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Original subtitles

SENHOR JUIZ BRICARD

POLÍCIA

- Boissard, juiz Boulet. - Bem.

Michalon, juiz Robert.

Louvier, juiz Bricard.

SECRETARIA DO TRIBUNAL

SENHOR JUIZ BRICARD

- O seu rábula está atrasado. - Pois.

Os advogados oficiosos estão sempre atrasados.

O meu, é o Sr. Dr. Toulouse.

Eu que lhe diga, o tipo é um craque.

Salvou a pele do Mascaro. Tinha massacrado uma família inteira.

Até a avó, que tinha vindo ao Salão do automóvel.

O advogado Toulouse foi aplaudido e o Mascaro até o abraçou.

A sério?

Talvez também você o abrace.

Nunca se sabe.

Mas não muda o facto de estar atrasado.

Fui eu que lhe disse para não vir, para a entrevista ser mais espontânea.

Dizem que o Bricard gosta disso.

Depende dos juízes.

Aqui que ninguém nos ouve,

o Bricard não é muito simpático.

A sério?

Importa-se de se debruçar? O meu atacador desapertou-se.

Estas algemas são muito curtas.

Preferia o antigo modelo.

Pois… não o conheceu.

Eu não gostava de me apresentar

frente ao Bricard sem advogado.

Talvez tenha algo a esconder, eu sou inocente.

O meu atacador também se desapertou…

Importa-se de fazermos o mesmo?

- Também lhe faz falta o modelo antigo. - Ou os antigos atacadores.

Faça entrar o réu Louvier.

É o Louvier…

Bom dia, Louvier.

Bom dia, meritíssimo.

Desculpe, estou a fazer uma coisa que detesto.

Também eu detesto.

Todos detestamos.

Vamos facilitar as coisas, não estou habituado a segurar uma pistola.

- Não compliquem. - Cuidado, é um parabellum.

O gatilho é sensível.

Não tem apontamento marcado, não posso fazer nada por si.

Ao menos transmita-lhe este recado, é muito importante.

Repito-lhe que precisa dum apontamento marcado.

Aliás, o juiz Simon está para fora. Comissão rogatória.

E a secretária?

Está de licença médica.

Mas vi-a sair do escritório há dois minutos!

Isso mesmo, ia para o sanatório.

Pode deixar de gozar comigo?

Muito bem.

Pode dizer ao juiz Simon que eu tinha outra opinião dele.

Que a Julie Boucher, jornalista para o Éclair-Midi tinha outra opinião dele.

Vai ficar transtornado.

De qualquer maneira, arriscava dez anos, uns anos a mais…

Com a condição de me apanharem, o que não é garantido.

Engraçado, nunca teria pensado que uma arma dava tanta confiança.

Não estou a falar de arrogância, mas realça o que se diz.

Se eu lhe tivesse pedido o seu fato, nunca mo teria dado.

É o dava!

Talvez não mo tivesse recusado brutalmente,

mas teria inventado razões, ninharias.

Mangas muito compridas, ou sei lá o quê, quando as mangas me ficam impecáveis.

Até parecem feitas à medida.

O que foi?

Está bem!

O que me quer dizer, que arrisco prisão perpétua?

Esses sapatos não condizem com o fato.

Pois.

Mas os seus são muito largos.

Nem se fala dos do polícia!

Não lhes digo até breve, adeus, meus senhores!

Não se mexam. Acalmem-se.

Não me caiu bem o almoço.

- Ficou-me no estômago. - Escolhesses o peixe.

É leve e nunca cai mal.

Bom dia, meritíssimo.

Deixe-me olhar para si.

Não ligue para os meus sapatos…

Estou a olhar para si.

O juiz Simon, o cow-boy.

Li o seu livro três vezes.

Podia citar-lhe trechos inteiros.

Está muito protegido.

Pois.

- É natural, não deve ter só amigos. - Não…

Esperei que o oficial de justiça esteja distraído.

Foi-se embora?

Vou ver, porque…

Não o incomodo?

Imagine, nem pensar.

Estava a arrumar, costumo levar uns arquivos para casa, para trabalhar.

No silêncio da minha biblioteca, com o meu cão…

aos pés.

Tem um cão? Como se chama?

Chama-se Pataud.

O fiel Pataud.

É a única pessoa em França que me possa salvar.

Sou jornalista para o Éclair-Midi. Enfim, era…

Puseram-me na rua.

Quer saber porquê?

Claro.

Descobri uma coisa que não devia ter descoberto.

- Que coisa? - Um crime.

Aconteceu em Nice.

Vai dizer-me que não está na sua área de jurisdição.

- Pois não. - Mas gostava de ter a sua opinião.

Sobre que assunto?

Obrigada, senhores.

Conduzi a noite toda para o vir ver.

Veio de carro?

- Vim. - Então toca a andar!

Para onde?

Para minha casa… tenho de passar por casa.

Bem vê que ele estava aqui!

Conta-me isso tudo a caminho.

Desculpe.

Parece mais novo sem o bigode. Nada a ver com a fotografia.

A fotografia?

No jornal Libération quando estreou o seu livro.

Nem parece ter 34 anos.

Trinta e quatro anos, porquê? Não tenho 34 anos.

Trinta e três e meio…

Nasceu em abril de 1947, é do signo do Carneiro.

Sei tudo a seu respeito. Enfim, quase tudo…

O mais importante.

A faixa dos autocarros? Esteja à vontade!XXX

- A minha matrícula não é parisiense. - Parisiense ou não, cheira a multa…

Vai ver, basta um sorriso. Ninguém sorri que chegue.

O sinal está verde, vamos!

Conhece o juiz Fontani, em Nice?

De reputação.

Não deve ser grande coisa, a reputação dele…

Quando eu fiz o meu artigo sobre o crime, abriu uma investigação.

Ponha-se na faixa esquerda, para virar na primeira à esquerda.

Decidiu pela improcedência, apesar das provas.

- Porque eu tinha provas. - Está bem, mas vire aqui, à esquerda.

Tive a ideia do artigo quando a viúva me veio ver.

Outra vez à esquerda.

A viúva Bertillon.

O Sr. Bertillon, o químico que caiu do comboio.

Vire à esquerda, que raios!

Caiu do comboio, o tonas! Eu tenho outra versão da história.

Não ma pode contar depois?

O ambiente não é muito propício.

Está tenso?

Não, mas não estou concentrado.

O melhor, é deixar-me em minha casa.

Subo, ponho os arquivos no cofre,

desço e vamos beber um copo num sítio calmo,

para me contar a sua história.

Pode ser.

É melhor, porque…

Vire à direita,

e depois, é sempre em frente.

Vai achar que não tenho os pés na Terra, mas ao bocado, quando disse "vamos",

julguei que estava a falar de Nice.

Nice?

Sim, ao bocado, no seu escritório…

Pois, mas o que quer que eu vá fazer em Nice?

Sou uma sonhadora, está na minha natureza.

Mesmo assim, Nice, não sei…

Outro sítio, era igual…

Chegamos, é o primeiro prédio à esquerda.

- Bem, até já. - Espero.

Ó campeão, anda cá ver!

Estou a ver, então o campeão é ele?

- Ganhaste uma gravata. - Obrigado!

Olha para o que ele me deu!

Recuam! Não há nada para ver.

Deixem passar.

Vá…

POLÍCIA

- Cabrão! Sacana! - Cara de cu!

- O que têm consigo? - Nada, uns delinquentes quaisquer.

Conhece um lugar especial, para tomar um copo?

Sim, o Queenie, promenade des Anglais.

O quê?

Vamos a Nice, ou não vamos?

Decida-se.

A partir de agora, trato eu do caso Crébillon.

- Bertillon. - Isso mesmo, Bertillon!

E parte assim, sem bagagem?

Costumo comprar tudo no local.

Até os sapatos?

O que têm os meus sapatos?

São amarelos.

Amarelos?

Deixe-me aqui.

- Ofendi-o, com os sapatos? - Preciso de mais do que isso…

Vou ligar para o escritório, para cancelar as audiências.

- Pois. - Aqui.

Merda! Não tenho moedas.

Não tem umas moedas que me empreste, por favor?

- Tome. - Desculpe.

Cinco francos dava-me mais jeito.

Quando as cabines estão avariadas um franco não funciona.

Prefiro perder cinco francos.

Sobretudo os meus.

Levo dez, assim funciona de certeza. Volto já.

O Sr. Raymond, por favor.

Estou, Raymond?

Fala o Gérard. Como estás?

Estou na estrada, acabo de tirar umas férias.

Sim.

O Fernand não pôde vir,

teve visitas que chegaram sem avisar.

Pois…

Escuta, vou amanhã para Nice.

Em casa duma rapariga.

Não é desse tipo, não.

É mais do tipo alucinada, não sei se estás a ver.

Tenho de desligar, tenho pouco tempo.

Está bem, até amanhã.

LIÃO

É um winner.

