All language subtitles for Wild Congo 1-01 River Of Monsters.pt

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Original subtitles

O rio Congo. Uma corrente que atravessa �frica.

O rio mais profundo do mundo,

onde habitam animais desconhecidos e indomados.

CONGO SELVAGEM RIO DE MONSTROS

O rio nasce aqui.

Faz bolhinhas como um beb�.

Trata-se do rio Congo.

Atravessando quase 5000 km da �frica Central,

torna-se cada vez mais forte, temperamental e feroz.

S� o rio Amazonas cont�m mais �gua.

Mas o Congo � o rio mais profundo do mundo.

Os habitantes locais chamam-lhe Chambeshi.

Tem muitos nomes e assume muitas identidades diferentes.

Influencia in�meras vidas.

Cada m�s de novembro,

� aqui que tem lugar a festa mais animada da �frica Central.

A maior migra��o do mundo de mam�feros come�a lentamente.

Estes morcegos-frug�voros cor de palha v�m de toda a �frica Central

e re�nem-se na mesma �rea.

Grupos de centenas de morcegos

transformam-se em centenas de milhares,

podendo, depois, chegar at� aos dez milh�es.

Estes morcegos t�o invulgares deixam at� de alimentar-se

na sua pressa para chegar aqui,

a este lugar chamado Kasanka.

Como numa orgia romana, v�m aqui alimentar-se e acasalar.

Apertam-se uns contra os outros para estarem protegidos e quentes,

formando uma das maiores col�nias de morcegos-frug�voros do mundo.

Os milh�es de morcegos, pegados uns aos outros,

ocupam uma �rea equivalente a 60 campos de futebol.

E o sil�ncio volta a Kasanka.

Quando amanhece, este morcego limpa os dentes e adormece.

E, quando anoitece, come�a a festa.

Os animais, famintos, alimentam-se de todos os frutos que encontram.

Todas as noites, estes morcegos, que pesam cerca de 200 gramas,

alimentam-se do dobro do seu peso em fruta,

consumindo, entre todos, cerca de 6000 toneladas.

Com os est�magos cheios desta esp�cie de ameixa,

n�speras e jambol�es,

os morcegos adicionam cerca de dez toneladas a cada �rvore onde pousam.

Num espa�o de dez semanas, deixam a �rea sem frutos.

E acabou-se a festa.

Os morcegos partem,

espalhando sementes na sua migra��o.

Tudo regressa � normalidade pouco antes do Natal.

Mas n�o h� nada de "normal" no rio Congo,

cujo curso come�a na Z�mbia, no sul da �frica Central.

Aqui, a norte de Kasanka,

o Congo � alimentado por Bangweulu, um dos maiores p�ntanos do mundo.

Os p�ntanos de Bangweulu cobrem uma �rea do tamanho do Connecticut.

S�o alimentados por 17 rios, mas alimentam apenas um.

Em Kadende, a l�ngua dos habitantes locais,

Bangweulu significa "onde a �gua se encontra com o c�u".

Os animais prosperam aqui.

Tal como o Bangweulu alimenta o Congo,

os peixes que aqui habitam alimentam cerca de 50 mil zambianos.

Os habitantes locais constroem acampamentos de pesca nos p�ntanos

onde se pode chegar apenas com as suas longas pirogas.

Os papiros formam densos arbustos

e criam uma pequena selva com quase cinco metros de altura.

Nesta "selva", o maior predador n�o � o le�o,

mas sim uma ave gigante.

Da ave bico-de-tamanco.

Medem 1,2 metros de altura

e, se os seus bicos fossem mesmo uns tamancos,

seriam de algu�m que cal�a o n�mero 35,5.

Mas s�o animais muito silenciosos.

Podem estar de p� durante horas � espera de uma presa,

im�veis como g�rgulas.

Junto ao solo, na floresta de papiros,

os tecel�es fazem os seus ninhos junto � �gua.

As exigentes crias reivindicam a sua independ�ncia

e rejeitam esta minhoca.

Uns metros acima, mesmo no alto dos papiros,

outros tecel�es est�o a come�ar a acasalar.

Os machos constroem os ninhos para atrair as f�meas

que, se gostam do ninho, instalam-se e fazem algumas altera��es.

Mas qualquer movimento faz balan�ar os ninhos,

at� que ocorre alguma trag�dia,

fazendo cair uma cria do ninho.

A cria de tecel�o, demasiado pequena para saber voar,

acaba por ser o almo�o da ave bico-de-tamanco.

Infelizmente para os tecel�es,

as aves bico-de-tamanco de Bangweulu est�o sempre a vigi�-los.

Sob a superf�cie do p�ntano,

as ra�zes dos papiros parecem viajar no tempo

e entram no territ�rio de um animal

que se instalou nesta regi�o h� quase 400 milh�es de anos,

muito antes da era dos dinossauros.

