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AS NOITES DE CAB�RIA (1957)
Vai.
Venha!
T�o tranq�ilo.
Giorgio! Giorgio!
Socorro!
Socorro!
Socorro! Socorro!
Socorro! Algu�m est� se afogando!
Algu�m est� se afogando!
R�pido! Algu�m est� se afogando!
Veja! Ali!
Socorro! Socorro!
- Cad� o R�mulo? - Foi na prefeitura!
Prefeitura? Por qu�?
� uma mulher!
L� est� ela!
- E Pilado? Tamb�m sumiu? - O que ela est� tentando fazer?
Ela est� indo para o esgoto!
Pule! Se ela chegar ao esgoto, n�o vai se salvar!
Uma mulher est� se afogando.
Voc�s v�o por ali. Vou atr�s dela.
Pacciolo, venha c�!
Deixem a cabe�a para baixo! Cuidado com ela!
Stefano, venha r�pido!
Onde a pegaram? Cuidado! Segurem pelo est�mago.
- Ela estava se afogando. - Deve ter escorregado.
N�s a vimos e mergulhamos.
- Voc�s a viram cair? - N�o.
- Quantas vezes ela mergulhou? - Umas tr�s vezes.
- Umas sete vezes. - Dez vezes!
Deve ter bebido muita �gua. Precisamos de ajuda. Stefano!
- O que houve? - Ela estava se afogando.
- Mais r�pido. - Ela perdeu um sapato.
Acho que est� morta.
Tem que fazer a �gua sair.
A �gua est� saindo. Saiam, crian�as!
- N�s a salvamos! - Saiam do caminho.
Vamos chamar Pompei. Ele nunca viu um afogado.
- Vamos dar uma olhada. - N�o quero. Tenho medo.
Parece que j� est� morta.
- Ainda est� saindo �gua. - Ela abriu os olhos.
Vamos deit�-la.
Vamos fazer respira��o boca a boca.
- Est� sangrando! - � s� um arranh�o.
- Ela precisa de um conhaque. - Conhaque? � melhor leite.
Est� voltando a si. Voc�! V� buscar leite.
- Eu, n�o. - Calma, senhorita.
Voc� vai ficar bem. Teve muita sorte.
Agora calma.
- Onde est� Giorgio? - Quem � Giorgio?
- N�o se exalte. - Giorgio!
- Onde vai? - Giorgio!
- Quem � esse Giorgio? - N�o sei.
- Havia algu�m com ela? - N�o.
Que coisa...
- Ei, v� com calma! - Vou pra casa!
Meus sapatos?
S� tem um. N�o sei onde est� o outro.
- Ela deve ter sete vidas. - Desisto.
Nem consegue andar.
Voc� quase morreu.
- Onde quer ir? - Me deixem em paz!
- N�s salvamos voc�! - Certo, me salvaram.
- Agora quero ir pra casa. - V� pra onde quiser.
- Oi, Cab�ria. - Conhece a garota, Gino?
- Sim, � Cab�ria. - Onde ela mora?
Pra l�. Ela � prostituta.
Giorgio, abre! Sou eu!
Sou eu! Cab�ria!
Wanda!
Voc� viu Giorgio?
O que houve com voc�?
Responda! Onde est� Giorgio?
- Que Giorgio? - O meu!
O que houve?
O que quer?
- O que voc� quer? - Nada. N�o se meta nisso!
- Entre e v� se secar. - Estou sem a chave.
- Onde a colocou? - Na minha bolsa.
- E onde est� a bolsa? - Giorgio a pegou.
Fomos passear no rio e eu ca� na �gua.
Ele ficou com medo e fugiu.
Abra, Cab�ria!
- Abre, vai. - Quero dormir.
Quanto voc� tinha na bolsa? Responda!
Se vir Giorgio, estou aqui.
O que est� fazendo?
Est� certa de ficar em casa. Fique na cama.
Venho ver voc� quando voltar.
Tome uma aspirina. Vai fazer bem.
Ainda est� aqui? N�o cansou de falar?
J� n�o tive o bastante? Por que n�o vai embora?
De onde tirou a id�ia que somos amigas? V� embora!
E n�o pe�a mais meu term�metro emprestado!
E quando foi que pedi? Eu, hein.
Est� dizendo que ele me jogou na �gua por 40.000 liras?
At� por um prato de comida.
- Mesmo algu�m que te ama? - Voc� o conheceu h� um m�s!
Voc� n�o soube dizer onde ele mora nem o nome dele!
Admita! Ele jogou voc� no rio!
Teve sorte. Se fosse eu, teria segurado sua cabe�a na �gua.
- V� � pol�cia! - N�o sou dedo duro!
V� � pol�cia!
Mas por que ele fez isso? Ele tinha tudo o que queria.
Eu dava tudo pra ele. N�o precisava roubar.
Que boba tenho sido.
Eu poderia ter morrido.
Chega. Est� tudo acabado.
V� pegar outra pessoa que lhe d� camisa de seda.
V� tentar achar outra boba como eu.
Eu comprei as camisas e o casaco.
Isso nunca mais vai acontecer. Nunca!
Onde vai comer agora? Em S�o Pedro?
Cretino! Idiota! N�o valeu a pena.
Volte pro seu lugar! Pronto!
Pronto! No fogo! Queime at� a morte!
Quero ouvir voc� gritar. Espero que queime no inferno.
Estou dizendo que esta � a �ltima vez!
� a �ltima noite! N�o quero mais me misturar com voc�s!
Olhem para mim. Sou linda.
Parece o Moby Dick!
- Est� falando comigo? - Seu lugar � o circo.
Cale a boca!
Est� cega? Sou linda, um col�rio para os olhos!
Devia ser tratada com respeito!
Est� cada vez pior.
- Devia ir para o manic�mio. - Vai acabar como ela.
- Esse carro tem de tudo. - Tem at� Coca-Cola.
- Vamos dar uma volta? - O que est� dizendo?
- N�o vou sair daqui. - Vai sair agora. Vamos!
