All language subtitles for Pjaros de verano 64-EA

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Original subtitles

Esta hist�ria foi inspirada por acontecimentos reais que tiveram lugar

na regi�o de Guajira (norte da Col�mbia), entre as d�cadas de 1960 e 1980.

...a fam�lia, a av�, a m�e...

o tio, o sobrinho, o neto...

est�o representados nos dedos das m�os,

de modo a que os Way�u n�o esque�am as suas origens.

- Se existe fam�lia... - Se existe fam�lia...

- Se existe respeito... - Se existe respeito...

- Se existe honra... - Se existe honra...

- Se existe palavra... - Se existe palavra...

- Existe paz. - Existe paz.

Olha para mim, Zaida.

Tu cumpriste o teu ano em confinamento com dignidade e gra�a.

Quando saires, ser�s uma mulher. Tens que estar atenta aos sinais.

Usa-os para proteger a tua fam�lia.

Anda c�, Zaida.

O centro da fam�lia...

A av�...

A m�e...

O sobrinho...

O tio...

? Eu sou o cordeiro, o cordeiro que canta jayeechis.?

? Tenho cantado para dizer adeus � morte e para recordar as guerras do passado.?

? Para trazer os ventos e recontar hist�rias de amor.?

? A minha mem�ria come�ou a apagar-se e com ela?

? Todos os contos e hist�rias que cantei.?

"Antes que as minhas pegadas sejam apagadas, com o meu canto eu quero recordar"

? A hist�ria de amor, desola��o, riqueza e dor?

? daquela fam�lia que se destruiu a si mesma.?

? � a primeira hist�ria de Rapayet, que veio de uma linhagem de guerreiros.?

? Ele perdeu toda a gente quando era garoto e cresceu entre estrangeiros?

? neste s�tio onde a fam�lia n�o significa nada.?

N�o chores. N�o tenhas medo.

Eu vou estar ao teu lado.

Vamos.

Pensei que n�o irias vir, tio.

O que trouxeste?

Um colar "tuma".

Sai, filha.

Apresento-lhe o meu trabalho.

Vamos fazer um grande festa agora que a minha sobrinha Zaida se tornou numa mulher!

Tamb�m quero dan�ar a Yonna contigo.

Quem � ele?

Rapayet, sobrinho do Peregrino.

Uliana?

Abuchaibe Uliana.

Tu vais ser a minha mulher.

Rapayet, devias ter trazido uma cabra.

Um colar n�o � apropriado.

Se eles te aceitarem, tu vais ter que trabalhar duramente.

Eu consegui novos clientes para ti.

O dote vai ser caro.

Eu irei arranj�-lo, tio.

S� honesto quando falares com a m�e dela.

N�o escondas a situa��o em que est�s.

Ela � aquela que tens de convencer.

Tens de a convencer que ir�s colocar a tua fam�lia acima de tudo.

Mesmo acima dos teus neg�cios com os alijunas, sobrinho.

As tuas ac��es v�o ter que suportar as tuas palavras.

Ela estava descal�a, ela tinha um cobertor.

Ela viu-te? Ela viu-te a cara?

N�o me lembro, mas ela falou comigo em Espanhol.

A tua av� est� a mostrar-nos o caminho.

� um beco sem sa�da, directamente para o mar.

Agora est� calmo, mas pode ser turbulento.

Algu�m precisa de ajuda, mas eles tamb�m nos podem trazer dor.

Eu n�o quero mais sonhar.

Os sonhos provam a exist�ncia da alma.

N�o estejas assustada.

A morte vem e vai. Temos que estar em alerta.

Tu sempre soubeste como falar com o sonho.

Tu fizeste bem em acabar com a reclus�o.

N�s temos que ouvir com aten��o, o que a tua av� nos est� a dizer.

Vamos esperar que a morte n�o volte a aparecer.

Se tu queres ter uma fam�lia, vais ter que seguir as nossas tradi��es.

Eu sei.

Colares s�o objectos muito pessoais, eles s�o usados como protec��o,

e s�o dados em ocasi�es diferentes.

Tu devias ter trazido uma cabra.

Amigos.

Comeram e dormiram bem?

Como sempre. � uma celebra��o digna da fam�lia Pushaina.

A �ltima vez que aqui vim, voc�s tinham metade dos animais.

Temos tido muita chuva.

