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Egito,
a fonte mais rica de tesouros arqueológicos do planeta.
Este é fabuloso.
Sob esta paisagem de deserto
estão os segredos desta civilização antiga.
Uau! Percebe-se porque os faraós escolheram este local.
Agora, numa temporada completa de escavações,
as nossas câmaras receberam acesso sem precedentes
e seguem equipas na linha da frente da arqueologia.
Conduzo depressa porque estou empolgado.
É uma entrada. Vemos uma entrada.
Revelam segredos enterrados.
Disseram-me que encontraram algo.
Meu Deus.
Uma esfinge!
E fazem descobertas que podem reescrever a história antiga.
Desta vez,
os egiptólogos procuram os segredos da vida eterna.
Alejandro descobre uma câmara funerária selada com 4000 anos.
Meu Deus!
Bingo.
John e Colleen decifram um guia antigo do mundo dos mortos.
Os textos, as cenas e os hieróglifos
tornam este túmulo uma máquina de ressurreição.
E Suzanne descobre algo chocante.
Alguém enfiou o punho aqui para entrar na cavidade.
TESOUROS PERDIDOS DO EGIPTO
MALDIÇÃO DA VIDA ETERNA
Antigo Egito, uma das sociedades mais sofisticadas da História.
Construíram as grandes pirâmides e templos gigantes,
motivados por uma obsessão.
Dedicaram as vidas à preparação para a morte.
Há séculos que os arqueólogos tentam decifrar
os rituais e as técnicas que os antigos Egípcios usavam
para chegar à vida eterna.
A Dra. Colleen e o Professor John Darnell
vão para o Vale dos Reis.
Queremos estudar e entender o passado
e trazê-lo para o presente, fazê-lo viver de novo.
Ainda não há nada que substitua o trabalho no terreno.
Nos últimos 250 anos,
o vale atraiu várias gerações de arqueólogos.
O século XIX foi prolífico.
Foram descobertos mais de 40 túmulos.
Cada um revelou mais pistas sobre a vida eterna do Antigo Egito.
O céu está tão azul.
Em 1817,
um explorador encontrou algo notável,
o túmulo do rei Seti I.
Para entender a vida eterna do Antigo Egito
temos de estudar o texto e as cenas dos hieróglifos.
O túmulo de Seti I é perfeito,
para entender a base da crença egípcia na vida eterna.
Sob o Vale dos Reis,
o túmulo de Seti desce 137 metros na montanha.
É o túmulo mais profundo do vale.
Dez câmaras e sete corredores ornamentados
têm cenas elaboradas a decorar todas as paredes.
Estes quadros, combinados com este túmulo enorme,
foram cruciais na sobrevivência da alma do faraó após a morte.
É incrível ver
como os hieróglifos estão bem conservados.
A descoberta do túmulo de Seti foi decisiva na egiptologia.
Naquela altura, os especialistas aprendiam a decifrar hieróglifos.
Este túmulo partilhou muitos segredos.
Descobriram que a estrutura do túmulo
é importante para guiar o faraó até ao mundo dos mortos.
Este corredor que desce
é talvez um dos elementos mais importantes do túmulo.
Temos nas paredes um texto
que mostra e descreve o corredor inclinado
que levará os mortos para o outro mundo.
O túmulo de Seti I é tão profundo
que imita na perfeição a arquitetura do mundo dos mortos.
Seti I reinou durante onze anos.
Expandiu o império
ao destruir rivais do Médio Oriente e de África.
Morreu inesperadamente na casa dos 30.
Apesar disso,
a preparação de Seti para a vida eterna foi excecional.
Ele usou a riqueza e o poder
para construir o túmulo mais elaborado do vale,
e com rapidez.
É muito importante recordar que este túmulo inteiro
foi escavado, decorado e pintado em 12 anos.
Escribas escreveram livros inteiros nestas paredes,
instruções que ajudariam Seti a chegar ao mundo dos mortos.
"Chamo este grande deus
"pelos deuses do mundo dos mortos."
