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A CELESTINA
.:.Tradu��o: Lady_Devon Revis�o: Pinguim_SP.:.
Equipe: Art_Subs
Senhor, que sofras de paix�o em casa.
Melhor seja n�o revelar este fogo diante de estranhos.
Se as chamas do Purgat�rio, forem iguais a estas que me queimam,
preferia ser uma besta, e que minha alma desaparecesse
antes de ir para o C�u sem passar por este fogo.
Isso n�o � crist�o.
Ou n�o acreditas em Cristo?
Em Cristo, eu?
Eu acredito em Melibea.
E sou de Melibea.
E Melibea a adoro, e a Melibea amo.
Em nome do Pai, do Filho,
do Esp�rito Santo, Am�m.
Am�m!
Ele est� na esquina!
� nisso Melibea que eu vejo a grandeza de Deus.
Em que, Calisto?
Em dar-te a mais perfeita beleza,
e conceder a gra�a de ver-te e falar contigo.
Quem foi recompensado nesta vida, como sou agora?
Achas que � uma grande recompensa?
Se Deus me desse no C�u o trono acima de todos seus Santos,
eu n�o o teria por tal felicidade.
Vai-te daqui, lerdo!
Trist�n!
Leves logo!
Trist�n!
Mau neg�cio desejar apenas uma coisa!
Por que me reprovas?
Submetes a superioridade masculina a imperfei��o feminina.
Melibea, � mulher? Melibea � uma deusa!
Leias S�neca, e ver�s que ele fala sobre as mulheres.
Mentirosas, levianas,
arrogantes, caprichosas,
insensatas, orgulhosas, sujas.
-Descaradas! -Descaradas.
-Trai�oeiras -J� basta!
N�o ouviste o que diz a Igreja?
"T�o antiga � a maldade da mulher,
que conduziu Ad�o para as del�cias do Para�so,
que impulsionou a humanidade para o inferno. "
O que isso tem a ver com Melibea?
Melibea �... a virtude,
a dignidade, a eleg�ncia,
a divina beleza.
J� vistes os fios de ouro da Ar�bia?
Seus cabelos s�o mais delicados e brilham com mais luz.
Isso lhe basta para transformar homens em pedra.
Ou ser� em asnos!
-Rapazes! -Senhor!
Seus olhos negros, amendoados
com longos c�lios e sobrancelhas desenhadas.
L�bios carnudos e vermelhos.
Imagine a forma de seus seios, firmes e redondos!
Como continuas insistindo e n�o quero que acabes mal,
Farei com que se realizem seus desejos.
Conhe�o uma feiticeira que chama-se Celestina.
Ela � astuta e sagaz.
Se ela desejar, poder� provocar um tormento e faz�-la arder de lux�ria.
Se me fizeres isso...
ter�s esta armadura de que tanto gostas.
Como me estimula esses favores,
Eu a trarei para sua cama.
Dormes, senhor!
Celestina!
Sou eu, Sempronio!
Elicia!
Elicia!
Est�s me ouvindo?
-Esperes! -N�o!
-Esperes! -N�o posso!
-Que aconteceu agora? -� Sempronio!
E o que fa�o com Crito?
Diga que seu primo est� aqui e ponha-o no s�t�o.
-Quem � Sempronio? -Meu primo!
Estou perdida, imaginas o que far� se te encontrar aqui! Anda!
-� muito alto? -� aqui, suba por aqui.
Que surpresa me d�. Venhas aqui e me d� um abra�o!
Como poderia ficar tr�s dias sem v�-lo?
Elicia!
Aqui est� ele!
Quem, tia?
Sempronio!
Meu cora��o disparou!
Onde? Onde est�?
N�o te apresses.
Antes deixes um pouco para mim.
Maldito seja, traidor!
Deus, que morras nas m�os de seus inimigos,
e pagues teus pecados embaixo do machado do carrasco
Am�m, am�m!
E que assim seja!
O que aconteceu, querida? Para se queixar assim?
Tr�s dias sem ver-me.
Pobre de mim que passa dias te esperando
e cujo �nico desejo, � estar contigo!
� t�o grande o amor que sinto,
que acreditas que ir� acabar, por eu estar longe uns dias?
-Que barulho foi esse? -Queres que lhe diga?
Sim, eu quero.
� uma mo�a que me encomendou um frade.
Que frade?
O superior, o Gordo.
-Deixe-me v�-la. -Quer v�-la?
Que seus olhos saltem da sua cara! N�o sou suficiente para ti?
V� ent�o, e me esque�a para sempre!
Nem essa mo�a e nenhuma eu quero ver, s� quero a ti, meu Deus!
Mas vim falar com ela. Pegue teu manto e venhas comigo.
Meu manto.
A esta hora? Aonde?
Meu mestre Calisto est� apaixonado por Melibea,
como um louco,
e precisa de n�s.
Como ele precisa de n�s dois,
ent�o poder�amos tomar proveito disso.
Boas not�cias?
Boas?
T�o boas, como se um m�dico descobrisse a cura para os doentes.
-Posso lhe dizer uma coisa? -Fales.
Senhor, eu n�o confiaria naquela puta v�ia.
Por que a chama de "puta v�ia"?
Pensas que � um insulto?
Se houver 100 mulheres e algu�m gritar "puta v�ia", ela atender�.
At� os cachorros latem "puta v�ia", quando ela passa.
Pareces que a conhece bem.
Quando eu era menino, minha m�e me deixou com ela.
-E por que o deixastes? -N�o quero me lembrar.
-O que ela faz? -Tece e costura para fora,
destila perfumes, prepara unguentos,
remenda virgindade perdida, � uma cafetina
e faz feiti�aria tamb�m.
