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- Art Subs - 9 anos fazendo Arte para voc�!
26 DE FEVEREIRO DE 1967
Bruno, � realmente importante que eu fa�a essa viagem.
Preciso ver a fam�lia de Luigi.
Iolanda, n�o quero que v� sozinha.
Acho que Rosy deveria ir com voc�.
� minha prima, n�o guarda-costas.
N�o tem problema para mim.
N�o tem nenhum problema. Ela te far� companhia.
Preciso ver a fam�lia de Luigi. Voltarei amanh�.
- Voc� quer ir sozinha? - Sim.
- Tem certeza? - Sim.
Est� bem. Como quiser.
Se cuide. Seja forte.
Fa�a uma boa viagem.
Obrigada.
Tchau.
Uma ora��o
Nunca � perdida
Voa ligeira
Mais alto que o c�u
Sob uma pedra
Escondida pelo tempo
Eu encontrei
Estas breves palavras
Eu te imploro
Eu te pe�o
Um pouco de amor
Um pouco de amor
Sobre a pedra
Que o sol queimou
Agora nasceu
Uma pequena flor
- Boa noite. - Boa noite, madame.
Hotel Prince de Galles, por favor.
Que outra vez
O c�u ouviu
Uma voz que reza
E que pede
E que pede
Um pouco de amor
Por mim
Eu te imploro
DALIDA Eu te pe�o
Um pouco de amor
Um pouco de amor
Por mim
N�O PERTURBE
Dalida tentou se suicidar em seu quarto de hotel.
A cantora foi encontrada desmaiada pela equipe do hotel.
Pode-se perguntar se esse gesto estaria relacionado
com o suic�dio do companheiro dela,
Luigi Tenco, que ocorreu h� um m�s.
Luigi, meu amor, pode me esperar?
Vou esperar aqui.
DOIS MESES ANTES
- Ol�. - Ol�, madame.
Tenho uma reserva. Iolanda Gigliotti.
Muito bem.
Vamos ver.
- Aqui. Quarto 76, 3� andar. - Obrigada.
Me conte alguma coisa.
Alguma coisa?
Eu n�o sei. Me conte sobre Heidegger.
Como era mesmo?
- Ser-para-a-morte. - Ser-para-a-morte.
Que bela aluna voc� �, Gigliotti!
Voc� merece uma recompensa.
Venha aqui.
Ser humano significa estar vivo,
enquanto avan�amos em dire��o � morte.
� como ser um equilibrista na corda bamba.
Em equil�brio entre a vida e a morte,
para n�o cair.
N�o concordo com Heidegger.
- N�o? - N�o.
O importante � ser-para-o-amor.
N�o, deixe a luz acesa.
- Por qu�? - Tenho medo do escuro.
Eu te protegerei, meu anjo.
Eu n�o deveria ter deixado ela sozinha.
Sou o irm�o mais velho dela, eu deveria t�-la protegido.
Fique tranquila, n�o � culpa sua.
Bruno, aqui est� o m�dico.
Ent�o? Podemos v�-la?
Tecnicamente, ela n�o est� mais em estado de morte cl�nica.
Mas n�o significa que ela est� viva.
Sim, mas ela est� fora de perigo?
- Fisicamente? - Fisicamente, sim.
Moralmente, estou menos otimista.
O que isso quer dizer?
Para retomar o gosto pela vida, ela precisa
de um estabelecimento mais especializado.
Talvez precisem da ajuda de voc�s
para compreender a atitude dela.
Vamos transferi-la.
Existem institui��es muito boas.
Passarei uma lista para voc�s. Com licen�a.
Dalida! Dalida!
Dalida, uma foto!
CASA DE REPOUSO DO VESINET
Podemos v�-la?
Temos um protocolo para pessoas que tentaram suic�dio.
Mant�-los longe de tudo que lhes lembre o passado.
Foram os outros que deram for�a para ela continuar.
Isso mesmo, esse � o problema.
Qual era sua rela��o com ela?
Antes ou depois do div�rcio?
Eu n�o sei... Como se conheceram?
Nos conhecemos
em um concurso que organizei no Olympia,
que se chamava "O n�mero um de amanh�".
Foi em 29 de abril de 1956.
Na verdade, eu estava com Bruno Coquatrix
e Eddie Barclay.
Se enfurnar no Olympia?
N�o, podemos ir � Longchamp...
� a minha r�dio que organiza este concurso.
Seus ouvintes n�o saber�o se voc� est� l�.
Se encontrarmos uma estrela, voc� assina com ela.
Nunca encontramos ningu�m. N�o ser� diferente hoje.
Espere. Tenho uma ideia, 421.
Se eu ganhar, n�s vamos.
- Voc� n�o vai ganhar. - Espere. Vai decidir nos dados?
- Sim. - Sim, sim.
Bom, eu vou embora.
A voz dela me lembra o sol da It�lia.
Voc�s decidem se ela � capaz de construir seu nome.
Senhorita...
Dalida!
Me ame
Meu amor, me ame
Ou�a minha ora��o
Voc� que � tudo para mim
Me abrace
Gentilmente em seus bra�os
N�o me deixe sozinha
Voc� n�o tem o direito
Sem voc�, Eu n�o sou nada
Al�m de uma crian�a solit�ria
Nada al�m de uma crian�a perdida
Esquecida na Terra
Me ame
Eu preciso tanto de voc�
Minha vida � in�til
Se voc� n�o me ama
A partir daquele momento,
minha obsess�o era encontrar a melhor m�sica para ela.
Para que ela se tornasse a melhor.
O que ela se tornou.
- Sr. Balayure ir� v�-la agora. - Obrigada.
Bambino
Bambino
Entre. Entre.
N�o chore, bambino
- Ol�. - Seja bem-vinda.
- Ol�. - Este � Lucien.
Ficamos muito felizes em v�-la no palco.
Voc� � muito talentosa.
Queremos lhe oferecer um contrato.
Os olhos ca�dos O semblante triste
E as bochechas p�lidas
Voc� n�o est� mais dormindo
Voc� n�o passa De uma sombra de si mesmo
Sozinho na rua
Voc� perambula Como uma alma penada
E todas as noites Sob a janela, podemos v�-lo
Sei muito bem que gosta dela Bambino! Bambino!
Ela que tem belos olhos Bambino! Bambino!
Mas voc� ainda � muito jovem Bambino! Bambino!
Para bancar o amante
Arranhe, arranhe seu bandolim
Meu pequeno bambino
Vindo diretamente do Egito, senhorita Dalida.
Que o c�u da It�lia
Uma bela e excelente m�sica, notavelmente bem feita.
O FEN�MENO "BAMBINO" - Dona de uma voz encantadora.
� nossa amiga, Dalida!
Ela n�o leva voc� a s�rio
Com seus cabelos loiros Bambino, Bambino
Voc� parece um querubim Bambino, Bambino
V� jogar bola Bambino, Bambino
Como todas as crian�as fazem
Voc� pode fumar Seus cigarros
Como um cavalheiro
Voc� dan�a na cal�ada
Quando a observa
Voc� pode inclinar Sobre sua orelha
O seu chap�u
- Ol�, Dalida. - Ol�.
Voc� se tornou a mais popular estrela francesa.
Amor e ci�mes Bambino, Bambino
N�o s�o jogos de crian�a Bambino, Bambino
E voc� tem toda a sua vida Bambino, Bambino
"Come Prima", pela sua criadora Dalida.
Como antes
Mais do que antes Eu te amarei
Por sua vida Minha vida te darei
Ao que se deve o seu sucesso?
Bem, ao trabalho.
Eu trabalho muito.
Suas m�os, as minhas m�os
Ainda apertam Como antes
At� logo.
Voc� me d� todos os dias
Como antes Voc� me d� tanto amor
Que espero retribuir
Quando deito alegremente Em seus bra�os
Como antes
Voc� me d�
Como antes
Tanta...