- E por que deveria? - Vou dar uma volta com Wanda.
- N�o sabe guiar! - E da�? O carro � meu.
- Fa�o o que quero. - Vou visit�-la no hospital.
- Pode bancar a boba. - Por que n�o pediu um maior?
O que voc� entende de carro? Um burro entende mais.
Voc� � que � burro.
O que � isto? Ainda est� de moto, hein?
Cuidado! A louca chegou!
- Tchau, bonit�o. - Tchau, beleza.
- N�o se esque�a de vir me ver. - Certo.
Oi, Marisa.
Oi, Wanda.
Que lindo! Muito lindo!
Mas, no seu lugar, eu teria comprado cinza...
mas ainda assim � lindo.
Vai descarregar a bateria! N�o quero discutir com voc�!
At� parece que me importo.
Fiat � sempre Fiat, mas um carro facilita muito.
Voc� fica sentada e vira � esquerda, � direita.
V�o pensar que seu pai � rico...
e seguir voc� como a uma princesa. Deve ser muito bom.
L� vai ela de novo.
Eu sei como ela arranjou esse carro!
- Chega! - Fique quietinha!
- Me deixa sair! - Fique quieta!
- Mambo! - Vamos dan�ar, Cab�ria!
N�o vai encontrar melhor dan�arino em Roma.
Certo.
Agora ela achou outro malandro para dizer "eu te amo".
Um malandro que a far� mendigar.
Saia da rua, querida ou eu mandarei prend�-la.
Aqui estou eu cavalheiros. Aqui estou eu!
Tudo bem. Ningu�m precisa de voc�s, mesmo!
Aonde queria ir com carro? Para o asilo?
Ah, se eu tivesse 20 anos a menos.
Idiota!
Ela est� com raiva.
Vai deixar que ela ofenda voc�? Acabe com isso!
Sabe qual ser� seu fim? Pedindo esmolas.
Pode me dar dinheiro para o caf�?
Pelo pobre Giorgio!
- � isso a�, Cab�ria! - Mostre a ela!
Parem!
Acabe com ela!
Pare com isso!
Acerte ela no est�mago!
- � melhor pararem! - Me ajudem, rapazes!
Acerte ela no est�mago!
- Fa�a alguma coisa! - Eu mato essa mulher!
Me solte! Me solte!
Pare com isso!
Quer se acalmar? Entre no carro.
- Me deixa sair! - Deixa pra l�!
Voc� vai ver!
- Me deixe em paz! - Onde vai?
Coloque a coleira!
- Voc� vai ver! - Vamos sair daqui.
Ela me chamou de idiota. Do que ela me culpa?
- Voc� tem medo de mim! - Sua louca!
Voc� tem medo de mim! Est� com ci�me!
Vamos fumar.
Para onde vamos?
- Onde quer ficar? - Via Veneto.
Quem voc� pensa que �?
Ou�a, Cab�ria. Precisamos ter uma conversa s�ria.
Voc� n�o tem quem cuide de voc�.
Veja Marisa e eu.
Veja como anda tranquila.
Ela tem um carro. Ningu�m se mete com ela. Por qu�?
- Me diga por qu�? - Quero descer aqui.
O que espera fazer na Via Veneto?
N�o � qualquer uma que pode trabalhar aqui.
Encontre um jovem s�rio como eu.
- N�o preciso de ningu�m. - Precisa.
N�o preciso.
Por que trabalhar para manter homens como voc�?
- Pare. - J� parei.
- Quero descer agora. - � melhor mesmo.
Seu desgra�ado caqu�tico!
N�o posso olhar? Estava admirando sua roupa.
- Vai andando, sim? - � mesmo?
� aqui que quero ficar. Quem vai me impedir?
- Por que n�o olha por onde anda? - Jessy!
- N�o � poss�vel. - Alberto Lazzari!
N�o quero ficar bravo.
- N�o seja boba. - Me deixe em paz!
Voc� est� nervosa.
- Me d� a chave. - Vamos voltar.
N�o ouse tocar em mim!
Chega pra l�. Diga aonde vai.
- Vai me dar a chave ou n�o? - N�o!
- Fique onde est�. - Me solte! Me solte!
Ou�a!
- Estou dizendo pela �ltima vez. - Acabou!
- Estou cheio disso! - Cuidado com a minha pele.
- Eu paguei. - Cretino!
- Espere! - O que quer?
- Agora suma. - Cretino, idiota!
Estou avisando. Se for embora, acabou.
� isso a�! J� chega! Pode ir!
Obrigado, Jessy.
O que quer? Suma!
Ei, voc�!
Voc� a�!
- Entre. - Quem? Eu?
Sim, voc�. Vamos dar uma volta.
Entre.
Feche a porta.
- Des�a. - Como?
Saia.
N�o tente me intimidar.
Quem pensa que �? Sai, entra, sai, entra.
Quem pensa que �?
Venha. Vamos nos divertir.
- Ele me mandou entrar. - Ent�o entre.
Boa noite, senhor.
Uma mesa? O espet�culo desta noite est� �timo.
Seu guarda-chuva.
Por ali.
O que est� havendo?
Pois n�o?
Sente-se aqui.
Sente-se.
Alberto! M�nica.
O que faz aqui? Dando um giro?
- Nem preciso apresent�-la. - Prazer em conhec�-lo.
Fiz um teste para os americanos. Ficou �timo.
Tenho uma c�pia em casa.
Esta foi a primeira parte do nosso show.
Antes de come�arem a dan�ar que tal aplaudirmos...
nosso ilustre convidado que nos honra com sua presen�a.
Por que tenho que aplaudi-lo?
Certo, Mambo n�mero 26.
Me faria um favor? Tenho uns amigos que querem conhec�-lo.
- Vamos, Alberto. - N�o posso.
Estou acompanhado.
Vamos dan�ar.
Todo mundo dan�a o mambo.
Todos dan�am o mambo. Mambo, mambo!
� isso a�. Dan�am o mambo.
Se quiser ir com seus amigos, tudo bem.