Quando veio a miss�o francesa,
ela vendeu como virgem uma criada sua, por tr�s vezes.
E por que n�o por cem?
Para suas po��es do amor, ela usa ossos, cora��o de porco, gordura de crian�a
corda de enforcado, mil coisas.
� uma mentirosa.
P�rmeno, n�o invejes Sempronio, falando mal de Celestina
Se para ele dei uma armadura, para ti n�o faltar�s um t�nica.
Eu invejoso?
Quando quis prejudicar-lo e lucrar com isso?
Atenda a porta.
-Quem �? -Eu.
E trago uma pessoa de respeito.
J� vejo.
Senhor!
� Sempronio e a puta v�ia!
Quem � este?
Meu companheiro P�rmeno. O que ele disse soou mal.
N�o ele que anda atr�s de Are�sa?
Morre por ela. Mas Are�sa � quem manda.
Deixe-o comigo.
Eu lhe ofere�o assim como minha pr�pria vida,
se me prometeres, trar� sa�de a minha vida.
Como o trabalho de um ourives, aumenta o valor do ouro,
quanto mais generoso e distinto fores, mas eficiente ser� a d�diva.
V�, agora v�.
Voltes para casa, anseio muito pelo resultado.
Fique tranquilo.
Quem paga r�pido, assegura um servi�o r�pido.
-V�, v�. -Que Deus esteja contigo.
Que Ele nos proteja.
Sabe quem sou?
Que susto me deste.
Seu mestre lhe enviou?
Vejo que n�o se lembras de mim.
Minha m�e me deixou contigo quando era menino.
Jesus!
Ent�o � P�rmeno, o filho de Claudina?
Eu mesmo, puta v�ia.
Puta eu sou com sorte! Como se atreve?
Que queime no inferno.
Que tua m�e era t�o puta v�ia e bruxa como eu.
Fomos juntas e nos acusaram juntas.
Ela confessou sua afli��o e pagou com sua vida, a culpa n�o foi minha.
N�o se lembras quando dormia nos meus p�s?
Claro que me lembro?
E tamb�m quando me subia at� a cabeceira e me apertava contra seus seios.
Que a peste te mate! N�o tens vergonha do que dizes?
Deixes de brincar e diga-me, por que est�s contra mim.
Quero bem meu mestre, e n�o h� coisa pior que v�-lo sem esperan�a
e n�o quero que sofra.
Porque ele sofreria em minhas m�os?
Sou jovem mas n�o tonto.
-Em suas m�os est�o muitas mentiras. -Anda, seu tolo.
Vamos beber algo.
Pois conversando � que entenderemos-nos.
Sente ali.
Porque se preocupa com seu mestre?
Mestres nunca s�o amigos de seus criados.
Enquanto em Sempronio, ter�s um bom amigo.
e um bom dinheiro!
Mentindo e enganando.
Quem sobe r�pido, cai mais r�pido ainda.
Eu n�o quero dinheiro sujo.
Eu sim!
Por bem ou por mal, minha casa pr�spera.
Venha aqui, seu idiota.
N�o sabes nada do mundo, nem de boa vida.
Posso n�o ser mo�a, mas que um raio me mate se chegares mais perto.
Mas est�s sossegado, n�o h� volume abaixo do seu umbigo.
-Como o ferr�o do escorpi�o! -Pior at�.
Aquele pica sem inchar.
E este...
Esse... incha por nove meses.
A�, P�rmeno!
Que boa vida poderia, ter se quiseste.
Sempronio e tu sois diferentes.
em beber, em comer,
em buscar por amores.
A prop�sito...
que me dizes de Are�sa?
N�o, n�o me digas nada, n�o precisas.
Aqui tens...
aquela que a ganhar� para ti.
N�o.
N�o confio em ti.
Elicia!
Celestina!
Serei aben�oada!
Com tantas visitas!
Cala-se, boba.
Sempronio e eu temos assuntos mais importantes.
-O que falaste com P�rmeno? -Sociedade.
Aquele idiota, ser� nosso.
E Melibea? Meu mestre deseja saber como est� indo.
Estou cuidando disso.
Melibea � bonita.
Calisto, � generoso.
E o dinheiro vale � pena.
Passa por cima de tudo.
N�o existe lugar alto, para um jumento carregado de ouro
que n�o o fa�a subir.
"Eu imploro, ao triste Plut�o, senhor das profundezas do inferno."
"Eu, Celestina,"
"tua amiga mais importante,"
"te imploro pelo poder das serpentes do qual este �leo foi feito,"
"para que venhas sem demora."
"E neste rendado, tu permanecer�s at� que Melibea o compre..."
"e que estejas de tal modo envolvida por ele,"
"que quanto mais ela v�-lo,"
"mais tu abrir�s seu cora��o por amor a Calisto,"
"com um amor t�o forte e sem cura,"
"que perca qualquer pudor e venha me contar tudo,"
"e venha pedir minha ajuda,"
e recompensar meus trabalhos... e meus recados.
Se n�o o fizeste,
"me ter�s como inimiga mortal."
"Abrirei sua eterna e escura pris�o."
"E ferirei seus olhos com um raio de luz."
Dei-lhe cem dobr�es de ouro. Fiz bem?
Pior que dar-lhe dinheiro � se tornar escravo dela.
Como posso me tornar escravo dela?
A quem contas seus segredos, entregas sua liberdade.
O prov�rbio � bom,
mas n�o entendo o que diz?
Diz que, sinto em ver-te nas m�os de uma cafetina.
Bem se v� que n�o se importas comigo.
Tudo que Sempronio me traz, tu me tomas com tua desconfian�a.
