All language subtitles for Roubaix, une lumière (2019) - 1080p vff x264 ac3-5.1 aac br [k0r7o][2500].[AMARELO+NEGRITO]

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Original subtitles

- Art Subs - 11 anos fazendo Arte para voc�!

Legenda: - Hawkeye147 & Durenkian -

Revis�o: - Durenkian -

OH MERCY!

OH MERCY!

AQUI, TODOS OS CRIMES, IRRIS�RIOS OU TR�GICOS, S�O REAIS.

VITIMAS E CULPADOS EXISTIRAM.

A A��O SE DESENROLA NA �POCA ATUAL.

Comiss�rio Daoud � Central.

Daoud � Central?

TN 109 ao comiss�rio Daoud.

Ve�culo em chamas,

Rua Du Grand Chemin, perto do n� 100.

Avisem os bombeiros e mandem dois policiais como refor�o.

Chamada em curso. A brigada est� a caminho.

Quero tamb�m peritos judiciais dentro de uma hora

- para examinarem os destro�os. - Recebido.

- Alguma novidade na Central? - N�o, nada.

Os casos habituais. E Feliz Natal, chefe!

Feliz Natal. J� chego. Cambio final.

� aqui!

Quantos s�o?

Largue a faca!

Calma! Fique a�. Fique a�.

Est� na minha casa! Para tr�s!

Parem! Louis, pegue a faca. Pegue a faca.

- Cale a boca! - Calma.

Fique a� no canto.

Foi ele, n�o fui eu!

- Est� tudo bem. - Foram eles!

Algu�m a� que n�o esteja b�bado que possa explicar?

O Vincent quis me apalpar, meu irm�o me defendeu.

- E quis mat�-lo! - Quem n�o est� b�bado?

N�o toque no meu irm�o!

- Calma. - N�o toque nele!

Abram! Abram!

Por favor! Abram...

Espere, senhor.

Queimaram. Queimaram meu rosto.

- Queriam roubar meu carro. - J� vamos cuidar disso.

Estou queimado.

- Eram dois? - N�o, quatro.

- Quatro? - Sim, quatro.

- Quatro... - Sim, � isso.

- Eram magrebinos? - Sim, eram sim.

- Sim. - Como estavam vestidos?

Com "jelab", n�o sei como se...

- Jelaba? - Isso mesmo, jelaba.

- De que cor? - Branco.

Um deles tinha um turbante.

- Um turbante? - Sim, um turbante...

Ent�o... Depois de terem me queimado,

arranquei com o carro. Mas o motor morreu.

- Queimaram com qu�? - J� lhe disse.

Com um ma�arico. Um tipo de ma�arico.

N�o era um lan�a-chamas de guerra.

N�o, um pequeno ma�arico.

Segurava bem com a m�o. Assim.

Com que m�o?

Com que m�o?

A direita, a esquerda... N�o sei mais.

- Direita ou esquerda? - N�o sei mais.

Sim! A esquerda.

Sim, porque ele colocou a m�o direita

na janela do carro.

Ele tinha um anel de sinete. Um grande anel de sinete.

De ouro?

De ouro, de prata, n�o sei mais.

Ent�o, esses homens, o que lhe disseram?

Nada.

Pediram o carro. E eu disse n�o.

- E fugiu? - Pela outra porta.

E esses indiv�duos n�o o perseguiram?

Ou�a... Vou explicar.

Com o p�nico, agarrei um pano para o p�.

Ent�o, apaguei a coisa. Porque at� estalava.

Depois, fugi.

Eles gritaram: "Allah Akbar!"

- Sem mais nem menos? - Sim.

"Allah Akbar!" Sem mais nem menos.

Sim.

Sr. Dos Santos, fez bem em apresentar queixa.

Mas, vamos recome�ar seu testemunho desde do in�cio.

- Est� machucado? - N�o, estou bem. N�o foi nada.

Amigos, vamos l�. Boa noite.

O nariz?

Sim... � mais achatado.

Quase como o nariz de um pugilista.

- Sim? Isso mesmo. - A barba?

A barba? Era bicuda. Bem bicuda, assim.

- Barba completa? - Sim, sim.

- � isso mesmo. - Sr. Dos Santos e o cabelo?

Tinha um turbante n�o dava para ver.

Tinha alguma marca em especial, cicatriz ou sinal de nascen�a?

Quando se tem um ma�arico encostado na cara,

n�o d� tempo de ver os pormenores.

A que horas chegou, Sr. Daoud?

N�o tive sono.

Muito am�vel. N�o sinto dor.

� a v�tima que foi queimada?

- Talvez. - Chamou um m�dico?

Claro. Voc� far� equipe com o rec�m chegado.

Est� bem.

- Se n�o tivesse feito merda. - Quietos. Sigam-me.

Boa noite. Boa noite, senhor. Acalme-se.

O senhor foi agredido, � isso?

Seus agressores ainda est�o no local?

- Louis? - Sim!

Houve um assalto, voc� vai comigo.

- Um assalto? - Sim. No Trois Ponts.

Traga sua arma, um colete e um taser.

- J� vou. - Muito bem.

TN 109, informe quando chegar ao local.

Recebido. Pegue.

- Pode me tratar como voc�. - Est� bem.

Por que trazer o taser?

Porque no Trois Ponts, � mais seguro.

- Como assim? - O Trois Ponts?

� cheio de vida.

Quanto tempo demorou o assalto?

Cinco, dez minutos.

Cinco, dez minutos.

Foram europeus, norte-africanos?

Para mim, foi um europeu e um argelino.

Como estavam vestidos?

Um em roupa de treino, t�nis Adidas, vermelho e preto.

- Utilizaram alguma arma? - Sim, uma arma autom�tica.

Uma arma autom�tica.

- Uma Beretta 92. - Est� bem.

E o que estava mais atr�s tinha uma grande espingarda.

- Teve medo? - N�o, n�o tive medo!

N�o tenho medo de nenhum homem. Fui pastor.

- Pastor? - Pastor!

Agora virei padeiro. Olhe! O p�o.

Viu alguma joia aqui?

E sou assaltado por 20 euros.

Ano passado, fui assaltado cinco vezes.

Os esc�ndalos, as brigas.

Quando ele apontou o ma�arico,

a sua m�o esquerda, onde estava sua m�o esquerda?

Acho que estava segurando a porta.

� importante. Vamos tomar nota, Sr. Simon.

"Quando ele me apontou o ma�arico,

minha m�o esquerda � bem vis�vel segurando a porta."

Isso mesmo. E ele segurava o ma�arico com as duas m�os.

Assim.

- Com as duas m�os? - Sim, eu acho.

� estranho, porque...

Quando o senhor fez a queixa,

disse que o individuo que usou o lan�a-chamas

segurava-o com a m�o esquerda.

- Eu disse isso? - Sim.

Veja.

Explicou mal ou...?

Francamente, n�o sei mais.

J� amanheceu. Passei a noite inteira aqui.

Estou cansado, preciso de dormir.

N�o! N�o se chama a pol�cia judici�ria sem motivo.

Seu ve�culo est� sendo examinado.

- Devemos ir at� ao fim. - Estou sonhando. Sonhando.

Que pesadelo!

Vou lhe dizer a verdade.

Acredito que o senhor � uma pessoa de bem.

- Sim. - � consciencioso.

Sim.

Por vezes, temos pessoas que v�m por causa do seguro.

- �? - Sim.

Alguns ficaram presos.

Qual o artigo do C�digo Penal para den�ncias? Temos ele aqui?

Sim. Deve estar na se��o de falsifica��es.

- Aqui est�. - Se��o de falsifica��es.

- O que pensa disso? - O que penso?

S� vim apresentar queixa, s� isso.

Pois eu penso que se for uma den�ncia imaginaria,

destrui��o volunt�ria, mais tentativa de fraude,

o senhor pode ser processado e, em seguida, preso.

Dez anos.

Agora, se o senhor apenas bebeu demais

e se queimou pondo fogo em seu carro,

apenas receberia uma multa bem grande.

TOURCOING CENTRO

BOAS FESTAS

Moro agora numa cidade austera e violenta.

J� me sinto em casa.

Gostaria de ser �til. Levanto as cinco da manh�.

Fa�o exerc�cio f�sico at� as seis, tomo banho.

�s sete come�o a trabalhar. Treino com armas �s 17h30.

Depois dou uma volta pelas ruas.

Come�o a encontrar o meu caminho.

Um canal atravessa Roubaix a norte.

A prefeitura � enorme, monstruosa.

As ruas est�o cheias de hot�is abandonados.

Aqui, tudo � fracasso.

75 % da cidade � classificada como zona urbana vulner�vel.

45 % da popula��o vive abaixo a linha da pobreza.

Roubaix � a mais pobre das grandes cidades de Fran�a.

- Com vai, Sra. Gilouli? - Bem. Obrigada, Sr. Daoud.

Boa noite.

O ar � �mido, quase morno, apesar de ser inverno.

A cidade parece ter sido arrancada de um p�ntano.

Por que as pessoas vieram para c�?

Poloneses, italianos,

portugueses, argelinos.

H� muitos anos, mil anos atr�s,

era uma cidade industrial pr�spera. Um passado esquecido.

Orgulho, vergonha, s� a mis�ria permanece.

A recorda��o ferida de ser algo e agora n�o ser nada.

N�o, voc� n�o entra.

Toma! Este � para voc�.

Hoje, tenho um mandado para a rua De Lannoy.

Tentativa de assalto e local de distribui��o de drogas.

De Kayser, este � para voc�.

Est� bem, chefe. Obrigada.

A seguir, amea�a de morte a um empregado da CAF.

Extors�o, roubo e furto de um trailer.

- Anders. Para voc�. - Comiss�rio. Obrigado.

Para nosso novo tenente Cautrel, inc�ndio criminoso, rua Des Vignes.

A pol�cia judici�ria foi informada. Ir� com Aubin.

Se houver algum problema, fale com Watteau.

- Obrigado. - � tudo. Obrigado.

Louis, posso falar consigo? Esteve de patrulha esta noite?

O assalto � padaria e a desaven�a com uma faca.

Por favor, fim das patrulhas � noite, se n�o for escalado.

Por favor, preciso dos tenentes para as investiga��es.

- Com certeza. - Est� bem? � tudo.