Alegria
Eu tenho... o qu�?
"Taggi".
- O que � isso? - N�o sabe o que � "taggi"?
Taggi � um pequeno par de cal�as. Um taggi.
- � verdade. - Voc� n�o sabia?
- N�o. - � verdade.
- �? - Por que eu inventaria?
� um taggi.
Sabia que toda a Fran�a est� se perguntando?
- O qu�? - Quando � o casamento?
N�o � o momento, Dali.
- Por qu�? - Porque...
Como posso dizer?
Porque... um casamento, precisa ser planejado.
Por isso estou falando com voc�.
V� em frente, encontre uma data. Est� sempre fazendo show.
- E de quem � a culpa? - Me desculpe,
por ter realizado seu sonho.
Meu sonho � ter um filho com meu marido.
Estrelas n�o t�m tempo para engravidar.
E temos a vida toda para isso.
N�o, quando se � uma mulher.
Faremos isso.
N�o, espere. Espere.
Eu acabei de me divorciar.
Olhe para esta magn�fica carreira
que estamos construindo juntos.
Isso tamb�m � nosso beb�.
Estou cansada.
A luz est� machucando meus olhos.
Querida, eu sei que voc� est� cansada.
Mas temos nove m�sicas nas paradas este ano.
Isso � hist�rico. Nunca aconteceu.
Temos de pensar nisso, por enquanto.
Qual � o problema?
Voc� j� me viu como uma mulher?
- Apenas uma mulher. - Claro, querida, sim!
Eu te amo. Voc� sabe que te amo.
Mas sua hist�ria de amor tamb�m � com o p�blico.
E com voc�.
Primeiro com voc�.
Quero fazer a janta para voc�, ter um filho,
ser uma mulher normal.
Todas as mulheres normais sonham ser como voc�.
Eu sonho ser como elas.
Ela esperou muito por Lucien.
Eles deveriam ter se casado antes.
Era muito importante para ela.
Para qualquer mulher, n�o?
Dalida n�o � "qualquer mulher".
N�o.
Ela � de uma beleza extraordin�ria.
No sentido de que � fora do comum. Entende?
Quando era pequena,
ela era diferente.
Ela teve que ficar no escuro por 40 dias.
CAIRO OUTONO DE 1933
Ela procurava a luz atrav�s da bandagem.
Foi assim que ela machucou os olhos.
Apenas a m�sica do meu pai a acalmava.
Ela odiava seus �culos.
CAIRO PRIMAVERA DE 1940
Quatro olhos!
Voc� � feia!
Voc� � feia!
Quatro olhos! Quatro olhos! Quatro olhos! Quatro olhos!
Horr�vel! Assustadora!
Quatro olhos! Quatro olhos! Quatro olhos! Quatro olhos!
Ela era algu�m que tinha que modelar a imagem.
Parem!
Parem!
Parem!
Andem, meninas!
V�o embora! Voc�s todas ser�o punidas.
Venha, lolanda.
Venha, vamos!
N�o chore. O Senhor est� sempre do lado dos humilhados.
O olhar dos outros sobre ela...
sempre foi...
importante.
Ela era obcecada por isso.
No dia em que tirou os �culos,
foi como um renascimento para ela.
Espere! Tudo bem. Atravesse.
P. GIGLIOTTI PROFESSOR DE VIOLINO
Olhe o lindo vestido que mam�e te fez.
N�o tem serventia para mim, j� que sou feia.
N�o diga isso.
Pro�bo voc� de dizer ou mesmo pensar isso.
Voc� � a garota mais linda do mundo.
Meu amor, voc� � magn�fica.
V� abrir a porta. Seu irm�o deve ter esquecido as chaves.
Pietro Gigliotti?
Sim, sou eu.
Voc� est� preso.
Por qu�? N�o fiz nada errado.
Trabalha com nazistas, como todo carcamano.
O que est� acontecendo?
Eu n�o entendo. N�o tenho nada a ver com nada disso.
- Cale a boca. Vamos. - Sou um m�sico! N�o fiz nada!
Sou um m�sico!
Ele n�o fez nada de errado!
Aonde est�o levando ele?
Me soltem! Eu n�o fiz nada!
- Papai! Papai! - Iolanda!
- Papai! - Iolanda!
Papai!
Papai!
O que diz, Sra. Morisse?
Eu n�o te amo mais.
Somos apenas amigos.
Ent�o?
Obrigado. Muito obrigado.
Dalida, um beijo, por favor.
Um sorriso! Dalida!
Por favor! Dalida!
- Por aqui. - Dalida, por favor!
Lucien, apenas um sorriso!
Dalida, algumas palavras, por favor.
Obrigado, senhores.
Muito obrigado.
Venham, champanhe!
Acho voc� ingrato.
Fui eu que insisti em ir ao Olympia.
- Foi voc� quem insistiu? - Sim, foi.
� a mesma hist�ria?
- Foi decidido nos dados. - Sim, sim, claro...
Ele deve tudo a voc�.
Viram minha esposa?
Com o irm�o dela.
Qual o problema? Voc� est� triste?
Gostaria que a mam�e estivesse aqui.
At� o seu vestido est� triste.
N�o, o vestido est� bem.
Tem certeza?
Se o vestido est� bem, voc� est� bem.
CANNES UM M�S MAIS TARDE
E eu tive que insistir para voc� vir!
- N�o! - Sim! Olhe para voc� agora.
Uma pena Lucien ter ficado em Paris.
- Ele est� trabalhando. - N�s tamb�m.
Estamos aqui a trabalho.
- Voc� quer dan�ar? - N�o dan�o m�sicas agitadas.
Sabe, n�o estou com pressa.
N�o � seu dia de sorte. Venha.
- Voc� � ador�vel. - Obrigada.
Me chamo Jean. Jean Sobieski. E voc�?
- Eu? - Sim, voc� deve ter um nome.
Sim. Me chamo lolanda.
Voc� � muito, muito linda, lolanda.
Obrigada.
Sobieski, de onde vem esse nome?
Da Pol�nia. Meu av� era o rei da Pol�nia.
- � mesmo? - N�o mais desde a revolu��o.
Um pr�ncipe deposto. Ainda mais emocionante.
Voc� que � emocionante.
Voc� �... terrivelmente emocionante.
JEAN SOBIESKI, O NOVO AMOR DE DALIDA
� verdade?
Sim.
N�o pode ser mais discreta?
N�s acabamos de nos casar.
� minha falta de discri��o que incomoda voc�?
- Entre outras coisas. - Ah, bom.
O que voc� quer que eu diga?
Que est� rid�cula nos bra�os desse idiota?
Ele s� quer ficar conhecido.
Ele n�o se importa com isso. � um bo�mio.
- Um bo�mio... - Sim.
Ele vai arruinar sua carreira.
Estamos falando sobre minha carreira? Novamente.
Apenas tenha cuidado.
Voc� pode cair t�o r�pido quanto subiu.
- O que eu fiz, posso desfazer. - N�o foi voc� quem me fez.
- Foi o p�blico. - Seu p�blico ouve minha r�dio.
Seu estilo j� era.
Agora � a hora do twist, do rock.
Voc� j� � brega.
- Brega? - Eu estalo meus dedos...
e voc� desaparece t�o r�pido quanto surgiu.
Pobre Lucien.
Acha mesmo que preciso de voc� para existir?
Voc� pode at� ficar com o apartamento.
Era o tempo das flores
Ignor�vamos o medo
As manh�s tinham sabor de mel
Seu bra�o segurava o meu
Sua voz seguia a minha
N�s �ramos jovens E acredit�vamos no para�so
Devo comer isso?
"Al dente"!
Voc� tem um pouco de...
Isso n�o � bom para sua voz.
Sim, eu sei, mas...
Eu preciso parar.
Voc� precisa parar de cantar.
Por qu�?
Ser minha musa.
Mas eu sou sua musa.