Prefiro que se zangues comigo agora, do que me castigues por n�o ter lhe avisado.
Daquele que falas mal, � o que me importa.
Eu me desgra�o por ser bom, e outros prosperam por serem maus.
Que Celestina lhe tire tudo.
Pois eu pegarei o meu.
Como est�s, Celestina?
Que bons anjos lhe trazem aqui?
Os pobres sempre est�o necessitados. E queria vender um pouco de rendado.
Tua senhora est�?
Tu nunca d�s ponto sem n�.
Tens que ir um dia em casa.
Quero lhe dar um descolorante
que deixar� seu cabelo loiro como ouro.
Posso ver Melibea?
N�o sei.
Tamb�m lhe darei uns p�s perfumado para o h�lito.
Ele perfuma um pouco, pois nada � pior em uma mulher.
� dor e mais dor.
Apenas vem o prazer
quando tem que terminar.
Isso, meu caro, � amor.
T�o simples de perder.
Quanto � duro de ganhar.
A velha Celestina, est� a� fora. Trouxe esse rendado.
Celestina?
Fiques aqui, e me avise se minha m�e chegar.
Tu �s Celestina?
Eu mesma, senhora,
at� quando Deus quiser.
Aqui est�.
-E se n�o queres mais nada... -Esperes.
N�o me atrevo a dizer-lhe
a raz�o da minha visita.
N�o te apresses.
Um pouco posso, se precisas de ajuda.
Diga-me do que precisas.
De nada, senhora.
E outro, que precisas de ti.
Pe�as o que quiser
seja para quem for,
H� um homem que est� muito doente.
Mas uma palavra vinda de tua boca, poder� cur�-lo.
Senhora seja clara, n�o entendo do que falas.
Fales sem medo.
Todo o medo se foi, quando a vi.
� t�o bonita, Melibea!
Pelo amor de Deus, digas logo quem � este doente!
Ele � um homem jovem, nobre...
bom mo�o.
Um verdadeiro cavalheiro.
Chama-se Calisto.
Como se atreve, sua cafetina?
Santa Maria, senhora.
Escute-me com aten��o, e ver�s que n�o � coisa de cafetina, se n�o...
obra de caridade.
N�o voltes a falar deste louco
se n�o, aqui mesmo cairei morta!
Que palavra da minha boca poderia eu dizer, se ele n�o � digno de mim.
O pobre homem me disse que tu sabias de uma ora��o de Sta. Apolonia
para dor de dente!
Se isso � tudo...
N�o, n�o � tudo.
Fales, digas.
Este cord�o que usas
sua fama � de ter tocado todas as rel�quias que est�o em Roma e Jerusal�m.
Bem, se n�o te aborreces...
Vejo que vieste com boa inten��o...
Eu volto a respirar tranquila.
Uma obra de piedade e santa
para confortar os afligidos
e cuidar dos enfermos.
P�rmeno, meu filho.
tu n�o sabes a alegria que sinto em ver-te
visitar minha humilde casa com Sempronio.
Que tal curar a tristeza com algumas mo�as.
-Mo�as? -Mo�as.
Que com velhas, eu j� sou suficiente.
Prometeste-me que a ganharia.
N�o penses que perdi a mem�ria com os anos.
Mas tr�s vezes eu a tenho para ti.
N�o lhe dizes que est�s pronta.
Agora o que interessa � encontrar seu mestre.
Como pensas me recompensar hoje
se arrisquei minha vida por ti?
Conseguiste convenc�-la?
Somente me acusou de v�rios nomes e me chamou de feiticeira,
cafetina, velha falsa.
Apesar de todo azedume eu converti-lhe em do�ura.
O que lhe pediste a ela?
O cord�o que levava na cintura.
E ela lhe deu?
Deu, quer lhe d�?
Pelas chagas de Cristo! Pe�as o que quiser!
Por um manto que n�o vale nada,
esta pobre mulher, deu este cord�o que lhe rodeava a cintura.
-Ter� quantos mantos e saias quiser! -Eh! N�o voe t�o alto.
Dizem que quem oferece muito, sempre nunca d� nada.
Deixa-me ver este santo cord�o que adornou t�o formosa cintura.
Tome-o.
Enquanto estiver viva, darei-lhe tamb�m � sua dona.
Que segredos n�o ter�s visto!
Ver�s mais,
e o entender�s mais,
se n�o o perde dizendo absurdos.
Cale-se, senhora, que ele e eu nos entendemos.
Vai ver, que gostou tanto do cord�o,
que n�o ir� mais querer Melibea.
Nesta tarde Celestina esteve em casa.
Sim, mam�e.
O que ela queria?
Vender um pouco de rendado.
Se ela voltar, n�o a receba bem.
Se ela vir sua honestidade,
ela n�o voltar� mais.
Fez bem em avisar-me.
Agora sei com quem devo ter cuidado.
-Fique com Deus, papai. -Que Ele te acompanhe, minha filha.
Se n�o ele n�o for o melhor para mim
eu me curarei,
antes que Calisto,
desconfie da minha boa inten��o...
ser� que colocou os olhos em outra?
Por que � n�o concedido a uma mulher revelar o seu tormento...
seu ardor de amor...
como fazem os homens?
E Calisto n�o poderia queixar-se...
e eu n�o sofreria.
A ronda! Melhor que n�o nos veja.
-Espere at� que eu te chame. -Como quiser.
Are�sa! Sou eu, Celestina.
Are�sa, eu fico feliz em ver-te, filha.
Por que veio a esta hora? Eu j� estava deitada.
Com as galinhas? Assim sua casa nunca prosperar�.
Vou me vestir, porque estou com frio.
