All language subtitles for Mario (2021).01.POR

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Original subtitles

Instrumental

[Lana] Espelho refletia os olhos do menino...

[Homem] E no silêncio a sua imagem virou medo...

[Lana]Já nem podia enxergar seu próprio desejo...

Uh! Uhu!

[Xande] Não acho palavras em mim...

Preciso entender quem eu sou...

A vida pode ser bem melhor...

[Kiko/Xande] Palavras são fáceis...

Palavras não são fáceis pra mim...

Alegre

[Xande] Espelho revela o meu coração pra você...

[Kiko] Porque o mundo não está pronto para a liberdade...

[Lana] Quem sou eu nessa história?

[Xande] Os dias de não não vão impedir o que está por vir...

[Em coro] A força que tem dentro de mim...

Vou mostrando tudo o que sou...

E vou sendo o que eu quiser...

Chega junto, venha comigo...

Solte essa voz...

Vamos refazer a história desse lugar que pertence a nós...

Alegre

Tenha coragem para ser feliz...

[Aplausos] Alegre

[Em coro] Tenha coragem para ser feliz...

[Aplausos] Alegre

[Em coro] Tenha coragem para ser feliz...

[Aplausos] Alegre

[Em coro] Tenha coragem para ser feliz...

Vou mostrando tudo o que sou..

E vou sendo o que eu quiser...

Chega junto, venha comigo...

Solte essa voz...

Vamos refazer a história desse lugar que pertence a nós.

Alegre

[Aplausos]

[Fernando] Obrigado, gente.

Obrigado, Porto Alegre.

Olha, eu sou o Fernando Maia, diretor do espetáculo.

Eu gostaria muito, muito de agradecer em nome do grupo a cada um que veio prestigiar

a mais um espetáculo do grupo de teatro Terceira Força.

E de coração, uma salva de palmas a esses meninos de ouro que são uma loucura,

Kiko Silva e Xande Pinto.

[Aplausos]

[Fernando] E a nossa diva maravilhosa, Lana de Holanda.

[Aplausos]

[Fernando]E uma salva de palmas para o nosso autor que está

aqui hoje, nosso autor maravilhoso e iluminado

que criou essa obra, Mário Fraterno.

[Assobios] [Aplausos]

[Kiko] Vem. [Fernando] Vem cá.

[Kiko] Vem. [Fernando] Vem cá.

[Aplausos] [Assobios]

[Mário] Obrigado.

[Aplausos]

[Mário] Obrigado, obrigado, obrigado.

[Queda] [Mário] Ai!

[Fernando] Opa! Isso. [Lana] Cuidado, cuidado.

[Mário] É...

[Fernando] Opa! Obrigado.

[Aplausos] [Assobios]

[Mário] Você quase me matou do coração, só isso.

Eu não sei nem como é que eu estou aqui agora.

[Fernando] Mário, seu texto é incrível, é perfeito.

Eu tinha que chamar você para o palco.

[Mário] Eu não estou falando disso.

[Fernando] Ah! [Mário] Ah?

[Fernando] A nossa vida é um palco iluminado, querido.

[Mário] Não. [Fernando] Eu não te falei?

[Mário] Não. O palco é o palco, a nossa vida é a nossa vida.

Eu já falei isso para você, você não escuta.

[Fernando] Um beijinho. Aconteceu, tá? Quer mais um?

[Fernando] Ih! Oh! Vibrou.

Olha aqui. Vibrou.

[Celular tocando]

[Fernando] Ih, é o pai.

[Mário] Oi, pai. [Antônio] Oi, filho.

[Mário] Tudo bem? [Antônio] Tudo bem?

[Mário] Não, não. Tudo bem.

[Antônio] Está por onde?

[Mário] Estou na faculdade.

[Lana] ...

[Mário] Sim. É.

[Antônio] Está no curso?

[Mário] O que eu estou estudando?

Eu estou...

Pai, eu estou lendo uma autora, é Vizma 'Simmel'.

[Fernando] O que é isso, gente? É a poesia da Letônia?

Ninguém no mundo lê isso. [Antônio] Muita economia?

[Mário] É. É microeconomia aplicada em negócios internacionais, pai.

Muito interessante.

[Xande] Vamos estudar na sua casa, Mário.

Deixa eu ir para a sua casa.

[Mário] Pai, tem um bicho na minha orelha.

[Antônio] Filho, está uma barulheira aí.

[Mário] Pai, eu tenho que voltar aqui para um negócio.

[Antônio] É o intervalo? [Mário] Do intervalo.

A professora está chamando.

[Fernando] Isso aqui é figurino, gente.

[Mário] Tá. Tá ok.

[Antônio] Me ligo depois, tá? Beijo.

[Mário] Outro, pai.

[Antônio] Se cuida. [Mário] Obrigado.

Tchau.

Francamente, hein?

[Fernando] Por que você não assume o Mário Brüderlich?

[Xande] É tão mais bonito.

[Fernando] Aí lindo.

Aproveita que a gente está aqui no Sul e conta

para a família sobre a Terceira Força.

Aliás, eles nem sabem que eu existo, né?

Conta.

[Kiko] Conta. [Xande] Conta.

[Kiko] É Mário, o Fe tem razão, tá?

Vocês estão juntos há mó tempão, cara, e você não sai desse armário.

[Risos]

[Xande] E a gente está aqui para te dar uma força também, amigo.

[Lana] E meu amor, deu certo comigo.

Ih!

[Risos]

[Mário] Não, gente. Vocês não conhecem a minha família.

Se a minha família descobrir que eu sou gay, vai ser uma bomba atômica caindo.

[Xande] Hum, que história.

[Kiko] 'Bum'! 'Pum'!

[Mário] Não, gente. Não dá.

Não dá. Não dá.

Vocês não conhecem o meu pai, a fera que é meu pai.

Vocês não têm... não têm ideia.

Nem pensar.

[Homem] Ih! [Lana] Hum!

Instrumental

[Mário] Pai, eu sou gay.

Animada

Pai, já cheguei.

Animada

[Motor]

[Kako] Prontinho, Brüderlich.

É a cervejaria mais tradicional da região.

Tu conhece?

[Mário] É, seu...

[Kako] Kako. [Mário] Kako.

[Kako] É. [Mário] Isso. Perfeito.

Eu... eu não vou demorar, tá bom?

[Kako] Pois não, seu...

seu...

[Mário] É Mário.

[Kako] Mário, aquele que...

[Risos]

[Kako] Desculpa.

Animada

[Mário] Vicente.

[Vicente] Diz que tu veio para ficar.

Animada

[Mário] Como é que você está, Vicente?

[Vicente] Melhor agora que tu chegou, e com esse diploma de MBA.

Quem diria, hein, Mário?

[Mário] Você está ótimo, está bonitão.

[Vicente] Você também está lindo.

[Mário] E como é que está tudo em casa?

Vó Helena, Camilinha, Bianca?

[Vicente] Todos muito bem.

[Mário] Bom. E papai?

[Vicente] Igual há dez ou há sessenta anos atrás.

[Risos]

[Vicente] Todos à sua espera.

Super ansiosos para a sua chegada.

Você não sabe da novidade, contratei uma coaching incrível

de São Paulo para assessorar a gente aqui.

Vamos finalmente fazer a Brüderlich crescer, meu irmão.

Tão bom ter você aqui, sabia?

Muito bom.

[Mário] Ah, obrigado.

É...

Viu, Vicente, tem três coisas que você não sabe sobre mim.

[Vicente] Parou de fazer pipi na cama?

[Risos]

[Vicente] Então começa pela primeira.

[Chiado]

[Mário] É que a primeira eu não gosto de cerveja.

Eu prefiro um uísque, não dá barriga.

[Risos]

[Vicente] Qual é a segunda?

[Mário] Então, a segunda é que eu saí daqui para

estudar Administração de Empresa lá no Rio.

[Vicente] Uhum!

