All language subtitles for Foxtrot.2017

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Original subtitles

OS FELDMAN

Sra. Feldman?

Sr. Feldman.

Sinto muito. N�o � f�cil dizer isso.

Seu filho Jonathan foi morto no cumprimento do dever.

FOXTROTE

Deixarei uns comprimidos.

Tome caso sinta press�o, falta de ar,

zumbido no ouvido ou dores de cabe�a fortes.

N�o espero que coma, mas voc� deve beber.

� importante beber muita �gua.

Este telefone � seu?

Voc� ser� notificado do hor�rio do funeral mais tarde.

N�o � necess�rio cuidar de nada.

O agente funer�rio vir� esta tarde

e informar� os procedimentos.

Aqui, Sr. Feldman. Beba.

Beba um pouco.

Quer que ajudemos a avisar algu�m?

Um irm�o, irm� ou amigo?

Talvez chamar algu�m para ajudar?

Ajustei seu celular para tocar a cada hora.

Ele vai ajud�-lo a beber.

Agora, tente beber toda a �gua.

Sr. Feldman.

Devagar.

Devagar.

Assim.

Mais um pouco.

Tenha calma.

Respire fundo.

Agora s�o 8h. O celular vai tocar �s 9h.

�s 10h, e assim por diante. Beba um copo de �gua a cada hora.

N�o se esque�a.

Sr. Feldman, aqui tem um n�mero de telefone.

Para qualquer problema que aparecer, qualquer d�vida.

Ou se s� quiser conversar com algu�m.

N�o hesite em ligar.

A linha fica aberta ininterruptamente.

Sua esposa vai dormir de quatro a cinco horas.

Algu�m vai examin�-la quando ela acordar.

E n�o se esque�a de beber �gua.

Mesmo que n�o sinta sede.

� isso, Sr. Feldman. N�s j� vamos embora.

Tem certeza que n�o quer nossa ajuda

para informar sua fam�lia?

Seu irm�o, talvez? Algu�m da fam�lia de sua esposa?

Algu�m do trabalho?

Se mudar de ideia, ligue para o telefone que lhe dei.

Eles ajudar�o a avisar as pessoas.

Nossos p�sames, Sr. Feldman.

Michael.

Michael.

Oi, aqui � Alma. N�o posso atender agora.

Mande mensagem e retornarei assim que poss�vel. Tchau.

Temos de avisar as pessoas.

N�o quero ningu�m aqui, agora.

BEBER UM COPO DE �GUA

Vou avisar mam�e. Comece a ligar.

N�o quero ningu�m aqui quando voltar.

Qual �! Deixe mam�e fora disso.

Preciso de ar, Avigdor. N�o consigo respirar.

Frente, frente, direita e pare.

Atr�s, atr�s, esquerda e pare.

Michael Feldman.

Ponha a camisa para dentro.

Mam�e, aconteceu algo terr�vel.

Vim contar que Jonathan foi morto.

Lembra de Jonathan?

Claro que lembro.

Quem � Jonathan?

Seu filho, o soldado.

Ent�o entendeu o que falei?

Claro que entendi.

BEBER UM COPO DE �GUA

O que entendeu?

Que Jonathan foi morto.

Avigdor.

Avigdor.

Sr. Feldman.

Segundo-Tenente Israel Schwartz do Rabinato Militar.

Meus p�sames.

Vou cuidar dos preparativos do funeral.

Temos de coordenar detalhes,

e instru�-lo.

Em particular, por favor.

Espere por mim no escrit�rio.

"Com profundo pesar", sim.

"Anunciamos a morte de nosso querido filho,

Jonathan Feldman. Que ele descanse em paz.

Abatido..." O qu�?

N�o. N�o sou o pai dele, sou o tio.

Em vez de "abatido", quem sabe "bravo"?

"Prematuramente" ou "no vigor da vida"?

Para um soldado � apenas "abatido"?

N�o, ent�o tudo bem.

"Abatido no cumprimento do dever", se for costumeiro.

O funeral acontecer�...

Oi, aqui � Alma. N�o posso atender agora...

Chega!

Antes de come�armos, confirme alguns detalhes.