E esta noite Estou diante da porta
Da taverna A qual voc� n�o vir� mais
Os jogos est�o marcados.
E a m�sica que a noite me traz
Meu cora��o J� n�o a conhece mais
Era o tempo das flores
Ignor�vamos o medo
As manh�s tinha sabor de mel
Seu bra�o segurava o meu
Sua voz seguia a minha
Sabe o que amo aqui?
A vista?
O que mais?
A Torre Eiffel.
- O que mais? - Eu n�o sei.
H� uma oficina, para voc� pintar.
Peter Benenson, advogado ingl�s,
criou hoje um novo movimento pelos direitos humanos,
que ele chamou de Anistia Internacional.
� uma organiza��o...
Diga-me. Qual � o problema?
- Sequer tenho palavras. - Por qu�? Explique.
"Orlando"? Voc� assumiu o nome de nosso irm�o!
Eu n�o vejo problema.
� rid�culo. � como se voc� quisesse tomar o lugar dele.
N�o comece a psicanalisar isso. N�o precisa psicanalisar tudo.
Canta como sua irm� e usa o nome do seu irm�o.
Voc� acha que � o centro do universo.
Sou eu quem canto, est� bem?
- Parem, � insuport�vel. - Diga que estou certa.
Ele n�o pode impor as escolhas dele, como voc�.
Nunca me impuseram nada.
- Ah, voc� escolheu Dalida? - Sim.
O que Orlando vai dizer?
Orlando concorda. Ele disse sim.
Fa�a o que quiser, o Olympia � seu, n�o meu.
N�o posso impedi-lo de agend�-la.
Ela me pediu. O p�blico est� pedindo ela.
O p�blico est� pedindo? N�o para mim.
Bem, voc� � meu amigo...
Voc� tamb�m � meu amigo.
Mas eu aviso, n�o tocaremos as m�sicas dela na r�dio,
nem iremos promover o show.
Para n�s, ela acabou.
N�o estou dizendo isso porque...
Voc� me conhece, sei dar um passo para tr�s.
O que funciona hoje em dia?
� o rock, o i�-i�-i�. Voc� sabe disso.
Sim, eu concordo com voc�.
Mas como voc� quer que eu recuse isso?
Eu n�o sei...
Bom...
N�o, n�o, n�o.
Estou no Olympia para o grande show de estreia de Dalida,
que alguns j� consideram ser o �ltimo.
Senhor, voc� est� a favor ou contra Dalida?
Uma mulher ad�ltera n�o deve ser permitida no palco.
Mas voc� veio v�-la.
Compramos os bilhetes h� muito tempo.
Eu digo que � uma vergonha.
Aqui est�o as primeiras rea��es,
que s�o bastante frias.
CANTE COMO SEMPRE, COM PAIX�O. LUCIEN.
A press�o da �gua est� ruim. Teremos que falar com Fran�ois.
Voc� est� bem?
Precisa de alguma coisa?
Pode se livrar disso?
- � uma coroa? � M�SICA MORTA, VIVA �DITH PIAF
Quem foi o idiota que colocou isso aqui?
Fran�ois, o que est� acontecendo aqui?
Eu disse a todos...
Ainda estamos no Olympia, onde ao contr�rio...
- Acha que ele vir�? - Quem? Sobieski?
Sim.
Ele n�o est� na lista de convidados.
Por que assim que as mulheres traem seus maridos,
- elas os deixam? - Nem todos t�m suas qualidades.
- Boa noite. - Encantadora.
- Que bom que est� aqui. - Todo mundo est� aqui.
Os abutres est�o prontos para execut�-la.
O pior � que isso n�o me deixa feliz.
- Onde voc� nos colocou? - Est� na frente. Tem seu nome.
- At� logo. - Sim, boa noite.
Vamos, meu amor.
Vamos, meu amor, n�o desanime.
Eu n�o sabia
Porque vivia
Eu n�o sabia
Para que servia
Agora, agora, eu sei
Meus olhos foram feitos Apenas para te olhar
Meus l�bios s� servem
Para te oferecer meus beijos
Minha orelha conta
Os batimentos do seu cora��o
E minhas m�os aproveitam
E mant�m seu calor
E desde ent�o, Sinto-me viva
Sinto-me viva Porque eu te amo
E desde ent�o, Sinto-me viva
Sinto-me viva Porque eu te amo
Porque eu te amo
Porque eu te amo
Porque eu te amo
E sou amada por voc�
E sou amada por voc�
- Bravo! - Bravo!
Meus olhos foram feitos
Para te ver acordar
Meus l�bios servem apenas
Para embalar seu sono
Magn�fico! Absolutamente magn�fico.
E meu corpo inteiro
Para dormir com voc�
E desde ent�o, Sinto-me viva
Sinto-me viva Porque te amo
E desde ent�o, Sinto-me viva
Sinto-me viva, porque te amo - Parab�ns.
Porque te amo. - Obrigada.
Porque te amo
Porque te amo
E sou amada por voc�
Naquele dia, ela entendeu que amava a ambos.
Era seu lado um pouco esquizofr�nico.
- Esquizofr�nico? - � maneira de dizer.
Havia Iolanda, que me amava, e Dalida, que amava Lucien.
Isso te machucou?
- Ol�. - Ol�.
Tchau.
Ficou bem assim.
Obrigada. Voc� gostou?
Aproveitei para fazer a renova��o do seu contrato.
Sim, j� faz 10 anos.
Isso � incr�vel.
Bom, o que queria me dizer?
Andamos pensando... com Bruno e...
Sim, estava pensando que a situa��o
era um pouco est�pida. Trabalho aqui h� muito tempo...
Cuido dos artistas...
No entanto, Dali ficou s� para administrar a carreira dela.
Ent�o...
Em resumo... vamos...
Montaremos nossa pr�pria ag�ncia de produ��o.
Ent�o eu deveria esquecer isso.
� a primeira vez que uma mulher me abandona.
Temos que comemorar, certo?
- N�o estou te abandonando. - Eu sei.
Bom... quais s�o seus planos?
Sanremo.
- Sanremo, o festival? - Sim.
Ela ser� a madrinha de um cantor italiano
chamado Luigi Tenco.
Ela tem uma carta na manga para a It�lia.
Ent�o, seria uma pena...
Se h� p�blico, � preciso agarr�-lo.
N�o?
N�o vejo o que voc� vai ganhar, mas tem que ouvir seu...
produtor.
� verdade.
Sim.
Se eu n�o tivesse organizado o encontro com Luigi,
n�s n�o estar�amos aqui.
Era o modo de vida dela.
Voc� n�o podia fazer nada.
Angela, Angela,
Meu anjo
N�o acredito que esta noite
Tenha sido um adeus
N�O PERTURBE
Angela, acredite em mim, Eu n�o queria
N�o concordo com o Heidegger.
- N�o? - N�o.
A coisa mais importante � ser-para-o-amor.
Gosto da sua interpreta��o da filosofia, Gigliotti.
O cr�dito � todo seu, professor.
� verdade. O cr�dito � todo meu.
Ver suas l�grimas
Sentir que seu cora��o
Est� nas minhas m�os
Angela, Angela, Meu anjo
Mas esta noite Ao inv�s de chorar
Olhe para mim De um modo estranho
Como se agora Estivesse distante
- Te amo. - Te amo.
SANREMO, 1967
Desculpem. Um pouco de calma, por favor. Obrigado.
Por que uma grande estrela como voc� veio at� Sanremo?
Por causa das can��es do Luigi Tenco.
Acha que Luigi Tenco pode ganhar?
- Sim, claro. - Claro que vai ganhar.
- Obrigado. - Vamos. Obrigado a todos.
Obrigado, obrigado!
A can��o de Ornella Vanoni daria um bom bis.
N�o v� que est�o nos usando?
Isto j� n�o � arte, � um neg�cio.
E aquele que te segue por todo lado...
