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O que voc�s est�o prestes a assistir � o primeiro...
de uma s�rie de quatro filmes que produzi para a televis�o.
Entretanto, s�o tamb�m meus primeiros curtas.
Quatro filmes, quatro hist�rias muito diferentes umas das outras.
Dirigidas por quatro diretores diferentes...
todos realizando um filme num ambiente comum.
De medo, ang�stia, inquieta��o, tudo que envolve o suspense.
S�o "Gialli". "Gialli" pode ter v�rios significados.
Quanto � "La Porta Sul Buio" ir�o se perguntar o que significa.
Bem, eu diria que quer dizer v�rias coisas...
principalmente o desconhecido, o que nos assusta.
Mas para mim, n�o � s� isso.
Acho que todos n�s, ao menos uma vez...
j� andamos sozinhos quando...
de repente uma porta se fecha e estamos num quarto escuro...
sozinhos onde os interruptores de luz n�o funcionam.
Tentar abrir a porta e n�o conseguir.
E voc� est� no escuro. Sozinho. Para sempre.
Bem, alguns personagens das nossas hist�rias...
se encontram em situa��es similares.
Que droga! O motor j� era. O que eu fa�o agora?
Com licen�a, meu carro engui�ou.
Se incomodam de me dar uma carona at� a esta��o? Obrigado.
- Que bela crian�a. Quantos meses? - Sete.
Est�o indo para o litoral?
Sim, compramos uma casa perto do mar, um lugar tranquilo.
Um pouco isolada talvez.
Ora, n�o seja uma crian�a. Est� com medo de qu�?
Tem raz�o, tamb�m tenho uma casa no campo...
e asseguro que n�o acontece nada.
- Est� vendo? Ouviu? - Talvez tenham raz�o.
N�o pense nisso. Com certeza ter�o um �timo fim de semana.
� aqui que eu fico. Podem me deixar aqui.
O VIZINHO
Alberto! O roup�o!
Acelera! Vai, acelera!
J� chega!
Acho que n�o h� mais nada que possamos fazer.
- Est� entalado. - Tem certeza?
- Com toda esta terra... - N�o posso ajud�-lo?
N�o, pode afundar mais.
- Logo na nossa primeira noite. - E isso muda alguma coisa?
N�o, � por ele. Temo que ele pegue sereno.
Oh, n�o. S� estamos h� poucos metros.
E tamb�m temos cobertas no porta-malas. Desligue o r�dio.
Pegue as cobertas.
� necess�rio mesmo?
N�o, mas esta noite ser� o c�rebro de Frankenstein.
- Trocou as baterias? - Sim, � s� plugar. E as malas?
- Pegamos depois. - Certo.
- Voc� traz o beb�? - Sim.
- O que ele est� fazendo? - Dorme como um anjo. Vou peg�-lo.
Vamos. Nossa nova casa nos espera.
Teremos que contratar um jardineiro.
O que foi?
Achei que tinha ouvido... um grito.
Deve ter sido um p�ssaro.
� verdade que vendo daqui, parece um pouco o castelo de Dr�cula.
E n�s seremos seus pescocinhos.
- Ent�o precisar�amos de morcegos. - Oh, j� est�o vindo para c�.
Dariam um clima legal.
Aqui est�o. Estas s�o as janelas do nosso apartamento.
- S�o s� essas duas? - N�o, h� mais em volta da casa.
- E quem mora l� em cima? - A ag�ncia disse que era um casal.
E ent�o, o que acha?
Um pouco isolada. E precisa de umas reformas.
Mas � a nossa primeira casa. N�o deve muito barulhenta.
O que importa � s� n�s dois, e nosso filho.
Tem raz�o. E depois, pelo pre�o, era a �nica casa dispon�vel.
- E ver� que nos trar� sorte. - E o telefone?
Ainda n�o h� linha, mas garantiram consertar assim que poss�vel.
Espero que sim.
Al�m do mais, estaremos na cidade todos os dias mesmo.
Por aqui entraremos no nosso apartamento.
E onde est� escada para aquelas duas portas?
Ah, este � o outro apartamento, do nossos vizinhos.
Prefiro o nosso.
