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Original subtitles

O SETE MACHOS (O MATA SETE)

FAZENDA SALGUEIROS

Devo voltar amanhã à noite. Cuide bem dela, Felícia.

Como se fosse minha própria filha, Dom Guadalupe.

- Tudo pronto, Florentino? - Sim, patrão.

- Então vamos. - O senhor manda, patrão.

Estão vindo, chefe.

A seus postos e sem falhas.

Florentino, estou morrendo.

Como queira, patrão.

Agora sim, caro primo, cuidarei com prazer de sua fazenda.

Vamos rapazes, os abutres farão o resto.

Florentino, meu Deus, você está ferido!

Estou quase morrendo!

Ouça...

meus filhos devem vingar minha morte...

Escute...

Canalhas!

Não diga nada até que meus filhos sejam maiores de idade.

Sim, Florentino. Eu prometo.

Obrigado. Agora sim posso morrer tranquilo.

Descanse em paz. Seus filhos vingarão sua morte.

Sou o Sete Machos Bandido dos caminhos

Roubar é meu destino E ao pobre servir bem

Meu número é o sete E sete são meus homens.

Não importa que meu nome Esteja contra a lei

Brinco com a morte Que não pode comigo.

O rico é meu inimigo E acabarei com ele

Minha fama de valente É bastante conhecida

Dos desamparados Sou o bandido fiel

Em frente Sete Machos Que luta pelo pobre

E nunca mostra o coldre Na hora da verdade

Viva nosso chefe Que é chefe entre os chefes

E quem o desafie Seu fim encontrará

Sou Sete Machos Me orgulho em ser bandido

E ser perseguido Por toda esta região

Nada me importa Ódio ou riqueza

Não fazem minha cabeça É o preço do trabalho

Contente com minha sorte Ando por estas terras

Fazendo a guerra Ao rico explorador

E se a morte vier Que venha quando quiser

Sou Sete Machos Do pobre, o vingador

- Sua informação é correta? - Sim chefe, eu mesmo vi...

como os agentes da Salgueiros cobravam a colheita.

Passaram-se 18 anos desde que assassinaram meu pai...

- e ainda não pude me vingar. - Mas isso deixa você agoniado.

Isso não é nada. A vingança virá depois.

Estejam prontos rapazes, e lembrem-se. Não quero "mortinhos".

Agora!

Passe o dinheiro!

Está certo, chefe!

- Sete Machos? - Sim, o próprio.

Agora continuem seu caminho e saúdem Dom Carmelo. Vamos!

- Vamos repartir chefe? - Não, Chacal, este dinheiro...

- é sagrado. - Não é justo, chefe!

- Quer continuar? - Não, chefe.

Vamos.

De onde pegaram estes animais?

- De onde pegamos sempre. - Pois deve ser do lixo.

Não me digam que são frangos, pois parecem...

urubus dissecados. Vejam só que coxas, que peito...

e que bucho, sequer tem. Onde está a gordura?

Só uma aproximação. O pescoço, parece o rabo.

Veja, só, veja que olhar tão triste.

- Mas está morto! - Morto de fome, por que...

nunca comeu. E não tirem todas as penas...

senão pegará uma pneumonia.

Nisto falta sabor.

Já colocou amêndoas, feijões, pão tostado, amendoins...

- chocolate e colorau? - Não diga. Até coloquei...

- cravo e pimenta. - E de alho, como estamos?

- Coloquei um dente. - Pois ponha toda a dentadura.

- E de sal? - Um quilo.

Pois, tire e ponha açúcar, velha salgada!

Por isso as coisas saem como saem. E temos que engolir!

Parecem mulheres! Deixaram que levasse o dinheiro!

- Eram sete, patrão. - Tem certeza que era...

- o bando do Sete Machos? - Vimos bem o Sete nas costas.

E pediram para que saudássemos Dom Carmelo.

Saudar a mim? Bandidos!

Está bem, saiam.

Esse desgraçado já me roubou mais de 100 mil pesos.

Algum dia o recuperaremos, patrão, eu tenho uma ideia.

Uma grande ideia. Uma ideia genial.

Já estou cheio de "ideiotas".

Qual o seu plano?

Se não o pegaram é por que ele trata bem os pobres.

E estes o defendem e o encobrem mas...

Mas o que?

Se agora ele atacasse esses mesmo pobres...

Ele nunca fará isso.

Ele não, mas um outro homem sim.

Está bem, Tonho. Muito bem.

Assaltar cabanas, incendiar colheitas, roubar gado...

e fazer com que as suspeitas recaiam sobre Sete Machos.

Exato!

Assim os que hoje o encobrem, amanhã o entregarão.

- Você tem gente para isso? - Suficiente.

E já mandei fazer uma roupa igual à de Sete Machos.

Sim, claro.

Vestido como ele, ninguém poderá duvidar.

A partir de hoje, Tonho, você é meu sócio.

Contava com isso, patrão! Contava com isso!

Como está vendo aí?

Acho que você tem que subir mais um pouco.

- E agora? - Que diferença, muito melhor.

- Estão iguais? - Nem tanto, mas está bom.

- Devo subir mais? - Não, assim já está bom.

Tenho outros enfeites mais bonitos, vou mostrar.

Não, não se incomode, assim já está bom.

Ouça, porque não me beija?

Porque tenho meus escrúpulos.

Não importa, estou vacinada. Vamos, não tenha medo!

Não, não tenho medo, eu gosto de você.

Mas você sempre me pega verde, deixe que eu amadureça.

Você é muito atrevida.

Mas você não sabe que o amor é cego, Marguerito?

O amor é cego, mas eu não. Eu tenho que ver o que faço.

Não posso pegar a primeira que aparece.

Depois aparece um bom partido, e eu perco por ser precipitado.

Bem, pois quando souber o que quer, me avise!

Está bem, lhe avisarei quando souber.

O patrão o espera em seu gabinete.

Como este patrão incomoda, não posso descansar...

os meus casos, o amor é cego, e eu aviso, o que é isso?

Eu é que digo.

Eu é que ia dizer. Você é um fofoqueiro.

Segure isto. Eu vou avisar.

O Marguerito irá buscá-la na estação?

Sim, será esse infeliz.

Espero que não lhe abra os olhos com histórias.

E se abrir pior para ela, terá que fechá-los para sempre.

Posso entrar, patrão?

Porque pergunta, se já está dentro?

- Bem, se não posso, eu saio. - Não, fique.

- Atrele os cavalos. - Atrelo, e o que mais?

Vá à cidade e diga ao prefeito e ao chefe de polícia...

que os espero esta noite.

- Haverá eleições? - Eleições?

Sempre que há eleições...

vocês se reúnem a noite e fazem suas tramoias.

- Desta vez não é para isso. - Então já fizeram!

Depois vá para a estação esperar o trem do norte chegar.

Olhe, não estar aqui na hora de dormir não pode ser...

é contra a minha reputação.

Mas o trem deverá chegar as 03:40 da tarde.

Então deve ser o de ontem.

Seja qual for, você espera lá.

Porque nesse trem chega a Srta. Rosário.

- A menina Chaio? - Sim.

Deve recebê-la e trazê-la até a fazenda.

Ótimo, patrão. Tinha vontade que voltasse.

Lembra-se quando foi embora? Era bem pequena.

Sim, sim, lembro.

E o senhor lembra quando eu trocava as suas fraldas?

Sempre acabava molhando.

Sim, lembro, lembro.

Lembra quando eu tinha que lhe dar mamadeira...

porque a ama-de-leite teve febre e ficou sem leite?