- Um como? - Um lutador, um vencedor.

Pois, sigo os meus impulsos.

Vai precisar deles.

Fico contente de o caso o interessar.

O caso é consigo?

Não, o caso Bertillon.

- Em Nice, não vivo sozinha. - Ah…

Prefiro dizer-lhe, caso tenha algum impulso.

Porque o Daniel também segue os impulsos dele.

No sábado, no cinema, partiu a cara dum tipo que eu nem sequer tinha reparado.

- Pois… - Acha graça?

Acho graça pensar que atravesso a França para ir para a cama consigo.

Se fosse o caso, podíamos ter ficado em Paris.

Onde? Como? Entre a correria e os telefonemas…

Não diga disparates.

Como me acha, à parte isso?

Olhe para a frente, quando conduz.

Afirmativo, controlamos a portagem.

GUARDA

Diga-me lá porque acha uma asneira!

Não vamos passar pelas montanhas para poupar os cem francos de portagem!

- É absurdo. - Acha que é por causa do dinheiro?

Tenho-os aqui, os cem francos!

Até tenho cinhentos.

Até podia ir até Nápoles, se quisesse.

Só que eu decidi boicotar as empresas de portagem.

O meu carro não aguenta as subidas, nunca lá chegamos.

Empurramo-lo!

É só que costumo adormecer nas autoestradas. É perigoso.

Mas sou eu que conduzo!

Não lhe apetece descobrir paisagens rurais?

Sem pressa?

Em vez de respirar o fumo dos tubos de escape.

Conduzir à sombra das nogueiras, ver as vacas…

Vacas?

Pois, vacas.

- Então se é para ver vacas… - Claro.

MUDANÇAS

SIGA O ÁS DA ESTRADA

A que cheira este anormal? Gasóleo ou óleo de ricínio?

- A que cheira? - A vaca…

Do que está à espera para o ultrapassar?

Não tenho potência.XXX

E na autoestrada, teria tido potência?

Que má fé…

Seja amável, faz 14 horas que conduzo.

Então conte-me essa história de crime.

Ça va vous détendre.

Mon rêve, ça aurait été le grand reportage.

Puis j'en ai fait des petits.

Les concours de plage, les châteaux de sable,

le corso fleuri, Miss Côte d'Azur...

Alors quand une bonne femme passe la porte en disant "on a zigouillé mon mari",

c'est le soleil qui rentre dans le bureau.

Oui.

Vous avez entendu parler de la Linardine ?

Non, pas très, non.

Je vous sers un apéritif en attendant ?

- Pour moi, un petit Martini. Et toi ? - Moi aussi, un petit Martini.

Deux petits Martinis, on the rocks avec un zest ?

La Linardine, c'est un suractivant rénal qui empêche de grossir.

Excusez-moi...

Grossir, c'est la hantise des femmes.

Vous imaginez le marché que ça représente ?

- Non. - Seulement voilà...

La Linardine, c'est du cancer en boîte.

Elle provoque des lésions cellulaires chez la souris

et des tumeurs cérébrales.

Ça, c'est M. Bertillon qui l'a découvert.

M. Bertillon, le mari de la veuve. La salope qui est venue me voir.

Je croyais que c'était le soleil ?

Attendez la suite...

Oh pardon ! Décidément...

M. Bertillon était professeur de biologie à la faculté.

Naïf, comme toutes les grosses têtes,

il décide d'aller trouver le Dr Mougins pour lui parler souris.

Mougins, enfin la multinationale, parce que Mougins, c'est un prête-nom.

Ils avaient investi 16 millions de dollars rien qu'en recherches.

Il voulait surtout pas entendre parler souris.

Bref...

Qu'est-ce qu'il y a ? Ça va pas ?

C'est le lapin...

Vous aviez l'air de l'aimer, pourtant.

Oui, mais je l'aime plus.

Ah...

Bon, je continue mon histoire.

Attendez, vous pourriez pas me la continuer dans l'auto ?

Parce que moi, je préfère rouler de jour.

Ben non, je finis mon lapin.

Bon, je reprends.

Viré par Mougins, M. Bertillon met ses notes dans une mallette

et décide d'aller trouver le ministre.

Le tunnel de Montferrand, ça ne vous dit rien ?

Non, non.

Il fait nuit, le train entre dans le tunnel...

M. Bertillon a envie de faire pipi.

Il croit ouvrir la porte des toilettes, il pousse la porte extérieure.

On le retrouve au matin sur le ballast, écrasé, écrabouillé.

Vous allez me dire : "Qu'est devenue la mallette ?"

Non, enfin, si. Oui.

Pfft, disparue.

Messieurs, à nous. Qu'est-ce que je vous sers ?

- René ? Lapin moutarde, ça te va ? - Comment il est, le lapin ?

À la moutarde !

- Comment il est ? - Hein ?

Le lapin moutarde, il est comment ?

- Il est bien. - Il en a laissé la moitié.

Non, pourquoi vous dites ça ?

Non, c'est je... Parce que j'aime pas la moutarde, moi.

J'avais pas vu que c'était du lapin moutarde, c'est vrai.

Ça me fait mal... Alors je... Mais le lapin est bien.

- Deux. - Deux.

J'étais partie pour un scoop, j'ai tapé 45 feuillets.

Close-up sur la veuve, interview du mec des wagons-lits.

L'histoire des souris, tout ça au vitriol, une espèce de Watergate.

Mougins, je le désignais avec un M majuscule et des petits points.

Vous m'avez annoncé une petite mousse et deux flancs ?

C'est ça ? Ça a l'air calme pour vous en ce moment ?

Calme ? T'entends, René ?

On a Paris au bout du fil toutes les cinq minutes.

À cause de l'évasion...

On contrôle tout,

les poids lourds, les cyclistes, même les piétons.

Il a pas une chance sur mille de passer au travers, le Louvier.

- Je pouvais pas, alors... - Madame !

Oui, monsieur, un instant, je reviens.

Pour le reste, je balançais tout.

J'aurais voulu que vous lisiez ça.

- Je le lirai à tête reposée. - Il me reste 25 exemplaires chez moi.

Tout le reste a été saisi. En plus, j'ai été foutu à la porte.

Cette salope de veuve a dit qu'elle m'avait jamais vue

et que j'avais tout inventé.

Quand elle a dit ça, je suis tombée raide.

En plus vous savez ce qu'elle a trouvé ? Alors là, la menteuse...

Que son mari était dans un état dépressif et qu'il s'était peut-être jeté du train.

Et votre collègue, le juge Fontani, qu'est-ce qu'il a dit ?

Idem, suicide.

- Madame ? - Oui, monsieur, une seconde.

Je n'ai que deux bras, je ne suis pas Vischnu.

J'avais que deux fromages, alors je vous ai pris un petit museau.

- Y en a qui préfèrent. - Pas moi. Enfin, tant pis.

Oui, tant pis.

Je vous parle pas des lettres anonymes, des menaces de mort.

Je suis allée trouver la police, on m'a éconduit.

Quand on s'attaque aux gros, les poulets aiment pas ça.

Forcément, ils touchent...

Mais non, mais non, vous êtes énervé, c'est rien.

Bon, je suis à vous, un petit dessert ?

L'addition, s'il vous plaît.

Moi, je prendrai quelque chose. Vous avez des sorbets ?

- Absolument, madame. - Au cassis ?

- Ah non. - Alors l'addition.

Y a un truc qui me fait envie.

Non...

Des crêpes au Grand Marnier.

Je dois vous dire qu'il y a un bon quart d'heure d'attente.

Un quart d'heure ? Non, c'est pas possible.

Vous regretterez pas. Mme Lavanant, c'est la reine des crêpes.

Oh...

Si c'est la reine des crêpes, on va prendre des crêpes, hein, chérie ?

Oui.

Deux crêpes.

Deux petites crêpes ?

Vous êtes gourmand, hein ?

NICE 8 HEURES DU SOIR

C'est là-bas. Vous le voulez à quoi votre sandwich ?

- Vous allez pas encore bouffer ? - Pan bagnat, vous connaissez ?

Non, je sais pas ce que c'est, ces pans bagnats.

C'est super, vous allez voir.

Eh, les clés ! Laissez-moi les clés ! Si y a quelqu'un qui veut sortir.

C'est pas loin, c'est à dix mètres !

- Je veux monter avec toi, moi. - N'insiste pas, va.

Je suis trop chère pour toi.

Bonjour, deux pans bagnats et un paquet de gitanes, s'il vous plaît.

LE JOURNAL

Et merde !

- Combien je vous dois ? - Seize francs.

C'est une bonne idée ça.

Deux pointus.

Y a une autre sortie ?

Par là, ça donne au fond de la cour.

Les poubelles et la ruelle.

Si vous êtes garée devant, ça va vous faire un détour.

Gardez tout.

Louvier était connu, jusqu'à ce jour,

comme un homme qui n'avait jamais d'arme...

Je vous dis qu'elle revient.