O meu rancho tem sido aben�oado por Juy�.

Voc�s tamb�m t�m sabido como fazer neg�cio com os alijunas.

A �rsula � conhecida pelos seus dotes de negociante em toda a prov�ncia.

Hoje, eu vim como mensageiro do meu sobrinho, Rapayet Abuchaibe Uliana.

Ele � o filho do meu falecido primo, Chay Uliana.

Rapayet quer casar com a Zaida.

Ele � um pretendente que deviam considerar.

Peregrino, tu �s um dos mais respeitados mensageiros que h�.

N�s iremos ouvir-te, mas a minha irm� �rsula

� uma das mais prestigiadas Way�us na Wajira.

A sua filha merece uma fam�lia melhor que a do Rapayet.

A fam�lia dele j� teve grande reputa��o em tempos.

A maioria deles morreram numa disputa, mas esse conflicto foi resolvido com honra.

Rapayet n�o s� forjou um rumo para ele sem ajuda,

como estabeleceu uma rela��o com os alijunas,

que abriu o mundo para ele.

Ele � um grande negociante,

e o seu respeito pelas tradi��es � um exemplo a seguir.

Ele ir� fazer crescer o prest�gio da vossa fam�lia.

Falas Espanhol, Rapayet?

Sim, mas prefiro falar wayuunaiki.

Pelo dote, estamos a pedir 30 cabras, 20 vacas, 5 colares,

dois deles feitos de pedra tuma da montanha,

e duas mulas decorativas.

Este � o dote, se quiseres casar com a Zaida.

Sabes porque sou respeitada?

Porque sabe como lidar com os alijauas. E consegue falar com os sonhos.

N�o.

Porque sou capaz de tudo pela minha fam�lia e o meu cl�.

Isto � o talism� da nossa fam�lia.

Sou eu que a guardo.

Das pragas e das pessoas que tentam enganar-nos.

Mesmo que consigas arranjar o dote, os esp�ritos ir�o avisar-me sobre ti.

CANTO I ERVA SELVAGEM

- Est�s � espera h� muito tempo? - Um pouco.

�s o sobrinho do Peregrino?

Sim.

Trouxeste a mercadoria toda?

Um, dois, tr�s...

Vais para algum lado?

A minha boleia est� a chegar.

D� os meus cumprimentos ao teu tio.

Com certeza.

Conta-o, Monco.

Assim vamos perder todos os nossos clientes.

�s mulheres, meu amigo.

A coisa mais bonita.

Amanh� temos que madrugar, Moncho.

Amanh� precisamos de ir buscar o caf�.

Ol�, C�sar.

Como vai isso, Rafa?

Tudo bem.

Aqueles Americanos al�m, s�o de uma coisa chamada Corpo de Paz.

Dizem que andam a fazer campanha contra o Comunismo,

mas o que eles est�o a tentar encontrar � marijuana.

Tens alguma para lhes vender?

N�o.

Moncho, n�o tenho mais dinheiro.

Tem calma.

� por minha conta. Hoje ganh�mos algum dinheiro.

Ol�, C�sar.

Dois pacotes de cigarros, por favor.

- Vinte pesos. - � isto?

N�o tens aquilo que queria?

N�o.

C�sar.

Aqueles gringos quando se v�o embora?

N�o sei.

N�s podemos arranjar-lhes a marijuana que eles procuram, Moncho.

A s�rio?

E onde a tens escondida?

Debaixo dessa camisa que tens vestida?

Apresenta-me, C�sar.

Que tal, Peter? Acho que encontrei aquilo de que andavas � procura.

O Bill vai ficar feliz com isto.

Muito obrigado.

- Vemo-nos em breve. - Ok, Peter.

Lembra-te, diz n�o ao Comunismo.

Nada de Comunismo, Peter.

Que viva o Capitalismo!

Tu �s louco?

Onde vamos arranjar 50 quilos?

A duzentos pesos a libra.

N�o poder�amos ter feito o neg�cio por menos.

Como � que vamos pagar?

Vamos reinvestir o dinheiro do caf�.

Que viva o Capitalismo, compadre.

- Sempre a direito? - Sim, a direito.

� tudo o que tenho.

Ele quer que lhe paguemos mais.

Diz-lhe que lhe pagaremos mais quando regressarmos.

Quando voltarmos pagamos-te.