- Quem? - Voc� sabe bem.
- Sim, com prazer. - Podemos tirar umas fotos.
Depois, ela vai ter de mudar de roupa. Eu te apresento.
Querido, n�o beba tanto.
Sabe por que ainda estou aqui?
Por causa de voc�.
Dali, o diretor do festival quer te conhecer.
� uma honra t�-la aqui no nosso festival.
- Boa noite. - Boa noite.
Querem tirar umas fotos. Vamos fazer agora.
- Com o Luigi. - N�o.
- Antes... - V�.
Sim, separados, � melhor. Vamos.
C�mera um, no apresentador.
Senhoras e senhores, � com prazer
que vos apresento este ano, a 17� edi��o...
Luigi, vai correr tudo bem.
- Sim. - Vai correr tudo bem.
Vamos ouvir agora "Ciao Amore Ciao",
letra e interpreta��o de Luigi Tenco.
A estrada habitual
Branca como sal
O trigo a crescer
Os campos lavrados
Olho diariamente
Se chove Ou se faz sol
- Parece preocupada. - N�o, estou bem.
N�o se preocupe, voc�s ganhar�o, de qualquer modo.
Assim espero.
E um dia dizer, chega
E ir embora
Adeus, amor Adeus, amor
Adeus, amor Adeus
Adeus, amor Adeus, amor
Adeus, amor Adeus
Adeus, amor Adeus, amor
Adeus, amor Adeus
Adeus, amor...
Est� contente? E voc�s tamb�m? Mas que grande palha�ada!
- N�o. - Solte-me.
- Iolanda, por favor. - Bruno.
Voc�s n�o deviam andar juntos. � a sua vez. V�.
- N�o consigo. - Precisa ir.
- A madrinha de Luigi Tenco, - Est� tudo bem.
- Dalida! - Cante. V�.
A estrada habitual
Branca como sal
O trigo a crescer
Os campos lavrados
Olho diariamente
Se chove Ou se faz sol
Querido, a sua can��o � lind�ssima.
� apenas uma derrota. Da pr�xima vez...
Para voc�, sim.
Sabe em quantos festivais entrei...
N�o quero saber de festivais, Dali!
Essas pessoas n�o entendem nada de m�sica,
nem sabem porque est�o ali. Para elas � apenas um jogo.
Entende? Um jogo.
Para mim, n�o �.
Luigi, v� mais devagar.
Luigi, por favor, v� mais devagar.
N�o � um jogo, Dali.
Por favor, Luigi. Por favor.
Luigi!
- Olhem, est� chegando! - Dalida, Dalida!
N�o vou com voc�. Estou cansado.
N�o lhes d� esta satisfa��o.
Ande, venha.
Luigi!
Me recordo quando n�s
�ramos duas crian�as
E apont�vamos as pistolas
Em cavalos de balan�o
Bang, Bang Eu disparo em voc�
Bang, Bang Voc� dispara em mim
Bang, Bang E vencer�
Bang, Bang Quem o cora��o acertar
Os anos passaram
E nos apaixonamos - Luigi?
Corr�amos pelos campos
Voc� brincava comigo - Querido...
Bang, Bang, Para rir
Bang, Bang, disparava em mim - Luigi. Acorda!
Bang, Bang, e vencer� - Luigi!
Bang, Bang, - Luigi!
Quem o cora��o acertar
Com licen�a. Abram caminho.
Com licen�a.
"N�o o fa�o por estar farto da vida,
"mas como um ato de protesto contra um p�blico ignorante."
Assassinos! Assassinos!
N�o! J� chega! Me deixem em paz!
J� chega!
J� chega! N�o aguento mais! J� chega!
N�o me deixaram ir ao enterro de Luigi.
Estavam com receio que eu fizesse um esc�ndalo.
Eles queriam proteg�-la.
Falharam.
Entendo a sua dor, mas...
Mas, o qu�?
Tenho 34 anos, sem amor, sem esperan�a, sem filhos.
A Dalida d� esperan�a h� milh�es de pessoas.
E eu, quem me d� esperan�a?
Sabe o que � mais dif�cil quando estamos entre a vida e a morte?
N�o.
� escolher viver.
A morte � agrad�vel.
No entanto...
voc� escolheu viver.
N�o. A morte � que n�o me quer.
A minha hist�ria � a hist�ria de um amor
O meu lamento � o lamento de dois cora��es
Um romance como tantos outros Que poderia ser o seu
Pessoas daqui Ou de outro lugar
A minha hist�ria � a hist�ria que se conhece
Aqueles que se amam Tiveram a mesma, eu sei
Mais ing�nua Ou mais intensa
� a �nica can��o no mundo Que nunca ter� fim
"N�o sou nada" � a hist�ria
Do amor
- O que faz aqui? - Quero que conhe�a uma pessoa.
N�o, espere.
Surpresa!
Como n�o pude apresent�-lo antes.
Que maravilha!
N�o quer pegar ele? � o seu sobrinho.
Parece com voc�. V� com a tia.
� o seu afilhado, se quiser ser a madrinha.
Se eu quiser? Claro que aceito.
Nos bra�os da tia.
� um anjo! Ele � lindo.
- N�o �? - � seu filho?
Est� feliz?
Ol�!
- Um pequeno anjo. - � sua tia.
Como ele se chama?
Luigi. Mas se te incomodar, ele tem um segundo nome.
Luigi.
- Luigi! - O que acha?
O que acho?
Que a vida continua.
Ol�. N�o!
ROMA OUTUBRO DE 1967
Dalida, Dalida!
A primeira vez que vem � It�lia depois da trag�dia de Sanremo.
- Comovida? - Muito.
O que espera do concurso Partitissima?
- Ganhar pelo Luigi. - Obrigado, Dalida.
- Feliz por regressar � It�lia? - Muito.
O que quer dizer a todos os seus admiradores?
Ol�, It�lia. Ol�, Roma. Obrigada.
Sou um f� do Tenco. Gostaria de falar com voc� em particular.
Tenho tanto para te dizer. Estes poemas s�o dele.
- Desculpe? - N�o, o livro � para voc�.
- Para mim? Obrigada. - Sim.
Venha comigo.
Nenhuma palavra sobre a trag�dia que ela sofreu. Entendeu?
Sim.
Entre, por favor.
- Ele foi simp�tico com voc�? - Sim.
Obrigada, M�rio.
- Ol�. - Ol�.
- Quer um caf�? - N�o, estou bem.
Como foi com M�rio? Ele � muito protetor.
Sim, n�o foi mau.
- Ent�o, voc� gosta de poesia. - Sim.
Sou estudante de letras e de filosofia.
Na verdade, tive de parar, para trabalhar.
Mas gostaria de voltar a estudar.
O meu maior arrependimento foi ter deixado os estudos.
Saiba que...
compreendo o que Tenco fez.
E o que a senhora fez.
- Posso te pedir uma coisa? - Sim.
N�o me chame de senhora.
Est� bem.
Magn�fico! Bel�ssimo!
- Maria Teresa, como estou? - Ficou �timo!
- M�e, sempre pode trocar. - Obrigada.
- Vamos, sim? - Feliz Natal.
� para Luigi.
Tocaram a campainha.
- V� ver. - Veja.
� lindo. � lindo. Pegue.
- � seu cachorro. - Senhora.
� um senhor chamado Lucio. Deixo ele entrar?
- Lucio? - N�o o conhecemos.
- Que v� embora. - N�o, n�o!
Eu vou l�, eu vou l�.
- Quem � ele? - N�o sei.
- Como voc� veio? - De carona.
- Com este frio? - Sim.
- Queria te ver no Natal. - Voc� � louco.
Sim, sou louco por voc�.
- Senti saudades de voc�. - Eu tamb�m.
Venha, vou te apresentar a fam�lia.
- Tire o casaco. - Boa noite.
- Boa noite. - Boa noite.
