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Yoruba
Zulu
Egito,
a fonte mais rica de tesouros arqueológicos do planeta.
Este é fabuloso.
Sob esta paisagem de deserto
estão os segredos desta civilização antiga.
Uau! Percebe-se porque os faraós escolheram este local.
Agora, numa temporada completa de escavações,
as nossas câmaras receberam acesso sem precedentes
e seguem equipas na linha da frente da arqueologia.
Conduzo depressa porque estou empolgado.
É uma entrada. Vemos uma entrada.
Revelam segredos enterrados.
Disseram-me que encontraram algo.
Meu Deus.
E fazem descobertas que podem reescrever a história antiga.
Desta vez,
segredos novos sobre uma das maiores soberanas do Egito.
A rainha faraó, Hatchepsut.
O Dr. Szafranski descobre tesouros enterrados
no templo magnífico dela.
O desejo dela era ser recordada
durante milhões de anos.
Os Darnell descobrem como criou uma identidade dupla misteriosa
para tomar o poder.
"Para a minha querida filha", não filho.
E John e Maria encontram uma estátua rara e interessante.
Esperem, esperem.
Sabem o que ele tirou da areia?
TESOUROS PERDIDOS DO EGIPTO
RAINHA FARAÓ
Luxor, no Egito.
Uma paisagem coberta de ruínas antigas
e templos magníficos construídos para os grandes faraós do Egito.
Nas montanhas vizinhas está o templo mais excecional.
Pertenceu a uma revolucionária, uma rara mulher faraó.
Chamava-se Hatchepsut.
Agora, os arqueólogos procuram pistas
que revelem mais sobre a rainha faraó enigmática.
A busca é liderada
pelo arqueólogo polaco Dr. Zbigniew Szafranski.
Trabalho aqui há 30 anos.
Todos os dias há algo novo
para conhecer, para descobrir, para encontrar.
É talvez uma história interminável.
Esta paisagem é dominada pelo templo enorme de Hatchepsut,
construído para comemorar o reinado dela enquanto faraó.
Construtores antigos esculpiram o templo nos rochedos.
Construíram-no com três níveis, sendo cada um deles um terraço
ligado com rampas com mais de 30 metros de comprimento.
No topo, 26 estátuas de Osíris, o deus do mundo dos mortos,
têm o papel de guardiãs.
Esta obra-prima da arquitetura antiga
é a chave dos segredos da rainha faraó Hatchepsut.
É uma ligação excecional.
O templo é único na história da arquitetura egípcia
e na história da arquitetura mundial.
O Dr. Szafranski e a equipa
escavam e restauram o templo de Hatchepsut
há 19 temporadas.
Olá.
Querem reconstruir as ruínas do templo.
Há 120 anos,
o lendário egiptólogo britânico Howard Carter
fazia parte da equipa que escavou este local.
Grande parte do templo estava enterrada e danificada.
Sabia-se pouco sobre a proprietária.
Hoje, o Dr. Szafranski continua a restaurar e reconstruir o templo
para revelar os segredos da rainha faraó Hatchepsut.
Ela era um vulcão de ideias.
Esperamos escavar
para saber mais sobre os planos dela, sobre ela,
sobre a dinastia dela.
Hatchepsut foi a segunda mulher a tornar-se faraó
e a primeira em quase 300 anos.
A rainha destemida supervisionou campanhas militares
nas fronteiras a sul do Egito
e terá visitado o campo de batalha.
Construiu uma frota de navios para navegar no Mar Vermelho
e recuperou uma rede de comércio internacional
que trouxe bens exóticos e riquezas.
Com Hatchepsut, o Egito prosperou
e ela construiu monumentos gigantescos
para mostrar que ela tinha o controlo.
O templo de Hatchepsut foi uma de dez superestruturas
que ela construiu no reinado de 22 anos.
Por todo o Nilo, construiu partes de um complexo de templos enorme,
chamado Carnaque,
e um obelisco de 30 metros,
o maior que continua de pé no Egito.
Mas a vida extraordinária desta mulher radical
ainda tem muitos mistérios.
Agora, os arqueólogos procuram pistas novas.