É isso mesmo que vemos aqui.
O Sol, este grande deus, como é chamado no hieróglifo,
é levado por...
E os hieróglifos são repetidos aqui.
Os deuses do mundo dos mortos.
As imagens nestas paredes
revelam o mapa de Seti I pela vida eterna.
Os antigos Egípcios acreditavam
que a imortalidade podia ser alcançada
ao seguir o deus-Sol Rá,
que nascia todos os dias a este
e morria todas as noites e entrava no mundo dos mortos.
Se a alma de Seti pudesse percorrer
o mundo dos mortos traiçoeiro com o deus-Sol,
também ele renasceria todas as manhãs,
num ciclo eterno.
O túmulo dele tinha todos os instrumentos
e instruções detalhadas para a viagem perigosa.
É talvez um dos melhores exemplos
da transição para a vida eterna.
Escondidas nas inscrições, Colleen encontra evidências
de que não são só os faraós que podem fazer esta viagem.
Temos pessoas do noroeste do Egito,
núbios do sul e líbios do ocidente.
Não importava de onde vinham.
Podiam ter a mesma vida eterna abençoada do faraó do Egito.
Para descobrir como Seti faria a transição para a vida eterna,
os Darnells terão de decifrar as inscrições da câmara funerária.
225 km a sul do Vale dos Reis, em Assuão,
uma equipa arqueológica espanhola escava outra necrópole antiga.
Qubbet el-Hawa era o cemitério da elite da sociedade.
Estes túmulos com 4500 anos
oferecem pistas vitais sobre rituais funerários
e como os antigos Egípcios se preparavam para a vida eterna.
É a décima temporada da equipa.
A egiptóloga Martina Bardonova
ainda se habitua a acordar às 5h.
Deito-me à meia-noite ou à 1h.
Agora, tenho de mudar.
É outro tipo de jet lag, o jet lag de trabalho.
Estamos cá porque adoramos este trabalho e acordamos.
Nesta temporada, Martina foca-se num túmulo novo.
Sou uma mineira.
Espera que este poço leve a uma câmara funerária.
Tirei a parte de cima e quero escavar a parte de baixo.
Penso qual será a melhor opção.
A parede está cheia de térmitas.
Foi por isso que escavei aqui, no meio do poço.
As térmitas só existem perto de uma fonte de alimento,
normalmente madeira.
Estes insetos indicam que pode haver algo por trás da rocha.
No outro lado do monte,
o diretor de missão de Martina, o Prof. Alejandro Jimenez-Serrano,
faz uma pausa.
É talvez um dos melhores momentos do dia.
Diga-me o que se passa.
A Martina parece ter encontrado uma câmara selada.
Bingo.
Parece que temos outra câmara intacta,
onde a Martina escava.
Vamos.
Os túmulos egípcios são saqueados por ladrões há milénios.
Encontrar um túmulo intacto seria uma descoberta excecional.
Onde é?
- Posso pisar aqui? - Sim.
Temos uma parede feita de pedras e gesso.
Parece selar qualquer coisa.
Eu suspeitava, mas não disse nada. Não tinha a certeza.
Se for uma câmara intacta,
pode ter múmias e oferendas funerárias.
Nos últimos 4000 anos,
ninguém viu o que está por trás desta parede.
Alejandro tem um desafio.
Não pode destruir a parede da câmara funerária.
Pode haver artefactos valiosos por trás dela.
O Jose que traga o computador e a câmara.
Mas ele tem um plano.
Usamos este berbequim para inspecionar
antes de abrirmos uma câmara.
Não sabemos o que vamos encontrar.
Ele pensa que tem 40 centímetros de espessura.
Parece fácil, mas não é.
É uma câmara pequena com luz que vamos inserir no espaço,
para ver se podemos saber o que está por trás da parede.
Devagar.
Esperem, esperem.
São escombros.
Não há material, não há olaria.
Parece ser um corredor.