[Mário] Mas eu virei escritor e estou escrevendo um livro no momento.

Então não tem MBA nenhum.

Instrumental

[Vicente] Como assim escritor, Mário?

[Mário] É, escritório.

Algum problema?

Instrumental

[Vicente] Qual é a terceira coisa?

Instrumental

[Mário] Então, a terceira coisa é que eu moro junto com um diretor de teatro que...

que guarda as moedas em um porquinho de barro.

[Vicente] Que bom. Ele guarda dinheiro.

Ótimo.

Qual o problema?

[Ruídos]

[Mário] O porquinho é rosa e tem umas florzinhas desenhadas nele e

a gente chama o porquinho de 'mariola' economista.

[Vicente] Eu não estou entendendo.

[Mário] Eu sou gay.

E eu estou morando com esse diretor faz quatro anos.

[Suspiro]

[Chiado]

[Vicente] Quatro anos?

[Mário] É.

Quatro anos.

E eu não vim aqui para te ajudar na cervejaria.

Eu vim aqui para contar toda essa verdade para a família,

e eu vou fazer isso no almoço.

[Vicente] O que você acha que você ganha contando isso para a família?

[Mário] Paz de espírito.

Eu não quero passar a minha vida mentindo.

Eu tenho coragem para ser feliz.

E é isso o que eu quero da minha vida,

ser feliz.

Instrumental

[Suspiro]

Instrumental

[Mário] Mas vem cá, Vicente, você nunca desconfiou de nada?

Nunca percebeu nada?

[Vicente] Percebeu o quê?

[Mário] Eu não sei.

Que eu era diferente?

Instrumental

[Vicente] Para mim você...

Para mim você nunca foi tão diferente de mim.

Instrumental

[Mário] Obrigado, viu? [Florista] Obrigada você.

[Mário] Lindas flores. Parabéns.

[Celular tocando]

[Mário] Oi, amor.

[Fernando]E aí, amor, tudo bem?

[Mário] Tudo.

Sim.

O que... Estou bem. Estou bem.

O que você fez ontem? [Fernando] Eu fiquei em casa.

[Mário] Não, fala a verdade, querido. O que você fez?

[Buzina] [Mário] O que é isso?

[Fernando] O quê? Mário?

[Mário] Sua louca! [Fernando] Louca?

[Mário] Sua louca! Quer me matar?

[Fernando] Oi? Mário? O que é isso? Louca?

Você nunca me chamou de nunca.

[Mário] Não, amor. Não é com você não.

Não, já, já eu te ligo.

Eu estou com um probleminha aqui, tá?

Uhum!

Instrumental

[Mário] É...

Instrumental

Minha senhora...

Não, não. Eu não...

não estava falando com você, era outra pessoa que estava quase...

Jesus.

Instrumental

[Ana] Oi.

Sabe onde fica o hotel Verlan, por favor?

Instrumental

Obrigada.

Instrumental

[Florista]Suas flores, senhor.

[Mário] Ah, obrigado.

[Florista] De nada. [Mário] Obrigado.

Instrumental

[Buzina]

[Motor]

[Acelerando]

Instrumental

[Buzina]

Instrumental

[Camilinha] Tio Mário!

Instrumental

[Kako] Quando quiser, é só falar.

[Mário] Obrigado. Até a próxima. Tchau, tchau.

[Camilinha] Tio Mário!

[Mário] Cadê a minha sobrinha preferida?

Hein? Cadê? Cadê?

Oh! Ah! Ah!

[Risos]

[Camilinha] Preferida e única, né, tio?

[Mário] É verdade.

[Camilinha] Olha só, a tua peça está bombando no Insta, já bateu 500 seguidores.

[Mário] Nossa! Isso é bom, né?

[Camilinha] Olha, mais ou menos.

Mas não se preocupa, eu vou te dar umas dicas.

[Mário] Tá bom.

'Vambora'. Opa! Está pesada. Ah!

[Helena] Janaína, colocou a roupa de cama que o Mário gosta?

[Janaína] Uhum!

[Helena] E os cookies que ele tanto adora, comprou?

[Janaína] Uhum!

[Helena] Ah.

Cuida de tudo enquanto eu estiver fora.

[Janaína] Sim, senhora.

[Assobio]

[Helena] Viajante que voltas de terras distantes, o que trazes?

[Mário] Trago flores, minha senhora, do jardim mais perfumado.

[Helena] Ah.

[Mário] E uma mala cheia de felicidades.

[Helena] Oh!

[Risos]

[Helena] Ai, eu quero sentir esse abraço.

[Mário] Hum!

[Helena] Ah, meu querido.

Ai, estava te esperando.

[Janaína] E aí, guri, tu te lembra de mim?

[Mário] Como é que eu ia esquecer a pessoa mais mal-humorada dessa casa,

Janaína? [Janaína] Oh!

[Mário] E a mais amada também.

[Janaína] Oh! [Mário] Hein?

Vem aqui Janaína, que eu vou te agarrar.

[Janaína] Ah! [Mário] Não foge não.

[Bianca] Mário!

[Mário] Ah!

[Bianca] Que saudade!

[Mário] Ah!

[Bianca] Você está lindo.

[Mário] Está linda também.

[Salvador] E aí? Como é que está essa força, cunhado?

[Mário] Ah, está... está... [Salvador] Papai!

[Mário] Está bem. [Salvador] Olha só quem chegou.

[Antônio] Demorou, mas chegou.

Ô Salvador, me faz um favorzinho? [Salvador] Hã?

[Antônio] Não me chama de papai, tu é meu genro, desgraçado.

Dá um abraço aqui. [Mário] Como é que o senhor está?

[Risos]

[Antônio] Estava com saudade. [Mário] Também.

[Antônio] Olha, mandei fazer teu prato predileto para o almoço.

[Salvador] O meu também.

[Antônio] Como é que tu sabe se eu não disse a ele?

[Risos]

[Antônio] Perdiz. [Janaína] Ah, eu que fiz.

[Porta abrindo]

[Suspiro]

Instrumental

[Suspiro]

[Mário] Pai, eu sou gay.

Instrumental

Não, não.

Não está...

Bah, mas pai, eu sou gay, né?

Papai, eu sou gay.

[Risos]

[Suspiro]

Instrumental

[Mário] Pai,

Instrumental

tinha um guri...

Instrumental

...tinha um guri que só queria ter coragem

para ser feliz.

Instrumental

[Fugando]

[Antônio] O comissário de bordo... [Salvador] Aham!

[Antônio] Foi pedir a mão em casamento lá para o fazendeiro lá.

[Salvador] Entendi.

[Antônio] E aí o velho olhou para ele e disse: "Tem certeza?"

E o comissário disse: "Por quê?"

"Não, porque ela gosta de pinto grosso e grande".

E o comissário de bordo respondeu: "E quem não gosta?"

[Risos]

[Janaína] Sr. Vicente. [Vicente] Oi?

[Janaína] A tal da 'cocha' está aí.

[Vicente] Ah, a coaching chegou.

[Janaína] Foi o que eu falei, coaching.

[Vicente] Tá bem. Obrigado, meu amor.

[Janaína] É. [Vicente] Pai, a coaching chegou.

[Antônio] Co...! Para que coaching?

Eu não preciso de uma pessoa na fábrica.

Eu estou há quarenta anos lá fazendo a cerveja.

E agora eu vou ter uma pessoa dizendo o que eu posso,

o que eu não posso, o que está bom, o que está ruim.

Eu faço um trabalho de qualidade, gente.

[Salvador] Não tem nada a ver.

[Antônio] Não é? [Salvador] É claro.

[Antônio] É. [Vicente] Sim, pai.

É. Mas o mundo mudou, o mercado mudou,

e a gente precisa vender melhor a nossa cerveja.

[Antônio] Eu sei, meu filho, mas isso é só uma questão de rótulo.

O importante é a consistência, o conteúdo, sabe?