O falecido tem nome do meio?

N�o, apenas Jonathan Feldman.

Sargento de Equipe Jonathan...

Ele � cabo, n�o sargento.

Ele foi promovido depois de morto.

Um privil�gio para soldados israelenses abatidos.

Jonathan Feldman, filho de Michael e Daphna?

Ent�o ele deveria ser sargento, n�o sargento de equipe.

Talvez ele receba uma homenagem especial.

O funeral ser� amanh� �s 15h.

O carro de comando com o caix�o chegar� �s 13h.

Sabe que os soldados s�o enterrados em caix�es.

�s 13h20, o �nibus chegar�,

e �s 13h30 seguiremos ao cemit�rio.

Vou liderar o comboio em meu jipe.

�s 14h, estaremos no cemit�rio.

O caix�o, envolto na bandeira nacional,

ficar� no sal�o principal por 40 minutos.

�s 14h45, daremos in�cio � cerim�nia f�nebre,

e o rabino rasgar� sua camisa.

Um pequeno rasgo no cora��o. Como est� escrito:

"Jac� rasgou suas vestes e lamentou seu filho Jos�

quando o confundiram como morto." G�nesis 37:34.

Depois, voc� vai recitar seu 1� Kaddish do Enlutado.

�s 15h, a prociss�o do funeral viajar� at� o ex�rcito.

Voc� poderia ajudar a carregar o caix�o,

mas eu n�o aconselharia.

� melhor consolar sua esposa.

No t�mulo, iniciaremos a cerim�nia

para o enterro do caix�o.

Esse � um momento dif�cil, principalmente para a m�e.

Para voc�s, tamb�m, � claro. Mas afinal, somos homens.

Iniciaremos a cerim�nia com uma salva de tr�s tiros.

Depois recitaremos "Que descanse em paz",

jogamos terra no caix�o,

e faremos a Ora��o ao Justo Juiz.

Voc� recitar� o 2� Kaddish do Enlutado.

E os discursos f�nebres.

Esse � o momento de fazer algo especial, se desejar.

Como ler um poema ou contar uma hist�ria sobre ele.

Falar sobre a personalidade dele.

Talvez at� algo divertido.

Sabe, um sorriso pode ajud�-lo a enfrentar...

e continuar.

E ent�o, colocamos as coroas.

Dois soldados colocar�o quatro coroas.

Quero v�-lo.

Quem?

Jonathan.

- Meu filho. - Sr. Feldman, � desnecess�rio.

Como assim?

Um pai quer ver o filho antes do enterro. Como � desnecess�rio?

N�o est� em minhas m�os.

Nas de quem, ent�o?

Sr. Feldman,

h� muitos meios de dizer adeus. O senhor pode ler algo.

Talvez algo que ele escreveu...

Pode tocar uma m�sica que ele gostava.

Temos um �timo sistema de som.

Ou os amigos podem cantar. Sabe, sempre h�...

um amigo que toca viol�o.

Voc�s t�m um corpo?

O qu�?

Sobrou algo dele?

Ele estar� no caix�o ou s� tijolos,

para eu achar que carrego algo?

COM GRANDE DOR E PROFUNDO PESAR,

ANUNCIAMOS O FALECIMENTO DE NOSSO FILHO

JONATHAN FELDMAN. DESCANSE EM PAZ.

Voc� est� bem?

Acho que n�o tem um corpo.

Ele disse isso?

N�o me deixar�o ver o corpo.

Para que n�o sofra mais.

N�o fique obcecado com isso, Michael.

Somos ateus. De que isso importa?

E mam�e? Ela tomou algo?

Ela entende tudo e nada.

As pessoas querem vir e demonstrar apoio.

E o que dir�o?

"Nossos p�sames"?

V�o me dizer que ele era especial?

Dir�o: "Veja o quanto Michael � forte, mantendo-se firme?"

N�o insista em fazer isso sozinho.

Esse n�o � um projeto seu.

Por que ela me chama de Avigdor?

Al�?

Quando � o anivers�rio hebraico de Jonathan?

Onde est� a identifica��o dele?

13 DE ABRIL DE 1995

Oi, aqui � Jonathan.