Sim, creio que não chegámos à câmara funerária.
A arqueologia é quase sempre frustrante,
porque não encontramos o que esperávamos,
mas faz parte.
O grande prémio é chegar à câmara funerária.
Temos de retirar este material todo
e provavelmente encontrar outra parede.
Temos de trabalhar mais um pouco.
Alejandro não consegue ver a dimensão desta câmara.
Podem ter de retirar toneladas de escombros.
No Vale dos Reis,
a egiptóloga suíça Professora Susanne Bickel
regressa para a décima temporada.
Hoje, a equipa reabre um túmulo
que foi escavado pela última vez nos anos 70,
o túmulo 61.
Há alguma emoção e expectativa.
Susanne espera encontrar o dono original do túmulo.
Pode esclarecer como os antigos engenheiros
tentaram enviar os mortos para o outro mundo.
Este não é muito bom.
É muitíssimo pequeno.
É evidente que não está acabado.
Estava a ser preparado.
Porque não o terminaram?
Se não tocarmos, não se mexe sozinho.
Mas...
Afinal, mexe-se.
Creio que é melhor sairmos.
Vai cair tudo.
É muito mau.
A equipa tem de tornar o túmulo seguro
antes de continuar a escavação.
A Professora Bickel escavou onze túmulos do vale.
No laboratório, documentam e analisam o que encontram,
incluindo restos humanos.
É fantástico. Este é fabuloso.
A Professora Salima Ikram, da Universidade Americana do Cairo,
é perita em mumificação.
Investiga como os antigos Egípcios se preparavam para a vida eterna
através desta técnica.
Há certas coisas que já sabemos sobre a mumificação
de períodos diferentes, mas estamos sempre a aprender.
Um, dois.
E vê como aqui fica debaixo.
Creio que enfaixaram os dedos separadamente.
Depois usaram uma peça maior de tecido
e enfaixaram tudo junto.
Estas partes do corpo fornecem pistas novas e cruciais
sobre a evolução das técnicas de mumificação.
Os embalsamadores não tinham regras rígidas.
Por vezes, havia tendências
que esmoreciam e regressavam.
Há estilos diferentes de mumificação.
Os antigos Egípcios acreditavam que, depois da morte,
a alma tinha de regressar ao corpo.
Se o corpo se decompusesse, ficaria irreconhecível
e a alma ficaria perdida para sempre.
A elite do Egito era mumificada.
Os embalsamadores lavavam os falecidos,
depois retiravam os órgãos internos
e usavam sacos de sal para secar o corpo.
Retiravam o cérebro pelo nariz,
mas deixavam o coração no lugar,
onde acreditavam que a alma viveria.
Por fim, enfaixavam a múmia com linho
e cobriam-na com resinas,
para garantir que ficaria reconhecível para sempre.
Este é um exemplo excelente de mumificação.
Podemos ver que esta perna
parece uma perna viva e gorda.
Fizeram cortes na carne
e depois encheram-na.
Faziam uma estátua da pessoa.
Depois de morrerem, quando a alma sai do corpo,
o corpo fica encovado.
Isto recupera a aparência,
para ficarem mais permanentes, como uma estátua.
Após um dia de escavação,
o túmulo 61 não tem escombros.
A egiptóloga Elina pode agora examiná-lo de perto.
Creio que começaram e perceberam
que não era seguro pôr aqui caixões.
Não terminaram, foram-se embora e procuraram outro lugar.
Os túmulos tinham de durar uma eternidade na vida eterna.
Em algumas zonas do vale,
o calcário de grão fino era perfeito,
mas o calcário em lascas, como este, é instável.
Eram engenheiros sofisticados
e os antigos construtores de túmulos terão percebido
que este local não era adequado.
Com a escavação do túmulo completa,
a equipa suíça faz as malas e vai para outro local do vale.
Em Assuão,
Martina passou dois dias a escavar este poço,
esperando encontrar uma câmara funerária intacta.
- Desço? - Não, porque é pequeno. É grande.