Volte, para cama. Conversaremos l�.
Melhor, por que n�o me sinto bem.
Como � bom o cheiro da sua roupa quando se moves!
Na minha vida nunca vi menina t�o vistosa,
Bendito seja Deus!
O que lhe d�i, meu amor?
Desde que cheguei a casa, essa c�lica est� me matando.
Sinto meu ventre subindo at� meus seios, e parece que quer sair do meu corpo.
Deixe-me ver. Por que tamb�m sei o que � isso.
Aqui?
N�o, a� n�o, mais em cima.
A�! a�! Sinto-o sobre o est�mago.
Bendito seja Deus, e o glorioso arcanjo S�o Miguel!
Como est�s vistosa.
Que seios! E que formas!
Se eu fosse homem para poder desfrutar desta perfei��o!
Por que os cobre, filha?
Deus n�o lhe deu este corpo para deix�-lo murchar
debaixo das cobertas.
Dei-me algo para dor e n�o brinques comigo.
Todos os cheiros, s�o bons para o organismo.
A hortel�, a arruda, o absinto, o alecrim, o incenso.
O melhor de todos os rem�dios
eu tenho sempre a m�o,
mas n�o lhe direi.
J� que tanto quer ser santa.
Estas vendo que estou passando e n�o quer ajudar.
Sei que est�s me entendendo, n�o te fa�as de boba.
Pare! Isso faz c�cegas!
Sabes que estou falando de P�rmeno.
Por que nega o dado facilmente?
Sabes que tenho um amigo, e que n�o quero fazer mal a ele.
E por que seu amigo n�o cura-lhe desta c�lica?
Ele foi com seu capit�o � guerra de Granada.
Pelo menos P�rmeno, est� a� fora.
Tu ver�s, queres que ele entre?
Que afli��o!
Se ele nos ouviu?
O que importa? Desfrutes dele,
e que ele desfrute de ti.
N�o se ganha muito, mas n�o perder�s nada.
Tenha pelo menos dois.
N�o tens duas orelhas, dois p�s e duas m�os?
N�o tens dois len��is para cama,
e duas camisolas para se trocar?
Entre, P�rmeno, meu filho.
Meu Deus!
Mata-me, por que n�o sei a onde me esconder!
Sempre me envergonha diante de P�rmeno!
Vou tir�-la esta vergonha e falarei pelos dois.
-J� que ele � t�o t�mido quanto ti. -Senhora...
Deus guarde tanta beleza.
Nobre homem, sejas bem vindo.
Escute-me os dois.
P�rmeno sempre a quis.
Agora que v� sua dor, vai deix�-la mat�-lo?
Ela n�o quer olhar para mim. Diga por Deus, que darei tudo que tenho!
O que ele disse?
Ele disse que me promete,
que ir� ajudar Sempronio e n�o mais seu mestre...
em um neg�cio que tens entre irm�os.
Digas que sim, P�rmeno?
Digas que me prometes?
-Eu prometo! Eu prometo! -Anda! Malandro!
Quero ver o quanto vales, antes de ir!
Doce... nessa cama!
Isso � o que me mandavam comer quando eu tinha mais dentes.
Meu senhor, por favor!
Respeite os cabelos brancos desta senhora que est�s presente.
Srs. n�o se esque�am das travas,
ou eles incomodaram as �guas novamente
e teremos a mesma fileira como antes.
Isto s�o horas de voltar?
N�o me repreendes, pois lhe contarei minha maravilhosa sorte.
Trata-se de Melibea?
Que Melibea! N�o estrague tudo, n�o h� ningu�m neste mundo, mais feliz do eu.
porque ningu�m viu a gl�ria como eu vi com Are�sa.
Todos estamos apaixonados?
Agora veja como � f�cil encontrar faltas na vida dos outros
e como dif�cil de cuidar da sua.
N�o sei como lhe dizer o quanto arrependo-me de tudo que passou,
eu pretendo lhe ajudar muito agora.
Gosto de suas palavras.
Lembrarei delas quando vir suas a��es.
Mas, me digas,
que hist�ria � essa de Are�sa?
Ah, o que devo dizer?
Quanto lhe custou?
-Lhe deu algo? -Nada.
Convido-lhe para comer.
Venha conosco!
H� mil maravilhas!
P�rmeno, sejamos como irm�os,
Divertindo-se, comendo...
Que o mestre ajudar� todos n�s.
Ele est� dormindo?
Como passa toda noite sonhando com Melibea,
ele dorme durante o dia.
Antes que ele acorde,
vamos mandar a comida para Celestina para que irem preparando-a.
Depressa, antes que a ama nos veja.
O que pensas enviar para uma pretendente t�o generosa?
P�o branco.
Vinho de Monviedro.
Ah, o presunto que os inquilinos lhe trouxeram.
Se ele pedir, farei que acredite que j� o comeu.
Vamos!
Ao amor de nosso mestre.
e a bela Melibea.
a bela Melibea?!
A boa roupa e rem�dios!
N�o estou cantando louvores,
mas n�o invejo Melibea em nada.
Para uma donzela, ela tem os peitos de uma mulher com tr�s filhos.
N�o sei o que Calisto viu nela para recusar outras.
Aqui cada um valoriza sua mercadoria.
O que se ouve por a� � o contr�rio.
Quando muitos o dizem, muitos enganam-se.
O povo n�o perdoa o engano de seus senhores.
Se Melibea teve algum, n�s saber�amos.
Calisto � um nobre e Melibea � muito rica.
� normal, que ele preferir� ela.
� ruim, quem acha que � ruim.
Que cavalheiro seria �til para si mesmo.
e n�o procurar m�rito na nobreza de seus antepassados.