Estou no fim do mundo e n�o h� sinal.

Deixe sua mensagem. Algum dia eu retornarei.

Oi, aqui � Jonathan.

Estou no fim do mundo e n�o h� sinal.

Deixe sua mensagem. Algum dia eu retornarei.

Daphna!

Daphna.

Daphna, acorde.

Sou eu.

Daphna. Acorde, Daphna!

Sr. Feldman.

Houve um engano terr�vel.

O soldado morto se chama Jonathan Feldman,

mas n�o � seu filho.

� outro Jonathan Feldman.

Seu filho est� vivo.

S�o e salvo.

Alma?

Oi, pai. O senhor ligou?

Pai?

Pode me ouvir?

Est� tudo bem, pai?

Levanta ele. Com cuidado.

- Onde est� Jonathan? - Jonathan est� bem.

Vamos. Senta ele.

Devagar.

Daphna, acorde!

Jonathan est� vivo. Outra pessoa morreu.

Jonathan est� vivo, Sr. Feldman.

- Onde ele est�? - Com a unidade dele.

- Quero v�-lo. - Amanh�...

Quero ele em casa agora!

- Sr. Feldman. - N�o toque em mim!

O que deu em voc�, Michael? Se acalme.

Vou me acalmar quando vir meu filho.

Me fizeram acreditar que ele estava morto

- e que n�o havia corpo. - Quem disse isso?

De que importa agora? Ele est� vivo! Acabou.

Como pode ter certeza? Porque disseram isso?

Primeiro ele est� morto, depois est� vivo. Quem s�o eles?

N�o sabem onde ele est�!

- Ele est� com a unidade. - Perguntei onde ele est�!

Est� sofrendo uma crise de ansiedade.

Preste aten��o!

Voc�s erraram!

A administra��o errou, n�o fomos n�s, pessoalmente.

Ele est� na Zona de Costura vigiando a rota de abastecimento.

Nada relacionado a combate, apenas uma barreira isolada.

Aqui, Sr. Feldman. Beba �gua.

Est� tudo bem, Michael.

Beba algo. Se acalme.

Pare de dizer isso!

Estou mais calmo que voc�.

Michael?

N�o � Jonathan. � outra pessoa.

Eles se enganaram. � outra pessoa.

� isso. Acabou.

� isso.

Oi.

Chega.

Chega.

Ele est� vivo.

N�o � ele.

N�o � ele. � outra pessoa.

� outra pessoa.

Seu filho est� bem, Sr. Feldman.

N�o precisa mais se preocupar.

Onde disse que ele estava?

Est� em uma barreira,

vigiando uma rota de abastecimento.

Onde exatamente fica isso?

Perto da fronteira, no setor norte...

Localiza��o.

Me d� uma localiza��o.

N�o sou oficial de campo, Sr. Feldman.

N�o posso dar uma localiza��o exata.

Mas cuidarei para que seu filho

volte para casa assim que poss�vel.

Ainda n�o fez isso?

Ele estar� em casa assim que conseguirmos...

Em quanto tempo?

Sua Zona de Costura e toda essa bobagem militar

n�o pode estar t�o longe assim.

Ele n�o pode parar tudo...

Est� do lado dele ou do meu?

Do seu. Eu s�...

Pare de encostar em mim! Por que est� fazendo isso?

Michael, voc� est� certo.

Sr. Feldman, � crise de ansiedade.

- Mas ele est� certo! - Fique fora disso.

- Vou lhe dar um comprimido. - Assim como drogou minha esposa?

Voc� ainda est� sob influ�ncia, por isso est� euf�rica.

Me ou�a, j� chega!

Me ou�a.

Sei que passou por coisas que n�o me contou. Sei disso.

S�o seus dem�nios falando.

N�o voc�.

Por que fala comigo assim? Est� com eles tamb�m?

Ou�a, o que importa � que Jonathan est� vivo.

O resto n�o importa.

Ele est� vivo!

Vivo.

Pare com isso.

Por favor, pelo meu bem. S� desta vez.

Por favor. Por mim.

Vamos nos despedir deles.

Est� bem? S� voc� e eu.