Por trás das pedras, algo chama a atenção de Martina.
Vejo uma... É uma tampa.
É uma tampa?
Vejo parte do caixão.
Caixão?
O que Martina pensava ser um corredor
é, na verdade, a câmara funerária.
Está boa, mas os escombros estão por cima do caixão.
Não consigo tocar, está muito longe.
É um caixão de terracota
e a pedra grande não é uma pedra, é a tampa do caixão.
Tem um metro de comprimento, 50 centímetros de largura.
O corpo deve estar na posição fetal.
Ou era uma criança.
- É a câmara funerária? - É.
Temos de avançar de outro modo, com muito cuidado.
Parabéns!
É um bom achado,
porque não há documentação de outro túmulo assim.
E não foi comido por térmitas.
O caixão é muito frágil.
Pode desabar quando afastarem as pedras que o rodeiam,
mas é a única forma de ver se há um corpo no interior.
Vamos continuar.
A norte de Qubbet el-Hawa fica a necrópole de Qurna.
Data de 1500 a.C.
Tem mais de 300 túmulos.
É o cemitério de oficiais importantes do Antigo Egito.
O egiptólogo Laurent Bavay
escava este túmulo há oito anos.
Fez uma descoberta notável no fundo de um poço de 18 metros:
um documento raro, um papiro,
crucial para os falecidos no mundo dos mortos.
Alguns dos fragmentos do papiro foram encontrados nesta sala.
Outros fragmentos foram encontrados ao longo da parede da primeira sala.
O papiro ficava ao lado do corpo, no caixão.
O túmulo está vazio.
Laurent reconstrói os fragmentos
para analisar o texto misterioso.
Esta é uma das descobertas mais interessantes e emocionantes.
Este papiro é um livro dos mortos.
O Livro dos Mortos é um guia de viagem antigo
pelo mundo dos mortos.
Este é o documento deixado no caixão, ao lado da múmia,
para estar pronto a ser usado
um pouco como um GPS no carro.
Guia o morto até ao destino.
As imagens deste Livro dos Mortos com 3500 anos
retratam feitiços cruciais.
Ajudam o falecido a passar em testes e desafios
na viagem pelo mundo dos mortos.
Quando vivo, um antigo egípcio podia comprar capítulos do livro
para criar a sua cópia pessoal.
Havia oficinas que produziam Livros dos Mortos.
Depois deixavam, na coluna de texto,
uma zona em branco,
onde a pessoa escreveria o seu nome.
Este exemplo pertence a uma mulher.
O título e nome, Renena, são mencionados aqui.
Isso é excecional.
Ela devia ter um papel muito importante na família.
Nunca sabemos o que vamos descobrir.
É isso que torna o trabalho no terreno emocionante.
Para Laurent,
a fase mais emocionante começa agora,
quando a equipa se prepara para analisar o texto
e publicar a sua descoberta.
Em Assuão, num cemitério para ricos e poderosos,
Martina prepara-se para abrir o caixão que acaba de descobrir.
Vou tirar isto para ver.
Puxámos parte do caixão para o chão
e não queremos que se parta.
Antes, Martina tem de chegar ao túmulo.
Uma tempestade de areia sopra do sul
e podem durar até cinco dias.
Temos uma bela tempestade de areia lá fora.
Não podemos trabalhar lá fora.
É o que é e fazemos o que for possível.
O vento sopra mais forte e Martina decide partir já.
O caminho para lá será pior, porque vamos contra a areia.
Preparem-se, vai ser muito mau.
Os ventos da tempestade de areia são muito fortes
e até os 180 metros até ao poço são difíceis de fazer.
Não!
É uma fase muito arriscada,
porque temos de retirar os restos humanos
e queremos continuar.
Abrigada no túmulo,
a equipa pode remover com cuidado a tampa do caixão de terracota.
É muito pesada.
Meu Deus!
Cuidado, sim?
Cuidado.
É a primeira vez que alguém vê o interior do caixão
em 4000 anos.