- O que disse? - Se quiser ir, tudo bem.
Vamos embora.
R�pido, entre.
- J� comeu? - N�o desde �s 20h.
- Ent�o vamos comer. - Como?
Vamos comer.
- �timo! Onde vamos? - Pra casa.
Espere!
Ei, garotas! Olha eu aqui!
Vejam o que consegui! Sabem quem � ele?
- Algu�m ligou? - Ningu�m, senhor.
- Como, ningu�m? - Ningu�m, senhor.
- Estava dormindo? - N�o, estava perto do telefone.
Certo. Leve o jantar no meu quarto.
Se a Srta. Jessy ligar, estou dormindo.
Se ela insistir, estou dormindo.
- Apenas diga: "Est� dormindo." - Sim, senhor.
Vamos subir. Qual � o seu nome?
- Cab�ria. - O qu�?
Que nome.
Outro cachorro.
O que � isto?
Tamb�m tem um aqu�rio?
Onde coloquei?
- A empregada pega. - Mas assim fica amassado.
Que idiota eu sou.
J� viu um idiota?
Est� olhando para um. J� disse para largar.
Venha c�.
- Como � mesmo o seu nome? - Cab�ria.
De onde voc� �?
- De onde voc� �? - Roma. Piazza Rissorgimento.
Sente-se. Est� me deixando nervoso.
Gosta?
Bem...
N�o � meu estilo.
Mas, sim.
� a Quinta de Beethoven.
� a minha favorita.
Entre.
Tudo bem, eu cuido disso.
Feche a porta.
Vamos ver o que ele trouxe.
Caviar, lagosta.
Sirva-se. Estou sem apetite.
Sirva-se. N�o sei se gosta.
1949.
1949.
Por que n�o tira o casaco? Est� quente aqui.
Descosturou.
- Onde disse que mora? - N�o � longe.
- Onde? - Na estrada de Ostia.
- E trabalha na Via Veneto? - Eu, na Via Veneto?
Moro perto do trabalho.
- � mais c�modo. - Por qu�?
� f�cil para pegar o �nibus.
Minha amiga, Wanda, tamb�m mora l�.
Voltamos juntas e n�o dormimos fora de casa como as outras.
Tenho minha pr�pria casa com luz, �gua, g�s.
Tenho tudo o que preciso. At� um term�metro.
Esta pequena aqui nunca dormiu debaixo da ponte.
Talvez uma vez. Ou duas.
� claro...
que n�o � parecida com a sua casa.
Mas gosto dela.
Coma alguma coisa.
O que foi?
Sei quem voc� �.
Conhe�o voc�. Posso dizer? Posso dizer?
Alberto Lazzari. Reconheci logo.
Vi todos os seus filmes. Voc� estava �timo.
- Qual deles mais gostou? - Do �ltimo.
Voc� usava uma roupa como o Vittorio Gassman.
Abre a porta e diz: "M�os para cima." -E sorri.
- N�o fiz esse filme. - Como assim?
Voc� � bonito como a sua casa.
Pegue as ta�as.
- Champanhe. - Sente-se.
O que foi?
N�ngu�m vai acreditar que eu o conhe�o.
Eles nunca acreditam em mim, aqueles desgra�ados.
Eu mesma n�o vou acreditar. Posso pedir um favor?
Pode me dar uma foto dizendo:
"Cab�ria esteve comigo, Alberto Lazzari."
"Cab�ria Ceccarelli esteve comigo. Alberto Lazzari."
Certo.
Agora vamos comer. E voc� tamb�m.
Azeitona.
Posso ver?
Um peda�o de frango espanta os maus pensamentos.
Um prato.
Pode colocar aquela m�sica. Tamb�m gosto.
O que � isso? J� vi num filme.
- O que foi? - A Srta. Jessy.
- N�o disse que estou dormindo? - Ela est� aqui.
- O qu�? - Aqui embaixo.
- N�o a deixe entrar. - J� entrou e est� subindo.
Idiota!
- Abra, Alberto! - Quem �?
N�o banque o bobo.
- � importante. - S� um minuto.
- Afotografia. - Ande logo!
Vai abrir ou n�o?
Entre no banheiro. Vou me livrar dela.
- Ficarei aqui se n�o abrir. - Quieta. N�o se mexa.
Abra, por favor.
Abra!
O que voc� quer?
Q que voc� quer?
Tenho sono. Sabe que tenho que acordar cedo amanh�.
Tenho sede. Sirva-me.
Eu quero um drinque.
O que foi agora?
N�o aguento mais!
Eu tamb�m n�o aguento mais.
Seu ci�me � m�rbido. J� aguentei demais.
Dev�amos nos separar enquanto ainda somos amigos.
V� dormir. Ambos estamos exaustos.
Eu ligo amanh�.
Voc� n�o me ama mais.
- Quem disse? - N�o me ama mais.
- Por favor. - Admita.
- Eu nunca disse isso. - Diga e eu n�o o perturbo mais.
Como se sai daqui?
Alberto Lazzari est� te procurando.
Eu n�o falo mais com voc�.
- Deixa pra l�! - N�o dou a m�nima.
L� vem o aleijado.
Ei, voc�!
Mal pode esperar para voltar � pris�o.
Venha, vai ser bom.
Por que o trouxe aqui?
Talvez a Virgem fa�a um milagre.
Do que est� falando?
- Vai passar uma prociss�o aqui. - E voc� acredita nisso?
- N�o acredita em milagres? - N�o.
Todos aqui devem ter algo para pedir � Virgem.
Dev�amos ir na igreja.
Vamos juntas, Cab�ria?
Ainda n�o sei. Vou pensar.
O que ela pode fazer por mim? Logo termino de pagar a casa.
Talvez eu v� s� para ver o que acontece.
Vamos ver.
A Virgem desperdi�a milagres com algu�m assim?
Acha que ela n�o v� que voc� mexe com drogas e prostitui��o?
Eu vou. Eu sei o que pedir.
