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- Odette? - Sim?
- Est� desenhando? - Estou.
Como est� bonito!
Gosta de desenhar?
- Adoro. - Est� lindo.
Obrigada.
Queria ter uma filha como voc�.
Para desenharmos juntos, contar hist�rias para ela.
Mas tenho tr�s garotos.
S� querem saber de futebol.
Queria te perguntar uma coisa, mas n�o sei se devo.
Pode perguntar, Gilbert.
Voc� brincaria de boneca comigo?
- Claro! Tenho muitas. - N�o. Espere.
Seria legal
se voc� fosse a boneca
e eu, a garotinha.
Poderia vesti-la, pentear seu cabelo...
Seria divertido, n�o?
�. Talvez.
- O que tem ali? - O banheiro.
- O banheiro? - Sim.
Ent�o vamos n�s dois l�, topa?
Mas n�o conte a ningu�m.
Estou aqui porque voc� n�o tem com quem brincar.
Concorda? Venha, querida.
- Que desenho bonito. - Obrigada.
Nunca falei sobre isso, doutora.
Devia estar me sentindo melhor?
S� revelar os segredos n�o basta para trazer al�vio.
Mesmo os casais que v�m aqui...
Pois trabalho principalmente com casais.
Tamb�m tenho uma paciente bul�mica.
E voc�, por que me procurou?
Foi um colega que me indicou?
- Ou algum paciente? - Nada disso.
Vi seu nome na porta quando estava indo para a esta��o.
E resolvi entrar.
Entendi.
Antes, era s� n�o pensar nisso.
Mas ultimamente o vejo em toda parte e sinto as m�os dele.
Fico perturbada.
Voc� sofreu um trauma grave, senhorita.
Odette. Meu nome � Odette.
Onde foi parar?
Voc� j� disse. Eu n�o esqueci.
- Mas, senhorita, normalmente... - Odette.
O distanciamento do paciente � necess�rio.
Usar o nome � muito...
Est� bem.
- O nome � t�o importante assim? - �.
Odette � o cisne branco em "O Lago dos Cisnes".
O cisne no "O Lago dos Cisnes"?
- O bal�. - O bal�?
- A dan�a. - Entendi.
- Tchaikovsky. - Eu sei.
Odette-Odile, yin-yang.
- Negro e branco. - Eu sei.
Odette. O cisne agonizante.
Normalmente,
trato casos menos violentos.
Curei uma anor�xica uma vez, mas...
Vou lhe indicar um colega bem mais especializado.
Est� falando s�rio?
Venho at� aqui, conto algo que nunca contei a ningu�m
e voc� me manda para um colega?
- N�o estou rejeitando voc�. - N�o, mas...
Precisa da pessoa certa para ajud�-la
a se sentir melhor mais r�pido.
N�o falarei com mais ningu�m.
Est� bem.
N�o sou de falar muito.
Eu dan�o.
Calma! Devagar, garotas!
N�o corram.
Sra. Le Nadant, pensou sobre o teste para o Conservat�rio?
As inscri��es v�o encerrar.
J� falamos sobre isso. N�o � uma decis�o f�cil.
Ser primeira bailarina � o sonho da Odette.
O nome dela � Odette, como o cisne branco.
� um sinal!
M�es, chega de tagarelar.
Tem um pai tamb�m.
- Voc� � pai de quem? - Da Sonia.
Normalmente s� h� m�es.
De agora em diante, virei em semanas alternadas.
Quero a mam�e!
- Entendi. Bem... - Quero a mam�e!
Espere, filhinha!
N�o demore hoje. N�o esque�a, Gilbert vir� busc�-la.
Gilbert?
Seja boazinha. Ele enche voc� de presentes.
Agora, v� para a barra.
Estou com a ficha. Se concordar, � s� preencher
e decidir entre internato ou casa de fam�lia.
N�o podemos esperar at� o teste? N�o sabemos ainda...
Seriam malucos se n�o a aceitassem. Ela tem talento!
Estou falando com a m�e da Odette! Pratiquem a Dan�a das Flores.
Com calma! Calma!
L�, perto do Sr. Vincent.
Odette, venha aqui.
� sobre o teste. O que foi, Benjamin?
Meu pai falou que se dan�o a Dan�a das Flores sou menina.
De jeito nenhum, Benjamin!
Benjamin,
a flor
� uma flor.
Mas na flor
- h� o pistilo. - Pistilo?
De onde as abelhas tiram o p�len para criar outras flores.
- Vou ser o pistilo? - Voc� pode ser um pistilo.
Meninas, sou o pistilo!
Por que eu disse isso?
Por que falei de pistilo?
Sra. Le Nadant, pense bem. Mas r�pido.
O que ele est� fazendo?
Sr. Vincent, pare! Pare!
As aulas de jazz s�o �s sextas!
Querida, n�o esque�a de que Gilbert vir� busc�-la.
Agora v�.
N�o quero.
- N�o quero... - N�o quer, o qu�?
O comit� vai decidir. V� para a barra.
A professora est� certa. Voc� � muito boa.
Voc�...
Voc� dan�a como um anjo.
Tenho certeza de que ser� primeira bailarina.
Mas precisa trabalhar muito.
S� o esfor�o compensa.
Agora tire a calcinha. Vai.
Isso. Boa menina.
Gosta disso?
Claro que gosta.
Eu tamb�m.
Pode tocar tamb�m, se quiser.
Sabe disso.
Estou feliz, Odette.
Estou feliz.
Minha nossa!
- Obrigado por traz�-la. - Imagina.
- Belo carro! - Queria um desses h� muito tempo.
A Sophie ficou furiosa, mas trabalhei por isso.
Claro! Venha beber alguma coisa.
Vou parecer um mendigo no Citro�n.
Gosto do seu carro!
Como est�o as coisas com Nico?
Ele � �timo. Obrigado por me indicar.
Queremos o melhor para seu bar.
- Pare! N�o � bar, � cervejaria! - S� estou brincando...
- D� uma cerveja, vai. - Mas enche o saco...
Ent�o, me conte...
Sua m�e falou do Conservat�rio.
Que maravilha!
Acha que ficar remoendo ir� ajudar?
Em duas sess�es j� falou tudo isso. Acho que se sentir� bem.
Acho que n�o.
S� falar n�o est� adiantando.
- A dist�ncia � melhor... - O qu�?
Nada.
Falar � o princ�pio da aceita��o, do al�vio da dor.
- Vou cutucar o seu olho. - O qu�?
E ent�o voc� diz: "Odette cutucou meu olho e a dor passou."
N�o vai passar.
Vai me xingar e depois resmungar por um tempo.
E voc� passou no teste para o Conservat�rio?
Passei.
A Sra. Maloc enlouqueceu. Consegui um solo de final de ano.
Mexam-se! Dancem!
Marie, para o seu lugar!
- Minha nossa! - Estou no lugar.
No lugar errado!
- Estou certa! - Mexa-se.
Chega de brincadeira, Marie.
Fique no seu lugar. Na sua marca!
Marquei seus lugares com fita colorida.
Pare.
Onde est� sua fita?
Levante o p�.
A� est�!
Com a fita nos p�s,
pode estar em qualquer lugar.
Ent�o eu estava certa.
Marie, voc� me cansa. Eu suplico, cale a boca.
Vamos retomar.
- Sra. Le Nadant! - Oi, Sra. Maloc.
Devem ficar muito felizes, ela passou o teste.
Entrar no Conservat�rio Nacional de Dan�a n�o � para qualquer um.
Vai ser estranho para mim e o pai dela.
Marie, sua marca n�o � uma pris�o, ent�o v� para l�!
Prontas, p�talas? O vento est� chegando.
Est�o se amontoando no palco. Estou no meio de uma cria��o!
Parece que estou dirigindo o bal� de Paris.
O vento chega e faz as p�talas tremerem.
Abelhas, em posi��o!
As flores se abrem e agora Benjamin...
Solo!
Sou o pistilo!
Sou o pistilo!
Sou o pistilo!
- Benjamin! - N�o sou Benjamin, sou o pistilo!
Olhe para mim.
Calma.
Quer dar uma respirada?
- N�o. Estou bem. - Ent�o se acalme.
Est� assustando a todos.
Em posi��o! Vamos continuar.
Voc� est� bem, Benjamin?
Ele me preocupa.
A m�e quer que ele tente o Conservat�rio ano que vem.