Mais je m'en fous ! Je suis pressé, mon vieux.

Poussez votre bagnole ! Allez, merde !

Bon, je vais chercher les clés. Une seconde !

- Ciao. - Salut, Jeannot.

- Hello. - Bonsoir.

... malgré les contrôles dans les gares,

les aéroports,

et sur les principaux axes routiers, Gérard Louvier reste introuvable.

On le voit ici, le jour de son arrestation.

Le commissaire Moutier l'avait arrêté le 17 juillet dernier.

Aux dernières nouvelles, il aurait été aidé dans son évasion

par une jeune femme dont on ignore encore l'identité.

Ça va, ça va.

Y a rien.

Mais vous la déplacez, votre bagnole, oui ou merde ?

- Non de Dieu ! Petit con va ! - Regarde...

Il est fou...

Il est marteau, ce mec.

C'est pas vrai ça...

- Je m'en vais ! Je m'en vais ! - Ah, c'est à vous !

Vous avez pas un autre endroit pour vous garer ?

J'allais remonter dans ma voiture et percuter votre vieux débris !

Barrons-nous ! C'est des paranos les mecs ici !

Où t'étais passée, toi ?

On n'a pas le droit d'emmerder le monde comme ça !

C'est vraiment de la merde, ces pans bagnats, ça coule partout.

- Vous pouvez pas rouler moins vite ? - Non.

- Qu'est-ce qui vous a pris ? - On nous suit. La voiture jaune.

- Quelle voiture jaune ? - Derrière nous.

Vous me croyiez pas quand je parlais de menaces.

- Je fonce au commissariat. - Au commissariat ?

Vous dites qui vous êtes et puis on m'embête plus.

Bon alors, stop. J'ai dit stop !

Mais qu'est-ce qui vous a pris ? Vous êtes complètement gelée ou quoi ?

Mais vous avez dit stop !

C'est quand même curieux que le mot "commissariat" vous donne des névroses.

- Moi, si j'étais juge... - Mais moi, je le suis !

J'ai pas le droit d'enquêter hors de Paris-Seine, c'est comme ça.

Passé le périphérique, je suis un citoyen comme n'importe quel Arabe !

Alors je veux bien rendre service,

mais j'ai pas envie de me retrouver au ballon, c'est compris ?

Au ballon ? Ah bon ?

Oui, au ballon, ils vont pas se gratter !

Très bien.

Très bien, attendons la voiture jaune.

Attendons les tueurs...

Il parait qu'on voit toute sa vie passer en une seconde...

En une seconde...

Ouais.

Les tueurs, y en a pas de tueurs !

Y a pas de voiture jaune, y a rien !

Elle est dans votre tête la voiture jaune, comme les souris et tout le reste.

- Il est pas jeune l'immeuble. - Non, il est ancien comme le quartier.

- Vous n'aimez pas les vieux quartiers ? - Ah si, mais avec des maisons neuves.

J'aime les salles de bains avec des mélangeurs.

De toute façon, je m'incruste pas. Je vais descendre au Frantel demain.

Et puis j'irai voir mon confrère Fontani, le juge.

- Il s'appelle comment déjà l'autre ? - Qui ça ?

- Votre copain là ? - Daniel.

Daniel.

Et il tape les mecs tout le temps ou c'est le cinéma qui l'énerve à celui-là ?

Hein ?

Daniel ? C'est moi !

Je ne suis pas toute seule.

Moi non plus.

On va pas partir comme ça, faut prendre l'artillerie.

Qu'est-ce qu'elle fait là, celle-là ?

Elle s'appelle Eva.

C'est quand même pas vrai.

Je m'absente cinq minutes et tu prends une intérimaire ?

Ah, tu t'absentes pas, tu te tires.

Pas cinq minutes, deux jours...

Je peux pas vivre seul, tu le sais, je cafarde.

À la tombée du jour j'ai des spasmes.

Maintenant je suis là, alors tu vires ton antispasmodique et tu m'écoutes.

Je suis montée à Paris pour mon affaire. Devine ce que je ramène ?

Un mec ?

Un juge d'instruction.

Et pas n'importe lequel. Le juge Simon, le cow-boy.

Celui qui a écrit Le juge Rouge.

Tu me crois pas ? Demande-lui ses papiers.

Qu'est-ce que vous attendez vous ?

Je croyais qu'on vous avait priée de partir.

Ah non, on ne m'a pas priée.

Eh bien je vous prie.

- C'est mignon votre petit truc. - Touchez pas, ou je crie.

Je me demande où tu les ramasses.

À la sortie des toilettes ? Sous des becs de gaz ?

On dirait qu'on parle de moi.

Elle est gonflée quand même. Le coup du cow-boy...

- Pourquoi gonflée ? - Des juges comme vous, c'est marrant.

Tant mieux.

"Coucou, c'est moi, je ramène un juge."

Non mais, à qui tu racontes ça ? Je vais aller voir sa tête,

si tu permets.

Voyez, si je savais pas, je dirais que vous avez plutôt une tête de voyou.

Ah, eh oui...

Que t'ailles baiser dehors, je m'en moque.

Ce que je veux pas, c'est que tu les ramènes chez moi.

J'aime pas qu'on fouille dans mes tiroirs.

Qu'est-ce qui me prouve que tu te l'es pas tapé ?

Pourquoi il est venu ? Qu'est-ce qu'il veut faire ?

- Vous regardiez la télé là ? - Oui, un film.

Ça fait longtemps, non ?

On n'a pas tellement regardé le début, si vous me comprenez à demi-mot.

Oui, oui.

Voyez, si j'avais tué quelqu'un, j'adorerais être interrogée par vous.

C'est gentil, ça.

Il suffit qu'on ait un invité pour que tu sois désagréable.

Je me demande où t'as été éduqué.

Excusez-le, il fait toujours des scènes à la con.

Vous êtes encore là, vous ?

J'ai laissé mes chaussures dans votre chambre.

Je vais préparer votre lit.

C'est pas la peine, je m'en vais.

Il est marrant son juge, il a des pompes jaunes.

Salut, si je dérange en quoi que ce soit...

Non, vous dérangez pas, vous indisposez.

Pour moi, un juge, c'est un poulet et j'aime pas les poulets.

Mais personne n'aime les poulets.

C'est vrai, seulement, quand on a besoin d'eux, on les appelle.

Parce que si un jour, un voyou enfonce votre porte...

- Je lui casse sa tête. - Ouais, on fait la justice tout seul...

Le flingue sous l'oreiller, allez donc.

Un jour, y a un mec comme ça, qui a tué son père dans le noir.

Voyez où ça amène ?

Pour une nuit, j'espère que vous serez pas trop mal.

Quoi ? Il va pas rester là ! Eva, t'en va pas !

Tu veux bien arrêter ton cirque ? Reprendre ton souffle ?

Bon, alors, qu'est-ce que je fais ?

Tu te barres !

Mais c'est insensé, ça !

Tu vires une copine, t'installes un mec.

En plus de ça, la copine, tu l'insultes ! Une fille extra...

Eh ben son extra, elle l'a fait. C'est fini, elle se casse.

Quand tu dis "un mec", je suppose que tu veux parler de monsieur le juge ?

Le premier magistrat de France.

Un homme qui a fait 1 000 km pour étudier l'affaire Bertillon.

Et qui trouve quoi en arrivant ? J'ose pas le dire.

Si, vas-y, dis-le.

Un connard qui grimpe aux rideaux avec une radasse.

Ça, tu vas le regretter.

Elle l'a cherché, non ?

C'est la première fois que je lui donne une claque.

Daniel !

C'est mieux si j'y vais.

Ça serait plus gentil, ouais.

Tiens.

Allô ?

Ah non, Raymond est sorti.

C'est embêtant, je peux pas moisir ici. Je suis passé à la télévision ce soir.

Je sais pas quand il va rentrer. Il peut te rappeler ?

Attends, bouge pas, une seconde.

Ah, j'y arriverais pas.

Allez. Ah, ben non.

C'est quoi le numéro de téléphone d'ici ?

Pourquoi vous parlez à voix basse ? Pour pas déranger ?

Ouais.

C'est 90 13.

Merci.

Eh, il va venir poser des questions toute la nuit ?

C'est son métier.

Bon, t'as qu'à lui dire de me rappeler alors.

OK. Ciao.

LE JUGE ROUGE

Tu dors ?

"Y avait dans son œil comme un frisson, comme l'attente de la mort."

Y avait dans son œil comme un frisson, comme l'attente de la mort.

"Y avait dans son œil comme un frisson, comme l'attente de la mort."

Trois milliards d'investissements. Il croyait tout de même pas

qu'on allait jeter les petites pilules dans la Seine, Bertillon.

C'est comme la veuve, si elle est revenue sur ce qu'elle a dit à Julie

c'est sûrement une histoire de pognon.

Ou de fesses. Ça joue aussi.

Sur quoi vous vous basez ?

