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� a�.
� uma despedida de solteiro.
N�o deve ter problemas, s�o moleques. Mas, se tiver, me ligue.
- Estarei por aqui. - Fazendo o que �s 6h da manh�?
Vendo o amanhecer na praia.
Certo.
Quer se juntar a mim?
N�o estou vestida para a ocasi�o.
Nem eu. Mas roupa �ntima e biqu�ni s�o a mesma coisa.
L�tex tamb�m?
L�tex, brilho, purpurina� Vale tudo.
Anda, vem.
- Temos que ir. - N�o!
N�o est� t�o tarde. Ningu�m vai perguntar.
Eu ficaria o dia inteiro, mas tenho que ir.
Vai � missa?
Sim.
- Tenho que pegar um ferry. - Pra onde?
Pra Madeira.
Atr�s de garotas?
N�o vou atr�s de garotas.
Pra qu�, ent�o?
Gosto de surfar l� tamb�m.
Tem uma praia incr�vel pra surfar aqui.
- Tamb�m d� pra fazer outras coisas. - Tipo o qu�?
Como comer bacalhau.
Por exemplo. Comprar roupas de marca baratas.
Lavar o dinheiro dos clubes do Romeo�
O que sabe sobre lavagem de dinheiro?
Eu? Nada.
Mas sei que Madeira � um porto livre.
E que ningu�m pergunta a origem do dinheiro que entra.
- Ou n�o? - Talvez.
Esconde as notas nas pranchas de surfe?
Est� esquentando.
Quando voc� est� juntinho com uma mulher ap�s o sexo,
� f�cil se confundir e contar coisas a ela,
mesmo que nem a conhe�a direito.
Afinal, acabaram de compartilhar um momento de extrema intimidade.
� normal dar com a l�ngua nos dentes e confessar coisas a ela
que jamais contaria nem � sua namorada,
nem � sua esposa, e muito menos � sua m�e.
Afinal, se somos s� putas, o que vamos fazer com essa informa��o?
Mas, na verdade, aqui dentro temos uma caixa preta.
Quem sabe isso possa nos dar alegrias no futuro�
A van para nos sete clubes do Romeo uma vez por m�s.
S� precisamos intercept�-la antes que chegue ao ferry de Madeira.
Assim, em vez de come�armos com menos 30,
come�aremos com dois milh�es de euros.
Tr�s milh�es�
Bem, isso�
parece mais f�cil do que o plano anterior.
A ideia do buraco foi uma merda. Eu viajei legal.
Ei, voc�!
D� a porra da van ou eu expludo suas bolas!
Passe o dinheiro, ou vai passar o resto da vida num carrinho de madeira!
Usando isto.
Mas n�s pretendemos render a van com uma bala s�?
Sim. N�s os amea�amos e atiramos no para-brisa.
V�o se cagar de medo, e n�o precisaremos atirar mais.
E quando ouvirem nossas vozes?
O que t�m nossas vozes?
Como assim?
Somos tr�s garotas, e eles s�o uma manada de machistas.
E acho que o Caceta estar� l�. Ou o negro, ou o chin�s.
Quando nos escutarem, v�o reconhecer nossas vozes.
E se n�o reconhecerem?
Ou fazemos um assalto silencioso�
ou encontramos algu�m pra ser o nosso gog�.
Adorei!
ABERTO
E a caixa preta de Wendy ajudaria muito nisso.
E a�, Ferm�n?
Ferm�n del Pino,
uma vida dedicada a vender ferragens e futuro gog� do roubo.
N�o o reconhece?
A princ�pio, Wendy tamb�m n�o reconheceu.
Oi, Wendy. Dia de folga?
Desculpa, eu te conhe�o?
Ela n�o o reconheceu
at� ele exigir um boquete no banheiro.
Roleta de buceta!
Ferm�n era aquele amigo retra�do que todo mundo tem. T�mido.
Aquele que vai � missa e ajuda as vizinhas.
Mas tamb�m tinha uma torneira que a qualquer momento podia abrir.
Como quando voc� abre uma lata.
E, quando isso acontecia,
ele virava um s�dico em quest�o de segundos.
Bastaria sacudirmos bem a lata,
e a fera que existia l� dentro
nos ajudaria a executar nosso plano.
Te vimos entrar.
Quer�amos te agradecer pelos drinques daquele dia.
Ficou at� muito tarde? Meus p�s est�o doendo de tanto dan�ar.