N�o devia fazer piadas de coisas assim.
N�o enche.
Vai mesmo?
O que vai pedir?
O que vai pedir?
Santa Maria, m�e de Deus rogai por n�s pecadores...
Santa Maria, m�e de Deus rogai por n�s pecadores
agora e na hora de nossa morte.
Ave Maria cheia de gra�a, o Senhor � convosco,
bendita sois v�s entre as mulheres...
e bendito � o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, m�e de Deus rogai por n�s pecadores
agora e na hora de nossa morte. Am�m.
Ei, baixinha!
Baixinha!
Quer dar uma volta?
Atalho... disse que era um atalho.
J� faz uma hora que estou andando.
Onde ser� que estou?
Voc� mora nas grutas? Nunca a vi.
Eu tenho casa!
Sou eu, venha.
- Como est�? - Indo, senhor.
E o Pietro, est� dormindo?
Foi levado ao hospital, h� dois dias. Est� mal.
- Do que voc� precisa? - O que o senhor quiser.
Tome, o cobertor. Para onde levaram Pietro?
Ao Fatte Bene Fratelli.
Eu vou visit�-lo.
Quem � esse?
Quem � a alma caridosa?
Fiz uma pergunta!
- Posso ajudar? - N�o, obrigado.
Depois vai voltar a Roma?
Pode me dar uma carona?
Sim, depois.
Que bom, estava esperando!
Ontem mesmo pensei quando viria.
Eu conhe�o essa a�!
Est� morando aqui?
Quem me dera ainda tivesse...
o apartamento de Roma e o de Ostia...
j�ias. Tinha ouro, 5kg de ouro.
N�o � mentira. Quem iria acreditar?
Nos tempos dela era...!
Se usar uma blusa meio aberta, ainda d�...
Suba aqui.
Tudo pra mim! Vou esconder dos outros.
� o de chocolate! E com nozes!
Muito obrigada!
Quando vai voltar?
Sabe Deus!
Que Deus o proteja.
Ainda bem que est� me levando.
Sempre faz esses passeios?
N�o tanto quanto o necess�rio.
Por que n�o faz de dia?
Porque eles saem para esmolar.
Imagine!
� noite, n�o me encontraria.
Como come�ou a fazer isso?
Nem eu sei. Aos poucos.
Chegamos. Seu ponto � ali.
- Mora longe? - No km 19, estrada de Ostia.
- Como se chama? - Maria Ciccarelli.
� sozinha?
Meus pais morreram quando eu era pequena.
Eu vim para Roma depois.
V� dormir agora.
- Bem, eu... - Adeus.
Muito obrigada por tudo.
Dom Vincenzo, o grupo religioso chegou.
Algod�o doce. As crian�as v�o adorar.
Algod�o doce. As crian�as v�o adorar.
Miseric�rdia Divina. Aqui estamos n�s.
Venham, tirem suas fotos aqui.
Pode me ajudar? Ele � aleijado.
Peguem seus bal�es aqui. Todas as cores.
Wanda, veja quanta gente!
Vamos comprar algumas velas ali, tio.
- Quanto quer por elas? - Depende do tamanho.
- Temos de 50, 100 e 200. - Quero as maiores.
- Duas para cada um. - Wanda, venha pegar as velas!
- Quero uma s�. Pago depois. - Eu pago tudo.
- O que fa�o com isso? - Idiota.
- Quanto devo? - S�o oito, dezesseis. $240.
Abram caminho.
Deixem-nos passar. Cuidado.
- O que h� com ele? - Rosie!
Estamos aqui.
- Vamos tirar uma foto. - Vamos.
- Vamos tirar uma foto, Cabiria. - Estou indo.
- Onde est� Wanda? - Aqui.
Vamos!
Saia. Quero tirar minha foto. Vamos. Tire minha foto.
- O que faremos agora? - Primeiro vamos nos confessar.
- H� um confession�rio ali. - Mas me confessei ontem.
Cuidado! Ele � aleijado!
Vou pedir � Virgem a mesma coisa que voc�.
- E o que eu pedi? - N�o se lembra?
Decidi pedir outra coisa.
Mas n�o foi o que disse.
- N�o se lembra? - N�o posso pedir o que quiser?
- Mas voc� disse... - Mudei de id�ia.
N�o fale assim. O que h� com voc�?
Apagou minha vela.
Trinta missas a $1.000 cada s�o $30.000.
- Dei $35.000. - Fez bem.
Confession�rios por aqui. N�o empurrem.
Como � o Ato de Contri��o?
Senhor crucificado por minha culpa, estou arrependida...
Tem no confession�rio. Espere por mim.
O que est� fazendo? N�o pode vir.
- Agora chega. - Deixe-me entrar!
Por enquanto chega. V�o pela outra entrada.
N�o empurre. Quer parar de empurrar?
Ele est� doente.
Este tamb�m est� doente.
Cuidado, tio. Ele est� doente.
- L� est� o altar. - N�o posso mais.
- O que foi? - N�o ag�ento mais.
- O que foi? - N�o ag�ento mais.
N�o pode parar. Tem que continuar.
- N�o ag�ento mais. - Rosie, venha me ajudar.
S� mais um pouco. Estamos quase chegando.
Nossa Senhora atender� seus pedidos...
se vierem com f� e se arrependerem dos pecados.
Abra seu cora��o para os sofredores. � Virgem Santa!
Obrigado minha Nossa Senhora!
Gritem do fundo do cora��o: "Viva Maria!"
Obrigado minha Nossa Senhora!
- Me cure, Nossa Senhora! - Me fa�a melhorar, Nossa Senhora!
Wanda, venha c�.
O que acontece agora?
- Como vou saber? - Meu cora��o disparou.
Estou estranha.
Viva Maria!
Obrigado, Senhora!
Ajoelhem-se e vamos orar.
Diga-me que ela vai me fazer andar.
Acho que sim.
Agora, aproximem-se do altar da Virgem.
Olhem para os olhos Dela e pra o brilho Dela, cada um de voc�s...