Com licen�a.
- Obrigado. - Venha.
- Este � Lucio. - Ol�.
- Ol�. - Sente-se.
- Boa noite. - Quer comer alguma coisa?
Sim, qualquer coisa. Obrigado.
- Um feliz Natal! - Feliz Natal!
Feliz Natal!
Pode me explicar?
� a minha casa, convido quem eu quiser.
Mas parece que ningu�m o convidou.
Se o deixei entrar, sim.
Na noite de Natal, quando estamos todos juntos?
Ele atravessou a It�lia e a Fran�a de carona.
Quer que o mande embora?
N�o convidamos estranhos na ceia de Natal. Apenas a fam�lia.
Devia ter mais respeito pela sua fam�lia
e n�o a expor aos seus...
Aos meus, o qu�?
Voc� entendeu muito bem.
Se n�o est� contente, a porta � a serventia da casa.
Feliz Natal!
Feliz Natal para todos!
- Bruno! - Bruno!
- Para onde ele vai? - Iolanda, o que houve?
Gostaria de ficar aqui para sempre.
Voc� � t�o linda.
Ele tinha acabado De fazer 18 anos
Ele era lindo Como uma crian�a
Forte como um homem
A minha vida nunca foi t�o bonita quanto com voc�.
Foi obviamente no ver�o
E contei, ao v�-lo
Daqui a 20 anos mudar� de ideia.
Voc� � a mulher mais bonita no mundo.
Coloquei mais um pouco de r�mel Nos olhos
Isso fez ele sorrir
Quando ele se aproximou de mim
Teria dado qualquer coisa
Para seduzi-lo
Ele tinha acabado De fazer 18 anos
O que o tornava quase atrevido
De certezas
E enquanto ele se vestia
J� derrotada, Reencontrava a minha solid�o
Queria mant�-lo comigo
No entanto Deixei-o ir embora
Sem me opor
Ele me disse Que n�o foi t�o ruim
Com uma franqueza infernal
- Volte logo! Da sua juventude
Arrumei o meu cabelo
Coloquei mais um pouco de r�mel Nos olhos
Como de costume
Tinha simplesmente Me esquecido
Que eu tinha duas vezes 18 anos
Estou gr�vida.
- O qu�? - Estou gr�vida.
Que maravilha!
- Daquele rapaz? - Sim.
�timo. Isso � �timo.
- Ele tem 22 anos. - E?
- Eu tenho 34. - E da�?
N�o posso estragar a vida dele.
Por que ter um filho com voc� arruinaria a vida dele?
Casar com um garoto. Imaginem os jornais.
- Que se lixem os jornais. - Sim.
Quem falou em casamento?
Tomaremos conta dele. Giuseppina ter� mais um neto.
Mam�e n�o pode saber. Entenderam?
Est� bem, n�o diremos a ela. Voc� n�o quer um filho?
- N�o � esta a quest�o. - � a �nica quest�o.
Preciso de um pai. Para o meu filho.
Pode cri�-lo sem um. N�s crescemos sem um pai.
Voc� acha?
Estamos aqui. Eu tamb�m posso cuidar dele.
Esta n�o � a vida com que sonhei.
Iolanda, a vida n�o se sonha, se vive.
Mas que fil�sofo!
O rapaz j� sabe?
- N�o? - N�o.
Vai contar a ele?
Nunca.
O que vai fazer?
Aqui, tome.
N�o sei.
Me lembro que
Muitas vezes, N�o h� muito tempo
Voc� me disse
Que tudo iria mudar
Como gostaria
De te dizer o que tenho
Dentro de mim
Quando estou sozinha
O rosto de uma crian�a
O meu cora��o Come�a a aquecer
Como os sinos na primavera
O meu cora��o soar�
Dan, dan, dan Soar�
Dan, dan, dan
Dan, dan, dan Cantar�
Dan, dan, dan
Que pena
Nunca ter visto
O amor...
Que vejo agora Ao meu redor
Como gostaria
De dizer ao mundo O que tenho
Dentro de mim
Quando estou sozinha O rosto de uma crian�a
Este cora��o Come�a a aquecer
Como os sinos na primavera
O meu cora��o soar�
Dan, dan, dan Soar�
Dan, dan, dan
Dan, dan, dan Cantar�
Lucio, tive que partir mais cedo do que o previsto.
N�o tente me ligar.
Mas te pe�o que realize o seu sonho.
O sonho da minha vida.
Aceite este dinheiro e continue os estudos.
Fa�a isso por mim.
Preciso me encontrar, sen�o voltarei a me perder.
�NDIA ASHRAM DE CHANNA, 1971
Vou deixar de cantar.
Por que voc� quer parar de cantar?
Para me concentrar na minha vida espiritual.
N�o gosta de cantar?
N�o � isso. Adoro cantar.
Mas, por vezes, sinto vergonha
da estrela que me tornei por cantar.
� isso que sente quando canta? Vergonha?
N�o. Quando canto, sou a can��o.
Sou o meu p�blico,
sou a m�sica. N�o h� mais divis�es.
Para se despertar espiritualmente,
tem de estar em harmonia consigo mesma.
Est� naturalmente desperta quando canta.
A sua miss�o na vida � cantar.
� assim que ajuda os outros.
Voc� parece mais tranquila.
Muito mais calma.
Sim, passei por muito sofrimento.
E depois da minha tentativa de suic�dio, tentei compreender.
Outro dia, estive com Lucien. Lucien Morisse, meu ex-marido.
E disse a ele: "Lucien, voc� me conhece,
conhece minha vida."
Eu trocava de homens constantemente.
Mas procurava sempre o amor, o verdadeiro amor.
E tenho certeza que esse amor existe.
O amor maior do que o ser humano, que leva a Deus.
- Ainda a ama? - Do que est� falando?
- E eu, voc� me ama? - Claro que te amo, querida.
Ent�o, pare de brincar. O banco voltou a ligar esta manh�.
- Sim, eu cuido disso. - S�rio?
- Cuida disso amanh�? - Sim, me deixe ouvir.
� mais forte do que n�s. � o amor.
Quero cantar "Je suis malade".
� loucura. N�o � seu estilo.
- Foi o que me tornei. - N�o para seu p�blico,
ele quer sonhar. Deixe a depress�o para o Serge Lama.
Ele n�o est� errado.
O meu p�blico gosta que eu lhe diga a verdade.
Dali, sempre te apoiei, mas desta vez, n�o.
Ent�o... nos alugue seu teatro.
- O qu�? - Nos alugue seu teatro.
Sim.
Dalida � o "Olympia". Ela n�o cantar� em outro lugar.
Sempre pedi para fazerem show l�, mas n�o sou o dono,
sou produtor. O que me pedem � imposs�vel.
Acha que...
que isso pode tornar as coisas um pouco mais...
mais poss�vel? O que acha?
Posso pensar no assunto.
Deixei de sonhar
Deixei de fumar
J� nem tenho hist�ria
Estou suja sem voc� Sou feia sem voc�
Sou como uma �rf� Num dormit�rio
J� n�o tenho vontade De viver minha vida
Minha vida acaba Quando voc� vai embora
J� n�o tenho vida E at� a minha cama
Se transforma Numa esta��o ferrovi�ria
Quando voc� vai embora Eu fico doente
Completamente doente
Como quando a minha m�e Sa�a � noite
E me deixava sozinha Com meu desespero
Estou doente
Extremamente doente
Voc� me privou De todas as minhas can��es
Voc� me esvaziou De todas as minhas palavras
No entanto, eu tinha talento
Antes de te tocar
Este amor me mata
Se continuar
Morrerei sozinha, comigo
Perto do meu r�dio Como uma grande idiota
A ouvir a minha pr�pria voz A cantar
Estou doente
Completamente doente
Como quando a minha m�e Sa�a � noite
E me deixava sozinha Com meu desespero
Estou doente
� isso, estou doente
Voc� me privou De todas as minhas can��es
Voc� me esvaziou De todas as minhas palavras
E tenho o cora��o Completamente
Doente
Cercado por barricadas
Ouviu?