Vamos pedir comida, encher a cara.

Voc� est� drogada, Daphna.

Esta n�o � voc�. Acordaram voc� cedo demais.

Exijo que traga meu filho de volta!

Amanh�, n�o. Mas imediatamente!

� o m�nimo que deveriam fazer.

Minha ansiedade n�o me torna incoerente.

Meu filho ficou morto por 5 horas.

Mas est� vivo e n�o me dizem onde est�.

O que h� de irracional em meu pedido?

Digam, o que h� de irracional?

Est�o me fazendo perder tempo.

Saiam.

Por favor.

Ele est� em um estado psic�tico.

Fique de olho nele.

Lamento sua atitude. N�o vou julg�-lo nesse estado.

"Estado psic�tico", uma ova!

Bando de impotentes!

Fracassados. Insignificantes.

O que houve, pai? Voc� n�o atendeu.

Vi soldados. Jonathan est� bem?

Est� tudo �timo, Alma.

Vou trazer Jonathan para casa. Agora.

Est� tudo bem.

- O que est� fazendo? - Espere.

- N�o fa�a isso. - Daphna!

- M�e! - Pare com isso.

Erez? Erez, � Michael.

Preciso de um favor. � urgente.

Me d� isso!

Pare com isso, agora!

O que deu em voc�?

Voc� disse que tem um amigo no ex�rcito.

Um general. Um tal de Eitan?

Algu�m que pode resolver qualquer coisa com um telefonema?

Esta manh� fui informado que...

Sabia que foxtrote � uma dan�a?

Os passos de foxtrote s�o bem f�ceis.

Observe.

Para frente, para frente, para o lado e pare.

Atr�s, Atr�s, lado e pare.

SOBRENOME

Quer outro cigarro, querida?

Seus olhos est�o cheios de amor de cachorrinho.

Mas estou fazendo m�sica... para meu cora��o.

LIBERADO

Quando o amor se perde

e a chama desaparece...

voc� anda na noite solit�ria.

Quando os sonhos envelhecem

e a emo��o esfria...

voc� anda na noite solit�ria.

Sim, voc� anda na alameda

e voc� procura pela alameda onde compartilha

um antigo caso de amor.

E voc� reza para encontrar os pequenos sonhos

deixados para tr�s.

Mas a alameda sumiu

e as �rvores est�o peladas.

Voc� n�o pode deixar de chorar

com o passar das horas.

Porque voc� sabe que n�o pode consertar.

Pois quando o amor acaba,

n�o resta nada,

nada para fazer...

a n�o ser andar na noite solit�ria.

O cont�iner parece mais inclinado do que ontem.

CARNE ENLATADA

Oito segundos.

Se demorar menos tempo amanh�, ent�o o cont�iner est� mudando.

UMA �LTIMA HIST�RIA PARA A HORA DE DORMIR

Uma noite antes de me alistar, meu pai me contou uma hist�ria.

Ele disse que eu n�o era mais crian�a,

e me contou uma �ltima hist�ria.

Ele me contou sobre minha av�.

Ela era jovem quando nazistas mataram seu pai

em Auschwitz durante o Holocausto.

Pouco antes de o matarem,

ele deu a ela uma antiga B�blia Hebraica

que est� em nossa fam�lia h� dez gera��es.

Ele disse para dar ao filho dela quando ele se tornasse soldado,

e para "nunca, jamais...

vend�-la."

As �ltimas palavras dele.

Trinta anos depois, meu pai tinha 13 anos,

e a B�blia que sobreviveu ao Holocausto com minha av�

estava em uma prateleira em um arm�rio de porcelana alem�

com o perfume e as joias dela.

Meu pai sabia tudo sobre a B�blia,

que era antiga, sagrada e rara,

que tinha sido do pai dela,

nosso objeto de fam�lia mais precioso,

e que nunca, jamais, dever�amos vender.

"Quando voc� se tornar soldado...",

ela dizia, "...darei a voc�."

"E voc� a dar� ao seu filho quando ele for soldado."

Que sou eu.

Um dia, ao voltar da escola, meu pai notou uma loja nova.

Ela vendia livros e revistas usados do mundo todo.

