All language subtitles for Tesis-sobre-un-Homicidio-BluRayRIPAC3-5.1-Espa├▒ol-Latino2013-ArtSubs-HORIZON

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Original subtitles

Tempo!

-Esquerda. -Vamos, vamos, vamos.

Esquerda, esquerda.

Direita a�, forte.

Concentra��o, vamos. Um, dois.

Muito bem, muito bem.

Encheu-me o saco para que lhe compre uma guitarra.

J� est� jogada... Fez tr�s aulas e agora me pede uma bateria.

Abuso de direito se chama isso.

Isso se chama ser ot�rio que compra tudo o que me pede.

Vem amanh�?

-A que horas? -Cedo, �s 08h00.

Ganho um de presente ou deverei comprar?

Para que? Se nem vai ler.

Posso precisar dele. N�o sei quantas p�ginas tem.

Minha mesinha anda meio desnivelada...

Sim, eu tamb�m achei quando sua mulher colocava a roupa.

Mas depois me esqueci de te dizer.

Todo ano � igual. Ao Cardozo s� importa esgotar o programa.

Eles baixam tudo da Internet.

Pergunta o que � um fato jur�dico... Nem sabem.

-Ol�, -Ol�, tudo bem?

-Sabe por que continuo aqui? -Pelas meninas.

Mais que isso, muito mais.

N�o, sou um idiota que ainda pensa em deixar

-aos filhos um mundo melhor. -Deixa-me esclarecer algo.

parece-me que voc� n�o � muito certo.

Aos 30 batalhar� por um cargo.

Aos 40 pela grana e aos 50 pelo prest�gio.

Voc� fez tudo ao contr�rio. Tenho um metabolismo complicado.

-Uriarte. -Aqui.

-Villaz�n. -Presente.

-Weistein. -Eu.

-Yolis. -Aqui.

Bem...

Quero dar-lhes boas-vindas e esclarecer algumas coisas.

H� muitas raz�es para estar aqui. Mas somente uma � a correta.

Quem veio aqui para fazer contatos, est� no lugar errado.

O estudante cr�nico necessita terapia, n�o uma p�s-gradua��o.

Aquele que questiona tudo, para mim � insuport�vel.

Mas o que nada questiona n�o tem futuro como advogado.

S�o oito aulas, oito semanas.

2500 p�ginas de leitura obrigat�ria

e mais de 3000 de leitura complementar.

Para a oitava aula

cada um de voc�s ter� que escrever uma tese

sobre um tema que ser� definindo no decorrer do semin�rio.

Perd�o, com licen�a.

-Ruiz? -Sim.

Tudo bem?

Tive alguns imprevistos. Desculpe-me.

O paradoxal dos imprevistos, Ruiz, � que podem ser evitados.

S� precisa arrumar espa�o na sua agenda.

Bom, previ que voc� ia se zangar se

e mesmo assim n�o pude evitar.

Da pr�xima vez saia um pouco mais cedo de sua casa.

Agora escolha um lugar e senta-se.

Onde est�vamos?

Dizia-nos que havia s� uma raz�o correta para estar aqui,

mas n�o nos disse qual �.

Aproveitar-me.

Se acham que s� por estarem sentados a�

levar�o minha assinatura em um diploma...

-Tchau. -Tchau, at� logo.

-Professor, tem um minuto? -Sim.

Espero n�o ter passado uma m� impress�o.

� que acabo de chegar a Buenos Aires

e ainda estou me instalando.

N�o, obrigado. Como est� seu pai?

Muito bem, obrigado.

Pediu-me que lhe mandasse lembran�as e desse isto.

N�o vai abrir?

N�o sei dissimular, se eu n�o gostar vai notar.

Prefiro abrir em casa.

Queria agradecer-lhe por ser aceito na p�s-gradua��o.

-� muito importante para mim. -N�o foi nada.

Eu gostaria de convid�-lo para jantar um dia destes.

A gente v�.

Estou de carro, quer uma carona?

N�o precisa. N�o se incomode.

-N�o � nada. -Cuidado.

E de passagem me guia, j� que pouco conhe�o a cidade.

Bom, vamos.

Sua m�e?

Quase n�o a vejo, viaja muito.

Tamb�m lhe manda lembran�as.

-Segue com a funda��o? -Sim.

Isso e algo que a mant�m afastada de meu pai.

Embora n�o acredite...

�s vezes essa � a �nica maneira de manter viva uma rela��o.

O que acha, Cec�lia?

-Bem, e voc�? -Do mesmo jeito que ontem.

-Chegaram os livros. -Sim.

E isto?

Um presente de Ruiz Cordera... Felipe. Lembra-se?

Sim,. claro. Ele est� aqui?

N�o, seu filho. Veio para meu semin�rio.

Perguntou-me sobre algu�m pudesse faxinar

uma ou duas vezes por semana. Dei seu telefone.

Bom, obrigada.

Que lindo, um presente.

Sim, divino.

Uma espada da justi�a a um advogado

� como se um coveiro ganhasse um caix�o em miniatura.

Se voc� est� dizendo.

Minha camisa branca?

Est� pendurada, quer que a repasse?

Sim, por favor.

Ol�.

Professor.

-Sol? -Sim.

N�o acredito! H� quanto tempo, como est�?

Muito bem. Soube da apresenta��o e vim.

-Que bom. -Mas cheguei atrasado, n�o?

Que nada. N�o perdeu nada. Logo serviram o vinho.

Uma dedicat�ria?