Diz-lho na l�ngua dele.

E tu achas que falamos a mesma l�ngua?

Isto vale mais do que montar-me no teu burro.

Calma!

P�ra!

Gabriel.

Levanta as m�os, parceiro.

Rapayet.

Rapayet?

Primo Rapayet.

- Quem � esse tipo? - Um amigo.

H� quanto tempo!

N�o pensava que a Sierra fosse um local merecedor de um Way�u.

Este � o meu amigo Mois�s.

Trouxemos-lhe uma cabra.

Porque continuas a falar em �ndio? N�o estamos no deserto.

M�rida.

Oferece-lhes algo para beber.

Quanto quer por uma libra de caf�?

Doze?

Dou-lhe 50 pela erva.

� um grande neg�cio, primo.

Ser� bom para ambas as fam�lias.

D�-me 60.

Eu n�o fa�o neg�cios com alijunas.

Est� a negociar comigo, primo.

Ajude-me a conseguir o dote.

Mas An�bal, quanta pomada vais fazer?

Os teus primos s�o muito "simp�ticos".

Victoria.

Rapayet.

A minha contribui��o, para o dote.

Obrigado, primo.

At� � vista, s�cio.

N�o pensei que eles fossem conseguir.

Ol�, "mister".

Aqui estamos n�s.

- Trazemos-lhes uma alegria. - A s�rio?

Conseguiste o dinheiro?

Claro.

- Queres v�-la? - Sim, claro.

Vou buscar o dinheiro.

Olha para eles, Rafa.

Isto � um neg�cio fant�stico.

A marijuana � a felicidade do mundo.

A felicidade deles.

Ol�, como est�o?

Chamo-me Bill.

N�s trabalhamos em exporta��es.

E estou muito interessado neste vosso produto.

Podemos falar sobre isso. Posso sentar-me?

Claro que sim.

O que est�s a fazer, Rapayet?

Trouxe o dote.

Trouxeste os colares?

Onde arranjaste tudo isto?

Estou a fazer neg�cios com os gringos.

O estares tanto tempo com os alijunas, fizeram te esquecer das tradi��es.

Tu tens de avisar antes de entregares o dote.

Vai buscar o Peregrino.

Ou tu ir�s libertar a f�ria dos esp�ritos.

E ent�o? O que se passa?

? Way�u, tu agora est�s a partilhar uma rede. O teu caminho � alegre e simples.?

? �rsula aceitou-te na sua fam�lia, tu agora est�s com os Pushainas.?

? Vais ter que provar o teu valor.?

? Ir�s aprender que n�o � dif�cil ter uma fam�lia ou faz�-la crescer.?

? Tu ir�s aprender que o que � dif�cil, � mant�-la unida.?

O que � que se passa?

A mulher do meu irm�o gosta de m�sica vallenato?

E o meu afilhado como se vai chamar?

Miguel Dionisio Pushaina Abuchaibe.

Para que n�o digam que n�o respeito as vossas tradi��es,

eu trouxe uma prenda.

O que �?

Agora j� est�s crescido para cabras, Rafa.

� teu, compadre!

Este carro custa mais que um barco!

� por isso que temos que nos tornar mais grandes.

� para isso que serve o dinheiro, para gast�-lo!

CANTO II AS TUMBAS

Leonidas.

Tu n�o podes beber �lcool. Tu tens que estar pronto.

Agora que o teu tio Ministro morreu, � um direito teu seres o chefe da fam�lia.

Comporta-te.

Se for um rapaz, pod�amos chamar-lhe Peregrino, como tu.

N�s Peregrinos, somos inquietos.

Esta fam�lia precisa de um nome mais forte, digno de um herdeiro.

Peregrino � um nome bonito.

Mas ir� ser uma menina, e ter� que ter um nome pr�spero e luminoso.

Uma praga est� a chegar.

Tu tornaste-te t�o supersticiosa, m�e.

Estes alijunas n�o t�m respeito por nada.

Tenho-te procurado por todos os lados. Onde tens estado metido?

Desliga a m�sica, Moncho.

Isto n�o � uma festa.

A s�rio?

se isto n�o � uma festa, n�o quero perder uma de verdade.

Desliga-a.

Relaxa, compadre.

Falei com o Bill.

- Ele disse-me que precisamos de 2200 libras... - Porque falaste com ele?

