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Original subtitles

"N�o temos que entender o mundo, temos apenas que nos dar com ele." Albert Einstein

"Berlim, 14 de Maio 2005.

Hoje decidi demitir-me do meu cargo de director do Instituto de Biotecnologia.

Aqui s� perco tempo.

Como cientista, tenho que voltar � origem do meu interesse, �quela...

for�a interior, que mant�m o mundo unido.

Regressar ao elementar.

Tenho que retomar a investiga��o que interrompi na Irlanda h� 3 anos.

A reprodu��o artificial de organismos sem contacto sexual.

Ser� desej�vel...

� desej�vel que um cientista verifique a viabilidade.

A verdade � como uma part�cula elementar.

N�o pode ser decomposta em partes menores."

N�o � preciso andar na escola para fazer o trabalho que n�s fazemos aqui.

Quem � eficiente parte ao fim de 2 anos, como tu.

Aqui n�o h� direitos adquiridos! - Sa�de!

� uma pena que estejas de partida.

Para mim, sempre foste como... um Niels Bohr ou um Heisenberg:

Uma pessoa com uma excepcional capacidade intelectual,

algu�m com uma forma �nica de pensar.

Ser� uma perda para todos n�s.

Especialmente para mim, suponho. Sempre te admirei.

E ent�o, quais s�o agora os teus planos? Voltar � Irlanda?

Ainda n�o tenho a certeza. Primeiro tenho que pensar bem.

Tem alguma coisa a ver com o tal trabalho que nunca publicaste?

Talvez. Isso tamb�m. Chateia-me nunca o ter acabado.

Claro, compreendo...

Tu �s uma daquelas raras pessoas que t�m sede de conhecimento.

Sempre pensei tamb�m a ter. Mas nunca fui suficientemente longe.

H� que estar disposto a ir longe. - � isso mesmo.

Sim!

A sede de conhecimento!

Poucas pessoas a t�m. Mas essas...

s�o o poder mais importante no mundo.

Investigam at� um dia terem a chave para o conhecimento racional.

Nada na hist�ria da Humanidade foi mais importante...

que a necessidade de conhecimento racional.

A civiliza��o ocidental sacrificou tudo por essa necessidade...

A sua felicidade, a sua esperan�a, a sua religi�o e, at� mesmo a sua vida.

Foste o �nico que nunca me entediou.

"Caro Sr. Djerzinski. Devido � constru��o da nova estrada B17,

a vinha da sua av� Wilhelmine tem que ser deslocada..."

"...nas esquinas da labir�ntica parte velha da cidade,

onde at� o medo tem o seu encanto,

entreguei-me, alegremente, ao jogo do acaso...

contemplando as mulheres que passavam, velhas e cansadas da vida..."

H� algum problema, Ben? - Nada. Qual problema?

Acha piada a Baudelaire? - N�o, de todo.

Ainda bem. Algu�m quer comentar?

Johanna, fa�a favor. - Eu acho...

que o erotismo era a for�a motriz da criatividade de Baudelaire,

mas que, ao mesmo tempo, o tornava solit�rio.

Eu diria que estas linhas revelam a tr�gica ess�ncia do destino do homem.

Coment�rio muito interessante. Algu�m quer acrescentar algo?

Recebeu o meu ensaio?

Sr. Klement? O que se passa?

Ent�o? - Ent�o o qu�?

Leu o meu ensaio?

Sim, claro. - E?

Estava muito bom, excepcional. Mesmo bom. Muito sens�vel.

J� pensou em ser escritora?

Nunca me ocorreu. - Tem talento.

O seu ensaio estava mesmo... muito bom.

Adeus. - Adeus.

N�o queres dan�ar comigo, pelo menos uma vez?

Anda.

Ent�o vou regressar.

"Invejamos e admiramos os Negros pois queremos ser como eles:

Animais com uma grande pi�a e um pequeno c�rebro de r�ptil...

Anda c�.

"Os Negros continuam na Idade da Pedra. N�o conseguem desenvolver conhecimento,

n�o t�m a m�nima no��o de higiene e disseminam a Sida."

�s um verdadeiro racista...

est�s repleto dele. � bom.

A parte sobre os Negros est� excelente.

� forte, louca, atrevida. Tens talento.

E o meu ensaio sobre a fam�lia? - Tamb�m est� muito bom.