Tem certeza que quer trocar por um do Harry Potter?

Tenho todos.

Tanto tempo... O que deu de sua vida?

Bom, trabalho no escrit�rio do Carballo, h� dois anos.

Que bom... E que mais?

Casou, tem filhos?

N�o, estou muito longe disso.

De fato me separei recentemente de meu noivo.

Que bom, parab�ns.

Estou incomodando?

A verdade � que sim, um pouco.

Vou cumprimentar uns amigos e depois nos vemos.

Vai l�.

Muito boa a introdu��o.

Muito boa.

Obrigado.

Tem a ver com o que voc� disse h� pouco.

Um juiz n�o faz justi�a. Apenas se encarrega de fazer cumprir a lei.

O maior engano das sociedades modernas � nos fazer acreditar

que o legal � justo.

O problema que as leis e a no��o de justi�a

s�o criadas por um grupo de pessoas

que s� buscam sustentar seu poder.

O que digo � que

posso esmagar uma mariposa e retorc�-la at� que mora

e isso n�o � ilegal.

Agora, se essa mariposa pertencer a uma cole��o rara

de algum multimilion�rio, posso ir preso.

N�o � o ato em si o que se julga.

A lei n�o nos protege de um fato aberrante.

A lei s� interv�m se esse fato aberrante

amea�a a vontade de poder.

N�o, obrigado.

Vivemos em uma anarquia e ningu�m parece dar-se conta.

Todos os dias algu�m esmaga e retorce uma mariposa

e nenhuma lei pode fazer nada para impedi-lo.

-Interessante teoria, -� mais que uma teoria.

Olhem, tenho ao menos 20 argumentos para refutar isso,

mas eu poderia dar-lhe um conselho?

-Claro, -Voc� agora tem vinte...?

-Oito. -28 anos...

Fode tudo o que v� pela frente. O resto que se dane.

-Sabe que horas s�o? -Mais ou menos tr�s da manh�.

S�o quase quatro horas. Conversamos em outra hora.

Um juiz nunca tem acesso direto �s circunst�ncias de um delito.

Antes dele, chegam testemunhas oculares, os curiosos,

o vigilante da esquina, os param�dicos,

at� a datil�grafa.

N�o estou exagerando.

Folha 574 do caso L�pez Paunero.

Est� caderneta de notas. Vejam:

Do primeiro exame se nota que o "n�mero"...

encontrado a poucos metros do cad�ver,

n�o se corresponde com o da v�tima.

Demoraram mais de quatro anos para notarem

que em lugar de "n�mero", deveria ser "�mero" -do osso.

O juiz que deve decidir

sobre a inoc�ncia ou culpabilidade de um imputado.

E isto � feito tateando �s cegas.

Dadas estas circunst�ncias,

qual � a �nica ferramenta v�lida para um juiz?

Os fatos.

N�o, comprovar a certeza dos fatos

� o objetivo do juiz, n�o sua ferramenta.

A reitera��o dos testemunhos.

Muito menos.

Se fosse assim, um advogado s� precisa conseguir ou comprar...

vinte testemunhas que digam o mesmo e fim de caso.

Detalhes.

Tudo est� nos detalhes.

O que o juiz faz � um lento processo de distin��o

entre o acaso e o essencial,

e os detalhes s�o os que terminam por inclinar a balan�a.

Folha 761. O imputado...

declara ter adentrado ao edif�cio da rua Charcos,

altura do 3956...

sem precisar a hora exata

e que nesse momento toma conhecimento das circunst�ncias

pelas quais presta declara��o ante instru��o policial.

H� algu�m ca�do no ch�o no estacionamento.

-O que? -H� uma garota ca�da.

O que aconteceu?

O que poderia ter ocorrido?

Est� morta?

Parece que sim.

Que nenhum destes idiotas entrem por aqui.

-Falou com o vigia? -N�o senhor.

Fale.

-Como vai isso? -Bem, Bem, bem,

Delegado.

Deixem-no entrar.

Subdelegado ainda.

J� sabemos, a justi�a � lenta.

E como � que um advogado chega antes que um m�dico?

-Tenho plateia preferencial. -Claro.

-O que aconteceu? -O que n�o aconteceu?

Golpearam, estupraram cortaram-na,

e depois a assassinaram. Tudo completo.

A conhecia?

N�o.

Subdelegado.

Encontramos este bilhete.

"Morte �s mulheres como ela"?

� not�vel que a senhorita...

-Nome completo? -Mar�a Laura Di Natale.

-Domic�lio? -Av. Independ�ncia 611,

apto 830.

Um telefone.

154-197-4986.

Me espera, por favor?

Um pouco de �gua?

Obrigada.

N�o precisa ser agora, sabia?

Se quiser pode ir para a sua casa.

Prefiro resolver logo isso.

Voc� � daqui?

N�o. Sou advogado mas n�o exer�o. N�o se preocupe.

O subdelegado pede para entrar.

Obrigado.

Vai ficar tudo bem.

N�o acho, mesmo assim obrigado.

Delegado.

Berm�dez...

Ou n�o nos vemos nunca, ou todos os dias.

Vou achar que sente saudades, doutor.

Um pouco, sim.

-Vejo que redecoraram. -Uma perda.

-Um caf�? -Deixa pra l�, com licen�a.

J� adivinho para que veio.

Comprar entradas do baile de fim de ano.

N�o fazemos mais este baile.

A rapaziada prefere ir atr�s de putas.

Claro.