Como os papiros,

os dipnoicos africanos vivem em dois habitats.

Estes peixes t�m br�nquias,

mas precisam de respirar de 30 em 30 minutos ou morrem afogados.

Ao contr�rio da maioria dos peixes, possuem um pulm�o primitivo.

E, o que � extraordin�rio, � que podem fazer algo incr�vel.

Quando chega a �poca das secas e s� h� �gua em pequenas po�as,

que, por sua vez, se transformam em lama...

... os dipnoicos africanos acham-se numa situa��o complicada.

Mas n�o faz mal.

O segredo da longevidade destes animais come�a num buraco na lama.

A cerca de 25 cent�metros da superf�cie,

o peixe vomita uma mucosidade.

Esta solidifica e forma um abrigo em forma de casulo

que n�o deixa sair a humidade, mas permite a entrada do ar.

O dipnoico entra em estiva��o.

Enquanto a maioria dos animais queima gordura para obter energia,

o dipnoico digere uns m�sculos que possui na cauda.

Pode sobreviver durante v�rios meses, at� mudar a esta��o...

... e chegar a salva��o com as primeiras chuvas.

Uns quantos dias de chuva mudam tudo,

voltando a alagar os p�ntanos de Bangweulu.

Quando o solo come�a a amolecer,

os dipnoicos aparecem de todos os lados como zombies.

Se fosse preciso, podiam ter estado assim mais de dois anos.

Voltam ao mundo exterior com a ajuda das suas barbatanas modificadas.

E entram na �gua.

Depois, voltam � superf�cie para respirar ar fresco.

Mas, se calhar, este dipnoico devia ter estado quieto.

O dipnoico esperou meses para voltar a respirar,

mas acordou num mundo cheio de perigos que j� conhecia.

Tendo-se adaptado a viver dentro e fora de �gua,

o dipnoico sabe como sobreviver.

Mas a ave bico-de-tamanco tamb�m.

Mesmo junto � nascente do rio Congo,

os p�ntanos de Bangweulu roubam-lhe 90 por cento da sua �gua,

fazendo com que fique em segundo lugar comparado com o Amazonas.

A maioria da �gua que entra no p�ntano evapora-se

ou � absorvida pelas plantas.

Os dez por cento restantes saem dos p�ntanos aqui,

como um �nico rio, o Luapula.

O rio Congo avan�a em ziguezague como um adolescente curioso

por toda a �frica, em busca da sua identidade.

Entra na Rep�blica Democr�tica do Congo,

um pa�s inacess�vel para a maioria das pessoas

e perigoso para muitas outras.

Aqui, o rio come�a a mais de 9000 metros de altitude.

Serpenteia por entre as ac�cias do bosque africano,

criando um excelente habitat para animais como este.

Trata-se de um pit�o-africano,

a maior serpente do continente e uma das maiores do mundo.

Durante os seus 20 anos de vida, o pit�o nunca para de crescer

e pode chegar a ter quase sete metros de comprimento.

N�o possui ganchos venenosos,

mas o seu forte "abra�o" mata qualquer presa.

Pode at� aproximar-se e asfixiar um macaco adulto adormecido.

Mas hoje o pit�o n�o teve sorte.

Se for preciso, permanecer� im�vel nesta �rvore durante horas.

Mas, neste momento, seria melhor estar no solo,

onde umas pintadas procuram algo com que se alimentar.

Este pequeno grupo familiar procura sementes, minhocas e insetos.

Mas tamb�m est�o atentas a qualquer perigo,

preparadas para lan�ar o aviso � m�nima amea�a.

Uma delas seria uma boa presa para o pit�o,

mas o predador e as presas n�o parecem dar uns pelos outros.

Dois dias depois, a serpente continua faminta.

Est� a meio da sua muda de pele, com as escamas a secar e a saltar,

e, at� mudar as escamas que lhe cobrem os olhos,

� como se visse o mundo atrav�s de um saco de pl�stico.

O pit�o usa o olfacto para se dirigir para o rio.

N�o h� nada como um banho fresco para acalmar a pele seca.

As pintadas, que nunca se afastam muito da �gua, tamb�m v�o para l�.

� dif�cil n�o dar por elas e a serpente pode estar com sorte.

As pintadas juntam-se umas �s outras e formam um grupo impressionante.

O pit�o deve sentir as vibra��es no solo,

mas a sua vis�o turva impede-o de concentrar-se s� numa presa.

As pintadas n�o est�o indefesas.

Se forem pressionadas, atacar�o a cobra em grupo.

No seu estado atual, o pit�o est� em desvantagem.

O pit�o recua.