A 130 km, a sul do templo dela, em Gebel el-Silsila,
encontramos uma das pedreiras de Hatchepsut.
Aqui, na margem do Nilo,
John Ward e Maria Nilsson, da Universidade de Lund,
preparam-se para escavar a pedreira.
Que belos ovos.
Querem investigar como Hatchepsut usou a pedreira no reinado dela.
Durante a escavação, vivem neste barco
com o filho bebé, Jonathan, a filha, Freya, e o cão, Carter.
- O que vais fazer hoje, Freya? - Brincar na areia.
Quando fores mais velha, podes ajudar o pai.
A arqueologia e o Egito fazem parte de mim desde criança.
Soube desde sempre.
Estar aqui não é uma surpresa para a família e para os amigos.
No dia em que o Jonathan nasceu,
falávamos do que íamos precisar na escavação.
- Nunca paramos. Nem no dia de Natal. - Nunca.
Venham!
Estamos prontos?
John e Maria passaram as últimas dez temporadas
a investigar este local usado por Hatchepsut.
Hatchepsut foi responsável
por remover centenas de milhares de toneladas de arenito
só desta pedreira,
e muito mais das outras pedreiras de toda esta região.
Com indícios de mais de 10 mil anos de atividade humana
em 38 quilómetros quadrados,
é um dos maiores sítios arqueológicos do Egito.
Aqui, o casal escava uma estátua abandonada
e quer saber se pertenceu a Hatchepsut.
Bom dia, esfinge.
Uma esfinge com cabeça de carneiro inacabada.
- É um achado único. - É mesmo.
A esfinge é um monstro mítico com corpo de leão,
mas com cabeça humana.
Outras tinham cabeça de carneiro
e são conhecidas como crioesfinges.
São guardiãs e protegem a entrada de pirâmides, templos
e locais sagrados.
Pensa-se que Hatchepsut iniciou
a maior exibição de esfinges do Antigo Egito,
uma avenida de esfinges melhorada ao longo dos séculos,
com cerca de três quilómetros,
entre os grandes templos de Luxor e Carnaque.
É absolutamente incrível.
É um sonho trabalhar
com uma estátua tão monumental.
Vamos.
John e Maria têm de escavar a esfinge enterrada,
para confirmar para onde a estátua devia ir.
Começam a escavar, para ver o que está sob a areia.
A 193 km de Luxor, em Assuão,
fica Qubbet el-Hawa.
Este local ocupado é uma necrópole densamente ocupada
com cerca de cem túmulos antigos.
Alguns destes túmulos nunca foram abertos
e contêm segredos sobre o uso da necrópole na época de Hatchepsut.
É fantástico.
A arqueóloga Martina Bardonová pertence a uma equipa espanhola
que se prepara para abrir um dos túmulos inexplorados.
Quando tinha 15 anos, li sobre arqueologia no Egito
e apaixonei-me.
Venho cá há vários anos e ainda fico impressionada.
Não posso acreditar.
Imaginem o que é concretizar um sonho.
Martina quer escavar o interior de um túmulo inexplorado.
Antes de lá chegar, tem de abrir caminho pela areia.
Está tudo coberto.
Penso como podemos tirar a areia. É o maior problema.
Ventos fortes do deserto deixaram areia à entrada do túmulo.
Após uma hora a abrir caminho,
a equipa descobre algo
que pode fazer parar tudo.
Um membro da equipa
encontrou partes de um corpo escondidas na areia.
É um corpo.
Podemos ver o crânio,
com vestígios de cabelo.
Estes restos humanos parecem ser antigos.
É muito frágil.
Quando lhe tocamos ou quando afastamos a areia,
desfaz-se.
Podemos usar papel higiénico húmido,
senão os ossos racham.
Martina tem de descobrir
porque está este corpo fora do túmulo.
E precisa de pistas que a ajudem a datar o corpo.
Quando afasta a areia,
os ossos revelam algo ainda mais invulgar.
Parece uma criança, é possível que seja.
Na pedreira de Gebel el-Silsila,
John e Maria escavam o que pode ser
uma das esfinges de Hatchepsut.