Precisamos de 2200 libras para a pr�xima semana.

Com aquilo que eles semearam,

podemos colher 1300 libras.

Precisamos de mais.

O An�bal est� a vir para c�, Moncho.

Vamos comprar a outra pessoa.

O An�bal � da fam�lia. Sempre fizemos neg�cio com ele.

Al�m disso, traz 1300 libras para j�.

E fui eu quem conheceu este contacto.

Ol�, primo.

Ouro puro de Santa Marta.

Das sementes dos Americanos?

Ent�o como �, Moncho?

Como est�s, Ram�rez?

Cada vez mais gordo.

E tu cada vez mais feio.

E o Rafa, sempre t�o simp�tico.

A s�rio, Moncho.

O que se passa?

Dois avi�es podem carregar 1300 libras.

23 quilos e meio.

Porque est�o aqui tr�s avi�es?

O Bill disse que n�o havia problema.

O Bill disse que n�o havia problema.

O que andas a fazer com outro pessoal?

Est� cheio de erva!

Homem, tem calma!

Diz ao Bill que o neg�cio � feito s� connosco.

E que vou ficar com o avi�o at� que nos recompense.

Isso!

O que caralho foi isso?

- Eles tra�ram-nos! - Calma, meu!

Preciso da palavra de honra, Mocho.

Ent�o envia uma mensagem para os Estados Unidos.

Tu mata-lo e eu mato-te a ti.

N�o queres ficar com os d�lares e a erva?

N�o tens respeito por nada, Mocho.

Diz ao Bill que o neg�cio � feito connosco.

N�s Way�u n�o podemos tocar em homens assassinados.

Pelo que ter�s que ser tu a enterr�-los.

O que fazemos com os avi�es?

Tu n�o podes fazer neg�cios com alijunas.

E os gringos? O que s�o eles?

Ou conheces algum Way�u que nos compre erva?

O Mois�s est� fora de controle.

Ele cometeu um erro.

Ele est� a manchar o nosso nome.

Desobedece-te em frente dos teus homens.

Isso n�o voltar� a acontecer.

Pergunta a ti pr�prio, a quem deves a tua lealdade?

Aos alijunas ou � tua fam�lia?

A minha palavra e honra est� com o meu povo.

Ele tem raz�o. Quem tu escolhes?

J� respondi a isso.

Di-lo outra vez.

A minha fam�lia.

Ent�o livra-te do Mois�s.

Como vais continuar a negociar depois disto?

Como vais tranquilizar os gringos?

Tu deves compens�-los.

N�o ponhas a tua fam�lia em risco.

Estivestes com os alijunas demasiado tempo.

Um verdadeiro Way�u n�o hesitaria, Rapayet.

Os alijuna derramam sangue, Rapayet.

N�s devemos pagar com sangue.

Rafa!

Anda, ouve a can��o que eles escreveram para n�s, compadre.

Rafa!

Estou contente por teres vindo, compadre.

� assim que tu gastas o dinheiro?

O que se passa?

Temos o dinheiro, a erva...

Foi o melhor neg�cio, Rafa.

Anda.

Vamos festejar.

Desapare�am!

O que se passa?

N�o vais festejar?

Isto acabou-se.

O qu�?

Derramaste sangue em territ�rio Way�u.

O sangue dos estrangeiros tem que ser compensado.

Todos calados j�!

A fam�lia Pushaina

aconselhou o Rapayet...

a matar-te.

Mas isso n�o vai acontecer,

porque o Rapayet tem apre�o por ti.

Mas tens que sair do neg�cio.

Toda a gente fora daqui!

Fora daqui!

Esta merda acabou!

N�o podes fazer isso, Rafa.

Por cada neg�cio, ir�s receber uma comiss�o para pagar � pol�cia a sua parte.

Mas se fazes algum neg�cio nas costas do Rapayet,

ele ter� que seguir os conselhos do seu cl�.

N�o me podes fazer isto, Rafa.

Tu sem mim n�o ser�s nada.

N�o somos amigos?

N�o somos irm�os, Rafa?

Rafa!

Desce, Leonidas.

Conduzes demasiado r�pido.

Vamos embora.

Para onde vamos?

Fazer um entrega.

Posso ir?

Tem cuidado, Rapayet.

Olha s�.