�s um reaccion�rio.

Todos os grandes escritores eram reaccion�rios: Benn, Goeth,

Thomas Mann, Dostoyevsky. Mas tamb�m temos que foder, certo?

Festas de sexo... isso � importante.

Ent�o, o que fazemos com isto?

Bem, pensei... que o pudesse publicar.

Meu bom homem, qual � a tua ideia?

O Terceiro Reich � hist�ria. Um artigo como este poderia meter-me em sarilhos.

Achas que ainda n�o tenho problemas suficientes?

Achas que posso fazer o que quero s� porque trabalho para o Rowohlt?

N�o tens mais nada?

Ol�, meu caro irm�o!

Como est�s? - Neste momento, mal.

O que se passa? - N�o interessa. Como est�s tu?

Hoje morreu o meu periquito.

Os meus p�sames. O que fizeste? - Joguei-o no lixo.

Que mais podias ter feito? Dizer uma missa?

H� pouco tempo, dei � Anne umas ligas prateadas.

Correu para o quarto.

Estou pronta, querido! - Segui-a.

Soube de imediato que ia fraquejar.

N�o o consegui levantar de forma alguma.

Ela � p�ssima a chupar, sentia-lhe os dentes, e tem celulite.

Devo dizer-lhe para se livrar das estrias?

Desculpa a tagarelice, mas estou t�o cansado de me vir. Estou quase nos 40.

Quando se come�a a trabalhar, os anos s�o todos iguais.

Os �nicos acontecimentos que sobram na tua vida s�o os do tipo m�dico.

J� estou morto, amigo. Sa�de! - Sa�de!

Este...

� um ensaio mesmo muito bom.

Obrigada.

Vou andando.

Quanto lhe deste? - O suficiente.

Vai ficar bem num instante.

N�o posso ir para casa.

Eu mato-me. Eu mato-me mesmo.

Sr. Klement... Sr. Klement, acalme-se, est� bem?

Pode ficar aqui. Ou�a-me...

voc� pode ficar aqui.

A minha m�e abandonou-me quando eu tinha 2 anos,

por causa de toda aquela merda hippie.

O meio-irm�o tamb�m.

Ela foi para Pune (cidade da �ndia). - Onde cresceu?

Com a minha av�.

E o seu av�? - Morreu logo ap�s a minha chegada,

a apanhar cogumelos na floresta.

Quando o encontraram, 3 dias mais tarde, o corpo j� estava em decomposi��o.

Primeiro, um cad�ver atrai certas moscas, como a mosca comum.

Quando come�a a decomposi��o, aparecem outras,

especialmente varejeiras. E uns...

Uns �caros, com nome de estrelas italianas,

fazem com que o cad�ver fique cada vez mais... liquefeito.

A fermenta��o e a decomposi��o produzem �cido but�rico e amon�aco...

Bruno!

Acalme-se, est� bem?

Desculpe.

Mas a minha m�e nem sequer contactou quando o meu av� morreu.

Embora a minha av� lhe tenha telefonado para Pune v�rias vezes.

Isso entristeceu-a bastante.

Eu amava muito a minha av�.

Quanto tempo esteve com a sua av�?

At�... at� ela morrer. At� eu ter 13 anos.

Aconteceu na cozinha.

Ela... entornou a panela.

Sopa a ferver sobre a sua cabe�a.

A minha av� era uma excelente cozinheira.

Fazia-me sempre jantares com 5 pratos. Nesse dia estava a fazer...

pimentos recheados, n�o... pimentos de marinada, beringelas recheadas,

coelho com cuscuz seguido de... n�gado com queijo mascarpone.

O que aconteceu depois de ela morrer? - Enfiaram-me numa escola de internato.

E como era?

Abre a boca ou corto-te os tomates! - N�o...

Sim, percebo. E n�o voltou a ver a sua m�e?

Sim, voltei. Ela regressava � Alemanha todos os anos.

Ia-me buscar ao internato e levava-me para uma dessas comunidades hippies.

Ol�, querida.

Este � o Bruno. - Ol�, Bruno.

Sou o amante da Jane. Quero que te sintas livre, est� bem?

Liberta-te dos grilh�es da civiliza��o. Aqui podes faz�-lo. S� livre.

Est� bem?

Eu sabia que nunca seria como eles.

Belas criaturas.