Sempronio,
n�o lhe respondas, filho.
se n�o isso nunca acabar�.
Conte-me,
como deixaste Calisto?
Jurando que n�o quer saber de mais nada
enquanto n�o trouxeres Melibea, amarrada pela cintura.
Bendito seja Deus!
Tu sabes...
como se divertir.
Safados! Malandros!
Bem, que gostarias de ser jovem?
Ningu�m � t�o jovem que n�o se possa morrer amanh�...
e n�o t�o velho... que n�o se possa viver at� o dia seguinte.
Celestina!
a voz me engana ou � de Lucrecia.
Que entre e que se divirta em ver.
J� que criada, n�o pode diverti-se de sua juventude.
Est� certo.
Para as criadas, n�o h� prazeres
e nunca chegar�s o doce pr�mio do amor.
Especialmente com as mulheres de hoje.
Eles nunca dizem o seu nome.
"Por que comeu isto, gulosa?"
"Voc� chama isso de limpo, relaxada?"
"A onde vai, porca?"
Jamais deixarei de ser chamada pelo meu nome
Deus aben�oe t�o nobre casa.
Tanto, filha?
Nota-se que n�o me conheceste em bons tempos.
Nesta mesa,
J� tive sentadas nove mo�as,
e a mais velha, n�o passava dos dezoito anos.
Muito trabalho, Sra. com tantas mo�as,
o que ganhava era dif�cil de guardar.
Gra�as a elas,
cavalheiros velhos e jovens,
bispos e sacrist�os,
enchia a casa de frangos, galinhas,
gansos, perdizes, pombas,
leit�es.
E vinho, sempre me sobrava.
E como me tratavam.
Inclinavam-se diante de mim como se eu fosse uma duquesa.
Quando celebravam missa,
e me viam entrar...
surpreendiam-se.
E n�o faziam ou diziam nada direito.
E beijavam o meu manto.
De nada serve ficar recordando o passado.
N�s vamos nos divertir um pouco...
e tu atendas esta donzela.
Ent�o, Lucrecia, minha filha.
O que a trazes aqui?
Para pedir-lhe que venhas ver minha senhora.
Ela se sente muito abatida,
com desmaios, e pontadas no cora��o.
Isso me impressiona.
Agonia?
Uma mulher t�o jovem?
Senhora...
que dores s�o estas, que tomaram o meu corpo?
Amor.
Delicioso amor.
Um fogo oculto.
Uma ferida que d� prazer.
Um alegre tormento.
Uma doce morte.
Se �s como disse...
N�o h� rem�dio para mim.
Deus d� a doen�a...
e tamb�m a cura.
Uma flor eu conhe�o...
que livrar� de tudo isso.
Como se chama?
Calisto.
Melibea!
Meu anjo, o que est�s sentindo?
Abras os olhos!
Fales baixo, n�o fa�as barulho.
O que queres que eu fa�a
minha p�rola preciosa?
Tu levaste meu cord�o e minha liberdade.
Agora n�o tenho medo.
Tiraste do meu peito o que nunca pensei que revelaria,
nem a ti, nem a ningu�m.
Descanse seus segredos em meu colo.
Eu farei acontecer.
Que se cumpra sua paix�o...
e o desejo de Calisto
Se n�o queres me deixar morrer.
encontres uma maneira de v�-lo depressa.
De que o vejas...
e de que fales.
Esta noite,
Nas portas de sua casa,
� meia-noite.
Que boas not�cias trazes, e tranquiliza minha tristeza.
Boa not�cia eu trago-lhe.
Melibea est� apaixonada por ti.
� mais sua, do que dela mesmo.
Est� �s suas ordens
mais do que ao seu pai, Pleberio, por mais que ele tente.
N�o digas estas coisas, na frente desses homens, pois te achar�o louca.
Tantos sinais da cruz?
Pagues o trabalho. Estas boas not�cias merecem.
Em vez de um manto e uma saia que me pediste...
tomes est� corrente.
E continues seu rumo com a minha felicidade.
Senhor,
Melibea se consome por ti, mais do que tu por ela.
Melibea te ama.
Melibea quer ver-te.
Melibea pensa mais em ti, do que em si mesma.
Melibea � sua escrava.
Para ela, isso � a liberdade.
Se mente para me agradar com boas palavras,
n�o tenhas medo, diga-me a verdade, tua vinda merece mais do que isso.
Se minto ou digo a verdade,
poder�s descobrir esta noite, indo em sua casa � meia-noite.
Acho que morro, antes que chegue a hora.
Sempre � mais dif�cil de suportar a boa sorte do que a m�.
Por que na prosperidade nunca estamos felizes,
enquanto no infortuno, encontramos sempre algum consolo.
Obrigada pela correntinha.
Rapazes, minha roupa!
"Correntinha", aquela puta v�ia disse!
Por mais que divida, a minha parte ser� mais do que insuficiente.
-Por que est� rindo, Sempronio? -Da pressa de Celestina.
Ela mal p�de acreditar que ele deu-lhe aquela corrente.
Uma cafetina, acostumada a vender sete virgens por um punhado de moedas.
O que espera que ela fa�a, como todo aquele ouro?
Fazer seu p� de meia.
Rapazes!
N�o � necess�rio sair t�o cedo para chegar na hora.
O rel�gio n�o d� 12 badaladas, antes da meia-noite.
O que tu sabes sobre o tempo e seus mist�rios?
Agora sei o que � pior para um criminoso
esperar a senten�a de morte do que sofrer na execu��o.
Seus pais est�o falando de ti.
Venha escutar, a pressa que eles t�m em casar-te.