Venham buscar maçãs e peras!
É a minha caixa arqueológica.
É um pouco pesada, mas é um protótipo.
Haverá uma versão nova e mais leve na próxima temporada.
Neste momento, só temos uma camada de pedra em cima.
Tem dois a três centímetros.
Por baixo, se enfiar a minha ferramenta mágica
e retirar...
está cheia disto.
Para um leigo, é só pó preto.
Na verdade, são limalhas de ferro
dos escopros dos pedreiros destas pedreiras.
A areia ainda tem uma memória
do trabalho que aconteceu aqui há milhares de anos.
A areia tem até pistas sobre o que os pedreiros almoçaram.
Espinhas. Podem ter almoçado bem junto à esfinge.
O trabalho continua
e a equipa encontra algo notável debaixo da esfinge.
Esperem, esperem.
Não, não, fique quieto.
Sabem o que ele tirou da areia?
Uma esfinge pequena.
É absolutamente linda.
Uma crioesfinge pequena.
São as duas patas traseiras e a cabeça, como aquela.
Temos o corpo aqui e aqui.
Que achado! É fantástico, é mesmo.
Não é linda?
Há esfinges grandes por todo o Egito,
mas uma miniatura desta escala é única.
É a filha.
Deve ser analisada pelo inspetor, Khaled Shawky.
Khaled supervisiona a escavação
e informa o governo egípcio de qualquer achado.
É fantástico e maravilhoso.
Creio que é um modelo.
Seria um filho ou um aprendiz, talvez,
a imitar o mestre que fazia a esfinge verdadeira?
- Creio que sim. - Faz uma cópia.
Temos o chifre aqui, mas este lado está partido.
Ele bateu aqui e saiu tudo.
Deve ter sido descartado por isso.
John pensa que a miniatura foi esculpida como treino.
- Fantástico. - Muito bem.
É um achado surpreendente.
Encontrem outra.
No templo de Hatchepsut,
o Dr. Szafranski investiga as pinturas
que ela deixou nas paredes.
As imagens têm pistas sobre a vida de Hatchepsut
e revelam uma luta pelo poder com o sobrinho dela,
que também era o enteado, Tutmés III.
Aqui, vemos Hatchepsut.
Atrás dela
temos a figura de Tutmés III.
Temos dois reis.
Imagens gravadas nestas paredes
revelam a extraordinária ascensão ao poder de Hatchepsut.
Foi a primogénita de uma família real,
mas a tradição dizia que só os homens podiam ser faraós.
O poder passou para o enteado pequeno dela.
Após sete anos como conselheira dele,
Hatchepsut procurou o poder de um modo sem precedentes.
Ela dominou o enteado
e declarou-se a rainha do Egito.
Vemos, nas paredes deste templo, que há dois reis,
mas Hatchepsut é sempre a primeira.
A ascensão ao poder de Hatchepsut foi revolucionária.
Agora, o Dr. Szafranski procura vestígios novos
para reconstituir a vida misteriosa dela.
Nas ruínas ao lado do templo de Hatchepsut,
a equipa descobriu um anel de tijolos de barro antigos.
Estamos em cima de algo.
Vamos descer e ver o interior.
Pensam que pode haver artefactos enterrados aqui.
Após um dia de escavação, não avançam mais.
Um bloco de arenito de uma tonelada
está equilibrado de modo precário em cima dos tijolos.
Se o bloco cair, pode destruir qualquer tesouro no interior.
A equipa do Dr. Szafranski não tem equipamento pesado,
por isso tem de improvisar.
Se não conseguirem mover o bloco,
não poderão descobrir o que existe por baixo.
A 95 km do templo de Hatchepsut, em Elcabe,
o professor John Darnell, da Universidade de Yale,
e a mulher dele, a egiptóloga Dra. Colleen Darnell,
começam a sua temporada.
Usam tecnologia digital
para registar inscrições antigas nas pedras,
para perceber como começou a escrita de hieróglifos.
Quero ter a certeza de que o bico está correto
e de que a crista está correta.
O casal passou mais de 20 anos
a explorar os desertos e templos do Egito
para interpretar estas gravuras antigas.