Di Natale, h� tempo que n�o temos algo assim.

Est� o preliminar?

Sim, morte por asfixia.

Encontraram golpes e cortes por todo o corpo.

O assassino a penetrou com uma faca de mesa

e injetou-lhe formol. Assim n�o sabe-se a hora do assassinato.

O corpo fica como que conservado.

-Quem tem o caso? -Seu amigo.

-Hern�ndez? -Sim.

Olha Alfredito...

Ningu�m viu nada, ningu�m escutou nada.

Foi � noitinha, h� essa hora todo mundo est� em aula.

-Ou na troca de aulas. -Pode ser.

Rastros n�o h�. Usaram luvas de borracha.

Encontramos uma.

Foi enforcada?

Sim.

Com as m�os?

N�o, com um len�o ou algo parecido.

-Quem fez a aut�psia? -Robles.

Sulco brando, assim�trico,

t�pico da press�o do atrito com um material liso,

equimose leve.

-Nada mais? -Que mais querem?

-Posso v�-la? -N�o.

-N�o te devo tantos favores. -Eu te devo um agora.

Di Natale,

a garota tinha uma correntinha no pesco�o.

N�o deveria ter marcas?

Poderia, mas depende da press�o ou �ngulo.

O material da correntinha, quem sabe.

Eu n�o sou m�dico.

mas por uma quest�o de senso comum,

se algu�m lhe apertou o pesco�o contra uma correntinha,

alguma marca teria que ter.

Pode haver ter desaparecido antes da aut�psia.

Ou pode ser que o assassino haja posto a corrente ap�s mat�-la.

Por isso n�o tem marcas.

� uma possibilidade, ou n�o?

� um lindo gesto.

A mata e depois lhe presenteia com uma correntinha.

O que foi? A conhecia?

N�o.

Acho que n�o.

Posso esmagar uma mariposa...

e retorc�-la at� que mora e isso n�o � ilegal.

Agora, se essa mariposa pertence a uma cole��o rara

de algum multimilion�rio, posso ir preso.

N�o � o ato em si o que se julga.

Um fato, qualquer que seja...

forma parte de uma cadeia de causas e consequ�ncias.

N�o � significativo sozinho

e forma parte de uma trama que deve ser revelada

j� que, e sublinhem isto...

nunca h� azar num fato penal.

Permita discordar com isso, professor.

Por que n�o, Villaz�n? Se � de seu costume.

� que essa � uma vis�o teleol�gica do fato penal.

Se conceber os fatos isolados, sem v�nculos causais

pode inferir que um fato pode desencadear v�rias consequ�ncias

e que apenas o azar dir� qual delas ocorre e qual n�o...

-Al�? -Laura Di Natale?

Isso � em Purmamarca. Em Jujuy, o ver�o passado.

-Tinha namorado? -N�o.

Terminava e voltava com Claudio, um rapaz do trabalho.

Qual era a desse Claudio?

Um maluco.

N�o sei. Ele tinha namorada e nem ligava.

Vale podia estar com quem quisesse.

Sua irm� tinha um pingente em forma de mariposa.

Eu n�o sei, por qu�?

N�o.

Posso ficar com esta?

Sim.

Escaneio e depois lhe devolvo.

Sim. N�o h� pressa. Tudo bem.

Que fazia sua irm�?

Vale?

Trabalhava no bar em frente da faculdade.

Al�m disso,

Tinha come�ado a praticar tecido acrob�tico.

Ia duas vezes por semana e estava muito contente com isso.

Queria ir ao M�xico.

Estava economizando e eu havia visto alguns albergues para ela.

Se davam bem?

Sim.

Sim, Vale era um g�nio.

N�o consigo entender como algu�m

pode fazer uma coisa assim.

Escute...

preciso que passe um tempo tentando recordar

tudo o que lhe parecer ser importante.

Um amigo novo, um n�mero de telefone, seja o que for.

Se lembrar de algo que pare�a importante,

ligue para mim, entendeu?

H� v�rias hip�teses, mas nada concreto.

Fizemos interrogat�rios, investigamos o entorno,

e nada.

Era de Jun�n. Os padres ainda vivem l�.

Ela vivia aqui, com uma irm� mais nova.

Checamos os e-mails,

as mensagens de texto e chamadas.

Nada relevante. Havia um paquera.

Estamos investigando.

� de um bar, onde ela trabalhava.

Acho que ela o escolheu ao azar.

Foi planejado.

Ningu�m carrega uma seringa com formol

e uma faca Tramontina s� por carregar.

O crime pode ter sido planejado.

Mas a v�tima foi circunstancial.

Uma seita, um ritual, um assassino em s�rie?

Mas isso n�o lhe interessa muito.

Interessa tanto quanto os 186 casos a meu encargo.

E a voc�?

-J� a conhecia? -N�o sei.

Trabalhava no bar, em frente � faculdade.

Fui l� muitas vezes.

Pode ser que tenha me atendido, mas n�o lembro.

Come�a a fazer sentido.

-Como vai ela? -A M�nica?

Vai bem. Tem muito sono.

Desculpe-me. No outro dia, n�o percebi que era tarde.

Posso levar uma c�pia?

Voc� sabe que n�o.

-Voc� n�o est� no caso. -Como se chama a irm�?

Tanto esfor�o por algu�m que voc� nem conhecia.

Alfredo, ela foi morta praticamente na minha frente.

S� quero saber quem foi.

Eu te conhe�o. Se sabe de algo, diga.

