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Oi. Vamos ficar outra noite.
Deviam ter avisado antes do checkout.
- Quantas pessoas? - S� tr�s hoje.
- No mesmo cart�o? - N�o, em dinheiro.
Celular tocando.
Seu celular est� tocando.
Sim, mas n�o estamos trabalhando esta noite.
- Entra. - N�o.
Entra!
� minha m�e?
Todas para fora! J�!
Qual � o seu problema, porra?
Estourou a m�o do cara de quem dependemos?
E agora? Ele est� apavorado e sangrando na banheira!
- Ela fez de prop�sito. - N�o, � mentira. N�o.
O combinado era meter medo, n�o meter bala.
Achei que ele fosse pegar a arma. Foi leg�tima defesa.
E o que fazemos agora? Gastou nossa �nica bala.
Desculpem. Merda!
N�o podemos assaltar uma van sem armas. Sabia?
Ent�o n�o assaltamos e pronto.
Arranjamos dinheiro de outro modo, procuramos um emprego normal.
- Deixe-me pensar. - Ah, Wendy�
T�nhamos tanto medo de voltar � vida normal e n�o sermos capazes�
de a vida nos cuspir como uma centrifugadora,
que preferimos assaltar uma van de cafet�es.
N�o era pra comprarmos iates e joias.
Era simplesmente por p�nico.
B�BLIA
Meninas, sei onde pode ter armas.
Enfim, uma boa not�cia.
- S� que � um lugar diferente. - Diferente como?
Tipo uma cabana de ca�adores?
No cemit�rio.
Voc� fica com o cara dos materiais, j� que atirou nele.
Naquele momento, tudo me parecia poss�vel.
Principalmente porque eu pensava que Mois�s e Christian estavam longe.
E que Romeo mandaria dois novatos para coletarem o dinheiro dos clubes,
os quais seriam f�ceis de pegar de surpresa.
Mas eu me equivoquei.
� uma alegria estarmos juntos de novo, n�o �?
� como voltar pra casa.
E, para mostrar que n�o guardo rancor, farei um gesto de confian�a com os dois.
Amanh� coletar�o o faturamento dos meus neg�cios de van.
Como sempre? Em Madeira?
N�o. Como sempre, n�o.
V�o acompanhar o Caceta e Xuan.
Escolta dupla.
N�o queria envolver ningu�m de fora da fam�lia nisto,
mas preciso treinar as novas gera��es,
caso decidam me deixar na m�o de novo.
Olha, eu estou cem por cento aqui.
Mas vou te dizer duas coisas, Romeo.
Primeira: Este aqui � meu irm�o. Voc� s� � meu chefe.
E segunda: N�s dois fizemos muitas coisas por voc�.
� voc� quem tem uma d�vida conosco.
N�o o contr�rio.
A bala saiu limpa, n�o atingiu os tend�es.
Na internet, dizia que o importante � que consiga fazer uma pin�a. Consegue?
Consegue fazer uma pin�a?
� a minha m�e, n�?
Se eu n�o atender, ela vai chamar a pol�cia.
- M�e? - Ferm�n. Onde � que voc� est�?
Desculpe, m�e. Esqueci de te ligar.
Como esqueceu?
S�o 22h da noite. Saiu pra tomar caf� da manh� �s 10h.
Estou com as amigas que foram me buscar na loja.
Depois, fomos tomar uns drinques
e perdi a no��o do tempo.
- M�e? - Est� com elas?
- Est�o com voc� agora? - Sim.
S� uma.
Qual delas?
A loira.
Mas vou passar a noite na casa dela, ent�o n�o me espere.
- N�o vou voltar. - Passe pra ela.
N�o, mam�e. N�o funciona assim.
Como sabe? Nunca me apresentou nenhuma garota na vida. Passe.
Ol�, senhora.
Ol�. Qual � o seu nome?
Wendy.
Wendy, desculpe por ter ligado tantas vezes.
Eu estava preocupada.
Ferm�n n�o � de sair. Bem, n�o assim.
Eu me refiro a sair sem dizer aonde vai e por tantas horas.
N�o � que eu o controle.
Ele sai com os amigos e �s vezes, claro, chega tarde.
Gosta de arroz?
Sim.
Fa�o paella aos domingos.
Se quiser vir, est� convidada.
Claro. Muito obrigada.
Senhora, precisamos desligar. O gar�om disse que liberou uma mesa.
- Te amo, m�e. - Tchau, filho�
Boa noite.
Como vai?
Esqueci de dizer que n�o trocamos seus len��is e toalhas.
Deixaram a placa na porta.
FAVOR N�O INCOMODAR
Que tontas� Esqueci de tirar.
Trouxe uma garrafa de �gua e um aperitivo.
Obrigada.
Se quiser, posso chamar a camareira agora.
Estamos bem.
Nem todos os homens que consomem prostitui��o s�o iguais.
Nisso, como em tudo, existem clich�s.
Se pensar bem, de 100 a 200 caras v�o ao clube do Romeo por dia.
Seria falso dizer que todos se comportam como filhos da puta.
Tem os gentis,
os t�midos,
os carinhosos.
Os que se sentem culpados.
Os que s� querem falar.
Os que s� querem olhar.