Por muito faminto que esteja,

durante a mudan�a de pele, este predador n�o est� a 100 %.

E esse � mais um motivo que o traz at� ao rio para humedecer a pele.

Uma serpente na muda de pele � uma serpente vulner�vel.

Pelo menos, o pit�o tem a l�ngua para detetar odores... por agora.

A dada altura, at� mudar� a l�ngua.

Mas, nessa altura, j� poder� ver bem.

Daqui a alguns dias, j� ter� mudado de pele e voltar� a ca�ar.

E estar� ainda mais faminto.

Viajando pela Rep�blica Democr�tica do Congo,

o rio � conhecido como Lualaba.

A cerca de 2000 km da nascente,

o amplo e tranquilo rio acelera o seu curso,

atravessa o equador...

... e mergulha subitamente desde as alturas.

As Cataratas Boyoma marcam o final do curso indomado do rio.

A partir daqui, a Natureza e o com�rcio partilham as suas �guas.

Do outro lado das Cataratas Boyoma,

o rio indomado torna-se mais "adulto"

e passa a ser naveg�vel e a chamar-se, por fim, Congo.

A cidade de Kisangani, mesmo a jusante das cataratas,

marca o in�cio de uma rota comercial de 1600 km at� Kinshasa, a capital.

Centenas de quil�metros de uma densa floresta acompanham as suas margens.

Mais a norte, a floresta d� lugar � savana

e transforma-se no Parque Natural de Garamba.

A bacia hidrogr�fica que forma o limite norte do parque

alimenta o Congo e outro grande rio, o Nilo.

Garamba, que tem o triplo do tamanho da cidade de Los Angeles,

foi um dos primeiros parques naturais de �frica

e foi criado pela B�lgica em 1938.

Mas as d�cadas de guerra civil e ca�a furtiva

n�o foram gentis para com os seus habitantes.

Esta vasta plan�cie, que atrai enormes quantidades de animais,

�, muitas vezes, assolada por um perigoso inimigo.

Quando um inc�ndio chega a Garamba,

a brisa pode alimentar rapidamente as chamas.

Mas nem tudo s�o m�s not�cias.

O inc�ndio � uma b�n��o para os milhafres,

que se re�nem para ca�ar os insetos que fogem do inc�ndio.

� uma manobra arriscada...

... mas satisfaz o apetite com uns gafanhotos "assados".

Como as chuvas ou as mar�s do rio Garamba,

o fogo faz parte do ritmo de vida da savana.

Durante a atual �poca das secas � poss�vel ver o leito do rio.

Isso significa menos espa�o para os 2000 hipop�tamos que aqui habitam.

Um s� macho domina cada manada.

Mas, quando o n�vel da �gua desce e h� falta de espa�o,

a tens�o aumenta.

E, para piorar a situa��o, este macho est� pronto para acasalar.

A sua idade e o seu tamanho d�o-lhe prioridade de escolha.

Ele seleciona o melhor lugar para impressionar as f�meas

e para garantir o dom�nio do grupo.

Os hipop�tamos passam a maior parte do dia a refrescarem-se na �gua.

Podem boiar e caminhar pelo fundo do rio,

mas n�o sabem nadar.

O macho coloca-se junto � margem,

para poder acasalar sem que a �gua cubra a cabe�a das f�meas.

Quando quer marcar o seu territ�rio,

espalha bem as suas fezes.

E f�-lo no meio da manada.

Quando anoitece,

a manada, faminta, quer sair da �gua para pastar.

Mas o macho teimoso bloqueia-lhes o caminho.

Um macho juvenil avan�a para desafiar a sua autoridade

e retirar direitos ao macho dominante.

Come�a a luta.

O juvenil enfrenta o velho macho.

O macho descontente mant�m-se no seu s�tio.

O advers�rio retrocede.

O velho macho, ap�s provar que continua a ser o macho dominante,

dirige-se, de modo confiante, para terra.

O resto da manada hesita, respeitando o espa�o do macho.

A dada altura, acabar�o por segui-lo.

Os hipop�tamos alimentam-se e voltam para a �gua antes de amanhecer.

Noutras regi�es da Rep�blica Democr�tica do Congo,

os hipop�tamos correm perigo de extin��o,

sendo ca�ados ilegalmente pela carne e pelo marfim dos seus dentes.

Aqui, o isolamento de Garamba protege-os.

O rio Garamba serpenteia atrav�s de centenas de quil�metros de savana

antes de voltar a entrar na floresta e de unir-se ao Congo.

Aqui, o grande rio torna-se mais amplo e tem um caudal mais forte.

� como uma enorme "autoestrada" que se cruza com centenas de tribut�rios

que transportam consigo areia e sedimentos.

Ao longo dos s�culos, o Congo aproveitou isso

para construir uns elaborados "castelos de areia".