Eu nunca seria assim.

No final das minhas f�rias entrei sorrateiramente no quarto da Jane.

Masturbei-me pela minha m�e.

E o cabr�o de um gato sempre a olhar para mim.

Mas quando me vim,

fechou, subitamente, os olhos.

Peguei numa pedra, aproximei-me...

e esmaguei-lhe o cr�nio.

Foi o �ltimo dia das minhas f�rias com a m�e.

E, a prop�sito, tens um irm�o.

Como assim, tenho um irm�o? - Pronto, um meio-irm�o.

E por que ningu�m me disse nada? - Acalma-te.

Queres conhec�-lo? Ele � um g�nio da matem�tica.

Vamos, vamos v�-lo. Ele vive perto, com a sua av�.

Ol�, Michael! - Ol�.

Meu Deus, como cresceste. N�o me reconheces?

Claro.

Gostas dos Stones? - Obrigado.

Este � o Bruno. O teu meio-irm�o.

Achei que chegou a hora de voc�s se conhecerem.

Anda c�!

Ter�amos juntado-vos h� anos, mas era complicado.

Ol�.

Vou deixar-vos conhecerem-se.

Volto dentro de uma hora, est� bem?

Vamos l�! N�o sejam t�o pouco comunicativos!

T�m muito de que falar.

O Bruno apoia a liberta��o de todos os prisioneiros do Ex�rcito Vermelho.

E tu?

Bem... fa�am um esfor�o, sim?

N�o queres entrar?

Parece muito complicado. - N�o � assim t�o mau.

N�o sou muito bom na matem�tica.

"O Admir�vel Mundo Novo", do Huxley. Acabei de o ler.

A s�rio? E?

Sim, at� � bom. - Eu acho que � um livro importante.

Estou convencido que a nossa sociedade se move exactamente na direc��o...

do que Huxley descreve no seu livro. O controlo restritivo da reprodu��o...

levar�, um dia, � total separa��o entre a procria��o e o sexo,

resultando na reprodu��o humana artificial.

Ele diz isso? - � exactamente isso que procuramos,

s� que, at� agora, sem sucesso.

Ol�. - Ol�.

� o Bruno, o meu meio-irm�o. � a Annabelle.

N�o sabia que tinhas um irm�o. - E eu tamb�m n�o, at� agora.

Querem sair um pouco? - N�o podemos.

Ol�! Quem �s tu? - Annabelle.

� a tua namorada?

N�o tenhas vergonha, o sexo � lindo:

Trata-o com naturalidade, para maximizar o prazer do teu parceiro.

Bem, tenho que levar o Bruno de volta ao internato...

e estar em Frankfurt dentro de 3 horas. O meu voo para Bombaim parte �s 8.

J� tens o meu novo n�mero de telefone em Pune?

Vou escrev�-lo.

Podes contactar-me por a�. Ent�o, conheceram-se um pouco?

Adeus, Annabelle. E n�o te esque�as de tomar a p�lula.

� vital para a tua emancipa��o. Vem.

E como foi a sua primeira rela��o? - A minha primeira rela��o?

Foi no funeral da minha av�.

Ent�o, querido, n�o � bom? - Ela chamava-se Annick.

Gostas?

Bruno, foi uma sess�o bem longa.

Acho que devemos parar por aqui, est� bem?

Tente descansar, e voltaremos a encontrar-nos...

dentro de 3 dias. Est� bem? - Est� bem.

Agora saia, por favor.

Obrigado, Dra. Sch�fer.

Aqui est�. � uma vergonha... ter que desenterr�-la por causa de uma estrada.

N�o olhe.

Tenho que partir o caix�o.

Disse-lhe para n�o olhar!

� sempre a mesma coisa, olham sempre.

Um caix�o destes n�o dura 20 anos.

A l�pide ser� levada amanh�. Vou mostrar-lhe a nova sepultura.

Tem que vir assinar o registo.

Michael!

Ol�, Sra. Stevens! - Que surpresa!

Eu ia mesmo... - Entra!

N�o quero incomodar. - A s�rio! Entra!

Que bom!

Vejam quem est� c�!

Michael... o que fazes por aqui?

Ol�, Sr. Stevens.

Est�s com bom aspecto. - Obrigado. Tu tamb�m. Como est�o?

Na mesma.

Ol�, Michael. - Ol�, Annabelle.

