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Original subtitles

Um filme de

DANA��O

Deixa-me entrar!

Para qu�?

Deixa-me entrar!

Estive a pensar.

� preciso aprender a tomar decis�es.

Vou ficar com a minha fam�lia.

Vou tentar que a minha filha

seja diferente de n�s.

Ela vai ter uma vida diferente.

N�o vamos ter de lhe explicar.

Deixa-me entrar!

Vai-te embora!

Porque n�o me amas?

Eu amo-te e tu sabes.

N�o tens nada a perder, Karrer.

S� arriscas a tua pele.

Olha � tua volta.

Vais a cinco espeluncas por dia.

Cais inconsciente na cama todas as noites.

� altura de sa�res daqui por uns tempos.

O que � que est�s a dizer?

N�o podes continuar a beber palinka como se n�o houvesse amanh�.

S� te embrutece.

Destr�i-te o c�rebro e rebenta-te o f�gado.

Conheci um vagabundo cujas m�os tremiam tanto

que enrolava um len�o ao pulso para levar o copo � boca.

N�o ficou c� muito tempo.

Nunca fui para fora. Uma mudan�a ia fazer-me bem.

Vais � morada que te derem,

Levantas a encomenda e tr�-la para aqui.

Ficas com 20% para as despesas de viagem.

Torna a proposta mais aliciante.

� o que posso fazer.

N�o � o dinheiro.

N�o quero sair daqui.

Tu � que sabes. Eu s� queria ajudar.

E se...

Conhe�o algu�m

que podia recolher a encomenda

pelos 20%

mais a gasolina.

Gasolina? Mas tu n�o conduzes.

Estou a falar de outra pessoa.

N�o posso confiar em qualquer um.

Nem eu.

� o fim.

Est� tudo acabado.

Acabou.

N�o haver� outro.

N�o voltar� a ser bom.

Nunca mais.

Nunca mais.

Talvez nunca mais.

� como um pesadelo.

Tudo isto.

Talvez.

Onde h� algu�m novo?

De onde � que ele vem? Se vier?

Ou n�o vir�.

Nunca mais?

Talvez nunca mais.

L � pegar ou largar. E com isto que podes contar.

O que podes fazer?

Perdes as palavras.

No entanto n�o podes partir.

Acabou h� muito tempo.

� bom que a utopia exista.

� bom saber

que n�o vou ficar aqui muito tempo.

� pegar ou largar.

Diz, querido, porqu�?

Porque � que tem de acabar?

Acabar agora?

E n�o haver� outro.

N�o voltar� a ser bom.

Nunca mais.

Talvez nunca mais.

Ele tem a minha alma.

� tudo � maneira dele.

Sem ele este mundo � est�ril.

Com ele a vida � completa e feliz.

Como � que p�de acabar?

Tonta.

Nunca mais.

Talvez nunca mais.

Acabou.

Acabou tudo.

N�o h� fim.

N�o h� fim agora.

N�o pode desaparecer.

N�o vai desaparecer.

Nunca mais.

Talvez nunca.

Talvez nunca mais.

Deixa a minha mulher em paz!

Est�s a confundir tudo.

Estou a ver. Est� bem.

Da pr�xima vez que te vir aqui,

parto-te o pesco�o.

� completamente louco.

Ouve o que te digo,

e n�o andes � procura de sarilhos.

Vai para casa e deita-te.

N�o �s como eles.

S� te v�o arranjar problemas.

Aquela mulher �...

uma bruxa.

E o marido sabe disso.

Nunca se ir� embora com todas as d�vidas que tem.

Acontecer� a qualquer um que se meta com aquela mulher.

Aquela mulher � uma sanguessuga.

Um p�ntano sem fundo

que te engole e suga.

� este o triste fim de tudo, filho.

Aperta bem o casaco.

Com este tempo, nunca se sabe.

O nevoeiro mete-se nos cantos, nos pulm�es.

Instala-se na tua alma.

Saberemos ao que nos agarrar quando este mundo explodir.

Boca a boca, cora��o a cora��o, estrela a estrela.

N�o haver� vergonha quando o v�u cair.

Estou a iam do v�u da Maya

que turva a mente das pessoas.

O G�rgey era um estrategista.

Ele disse ao Paskievics:

Se queres matar H�ngaros, f�-lo numa guerra interna.

Tudo o que pe�o � um milh�o.

Pela minha honra?

Quem seria testemunha disso?

Quem trataria disso?

� verdade...

Podia ter dado isto a outra pessoa mas pensei em ti.

A viagem s� dura tr�s dias.

Vais buscar a encomenda e voltas a traz�-la.

Quanto? - 20%.

Est� bem.

Assim, � uma bela hist�ria de fam�lia. Mas acaba como todas as outras hist�rias.