Sur l'affaire Montpensier. Celle que je raconte dans mon bouquin.

J'ai tout compris le jour de la reconstitution,

dans la petite clairière, à l'aube.

Ça c'est l'heure,

comme je raconte, où la nature frémit, où les évidences apparaissent.

Il y avait le chant d'un oiseau, le visage de Thérèse Boudet muette.

Et totalement muette.

Et j'ai compris que si elle se taisait, c'était à cause d'une menace.

Une menace ?

Ouais.

Y avait dans ses yeux comme un frisson, comme l'attente de la mort.

Alors là, j'ai...

Je lui ai dit tout de suite...

Deux points à la ligne, ouvrez les guillemets.

Je vous trouve bien littéraire ce matin.

On est en plein dans ton affaire.

Tiens, y a du café qui chauffe. Peut-être même qui bout.

Alors, vous lui avez dit quoi, à Thérèse Montpensier ?

Je sais pas, elle m'a détraqué, l'autre là.

J'ai montré ton dossier au juge, ça t'ennuie pas ?

Au contraire, j'aimerais bien avoir son avis.

Tu sais ce qu'il dit, monsieur le juge ?

Non. Qu'est-ce qu'il dit monsieur le juge ?

Qu'il conviendrait d'avoir une vue logisticienne

plutôt qu'empirique de l'affaire.

Attention, vous allez mettre de la confiture sur mon dossier.

J'ai compris, je vais reprendre à zéro en jouant au journaliste.

Pourquoi pas au juge ? Ça serait plus simple.

Je vous ai dit que j'avais pas le droit.

Ah oui, c'est vrai. En dehors de Paris-Seine.

C'est la veuve, ça ?

- Oui ! - Elle a l'air plutôt vache.

Elle l'est plutôt.

- Et celui-là ? - C'est le type des wagons-lits.

Il va t'expliquer la théorie des dominos.

Je la connais déjà.

On peut savoir depuis quand ?

Depuis que j'ai lu le bouquin de monsieur.

Oui, enfin en tout cas, moi, je vais l'expliquer à tous les témoins.

Je vais commencer par les plus importants, et resserrer sur elle.

Je vous assure qu'il va falloir qu'elle s'allonge.

D'après ce qu'on dit elle demande que ça.

Je ne suis pas vulgaire, je suis triviale.

Non, mais continuez, faites pas attention.

Je me demande si ça vaut la peine.

Mais si, allez-y.

- Dites-lui. - Me dire quoi ?

Mais non, c'est rien.

Tu prends la bagnole et tu fais le plein.

Pour aller où ?

En Italie, à Pise. Parce que la tour, je l'ai reconnue du premier coup d'œil.

J'ai pas su lui dire qui c'était, le type.

Mais c'est un typo du journal.

C'est une photo de vacances. Elle a dû se glisser dans le dossier.

Ah bon, alors si c'est le bordel... Alors là, évidemment.

Je voudrais pas te presser, mais je crois que c'est l'heure, Daniel.

T'as raison, faut que j'y aille.

- Au revoir, monsieur le juge. - Au revoir.

Il a quand même une tête de rital.

Typo ou pas typo, il était en Italie. Je veux savoir ce qu'il y faisait.

Après, je passerai celui-là sur le grill, après celle-là, c'est pas compliqué.

Je vais mettre toute la flicaille de France sur l'affaire.

Vous pensez pas qu'elle l'est déjà un peu, M. Louvier ?

Cette nuit, j'aurais pu appeler les flics, je l'ai pas fait.

J'avais piqué le téléphone.

J'aurais pu appeler d'en bas. Je suis très amie avec la concierge.

Ça ne m'étonne pas ça, tiens...

Oh, et puis j'en ai marre de vous parler. Vous me pompez l'air.

Vous allez prendre vos affaires et puis partir, que je vous revoie jamais.

Quel con, c'est pas vrai ça, quel con.

Monsieur le juge par-ci, monsieur le juge par-là !

Je me suis vraiment fait piéger moi. Il a bon dos le juge.

Traverser toute la France pour aider une pétasse et se faire jeter dehors !

Merci pour la pétasse ! Vous êtes reconnaissant, c'est gentil.

Reconnaissant de quoi ? 180 balles d'essence, 200 balles de resto.

Deux pans bagnats, deux cocas, un paquet de Gitanes.

C'est moi qui ai payé les pans bagnats. Pourquoi, je me le demande.

- Pour vous faire des secousses, pardi ! - Quoi ?

Vous êtes toutes les mêmes, les avocates, les caissières, les journalistes.

Ah, il est demandé, le petit voyou. C'est sa fête tout du long !

Mais je ne suis pas un objet sexuel, ma petite.

Je ne me suis pas arraché de prison pour faire fantasmer les loquedues, moi.

Loquedues ?

Non, mais vous vous êtes pas regardé avec vos petites pompes jaunes.

Si je me suis pas regardé, vous vous êtes pas entendue.

Parce que le cirque de cette nuit...

Ça vous a pas empêché de lire.

Non, mais des cochonneries pareilles à votre âge, faut être malade.

Il doit en être gêné déjà, Daniel...

Je me souviens pas, mais par exemple, quand vous avez dit...

Oui, ben, ça ne m'arrive qu'avec lui.

Il m'a libérée, avant j'étais bloquée.

J'étais muette comme une carpe.

Je me trouvais laide.

Vous êtes pas terrible, hein.

Ah bon ?

- Mais j'ai pas dit ça pour vous vexer. - Non.

Quand je dis vous êtes pas terrible, ça dépend par rapport à qui.

- Je vous trouve mieux qu'Eva. - Ah bon ?

- Oui. - Ah bon, vous trouvez ?

Ben oui.

C'est-à-dire c'est une question de morphologie.

Bon, alors, on va dire : "Eva est mieux roulée qu'elle".

- Du haut, peut-être, mais pas du bas. - Ah.

Puis Eva, elle a pas de regard, elle a pas de vocabulaire, elle a rien.

Moi, si j'avais à résumer, je dirais que vous êtes plus sexy.

Elle, elle est plus sexy, mais vous, vous êtes plus salope.

Ah oui, salope.

Ouais, salope.

- Mais partez pas. - Ah si, si.

Vous pouvez rester encore un peu.

Non, non ! Le courant passerait plus là.

Montez là.

Chut...

Salope !

Tu mériterais que je te tue.

T'as lu ce que tu m'écris ?

Je l'ai forcément lu puisque je l'ai écrit.

Tu te rends pas compte que tu me bousilles la tête ?

Je parcours la France pendant trois semaines

à vendre des lunettes Lissac à polarisation variable.

Et je me fais poignarder en rentrant.

J'ai lu cette lettre, c'est dans tous les sens.

C'est incohérent, c'est des mots sans suite.

Tiens, au début, tu dis que tu étais bloquée.

"Hypoanorexique sexuellement", tu dis même, j'invente pas.

Hein ? Alors, puisque je t'ai débloquée...

Puisque je t'ai appris l'amour...

Mais c'est des formules pour faire joli.

Quand tu hurlais dans mes bras, c'était pour faire joli ?

- Tu veux que je te répète des trucs ? - Non, non.

Écoute, lis un peu la lettre jusqu'au bout.

Tu parles que du début, là où je te dis que je t'aime.

Lis un peu la fin, là où je dis qu'il faut plus jamais que tu reviennes.

Plus jamais, Henri, tu comprends ?

Et même le début, tu le lis mal. C'est de l'imparfait, pas du présent.

Tu sais ce que c'est que l'imparfait.

"T'aimais" au lieu de "je t'aime".

Tu comprends la différence ?

Tu me forces à être dure, tu sais.

Je croyais que je l'avais vu sortir, l'autre.

C'est pas l'autre, c'est un autre.

Trop là, non, c'est trop.

Bon ben, je... Puisque c'est comme ça, je repasserai.

Je t'ai écrit justement pour que tu ne repasses pas, Henri.

On peut pas se quitter comme ça après ce qu'on a vécu.

Mais il faut qu'on fasse l'amour une dernière fois.

Comme des fous, comme des bêtes.

Cette personne aura fait le malheur de tout le monde, monsieur.

Eh oui... Ah ! Permettez,

je vous emprunte vos lunettes Lissac à polarisation variable ?

Qui c'est ce type ?

Le juge rouge.

Attends-moi là.

Henri ?

Viens ! Faut que je parle à quelqu'un.

Qu'est-ce que tu fais ?

Qu'est-ce que c'est que ça ?

C'est du Valium.

J'ai du Captagon et de l'Anafranil.

C'est pour te montrer combien je suis malheureux.

Je sais même pas combien j'en prends par jour,

tellement je suis désespéré.

Faut que je prenne du bicarbonate aussi, à cause des brûlures d'estomac.

Mais t'es complètement fou.

C'est peut-être ça qui me rend sourdingue.

Ce matin j'ai failli me faire renverser par une Kawa 900.