Ficas para jantar, n�o ficas? Temos porco assado.

Claro. - Queres uma bebida? Uma cerveja?

Por favor.

Toma.

Est�o a remover a sepultura da minha av�, por isso pensei passar por c�.

Vem at� � cozinha e vamos conversando.

Estou aqui por acaso. S� vim ajudar a minha m�e.

Tenho lido sobre ti nos jornais. Tornaste-te famoso.

O que fazes? - Vivo em Berlim. Sou bibliotec�ria.

Esses ainda s�o os mesmos �culos?

Por que n�o respondeste �s minhas cartas?

Odiei-te por isso.

Aconteceu tudo h� muito tempo, mas, por vezes, ainda penso nisso.

S� as li h� poucos dias.

A s�rio?

Com a av�. Tinhas acabado de c� chegar.

Foi antes de termos come�ado a ir � escola.

Meu Deus, olha como o Bruno tentava sempre ficar bem.

Com aqueles sapatos horr�veis.

Por que nunca me beijaste?

Ser� que gostarias de me beijar agora?

Acho que sim.

Est� c� o seu irm�o. - Michael.

Ol�, Bruno.

Nunca pensei que a m�e viesse a morrer na Alemanha.

Por que � que a cabra n�o ficou em Pune?

Parece que se converteu ao Islamismo, inspirada por uma merda Sufi qualquer.

Agora est� refugiada com uns malucos, numa casa abandonada.

Merda de hippies.

Custa a acreditar que ainda existam, e cada vez h� mais.

Com tanto desemprego, eles v�o aumentando.

A Jane est� ali.

Obrigado.

Queres ser cremada?

Est� bem.

Quando tudo acabar, ser�s cremada.

E o que restar de ti ser� metido num saco!

Acho que ela ouviu.

Ela queria manter-se jovem, s� isso.

N�o queria que os filhos a lembrassem que pertencia a outra gera��o.

Que mal h� nisso?

Vieram todos,

est�o c� todos!

Quando ela ouviu esta can��o,

ela morreu, querida m�e!

Vieram todos,

est�o c� todos!

Da Galileia...

e do Canad� tamb�m...

Acho que ela morreu.

Est�s bem, l� na cl�nica? - Sim, � bom. Tenho o meu l�tio.

Levo-te a algum lado? - Vou para Rostock, a um bordel.

Volto � cl�nica amanh�.

Em Rostock h� muitos bordeis.

N�o vou conseguir levant�-lo por causa do l�tio, mas n�o interessa.

Cuida-te, Bruno.

Cuida-te, meu caro.

Serve-te.

� engra�ado, n�o �?

Sempre pensei que estivesses casada, com filhos e tudo.

Nunca me ocorreu que pudesses estar sozinha.

Bem, eu nunca tive muita sorte com os homens.

Dormi com d�zias de homens, mas nenhum deles digno de mem�ria.

A minha franqueza incomoda-te?

Come�ou com o tipo com quem dancei naquela noite.

Lembraste?

Eu n�o estava, nem de perto, apaixonada por ele.

Mas depois de teres partido, encontrei-me com ele regularmente.

Durou 2 anos.

Aos 19 anos fiquei gr�vida e tive um aborto.

N�o o voltei a ver.

Ele juntou-se a um culto sat�nico, algures na Calif�rnia.

H� 2 anos vi uma reportagem na tv sobre filmes de explora��o sexual.

Ela havia sido preso. Tinha andado a desmembrar mulheres.

Agora imagina se tens tido um filho dele.

Seja como for... afastei-me dos homens h� algum tempo.

Estava cansada de ser tratada como um peda�o de carne.

Tamb�m tentei mulheres, mas isso tamb�m n�o resultou.

E, ent�o, agora passo aqui as minhas noites, lendo e bebendo ch�.

N�o te preocupes. Habituei-me a estar sozinha.

Por vezes, um homem daria jeito, � verdade.

Tenho medo, � noite e n�o consigo dormir.

Tranquilizantes e comprimidos para dormir por vezes n�o chega.

Ainda n�o acredito que estamos aqui sentados, juntos.

Eu tamb�m n�o.

� na casa da minha av�, n�o �?

Vou mostrar-te um segredo, mas promete que n�o vais rir.

Prometo.

Senta-te. Aqui.

Guardei tudo.