Cuidado. Meu Deus.
Parece um filme de terror. Se a múmia se mexer,
saio daqui o mais depressa possível.
É uma múmia feia. Não é uma múmia, parece ter sido deixado aqui.
Não foi bem enfaixado.
O caixão de terracota não tem uma múmia,
tem um esqueleto envolto em material negro.
A tempestade de areia passa e a equipa retira um pote,
o único objeto encontrado com o corpo.
Mistérios arqueológicos.
Não há só joias no Egito.
A equipa vai analisar o pote, para identificar o conteúdo.
Pode revelar informações cruciais
sobre a preparação desta pessoa para a vida eterna.
É espantoso.
O corpo em mau estado sugere que não foi totalmente mumificado.
Nesta necrópole de ricos e poderosos,
porque há um túmulo tão modesto?
Agora começa a investigação.
Estou empolgado por ter tempo para procurar a resposta.
À saída do Vale dos Reis,
em Dra' Abu el-Naga',
a egiptóloga americana Suzanne Onstine
espera que o estudo de métodos de mumificação
revele como o corpo físico teria um papel crucial na vida eterna.
Sempre que entro no túmulo,
recordo que sou responsável por ele.
Queremos consolidar e conservar o que existe
para as gerações futuras.
Até agora, Suzanne encontrou os restos de mais de 200 corpos.
Quando um homem, Paneshy, e a esposa dele, Tarenu,
construíram o túmulo, era só para eles.
Descobrimos que, durante mil anos,
outras pessoas usaram o túmulo e foram sepultadas aqui.
Suzanne vê algo notável nas partes de corpos.
Foram trespassados com cavilhas de madeira.
A cavilha foi inserida na coluna,
para os ajudar a ficar de pé na vida eterna.
A artrite era um problema.
Na vida eterna, queriam ver-se livres disso.
Foi assim que lidaram com essa situação.
Mas a cirurgia corretiva não foi a única a ser feita depois da morte.
Este é um membro falso.
São próteses para a vida eterna.
Mumificaram um maço de paus
para substituir um braço.
Na vida eterna, querem estar completos.
É o objetivo da mumificação.
O corpo deve ser reconhecido pela alma
e não deve ter enfermidades.
Este é um exemplo muito bom do que estavam dispostos a fazer.
Esta pessoa podia ter um defeito congénito
e não tinha um braço, mas tem um para a vida eterna.
A descoberta de Suzanne revela o que os antigos Egípcios faziam
para uma melhor vida depois da morte.
O embalsamador falava com a família,
que dizia: "O pai tinha artrite grave.
"Podemos ajudá-lo na vida eterna?"
Cuidam dos entes queridos.
Encaixa. Muito bem.
Suzanne descobriu outro ritual funerário
que ajudava o falecido.
Os túmulos tinham objetos que ganhariam vida no outro mundo,
criados mágicos chamados "shabtis".
Queremos que a vida eterna seja fácil e linda.
Se houver trabalho, alguém tem de o fazer.
É a função da estatueta "shabti".
Era normal incluir 365 estatuetas destas.
Todas as estatuetas fariam parte de um funeral normal.
Os "shabtis" tinham muitas vezes o nome da pessoa que partira.
Isso tornava-os os criados eternos do falecido.
Têm instrumentos para o trabalho agrícola.
Ele está pronto para trabalhar na vida depois da morte.
Quase todas as figuras "shabti" estão despedaçadas,
como as múmias.
Só há uma explicação.
Ladrões de túmulos.
Em Assuão,
Martina investiga o túmulo de um antigo egípcio desconhecido.
O túmulo é pequeno e não está decorado.
É muito invulgar em túmulos neste sítio.
Ela espera que a análise forense ao esqueleto
revele mais informações.
Agora, estamos a retirar as faixas
e a tomar nota do que existe.
Martina, é uma mulher madura.
- Sabe a idade? - Não sei bem, mais de 70.