Sim, sim.

E quando chorava? Pobre criancinha...

era um mar de lágrimas, e chorava, chorava...

e só se calava quando eu dizia "lá vem o bicho papão".

E o senhor entrava bem cheio.

Não sei por que, mas ela nunca gostou muito do senhor.

Crianças não sabem o que dizem.

Mas pressentem. Pressentem!

- E lembra quando... - Basta de lembranças!

- Vá e faça o que ordenei. - Sim, patrão.

Você lembra-se de tudo?

Como não vou lembrar, patrão? Quando a menina Rosário...

Quis dizer se você lembra de tudo que ordenei?

Sim, patrão. Que o prefeito atrele o chefe de polícia...

dizer aos cavalos que o senhor os espera aqui esta noite...

e quando chegar a menina Rosário, eu vou trazer o trem.

Com ele a senhorita Rosário sem dúvida não perceberá nada.

É por isso que aguentei.

Patrão, caso a Srta. Rosário não chegue...

trago o maquinista para dar o recado ou o que?

Entendido.

DELEGACIA DE POLÍCIA

5000 PESOS PELA CAPTURA DE SETE MACHOS

- Que há de novo, chefe? - Como está, Marguerito?

Diga um animal de quatro letras que comece com "L".

- Elefante. - Não cabe.

Então dobramos a tromba.

- Como está o trabalho? - Devagar, devagar.

O Sete Machos não me dá um minuto de repouso.

Mas logo ganharei a recompensa de 5000 pesos.

5000 pesos de recompensa?

Veja com tudo subiu.

Antes, esse valor pagava duas recompensas.

Pois essa recompensa eu vou ganhar, Marguerito.

Como vai ganhar? Você nunca pega nada.

E o bêbado que você pegou?

No fim você acabou trancado e ele levou as chaves.

Tudo ao seu tempo, Marguerito.

E falando em tempo, que tal uma cervejinha?

- Estava quase propondo isso. - Você tem dinheiro?

- Para mim nunca falta. - Com razão só trabalha. Vamos.

- Vá a cidade ouça o que dizem. - Sim, chefe.

Sabe onde me encontrar. Vá.

Também mandou chamar o prefeito?

Sim, quer ver os dois juntos como um par de mulas.

Estranho.

Estranho por quê? Ele os conhece.

Quero dizer, você não suspeita, porque ele quer nos ver?

Acho que é para festejar a chegada da menina Chaio.

A menina está chegando?

Não se se de cima ou debaixo. Mas chega hoje.

Por isso que vou a estação.

E vou com você, assim ela não terá uma recepção tão fria.

Falando em frio, tomamos mais duas cervejinhas bem geladas?

- Mas, e o trem, Marguerito? - Sr. Chefe, temos tempo.

Mais duas bem geladas e com espuma.

O que descobriu?

A menina Rosário chega hoje do norte.

Como soube?

Um peão da fazenda contou para o delegado.

Muito bem. Avise os homens.

Dentro de uma hora no cruzeiro dos gaviões.

Você sabe que dia chega o trem previsto para hoje...

- as 03:45? - Chegou há meia hora.

Como é possível? Observe isso porque se começarmos a...

relaxar na pontualidade onde iremos parar?

Não viu uma menina descer?

Não. Só desceu uma pessoa e não era uma menina.

Que teria havido então com a minha menina Chaio.

Por acaso você é da Fazenda dos Salgueiros?

Sim, procuro uma garotinha, mas não sei onde ela está.

Pois se procura a menina Chaio essa garotinha sou eu.

Não! Você?

Sim. Você é Marguerito, não é?

Como me reconheceu? Pelo meu sotaque inglês?

Não. Pelas calças meio caídas. Não mudou nada em 10 anos.

É verdade. Nem de calças. Mas em compensação você...

quando se foi era uma ratinha desnutrida e sardenta...

com as perninhas tortas, e o cabelo crespo, crespo.

- Mas e agora, como estou? - Não, você está muito bem.

- O que acha Chefe? - Está feita uma senhorita...

- Cheia de vida e de saúde. - Não, está cheia... cheia de tudo.

- E essas malas, são suas? - Sim, são minhas.

Então vamos.

- Boa viagem, senhorita. - Muito obrigada.

E você, Marguerito, abra bem os olhos.

Sete Machos anda rondando por esse lugar.

Que medo. Acha que o Sete me põe de quatro eu virarei seis.

Sente-se bem, Srta. Chaio, que estes cavalos são suaves.

- O que houve? - É esta égua.

Sempre que chegamos neste lugar ela para...

e tenho que dar-lhe um pouco de açúcar para continuar.

É muito manhosa. É porque é uma égua.

É ela, chefe.

Agora sim.

Ouça, Marguerito, você não conhece o Sete Machos?

Não. Ninguém o conhece.

Deve ser alguém meio espantoso, assim, digo...

seu rosto está sempre mascarado.

Estar sempre mascarado é coisa dos melhores bandidos.

Para despistar.

Mas o que eu não daria para conhecê-lo.

De verdade que você gosta de bandidos?

Sim. Mas desses que roubam dos ricos para dar aos pobres.

Que são audazes. Galantes. Apaixonados e românticos.

- O que aconteceu? - Parece que caiu para trás.

Eu também caí para trás.

Quando vamos pegá-la, chefe?

Essa sim é uma fêmea.

Da próxima vez acerto na boca para que pare de falar.

Essa garota devemos respeitar e fazer que a respeitem.

- Todos entenderam? - Sim, chefe.

Não concordo com o senhor, padre, não estou de acordo.

Muito bem.

Mas digo que Sete Machos jamais manchou as mãos com sangue.

Sim, padre.

Mas um dos mandamentos diz "não roubarás".

Mas a misericórdia recomenda dar comida ao faminto...

água ao sedento e vestir aquele que está nu.

Quantas famílias pobres foram salvas da morte...

pelos generosos donativos de Sete Machos?

E se eu cumpri o dever de ensinar quem não sabe...

deve-se ao fato de minha escola ter recebido ajuda...

voluntária desse simpático e desalmado cristão.

Bem, então digam quando querem que ergamos...

um monumento nacional ou propormos ao Papa canonizá-lo.

- Eu não disse isso. - Nem tampouco eu.

Não se preocupem, pois em breve, de Sete Machos...

não restará nem lembrança.

Não me faça rir que o nó da gravata afrouxa.

Duvida do meu brio, professor? O senhor não me conhece.

Mas conhecemos Sete Machos.

Não é verdade que o conhecemos, professor?

De ouvir, padre. De ouvir.

Dom Carmelo aguarda o senhor e o Sr. Zeferino no gabinete.

Já estamos indo.

Com licença.

O senhor gosta do Sete Machos, não é mesmo?

Muito. Muito mesmo.

"Bem aventurados os misericordiosos...

porque eles alcançarão a misericórdia".

Uma bebida, padre?

Obrigado, filha, obrigado.

Aqueles bandidos entraram na minha propriedade...

reuniram as vacas, bezerros e meu touro Pinto e os levaram.

Depois, queimaram toda a minha colheita.

E você não tem ideia de quem foi?

Os homens de Sete Machos.

Conseguir ver bem o "7" marcado em suas costas.

Ouviram, senhores. Esse homem não respeita ricos ou pobres.

Devemos acabar com o bandoleiro logo de uma vez.

Não se preocupe, Dom Carmelo. Isso corre por minha conta.

Ou corre por sua conta ou ponho você para correr.

O mesmo digo para você!