Se n�o, deixe o trabalho para a justi�a.

Certo, a justi�a. Acabei esquecendo essa parte.

Bem. Obrigado.

-Soube dos rumores? -Qual deles?

Tinha raz�o, tiraram o Cardozo. O lugar � seu.

Eu n�o sabia.

S� espero que se lembre quantas vezes

dei um jeito para te deixar feliz.

Estamos frente a referencia argentina

mais importante da cole��o.

Nessa obra, podemos notar

que � usado um dos efeitos mais importantes...

-Professor? -Gonzalo?

-Como vai? -Bem. Vendo a exposi��o.

Gosta de Picasso?

N�o muito, francamente. Estou gastando tempo.

Devo encontrar algu�m, no bar.

Eu sou admirador incondicional.

� meu artista favorito.

Teria um minuto? Quero lhe mostrar algo.

Sim, claro.

� o quadro mais importante de Picasso.

O Guernica � s� propaganda

para os incultos que n�o admiram quadros

e repetem o que os outros incultos dizem.

Fica evidente.

N�o se deixe levar pelo tamanho,

� um quadro pequeno, mas possui tudo.

No centro o Cristo crucificado, quase irreconhec�vel.

� direita, est� a Mitra, um deus persa,

adotado pelo imp�rio romano,

nos primeiros anos do cristianismo.

Ao lado, o que parece ser uma m�scara ritual africana.

Neste canto, est�o os elementos da tortura,

o prego na m�o, a lan�a do centuri�o,

o pano molhado no vinagre,

que era posto sobre a ferida, para aumentar a dor,

e embaixo, as roupas de Cristo s�o disputadas nos dados.

-Percebeu? -Perceber o qu�?

Cristo, Mitra, touro, s�o todos sacrif�cios

de v�timas inocentes que devem ser imoladas,

em benef�cio da humanidade.

N�o importa a v�tima.

O homem � lobo do homem e n�o h� como mudar isso.

Os detalhes est�o todos a�, � s� saber olhar.

� como o senhor disse, quando falava de um crime.

-N�o acha interessante? -Muito interessante

e bem mais barato que o guia do museu.

Monica! Doutora?

-Ol�! -Como vai?

-Como vai? -Pensei que voc� tinha parado.

Um, de vez em quando.

Voc� estava me esperando?

N�o, foi coincid�ncia.

-Olha s�! -Tem um tempinho?

Preciso lhe perguntar algo.

Lembra-se do Ruiz?

Felipe? Sim, � claro.

O filho dele faz um semin�rio comigo.

O Gonzalito? Olha s�.

-E como ele vai? -Estranho, muito estranho.

Vaidoso.

-T�mido? -N�o. Eu sei a diferen�a.

Ao contr�rio, � soberbo, arrogante.

Como quem est� acima de tudo.

Ent�o puxou o Roberto.

Quando pequeno, lembra, voc� era seu �dolo?

-Ou era a m�e? -Pensei que esse caso,

-havia prescrito. -Est� arquivado, s� isso.

Este aqui?

Para algu�m da minha idade, o que acha?

Para sua idade mental, � perfeito.

Esportivo, juvenil.

Explique-se, Roberto.

Liga para mim �s 3 da manh�,

espera-me na sa�da do consult�rio?

Se eu te disser que o Gonzalo � um psicopata?

Por qu�? O que ele fez?

Soube do crime na faculdade?

-Soube. -Acho que ele est� envolvido.

-O Gonzalo? -N�o pergunte por qu�?

Eu n�o sei, os ind�cios, os detalhes, a atitude dele.

Acho que ele a matou.

� muito grave o que est� me dizendo.

Eu sei.

-Contou ao Alfredo? -N�o.

N�o tenho nada concreto, mas sei que foi ele.

E mais. Sei que ele quer que eu descubra.

� como um jogo.

-Eu sei o que est� pensando. -Eu n�o disse nada.

O caso da torre � distinto, n�o h� rela��o.

Eu sei como ele pensa. Sei o que tem em mente.

N�o posso explicar, mas o conhe�o e sei que foi ele.

Mas pode estar enganado.

Oi!

Laura? O que faz aqui?

Algu�m precisava pagar o aluguel.

Como vai voc�?

Estou.

-Quer conversar? -Quero.

Na verdade, precisa saber o que pedir, como e a quem.

Estou me ocupando do caso.

Assim que saiba algo, chamo voc� e conto.

Falei com meu pai, sobre voc�.

Ele disse que voc� era desses abutres

que querem dar uma bicada.

Meu pai fala desse jeito.

E o que voc� disse?

Que voc� tinha cara boa.

Isso � bom ou mal?

N�o sei, estava cheia daquilo.

N�o queriam me deixar sair. Minha m�e chorava.

� l�gico.

O Jun�n vai funciona um tempo, eu acho.

Depois, vai come�ar a ser pesado.

-D� para perceber? -Um pouco.

Voc� � casado?

Tento n�o cometer o mesmo erro mais de uma vez.

-Tem filhos? -N�o.

Por isso se divorciou.

Foi r�pida. Tirou uma foto de mim.

Desculpe. �s vezes falo demais.

Tudo bem. Na verdade, n�o fui o marido exemplar.

Quando ela me queria, eu estava atolado no trabalho,

quando eu a queria, ela tinha se atolado com outro.

-Que enrascada. -Fazer o qu�.

Lau, vamos. Hora de voltar.

J� vou.

Gosta de comida peruana?