Porque as hist�rias acabam mal.

As hist�rias s�o sempre hist�rias de desintegra��o.

Os her�is desintegram-se sempre

e desintegram-se sempre da mesma maneira.

Se n�o o fizessem,

n�o seria desintegra��o mas sim renascimento.

E eu n�o estou a falar de renascimento mas sim de desintegra��o.

Desintegra��o irrevog�vel.

� isso que vai acontecer aqui.

Apenas uma forma de ru�na entre milh�es de outras que existem.

Por isso se te prenderem por causa das tuas d�vidas,

n�o contes com uma ru�na tempor�ria.

Porque esta ru�na � final,

como a ru�na o � normalmente.

Ao mesmo tempo,

talvez haja uma forma de parar esta ru�na.

Sobretudo com dinheiro, e n�o a fazer-se de her�i.

Talvez uma simples fenda possa ser tapada...

Gosto da chuva.

Gosto de ver a �gua a escorrer pela janela.

Acalma-me sempre.

N�o penso em nada, olho apenas para a chuva.

J� nada me prende.

N�o dependo de ningu�m.

Vou-me embora.

Porque nada � est�vel aqui.

N�o posso confiar em ningu�m.

Sei que estou sozinha. Sei-o bem.

Mas n�o posso desistir e n�o desistirei.

As multid�es das cidades v�o aplaudir-me. Serei uma vencedora.

N�o vou deixar que os outros me desanimem.

� preciso regressar � beleza.

Redescobrir a vida.

A alegria das coisas grandes.

O gosto da vit�ria e do sucesso.

Foi a� que falhaste.

Porque desististe.

Mataste o amor e a honestidade que tinhas.

Vais acabar mal.

Porque n�o se pode viver sem amor e honestidade.

Podes ser mais forte que eu.

N�o sabes o que posso fazer.

E eu n�o posso.

Conheces o Antigo Testamento, jovem?

Toca &rompem;

est� tudo preparado;

e ningu�m vai para o combate, porque a Minha c�lera chega sobre todos.

Do lado de fora est� a espada; a peste e a fome do lado de dentro.

Quem esta no campo morrera a espada;

quem est� na cidade, ser� devorado pela peste e pela fome.

No caso de haver fugitivos, procurar�o abrigo nas montanhas

como pombas nos vales;

morrer�o todos, cada um no seu pecado.

Todas as m�os cair�o, tremer�o todos os joelhos.

De sacos se revestir�o e o pavor se apoderar� deles.

Lan�ar�o a prata para as ruas

e o ouro ser� para eles como o lixo.

Nem o ouro nem a prata os poder�o salvar no dia da ira.

N�o se saciar�o nem encher�o o seu ventre com eles;

pois isso foi a ocasi�o do seu pecado.

Desviarei deles o Meu olhar,

profanar�o o Meu tesouro.

O pa�s est� cheio de crime, e a Minha cidade repleta de viol�ncia.

Farei vir as na��es piores

para se apoderarem das suas 03535.

Eis que vai chegar a ang�stia;

depois procurar�o a salva��o mas n�o a encontrar�o.

Ao profeta pedir�o uma vis�o;

o ensinamento faltar� ao sacerdote

e o conselho aos anci�os.

Tremer�o as m�os do povo do pa�s.

Vou trat�-los segundo a sua conduta...

e julg�-los-ei pelos seus padr�es.

Depois reconhecer�o

que Eu sou o Senhor.

Vejo que tens de ir. N�o te demoro mais.

Vamos jantar fora. - As nossas contas est�o saldadas.

N�o h� nada para ti aqui.

N�o percebo.

O que e que n�o percebes?

Ainda n�o percebo.

Vais perceber um dia.

Mas quero perceber agora!

Ent�o compreende agora! - N�o consigo.

Vais conseguir.

Vamos jantar fora.

Deixa-me!

Sacana dissimulado!

Acalma-te!

N�o te vais safar desta! Nem pensar!

Vais apodrecer como uma ratazana!

�s completamente louca! - Deixa-me em paz!

Deixa-me!

Acalma-te - Vai-te embora!

Deixa-me em paz! - P�ra!

Deixa-me em paz! Vai-te embora!

Deixa-me em paz! - Ouve!

Desculpa. - Chega. Estou farta de ti.

N�o queria magoar-te P�ra ou mato-te!

Deixa-me em paz!

N�o queria magoar-te. Sabes que n�o.

Afasta-te de mim.

Tens raz�o em tudo.

Admito que tens raz�o sobre tudo.

Sabes que te amo.

N�o consigo mentir-te agora. Vou mudar,

prometo que vou mudar, mas tens de me ajudar.

Bate-me se quiseres...

Quando olhaste para mim ontem,

percebi uma coisa.