...ir�o sentir o brilho de esperan�a entrando por entre seus cora��es.
Oh, Virgem Maria.
Fa�a com que eu mude de vida.
Me concede essa gra�a.
Que eu mude de vida!
Agora � a hora, tio.
- Tente andar. - Estou com medo.
- Estou com medo. - Vamos! Tente!
- N�o posso. - Vamos! Vamos!
Sou um pecador. A esc�ria da Terra.
- Virgem Maria. - Solte-o, Rosie.
- Solte-o! - Por favor, n�o!
Perdeu a l�ngua? Tome um pouco.
Se ela ficar b�bada nem encontra o caminho de casa.
- O que est� fazendo? - Estou pensando.
- No qu�? - O que ela disse?
- Que est� pensando. - � melhor n�o pensar muito.
Deixe ela pra l�.
Querem parar de perturbar com essa bola idiota?
- Foi de prop�sito. - Eu dou um jeito.
- Jogue aqui, beleza. - Que boneca.
Devolva a bola. Devolva a bola.
Certo, mas na pr�xima jogo pro outro lado.
Se quiser ficar sozinha, � s� dizer.
Por que acha que quero ficar sozinha?
O que h� com voc�?
- Por que acha isso? - O que h� com voc�?
Se quiserem a bola venham buscar.
Venham buscar.
- Ela nem consegue andar. - N�o vou me meter com ela.
Essa m�sica est� chata! Toque um Rock!
- Pare com isso. - Ficou louca?
Ainda somos os mesmos. Ningu�m mudou.
Ainda somos os mesmos! Ningu�m mudou! Ningu�m!
Estamos todos como sempre. Como estropiados.
O que esperava que mudasse? Voc� � boba.
Mas isso n�o acabou, v�o ver.
Sabem o que vou fazer? Vou vender a casa, tudo.
Estou deixando tudo isto! Adeus!
Vou embora. Cansei desta vida.
- Para onde vai? - Para onde?
N�o sou como voc�s. Sou diferente.
Eu sei onde posso ir.
E onde eles pensam que est�o indo?
Ei, onde pensam que v�o?
V�o concorrer � presid�ncia?
- Por que deu vinho a ela? - S� dei um copo.
Pensam que a Virgem os aben�oou?
Foi isso o que ela fez?
Cabiria, vai acabar presa.
- Fa�a alguma coisa. - O qu�?
- Olhe para ela. - Olhar o qu�?
- Traga-a de volta. - Me deixe. Quero ouvir.
Acham que a Virgem ir� ajud�-los? Seus tolos.
Venham aqui.
Venham aqui que eu vou mostrar!
Me larga!
Me deixe em paz!
N�o est� em condi��es de andar.
- Do que est� falando? - Est� b�bada, � isso.
Quem est� b�bada? Me deixem em paz.
Que tal o show?
- Fiz uma pergunta. - �timo. Por que n�o seria?
Como podem ver...
minha assistente colocou adagas em toda a caixa.
Vamos ver o que aconteceu.
Ter�o uma surpresa, porque a cabe�a desapareceu.
Agora teremos demonstra��es de hipnotismo e auto-sugest�o.
Algum volunt�rio?
- Voc� gostaria? - Eu aqui.
Que coragem!
N�o tenham medo. Prometo que n�o farei nada arriscado.
Falta uma representante do sexo fr�gil.
- Gostaria de vir, senhorita? - Quem? Eu?
Mostre como � corajosa.
N�o quero ir.
V� voc�.
- Estamos precisando dar risadas. - Ent�o se olhe no espelho.
Quer que eu a carregue?
Venha, n�o me fa�a implorar. Vou at� a� busc�-la.
� isso o que quer?
N�o tenha medo. Estamos entre amigos.
- � tudo truque. - Venha, senhorita.
Certo, eu vou!
- Voc� � corajosa. - Vou te mostrar.
Nada de medo. Voc� � corajosa. Venha, senhorita.
E agora, vamos nos divertir.
Estava me esquecendo. Seria imperdo�vel.
Esqueci que a Srta. Elvira ainda estava aqui.
Acho que est� muito quente aqui. N�o concordam?
Que tal um passeio de barco? Algu�m aqui enjoa?
- Andei de barco quando crian�a. - Voc� tem medo de �gua.
Ningu�m enjoa no mar. Isso � bom.
Aqui est� nosso barco.
Ele est� acostumado com tempestades. A bordo!
A senhorita fica aqui. Venham comigo.
O mar est� calmo e o dia est� lindo.
Pode ficar com seu barco. Vou me sentar.
Aonde vai?
Sente-se no seu lugar. Olhem nos meus olhos!
Olhem nos meus olhos!
Peguem os remos.
Comecem a remar. Um, dois, um, dois.
O mar est� azul, calmo, l�mpido e transparente.
Sentem o cheiro de sal. � um prazer estar aqui.
Vejam! Crian�as!
- Vejam aquilo! - Aquele garoto vai pular.
A �gua est� ficando agitada. As coisas n�o v�o bem.
Estamos em alto mar, os ventos e as ondas varrem o deque.
A tempestade est� aumentando.
N�o vamos conseguir.
- Pe�am ajuda! - Mam�e, por favor!
Cada um por si!
Acordem.
Estava se afogando num aqu�rio, n�o?
- Era uma tempestade. - Que medo...
Aonde vai?
- Est� falando comigo? - Sim.
- Ainda n�o acabou? - N�o.
Ainda n�o. Vai me deixar sozinho?
O que ele quer?
- � casada ou solteira? - Solteira.
- Voc� se divertiu? - Nem tanto.
Gostaria de lhe falar. Venha.
- Voc� � de Roma? - Sim, sou.
Em que parte da cidade mora? Corona, Parioli, Prati?
Prati.
N�o tente me enganar. Onde mora?
Borgata San Francesco.
- Por que est�o rindo? - Est�o s� brincando.
Disse que n�o � casada, mas gostaria de ser, n�o?
Acha que sou idiota?
Deixa disso!