Guardei um �lbum, durante anos.

Todos os postais que me mandaste.

At� os nossos cart�es da escola.

"Caro Dr. Sommer, tenho 15 anos e estou apaixonada por um rapaz.

Conhe�o-o desde pequena.

Ainda sou nova mas acho que quero passar toda a minha vida com ele.

Mas estou um pouco preocupada porque ele n�o me beija.

Ser� ele ainda muito infantil? Annabelle S. Winzhofen".

Escreveste mesmo isso? - Sabes qual foi a resposta dele?

"Cara Annabelle, n�o a quero preocupar,

mas � raro um amigo de inf�ncia transformar-se em namorado.

� mais prov�vel que ele se torne um amigo, um verdadeiro amigo,

capaz de a ajudar a lidar com os sentimentos despertos

pelos seus primeiros casos amorosos."

Triste, n�o �?

O que ele escreveu estava errado. - Mas veio a ser verdade.

Ent�o e tu... com as mulheres?

N�o muito bem. - Como assim?

Bem...

Mas tiveste amantes? - Eu...

Eu...

Nunca dormiste com uma mulher?

N�o.

Est�s tal e qual como antes.

Sinto-te tal como ent�o.

N�o imaginas durante quanto tempo estive apaixonada por ti.

Acho que come�ou quando tinha 5 anos.

Nunca chegou a acabar.

Ol�...

Est�s com bom aspecto. Belo fato. - Saldos de ver�o da C&A.

Pensei que talvez vestindo-me como um funcion�rio p�blico consiga mais tipas.

Os funcion�rios p�blicos s�o mais liberais.

E... est�s a trabalhar na comiss�o curricular?

N�o tive alternativa.

Mas primeiro vou de f�rias. - Para onde?

Um acampamento qualquer. O cat�logo diz que tem muitas mulheres.

Talvez tenha sorte.

� uma esp�cie de campo de nudistas com cursos espirituais e coisas desse tipo.

Com a sorte que tenho, s�o todas tot�s ecol�gicas.

Sempre n�o ser�o t�o pudicas.

Seja como for, alguma coisa se h�-de arranjar.

Boa sorte.

Obrigado.

A Anne quer o div�rcio.

Saiu de casa com o beb�.

Merda!

Eu queria mesmo...

Eu queria mesmo ser um bom pai.

Merda! Mais dois, por favor.

N�o estou interessado. - Pai! Sou eu... o Bruno.

N�o me reconhece? - Claro, Bruno...

Bruno, meu rapaz. Como poderia esquecer?

Entra. - J� passou muito tempo.

Ontem tive alguns convidados e ainda n�o arrumei isto.

Senta-te.

Est�s bem. Casaste, certo? - Como sabes?

Constou-me. N�o queres? - Quero.

Estou em f�rias.

Arranjei o nariz a todas.

Esta...

parecia o Homem Elefante.

Mas nenhuma me telefonou quando fali.

Fui um parvalh�o.

Perdi o mercado das mamas de silicone.

Eu era t�o arrogante, pensava que...

era uma moda passageira que tinha rebentado no outro lado do Atl�ntico.

Eu devia saber... tudo o que vem dos EUA tem sucesso por aqui.

Fisher... o tipo que na altura me roubou os clientes,

agora recusa-se a investir no aumento de pi�as.

� t�o est�pido quanto eu fui.

Se eu tivesse menos 30 anos...

Lan�ava-me... no aumento de pi�as.

Desculpa, acho que tenho que me deitar um pouco.

Eu s� vim dizer ol�.

� simp�tico da tua parte. Acompanho-te � porta.

N�o me podes emprestar algum dinheiro?

Claro.

Obrigado.

Telefona-me quando l� chegares e conta-me como �.

Est� prometido.

Eu vou ter saudades tuas. - Eu tamb�m.

Vou ter saudades tuas.

Volto em breve.

Eu telefono-te.

� aqui.

Entre.

C� est� ele.

� bom voltar a v�-lo.

Igualmente.

Sente-se. - Obrigado.

Ponha as suas coisas naquela cadeira.

At� mais logo.

Bem... como foi a estadia em Berlim, nestes �ltimos 3 anos?

Bem... reflecti bastante.

Posso colocar-lhe uma quest�o pessoal?

Sim.

Por que partiu de forma t�o abrupta, nessa altura?