- Écoute, tu vas arrêter tout ça. - Ça aurait tout simplifié...

Ça doit être ton magistrat qui remonte.

Je vais lui casser la gueule.

Mon avocat dira que j'étais chargé.

Bonjour, il parait que tu as été à Paris ?

Je suis jamais allée à Paris.

Ah, là vraiment tu me déçois.

Une journaliste, ça devrait inventer des mensonges plus compliqués.

Ta voiture...

69 800 kilomètres avant-hier,

71 614 ce matin.

Différence : 1 800.

T'as quand même pas fait cinq mille fois la promenade des Anglais ?

Ça te suffit pas d'avoir perdu ton boulot ?

T'as envie de perdre un œil ?

Écoutez...

Hier soir, on t'a vu avec un mec.

Un mec avec un costume bleu et des pompes de hareng.

C'était qui ? Et ça, c'est quoi ?

Oh...

La vieille dame...

Tu vas pas encore lui prêter des propos mensongers ?

La tourmenter dans son deuil...

T'as vraiment rien pigé.

Il y a des grosses sociétés auxquelles on s'attaque pas.

Ça foutrait des types au chômage.

T'as vraiment pas de cœur ?

Et ça ?

C'est qui ?

Ça, c'est le typo du journal.

Vous avez un revolver dans l'oreille.

Oui, je crois...

Au bout du revolver, c'est le juge Simon.

Il aime pas du tout les grosses sociétés dont vous parlez.

C'est pour aller le chercher que j'ai fait 1 800 bornes.

Comme c'est un homme occupé qui se déplace pas pour rien,

vous allez dire à monsieur le juge qui vous envoie.

Je peux pas parler.

Tu peux peut-être écrire ? Donnez-lui une feuille de papier.

Et puis après, tu ramasseras

tout ce que tu as fait tomber par terre.

Tenez.

Vous pouvez rajouter l'adresse personnelle ?

S'il vous plaît ?

Tu diras au Dr Mougins que s'il continue je l'envoie aux galères, compris ?

Oui, monsieur le juge.

Si on vous revoit par ici,

monsieur le juge vous jette par la fenêtre. Compris ?

Compris, Mlle Julie.

Je dirai que tu m'as braqué, on me croira.

- T'es le malfrat, je suis le juge. - Sûr, monsieur le juge.

Voilà, si vous avez tout compris, je crois que vous pouvez partir.

Eh, il a pas ramassé les affaires, là.

Ça va, ça va. Va-t'en.

Pauvre type...

Fais voir ta joue ?

Tirons-nous. Je me suis fait braquer par un juge.

Braquer ? T'es sûr que c'est un juge ?

Monte lui demander !

Ça va d'abord virer au violet, et puis après au jaune.

Ah ben, je vais être jolie. Déjà que vous me trouvez pas terrible.

Ah oui, mais en jaune ça peut changer.

- Et là ? - Ouh...

Là, non, c'est le restant d'hier soir. C'est Daniel.

Ça pleut en ce moment.

Il vous avoine souvent, Daniel ?

Mais non, jamais...

Bougez pas, je vais vous chercher de la glace.

Vous mettez pas des idées en tête, hein.

J'ai horreur des coups.

Psst !

Vous êtes juge d'instruction ?

Et champion dans le genre, hein ?

Bon...

Vous devez forcément connaître quelqu'un au contrôle économique ?

- Oui. - Voilà.

J'ai un petit procès au Tribunal de Commerce de Draguignan...

Pour une histoire de fausses factures.

Alors, je me suis dit, si le juge connaît quelqu'un...

Non, il suffit pas de connaître les gens, faut encore les convaincre.

Ah ben, si vous agitez votre flingue, comme avec l'autre.

Oui, enfin je plaisantais.

Mais, enfin, si vous pouviez m'aider...

Oui ben, écoutez, en attendant,

vous pouvez pas remettre de l'eau dans le bac à glace ?

Ça devient énorme.

Allongez-vous sur le lit.

La tête en arrière.

Attention.

Ça va mieux ?

C'est super que vous soyez revenu.

Super...

Faites pas ça...

Ça vous agace ?

Mais non, ça m'énerve.

Ben, qu'est-ce que vous faites ?

À part ça, je m'étais gouré, hein ?

Quand on gêne, faut savoir s'en aller, hein !

Faut disparaître !

Je sais pas ce qui me retient d'avaler tout ça, tiens.

Ben merde, tiens, je le ferai pas.

Je me jetterais par la fenêtre, personne bougerait, hein ?

Vous attendez quoi, là ?

Mes lunettes...

Quoi, vos lunettes ? C'est quoi ça ?

Elles sont en dessous.

Voilà.

J'ai décidé de ne pas faire d'histoire.

Ah !

J'ai posé ma carte de visite dans la poche de votre veste.

C'est pour notre petite affaire.

Quelle affaire ?

Ça te regarde, toi ?

Gérard ?

Quoi, Julie ?

Tu te fâcherais si je fouillais dans tes tiroirs ?

Est-ce qu'il existe une Mme Louvier ?

Non.

Il n'existe pas de M. Louvier non plus.

À la Santé, j'avais le matricule 11 024, et à Fresnes, j'en avais un autre...

J'aimerais bien avoir le même que toi.

Maintenant que je suis ta complice.

Oui, mais ça, on aurait dû y penser avant, tu vois.

Et si je te disais que j'ai couché avec toi

parce que je savais pas où dormir, tu me croirais ?

Non.

Et si je t'annonçais qu'en prison je me disais :

"la première qui me tombe sous la main, je lui saute dessus".

Tu me croirais ?

Non.

Tout à l'heure, tu as crié que tu m'aimais.

T'as même failli me le dire.

Hmm.

Bon, ça devient dangereux là. Je vais faire du café.

Je réponds.

Allô ? C'est Raymond ? C'est pour moi !

À qui t'as filé le téléphone ?

Ouais...

Tout de suite ?

Bon, ben, d'accord.

- Je suis content de te voir, mon grand. - Ben, moi aussi.

Tiens, prends ça.

- Ça aussi. - Ouais !

Quoi ?

Arrête !

Gérard ?

J'ai envie de te dire des bêtises, mais je voudrais pas que tu m'écoutes.

Je me sens bizarre.

Troublée.

Pas vraiment amoureuse, mais troublée.

Tu veux pas venir m'embrasser ?

Gérard ?

FRONTIÈRE 9 KM

LAC DE CÔME ITALIE

T'avais raison, c'est beau.

- C'est grandiose. - Grandiose, mais pas gai.

Tu verrais ça au mois de juin, si c'est pas gai.

Des milliers de petits parasols jaunes, les pédalos, les pizzas.

Les papiers gras qui volent sur le lac.

Moi, quand ça fait "bang" dans le tiroir-caisse, je trouve ça gai.

Ouais.

C'est pour ça que ton casse avec Fernand, j'ai rien compris.

Fernand, le tricard...

Ça t'a pas rendu méfiant, ce surnom ?

Ton pognon t'attendait là.

Qu'est-ce que t'avais besoin d'aller en chercher d'autre ?

Cent vingt chambres. Quatre cents couverts au mois d'août.

Plus la limonade, plus la location des matelas.

- Oui. - Plus les repas de mariage.

Et les chambres de courrier que je loue pour des passes.

Moi, je voyais pas ça si grand.

C'est pas grand, c'est gigantesque.

Et t'as la moitié de tout, mon grand.

Restez tranquilles, les enfants. Papa arrive.

Ah, salut mon Raymond, t'as bien dormi ?

Mal réveillé.

Dis, la gazette hôtelière de Lausanne, c'est un truc sérieux, ça ?

Très.

Parce qu'ils annoncent une vente aux enchères à Bordighera.

Ils vendent tout le matériel de l'hôtel Flavioli.

Y a 1 200 serviettes neuves brodées au point de Valenciennes.

C'est bien ça, non ? Moi, j'ai lu ça comme un roman.

Puisque tu es en veine de lecture,

jette donc un coup d'œil là-dessus.

JULIE LA NIÇOISE EN CAVALE

Tu sais que je t'admire ?

Je t'admire, mais je t'envie pas.

Tu manges des croissants, tu parles point de Valenciennes.

Pendant ce temps-là, y en a qui ont les flics au cul.

Y a pas que les flics qu'elle a au cul. Si je te racontais...

Gina, les enfants.

Je sais pas si c'est l'influence de Fernand,

mais t'as attrapé une drôle de mentalité.

Je passe sur le langage.

Mais tu dérailles complètement, Julie, la niçoise, c'est rien, c'est du vent.

C'est une gonzesse que je connaissais pas il y a trois jours.

Que tu connaissais pas ?

Une gonzesse que tu connaissais pas

t'apporte un flingue au Palais de Justice ?

Écoute Gérard,

t'es plus chez les poulets.

Mais le flingue, c'est Fernand, c'est pas Julie !

Julie m'a juste servi de chauffeur, point à la ligne !