- Ao trabalho. - Obrigado, senhor.

E a�, Cautrel? Daoud chamou sua aten��o?

- O qu�? - Sim, ele patrulha � noite.

- Que mesquinho! - N�o tem perd�o aqui, �?

- Voc� tem algu�m? - Algu�m?

Mulher, namorada, filhos, para quem enviar seu sal�rio.

Ainda n�o.

Arranje uma namorada. Sen�o, n�o ir� aguentar.

Foi o comiss�rio quem disse?

N�o, ele n�o diz isso.

- Daoud nunca diz nada. - � por isso que est�o rindo?

- Sim, ele � especial. - Siga as ordens dele.

Deve ser aqui.

- Ol�. - Ol�.

26 de Dezembro, 9h40, rua Des Vignes.

A porta foi arrombada, provavelmente a pontap�s.

Aqui.

H� um primeiro foco de inc�ndio logo ap�s a porta.

Segundo foco de inc�ndio logo embaixo da escada.

Provavelmente, inc�ndio de origem criminosa.

Bom dia, senhora. Pol�cia de Roubaix.

� pelo inc�ndio ao lado da sua porta.

Viu alguma coisa?

Como disse aos seus colegas, eu estava dormindo.

Estava ouvindo m�sica.

Al�m disso, bebi um pouco. N�o vi nada.

S� quando explodiu, os c�es latiram.

Olhei pela janela e vi as explos�es.

Mora aqui sozinha?

Moro com uma amiga. Marie?

Marie, pode vir aqui, por favor?

Sabe explicar o que aconteceu?

Vi uns fios el�tricos pegando fogo.

Bom dia.

� a pol�cia de Roubaix.

Nunca houve problemas aqui, discuss�es?

- Mora algu�m naquela casa? - N�o.

A propriet�ria nos disse que estava em obras.

Sim, discuss�es. Coisas banais.

Os dejetos de c�o na frente da porta.

- � o c�o de voc�s? - Sim. Mas s� isso.

Houve algum problema com consumidores de drogas?

- Sim! - Venha c�.

Gente que faz merda, h� muitos.

Olhe ali. Est� vendo a janela?

- A persiana quebrada. - Por que eles v�m aqui?

Sabe quem s�o?

S�o sempre os mesmos? Saberia reconhec�-los?

Eu tenho um filho com seis anos.

Mesmo que os conhecesse, n�o diria nada.

Nada ficaria registrado, seria s� informal.

N�o aparecer� na investiga��o.

Desde que o seu nome n�o seja mencionado e n�o assine nada,

n�o h� raz�o para ser incomodada.

As pessoas n�o s�o est�pidas.

Descobrir�o que fui eu. Sabem que eu moro aqui.

N�o, preciso proteger meu filho.

Pode ser qualquer vizinho ou testemunha com quem falamos.

Honestamente,

mesmo se eu os reconhecesse, n�o diria nada.

N�o quer vir at� a delegacia?

- Para qu�? - Para conversar apenas.

- N�o. - N�o? Pr�ximo.

Sim, este.

- Este? Certeza? - Absoluta.

N�o foi pelo cabelo, foi pelos olhos.

Reconhe�o esses olhos.

Outros?

- � o seu primo! - Sim, Guillaume.

O que roubou seu celular.

Ele tamb�m estava perto do inc�ndio?

N�o, meu primo, n�o. Este, acho eu. Sim.

Este? Coloque s� os dois.

Sim, reconhe�o. N�o os vi atearem fogo,

mas estavam no p�tio. Depois voltei a v�-los � noite.

Tive receio e fechei as cortinas.

N�o vimos quem p�s fogo.

Muito obrigado.

Bom dia, senhora, policia. Sabe onde est�o os Kovalki?

- Tem algu�m a�? - Os Kovalki foram embora.

- Quando? - Ontem, durante a noite.

- Acordei a senhora? - N�o. Eu estava dormindo.

- Pol�cia de Roubaix. - N�o, n�o sou da pol�cia.

N�o, mas eu sou, tenente. Procuro os Kovalki.

- Quem? - Os Kovalki, os seus vizinhos.

Sim! Eles foram embora ontem.

- Sabe para onde foram? - Foram, acho...

Para a rua atr�s do Col�gio.

- Quando ela desapareceu? - 17 de Novembro.

JOVEM DESAPARECIDA

H� que horas desapareceu?

Sexta-feira � tarde.

� quando volto do trabalho, geralmente,

encontro-a em casa.

Fazemos caf�. Falamos a tarde toda.

Dessa vez, ela n�o estava. No inicio, n�o fiquei preocupado,

pensei n�o haver problema, ela devia voltar.

� noite, por volta das 9, 10h, ainda n�o tinha dado noticias.

Comecei a ficar preocupado. E na manh� seguinte, ainda nada.

- Quantos anos sua filha tem? - 17 anos.

- Ela n�o tem celular? - N�o.

- � a primeira vez que ela foge? - N�o, j� fugiu antes.

- Quantas vezes? - Pelo menos oito vezes.

- Dez vezes. - Oito, nove vezes.

Mas � a primeira vez que foi por tanto tempo.

Antes, ela regressava ao fim de dois, tr�s dias.

- E agora n�o tem noticias... - H� cinco semanas.

Ela desapareceu.

- Est�o preocupados? - Sim, estamos preocupados.

Ela desapareceu h� cinco semanas.

N�o teria havido discuss�es em casa?

N�o deixou uma carta ou um bilhete?

N�o. Nenhuma carta, nem nenhuma discuss�o.

Conhece algum amigo, relacionamentos dela?

- N�o, ela n�o tem. - Sim, Fatia Belkacem.

A� est�. Quem � Fatia?

� uma amiga dela. Mora em Pile.

- Vossa filha � linda. - Sim.

Vou tentar encontr�-la.

Para tranquiliz�-los e saber se ela est� bem.

Ela tem 17 anos e daqui seis meses ser� considerada adulta.

- Ela poder� escolher onde viver. - Sim.

Sophie. Por que ela n�o usa o sobrenome da fam�lia?

Como?

A sua filha, qual � o sobrenome dela?

Duhamel.

Por que Duhamel?

� o sobrenome da m�e dela.

Ela ficou com o sobrenome da fam�lia da m�e.

N�o a reconheceu como filha?

Agora, ele reconheceu.

Reconheceu-a depois de ter nascido, � isso?

Sim.

- Boa noite. - Boa noite.

- Um gim t�nica, por favor. - Muito bem.

Desculpe, vi o Grand Hotel. N�o sabia onde ir esta noite.

Ainda n�o conhe�o bem a cidade.

- J� saio, n�o quero incomodar. - Sente-se.

� uma ocasi�o excepcional.

- Aposta nas corridas? - Adoro cavalos.

- E ganha muito? - Nunca jogo a dinheiro.

Posso ver?

Tem interesse nisso?

Seria preciso ter um grande hist�rico das corridas,

mas se voc� aguentar bem as perdas,

no longo prazo posso fazer com que ganhe.

- Voc� � bom na matem�tica? - S�o os n�meros.

Sem os n�meros, n�o h� regras. � assim que o mundo gira.

N�o sei nada disso. Mas ter seu pr�prio cavalo,

v�-lo correr nas pistas, deve ser lindo.

Obrigado.

- Quer um? - Pode ser.

Quando era crian�a, cham�vamos isto de pregos do caix�o.

Onde, em Roubaix ?

J� tem suspeitos do inc�ndio?

Sim. Tenho dois nomes.

N�o sei ainda. Sempre sabe quem � culpado ou inocente?

Sempre.

- Como faz isso? - N�o sei.

Tento pensar como eles.

- Foi policial aqui? - Sim.

E depois?

Dois anos de forma��o em Saint-Cyr no Mont d'Or.

- Tem fam�lia? - N�o.

Sim. Todo mundo tem uma fam�lia.

- Devem ter orgulho de voc�. - Por qu�?

Em v�-lo como comiss�rio. � bonito.

Meu irm�o n�o mora mais aqui e o resto voltou para casa.

- Toda a fam�lia? - Toda.

- Por qu�? - Pergunta errada.

A pergunta � "Por que eu fiquei?"

Para onde eu iria? Passei minha inf�ncia aqui.

L� j� � a B�lgica, os bares com champanhe.

Ali fica Tourcoing. E mais al�m, Lille.

E aos p�s das chamin�s l�, fica L'�peule.

E se olhar com aten��o, ver� a escola onde aprendi franc�s,

com 7 anos, quando vim para c�.

Hoje, � viol�ncia, imundice. Muita droga.

E na frente do parque, fica meu col�gio.

Sim?

Bom dia, Sr. Kovalki. Pol�cia de Roubaix.

- Venham, entrem. - Meu tenente.

- Bom dia, senhora. - Bom dia.

- Mudaram de casa? - Sim, por qu�? Algum problema?

- Procuramos voc�s esta manh�. - Moro com meu irm�o.

- Precisamos falar com voc�. - Podemos falar na sala ao lado.

- N�o, vamos � delegacia. - Por qu�?

Fica perto, � mais pr�tico. Vista uma cal�a.

Aqui h� muitas crian�as, incomoda.

� um assunto simples no qual talvez n�o participou,

mas tem muito a perder.

Tem filhos ador�veis e precisa ser honesto.

V� direto ao assunto.

Vou. Uma casa abandonada foi incendiada ontem

na rua Des Vignes no qual voc� teve participa��o.

Espere a�, que papo � esse?

N�o � papo. V�rias testemunhas viram voc� no local.

Em vez de negar bestamente, pense. Use a cabe�a.

� como se eu dissesse que foram voc�s.

N�o ponho fogo sei l� onde.

Na rua Des Vignes e com um c�mplice,

que j� identificamos.

- Bom dia, senhora. - O que quer?

Comiss�rio Daoud. Sua filha Fatia, est�?

Voc� conhece uma mo�a que desapareceu.

- Sophie? - Sophie, Sophie Duhamel.

H� pessoas que viram voc�s juntas. O que acha?

J� disse ao pai dela que o informaria,

mas ainda n�o tive not�cias.

- Onde encontrou com ela? - Em Tourcoing no tio, Alaouane.

- Alaouane Hami, � tio dela? - Sim.