Percebi que entre ti e um mundo sempre inalcan��vel

h� um t�nel estranho e vazio.

N�o conhe�o ningu�m que conhe�a essa estrada.

Est�s sozinha na entrada do t�nel.

Porque sabes algo que nem consigo nomear,

algo mais profundo e implac�vel

do que alguma vez poderei compreender.

Percebi que nunca conseguirei chegar perto desse mundo.

S� posso desej�-lo, porque est� escondido por uma luz e um calor

que n�o consigo suportar.

N�o tenho sido capaz de o aceitar nem de o renunciar.

Ontem percebi que cometi um erro fatal.

Se tiver de te perder,

ser� o meu fim imperdo�vel,

porque eu sei algo sobre esse mundo sem nome.

Como �s parte dele,

�s o mundo para mim. Isso n�o mudar� nunca.

N�o me repudies.

Deixa-me ver-te e farei tudo por ti.

Bate-me, cospe-me e eu vou voltar sempre

para continuares a bater-me e a cuspir.

Porque tens raz�o,

tens impiedosamente raz�o.

E eu amo-te realmente.

Vais ficar a� especado?

Sento-me � janela e olho para o vazio.

H� anos e anos que me sento aqui,

e algo me diz que vou ficar louco no instante seguinte.

Mas n�o enlouque�o no instante seguinte.

E n�o tenho medo de enlouquecer

porque o medo da loucura significaria

que teria de me agarrar a algo.

Mas eu n�o me agarro a nada.

Eu n�o me agarro a nada, mas tudo se agarra a mim.

Querem que olhe para eles.

Que olhe para o desespero das coisas.

Que olhe como um c�o maltrapilho do lado de fora da minha janela

debaixo do c�u de chumbo na chuva torrencial

atravessa uma po�a de agua e bebe.

Querem que veja o esfor�o lament�vel

que todos fazem a tentar falar

antes de ca�rem na cova.

Porque j� n�o h� tempo e eles j� est�o a cair.

E querem que esta irreversibilidade das coisas me enlouque�a.

Mas no segundo seguinte j� n�o querem que fique louco.

Uma vez quase falei sobre isto com uma mulher.

Disse-lhe que a odiava, que nunca a amei.

E no entanto n�o a odiava da mesma maneira que nunca a amaria.

Queria saber se faria algum sentido falar.

Disse-lhe que odiava a sua do�ura, a sua lealdade,

o sert�o pura e escrupulosa.

Revoltava-me a confian�a cega com que se apegou a mim.

Olhou-me com desaprova��o

e foi-se embora para me aquecer o jantar.

Fiquei ali a gritar.

Durante tr�s dias, n�o sa�mos. Ela continuava a andar atr�s de mim.

S� come�ou a chorar no segundo dia.

Ficou alia chorar em camisa de noite.

N�o solu�ava, s� choramingava. Num pranto sem se mexer.

Depois arrastou-se para um canto e n�o se mexia.

Fiquei a olhar para a camisa de noite.

Tudo o que conseguia ver era a camisa, aquela camisa de nylon rendada.

Depois atirei-me para cima dela.

Puxei-a, arranque�- a e rasguei-a.

Mas ela continuava a n�o compreender.

Continuava a agarrar-se a mim e a repetir-me qualquer coisa.

Depois foi para a casa de banho e trancou a porta.

Fiquei a olhar para os baldes de carv�o no ar

e a cont�-los.

Depois recome�ava e contava-os outra vez.

N�o sei quanto tempo durou.

Era de madrugada quando arrombei a porta.

Era o que esperava,

mas mesmo assim chocou-me.

N�o conseguia acreditar

que aquele corpo fr�gil podia ter tanto sangue.

Tal como nunca acreditei

que existisse algu�m em que pudesse confiar como confio em ti,

algu�m que me fizesse acreditar que vale a pena falar.

Sei que sabes que te amo e que n�o acabou.

E que �s capaz de sair desta hist�ria como de outra qualquer.

N�o quero nada,

s� quero sair desta pocilga para sempre

e que nunca mais nos separemos.

Ent�o agora � para mim que queres olhar?

Farei qualquer coisa para me escolheres.

Talvez.

Mas o meu marido chega amanh� � noite.

O problema � que tenho medo de crian�as.

Porque aqueles olhos azuis inocentes,

aquelas tran�as loiras,

aquelas vozes tilintantes

escondem um poder dissimulado e impiedoso

e o seu objectivo � manter

a loucura do desespero.

Dar um novo incentivo

� realidade que bate nos nossos t�mpanos,

ridicularizar toda a resist�ncia

sem a mais �nfima hip�tese de salva��o.

No entanto proclamam uma breve hip�tese de salva��o

a pr�pria ressurrei��o -

de tal forma que n�o conseguimos escapar � sua elementar continuidade.