Depois lhe darei dinheiro para reparar os danos.

Obrigado, patrãozinho. Deus há de dar-lhe mais.

- Agora pode ir. - Obrigado.

Os senhores também.

Um "7" nas costas?

Encomendei três roupas pretas com três "7" visíveis nas costas...

para o tempo que durar nossa campanha.

Muito bem, Tonho. Agora vamos nos divertir.

Ouça, Choli, você não conhece Sete Machos?

Que Deus não permita, senhorita.

Dizem que é o próprio diabo vestido com roupa mexicana.

Mas, aqui entre nós, senhorita, dizem que é muito jovem...

elegante, valente e apaixonado, e canta como os anjos.

Não prossiga, por favor.

Um diabo que canta como os próprios anjos...

isso sim que é um homem!

Venha, Rosário...

que todos querem conhecê-la, ou melhor, reconhecê-la!

Muito obrigada, tio.

Meus amigos, aplaudam minha bem-vinda sobrinha Rosário.

E que seu regresso ao lar seja repleto de felicidade.

Marguerito.

Ouça, porque estão tocando Diana, eu não mereço tanto.

Não é para você, é para a Srta. Chaio.

- Com razão, estava estranhando. - Onde arranjou esse disfarce?

Disfarce? Bem se vê que você não conhece.

- Isto é para sair do vulgar. - Isso sim, sair, sai!

Sai. E viu a pistola automática que destrói tudo?

Sim, é o que mais se vê.

Você acha que assim a menina Chaio pode gostar de mim?

Imagino que não tenha pensado em por os olhos na Srta. Chaio!

Imaginou muito mal.

Pois um jovem arrogante como eu, põe os olhos onde quiser.

- É que pensei que você e eu... - Você e eu nada!

Mas, que, que, por quê?

É o que ganho por ser tão oferecida.

E pegajosa.

- Ouça. - O que?

- Não pareço um bandido? - Parece? Você é!

Muito obrigado. É tudo que eu queria saber.

Jalisco, Jalisco, Jalisco, sua noiva é Guadalajara.

Deus!

O que está fazendo? Acha que é um convidado ou o que?

Volte ao trabalho!

Trabalhar! Isso é o que eu ia lhe perguntar. Você trabalha?

Fica aqui assuntando as pessoas, causando problemas...

em vez de estar limpando os cavalos.

E saiba que a menina Chaio nomeou-me esta noite...

seu acompanhante.

- Seu o que? - Seu acompanhante.

Como vai saber.

O que quer dizer com isso?

Quero dizer que a patroa é a patroa.

E onde manda capitão não mandam os marinheiros.

E solte a roupa, pois está amarrotando-a.

e não sabe como custou para passar.

O que? Vá limpar os cavalos.

Marguerito!

- É bom vê-lo. - Como estou, Padre?

Não tenho visto você na igreja.

Faz um ano que não se confessa, por quê?

Estou juntando pecados para não desapontá-lo.

Também não tenho visto você na escola.

Queria ir, mas me forçaram a vir até aqui...

com a chegada da menina Chaio, que já chegou...

e como sou a alma da casa. pedem isso, pedem aquilo...

e faça isso e faça aquilo, não é verdade?

- Mas o que notam de novo? - Você parece um dançarino.

Acredite, até o próprio Sete Machos o invejaria.

É o único que eu queria saber, muito obrigado, padrezinho.

Jalisco, Jalisco, Jalisco...

Como os anos passam.

Quando a velha Lupe o confiou...

era muito pequeno.

E o senhor não me disse certa vez...

que Marguerito tinha um irmão?

Sim, mas um dia saiu da escola...

e ninguém tornou a vê-lo.

- Por favor, Rosário... - Sim, mas apenas uma.

Tome a minha. É champanhe da viúva.

Pois já encontrou um "marido". Obrigado, Tonho.

Da próxima vez, saiba que gosto mais de conhaque.

- Cinco "xis"? - Não, os "xis" bebo depois.

Rapazes, seus pais e suas mães mandaram chamá-los.

Deve ser para dormir, pois devem saber que estas festas...

são para "adúlteros" e não para menores de idade.

De modo que, vão dormir, vão.

Você também vai me mandar dormir?

Não, você já é grandinho...

eu até o mandaria para a estrebaria.

- O que? - É que queremos falar a sós.

Então, meu chapa, caindo fora.

Não sei por que, mas não gosto desse homem.

Também não gosto.

Mas se um dia desses eu me irritar...

O que?

Ele me bate, é muito bruto.

- Quer dançar? - Tenho vergonha.

Quer que eu suplique?

Não, mas talvez Dom Carmelo se irrite e então...

Estou na minha casa e posso fazer o que eu quiser.

Bem, assim a coisa muda.

De que estilo gosta?

Você é que sabe.

Então metade a antiga e metade moderna.

E como é isso?

Metade soltos e metade juntos.

- Pois, nos soltaremos. - E ficaremos juntinhos.

Você é bem ligeiro dançando, parece uma pena.

E você é bem leve. Toma um ponche?

Do que é feito?

Tem ervas, salsinha, tequila, laranja, maça...

e tem um sabor muito bom.

- O que faz aqui parada? - E o que lhe importa?

O que?

Perdoe-me, Dom Carmelo, não sabia que era o senhor.

E você, o que faz aqui?

Não perturbe, não vê que estou ocupado?

- Como? - Perdão, Dom Carmelo.

Está tomando bastante confiança.

Nem tanto, não seja exagerado apenas tomei seis.

Fui eu quem o chamou aqui.

Toma uma bebida?

Não faça boca miúda, eu sei, que gosta de uns traguinhos...

O que me diz quando lhe passo a mão...

quando está dormindo na mesa da sala de jantar...

e lhe digo algo e olhe, que sou bem delicado.

Ande, é uma festa, está em sua casa e á vontade.

Não, obrigado.

então, com sua licença, permita-me...

pois não vamos desperdiçar isto.

Seu tio é meio rude e meio embrulhão, mas, no fundo é bom.

Não sei. Tenho certas dúvidas e há coisas que quero esclarecer.

Será difícil esclarecer algo, pois o Dom Carmelo...

adora encobrir, disfarçar e dissimular.

Além disso, é meio enrolador.

Tomamos a saideira?

- Não, obrigado. E você? - Com certeza.

- Estão muito íntimos. - Demais.

- A garota é bem esperta. - Nós a envolveremos.

Não esqueça que esta noite deve fazer outra malandragem...

para jogar nas costas de quem você já sabe.

Daqui a pouco me disfarço de Sete Machos e vou com prazer.

Somos duas feras, Tonho.

Dois chacais, Dom Carmelo, dois chacais.

Marguerito.

Amanhã gostaria de visitar a fazenda e passear a cavalo.

- Posso contar com você? - Quando o crepúsculo sumir...

e os raios matutinhos banharem alegres a manhã...

encontrará o cavalo e eu, lado a lado como um só homem...

esperando-a ao pé de sua florida sacada.

- Que galante. Você compõe? - E faço versos.

- Quer que lhe componha algo? - Não, muito obrigada.

- Até amanhã, Marguerito. - Até amanhã, menina Chaio.

- E sonhe com os anjinhos. - Muito obrigada.

Marguerito.

Vamos lá fora, à noite está escura...

e podemos conversar à vontade.

Como conversar no escuro?

Não percebe que não vamos ver o que conversamos.

E se a Srta. Chaio pedisse? Então iria correndo, não?

Mas não tem comparação.

Eu cuidei da menina Chaio desde pequena.