Esse coaching, ele...

ele nem gostar de cerveja gosta.

[Salvador]Nem gostar de cerveja.

[Ana] Bom, eu adoro cerveja.

[Vicente] Ana!

E aí, Ana, tudo bem? [Ana] Tudo bem.

Obrigada. [Vicente] Que bom que você veio.

Essa é a Ana Mello, a coaching empresarial que

a gente contratou para modernizar a Brüderlich.

[Ana] Olá. Tudo bem? Prazer.

[Vicente] Por favor, minha família.

[Antônio] Mas é uma coaching?

Eu achava que era um coaching.

[Ana] Desculpa desapontar o senhor, é a coaching.

[Antônio] Imagina.

[Vicente] Ah, Ana, esse é o Mário, o meu irmão, acabou de chegar do Rio de Janeiro.

[Antônio] E ele tem MBA em Administração de Empresa.

Vai ser muito útil.

[Ana] Olha! Prazer, Ana.

[Mário] Prazer, Mário.

Instrumental

[Janaína] Dá licença, o almoço está servido.

[Antônio] Opa! Perdiz não pode esperar. Esfria, é ruim.

'Vambora', 'vambora'. 'vambora'.

[Salvador] Ô papai, eu acho que agora eu entendi aquele negócio...

[Vicente] Vem cá, está com fome, né?

Agora é a hora de comer.

[Pássaros]

[Bianca] Mas então, Ana, o que tu faz exatamente?

[Ana] Bom, o meu papel é criar estratégias efetivas para que a empresa possa crescer

financeiramente e se consolidar no mercado.

[Antônio] O Mário entende muito disso.

Tu pode até pedir umas dicas para ele.

[Ana] Eu vou me lembrar de pegar as dicas.

[Salvador] Ô, tu é casada?

[Bianca] Por que o interesse, Salvador?

[Salvador] Hum!

[Ana] Não, não, senhor.

Eu prefiro continuar trabalhando como autônoma.

[Antônio] Mas como é que pode ser casada trabalhando desse jeito?

Não vai arrumar um marido nunca. [Salvador] Uhum!

[Ana] Olha, vou me lembrar disso quando eu procurar um.

[Risos]

[Antônio] Um filho então nem pensar.

[Ana] Sabe que eu já até pensei?

[Antônio] É?

[Ana] Mas aí parei com a vodca, se é que o senhor me entende.

[Risos]

[Antônio] Eu entendo, mas os meus filhos eu eduquei para

que soubessem qual o lugar deles no mundo.

[Ana] Entendi.

O lugar que o senhor acha que é o lugar deles no mundo, correto?

[Antônio] Mas sabe menina que eu... [Ana] Ana.

É Ana.

[Antônio] Ana. [Ana] Sim?

[Vicente] Pai, por favor. Por favor.

[Salvador]Ô papai, por favor.

[Antônio] Cala a boca, Salvador.

Fica tranquilo, Vicente.

Eu e a Ana, já que ela vai trabalhar conosco a partir de agora,

estamos apenas nos conhecendo.

Não é isso, Ana?

[Ana] Exatamente.

Seu pai, Vicente, só estava me mostrando a hospitalidade da Brüderlich.

Eu estou achando até interessante conhecer o reino dos machos tchê.

Não é assim?

[Tilintar]

[Mário] É... Com licença.

Desculpa interromper qualquer coisa... [Antônio] Mário. Mário.

[Mário] Só um minutinho...

[Antônio] Que besteira é essa?

[Mário] Eu preciso falar uma coisa impor... [Tilintar]

[Salvador] Outro? [Antônio] É.

[Vicente] Desculpa, Mário, eu também...

quero dizer umas coisas.

[Mário] Eu não terminei de falar ainda.

[Antônio] Não, um momentinho. Um momentinho.

Se vai contar história, conta logo, que é para não atrapalhar o nosso almoço, né?

[Vicente] Vou contar uma história.

Era uma vez um menino que se sentia diferente.

[Antônio] Era 'perneta'.

[Salvador] Hum-hum! Ele era fanho.

[Risos]

[Vicente] Ele gostava de outros rapazes.

[Antônio] Opa!

[Salvador] Hum!

É 'maricas', tipo aquela piada de comissário do papai.

Aquela é boa. [Antônio] É, foi boa.

Mas o Vicente não é muito bom de piada.

[Vicente] O rapaz morria de medo que descobrissem o seu segredo.

[Antônio] Ô Vicente, eu só não entendo o que

nós aqui nessa mesa temos a ver com esse infeliz.

[Vicente] Infelizmente, mesmo pai,

o homem abriu mão de sua felicidade para não constranger a família.

E hoje eu ouvi de alguém muito especial que é preciso ter coragem para ser feliz.

Instrumental

Eu sou gay.

[Suspiro]

[Janaína] Barbaridade.

Instrumental

[Bianca] Camilinha.

Instrumental

[Risos]

[Tosse]

[Salvador]Ai, meu Deus do céu.

[Vicente] Que bom que estão rindo.

Eu realmente não esperava essa reação.

Vocês entenderam o que eu falei?

[Antônio] Hum, não muito bem.

O que tu está dizendo aí?

[Bianca] Pai, o Vicente está pregando uma peça,

ele não falaria isso assim desse jeito.

[Vicente] Não, não estou pregando peça nenhuma.

O que eu quero dizer é que eu cansei de viver uma vida que o senhor quer que eu viva.

O que eu quero dizer é que eu sou homossexual,

que eu sou viado, que eu sou gay, que eu sou bicha.

É isso o que eu quero dizer.

[Salvador] É... Tipo, assim, 'boiola'?

[Suspiro]

[Antônio] Vicente, se isso é uma brincadeira, ela é de extremo mau gosto.

[Vicente] Não é brincadeira, pai.

Eu realmente sou gay.

Eu sou homossexual.

[Antônio] Basta! [Batida na mesa]

[Antônio] Tu não vê que está me...

me envergonhando na frente da minha família?

Sai da mesa.

[Bianca] Pai. Não faz isso, pai.

[Antônio] Cala a boca.

Levanta da mesa! Levanta! Vai embora.

[Bianca] Não, pai. Pai... [Antônio] Levanta da mesa!

Levanta! Sai! Sai da mesa! Sai!

E saia daqui!

Eu não quero mais te ver nem pintado.

Onde já se viu, na frente da família?

Pouca vergonha.

Filho 'amulherado'.

[Camilinha] Tio Vicente.

[Antônio] E aproveita e faz as malas e vai embora dessa casa.

[Janaína] Vicente.

[Camilinha] Gente, estamos em pleno século 21!

Vocês realmente estão chocados?

Na minha sala tem um menino que tem dois pais, e os dois são gays.

Ninguém julga ele por isso.

[Antônio] Tá bom, querida.

Vai... vai... vai sentar. Vai lá.

[Salvador] É...

Bom, existem desgraças piores nessa vida, né, papai?

[Antônio] Papai...

'Puta que pariu'.

'Puta que pariu'!

Para de me...

Ai!

[Mário] Pai? [Gemidos]

[Mário] Pai! [Bianca] Pai! [Salvador] Papai!

[Janaína] Antônio! [Bianca] Pai!

[Janaína] O que está acontecendo?

[Mário] Pai, respira, respira. [Bianca] Pai.

[Mário] Chama uma ambulância, por favor. Chama.

[Salvador] Papai, papai. Respira, papai.

Papai...

[Bianca] O que é isso? [Salvador] Respira, papai.

Papai. [Bianca] Pai. Pai, pai.

[Salvador] Eu não sei por que é que não deixam a gente entrar.

Eu quero...

eu quero saber como é que está papai.

Eu quero falar com papai!

[Bianca] Para de chamar ele de papai.

[Salvador] Mas...

mas ele não está aqui agora.

[Bianca] Mas incomoda a mim também.

[Salvador] Como é que está papai, hein?