N�o, eu n�o dan�o muito.
Como v�o? Tudo bem?
�timo.
- Toma um caf� com a gente? - N�o.
- Acabei de abrir. - Qual �, homem.
Aquele dia, nos ofereceu tudo. Aceite nosso caf�.
Pode fazer uma pausa, n�o?
Senhora?
- Ele n�o pode fazer uma pausa? - Claro que sim.
Vai, mo�o! N�o nos dispensou assim aquele dia.
No dia seguinte, falou que queria nos ver de novo.
Ou era mentira, Ferm�n?
N�o.
Vai, filho. Pare um pouco. Tome um caf� e volte.
Vamos.
Sim.
Vamos.
- O que querem? - Calma, n�o fique todo tenso.
S� queremos dar uma volta
e conversar um pouquinho.
Sobre o qu�?
Esse jaleco lindo te faz parecer um cara s�rio.
Voc� vem com a gente. Quietinho, sem chamar a aten��o.
Pra comemorarmos nosso reencontro.
- Por favor, minha m�e est� ali. - Ent�o se despe�a.
Ou vai morrer na frente dela.
Anda.
N�o vai falar?
Est� assim por causa da mam�e? Ou porque nossa vida nova miou? Ei!
� o Romeo, n�?
N�o vai dizer nem uma merda de uma palavra?
N�o sei nem se est� me escutando.
Eu tamb�m queria arrebentar o Romeo. Mas a verdade � que ele est� na merda.
Pode ao menos olhar no meu olho?
Romeo sempre nos ajudou.
N�o sei se isso � bom ou ruim, mas � fato.
Ele nos deu trabalho, e nunca nos faltou nada.
Fale comigo, cacete. O que houve?
A mam�e vai ficar bem. Romeo n�o vai fazer nada com ela.
Vamos continuar como antes. S� isso, entendeu?
Chega de catatonismo, caralho.
Vamos voltar ao clube e fazer nosso trabalho como sempre.
- Por que gostam tanto deste terra�o? - Por que acha?
Tem reggaeton, um solzinho e vitamina D, que faz bem pra sa�de.
Talvez a boate esteja fechando cedo. Pelo visto, est�o entediadas.
- N�o! - Porra, n�o.
Sem chance.
Olha s� que lindos os uniformes ao sol.
De quem � esta merda?
Meu, claro.
Sei que n�o � seu, Tsunami. Gata?
Rub�?
Lupe?
N�o, papi.
"N�o, papi."
Beleza. Vamos achar a Cinderela desses peitos.
Ajudem, meninas. Estou tentando fazer o meu trabalho.
Isto � controle de qualidade. Mostre as tetas.
O mesmo vale pra cadeiras, carros ou putas.
H� padr�es que o produto deve atender. Mostre as tetas.
Novatas, venham aqui. Algumas n�o passaram pelo crivo do Romeo.
Christian.
Levante a blusa.
Encontramos a ganhadora.
Nada na frente,
nada atr�s.
Onde caralhos pensa que est�?
Passeia pelo clube com um suti� tr�s tamanhos maior e enchimento�
prometendo aos clientes algo que n�o tem.
Como se sentir�o quando virem que n�o tem nada a�?
Sinto muito. N�o vou mais usar.
E o que vai oferecer aos nossos clientes?
Acha que algu�m vem aqui
pra transar com uma mulher mais despeitada que o Caceta?
N�o. E vou dizer por qu�.
Porque sexo � excesso. � abund�ncia.
As orgias, os bacanais,
as esculturas de civiliza��es antigas.
As mulheres tinham peitos gigantes e coxas que pareciam pilares.
Quem somos n�s pra discutir com eles?
Por isso�
vai se operar.
N�o quero me operar.
N�o cabe a voc� escolher.
N�o � um capricho. � uma quest�o profissional.
Muitas daqui foram operadas pelo Dr. Guerra e est�o faceiras.
Parecem modelos de revista.
Pense nisso como um investimento na sua carreira.
O outro.
O maior.
Vejamos.
Vejamos...
Muito bem.
Anda, pra fora. M�os ao alto. Ponha as m�os na nuca.
- O que v�o fazer? Est� bem. - Anda.
- N�o! - Anda.
- N�o pare! - Por favor.
Anda.
A� mesmo.
- Entre. - Qu�?
Entre a� dentro.
Ou dou um tiro nas suas bolas e nunca mais vai esfreg�-las em ningu�m.