Eu lhe dava seu suquinho de cevada, preparava sua papinha...

muito bem moidinha.

Quando começava a chorar, eu a pegava no colo e a ninava.

E agora?

Não. Agora tem coisas que antes não tinha.

E que coisas ela tem que eu não tenho?

Não é isso. Você também tem. Mas tem diferença.

Será que não percebe que um pé-de-chinelo como você...

que sequer tem sobrenome, não pode interessar a Srta. Chaio...

que é muito chique?

Em compensação eu...

Não seja pegajosa e mantenha distância.

Já disse que para me entregar preciso pensar muito.

Mas, quem vai te querer e te amar mais do que eu?

Agora sim por causa da ilusão e da novidade.

Mas, e se cansar de mim e me deixar abandonado...

e cheio de filhos?

Eu nunca o abandonarei, querido.

É o que todas dizem.

E quando conseguem o que querem?

Então nos largam na vida...

desprestigiado e carregando a cruz da dor.

Não, querida.

Para mim uma mulher tem que ter o meu temperamento...

que saiba compreender-me e que vai se acostumando...

a não pensar em bobagens.

- Foi a Salgueiros? - Sim, chefe.

E ao voltar, vi Tonho e pessoas do Dom Carmelo...

assaltando, roubando e queimando cabanas...

e gritando "em frente Sete Machos".

- Não! - Como não, chefe!

E agora, os humildes, nossos amigos...

ficarão contra nós.

Maldição!

Ouça. Sairei sozinho ao amanhecer.

Que ninguém saia daqui.

Por via das dúvidas, você me segue a curta distância.

E quem vai me seguir, podem me atingir pelas costas.

Faça o que eu estou mandando!

Sim, chefe.

E agora descanse um pouco, pois deve estar cansado.

E você chefe, não vai descansar?

Não. O meu descanso é vigiar e o meu sono é lutar.

Rosário.

Se o mar secar, não me banharei em suas ondas.

Bom dia, cavalheiro, passou bem à noite?

Não. Tive muita insônia e pesadelos bem feios.

Também mosquitos, barulhos e visitas inoportunas tão cedo.

Se quiser eu mesmo trago seu café na cama.

Não se incomode. Se eu tiver fome, lhe aviso.

Não é incômodo. Terei muito prazer em lhe servir.

Sendo assim, traga um suquinho de laranja...

outro de cenoura, que é bom para a vista...

uma canja de galinha, uma coxa de frango e "corn-flakes".

Não quer mais nada?

Sim, que não fique nesse entre e sai, por que...

a corrente de ar pode me fazer mal.

Levante-se, vagabundo, e vá imediatamente ao seu trabalho...

é ordem de Dom Carmelo.

Bem, sendo assim, a situação muda.

O que está esperando?

Que você saia, pois tenho pudor...

e não vou me despir diante de qualquer um...

para que depois você conte que tudo aqui é postiço.

Entre.

- Bom dia, senhorita. - Bom dia, Choli.

Como passou a noite?

Sonhando, Choli, sonhando.

Tive um sonho maravilhoso, parecia que era real.

- Sabe de uma coisa? - O que, senhorita?

- Acho que estou apaixonada. - Por quem?

Por alguém que você nunca suspeitará.

E parece que tudo nos separa.

Somos de classes tão diferentes...

e sua vida alheia a minha.

- Nesse caso é melhor esquecer. - Isso nunca.

Não poderia esquecê-lo.

E os obstáculos que nos separam...

fazem que tudo seja mais romântico...

mais excitante.

Por favor, pegue a minha roupa de montaria.

Está na cômoda.

- Não deve demorar em chegar, - Quem senhorita?

Marguerito. Prometeu estar aqui cedo para visitarmos a fazenda.

Como me diverti. Passamos a noite roubando e queimando.

- Aquilo foi para acabar. - Não acabou. Deve continuar.

E como os camponeses entenderam a coisa?

Já deve imaginar. Amaldiçoando Sete Machos e jurando vingança!

Estupendo!

Bem, agora cuidemos da menina Rosário.

- O acidente, sabe? - Satanás já está pronto.

Se esse cavalo não a matar, me enforquem.

Você é malvado, Tonho. Prossiga.

Certo, Dom Carmelo.

Me sinto tão feliz!

A tranquilidade do campo me fascina.

Na verdade vim em busca de paz, solidão e consolo.

À exceção da Soledade as outras garotas estão na cidade.

E veja que nunca saem.

E este aroma do campo? É tão diferente.

Qual o nome da flor que exala este perfume tão exótico?

Esterco.

Que belos animais. Gostaria de saber ordenhar.

- Você me ensina? - É claro, venha comigo.

- E agora, o que faço? - Pois vamos, este é um touro!

Senhorita Rosário, aqui está seu cavalo.

- Que belo animal. - Quem, Tonho ou o cavalo?

- Eu não sou cavalo. - Nem belo...

por isso achei estranho.

- Que bruto. - Quem?

Falo do cavalo.

É um cavalo arisco, não serve para a menina Chaio montar.

- Por quê? - Porque ele é muito agitado...

- e já me derrubou dez vezes. - Montando-o?

Apenas escovando-o, imagine como ele é.

Satanás é nobre, senhorita. Um pouco nervoso, mas nobre.

Eu insisto que é uma besta selvagem...

incivilizada e analfabeta.

Este cavalo é selvagem?

Não, selvagem é você, por fazer crer a menina Chaio...

que este é um cavalo nobre.

Bem, chega de discussão.

Esse cavalo me inspira confiança e vou montá-lo.

- Eu lhe ajudo, senhorita. - Não, muito obrigada.

- Marguerito, você me ajuda. - Já que insiste, mas eu avisei.

Já chega de tanto temos com um cavalo...

finíssimo de raça árabe.

Isso é ruim. Vão nos devolver a menina Chaio em "vales".

- Já foi? - Sim, Dom Carmelo, já foi.

Caramba, Dom Carmelo, que coisa...

como é possível que o senhor pense...

que a menina Chaio, consiga montar esse cavalo?

O Senhor que é grande, na primeira chance ele o derrubou.

Se acontecer algo a culpa é de vocês.

E você volte a seus afazeres. Caia fora!

Lá vai ela. Pobrezinha, não aguenta.

Não.

Espere aqui.

Muito obrigada por salvar a minha vida.

A vida eu daria por você, senhorita.

- Você é Nove Machos, não é? - Sete, senhorita. Apenas Sete.

Mas não tema: Nada lhe acontecerá de ruim.

- Que pena. - Como disse?

Disse que é uma pena você ser perseguido pela lei.

É meu destino.

Na verdade, você pensa em raptar-me?

Deus me livre de tal ato, senhorita.

- Ah sim? - Sim.

Você para mima sempre foi sagrada.

Mas agora que meus olhos tiveram a sorte de vê-la...

O que?

É ainda mais sagrada.

Tudo o que você ver ou ouvir, não estranhe.

Logo conhecerá o segredo que me obriga a cobrir o rosto.

- Agora vá. - Mas assim, tão rápido?

É necessário. Use meu cavalo.

- E você? - Eu tenho outro.

Cavalgue com ele, e se houver algum perigo...

ele saberá conduzi-la para onde eu estiver.

Verdade? Que belo cavalo.

- Como se chama? - Sócrates.

Permita-me ajudá-la, senhorita.

Pegue, em troca do seu cavalo.

Jamais me separarei dela, senhorita.

Esta noite irei a Salgueiros.

Mas chefe, porque procura pelo em ovo?

Vão acabar fritando-o.