- Sabe que eu o conhe�o? - Lamento, n�o sou policial.

- Ela vai � casa do tio? - �s vezes.

- Dorme l�? - N�o.

- Onde ela dorme? - �s vezes, na B�lgica.

- Mas n�o sei. - Que chato.

- Como fa�o para encontr�-la? - N�o sei.

Ela est� metida com religi�es?

- N�o! - Como sabe?

Eu disse que ela dorme na B�lgica, n�o na S�ria.

Por que falar da S�ria, agora?

Foi brincando. N�o precisa se irritar.

Acha que vim aqui brincar?

Ela tem algum namorado?

N�o. Sophie vive s� o presente.

- Namorados ocasionais? - N�o, ela n�o � puta.

N�o � por que tem um namorado que � puta.

Sabe do que tenho receio? Sabe ou n�o?

Que ela v� se prostituir em Lille.

- Sim, eu sei. - O que voc� sabe?

Por que me obriga a perguntar para ter resposta?

Sabe que eu sei de tudo.

- O que eu n�o disse? - Que ela podia se prostituir.

- Voc� que disse, n�o eu. - E voc� respondeu "eu sei".

Eu sei que existe, estudei, n�o sou est�pida.

- Acha que ela seria capaz? - N�o.

� uma coisa que acabaria com nossa amizade.

Aqui temos, um, dois, tr�s focos de inc�ndio.

- E da�? - Inc�ndio acidental n�o � assim.

E nunca um inc�ndio arromba uma porta desta maneira.

- H� fatos que s�o... - N�o tenho nada a ver com isso.

Al�m disso, cheguei tarde do trabalho.

Kovalki, trabalhador? Voc� trabalha? O que faz?

Sim, agora trabalho! Fa�o desmonte metal�rgico.

- Tem qualifica��o para isso? - N�o.

Cuido da sa�da dos fornos, s� isso.

Mas estava trabalhando no dia 25 de dezembro?

- N�o acredito em nada disso. - Sim, trabalhei.

Entre as nove e o meio-dia.

O tempo de mudar de roupa e voltar, chego em casa ap�s as 22h.

- E a firma toda trabalhou? - Quase toda, sim.

Bom dia, senhora. Policia de Roubaix.

Farid, onde est� ele?

N�o sei, ele saiu de manh�.

N�o, � urgente. Ele n�o est� onde devia estar.

Nada de brincadeiras.

- Onde est� Farid ? - Na escola?

Na verdade, ele ainda n�o levantou. Ainda est� no quarto, dormindo.

Vamos l�. Obrigado.

Eu n�o vou acord�-lo.

Larga. Vem logo de manh� chatear a minha m�e?

- E me acordar? - �, acordou mau. Senta a�.

"Condu��o de um quadriciclo na via p�blica, roubo, consumo,

roubo, fraude de parqu�metros, tr�fico de coca, posse de arma,

ass�dio de um vendedor e condu��o sem carteira."

- J� chega. - Eu n�o conhecia a vedete.

Sim, sou eu. Voc� vai conhecer, n�o tem problema.

- Agora, ponto culminante: "Crime". - Crime de qu�?

- Nunca fez isto? - Crime do qu�, n�o me pega nessa.

Incendiar uma casa � crime. Inc�ndio volunt�rio.

N�o esteve anteontem na rua Des Vignes.

- Como assim, rua Des Vignes? - N�o esteve l�?

Juro pela minha vida, n�o queimei a casa!

- N�o a queimou anteontem? - N�o ia queimar uma casa

na frente da minha. Ficou doido?

- N�o esteve l� anteontem? - Eu estava no centro.

Passeando, tranquilo. E me dizem "tem um inc�ndio na sua rua."

Vi a fuma�a, pensei na minha fam�lia e corri para l�.

Chego e ou�o rumores. Falam que foram Marco e Mohamed.

Esses dois babacas me dizem que eles queimaram a casa.

Como assim?

Dei uma surra neles. Foi s� isso.

Pode confirmar. Estou dizendo a verdade.

Marco e Mohamed do qu�?

Marco, n�o vamos passar o dia todo aqui.

Sabemos que voc� botou fogo na casa.

- Gabou-se disso no bairro todo. - N�o me gabei de nada.

N�o tenho nada haver com isso. N�o fiz nada.

Em vez de dizer que fui eu, voc� devia assumir.

O qu�? Um sarnento como voc� quer que eu assuma?

Parece uma buzina! Estou aqui desde manh�.

Vou quebrar seu nariz, vagabundo.

Passei o dia no tribunal de Lille por causa de um roubo.

- Pode verificar. - Vamos verificar.

- Senhor Alaouane Hami? - Boa noite.

Sou o comiss�rio Daoud. O senhor conhece Sa�d, meu irm�o.

Sa�d Daoud, conhe�o.

Eu era o ca�ula, Yacoub.

Estou reconhecendo, sim.

Mas Sa�d n�o tinha ido para nossa terra

com o resto da fam�lia?

Vim v�-lo por causa da sua sobrinha.

- Ela saiu da casa dos pais. - Sim, eu sei.

- Foi para sua casa em Tourcoing? - Sim.

- Ela faz isso muitas vezes? - J� fez antes.

Seu irm�o � complicado, n�o?

� o jeito dele.

� o jeito do meu irm�o.

Ela dormiu na sua casa?

Dormiu duas noites.

E depois, um cara telefonou e ela foi embora com ele.

- Ele chama-se Eric. - Eric?

H� tr�s semanas que n�o a vejo, depois que ela foi embora com ele.

- Eric, como � que ele �? - � alto,

loiro, os cabelos rapados dos lados, cabelo curto.

Acha que � um cara que vai fazer asneiras? Drogado?

Ela s� disse que ele trabalha na B�lgica.

N�o sei o que fazer. N�o me sinto bem.

N�o consigo dormir � noite. Voc� acha que � culpa minha?

N�o, n�o � culpa sua. N�o tem nada a ver com voc�.

Ela teria ido embora do mesmo jeito.

Podia prend�-la em casa, mas n�o posso, n�o consigo.

O pai dela teria vindo busc�-la?

Ela voltaria a fugir e deixaria de confiar em voc�.

- Tenho uma fotografia dela. - Gostaria de v�-la.

Foi tirada da �ltima vez que ela esteve na minha casa.

Posso ficar com ela?

Por que todos me mentem?

Quem diz a verdade?

Se n�o foram Marco e Mohamed, por que Farid os denunciou?

Temos um �rabe e um franc�s. O que a vizinha viu?

Um �rabe e um franc�s. Eles estavam no local.

N�o sei qual � o problema.

Sim, n�o est� satisfeito?

- Boa noite. - Boa noite, Sr. Daoud.

- Sei que estou fora do hor�rio. - Sem problema.

- Veio ver seu sobrinho? - Sim.

Vamos avis�-lo, Mas n�o podemos obrig�-lo.

Seu sobrinho n�o quer v�-lo.

- Ele est� bem? - Sim.

O de costume, as rixas, mas ele est� bem.

- Vai ao refeit�rio? - Sim.

Um pouco, como sempre.

- Ele viu o seu processo? - Sim. Mas ele continua conosco.

A senten�a n�o ser� atenuada.

- Ele tem tanta raiva. - Fazer o qu�?

Voltarei.

Talvez ele mude de opini�o at� l�.

Meu pai,

o comiss�rio me confiou minha primeira investiga��o

e continuo a falhar.

Recordo que quando tinha 13 anos,

eu tinha me retirado, na v�spera da minha comunh�o,

para o campo, perto de Grenoble.

Passei a noite sozinho.

deitado no ch�o de pedras da igreja

encharcado em l�grimas.

Implorei a Deus para n�o me chamar para a voca��o.

Odiava aquilo.

Hoje, rezo para que Ele me d� f�.

E sonho com a Sua gra�a.

Volto a rever todos os meus suspeitos,

Farid, Kovalki, Marco debaterem-se no meu gabinete.

Cada um perdido e ao mesmo tempo culpado.

Pena mais do que se possa dizer est� no cora��o do amor.

Claude, bom dia.

Obrigado por ter vindo.

- Vamos l�? - Sim.

Marie, pode vir conosco.

Est� tudo bem?

Muito bem, vamos l�.

Ir� olhar com aten��o da esquerda para a direita.

Se reconhecer algu�m, diga-me o n�mero, Claude.

- Eles v�o me reconhecer. - N�o, n�o a veem, nem a ouvem.

- Far�o mal ao meu filho. - N�o veem, nem ouvem.

- � como se nos vissem. - N�o, eles n�o ouvem nada.

O senhor n�o sabe.

- Diz, mas n�o sabe. - D�-me um n�mero.

O primeiro ou o segundo...

- E � s�, pode voltar para casa. - J� mostrei as fotografias.

O primeiro, com certeza.

- Sim, mas n�o pode ser. - Por qu�?

Ele estava no trabalho na noite do inc�ndio.

Todos os colegas dele confirmaram. Olhe bem para eles.

Pode ter um irm�o parecido.

Se n�o o viu direito, n�o tem problema, s� diga.

Eu n�o quis contar, mas hav�amos bebido.

- Foi � noite, tivemos receio. - Beberam bastante?

E se eu disser que h� pessoas dizendo

que foram voc�s que incendiaram a casa.

Me faria rir bastante.

- N�o sei, � poss�vel que... - N�o.

- Por que o far�amos? - N�o sei.

Podem verificar, meu filho estava comigo.

- Pois... - Perguntem no servi�o social.

No inc�ndio, h� quatro den�ncias, ou seja, quatro suspeitos.

- Todos t�m �libis. - Como assim?

- Testemunhal ou escrito. - As duas que moram ao lado

t�m medo. N�o querem mais testemunhar.

- Estamos sem nada, chefe. - Quem n�o se apresentou?

- Farid Moktar. - Eu conhe�o Farid.

Vamos falar com a m�e dele.

J� vou.

Farid onde est�? O comiss�rio quer falar com ele.

Foi embora de manh�, me amea�ou.

- Foi embora? Bom dia, senhora. - Bom dia, comiss�rio.

- O que aconteceu? - Tratou-me mal.

- Queria me bater. - Por qu�?

Chamou-me de "puta"!

"Voc� � uma puta. Vou cortar sua cabe�a."