Se n�o tiver outra op��o.

Convide-me.

-Vamos sair um dia desses. -Certo.

Muito obrigada. Por tudo.

Voc� ligou para a casa de Monica e Roberto,

deixe sua mensagem, por favor.

-Como vai Cec�lia? -Bem e o senhor?

D� para o gasto.

-Posso lhe pedir um favor? -Sim.

Poderia fazer uns bifes � milanesa,

com a carne do congelador?

O problema � esse rapaz,

o filho do Ruiz, aonde eu ia hoje.

A que horas?

Eu disse que ap�s meio dia, quando sair daqui,

assim aproveito que ele n�o est� l�.

Se n�o estiver l�, n�o vai notar

um pequeno atraso.

Certo. Ent�o farei as milanesas com acelga.

Perfeito.

Voc� ligou para a casa de Monica e Roberto,

deixe sua mensagem, por favor.

-Boa tarde. -Boa tarde.

64,50.

Algo mais?

Isto.

67 pesos.

Demorei para achar.

Quer um u�sque?

N�o estou acostumado.

D� um r�tulo azul a ele.

Eu queria ser m�sico, mas n�o tenho bom ouvido.

Suponho que o Direito d�-me certo controle.

� um modo de ordenar o mundo, mesmo sendo ilus�o.

As coisas s�o como s�o,

mas poderiam ser de outra forma.

Tem certa l�gica.

A l�gica � uma inven��o humana. O mesmo para a moral.

Mas precisamos de uma lei, de algo pr� estabalecido.

Eis a quest�o. Precisamos, mas n�o temos.

Por isso inventamos valores, normas, cren�as.

Todos n�s temos uma tese de como o mundo deveria ser.

Qual � a sua?

Minha tese � que nenhuma tese est� correta.

N�o.

Minha tese � que n�o h� como saber qual tese � correta.

Bem, n�o sei. Preciso formular melhor.

Por que eu? Por que veio para c�?

Desculpe?

Isto... Por que veio ao cu do mundo,

fazer um curso com um advogado aposentado?

Bem. Vejo isso de outra forma.

Aqui � minha terra e voc� teve grande influ�ncia na minha vida.

Desde quando?

Faz 10 ou 15 anos que n�o o vejo? Mais?

Como poderia ter influ�ncia se voc� era um bebe?

Eu tinha 9 anos na �ltima vez. Era meu anivers�rio.

Tenho as fotos at� hoje.

�s vezes se influi, mesmo sem estar presente.

Meu pai sempre repetia que voc� era um homem brilhante.

Creio que por muitos anos, voc� fora o N�meses dele,

essa esp�cie de inimigo imagin�rio,

que criamos para nos medirmos.

Para superarmos.

N�o tenho o suficiente para iniciar

uma competi��o com seu pai.

N�o seja modesto.

Eu cresci escutando hist�rias sobre voc�.

N�o sei se deveria contar-lhe isso, mas...

aos 15 anos meu pai me levou para fazer um teste de DNA.

Ele tinha d�vidas.

Jamais fomos buscar o resultado.

Meu pai � meu pai. O que quero mais?

Falando em tese, iniciei minha monografia

e pensei num caso meio antigo, de Portugal.

Mas agora me ocorreu usar o caso Di Natale.

O que voc� acha?

N�o sei. � um caso aberto, atualmente.

Sim. Mas � um caso especial, concorda.

Eu nunca estive t�o perto de uma cena de crime

e � uma sensa��o estranha. N�o posso deixar passar.

H� centenas de casos melhores que esse

que servem para voc�.

Iniciei minha monografia

e pensei num caso meio antigo, de Portugal,

mas agora me ocorreu usar o caso Di Natale.

"jovem assassinada em portugal"

"Crime com requintes de perversidade"

"Pol�cia Civil busca pistas do crime da cabeleireira"

"Mulher encontrada morta na estrada da praia de Portim�o."

"Jovem morta na praia de Portim�o"

"...assassinada e estuprada..."

"...injetaram formol no corpo antes da morte..."

S�o casos distantes entre si, mas h� um �modus operandi�,

um padr�o que se repete, na escolha das v�timas.

Que s�o semelhantes � m�e dele.

Refiro-me � semelhan�a f�sica.

N�o est� falando s�rio.

Muito s�rio.

Voc� escutou tudo o que lhe contei?

Os ind�cios, as provoca��es. Acha que eu inventei tudo isso?

N�o, n�o quis dizer isso.

H� pessoas capazes de fazer isso

e coisas muito piores. Acorde, Monica.

-O que busca, Roberto? -Quero sua opini�o.

-M�dica ou pessoal? -Seja qual for ela, Monica.

Gostaria que se colocasse num plano mais elevado,

mais distante, para analisar, julgar...

Queria que mergulhasse, fosse a fundo,

levasse mesmo a s�rio.

O que voc� quer de mim?

Trouxe a voc� um caso e quero saber o que pensa.

Preocupa-me v�-lo assim.

N�o complique. N�o sou eu o caso, o caso � ele.

Certo.

Deixe-me ver.

Os dois crimes tem forte componente sexual.

As v�timas s�o mulheres jovens, atraentes.

H� certo grau de crueldade com seus corpos.

Se fosse arriscar um perfil, baseada nessas caracter�sticas,

diria que o criminoso � do tipo psicopata,

com caracter�sticas de perversidade.

Os dois crimes poderiam ser cometidos pela mesma pessoa?