Na Odette tenho confian�a, mas nele...
Se controlar essa obsess�o, ir� longe, pois tem potencial.
Olhe!
Vai ver o solo da Odette na Alegoria da Primavera.
Est� maravilhoso.
Veja como ela � maravilhosa!
Est� voando!
- Temos seguro para isso? - Isso n�o � problema.
� normal, ela est� fazendo terapia,
ent�o est� revivendo a inf�ncia e as boas lembran�as.
Isso me d� medo. Quero que ela des�a.
N�o se preocupe. Voe, querida.
Voe e n�o esque�a das suas boas lembran�as!
N�o esque�a. Lembre de tudo.
Lembre de tudo.
Foi fant�stica. Minha pequena Odette.
Tenho um presente para voc�,
porque vou sentir muita saudade.
� um p�ster de Rudolf Nureyev.
Estava na parede da sala h� 20 anos.
Vai trazer boa sorte.
Obrigada.
Nada de comer na coxia!
M�e!
O que quer? Estou arrumando os livros. N�o me atrapalhe.
Estou cansada dessa m�sica.
Vai para Paris na semana que vem.
Ainda n�o sabe o que vai levar? N�o pensou?
Tudo bem, mam�e. Temos tempo.
N�o, n�o temos.
� como se fosse amanh�.
Voc� n�o percebe. S� quer sair por a� e dan�ar.
Dan�ar, dan�ar!
S� existe isso!
Vai ficar tudo t�o vazio sem voc�.
Gravei umas fitas para voc� escutar l�.
� mesmo, m�e?
- Sim. - Voc� � muito legal.
Minha pequena Odette.
N�o pode ir embora com essas fitas e esse aparelho velho.
- Comprou um novo? - Comprei.
Mas tudo isso custa dinheiro.
Viagem, hospedagem na casa da fam�lia...
Ent�o espero que suas notas melhorem este ano.
- Promete? - Prometo.
Muito bem. Arrume seu quarto.
O que � isso?
Toalha no abajur? Vai incendiar a casa!
Foi presente do Gilbert.
- Para que usou isso? - N�o sei
- N�o sabe? - N�o sei.
Pare de dizer que n�o sabe!
Mado.
Por que est� gritando?
Veja o que ela fez com um presente do Gilbert.
Para que usou isso? Que nojo!
Toda grudenta.
O que aconteceu com a toalha?
Responda!
Desculpe, m�e.
Ela pediu desculpas, Mado.
Agora arrume esse quarto, por favor.
Est� bem?
Vai us�-la pelo resto da semana.
N�o sou sua empregada.
Al�?
Por que fez isso?
Vou lavar.
Agora arrume o quarto. Amo voc�.
Por isso ajudo Fabrice no bar.
Cervejaria, por favor! N�o � um bar.
Claro, somos um pouco ego�stas.
Ela fica t�o bem com voc�!
- Quem �? - Gilbert.
Ele quer levar a Odette para as montanhas.
Ei, pregui�oso!
F�rias n�o v�o ajudar a pagar seu carro.
Voc� sabe como ele �.
Diga para ela arrumar o quarto.
Sua m�e pediu para que arrumasse o quarto, por favor.
Obrigada por me fazer parecer a chata de novo.
Sim.
Vou perguntar ao Fabrice. S� um minuto.
- Deve ou n�o lev�-la? - N�o sei. Pergunte � Odette.
N�o, somos os pais dela. N�s decidimos.
Voc�s sempre decidem, e eu, nunca. Como quiserem.
- N�o sei. - Voc� � muito mole!
Obrigada, Gilbert. Acho melhor ela n�o ir.
Sim, ela vai partir em breve.
Muito obrigada. Obrigada de qualquer forma.
Abra�os � Sophie e aos garotos.
- Quer ficar com isso? - Quero.
- Tem certeza? - Tenho.
Certeza mesmo?
N�o falei para arrumar seu quarto?
Ela j� ia fazer isso.
Por que faz isso o tempo todo?
N�o entendo.
Juro. N�o entendo voc�.
Eu sabia.
Onde est� a toalha suja?
Papai p�s na m�quina.
Venha aqui.
N�o queria ir passear com o Gilbert?
N�o.
Ent�o voc� vai.
Odette...
Odette, est� dormindo?
N�o. Estava fingindo, n�o �?
Tudo bem?
Relaxe.
Venha.
Odette.
Pronto.
Ai!
Sil�ncio.
N�o fa�a barulho.
- Isso d�i. - N�o.
� gostoso sentir c�cegas.
Vou fazer mais devagar.
Vamos, relaxe, Odette.
Isso.
N�o chore, Odette.
S� beb�s choram.
Estamos progredindo. Est� mais real.
Minha vontade de morrer est� mais real?
� cedo demais para ser t�o real.
Por que est� sussurrando, doutora?
Em uma mem�ria, ningu�m pode nos ouvir.
Claro. Preciso me acostumar com isso.
A sensa��o � meio estranha.
- Voc� est� bem? - Claro!
- Tem certeza? - Sim, ent�o...
Se acompanhei a cronologia, nesse momento
estamos em Paris: dan�a e realiza��o.
Realiza��o? N�o sei se � bem esse o termo.
Por que ele continuava? Dava para ver que eu n�o gostava.
� estupro, Odette.
Vamos sair daqui.
- Isso, aqui. - Desculpe.
� meio...
Pronto.
� meio escuro aqui...
Tem algum meio de pintar de outra cor?
Imposs�vel.
Desculpe, minha filha estuda fora.
Quando ela voltar nas f�rias,
n�o vai gostar de ver o quarto diferente.
Entendo, mas ser� o quarto de Odette
durante o ano escolar todo.
Ser�.
Ela pode pendurar o p�ster. N�o tem problema.
Vou pendurar meu p�ster do Nureyev.
A� est�.
Quer que eu coloque?
- Tem tachinhas? - Com isso n�o!
Se todos os inquilinos furarem a parede...
Vou pegar uns adesivos. J� volto.
Sinto muito.
N�o conseguimos pagar nada melhor.
- Vai ficar bem? - Vou, sim.
Podemos comprar algumas coisas
- para decorar. - Vou ficar bem. Pode ir tranquilo.
N�o se preocupe, Sr. Le Nadant. Vai dar tudo certo.
Aqui.
Obrigado.
A casa fica entre o Conservat�rio e a escola.
A minutos deles.
Lembre-se de fechar as persianas toda manh� antes de sair.
Como assim fechar durante o dia?
Estamos no XIX�. N�o � o melhor bairro de Paris,
mas tamb�m n�o � o pior.
N�o se preocupe.
Sua filha est� em boas m�os.
Mas tenha cuidado.
Nos vemos daqui um m�s?
Sim, papai.
Te amo, meu amor.
Eu tamb�m, papai.
Tchau, meu amor.
Chegou um pacote para voc�.
H� dois dias. Est� ali.
Conte a�.
N�o esquecem de voc�.
Vou deix�-la � vontade. Se acomode e...
Nada de barulho.
Nureyev, � o seguinte.
Vou precisar da sua ajuda.
N�o acredito!
� lindo!
Onde estamos?
No Op�ra de Paris.
Achou que Nureyev iria reconfortar voc� num quarto preto.
Vai, sente-se. Vou dan�ar para voc�!
Vou assistir dali de cima. Certo, Nureyev!
Cinco, seis, sete e oito...
Impressionante!
Senhorita?
� preciso ser maluca para imaginar algo assim!
Quem � voc�? Onde est� a menina?
Relaxe Nureyev, voltarei a ser crian�a.
Estamos na fantasia de uma lembran�a, sabe?
Estou fazendo o que quero.
A escola de bal� do Op�ra nunca me aceitou.
- N�o me importo! - Aqueles desgra�ados!
Ent�o esta � minha primeira e �ltima vez nesse palco.
Hora da vingan�a.
V� se foder, Op�ra!
V� se foder!
Odette! Ainda est� aqui?
V� se foder!
Volte para o quarto da Sra. Kicheff.
Acho que nos perdemos.
Entendo sua dor, a necessidade de um amigo imagin�rio.
Quem � essa senhora gorda no camarote?
Ele est� falando de mim? Consegue me ver?
Claro, porque n�o � uma lembran�a real.
J� lhe disse antes, �...
� uma brincadeira.
N�o use Nureyev para me insultar.
Gorda, tudo bem. Eu n�o dan�o.