Outros n�o t�m com quem dormir l� fora. Ou ent�o s� n�o querem.
Tem os que fogem do romance, das namoradas, das esposas�
e os abusivos.
Mas uma coisa todos t�m em comum.
V�m ao clube para fugir.
� estranho o lugar que para n�s � uma pris�o
os fazer se sentirem livres, se esconderem de suas vidas.
Ou, como no caso do coronel Espinosa,
se esconder da morte.
Bem-vindo, coronel.
Hoje, o Clube Las Novias � todo do senhor.
Aqui, fazemos amor. E, caso ordene, tamb�m guerra.
O coronel era um militar aposentado com tr�s paix�es:
- O Ex�rcito� - Viva a Espanha!
- Viva! - �a Espanha
e Gina.
Ao saber que a quimioterapia n�o havia funcionado,
seus amigos lhe organizaram uma despedida daquelas.
N�o, Gina.
N�o tenho medo de morrer.
Quando me aposentei, aquilo sim foi minha morte.
Preso em casa com a esposa, indo buscar as compras�
Por isso estou aqui e n�o com ela.
Comprei dois cachorros.
Uma horta.
Entrei num clube gastron�mico
e fiz uma bela cole��o de armas.
E s�o armas de verdade?
Claro. Ainda tenho porte de armas.
Gastei minhas economias nessas rel�quias. S�o itens de colecionador.
Da Segunda Guerra Mundial.
Essa � a heran�a que vai deixar pros seus filhos?
Um corretor imobili�rio e uma engenheira civil? N�o.
N�o acho que lhes interesse.
Ora, vamos�
Seus amigos reservaram o clube todo em sua homenagem.
Sabe quando um condenado escolhe sua �ltima refei��o?
N�o desce direito nem que seja lagosta.
Mesmo que seja uma iguaria, n�o � o que eles querem.
E o que voc� quer?
Que tal uma punhetinha?
Quer passear na praia comigo?
Christian,
quero que venha comigo.
Aonde?
� uma surpresa.
De boas-vindas.
V� na frente.
N�o vamos deixar o Caceta de taxista.
- Tem medo de morrer, Coral? - N�o.
Voc� s� tem medo de morrer se � importante pra algu�m, Gina.
Fam�lia, um filho, um amor�
Ent�o, n�o.
Minha fam�lia em Cuba n�o lamentaria tanto se eu morresse.
E essa crian�a � muito pequena pra sentir minha falta.
E o Mois�s?
Ficou t�o estranha quando se despediu dele ontem que�
Voc� se apaixonou por ele?
Por um cara que sequestra mulheres e cobra pra deixar que as estuprem?
Claro que n�o, Gina.
Ele disse que n�o nos ver�amos mais.
Sabe o que eu disse?
"Tomara."
Merda de despedida, n�?
�ltimo empurr�o?
Sai da frente.
Cuidado.
N�o tem armas.
Mas�
ele disse que sua �ltima vontade era ser enterrado com elas.
Quer uma batata?
N�o sou bom em falar com garotas.
Mas com putas � diferente.
N�o precisa ser simp�tico, especial ou espirituoso.
Tudo � f�cil.
Por isso, quando me disse "n�o"
Quando me olhou com cara de nojo�
eu fiquei doido.
Me magoei.
Se magoou?
Como pude ser t�o insens�vel?
Me perdoe, Ferm�n.
Esqueci que, como trabalho num clube, n�o tenho escolha.
- N�o � isso. Eu juro. - �, sim.
�, sim.
Esqueci por um tempo e fui beber�
e dan�ar com minhas amigas,
deixando tudo pra tr�s.
At� voc� aparecer�
e me lembrar de que nunca vou esquecer.
Se livre do corpo.
Eu limpo isto.
Aonde vamos?
Anda.
Aqui.
Aqui que seu pai est� enterrado.
Faz mais de 20 anos.
Estava chovendo, e foi a primeira coisa ilegal que fiz.
Fiz isso por voc� e seu irm�o.
- Mois�s, aqui! - Ajuda!
J� vou!
Estou com sua m�e.
Quero resolver isso da melhor forma.
Te trouxe aqui pra te lembrar de quem �.
Pra dizer que me tornei quem sou no momento em que enterrei seu pai.
S� quero ter uma vida normal, Romeo.
Eu tamb�m gostaria de ter tido uma vida normal.
Mas n�o tenho mais escolha.
Seria injusto voc� ter escolha e eu n�o, n�o acha?
N�o v� embora.
Christian�
quando tivermos tudo amarradinho,
vamos todos embora.
Mas agora n�o. N�o podemos pular do barco como ratos.
Diga que me entende, por favor.
Como ousa dizer que n�o sou sua fam�lia?
Este caix�o � estranho, Gina.
� muito profundo.
O que est� fazendo?
Ajude-me.
O qu�?
Bingo!
J� viu o t�mulo do papai alguma vez?
N�o.
Vamos aguardar mais um tempo.
- N�s tr�s, como sempre. - N�o existe mais "n�s tr�s".
Tenho um plano pra me livrar do Romeo.
Que plano?
Vamos roubar a van com o dinheiro dele.
Legendas: Othelo Sabbag
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