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Vejam todas estas pessoas, caminhando, correndo.
Quantos deles, homens, mulheres, tem dramas pessoais?
Alguns enterrados sob sua solid�o, pudor, vergonha.
Outros explosivos, outros ainda latentes e prontos para explodir...
na primeira crise, ou provoca��o.
Nosso filme narra precisamente a hist�ria de uma explos�o.
Uma mente doente vagando numa cidade pequena.
Aparentemente normal...
mas na verdade, incandescente, perigosa.
Seu objetivo: Matar.
Preste bem aten��o na hist�ria.
N�o creia que j� entendeu logo no in�cio.
Voc� ter� uma surpresa no final. E eu desafio voc� a adivinhar...
antes de se revelar, quem � o assassino.
A BONECA
Quarto 49!
Depressa!
Chequem toda a �rea. E recomendo m�xima cautela.
E avisem a pol�cia.
Quer uma carona?
E ent�o, Comiss�rio?
N�o entendo muito disso, Professor.
Bem, a esquizofrenia � uma doen�a que provoca uma cis�o da personalidade.
Como eu diria, uma pessoa que parece normal...
ent�o, depois sofrer uma alucina��o deformante da realidade...
pode se tornar... perigosa.
Voc� me perguntou quais s�o as causas?
Infelizmente, n�o sabemos ainda. Quase sempre s�o heredit�rias.
�s vezes, � consequ�ncia de um trauma de inf�ncia.
Isso � o que queremos saber: Como e o qu� causou este trauma?
Entendo que precisamos ser cautelosos.
- � isso que quero lhe pedir. - Certo, certo, mas...
Na verdade, o que estamos pedindo? Que colabore.
Temos certeza que usando os m�todos adequados...
faremos a �nica tentativa poss�vel para resolver este caso.
Est� bem, est� bem. Ter� minha colabora��o.
Mas lembre-se, professor: � de sua inteira responsabilidade.
Ah, bom dia! Aposto que est� procurando por um quarto.
Mas claro, � f�cil perceber que est� querendo um quarto.
Sabia que est� com sorte? O Colonel Bertini se foi esta manh�.
Um cliente antigo, uma pessoa muito educada.
� que neste trabalho, voc� aprende tantas coisas.
O tempo est� sempre mudando. � preciso ter voca��o.
Mas veja s� que tempos: chuva, sol. Voc� n�o consegue mais prever.
Estou cansado, preciso dormir.
Claro, claro! Percebi logo que est� cansado.
Por gentileza, venha comigo.
Aposto que veio de muito longe.
Eu diria que... � um oficial.
N�o, � um... engenheiro?
Ah, n�o, descobri... � um jornalista!
- O quarto. - Sim, claro! � este aqui.
Este n�o. Este.
Claro. Mas este vai lhe custar mil liras a mais.
O caf�-da-manh� � servido...
Tenha um bom dia!
Vou acabar ficando resfriado.
Nada, desculpe, � s� um resfriado que estou pegando.
Entendo, entendo.
Olha, Professor, acho que estamos seguindo a pista certa.
Dado que suas an�lises m�dicas estejam corretas.
Acho que j� localizamos a pessoa.
� Elena Moreschi.
Mora numa cidade pequena.
Uma bela mulher, eu diria. Muito conhecida.
Digamos que uma mulher fatal. Sabe o que quero dizer?
� dona de uma pequena confec��o. A �ltima vez que a vi...
- Boa noite, senhora. - Boa noite.
Sim, sou eu.
Quem �?
Quem �?
N�o!
Pois bem, Professor? Viu? Voc� e suas "id�ias".
E n�o quero mais ouvir falar sobre colabora��o!
A partir de agora, faremos as coisas do meu jeito! Est� claro?
� terr�vel. N�o poder�amos prever isso.
Mas isso n�o muda nada.
Eu tenho o dever de agir segundo minhas ideias!
E eu j� estou cheio de suas id�ias!
E n�o interfira no meu trabalho, j� tenho problmas demais. Enetndeu?
J� estamos em apuros.
N�o, ainda n�o. Eu sei o que fazer. E tenho que chegar antes dele.
Eu n�o confio nele. Este caso est� ficando s�rio.
Chefe, voc� est� ficando resfriado.
- Est� indo embora? - O dinheiro est� sobre a mesa.
Aquele homem era realmente muito estranho.
Eu entendo disso. Naturalmente, depois de 20 anos neste ramo.
- Caf�, minha senhora? - Voc� n�o pode nem imaginar.
N�o deve ser t�o estranho assim para o senhor.
No seu trabalho, j� deve ter visto v�rios como ele.