N�o sabia o que estava fazendo. Eu juro. Abaixe a arma.
O que voc� fez, sua louca?
Concordamos em assust�-lo, n�o em atirar nele, Wendy!
De joelhos.
Abaixe a arma.
S� queremos a ajuda dele.
De joelhos.
Eu ajudo, mas n�o me matem.
N�o vai ajudar.
N�o quero esse lixo na minha gangue.
Wendy, voc� disse que n�o ia mat�-lo.
Por favor.
Mudei de ideia.
Eu fa�o qualquer coisa. Por favor�
Fa�o qualquer coisa.
Vai fazer o que eu mandar?
Sim.
Sim, sim.
Muito bem.
Vai nos ajudar a cometer um assalto. Com sorte, vai salvar sua vida.
Eu aceito!
- Pronto, ele falou que aceita. - Eu fa�o!
Ele n�o vai fazer.
N�o tem culh�es.
Ent�o, vou mat�-lo.
Isso � um assalto!
Se algu�m se mexer, eu mato!
Se algu�m respirar, eu mato!
Se algu�m olhar pra mim, eu mato!
E foi assim que montamos nossa ganguezinha.
A ideia de morte iminente clareia a mente
e elimina o resto de dignidade da pessoa.
Que maravilha.
Que exuber�ncia.
Vai ver como v�o ficar bonitos em vestidinhos de ver�o.
Vai ter mais clientes hoje.
Hoje? Mas�
ainda tenho pontos.
Vamos cobri-los com curativos cor-de-pele para cicatrizes.
Em alguns meses, voc� n�o ver� nada.
Mas estou com dor e acho que estou com febre.
- N�o consigo levantar os bra�os. - Trabalhar vai te cair bem.
Charlotte, d� uns analg�sicos pra ela.
Ou haxixe.
Assim se distrai e pode come�ar a ganhar os dez mil euros
que me deve pela opera��o.
Achei que tinha dito que era seu investimento.
Investir�
significa adiantar o dinheiro.
Pensando em voc� e no seu futuro.
Al�m disso, ser� muito mais f�cil me devolver agora.
Vai ter que fornicar mais,
mas est� muito mais desej�vel agora.
Ampliou seu cat�logo.
Pode fazer espanhola, deixar gozar nos peitos�
Como quando bons restaurantes ampliam seus card�pios.
Caceta�
Esta n�o sai daqui antes da menopausa.
Nosso trabalho � cuidar das meninas com opera��es, drogas�
seja o que for.
Eu decido quando entram aqui.
E, principalmente, quando saem.
Saia.
Este � meu ca�ula, Christian. Eu te falei dele.
O que aconteceu com ele?
Ele foi espancado. Acho que est� em choque.
Ele n�o fala nem me olha. N�o responde, nada.
N�o tive culpa pela surra,
mas entendo que, para ele, seja dif�cil assumir.
- Assumir o qu�? - A frustra��o dele.
Ele trabalha comigo. � motorista tamb�m.
E nosso chefe nos tem pressionado muito.
Ele queria sair de f�rias. Ir � praia.
Mas agora est� de atestado m�dico depois da surra, ent�o n�o podemos ir.
De que porra est� falando?
Tenho cara de idiota pra surtar por causa de um fim de semana em Ibiza?
- Sou assassino como voc�. - Quieto.
Matamos um eletricista, colocamos um cara vivo no �cido
e enterramos tr�s garotas vivas com os corpos.
Essa porra de vida que quero abandonar. N�o a de motorista.
O que voc� fez?
Quer ir preso? E me arrastar com voc�?
Voc� me condenou.
Me condenou!
Percebe o que voc� fez?
- Depois de tudo que fiz por voc�! - O que fez por mim?
Pescar peixes e solt�-los?
Adotar cachorros?
Dizer que o que traz as garotas � a pobreza?
Quem traz � voc�, Moi.
Romeo n�o � nossa fam�lia!
Estamos sequestrados como elas.
Como nossa m�e.
Porque ele decide quando as pessoas entram e saem.
Seremos presos por sua causa!
Est� entendendo? Iris vai chamar a pol�cia.
Ela � uma boa mulher.
Aonde est� indo? O que est� fazendo? Christian!
Christian!
Aonde est� indo?
O que voc� fez?
Ou sa�mos dessa vida, ou n�o sa�mos.
Legendas: Othelo Sabbag
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