Ter� sido por recear que os seus c�lculos se viessem a provar errados, no final?

Possivelmente.

Nessa altura temia que n�o pudesse continuar a trabalhar, caso assim fosse.

Verifiquei os seus c�lculos.

Voc� o qu�?

Bem, eles estavam por ali, desperdi�ados, no meu gabinete...

e h� um ano recebemos alguns super-computadores e... n�o resisti.

Verifiquei-os.

Foram todos validados.

A cem por cento.

As minhas hip�teses e c�lculos est�o... confirmados?

Completamente.

At� � mais �nfima equa��o.

"Pre�mbulo para uma replica��o completa.

As 80 p�ginas seguintes cont�m provas de que todo o c�digo gen�tico,

por muito complexo que seja, pode ser reescrito de forma padr�o est�vel.

Isto significa que toda a esp�cie animal, por mais desenvolvida que seja,

pode ser transformada numa esp�cie semelhante.

Humanos inclu�dos. 14 de Novembro 2001"

A LIBERDADE DOS OUTROS EXPANDE A MINHA AO INFINITO

"Virar os semi-r�gidos para cima, por forma a solidificar o centro..."

Os cabr�es dos chineses! - Ol�?

Chegaste agora? - Sim.

Precisas de ajuda com a tenda?

N�o, obrigado. Eu desenrasco-me. - Anda.

A est�pida da vaca ainda amamenta. Mas tem umas belas tetas.

Vou ficar por aqui. Vou ficar por aqui.

Agora levantem-se, por favor!

Est�s tensa, Jasmin. N�o o fa�as se n�o te sentires capaz.

Obrigada. D�em as m�os, por favor.

T�m que sentir a tens�o do vosso parceiro.

E fundir...

Sempre em fus�o... observando a unicidade dos vossos corpos.

Podem trabalhar em pares.

Deambulem por aqui.

Abram os vossos chakras, os vossos centro energ�ticos...

e n�o apressem o encontro.

Vamos. - Que tal?

Claro.

Trabalhamos juntos? - Est� bem.

Massajo-te?

Bom.

Ol�. - Ol�.

Queres uma bebida? - Sim, obrigada.

Sa�de! - Sa�de.

N�o dan�as? - N�o, a m�sica africana � muito...

Primitiva?

N�o, claro que n�o.

Muito ritmada? - N�o, apenas n�o � o meu ritmo.

Mas adoro a dan�a brasileira.

Como est�s? - Muito bem.

E tu? - Porqu� o Brasil?

Porque o Brasil � cheio de energia. - Dan�a o samba comigo!

Samba, toda a noite!

O Brasil est� cheio de fan�ticos mentecaptos,

obcecados com futebol e corridas de carros.

Estou a ver que a massagem fez-te bem.

Sinto-me como que renascida. - Foi muito bom...

Pod�amos ir juntos ao Brasil, Katja.

Pod�amos visitar as favelas num mini-autocarro blindado e ver

pequenos assassinos de 8 anos e pequenas putas a morrer com sida aos 13 anos.

E depois pod�amos ir � praia com chulos e traficantes de droga ricos e imundos.

Deves ter sofrido muito.

Vamos a outro s�tio qualquer. - O que disse Nietzsche...

sobre Shakespeare? "O que ele deve ter sofrido...

para estar t�o desesperado ao ponto de encarnar o palha�o."

Katja, quero lamber-te a rata.

Agora? - Sim, claro.

Eu tenho o direito de entrar ali. Eu tenho o direito de entrar ali.

� uma bela roulote.

Eu n�o posso acampar, tenho problemas nas costas.

Conheces isto bem?

Venho para c� h� cinco anos.

N�o tive escolha desde que o meu marido me deixou por uma mulher mais nova.

Sa�de! - Sa�de!

� mais f�cil para os homens envelhecer sozinho.

Bebem vinho rasca, dormem, ressonam e no dia seguinte recome�am,

at� que morrem, o que n�o demora muito.

Porque pensas que para as mulheres � diferente?

Somos mais rijas.

Duramos mais. Os nossos corpos j� n�o s�o desej�veis e sofremos por isso.

N�o conseguimos viver sem sermos amadas.

Temos algumas noites ocasionais, mas nenhum amor.

Acho que exageras a situa��o um pouco.