Depois de ontem à noite, os camponeses que o apoiavam...

o estão acusando e logo estará em nossas mãos.

Desta vez Sete Machos matou um provinciano.

Então não foi Sete Machos. Ele nunca suja as mão com sangue.

Francamente, padre...

não entendo essa insistência em defender esse bandido.

- As provas são contundentes. - Quais provas?

O rosto coberto, o Sete nas costas, e todos o viram.

Cobrir o rosto e pintar um "7" nas costas...

está ao alcance de qualquer um.

Então quer dizer que...

Que alguém está usando o nome de Sete Machos!

E onde está a menina Rosário?

Saiu para um passeio a cavalo.

Seria melhor não esperá-la.

Bom dia.

- Bom dia. Como foi o passeio? - Maravilhosamente, Padre.

Não imagina que cavalo adorável.

- Mais depressa. - Solte essa flor e ajude-me.

Colhi para a menina Chaio, porque notei que ela gosta.

Não percebe que a menina Chaio o tomou por um brinquedo?

Por isso ando assim que nem marionete.

Além disso, o que lhe importa o que eu faço?

- Mas é que nós... - Nada de nós, querida.

Essa história acabou. E ponha o feijão, vou servir.

É só para isso que serve.

Seu tio afirma que Sete Machos é um assassino e eu nego.

E eu estou de acordo com o senhor, Padre.

Aqui está um pão quentinho.

É verdade, Marguerito, que Sete Machos não é um assassino?

Assassino? É um bandoleiro palhaço de muita sorte.

- Cuidado! - Perdão, estava distraída!

Veja como serve as coisas. Você não serve para nada.

Em vez de estar folgada na cozinha...

devia estar aprendendo a ser uma gata de sociedade.

- Não vê o que faz? - Respingou?

Me molhou todo!

Que pena, os feijões eram tão saborosos.

Espere, ficou um na orelha.

O que há, Marguerito? Está muito distraído.

- É que estou triste, Padre. - Tonho já o desculpou.

Estou triste por que perdi os meus feijões.

Veja, ainda restaram 3 aqui em sua cabeça.

Vai querer assim, porque são os únicos que restaram.

Ou lhe trago fritos?

Não traga nada e volte para a cozinha.

Sim patrão.

Com licença.

Se não fosse pelo senhor há tempos o teria despedido.

É um bom rapaz.

Para o senhor todos são santos, até o Sete Machos.

Eu também já vou.

Não saia, Zeferino, quero falar com você.

Marguerito, quando estivermos a sós não precisa fingir.

Não é fingimento. É que há coisas que...

nem vendo posso acreditar.

Quem poderia dizer que...

aquelas pulgas brincariam no meu lençol.

Desculpe pelas pulgas.

Esta noite estarei lhe esperando.

Porque a noite? Se quiser eu vou agora.

Não, a noite, mas use uma roupa preta.

Adoro preto.

Isso vai ser difícil, por que não tenho roupas pretas...

se quiser vou com a da festa, bem passada.

Não, o preto.

Você me entende.

Certamente que não, mas eu me viro.

É melhor que não nos vejam juntos.

- Poderiam suspeitar, não é? - Sim.

Sobretudo não quero que nada lhe aconteça por minha culpa.

Até a noite.

- A janela estará aberta. - Aberta?

Escancarada!

E se quiser cantar uma canção, bem...

me agradaria muito ouvir sua voz.

Meu Deus. Por que me fez tão irresistível?

Leia isto.

Quem faz paga, e sua hora se aproxima.

"Comece a tremer, pois minha vingança não tardará".

"Sete Machos". Deve ser uma brincadeira!

Brincadeira? Não percebe que minha vida corre perigo?

Não se preocupe, Dom Carmelo. Durma tranquilo. Eu estou aqui.

Não, se for confiar em você, não durmo pelo resto da vida.

- Brincadeira não! - Meu pessoal vigiará a fazenda.

Se o Sete Machos vier, entrará na boca do lobo.

Com certeza, Dom Carmelo. Vou buscar meu pessoal.

Esta porção torna tenro até o mais indiferente.

Pelo de lobo, pena de galo, osso de sapo...

unha de gato preto, alface, cacto...

e pó da Mãe Celestina.

Ferva tudo, misture na tequila e seja quem for...

te dará o amor eterno!

- Ouça, quantos copos eu sirvo? - Apenas um.

Se servir mais, você não o aguentaria.

Meu Deus.

Soledade! Até que você será uma "solidão" bem acompanhada.

Finalmente!

É você? O que o traz aqui?

Ouça, "doutora", queria saber se não tem algo...

para melhorar uma voz de taquara rachada...

porque me sinto meio "sinfônico".

Para as cordas vocais?

Acho que são as consoantes, porque quero, mas não posso.

E quando começo a cantar, ouço o eco meio fora de tom.

- E esta noite farei serenata. - Sim, filho, tenho o que precisa.

Venha.

Esta erva lhe dá voz de tenor. Esta de barítono.

Ou você quer voz de baixo?

Não, de baixo não, melhor de cima, quero cantar bem alto!

Olhe, e esta?

Esta não. Vai lhe dar uma voz de soprano ligeiro.

Tome a de barítono e terá uma voz como a de Sete Machos...

- Foi o que quis dizer. - Que bárbaro!

Vou colocá-la em um saquinho.

Não se incomode, levarei no bolso.

Meia hora depois de ter tomado a erva...

sua nova voz sairá clara, brilhante.

- Pujante! - Pujante!

Muito bom, minha bruxa!

E agora quanto lhe devo?

Nada, filho. Mais tarde saberá o porquê.

Obrigado. Depois nos vemos.

Puxa, chefe. O senhor se diverte e nós aqui de plantão.

Se algo acontecer estarei na Salgueiros.

Sim, chefe.

Um dia meu sangue subirá a cabeça...

e então veremos quem é que manda mais.

Infusão de barítono.

E está bem concentrada.

Abram bem os olhos, e espalhem-se!

Vocês por ali. Vocês, sigam-me.

Dó, dó, ré, ré, mi, mi, dó, dó.

Mi, mi, dó, dó, ré, ré.

Jalisco, Jalisco, Jalisco...

Você tem uma noiva em Guadalajara.

Esperava ansiosa.

Gosto de você assim.

- Vai cantar? - Claro, foi para isso que vim.

- Ninguém o viu? - Não, todos já deitaram.

- Trouxe o lenço? - Quer assuar?

Não, é que caso venha alguém, não vá reconhecê-lo.

Quem me reconhecerá nesta roupa?

Mas estou emocionado e tenho a garganta seca.

- Quer água? - Se me fizer o favor.

Foi muita!

Deve ter sido um pé d'água. Se molhou muito, meu céu?

Seu céu nublado. Veja só como fiquei!

- Mesmo assim cantará, não? - Agora mesmo.

Ouça minha voz.

Ouça minha voz

Que canta bem segura

Formosíssima criatura

Quando estivermos bem juntinhos

Por acaso encantados

Permita que com as minhas mãos

Ai, Deus.

Deve ser pela molhada, não é?

Vai se secar, minha vida. E volte logo.

Sim, senão pego uma pneumonia.

Eu vim lhe deixar minha canção

Nada faz com que muitos possam

Muito menos o que me suceder

Eu vim cantar coração

Ao olhá-la, lhe dei meu querer

Ainda que possa custar minha vida

Eu lhe deixo minha alma rendida

A dou por inteiro, mulher

Não importa que seu amor seja minha desgraça

Não importa que digam que vou sofrer

Só sei que em seus olhos vejo a minha esperança

Que importa que por você eu tenha que morrer.