O p�ssaro iishcoo tem vindo h� dias.

Ele est� a pedir vingan�a.

Nada.

J� passou muito tempo. Algo n�o est� bem.

Leonidas.

Leonidas!

Vamos embora?

N�o, entra para tr�s.

Nunca me deixas fazer nada!

Est�s aqui porque eles obrigaram-me a trazer-te. Faz o que te digo!

N�o sa�as!

Vai dizer ao An�bal.

Diz-lhe para trazer a mulher. Eu ficarei aqui.

Vou sozinho.

Veste-te.

Tu n�o tens que me entregar, Rafa.

Tenho a tua parte. Guardei-a para ti.

Podemos continuar juntos, tu e eu.

Como antes.

Ent�o o que vais fazer?

Vais matar-me?

Tu n�o podes matar-me, compadre.

Mato-te como fazem os Way�u,

cara a cara.

N�s estivemos sempre juntos, Rafa.

Tu �s meu irm�o.

Eu sabia que n�o eras capaz.

N�o entres!

Tens o sangue dele por todo o lado.

O yoluja est� contigo!

� culpa tua, m�e.

A tua filha acabou de nascer! Fica longe!

Trouxeste o fantasma de um homem morto contigo.

N�o podes tocar nela.

Indira.

Como est� a Zaida?

Est� bem.

Quero entrar.

Tu tocaste nele.

Se tu n�o te limpares, isso ir� pegar-se a ela.

Vou tomar um banho.

N�o.

O An�bal deve ver o sangue.

An�bal.

Vim para falar contigo.

N�o quero ter nada a ver com o Rapayet.

N�o tem nada a ver com o Rapayet.

Eu vim em nome da �rsula Pushaina. N�o vais receber a sua palavra?

Durante os �ltimos dois anos,

a riqueza de ambas as fam�lias cresceu como nunca antes.

A prosperidade s� pode florescer se existir paz.

O Mois�s matou o meu irm�o. O Rapayet n�o o impediu em devido tempo.

Tu tens raz�o, An�bal.

Mas ele f�-lo agora. A paz est� garantida.

N�o quero fazer mais neg�cios com o Rapayet.

Quando tu falas com o Rapayet, tu falas com o cl� Pushaina.

Qual � a tua resposta?

Quero 100 pesos por libra.

Muito bem, An�bal.

CANTO III A BONAN�A

Filho!

Foste fant�stico.

Tu cavalgas como um verdadeiro Way�u.

Eu quase acabei em �ltimo.

- Isso n�o importa. - N�o.

Nenhum deles cavalgou com a tua idade.

Eu quero aprender a conduzir um avi�o, n�o a andar a cavalo.

Leonidas, d�-me a arma.

Deixa-me em paz.

D�-me a arma, filho.

D�-me a arma.

O sacrif�cio foi feito, mas existe tristeza.

O Gabriel est� a anunciar o seu segundo enterro

A morte est� a chegar � casa. O Miguel est� em perigo.

O Rapayet e o Leonidas estavam l�.

Tu viste-los?

N�o.

Requer a protec��o do talism�.

Tu n�o est�s sozinho, Rapayet.

Tens visto um yoluja?

Ol�, sobrinho.

Ol�, tio.

O An�bal convidou-nos para o segundo enterro do irm�o.

A Zaida viu o Gabriel num sonho.

Talvez ele tamb�m se estivesse a anunciar, como fez com a sua fam�lia.

Temos que ir, Rapayet.

O An�bal n�o � s� da fam�lia, ele � o nosso s�cio.

N�o dev�amos ir.

Se n�o formos, ele ir� assumir isso como uma ofensa � sua fam�lia.

Tu queres isso?

A Zaida tamb�m viu o Miguel. Ele estava coberto.

H� demasiada morte por aqui.

Obrigado por n�s ter convidado, primo.

O que � isso que tens a�?

A fam�lia Pushaina quer celebrar a sua amizade com a tua fam�lia.

� uma prenda pelo enterro. Dez vacas e 30 cabras.

Obrigado.

Cada arma vem com a sua licen�a.

Um pouco demais, n�o achas?

Obrigado por teres vindo, �rsula.

Sigam-me.

Vamos sair daqui, Rapayet.

? Agora � o momento em que a morte regressa.?

? O momento de compreender o que aconteceu.?