Sim. Ou duas pessoas, com perfil psicol�gico similar.

Seria casualidade apenas a pessoa estar

nos dois lugares onde os crimes foram cometidos?

Voc� disse que ele viveu 3 anos em Portugal.

Quantos crimes cometidos na �poca? V�rios?

Quantos crimes h� no mundo?

O que foi, Roberto?

Voc� encontrou o que queria encontrar.

Est� querendo o mundo amoldado a voc�.

Que as coisas sejam como pensa que devam ser.

Quem sabe por que enfiou na cabe�a

que ele � culpado e vai enxergar apenas

o que confirma isso?

Conhecemos o Gonzalo desde o nascimento.

N�o. Conhecemos quando nasceu, � diferente.

Bem, voc� � inteligente e pode ter raz�o

e n�o tenho como refutar nada, mas se estiver certo,

precisa deixar a justi�a investigar.

Fale com o Alfredo.

O Alfredo n�o pode fazer nada,

pois � um desafio entre o rapaz e eu.

O que interessa exatamente para voc�?

Fazer justi�a ou provar que tem raz�o?

S� mais uma coisa.

Ele pode matar de novo?

Qualquer um que sinta prazer fazendo algo perverso,

vai voltar a repetir, cedo ou tarde.

Obrigado.

-Pegue aqui. -Obrigada.

Leu todos eles?

Mais ou menos.

-E o trabalho, como vai? -Bem.

Comecei a fazer dan�a a�rea.

�. Tem um show do �For�a Bruta�, daqui algumas semanas,

na f�brica. Gostaria de ir?

� desses lugares onde voc� fica o tempo todo de p�,

te enchem de papel picado, que gruda...

e depois puxam voc� para cima, numa corda?

Mais ou menos isso.

Vai ser demais para mim. Esquece.

Bem... Como quiser.

-� voc�? -Sou.

Veja isso!

Posso preparar algo para comermos?

Posso fazer macarr�o

com molho cremoso ou n�o cremoso.

N�o, obrigada. Eu j� comi.

-Soube mais alguma coisa? -N�o muito.

Est�o fazendo testes de DNA, cruzando chamadas do �ltimo m�s,

essas coisas.

N�o v�o peg�-lo, n�o?

Vai ter que esperar.

Tenho muitas saudades dela.

Sim, eu sei.

Gostaria de ter compartilhado mais tempo com ela.

N�o pense nisso agora.

� que ainda n�o consigo acreditar,

sinto que se foi de viagem e que em qualquer momento vai voltar.

Trago um copo de �gua para voc�.

N�o, j� tenho que ir.

-O que � que tinha que me dar? -Sim, espere um segundo.

Isto era de sua irm�.

Estava entre as coisas dela.

Se v� que extraviou.

-Isto era da Vale? -Agora � seu.

Vamos ver?

Achei que devia ser seu.

Obrigada.

-Pare. -Est� bem? -Pare, o que faz?

Desculpe.

N�o sabia que praticava boxe.

Viu como � a coisa,

tem que saber brigar.

Quer treinar?

N�o, n�o sou muito bom nos esportes.

Villaz�n disse que estava me procurando.

Sim. Espere enquanto me troco.

Ano 1986, caso Pi�eiro, homic�dio agravado.

N�o foi muito conhecido.

A v�tima era um fan�tico por armas,

tinha uma cole��o de mais de 200.

A mulher o encontrou em seu

escrit�rio com um tiro na cabe�a.

A fechadura n�o estava for�ada, n�o havia sinais de luta.

N�o faltava nada, a arma homicida estava no ch�o,

era uma de sua cole��o, tinha suas impress�es digitais.

Pelo �ngulo do disparo e a proximidade da arma,

pensou-se em suic�dio.

Disse homic�dio agravado, isso tirou o suspense.

Surgiu um detalhe

muito importante durante a investiga��o.

O cara era canhoto,

e o disparo foi efetuado com a m�o direita.

-Erro de novato. -Pensaram isso.

-Professor. -Ol�.

-Avisaram de amanh�? -Do qu�?

Depois da aula vamos brindar o anivers�rio da Carla.

A primeira rodada � por minha conta.

Muitos advogados juntos.

N�o creio que seja um lugar bom para mim.

-Voc� vem galego, n�o? -� claro que sim.

-Tchau. -Onde estava?

O falso suic�dio.

Sim, come�ou-se a pensar em um matador, em um criminoso,

algu�m que n�o era conhecido da v�tima

e isso desviou a aten��o para qualquer lado

durante muito tempo.

At� que o fiscal pensou, e se n�o foi um erro?

Se quem o matou sabia que o cara era canhoto

e a �nica coisa que quis foi confundir a investiga��o?

Agora sim fica interessante.

Tem tempo?

Sim, claro.

De repente mudou completamente o eixo da investiga��o.

O assassino tinha que conhecer perfeitamente a v�tima.

Tanto para que abra a porta

e o deixe entrar, chegar at� seu escrit�rio,

escolher uma arma de sua cole��o,

aproximar-se o suficiente e atirar.

Resumindo, o filho o matou.

Deram 20 anos para ele.

Se tivesse usado a m�o esquerda teria sido o crime perfeito.

N�o era m� ideia atirar com a direita.

N�o, era �tima, era muito boa,

mas foi muito longe.

Quis que o crime fosse notado, deixar suas digitais.

Esse � o pior pecado que pode cometer um criminoso.

A soberba.

N�o concordo.

Acredito que � a falta de intelig�ncia.