"Se eu perder a cabe�a, vou bater em voc�."

Agarrei uma faca para me defender.

Ameacei e o pus para fora. Sen�o, tinha enfiado nele.

- Ele lhe bateu? - N�o. N�o deu tempo, teve medo.

- Onde est� ele? - N�o sei.

N�o quero mais esse garoto aqui em casa.

N�o quero mais saber dele.

- Ele lhe bateu? - Tenho filhos pequenos.

- Lamento, tenho que me defender. - Ent�o, ajude-nos a encontr�-lo.

V�o at� o final da rua. Deve estar l�, aprontando.

Em frente. Passe debaixo da Ponte du Plan�on.

Bofia!

Farid, venha c�.

Est� bem! Est� bem...

As m�os.

- Correu por qu�? - Posso correr, n�o?

Quando � interpelado, pare.

Vai passar a noite na delegacia.

Bem... voltarei a p�.

Desapareceu, foi fumar baseado com os amigos. N�o se apresentou.

Ao vir busc�-lo voc� foge. Bate na m�e.

Diz que foi Marco, mas ele estava no tribunal em Lille.

- Eles mentem. - Ou�a, Marco estava no tribunal.

Meus colegas do tribunal confirmaram.

- E Mohamed estava trabalhando. - Tenho 90% de certeza.

Quero 100 %. Por que diz que foram Marco e Mohamed?

S�o uns vagabundos, todos dizem que foram eles. Eles confessaram.

Disse que foram eles para se esconder.

Foi voc� quem p�s fogo. N�o tenho provas, mas eu vi.

- N�o viu nada. - Agora eu vejo.

- Feche os olhos. - Estou vendo.

Olhe bem para mim! Estarei aqui 5 anos.

Um passo em falso nesses 5 anos e te ponho na cadeia.

- Boa noite, tudo bem? - Tudo e voc�?

- Ela est� aqui? - Sim, com o namorado, Eric.

Boa noite.

Boa noite.

- Quem � ele? - N�o sei.

- O senhor tem um carro? - Sim, por qu�?

Pode esperar no carro, enquanto falo com Sophie.

Sophie n�o fala sem mim.

Foi voc�, bastardo, que chamou a pol�cia?

Confiei em voc� e me traiu seu covarde desgra�ado.

Sai com piranhas. Tem medo do meu pai e da pol�cia.

- Sil�ncio, senhorita! - Calma. Vamos embora.

Ou�a, rapaz, vou lhe explicar uma coisa.

N�o vim aqui para brincar.

Essa senhorita � menor de idade e fugiu de casa.

- Fugi de casa? - Fui encarregado de investigar.

Foi meu pai que apresentou queixa?

Convoquei seu pai 3 vezes, ele n�o veio.

- Como assim? - A queixa continua v�lida.

Ele n�o veio. Por isso continua sendo fuga de casa.

Rapaz, v� esperar l� fora, sen�o, vai ter problemas.

Sophie, ou vamos por bem, ou ir� de cambur�o � delegacia

e o problema fica resolvido.

- V�. - Sim, vou sair.

Espero voc� l� fora.

- Mudei de nome. - Ah, �?

- Como se chama agora? - Chamo-me Soufia Hami.

- Soufia Hami? - Isso mesmo.

Est� zangada com seu pai? Por que fugiu?

- Por raz�es pessoais. - N�o quer falar mais?

N�o. Prefiro guardar isso para mim.

N�o quer ajuda?

Est� tudo muito bem.

- Voc� engordou? - Sim, engordei.

Quero dizer, parece estar bem de sa�de.

Antes voc� era magra demais.

Ainda tem eczemas?

- Menos. - Mostre o pesco�o, vire.

As manchas, aqui, desapareceram.

Posso tirar uma foto sua?

- Pouco importa. - Pouco importa?

- Fazendo pose, �? - N�o.

Mostrarei a foto a seus pais. Concorda?

- Pouco importa, tamb�m. - Pouco importa completo.

Eu conhe�o Alaouane. Ele contou, n�o?

Era amigo do meu irm�o, iam juntos � discoteca.

- � ou n�o verdade? - � verdade.

- Por que riu? - N�o sei. � engra�ado.

Eu tinha uns 10 anos. Seu tio era um pr�ncipe.

Lembra quando �amos � discoteca e n�o nos deixavam entrar?

Lembro, sim. Lembro.

Eram 100 km at� Ostende

e na entrada nos diziam "Voc� n�o entra".

Fic�vamos l� na frente como cachorros.

E estava escrito na entrada: "Proibido para c�es e �rabes."

- � verdade ou n�o? - � verdade. Infelizmente.

Fic�vamos rindo na frente da discoteca,

depois �amos embora e tent�vamos em Blankenberge,

em Knokke... Est� vendo, seu tio...

tem um passado.

Ele trabalhou. E voc� o trata mal?

Eu sei que ele trabalhou. N�o falo sempre assim.

- Fiquei nervosa. - Veja-o como um pr�ncipe.

- Baixe os olhos. - Sabe que gosto muito de voc�.

- O qu�? - "Gosto muito de voc�".

Eu sei que voc� me adora. Eu tamb�m gosto de voc�.

- Que idade ele tem? - Fez dois anos na primavera.

Est� saud�vel, � tranquilo...

Um cavalo f�cil, nunca se feriu.

Como se chama?

Balios. J� ganhou duas corridas.

Um cavalo com futuro?

Sim, podemos dizer, um cavalo com futuro.

Venha v�-lo correr em Crois�-Laroche.

� melhor cobri-lo, vai se resfriar.

E depois decidir�.

Sim, irei v�-lo.

TN 120 chamando Tl 120.

TN 120 chamando Tl 120.

- Daoud. - Bom dia, � Watteau.

Temos um estupro, uma jovem no metro.

� o cara de Lille?

Parece, mas foi na nossa �rea. A v�tima acaba de chegar.

Entregue a Benoit, mas quero falar com essa garota antes.

- Est� bem. - J� vou.

Ligue para Lille e Tourcoing. Reuni�o com o juiz esta noite.

- Ap�s os depoimentos. - Certo.

- Foi atendida por um m�dico? - Sim.

Bom dia.

Meu nome � Yacoub Daoud e o seu?

O nome dela � Agathe Ponchel.

- E voc� quem �? - A enfermeira do col�gio.

Certo. Agathe, vamos ligar para seus pais?

N�o, n�o quero. N�o diga nada a eles.

- Ir� falar com Benoit. - N�o, n�o o conhe�o.

Ele � o melhor policial para os estupros.

Houve outras garotas que foram atacadas.

� sempre dif�cil.

Mas quando acontece, Benoit sempre encontra o culpado.

E eu o castigo.

Olhe para mim. Sentiu medo?

Sim, tive medo.

Agora, vamos peg�-lo.

E ele n�o atacar� mais ningu�m.

Benoit. Daoud enviou o processo.

- A garota tem 13 anos. - 13 anos ? Porra!

Por que eu? Nunca tem uma mulher para os menores?

Corinne vai contigo, mas Daoud quer um oficial no caso.

- Pe�a o v�deo. - J� pedi.

Pode me dar? Obrigado.

- Pode p�r uma escuta? - Sim.

Simon, � para uma escuta. � o telefone da garota.

- Ela est� mentindo? - N�o, n�o creio.

Muito bem, Agathe? Podemos come�ar?

Podemos recome�ar?

Voc� saiu do elevador, chegou � plataforma para Tourcoing.

Foi a� que o viu?

Como ele era? Consegue reconhec�-lo?

- � importante. - Era jovem, velho?

Preto, branco?

N�o havia mais ningu�m na esta��o?

Forne�a informa��es.

Preciso saber. Quando o viu?

Voc� estava antes da escada?

Foi aqui que ele me agarrou pelos cabelos.

A partir daqui ele come�ou a te agredir. Foi aqui?

- Mais em cima. - Ali?

At� onde ele fez voc� subir?

At� aqui. Ele baixou as cal�as e...

J� chega, vamos embora. Voc� pode lev�-la?

Sa�ram fora da c�mera. N�o teremos nada gravado.

Ele conhece bem o local.

� o mesmo MO.

- Nos cinco estupros? - Sim, com algumas variantes.

Nunca usa celular. N�o conseguimos localiz�-lo.

Evita as c�meras de vigil�ncia que ele conhece bem.

Temos s� uma silhueta numa c�mera na sa�da.

Invis�vel, como de costume.

- E sempre o cachecol branco. - Como ele a estuprou?

- Por fela��o. - N�o tinha sotaque?

- Franc�s ruim. - N�o tinha nenhuma m�scara?

N�o.

Procuramos por um africano do norte,

18-25 anos, 1m70-1m80,

em casaco azul com z�per.

Com sotaque �rabe ou dos sub�rbios.

Desde que vim para c�, s� fa�o merda.

S� prendi quatro caras que se acusam mutuamente.

Tive de pedir desculpas a Kovalki.

Tive Farid e deixei-o fugir.

Voltou a chamar as testemunhas do inc�ndio?

N�o, estavam morrendo de medo.

- N�o reconhecem mais ningu�m. - Louis!

Voc� n�o � classificado pela resolu��o dos casos,

ent�o sossegue, voc� � s� um policial.

Por isso, policie.

- Sr. Daoud, mais alguma coisa? - N�o, obrigado, vou andando.

- Posso levar? - V� em frente.

Estes �ltimos dias ando esmagado pelo cansa�o.

A minha vida encolheu.

Bati nas portas desta cidade umas cem vezes.

Elas se abrem para as mulheres, veladas,

abatidas ou triunfantes.

Acho que o hotel n�o me entrega a correspond�ncia.

Enviem, por favor, diretamente para a delegacia.

Tudo se desmorona, preciso da ajuda de voc�s.

A sua filha est� melhor. O eczema j� se foi.

- Ficamos mais aliviados. - Ela n�o se sente bem aqui.

- E � isso que provoca o eczema. - Mas ela vai voltar?

Ela pediu para mudar de nome quando for maior de idade.

N�o quer mais usar Duhamel, quer se chamar Hami. Soufia Hami.

Sim? Por qu�?

Ela diz que se sente magrebina e quer um nome magrebino.

N�o sabiam disso?

- Fico surpreendida... - Tem sorte, Sr. Hami.