Na temporada da escavação,
analisam os achados para publicação aqui, em casa.
Esta é a mais espetacular casa de escavação
que pode existir no mundo.
Tem vista do Nilo, arquitetura de tijolos de barro.
É um sonho concretizado.
Esta roupa tem 90 anos. É de linho.
É notável que tenha sobrevivido.
É divertido brincar à arqueologia com a roupa.
Tenho um conjunto de "jodhpur" e fato.
E um par divertido de calcinhas do início do século XX.
Hoje, o casal atravessa o Nilo
para investigar um conjunto misterioso de inscrições.
Não há nada que se compare
a ver as inscrições em pessoa,
no monumento, em grandes estruturas arquitetónicas.
O destino é o templo de Carnaque.
As suas capelas lindas e pátios decorados
cobrem um local gigantesco.
Aqui, muitos faraós, incluindo Hatchepsut,
deixaram a sua marca.
Mas há um mistério.
Apesar de ser mulher,
Hatchepsut é muitas vezes retratada como um homem.
Aqui vemos Hatchepsut e Tutmés III.
Usam coroas idênticas,
colares largos,
saias com goma.
Se visse esta parede sem saber ler os hieróglifos,
não saberia quem é quem.
Em todo o sítio,
Hatchepsut representa-se com características masculinas.
Ela usa uma saia masculina
e até a barba faraónica.
Escondidos nos hieróglifos,
Colleen encontra vestígios do género verdadeiro dela.
Aqui temos a indicação feminina
do género dela, no meio do texto.
"Para a minha querida filha",
não filho.
Sabem que é uma mulher
no papel em que quase toda a iconografia e expressões
são masculinas.
Os Egípcios sabem isso e usam-no.
Vestígios numa parede de templo
revelam que Hatchepsut não escondia a sua feminilidade.
Ela provava que era faraó.
A barba falsa mostrava uma ligação ao deus Osíris.
Até os faraós masculinos usavam uma barba artificial.
Mas outros objetos que usava também eram reservados a homens,
como o famoso toucado, o nemes,
e a saia.
Mas ela transformou-se com esses símbolos de poder
para fortalecer a imagem dela no reino.
Hatchepsut não se vestia como um homem,
vestia-se como um faraó.
Hatchepsut obscureceu o género para ser considerada igual.
Quão igualitária era a sociedade para as mulheres no Antigo Egito?
Perto do templo de Hatchepsut,
numa necrópole chamada Dra' Abu el-Naga'...
Tirem um dos lados do corredor, com os restos humanos na berma.
A arqueóloga Suzanne Onstine
e a equipa da Universidade de Memphis
investigam os papéis das mulheres na sociedade do Antigo Egipto.
Uma das coisas em que me foquei, na minha carreira,
foi saber o que as mulheres faziam. Como eram as vidas das mulheres?
Sempre que venho trabalhar, fico empolgada,
porque não há sensação ou satisfação melhor.
É a décima temporada de escavação de Suzanne neste túmulo,
mas ainda tem muitos corpos de homens, mulheres
e crianças mumificadas.
Foi saqueado por invasores antigos
e a equipa tem de reconstituir os restos humanos.
São fragmentos de crânio.
Nem todos se sentem à vontade a trabalhar com mortos,
mas é o meu trabalho.
Revelo o Antigo Egito e indivíduos.
Não, é uma coluna.
É uma bacia.
Agora, organizamos os restos humanos.
Temos centenas ou milhares de ossos.
É complicado organizar tudo.
Creio... São pénis ou pacotes?
Devem ser pénis.
Isto deve ser um pénis e isto um pacote.
Muito grande para ser um pénis.
Encolhe muito na vida depois da morte.
Encontrámos várias peças mumificadas.
Algumas são pacotes com os órgãos que foram postos no interior.
Por vezes, temos um pénis que se separou de um corpo.
Até o rei Tut perdeu o pénis.
Tinha caído no sarcófago, ali perto.
Um dia, alguém deu pela falta dele
e foram todos à procura do pénis do rei Tut.