? Porque eles se foram e a mensagem que nos est�o a trazer.?

? O momento para n�s ouvirmos?

? o que eles nos est�o a ensinar?

? atrav�s das suas mortes insensatas,?

"causadas pela ambi��o cega.?

? Agora que n�s te estamos a exumar?

? e a levar-te para o teu final local de descanso,?

? deixa-nos ficar descansados. Deixa-nos ouvir e compreender?

? porque tiveram que partir assim.?

? N�o deixes que sejamos cegos.?

? N�o deixes que sejamos surdos.?

? N�o deixes que nenhum ouro brilhe mais que o nosso esp�rito.?

? N�o deixes que nenhuma voz ou tiro soe mais alto que a tua voz.?

O que est�s a fazer? Anda comigo!

Os enterros s�o t�o chatos.

Ent�o porque vieste?

Porque fui obrigado.

Olha aquilo de que sou capaz.

Por ti,

como um lim�o com a casca.

Anda comigo para Aruba. Dar-te-ei tudo o que tu quiseres.

Sigifredo, este est� b�bado.

Vamos dan�ar.

Vamos dan�ar.

- Larga-me! - N�o lhe toques!

Ningu�m pode tocar-lhe.

Leonidas.

Vamos embora. Est� b�bado.

Traz o dinheiro da carrinha.

- N�o, Leonidas. - Traz o dinheiro da porra da carrinha!

Este homem quer ser como que meu advogado.

Mas vejam o generoso que sou.

Pago-lhe o ordenado e a viagem,

mas s� se comer aquela merda de c�o.

N�o, senhor.

N�o, senhor.

Demasiado digno para um guarda-costas de merda.

Poe-o a�.

Tudo isso � teu.

Para pagares as putas e tudo o que tu quiseres.

Voc� � o maior, chefe.

Ol�.

Venho em nome do An�bal.

A palavra deve ser trazida por um mensageiro.

Agora eu sou o mensageiro.

Eu n�o vou falar com nenhum alijuna.

O que quer o An�bal?

Esta n�o � a maneira como fazemos as coisas.

D�o An�bal quer que lhe pague.

Duas camionetas,

dez mulas,

e duas espingardas.

N�o o vamos a compensar at� que ele envie um mensageiro!

Que mais?

Duas semanas do senhor Leonidas,

a trabalhar como campon�s nos campos.

Diz isso outra vez e mato-te!

Baixa essa arma!

Deixa o Leonidas mat�-lo!

- O An�bal sabe que um Way�u n�o aceitar� isso. - Cala-te!

Est� calada!

Leonidas, sa� daqui.

Ao enviar o alijuna, o An�bal est� a humilhar-te.

N�o podes aceitar nada disto.

Ofendemos a sua fam�lia muitas vezes.

Se n�o concordares, ir� haver uma guerra, Rapayet.

N�o podes deixar isso acontecer.

Precisa de um minuto?

Um pouco de trabalho n�o lhe far� mal.

O Leonidas ir� cumprir a sua parte na compensa��o.

O que se passa?

Voltaste a v�-lo?

Ele ir� desaparecer.

Fecha os olhos.

Senhor Leonidas, bem vindo.

O que � que temos aqui?

Aqui est� a tua compensa��o.

Tu ofendeste a minha filha.

Pede desculpas e podes ir para casa.

Pede desculpa!

Ent�o, vai trabalhar.

A bolsa � como os Way�u.

Redonda como a barriga da m�e. Esta corda, � o cord�o umbilical.

Indira.

� tarde.

Ainda n�o acab�mos.

Podem acabar amanh�.

� importante.

Podes acabar amanh�.

Ficarei aqui at� dormires.

O que estavas a sonhar?

Nada. Senti como se estivesse a cair.

O que mais?

Nada.

Tu n�o voltas a falar com o sonho.

Matei-te porque n�o tinhas nenhum respeito pela palavra.

E agora, ningu�m respeita nada, meu amigo.

N�o posso perder a minha fam�lia outra vez.

N�o posso perde-los noutra guerra.

O que � que o yoluja te disse?

Nada.

Ele est� apenas ali.

Traz o Leonidas de volta.

Isto n�o vai acabar por aqui.

O sonho disse-te isso?

N�o.

Os esp�ritos est�o ofendidos.

O sonho n�o tem falado comigo desde que fomos ter com o An�bal.