Mas, Comiss�rio! Comiss�rio, est� me ouvindo?
- Estou tentando ser �til, sabe. - Caf�, senhora?
Seu comportamento, digo, daquele homem, era estranho desde o in�cio.
Eu o observava. Nunca me cumprimentava.
E ent�o, a mala dele.
Comportamento esquisito, quase amb�guo.
Eu tentei descobrir o que ele faz. Digo, sua profiss�o.
N�o que eu fique encantada com o que diz no seu passaporte.
E seus dez anos de idade a menos!
Senhora Mattioli, agrade�o-lhe por ter vindo...
e por me dizer todas essas coisas.
Mas agora tudo que voc� tem a fazer � descrev�-lo.
Um homem bonito, sem d�vida. Alto, cabelos castanhos.
Olhos castanhos, penso eu, raiados de verde.
Sabe, esses olhos que mudam de cor quando...
Certo, eu entendi. Isso � o suficiente.
� este o homem?
Sim.
�timo.
Vamos come�ar de novo.
E desta vez, apenas me conte os fatos. Est� claro?
- Quanto custa isso? - Tr�s mil.
- Senhorita! - Sim?
Poderia me mostrar o recibo, por gentileza?
Que recibo?
O recibo de compra da boneca.
Obrigado.
Ou�a, eu j� lhe agradeci. Por favor, pare de me seguir.
Eu n�o estou seguindo voc�. Eu s� estava indo para casa.
� s� isso. Eu moro na Via Terni, 32.
Me desculpe, eu pensei que... Foi uma estupidez da minha parte.
N�o se preocupe com isso. Com tudo o que acontece hoje em dia...
toda precau��o nunca � demias.
Eu gostaria de lhe oferecer uma bebida. Posso?
E h� quanto tempo voc� est� aqui?
N�o muito tempo. E n�o vejo a hora de ir embora.
Por qu�?
N�o sei, n�o gostei daqui. E voc�?
� diferente para mim. Eu nasci aqui.
� cheio de lembran�as.
Eu odeio as mem�rias, o passado, est� tudo morto.
- Voc� � casada? - N�o.
Mora sozinha?
Detesto perguntas.
Tenho que ir agora.
Adeus.
V� devagar.
Deixa pra l�, droga! V� em frente.
S�o para voc�.
Bem, n�o vai ao menos me deixar entrar?
� espera de algu�m?
Voc� n�o devia fechar a porta?
Bela casa.
Parece antiga. S�lida.
Como n�o se fazem mais hoje me dia.
Eu j� tive uma casa como esta uma vez.
Esperava que voc� fosse ser mais hospitaleira.
- Trata sempre os amigos assim? - Voc� n�o � um amigo.
Quem sabe? Al�m do mais, eu lhe devolvi sua boneca.
- Sim, mas... - E voc� gosta de bonecas, n�o �?
Eu n�o disse isso.
N�o h� nada de errado com isso. Eu tamb�m j� tive uma boneca.
Ent�o, algu�m a roubou.
Um menino, um monstrinho. Disse que era dele.
Uma velha hist�ria.
Desde ent�o, eu passei a brincar com bonecas maiores.
Voc� nem sequer me ofereceu uma bebida.
Eu n�o tenho nada.
Voc� n�o gosta de mim, n�o �?
N�o � isso, � que eu n�o suporto intrus�es.
Serei eu o primeiro homem a entrar nesta casa?
- O que significa isso? - Est� apaixonada?
- Eu n�o quero falar sobre isso. - Voc� se ferrou, hein?
Isso acontece.
Voc� sempre pode encontrar algu�m.
Voc� n�o � daqui. O que est� fazendo nesta cidade?
Qualquer lugar � t�o bom quanto qualquer outro.
- Eu n�o o conhe�o. - E n�o sei que voc� quer.
- O que voc� quer de mim? - Nada.
Eu s� quero ficar aqui.
Mas, eu...
Voc� quer que eu v�?
Eu n�o sei.
Eu tenho uma id�ia. Vamos ao cinema hoje � noite.
Gostou da id�ia?
�timo.
Ent�o v� se arrumar.
- E ent�o? - Nada.
Procure por toda parte. Mesmo nas casas, se for necess�rio.
N�o � dif�cil.
Isto aqui n�o � Nova York!
Estou pronta.
Pronta para qu�?
Para sair. Voc� n�o disse?
Eu mudei de id�ia.
Mas onde diabos voc� conseguiu isso?
� a �nica que encontrei na casa.
- Mas � rid�culo! � feio! - Me deixe!