Toda mo�a quer casar.
Conhe�o um rapaz que procura uma esposa.
- Ele ficaria feliz em se casar. - Comigo?
Ele � bonito e dirige uma Ferrari.
Vejamos o que podemos fazer.
- Em que trabalha? - Ela � uma condessa!
Ou�a, estou bem assim. Tenho tudo o que preciso.
Agora vou me despedir.
Tenho tudo o que preciso! Falo s�rio!
Fico feliz por voc�.
Ent�o voc� tem propriedades, esse tipo de coisa.
A casa onde moro � minha! E agora, vou embora.
Um momento. N�o me fa�a bancar o idiota.
Deixe ao menos apresent�-la. Oscar.
E onde est� ele?
Aproxime-se.
Que eleg�ncia!
Gostaria de lhe apresentar esta jovem.
Acho que ela tamb�m gostaria de conhec�-lo.
- Como vai? - Estou feliz por apresent�-los.
Agora vou deix�-los a s�s.
Est�o num belo jardim cheio de flores.
Conversem. Troquem confid�ncias. Ningu�m os est� ouvindo.
N�o v� que Oscar lhe oferece o bra�o?
Aceite. N�o h� nada de mal nisso.
� que acabamos de nos conhecer.
Caminhem. O jardim � florido. Os p�ssaros cantam...
e Oscar nem ousa falar com voc�. Ele � t�mido.
Agora ele diz: Eu queria conhec�-la h� muito tempo.
- Posso perguntar uma coisa? - O qu�?
N�o � comprometida, n�o?
Nunca houve um homem em sua vida?
Foi o que pensei.
Sempre a vejo em sua janela e tamb�m aos domingos na igreja.
Seu olhar cabisbaixo. Ah, muito bem!
Quem colhe flores tem uma alma generosa.
Gostaria de saber: Posso v�-la de novo?
- Obrigado. Qual � o seu nome? - Maria.
Belo nome. Guardarei essas flores como a um tesouro.
Gostaria de dan�ar? Maestro, Oscar e Maria querem dan�ar.
A orquestra come�a a tocar uma linda valsa.
Sou rico, solit�rio e triste.
Que bem fazem os convers�veis, ficar sempre em bons hot�is?
S� ilus�o!
Eu queria era um lar com muitos filhos...
e uma esposa como voc�.
Devia ter me conhecido quando eu tinha 18 anos.
Meu cabelo era preto e longo.
Para mim voc� sempre ter� 18 anos.
Ent�o voc� me ama. � maravilhoso.
Est� falando s�rio. N�o est� tentando me enganar.
Voc� me ama de verdade.
Senhorita! Pronto! J� acabou.
O que me fez fazer?
Obrigado! Obrigado! A cortina.
- N�o vai pra casa? - Estou indo.
Diga. Aqueles idiotas ainda est�o a�?
J� foram embora. N�o tem mais ningu�m.
- Saia, quero fechar. - Certo, vou mostrar a eles.
Com licen�a, senhorita. Meu nome � D'Onofrio.
Desculpe incomod�-la.
N�o tenho o h�bito de parar as mo�as.
- Eu estava l� e queria dizer... - Voc� tamb�m viu?
Belo papel de boba eu fiz.
Se eu vir aquele idiota...
Senhorita! Senhorita! N�o entenda mal.
Concordo com voc�. Sei como se sente.
Queria dizer que compartilho seu sentimento.
Fingimos ser c�nicos e corretos e at� nos convencemos disso.
Mas de repente descobrimos pessoas como voc�, t�o pura...
e a m�scara do cinismo cai e nosso lado bom se revela.
� isso. Queria dizer que estou agradecido.
Est� esfriando.
Poderia... � a umidade, sabe?
- Posso oferecer-lhe algo? - Perdoe, mas n�o o conhe�o.
Aqueles idiotas ainda est�o por a�.
Perdoe-me se insisto, mas essas experi�ncias podem ser perigosas.
Podem produzir s�rios dist�rbios.
Por isso eu estava me sentindo t�o estranha.
Tinha calor, frio, parecia que estava com febre.
- Olhe para mim. - Aconselho um conhaque.
Vai lhe fazer bem.
Venha, vamos nos sentar.
Sente-se.
Dois conhaques, por favor.
Juro que nunca sofri tanto como hoje...
quando o charlat�o falou de amor em nome do Oscar.
E voc� respondeu com entusiasmo e mod�stia.
Sofri de verdade. Eu queimei por dentro.
Me machucou. Me senti enojado.
R�pido porque vou fechar.
N�o se preocupe. H� coisas que a vulgaridade n�o toca.
Sempre h� algu�m na multid�o que ir� compreend�-la.
Algu�m que saber� apreci�-la.
Sa�de.
Afinal, o que fiz l�?
Fez uma cena tocante, de amor.
Me tocou profundamente.
N�o sei como descrever.
Talvez assim: O que me tocou fundo...
� o fato de permanecer pura como em seus 18 anos.
Como quando ia � missa com sua m�e.
Voc� tinha belos cabelos longos at� os ombros.
Eu disse isso?
Vou fechar.
- Quanto devo? - $150.
Hora de ir embora.
Gostaria de dizer...
que o que houve hoje foi muito importante para mim.
Pense.
Nem moro por aqui. Estava s� de passagem.
Gosto de andar por lugares em que nunca estive antes.
De repente resolvi entrar naquele teatro.
Nem sei por que fiz isso.
Foi arma��o do destino. � isso, o destino.
Mas quem � voc�?
- Fala como um "parioli". - Como?
Fala como um cavalheiro da parte rica da cidade.
J� disse. Meu nome � D'Onofrio e sou um contador.
O que quer de mim?
Entender� quando disser meu nome.
Meu nome � Oscar.
- Seu nome � Oscar? - Isso mesmo.
Seu nome � Oscar e da�?
N�o acha coincid�ncia ele ter escolhido o nome Oscar?
Senhorita, preciso v�-la de novo.
- Est� esperando o �nibus? - Sim, vou pegar o �nibus.