Lidar com partes íntimas do corpo não é para os mais fracos,
mas, ao analisar as peças,
Suzanne descobre algo dramático.
Ela tinha uns 20 anos.
Tenho quase certeza
de que ela morreu ao dar à luz.
Na necrópole de Assuão,
Martina revela os restos de uma criança enterrada
à entrada do túmulo.
Vemos bastante bem. É muito pequeno e frágil.
Se comparar com a minha sobrinha de quatro anos,
ela é do mesmo tamanho.
É comovente, porque é uma criança.
A mortalidade infantil era alta no Antigo Egito,
mas é raro encontrar crianças
enterradas e conservadas nesta necrópole.
Quando encontramos uma criança, é diferente.
A equipa tem de mover os ossos da criança
para ter acesso ao túmulo.
Ao limparem a área,
encontram algo mais debaixo da areia.
Meu Deus.
A equipa de Martina encontrou uma máscara facial antiga
de cartonagem.
Podemos ver esta cartonagem linda.
Fizeram os olhos com grande mestria.
A máscara cobre a cabeça de uma múmia adulta
enterrada à entrada do túmulo.
A equipa deve fortalecê-la com resina para a poder mover.
Esta máscara de cartonagem preciosa
deveria garantir uma vida de sucesso depois da morte.
A de Tutankhamon era de ouro e a desta múmia é de cartonagem.
Esta é mais bonita do que a de Tutankhamon.
A cartonagem deve ajudar a equipa a identificar e datar os corpos,
mas aproximam-se ventos fortes.
A equipa tem de trabalhar depressa.
Há pouco tempo. Temos de remover os corpos,
temos de avançar o mais depressa possível.
É possível que haja uma tempestade ou ventos fortes durante a noite
e aí perdemos tudo.
A 193 quilómetros, a norte...
Segure um momento.
A arqueóloga americana Suzanne Onstine
reconstrói os restos de mulheres e crianças.
Esta criança é muito comovente.
O rosto está conservado.
Ela procura pistas sobre o papel na sociedade
na época de Hatchepsut.
Encontrou vestígios dramáticos da vida e morte de um indivíduo.
Este buraco é a vagina.
Ainda está muito dilatada.
Sabemos que morreu no máximo 24 horas depois de dar à luz.
Senão, a vagina teria voltado à posição anatómica original.
Encontrar vestígios verdadeiros
de que algo de que se fala vulgarmente,
que o parto era perigoso para as mulheres, na Antiguidade,
é algo único e muito dramático.
Os perigos mortais do parto são evidentes,
mas Suzanne crê que as mulheres tinham cargos de poder.
Se virmos as pinturas,
há indícios de que participavam em todos os níveis da sociedade.
Todas as cenas realçam o estatuto igual delas.
Mas a faraó Hatchepsut queria ser mais do que igual.
Na pedraria antiga, em Silsila,
enquanto John continua a escavar a esfinge,
Maria procura indícios
da enorme campanha de construção de Hatchepsut.
Num templo da pedreira,
os relevos nas paredes foram alterados.
Os relevos que vemos agora na parede
não são as cenas originais.
Se observarmos com atenção,
podemos ver aqui
sinais reveladores
de uma cena original por baixo que já não existe.
Vemos um navio que transporta um obelisco.
As imagens ténues escondidas na parede
revelam como Hatchepsut pode ter enviado obeliscos de Silsila.
Hatchepsut ficou famosa pelo obelisco de 320 toneladas,
cortado de granito, mais a sul,
mas erguê-lo levaria ao limite a engenharia da Antiguidade.
Os construtores arrastaram o obelisco numa rampa
e depois afastaram a terra por baixo,
até que a base chegou aos alicerces na rocha.
Por fim, um grupo grande usou cordas
para erguer o obelisco monumental.
Reúne tudo, completa o círculo.
Temos o arenito dourado lindo,
temos os trabalhadores na época de Hatchepsut.
Eu adoro trabalhar com rainhas e faraós femininas.
Para mim, é maravilhoso.
Hatchepsut pode ter enviado obeliscos de Silsila,
mas o que a motivava a construir monumentos colossais?