Melibea dever� ter um marido do seu n�vel
para proteger sua heran�a
e poderemos morrer em paz.
Para mim, ser� como tu disseste,
e ser�s assim para Melibea, Que louvado seja Deus.
n�o h� ningu�m mais obediente, mais modesta ou mais honesta.
� melhor livr�-la das m�s l�nguas.
Tua virtude � t�o perfeita que n�o tem caluniadores?
Se queres proteger o bom nome de donzela.
ter� que casar-se logo.
� como se soubessem do meu amor por Calisto.
Quieta que n�o escuto!
O que disse?
Achas que ela sabe o que � um homem e o casamento?!
Melibea � a pr�pria inoc�ncia!
Que eles n�o pensem em casamento.
Melhor ser uma boa amante do que mal casada.
Chega de maridos,
de pais e parentes.
Se eu n�o tiver Calisto...
Eu n�o terei vida.
Se quero continuar vivendo...
� para que ele me ame.
O que sabem eles do amor?
Sempronio, veja se h� algum dos homens de Pleberio.
N�o h� uma alma na rua.
�timo, ent�o vamos por ali, por esta rua menos frequentada.
Chegamos na hora.
P�rmeno...
vejas se ela est� no port�o.
Se eu aparecer, Melibea poder� se aborrecer de que outros saibam,
daquilo que ela mas teme fazer.
�timo conselho!
Eu n�o pensei, que ela poder� ter voltado!
-L� est� ele. -Certifique-se que � ele.
Sim, o conhe�o pela voz.
Esse idiota queria que eu fosse seu escudo, no momento de mais perigoso.
Como saberei quem est� atr�s daquelas portas?
E se fossemos tra�dos.
A primeira coisa que ouvimos,
tomaremos nosso rumo.
Mas depressa do que o vento.
Se descobrirem nosso mestre,
n�o conseguir� escapar dos homens de Pleberio.
Est�s a�, senhora?
Escutes!
-Quem �s? -Calisto, seu criado.
Tenho medo de que n�o seja Melibea, e sim algu�m que imita sua voz.
Senhor!
Meu bem!
Tudo que lhe disse a boa mensageira,
Eu te confirmo tudo.
Cesses suas reclama��es...
e fa�as de mim o que queiras.
O que posso dizer-lhe para retribuir a alegria me dar-te?
Como lhe agradecer-te este amor, do qual sou indigno?
Malditos desses port�es e seus trincos, do qual n�o posso abrir...
e que impedem nosso amor.
Calisto, meu senhor, que barulho � este na rua?
N�o temas, Sra., devem ser meus homens perseguindo, algu�m que passa na rua.
Por Deus tomes cuidado, est�s em perigo!
A minha alma est� contigo, mas devemos separar-nos.
Fa�o por tua honra o que n�o fa�o pela minha vida.
Diga-me quando nos veremos?
Amanh� a esta hora, no pomar.
R�pido, ou seremos mortos!
Ser� que mataram Calisto?
O que importa isso agora?
N�o s�o os homens de Pleberio.
S�o os guardas da ronda.
D� no mesmo.
Senhor, r�pido esconda-se, est�o vindo com as tochas.
Est�s ouvindo barulho?
Melibea!
N�o lhe ouviu. Eu a chamarei.
Melibea! Filha!
Senhor?
Que barulho � esse?
Estava com sede, pai.
Lucrecia foi pegar um jarro de �gua.
Durma! Durma!
Eles estavam assustados.
E se eles soubessem da onde venho?
Senhor, deseja mais alguma coisa?
V�o descansar. N�o desejo nada.
Ser�s recompensado.
pelo bom servi�o que me prestou.
A onde vamos?
Para cama dormir ou para cozinha comer?
V� para onde quiser.
Antes do amanhecer, quero a parte que Celestina me deve daquela corrente.
Est�s certo.
Quem n�o tem dinheiro, n�o tens amigos.
-Agora tu reclamas? -Os pontos est�o doendo!
Deveria ter reclamado de outra agulha!
E bem que eu reclamava.
-H� esta hora? -� a minha m�e!
Quem est� batendo?
S�o seus filhos! Abras!
Eu n�o tenho filhos que andam pela rua a esta hora!
Somos P�rmeno e Sempronio.
Abras, viemos comer contigo.
O que os trazem a esta hora?
O que foi feito de Calisto?
Se n�o fosse por n�s, sua alma j� estaria vagando para sempre.
O que aconteceu contigo?
Diga-me como foi!
N�o tenho uma moeda para cair morto.
Pe�as ao seu mestre.
Ele � generoso o suficiente, para isso e muito mais.
Acordem Elicia e comam o que quiser.
Eu tenho outros afazeres.
Primeiro Calisto nos deu 100 coroas. Depois nos deu a corrente.
N�o vamos perder tudo querendo ganhar mais.
Quem muito quer, nada t�m.
Ele "nos" deu, Sempronio?
Tu perdeste o ju�zo?
O qu� seu mestre d�, n�o tem nada a ver com o que ganho com meu trabalho!
Escutes a v�ia! Se quiseres, v� trabalhar.
Pensei que seria f�cil, agora que ela t�m, vejo que n�o dar� nada.
Pensei que n�o quisesse o que me pediu.
Estavam pensando...
em ter suas vidas limitadas e comprometidas com Are�sa e Elicia
sem procurar outras.
Eu a tenho em minhas m�os.
Agora que nos conhecemos, poder�amos chegar a ter mais dez!
Chega de bajula��o, sua cafetina velha!
Sou velha, com a gra�a de Deus.
E vivo do meu trabalho...
como qualquer outro, honestamente.
Quem n�o me quer, n�o vou atr�s.