Gostava mesmo de te excitar.

Acredito.

Sinto que �s muito simp�tico.

Ego�sta e simp�tico.

Estes cursos s�o frequentados, sobretudo, por velhas feministas.

Se falares com elas vais ver que n�o acreditam...

nesta merda das chakras, cristais e vibra��es espectrais.

Ol�, Christiane. - Ol�, Katja. O que fazes?

Vou fazer um curso. E tu? - Estou a conversar.

At� logo, ent�o.

Conhece-la?

Sim. Estive num apartamento partilhado com ela h� 20 anos, mas por pouco tempo.

Nunca suportei feministas.

A cabra e a sua amiga eram obcecadas com a rota��o de tarefas na cozinha.

E ent�o, depois de transformarem todos os homens dispon�veis

em neur�ticos impotentes e miser�veis,

lamentavam, sistematicamente...

o fim da masculinidade.

Ent�o, depois de despacharem os seus homens acabavam montadas...

por machos latinos nojentos. Eventualmente, fartaram-se...

e come�aram a divertir-se juntas.

Cheguem aqui, suas cornudas!

Mostrem algum respeito.

Este � o vosso criador.

Ele desenvolveu o c�digo gen�tico que regulou a replica��o das vossas c�lulas.

Sejam simp�ticas para ele.

Venham dizer ol�.

N�o as vejo muito impressionadas.

Podemos clonar qualquer ser vivo tendo como base os teus estudos.

Se n�o formos n�s, outros o far�o, dentro de dois ou tr�s anos.

Levamos algum avan�o, mas n�o muito.

Se te juntares a n�s, e eu estou a contar com isso...

poderemos come�ar e p�r tudo a funcionar.

Obrigado.

Como sabem, eu sa� daqui h� tr�s anos, deixando um trabalho inacabado e...

houve uma raz�o para tal.

Chamemos-lhe o medo da minha pr�pria coragem.

Mas, acreditem, n�o passou um dia em que n�o pensasse no projecto e...

por isso estou de volta.

Estou muito feliz por isso e estou desejoso de trabalhar com todos v�s.

Obrigado.

Em que est�s a pensar?

Na minha vida.

Eu amava a vida. Amava tanto a vida.

Era sens�vel, carinhosa e sempre apreciei sexo.

Algo correu mal. N�o sei bem o qu�, mas...

mas algo correu mal na minha vida.

A minha vida n�o � muito melhor.

Os meus nervos est�o arruinados.

Bebo e tomo montes de comprimidos.

Vamos voltar a ver-nos?

N�o sei o que ser� de mim sem ti.

Bem... lamento informar que o teste mostra algumas c�lulas anormais.

Significa que teremos que fazer um aborto.

Foi c� chamada h� um m�s para fazer um teste citol�gico,

ao inv�s, deixa de tomar a p�lula, sem me consultar, e engravida.

Gostas?

Sim, muito. - Tenho outros.

Mostro-te mais tarde, se quiseres. - Claro.

Quando � que usas esse tipo de coisas? - Queres sair?

Tomamos outra bebida?

Ol�. - Ol�.

A tua namorada � muito sexy.

E o teu namorado tamb�m.

Sa�de! - Sa�de!

J� tinham vindo aqui? - Juntos n�o.

N�s vimos todos os fins de semana. Foi aqui que nos conhecemos.

N�s conhecemo-nos numa piscina.

Podes tocar-me, se a Christiane o permitir.

For�a.

Sabes que estou muito feliz contigo? - A s�rio?

Acho que sou muito feliz contigo.

Gostava de viver contigo.

Suponho que j� fomos infelizes o suficiente.

J� tivemos disso que chegue.

Acho... acho que podemos ser felizes at� ao fim.

Acho que te amo.

A s�rio?

Tamb�m acho que te amo.

Esta � a sequ�ncia gen�tica respons�vel pela forma��o dos corp�sculos

durante a g�nese embrion�ria.

A natureza foi suficientemente esperta para s� os gastar na glande do p�nis,

com o prop�sito da reprodu��o.

No futuro podem vir a ser multiplicados por forma a cobrir toda a superf�cie

permitindo ao homem infind�veis possibilidades er�ticas.

Esta � a estrutura do...

Professor, um telefonema para si, da Alemanha.

Pe�o desculpa.

Estou? - Ol�, Michael. � Edeltraud.