Havia poucas lojas assim, ent�o meu pai entrou.

Pelo canto do olho, ele viu uma revista...

com a foto de uma "pin up".

A "pin up" de janeiro...

com X nos mamilos, e ele ficou impressionado.

Ele nunca tinha visto nada igual e nem sabia que aquilo existia.

Ela sorriu para ele.

Fascinado, ele estendeu a m�o para abri-la na dobra central.

E l� estava ela, em p�gina dupla.

E tem mais, sem os X sobre os mamilos.

Ele a observou por um segundo at� o dono da loja entrar.

"Ei, garoto, sem olhar. S�o 75 liras!"

"Compre ou saia."

Naquela �poca, 75 liras era uma fortuna para um garoto.

Ele mal tinha cinco liras, ent�o ele saiu.

Mas ela o assombrava.

Ele n�o conseguia comer, beber, nem pensar em mais nada.

Ele se masturbou o dia todo como um drogado

fantasiando com a revista.

Miss Janeiro 1970, que ele viu por um segundo em Tel Aviv.

Na manh� seguinte, ele esperou a m�e sair de casa.

Ficou diante do arm�rio de porcelana alem�

e pegou a B�blia Hebraica.

Ele sabia que estava fazendo algo terr�vel,

mas n�o conseguiu evitar.

Ele se sentia arrastado como um zumbi

para aquela loja na Rua Allenby.

Ele se viu entregando a B�blia

e se ouviu pedindo para troc�-la pela revista.

E t�o r�pido quanto, ele se apaixonou pela "pin up".

O dono disse: "Pegue sua revista e suma."

Ele pegou a revista e a compartilhou com os amigos.

Claro que nesse dia, ele foi o rei da escola.

Mas quando voltou, as p�ginas estavam grudadas.

N�o tinha como arrumar.

Agora, ou�a essa.

Meu pai me deu a mesma revista de 1970,

uma original que ele encomendou pela Internet, e disse:

"Filho, d� para seu filho quando ele se tornar soldado."

"E nunca, jamais...

esguiche nas p�ginas ao se masturbar."

Acho que ele estava chapado.

Meus pais... fumam maconha de vez em quando.

O que sua av� fez quando descobriu?

Eu nunca perguntei.

Por que n�o?

Foi a �ltima hist�ria que meu pai contou.

Eu n�o queria estragar.

Se � assim que ele quer que a hist�ria termine...

ent�o � assim que vai terminar.

Sete segundos.

Um segundo a menos que ontem.

Estamos afundando.

Contra o que estamos lutando aqui?

Qual � o prop�sito?

N�o notei voc� lutar, Amikam.

� uma guerra psicol�gica, senhor.

Lutando contra o desconhecido.

E quem � esse "desconhecido" que est� combatendo?

Se eu soubesse quem �, senhor,

eu n�o chamaria de desconhecido.

Eles est�o em toda parte.

At� aqui, agora.

Nos observando.

Nos seguindo.

Voc� e eu, por exemplo.

Estamos sendo filmados.

Isso mesmo.

Voc� me ouviu.

Eles est�o nos filmando.

E nos gravando.

Se ainda n�o sabe disso, � melhor acordar.

Porque tudo o que v� aqui...

a lama, a barreira na estrada...

Tudo � uma ilus�o.

Voc�, tamb�m, � uma ilus�o.

Voc� n�o poderia ser uma loira gostosa...

como Pamela Anderson?

Ou Jessica Rabbit?

Aposto que Roger tinha uma ferramenta e tanto.

Por que mais uma gata como ela escolheria um coelho?

Jonathan, acorde! Jonathan!

Motorista, saia devagar.

Agora, a mulher.

Saiam do carro.

Ajude ela.

Esvazie a bolsa.

LIBERADO

Vamos acabar afundando completamente.

Vai acontecer de repente.

N�o terei nem chance de dizer: "Eu avisei."

Ent�o, vou dizer agora.

LIBERADO

O vestido dela prendeu na porta.

Granada!

Foxtrote para Corn�lia: fechamos a rota do setor.

A estrada est� est�ril.

Repito: a estrada est� est�ril. C�mbio.