Estou doente
Estou doente
Bravo!
Magn�fico!
Est� vendo que � uma cantora de texto?
E n�o queria acreditar em mim.
Estou orgulhoso de voc�. E Lucien.
Ele est� conosco, voc� sabe. Conosco.
Dalida! Dalida! Dalida!
- Ou�a. Ou�a. - Sim.
Dalida! Dalida! Dalida!
Fiz o poss�vel para ser feliz.
Mas a morte vagueia como um animal selvagem ao meu redor.
Quando era crian�a, queria que o meu pai morresse.
Quando regressou do campo de prisioneiros
ele estava bastante ferido.
Na mente e no corpo.
Ele batia em mim e nos meus irm�os.
Mas quando batia na minha m�e,
era quando eu queria que ele morresse.
E morreu.
Eu me sentia...
culpada.
Culpada.
Como por Lucien e Luigi.
Com o tempo
- Al�? Com o tempo, tudo passa
O outro que am�vamos
Que procur�vamos na chuva
O outro que adivinh�vamos
Com um simples olhar
Entre as entrelinhas, Entre as palavras
A sombra De uma promessa encoberta
Que vai pela noite adentro
Com o tempo
Tudo desaparece
Com o tempo
Com o tempo, tudo passa
Mesmo as mem�rias Mais divertidas
O rosto com que ficou
Na galeria remexo
Nas prateleiras da morte No s�bado � noite
Quando a ternura Desaparece sozinha
Este vazio, te faz pensar em qu�?
Nos domingos. Sempre pensei que morreria num domingo.
Sabe, normalmente, n�o escolhemos.
� por isso que todos os domingos
convido todos os meus amigos para minha casa.
MONTMARTRE, 1972 - Assim, � uma festa.
Ele est� chegando
Gigi, o rom�ntico
Destruidor de amores, Olhos de veludo como uma car�cia
Gigi, o rom�ntico
Sempre vencedor Por vezes, sem cora��o
- Sua massa est� deliciosa. - Obrigada.
As mudan�as que fez na sala ficaram lindas.
�? Muito obrigada.
Zaza, lua Caprese O meu sol
Ainda n�o se cansaram desta can��o?
Parem!
- Ela canta melhor. - Sim.
- Pasqual, diretor de cena. - Sim, sim.
Dali, o conde de Saint Germain acaba de chegar.
- Chegou? - Se apresse.
- Ol�. - Dali, minha querida,
quero te apresentar meu amigo, Richard Chanfray.
Conde de Saint Germain. Prazer.
� um prazer.
- Quem �? - O alquimista, passa na TV.
- Transforma chumbo em ouro. - Ele � um fen�meno.
- N�o me diga! - Gosto muito dele!
Ent�o, voc� � imortal?
Um pouco como voc�.
N�o, n�o como eu.
N�o sou imortal.
Nasci h� 17.000 anos.
Sinto as vibra��es do mundo de uma maneira diferente.
O que me permite atravessar o tempo.
Acredito em muita coisa, mas isso � um pouco demais.
N�o me importo que n�o acredita.
- N�o? - N�o.
Estranho, n�o sei o que Se passa comigo esta noite
Olho para voc� como se fosse A primeira vez
Palavras, sempre as palavras As mesmas palavras
Ent�o, transforma mesmo chumbo em ouro?
Sabia que "ouro" vem de "or", que quer dizer "luz"?
O "am-or" � a Alma que vai em dire��o � "luz".
Fala muito bem, Sr. Alquimista.
Mas acabou O tempo dos sonhos
As mem�rias Tamb�m desaparecem
Quando esquecemos delas
Voc� � como o vento Que faz tocar os violinos
E que leva longe O perfume das rosas
Caramelos, bombons e chocolates
�s vezes n�o entendo voc�
Como falamos?
- Sa�de. - Sa�de.
Voc� pode oferec�-los a outro
Que ame o vento E o perfume das rosas
Para mim, as palavras gentis Cobertas de do�ura
Ficam na minha boca
Mas nunca no meu cora��o
Uma palavra, de novo
Palavras, palavras, palavras
Escute-me... Palavras, palavras, palavras
Eu te imploro! Palavras, palavras, palavras
Eu te juro! Palavras, palavras, palavras
Palavras e mais palavras Que voc� semeia ao vento
Como voc� � linda! Palavras, palavras, palavras
Como voc� � linda! Palavras, palavras, palavras
� estranho.
Nunca me senti assim.
Tenho a sensa��o que � minha esposa h� muitas vidas.
E n�o est� cansado de fazer amor comigo
em todas essas vidas?
Por qu�? Pare�o estar?
N�o.
Besame
Besame mucho
Eu canto para voc� Essa velha can��o
Besame
Besame mucho
Como uma hist�ria de amor Que nunca termina
Foi cantada nas ruas Sob c�us desconhecidos
E em toda a Fran�a
Acreditava-se Que foi esquecida
E para melhor nos amarmos � a� que ela recome�a
Besame
Besame mucho
Se est� em outro pa�s Significa "beija-me"
Besame
Besame mucho
Minha vida inteira Eu a quis cantar com voc�
N�o pedimos pelo amor Nenhum juramento eterno
Nem corpos fant�sticos
Para nos amarmos N�s apenas precisamos
De palavras Que rimem com a m�sica
Besame
Besame mucho
Se est� em outro pa�s Significa "beija-me"
Besame
Besame mucho
Minha vida inteira Eu a quis cantar com voc�
Besame
Besame mucho
Eu te amo.
DALIDA E DELON O FIM DO SEGREDO
"Dalida nos habituou ao ecletismo amoroso dela.
"N�o foi a primeira vez que nos surpreendeu.
"Boato ou amor verdadeiro?"
"Subjugado pelo encanto de Dalida,
ele a convoca para o escrit�rio dele..."
De novo? Pare. Sabe que isso n�o � verdade.
Meu amor!
Meu amor, venha c�.
Meu amor.
Pare.
Pare.
As pessoas creem que voc� tem algo com o Delon.
Que pessoas?
Como assim, "que pessoas"?
Todo mundo. O p�blico, todos.
Voc� fez uma capa com ele.
Sabe como as pessoas s�o.
Pare, meu amor.
Voc� sabe o quanto eu te amo.
N�o h� amor,
apenas provas de amor.
O que mais voc� quer?
- Me diga, o que voc� quer? - Eu n�o sei.
Pod�amos fazer um disco juntos.
Mas, querido, voc� n�o � cantor.
O Delon � cantor, por acaso?
Um casti�al num canto de mesa
Uma lareira Duas sombras e vento
E de cigarro em cigarro
O fogo desaparece Um �ltimo u�sque
E amor, amor, amor
Perfeito!
Est� uma droga.
- Bruno! - O qu�?
Eu queria um pouco mais de som.
Certo. Um pouco mais forte.
Est� tudo bem?
Pare, por favor.
Meu amor, me diga, o que foi?
Nada, eu j� disse.
Eu n�o preciso de piedade. S�rio.
Eu n�o ligo para esse disco.
Richard, pare de agir como crian�a.
Pare.
Eu ganhei peso.
Como minha menstrua��o n�o veio, pensei que posso estar gr�vida.
Ou�a, faremos mais alguns testes.
Mas...
Mas?
Mas voc� n�o pode ter filhos.
O qu�?
Suas trompas foram danificadas durante o aborto que fez.
Est� pronta, querida?
Pode me ajudar?
Tudo bem?
Sim.
Tem certeza?
Tenho.
Quer saber de uma coisa?
Vamos fazer m�sica disco.
O qu�?
Vamos gravar m�sicas disco, e voc� vai dan�ar.
Na minha idade?
Isso � o futuro, querida. E voc� � o futuro.