A esperança média de vida rondava os 25 anos,
porque morriam muitas mulheres no parto.
Encontrar alguém com mais de 70 anos não é uma surpresa,
mas é bom encontrar alguém tão velho.
Sou a primeira pessoa, nos últimos 4000 anos,
a ver o rosto desta mulher.
É fantástico.
Esta mulher teve uma vida excecionalmente longa,
mas não se sabe porque não foi devidamente mumificada.
Retiram cuidadosamente os ossos
e a análise ao esqueleto pode continuar no laboratório.
Sabemos a idade, o sexo e o tamanho.
Agora, suponho que morreu devido a uma doença contagiosa,
talvez.
Agora, a equipa tem de procurar mais pistas
para perceber porque, num cemitério de ricos,
esta mulher teve um túmulo tão simples.
Na base, há uma oportunidade rara de relaxar.
Alejandro aproveita para telefonar para casa.
- Olá. - Olá.
Como estão?
- Tive um oito! - A Francês? Muito bem.
Pai, olha.
Todos os anos, Alejandro passa quatro meses longe de casa.
Temos saudades de casa.
É óbvio, mas tenho o privilégio de fazer algo
que milhões gostariam de fazer.
Não me vou queixar, mas é difícil.
Perdi o nascimento da minha filha mais velha.
A minha mulher não me vai perdoar e eu também não.
Esqueçam.
À saída do Vale dos Reis,
Suzanne e a equipa catalogam uma coleção de múmias
que foram destruídas por ladrões de túmulos.
Haveria até 200 pessoas sepultadas aqui, em caixões,
tratados cuidadosamente pelas famílias.
No saque do túmulo, isso foi destruído.
Os antigos Egípcios acreditavam que, para entrar na vida eterna,
o corpo tinha de sobreviver inteiro.
Para os ladrões de túmulos, nada era sagrado.
O saque é devastador.
Os corpos eram destruídos, desmembrados, desfeitos.
Ficavam dispersos pelo túmulo.
Os invasores de túmulos procuravam algo muito precioso.
Os antigos Egípcios acreditavam
que amuletos mágicos podiam ajudar a alma do falecido
a chegar à vida eterna.
Um deles tinha a forma de escaravelho,
crucial para sobreviver às provas do mundo dos mortos.
Aí, o deus Anúbis poria à prova o mérito do falecido.
Pesava o coração com uma pena.
Se o coração fosse mais pesado, isso indicava uma vida de mal
e seria devorado por um monstro com cabeça de crocodilo,
prendendo a alma para sempre.
Mas o amuleto de escaravelho podia ajudar.
Se os sacerdotes o pusessem dentro do corpo mumificado,
isso garantiria o sucesso na pesagem do coração.
Ao tentar proteger o corpo para a ressurreição,
punham símbolos mágicos no interior.
Para os ladrões, as múmias eram alvos muito lucrativos.
Sabem exatamente o que deve estar no interior.
Procuraram sem hesitar.
Suzanne tem indícios de um saque particularmente macabro.
Este indivíduo mostra o saque de um modo muito pessoal.
Vemos o tronco de um indivíduo
com parte da perna.
Não tem faixas.
Neste lado aberto,
alguém enfiou o punho aqui para entrar na cavidade,
para retirar os amuletos.
Esta pobre alma já não está protegida na vida eterna,
mas, para Suzanne, o saque criou uma oportunidade única.
Embora seja devastador,
a informação que podemos obter de corpos que já não têm faixas
é muito maior do que com faixas,
porque podemos fazer um bom exame visual.
A descoberta notável de cirurgia corretiva depois da morte
e de próteses mumificadas
é uma das maiores do género.
Revela níveis novos de obsessão
por uma vida melhor depois da morte.
No Vale dos Reis, no interior do túmulo de Seti I,
os peritos em inscrições antigas John e Colleen Darnell
analisam os hieróglifos elaborados.
Querem saber como o faraó Seti tencionava chegar à vida eterna.
Este texto é fantástico.