Agora diga, meu amor, esta noite ameaça chover?

Não, querida, sou homem do campo...

e sei que não cairá uma só gota de água.

- Ai nossa! - Você não entendia disso?

Vá coração, antes que chova forte.

Sim, meu amor, eu vou inundado de você.

- Segurem-no bem. - Meu Deus.

Desta vez caiu na armadilha, Sete Machos. Levem-no.

Marguerito!

Pegamos Sete Machos!

Leve-me onde ficava seu dono. Tenho que avisar seus homens.

Pegamos Sete Machos.

Agora cuidaremos com calma da menina Rosário.

Mas nada de cavalos. Viu o que houve com Satanás?

Desta vez usaremos mais ação. Devemos eliminar os estorvos.

- Encarrego-me de liquidá-la? - É o melhor.

Como fiz como seu pai, você se lembra?

Os mortos não falam!

Menina Rosário?

Então nosso querido chefe, Sete Machos, caiu na ratoeira?

Sim. E vim avisá-los para que o ajudem.

E você o que diz? Ele já foi salvo!

Ajudá-lo para que continue nos moendo...

e fique com esta preciosidade?

Gosto muito de você, garota!

Não é verdade, rapazes, que vocês também pensam assim?

Se me fizer algo, Sete Machos matará todos.

Não faremos nada, lindeza. Só carícias. Apenas carícias.

Quer dizer que o invencível Sete Machos se deixou agarrar?

- Está bem preso? - Mais?

Então agora verá como trato os bandidos, senhor Sete Machos!

Marguerito!

Então pegaram Sete Machos? Já devia saber!

Que tipo de esculacho é este? Soltem-no!

Procurem. Indaguem. Perguntem. Movam céus e terra...

- mas tragam-me Sete Machos. - Vivo ou morto?

Morto é mais seguro.

Mas tragam-no! E não voltem sem ele.

Vamos, que estão esperando? Corram!

E você, Marguerito, não volte a fazer essa brincadeira.

Sou justo com os amigos.

Mas se der outra vacilada como esta...

e você vai ficar mal.

Viro polícia e o coloco por dez anos no xadrez.

E não faça gestos. Fora daqui!

Ande, para deixar de ser falador.

- Que houve, Marguerito? - Não viu, Zeferino?

Sim, acho que está na cantina.

E você, o que faz e esta hora da noite na cidade?

Se alguém lhe vê e fala para o patrão...

levará uma bronca!

Você viu Zeferino? Trago um recado e quando ouvir...

- cairá de costas. - Sim senhor, o que disser.

Como o que eu disser, viu ou não viu?

Sim, senhor. E o vinho é tinto ou branco?

O que importa a cor, o que quero saber é se viu.

Não senhor. Hoje não aparece por aqui.

Pois eu aparecerei por lá.

E quando disse o que tenho para dizer, irá cair duro!

Sim, claro, você é de pegar em armas.

E falando em pegar, sirva-me uma tequila tripla.

Aqui está a garrafa, e é por conta da casa.

Sim, mas não trema, senão fica muito forte.

E desde quando são tão gentis com a clientela?

Temos muito prazer, sabe?

Muito bem, então, talvez acabe com ela.

Deixe me ver de perto um macho!

- E onde viu um? - Não se assanhe!

É um macho bem macho. Posso ver seu rosto?

Isso não, querida, se me reconhecem estou perdido.

Que nada, todos estão mortos de medo.

Então me dê um beijo.

Para que possa falar que beijei o pai dos machos.

Não, não é para tanto. Não seja tão atrevida.

Por certo que tenho estilo e isso pode desnortear...

mas papai dos machos é um pouco de exagero.

Damas e cavalheiros...

fui beijada por um macho que vale por sete!

Aprendam, rapazes, é assim que se faz. Isso é um homem.

Mãos ao alto!

O que houve, rapazes?

O que estão esperando?

Que necessidade tinha de trazer-me deste jeito...

- eu podia ter vindo sozinho! - Este é ele. Vejam só.

- Com certeza que sou eu. - Tem mais classe. E é de casta.

Mas, com certeza, agora de nada irão valer.

Continue, continue!

Outra vez você? Soltem esse homem, imbecis!

- Bobões! - Não veem que é Marguerito?

Como podem se confundir? Saiam e continuem procurando.

Vamos. Que estão esperando? Saiam daqui!

Eu disse, não empurrem, vou por minha própria vontade.

Alguma vez houve dificuldades quando me chamou...

ou quando aquela vaca entrou no meu quarto.

Lembra que a vaca entrou de boa vontade, ou eu forcei?

Não, você pegou as impressões "vegetais" e a vaca queria...

que eu a ordenhasse.

Então, porque me trouxeram a força?

Porque agora você está vacilando?

Senhor "Zefe", eu vacilando?

Então por que cobre o rosto?

Porque se Dom Carmelo sabe que vim à cidade, estou perdido.

Dom Carmelo, por quê?

Porque ele não sabe que eu já sei de tudo, entendeu?

Nem uma palavra.

Como vai entender se nunca entendeu nada.

Estão querendo dar um fim na menina Chaio!

A menina Chaio?

Sim senhor, como ouviu. Primeiro mataram seu pai...

Quem matou meu pai?

Disse que primeiro deram um jeito no pai da menina Chaito.

- Isso eu já sabia. - Se sabia por que pergunta?

Eu não perguntei, você é quem disse.

É o que estou dizendo, e você como autoridade...

tem a obrigação de ficar de olhos bem abertos.

Principalmente com Dom Carmelo e seja rápido.

Agora entendeu?

Sim, acho que sim.

Bem, agora vou voltar à fazenda e cuidar da menina Chaito...

para que não a convertam em corpo de delito.

E não fique com essa cara de bobo...

porque vou perder o pouco respeito que tenho por você.

Ainda bem que o soltaram...

porque a menina Rosário corre grande perigo.

A menina Rosário? Já imaginava. E agora, o que faremos?

Só há um homem capaz de salvá-la.

Um homem? Então vamos buscá-lo.

- Esse homem é você. - Não me diga.

Não há tempo a perder, sua vida está em perigo.

- Vamos, trouxe-lhe um cavalo. - Acho que não vou poder.

Ânimo e vamos antes que Chacal cometa um crime.

- Chacal? - Sim, o Chacal.

Você sabe como ele o odeia, e se ele pudesse...

- O esquartejaria. - Me esquartejaria?

Sim, mas acho que não vai conseguir.

- Você não está muito seguro. - Sim, estou, mas vamos.

Sim, vamos, não vamos deixar a menina Chaio sozinha.

Tome, querido. Isto lhe fará bem.

Não, não, querido. Tome tudo. Lhe fará bem.

Ande. Tudo. Assim, aos poucos. Pouco a pouco. Aos golinhos.

Outro golinho.

Não se assuste.

Pense que você só ama a mim e repita.

"Quero Choli".

Ande, repita.

"Quero Choli".

Isso. Choli.

Agora durma.

E amanhã ao acordar, não haverá para você outra mulher...

a não ser eu.

- Quero minha Choli agora! - Não.

Sim, como não?

Não, tão cedo não.

Descanse. Descanse.

Que bárbaro! Acho que passei da conta.

Como?

O que?

Nem o pegamos e nem foi detido.

Tonho falou?

Pois fale ao Tonho que pare de fazer essas brincadeiras...

pois não estou de bom humor para aguentá-las.

Venha até aqui com seus homens.