Que venham atr�s de mim!
E n�o sonhes em tratar-me mal.
-A justi�a � feita para todos! -Disse-lhe o que ela era!
E tu, P�rmeno?
N�o penses que serei tua escrava
por que sabes os meus segredos, e o que aconteceu-me com a desgra�a da sua m�e!
N�o me fa�as me lembrar disso, ou te mando para ficar com ela!
Elicia!
-Elicia, acorde! -Deixes Elicia dormir!
Elicia!
Des�as!
Tragas meu manto!
Pois vou gritar como uma louca para a pol�cia!
Como se atreve atacar uma ovelha mansa como eu?
Enfrentes aqueles que est�o armados de espadas!
E n�o contra os grampos de meu cabelo!
V�ia avarenta! Tu morrerias por causa de dinheiro!
N�o estavas contente com a parte que tinhas ganhado?
N�o me fa�as perder o ju�zo!
N�o quereis que eu saia e conte tudo a Calisto sobre vos!
Com berros e gritos! Tu cumprir�s o que prometeste
ou hoje ser� o �ltimo dia da sua vida!
Pare ele, P�rmeno! N�o deixes esse louco mat�-la!
Pol�cia! Pol�cia! Ladr�es querem matar-me em minha casa!
Eu lhe enviarei para o inferno!
Elicia, filha!
Eu morrendo!
Vizinhos! Ajudem!
Eles mataram Celestina!
Acabes com ela, j� que come�ou!
Com poucos inimigos!
Pela porta dos fundos!
Elic...
Esta � a justi�a que manda na terra, aos assassinos violentos.
A quem faz,
tamb�m lhe ser�s feito!
Senhor! Senhor! � Sosia que est� voltando.
Senhor!
P�rmeno e Sempronio?
H� uma hora espero meu cavalo!
Acabaram de serem executados.
-O que est�s dizendo? -Isso que ouvistes.
O que fizeram?
Mataram Celestina.
Celestina? Por qu�?
Dizem por que n�o quis dividir a corrente de ouro que senhor lhe havia dado.
Meu nome de boca em boca.
Tudo por causa de Melibea.
Que venham todas as desgra�as juntas, que eu cumprirei minha palavra.
A gl�ria que me foi dada � mais importante do que todas essas mortes!
Fora da minha casa!
Ladr�o, vil�o, mentiroso, libertino!
Enganaste-me muito me prometendo tudo, e n�o me dando nada!
Escutes, Are�sa, esperes.
Por tr�s vezes, te tirei da cadeia.
Por que fa�o isso? Por que, te deixo ainda entrar pelas minhas portas?
Pelos os ossos de meu pai que me fez e pela minha que me pariu,
Farei com que leve 1000 chibatadas nas suas costas!
Are�sa, cuidado comigo.
Se me irritar...
algu�m vai acabar chorando.
Are�sa! Are�sa!
O que aconteceu? Por que est�s com esse manto de luto?
Mas negro est� meu cora��o do que o manto.
e muita revolta eu sinto. Preciso lhe contar.
Entres, e n�o se desesperes.
Diga-me logo o que �.
� ruim para n�s duas? Tenho que preocupar-me?
Celestina, nossa Celestina,
J� est� acertando suas contas com Deus.
O que est�s dizendo?
Mil golpes de espadas lhe deram diante dos meus olhos.
Celestina?
Celestina est� morta?
Por causa de seu amor por Melibea. Calisto lhe deu uma corrente de ouro
E quando ela se viu rica, ficou tentada pela gan�ncia,
sem dividir com Sempronio nem com P�rmeno.
E eles vendo t�o gananciosa,
pegaram suas espadas e a mataram.
E eles, o fizeram deles?
Foram decapitados.
Calisto e Melibea, s�o culpados de tantas mortes!
Queira Deus que seu amor acabe mal.
Tomara, que a do�ura se torne amargura!
Fiques quieta.
Deixes de se lamentar.
Olhes para mim. Olhes para mim!
Seques suas l�grimas. Controle-se.
Quando n�o h� rem�dio, pode haver vingan�a.
E a vingan�a est� em nossas m�os.
� alto, mas � o melhor lugar.
Subas, Senhor. Irei contigo por que n�o sabemos, quem est� l�.
Fiques aqui. Subirei sozinho.
Eu a tenho em meus bra�os e n�o posso acreditar.
Estou t�o confuso, t�o fora de mim
que n�o consigo desfrutar de toda a minha sorte.
Ames, senhor, que eu amarei.
Esteja contente, como eu estou,
que possamos nos ver e estarmos juntos.
Passei a vida inteira em busca disso.
E quer que o rejeite o que � me dado.
N�o pe�as,
ou tomes o que tu n�o poder�s devolver-me.
Desejando-te, naveguei mares de fogo.
N�o vou desembarcar quando finalmente chego ao porto.
Por minha vida, senhor.
Desfrutes o que os amantes sonham em desfrutar,
mas n�o me roube a j�ia que a natureza me deu.
Perdoe-me, meu amor. Perdoe essas m�os desavergonhadas.
S� quero sentir seu corpo maravilhoso,
a suavidade de sua pele,
e a maciez de sua carne.
V� embora, Lucrecia!
Por que, minha querida?
Algu�m para testemunhar a minha gl�ria.
Senhor,
n�o quero que testemunhe o meu pecado.
Veja-os.
Um nos bra�os do outro...
e P�rmeno e Sempronio decapitados.
J� n�o podes negar meu amor.
E n�o me negues quando amanhecer o dia.
Passa de novo pela minha porta.
� noite,
onde tu mandares.
Sosia?
�s tu?
O famoso Sosia que tanto queria conhecer?