N�s perdemos a alma.

J� nada mais nos protege.

Rapayet.

Traz o meu filho de volta.

Tu nunca devias ter concordado em envi�-lo.

CANTO IV A GUERRA

Agora aquele.

Estarei seguro se estiver rodeado de homens.

Aqueles colares de merda s�o in�teis!

N�o o deixem sair.

Se algu�m vier, diz que a tua filha est� em confinamento.

An�bal.

Numa disputa, n�o � normal a parte ofensora enviar um mensageiro.

Mas eu vim trazer-te a palavra.

O Rapayet quer evitar uma guerra a todo o custo. Ele quer compensar-te.

O que o Leonidas fez � imperdo�vel.

Ele � uma m� semente que n�o representa a sua fam�lia.

N�o h� nada para conversar.

Ele desonrou a munha filha.

Ele � um Pushaina.

H� mais que isso em jogo.

A tua rela��o com o Rapayet e a sua fam�lia vai muito para al�m desta disputa.

Tu n�o devias ter vindo, Peregrino.

Estamos a viver tempos incertos e violentos, An�bal.

N�o podes recusar a oferta do Rapayet sem sequer a ouvires.

O que oferece ele?

Tudo.

Os seus cami�es, avi�es, locais de aterragem, tudo.

At� os seus contactos com os gringos.

N�o.

An�bal.

Tu n�o podes matar um mensageiro.

Se tu matas a palavra, estar�s a ofender a mais sagrada lei dos Way�u.

Tu n�o s� entrar�s em guerra com o cl� Pushaina,

mas tamb�m com o cl� Uliana, o teu pr�prio cl�.

Tu ainda queres a paz?

Vamos, Rapayet.

Tu sabes o que acontece a uma fam�lia numa guerra.

Vamos.

Aonde?

Para onde quer que eles n�o nos encontrem. Isso n�o importa.

O Mois�s ir� seguir-me para onde quer que eu v�.

Isso n�o importa, Rapayet.

O Miguel est� em perigo. Eu vi isso num sonho.

N�o voltem at� os terem encontrado.

S�o pessoal do An�bal?

N�o.

S�o os mensageiros e os anci�os dos cl�s.

An�bal Abuchaibe, do cl� Uliana, cometeu o irrepar�vel

e assassinou um mensageiro.

Ele tornou-se numa amea�a para o nosso cl� e para a paz na regi�o.

� nosso dever impedi-lo de espalhar o caos.

Desde de que ele come�ou a vender erva,

o Peregrino sentiu-se como o p�ssaro Utta,

cujos colares eram t�o pesados de serem t�o ricos.

Ele parou de ser um mensageiro e morreu como um alijuna.

Ele foi um Way�u not�vel e n�s n�o dev�amos mencionar o seu nome.

N�o nos esque�amos que nunca ningu�m tinha morto um mensageiro.

O Peregrino permitiu � fam�lia da �rsula profanar as nossas tradi��es.

O nosso mensageiro morreu ao tentar evitar esta guerra.

N�s devemos parar o An�bal antes que a sua guerra se espalhe por toda a Wajira.

N�s podemos fazer isso se nos unirmos.

Onde est� o Rapayet?

Ele fugiu.

A �rsula e o Rapayet usam o cemit�rio sagrado deles

para esconder dinheiro e armas.

An�bal, �rsula e Rapayet, mancharam o nome dos nossos cl�s.

Eles n�o agem mais como Way�us.

Eles agem como alijunas.

N�s Way�us, n�o somos aquilo em que eles se tornaram.

N�o quero pedir � minha fam�lia que d� as suas vidas por uma disputa entre alijuanas.

A minha fam�lia tamb�m n�o entrar� nesta vingan�a.

Este sempre foi o nosso territ�rio.

N�s sempre o protegemos com honra e bravura

quando tem sido necess�rio.

Os nossos antepassados defenderam-no dos piratas,

dos Ingleses, dos Espanh�is.

E dos governos que nos o tentaram tirar e dizer-nos como dev�amos viver.

Isto n�o � territ�rio dos alijunas, � dos nossos antepassados.

N�o vamos permitir que estes novos vendedores de erva o encham de viol�ncia.

Castigo para o An�bal e a sua fam�lia!

Isto tem que parar.

Viol�ncia contra o mundo � algo nunca visto.