Cada texto tem um papel específico na viagem.
Sim, é ótimo.
"Quem está neste portão grita
"quando ouve a porta a fechar-se."
Encontraram um dos textos mais importantes
para a passagem segura no mundo dos mortos,
chamado Livro das Portas.
Esta é uma das portas do livro.
Mostra como funcionavam os textos religiosos egípcios.
É crucial para percorrer o mundo dos mortos.
As imagens dos textos da vida eterna
revelam como a viagem de Seti podia ser perigosa.
A viagem é dividida em 12 portas
que representam as 12 horas da noite.
Cada uma tem um desafio que o morto tem de superar.
A alma do faraó usa feitiços e senhas inscritos nas paredes
para continuar a viagem.
Sem a orientação correta,
a alma de Seti podia ser lançada para um mar de fogo
para suportar uma eternidade de tormenta.
Tudo o que está incluído nestes textos
quer garantir a existência eterna do rei.
Chegaram à câmara mais sagrada do túmulo,
onde o corpo do faraó foi sepultado.
Estamos na sala do sarcófago
do túmulo de Seti I.
É o último grande elemento arquitetónico do túmulo.
Para os antigos Egípcios,
equivale a uma nave para a alma.
Sai do reino terrestre
e entram noutra realidade.
O faraó Seti I construiu um túmulo muito profundo,
para que a alma pudesse percorrer o mundo dos mortos.
Textos religiosos esculpidos nas paredes do túmulo
dão ao rei as senhas necessárias para chegar à vida eterna.
Na câmara funerária há um sarcófago de pedra gigantesco.
Tinha inscrições do Livro das Portas
e continha a múmia de Seti e amuletos.
Guiavam-no para passar pelas portas
e para alcançar a imortalidade.
Os Egípcios tinham de saber tudo isso,
mas depois tinham de usar. Têm de dizer os feitiços.
Não basta ler o livro, têm de o representar.
Não basta ter o amuleto, usam-no da maneira correta
para que o rei morto chegue à vida eterna.
O texto, as cenas e os hieróglifos
tornam este túmulo uma máquina de ressurreição.
Os antigos Egípcios adorariam saber
que os modernos se interessam tanto pelo que faziam e pensavam.
Acreditavam que a memória dos mortos,
que pensar nos mortos melhoraria a existência futura da alma.
Como faraó,
não se olhou a despesas na passagem segura de Seti.
Mas até os egípcios comuns queriam estar preparados.
Em Assuão, Martina e a equipa terminaram a análise
ao conteúdo do pote encontrado com a senhora idosa.
Encontrámos lascas de pedra e fragmentos de insetos.
Os restos de insetos mostram que pode ter contido comida,
uma oferenda à falecida.
As oferendas ficavam normalmente perto da cabeça.
Pode dar ao falecido
os líquidos necessários na vida eterna.
Os restos de ossos e tecido
mostram que esta pessoa foi parcialmente mumificada.
Alejandro tem uma teoria
que explica porque num túmulo para os ricos
há um túmulo tão modesto.
Os túmulos reais no Vale dos Reis são totalmente decorados
com objetos ricos.
A ausência disso neste túmulo parece indicar
que esta pessoa não tinha uma posição elevada na sociedade.
Podia trabalhar para alguém importante
e talvez o objetivo fosse continuar a ajudar essa pessoa
depois da morte.
A mulher idosa podia ser criada ou enfermeira
de uma das famílias poderosas aqui sepultadas.
Tentamos entender o passado.
A descoberta de uma câmara intacta é sempre um momento a recordar.
Agora, temos de estudar todos os materiais que temos
e isso é emocionante, pelo menos para mim.
Ricos ou pobres,
os antigos Egípcios faziam tudo para preparar a vida eterna.
As relíquias, os rituais e os restos que deixaram
dão agora aos arqueólogos
uma visão desta sociedade extraordinária.
Desvendam até hoje os mistérios da vida eterna.
Legendas: Ana Rita Santos
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