O bom amigo de seus amigos?
Deixa-me abra�ar-te.
Agora que te vi, vejo que tens mais virtudes do que me diziam.
Deixe-me v�-lo.
Deixe-me v�-lo.
Faz-me lembrar de P�rmeno.
Suponho que me conheces.
Senhora, ningu�m fala de mulheres bonitas sem antes se lembrar de ti.
Senhor me ganhou sem muito esfor�o.
Venhas.
Venha, Sosia.
Sabes quanto amei P�rmeno?
Como dizem, que quando se quer bem a Beltr�n todas as suas coisa ama.
Senhora...
Para que saibas o amor que lhe tenho,
Aviso-te que tomes cuidado.
Para que n�o tenhas o mesmo destino de P�rmeno.
E me basta ter chorado por ele.
De que perigo me falas?
Do risco que corres acompanhando o teu mestre
quando ele visita sua senhora.
-Quando voltar�s l�? -Est� noite.
� meia-noite.
Olha s� como ele aprende r�pido.
Onde?
No pomar de Melibea.
V�s com cuidado.
Deus lhe deu dois olhos e dois ouvidos.
Tenho esperan�a de ficar contigo durante muito tempo.
E agora diga-nos, como e por que queremos ir.
Quero que sejas est� noite
mas por v�-la contente...
por eu ter-lhe vingado.
Escolhas como quer que eu o mate.
Pe�o-te, Are�sa, n�o coloque-o nas m�os dele.
Se n�o teremos mais danos do que j� temos.
N�o te preocupes.
Talvez ele saiba alguma forma que n�o traga-nos perturba��o.
�s vezes uso meu porrete, para que a espada descanse.
Ent�o uses o porrete.
Deixe-o espancado, n�o morto.
N�o vamos come�ar a choramingar agora.
Fa�as o que quiser, e mate-o se desejar.
Que Melibea chore, como tu choraste.
Qualquer morte nos contentar�.
Que Deus lhe guie e lhe proteja.
E vamos logo, irm�.
Olhes essas rameiras malvadas, cheias de raz�o.
Terei de pensar como posso saia desta.
L�zaro, filho,
v� atr�s de Traso e seus dois companheiros,
e digas que eu estou ocupado, com outros assuntos,
que eles devem ir esta noite, as doze, at� os muros de Pleberio.
Querido traidor!
Onde estava o sol de minhas noites?
Onde tens escondido esta luz?
Deixe minhas roupas no lugar.
E se queres saber se minhas saias s�o de seda,
por que pega a blusa?
Para se comer uma ave, primeiro � necess�rio retirar as penas.
Se tem tanta fome,
Lucrecia poder� lhe trazer algo.
N�o existe outro alimento para mim, que n�o seja seu corpo e tua beleza.
Desejo que n�o amanhe�as nunca mais,
que nunca acabe o prazer de te acariciar,
e a paz que sinto em ti.
Cale-se!
Sou eu que amo,
eu que ganho.
E o senhor,
concede-me uma gra�a incompar�vel
quando voluntariamente vem at� at� mim.
Senhora, h� pessoas lutando na rua!
Ajuda!
� a voz de Sosia.
A espada! Ai de mim, me abrace!
Senhor, n�o v� lutar com quem n�o conhece!
Devo proteg�-los antes que os matem, eles s�o apenas dois pajens!
N�o!
Virgem Santa!
Calisto!
Senhor!
O pobrezinho n�o fala.
Confiss�o!
Meu senhor e protetor, quebraste o pesco�o.
Ele, que meus bra�os abra�aram,
j� nem se quer � uma sombra.
Que meus l�bios beijaram,
agora � n�o mais do que um sonho.
C�us, que seu pai n�o encontre-te aqui!
Adeus, minha luz.
Senhora, n�o me escuta?
Adeus, a minha alegria.
N�o desmaies, por Deus!
N�o ouvi mais os criados?
Senhora...
Eles levaram o meu amor, morto.
Senhora, tenha coragem de sofrer como tiveste de amar!
Por t�o pouco tempo possui o prazer.
Como veio r�pida a tristeza!
Agora sei o que eu tinha.
Por que n�o desfrutei mais desta gl�ria?
Senhora...
Deixa-me.
Ou encherei de lamento a casa de meu pai!
Senhor! Senhor!
Por Deus, o que aconteces, Lucrecia?
Melibea!
Onde est� minha filha?
Melibea, filha! O que tens?
O que sentes? O que queres?
Fala-me, por Deus!
Digas a raz�o de sua dor que logo ser�s remediada.
Tenho uma ferida mortal...
dentro do meu cora��o...
e que n�o consigo explicar...
por que est� no lugar mais secreto.
n�o venhas at� aqui, pai.
Se entende o que lhe digo...
acabar�s por me perdoar.
M�e querida!
Por que choras? Diga-me.
O que tens?
Por dias e dias...
suspirou por mim um cavalheiro.
Seu amor me conquistou. Abri as portas de casa para ele.
Com escadas, escalou os muros do pomar...
e serviu aos meus prop�sitos.
Eu perdi minha virgindade.
Ele veio ontem � noite,
como sempre.
Mas o destino colocou no caminho um desordenado capricho
e ao ceifar sua vida,
ceifou tamb�m minha esperan�a.
Pois seria crueldade continuar vivendo, sabendo que meu amor est� morto?
Meu amor e senhor!
Meu dono!
Aguarda-me.
Filha!
Minha filha,
por que n�o se conteve?
Por que n�o compadeceu de tua m�e?
Por que foste t�o cruel comigo?
Por que me deixaste triste e s�...
cansado e velho...
neste vale de l�grimas?
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