Isto tem que ser punido.

Mas antes de punirmos o An�bal, a fam�lia da �rsula tem de nos compensar.

Eles devem renunciar a este cemit�rio e exumar os seus mortos.

A �rsula deve devolver o talism� que protege a sua fam�lia e os seus colares.

Devolve-os.

A fam�lia Arpushana concorda com o castigo,

se a �rsula devolver o talism� e os colares.

A fam�lia Juusay� enviar� homens para ajudar no castigo ao An�bal.

A fam�lia Epiey�u junta-se ao castigo �s fam�lias Pushaina e Abuchaibe.

Goyo, Goyo, Goyo.

C�mbio.

Goyo, limpa tudo. Estamos a caminho.

Responde, responde. C�mbio.

Goyo, responde. Estamos a caminho.

C�mbio.

Vai para dentro!

Vim por ti e o meu neto.

N�o.

O teu lugar � comigo, filha.

N�o podes viver como uma Way�u, se estiveres longe da tua fam�lia.

O que adianta ser uma Way�u se morrermos?

Anda comigo e ao Rapayet n�o lhe acontecer� nada.

N�o os levem, por favor. N�o fa�am isso.

Se vieres procurar-me, vou-te matar.

Quantos eles mataram?

Tu n�o vais querer saber.

E os campos de semeio?

Don An�bal,

� um milagre que aqueles �ndios n�o o tenham matado.

At� para mim chega. Vou voltar para a minha terra.

J� n�o h� nada a fazer.

Traga-me gente da sua terra.

Dou-lhe o que sobrar das colheitas.

Eles queimaram tudo.

N�o sobrou nada.

Ainda tenho 2800 libras. S� eu sei onde est�o.

Dou-lhe a casa, os carros, os terrenos, tudo.

A s�rio que est� disposto a perder tudo s� para se vingar?

Quanto tempo demoras?

H� dinheiro na sacola.

Vai encontrar o Leonidas.

Vai.

Vai e nunca mais voltes!

Vai!

Vai!

CANTO V O LIMBO

Tio!

Tio Leonidas!

E ent�o?

N�o nos resta nada neste mundo, An�bal.

Mas tem algum respeito pelos mortos.

Devolve-me o meu neto.

Devolvo-lhe o seu neto com duas condi��es.

Entrega-me os seus neg�cios,

a erva que lhe resta, os seus avi�es,

- as suas pistas de aterragem... - Eu vim para falar contigo, n�o com ele.

� com ele que tens que falar agora.

Organize uma �ltima entrega com o contacto dele.

Qual � a outra coisa?

Entrega-me o Rapayet.

E o Leonidas.

O Leonidas morreu.

- Ent�o diz-me onde est� o Rapayet. - Tamb�m quero o Leonidas.

N�o falas mais!

Est� calado.

Contenta-te com o Rapayet.

Entrego-te o Rapayet.

Mata-me a mim.

Deixa a Indira viver.

Voc� nem merece uma bala, senhora.

Onde est� o Leonidas?

N�o vou desistir at� o matar.

N�s j� estamos todos mortos.

Fica com elas.

? E ent�o, quando vi esta rapariga Way�u, que n�o sabia como se pastoreia,?

? que tinha esquecido o saber dos seus antepassados e deixada s� para vaguear?

? no deserto e na escurid�o, foi como eu soube desta hist�ria.?

? Uma hist�ria de uma erva selvagem que seria uma salvadora, mas destruidora como gafanhotos.?

? Esta erva assumiu outras formas e esteve sempre unida � gan�ncia.?

? E ent�o um grande monstro wanuluu foi acordado,?

? e a sua sombra escureceu todo o mundo.?

? Se tiv�ssemos s� dado ouvidos aos sonhos, se tiv�ssemos s� escutado as vozes dos mortos.?

? Agora fortes ventos est�o a chegar. Eles ir�o apagar as nossas pegadas na areia,?

? � por isso que eu canto neste dia.?

? Ent�o Way�us e alijunas n�o esquecer�o o que os ventos de ver�o apagam.?

? De modo a que os p�ssaros possam cantar esta hist�ria, para que possa permanecer para sempre,?

? no lugar dos sonhos e da mem�ria.?

Tradu��o e legendagem JPRATA

:: Ressincroniza��o ferneiva ::

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