Talvez signifique apenas que desisti,

que sou um cobarde, um miser�vel cobarde.

Nem me atrevo a ter esperan�a que o meu destino mude para melhor.

Limito-me a inventar desculpas para a minha cobardia at� � n�usea.

E se por uma vez pensasses noutra coisa que n�o em ti?

N�o compreendes?

Estou velho.

Sou um destro�o que n�o se atreve a fazer nada.

Esse � o maior sinal de que est�s velho.

Mesmo antes dos dentes te ca�rem,

antes de ficares careca,

antes de destru�res o teu f�gado,

a tua coragem abandona-te e n�o tens tomates

para fazer o que farias antes

pela mais �nfima hip�tese de sucesso.

O teu problema � que v�s as coisas do teu ponto de vista.

Achas que faz alguma diferen�a

o que pensas sobre ti e sobre os outros.

Tens de perceber que as coisas tem uma ordem no mundo

E que n�o podes fazer nada para contrariar isso.

Os outros tamb�m envelhecem.

Achas que somos todos cobardes?

N�o.

Acho que tu �s apenas cauteloso.

Est� bem. Bebe. Vou fechar.

D�-me mais uma.

� a �ltima.

Gostava de saber

o que te faz pensar que vais sobreviver a tudo e a todos?

Porque � que as coisas n�o t�m efeito em ti?

N�o compreendo isso.

H� muitas coisas que n�o compreendes, Karrer.

N�o interessa.

Bebe! Tu tamb�m!

H� sempre uma hip�tese de fugir.

Pode haver fissuras no tecido das coisas.

Mas h� sempre uma oportunidade.

Mas tu n�o te vais safar com isso!

Se eu n�o te partir o pesco�o, outra pessoa o far�.

Vais acabar mal. Tenho a certeza.

Bebo a isso.

E a ti tamb�m!

Cada vez tenho menos paci�ncia para o teu amigo.

O que � que ele tem de mal?

N�o gosto de pessoas

que te tentam enganar desde o princ�pio.

Ainda tem muito que aprender antes de me apanhar.

N�o devia tentar �s minhas custas.

Ele enganou-te?

O pacote foi aberto.

Faltam coisas. - Porque n�o perguntas?

Vai dizer que se estragou no transporte.

H� muitos estragos?

Tenho a minha margem de seguran�a.

Mas preciso de ser algu�m de confian�a.

Sabes como sou,

as pessoas podem falar comigo,

discutir o que se passa. Tenho bom cora��o.

Devia ficar contente por t�-lo livrado de problemas.

Nunca percebi as pessoas como ele.

Estou aqui sentado a sofrer por ti, querida.

A contar o tempo at� ter setenta anos.

Nunca tivemos um filho.

Mas outros tiveram mais a perder.

Mas n�o te vou ver depois da morte, amor.

Porque n�o acreditei

e tu tiveste as tuas d�vidas.

� no crep�sculo quando penso em ti

vejo a tua testa cansada na poeira.

Que multid�o t�o bonita e colorida. Uma festa.

Dan�a'.!

Bra�os e pernas, cinturas e ombros

que se movimentam em perfeita harmonia!

A forma como falam...

os movimentos,

olhares que elevam os bailarinos acima das preocupa��es terrenas.

Os jovens s�o t�o belos!

Acredita em mim,

n�o h� nada como encontrar-se um ao outro,

quando h� m�sica que aquece o cora��o.

Duas m�os entrela�adas,

um p� sente onde o outro vai pisar.

E segue, sem se importar onde o outro pisa.

Porque acredita que v�o voar da�para a frente.

A cada movimento e volta.

Quem sabe? Talvez...

seja voar.

Vai, jovem,

antes que seja tarde demais.

Acredite, n�o h� nada pior na vida de um homem

do que quando percebe que aqueles que ama,

aqueles que considera amigos...

quando subitamente percebe

que est�o num caminho fatal

e n�o conseguem voltar a encontrar o caminho certo.

Porque os seus pecados os impedem

de se tornarem cidad�os honestos outra vez,

porque perderam a oportunidade para sempre

de viverem livremente com a consci�ncia tranquila

sob a protec��o da lei, aproveitando os seus dias.

Foi esta terr�vel tens�o interior que me trouxe aqui.

Pondo de lado o amigo afectuoso em mim

para cumprir as minhas obriga��es,

por causa do meu profundo respeito pela ordem.

Por favor n�o considere o meu relat�rio como um caso confidencial.

Mas tagarelice banal.

E autorizo-o, se for necess�rio,

a mencionar 0 meu nome.

J� que lhe contei tudo,

ciente das minhas responsabilidades,

e enfrentando todas as consequ�ncias...

POL�CIA

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