Estou cansada, quero dormir.
Vamos nos despedir assim? Nunca mais nos veremos?
Temos que nos ver de novo. A cidade � muito grande.
H� tanto que quero dizer. E ent�o...
quando poderei v�-la de novo?
N�o sei.
Eu trabalho. Sou vendedora.
- O que h� para dizer? - Como?
O que temos para dizer?
O �nibus chegou. At� logo.
N�o recuse. Eu tamb�m trabalho.
Podemos nos ver ap�s o trabalho.
- Amanh� � noite? - � noite n�o posso.
- Nem no domingo? - Domingo?
- Sim, �s 19 horas, na esta��o. - N�o sei. Me sinto...
O que est� fazendo?
Senhorita!
Senhorita! Estou aqui!
Desculpe faz�-la esperar. Acho que errei de lugar.
Que bom que veio.
Tive medo que achasse que sou um man�aco.
Pareceu t�o incomum.
Como um sonho.
Tomei a liberdade de lhe comprar flores.
N�o precisava se incomodar. Obrigada.
Vamos por ali.
Ele disse que gosta de falar comigo e ele fala bastante.
� muito instru�do.
Ontem fomos ver um filme no Metropolitan.
- J� comeu tr�s! - S�o t�o bons.
Foi um belo filme.
Chama-se "Os Gladiadores" e � cheio de m�rtires crist�os.
Mas ele me disse que n�o foi assim que aconteceu.
Eles mudaram tudo para melhorar a hist�ria.
E ele disse por que gosta de conversar comigo.
� porque eu o compreendo.
Podem n�o acreditar, mas ele � bonito e jovem.
� moreno. Acho que � do norte. Depois fomos comer pizza.
Tamb�m me deu flores.
Quer nos dizer que ele n�o quis nada.
- Nada. - N�o me fa�a rir.
Amanh� vamos nos ver de novo.
Me diga. O que ele quer?
Como vou saber?
- Mas e da�? O dinheiro � dele. - Acho que est� certa.
Pol�cia! A pol�cia!
Agora voc�s v�o presas!
V�o ter o que merecem!
Como vai? Que eleg�ncia!
Tudo bem?
- Bem, e voc�? - Bem.
� para voc�.
- N�o devia se incomodar. - Por favor.
- � demais. - Pegue.
- Onde gostaria de ir? - Onde voc� quiser.
Ent�o vamos ao parque.
- Sua fam�lia mora em Roma? - N�o, n�o tenho ningu�m.
Meus pais morreram quando eu ainda era crian�a.
Sou s�. N�o quero amizades que n�o significam nada.
Viv�amos em Puglia, uma aldeia muito pequena.
Tenho certeza que n�o a conhece.
Fui criado numa casa velha. Ainda usavam lamparinas.
Meu pai tinha uma propriedade. Seu nome era Giovanni.
O da minha m�e era Elza.
Gosto desse nome.
N�o tive irm�os e quando meu pai morreu...
parentes tiraram o que meu pai nos deixou.
Ficamos na pobreza. Tive de trabalhar.
O que est� fazendo, filha?
- Bom dia, padre. - Tem algo para Santo Antonio?
- Lamento, n�o tenho. - Talvez outro dia.
Importa � estar na gra�a de Deus. Voc� est�, n�o?
N�o est�?
Por que n�o?
Devia estar. Quem est� na gra�a de Deus est� feliz.
Eu estou na gra�a de Deus e estou feliz.
Fui pedir uma gra�a � Virgem, mas foi in�til.
Talvez n�o saiba como pedir. Ou talvez n�o precise de nada.
� casada?
Todas as garotas devem casar e ter muitos filhos.
O matrim�nio � um dever sagrado.
Um santinho de Santo Antonio.
Se precisar de mim, meu nome � Padre Giovanni.
Estou no Mosteiro Franciscano.
Mas n�o sei se vai me achar. Estou fora o tempo todo.
- Amanh�? - Amanh� estou ocupada.
- Depois de amanh�. - Tamb�m estarei ocupada.
Como assim?
Na verdade queria dizer que n�o o verei de novo.
Por qu�?
N�o � que eu n�o goste. N�o � isso.
Mas qual a finalidade disso? Por que continuar?
Estamos desperdi�ando nosso tempo. E para qu�?
O que quer de mim?
Se quiser...
em me caso com voc�.
Queria ter pedido antes...
mas n�o tive coragem.
Desde a primeira vez que a vi.
O que est� dizendo? Casar comigo?
Casar com uma garota que mal conhece?
De jeito nenhum.
Tem sorte de eu n�o ser como outras que conhe�o.
O que sabe de mim?
Como sabe quem sou?
N�o se age assim.
N�o pode brincar assim comigo! Para que disse isso?
N�o perguntei nada e n�o quero saber de nada.
N�o sou preconceituoso.
O que conta � que eu a conhe�o muito bem.
Somos dois solit�rios.
Temos que ficar juntos, preciso de voc�.
N�o fale assim.
- N�o diga o que n�o � verdade. - Mas �!
O que houve?
- O que foi? - Vou me casar!
Ele me pediu em casamento! Vamos comprar uma loja.
Vamos assinar o contrato e eu nem sabia.
Ele preparou tudo, a loja, a casa.
Vou me livrar de tudo. Vou vender tudo.
Vamos nos casar dentro de 15 dias.
- Estou indo embora. - Mas ele sabe que voc�...
Claro que sabe. Contei tudo. N�o escondi nada.
Ele � um anjo. Disse que n�o se interessa por nada disso.
Ele est� apaixonado por mim.
Ele me ama!
Quem �?
Boa tarde, padre.
- Queria ver o padre Giovanni. - N�o est�. Por que quer v�-lo?
- Queria me confessar. - H� outros padres na igreja.
Sim, mas gostaria de me confessar com ele.
Ele n�o d� a confiss�o, � um irm�o leigo.
- Sei, mas quero o Pe. Giovanni. - Certo, ent�o espere.