[Médica] O Sr. Antônio está bem.

Fiquem tranquilos.

[Bianca] Que bom. [Médica] Foi só uma angina leve.

O pior já passou.

Mário, seu pai quer ver você.

Instrumental

[Médica] A sós!

[Porta rangendo]

[Antônio] A notícia já se espalhou, né?

[Mário] Notícia? Pai, que...

A do seu infarto?

[Antônio] A notícia da vergonha que se manteu sobre a nossa família.

Nunca mais vou poder sair na rua.

Todos já sabem, né?

[Mário] Ah, você está falando dessa notícia.

[Antônio] Como é que eu não desconfiei, meu Deus?

Como eu não desconfiei que o seu irmão era um...

um 'bicha'?

[Bipes]

[Mário] É que, pai, não está escrito na testa da pessoa quando o cara é gay.

[Antônio] Não, na testa não, mas os trejeitos, né?

O jeito de...

de cruzar a perna, sei lá.

O jeito de caminhar, de se vestir.

O seu irmão falava como homem.

Como é que eu não desconfiei daquele cabelinho?

[Mário] É que, pai, você não precisa se vestir como

mulher para você ficar com outros homens, sabe?

[Antônio] Como é que tu sabe?

[Bipes]

[Mário] Eu?

Não, eu não sei de nada não, pai.

É o que dizem por aí, não é?

[Antônio] Tu já sabia disso, né?

[Mário] Ah, se eu soubesse, pai.

[Antônio] Hein?

[Mário] Não, não sabia, pai.

Te juro, não fazia ideia.

[Antônio] Mário, tu vai ter que assumir a cervejaria.

[Mário] Quê?

[Antônio] Tu é minha última esperança.

[Bipes]

[Mário] Eu?

[Bipes]

[Mário] Então, pai, é uma pena, mas não dá.

Não dá.

Eu estou sem tempo e a Bianca...

a Bianca seria ótima.

[Antônio] A Bianca?

[Mário] É, a Bianca.

[Antônio] Vem cá.

Onde já se viu uma mulher tomar conta de uma empresa

do tamanho da nossa, ainda mais com aquele...

com aquele marido que é um idiota, um puxa-saco.

[Mário] Pai, respira. Respira, pai.

[Antônio] Quem tem que tomar conta da empresa é tu, que é um varão.

[Mário] Calma, pai.

[Antônio] Macho, o meu orgulho.

Meu filho, tu vai tomar conta da empresa.

[Mário] Calma, calma. Calma, pai.

Eu fico. Eu fico, tá?

Eu fico. Eu fico.

[Antônio] Fica? [Mário] Fico.

[Bipes]

[Mário] Eu fico.

[Bipes]

[Suspiro]

[Bipes]]

Instrumental

[Salvador] Como é que está o papai?

[Mário] Ele... ele está bem.

Foi só um susto. [Bianca] Ele perguntou por mim?

[Salvador] É...

[Pigarreando]

[Salvador] Então amanhã eu...

eu estarei na cervejaria para assumir a direção.

[Mário] Então, Salvador, papai pediu que eu assumisse a Brüderlich.

[Salvador] Como é que é?

[Mário] Mas eu gostaria de contar com a sua ajuda amanhã na reunião.

Tudo bem?

Instrumental

[Salvador] Eu estarei lá.

Instrumental

[Mário] Obrigado.

Instrumental

[Mário] Licença.

Instrumental

[Suspiro]

[Mário] Eu vi que você me ligou, tá?

Mas eu... eu...

eu não consegui atender.

Você não faz ideia do que aconteceu aqui.

Ai, meu Deus do céu! Aconteceu...

Aconteceu uma tragédia.

É.

Me... me liga assim que você ouvir esse recado, tá?

Instrumental

[Elevador] Sobe.

Instrumental

[Ana] Tudo bem?

Como é que está seu pai?

[Mário] É...

Está bem. Foi só um susto.

Dono Antônio é forte.

[Ana] Ai, que bom.

Tem alguma coisa que eu... que eu possa fazer?

[Mário] O quê?

[Ana] Vocês precisam de ajuda com alguma coisa?

[Mário] Ah, não. Não.

A Bianca vai ficar aqui.

Eu estava indo para casa.

[Ana] Ah, então você quer uma corona?

[Mário] Claro.

Tranquilo.

[Reluzir]

[Acelerando]

[Mário] Olha só, garota, eu acabei de sair do hospital, eu não quero voltar para lá.

[Ana] Fica tranquilo, que nessa velocidade a gente

não iria para o hospital, porque a gente morreria direto.

[Acelerando]

[Mário] Ai! Ai, que alívio.

[Ana] Vem cá, como é que está o seu irmão?

[Mário] Ah, eu não sei.

[Ana] Vocês não conversaram? [Mário] Sobre?

[Ana] Sobre ele ser gay. [Mário] Sabe como é que é, né?

Você é criado com uma pessoa e simplesmente a pessoa do nada...

[Ana] Posso te falar uma coisa? [Mário] O quê?

[Ana] Eu admiro muito a atitude do seu irmão.

[Mário] Desgraçado.

[Ana] Olha, mas vejo que Dono Antônio criou o caçulinha na intolerância.

[Mário] Não, não. Não é nada disso que você está pensando não.

Na verdade, o meu pai...

Quer que eu assuma a cervejaria agora.

E, na verdade, eu tenho os planos de voltar para a minha paixão.

[Celular tocando] [Ana] Paixão é?

[Mário] É. É.

Cê bateu tão forte com o teu amor...

Nocauteou, me tonte...

[Mário] É teatro.

[Ana] Eu amo teatro.

[Mário] Eu sou escritor.

[Ana] Jura? [Mário] Juro.

Eu saí para estudar Administração,

mas eu me formei como um dramaturgo mesmo.

[Acelerando] [Grito]

Instrumental

[Vicente] Eu fui expulso de casa pelo meu pai.

Eu vou embora.

[Helena] Você conhece seu pai, ele esquece.

[Suspiro]

Instrumental

[Vicente] Tenho que ir.

Instrumental

[Suspiro]

Instrumental

[Porta abrindo]

[Porta fechando]

[Reluzir]

[Helena] 'Puta que pariu'.

[Reluzir]

Instrumental

[Ana] Deixa eu te ajeitar.

[Risos]

[Ana] Bom, a gente se vê amanhã?

[Mário] Amanhã, né?

É, amanhã vou ter que fazer coisa que eu não faço a mínima ideia como é que faz.

[Ana] Vamos lá?

[Mário] Vamos.

[Ana] Bom, o Vicente me contratou até a festa anual.

Então estou aqui para te ajudar.

[Mário] Sério?

[Ana] Sério.

[Mário] Não, mas tudo bem para você?

[Ana] Lógico. Eu vou adorar.

Instrumental

[Mário] Ah, obrigado.

[Ana] E olha, a minha intuição me diz que coisas incríveis podem acontecer.

Você não está sentindo?

[Camilinha] Oi. [Helena] Oi.

[Mário] Oi. [Ana] Oi.

[Mário] É...

[Helena] Se bem conheço o meu neto, eu diria que ele está interessada nessa Ana.

[Camilinha] Capaz, acho que a Ana não é muito o tipo dele não.

[Helena] Será?

[Mário] Então...

[Ana] Então até amanhã. [Mário] Amanhã, né?

[Ana] Até mais. [Mário] Tchau.

Boa noite. [Ana] Imagina. Boa noite.

[Ruídos]

[Vicente] Ai, 'merda'.

Ah.

[Mário] Você é um 'filho da puta'!

[Vicente] Eu fiquei sete anos enfiado nessa fábrica aguentando o nosso pai.

O nosso pai!

Eu aguentei.

Enquanto você só se preocupou com os próprios planos, Mário.

Você é muito egoísta, Mário.

Você fica brincando de escrever no Rio de Janeiro

enquanto eu aguento aqui. [Mário] Você é um ignorante.