Ah, tout de même, tu y viens...

Quoi ? Elle était montée à Paris pour une affaire à elle.

Qu'est-ce que j'y peux moi ? L'évasion, le flingue, c'est Fernand.

Elle a rien compris, elle ! C'est louf d'entendre des trucs comme ça !

C'est écrit là !

Non, non !

Ah ! Encore sur l'œil...

Ça fait la deuxième fois ! Vous le faites exprès ou quoi ?

Dis-nous où est Julie, la niçoise. C'est tout ce qu'on te demande.

Louvier, ça regarde Paris, on s'en fout. Nous, c'est Julie qui nous intéresse.

Vous avez pas une glace ?

Il a rien, ton œil.

Ça se voit même pas.

Les clients, eux, ne verront que ça.

Placer des polices d'assurance avec la tête en compote, ça fait sérieux.

Vous m'avez arrangé, j'en étais sûr.

Je suis bon pour l'arrêt de travail.

Je croyais que vous aviez plus le droit de dérouiller les gens.

C'est le passage à tabac qui est défendu.

Ça, c'est complètement autre chose. C'est un interrogatoire psychologique.

Et ça change quoi ?

Ça s'appelle plus pareil.

Salauds...

Qu'est-ce que je vais pouvoir mettre là-dessus pour que ça dégonfle ?

Une escalope.

ESCALOPE DE VEAU

Une escalope ordinaire, hein ?

Pas de l'extra, une petite. C'est pas la peine qu'elle soit tendre.

C'est pour un enfant ?

Non, non, c'est pour un pansement.

- Au revoir, monsieur, merci. - Au revoir, monsieur.

Mais merde, ouvrez, c'est moi.

À quoi ça ressemble, tout ça ?

À quoi ça sert de faire du morse si vous mettez la chaîne ?

- On t'a pas suivi ? - Non, je crois pas.

Il croit pas ? T'entends ça ? Il croit pas. Habillé comme il est...

Je suis flic : je lui tire dessus, je lui laisse pas une chance.

- Ça dépend avec quel œil tu vises. - Ça veut dire quoi, ça ?

Rien, on sait plus ce qu'on dit, on sait plus ce qu'on fait.

On devrait se coucher et attendre la fin.

- C'est une idée. - Non, moi, je mourrai debout.

Comme Bogart dans Scarface.

Humphrey Bogart dans Scarface ?

- Et t'as vu ça où ? - Je l'ai vu 14 fois, si tu veux savoir.

Aïe, aïe, aïe.

Appuie, elle est pas géante ton escalope.

C'est une escalope à sept francs.

Le restaurant, l'essence.

Maintenant l'escalope.

Et les pièces de téléphone, je les compte moi ?

- Et les pans bagnats ? - Qu'est-ce qu'elle raconte ?

Puisqu'on entre dans l'austérité commençons par éviter le cumul.

T'es guéri ? L'escalope, je vais la bouffer.

T'es folle, je l'ai peut-être infectée.

Y a que moi qui suis lucide, ici.

On finira dans un bain de sang.

Tiens, comme dans Bonnie and Clyde.

Pardon, j'ai mal entendu ?

Qui c'est qui joue Clyde ? Le courtier d'assurance ?

Le marchand de lunettes à polarisation variable ?

Non, mais ça va pas les petits Mickey ?

T'as des fois été bien contente de les avoir, les Mickey !

Oui, il a raison, avant que l'autre te tourne la tête.

Oh là là, il a tourné la tête à personne, Gérard.

C'était un passant, il est passé.

Voilà, on en parle plus.

Maintenant, y a comme une gêne, une ombre entre nous.

Si c'est entre toi et moi, je te signale qu'il y avait déjà Daniel.

Oui, oui, c'est juste.

Oui, tiens d'ailleurs à ce propos, elle m'a écrit une lettre pas croyable.

Je peux vous la faire lire, si vous voulez.

Si, c'est pas trop indiscret ?

Non...

Y a du style, c'est joli comme début.

Après, c'est plus sec.

Y a toujours du style, mais sec.

Cachez-vous. Cache-toi !

C'est le passant qui repasse.

Comment vous avez eu mon adresse ?

Les lunettes Lissac à polarisation variable, c'est bien vous ?

- Draguignan, les fausses factures. - Chut.

Hmm. Julie est là ?

Elle est là.

C'est à quel sujet ?

Qu'est-ce que vous faites là, vous ? Chez Henri ?

Comment, qu'est-ce que je fais là ?

Vous pourriez plutôt me demander qui m'a fait ça.

Puisque vous êtes là, je vais vous poser une question.

Si la police donne l'assaut, qu'est-ce que vous comptez faire ?

Vous rendre ou alors ça devient Fort Alamo ici ?

Maintenant que je suis là, tout va bien.

- Ah... - Tant mieux.

On est bien content pour vous.

Il s'agit pas de moi.

Moi, je suis le messager, le sauveur, l'ange Gabriel.

On t'emmène à Milan.

Tiens, voilà ton billet Milan Toronto en classe affaires.

Ça veut dire que tu payes ni la bouffe, ni les consom'.

Ah oui, c'est ça. Si on parlait un peu d'argent.

Ben, quand tu veux. Voilà 4 000 dollars en espèce

et un passeport au nom de Geneviève Dussolier.

T'as plus qu'à mettre la photo, j'ai les tampons.

J'ajoute que grâce à mon associé, t'as un boulot qui t'attend là-bas.

Attachée de presse au Macumba.

Vous remercierez bien votre associé, M. Louvier.

Quant à vous-même, vous allez remballer votre faux passeport, vos tampons,

vos dollars dont les numéros doivent figurer dans tous les commissariats

et vider d'ici avant que les Mickey appellent police-secours.

- Les Mickey ? - C'est nous.

Ah, oui.

Comme phénomène d'ingratitude, c'est très fort ça.

C'est du réalisme ça, mon petit vieux.

Quand on détruit les existences, qu'on saccage les couples,

il faut assumer.

Nous deux, Henri, on s'est jamais tirés, jamais.

Jamais.

Et pourtant y a eu des crises, hein ?

Ça sent bizarre ici, non ?

C'est l'escalope qui crame.

Excusez-moi, je croyais tomber sur un petit monde en panique,

je vois que ça vous coupe pas l'appétit.

Non mais, je rêve ? Il part, il revient, il faudrait que je plane.

Peut-être qu'il accepterait de me sauter, en souvenir.

En souvenir de quoi ?

Elle vous l'écrira.

Les femmes aiment les voyous, tu disais. Peut-être.

Elles aiment bien les voyous qui restent, pas les voyous qui se tirent.

C'est vrai ça, les femmes aiment pas les lâches.

Elles aiment bien les hommes qui pensent à dire au revoir, figure-toi.

Eh ben au revoir.

- Elle m'a envoyé rebondir. - Comment ça ?

Soi-disant, je lui ai pas dit au revoir.

Eh ben, vas-y, remonte lui dire au revoir.

Ah non ! Mais c'est pas cette fois-là. C'est la fois d'avant.

Parce qu'elle se rappelle tout, madame. Tiens...

Tu as oublié tes saletés, là !

- T'as noté le caractère, hein ? - Ouais...

Ça va pas, non ?

Tais-toi ! Planque-toi !

- Mais lâche-moi. - Chut.

- Si tu crois que tu vas renouer comme ça. - Arrête ! Y a les flics là.

Bon, c'est pas qu'on s'ennuie, mais on serait peut-être mieux ailleurs.

POLICE MUNICIPALE

T'inquiète pas...

Recel de malfaiteur, ils en ont pour 18 mois, tes deux Mickey.

Mais ils sont innocents.

Évidemment, toi, tu sais pas ce que ça veut dire innocent.

Y a qu'une façon de les sortir de là. Y en a pas trente-six.

Je vais aller me livrer, voilà.

- Voilà. - Ça changera quoi ça ?

Hein ? Ils te mettront au trou avec eux, c'est tout.

Tu les connais pas toi.

Dès que tu passes la porte t'es coupable. C'est des méchants, tu sais.

En fait, le seul qui devrait se dénoncer et que ça arrangerait tout, c'est moi.

Il n'y a que moi qui connais l'histoire, Fernand, le flingue et tout.

Tu ferais ça ?

Écris-leur, La Poste, ça existe...

C'est le mec qu'ils veulent, c'est pas du papier.

Soyez raisonnable.

C'est quand même du cri !

Tout ce qui arrive de toc c'est de la faute à Louvier !

T'avais qu'à me laisser m'évader tout seul !

Je suis pas venu te chercher, je t'ai rien demandé !

Puis qu'est-ce que t'es venu foutre dans mon bureau ?

Mais, vous l'entendez, M. Volfoni ? Son bureau ?

J'étais allée chercher le juge Simon. Un juge honnête.

Quelqu'un qui puisse traîner l'autre salope en justice !

Pourquoi ? Y a une salope ?