Fico sentada o dia todo, por isso sou gorducha.
Quando � gorda, � gorda!
Bobagem! Voc� est� muito bem. Ela est� bem!
- Pare! - Estou dan�ando.
- Enfim... - Pirueta dupla...
Volte � vida real, por favor.
Agora ningu�m olhe, vou voltar para dentro do p�ster!
�timo, obrigada.
E agora...?
Querida Odette,
que orgulho voc� desejar ser primeira bailarina.
Ficar� feliz, pois j� combinei com seus pais.
Virei visit�-la no pr�ximo fim de semana em Paris.
Abra�o apertado, do seu Gilbert.
Vamos, abra.
Abra!
Oi, meu nome � Manu. Moro na casa ao lado. Ali.
E voc�, qual � seu nome?
Odette.
E Emanuel virou seu amigo de bairro?
N�o s� de bairro, virou meu melhor amigo.
Sempre pude contar com ele.
Mas foi seu fornecedor de drogas, n�o?
Quando eu precisei.
Mas fui eu que procurei, fiz isso sozinha.
- E da�? - � do seu irm�o mais novo?
Como quer que eu fa�a entregas?
Corta essa! Voc� troca de emprego toda semana.
Carrego voc� a semana toda. N�o reclame da minha bicicleta.
- � sua carona. - Na pr�xima, quero patins.
Patins? Fa�o tr�s mortais na sua frente.
Vou pagar uma bebida para voc�.
- Isso � legal. - Sou um cavalheiro.
Tem dinheiro? Porque eu...
- Eu? Dinheiro? - �, tem dinheiro?
At� parece...
Como sempre, nenhum centavo.
Vamos pedir e sair correndo.
N�o vou correr. Estou com dor nas pernas.
- Voc� � mais r�pida que eu. - N�o consigo.
Um dia vou ter dinheiro para sair com voc�.
Dinheiro de drogas? Ainda?
Isso! Fale mais alto!
N�o vou falar, mas me incomoda.
N�o � para a vida toda. N�o sou palha�o.
At� mais. J� ouvi demais.
- � s�rio? - Sim, � s�rio.
Odette! S�rio mesmo? Odette!
N�o seja chata!
Merda!
Espere. Odette!
Quando for um rapper famoso, levarei voc� para os EUA.
Oi, Nour, Abdel. Ainda por aqui?
At� que enfim!
�. Sem pressa.
Cai fora, babaca!
Passe para n�s.
Ele acha que a rua � dele.
Estamos curtindo.
Isso � erva!
Onde conseguiram?
Amsterd�, no fim de semana passado.
Conseguimos coisas bem pesadas.
O qu�?
Veja.
Isto.
N�o deixe pegarem voc� com isso.
� hero�na.
� coisa da pesada!
Injetar, fumar ou cheirar isso vai deixar voc� doida.
N�o � para mim.
Est� bem...
Mas do jeito que voc� � surtada,
quando nem a erva d� jeito,
deixe eu falar, a hero�na vai te deixar alegre.
Vai dan�ar que nem louca com aquelas cal�as chiques.
- Experimente. - Ela tem uma vida.
- N�o � fracassada como n�s. - Deixa ela.
Se voc� experimentar, tamb�m experimento.
Ent�o vai l�.
N�o h� nada a perder. Droga de vento.
Somos pirados ou n�o?
A� est�. � isso!
� isso.
Viram sair a emo��o?
- Foi muito forte. - Obrigada.
- � raro eu dizer. � muito forte. - Prazer em saber.
Voc� entregou emo��o...
Emo��o de verdade. N�o t�cnica, mas emo��o real.
- N�o teve t�cnica? - Nenhuma.
Mas o que busco aqui, � emo��o. E foi o que vi.
Estava l�.
E isso � o que eu quero neste ateli�.
N�o t�cnica, porque...
Foi meio sem estrutura, meio...
Havia um pouco, mas, em quatro anos, haver� mais.
Em cinco, podemos sonhar, teremos emo��o e t�cnica.
Eu pedi uma dan�a sobre um estado de ser.
O estado de ser que Odette nos apresentou...
Pare com isso. � irritante.
O estado de ser que voc� mostrou foi o de uma garotinha.
- � verdade. - � isso?
Um estado de ser de sofrimento.
Isso. Uma garotinha sofrendo.
E o sofrimento da garotinha
� o Holocausto.
- Como? - � de uma hist�ria familiar ou...
- Nada disso. �... - Desculpe.
N�o queremos saber.
Desculpe, n�o estou aqui para fazer perguntas.
Ela representou uma emo��o. Ela estava ali, presente.
- Eu disse que preferia... - N�o, est� tudo bem.
Pode discutir depois com seus colegas.
Sabe seu nome?
Odette Le Nadant.
� amn�sia p�s-traum�tica.
Sobreviventes dos campos de concentra��o
se isolam dessa forma.
Mas isso pode se reproduzir por gera��es.
- Sabia que � judia? - N�o, sou bret�.
� isso.
Os judeus bret�es eram poucos, poucos sobreviveram.
Devemos compreender o sofrimento.
Obrigado, Odette, de verdade,
obrigado por compartilhar esse momento.
O tempo est� acabando. Se algu�m quiser fazer algo r�pido.
Benjamin.
Manh�.
Desabrochar.
P�talas.
Benjamin, pare. J� chega.
- Benjamin. - Pistilo!
Benjamin, chega! Certo, acabou o tempo.
Est�o dispensados. At� semana que vem.
Odette, n�o. Fique.
Preciso falar com voc�. Venha c�.
Sua dan�a � intensa. Muito poderosa.
Mas...
precisa sair do nevoeiro.
J� falou com algu�m?
N�o tenho nada a dizer.
N�o quer falar com algu�m?
N�o sei do que est� falando, nada tenho a falar. Posso ir?
Obrigada. Achei que nunca fosse acabar.
Eu ouvi isso.
As sess�es deixam voc� menos triste, parece.
N�o importa o que eu sinto.
Apenas contei como mergulhei nas drogas.
N�o pareceu grande coisa.
Mas estamos progredindo.
Estamos, sim.
J� s�o 18h05.
- A pr�xima � paciente normal? - N�o h� dores pequenas, Odette.
Brincadeira.
N�o parece, mas gostei da minha piada.
Talvez conhe�a essa:
Dois lacanianos se encontram.
O primeiro diz "oi", mas logo teme ter falado demais.
O outro tamb�m se incomoda,
porque n�o sabe como receber aquele "oi".
Vamos marcar um dia da semana que vem.
Acho que n�o.
N�o � pela piada. � que...
Eu j� estou melhor.
Bem melhor. E acabei de passar em um teste.
Consegui trabalho e vou viajar ao exterior durante um ano.
Vai me permitir ficar longe do meu passado.
Mas e quando voc� voltar?
Meu passado ter� me esquecido.
Est� bem.
Muito obrigada. Voc� foi a primeira pessoa a me ouvir.
Boa viagem, Odette. Estou aqui se precisar.
- Fui para o Conservat�rio. - Foi?
N�o me acostumo com essa moita na sua cabe�a.
Parem, garotas.
- � a fabulosa erup��o da natureza. - A velha hist�ria.
Todo esse treino intensivo para "A �rvore M�gica".
N�o acredito! Voc� � a �rvore do t�tulo!
Pare com isso ou volte a ficar com os rapazes.
Est�o fazendo guerra de �gua. Infantil demais.
Que horr�vel. N�o consigo acertar.
- Exigente, voc�. - Obrigada.
Cristy, pode me ajudar?
- Entendi o que quis dizer. - Claro.
�, ela � muito exigente.
- Consegue recuperar? - Bem melhor!
Estou na estrada h� 18 anos.
� mesmo? Quanto anos voc� tem?
N�o ia querer saber. � confidencial!
Parece t�o jovem.
Em termos absolutos, ela � jovem. Mas na dan�a, 40 � fim de carreira.
- Isso � cruel... - Pare!
Meus joelhos est�o destru�dos. Talvez eu deva parar. Agora voc�.
Direi que envelheci
quando minha filha de 15 anos vier a menstruar.
Isso � normal aos 15 anos.
A minha foi nessa idade. Meio tarde.
Mas ela sempre ser� meu beb�. Meu nen�m!
Chega desse papo nojento. Vou fazer guerrinha de �gua.
- Fa�a isso. - Aproveite.
O que est� fazendo?
De onde vem esse sangue?