Imediatamente ou antes se for possível.

Temo ser atacado e estamos os dois sozinhos.

Muito bem.

Tem fósforos?

Mas não trema.

Nestes casos temos que ter serenidade.

Não estou tremendo.

Solte-me! Solte-me, selvagem!

Acho que ela é das que gostam que abusem!

- Chegamos. - Por milagre, mas chegamos.

Meu traseiro está todo amassado.

- Em frente. - Não, atrás.

- Digo, entre. - Não, você primeiro.

De jeito nenhum. Se suspeitam que fui eu que contei...

não daria vinte centavos pela minha vida.

E você acha que a minha é de graça?

- Corro perigo? - Não, você não corre.

Não posso, mas vontade não falta.

Se não o conhecesse bem diria que está com medo.

Medo, eu? Se apenas os vir eu...

- Acaba com eles? - Acabam comigo.

Isto está escuro.

Por favor, não desgrude.

Solte-me, Solte-me! Seu estúpido!

Sete Machos!

Meu amor, salve-me. Diga a este selvagem que me solte.

Senhor Sr. Selvagem, faça o favor de soltar a senhorita.

- Quem pede isto? - Um macho.

Pois aqui há outro.

Macho, é assim que gosto, machão! Agora somos dois...

- quem mais se atreve, rapazes? - Acho que ele não é o chefe.

Não. O chefe já teria acabado com o Chacal.

Temos que descobrir.

Chacal! Manuel! Venham para cá.

Vá, espero aqui.

- Dê um grito e acabe com eles. - Se gritar é pior.

Não me apresse, menina.

Esse deve ser o que se faz passar por Sete Machos.

Sim.

- Quem nos tem traído! Vou... - Cuidado!

Temos que ter certeza, se errarmos, morremos.

Lembrem-se como é o chefe. Venham comigo.

Quer me tirar essa preciosidade:

Não é que queira tirar, mas, falemos com franqueza.

Para que a quer? Não é de sua alçada. Não é seu número.

Nesse caso lhe apresento uma prima minha que é assim...

bem diferente, gordinha, resistente, loira e simpática...

ganhou até concursos.

Só tem um defeitinho que é uma perna menor que a outra.

Mas como não é para ganhar corridas. Ela está sendo forçada.

- Eu gosto é desta! - Mas eu também gosto desta!

Então queremos estar certos de que você é o chefe.

Abaixe o lenço.

É o chefe!

Eu sou seu chefe?

- Castigue-me por ter duvidado. - Pois eu continuo duvidando.

Porque decidi que a partir de agora o chefe sou eu!

Se não faz diferença, então eu estou sobrando.

Então, com licença, me retiro com a senhorita.

- Daqui ninguém sai. - Então porque me humilha?

Porque me menospreza diante dela? Por quê?

Você é nosso chefe.

E se Chacal quer desbancá-lo, queremos saber se é bom.

Muito bem dito, mas não menosprezem o meu nome.

Querem me humilhar por quê? Ouviu? O único chefe sou eu!

Será o mais macho dos dois!

Aqui está meu revólver.

Com uma bala apenas.

Disparem os dois na cabeça e quem restar com vida...

será o nosso chefe.

Claro! Isso mesmo.

Você está pronto?

Não, esse jogo, eu não jogo assim.

Jogo de mão é coisa de caipiras.

- Eu aceito. - Eu também.

- Aqui está o revólver. - Digo que eu também...

tenho o direito de opinar. E eu opino que este sistema...

é muito falho e perigoso.

Vocês acham que eu tenho medo, não é verdade?

- Sete Machos nunca teve. - Você disse.

Sete Machos nunca teve. Mas ocorre que eu, bem...

Bem você é muito macho e gostosão, não?

Com certeza!

Então porque não tenta os cinco tiros de uma vez?

Ficou com medo, não é verdade?

- Não era muito macho, garoto? - É que o trato é um a um.

Então comece para que vejam que lhe dei vantagem.

Agora você.

- Agora eu? - Sim.

Afastem-se, para que não lhes respingue.

- Qual é o calibre? - 38 expandido.

Deus.

Espero que a bala esteja no tambor.

Tomara que esteja no tambor...

pois se estiver na "sala", terei que recebê-la.

Agora é sua vez, rapaz. Faça seu jogo.

Acho que lhe cabe o maior prêmio, rapaz.

Não é muito macho?

Quem tem medo? Agora verá como morre um macho.

É o que queremos ver.

Falhou!

Tome. Restam duas.

Porque não experimenta outra vez, talvez seja a vazia.

Talvez. Logo saberemos.

Se esta estiver vazia, cairá um ou outro.

Meu amor, não dispare. Poderia lamentar.

É inútil. Morto, mas jamais covarde.

Além disso, isto não vai ficar assim, vou até o fim!

- Que lindo. - Assim, sim.

Mas e depois quando cair ao chão?

E numa poça de sangue para sempre estendido.

Para sempre calado. Para sempre dormindo.

Com os olhos abertos. Muito abertos.

Ai, querida.

Como os mortos olham.

Com os olhos muito fixos.

Muito fixos.

Se afaste para que a bala não se desvie e a leve junto.

- Quem foi o imbecil que atirou? - Fui eu.

O tiro escapou. Estou nervoso.

- O que houve? O que você tem? - Meu Deus, morri. Estou ferido.

- Estou morto. - Você não tem nada.

- Como não posso ter? - Eu não vejo nada.

Estou morto. Eu sinto. Sinto-me todo molhado.

Mas não tem nada molhado! O que você tem?

Não sei, estou ferido, estou ferido. Olhe nos meus olhos.

Veja como estão vidrados. Como olham os mortos...

numa poça de sangue, minhas pupilas não tem mais luz.

- Que sangue? - Estou ferido, sinto o sangue.

- Digo que você não tem nada. - Estou todo molhado.

- Todo molhado? - Sim!

- Você não tem nada. - Não tenho nada?

- A não? - Não.

Eu sabia. Só me fingia de morto para tapear.

- Sua vez agora, jovem! - Por certo, Chacal, é sua vez.

Não!

Não quero morrer! Você é o chefe, serei seu criado...

arrumarei sua cama, seu banho, tudo.

Por favor, chefe, serei seu cãozinho. Seu cãozinho fiel.

Para que vou querer um cão vagabundo como você?

Tão grande e tão chorão! Não era muito macho?

Não sou eu que morro? Não era para jogar? E para que? Saia!

- Perdoe-lhe a vida, chefe? - Sim, mas castigue-o por...

três horas contra a parede, com orelha de burro por...

- me desrespeitar. - Chacal, ordens são ordens.

Obrigado, chefe, obrigado.

E de agora em diante, quem se atrever a duvidar do chefe...

- liquido sem "aviso prévio". - Não chefe, não.

Não, assim está bem. Os enganei.

Estava enganando a todos. Agora me reconhecem?

Pela rapidez?

Sou eu mesmo, não? Não é isso mesmo?

O que disseram?

É nova. De atirador.

Rapidez, segurança.

Enganar e ofensiva. De lado, de lado!

O que está olhando?

Saque! Saque! Atrevam-se com seu chefe.

Não é mesmo?

Não estranhem. Não estranhem. Sou eu mesmo.

Sou macho.

Agora vamos, garota, já é hora de ir.

- Nos veremos, rapazes. - Até logo, chefe.

Com certeza é o chefe.

E agora, aonde vai meu amor?

Tirar este disfarce, pois se seu tio descobrir...

já houve bastante por hoje, não acha?