Corn�lia para Foxtrote: o rinoceronte entra na po�a.

Confirme.

O rinoceronte entra na po�a. Foxtrote falando.

Repito: o rinoceronte entra na po�a.

A meu ver, voc� seguiu ordens.

Guerra � guerra.

Estamos em guerra, que n�o haja d�vidas.

Na guerra, merdas acontecem.

O que aconteceu, aconteceu.

N�o quero cavar muito. Se cavasse, todos voc�s pagariam.

Ao meu ver...

o caso se encerrou antes mesmo de aberto.

Se algu�m tem algo contra, que fale agora.

Oi, Eitan. E a�?

Entendo.

Quem � Jonathan Feldman?

Entre no caminh�o de abastecimento.

Sabe por que, de repente, decidiram me mandar para casa?

Sou s� o motorista, irm�o.

UMA �LTIMA HIST�RIA PARA A HORA DE DORMIR

Michael fez uma coisa terr�vel.

Ele provocou um colapso nervoso � m�e.

Ela estava comprometida.

Apesar da apar�ncia diferente de Michael,

ele era popular entre os colegas.

Ele se tornou oficial de combate.

Era um aluno que s� tirava nota A.

Ele impressionou uma aluna de filosofia.

E se apaixonou.

FIM

Eles se casaram.

Michael se tornou um arquiteto bem-sucedido.

Constituiu fam�lia.

No espelho, via um homem charmoso.

Via um homem forte.

E teve uma ere��o.

Pensou que ningu�m pudesse ver seu X.

S� tarde da noite, quando ele estava dormindo,

o pequeno Michael aparecia

para ajud�-lo a derramar uma l�grima.

Achou o que queria?

N�o.

Pedi para que n�o viesse aqui sem ligar antes.

Pode ir embora agora?

Achei que talvez hoje...

Eu n�o quero v�-lo, n�o hoje.

Eu imploro, v� embora. Por favor.

Pegue o notebook, o que quiser. Mas v� embora.

O qu�?

Estou indo embora, Daphna.

Sinto muito.

Me diga que voc� concorda.

Achei que hoje...

Sabe, far�amos alguma coisa...

juntos.

Lamento ter jogado fora as coisas do quarto de Jonathan.

N�o pude suportar como tudo perdeu o cheiro de meu filho.

Voc� voltou a fumar?

O qu�? N�o.

U�SQUE

Bem, ent�o me d� um cigarro.

Meu apartamento favorito era a cobertura alugada na praia.

Se podia sentir o sal no ar.

Lembro de pensar que eu seria feliz.

Que aquilo era o in�cio.

Depois, descobri que estava gr�vida.

Eu n�o queria.

N�o queria.

�s vezes, me arrependo de n�o ter abortado.

A alegria de ter um filho � algo que voc� toma por certo.

Voc� n�o est� sempre feliz com isso.

Mas a dor de n�o o ter nunca desaparece.

� insuport�vel.

Malditos pensamentos!

Amei ele mais do que a Alma.

� horr�vel dizer isso.

Vivo assombrada por pensamentos terr�veis.

Psiquiatras me criticariam, certo?

Por que ele n�o estava morto quando nos contaram?

Normal e legitimamente.

Por que tinha de ser uma puni��o? Ou at� uma vingan�a?

Deus est� se aproximando de n�s.

De voc�, digo.

Lamento. N�o queria tirar seu cr�dito.

Foi voc� que insistiu em traz�-lo para casa.

Saber que n�o pretendia matar seu filho n�o ajuda.

N�o me torna apta a dormir com voc�...

a morar com voc�.

Eu poderia viver com suas feridas,

fingir n�o ver, para n�o constrang�-lo.

Confiei em voc� para que se sentisse forte

e n�o visse que eu sabia.

Que voc� � fraco, que tem um segredo.

Que tem vergonha de si mesmo.

Que sua vida toda:

seu escrit�rio, n�s, o carro chique,

e a impress�o de "conte comigo" que tenta exibir...

est� l� s� para esconder seu segredo, sua fraqueza.

Voc� � fraco, Michael.

Eu vejo isso. A Alma tamb�m.