Você é um ignorante.

É isso o que você é, seu ignorante.

Seu ignorante, seu caipira ignorante, igual nosso pai.

Igual.

[Vicente] O que você disse?

[Mário] Caipira ignorante.

[Vicente] O caipira ignorante te sustentou todos esses anos, mas agora chega.

Chega! Acabou!

'Porra'!

'Porra', Mário!

[Ofegantes]

[Vicente] Você não enxerga que por causa da nossa família

a gente perdeu a nossa dignidade, Mário?

Que a gente está brigando por um problema que não é nosso.

Esse problema não é nosso.

[Passos]

[Helena] Parem já com isso!

Seu irmão tomou uma decisão e deve ser respeitado.

Calma

[Mário] Mas vó...

Calma

[Mário] Tá. Tá, tá. Entendi.

Tá.

Calma

[Vicente] Tchau, vovó.

[Helena] Um dia seu pai haverá de entender.

[Pancada] [Gemidos]

Instrumental

[Fernando] Mas vamos ver pelo lado bom,

seu irmão abriu o caminho,

agora a família está com experiência.

[Mário] Se um filho gay deixa o meu pai no hospital, com dois ele morre, né?

[Kiko] Tá. Mário, assim, tenho nada a ver com isso não,

mas isso é muito cafona, tá?

Lá em casa somos dois irmãos gays, uma irmã sapata e está tudo bem.

[Xande] Credo! Como é que vocês fazem para reproduzir?

[Kiko] A gente comprou um chihuahua.

[Risos]

[Kiko] Juro.

[Fernando] Mário, você vai vir ou não vai vir para a apresentação?

[Mário] Ah, Nando, não sei se vai dar agora que tudo mudou,

tenho que dar essa força na fábrica.

[Fernando] Você está realmente pensando em colocar o terno

e assumir a direção da cervejaria?

[Xande] Não, ele vai de bombacha mesmo tchê.

[Risos]

[Lana] Que isso, Xande? O assunto é sério.

Olha, houve uma saída do armário e um infarto. O que é isso?

[Kiko] Ih! Você é dramática, hein, minha linda.

[Lana] Sou realista, querida.

[Fernando] O negócio dele é a escrita.

Não é, meu amor?

Aliás, como é que está o manuscrito do romance?

Eu estou louco para ler.

[Mário] Assim que estiver pronto, vai ser o primeiro a ler.

Tá bom? O primeiro.

[Fernando] Oh, eu tenho certeza que vai ficar maravilhoso,

porque você é maravilhoso, tudo o que você escreve é maravilhoso.

[Kiko] Hum!

[Lana] Você é maravilhoso.

[Mário] Tá bom. Mas só depois da festa anual, tá?

Não tenho cabeça.

[Fernando] Você vai acabar afundando essa fábrica.

Só digo isso. [Kiko] Para.

[Mário] Nando, a Ana vai me ajudar.

[Xande] O que? A afundar a fábrica?

[Fernando] Shhh! Espera aí. Ana?

Quem é Ana?

[Mário] A Ana? [Fernando] O quê?

[Mário] É uma coaching...

uma coaching contratada da empresa.

Não te falei?

[Kiko] Tem racha no meio, gente. Bafão.

[Xande] Gente, é aí que mora o perigo, tá bom?

Elas chegam mansas e do nada 'inhá'!

Dissimuladas, descobrem macho, descobrem...

[Fernando] Espera aí. Espera aí.

Para, para com isso, gente. Para, bicha.

[Kiko] E aí, Mário? [Fernando] Nossa Senhora!

[Kiko] Foi mal. [Fernando] Fala, Mário.

Vem cá, essa...

essa Ana aí, por acaso ela é solteira?

[Mário] O que é isso, Fernando?

[Fernando] Não.

[Mário] Isso, é uma profissional, tá legal?

E a bichinha, coitada, é feia, é feia.

Baranga que só.

[Fernando] Olha só, Mário, você tem uma missão aí.

Você resolve logo, conta para o seu pai e vem encontrar com a gente.

Instrumental

[Lana] Beijo. [Fernando] Beijo.

[Xande] Tchau. [Kiko] Beijo.

[Xande] Beijo. [Lana] Tchau.

[Fernando] Beijo, beijo. [Lana] Saudade. [Kiko] Tchau, tchau.

Boa sorte aí. [Fernando] Saudade, muita.

Tadinho, gente.

Foi lá se assumir e ainda tem que pagar com a bichice do irmão.

[Kiko] Agora me diz uma coisa, o irmão dele é ativo ou passivo?

Você sabe? [Xande] Ai, deixa de ser cafona.

Hoje em dia todo mundo é flex.

[Lana] Ah, no teu tempo, porque no meu tempo seria a famosa 'pam'.

[Em coro] 'Pam'?

[Lana] Passiva até a morte.

[Xande] Ai!

[Kiko] Ai, isso não é madeira não.

Alegre

[Helena] Levanta dessa cama, Antônio.

Isso é puro teatro.

Um homem da sua idade agindo dessa forma?

O médico já lhe deu alta.

Ah, que vergonha.

[Antônio] Está com vergonha do teu neto, é?

[Helena] Não, estou com vergonha do teu preconceito.

[Antônio] Hum!

Um filho 'homossexu'...

'sso'... 'homos'...

[Helena] Homossexual.

Nem a palavra você consegue dizer.

Que ignorância.

[Antônio] Ah.

[Helena] Você sabia que homofobia é crime?

[Antônio] O Vicente jogou o nome da nossa família na lama, mamãe!

[Helena] Chega!

Chega!

Levanta dessa cama!

[Resmungos]

[Helena] Ah, só por Deus.

[Salvador] O lugar onde a mágica Brüderlich acontece.

Alegre

[Ana] Vem.

Alegre

[Salvador] Dá licença.

[Ana] Ixi!

[Porta batendo]

[Salvador] Ô Mário, o que é que tu está pretendendo, hein?

[Mário] Eu?

Ana, o que a gente pretende?

[Ana] A minha proposta é revolucionária, bem ousada mesmo, Salvador.

Eu acredito que para uma empresa crescer, ela precisa inovar, conhecer o público.

O público é muito exigente, né?

Ele não gasta o seu dinheiro com qualquer coisa.

A gente precisa estar atento as demandas desse público o tempo todo.

E um dos mercados que mais cresce atualmente é dos produtos

voltados para o público pink, o público LGBTQI+, Salvador.

Que por essência são produtos que quebram com os padrões.

Então a minha sugestão é que a gente produza uma cerveja rosa, assim o indivíduo...

Vai se sentir representado, valorizado, livre para ele ser quem ele é.

Instrumental

[Palmas]

[Suspiro]

[Risos]

[Salvador] Até parece que ela sabe do que está falando, né?

[Ana] Ô Salvador... [Mário] Por favor...

[Ana] Então explica para a gente, por favor, o que seria o 'startup mentality'.

[Salvador] 'Star'... o quê?

[Ana] Tenta mais uma vez.

[Risos]

[Salvador] Tu quer matar o papai com esse negócio de cerveja rosa, né?

[Ana] Eu tenho certeza que o Sr. Antônio gosta de ganhar dinheiro.

Mário, eu estava pensando no seguinte, será que

não tem um lúpulo rosé, um malte avermelhado,

alguma fruta que a gente possa acrescentar na fórmula para conseguir esse tom?

[Mário] Eu acho que...

É... Lúpulo?

[Ana] Lúpulo. [Mário] Sim.

[Ana] Bom, e aliado a esse lançamento,

a gente precisa de uma estratégia para trazer

esse novo consumidor para a vivência Brüderlich.

Então nada melhor do que lançar a cerveja pink na festa anual da Brüderlich.

[Risos]

[Salvador] Na festa anual da Brüderlich.

[Ana] Exato.

[Salvador] Dona Ana, o que a senhora entende de cerveja, hein?