Por que p�s isto aqui? N�o vou levar.
Devo levar a coruja?
N�o, d� azar. A concha?
Acho que sim. Vamos ver se cabe. Cabe, sim.
Isso foi vendido. Ponha na prateleira.
Que desperd�cio! N�o pode deixar tudo pra tr�s.
- Leve isto. - N�o, eu vendi.
- Este? - Eu n�o dei, vendi.
Custaria mais caro se levasse tudo.
Ele vendeu tudo, por isso tamb�m vendi.
Vamos come�ar uma vida nova.
Se eu fosse voc� levaria tudo.
- N�o est� esquecendo nada? - O que eu poderia esquecer?
- Pegou o dinheiro? - Como iria esquecer dele?
- Est� esquecendo o casaco. - Essa coisa velha?
- Pode jogar fora. - Posso dar pra minha tia?
Fa�a o que quiser, mas vamos. Eles est�o esperando.
- Mas que pressa. - Pode fechar para mim?
A mam�e.
Que mundo engra�ado. Eu vou me casar.
- O que disse? - Eu vou me casar.
N�o disse nada.
Como estou?
- Est� �tima. - Custou 1.200 liras.
� bonito, mas pagou caro.
Minha bolsa.
Adeus. Vamos.
Vamos embora.
Vamos.
Voc� viu? D� uma raiva ver esses mortos de fome.
Vamos, Wanda.
As chaves da casa. Estou indo.
Se precisar saber de algo, fale com a Wanda.
Ela me escreve. Adeus.
- Fa�a uma boa viagem. - Obrigada.
Adeus, vov�! Vov�!
Pode deixar. N�o vou me despedir de ningu�m.
Melhor assim. Estou t�o feliz que acho que ia chorar.
Luciana, vou embora. Vou me casar!
- Seja feliz. - Obrigada! Adeus!
Bonitas, n�o?
S�o, sim.
Vai se casar e nem conhe�o seu noivo.
N�o podia traz�-lo aqui. Todos me conhecem.
Chegou.
O �nibus.
N�o chore.
- N�o estou chorando. - Ah, n�o?
Vou escrever.
Assim que chegar l� eu mando o endere�o.
Vai ver, vai se casar tamb�m.
R�pido! A mala. Eu mando o endere�o.
N�o se preocupe. Voc� vai ver.
Vai se casar assim como eu. N�o se preocupe.
- O que est� fazendo? - Quero pagar.
Vai ser um prazer.
Voc� sempre pagou tudo. Agora o que � meu � seu.
Que diferen�a faz?
Gar�om!
Est� anoitecendo.
Vai ver como o p�r-do-sol � lindo aqui.
- Quer me deixar b�bada? - N�o, � um vinho suave.
Meu dote.
Guarde-o.
Meu dote.
350 mil liras foi o que consegui pela casa.
Sabiam da minha pressa e se aproveitaram.
A� tirei o dinheiro do banco. $400 mil.
E aqui est�.
Voc� nunca quis saber.
� um anjo, um santo.
N�o sabe o que passei para juntar esse dinheiro.
J� disse que n�o quero saber.
Vamos sair daqui.
H� homens que saem com mulheres...
s� por causa do dinheiro delas. N�o acreditaria.
Eu daria o meu dinheiro por amor. Mas eles roubam.
E quando eu estiver velha? Quem vai cuidar de mim?
Sinto muito.
Gar�om, fique com o troco. Vamos.
Uma coisa eu sei: cedo ou tarde eu iria mudar.
Sei que mudaria. Cedo ou tarde eu iria desistir.
Pode imaginar uma vida assim?
Sabe o que Wanda queria que fiz�ssemos?
Assim que pud�ssemos, �amos comprar um ponto novo.
- Aonde vamos? Est� bom aqui. - Vamos dar uma volta.
Nem lembro como comecei. Eu era t�o jovem.
- E as malas? - Pegamos depois.
Devia ter me visto quando eu tinha 15 anos.
Tinha cabelos escuros bem longos.
Mam�e se contentava com o que eu levava.
- Aonde vamos agora? - Vamos andar por a�.
Como se chama essa can��o?
N�o vai me beijar?
Vamos.
Conhe�o um atalho.
Onde est� voc�?
Voc�, hein! Que menino mau.
Colhi umas flores pra voc�.
Que cheiro!
Nunca tinha visto flores assim.
Vamos embora!
Estou indo!
Cheire. Que flores s�o essas?
O que houve? Est� triste?
- Eu? N�o, por qu�? - Parou de cantar.
Espere.
Vamos escrever nossos nomes na �rvore.
Vamos ver o p�r-do-sol.
P�r-do-sol, �? Aonde quer ir?
Aonde? P�r-do-sol, hein?
Que luz estranha!
� lindo!
Ainda existe justi�a neste mundo.
Voc� sofre...
passa por tantas coisas...
mas a felicidade finalmente chega para todos.
Voc� � o meu anjo.
Suas m�os est�o geladas! Est� com frio?
Mudou de id�ia?
Lindo, n�o?
E como � fundo.
Gostaria de alugar um barco.
- H� barcos l�? - Sabe nadar?
J� quase me afoguei, mas me salvaram.
Fui empurrada, pode imaginar?
Mas o que foi?
O que foi?
N�o quer me matar, n�o �?
Responda.
Vai me matar?
Quer me matar!
N�o fique a� parado!
Fale!
N�o fique assim! Fale!
� o dinheiro, n�o?
� isso! � o dinheiro!
Me mate! Me mate! Me jogue daqui!
N�o quero mais viver!
N�o quero mais viver! Me mate!
Me empurre daqui! N�o quero mais viver!
V� em frente! V� em frente!
- Quer ficar quieta? - Vamos! Me mate!
N�o vou machucar voc�! Pare! N�o quero machucar voc�!
N�o quero mais viver! N�o quero mais viver!
Me mate!
N�o quero mais viver! Me mate! Me mate!
R�pido, Maur�cio! J� estamos indo!
Boa noite!
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