Mas � que quase sempre � o mesmo.

Se for manter duelo silencioso com um investigador,

n�o pode subestimar sua capacidade, nunca.

-Ol�. -Laura.

Como vai?

-Bem. -Perd�o, Gonzalo.

-Ol�. -Laura.

-Ol�, tudo bem? -Muito bem, e voc�?

Bem. Espanhol?

Argentino, com sotaque.

� aluno do Roberto?

De fato, acho que sou seu preferido.

Tomem a carta.

Ol�.

-Estava dormindo? -Roberto?

Sim, eu te acordei?

N�o, mais ou menos, aconteceu algo?

N�o.

N�o, queria saber como voc� estava.

Bem.

-Est� sozinha? -Sim, por qu�?

� um pouco tarde, me desculpe. N�o percebi.

Falamos amanh�, o que acha?

Tudo bem?

Sim. Amanh� eu te ligo.

T�.

N�o pode fumar aqui.

Desculpe, n�o percebi.

Professor, muito obrigado por tudo,

foi um imenso prazer assistir suas aulas.

N�o precisa tanta formalidade, Villaz�n.

-Obrigado. -Parab�ns.

Muito obrigado.

Professor, obrigado de verdade.

-Obrigado. -De nada.

-Boa sorte. -Obrigado.

�ltima oportunidade, vai vir � festa da sexta-feira?

N�o creio.

A verdade � que n�o sabia o quanto escrever,

o tema d� para muito ent�o decidi encurt�-lo ao essencial.

Espero n�o aborrec�-lo.

N�o creio, tenho muita curiosidade.

Sabe quando o terei corrigido? Voltarei nestes dias.

Sim? T�o breve?

Sinto falta da minha casa

e al�m disso meu trabalho aqui est� feito.

Sendo assim quero dizer que estou seguindo seu conselho.

Qual?

Esse de guardar tudo o que puder.

Al�?

Sim, pode subir.

Ol�.

-Entro? -Sim, claro.

Est� diferente, cortou o cabelo.

Sim, mudei, n�o gostava como o tinha.

-Foi ideia dele? -De quem?

Quem te disse para cortar assim?

Ningu�m.

N�o disse isso diretamente,

mas te manipulou para que cortasse.

N�o entendo do que est� falando.

Laura, sei que est�o se vendo.

Est� me seguindo?

N�o, n�o, n�o � isso.

Sei o que aconteceu com sua irm�.

N�o foi uma casualidade a matarem em frente � faculdade.

Tampouco � uma casualidade que tenham

escolhido precisamente aquele dia.

Tudo, absolutamente tudo era parte de um plano.

Tudo, os detalhes, o formol, a nota,

o pingente que colocou, tudo.

N�o entendo,

Valeria foi parte de um experimento,

uma esp�cie de tese.

O assassino queria que eu o descobrisse.

-Quem? -Gonzalo!

N�o, n�o pode ser.

Gonzalo viu que sua irm�

deixava o carro frente da faculdade.

Ele a escolheu e a� decidiu que ia ser sua v�tima,

n�o � a primeira vez que faz isso.

Sei que parece uma loucura mas n�o �, acredite.

Esperou o dia da aula para que o �libi fosse perfeito

e para que eu estivesse presente.

Esse era o desafio, foi deixando pistas sutis,

mas muito claras para mim.

Por isso me deu o pingente de Vale.

Laura, preciso que me ajude.

O que est� fazendo? Est� me usando?

N�o, n�o sou eu, n�o sou eu.

Gonzalo � um assassino.

Ele est� jogando com voc� e comigo,

est� jogando com os dois.

Tenho um plano e est� funcionando,

mas preciso que fa�a sua parte agora.

Por que faz isso comigo?

Por que Gonzalo ia querer matar como um animal a minha irm�?

N�o sei, e n�o importa agora.

A mim sim me importa!

Est� me dizendo que o cara com quem me deitei

matou a minha irm�.

N�o tem sentido, � uma loucura n�o pode ser!

Ou�a, se digo isso � por que estou seguro, acredite.

� um psicopata filho da puta,

� um assassino que diverte com este jogo perverso

de me provocar e deitar com voc�.

Pensa.

Pensa um minuto, por favor.

N�o me toque. Onde fica o banheiro?

Em meu quarto, no fundo do corredor.

Calma.

-Est� melhor? -Sim, mas preciso ir.

Laura, � importante que entenda isto,

Gonzalo � um cara muito perigoso,

n�o precisa v�-lo nunca mais.

-Quero ir. -Confie no que te digo.

N�o me toque. N�o me toque e me deixe ir!

-O que faz? -Me deixe ir!

Deixe-me sair.

Por que tem medo? S� quero te ajudar.

Abaixa isso, me ou�a, d�-me aqui.

Laura, Laura!

Laura!

Falei com o pai. M�nica me contou sua teoria.

N�o me citou?

Sen�o n�o tinha desculpa.

Disse que o filho � um g�nio, um rapaz brilhante.

Todos os pais dizem o mesmo, Alfredo.

-H� quanto tempo n�o dorme? -Durmo pouco, mas durmo.

Estive checando, nada oficial,

o rapaz n�o tem antecedentes, nem uma m� nota do col�gio.

Sim, j� sei, � um aluno exemplar.

Qual � com o garoto? � algo pessoal, n�o?

Para que pergunta? J� deve ter o laudo m�dico.

N�o me importa as brigas que teve com ele,

com a m�e dele ou com quem quer que seja.