Quer ver uma foto?

Olhem.

Fui eu que tirei.

- Bonita, n�o? - N�o sei.

N�o quer afirmar?

Sabia que ela deixou crescer o cabelo?

Era ela que gostava de cortar.

Desculpe senhor, onde ela ficou quando foi embora?

V�rios lugares. Por vezes no Lar Grand Rue.

Quando ver o Lar Grand Rue, entender�.

� melhor que dormir na rua, n�o?

J� viu as garotas que dormem l�?

Precisamos ir logo, ele vai regressar � cela.

Pode passar.

- Emagreceu. - Est� se dedicando ao esporte.

Ele tem not�cias da fam�lia?

Sim, esta semana ele ligou para a Arg�lia. Estava feliz.

Ele n�o anda muito com os radicais?

N�o. Os barbudos n�o se misturam.

Quer falar com ele?

Aonde est�o me levando?

- Tudo bem, Brahim. - Vamos!

- Levem-me para a cela. - Vamos, sente.

Fique sentado.

N�o quero v�-lo! N�o quero v�-lo!

Olhe para seu tio.

Devagar.

Olhe para seu tio.

Para mim voc� morreu.

E eu n�o falo com mortos.

Desapare�a! Desapare�a daqui!

Desapare�a!

Deixem-no ir.

- Foi voc� que o abandonou? - Nunca.

Por que ele o odeia tanto?

N�o sei. Talvez os pais dele.

Os av�s dele.

N�o sei mais.

Impressionante o barulho que fazem.

�.

DEPARTAMENTO CENTRAL DE POL�CIA

Policia de Roubaix, boa noite. Al�!

Al�?

Claude Debruyne, rua Des Vignes n� 4.

Estive a� na semana passada.

Tem barulho no p�tio. Fechamos as portas. Temos medo.

Acalme-se, senhora Onde est�, exatamente?

Rua Des Vignes, n� 4. Ouvimos vidros quebrando.

Nos fechamos aqui em cima com os c�es.

Fique em casa. Vou enviar uma patrulha.

Senhora Neuveux? Senhora Neuveux?

Lucette?

- Policia! O que faz aqui? - Chamando Lucette.

Largue o saco. Largue o saco, j� disse.

Levante as m�os. Voc� chamou a pol�cia?

N�o, n�o chamei. Cheguei agora do trabalho.

Entrou na casa? M�os na parede. Na parede!

- Chamei, ela n�o respondeu. - Arrombou a porta?

N�o. Cheguei do trabalho. Moro logo ali.

Sua m�o.

Terminei. Vai.

Encoste na parede.

- Est� me machucando. - Cale-se.

N�o resista.

Senhora, � a pol�cia!

Senhora?

Senhora?

Chame os primeiros socorros.

- Chamo? - Sim, chame.

TN 59, TS 120, chamem r�pido a emerg�ncia.

Temos uma senhora aqui que parece estar ferida.

Boa noite, Sr. Daoud.

Ao chegar do trabalho, �s 5h, a porta estava aberta.

Dava para ver que algo estava errado.

- Boa noite, chefe. - Boa noite.

O legista est� a�?

Ele acabou de examinar o corpo.

Arrombamento?

Sim, bem ali. P� de cabra, com certeza.

- Boa noite. - Boa noite.

Posso ver o rosto dela?

Causa da morte?

Marcas de estrangulamento no pesco�o.

- Confirmarei ap�s a aut�psia. - Assassinato?

- Que idade ela tinha? - 83 anos.

Encontramos os documentos dela na sala de jantar.

Vamos indo?

Posso entrar?

Encontraram um p� de cabra,

- uma barra ou algo cortante? - Nada encontramos.

Onde moram as vizinhas que nos chamaram?

No fundo da travessa.

A casa queimada estava em obras, elas pegaram as ferramentas l�.

- Elas quem? - As duas, do inc�ndio.

- Aponte a casa delas. - A n�mero 11.

V� busc�-las.

Elas queimaram a casa cinco dias atr�s.

- Por que fizeram isso? - Apagar as provas.

Precisa separar as duas. Inquira a que tem um filho.

Claude?

Claude, quero falar com ela. Ponha a outra em cust�dia.

Leve-a � delegacia, tranquila, e nada de advogado agora.

Quero v�-la l�.

Pegue, Marie. At� daqui uma hora.

Vamos, venha.

Por que est�o me levando?

- Foi voc� quem chamou a pol�cia? - Sim, mas por que me levar?

Vou tirar suas algemas.

Ir� se sentir melhor.

Vamos l�.

Seu nome?

Marie Carpentier.

- Marie Carpentier. - Sim.

Voc� est� em cust�dia. Tem direito ao sil�ncio.

E por que em cust�dia? O que foi que eu fiz?

Deseja ser examinada por um m�dico?

N�o, n�o quero.

Avisar seus parentes?

N�o tenho. S� tenho Claude.

Quer ser assistida por um advogado?

Claro que n�o. Para qu�? Eu n�o fiz nada.

S� quero ir embora.

Quanto tempo isso ir� durar?

De in�cio, 24 horas, pode ir at� 48.

- Para que me prender? - Senhora...

� s� em cust�dia, conversamos um pouco

e, em seguida, poder� voltar para casa.

Assine aqui a declara��o de seus direitos

e sua recusa a um advogado.

N�o quero advogado porque sou inocente.

Isso � rid�culo.

Pode esvaziar seus bolsos, por favor?

Que maluquice! Tratam-me como criminosa,

sendo que fomos n�s que avisamos.

Ligamos para voc�s.

Somos atacadas e acontece isto.

- Quando Claude chega? - Ela ser� interrogada

em outro lugar. Ir� encontr�-la ap�s ser interrogada.

Quando?

"Ao meu Armand de amor adorado

que amo loucamente

e no qual eu penso sem cessar."

"Lucette, 6 de maio de 1953."

Ela j� morava na travessa, pois � o mesmo endere�o.

Por que as algemas se aceitei ir?

Para que fique perto de mim. Vamos l�, mexa-se.

- N�o vai acreditar em mim. - Comigo, n�o, Claude.

- N�o vai acreditar. - Voc�s entraram nessa casa.

- N�o entrei na casa. - Voc�s duas entraram.

Eu n�o entrei na casa.

Ela entrou sozinha? Por qu�?

Ela me disse que entrou para procurar a carteira dela.

- Para roubar o dinheiro. - E me pagar.

E se eu provar que voc� tamb�m entrou?

Eu n�o entrei na casa, juro pelo meu filho, n�o entrei.

- N�o entrou na casa? - N�o!

Sua amiga voltou a que horas?

Ela me disse que foi enquanto eu dormia.

- A que horas? - N�o sei mais, 10h30, 11h?

Foi a� que soube que ela entrou na casa da Lucette.

Eu estava dormindo.

Tomo son�feros, eu dormia. N�o lembro mais.

Foi quando ela disse o que tinha feito.

- Ela te acordou. - Sim.

Ela me disse: "Fiz isso com a Lucette."

O que ela fez com Lucette?

Disse: "Vou voltar, n�o achei a carteira dela."

Mas Lucette est� morta.

Eu n�o sabia disso. Ela n�o me falou.

Soube esta manh� pela pol�cia.

O que acharemos na sua casa? O que ela pegou?

S� besteiras. Caixas para gatos.

- N�o estrague sua vida, assim. - Eu contei toda a verdade.

E isso me faz sofrer pois ela arrisca pris�o perp�tua.

- Mas ela me enganou. - N�o ser� igual com voc�.

- Voc� tem um filho. - Venha ver o que ela pegou.

N�o entendo o que estou fazendo aqui.

- Voc� est� em cust�dia. - Justamente.

Estamos aqui sem motivo. Para que a cust�dia?

Segundo voc�. Ent�o, pare de me agredir.

Que idiotice.

Fomos n�s que chamamos a pol�cia

- e estamos em cust�dia. - Vamos retomar.

Ent�o, foi por causa dos cachorros, � isso?

Sim, pois insistiram demais quando eles latiram. � isso.

E o fato de insistirem, isso � suspeito?

- Claro. - Claro.

E ap�s escutarem os latidos, voc�s se refugiaram l� em cima?

Mas primeiro, passamos para olhar no banheiro.

Voc� vai ficar repetindo assim

tudo o que dissemos no depoimento?

Eu n�o respondo mais. Chega.

Voc�s j� tem a� todas as declara��es.

Certo.

Para algu�m que n�o tem nada do que se arrepender...

Isso, nada para me arrepender.

- Segundo voc�. - Claro.

N�s e Lucette nos d�vamos muito bem.

"D�vamos"? Agora � no passado?

Por que n�o foram l� ontem depois do almo�o

para saber como ela estava?

Se n�o a viam h� dois dias, n�o se inquietaram?

� verdade, n�o pensei nisso.

Mas passaram a tarde naquela travessa.

Para come�ar, n�o foi a tarde toda.

Ficamos um momento, mas n�o a tarde toda.

- Eu n�o disse isso. - Quanto tempo, ent�o?

Sei l�...

Eu tamb�m n�o. Mas eu n�o estava l�.

E ontem � tarde, o que fizeram?

J� me encheu, n�? J� me encheu.

Sa�mos para buscar o filho de Claude. Depois...

Eu fui ao hospital e depois voltamos para casa.

O que aconteceu ao seu bra�o?

N�o � o bra�o, � a m�o.

Eu bati na parede.

- Por que bateu na parede? - N�o gosto de contar.

Me irritei com o Fundo de Garantia.

Porque... estavam me deixando maluca com a papelada.

Deixe os cachorros sa�rem.

Ela vai nos mostrar os produtos que a amiga dela trouxe.

Isso ela roubou.

Isto tamb�m.

Isso, n�o sei.

- N�o � sua? - N�o.

- O que tem dentro? - N�o sei, n�o olhei.

�gua sanit�ria.

Vou ver se n�o h� outras coisas.

Isto, tamb�m.

E isto foi o que ela usou para abrir a porta.

Quem vai cuidar do meu filho?

- Onde ele est�? - Ele vem amanh�.

Se voc� n�o estiver aqui amanh�, haver� uma assistente social.

Dar� tudo certo com seu filho.

Muito bem. Vamos tirar as fotos.

Endireite-se. Olhe para a frente.