O que ele te disse?
Ele disse que eu sou o futuro.
Que chuva!
Ser� que Martine deixou o port�o aberto?
N�o. Ela tirou o fim de semana de folga.
Fique aqui. Se for um ladr�o, vou peg�-lo.
O que � isso? Richard!
- Fique aqui! - Abaixe essa arma.
Richard!
Richard, venha aqui!
Richard!
N�o tenha medo, Iolanda.
Me d� sua m�o.
N�o tenha medo.
Iolanda!
Voc� n�o pode me deixar aqui.
Voc� tem que pagar a fian�a.
Eu te reembolso, juro, mas n�o me deixe aqui.
Est� bem?
Eu te amo.
O tempo acabou.
Me d� sua m�o.
N�o me abandone, est� bem?
Eu te amo.
O julgamento de Richard Chanfray,
apelidado de Conde de Saint Germain,
termina hoje.
Um ano de senten�a suspensa,
118 mil francos em danos e juros,
que sua companheira, Dalida, pagou � v�tima,
finalmente, fora do hospital: o namorado
da empregada de Dalida.
Vou esperar
O dia e a noite...
Sempre esperarei
Seu retorno
Vou esperar...
O dia e a noite...
Sempre esperarei
Seu retorno
Vou esperar
Porque o p�ssaro Que fugiu
Veio � procura do esquecimento
No ninho dele
Aqui est� o disco de diamante.
Quem diria, n�o �?
Dalida conseguiu seduzir o p�blico americano,
que � considerado o mais dif�cil.
Ela n�o hesitou em nos encantar na capital do entretenimento...
...em um concerto dado no Carnegie Hall.
Enorme sucesso mundial,
"Gigi L'amoroso" est� mais forte na Europa
do que "Strangers in the Night", de Sinatra.
Aos 46 anos, Dalida nunca se cansa de nos surpreender.
Dalida comemora 25 anos de m�sicas
com um show no estilo americano.
Um risco para a estrela que j� vendeu 67 milh�es de discos.
Exclusivamente para "Soir 3", o ensaio do show em Paris.
Aqui est� Dalida!
V�, Gigi, nos arrume um lugar No para�so
Um lugarzinho Que pare�a a It�lia
PARIS DEZEMBRO DE 1979
Ol�.
- Ol� e parab�ns, Dalida. - Obrigada.
Estou coberta de suor. E cansada.
- J� providenciamos uma toalha. - Obrigada, Jacqueline.
Dalida, me sinto privilegiado por assistir esse ensaio
repleto de energia e que promete um show excepcional.
Voc� ensaiou por 10 semanas
com Lester Wilson, aqui presente.
Lester, venha.
Muito bem...
Ol�, Lester Wilson,
o famoso core�grafo de "Os Embalos de S�bado � Noite".
Gigi no para�so disco
Um show cujo p�ster,
que est� atr�s de voc�, j� fez muito barulho.
Verdade. Eu venho de uma fam�lia muito cat�lica
e foi muito dif�cil para mim perder...
Como se diz? A pudic�cia.
Dizemos "pudor", mas "pudic�cia" � muito bonito.
� agora ou nunca
Quando vejo qu�o jovem voc� parece,
n�o posso acreditar que j� est� comemorando 20 anos de carreira.
J� faz um quarto de um s�culo.
Um quarto de s�culo... N�o parece nem um pouco.
Ent�o, colocar em um show
"Bambino", "Je suis Malade"
e todos os seus sucessos disco,
� um grande desafio.
Atualmente, voc� � a �nica artista a usar tantos vocais.
Neste vasto mundo
DALIDA CANTA E DAN�A Com muitos pa�ses
Viajei, viajei, viajei
E quando meu primeiro amor Me ligou
Deixei tudo para tr�s E voltei, voltei
E no colo dele eu sentei E cantei
Salma ya salama Fomos e voltamos com seguran�a
Est� reconhecendo a mam�e?
Meu bebezinho, voc� est� triste?
Tamb�m estou.
Voc� bebeu?
Fa�a a voc� uma pergunta. Por que eu bebi?
A culpa � minha.
Ah! Sim, meu amor.
Minha estrela!
Est� com cheiro de perfume.
Est� com ci�mes, querida?
N�o procuraria em outro lugar, se n�o se recusasse.
Voc� me d� nojo.
Como quer que fiquemos juntos se n�o fazemos mais amor?
Como podemos fazer amor
se voc� se comporta como uma crian�a?
Eu te juro, um dia, � voc� quem vir� me implorar. Escutou?
- Ser� voc�! - Me solte! Me solte!
- Com esses dois... - Na It�lia?
Como se diz "esquiar" em italiano?
Em italiano � "scii".
Obrigado.
Voc� tem que falar com ela.
- Vai dizer a ela? - O qu�?
Que ela tem que parar de for�ar v�mito.
Eu n�o sei o que dizer a ela.
- Ela tem medo de engordar... - Deixe para l�.
Sempre a mesma coisa.
Sa�de!
� sua sa�de! Ao seu sucesso!
Ao meu irm�o Bruno! A todos!
Ao seu sucesso no "Palais Des Sports"!
- Obrigada. - A todos!
- Feliz Ano Novo! - Feliz Ano Novo!
Est� falando alto.
- Muito alto. - E da�?
- E isso � cafona... - N�o toque!
Essas estrelas obsoletas, n�o se pode dizer nada a elas.
V� embora.
Do restaurante, da minha vida, de tudo. V� embora.
Como �?
Pode repetir? Nem todo mundo ouviu.
Saia!
Bruno, n�o deve interferir.
Feliz Ano Novo.
Richard!
- Est� tudo bem. - Richard.
- Ao "Palais Des Sports"! - Ao "Palais Des Sports"!
- Pare! - Acabou.
- Se acalme. - Acabou. Entendeu?
- Se acalme. - Saia!
Depois de tudo que fiz por voc�?
Saia, por favor.
N�o, n�o podemos terminar desse jeito.
Eu n�o te amo mais.
Se acalme. Se acalme!
De novo? Me acalmar de novo?
- Pare! J� falei, pare! Merda! - Acabou!
Voc� n�o pode me dizer isso.
Eu juro, vou parar com as minhas besteiras.
- Pare, droga! - Saia!
Pare! N�o est� vendo que sou eu?
Com a sua idade, acha que vai encontrar algu�m? S�rio?
Segunda-feira
Ter�a-feira
Dia ap�s dia A vida se esvai
Segunda-feira � apenas outra manh�
Ter�a-feira Eu s� me sinto vivo
Dan�ando com todas as m�sicas
Eu vivo de amor e de dan�ar
Eu vivo como se estivesse De f�rias
Eu vivo como se eu fosse eterna
Como se nas not�cias N�o houvesse problemas
Eu vivo de amor e de rir
Eu vivo como se N�o houvesse nada a dizer
Tenho todo o tempo Para escrever minhas mem�rias
Para escrever minha hist�ria Em tinta azul
Deixe-me dan�ar
Deixe-me
Deixe-me dan�ar, Cantar livremente
Todo o ver�o
Deixe-me dan�ar
Deixe-me
Chegar ao fim do sonho
Segunda-feira � apenas outra manh�
Ter�a-feira Eu s� me sinto vivo
Dan�ando com todas as m�sicas
Eu vivo de amor e de risco
Quando as coisas n�o est�o boas Eu viro o disco
Indo e vindo Estou aprendendo a viver
Como se eu estivesse livre E em equil�brio
Eu vivo de amor e de rir
Eu vivo como se N�o houvesse nada a dizer
Tenho todo o tempo Para escrever minhas mem�rias
Para escrever minha hist�ria Em tinta azul
Deixe-me dan�ar
Deixe-me
Deixe-me dan�ar, Cantar livremente
Todo o ver�o
Deixe-me dan�ar
Deixe-me
Chegar ao fim do sonho
Segunda-feira
Ter�a-feira
Dia ap�s dia A vida se esvai
Segunda-feira � apenas outra manh�
Ter�a-feira Eu s� me sinto vivo
Dia ap�s dia, A vida passa e traz um novo dia
DOIS ANOS DEPOIS
O que fa�o para voc� comer esta noite?