- E aqueles nomes ali? - Nada. S�o dos antigos inquilinos.
Pronto.
N�o d� para ver quase nada.
- Tem raz�o. Acenderemos a luz. - Como?
Deve ser o s�timo dia da cria��o. O respouso.
N�o, s�rio, n�o temos luz?
Os antigos inquilinos n�o devem ter pago a luz, e ent�o cortaram.
- E o que faremos? - Deixaremos a porta trancada.
- E amanh� vou at� a cidade. - �timo, assim economizamos.
Vamos dar uma olhada. Veja como deixaram a casa.
Est� precisando de uma bela limpeza.
Asseguro que amanh� com a luz ver� tudo de uma outra forma.
Al�m do mais, temos que esperar pelos m�veis.
Isso mesmo. A prop�sito, a que horas vem Paulo com o caminh�o?
Amanh� de manh� �s sete. Depois, a empresa precisar� do caminh�o.
- Ent�o � melhor irmos dormir. - �, ser� melhor mesmo.
Mas temos que fazer algo quanto � luz. Deve ter alguma vela aqui.
- Vem comigo? - E ele?
Deixe-o dormir aqui. Com a porta fechada � seguro.
Aqui tem luz!
Abaixe um pouco, ou vai acordar ele.
Ele dormia com todo o barulho aquele faz�amos em casa. Desculpe.
Sim, mas abaixe um pouco, est� bem?
O que est� fazendo?
Levando ele para um lugar mais tranquilo, onde possa dormir em paz.
Ent�o traga uma vela!
Onde ser� que ela est�? Stefania?
Ah, voc� est� aqui.
- Por que n�o respondeu? - Quieto, ele est� dormindo.
Est� um pouco sujo para ele dormir no ch�o.
Eu cuido disso.
Espere um momento.
Est� pronto.
Por que n�o enrolamos nas nossas cobertas. Ele ficar� mais aquecido.
Est� bem. E dormiremos neste ch�o sujo?
- Por que n�o pedimos aos vizinhos? - A esta hora?
- Est�o acordados. A luz est� acesa. - Vamos tentar.
Luca?
� voc�, Luca?
- O que foi? - Nada, achei que tinha ouvido algo.
Ser� melhor assim. Amanh� faremos uma bela ca�ada.
- E as cobertas? - Ah, � um cara legal!
N�o me deixou entrar. S� disse por detr�s da porta:
- "N�o tenho cobertas"! - Mas n�o � poss�vel.
O que queria que eu fizesse? Estrangul�-lo?
- Ele est� dormindo? - N�o acordar� at� amanh�.
Ah, vai come�ar o filme!
N�o vai vir?
O C�REBRO DE FRANKENSTEIN
Estrelando LON CHANEY
Talvez esteja indo dar uma caminhada, talvez seja son�mbulo.
- Para mim, � muito estranho. - N�o. Ah, a� est� o Frankenstein!
Est� com medo?
- � praticamente uma com�dia. - Eu sei, mas me assusta mesmo assim.
Ah, fala s�rio!
Veja, s�o s� atores maquiados. Se tem medo disso...
- Ele aproveita para matar. - Sempre fazem isso nos filmes.
- N�o s� nos filmes. - Eu sei. H� algo que nunca esqueci.
Aquele caminh�o, completamente esmagado contra a parede, a cabine...
Pare! N�o pode guardar isso s� com voc�? S� o filme j� basta.
Veja como este castelo se parece com essa casa.
E s� h� uma janela acesa, como no quarto l� em cima.
Sim, est� falando dos nossos vizinhos?
E como sabe que ele n�o � um vampiro?
E sua esposa uma bruxa?
Luca, �s vezes penso que voc� � uma aberra��o profissional!
- Eu? Ah, fala s�rio! - �, e aquele jornal que escreve?
S�o monstros de mentira.
Certo, de mentira? Na p�gina 3, Frankenstein devora um lobo.
Na p�gina 4, King-Kong estra�alha um aeroplano. Acha isso normal?
N�o, o nosso � um jornalzinho para garotos.
E todos sabem que Frankenstein nunca existiu.
Compre um jornal comum, e o que ir� ler?