Quem? - A m�e de Annabelle.

A Annabelle teve um aborto e n�o est� bem.

Tem que fazer outra opera��o, por isso te estou a ligar.

Percebo. Vou j� para a�.

Ol�, Michael. - Ol�.

Ela n�o sabe que te liguei.

Ela est� bem, mas...

tiraram-lhe o �tero.

Est� l� em cima, a dormir.

Durante todos os anos em que estiveram casados nunca discutiram seriamente.

Ela geria a casa.

Ele sa�a para trabalhar e poder pagar a casa.

Passaram todo o tempo livre e todas as noites juntos.

Tem cuidado!

Tanto quanto me lembro...

sempre foram fieis... e felizes.

Nunca quiseram mais da vida.

Estou t�o feliz por estar contigo.

A s�rio?

Vou ficar contigo at� estares bem novamente.

Annabelle?

Sim?

Vens para a Irlanda comigo?

Est�s outra vez com essas marcas?

N�o est� assim t�o mau.

S� n�o posso continuar a tomar aqueles comprimidos para a minha dor de costas.

Parece que lhes sou al�rgica.

N�o te preocupes.

Mas tens que ir a um m�dico.

Prometo que vou.

O que se passa? O que aconteceu?

As minhas costas. N�o me consigo mexer.

O diagn�stico � desagrad�vel.

A sua esposa tem necrose do c�ccix. Chegou a um estado incur�vel.

As pernas dela v�o ficar paralisadas permanentemente. Lamento.

Por que n�o me contaste?

N�o teria alterado nada.

Eu queria aproveitar o meu tempo contigo o mais poss�vel.

Ainda tenho que me habituar a isto.

Vais viver comigo. Vens para a minha casa.

Tens a certeza?

Tens a certeza que � o que queres?

N�o te sintas obrigado.

Tens alguns anos pela frente.

N�o �s obrigado a passar o resto da tua vida com uma aleijada.

Para onde te levo?

Para a minha casa.

� melhor assim.

Tens que ter a certeza do que queres.

O que aconteceu?

Uma mulher saltou l� de cima, uma mulher deficiente.

O que lhe aconteceu?

O que acha que lhe aconteceu, saltando l� de cima?

Bruno?

O que aconteceu?

Voltei.

Ent�o, Bruno... o que se passa?

N�o quero continuar a viver.

Tem consulta �s 9:30 com a Dra. Sch�fer.

Tome os seus comprimidos.

Eles n�o ajudam. - Ajudam sim.

Sem eles, estaria muito pior.

O que vai ser de mim? - Tome os seus comprimidos.

Bom. Venho busc�-lo �s 9:30. - Posso ir consigo?

Venha.

Bruno, tenho coisas para fazer.

Posso deix�-lo sozinho um pouco?

At� logo.

Christiane?

Christiane?

Christiane?

� um milagre.

Como pode isto acontecer? - Isso agora n�o interessa.

O importante � que estou aqui.

� tudo culpa minha. - N�o, n�o �.

Eu � que n�o aguentei.

Nunca pensei que fosse capaz.

Sou um cobarde. - N�o, n�o �s.

Eu at� ouvi o telefone mas j� estava no ar.

N�o quero voltar a perder-te.

Nunca mais.

Bruno?

Venha, vou lev�-lo ao seu quarto. O seu programa est� quase a come�ar.

Venha.

Ol�.

Ol�. - Pens�mos fazer uma visita surpresa.

Quer�amos levar-te a dar uma volta. Est� t�o bom, l� fora.

Obrigado.

Foi uma �ptima ideia vir aqui.

Gostas disto?

� lindo.

Quando partes para a Irlanda?

Em breve.

Podem vir os dois visitar-me.

Acho que, por agora, vamos ficar por aqui.

Cerca de 45 anos mais tarde, a comunidade cient�fica concluiu que a procura

por Monop�lio, Domin�ncia e os conflitos da� resultantes, por exemplo guerras,

est�o elementarmente ligados a situa��es de agress�es sexuais.

Michael Djerzinsky veio a receber o Pr�mio Nobel,

gra�as ao seu conceito alternativo de reprodu��o humana.

O meio-irm�o Bruno passou o resto da sua vida numa cl�nica psiqui�trica. Consta que foi feliz, por l�.

Legendas pt por jccr

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