Filhinha, ficou menstruada?
Minha querida!
Meu amorzinho, est� menstruada.
Incr�vel!
Mas voc� � t�o nova.
Mal completou 10 anos.
N�o criou pelos, nem peitos. N�o posso acreditar.
Minha menstrua��o veio bem tarde, aos 17 ou 18 anos.
Que estranho a sua vir t�o cedo. Deve ser a �gua engarrafada.
�gua mineral. Vi um programa sobre isso.
Desenvolve progesterona e adianta a puberdade.
Sabe o que isso significa?
N�o? N�o sabe?
N�o vou conseguir tirar isso.
Ao lavar calcinhas manchadas de sangue,
sempre use �gua fria.
A �gua quente espalha a mancha.
Agora n�o posso fazer nada.
Tudo bem, mas devia ter me contado.
� normal crescer e se tornar mulher.
Minha beb� virando mulher.
� estranho.
� muito estranho.
Vou jogar isso fora.
- M�e, preciso contar a voc�... - Vamos a um ginecologista.
- N�o! - N�o quer ir?
� o que se faz ao menstruar pela 1� vez.
Mas, se n�o quer ir, esperamos.
Vamos comprar absorventes para n�o manchar as calcinhas.
N�o fale nada para o papai.
V� lavar as m�os. Anda.
Voc�s s�o coelhos, �?
N�o � o Sylvain.
Lola, n�o conte ao Sylvain.
Usamos uns cogumelos, est�vamos nos divertindo.
Hil�rio!
N�o est� feliz por Sylvain estar livre?
Sua louca!
- Tudo bem? - Tudo, e voc�?
Quem � aquele? N�o � do grupo.
Vigia do hotel.
- Malandra. - Sou sua esta noite se me quiser.
- Pare. N�o vai mudar sua vida. - Est� tudo bem...
Adivinha quem �.
N�o sabia que estava em "Os Dez Mandamentos".
N�o estou. Estamos fazendo "Aladdin".
Vamos fazer uma baita festa.
Deu certo. Coca-Cola! Velha chata.
N�o sou velha, sou madura. Vai assim?
Argentina. Praia. Caipirinhas...
� inverno no hemisf�rio sul.
Parem de empurrar! Passem!
Vadia grudenta.
- O que deu em voc�? - Que decep��o.
Isso, v� embora!
Como todo mundo faz. Vai!
Cale a boca. Vou te dar um tapa.
Cai fora. V�o todos se foder!
Cale a boca! Vamos embora.
O que isso? Est� vestida para "Romeu e Julieta".
� o "Dez Mandamentos".
Ajude aqui.
Dois shows, uma produ��o. Claro que eu ia fazer besteira.
Ela est� com o figurino errado.
E da�? Com certeza alguns Capuleto cruzaram o Mar Vermelho.
- Durmo na van. - Nada de dormir!
N�o vamos dormir nunca mais.
Dan�ar at� cair!
Voc� est� bem?
Todos para fora!
Esperem por mim.
- Onde estamos? - Estamos em Roubaix, "Dr�cula".
�timo.
BEM-VINDO RABBI JACOB
- Lola, vamos nos divertir hoje! - N�o. Eu tenho amigos.
Faz tempo demais que n�o voltamos a Paris.
- N�o tem amigos? - N�o conhe�o mais ningu�m.
Estou na estrada h� quatro anos.
Tem certeza que � pela turn�, n�o pela droga?
J� acabou, m�e?
Odette,
faz bem falar sobre o que houve.
Sim. Precisa assumir, confessar, at�.
N�o tenho nada a confessar?
- N�o fiz nada. - Perd�o,
perd�o, voc� tem raz�o, n�o � o termo correto..
� s� revelar. Contar.
Contar a quem?
- Aos meus pais? - Sim, por exemplo.
Agora voc� enlouqueceu.
Ponha-se no meu lugar.
Acha que eu destruiria a vida deles?
Gilbert Migui� � o melhor amigo deles.
Ainda hoje?
Migui� ainda est� em suas vidas?
Trabalham na mesma rua.
Ele � padeiro e meus pais t�m um bar.
Uma cervejaria, na verdade.
Em cidades pequenas, essas coisas s�o abafadas.
Ent�o ainda � obrigada a v�-lo?
Desde que cresci, ele perdeu o interesse.
Eu sabia!
Sempre soube.
Se fosse hoje, eu acabaria com o filho da puta.
Se algu�m tocasse um filho meu, eu matava.
- Quer que eu o mate? Quer? - N�o, n�o quero.
Eu mato. Agora eu posso.
Eu era muito pequeno, mas agora eu mato!
Cara!
Estou bem agora.
Estou bem. Est� tudo bem.
Certo?
- Estou legal. - J� entendi.
Por isso fica se maltratando? Acha que sou bobo? D� um tempo.
Puta merda.
- N�o � algo que d� para esquecer. - Eu sei. Estou bem, cara.
Eu sei.
Est� muito atrasada!
Lindas as suas colegas!
Voc� � gato demais para elas.
Curto como voc� dan�a. Juro.
- Juro que vamos para os EUA. - E como!
Vamos dan�ar em Los Angeles!
- Dan�ar o qu�? - A dan�a da raiva.
Querida, conte comigo.
Oi! Que bom que vieram. Venham comigo.
Sou Luce, trabalho com Jacky. Ele � gerente de armazenamento.
J� explicaram? � para a despedida dele.
Ele � f� de r�gbi.
Achamos que uma dan�a com tr�s lindas garotas
em uniformes de r�gbi dariam um toque extra.
Tem outro presente?
Sim! Dois ingressos para um jog�o.
Falei com...
- Lola. - � voc�.
Voc� fez a �rvore de Natal ano passado?
- Isso. - Isso.
Eu adorei!
� bom manter contatos.
Se quiserem tomar um banho depois.
� surpresa, ent�o falem baixo. O Jacky est� tomando caf�.
Estamos arrumando o corredor.
At� mais. Vou soltar a m�sica.
Passem por ali, est� bem?
A ideia � dan�ar, se divertir.
Se esfregarem nele, deix�-lo sem gra�a.
N�o se preocupe, sabemos o que fazer.
- At� mais. - At�! Estou ansiosa!
Caramba, quanto se pode descer?
Est� no Centro de Conven��es a semana toda. Por favor!
- A vida � um sonho. - Vamos acabar com isso.
- Pode ser um protesto. - Algu�m tem toalha?
Que desastre!
- Aqui. - Obrigada.
Vou aceitar no caso de nos esfor�armos muito.
Que loucura. Eu tinha toalhas assim quando era crian�a.
Esqueci o desodorante.
Migui� se limpava nelas ap�s me estuprar.
Desculpem, n�o queria ter dito isso assim.
N�o � o bom momento.
Est� pronta?
Se estiver, nos vemos
no corredor central.
Sim, isso.
Agora muita coisa faz sentido.
Lamento.
Eu...
N�o podia...
Estou bem.
S�rio, n�o estou passando fome no meio da rua.
Estou bem, Lola.
�...
Quer...
N�o, pode ir. J� vou, s� um instante.
Pode ir.
- Est� saindo. � um avan�o. - �?
Disse isso nas lembran�as, mas n�o na vida real.
- Sim. - Entendo.
Agora isso precisa sair na vida real.
Mas estamos progredindo. Progredindo.
A aceita��o agressiva j� � um avan�o.
Merda! Desculpe.
Droga!
- O que foi? - Dei um tombo idiota.
N�o parem, continuem. � a festa do Jacky.
- O que houve? - Eu ca�. Pulei...
- N�o temos seguro. - N�o vou process�-los.
Digo isso porque estamos pagando por baixo dos panos.
- Vou pagar assim mesmo. - N�o � esse o problema.
Foi um tombo idiota. Estou bem.
Senhorita? Sou osteopata. Posso ver seu tornozelo?
Um osteopata na despedida do Jacky?
Sou filho do Jacky. Por isso estou aqui. Ou ent�o...
Sou eu que vou lev�-lo ao est�dio. Sorte minha.
Desculpe. Posso olhar? Tire o sapato.
Pode pegar gelo, por favor?
Tente na se��o de peixes.
Vou procurar gelo.
Vou pegar nossa grana.
N�o parece t�o mau.
Cuidado, porque...
Tente n�o mexer.
O t�lus est� pressionando o calc�neo.
Pode dizer "calcanhar".