Eu acho melhor ela voltar para aquele negócio do vinho rosé dela.

[Ana] Eu acho melhor você evoluir, né?

[Salvador] Não, eu acho melhor...

[Mário] É... Eu acho melhor a gente terminar essa reunião,

porque eu confesso que o dia foi realmente

muito cansativo, né, para todos nós.

E eu estou com fome, muita fome.

E vamos jantar?

[Salvador] Não.

Obrigado.

Eu não quero ter uma indigestão.

[Risos]

[Mário] Hum, ok. [Ana] Claro.

Bom, já que o Salvador não aceitou o convite, eu aceito.

[Aplausos] Alegre

[Mário] Está uma delícia.

[Flauta] [Susto] Alegre

Alegre

[Ana] Muito obrigada pela exibição cultural da serra gaúcha, Mário.

Não tenho nem como te agradecer.

[Mário] Hum! Um brinde, tchê.

[Ana] Um brinde.

Alegre

[Mário] Hum! [Ana] Hum!

[Mário] Vem cá. [Ana] Diga.

[Mário] Você acha que essa história de cerveja rosa,

cerveja gay, vai dar certo?

[Ana] Lógico que vai dar certo, Mário.

Eu sou boa no que eu faço, né?

Agora, vem cá, a gente não veio aqui para falar de trabalho, né?

[Mário] Não? [Ana] Não.

[Mário] A gente veio falar do quê?

[Ana] De você. [Mário] Eu?

[Ana] Bom, eu ia adorar saber mais sobre o Mário Brüderlich.

Você tem namorada? [Mário] O quê?

[Ana] Namorada, você tem?

Alegre

[Mário] Não.

[Ana] Que bonitinho, você ficou sem graça.

Você está corado, Mário.

[Celular tocando]

Seu amor me pegou...

[Mário] É... [Ana] É a Pabllo.

Cê bateu tão forte como o teu amor...

[Mário] É, é. [Ana] É.

[Mário] A minha sobrinha que botou o toque para mim.

[Ana] Ah, tá. [Mário] Eu não sei tirar.

Nocauteou, me tonteou. [Mário] Alô?

Oi.

Não, não.

Eu não posso falar agora, eu estou em uma reunião aqui de trabalho.

[Homem] Hei!

Alegre

[Mário] Licença.

É. Ok. Não. Tá.

Alegre

Tá bom. Também.

Tá bom. Tchau.

Alegre

[Ana] Mário, desculpa, eu não quero te ferrar com

nenhuma namorada, ficante ou sei lá o que você está.

[Mário] O quê? [Mulher] Hei!

[Mário] Olha, uma coisa que eu posso te garantir é

que não tem mulher nenhuma me ligando.

Alegre

[Kiko] Ô Nando, relaxa, cara.

Vai ver que a reunião do Mário era importante mesmo.

[Xande] É, Mariozinho é Caxias, super correto.

[Kiko] É. [Xande] Imagina.

Ele deve estar cheio de trabalho.

[Ana] Tequila! Eletrônica

[Mário] Estou... estou tranquilo.

[Ana] Te-qui-la!

Bebe.

Eletrônica

[Ana] Hum!

Sabe que eu conheço uma autora que eu acho que tem

tudo a ver com o que você escreve, você devia ler, é a Vizma...

[Mário] 'Simmel'. [Ana] 'Simmel'.

[Mário] Não acre... [Ana] Mário...

[Mário] Você conhece a Vizma.

[Ana] Eu amo o trabalho dela. [Mário] Eu amo o trabalho dela.

Não é possível.

Eu achei que só eu conhecesse ela no mundo.

[Ana] Está vendo?

Isso é o universo colocando as pessoas certas para se conhecerem, não acha?

[Agitação] Pop Rock Brasileiro

[Ana] Uou!

Pop Rock Brasileiro

Lança menina...

[Risos]

Lança todo esse perfume...

Desbaratina...

Não dá pra ficar imune...

Ao teu amor...

Que tem cheiro...

De coisa maluca...

Vem cá, meu bem...

Me descola um carinho...

Eu sou neném...

Só sossego com beijinho...

Vê se me dá o prazer...

De ter prazer comigo...

Me aqueça...

Me vira de ponta cabeça...

Me faz de gato e sapato...

E me deixa de quatro no ato...

Me enche de amor, de amor...

Oh...

Lança...

[Agitação] Pop Rock Brasileiro

Lança perfume...

[Agitação] Pop Rock Brasileiro

Oh oh oh oh...

Lança, lança perfume...

[Agitação] Pop Rock Brasileiro

Lança, lança, lança perfume...

[Agitação] Pop Rock Brasileiro

Lança perfume! [Ana] Lança perfume!

[Ana] Saideira! [Mário] Saideira!

[Risos]

[Mário] Não imaginava que a nossa saideira seria aqui no seu quarto de hotel.

[Ana] Gostoso, né?

[Mário] Uhum!

Viu... É...

Sabe, eu nunca fui muito corajoso na minha vida,

eu sempre fui indeciso, nunca fui muito bravo...

Pop Rock Brasileiro

[Mário] E sempre quando tem algum problema, eu...

eu fujo, eu saio correndo e não olho para trás.

[Ana] É, mas acho que quando a gente encontra alguma

coisa que vale a pena, a coragem surge, né?

Pop Rock Brasileiro

[Ana] Não surge?

Quis evitar teus olhos...

[Mário] Surge. É.

Surge.

Mas não pude reagir...

[Mário] Então, Ana, eu...

eu preciso te falar uma coisa.

[Ana] Shhh!

[Mário] É que eu tenho outra pessoa na minha vida.

[Ana] Tá tudo bem.

[Mário] E é um namorado.

Pop Rock Brasileiro

[Mário] Eu sou gay.

[Ana] É claro que você é gay, Mário.

Nenhum hétero seria tão divertido.

[Risos]

Quando um certo alguém...

[Ana] Ela não sabia se o beijava ou se ia embora,

batendo a porta com uma força que o assustaria.

Então ela resolveu ficar parada ali,

encarando a vida

decidia o seu destino. [Mário] Decidia o seu destino.

[Ana] Muito bonito isso que você escreve no seu blog, Mário Brüderlich.

Ou seria Mário Fraterno?

Quando um certo alguém...

Desperta o sentimento...

É melhor não resistir...

E se entregar...

Me dê a mão...

Vem ser a minha estrela...

Complicação...

Tão fácil de entender.

[Suspiro]

[Mário] Hã!

Hã!

Pop Rock Brasileiro

[Susto]

Pop Rock Brasileiro

[Risos]

Pop Rock Brasileiro

Quis evitar teus olhos...

Mas não pude reagir...

Fico à vontade então...

Pop Rock Brasileiro

Acho que é bobagem...

A mania de fingir...

Negando a intenção.

Pop Rock Brasileiro

[Fernando] Mas desculpa te incomodar assim.

Eu realmente estava aqui trabalhando nessa região

e realmente o Mário acabou me contando,

que ele é um amigo meu de longa data, a gente tem, né,

uma intimidade, que o senhor estava hospitalizado.

[Antônio] Não, mas já melhorei. Já...

já estou pronto para outra.

[Salvador] Papai é uma rocha.

[Fernando] Bom, e o Mário não está, está?

[Antônio] Não, o Mário. Tá! [Fernando] Está?

[Antônio] Está, é só que ele está dormindo, né?

[Fernando] Ah é? [Antônio] É.

É que ontem ele saiu com uma potranca e se acabou na noite.

Chegou sabe lá Deus a que horas.

Está dormindo lá ainda.

[Salvador] A noite foi dura ó.

'Plac, plac, plac'.

[Risos]

[Fernando] Ah. Ah! Tá.

É, socador.

[Salvador] É, socador, até o talo.

[Fernando] Tá.

[Antônio] É malvado, centroavante, matador.