Ben, la veuve, la mère Bertillon.

Tiens, la veuve, voilà une personne qui peut expliquer ton voyage à Paris.

Faudrait qu'elle veuille. J'ai tout essayé.

Tous les arguments, tous les mots.

Si vous voulez bien me permettre, Mlle Julie...

Vous permettez ?

Avec certaines personnes, c'est pas tellement une question de mots.

Ça serait plutôt une question de ton.

Non, non et non.

- Si. - Non.

Et vous êtes priée de ne pas vous asseoir sur les tombes, mademoiselle.

De plus, ça porte malheur.

Je ne vous ai vue ni aujourd'hui ni un autre jour.

Si le juge Fontani, entre parenthèses un homme délicieux,

devait à nouveau m'interroger, je jurerais que je ne vous connais pas.

Mais on s'est rencontrées dans son bureau...

Boh, c'est possible.

Mais vous voyez, personne ne s'en souvient plus.

D'ailleurs, c'est même assez curieux.

On vous imagine différente.

Rouquine, le regard en-dessous...

vous n'avez pas ce qui s'appelle un physique de menteuse.

Vous n'avez pas non plus ce qui s'appelle un physique de salope.

Vous vous êtes fait arranger ou quoi ?

Si votre mari vous voit, là-haut, il doit pas être fier.

Madame ! Ne restez pas près de la voiture !

- Ne restez pas là ! - Oh ! Qu'est-ce qui vous prend ?

- On se tait ! - Qu'est-ce que vous faites ?

Regardez là-bas ! Il va se passer quelque chose de terrible.

Mon Dieu ! Mais ma voiture...

Eh oui ! C'est pas croyable ça, mémère.

Et pourtant on peut organiser la même chose dans ton living !

Ah, salaud ! Je vais vous cracher à la figure !

Si vous croyez que c'est facile de vivre avec des remords.

J'adorais mon mari.

Savoir que personne ne vengera son meurtre...

C'était une intelligence,

Maurice, mon mari.

Ses confrères l'appelaient IBM.

Mais pas pour les affaires, malheureusement...

Nous vivions sur un tout petit budget.

Et qui dit petit budget, dit petite retraite.

Trop petite retraite.

- Extra vos spaghettis, M. Volfoni. - Al dente.

Tu m'étonnes.

Quand je suis arrivé en Italie,

un Français aux cuisines, c'était pas gagné, Mlle Julie.

Eh bien, maintenant, ils viennent de Turin pour les manger mes nouilles.

C'est la pointe de basilic qui fait tout.

Il y a des nuits où je l'entends crier, Maurice !

Des nuits tragiques, des nuits rouges.

J'entends des sifflets.

Je rêve de tunnels...

De passages à niveau, de rails qui s'entrecroisent.

- Jamais vous rêvez de guillotine ? - Gérard...

Quoi ? Elle va pas nous resservir son numéro de chialeuse, cette salope !

La première fois, tu sais où ça t'a menée ?

- Moi, je trouve bien qu'elle s'exprime. - Qu'elle le fasse par écrit, alors !

Est-ce que je peux avoir un peu de spaghettis ?

Après !

Bon écoutez, je vous préviens gentiment...

Si vous ne voulez pas parler,

je vous fous la tronche dans le four à gaz, compris ?

Vous vous souvenez quand on a fait sauter votre voiture ?

Vous avez vu comment ces gens-là ont fait sauter mon mari du train ?

Ma chère enfant, si je vous aide, ils me tuent.

Si je ne fais rien, c'est vous qui me tuez.

Mais je sens chez vous une indécision.

Elle sait qui je suis ou pas ?

Sur le basilic, le Bourgueil est un peu léger.

Vous auriez pas quelque chose de plus corsé Mme Bertillon ?

Vous attendez peut-être que je fasse le service aussi ?

Le vin et les pâtes, c'est complémentaire.

Plus la pâte est relevée, plus il faut que le vin ait du corps.

Si je vous disais que certains dimanches à Bellagio,

lorsque je sers les pâtes au piment, j'arrose ça avec du vin de Sicile.

Ils sont tous beurrés, les congés payés !

Mme Bertillon, si vous lui dites pas où est le pinard, il va tout casser.

Dans le placard ! Sous l'évier !

Dites-moi, elle est super votre cuisinière.

Deux plaques chauffantes...

C'est pas la tête que je vais vous faire griller, c'est les paturons.

Mais, arrête !

Quoi ? On est venus pour qu'elle cause, elle va causer.

Il y aurait bien une solution, mais elle est malhonnête.

Il faudrait récupérer la mallette.

Bon.

Quand je suis revenue sur mon témoignage

moyennant, je vous l'accorde, une certaine somme.

Combien ?

Une somme raisonnable.

Le monsieur chez qui nous étions est allé prendre l'argent dans son coffre.

Quel monsieur ? Le Dr Mougins ?

Le monsieur chez qui nous étions...

Dans le coffre, j'ai reconnu l'attaché-case

que mon mari avait avec lui lors de la nuit tragique.

Je lui avais offert pour Noël, une mallette en simili croco.

- Sept cents francs... - Et alors ?

C'était peut-être huit cents, c'était des soldes rue de Paradis.

Continuez, Mme Bertillon. C'est pas grave, continuez.

On ouvrirait le coffre, on récupèrerait la mallette.

Autrement dit, la preuve du crime.

Bon...

Alors on la lui donne son assiette de pâtes ?

Pas encore.

Quand vous dites "on ouvrirait le coffre", dans votre esprit, qui c'est "on" ?

Je crois avoir lu que vous êtes un spécialiste.

Tiens, donne-lui mes nouilles, j'ai plus faim, moi.

Qu'est-ce qui lui prend ?

Il me prend, madame, que j'ouvrirai plus jamais de coffre.

On croit que ça prend cinq minutes et ça prend cinq piges.

Alors, évidemment, c'est rien ! Cinq piges par-ci, cinq piges par-là.

Un hôtel par-ci, un hôtel par-là... Ça a aussi son avantage, non ?

N'insistez pas M. Volfoni. Il dira non à tout.

Depuis ce matin, il est d'une humeur pas possible. Vraiment odieux !

- Comment ? - L'ennemi public.

Un petit frimeur, oui...

"Le messager, l'ange Gabriel"... Judas, oui !

Judas, un petit frimeur ?

T'as intérêt à réviser ton histoire sainte, pauvre conne !

C'est l'aumônier de Fresnes qui te l'a apprise, pauvre con ?

Oh, Judas...

Vous ne craignez pas d'y être allée un peu fort ?

Même très fort.

Les mots ont dépassé ma pensée.

Ah...

Je garderai le secret, mais dites-moi, ils sont ensemble tous les deux ?

Mais enfin, madame, vous ne lisez donc jamais les journaux ?

Excusez-moi de vous déranger,

mais Mme Bertillon vient de dire quelque chose d'hyper intelligent.

Allez-y, Mme Bertillon.

Ouvrir le coffre est une fausse bonne idée.

C'est même une vraie mauvaise.

Parce que si on trouve la mallette sans un témoin sérieux,

le Dr Mougins dira qu'il a jamais vu cette mallette

et que c'est nous qui l'avons amenée.

Et le juge le croira.

Mais pourquoi ? Ce sera notre parole contre la sienne.

Mais le juge préfèrera la sienne.

Y en a une solution.

C'est d'ouvrir le coffre en présence d'un huissier.

Il fera un constat.

Un constat de cambriolage.

Personne pourra dire qu'on a amené la mallette, puisqu'on l'aura volée.

"Devant maître Trucmuche, certifiant que..."

Daté, signé, tamponné, superbe.

MAITRE DUGOINEAU HUISSIER DE JUSTICE

M'appelez pas toujours "mon gendre", je vous l'ai déjà dit.

Ça fait théâtre de boulevard.

Appelez-moi "Maître", ou Émile tout simplement.

Le gigot ne se découpe pas vers l'os, mais vers l'extérieur.

Moi, madame, le gigot, je le gagne.

Vous n'avez qu'à apprendre à votre fille à le découper.

Monsieur, y a une dame là pour vous.

Je ne suis pas là.

Je crois que c'est une cliente.

Une cliente ?

Le dimanche ? Je vais l'éconduire.

Monsieur...

Vous étiez sûrement en train de manger. Je suis désolée de vous déranger.

On ne me dérange jamais quand je déjeune avec ma belle-mère.

Soyez brève néanmoins.

Outre qu'il est impossible à découper,

le gigot a la spécialité de refroidir très vite.

C'est pour un constat.

Ah, mais je suis très pris, vous savez. Je suis huissier à l'URSSAF, alors...

Hein... Quel jour souhaiteriez-vous ?

Aujourd'hui, là, maintenant.

Ah, vous vous voulez dire...

Tout de suite.

Comme ça, tout de suite ?

En plein déjeuner, en plein gigot ?

En pleine belle-mère ?