- Conhece anatomia? - Um pouco.
Seu polegar est� me machucando.
Um toque aqui vai melhorar. A�!
Droga, idiota!
N�o foi a primeira vez no tornozelo.
Sou dan�arina. Vai passar.
Les�es no tornozelo indicam problemas para seguir em frente.
- � guru por acaso? - Pratico medicina chinesa.
O foco � no estado mental.
E aqui, se eu fizer
- isso? - D�i um pouco.
- Champanhe? - N�o. Obrigada.
- Tem certeza? - Tenho.
- Alguma dor no ombro? - Sempre. No direito.
Trato de crian�as com problemas psicol�gicos
e elas apresentam as mesmas dores.
- Est� bem melhor. - O qu�?
Gelo e arnica v�o ajudar. Muito obrigada.
Incomodei voc�.
N�o, n�o. Quer dizer, voc� � muito formal.
N�o sou uma velha, ent�o relaxe.
Hora de nos apresentarmos j� que sei que tem problemas.
- Lenny. Desculpe. - � Odette.
Odette como em "O Lago dos Cisnes"?
Voc� conhece?
- Todo mundo conhece. - Sim, mas...
- Bom trabalho. Est� melhor. - Bem devagar.
- Vou enfaixar hoje e tudo certo! - Enfaixar?
Preciso dan�ar.
Quanto eu devo?
- Nada. Imagina. - N�o sei, eu...
Quer ver o show hoje? Por minha conta.
Claro.
Centro de Conven��es. � um musical. Nada demais.
- �s 21h. - Porte Maillot.
Arranjo um convite. Depois bebemos algo.
Melhor assim. D�i menos.
Oi!
- Tudo bem? - Tudo �timo.
E voc�?
- E seu tornozelo? - Bem melhor.
- Gostou? - Sim, muito bom.
Dan�o com esse pessoal todas as noites.
Desculpe. Obrigada.
Sou Lenny. Muito prazer.
- Prazer. - Eu sou o Lenny.
Ol�! Prazer, eu sou Lenny.
- Oi! - Tudo bem?
- Prazer. - Ele n�o gostou.
- D� para ver. - N�o � verdade. Pelo contr�rio.
Estavam �timos.
Estou acostumado a coisas para intimistas.
Tudo bem.
- At� amanh�? - Claro.
- Eu ligo. At� mais tarde. - Tchau.
� um grande amigo.
Para a sua casa?
Vou levar voc� ao restaurante.
N�o quer transar comigo?
Voc� beija de l�ngua?
Claro, se quiser. Quer dizer, se quiser transar.
N�o sei. Pensei que pod�amos...
Somos livres para fazer o que quisermos,
mas pensei em nos conhecermos melhor.
- Voc� � virgem? - Claro, totalmente.
Posso te ensinar.
N�o, de jeito nenhum.
Tenho amor pr�prio. Autoestima, sabe?
Com�dia rom�ntica estilo "Uma Linda Mulher".
N�o.
N�o � para mim. D� para ver.
N�o sou muito bonita, sou chata, meio vulgar...
- � verdade. - Obrigada.
- Se quer elogios, posso fazer. - Manda ver.
Odette, n�o sei se estou atra�do por voc�.
N�o quero ofend�-la.
Mas voc� exala um tipo de energia que me agrada.
- Voc� � um cara legal. - Bem legal.
N�o h� dois como eu, devia aproveitar.
Vamos comer?
Sim, estou com fome.
Certo, putas. Acalmem-se. Parem de gritar.
Ou�am o Jordan. Eu sei,
sou "de menta".
Est�o aqui para o clipe do ano.
Est� bem? Um rapper chega em uma f�brica num Porsche,
mas as oper�rias s�o garotas de shorts e fio dental, soldando.
Quero todas soldando, soldando, entenderam, garotas?
- Como se chama? - Odette.
Sem chance!
Sua m�e aprontou com voc�!
Odette, escute aqui. Quero que mostre sua vis�o da foda.
Quero xoxota, peito e bunda. Quero sexo.
Quero sentir cheiro de sexo. Pode fazer isso?
- Fa�o. - Venha. Mostre.
Pare.
Ruim! Ruim! N�o entendeu?
Quem vai se excitar com isso?
Est� tirando com a minha cara?
Dance com a xoxota.
N�o quero. � dan�a de puta.
Deixe-me explicar. Eu decido. Se pe�o que dance como puta, dance.
- Agora! - N�o, puta n�o. Vou embora.
- Cai fora. - Vou embora.
Tamb�m vou. Voc� n�o tem respeito.
- � um in�til. - Certo.
Saiam!
Garotas se recusando a bancar puta me irritam.
Voc� ficaria alucinado se estivesse l�.
Um elenco podre.
O cara nos tratou feito lixo.
Um mis�gino completo. Um inferno.
Como se sexo fizesse o mundo girar.
Parece quando nos conhecemos.
- Sexo, sexo! - Sexo.
- Chegou tarde. - �... N�o.
Tomamos um drinque depois do show e foi longe.
Um drinque?
Voc� dormiu de roupa.
Se me chamassem, teria ido com voc�s.
Voc� � s�rio demais. N�o gosta de festa.
Ah, �?
S� estou apaixonado por uma alco�latra drogada.
Isso foi uma piada?
Claro que sim. Claro que foi piada.
- N�o leve a mal. - Tudo bem.
Mas por que faz isso consigo mesma?
Por nada.
Vai ter um teste para uma companhia brit�nica
que gosto. BB5.
Querem uma garota.
- N�o se fala nisso? - N�o h� nada a falar.
Voc� foge, como sempre.
Ent�o, v�. Quer caf�?
Sim, por favor. Forte.
� uma turn� mundial de oito meses. Daqui um ano.
- N�o sei. - Um ano, �timo.
- Est� longe. - Estamos felizes.
Tamb�m n�o quero fazer planos.
Estou bem com voc�.
O que disse?
Que estou bem com voc�.
O que disse?
- Gosto de estar com voc�. - Cuidado. Isso significa "te amo".
Claro que te amo.
O que fa�o com o teste? Vou ou n�o?
Bem, acho...
Voc� deve ir. � isso.
Se passar, veremos.
- Se nos amamos... - Claro que nos amamos.
Mas preciso de voc�.
Preciso mandar um v�deo para o elenco.
� um dueto sobre paix�o.
Quero fazer com voc�.
� absolutamente imposs�vel.
N�o, n�o �.
- N�o � a dan�a. - Eu n�o sei dan�ar.
N�o � isso. � quest�o de emo��o.
- Confie em mim. - N�o vou dan�ar.
� o sentimento. N�o tem t�cnica. Por favor.
- Vou atrapalhar voc�. - De jeito nenhum. Vai ser �timo.
E se repensarmos o b�sico: Seguran�a
significa filhos, sa�de, um lar, um carro, bens.
Resumindo, a vida. Cinco elementos com um objetivo: Serenidade.
Serenidade � um pacote que abrange a fam�lia toda.
Serenidade, para que a vida n�o pare onde come�a.
Claro que te falei. Vi no programa da Brigitte.
Que vergonha.
Ela pode fazer melhor, mas n�o � vergonha nenhuma.
Sinceramente, Fabrice,
quando pensamos nos sacrif�cios que fizemos por ela.
Tudo aquilo para fazer comerciais vagabundos.
Francamente, admita.
Est� bem, mas sem cr�ticas hoje.
Est� bem?
N�o a vemos h� meses. E ela vai trazer o namorado.
O Lenny � um cara legal. Acho ele bem legal.
N�o sei. N�o o conhecemos.
S� o vimos quando voc� teve problemas na bacia.
E ele ainda cobrou.
N�o, eu insisti em pagar. Ele queria fazer de gra�a.
Ainda por cima d� uma de nobre. Caramba!
Oi.
Desculpem. Demoramos muito para estacionar.
Esse bairro � um pesadelo!
N�o tem nada mais perto?
Da sua casa ou do Lenny?
Deve ser por causa do restaurante.
Dei uma olhada no menu. Muito bem escolhido.
O restaurante � meio cafona, mas excelente.
Estamos explorando o bairro. Vamos morar juntos.
- V�o? - Sim.
- N�o contou a eles? - N�o deu tempo.
- Eu ia contar. - Mas que boa not�cia! Muito boa.
- Adeus, quartinho repugnante. - Obrigada, papai.
Champanhe!