[Risos]

[Salvador] Vem cá, me conta uma coisa, as cariocas, elas são...

Como é que é? São quente mesmo?

[Fernando] É, tem... tem... tem um fogo, né?

[Salvador] É. É bronzeada.

[Fernando] Oh! Uhum!

[Risos]

[Fernando] Mas é que eu...

realmente eu sou comprometido, tenho uma namorada,

sabe como é que é, né, não posso vacilar com isso.

É uma escritora.

É, de mão cheia.

[Antônio] Eu adoraria que o meu Mariozinho também tivesse uma namorada

que fosse assim das artes, né, da cultura, né?

[Fernando] Vai ter, Dono Antônio.

Vai ter.

Aliás, eu queria realmente falar com o Mário.

Eu estou com uma saudade dele.

Será que a gente não... não podia acordar não?

Eu posso ajudar. Ô Mário!

[Salvador] Mário!

[Antônio]Pessoal, o que é isso? Só um pouquinho, gente.

Calma.

Calma, calma.

Vamos acordar ele.

Eu vou chamar a Janaína, até porque um amigo do filho meu

é como se fosse da família, viu?

[Fernando] Ah, que bom.

[Antônio] Janaína!

[Janaína] sim, senhor.

[Antônio] Acorda o Mário, por favor.

Instrumental

[Janaína] Mário!

[Antônio] Não! [Janaína] Acorda!

[Antônio] Não, não. Não grita.

Olha a visita.

Vai até lá e acorda o Mário, tá bom?

Vai, meu amor. Vai. Vai, vai.

[Janaína] Tá bom.

Instrumental

[Janaína] Tudo eu.

Janaína isso, Janaína aquilo.

Instrumental

[Janaína] Tudo eu. Tudo eu.

...serve para nada, sabe?

Ah, meu Deus do céu.

Ai.

Sobe e desce nessa escada.

Não aguento isso.

Instrumental

[Suspiro]

Instrumental

[Ruído] Instrumental

[Janaína] Essa hora e esse garoto ainda dormindo.

Instrumental

[Batidas na porta] [Janaína] Mário?

Instrumental

[Mário] Tudo eu. Tudo eu.

[Roncando]

[Pigarreando]

[Gemidos]

[Janaína] Mário? [Mário] Hum?

[Janaína] Teu pai está te chamando lá embaixo.

Tem um amigo teu aí.

Bonitão.

[Mário] Ah.

Bonitão? [Janaína] Uhum!

[Mário] Ai, ai.

Sono.

[Janaína] Psi!

[Mário] O que foi?

Ah!

[Pigarreando]

[Mário] A voz não...

não está muito boa hoje.

É, está muito umidade.

[Janaína] Ah.

[Mário] Eu acho.

Instrumental

[Janaína] O Mário, hein, quem diria.

Hum!

[Salvador] Papai, domingo é jogo do Colorado.

[Antônio] Ah lá, mas vamos pegar a estrada e vamos lá ver o jogo.

[Salvador] Mas tem que vir antes, para não pegar engarrafamento...

[Antônio] Isso. Oh! Mário.

Olha só, meu filho, quem é que veio te visitar.

[Fernando] E aí, safadão?

É, cachorro, vigarista. [Antônio] Cachorro. É.

[Fernando] Vem cá.

Onde é que você estava, sem vergonha?

Sem vergonha.

[Mário] O que é que você está fazendo aqui, seu maluco?

[Fernando] Ah.

[Mário] Ah, mas bom te ver, amigo.

[Fernando] Bom, bom. Oh!

[Resmungos]

[Antônio] Isso que é amigo de verdade.

Veio lá de longe só para te ver, meu filho.

[Mário] É. [Salvador] É.

[Camilinha] Oi.

[Fernando] Oi.

[Camilinha] Tu é o famoso Fernando?

[Fernando] Sou.

[Camilinha] Tio Mário já me falou muito de ti.

[Fernando] É?

[Camilinha] Sua a Camilinha.

[Fernando] O tio sabe muito bem quem você é.

[Risos]

[Fernando] Falou, né? [Mário] Ah! Falei.

[Fernando] Falou.

Quero saber os detalhes da noitada.

[Antônio] Ah, não, não. [Salvador] A noitada.

[Antônio] Mas vai contar os detalhes da noitada enquanto

eu vou lá incendiar aquela churrasqueira.

[Fernando] Ah, vai Dono Antônio. Vai.

[Salvador] E é hoje que esse carioca vai conhecer

o verdadeiro churrasco gaúcho, passar.

[Fernando] Ah! Ah.

O que foi? [Mário] O que foi você?

O que você está fazendo aqui?

[Fernando] Você... você fugiu de mim o tempo todo.

[Mário] O que foi? [Fernando] Eu estava te...

Instrumental

[Mário] Ah.

Animada

[Lana] Silêncio vocês duas! [Kiko] Tudo bom?

[Lana] Olha, precisamos ensaiar direitinho para não atrapalhar 'Marioli'.

Não se esqueçam, somos a família tradicional.

Hum!

Animada

Viu, senhorita, ombrinho de cabide.

Vai, postura, postura.

Meu Deus! Mas está rebolando por quê?

[Kiko] Eu estou... [Lana] É pose de homem.

Para de comer chiclete. O que é isso?

[Xande] Ah, não. Não, não. [Lana] Para com isso.

[Xande] Não tem como, eu sou muito viado.

O Kiko viadérrimo, Lana.

É melhor você ir sozinha, porque é a única que convence.

[Kiko] Mas é lógico, né, gente, para ela é mais fácil.

Lana é mulher, ela nem lembra mais o que é ser homem.

[Lana] Não, não, não, não. Nem tanto assim.

Eu ainda carrego um pedaço do meu passado preso em mim, hum?

[Xande] Um pedaço nem tão pequeno assim, né?

[Risos]

[Lana] Cuida da sua vida, que está perigando, meu bem.

E mais, não é tanto assim também, vai do bofe.

Quer dizer, do bote, da presa.

[Risos]

[Mário] É óbvio que eu não dormi com ela. Você está maluco?

[Fernando] Bagaceira!

Bagaceira!

Passou a noite aonde?

[Mário] Eu jantei com ela.

[Fernando] Jantou? [Mário] Jantei.

Tinha uns papéis da empresa para levar para ela avaliar e foi isso que aconteceu.

[Fernando] Hum?

[Mário] Eu estava de cabeça quente.

Parei no primeiro bar que eu vi e enchi a cara.

[Pássaros]

[Cheirando] [Mário] O que foi?

[Fernando] Cheiro de racha. [Mário] O quê?

[Fernando] Ah, garoto, eu reconheço de longe.

[Salvador] Ô gurizada. [Fernando] Oh!

[Salvador] Vocês são chegados de uma linguiça?

[Fernando] Ah, linguiça eu adoro.

[Salvador] Que beleza, hein? [Fernando] O Mário... o Mário parou ou não?

[Mário] Não, não, não. Eu adoro. [Fernando] Ah.

[Antônio] Ô carioca, aqui no Sul só tem linguiça boa.

[Fernando] É?

[Antônio] Linguiça da parruda, sabe?

[Fernando] Ah, sei. [Antônio] É.

[Fernando] A parruda.

[Mário] Obrigado. Valeu, pai.

[Fernando] Obrigado, Dono Antônio.

[Antônio] Imagina.

[Mário] Esse perfume aqui foi a Camilinha que me deu.

[Fernando] Jura? [Mário] Juro.

E acabou essa discussão.

[Fernando] Mas eu... [Mário] Eu estou de ressaca.

Não quero discutir, acabou.

Shhh!

[Fernando] Você sabe que você é fraco para bebida.

Eu não sei por que você faz uma...

uma coisa dessa, seu besta.

Estava com saudade.

Olha que você assim de ressaca fica até uma gracinha.

[Mário] Ah é?

Seu gostoso.