Que seu vizinho do lado, t�o gentil, estra�alhou sua esposa...
e que o mundo est� cheio de guerras. Este � o terror real.
Eu sei. E para meu filho queria que houvesse um mundo melhor.
- Que droga, viu aquilo? - O que foi?
- N�o viu aquilo? - S� est� afiando o bisturi.
- N�o no filme, a mancha! - Que mancha?
Aquela ali, no teto.
Engra�ado, n�o tinha visto isso antes.
E nos garantiram que n�o tinha umidade nesta casa!
Ah, paci�ncia. Pediremos um desconto depois.
Veja, parece que cresceu.
Me passe a vela.
Mas isto n�o � s� umidade.
� uma mancha grande. Al�m disso, n�o estava aqui quando chegamos.
Ser� melhor irmos falar com o pessoal l� de cima.
Mas eles sairam, n�o ouviu?
Ouvimos passos fortes de uma s� pessoa.
A mulher dele com certeza deve estar em casa.
Por que n�o responde?
Est� aberta.
Vamos entrar?
� claro. Veja a �gua. Ou ent�o vai alagar tudo.
Tem algu�m em casa?
Tem algu�m aqui?
- N�o consigo acender a luz. - N�o � s� n�s que estamos sem luz.
Veja essa �gua toda.
Vem dali.
- Luca? - O que foi?
- Nada, mas... - Ora, vamos.
Deve ser do banheiro.
- O que foi? - Pisei em alguma coisa!
- No qu�? - N�o sei.
� s� isso. E do que est� com medo?
Esta lugar me d� arrepios. Vamos, depressa.
Voc� � muito impression�vel.
Onde Diabos ficam os interruptores nesta casa?
Deixaram a torneira aberta.
Aqui est�o as luzes.
O que foi, Luca?
Vai!
Vai!
Vai, acelera!
O que foi? Por que parou?
Vamos tentar colocar algo debaixo da roda.
Espere, eu te ajudo.
- Pegue algumas pedras. - Isso!
- Coloque ali embaixo. - Sim.
- Vamos tentar de novo agora. - Vai!
- Pisa fundo! - Estou tentando!
Tente de novo!
N�o consigo. Minhas m�os est�o ardendo.
Vamos tentar empurr�-lo, eu te ajudo!
- N�o vale a pena. - Por favor, Luca!
Certo, venha aqui, vamos.
- Levante por aqui. - Certo.
N�o vai machuc�-la. Vamos.
- For�a! - N�o consigo fazer isso!
- Onde vai? N�o serve para nada. - N�o h� mais nada a fazer, n�o �?
- Como vou saber? Vamos a p�. - Pra onde? Para a praia? E o beb�?
- Ent�o temos que ficar. - E voltar l� para dentro?
E o que mais podemos fazer? Desculpe. O carro n�o pega...
S� temos de fingir que n�o sabemos de nada. Vamos dormir.
Amanh� de manh� Paolo vem com o caminh�o.
E se o assassino voltar e perceber? O que faremos?
Ele n�o pode saber. N�o tocamos em nada.
Est� bem, ent�o vamos voltar l� pra dentro, deixamos o beb� sozinho.
- Stefania! - O que foi?
- Que horas s�o? - J� me perguntou isso.
A hora n�o passa.
Paolo chegar� em breve com o caminh�o. S� temos que esperar.
Se ao menos tivesse um telefone neste maldito lugar.
Fique calma, n�o precisa ficar com medo.
N�o tem medo de que ele nos pegue?
N�o diga besteiras.
Eu tenho. Tenho medo que ele volte. E que descubra.
Ser mortos por um man�aco.
Algu�m que n�o olha para tr�s.
Viu o que ele fez com a pr�pria mulher?
Morta daquele jeito, na banheira, como se n�o fosse nada.
�s vezes, me pergunto como me sentiria se...
se o fim da minha vida n�o fosse muito longe. T�o iminente.
Como agora.
- Estou com medo, Luca. - Ou�a, estamos a salvo aqui.
Amanh� de manh� Paolo chamar� a pol�cia. Ent�o, acalme-se.
Continua escuro. Estou com medo.