Escolhi um vinho tinto especial...
Tudo bem.
� que... Tudo bem.
Como quiser, sen�o, tomaremos champanhe.
N�o precisa.
Qual � esse?
Um Burgundy de Naudin-Ferrand, safra 2004.
Eu sirvo.
- Experimente, Fabrice. - Com prazer.
Muito bom.
Bela escolha. Est� nos mimando.
N�o sei.
O Fabrice disse champanhe, agora quero champanhe.
- M�e! - O vinho � excelente. Prove.
- S�rio. - N�o se preocupe, Mado...
Posso lhe chamar assim? Mado?
Claro.
Tendo champanhe, n�s pagamos.
N�o, hoje � por nossa conta. Sem discuss�o.
� muito gentil.
- Vimos voc� no comercial. - Qual deles?
Fez v�rios?
Preciso de dinheiro, ent�o fiz v�rios ultimamente.
- N�o pode fazer outra coisa? - Fa�o o que posso.
- Jantar faz bem. - Isso.
Dissemos que a noite seria agrad�vel. Nada de...
- Est� bem? - Claro.
Mas podemos conversar?
Claro. Eu s� quis dizer, olha!
Estamos felizes. Estamos juntos.
A noite vai ser gostosa. Estou feliz em ver voc�s.
- Sim. - Chega.
Por que vieram a Paris?
Nossos bons amigos, os Migui�,
planejaram um fim de semana em um hotel por aqui
e decidimos vir com eles.
Um hotel cinco estrelas. N�o precisa ter vergonha.
Gilbert...
O Migui� sempre tem planos incr�veis.
- S�o amigos h� muito tempo? - A vida toda.
Odette, podia ligar para eles de vez em quando.
Eles cuidavam de voc�
enquanto trabalh�vamos feito cavalos.
- Ligue para eles. - Bem, eu proponho um brinde.
Sim.
- � sua nova vida. - Obrigada.
Sa�de.
Aos comerciais e clipes de rap da nossa filha.
- Obrigada, m�e. - Estou brincando.
Mas voc� � muito talentosa e, quando te vejo nessas porcarias,
- aperta meu cora��o. - Mado...
N�o � nada demais!
Vejam isso.
- O que �? - Merda.
- Brincadeira. - Estou falando s�rio.
- Estou brincando. - Vai trabalhar com a BB5?
Eu passei no teste, mas ainda n�o me decidi.
- O qu�? N�o pode recusar. - N�o sei.
- Passou no teste? - Sim.
Mas ser� daqui a seis meses, e por um ano.
- N�o sei. - Voc� n�o me contou.
Ainda n�o, mas ia contar, desculpe.
� uma grande companhia. E � o que voc� sempre quis.
A decis�o � da Odette.
- Mas � uma �tima not�cia. - Principalmente se ela n�o for.
Estou feliz em ter passado.
Estou contente mesmo se eu n�o for.
Com licen�a, � proibido fumar aqui.
- Vem comigo? - Claro.
J� voltamos.
Estou muito orgulhoso. � uma bela conquista.
�. Obrigado.
Ela ainda n�o tinha me contado.
H� quanto tempo sabia?
- H� duas semanas. - Minha nossa!
- Fingiu por duas semanas? - N�o � bem assim.
Para come�ar, foi uma p�ssima maneira de contar.
- E fazer testes � meu trabalho. - Eu sei disso.
Eu sei, mas n�o � isso que machuca.
Fiquei chateado porque n�o me contou.
Participei do v�deo. Eu parecia um idiota.
Claro que n�o! Estava lindo.
Agora sou invis�vel e voc� esconde coisas de mim.
N�o � verdade. � que...
Podemos falar de outra coisa ap�s esse jantar desastroso?
Concordo. Ela � uma chata. Sua m�e � sempre assim?
- Voc� sequer imagina. - Ela � insuport�vel.
S� n�o queria deix�-lo preocupado.
� que,
escondendo coisas de mim, voc� pode me perder.
Perder voc�?
N�o, quero dizer...
Est� me dizendo que posso perder voc�.
Achei que �ramos mais fortes que isso. N�o entendo.
- Pare com isso. - N�o entendo.
Estou dizendo que n�o sei se quero ir � turn�
porque te amo e voc� n�o entende!
Pare com isso. Mas que droga!
- Voc� n�o entende! - Pare!
Pare com isso!
- Olhe para mim, sou toda pirada! - Pare!
Antes de voc�, a dan�a era tudo para mim.
Eu j� teria ido sem pensar duas vezes!
S� n�o fiz isso porque te amo!
- Voc� n�o entende! - Tamb�m te amo.
- N�o entende! - Pare com isso, droga!
Pare! Pare...
Olhe o que est� me obrigando a fazer!
Olha voc�. Somos iguais. A mesma viol�ncia.
Isso � tudo besteira.
Sua no��o de felicidade, seu mundinho dos sonhos.
Voc� � um mentiroso.
Venha. Vamos para casa fazer amor.
N�o. Chega.
N�o quero. Estou cansado.
Cansei de aguentar tudo isso. Esquece. Cansei.
O qu�? Pare.
Cansei de n�o saber se estar� l� quando eu acordar.
Chega de n�o saber se vai estar a fim de mim.
Se vai chegar em casa b�bada quando t�nhamos um encontro.
Chega de voc� desaparecer por dias, sem eu saber.
Chega...
Estou sempre esperando voc�.
Desde que conheci voc�, estou em apneia.
N�o respiro mais.
N�o � isso o que eu quero.
N�o quero isso. N�o quero viver isso.
Eu...
- N�o quero isso. - Voc� n�o pode...
Voc�...
Faz meses que n�o a vejo. Achei que estivesse muito bem.
N�o entendo.
Voc� deu um salto, come�ou a processar sua dor.
A� o amor bate � sua porta e voc� paralisa.
N�o podia contar ao homem que amo que fui abusada quando crian�a.
- Ele fugiria. - N�o, � a� que se engana.
Mas ele j� foi embora.
- Algu�m que a ama vai te ouvir. - N�o, isso � conto de fadas.
Na vida real, n�o � assim que funciona.
E agora?
Vou dar uma respirada.
Manu, acelere!
Direto para os nossos sonhos de inf�ncia!
Odette, pare com esse mundo de fantasia.
Odette.
Nossa, n�o entendo mais nada, droga!
Est�vamos em Paris... Como viemos parar nos EUA?
- � nosso sonho de inf�ncia. - Mas nunca fomos para l�!
Apenas curta. Curta, curta.
Estados Unidos!
Cara, esse carro � muito louco!
O que � isso?
Olha l�. Os dan�arinos de krump.
Espera, � essa a dan�a que voc� vive falando?
- Sinistro. Olha que cara sinistro! - Vamos.
Quem vai cuidar da scooter?
N�o tenho cadeado. Vou cuidar.
Posso?
Cara, estou orgulhoso de voc�.
Voc� � demais!
Sabe de uma coisa? Estou t�o feliz que a cerveja � por minha conta.
Sabia que voc� era um cavalheiro.
Fiquei at� tonto.
Vi tudo emba�ado. Doideira.
Vem. Voc� ganhou uma cerveja.
Franceses chegando!
Barman, me d� uma cerveja!
O que est� fazendo?
Este � o banheiro dos homens!
Estamos conversando. Danem-se os limites de g�nero.
Sa�de!
N�o esque�a, "California Love"!
N�o lavou a m�o, porco nojento!
Imundo. Que nojo!
N�o imagina como senti sua falta, Manu.
N�o diga isso. Estou aqui!
N�o, n�o est�. Estou falando com minha psic�loga.
� uma lembran�a em que voc� deveria estar
e estou contando como se voc� estivesse.
� uma lembran�a fantasiosa.
Se estiv�ssemos chapados, seria uma roubada.
Verdade.
Que merda � essa de psic�loga?
Estou contando a hist�ria da minha vida.
A� falo de voc�. � meu amigo.
Mas ela n�o entende nada do que voc� fala, suas g�rias...
Ent�o fala de mim como se eu fosse um maloqueiro?
Conto a ela todas as merdas. Ela merece dar umas risadas.
Verdade. Sua vida foi doideira. Uma risadinha faz bem.
Mas n�o sei o que � t�o engra�ado.
Sua cara, seu estilo...
Voc�, nossa viagem.
- Est� falando s�rio? - Por qu�? Relaxa!
O que diz a ela? Relaxa voc�.