[Fernando] Ah. Não. [Mário] Eu gostoso.

[Janaína] Mário!

Eu trouxe o mate. [Fernando] Mate.

Bota naquela mesa que a gente vai tomar esse mate.

Que eu gosto de mate, eu preciso de uma coisa forte.

[Mário] É.

[Fernando] Você... Três gotinhas você tem?

[Janaína] De adoçante?

[Fernando] É. Uhum!

[Mário] É. Obrigado, Janaína.

[Risos]

[Suspiro]

[Janaína] Marca de batom e rala a barba na piscina, três gotinhas de adoçante.

Ah.

[Fernando] Então, meu amor, qual é o plano para você

contar logo a verdade e a gente voltar para casa?

[Antônio] E aí gurizada, é na grelha ou no espeto?

[Mário] É grelo. Grelha.

[Fernando] Espeto. [Antônio] Bom...

[Mário] Espeto. [Antônio] Tem dos dois.

[Fernando] Tá. [Mário] Obrigado, pai.

[Risos]

[Mário] Ah, obrigado, papai. [Antônio] Saúde, meu filho.

[Fernando] Saúde.

[Mário] Então, meu amor, a minha família está passando

por uma certa dificuldade agora.

Como você pode ver, eles estão precisando de mim.

E a gente vai lançar a cerveja nova. Então...

[Fernando] Espera aí. Como assim? Ué?

Você está pensando em ficar aqui?

E eu?

[Mário] Nando, para de ser egoísta.

O meu pai quase morreu.

Para de pensar só em você.

[Fernando] Você está me escondendo algo.

[Mário] O quê? [Fernando] Hum?

Você está.

[Mário] Imagina.

[Mário] "Quando duas pessoas não estão mais juntas, uma sofre e a outra não.

Mas não é preciso ter medo de se deixar, porque tudo o que é

importante não nos deixa nunca, mesmo quando não queremos.

Portanto, no final, não se deixa nada

nem ninguém".

[Pássaros]

[Porta abrindo]

[Janaína] Pois não?

[Lana] Boa tarde.

Nós somos amigos do Mário, do Rio de Janeiro.

Eu e meus filhos estávamos passando aqui por perto e resolvi fazer uma visitinha.

[Resmungos] [Lana] Shhh!

Ele está?

[Janaína] Sim, sim. Estão todos na piscina.

Pode entrar. [Lana] Obrigada.

Animada

[Kiko] Gente, o Mário é safada e mergulhada na grana.

Olha só isso.

[Antônio] Ô Fernando, tu já provou a nossa cerveja ou não?

[Fernando] Claro.

Quando a gente vai para a night, a gente só toma Brüderlich.

[Lana] Fernando, meu filho querido!

Que saudade de você.

Vem dar um beijo na mamãe.

[Fernando] Mamãe?

[Lana] Mamãe.

Ai, que saudade de você.

Mamãe! Mamãe!

Que saudade de você.

Estava preocupada com o seu sumiço.

Oi, Mário.

Que prazer em revê-lo. Tudo bem?

[Mário] Oi. [Lana] Como vai?

[Mário] É...

[Antônio] Como vai, minha senhora?

[Lana] Muito prazer. [Antônio] Muito prazer.

Por favor, por aqui.

Eu sou Antônio Brüderlich.

[Lana] Sim.

[Antônio] Eu sou pai do Mário.

[Lana] Ah, pai do Mário.

[Antônio] Vamos participar do nosso churrasco,

que vocês são muito bem-vindos à minha casa.

[Lana] Ah, churrasco. Eu adoro salsicha.

[Antônio] Não é salsinha, minha senhora.

Isso é uma linguiça bem parruda.

[Lana] Ah, linguiça. Nossa! Hum!

[Mário] 'Fodeu'.

[Gemidos]

[Fernando] Muito. [Lana] Muito obrigada.

[Ana] Eu trouxe para você a pesquisa de tons.

[Bianca] Deixa eu ver.

[Ana] Você acha possível chegar nesse tom para a fórmula da cerveja?

[Bianca] Esse avermelhado?

[Ana] É.

[Bianca] É que para chegar nesses tons você não vai

conseguir nem com os maltes especiais.

Aí teria que usar um outro elemento, assim, uma fruta

ou então uma infusão de hibisco, por exemplo.

[Ana] Você devia participar da criação das cervejas.

[Bianca] Eu já trabalhei.

Eu sou engenheira química, sabia?

[Ana] Jura? [Bianca] Uhum!

Eu cheguei a desenvolver algumas fórmulas aqui,

mas o pai não gostava não.

Aí depois eu conheci o Salvador, né,

veio a Camilinha, e eu larguei.

[Ana] Entendi.

Mas dessa vez o seu pai vai gostar.

[Tilintar]

Calma

[Antônio] É. [Fernando] É. Uhum!

[Mário] É. [Xande] Ótima casa.

Linda.

[Antônio] É, né? [Mário] Obrigado.

[Pigarreando]

[Helena] Oh!

Oh, quanta gente bonita.

[Antônio] Oh!

[Risos]

[Antônio] Ô mamãe, que bom que você chegou.

Eu queria lhe apresentar, essa...

essa é a Lana.

[Helena] Ah.

[Antônio] A Lana é mãe do Fernando, que é amigo do Mário lá do Rio de Janeiro.

[Fernando] É. [Helena] Ah!

[Fernando] A minha mãe.

[Helena] Helena, muito prazer.

[Lana] Essa casa é mesmo uma realeza, não é?

Muito prazer em conhecer Vossa Senhoria, Dona Helena.

[Helena] Nem tanta senhoria, nem tanta realeza, Dona Lana.

[Risos]

[Mário] É. Que é isso, vovó?

Quer dizer, Dona Lana, nós somos uma família como outra qualquer, não somos?

[Antônio] Sim, claro. [Camilinha] Claro.

[Antônio] Como outra qualquer. [Mário] Outra qualquer.

[Fernando] Menos, mamãe.

Menos.

Dona Helena... [Helena] Sim?

[Fernando] Esses são os meus irmãos, Kiko, o caçula.

[Kiko] A senhora está boa?

[Helena] Ah! Momentaneamente ele está afônico devido

a uma faringite agudíssima, não é?

[Risos]

[Fernando] E o Xande.

[Lana] É, o meu primogênito do meu primeiro casamento.

[Antônio] Ah! [Lana] É.

[Xande] E aí, majestade?

Ui!

[Risos]

[Xande] Está quente.

Doeu.

[Lana] Doeu, né? [Xande] Hum!

[Lana] Queimou, é?

[Mário] Gente, vocês não tinham que ir...

[Fernando] Ir para Gramado. [Mário] Para a estrada, Gramado.

[Lana] Gramado? [Fernando] Isso, para Gramado.

[Xande] A gente vai para Gramado.

[Antônio] Oh! Oh! Só um momentinho.

Não, mas por que tão cedo, gente?

Fiquem aí. [Fernando] É cedo, Dono Antônio,

é para aproveitar que é só uma garoa.

[Trovão] [Gritos]

[Antônio] Viu?

Isso aqui é um aviso de São Pedro para vocês ficarem aqui essa noite.

[Fernando] É uma chuva passageira.

[Mário] Sim. [Fernando] Vamos, vamos.

[Trovão] [Vento] [Chuva]

[Fernando] 'Puta que pariu'...

[Chuva] [Trovão] [Vento]

[Antônio] Ô Dona Lana. [Lana] Hum?

[Antônio] O seu marido, ele não veio?

[Lana] Meu marido? [Antônio] É.

[Lana] Na verdade, eu...

eu fiquei viúva há treze anos, pai de Kiko.

[Antônio] Ah, eu sinto muito.

[Lana] É. [Antônio] É.

E a senhora não quis se casar novamente?

[Lana] É que não apareceu a pessoa à altura, sabe, Dono Antônio?

[Antônio] Ainda, né? [Lana] Ainda não.

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