No templo de Carnaque,
John e Colleen Darnell pensam que a resposta se encontra
no obelisco gigantesco de Hatchepsut.
A majestade deste deus nobre...
que construiu para o pai dela...
Ela dirige-se às gerações futuras e diz-nos literalmente
que quem vier depois, geração após geração,
saberá porque ela fez isto.
Ela faz isto com objetivos profundos de devoção religiosa.
Por outro lado, quando olhamos para o obelisco,
alguns dos maiores hieróglifos são o nome de Hatchepsut.
É material de propaganda gigantesco.
É impossível não ver que é uma projeção,
a uma escala monumental, de poder faraónico.
Hatchepsut construiu os monumentos para imortalizar o nome dela.
Não enquanto mulher,
mas como um dos maiores faraós do Egito.
Ao lado do templo de Hatchepsut,
o Dr. Szafranski e a equipa
têm de mover um bloco de arenito de uma tonelada,
para escavarem por baixo.
Mabruk!
Creio que falta pouco.
Com o bloco afastado,
podem começar a afastar as camadas de areia.
Finalmente, temos qualquer coisa.
Sob as ruínas do templo,
a equipa encontrou fragmentos antigos de olaria.
Creio que temos o primeiro pote completo.
- Vejam só. - Está completo.
É maravilhoso, não é?
Não é bonito?
Estamos empolgados e felizes, porque ninguém,
à exceção de antigos egípcios, viu estes objetos.
Estas pistas pequenas podem ajudar o Dr. Szafranski
a desvendar os eventos misteriosos após a morte de Hatchepsut.
Quando ela morreu, com cerca de 50 anos,
o enteado dela, Tutmés III, recuperou finalmente o poder.
Mais acima, o Dr. Szafranski vê sinais do templo dele.
Não era possível construir um templo maior do que o de Hatchepsut.
Mas ficou mais alto.
O templo enorme de Hatchepsut
ocupava o melhor lugar na montanha do Vale dos Reis.
Tutmés III construiu o templo dele mesmo ao lado,
mas numa posição elevada.
Construtores antigos criaram colunas enormes
numa plataforma elevada.
A equipa do Dr. Szafranski investigou como seria o templo.
Descobriu que o terraço superior
era três metros mais alto do que o de Hatchepsut.
Uma jogada política de Tutmés,
para ofuscar finalmente a madrasta.
Era mais visível, o que se via melhor no vale.
Ele queria esse efeito.
Tutmés tentou empurrar Hatchepsut para o segundo plano,
mas, por ironia do destino,
terramotos e derrocadas antigos deixaram-no muito danificado.
Pode nunca ficar como fora outrora,
mas o Dr. Szafranski e a equipa tentam recuperar o que resta.
O templo de Hatchepsut está restaurado,
mas daqui a cinco ou dez anos
queremos ter restaurado o templo de Tutmés III.
É apenas uma questão de tempo.
No Assuão,
Martina e a equipa terminam a escavação à entrada do túmulo.
- Cansado? - Não, não estou cansado.
Levaram os ossos e a cartonagem delicada
para o laboratório.
Pelo estilo decorativo,
Martina crê que estes túmulos
são algumas centenas de anos anteriores a Hatchepsut,
de um período chamado Império Médio.
Sabemos que datam do Império Médio.
A cartonagem estava muito bem feita, era trabalho de qualidade.
Sabemos que eram pessoas de estatuto elevado.
Martina crê que a criança e a pessoa adulta
são familiares do dono do túmulo.
Mas a temporada continua
para revelar os segredos de quem ou do que está no interior.
Será incrível ver finalmente o interior.
Após alguns dias duros,
a equipa regressa a casa.
É a melhor parte do dia.
Podemos relaxar, abrandar e comer.
A primeira vez que saí da República Checa, tive saudades de casa.
Tenho saudades da família, de vez em quando,
mas agora estou ansiosa.
Na pedreira de Silsila...
- Ahmed! - Sim?
John Ward ainda escava
o que podem ser os restos de uma das esfinges de Hatchepsut.
Tenho uma peça de arenito preparada.
Sinto um ângulo reto aqui.