- Estou falando s�rio. - N�o estressa.
Cad� sua psic�loga?
- Droga, � que... - Cad�?
Ainda estou na sala de espera. Calma!
Est� me zoando? Uma porca ainda por cima.
Eu estava mijando...
- � um conceito. - Cad� ela? Que droga, merda!
L�gico que est� me zoando!
- Eu nunca faria isso. - Merda de psic�loga!
Falem baixo!
Certo, lembrei.
Esta � minha vida.
- Estou aqui? - Est�.
- N�o gosta da sua vida? - Gosto.
Sua inf�ncia foi dureza, mas isso deixou voc� mais forte.
Eu sei, mas n�o consigo esquecer.
Ent�o n�o tente!
Conviva com isso.
- � s� uma lembran�a. - Eu sei...
Uma merda de uma lembran�a ferrar com sua cabe�a.
Sabe o que eu gostaria?
Voltar ao nosso sonho de inf�ncia.
Certo, Lopez, acabou o tempo. Volte para a cela.
Vamos.
Voc� conseguiu me levar para os EUA.
Consegue dar uma surra no Rob por mim?
- At� mais, mana. - At�.
Assim est� melhor?
- O qu�? Gostou? - Claro!
Puta merda. Adoro psican�lise.
Toca aqui.
- Se cuida. - Voc� tamb�m.
O Gilbert � inacredit�vel.
Ele � bem pr�ximo da sua filha, n�o acha?
Ele � muito bom para ela.
D� bastante aten��o a ela.
Sei l�, eu ficaria preocupado.
Est� b�bado?
N�o.
E da�?
Um homem com tr�s filhos tem vontade de ter uma filha.
E a Odette � t�o bonitinha.
Falando nisso,
sua esposa parece gostar dele. Eu teria cuidado.
Voc� est� certo. Segure aqui.
Vou mergulhar.
Venha aqui, querida.
Seque-se.
Est� com frio. Ficou tempo demais na �gua.
- Tudo bem? - Estou com um pouco de frio.
Posso ler no meu quarto?
Claro que pode.
Odette!
Odette, seque bem os p�s.
Seque bem, antes de entrar em casa.
N�o, estou bem. Fazemos um esfor�o.
Oi, lindinha.
N�o temos muito tempo para as c�cegas.
O que est� fazendo aqui?
Nada. Ela estava sozinha,
ent�o vim fazer companhia.
Certo, Odette?
Voc� est� bem, querida?
Que neg�cio � esse de c�cegas, Migui�?
O que � isso?
Ela queria brincar com os bichos de pel�cia,
ent�o brincamos de c�cegas.
N�o toque na minha filha! Se tocar, te mato!
- Ouviu? Eu te mato! - Pare! Odette!
Odette, fale para ele!
Odette!
Odette?
Odette.
Est� sonhando acordada.
Vamos, temos que ser r�pidos.
Meu pai est� vindo.
N�o. Ele est� na piscina com os outros.
- Temos que correr. - N�o.
N�o?
Achei que voc� gostasse de c�cegas.
N�o foi o que voc� me disse.
Estou decepcionado com voc�.
Assim fico magoado.
Estou triste.
Vai, venha.
Vai ser r�pido.
Vamos logo.
Seus pais n�o percebiam?
N�o. Eram pr�ximos do amigo de confian�a.
Passamos mais tempo listando os epis�dios da minha vida
do que mergulhando neles. � loucura.
� a falta de continuidade. Voc� tem ido e voltado por anos.
Que seja, mas eu precisava respirar.
Precisava de ar h� cinco anos!
H� dois anos tamb�m e no ano passado!
� alguma t�tica psicol�gica?
N�o, sou eu. Estou preocupada!
Essas p�ginas s�o voc�! Uma bagun�a!
Pare com isso.
S�rio, tome um calmante.
Desculpe, n�o � nada profissional. Mas as coisas s�o assim.
Pode deixar. � confidencial.
Nunca vi voc� t�o exaltada. � estranho.
N�o consigo mais manter dist�ncia.
� muito dif�cil ajudar voc�.
Se n�o quer sair dessa, n�o posso ajudar.
- Sair como, madame? - N�o me chame assim!
Est� bem.
Podia falar com seus pais.
- Processar o cara. - J� passou do tempo.
Preciso ir. Verei meus pais no fim de semana.
N�o os vejo h� d�cadas.
Deixe eu voltar o sof�. Est� tudo perfeito.
Tchau. At� a pr�xima.
Oi!
- Tudo bem? - Querida!
- Toquei a campainha. - Desculpe. N�o ouvimos.
Olha, seu pai.
Minha querida!
- � a Odette. - Como vai?
J� se conhecem?
- A filha do Fabrice e da Mado. - A dan�arina.
Isso. Deixe-me apresent�-los.
- O que quer beber? - O mesmo que voc�.
- O Gilbert tamb�m veio. - Oi, Odette.
Como vai? Quanto tempo.
- D� sua bolsa. - Obrigada, m�e.
Como vai?
Faz ao menos uns 15 anos.
Esta � Cl�mentine, minha esposa.
O Guillaume � pai agora.
S�o nossas g�meas, Marianne e Virginie.
Cuidado com o p� dela.
� maravilhoso ser av�.
Ser av� � outra hist�ria.
Por que n�o me contou?
N�o sei.
- �ramos t�o pr�ximas. - Eu bloqueei.
N�o sei porqu� nunca consegui contar.
Mas isso n�o importa, n�o � isso.
Claro que importa.
Se nos contasse, isso ia parar.
N�o � f�cil.
N�o � f�cil?
Droga, � s� isso o que consegue dizer?
Ele estupra minha filha.
N�s o tratamos como irm�o durante anos,
confiamos nele, e ele estupra minha filha!
Abusa dela debaixo do meu nariz!
E age como se nada tivesse acontecido.
Vem em casa, come com a gente, sossegado.
Viagens de fim de semana, f�rias...
Toma caf� com a gente todas as manh�s na cervejaria.
Ele me considera como amigo enquanto abusa da minha filha!
Tudo bem, calma.
N�o vamos tirar conclus�es apressadas.
N�o consigo v�-lo como ped�filo.
Para que precisaria disso?
� bonito, bem-sucedido...
N�o � do tipo pervertido. Estou perplexa.
Certo. E como � um ped�filo?
Como anda? Como se veste? Tem alguma ideia?
N�o. N�o tem. Pode ser qualquer um.
Por isso ele me enganou!
Odette...
Tem certeza?
- Mado! - Esquece, pai.
- Eu n�o devia ter falado. - Acreditamos em voc�.
Claro que acreditamos.
Podemos conversar, n�o?
Mas acreditamos em voc�.
Mas bom, como voc�s eram t�o pr�ximos, voc� podia...
Mas bom, o qu�? O que � bom?
Talvez o qu�?
Continue. Diga o que est� pensando.
Voc� era crian�a, talvez tenha interpretado...
Interpretado? Est� me gozando?
Acha que estou mentindo?
Eu disse isso?
Mas est� insinuando. N�o � mentira!
- Podemos conversar? - N�o!
- Est� me chamando de mentirosa! - S� quero conversar.
- De mentirosa! - S� digo que...
N�o disse que mentiu, mas � uma acusa��o muito grave.
Eu sei disso. N�o estou inventando nada!
Mado! Grave � o que ele fez. Concorda?
Todos os presentes. Como fui burro e cego.
N�o tinha como imaginar uma coisa dessas. Isso � certo.
Acho que devemos resolver isso entre n�s.
Vamos encontrar e falar com o Gilbert.
Vou mat�-lo.
N�o diga besteiras.
- Vou mat�-lo. - J� entendemos, Fabrice. Claro.
Era s� o que faltava.
Imagine o que as pessoas...
Como as pessoas v�o reagir?
E eu?
Eu!
Perd�o, minha Odette.
Perd�o, perd�o, perd�o.
Me acalmei ontem porque sen�o juro que vou mat�-lo.
N�o sei mais o que dizer. Perd�o.
Eu te amo tanto.
Minha vida n�o � mais nada, agora.
Sabe disso, n�o �?
Mas a sua segue em frente.
Voc� tem a vida toda pela frente.
Sempre me imagine te pedindo perd�o.
Quero que reverbere pela sua vida toda.
Que voc� saiba que seu pai sempre esteve com voc�.
- Sempre estarei com voc�. - Est� bem.