Muito bem.

Vire a cabe�a para a direita.

Isso, se vire.

Olhe bem para a frente.

Vou medir sua altura.

Encoste na parece, feche as pernas.

Olhe para a frente.

Ficarei aqui quanto tempo?

O comiss�rio Daoud chegar� logo. Venha.

Relaxe a m�o.

Bem reto.

Faremos a palma.

Pronto.

Farei s� a direita, pois a esquerda est� machucada.

Farei a coleta para o DNA.

Olhe para mim. Abra bem a boca.

Abra a boca. Abra.

Agora feche.

Salive bastante.

Mais.

Abra.

Vou esfregar dos lados.

Acabou.

Retire a cinta.

- N�o tenho. - N�o tem cinta.

Mas esse cord�o, tire.

Retire o cord�o.

Esvaziou bem os bolsos?

- Sim. - Certo.

Est� usando suti�?

- Sim. - Retire tamb�m.

Vou revist�-la.

Levante os bra�os.

Senhora...

N�o gosto disso.

Pronto.

Essas coisas s�o suas?

- Voc� � asm�tica? - N�o.

Venha.

Espere.

- � preciso avisar Claude. - Sossegue.

Pode retirar os sapatos?

Pode fechar.

Encontrou algo?

Hematomas no pesco�o e cianose no peito.

Asfixia por estrangulamento.

Tra�os de DNA?

Fiz amostragem nas unhas. Ela n�o tem les�es de defesa.

Ela n�o se debateu.

E a laringe?

Derrames hemorr�gicos, mas sem fraturas.

Ela simplesmente sufocou.

Esteve na aut�psia?

Resultados na enquete dos vizinhos?

Est� indo.

A outra roubou coisas da Lucette.

Marie?

Roubou o qu�?

N�o queira saber.

O que Marie conta?

Mandei-a para a cela.

Voc� ir� ouvir Claude. J� a conhece bem.

Eu falarei com Marie. Um pouco.

Depois encontrarei com voc�.

Venha comigo.

Espere, vou p�r as algemas.

Levante a manga.

Tudo bem? Conseguiu dormir um pouco?

N�o consegui.

O inspetor vai lhe dar 3 minutos para pensar.

Nada de mentiras com ele. N�o me fa�a passar vergonha.

N�o fui busc�-la sem motivo.

N�o fa�a besteira.

Entraremos ali.

Sente.

Consegue um cigarro?

Sim.

O pr�ximo, depende de voc�.

Aqui.

Est� bem l�cida?

Sim.

Sabe de onde estou vindo?

Estava com sua amiga, Claude.

Vai, agora fale. A hora � agora. Vai!

Sabe por que Claude passou v�rias horas comigo?

Neste momento, Claude revelou coisas.

Chamaremos de revela��es...

que comprometem voc�.

Neste momento, voc� est� ferrada.

Deixe-me acabar. Explicarei o porqu�.

Se voc�, por si s�, n�o se defender,

se continuar a mentir...

- Por que fala... - N�o, espere.

Sabe que h� meios t�cnicos, impress�es digitais, DNA,

que ir�o nos ajudar.

E usar luvas n�o impede de deixar pistas.

- Sim, mas... - Ainda n�o terminei.

N�o quero que persista com suas mentiras.

Compreendeu o que j� sabemos? Compreendeu?

N�o estou escrevendo, olhe bem, eu juro.

Est�o me acusando de assassinato.

- N�o! - N�o de assassinato. N�o.

Diga. Acaso eu acusei?

- � como se... - Compreendeu o que sabemos?

Precisamos saber quem fala a verdade.

Basicamente, voc� roubou.

E acho que vai confessar. Isso parece evidente.

H� elementos demais contra voc�.

Mas, se j� mentir sobre o roubo,

n�s imaginaremos que voc� est� ligada � morte da Lucette.

Eu... fiz muitas besteiras, mas n�o sou uma criminosa.

- �, mas � uma ladra. - Sim.

A� est�.

Muito bem. Ent�o agora, quando der um gole...

Beba, ele disse. Vai l�!

Pense melhor.

Espere.

Espere, ele vai ajudar.

D� aqui. Beba um gole.

Chega?

Respire fundo. Agora, desembuche.

Conte a verdade. Ir� se sentir bem melhor.

Vamos, comece.

Eu peguei a TV.

A� est�, droga!

Levou uma hora

para finalmente contar a verdade!

Porque n�o tenho nada a ver com a morte de Lucette.

N�o sou uma criminosa.

Concordo.

Enquanto pegava a TV, o que Claude estava fazendo?

- Ficou remexendo. - Remexendo?

Viu-a pegando coisas?

N�o, n�o vi nada.

Ent�o, voc� sai com a TV.

- Sim. - N�o � poss�vel, n�o sozinha!

� pesada demais para voc� com seu bra�o. � imposs�vel!

Ele tem raz�o.

- Sim, eu sei... - Como fez, ent�o?

Ela estava l� dentro e ela me deu.

E depois? O que voc� fez depois?

- Depois, eu a escondi. - Onde?

- Na frente. - Onde na frente?

Na ducha.

Estive em sua casa. N�o � poss�vel!

Na casa do Angelo.

E depois, o que voc� fez?

Depois, voltamos para casa. S� isso.

� a verdade.

� a verdade.

N�o se aproxime.

- Onde est� o comiss�rio? - O Sr. Daoud est� com Marie.

Ele vir� depois. Claude...

Marie n�o estava sozinha na casa de Lucette.

Para mim, voc� estava com ela.

- N�o, fui embora. - Estava, mas n�o quer dizer.

N�o digo que a matou, mas que estava na casa

e ajudou Marie com as coisas.

Ela n�o conseguiria fazer tudo sozinha, fica claro.

E quando Marie diz:

"Claude estava l�, eu fiz algo horr�vel.

Fiz, mas eu n�o estava sozinha."

Eu acredito nela.

Eu disse tudo o que podia dizer, tudo que vi, tudo que sei.

- N�o confesso o que n�o fiz. - Confessa o qu�?

Estar na casa n�o � confessar.

Sim, se digo isso. Confesso que estava l�.

Estar na casa n�o significa

- que a matou. - N�o,

- mas eu n�o estava l�. - Estava!

- N�o, n�o estava. - Claude, isso j� me encheu!

Voc� me enerva! Entendeu o que disse o tenente?

Entendeu, ou n�o? Sua amiga disse que voc� estava.

- E roubou, tamb�m. Acorde! - Ela n�o entende.

Ela n�o escuta. Entende o que estamos dizendo?

Eu estava em meu quarto, esperando a Marie.

N�o entrou na casa. Gozado, n�o � a vers�o dela.

Chega dessa farsa. Chega de negar as coisas.

Ent�o, voc�s entraram. Em duas.

Visitaram a parte de baixo.

Come�aram a roubar, em baixo.

E depois, como est�o meio zonzas com a bebida,

e tamb�m com o sucesso em baixo,

pensaram em ir olhar l� em cima.

Talvez.

Achamos que teria coisas mais interessantes, em cima.

Interessantes?

Dinheiro, joias?

Estavam de boa?

- De boa? - Tinham fumado?

Sim, t�nhamos fumado.

- Maconha? - �.

Agora compreendeu que sab�amos o que aconteceu?

N�o.

Francamente, n�o.

Compreendeu que n�o estamos sem nada?

N�o. Claude, ela nos contou coisas.

- Certo? - Nos mostrou algumas coisas.

Ela nos mostrou algumas coisas.

Temos provas materiais que voc�, Marie, est� nessa.

Poderia sair?

Claro.

E ent�o, Marie...

Foi voc� quem fez uma besteira?

Ou foi ela quem fez?

Ou as duas fizeram?

Ou, como disse Benoit, as duas fizeram?

Isso, n�s ainda n�o sabemos.

Mas se foi voc�, precisa me contar.

Conte.

Pois Claude acabar� nos contando.

Mas se for ela a culpada,

ent�o � preciso ser voc� quem vai me contar.

Pois Claude, nunca confessar�.

N�s est�vamos, n�s duas, roubando.

Sim, mas quanto a Lucette?

N�o fizemos nada.

N�o � poss�vel, droga!

A coitada tinha 80 anos. � mentira!

N�o h� como desfazer isso.

N�o vou confessar ter matado, se n�o fiz isso!

E quem matou? Quem matou? Foi Claude?

N�o.

N�o encostamos na Lucette.

Aconteceu alguma coisa?

Como explicar que sua amiga, Claude, diz que foi voc�?

Acorde, coitadinha. Voc� est� na merda!

Vai Marie, acorde! Chega disso. Ponha isso pra fora, fale!

Conte, ele disse.

Sabe, Marie, eu nunca perco a paci�ncia.

Sou muito calmo, todos podem confirmar.

N�o gosto disso, me irrita.

Ent�o, agora, vamos todos ficar calmos.

Quer um cigarro?

Pode fumar um cigarro.

Aqui.

N�o compreendo por que ela me acusou assim?

N�o compreende, � uma defesa.

Marie, acorde.

Agora fale.

Respire fundo.

Voc�s est�o l� em cima.

O que acontece l� em cima?

Para come�ar, foi ela quem teve a ideia.

Por ela. Foi ela quem decidiu.

Decidiu o qu�?

De ir l� e mat�-la.

Como foi que aconteceu?

Entre os rem�dios, em baixo,

Lucette tinha ciamemazina l�quida.

E... ela disse: "Faremos ela tomar isto."

E depois...

N�s est�vamos, n�s duas, estrangulando-a.

Estrangulando-a.

- Estrangulando juntas? - Sim.

Espere, estrangular � um ato com as m�os.

Eram as dela, as suas, ou as quatro m�os?

As quatro m�os.

�ramos n�s duas.

Quer descansar?

Ir� descansar e tamb�m ir� comer.

V�o trazer.

Vou sair e j� volto.

- Acharam testemunhas? - Uma mulher na travessa.

Viu Claude, ap�s o almo�o, tentando entrar na casa.

- E Claude, o que ela diz? - Nega tudo.

- N�o confesso o que n�o fiz. - Que voc� fez!

Por que o bloqueio em "confessar"?

N�o falo em ter matado algu�m, mas em estar presente na casa.

J� seria demais. Eu estar l�, isso n�o existe.