Eh bien, ça me parait une excellente idée.

J'ai toujours entendu dire du mal des belles-mères.

Doit quand même y en avoir des chouettes.

Peut-être, celles qui voyagent beaucoup.

Très loin.

Certaines exploratrices.

Avant de perdre son mari, la mienne n'était déjà pas commode,

mais alors maintenant complètement acariâtre.

Une femme qui a perdu son mari a bien des excuses.

Madame a perdu le sien dans des circonstances très brutales.

- Oh, je suis désolé. - Oh, je vous en prie.

Brutales et mal définies, parce qu'en fait il a peut-être été buté.

Où nous allons ? C'est votre domicile ?

Non, c'est pas vraiment chez nous là. C'est chez des amis.

Et encore, pas vraiment des amis.

Je dirai plutôt des gens dont on a entendu parler.

De toute façon, ils ne sont pas là.

Momentanément, bien sûr. Pas là momentanément.

C'est possible qu'on tombe sur des gardiens revêches.

Je vous dis ça pour pas que vous soyez étonné.

Des fois qu'un mot en amène un autre.

Si j'avais une auto comme la vôtre, avec la situation que ça implique,

permettez-moi de vous dire que je ne m'abaisserais pas

à discuter avec des gardiens.

Surtout revêches.

Tu vois, Gérard, maître Dugoineau ne discuterait pas.

Parce que t'avais l'intention de discuter, toi ?

Ah, voilà, c'est là, à droite.

Mon pied a glissé.

Allez hop !

Et moi ? Je reste là ?

Je peux rien constater si je reste là.

Non mais, on vous appellera dès que le chemin sera libre.

Dois-je constater le bris du portail ?

Oh, c'était pas un très gros portail.

Avez-vous remarqué, mon cher Maître, le temps qu'on perd avec les portails ?

Comment ça ?

Il faut descendre de voiture, ouvrir le portail,

remonter en voiture, passer le portail,

redescendre de voiture, refermer le portail.

On ferait plus que ça.

Oui, certes, mais...

C'est comme pour les fenêtres, hein ?

Pourquoi ouvrir les fenêtres, refermer les fenêtres,

quand on peut passer directement au travers ?

Mes hommages, mesdames.

Ma petite Julie...

Voilà, à vous d'opérer, cher Maître.

Ben où il est ?

Il est parti, forcément.

Forcément quoi ?

Il était pourtant d'accord pour qu'on discute pas.

- Qu'est-ce qu'on vous a fait ? - Vous êtes fâché ?

Vous n'êtes pas des gens comme il faut. Je préfère encore ma belle-mère.

Faut pas dramatiser, on s'amusait. Le portail, c'était pour rire.

Et le monsieur par la fenêtre ?

Oui, d'accord, c'était de mauvais goût. Voyez, on reconnait.

Non, mais il commence à nous emmerder.

Non mais, dis donc, grosse loche, tu fais moins le difficile

quand il s'agit d'expulser des petites vieilles ?

Ou les mères de famille cramponnées à la rampe

avec les mômes qui hurlent : "Pourquoi il nous met dehors le vilain monsieur ?"

- Ordure ! - Gérard...

Ouais, c'est comme les veuves de guerre qui payent pas la redevance télé.

Plus d'image ! Plus de poste ! Plus de 11 novembre !

Plus rien ! Saloperie !

Je t'assure que c'est pas des trucs à dire.

Ben, c'est pas des trucs à faire.

Proposez-lui de l'argent.

Ça marchera pas.

Ça marche toujours.

Et si on vous filait cent sacs, mon cher Maître, comme ça au noir ?

Tentative de corruption sur la personne d'un officier d'état civil.

Ne craignez rien, je noterai tout ça en rentrant.

- Si on vous filait deux cents sacs ? - Tu vas aller jusqu'où comme ça ?

Et si on vous ramenait là-bas à coup de pompe dans le cul ?

Ah bon ! Là, t'es dans la note ! Ou avec un flingue entre les deux yeux ?

Ah, la menace, c'est autre chose.

Vous l'avez avec vous votre revolver, jeune homme ?

Je vais me gêner de l'avoir, tiens.

On en avait besoin de mon revolver.

Armez-le, que je puisse avoir entendu le clic-clac.

Plus précisément, je vous prie.

Voilà.

Comme ça, c'est parfait.

- Vous voulez peut-être monter devant ? - Mais non, mais non.

Les trois cents tickets ? Ça tient toujours ?

Pourquoi trois cents ?

Parce que c'est dimanche.

Dis donc, petit...

Tu penses pas que t'en as mis un peu trop ?

Laissez faire va. Il est comme toi, lui. Il est gros, il est gourmand.

Je dois dire qu'en dehors de tout jugement d'ordre moral,

c'est assez passionnant de le voir faire.

Si vous aviez vu ma voiture...

En dehors de tout jugement d'ordre moral...

Je croyais qu'on avait fait la paix ?

Je vous demande pardon, Julie.

Bon, je suis prêt.

- Tiens. - Merci. Planque-toi. Va te planquer.

Voilà, on se met à l'abri.

Il est ouvert ?

- Je sais pas, je le vois plus. - Mais où il est ?

Sur la pelouse.

- Et alors ? - Et alors ?

Mais merde ! Il s'est pas ouvert, putain ! Merde !

Ben alors, qu'est-ce qu'on fait ?

On va faire ce qu'on aurait dû faire depuis le début, on va doubler la charge.

En doublant la charge, t'espères l'ouvrir dans combien de temps ?

Mais je sais pas, moi ! Un quart d'heure, je sais pas !

Vous êtes pressée ?

- Non, non. - Bon alors, tu triples la charge !

Malin va !

Allô, FR3 ?

Je voudrais les actualités, s'il vous plaît.

Allô ? Passez-moi le rédacteur en chef.

Ici, Julie, la niçoise...

Plus haut, s'il vous plaît, qu'on voit les initiales.

- Ouvrez la mallette. - Encore ? Mais on a déjà fait tout ça.

- Sortez les documents. - Voilà, c'est bon.

Mais non, pas comme ça, face à l'objectif.

J'ai toujours voulu venger mon mari.

Et c'est pourquoi j'ai demandé à notre petite Julie

de monter à Paris pour chercher le juge Simon.

Cette enfant s'est trompée.

Elle est revenue avec un gangster.

Oui, c'était ennuyeux mais tout de même,

il faut savoir utiliser les capacités de chacun.

N'est-ce pas ?

Très bien, très bien comme ça. Encore une fois.

- Le commissaire cherche Julie la niçoise. - Nous aussi.

Mais au fait, c'est vrai. Où est passée cette admirable enfant ?

Je ne dramatise pas, je fais des constatations.

Toi, t'es une héroïne, moi, je suis un proscrit, un despérado.

Un mec condamné à cavaler toute sa vie.

Si on cavalait à deux ?

Si seulement j'étais égoïste.

Si j'écoutais que mes bons sentiments.

Mais, écoute-les, Gérard. Écoute-les.

Les sentiments, c'est encore ce qu'on a de meilleur.

Si j'écoutais que mes bons sentiments,

je t'enlèverais maintenant, voilà.

Seulement, je me demande ce que deviendrait notre vie après.

Après courir dans les champs, dormir dans des granges.

Pourquoi on dormirait dans des granges

quand les 150 chambres de ton hôtel nous attendent ?

- Tu vois un peu le rodéo ? - Ah oui, je le vois bien le rodéo.

Avec les flics qui rappliquent, avec le mandat d'Interpol.

Y a des moments où je me demande si tu penses à tout, Julie.

C'est pas trois semaines au soleil que j'ai envie de vivre avec toi.

C'est toute la vie.

Avec une maison et des enfants.

C'est pas difficile.

Je demande que ça moi.

Tu crois qu'on fera plein de petits bandits ?

- Arrête ! L'amour c'est grave. - Mais non, c'est drôle.

T'as pas de mémoire ?

Eh oui, c'est très rare.

Il faut reconnaître, c'est très rare.

- Hein ? Quoi ?

Faut pas le dire.

- Alors ? - Alors ?

Abrège un peu, mon grand.

Quand je roule de nuit, ma femme s'inquiète.

La voix du destin...

Non, c'est la voix de Raymond.

C'est pas le moment de plaisanter, pardonne-moi.

"Les plus désespérés sont les chants les plus beaux."

C'est toi qui as raison, mon amour.

Déchirons-nous, souffrons un max.

Refusons trois semaines de bonheur.

Regagne seul ton grand hôtel vide.

Alors ? Tu te magnes ?

Le destin s'impatiente.

Ne dis rien.

M'embrasse pas.

M'embrasse pas surtout.

Tu crois ?

Va.

Hmm.

Adieu, Julie.

Mais qu'est-ce que vous faites ?

Il en a de bonnes, votre ami.

Trois semaines au soleil, c'est toujours bon à prendre.

Est-ce bien raisonnable ?

FRONTIÈRE 9 KM

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