Talvez n�o seja mesmo seu! Talvez de sua m�e ou de sua irm�!
Veja! Veja o que voc� fez! Voc� rasgou!
- O que eu fiz pra voc�? - � que eu odeio disfarces!
Mas � um vestido lindo! Sim, � lindo!
L� v�o as l�grimas. Eu sabia.
Mas n�o me engana, querida! Eles s�o falsas!
Como tudo aqui dentro!
Falsamente acolhedor! Falsamente simples.
E sabe o qu� mais?
Voc� est� atrelada a um mundo que n�o � seu.
- Assim como esta casa n�o � sua! - N�o!
Este � o meu mundo! A minha vida!
Sua vida, hein?
Bela palavra. Dita bem na hora certa.
Mas o que resta da vida? Nada!
Eles levam tudo para longe de voc�.
Amor, afeto, at� mesmo as emo��es!
E voc� � deixado sozinho, como um c�o!
N�o � verdade? N�o �?
Sim, � verdade. Voc� tem raz�o.
Para onde est� indo?
Preparar algo para comer.
E agora, uma not�cia recente. Segundo relatos da pol�cia...
o assassinato de Elena Moreschi est� ligado � fuga escandalosa...
da cl�nica psiqui�trica de...
Ent�o? N�o disse que estava indo preparar algo para comer?
N�o h� nada aqui em casa.
Poder�amos ir comer algo fora.
Sim. Talvez mais tarde.
Agora eu quero tomar um banho. Um bom banho quente.
N�o toque nela!
N�o se meta nas minhas coisas.
N�o! N�o!
- Est� procurando por isso? - Me d� isso.
Claro que lhe darei, claro.
� apenas um jogo. Um jogo.
Venha. Aqui est�o.
Venha. Est�o aqui.
- O encontramos, chefe, l� no bar. - Vamos.
- Bom dia, Comiss�rio... - Acalme-se!
� este o homem?
- E ela, como �? A descreva. - Descreva-a!
Uma menina bonita, como aquela dos filmes, como se chamava...
- N�o importa, continue. - Bem, curioso como sou...
segui o homem e sei onde ele foi.
- Onde? - N�o muito longe daqui.
Se voc� quiser, eu posso lhe mostrar o caminho.
Venha.
Venha.
N�o quero machuc�-la.
Ele tentou me matar. Tentou me matar! � um assassino!
N�o � nada, � besteira.
N�o quero voltar para l�.
- N�o quero voltar para l�. - Vamos.
N�o a machuquem. Ela � como uma crian�a.
Fez um �timno trabalho, Doutor.
Era a �nica solu��o, entende?
Era necess�rio provocar um violento choque...
para que pud�ssemos penetrar profundamente no seu trauma.
Uma irm� que sempre roubou tudo dela, desde pequena.
A afei��o dos pais.
A aten��o dos amigos.
Seu primeiro amor. E ela cresceu com esta obsess�o.
E como n�o conseguia se livrar disso, se tornou patol�gico.
E tudo isso a levou a matar sua irm�.
- E ao mesmo tempo, sua m�e. - Isso.
Ela a matou para tomar seu lugar.
Pobre Elena, talvez ainda podemos salv�-la.
Mas Daniela apareceu primeiro, infelizmente.
E tudo aconteceu muito r�pido. Quando cheguei, era tarde demais.
N�o previ que suas alucina��es a levariam ao ponto de matar Elena.
E quando Daniela percebeu que era m�dico?
- Quando ela abriu minha valise. - Estou curioso, Doutor...
Por que fechou todas as cortinas? E cortou as cordas?
Eu tive que fazer aquilo.
Tive que evitar o perigo de um gesto involunt�rio.
Para proteg�-la dela mesma.
- Mas era necess�rio tudo isso? - Foi uma tentativa. Muito cruel.
Um m�todo pouco ortodoxo, eu reconhe�o.
Mas as curas normais n�o surtiram nenhum resultado.
Ent�o, quando ela fugiu, decidimos aproveitar...
a oportunidade para provocar um choque violento...
no mesmo lugar onde ela nasceu e cresceu.
Na verdade, um psico-drama.
Uma esp�cie de encena��o, onde eu iria substituir Daniela.
Em uma tentativa de reconstruir seu passado.
E o que vai acontecer com aquela garota?
Bem, talvez o acontecido a ajude a recobrar a consci�ncia da realidade.
� o primeiro passo importante para sua recupera��o.
Depois, com o tempo...
E voc�, Doutor, o que far�?
Se eu ainda tiver tempo, pegarei o trem das 6:30.
Adeus, Comiss�rio.
Dessa vez, um pego um resfriado.
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