Espero que seja a parte de cima da cabeça, que nos falta.
Um, dois, três.
Virem.
A cabeça da esfinge.
Creio que temos uma esfinge completa.
Eu e a Maria não consideramos isto um emprego.
É a nossa vida. Silsila é a nossa vida.
Eles são a nossa família.
É a história da humanidade.
Começou aqui.
Após uma escavação longa e quente,
John pode mostrar a Maria a enormidade do que encontraram.
A esfinge abandonada tem quase três metros de altura.
Isto não faz sentido.
Porque é que ainda está aqui?
É a maior que viram na pedreira.
Pelo que sei, não há qualquer registo
de uma esfinge inacabada
e intacta, como esta.
Está em tão boas condições,
que não percebem porque esta estátua gigante foi abandonada.
É possível que uma fratura pequena na pedra tenha parado o trabalho,
mas John e Maria querem descobrir para onde iria esta esfinge.
Temos de ver as esfinges todas da avenida de Hatchepsut,
de Carnaque,
para saber onde existe uma deste tamanho.
São mais de cinco toneladas, talvez mais.
No templo magnífico de Carnaque,
Hatchepsut começou a construção da Avenida da Esfinge.
Algumas estátuas foram movidas, danificadas ou desapareceram,
mas centenas ainda se encontram no templo.
Como queres fazer isto?
John e Maria Ward vieram a Carnaque
para encontrar uma esfinge igual à que descobriram na pedreira.
A nossa cauda acompanha mais a pata traseira,
depois dá a volta.
Estas parecem ser pequenas à frente.
Além de um estilo igual,
o casal procura pontos negros, ou inclusões, no arenito.
Se encontrarmos as inclusões, os pontinhos negros,
sabemos que é provavelmente da mesma pedreira
e do mesmo período.
Não vejo nada.
Até agora, estas não têm essas marcas.
Creio que temos de explorar mais.
Não há sinal de uma esfinge igual na avenida à porta do templo,
mas encontram outro estilo no interior do templo.
São diferentes, Maria.
São diferentes. Esta pata traseira...
- Vê a barriga. - Concordo.
Vê a frente, a medida do pescoço.
- Concordo. - Desce e as patas...
- E tem as inclusões negras. - Inclusões negras.
Uau! Encontrámos.
Embora danificadas,
o casal tem a certeza de que estas esfinges vieram de Silsila.
Não foram terminadas em Silsila, ainda estão no estado bruto.
Terão sido transportadas para cá.
Os indícios sugerem que a esfinge de John e Maria
teria feito uma viagem notável.
Seria esculpida na pedreira, percorreria 160 km no Nilo
e ficaria no templo de Carnaque.
Sinto-me como um pai orgulhoso.
São os nossos filhos, são de Silsila.
Tudo, aos poucos,
culminou neste momento.
Cá está, a esfinge.
Junto ao templo de Hatchepsut,
o Dr. Szafranski e a equipa continuam a escavação.
Vejam este tesouro. Tem muitos objetos.
O pote parece ser do Império Novo.
Encontraram olaria antiga e comida enterrada.
Eram dádivas aos deuses,
oferendas feitas quando o templo foi construído.
É uma peça muito importante deste puzzle.
Aos poucos, cada um destes achados ajuda a revelar os segredos
deste sítio magnífico.
O Dr. Szafranski dedicou a vida
a revelar o legado de Hatchepsut,
a incrível rainha faraó.
Era um monte de pedras,
toda esta área.
O nome estava perdido e o templo não era visível.
Depois do nosso trabalho,
depois da restauração, da limpeza e da conservação,
os nomes dela são visíveis, as figuras estão restauradas.
O desejo dela era ser venerada,
ser recordada durante milhões de anos.
Aconteceu, nós recordamo-la.
Por vezes, digo que sou irremediavelmente dedicado a ela.
Hatchepsut foi líder,
política
e revolucionária como o mundo nunca tinha visto.
Contra todas as probabilidades, Hatchepsut tornou-se faraó.
Através do seu templo magnífico,
ela é novamente recordada.
Legendas: Ana Rita Santos
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