O que vamos comer? Sopa?
Um omelete?
N�o, eu queria uma massa.
- Massa? - Massa, sim.
- Como ontem? - Sim, sim.
O que ela est� fazendo? Est� rindo?
Talvez n�o esteja t�o mal assim.
V� ver.
Est� bem.
- Posso? - Sim.
Ol�.
Venha.
Veja.
Como est� indo?
Bem.
Ela est� assistindo "De Fun�s".
Caso contr�rio, ela dorme o dia todo.
E � noite, nada. Ela n�o est� nada bem.
Ela est� muito cansada.
Isso � normal, ela s� come massa.
E o pior � que ela induz v�mito depois.
Eu tive que apertar todos os vestidos dela.
E as luzes incomodam muito os olhos dela.
- Entendo, entendo. Obrigado. - Ela n�o aguenta mais.
Voc� est� sempre aqui?
Claro. Ela precisa de mim o dia inteiro.
Precisamos encontrar um apartamento em outro lugar.
Voc� n�o pode ficar aqui o tempo todo. Com licen�a.
Ent�o?
N�o quer que abra a cortina? O dia l� fora est� lindo.
N�o... N�o, Bruno, obrigada.
Meus olhos est�o doendo.
Certo...
Tenho uma boa not�cia para voc�.
Youssef Chahine te ofereceu um papel no novo filme dele.
Isso � legal.
Sim.
Voc� tem que voltar � forma.
Entendeu?
Est� de acordo?
- Sim. - �timo.
Obrigada.
CAIRO - NAS FILMAGENS DE "O SEXTO DIA" - 1986
Gosto de muitas coisas.
N�o consigo descrev�-las para voc�...
- Tem algu�m na sua vida? - Sim.
- Qual � o nome dele? - Michel.
Quantos anos ele tem?
50 anos.
Ele � seu marido?
N�o.
Preciso fazer minha maquiagem... eles v�o me matar!
� verdade que voc� j� morreu uma vez?
N�o exatamente.
A morte � assustadora?
N�o. � como um sonho.
Vamos, Hassan. Estamos atrasados.
Voc� tem que fazer sua maquiagem agora.
Agora, Hassan!
Uma recep��o digna dos maiores chefes de Estado
foi reservada � estrela internacional, Dalida.
Consequ�ncia do sucesso do filme "O Sexto Dia",
dirigido por Youssef Chahine.
Que ideia, nos trazer aqui!
Eu queria passar na frente da nossa casa.
Ele poderia ter evitado nos mandar em um convers�vel.
Pare de gesticular!
Se acalme.
Se proteja um pouco.
Isso � maravilhoso. Eles est�o aqui por n�s.
Obrigado.
- Feliz? - Sim.
- Voc� gosta de m�sica? - Sim.
Mas vou te avisar,
n�o quero ouvir um pio.
Sil�ncio total durante o ensaio.
Perfeito. Vamos.
Voc� comer� em casa.
O que faz aqui sozinha?
- Bruno! - Podia ter me chamado.
- Est� tudo bem? - Poder�amos ter jantado juntos.
Ia comer sozinha? Voc� � louca.
- Ent�o? - Est� tudo bem.
Falei com os produtores da com�dia musical "Cle�patra".
Est� tudo bem.
Vai acontecer. Eles me garantiram.
- Estou feliz. - Que bom.
- Quer um cigarro? - Quero.
N�o consigo parar, mas n�o me importo.
Tenho uma coisa para voc�.
�?
O que �?
Eu tricotei.
- Voc� fez isso? - Sim.
� maravilhoso!
� soberbo.
� muito bonito. Bravo!
Para sempre pensar em mim.
Sempre penso em voc�.
Ent�o, comemos juntos amanh�?
Amanh� vou ao teatro com o Michel.
Ah, sim, eu esqueci.
Melhor ainda. Que seja no domingo.
Com prazer.
- Como sempre. - Sim.
Podemos tomar uma ta�a de vinho aqui?
- Graziano! - Sim, j� estou indo.
Ele est� vindo.
Tome.
- Preciso parar. - Sim, voc� me falou.
- Preciso parar. - Eu sei.
Eu tamb�m.
Est� tudo bem?
- Michel vem te buscar? - Vem.
Devo esperar com voc�?
N�o, mas voc� � muito gentil, Jacqueline.
Tem certeza que n�o quer que eu passe a noite aqui?
N�o, ele vai dormir aqui.
Certo. Boa noite.
Boa noite.
Jacqueline, por favor, n�o me acorde amanh� de manh�.
Est� bem.
Para n�o vivermos sozinhos
Moramos com um cachorro
Moramos com rosas
Ou com uma cruz
Para n�o vivermos sozinhos
Fazemos filmes
Gostamos de uma lembran�a
Uma sobra, qualquer coisa
Para n�o vivermos sozinhos
Vivemos para a primavera
E quando a primavera morre
Para a pr�xima primavera
Para n�o viver sozinha
Eu te amo E eu te espero
Para ter a ilus�o
De n�o viver sozinha
De n�o viver sozinha
Para n�o vivermos sozinhos
Garotas amam garotas
E vemos meninos
Se casando com meninos
Para n�o vivermos sozinhos
Outros fazem filhos
Filhos que s�o sozinhos
Como todas as crian�as
Para n�o vivermos sozinhos
Fazemos catedrais
Onde todos aqueles Que est�o sozinhos
Se apegam a uma estrela
Para n�o viver sozinha
Eu te amo E te espero
Para ter a ilus�o
De n�o viver sozinha
Para n�o vivermos sozinhos
Fazemos amigos
E os reunimos
Quando a noite est� chata
Vivemos por seu dinheiro
Seus sonhos, seus pal�cios
Mas nunca fizemos
Um caix�o com dois lugares
Para n�o viver sozinha
Vivo com voc�
Sou sozinha com voc�
Voc� � sozinho comigo
Para n�o vivermos sozinhos
Vivemos como aqueles Que querem
Dar a si pr�prios a ilus�o
De n�o viverem sozinhos
A VIDA � INSUPORT�VEL PARA MIM. ME PERDOEM.
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Venha, mas n�o venha Quando eu estiver sozinha
Quando chegar o momento Da cortina cair
Quero que caia atr�s de mim
Venha, mas n�o venha Quando eu estiver sozinha
Eu, que escolhi tudo Na minha vida
Quero escolher A minha morte tamb�m
H� aqueles que querem morrer Em um dia chuvoso
E outros em um dia ensolarado
H� aqueles que querem morrer Sozinhos na cama
Quietos, em seus sonos
Eu, eu quero morrer No palco
� frente dos projetores
Sim, quero morrer No palco
Meu cora��o aberto todo em cores
Morrer sem a menor pena
No �ltimo encontro
Eu, eu quero morrer No palco
Cantando at� o fim
Venha, mas n�o venha Quando eu estiver sozinha
N�s nos conhecemos
N�s nos vimos de perto
Venha, mas n�o venha Quando eu estiver sozinha
Escolha uma noite de gala
Se quiser dan�ar comigo
Minha vida queimou Sob muita luz
Eu n�o posso partir nas sombras
Eu quero morrer Com um raio laser
� frente de uma casa lotada
Eu, eu quero morrer No palco
� frente dos projetores
Sim, quero morrer No palco
Meu cora��o aberto todo em cores
Morrer sem a menor pena
No �ltimo encontro
Eu, eu quero morrer No palco
Cantando at� o fim
Morrer sem a menor pena
Uma morte bem orquestrada
Eu, eu quero morrer No palco
� onde eu nasci
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