Mas antes, voc� quis ir.

Sim, mas h� uma diferen�a.

N�o estaria morta, � evidente.

- N�o � isso. - A diferen�a � que viram voc�.

Viram, isso te incomoda!

Por isso entrou l� � tarde.

N�o, n�o me incomoda.

Sim, me viram. Mas era para ver

- se Lucette... - Ver o qu�?

O que queria fazer?

- Ver se Lucette estava bem. - Voc� se lixa com ela.

- Chega! - N�o me lixo.

Quando a vizinha viu voc�, o que voc� fez?

Eu olhei.

E continuou fazendo o que fazia?

- N�o. - N�o.

N�o, claro. Voc� foi vista.

Assim que foi vista, esqueceu Lucette?

Chega!

Claude.

Marie contou.

Agora, diga a verdade. Diga o mesmo que ela.

Faremos uma confronta��o das duas.

Voc�s se acertar�o sobre o que for essencial.

Pare de negar. Ser� acusada.

Acusada em dobro por afirmar que n�o fez nada.

Marie contou tudo.

Ela se envolveu num assassinato.

Ela nos disse: "Cometi um assassinato.

E minha amiga estava comigo."

Marie � assim. Fala bobagens.

Por qu�? Por que � apaixonada por voc�?

Isso n�o faz mal. Por que te acusar se ela te ama?

N�o sei.

Porque ela me contou a verdade.

Preciso voltar l�.

Prometi � Marie que n�o a deixaria s�.

Mas pense em tudo isso.

Marie?

Marie?

Marie, acorde.

Vamos retomar.

Pronta?

Por que a estrangularam?

Quem decidiu?

Claude quis que fiz�ssemos.

Ela disse isso?

Sim.

O que ela disse?

Ela disse: "Precisamos mat�-la."

Ela falou isso?

"Precisamos mat�-la"?

J� estava previsto ap�s o almo�o.

- Do que, de mat�-la? - Sim.

E voc� respondeu: "Sim, concordo."?

Eu disse: "Sim, concordo."

Muito bem, est� saindo da merda.

Eu n�o queria...

Eu n�o queria entreg�-la.

N�o queria por que ela � sua noiva?

Sim, � verdade.

Est� se sentindo melhor?

Isso come�a a sair para fora.

Quer beber alguma coisa?

Vou buscar um caf� para voc�.

Ent�o,

Lucette tomou a ciamemazina.

Nesse momento, Claude lembra a voc�

que � preciso mat�-la.

- Continue a me explicar. - Ora, �...

Quando Lucette acordou, era tarde demais para recuar.

Certo.

Era necess�rio ir at� o fim. N�o tinha mais escolha.

Ela a faz tomar a ciamemazina e...

Faz ela deitar na cama e diz:

"Chegou a hora."

E n�s duas a estrangulamos.

De que forma?

Marie, como fizeram?

Eu a peguei pela garganta.

E ela, Claude, p�s o travesseiro por cima.

Ent�o, voc� a estrangulou...

no pesco�o. E Claude p�s o travesseiro?

E ela subiu em cima dela para...

Ela subiu em cima dela? Como?

De c�coras.

De c�coras. Os joelhos na cara dela?

Sim, para apoiar.

Isso durou quanto tempo?

Um pouquinho, na verdade.

Dez minutos, talvez.

Um pouco mais.

- Voc� quer um advogado? - N�o, quero dormir.

Estou exausta.

V�o levar voc� para a cela.

E amanh�, ao terminar, vou procurar um advogado.

- Devo mentir para me aliviar? - N�o.

Para se explicar.

Dizer a verdade � do seu interesse.

Tenho certeza que voc� estava l�. Marie confirma.

� do seu interesse dizer: "Eu estava l�."

"Roubei coisas, mas n�o encostei na mulher."

"Foi ela que matou." Nisso d� para acreditar.

Se n�o falar, s�o 20 anos. Se falar, 5 ou 6. Voc� escolhe.

� o que dizem para me convencer.

- N�o! - N�o quero que piore para voc�.

Penso em seu filho. Seu filho, ele tem 6 anos.

Ele ficar� sozinho. N�o ir� entender nada.

Claude.

Claude...

Saia dessa, Claude.

Fale logo! Pare de ser burra!

Saia dessa.

Sim, eu entrei.

J� sabemos que voc� entrou.

N�o � nenhuma novidade.

E o juiz, o que ele far�?

Vai pegar a pena m�xima, minha querida.

E depois, eu vi...

- Sim, eu vi. - Viu, e depois?

Isso n�s j� sab�amos.

O que voc� viu?

O que fiz quando entrei na casa?

Procurei nas caixas.

Peguei uma carteira.

Disso sab�amos, e depois?

Depois, rebusquei tudo.

Subimos para ter certeza que Lucette dormia.

Quando subimos, ela acordou.

E Marie a matou.

Chegamos l�.

Tem um copo de �gua, meus l�bios secaram.

Sim.

Muito bem.

- Aqui. - Obrigada.

Onde estamos indo?

No Madeleine. Voc� vai dormir l�.

- E Marie? - Para Roubaix.

Quando ir�o me soltar?

N�o sei. Amanh�, haver� a confronta��o com Marie.

- Quem fez o qu�. - Contei tudo, senhor.

Por hoje, o interrogat�rio acabou.

E meu filho?

Isso, eu j� lhe prometi. Cuidaremos dele.

Quem tem a tutela, o pai?

- Est� numa institui��o. - Ah...

Est� tudo bem, fique sossegada.

Claude?

Ei, Claude?

Claude?

Claude?

- Vamos l�! - Claude?

Ei, Claude?

Claude?

Sr. Daoud?

- Vou presa? - Vai dar tudo certo.

Ser� menos duro que a cust�dia.

Aqui, eu sei, d� medo.

Mas a pris�o � mais segura, voc� ver�.

N�o ficar� sozinha.

Ter� uma TV, uma cama de verdade.

Ferrei com minha vida.

Jamais deveria ter encontrado Marie.

Voc� � bonita.

Sempre foi bonita, n�o �?

Sim.

Com dez anos, a vida era gratuita.

Seus pais a seus p�s, roupas bonitas,

a admira��o das amigas, dos rapazes...

Deve ter sido uma menina rebelde.

A rainha da escola.

A rainha do col�gio, com rapazes � sua volta.

As aventuras...

E um dia, voc� se volta,

e a vida n�o � gratuita.

Olhe s�, voc� tem 30 anos.

Um filho, voc� bebe...

E vive com uma mulher que voc� n�o sabe amar.

Voc� se enganou.

Era necess�rio pagar.

Eu tamb�m acho que a vida devia ser encantada.

Como a sua inf�ncia.

Mas ela n�o �.

At� logo, patr�o.

Eu trouxe seu carro.

Deixarei voc� dirigir.

Onde devo deix�-lo?

Poderia me deixar no come�o do parque?

Gostaria de andar um pouco.

Certo.

N�o estou lhe atrasando?

N�o, tudo bem. N�o estou com sono.

� a primeira vez que vejo um assassinato.

Quando eu era pequeno, vinha sempre brincar no parque.

Chovesse ou fizesse sol.

As crian�as brincam sempre aqui. Isso n�o mudou.

Agora venho para olhar para eles.

E isso me tranquiliza.

E como faz frente � mis�ria?

Isso n�o � nada.

�s vezes, n�o sabemos porqu�,

tudo fica iluminado.

Pode ir dormir, agora.

Senhor, d�-me a for�a de perdoar.

- Boa noite. - Boa noite.

- Ela comeu. - Sim, comeu.

N�o consegue dormir?

Que horas s�o?

Tarde.

Voc� tem ins�nia?

Tenho.

Est� com medo?

Tenho ideias sombrias.

Descanse. Amanh�, o dia ser� longo.

Voc� acha que sou um monstro?

N�o �?

N�o.

Conheci meninas como voc�, na escola.

Conhe�o voc�.

Sua inf�ncia foi dif�cil.

Foi dif�cil, sim.

A menina, meio menino,

que n�o se acha bonita,

no fundo da sala, que nada consegue.

Sempre sozinha,

E um belo dia,

voc� encontra Claude.

Sim.

Ela � magn�fica.

Mas � durona.

Voc� passar� a vida sofrendo.

Eu quero que voc� pare de sofrer.

Sim.

Lerei as declara��es de ambas. Escutem bem.

Depois, quero uma s� vers�o.

Concordo.

Vou come�ar lendo a de Claude.

"Das escadas, vimos que Lucette estava sentada na cama dela."

N�o.

Ela estava de p�.

N�o, ela tentava se levantar.

Ela tentava se levantar, certo?

Sim.

"Ela nos olhou com olhar surpreso,

lhe dissemos que cham�ramos a pol�cia,

pois algu�m havia for�ado a entrada na casa dela.

Depois, Marie me chamou de lado,

e me falou no ouvido: Vamos dar a ciamemazina."

Essa ideia n�o foi minha.

- N�o foi? - O rem�dio, n�o. Para que isso?

� um detalhe.

Mas parece que minto, ent�o n�o � detalhe.

- Eu tamb�m n�o minto. - Bom...

"Marie segurava o copo

e a fez beber todo o conte�do."

Eu fiz isso?

- Eu fiz isso? - N�s duas.

Est�vamos n�s duas.

Eu a segurei e voc� a ajudou a tomar.

Devia saber, pois estava l�.

Mas n�o fui eu quem a fez tomar.

Pare!

Ela tinha dificuldade com o copo e voc� a ajudou.

E ela bebeu quando dissemos que ia fazer bem.

Depois a senhora ir� dormir e a pol�cia vai chegar.

Eu disse isso?

Eu disse.

Digam quem fez o qu�, com clareza.

Claude?

O que voc� fazia l� em cima?

Sentei ao lado dela para consol�-la.

Segurei-a porque ela n�o conseguia ficar sentada.

Marie?

O que ela disse � verdade.

Ent�o foi voc�, Marie, que ajudou Lucette a tomar?

Sim.

"Est�vamos impacientes. Desci para beber uma cerveja,

que hav�amos visto, pois eu estava muito nervosa."

Ent�o, voc� ficou sozinha l� em cima?

Sim.

E Claude desceu para tomar uma cerveja?

Terminei de beber em baixo e subi.