Cuide-se bem, meu amor.

Sim!

- Ele está por aqui! - Onde se meteu?

- Está lá dentro. Eu vi bem. - Vamos, rapazes!

Agarrem-no!

Acenda a luz!

- Queria fugir, Sete Machos? - Descubram-lhe o rosto!

- Outra vez, Marguerito? - Ele não é Marguerito.

- Você está louca? - Marguerito está trancado...

- em meu quarto. - Me trancou em seu quarto?

- E o que fez comigo? - Não o soltem!

Aqui há um grande mistério. Vamos ao quarto da Soledade.

Agora entendo tudo. São sósias.

Pois vamos ver como os distinguimos.

- Qual dos dois é Sete Machos? - Eu não.

Não me diga. Levem os dois!

Não os embaralhem muito. Senão vamos nos confundir.

PREFEITURA MUNICIPAL

Enumerar os crimes de Sete Machos é história sem fim.

Portanto, a única coisa que cabe a esta administração...

e a meu digno cargo...

é inquirir qual dos acusados é o autêntico Sete Machos!

- Meu coração diz que é este. - Não. O meu diz que é aquele.

Você é o Sete Machos? Diga a verdade nua e crua.

- Começamos com imoralidades? - Responda de uma vez.

- Você é Sete Machos? - O que você acha?

Não sei. São idênticos como duas gotas d'água.

Depende de qual água, amigo, porque sou de água do mar...

como dizem, muito mais salgado, e há uma diferença.

Pois eu não vejo a diferença.

Não disse. Esse é Sete Machos.

- Não acredita? - Não sei, continuo duvidando.

Não há dúvida. Veja que elegância. Que charme. Que "it".

Ouça, o outro não tem tudo isso, mas não é tão ruim.

Veja só.

Está vendo?

- Eu acho que é esse. - Acho que esse é Marguerito.

Asseguro a você que é o outro.

Não, não. Eu juraria que Sete Machos é esse.

Não, Sete Machos é o outro.

Vamos chamar os dois para vê-los mais de perto.

Os dois acusados que se aproximem.

- É o da esquerda? - Sim. Sim.

- Não, é o da direita. - Sim.

- Sim, acho que sim. - Voltem a seus lugares.

Mas que esculacho e este? Venham e voltem.

Já disse que voltem!

Vamos, o senhor se irritou.

De modo que, segundo você, é o da esquerda?

Sim.

Não, não.

- Sim. - Sim, é.

Não, não é.

Sim.

Acho que não, não.

Acho que sim.

Deixem estar. Eu descobrirei.

E o senhor sabe qual dos dois é Sete Machos?

Claro que sei. Sempre soube.

Confio em um resto de honra do culpado...

para que diga se ele é o Sete Machos.

- Você é Sete Machos? - Já não disse que não?

- Então é você. Fale! - Quero minha Choli. Quero Choli.

Esse é Marguerito. Há dois dias não fala outra coisa.

- E porque isso? - Dei a ele um coquetel de amor...

e deu bastante certo!

O que faremos? Isto está cada vez mais enrolado.

Agora desenrolamos. Verá.

Senhores, chegamos a conclusão que os dois são Sete Machos.

Sim, os dois. Aproveitando-se de sua fantástica semelhança...

- nos despistaram. - Não poderá provar isso nunca!

- A prova está feita. - A prova está desfeita!

E a única verdade é que vocês não sabem quem é quem.

Por isso, diante da dúvida, terão que libertar os dois.

Afirmo que os dois são um. E um e outro são Sete Machos.

Vão permitir que esses patifes...

continuem matando e roubando em completa segurança?

Afirmo que os dois são assassinos!

- Os dois assassinos? - Sim! Os dois!

- Está certa do que diz? - Disse e posso provar.

Veja só, aqui temos uma testemunha ocular.

Fale.

Os dois que andam incendiando assassinando e roubando...

são os mesmos que, há 18 anos, apoderaram-se da fazenda dos...

Salgueiros, e assassinaram o pai da Srta. Rosário...

e ao pai dos que agora estão sendo julgados e que eu...

acolhi de pequenos, entregando depois, ao padre Gusmão.

Sua acusação é muito grave. Tem certeza do que denuncia?

- É falso. Essa mulher mente. - Não. Não minto.

Essa mulher diz a verdade!

Ela me confiou os órfãos que nem mesmo Dom Carmelo...

sabia da existência, já que quando o pai morreu...

os meninos moravam em outra cidade.

O Marguerito, deixei na Salgueiros.

E o outro, Sete Machos, fugiu um dia e só hoje tornei a vê-lo.

- Mentem! Os dois mentem! - Aqui está a prova do crime.

Antes do pai desses rapazes morrer...

escreveu o nome de seu assassino com seu sangue.

Aqui deixou impresso para sempre o nome do assassino.

Tome, senhor, e leia em voz alta.

- É você, Dom Carmelo? - Sim.

- Detenham esses homens. - É a justiça divina.

Logo os enviaremos as autoridades da capital...

- para serem julgados. - Não, porque senão os soltam...

logo, logo. Melhor julgá-los aqui mesmo.

- É mais seguro e mais rápido. - Eu respondo.

Sim, sim. Coloquem-nos no xadrez e raspem seu cabelo...

- por minha conta! Levem-nos! - Tranque-os.

Zeferino, apesar de tudo, Sete Machos deve ser julgado.

Ainda que haja várias atenuantes.

Quem de vocês é Sete Machos?

Como podem ter coragem de confundir-se?

Como é possível que não percebam?

Não viram o estilo? Quem poderia ser? Sou eu, senhor.

Viu, é ele!

- Marguerito, você está livre. - Quero Choli. Quero Choli.

Sim, homem, sim. Vá ter sua Choli.

Ande, vá, vá.

Obrigado, irmão.

Nos veremos, meu caro.

Quero minha Choli.

Sim, minha vida. Venha comigo, eu o quero muito.

E você me desprezava. Venha.

Não permita que o detenham. Eu esperarei até que saia.

É assim que gosto. Agora vá lá fora e espere que não demoro.

- Verdade? - Obedeça a seu Sete Machos.

Vejam só!

Que nobreza tão magnífica a do Sete Machos, Padre.

- Quer dizer de Marguerito. - Como?

Sim filha, quem está lá dentro é Marguerito.

Pois se é Marguerito, é com ele que fico.

Sim, sim, já percebi. Já que é assim, sabe onde está a igreja.

Sim, Padre. Prepare uma grande benção. Muito grande, Padre!

Que garota!

E agora que estamos sós, em família...

vou dizer uma coisa para que vejam como vocês são tontos.

Porque vocês devem acreditar assim, bem...

como não, porque, bem, como será, apenas...

- eu não sou Sete Machos. - Isso já sabia!

Não é verdade, Zeferino?

E como Marguerito não cometeu nenhum delito...

Fica em liberdade por falta de mérito.

Também não me menosprezem.

É verdade que sou modesto, mas não por falta de méritos.

Não, também não queríamos dizer isso.

Você pode partir, pois está em liberdade.

Ainda bem rapazes, senão falaria tudo que sei...

das embrulhadas que vocês fizeram. Por exemplo...

as contribuições que não entraram no fisco, eu conheço...

Sim.

A outra vez que conferia seu livrinho das propinas...

- Sim. Mas não diga. Não diga. - Estamos aqui para servir-lhe.

Minha vida, nada poderá nos separar, não é verdade?

Nada nem ninguém meu amor. Assim estaremos toda a vida...

muito juntinhos.

Legendas - Kilo

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