Jonathan tamb�m enxergou.

E Max?

Max sente entre as costelas.

Ele est� com hemorragia de seus chutes. Sabia disso?

Achei isto entre as coisas dele.

Se lembra de como enrolar?

Rasguei esse desenho do caderno dele.

Foi o �ltimo.

Voc� � a escavadeira e eu sou o carro.

Voc� � um profissional.

Algumas coisas nunca se esquecem.

Como o cheiro do mar na cobertura.

Como o anivers�rio de meu filho.

Acho que � o contr�rio.

Voc� � a escavadeira, eu sou o carro.

Lembra o que o rabino disse no funeral?

Um soldado abatido se transforma em anjo.

Isso quer dizer que Jonathan � um anjo...

Um doce anjo que toda fada quer.

Ele deve estar se divertindo, tendo um multiorgasmo espiritual.

Lembrei. Estamos convidados

para cerim�nia no Minist�rio da Defesa.

Gravaram o nome dele numa parede com outros soldados abatidos.

Sim, � assim que os chamam.

Ent�o, quer ouvir?

"Voc� est� convidado para a cerim�nia

em homenagem ao seu filho, o Sargento Jonathan Feldman,

abatido no cumprimento do dever..."

Abatido? N�o � morto nem falecido.

Deus me livre!

Ele foi abatido. N�o tem nem um arranh�o!

No programa:

um discurso do Minist�rio da Defesa,

um momento de sil�ncio,

a revela��o,

o hino nacional... N�o vamos nos esquecer disso!

Depois, claro, teremos caf� e bolo.

Eles servem lanches!

Espere. Calma.

M�e, estou com pressa. Pode me fazer um sandu�che?

N�o. Sandu�che agora?

A mensagem diz: "Em Nanuchka. Voc� vem?"

Eu ligo para voc�.

Oi.

Oi, Alma.

Oi, pai.

Voc�s voltaram a fumar.

N�o seja tola.

- Claro que n�o. - De jeito nenhum.

N�o.

Voc�s fumaram maconha.

- Claro que n�o! - Maconha?

Fumaram e agora est�o com fome.

Quer bolo?

Venha c�.

O qu�?

Gostoso?

Ent�o... preciso ir.

Voc�s ficam bonitos quando est�o juntos.

Tchau.

Tchau.

Quando a guerra acabou, voltamos para casa em um comboio.

Uma estrada longa e estreita. Liderei como comandante.

De repente, parei e assinalei

para que o cara atr�s fosse para frente

e liderasse no meu lugar.

Ainda n�o sei porque fiz isso, mas segundos depois,

ele passou por cima de uma mina e explodiu.

Todos gritavam das chamas.

Eu congelei, sem coragem para me aproximar.

Eles gritaram por uns instantes. Eu s� queria que eles morressem.

Eu n�o suportava os gritos.

Eles acabaram morrendo.

Esse pensamento me assombra, Daphna.

Durmo e acordo com esse pensamento.

Por qu�? Por que o mandei morrer em meu lugar?

E ent�o, voc� engravidou.

Eu n�o podia deixar que voc� desistisse de Jonathan.

Foi um sinal para mim.

Assim como Deus me perdoou,

� como se meu pesadelo tivesse acabado.

A �ltima vez que vi Jonathan foi quando eu o deixei na rodovi�ria.

Ele pediu para dirigir e eu deixei.

Em vez de apreciar a dire��o de meu filho, eu respondi e-mails.

Eu n�o tinha como entender...

a alegria

daqueles momentos entre nossa casa e a rodovi�ria.

Sabe...

h� uma dan�a...

que � assim.

Frente, frente...

direita e pare.

Atr�s, atr�s...

esquerda e pare.

Frente, frente,

direita e pare.

Atr�s, atr�s,

esquerda e pare.

Viu?

N�o importa aonde v�...

voc� sempre acaba no mesmo ponto de partida.

Assim.

� simples.

Atr�s, atr�s, esquerda e pare.

Frente, frente, direita e pare.

Legenda: Ju�ara Caldarone

Subrip e Sincronia: Pix

Ajustes e Revis�o final: NoriegaRJ

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