"Marie nessa hora perdeu completamente a cabe�a.

Ela disse: Agora que come�amos vamos at� o fim.

Marie tirou o travesseiro debaixo da cabe�a de Lucette."

"P�s o travesseiro sobre o rosto

e subiu de c�coras em cima do corpo de Lucette,

segurando o travesseiro em cima do rosto dela."

De c�coras?

Em cima do corpo dela?

No in�cio, voc� segurou o travesseiro

e quando ela come�ou a gritar voc� subiu em cima dela.

Lembre.

Pense e responda o correto.

Eu n�o faria algo assim.

Voc� percebeu tudo o que disse a�.

Fui eu?

- Fui eu? - N�o digo isso.

Mas percebeu o modo como voc� diz?

De c�coras sobre o corpo dela?

Voc� estava assim em cima dela.

- Eu n�o estava de c�coras. - Azar se fosse.

- N�o! - �, mas azar...

- Eu n�o estava de c�coras. - Ela est� morta.

Marie, azar se voc� estava de c�coras.

Seja como for, ela est� morta.

� verdade que peguei o travesseiro e que...

Para p�r em cima do rosto dela.

E voc� Marie, disse que sufocou a senhora

mas acrescenta: "Claude, na hora, me ajudou."

N�o, isso n�o � verdade.

"De fato, Claude pressionou o travesseiro com as duas m�os.

Depois, ela pegou a garganta de Lucette.

E eu tamb�m pus uma m�o na garganta."

Isso.

Marie, pode nos mostrar

como Claude pressionou o pesco�o de Lucette?

Eu pressionei assim

e em seguida Claude me ajudou.

E depois...

N�s a pegamos em duas.

Ela te ajudou... O que ela fez?

- Ela estrangulou junto comigo. - Como?

Assim.

Claude, voc� deve nos mostrar onde estava.

Vai, nos mostre como voc� fez.

N�o encostei nela, eu estava ao lado da cama.

E quando vi isso, ela deu os golpes.

Olhe esta aqui. E esta!

Diz que n�o encostou nela, mas encostou!

Isto aqui prova! Confesse!

Estrangulou, ou sufocou, mas encostou nela!

Como Lucette estava agonizando e Marie mantinha o travesseiro,

e a estrangulava,

eu ajudei-a, � verdade.

Mas n�o a estrangulei, n�o. N�o estrangulei.

Qual � a diferen�a para voc�?

A diferen�a � que indo ajudar,

eu entro...

Mas voc� j� est� na merda desde o in�cio. Isso muda o qu�?

N�o � porque voc� a estrangula que "entra". "Entra", nada!

Voc� estava na casa, Claude. Subiu at� o quarto.

A partir do momento que p�s um p� na casa,

voc� "entrou", ent�o pare de vacilar!

Lutamos, n�o para te enfiar l�, e n�o preciso de suporte.

- Eu luto para ter a verdade. - C�mplices s�o julgados igual.

A pena � a mesma.

Al�m disso, dir�o que houve covardia.

N�o � covardia, � medo pelo meu filho, � diferente.

Medo do qu�?

De nunca mais v�-lo.

Com isso tudo, n�o ver� seu filho t�o cedo.

Agora, a pergunta �...

A �nica diferen�a � ver a comunh�o ou o casamento dele.

� a �nica diferen�a!

- � aqui sua casa? - �.

Vou relembrar as regras:

Voc�s refar�o tudo o que aconteceu,

todos os gestos dos quais lembrarem.

Eu n�o estava aqui naquela noite e n�o darei nenhuma indica��o.

- Certo. - Estamos prontas.

De fato, voc�s encenar�o um papel.

O pr�prio papel de voc�s.

Vamos l�?

- Primeiro, acendemos a luz. - Mostre o que fez, Claude.

Acendemos a luz, aqui.

Depois fui � cozinha, pois conhecia melhor que Marie.

Acendi a luz da cozinha, aqui.

Falei para Marie acender ali.

Olhei para ver se achava alguma coisa.

Remexi um pouco.

E vim at� este pequeno arm�rio.

Abri e foi quando Marie viu o rem�dio.

Enfim... que n�s vimos.

E Marie disse: "Vamos pegar esse."

- Aqui eu posso repetir o gesto. - Claro.

Pusemos o vidro aqui.

Tirei o vidro da caixa.

Peguei o dosador e enchi at� o topo.

E depois, peguei o dosador e o copo.

Mas antes, pois � preciso explicar em detalhe,

enquanto Marie preparava o rem�dio,

abri o forno para ver se ela n�o escondia a carteira.

Depois, a caixa de p�o.

E fomos para a despensa para ver.

E aqui estava a cerveja preta que pegamos.

Isso mesmo.

Pegamos a caixa e abrimos uma.

- Foi isso, n�o me enganei? - Sim, foi.

Quisemos ver se Lucette estava dormindo.

Passamos por esta porta. Marie, primeiro.

T�nhamos acendido a luz.

E foi quando chegamos aqui que vimos Lucette.

Vou lhes mostrar onde eu estava.

Aqui havia uma mesa de cabeceira.

Eu sentei primeiro.

Que eu n�o fale bobagens, sentei aqui.

Falei...

"Sossegue, n�s chamamos a pol�cia e tal, e tal."

- Foi quando Marie me chamou. - Onde ela estava?

Estava aqui.

Vim aqui.

E ela disse: "Daremos a ela o rem�dio para dormir."

- Sim, eu disse. - Eu disse que sim.

Em seguida, Marie leva o copo de �gua.

O que havia no copo?

Ciamemazina.

Quanto?

Um dosador cheio.

Mas eu havia preparado l� embaixo.

Eu a ajudei.

Segurei Lucette.

Marie sentou-se ali.

Vai, sente.

Eu disse a ela:

"Lucette, beba isso, ir� lhe fazer bem."

Marie segurava o copo e eu segurava Lucette,

que tinha dificuldade em levantar sozinha.

Marie, foi voc� quem a fez tomar?

N�o foi isso que voc� me disse.

Sim, mas...

Estando no lugar, assim, pouco a pouco...

Vou lembrando.

Depois, eu disse: "Lucette...

"Voc� vai deitar um pouco,

descansar enquanto a pol�cia chega."

Coloquei-a como devia, estendi o cobertor.

Cobri-a.

Esperei um pouco.

Na espera, come�amos a dar voltas.

Agora, � minha vez de falar.

Posso?

V� em frente.

Havia dois travesseiros assim.

Eu fiquei nesta posi��o.

Ela estava alongada, para ficar claro.

Eu peguei o travesseiro.

E fiz isto.

E peguei a garganta.

Do nada?

Foi um impulso?

Como eu disse antes, foi premeditado.

N�o, n�o foi premeditado.

Lembre do que falamos ap�s o almo�o.

Voc� n�o disse: "Vamos matar Lucette"?

Estava previsto, Claude.

Claro que n�o!

N�o adianta nada mentirmos, iremos...

- agravar nosso caso. - Justo, eu n�o minto.

Com aquela conversa pegamos a guilhotina.

- Isso n�o existe mais. - N�o h� pena de morte.

Nunca premeditei a morte de algu�m.

Mas por que Marie mentiria?

Somos obrigadas. Vamos at� o fim.

Olhe.

Fica ainda mais evidente.

Est�o aqui, cuidando dela, plenamente sol�citas,

est�o sendo muito gentis.

E, de repente, Marie est� aqui, fazendo isto.

Fazendo assim.

Marie n�o perdeu a cabe�a. Isso n�o cola, concorda?

Essa n�o cola.

O travesseiro est� ali, � preciso que isso saia, Claude.

�...

- Marie... - Sim.

Consegue recome�ar?

Peguei a garganta e apertei.

Foi quando Marie me chamou.

Sim, chamei voc� e disse:

"Venha me ajudar porque..."

Com meu bra�o eu n�o consigo apertar.

Eu te disse: "Venha."

Eu intervi.

Pois Lucette tentava se virar.

Tentei segurar o bra�o dela.

E, depois...

Segundo disse Marie,

pode ser que, de fato,

eu pus as m�os na garganta dela.

Foi assim que fizemos.

E voc�s diriam

que premeditaram vir aqui e fazer isso?

- Sim. - N�o.

Premeditamos roub�-la enquanto dormia,

mas nunca de mat�-la.

Sim, estava combinado desde depois do almo�o.

De roub�-la.

Por que ela inventaria isso?

Eu n�o disse que ela inventou. Talvez ela tenha pensado.

Diga a verdade, Claude.

Arrisco pegar 20 anos.

Marie, por favor, droga...

Se n�o fosse a verdade, eu n�o teria te envolvido.

Voc� sabe que eu n�o queria te envolver.

N�o quis de jeito nenhum te envolver.

N�o?

De jeito nenhum quis me envolver.

- O qu�? - Nunca dissemos

que �amos mat�-la. Nunca dissemos isso.

Nunca.

- N�s premeditamos. - N�o.

N�s n�o premeditamos.

Vamos parar aqui.

Concordam?

Voc�s ter�o tempo de falar de tudo isso

com o juiz e seus advogados.

Acabaram de ligar de Lille.

Prenderam o estuprador do metro.

- Onde? - Em Wazem.

Que bom isso.

Muito bem.

Supervisora!

Deve fazer uns 10 anos.

Outros antecedentes ginecol�gicos?

N�o.

- Tem filhos? - Tenho.

- Qual cela? - A segunda.

Onde iremos dormir, Claude?

Ela ficar� em outra cela.

Agora que confessamos tudo, n�o v�o nos separar.

Vamos, Marie.

N�o estou a fim de ir.

Se me embebedarem, caio fora do bar.

Soufia, apenas diga oi e veja o que acontece.

- Promete que me espera? - Prometo.

Bem... Ent�o eu vou. Vou ver a cara deles.

- Ri disso, n�o �? - Sim, rio.

Quer mont�-lo?

Bom dia e bem-vindo ao hip�dromo Crois�-Laroche

para este novo encontro.

Hoje teremos 7 corridas.

Ele pode comer antes da corrida?

An�ncio de corrida em dist�ncia...

N�o est� com frio?

N�o, tudo bem.

Os concorrentes ir�o partir daqui alguns segundos.

Fez sua aposta?

� claro.

Aten��o!

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