Por voc�, por mim, por nosso filho.
Somos jovens. O que ser� que fizemos de errado?
Esta casa � amaldi�oada.
Acalme-se! � s� o vento.
- Voc� tem um isqueiro? - N�o!
- Oh, Deus, deixei l� em cima. - Oh, n�o!
- Calma. Vou l� buscar. - Ficou louco?
Se ele encontrar aquilo no banheiro, saber� que algu�m esteve l�.
Por favor, Luca, eu imploro, n�o me deixe aqui sozinha!
S� vai demorar um minuto. N�o se preocupe.
Com licen�a!
Boa noite, senhora.
- O que foi? - Eu... pode descer aqui um minuto?
Mas claro!
- Precisa de alguma coisa? - Eu...
Acabaram meus f�sforos. Tem algum para minha vela?
- Sim. Est�o sem luz? - Sim. Meu marido saiu. Volta logo.
A vela se apagou e eu tenho medo do escuro.
N�o precisa ter medo.
Nada acontece aqui. N�o se preocupe. Al�m do mais, sempre pode me chamar.
- Voc� tem um isqueiro? - Desculpe, eu n�o fumo.
Mas tenho um l� em cima.
Que tolo! Tinha um aqui no meu bolso.
- Onde est� a vela? - Aqui dentro.
Fique com ele. Pode precisar novamente.
Obrigado.
Ter�o muito trabalho aqui, para colocar tudo no lugar.
N�o estamos com pressa.
Eu invejo voc�s. S�o t�o jovens. E eu, n�o tenho mais tanto tempo.
Eu n�o gostava dos antigos inquilinos. Eram muito barulhentos.
Mas voc�s parecem ser pessoas discretas. E seu marido?
Ele saiu. Mas volta logo.
Est� bem.
N�o, por favor! Fique aqui. Eu...
- Tenho medo de ficar sozinha. - Ter� que se acostumar com isso.
Sim, mas...
O que foi?
Aquela mancha. N�o tinha percebido.
Deve vir da minha casa. Devo ter deixado a torneira aberta.
Mas � s� um pouco de �gua.
Isso pode arruinar todo... O teto.
Oh, n�o importa. S�rio, n�o importa.
Talvez tenha raz�o.
N�o importa.
Onde disse que seu marido estava?
Ele...
Ele est� na praia.
Tenho que ir.
- Oh, Luca! Como fez isso? - Desci pelo tubo de...
Me desculpe, mo�a.
Mas h� nada que eu possa fazer. Voc� me for�ou a isso.
O que foi fazer l� em cima?
Voc� � uma mulher dif�cil, mo�a.
Mas n�o servir� de nada.
Agora eu trarei sua mulher.
Sabe, o poupei de uma grande dor.
Entre um casal, um sempre est� destinado a morrer antes do outro.
Mas voc� n�o.
Bom dia, o casal Poli?
- Os novos inquilinos? - Sim.
- Esta mudan�a � deles? - Sim. Est�o em casa?
Temo que n�o. Aqui n�o h� ningu�m.
Mas como? Falei como ele ontem � noite e pedi para me esperar.
O que posso lhe dizer? Aqui n�o vi ningu�m.
Tem certeza?
Num lugar como esse, voc� sempre percebe quando chega algu�m.
Mas eu vi seus sacos e embalagens com tudo pronto para o beb�!
Um beb�? Eles tem um beb�?
- Sim, de poucos meses. - Asseguro que n�o vi ningu�m aqui.
N�o entendo. Sabiam que n�s vir�amos.
Mas temos que descarregar mesmo assim.
- O apartmento est� aberto? - Infelizmente, n�o.
- E o que faremos? - N�o sei.
S� sei que n�o podemos deixar as coisas aqui.
Vamos esperar um pouco, de repente eles chegam.
Se demorarmos com as entregas, voc� se acerta com o chefe, certo?
- Certo, vamos embora. - N�o podemos nos atrasar.
E ent�o?
Mas parece estranho. N�o foi esse o nosso acordo.
Talvez se n�s pud�ssemos...
N�o, deixa pra l�. Ele me liga depois. At� logo.
At� logo. E desculpe pelo inc�modo.
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