Agora v�. Amo voc�.
Obrigada, pai.
O que vamos fazer? O que vamos dizer?
Pediremos perd�o.
- Sente-se. - Obrigada.
Queira sentar-se.
Ent�o, senhorita. Qual � a queixa?
Est� maluca.
- Viol�ncia sexual. - Atum e maionese?
Manteiga e presunto. Quando aconteceu essa viol�ncia?
M�e!
Ele j� � fichado.
H� mais de 20 anos.
A porta!
Era treinador da turma infantil de jud�.
- Um caso de pedofilia? - Sim.
O nome dele � Gilbert Migui�.
- Pronto. - Sim.
N�o era uma pergunta.
� uma constata��o.
N�o achei que ficasse t�o feliz mandando algu�m para o matadouro
Matadouro?
- Prestei uma queixa. - �?
Eu ouvi.
"Migui� � um caso perdido."
Chama isso de queixa?
- Chamo de abatedouro. - Ele � reincidente.
Foi acusado outras vezes,
mas n�o houve penetra��o.
Ou�a, me poupe dos detalhes.
Teremos que ouvi-los no julgamento e ainda n�o estou preparada.
Ele tem que ser julgado. N�o acha...
M�e?
As g�meas? J� pensou nelas?
- Pensou? - E a Sophie?
Pensou nela?
A av�, esposa de um ped�filo. Pensou nisso?
Pense.
Depois de uma coisa dessas,
acha que ela confiar� as netas a ele nas f�rias?
E a esposa do Guillaume?
O que ela vai pensar do marido?
Que talvez ele seja como o pai?
Pois a pedofilia � gen�tica.
Pensou nisso? N�o.
N�o consigo sozinha. Preciso de voc�.
Preciso do seu amor. E de voc�.
Preciso de voc�...
Precisa do nosso amor?
� mesmo?
Foi voc� quem nos largou pela dan�a.
Volta para nos deslumbrar com suas conquistas e viagens.
Voc� vem para c�, aproveita a comida da mam�e.
Passa um fim de semana na piscina, com todas as despesas pagas.
E, com a bateria carregada, vai embora de novo.
E agora me diz que precisa do nosso amor?
Dois idiotas que nada viram, nada.
Merda.
Gilbert Migui� nos emprestou dinheiro.
Fazer o qu�?
V�o dizer que n�s a vendemos.
- Que era nossa putinha. - Pare!
At� que enfim! Onde estava?
�, est� bem.
N�o, Odette est� bem. Vou a�.
Por que estacionou l�?
"N�o est� longe", mas n�o parou onde deveria.
A Odette n�o vai com a gente.
Estou indo!
Al�, � Odette.
Sei que faz muito tempo. Sempre perco a coragem de ligar.
N�o, n�o estou em casa...
Estou no Sul nos meus pais. Na delegacia, na verdade.
Preciso de voc�.
Est� bem.
Odette, a m�sica e a chegada s�o detalhes.
Agora, ao que interessa! Venha!
Sim, eu sei.
- Vamos! - Est� bem.
Srta. Migui�, veio testemunhar contra seu irm�o, Gilbert Migui�.
Como sabe, sua queixa de abuso sexual prescreveu,
pois o prazo � de 20 anos ap�s a maioridade legal.
No entanto, o promotor p�blico deseja ouvi-la.
Agora, o juramento.
- "Juro solenemente - "Juro solenemente
- dizer a verdade, - dizer a verdade,
somente a verdade,
e nada mais que a verdade."
Levante a m�o direita e diga, "juro".
- Estamos lhe ouvindo, senhora. - Senhorita.
Nunca tive uma vida amorosa.
N�o fui capaz.
Ele me tirou tudo.
Sabia disso, Gilbert? Que me tirou tudo?
Meu corpo, minha autoestima.
Minha vida.
Olhe para mim.
Eu tinha 12 anos!
Doze anos.
Voc� me estuprou por tr�s.
Eu tinha 12 anos e voc� me estuprou!
- Ped�filo! - J� prescreveu.
E isso � corrup��o de menor, n�o pedofilia.
Estuprar uma adolescente n�o � grave?
Currar a pr�pria irm�?
- Srta. Migui�, por favor. - Desculpe meu linguajar.
Continue, por favor.
E voc�? N�o percebeu?
Casados h� 20 anos e nada percebeu?
Nenhuma das v�timas?
O dinheiro dele a manteve de boca fechada.
A dor n�o vai embora, Gilbert.
Ainda sinto voc� em cima de mim.
Todos os dias.
Quando durmo, quando acordo,
voc� est� em cima de mim.
Voc� me roubou.
Esvaziou tudo.
Onde fica a prescri��o dos meus pesadelos?
Nunca forcei a menina.
Ela nunca disse nada.
N�o se pode for�ar ningu�m.
Se n�o querem, n�o querem.
Mas ela consentiu.
Ela gostava, ela...
Voc� tirava a calcinha.
Ela tirava, ent�o...
Ent�o se oferecia.
O que eu devia fazer? Recusar?
N�o faz sentido.
Garotinha Voc� balan�a
Quando dan�a Seu vestido rodopia
Garotinha t�o sossegada
Quando tira sua maquiagem
Garotinha Voc� � minha filha
Tatuada com meus Problemas �ntimos
Pesadelos esfaqueiam Todas as minhas noites
Tambores v�o rufar Logo ser� meia-noite
Me diga
Por que
Voc� n�o est� mais aqui
N�o, m�e,
n�o inventei essa dor para existir. Por que veio?
Querida, esta senhora precisava ouvir
a vers�o de outra pessoa.
E n�o sei porqu� ainda est� indo � psic�loga.
Voc� conseguiu o que queria.
O Gilbert pegou 7 anos. O que mais voc� quer?
Queria que recome��ssemos.
N�o h� nada para recome�ar.
S� podemos avaliar os danos.
Seu pai
est� tomado pelo remorso.
E eu...
- Posso fumar? - Sim, mas na janela.
V� para l�.
Sra. Le Nadant,
est� aqui para retomar a comunica��o com sua filha.
Veio at� aqui. J� � um grande passo.
Mostra que est� aberta ao di�logo.
Vim para a Feira de Cervejeiros, como todo ano.
A Odette insistiu para que eu viesse.
M�e, precisamos muito conversar.
- S�rio. Me ou�a. - Pare com isso.
Larga!
Por quanto tempo vai me importunar com isso?
Tudo por causa de uns dedinhos na xoxota!
Tem ideia do que eu passei na minha vida?
Agora para de me encher o saco!
Mentiu no tribunal s� para me machucar.
At� onde quer ir com isso?
At� onde?
J� acabou?
Sabe o que eu esperava?
Que me abra�asse e dissesse que lamenta.
S� isso.
N�s abandonamos a garotinha que eu fui.
Para voc�, algumas dores n�o contam.
Mas a dor n�o � sua, m�e. � minha.
Pode dizer que menti,
que n�o � verdade e que n�o importa.
Eu n�o ligo porque sei pelo que passei.
E hoje, quero que isso saia.
N�o quero viver esperando a morte. Entende isso?
Consegue entender?
Desculpe, doutora. Nada mais posso fazer.
Obrigada.
- Odette? - Sim?
- Est� desenhando? - Estou.
- Gosta de desenhar? - Sim, adoro isso.
Como voc� � linda.
Tinha esquecido que voc� era t�o bonita.
Voc� me conhece?
Sim, eu a conheci.
Como se chama?
Odette.
Meu nome tamb�m � Odette.
- Como o cisne branco... - Do "O Lago dos Cisnes".
Quando eu crescer, quero ser primeira bailarina.
Sabe, existem muitos caminhos.
Mas voc� ser� uma �tima pessoa.
Eu prometo.
Quero perguntar uma coisa.
Gostaria de vir comigo?
Sim, estou sozinha h� muito tempo.
Eu sei.
Eu sei, querida, me desculpe.
Desculpe por ter abandonado voc� esses anos todos.
A culpa n�o foi sua.
Voc� � totalmente inocente.
Agora estaremos sempre juntas.
Voc� vem?
INOC�NCIA ROUBADA
PARA OS NOSSOS FILHOS
DE ACORDO COM O CONSELHO EUROPEU,
1 A CADA 5 CRIAN�AS SOFRE ABUSO SEXUAL
E 700 MORREM POR AGRESS�O TODOS OS ANOS NA FRAN�A
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