Sabe o que � a presun��o de inoc�ncia, n�o?

Acredito que sim.

N�o, digo por que outra vez teve um problema...

O caso da torre n�o tem nada a ver com isto.

Aquela vez eu me enganei.

Agora n�o.

De acordo com o estabelecido no artigo 256

do regulamento da lei...

O citamos para amplia��o das testemunhas, nada mais.

Calma, n�o vou pedir que fa�a algo

que ponha em risco seu cargo.

N�o me preocupa o meu, preocupa-me o seu.

A garota j� fez uma den�ncia.

A pena estabelecida para falsos testemunhos

do artigo 255 do c�digo penal argentino

e o artigo 190, inciso 8 do regulamento da lei 4794.

-Compreende isto? -Perfeitamente.

Sabe que pode estar junto com um advogado?

Eu sou um advogado.

Bem. Nome completo?

-Gonzalo Mar�a Ruiz Cordera. -Nacionalidade?

Argentino.

Senhor Cordera,

voc� foi chamado para prestar declara��o testemunhal

do caso de viola��o seguida de morte

da senhorita Valeria Di Natale.

� amigo �ntimo ou se relacionava com frequ�ncia?

Manteve inimizade, �dio ou ressentimento

que se manifestem por feitos conhecidos com as partes

ou tem outro g�nero de rela��o com a v�tima?

N�o, n�o a conhecia.

Est� livre para dar testemunho.

Sim.

Muito bem, voc� est� a par dos fatos ocorridos

em 23 do m�s corrente que

custaram a vida de Valeria Di Natale?

Sim, claro.

Sigo o caso nos jornais

e al�m disso estive naquela noite na faculdade.

N�o recordo exatamente a hora

mas estive um bom tempo na sala de leitura.

Viu ou escutou algo que pudesse

estar relacionado com o homic�dio?

Revirei muito o assunto

e adoraria poder ajudar na investiga��o.

Sei que qualquer detalhe � importante,

mas � que n�o recordo nada significativo, sinto muito.

Algum movimento fora do normal?

Algo pareceu fora de lugar?

N�o.

De toda forma n�o creio que tenha sido algu�m de fora,

mas acredito que foi algu�m que quis aparecer com o crime.

N�o entendo. Refiro que deve ser algu�m

que conhecesse o movimento da faculdade.

Que tinha andado antes por aquele lugar.

E que talvez teve contato com a v�tima

e por isso n�o chamou a aten��o.

Al�m disso estou quase seguro que

tem conhecimento de Medicina Legal.

Todo aquele cilindro de formol, n�o?

Imagino algu�m s�dico,

que possivelmente guarde um trof�u do crime na casa dele.

N�o sei.

Esteve em minha casa.

O filho da puta esteve em minha casa.

Ol�, sou Laura, deixe sua mensagem.

Laura!

Laura!

Laura!

Laura!

-O que voc� fez, filho da puta? -O qu�?

O que fez a ela, filho da puta?

-Onde est� a adaga, a faca? -O qu�?

Matou a garota Di Natale, eu sei.

Assassino filho da puta!

Um caf�?

Perguntou por voc� v�rias vezes.

N�o quero v�-lo.

Se te servir, n�o foi ele quem matou a sua irm�.

-Podem entrar. -Obrigado.

-Como est�? -Checou?

A garota est� bem, n�o aconteceu nada com ela.

Checou?

Maria Da Silva assassinada em Portugal em 2009.

O caso foi resolvido, Antonio Barreto,

trabalhador portu�rio,

foi julgado e condenado.

A Interpol me passou isso.

N�o foi ele.

Encontramos o recibo da Farmacity de 67 pesos

com um detalhe da compra, quer saber o que comprou?

Desodorante, pasta de dente, len�os de papel,

duas pilhas e uma caixa de preservativos.

N�o � este recibo, tirou o outro.

E o que me diz do marcador que estava em meu livro?

Esteve em minha casa, e as moedas?

Roubou as chaves de Cec�lia.

Voc� mesmo me disse que foi ao museu,

d�o o marcador com a entrada.

N�o roubaram nada de Cec�lia, tem as chaves.

As moedas, n�o sei, � um gesto t�pico seu, copiou de voc�.

E a adaga? O abridor de cartas.

N�o sei, n�o encontramos e o rapaz n�o a tinha.

Ele tinha a adaga, eu vi.

Tinha a adaga na m�o.

Tem certeza que viu?

N�o sei, n�o sei, j� n�o sei.

Um cara qualquer matou Valeria,

um louco, um doente, n�o h� nenhuma conspira��o.

N�o entende.

� um cara inteligente, tente ver as coisas de outra maneira.

Pense por um segundo que Gonzalo n�o a matou

e vai ver que tudo encaixa-se tamb�m.

O rapaz estava em sua aula quando aconteceu o crime,

envolveu-se com a irm� porque voc� a apresentou,

Fez uma tese sobre o caso porque queria te impressionar.

-Ele te admira. -N�o v�.

N�o quer ver.

Gonzalo est� no hospital, est� se recuperando.

Disse que n�o ia apresentar queixa.

Filho da puta.

Eu vou ter que sair do caso por raz�es �bvias.

Ainda n�o entende o que perdeu por tudo isto?

E a adaga, o abridor de cartas?

N�o sei, n�o o encontramos.

Ele tinha a adaga, eu vi.

..::: Art Subs :::.. 5 anos fazendo ARTE para voc�

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