O maior deles tem quase o mesmo tamanho que Nova Orle�es.

A enorme ilha de sedimentos parece uma fortaleza.

Pequenos ribeiros conseguem penetrar o seu interior,

mas pagam um pre�o por isso.

Pelo caminho, as plantas roubam quase todos os nutrientes da �gua.

Esta � uma ilha habitada por pequenos animais muito especiais.

N�o tendo acesso �s �guas nutritivas do Congo,

os habitantes deste "deserto nutritivo"

tiveram de desenvolver t�ticas engenhosas para poder alimentar-se.

O peixe-borboleta-africano recebe o seu nome

das barbatanas peitorais em forma de asa de borboleta.

Mas este pequeno peixe s� sobrevive devido � forma do seu corpo.

O seu dorso reto permite-lhe aproximar-se da superf�cie

e ca�ar sem dar nas vistas.

Os seus olhos est�o virados para a frente e para cima,

e n�o para baixo e para os lados, como os da maioria dos peixes.

Isso permite-lhe ocultar-se sob as folhas

observando sempre o que se passa � superf�cie.

As coisas parecem correr bem a este peixe-borboleta.

A bacia do Congo forma a segunda maior floresta tropical do mundo.

Muitas das plantas e dos animais que a habitam

n�o se encontram em mais lado nenhum.

Mas n�o se trata de um para�so perfeito.

Como qualquer outro habitat, � regido pela lei da selva:

matar ou ser morto.

O louva-a-deus-africano, um predador silencioso,

sobrevive ocultando-se por entre a vegeta��o.

O Pachnoda peregrina, cujas cores lembram os t�xis amarelos e pretos,

n�o se apercebe que est� prestes a encontrar um "cliente" letal.

O louva-a-deus perdeu a batalha, mas n�o a guerra.

H� uns meses, deixou uma bolsa com ovos

junto �s margens do ribeiro.

Chegam ao mundo centenas de ninfas acabadas de eclodir,

cada uma com o tamanho de uma formiga.

Muito poucas ninfas chegar�o � idade adulta.

Se houver escassez de alimentos, poder�o devorar-se umas �s outras.

Este � o rio Sangha no ponto onde se une ao Congo.

Mesmo numa regi�o do mundo repleta de esp�cies diferentes,

a floresta tropical do Sangha sobressai,

tendo mais esp�cies de plantas e animais do que os outros habitats.

Al�m de ter plantas variadas que alimentam os gorilas e n�o s�,

as florestas tropicais geram mais de 20 por cento do oxig�nio do planeta.

Numa floresta repleta de herb�voros,

as plantas t�m de saber defender-se.

Lutam uma batalha feroz tendo um mau sabor, sendo venenosas

ou ainda dif�ceis de digerir. �s vezes, isso funciona.

Mas na guerra entre as plantas e os animais,

h� um peso pesado que tem uma arma secreta.

Ao longo do rio Sangha,

a densa e aparentemente intermin�vel floresta abre-se numa clareira.

Trata-se de Dzanga Bai, a "aldeia dos elefantes".

Ao contr�rio da maioria dos elefantes,

estes elefantes da floresta possuem presas quase retas

para n�o ficarem presos por entre a densa vegeta��o.

Mas n�o � este espa�o aberto nem a �gua que os traz at� aqui.

Vieram a Dzanga Bai apenas por um motivo...

... a lama.

Dzanga Bai � como um spa,

com sais e minerais necess�rios � sa�de dos elefantes,

mas que n�o conseguem obter das plantas nem da �gua.

Os minerais da lama servem ainda para neutralizar

alguns compostos c�usticos presentes nas plantas de que se alimentam.

S�o um ant�doto para esses venenos.

Os elefantes brigam para conseguir os melhores lugares.

E n�o s�o s� os adultos que se enfrentam,

os juvenis tamb�m querem os benef�cios da lama.

As progenitoras e as crias tentam manter-se afastadas da confus�o,

sem deixar de obter a sua dose de minerais.

A erva tamb�m cont�m os nutrientes de que necessitam.

Esta pequena cria precisa de ganhar pr�tica.

Os animais que ainda n�o conseguem arrancar a erva,

limitam-se a "aspirar" os minerais presentes no solo.

Aqui n�o faz mal que as "crian�as" comam terra.

E os elefantes n�o s�o os �nicos a alimentar-se aqui.

S�o apenas a maior esp�cie.

H� terra suficiente para todos.

Enquanto o Congo corre ao longo de seu leito de 5000 km,

mudando tudo o que encontra pelo caminho,

pode, por vezes, ser implac�vel,

mas cuida sempre das esp�cies que t�m for�as para sobreviver.

Legendas: Marta Raimundo

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