orgulho no que est�vamos a fazer...

...e um sentimento de gratid�o por termos "trope�ado" naquilo

na altura certa.

Foi uma oportunidade de ouro, ter feito parte daquilo.

De alguma forma, o nosso todo

foi melhor que a soma das nossas partes.

Torn�mo-nos capazes

de fazer o que, na maioria dos casos, teria sido considerado imposs�vel.

Fomos melhores do que alguma vez esper�mos.

Tivemos mais sucesso do que alguma vez esper�mos ter.

E, sem ser aquele grave acidente na plataforma de lan�amento,

trouxemos todos os membros da tripula��o de volta a casa.

N�s, astronautas,

fomos sempre a ponta da seta,

mas as pessoas do Controlo da Miss�o foram sempre as penas.

Foram eles que nos guiaram na dire��o certa.

Certificavam-se de que cheg�vamos aonde quer�amos

e de que regress�vamos a casa em seguran�a.

Estou orgulhoso das pessoas que fizeram parte disto.

Nunca me deixaram mal.

Nunca deixaram mal o sistema, nunca deixaram mal a NASA,

nunca deixaram mal o pa�s.

E, se quiserem patriotas, eles s�o o exemplo m�ximo.

Todos eles.

Legendas: V�nia Cristina

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